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sexta-feira, 22 de setembro de 2017

Uma manhã...

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Ela tinha acabado de correr, por isso estava ofegante e suada. A esteira ainda ligada na tomada. O cômodo tomado por seu cheiro. Hidratante e seu suor quente. Mistura química que me enlouquece. Andava de um lado para o outro, impaciente. Devia estar atrasada. Sempre se atrasava quando corria de manhã. Observei- a pelo que pareceu ser uma eternidade, antes de entrar no quarto. Coque no alto da cabeça, camiseta rosa bebê, calça legging estampada. O tênis já estava no canto. Seus pés à mostra. Unhas pintadas de vermelho. Os pés mais lindos e sensuais que já vi na vida.

Entrei enquanto ela estava de costas e a abracei beijando-a no pescoço. "Cheguei"- disse em seu ouvido. Mais um plantão, mais uma noite que ficara fora de casa, longe dela. Ouvi o som do seu sorriso por saber que eu estava ali. Virou e me beijou suavemente. Beijo de saudade. "Tô atrasada." Respondi que sabia e que não iria incomodá-la. Revirou os olhos dizendo muda que eu não incomodava. Sabia que era isso que queria dizer. Tirei a roupa do trabalho e entrei no banho, enquanto ela continuava sua saga matinal.

Nossa rotina estava pesada. Quase não nos encontrávamos mais. Eu chegava e ela saía. Respirei fundo sentindo a água passeando pelo meu corpo. Cheguei cansada, mas cheia de tesão. Queria-a. Mas hoje não parece ser um bom dia. De costas para a entrada, me ensaboando, ouvi o barulho do box se abrindo e me virei. Lá estava ela, nua. Me olhando daquele jeito gostoso. Me beijou com veracidade, reavivando meu corpo.  "Liguei pra lá e disse que vou me atrasar..." - disse. Agarrou meu cabelo e me empurrou até a parede, me beijando cada vez com mais força. Meu corpo ainda estava cheio de sabão e sua mão escorregava sobre ele. Me apalpava com intensidade, parecia que eu iria escapar caso não me segurasse.

De repente parou. Me enxaguou, retirando o sabão do meu corpo. Se ensaboou rapidamente, me provocando e fazendo aquela dancinha boba que eu gostava. Terminou seu banho enquanto eu fica ali parada, olhando-a. Abriu o box, saindo do banheiro sem se secar. Sorri. Vesti o roupão e fui atrás. Ela havia deitado na cama, nua, molhada e de bruços. As pernas jogadas pra cima. Pouco se importando comigo...

Tirei o roupão e me joguei de leve por cima dela. Beijando suas costas molhadas até quase o bumbum. Massageei suas pernas e pés. Ah, aquelas unhas vermelhas... Virei-a beijando sua boca suavemente, acariciando seu cabelo. Passeei a língua pelos seus seios e ela gemia baixinho. Aréolas, bicos... Mordicadas de leve e ela ficava cada vez mais enlouquecida. Seu olhar pegava fogo. Intercalava beijos, mordidas e lambidas em sua barriga, me concentrando no umbigo. Nessa hora, ela já puxava meu cabelo e gritava.

Sentir seu gosto era o momento mais esperado. Foi o que eu fiz. Mergulhei em seu universo enquanto a chupava. Ela estava deliciosamente excitada, molhada. Fazia movimentos diversos com a língua. Sentia prazer com seu prazer. Ela gemia e apertava minha cabeça e ali eu permanecia obedientemente. Passeando minha língua, matando meu tesão. Satisfazendo-a. Língua, dedos, saliva, suor, água... Nós duas ali, esquecendo horários, obrigações e tudo que não fosse nós mesmas e nossos corpos...

Gozamos. Arfantes, deitadas lado a lado olhávamos para o teto. Mãos dadas. Não falamos nada. Não precisava. Eu sabia o que ela pensava e vice-versa. Depois de vários dias, tivemos uma transa deliciosa. Nossa sintonia aumentava, nossos corpos se entrelaçavam e crescia o tesão. Ela virou de lado, olhando diretamente para mim. O sorriso safado ainda estava ali. Se jogou em cima de mim, me beijando. Recomeçamos...


Rafaela Valverde





Ela e os trabalhos dela: um lamento público

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Ela foi uma jovem inconsequente no que diz respeito a empregos, a trabalhos. Em contrapartida de todas as outras partes da vida em que sempre foi certinha. Casou cedo e durante oito anos só teve um único homem. Mas no que se refere a estabilidade financeira, estudo e carreira, sempre foi desmiolada.

Temperamento agitado e quente que nem pipoca na panela. "Não levo desaforo pra casa" - foi seu mantra durante anos.  Largava empregos. Irresponsável. Mangueava. Pedia demissão. Achava que era fácil conseguir outro."Sou demais." Se achava muito boa. Até era. Mas faltou humildade e comprometimento.

Jovem e inconsequente. Mas, sabe, não justifica. Ser jovem não é necessariamente sinônimo de irresponsabilidade e inconstâncias. Foram muitas atitudes infantis, daquelas que nem criança tem. Houve momentos ruins. Mas, hoje ela vê que não era nada insuportável. Ela podia ter aguentado em muitos momentos. Hoje é muito claro. Fica mais fácil perceber, ao longo do tempo, que foi muito idiota. Burra mesmo. Perdeu oportunidades, jogou outras no ralo. Viraram dejetos, junto com sua vida. Vida que poderia estar melhor se não fosse por ela mesma.

Sim, ela é a principal responsável pela merda em que está mergulhada. Até o pescoço. Lama. Tóxica e purulenta. Não há uma pessoa que conviveu com ela que não a tenha alertado. Impulso. Era o que movia suas ações. "Vou pedir demissão. Não faça isso" - a voz do marido na época, ecoou pelo telefone. Ela não ouviu. Achou que onde estava era ruim demais. Saiu. Não pôde suportar. Por quê? Porque sempre queria justificar essas atitudes idiotas? Não há justificativa. Agir de forma tão imprudente. Uma. Duas. Três. Ene vezes. Arrependeu- se, quis voltar atrás, já era tarde. A merda já estava feita. Ela fez isso até mesmo no melhor emprego que já teve. O que mais gostava. Para quê? Para descansar. "Não aguento mais fazer a mesma coisa todo dia."

Hoje vê o quão foi burra. O passado lhe dá tapas com mãos de ferro. Se mostra e se gaba. "Você não pode me ter mais..." Inconsequente. Irresponsável. Já nem sei quantas vezes repetir essas palavras aqui nesse lamento público.  

Mas é isso que ela é. Ela sabe que foi. Ninguém precisa dizer-lhe. Ela se culpa. Ela se flagela e esse auto flagelo não tem fim. Vem em forma de ansiedade, insônia, depressão, crise de pânico e tristeza. Além de frustração e raiva. Raiva de si mesma. De ter sido tão estúpida. Tanta  coisa jogada na lata de lixo!

A maturidade mostra hoje o que foi feito no passado e era escondido pela névoa de infantilidade, de ilusão do gênio forte. Pavio curto, personalidade  difícil. Poucos sabiam lidar. Nem ela mesma sabia.  Mas ela mudou. Amadureceu. Renasceu. Reviveu. Ela sente na boca o gosto amargo  das besteiras que fez.. Seu maior emprego durou um ano e oito meses. Chora. Perde outras chances. Terceira. Quarta. Décima chance. Quer movimentar a vida. Estacionada. Quer avançar e não consegue. Crise. O emprego não vem. Maré de azar. Três estágios como professora substituta não deram certo. As professoras titulares sempre voltavam. Ano conturbado, esse. Ímpar. Nunca gostara de anos ímpares. Geralmente, por má sorte mesmo ou por força do pensamento, esses anos são bem cuzados para ela.

Ela se sente fraca. Não tem mais a quem recorrer. Já pediu aos céus e aos infernos. Implorou. Pediu. Esperneou. Nada. Mais de ano se passou. Precisa reformar o quarto, comprar aquele Kindle maravilhoso e um notebook. Precisa ter dinheiro de transporte para não ter que trancar seu amado e suado  curso.

Não que não haja vagas. Não que não dê para conciliar com a faculdade. Até tem. Até dá. Só não chegam para ela. "Entenda, não é azar. São as consequências dos seus atos. Tantos empregos que não valorizou agora se vingam de você em forma de vácuo." Simplesmente não vem. O que precisa para a vida dela avançar  não vem. "Viu sua trouxa, imbecil? Bem feito, eu não tenho pena de você."

Agora vá comprar o caderno das Americanas de  cinco reais. Agora vá comprar dois reais de pão e um copo de suco. Não vai. Porque não pode. Não tem dinheiro. Não tem emprego. Não tem vida, sucesso, avanço, carreira... Só o gosto amargo do que era, como era e quando era. O gosto do ontem que você expurgou e juntou ao lixo. Sem direito à reciclagem.

Agora aquente, sofra, chore, passe por isso. Encare e nãos e mate. Ore. "Faça mandinga." Dance um tango. Coma tofu. Faça coisas que nunca fez. Tome banho de pipoca. Fique cheirando a alfazema. E espere. Sim, eu só te digo uma coisa: seu maior castigo é esperar!



Rafaela Valverde

quarta-feira, 31 de maio de 2017

Das 8h às 17h


Nunca me imaginei vestindo um uniforme e trabalhando das oito às dezessete. Assim como nunca me imaginei, nunca trabalhei oito horas na vida. Também nunca tive um salário de mais de três dígitos, pois os salários baixos são mais compatíveis com a carga horária de seis horas por dia. Eu fico tentando entender como será essa rotina, como será a cabeça dessas pessoas que a vivem. Claro que eu tenho minha mãe em casa, mas queria visões de fora sobre perder no mínimo quatro horas por dia só no trânsito - o que é condizente com a realidade do trânsito de Salvador e o tempo gasto parado; depois ainda trabalhar oito, nove horas e ainda passar uma ou duas horas de almoço dentro da empresa, ou nas proximidades. É como se vidas inteiras girassem em torno de empresas, de empregos, de negócios, de lucros. Vejo colegas andando juntos na rua, com os uniformes do trabalho, indo ou voltando do almoço. Sim às vezes escuto as conversas alheias e sei que muito do que conversam se relaciona à empresa ou aos colegas. Penso que é por isso que as pessoas imploram tanto pela chegada da sexta feira, por que ter uma vida que gira em torno de uma atividade laboral deve ser bem extenuante. Eu analisando de fora, vejo que isso é triste, sei lá, não sei bem se é triste a palavra que queria usar. Se eu, só estudando e agora estagiando, às vezes não sobra tempo para estudar imagine então quem trabalha o dia todo e faz uma graduação à noite. Quase não tem tempo de estudar. Deve ser bem puxado e não imagino minha vida girando em torno de nada que não dará lucro a mim mesma. No final do dia as pessoas já saem tão cansadas do trabalho e ainda pegam o trânsito miserável dessa cidade. E no outro dia precisam acordar mais cedo para conseguir chegar no horário, pois também tem trânsito... Eu seria bem infeliz em uma rotina dessa. Não posso chegar aqui e mentir, dizer que é melhor viver refém de uma empresa qualquer do que ficar sem trabalhar formalmente. Sim, porque esse é o discurso da maioria das pessoas que eu conheço e talvez eu seja a maior errada nisso tudo, mas é o que eu penso. Não entendo como as pessoas podem sair desses trabalhos sorrindo, devem ser muito felizes. O resto que sobra das suas vidas deve mesmo ser muito bom para que elas sorriam tanto, porque eu sinceramente não entendo.




Rafaela Valverde

sábado, 20 de maio de 2017

Mulheres, não precisamos de homens!



Eu sofri mas eu aprendi algumas coisas com meus erros e meus sofrimentos. E quem sofre, erra e não aprende nada com isso? Não estou aqui querendo me sentir melhor que ninguém, apenas ratificar a tese de que os erros e dores servem para nos dar uma lição. Isso é verdade. Claro que a gente precisa ter consciência desses erros e realmente refletir sobre o que mudar. Não acontece por osmose, não é rápido, nem fácil. Demora e dói. 

Passei vários meses sentindo uma dor física, sem querer levantar da cama e passei muitas das horas desses dias pensando em que tinha falhado e que se eu não tivesse cometido determinada falha, talvez eu não tivesse em determinada situação. Mudei e virei uma pessoa mais leve com a vida. Não cobro mais tanto de mim, nem da vida, nem dos outros. Me tornei uma adulta mais leve e não me troco pela eu de cinco, seis anos atrás.

Mas e quando as pessoas sofrem, passam determinadas coisas e não mudam? Continuam cometendo os mesmos erros? Será que elas não refletiram sobre suas atitudes? E quando essas pessoas são mulheres? Uma mulher sofreu horrores em um relacionamento: perdeu tudo o que tinha construído com o outro, porque simplesmente ele lhe usurpou, quase morreu por um problema de saúde e ainda foi trocada por outra e agora "abre os dentes" para esse homem, anos depois. Não dá vontade de matar uma mulher dessa? Dá!

Eu não sei se é falta de maturidade, pois é uma mulher já bem grandinha. Eu não sei se muita falta de amor próprio, eu não sei se é o machismo, a misoginia e a sociedade patriarcal já impregnados em nosso inconsciente. Eu sinceramente não sei. A coisa está tão feia que quando a mulher erra é xingada, considerada vadia, vagabunda, sei lá. Mas quando o cara erra, a sociedade aconselha que se perdoe porque ele "é homem" e porque "todo mundo merece uma segunda chance." Então, só os homens merecem segunda chance? Porque mulheres são execradas e até mortas quando traem!

Então, isso está tão impregnado em nossa cabeça que a gente acha que não pode viver sem homem, mesmo que ele seja ruim. Chega a um determinado momento da vida em que a gente só sabe falar: "ruim com ele, pior sem ele" e acredita nisso tão veementemente que fica ali naquela relação, inerte, só esperando o dia de ser libertada por alguma magia. Não, isso não vai acontecer! Quem se liberta é a gente mesmo. E ponto.

A gente é criada e incentivada desde muito nova a procurar homem, a viver dependente de homem.  aí acreditamos que não dá para viver feliz sem ter um homem do lado, sem ter um relacionamento, sem casar. Porque somos indefesas e precisamos da defesa de um homem, A gente não sabe que dá para viajar sozinha, ir ao cinema sozinha, beber sozinha, ir à festas e shows sozinha... A gente acha que só vai ser feliz se tiver um homem para nos fazer companhia. Assim, aproveitamos a deixa e ficamos burras, esquecemos como instala computador, não aprendemos furar ou pintar uma parede e não aprendemos a ser independentes "por que temos um homem".

Mas um dia, assim como eu aprendi, a gente aprende que somos suficientes e nos bastamos. Estudamos, trabalhamos, pegamos pesado para ter nossa independência e nenhum homem vai nos dizer o que fazer, nem hoje, nem nunca. Pelo menos não a mim! Sobre os fatos relatados acima: eu, por muito menos já botei homem para correr. Mas tem mulher que sabe que está infeliz, sabe que aquele homem não presta e nunca vai mudar e continua ali. Até quando Deus quiser. Mulheres tomem posse das suas vidas! Amem, mas amem a si mesmas muito mais em primeiro lugar. É tão maravilhoso se amar, se achar linda, independente e auto-suficiente. Não há nada melhor! Aprender com nossos erros e sofrimentos, é para mim, o principal motivo deles acontecerem, então vamos levantar da cadeira e lutar por nós mesmas, pois os homens só enxergam seus próprios umbigos.




Rafaela Valverde

quinta-feira, 4 de maio de 2017

Minha trajetória acadêmica

Em 2010 passei no vestibular da Uneb - Universidade do estado da Bahia para o curso de Pedagogia, que eu não sabia exatamente do que se tratava, mas como achava que queria fazer psicologia, achei que pedagogia tinha semelhanças com psico e lá fui eu. As aulas começaram no dia 12 de abril e ainda era tão menina, ia fazer vinte e um anos e estava noiva. Nessa época eu trabalhava e estudava e só vivia cansada, dormia na aula e não sei como eu consegui lidar com oito matérias assim. Uns dois meses depois fiquei desempregada e minha mãe que me ajudava com a faculdade. Casei no mesmo ano e continuei nos semestres seguintes com as oito disciplinas.

Depois de um tempo comecei a pegar menos matérias e fui ficando atrasada, separada das minhas colegas e amigas que tinha feito naqueles meses. Acredito que  isso tenha me desmotivado bastante, além  de uma monitoria que fiz e não recebi o dinheiro ao qual tinha direito e precisava. Por essas e questões de não gostar e não me adaptar com algumas disciplinas e questões do curso acabei abandonando. Eu não via mais graça em estar ali, fazendo aquele curso. Me sentia sem perspectivas.

Foi nessa época que passei a dar mais atenção ao blog e quis seguir o sonho de escrever, de ganhar dinheiro escrevendo e botei na cabeça que queria ser jornalista. Por que queria escrever de qualquer jeito. Até pensei em fazer letras, mas tinha horror à licenciatura e à sala de aula. Tentei entrar na UFBA em jornalismo e não consegui. No ano de 2013 depois de uns meses fora do Departamento de Educação da Uneb, decidi voltar. Mas durou pouco tempo. Minha falta de afinidade com o curso era latente, eu não me dava bem com a maioria dos professores de lá que eram muito arrogantes. Não tinha motivação para ir até lé, nem para fazer as atividades, nem de olhar para as caras dos professores. Saí de novo e dessa vez pra valer.

Em 2014 depois de mais um Enem tentei novamente o curso de jornalismo na UFBA e não consegui. Porém fiz um vestibular na Unijorge e passei, consegui um FIES e fui fazer jornalismo nesse centro universitário privado. Não me adaptei muito bem lá. A universidade parece um shopping, com praças de alimentação bem grandes e quase nenhum apoio a alunos de baixa renda. Me sentia deslocada, um peixe fora d'água. Fora que a sala que eu estudava era super barulhenta e imatura, me sentia estudando em uma escola de ensino médio. Fora que com boletos todo mês e o salário que eu ganhava não estava dando, daí decidi usar a mesma nota do Enem e ganhar uma bolsa em uma universidade diferente e melhor. Consegui a bolsa e ia começar o semestre no mês de agosto de 2014. Enquanto isso, minhas colegas estavam se formando. 

Faltando poucos dias para começar o semestre na FSBA - Faculdade Social da Bahia eu recebi uma ligação  avisando que não havia formado turma para jornalismo e que o curso estava praticamente extinto na universidade. Eu teria que escolher outro curso ou desistir da bolsa. Dentre os cursos que me ofereceram fiz a merda de escolher um. Eu não acreditava mais que pudesse entrar na UFBA  e seguir a carreira acadêmica que eu tanto sonhava. Então eu escolhi psicologia. Entrei sem semestre definido e pegava disciplinas introdutórias misturadas com as mais avançadas e não entendia os conceitos básicos tendo certa dificuldade em acompanhar. Sentia o tempo todo que me formaria sem nenhuma perspetiva, não me sentia feliz ali, nem no curso e nem na faculdade. Fora que é perto do campus da UFBA em que estudo hoje e pegava os mesmos ônibus que vários alunos da Federal que ali desciam e ficava pensando que meu lugar era ali, que um dia eu gostaria de descer antes, naqueles ponto.

O que começou a me tirar daquele curso e daquela faculdade foi a dificuldade em estudar. Os textos eram longos e meu tablet havia quebrado, me impossibilitando de ler a maioria dos textos. Eu teria que tirar xerox ou imprimir todos e não tinha grana para isso, apesar de estar trabalhando na época. Comecei a tirar notas ruins e a faltar nas aulas de sábado, já que trabalhava aos finais de semana. Eu sabia que tinha que sair dali e exatamente no meio do ano de 2015, no SISU do meio do ano eu decidi que eu iria para a UFBA em qualquer curso. E eu entrei em Letras. De primeira. Sabe se que as notas de corte desses cursos são bem baixas e não foi tão difícil. Fiquei muito feliz. Acho que foi um dos poucos dias mais felizes que tive naquele ano. Dia 15 de junho de 2015. A universidade estava em greve, fiz matrícula, mas só comecei a ter aulas em janeiro de 20016, ano passado e hoje estou no quarto semestre e realmente estou onde eu merecia, precisava e queria estar. Eu dou aulas particulares de Português e agora vou assumir salas de aula em uma escola estadual. Eu estou muito feliz e realizada na minha vida acadêmica. Eu amo ensinar. Eu já faço pesquisa e sou bolsista de Iniciação Científica. Eu vejo  a realização do meu sonho chegando, chegando aos poucos. Eu tenho contato mais direto com literatura, algumas disciplinas de literatura do curso são fascinantes e eu adoro entrar naquele portão todos os dias. Por mais que a coisa não seja fácil. É muito estudo. É tudo bem diferente de todas as universidades em que já estive. Mas eu adoro, finalmente me encontrei.

Não desista do seu sonho, não hesite em sair de algo que não te faz bem, onde você não quer estar. Saia e vá atrás do que realmente você quer. Porque uma hora dá certo. Essa é a loucura da minha vida acadêmica até agora, minhas desistências e conquistas. 



Rafaela Valverde

quarta-feira, 5 de abril de 2017

Altruísmo


Li essa semana num status de WhatsApp algo sobre altruísmo. Altruísmo é, entre outras coisas, fazer o bem sem esperar nada em troca. A partir desse status comecei a pensar em mim mesma, se eu sou uma pessoa altruísta. Acho que sou, pelo menos pelo fato de não querer nada em troca. Nem vejo como boa ação e sim como minha obrigação mesmo. Gosto de repassar informações, especialmente para quem esteja precisando. Gosto de ajudar as pessoas. Gosto de dar boas notícias, me preocupo com as pessoas.

Há algum tempo notei que sou assim. Me preocupo quando alguém falta durante aulas importantes. Fico tentando imaginar o que pode ter acontecido e se posso ajudar. Já fiz trabalho sozinha, quando era em dupla, mas para ajudar o colega mesmo. Coloquei o nome dele e disse para estudar, que a parte do slide eu fazia. Segurei a apresentação. Ele me agradeceu, mas já aconteceu de outras pessoas não agradecerem e eu não me importo. De verdade, eu nem lembro de todas as coisas que já fiz para ajudar as pessoas. Não fico remoendo isso.

Eu vejo imagens e posts sobre empregos e mando para quem acho que aquela vaga pode interessar. Eu converso com quem precisa, eu sou dessas que acha que as pessoas podem ter oportunidades. Sou dessas que faz coisas de forma automática sem se importar muito com o que pode ou não vir em troca. O mais engraçado é que só pensei nisso essa semana que vi essa imagem com a definição da palavra altruísmo e pensei que talvez com algumas atitudes minhas posso ser considerada altruísta. É claro que não vou dizer aqui. Não acho que devo divulgar. E não falo de assistencialismo ou caridade de dar dinheiro ou cesta básica para alguém. Falo de gentileza, de troca, de coisas que uma pessoa pode fazer por outra. Pequenas coisas, coisas cotidianas. Sim, eu gosto de mim.




Rafaela Valverde

sábado, 25 de março de 2017

Alguém sabe o que é Brasil?


Esse texto é um pequeno ensaio produzido por mim para avaliação da disciplina Literatura Brasileira e a Construção da Nacionalidade do curso de Letras da UFBA.

Para o novo país, havia a necessidade de definição. Nações europeias já estavam aí há muito mais tempo. O Brasil era novo nessa coisa de ser pátria. As pessoas que habitavam o território brasileiro eram diversas já no período radical.
Um país com jeito de continente: como formar uma unidade? Com engendrar traços em comum que tornassem o povo, ou os povos que aqui viviam minimamente homogêneos? Era realmente possível? O fato é que hoje ainda não somos homogêneos, apesar das inúmeras tentativas. Graças a Deus, graças a todos os deuses, já que somos  um estado laico.
O querer ser nação foi inventado pela Europa, é claro. Ainda no século III no período do Império Romano, onde já existia esse tipo de política para impressionar e para dominar. Em Roma havia exército, guerras, corrupção, brigas políticas e dominação de povos. Segundo Ernest Renan, no texto O que é uma nação? foi a invasão germânica ao território românico que introduz no mundo o princípio da nacionalidade. É claro que esse conceito só seria desenvolvido mais tarde; a invasão foi uma base para o que conhecemos hoje. Portugal trouxe-nos de forma bastante contundente, ideias de nacionalidade como bom representante do continente europeu.
Renan escreve ainda que “[...] a essência de uma nação é que todos os indivíduos tenham muitas coisas em comum, e também que todos tenham esquecido coisas”. Dessa forma, para que uma nação seja nação, a maioria das pessoas deve compartilhar nuances de uma mesma cultura e ao mesmo tempo ocultar o que não interessa dessa mesma cultura. Em geral que é esquecido é algo ruim, ou considerado ruim ou ainda algumas culturas produzidas pelas minorias.  Existe uma crença que para o Brasil ser Brasil, se faz necessário que todos falem o mesmo português, gostem de futebol e carnaval, por exemplo. Ao mesmo tempo ser Brasil é estereotipar povos indígenas e pessoas pretas; é esquecer e ocultar escravidão e massacres desses povos; ser Brasil é acreditar piamente no mito da democracia racial, ser Brasil é  ”esquecer” de muitas outras perebas históricas e sociais de um jeitinho escroto regulamentado por nós mesmos.
Não dá para ser homogêneo. Não é possível que exista homogeneidade quando se trata de seres humanos com culturas, subjetividades e individualidades. Somos iguais perante a constituição brasileira e somos tão diferentes. Somos essencialmente distintos, isso não dá para mudar. Essas diferenças vêm de todos os fatores que já sabemos: miscigenação, intercâmbios culturais, etc. Se não há homogeneidade, tampouco é possível definir o “ser brasileiro” apenas por esse jeito de se pensar que é ser brasileiro. Não dá para definir através de futebol, carnaval, língua e novela. Aliás toda essa trama bem conduzida e interligada de que todo brasileiro gosta dessas coisas foi criada politicamente. Isso é óbvio. Como eu disse no início, era necessário vender o novo país ao mundo. E quanto a isso, meu texto é até repetitivo.
Vejamos: somos tão criativos em alguns casos que até o jeitinho brasileiro varia de região para região; duvido que o cara que burla qualquer coisa lá no Sul, burle da mesma forma que burlamos aqui no Nordeste. Nem todos gostamos de futebol, ou entendemos suas regras, como é o meu caso. O carnaval também não é unânime por aqui. Há também heterogeneidades na língua. Com dialetos e sotaques, ela não é igual em nenhum estado brasileiro.
Assim, não dá para definir nacionalidade através desses aspectos. Mas o que é ser brasileiro, afinal? “Uma nação é uma alma, um princípio espiritual.” (RENAM, P. 18) Para ele é invisível, para mim uma mentira. A nação brasileira inventada para satisfazer o resto do mundo é uma falácia.

 O próprio Renam afirmou em seu texto, que é preciso uma boa dose de  esquecimento para formação de nações.  Dessa forma exterminamos a maioria dos nossos índios, matamos pessoas pretas todos os dias. Essas ações, conscientes ou não, ajudam a ocultar o que não queremos em nossa pátria. O lado da história que queremos é o lado narrado pelo homem branco.
Nossa história começou a ser contada, como até hoje é, por homens brancos, europeus, heterossexuais. Histórias ou estórias que narram a grandeza do homem europeu que fez o favor de achar o Brasil e nos salvar dos povos indígenas selvagens que aqui viviam. Obrigada, gente!
A carta de Pero Vaz de Caminha é um dos exemplos da contação dessa estória, sim, para histórias fantasiosas é estória! A lenda do surgimento do Brasil e da nacionalidade brasileira estava esquecida e foi resgatada para ser um símbolo de brasilidade e orgulho da terra maravilhosa em que nascemos, olha que sorte!
O texto Quem foi Pero Vaz de Caminha? De Hans Ulrich Gumbrecht traz informações e reflexões importantes para refutar a carta. Caminha não só esteve aqui por apenas dez dias como também  não se sabe quase nada sobre o homem que primeiro descreveu o Brasil. Há várias outras questões no texto, listo aqui algumas delas: Pero Vaz de Caminha só esteve presente na expedição do “descobrimento” por causa de suas habilidades  para escrever. Portanto, ele já veio com essa função pré- determinada. Ou seja, a carta não foi fruto do fascínio de Caminha pelo país. Não era literatura, era um documento oficial para ser entregue ao rei de Portugal. Um relatório sobre o recém-achado país que serviria para enriquecer ainda mais a corte portuguesa. A carta descreve vários momentos  desses dez dias de convivência com  os índios: as comidas, os rituais. As danças, as relações sociais e os costumes. Tudo meio piegas  e estereotipado. O Brasil é um país rico e perfeito e é aqui que vamos nos estabelecer trazer nossos presos e extrair toda riqueza que for possível.
O texto, tratado até como literário, pode ser considerado o marco inicial dos textos nacionalistas, que montam o Brasil e o brasileiro baseado em conceitos que pretendem vender o país como paraíso tropical, com  um jeitinho malandro e lindas mulheres.
O termo nacionalismo traz uma ideia patriótica intrínseca, mas não é tão fácil definir. Não há um significado só. Nação e nacionalismo são o que querem que a gente pense que é. Para Benedict Anderson: “Nação, nacionalidade, nacionalismo, todos provaram ser de dificílima definição que dirá de análise.” (p.28)
Se Anderson está afirmando isso, quem sou eu para tentar aqui definir qualquer um desses termos. Mais a frente, o autor discute nação como algo inventado, como “uma comunidade política imaginada, [...] limitada e ao mesmo tempo soberana.” (p.22)
Dessa forma, há de se concluir que o Brasil enquanto essa nação alegre, festiva e receptiva, não existe. Não existe porque não existe um só Brasil, mas Brasis. Diversos, multiculturais, que vai além do Brasil que querem mostrar ao mundo. Parece que sempre existiu essa mania de querer difundir um Brasil especial, desde Caminha até hoje.
Especialmente a partir de 1930, quando houve uma mudança política no país, essa imagem articulada de um Brasil malandro e festeiro foi distribuída pelo mundo. Filmes, propagandas políticas, jornais, livros e gêneros literários espalhavam nosso jeito maroto de viver. Todos esses meios convergiam para confirmar a versão de Brasil  que pretendiam espalhar. Nós tínhamos e ainda temos um Brasil encomendado. Drummond, ciente disso, perguntou em seu poema Hino Nacional, se o Brasil existe mesmo e se existem mesmo os brasileiros? Esse Brasil e esses brasileiros encomendados e inventados? É a mesma pergunta que eu me faço.  
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Rafaela Valverde


quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

Nove Noites - Bernardo de Carvalho

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Estou mergulhada num livro como há muito tempo não ficava. É claro que a resenha crítica solicitada pelo professor de Literatura Brasileira me impeliu à tal empreitada, mas realmente a leitura desse livro é apaixonante. O livro é  Nove Noites de Bernardo de Carvalho, já tinha ouvido falar no autor, bem por alto, mas nunca havia lido nada dele. Amei essa experiência de ler Nove Noites. Ele traz muitas questões, mas muitas mesmo, sobretudo no que se refere às comunidades indígenas tão estereotipadas por nós.

Há muitas desconstruções. Na verdade, a disciplina é toda de  desconstrução de conceitos bizarros que estão em nossa cabeça desde a tenra infância. Fiquei muito apaixonada por Nove Noites, especificamente. É um livro de ficção e memória como afirmou o próprio autor.  Ele mescla a vida do narrador ou narradores com relatos da vida de Buell Quain, antropólogo americano que se suicidou aso 27 anos enquanto vivia em uma comunidade indígena no Brasil.

Eu escrevi uma resenha crítica, ou seja lá o que for aquilo, de cinco folhas sobre o livro que é genial. Deixa o leitor preso até o final a fim de saber se aquele mistério será resolvido. Pelo menos eu fiquei presa, em alguns momentos fascinada pela história. Mas o livro, que eu carinhosamente chamei de colcha de retalhos, não elucida o suicídio do jovem etnólogo. Sim, vou logo dando spoiler, porque com um livro maravilhoso desse não há spoiler que estrague a leitura.

Por que o americano se matou? Onde está enterrado seu corpo? Onde estão as cartas que ele recebeu pouco antes de morrer? Essas perguntas, entre outras, são deixadas sem resposta no decorrer do livro. Mas o que mais importa é como essas perguntas são feitas. Ainda assim, o final do livro conseguiu ser surpreendente para mim devido a alguns desdobramentos da narrativa. Amei Nove Noites!



Rafaela Valverde

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

Funciono melhor trabalhando sozinha


Sempre funcionei melhor sozinha. Não gosto de trabalhar em grupo e até hoje, uma mulher adulta, eu não consigo entender como um professor tem a coragem de passar escritas de texto em grupo. Escrever é um ato individual. Para mim quase todos os atos são individuais. Eu gosto de andar sozinha na rua, sem conversar, assim ando mais rápido. Eu gosto de fazer trabalhos individuais. Eu gosto de criar sozinha. Sem interferências. Todo trabalho que faço individual sai bem mais bem feito.

Claro que por conta dessa solidão voluntária eu  acabo sozinha mesmo. As pessoas me vêem como antissocial ou metida e assim vou vivendo. Eu não sou nada disso, quando trabalho em grupo, trabalho até bem e não tenho problemas de relacionamento, fazendo bons trabalhos. Só que no início demoro um pouco para me enturmar, especialmente se for num grupo que não tenham muitas pessoas conhecidas.

Mas a minha principal dificuldade é conversar com pessoas estranhas. Minha segunda dificuldade é escrever textos de forma coletiva. Como os professores acham que isso pode dar certo? Não acham e não pode. Nossa, então cada um vai mandar um pedaço e algum besta vai emendar a colcha de retalhos.

Eu gosto de silêncio. Eu gosto de estar sozinha em determinados momentos, especialmente quando estou estudando, ou seja maior parte do meu dia. Portanto pessoas por perto às vezes só fazem me atrapalhar. Porque as pessoas conversam o tempo todo. As pessoas falam demais. Eu não aguento isso. Eu adoro os momentos em que fico calada para poupar minha voz. E o povo fica tagarelando, aff. Enfim, eu sou chata. Valorizo meu silêncio, minha paz. Eu funciono melhor sozinha.



Rafaela Valverde

sábado, 28 de janeiro de 2017

Minha paixão por música e o Kid Abelha Acústico MTV


Obviamente não sou crítica musical, mas escuto música, mas escuto mesmo. Minha vida toda. Mais de vinte anos que escuto muita música. Minha mãe ouvia de Bee Gees a Luis Caldas. Ela ouvia também muitos hits pop nacionais e internacionais dos anos 80, como a jovem mãe que era. Sempre fui muito apaixonada por música. Virei fá de Marisa Monte aos 11 anos depois de ouvir Amor I Love You senti que eu tinha que saber mais daquela mulher tão afinada. E descobri. Acompanho Marisa até hoje.

Mas há muitos outros artistas que eu acompanho desde a pré adolescência, um deles é a banda Kid Abelha. Estou ouvindo o disco acústico MTV exatamente agora. Esse disco foi gravado em 2002. Eu tinha treze anos. E ele para mim é muito especial. Marcou minha adolescência. O Acústico MTV do Kid Abelha é uma compilação básica dos maiores sucessos do Kid. E nesse momento em que foi lançado, eles voltam à vida da gente e as rádios com Nada Sei. Esse hit estourou na época.

Eu escutava uma vizinha ouvindo e viva pedindo a minha mãe para comprar porque eu queria conhecer mais a banda. Minha mãe um belo dia chegou com uma cópia pirata - não julguem minha mãe, era 2002, vocês sabem quanto custava cds naquela época? - além disso, não tínhamos tanto dinheiro. Até hoje não temos, hahaha. Mas, enfim. Vou contar a história desse disco.

Como eu já havia dito, minha mãe me trouxe esse disco um dia e eu fiquei enlouquecida. Mas depois de um tempo o cd se acabou, arranhou, sei lá, nem lembro direito. Só sei que se perdeu e eu não pude mais ouvi-lo. Mas uns anos depois eu consegui comprar o original, naqueles balaios das Lojas Americanas, baratinho. Comprei com meu salário do Mc Donald's no ano de 2006. Lembro bastante desse dia que tem exatamente onze anos e eu era uma menina tão inocente, cheia de sonhos. Lembro que fiquei muito feliz nesse dia e tenho meu Cd até hoje. Quando peguei para escutar, vi a data e tive a ideia de compartilhar essa história com vocês. É isso. Música é demais. Música é poesia!


Rafaela Valverde


segunda-feira, 17 de outubro de 2016

Terapia


Comecei a fazer terapia. Finalmente. Sabia que precisava há muito tempo. Após uma série de desabafos de alunos da UFBA veiculados na mídia, falando sobre o mal estar que vivemos hoje na universidade, onde vivemos atolados e infelizes; surgiram várias iniciativas para terapias para nós alunos. Uma delas foi lá mesmo, na UFBA.

É uma terapia em grupo, com um psicólogo formado pela UFBA. O grupo inicialmente seria de dez pessoas mas estamos em seis. Já no primeiro dia, me fez muito bem ver aquelas pessoas passando por quase as mesmas coisas que eu venho passando. Sabe, de repente a gente deixa de achar que a culpa é nossa por não estar suportando e percebe que há uma instância maior, que atinge muitos alunos.

A gente não tem tempo para fazer quase nada do que a gente gosta no decorrer do semestre. A gente não conta com compreensão e flexibilização por parte de alguns professores. A gente tem que lidar com prepotência e desorganização. A gente praticamente não têm férias. A gente acaba odiando tudo isso. A gente odeia a área que a gente ama, a gente odeia ir às aulas, a gente odeia as pessoas. Tudo.

A gente só quer se formar logo. E assim tem gente lá do grupo que pega nove, sim eu disse nove disciplinas para poder terminar e se livrar logo. Isso é um sofrimento, é opressor. A gente passa até 12 horas dentro da universidade, a gente perde o prazer de fazer outras coisas, de fazer coisas que a gente gosta. A gente não têm mais tempo, na verdade. A gente pensa: "com tantas coisas para fazer, eu tô aqui vendo série, ou aqui vendo o pôr do sol."

É triste, é tenso. Mas estou conseguindo me libertar um pouco disso. Decidi que enquanto eu estiver sem trabalhar eu não vou estudar aos finais de semana e feriados, eu vou me organizando durante a semana e por enquanto está dando certo. Fico a semana toda atolada, mas consigo. Uma outra atitude que estou tomando para descansar a minha mente de toda essa agonia é ver um episódio da série que estou assistindo por dia. Ler outros assuntos, escrever, ouvir música, mesmo que seja no ônibus ajuda bastante. A nossa mente merece, o nosso corpo merece. Não dá para trabalhar o tempo todo, cumprir prazos o tempo todo e viver no standy by, no automático, sempre cansada, só sobrevivendo ao invés de viver plenamente.



Rafaela Valverde

quinta-feira, 29 de setembro de 2016

Ser tradicional é tão ruim assim?


Passei anos fugindo do tradicional. Não quis cerimônia e festa de casamento, quando juntei os trapos. Nunca tive esse sonho, nunca tive o sonho de ser mãe. Mesmo depois de uns anos casada, eu pensei em engravidar somente por influência de uma amiga que havia tido filho recentemente. Nunca fui "Amélia", sempre trabalhei e estudei. Exigia as divisões das tarefas domésticas, sempre fui uma mulher diferente. Aquela que  não queria ser normal, tradicional. Não queria fazer o mesmo que os outros faziam.

Troquei de faculdade e de curso três vezes antes de conseguir finalmente ir para a UFBA. Enquanto tinha um relacionamento, ele, em um determinado momento, foi aberto. Depois que meu relacionamento e meu casamento terminaram, eu tive literalmente uma vida de solteira. Curti bastante. Nunca fui, portanto, uma mulher tradicional, com valores tradicionais e puritanos, muito pelo contrário, sempre fiz questão de seguir o oposto.

Mas ei que eu venho percebendo que quero ser meio tradicional. Eu explico: para começo de conversa eu estou em um relacionamento sério, o que eu achava há seis meses que não queria e que não iria acontecer; me enquadrei de novo nas regras de um relacionamento e não me arrependo, não sinto falta da vida solitária que eu levava quando estava solteira. E por fim, fico olhando ex colegas de escola ou de faculdade que casaram, têm filhos, cachorro... Fico olhando essas famílias tradicionais, constituídas com um casamento formal,  "no papel" como a gente costuma dizer; com filhinhos, bichinhos, casas bonitas, lares estruturados e meio que me dá uma inveja.

Eu não sei muito bem explicar o que eu sinto e por quê. Mas eu fico querendo ter essa vidinha pacata, com problemas pra resolver e fraldas para trocar ( essa parte é só licença poética, tá?) É claro que eu não desejo ter filhos. Não agora, mas sei que posso mudar de ideia. Sei que já tive uma vidinha pacata de gente casada, que é boa, viu? Mas que não deu mais certo e o que não dá certo deve ser consertado ou acabar. Sei que há uma tendência atual de rejeitar essa tradicionalidade, de rejeitar essa vidinha- família- classe média-shopping.

Mas eu sei também que sou taurina. Os taurinos gostam de estabilidade, de um porto seguro. Os taurinos geralmente curtem família. E se, querer uma "famíliazinha" minha, construída por mim, é o "normal", é isso mesmo que eu quero. Com cachorro e gato, com frutas e Fast Food, com filmes e carnaval. Com tudo que eu tiver direito. Essas pessoas com cônjuge/companheiros, filhos e bichinhos de estimação devem sentir um orgulho danado da família que expõem no Facebook, eu teria!





Rafaela Valverde

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

A menina das telas


Estou sem as minhas telas. Meu celular e meu tablet deram pau ao mesmo tempo e ambos já estão no conserto. Mas eu cheguei a conclusão que sou a menina das telas. Gosto sim de estar cercada por telas. Nem eu sabia disso. Mas quero as telas que eu possa ter e que o dinheiro (o pouco que eu tenho) possa me oferecer.

Eu sinto falta do meu celular o tempo todo e até fiquei meio jururu. Primeiro pelo prejuízo, especialmente quandro os dois quebraram ao mesmo tempo e segundo por que sinto falta dele, simplesmente. Estou carente. Fico procurando. Às vezes vou me deitar e procuro o celular para dar uma última olhadinha no Facebook antes de dormir. E já acordo pensando em pegar meu celular. Ele despertava para eu acordar e era a primeira coisa que eu fazia ao acordar era tocar nele, é claro. E depois ligava o wifi.

Não sei até que ponto isso é prejudicial ou não, mas hoje estamos mais que inseridos nesse mundo das telas. Eu adoro tablet. Tablet é uma coisa mágica, parece até do capeta! rsrsrs É sério, eu fazia quase tudo pelo tablet. Acessava meu e-mail, internet em geral, via minhas séries e filmes; lia textos da faculdade - é uma mão na roda e foi por isso que eu comprei - lia livros, etc, etc, etc. Foi o segundo tablet que eu tive e esse foi com meu dinheiro, sabe? O outro foi presente. E eu adoro tablet mesmo.

Eu até pensei em comprar um kindle que é um leitor de livros on line ou PDF da Amazon. Mas apesar da qualidade comprovada, da boa leitura que oferece eu prefiro mesmo um tablet que até mesmo tira foto. Enfim, parece que não tenho muita sorte com esses aparelhos, pois quebram. Sempre quebram. Eles não gostam de mim. Meu notebook quebrou há uns anos, já foi consertado e quebrou de novo.

Eu não gosto muito de consertar aparelhos, sou mais de ir lá e comprar outro. Se tiver grana, é claro. Como não tenho, não estou tendo, então fico sem mesmo. Eu adoro comprar celular. Estava pensando nisso essa semana. Sim, eu adoro comprar celular. Aquela sensação de tirar da caixa, ver o aparelho novinho, aprender a usar... é gostoso. E consumista! Eu sei, mas ainda assim se eu pudesse eu comprava um celular por ano. É isso, sou a menina das telas.



Rafaela Valverde

terça-feira, 13 de setembro de 2016

O que é feminismo?

Imagem da internet
O feminismo é um movimento pacífico que luta por igualdade. É político e social e não se trata de uma guerra que objetiva provar a superioridade feminina. Não aguento quando chegam com esse papo de feminazi. Por que o nazismo foi uma ideologia e um sistema político escroto e cruel, não tendo nada a ver com o feminismo. Só posso dizer que essas pessoas – que fazem essa junção pérfida – são bem ignorantes. Pegar uns livros de vez em quando não faz mal, tá bom?

Pois bem, o feminismo começa a dar o ar da graça provavelmente no século XIX. O movimento, como é bom repetir, prega exclusivamente a igualdade entre os gêneros e não a superioridade feminina sobre os homens. Aliás, a igualdade se comprova no momento em que a mulher faz tudo o que o homem faz. Não há distinção, não há fragilidade! Seres humanos. Com sangue nas veias e respirando todos os dias. Feminismo não é o antônimo de machismo. Nada a ver, deixem de close errado minha gente. Tá feio!

Já o machismo, por sua vez, deixa bem claro que as mulheres são inferiores. Está aí a diferença. Um movimento prega a igualdade e o outro deixa bem claro a desigualdade e a inferioridade de um dos gêneros. O machismo faz, nós mulheres, nos sentirmos inferiores todos os dias. Afinal, os homens dominam o mundo desde sempre e as notícias na TV e nosso cotidiano não nos deixam mentir. 

Há muitos anos, na Antiguidade, o patriarcado surgiu e já dava todas as cartas. O homem é que era considerado o “fazedor” exclusivo do herdeiro. A mulher só participava como um solo para receber a sementinha que o homem plantaria. Uma guardadora do tesouro ali depositado pelo homem. Era a sua função única e exclusiva. O homem mandava, inclusive no corpo da mulher que deveria ser resguardado. Afinal, era preciso ter a certeza de que quem havia realmente plantara a sementinha foi o marido. A herança devia ser deixada para o filho legítimo e não para um bastardo.

Aí é que entra uma questão antiga do patriarcado: a mulher sempre sabe que o filho é dela. O homem, bom, nem sempre. E esse é um dos motivos da objetificação, misoginia e domínio que infelizmente permanecem até hoje. Era preciso uma marcação cerrada para que não viesse outro e levasse seu objeto. É claro que a igreja católica ajudou nesse processo, já que a mulher que tivesse liberdade sobre seu corpo e ousasse desobedecer seu marido era uma grande pecadora, mas  não vamos entrar nesse assunto, pois dá muito pano pra manga.

Porém, tanto sofrimento, tanto cerceamento não poderia sair incólume e as mulheres passaram a resistir bravamente a isso. O movimento feminismo avançou ao longo dos anos e traçou novos contornos para nós mulheres. Houve muita luta, muitas mortes, mas alcançamos avanços. Ao contrário do Nazismo que só destruiu e matou, o feminismo trouxe a vida para as mulheres, para nós. Ele não mata ninguém, nunca matou. Quem mata é o machismo. Esse sim é cruel e faz vítimas sem piedade. O machismo não precisa de permissão para existir, ele já está aí, todos os dias, enquanto o feminismo luta para ser aceito e para mostrar que só quer igualdade.

É graças ao movimento feminista que hoje nós votamos, vamos à escola e à universidade – onde inclusive somos maioria. Hoje podemos trabalhar, temos certa liberdade sexual e de expressão, podemos sair sozinhas, usar as roupas que quisermos e fazer alguns serviços antes considerados masculinos. Graças ao feminismo podemos fazer tudo isso.

É claro que ainda precisamos avançar, mas com certeza já estamos levando uma vida melhor do que nossas avós e tataravós. Infelizmente ainda somos discriminadas apenas por ser o que somos. Apesar de poder sair sozinhas e à noite, ainda somos assediadas e discriminadas pelo tamanho das nossas roupas e cor dos nossos lábios. Além disso, é necessário constatar tristemente que governantes do sexo masculino ainda dominam nossos corpos já que não temos total decisão sobre ter filhos ou não. Somos cobradas para ter filhos, para querer ser mãe, não temos a opção do aborto que garante liberdade ao nosso corpo.

Ainda falta muito respeito. Não precisamos nos dar ao respeito, já nascemos com eles. E afinal de contas qual homem tem que ser dar o respeito? Se eles têm respeito por direito desde que nascem, nós também temos que ter! Temos que exigir!  Ainda há muito o que se fazer, mas já temos avanços. Já avançamos muito mas a luta deve continuar. 

Com educação, com luta e com combate à violência de gênero que mata uma mulher a cada  noventa minutos no Brasil, segundo o IPEA, vamos continuar avançando para quem sabe nossas filhas não sejam estupradas há cada  dez minutos  e que tenham uma vida ainda melhor que a nossa. Se não fosse toda essa cadeia de luta eu não teria escrito esse texto e nem vocês leriam, aliás eu nem saberia esse pouco que eu sei hoje, o machismo  e o patriarcado não permitiriam. Por isso, mesmo que não saibam ou não queiram, todas as mulheres são feministas. No momento em que acham um absurdo não poder fazer as mesmas coisas que os homens fazem, no momento em que estudam, votam, escrevem, se posicionam, já estão sendo feministas.



Rafaela Valverde

quinta-feira, 11 de agosto de 2016

Como não enlouquecer com tantas obrigações? Aprendendo a desacelerar...

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A gente vive correndo. Corre, corre e anda. Luta contra o tempo e quando percebe o tempo já passou. Quando a gente se dá conta o ano já acabou e lá vêm as luzes irritantes de natal. A gente faz exercício fala sobre astrologia, bebe num barzinho com amigos, estuda, trabalha, dorme pouco, cumpre a promessa de vida que recebemos ao nascer.

De repente a gente passa a observar com mais detalhes as vidas dos outros. As pessoas correm. Todas elas. Ainda que os objetivos sejam diferentes está todo mundo meio que no mesmo barco. De repente aquela fulaninha que era totalmente o oposto da gente na escola, e se escondia atrás da cara de santa, decide levar uma vida meramente tradicional que não condiz exatamente com a imagem que fazíamos dela.

É claro que ninguém fica para sempre com ideias de quando tinha 15, 16 anos. As pessoas mudam o tempo todo. Nós mudamos e essa é, para mim, uma boa característica, principalmente se for para melhor. Mas o que eu falo é sobre a pressão que temos de levar vidas padronizadas e tradicionais. Namorar anos com a mesma pessoa, se formar, noivar, casar, depois filhos... Sempre nesse ordem cronológica.

Uma ordem ditada por quem? Por todos. Somos pressionados desde que saímos da adolescência. Somos ejetados para a vida adulta cheios de obrigações e prazos que temos que cumprir antes dos 30, ou seja em menos de dez anos. O que será que as pessoas estão pensando ao tratar seus filhos assim? Em tratar gente jovem assim? Como se fossem seus capachos!

O resultado de tudo isso é a formação de jovens cansados, colunas idosas, doenças psíquicas, pânico, ansiedade, suicídios... É isso o que a gente tem passado correndo todos os dias, dormindo quatro, cinco horas. Começando o dia muito cedo e terminando muito tarde devido as milhares de obrigações que somos obrigados a abarcar. Sem reflexão, sem crítica e em alguns casos sem ética.

Alguns podem dizer que nossa vida mudou muito em relação aos jovens de gerações passadas. Hoje temos tecnologia e muitas facilidades. Mas se vocês soubessem o ônus disso tudo. Nós vivemos cansados, a gente dorme mas não descansa, a gente vive correndo e não olha mais para o outro. E não é de propósito, simplesmente TEMOS QUE CORRER! Senão não dá tempo. Não há flexibilidade de nenhum lado, principalmente da universidade que continua tratando os atuais estudantes como os de antigamente. Eram muito poucos e em sua maioria não precisam trabalhar ou não tinham tanta concorrência. Não precisavam se acabar tanto. Sinceramente: eu sei que hoje a gente têm mais obrigações do que as que vocês tinham. Trabalho, estágio, Iniciação Científica, TCC, curso de línguas, vida social, visita à casa de parentes, mestrado, teses, trabalhos, seminários, milhares de textos, prazos, pressão, pressão... Olheiras, cansaço mental, esquecimento, café, drogas para dormir, drogas para se manter de pé! E ainda temos que ter opiniões e ser engajados. Ah faça me um favor!

Hoje depois de um desabafo em sala de aula uma professora conversou comigo e me questionou se realmente vale a pena se acabar tanto para cumprir todos os prazos que a sociedade e a vida exigem. Ela argumentou com literatura, com a experiência de vida que ela tem e com o oposto que ela é, já que ela sempre foi certinha e cumpridora de tudo. O que eu aprendi hoje é que não adianta tentar abarcar tudo com as nossas pequenas mãos. Alguma coisa sempre vai ficar de fora. E é bom que fique, nossa sanidade mental agradece.

Hoje cheguei em casa e relaxei. Comi um balde de pipoca vendo minha série atual decidi arrumar parte do meu guarda roupa que estava um caos. Sim, o meu quarto, os meus pertences estavam uma bagunça por causa de todas as minhas obrigações acadêmicas. Mas hoje eu decidi dar um basta e relaxei. Nada mais vai tirar a  minha paz, se não der para estudar tudo ou entregar tudo eu não o farei. Eu só não posso enlouquecer como estava fazendo nos últimos dias por causa das inúmeras atividades que tenho!




Rafaela Valverde

terça-feira, 12 de julho de 2016

Seu mestrado e doutorado não te fazem melhor que eu

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Alguns dos que se intitulam os melhores e maiores professores, mestres e doutores, que acham que têm todo o conhecimento e a gente até se sente intimidado em falar alguma coisa que os desagrade estão destruindo nossa sanidade dentro das universidades. Principalmente nas universidades públicas, onde o tempo de casa, titulação e estabilidade não lhe impõem medo. Afinal, dentro das instituições públicas não há a preocupação de perder o emprego. Pelo menos na maioria das vezes.

Isso porque em alguns casos o professor tem uma contratação toda remendada e mal explicada e ainda assim se acha o rei da cocada preta. A empáfia sai pelos poros desses professores e eles quase entregam que foram os Cu De Ferro da época da escola. Bem, pelo jeito algo mais contém ferro no corpo desses indivíduos, devido ao tamanho da dureza e inflexibilidade que são traços típicos de suas atitudes em sala de aula.

É claro que não são todos, eu não estou aqui generalizando. E nem estou querendo dizer que esses professores que agem assim são pessoas ruins nas suas vidas pessoais. A questão aqui é o comportamento dentro do ambiente de endeusamento que pode ser o ambiente universitário algumas vezes. Afinal de contas, a maioria daqueles alunos sentados ali não sabem nada mesmo, em muitos casos acabaram de sair do ensino médio e encontram professores com doutorado fora do país e pós doc em arrogância.

Aliás sabe o que significa a palavra aluno? Significa sem luz, sem conhecimento, sem saberes, uma tábula rasa como diria Locke. Mas enfim, voltando aos tchuc tchuc fofos dos professores que encontramos por aí a fora que arrotam saber tudo mas vão para debaixo da terra como todos nós. Que não cumprimentam funcionários mas querem respeito incondicional do seu aluno.

O estudante coitado já tão pressionado, pobre, com milhões de coisas para ler e trezentas xerox para tirar, filas, trabalhos, prazos, pesquisas, aulas e tantas outras demandas, têm que se virar nos trinta muitas vezes simplesmente porque o professor não pode e não quer se dar ao trabalho de mudar algumas práticas didáticas abusivas e carniceiras. Mesmo só tendo aquele trabalho, aquela pesquisa, aquele tudo. Tudo é o mesmo tema e é para uma cabeça já madura. Enquanto nós alunos estamos perdidos e confusos sem ao menos apreender direito por que tem que dar conta de tudo e é muito, muito mesmo.

Essas práticas didáticas são anacrônicas, têm cabresto. O professor é antiquado, não escuta sugestões e parece que tem um prazer sádico em fazer o aluno sofrer. Eu até sinto um risinho no canto da boca de alguns, um prazer quase orgástico em ver o aluno se acabando. Afinal com ele também foi assim, ele também se acabou não é mesmo? Por que esse aluno tem que ficar de boa com apenas um texto por vez? Não! Agora é a hora da vingança.

Aliás alguns professores, além de não terem nenhuma didática e parecer estarem falando suas teorias consigo mesmo, esquecem que já foram alunos. E talvez há não tanto tempo assim, viu? Muitos professores são jovens, acabados de sair do mestrado, ou nem saídos e já se contaminaram com esse bichinho. O bichinho da crueldade que vem fazendo alunos pirarem e odiarem o ambiente acadêmico.

Como se já não bastasse toda a situação de pressão, todas as demandas e atividades, o estudante tem que chegar no horário, atrasos são inadmissíveis, por que eles já andaram de ônibus, mas agora têm carro então que se dane o idiota- sabe-nada que está vindo para essa universidade todos os dias. Eles acham que a universidade é o reino deles, afinal mestrado e doutorado dá coroa né? NÃO! Nem educação doméstica e humanidade!



Rafaela Valverde

quarta-feira, 4 de maio de 2016

Minha análise do conto Famigerado

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O conto Famigerado de Guimarães Rosa está sendo narrado em primeira pessoa. Em trechos como “Eu estava em casa...”, “Tomei-me nos nervos...”, e “Sei o que é influência de fisionomia...”, entre outros é possível constatar esse excerto. Mas apenas dizer se o texto está em primeira ou terceira pessoa soa muito vago e não é apenas esse aspecto que define o narrador. Assim, cabe dizer que o narrador é um narrador-personagem, acumulando duas funções no texto: falando sobre si mesmo e sendo sujeito sobre o ambiente e sobre os demais personagens. O ponto de vista relatado, as impressões e as sensações vêm todas do narrador que também é ser atuante dentro da estória. No mundo diegético de Famigerado o narrador é homodiegético, aquele que está dentro da história, mas narra sua vida e a dos demais personagens. Ou seja, como já foi esclarecido, se trata do narrador-personagem.

Como é possível verificar no texto Sujeitos Ficcionais de Luis Santos e Silvana Oliveira há o sujeito da enunciação e o sujeito do enunciado, o primeiro é o produtor da enunciação e o segundo realiza ações no enunciado. Nesse caso específico do conto, onde há um narrador-personagem, esse narrador assume os dois papéis. Ainda no caso da ficção, o sujeito da enunciação (ficcional) é o narrador e o sujeito da enunciação (não ficcional) é o autor.

No caso do conto o autor criou o personagem que conta a história, como o próprio nome já diz, palavra conto vem de contar algo, mesmo que de forma oral. Esse personagem narra a estória a partir da sua visão de mundo. É o médico que recebe em sua casa um jagunço, um homem com “má fama” que é descrito pelo narrador que o vê e fala com ele. O homem com “com cara de nenhum amigo” é totalmente descrito pelo narrador-personagem e o leitor só tem apenas a visão dele sobre o homem.
A partir do início do conto e da aparição do homem estranho, a estória é desenvolvida de forma peculiar, com linguagem típica de Guimarães Rosa, que foi um criador de neologismos e dessa forma os seus textos costumam ser únicos, textos repletos de significados. É possível citar Ezra Pound quando ele afirma que “literatura é linguagem carregada de significado.” O texto de Guimarães Rosa é rico em uma linguagem rica, própria do estilo do autor. É literatura no real sentido da palavra!
É possível, portanto, constatar que o narrador homodiegético é muito importante para o decorrer da narrativa e para o seu sucesso. É importante que nesse caso, o narrador seja homodiegético para que a trama se dê, do clímax ao final. E no conto o clímax já é início do final! Claro que é quase sempre dessa forma que funciona um conto, com um narrador-personagem que estando dentro da história fala sobre ela. Sem esse tipo de narrador, é possível que não se tivesse a mesma descrição do homem “mau” chamado Damazio. Devido à natureza do conto, provavelmente se o narrador fosse autodiegético ou heterodiegético perderia se totalmente o sentido, ou deixasse de ser um conto.
Com isso é possível atribuir então o foco da narrativa ao personagem Damázio que seria o vilão do conto, o personagem que causa medo, enquanto o médico que narra estaria passivo, em segundo plano. É possível justificar o foco porque todo o texto se baseia praticamente nas impressões que se tem desse personagem, do seu humor ou falta dele, do seu alazão imponente. Os seus acompanhantes apagados só servem para acentuar ainda mais a marca de sua personalidade que é intimidante, que é famigerado. Famigerado é uma palavra que é encontrada no dicionário com significado bom e também ruim, ou seja, tem sentido de qualidade ou defeito. Em alguns dicionários online é possível verificar o significado também como um neologismo de Guimarães Rosa.

Como o personagem foco da narrativa é o “brabo sertanejo” a maior caracterização é a dele. Ele é quem é descrito ao longo da narrativa, é ele quem desperta o medo nos outros personagens. Sim, porque os seus três companheiros cavaleiros também lhe temiam assim como o médico que sai de seu sossego para dar de cara com esse tropel, que era liderado por essa figura imponente. O médico, que narra a história, demonstra medo em suas atitudes e em sua fisionomia. Seu medo pode ser comprovado no trecho: “O medo me miava.” Porém em vários outros trechos do texto, o medo dele fica bastante evidente sendo amplamente confirmado pelos famosos neologismos de Guimarães Rosa.
Essa caracterização, essa identificação de medo é que dá todo o toque à estória. O conto não seria o mesmo sem todo esse clima de medo, sem ameaça iminente de levar um tiro. Não haveria a estória que termina até de forma cômica se não houvesse todo esse medo. Os personagens são compostos por medo exagerado e ameaça exagerada. São dois extremos, dois opostos. Medo e coragem. Medo e ameaça. Assim, com essas características se faz o Famigerado que é um conto por definição de gênero, porém grandioso em aspectos como a linguagem como já foi exlicitado, a construção dos personagens e da estória em si. Personagens ricos que até deixam de caber em apenas um conto, esses personagens vão além desse conto.

Chegando ao final, porém a tensão inicial muda um pouco, pois os dois personagens do conto tão imbuídos de sentimentos tão contraditórios e intensos passam a ter uma relação minimamente agradável pelo menos para aquele momento. A tensão se dissipa e até há um princípio de algo parecido com um sorriso como comprova o trecho abaixo: “Levantou as feições. Se é que se riu: aquela crueldade de dentes”.

Em seguida o “homem mau” inicia um amistoso e difícil monólogo em que só um fala: ele mesmo, que de repente começa a tagarelar: 

O que frouxo falava: de outras, diversas pessoas e coisas, da Serra, do São Ão, travados assuntos, insequentes, como dificultação. A conversa era para teias de aranha. Eu tinha de entender- lhe as mínimas entonações, seguir seus propósitos e silêncios. Assim no fechar- se com o jogo, sonso, no me iludir, ele enigmava [...]



O enredo do conto com certeza não se passa em nossos tempos, isso é óbvio. É um tempo que não é explicitamente informado, mas algumas palavras no texto auxiliam na sua inferência. Essas palavras não são mais utilizadas nos tempos atuais. É claro que os neologismos atrapalham um pouco a percepção dessas palavras marcadoras de tempo, por isso que eles não entrarão nessa lista, apenas algumas palavras identificadas como tal. Um elemento também pode ser identificado como marcador de tempo no texto, que é o uso dos cavalos para meio de transporte. Ou não, já que ainda hoje anda- se com a ajuda dos animais em determinados contextos e ambientes. Mas ainda assim é um ponto importante a se pontuar devido à escassez desse tipo de transporte em cotidianos atuais como em áreas urbanas por exemplo.

As palavras consideradas marcadoras de tempo que identificam um tempo mais antigo na trama podem ser as seguintes: “vosmecê”, “donde” (que é uma palavra usada pelos mais velhos em áreas rurais exemplo. Se trata da contração De + Onde) “jagunço” (que é uma palavra em desuso, tendo em vista que jagunços eram bandidos guarda-costas de fazendeiros e senhores de engenho das antigas) A expressão “à revelia” pode ser considerada também como uma expressão que indica um tempo antigo na narrativa. A expressão é uma locução prepositiva que quem tem como um dos significados: “à margem de”. Pode ser que haja ainda outras palavras, mas essas são suficientes para o objetivo de análise do tempo em que se passa o texto.

Os tempos físico e social são mais subjetivos e o que há de se inferir inicialmente é que se trata de um ambiente rural. Até porque as próprias palavras acima, utilizadas como demarcadoras de tempo já podem traduzir os referidos tempos.

Percebe- se que se trata de um ambiente simplório, onde como já se sabe, a locomoção se dá através de cavalos. Em trechos como: “[...] o arraial sendo de todo tranquilo”, “[...] só podia ser um brabo sertanejo [...]” e ainda trechos que falam sobre o fato de Damázio estar armado e sobre a sela do cavalo entre outros, podem determinar ou fazer o leitor imaginar que se trata de um ambiente de zona rural, uma vila tranquila e bucólica, porém com alguém considerado e tratado como um “coronel” das redondezas, um homem temido e respeitado pelo “peso da de fogo no cinturão”. Um homem que tem uma fama de “homem perigosíssimo” que vem da Serra só pode ser imaginado como um coronel do mal que manda em toda uma região agrária e precária, onde não há nenhuma pessoa inteligente, o que o obrigou a viajar léguas, levando três testemunhas para ouvir do doutor o “verdadeiro” significado da palavra Famigerado. Afinal: “Não há como que as grandezas machas duma pessoa instruída”!





Rafaela Valverde







terça-feira, 22 de março de 2016

Reflexões sobre o Salvador Card e suas incoerências

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Ando pensando algumas coisas sobre o Salvador Card ultimamente. O Salvador Card é o que dá meia passagem aos estudantes, integração nos ônibus diferentes, enfim, o cartão para passar nos ônibus da cidade. O projeto era vinculado ao Seteps antigamente e até era chamado de Seteps, porém hoje está ligado também à prefeitura de Salvador. Não tenho bem certeza, mas parece que é um acordo entre prefeitura e sindicato dos empresários de empresas de transportes públicos da cidade.

Então, de um tempo para cá, não sei bem dizer quanto, o projeto resolveu se reformular. Houve uma popularização dos cartões, quase todas as empresas são adeptas para transporte dos seus funcionários, a maioria dos estudantes possuem um cartão de meia passagem e ainda há o bilhete avulso, que qualquer cidadão pode ter e pegar dois ônibus pagando apenas uma passagem no período de duas horas.

Além disso houve uma dispensa maciça do trabalho do humano e as recargas passaram a ser exclusivamente através de totens. Antes do início das revalidações anuais para que os estudantes continuem usando o serviço durante 2016 ainda havia pessoas carregando os valores em dinheiro no cartão. Agora não. As pessoas estão lá apenas para revalidar. Um processo que ao meu ver também é falho.

O Salvador Card possui três pontos fixos de recarga dos cartões em pontos específicos da cidade. Abriram postos móveis em alguns shoppings e totens foram distribuídos em algumas faculdades, como a UNEB e a Unijorge por exemplo. Porém ainda é pouco, comparado à quantidade de pessoas que havia antes para fazer as recargas e que provavelmente foram demitidas. Os totens são úteis, mas são máquinas, será que se um dia quebrarem ou precisarem passar por alguma manutenção, haverá pessoal suficiente para lidar com essa contingência? A resposta é não. Fora que as filas continuam, o que invalidou um pouco o princípio da praticidade dos totens. Ah e os totens não dão troco e só aceitam notas novas (sem rasuras e que não estejam amassadas, recusando as que estão) e ainda só é possível inserir notas a partir de cinco reais. Moedas e dois reais não! Já passei maus bocados por causa disso!

E para voltar a falar de revalidação, eu revalidei recentemente o meu cartão e o de minha irmã. Nossos comprovantes de matrícula mal foram olhados, os documentos de identificação então nem se fala. Não foi pedida a mim nenhuma comprovação de parentesco com a minha irmã, já que estava revalidando o cartão dela de estudante.

Há ainda a questão da segurança sobre quem está ou não utilizando esses cartões de estudantes, pois no início era um sistema bem rigoroso, onde só as pessoas da família podiam fazer a recarga e a revalidação apresentando documentos de identificação que eram analisados e a depender do estado não eram aceitos. Havia também a questão da digital que era solicitada nos ônibus a fim de identificar os estudantes. Essa medida de segurança foi muito criticada por mim, pela lentidão que gerava dentro dos coletivos, JÁ QUE NUNCA FUNCIONOU BEM! 

Mas aí de repente, a solicitação da digital ou identificação biométrica que começou com tanto rigor e todos tivemos que fazer o cadastro dos nossos dedinhos em tempo hábil, não existe mais! Quem me disse isso foi uma cobradora de ônibus! Sim! Ela disse: " esqueça isso de botar o dedo, isso acabou!". Eu me senti enganada, por que depois de tanta agonia em nossa cabeça (quem lembra desse período sabe o que estou dizendo), simplesmente não existe mais. Como assim? Cadê a segurança? Não há mais solicitação de digitais? Quer dizer então que quaisquer pessoas podem recarregar meu cartão (totens) e ainda podem utilizar nos ônibus "de boa"? Como assim, Seteps? Hein Salvador Card? Prefeitura? Alguém para explicar? Só eu quem penso nisso?

E ainda há mais uma coisa: a diminuição de funcionários no órgão além de aumentar o número de desempregados na cidade e no estado, será que não ajudou a piorar o atendimento e conferimento dos documentos, diminuindo a segurança? Afinal, é muita gente e o serviço tem que ser rápido. A resposta é SIM! Fica a reflexão ou as reflexões. Temos que reclamar e chamar atenção para o que está errado, é o nosso dever enquanto cidadãos!



Rafaela Valverde

segunda-feira, 21 de março de 2016

Um desconhecido

Imagem da internet
Eu sempre saía atrasada e esquecia alguma coisa, dessa vez havia sido meu lanche, minhas frutinhas, meus cereais. Eu estava tentando ser uma pessoa saudável, apesar de não estar conseguindo muito. Enfim, não sei como eu consigo me atrasar todos os dias, mesmo acordando no mesmo horário de sempre.

Não estava mais aguentando aquela rotina e sei que estava cada vez mais precisando de férias. Quero viver meu ócio criativo novamente. Estou há três anos trabalhando sem parar e acho que o estresse todo é que traz esse esquecimento todo e esse atraso, essa vagareza toda.

Entrei no prédio em que trabalhava e decidi que mais tarde compraria o lanche, já estava atrasada e teria uma reunião dali a poucos minutos. Eu não sabia exatamente o que seria falado na reunião, pois foi convocada na noite anterior quando eu já havia saído. Recebi a mensagem no meu celular e tentei não me atrasar por saber que seria importante.

Mas não adiantou, me atrasei como sempre e estava praguejando quando me esbarrei em uma senhora muito bem vestida e elegante. Atrás dela vinha um rapaz alto, de terno aparentando ser o seu segurança. Ele me olhou e sorriu. Franzi as sobrancelhas e me virei rapidamente olhando para ele de costas enquanto ele saía do prédio junto com a patroa.

Não o reconheci, não me lembrei de conhecê-lo. Por que ele me olhou daquele jeito e sorriu? Entrei no elevador e quando subi a reunião estava começando. Ela durou quase a manhã inteira. Como só almoço mais tarde, desci para comprar um lanche para forrar o estômago, o lanche que havia esquecido.

Quando entrei na lanchonete me dei conta quem era o cara. Fiquei com ele na última noite que havia saído para me divertir. A noite em que olhei fundo para o espelho e admiti que não mais ia me deixar enganar pelo amor e por suas enganações. O engraçado é que nessa mesma noite eu encontrei esse cara super legal, um gato! Trocamos uns beijos e passei o telefone errado para ele. Ri sozinha enquanto me lembrava disso.

Mas continuava certa do que eu queria, ou do que não queria. E eu não estava nem um pouco afim de cair nessa cilada novamente. A ferida que havia sido aberta ainda estava bem aberta e dolorida. Não estava afim de maltratá-la mais. Lanchei e voltei para o trabalho, não pensando mais no desconhecido o resto do dia. Sim, por que eu nem me lembrava o nome dele.


Rafaela Valverde


sexta-feira, 18 de março de 2016

Desempregada sim, desocupada não!

Imagem da internet
Ia escrever sobre insatisfação no trabalho que era algo que estava me afetando bastante nos últimos meses, mas nem vou precisar falar sobre isso por que fui demitida anteontem. Sim a crise pegou a gente e sim eu estava insatisfeita lá e estava buscando outras opções sim. E sim eu estava me sentindo tão oprimida que cheguei a me sentir aliviada quando ouvi a notícia. E sim eu já estava prestes a cometer a loucura de pedir demissão sem nenhum em vista. Mas sim, eu também estou preocupada com o amanhã, preocupada com o que vai ser depois do seguro desemprego. 

Principalmente com toda essa crise econômica e política pela qual estamos passando. Eu estou um pouco perdida agora, confesso, mas pretendo começar a dar aulas em breve, estagiar, entrar em algum grupo de pesquisa da UFBA e tenho outros projetos em mente também. Mas isso aí só com o tempo para ir desenvolvendo e contando aqui.

Mas é isso, estou apenas estudando no momento, o que já é muita coisa, tendo em vista o ritmo de estudos alucinante da universidade onde estou agora. Nunca estou sem estudar. Sempre tem algo para ler, revisar, exercitar, refletir ou algum trabalho para entregar. Eu pretendo descansar e estudar muito nesse período e seja o que Deus quiser depois. Pretendo ainda fazer alguns investimentos e cursos, mas ainda estou maturando as ideias. É isso aí, bola pra frente. É muito clichê e manjado dizer isso, mas tire o S da crise e crie. É o que pretendo fazer.



Rafaela Valverde
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