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segunda-feira, 17 de outubro de 2016

Terapia


Comecei a fazer terapia. Finalmente. Sabia que precisava há muito tempo. Após uma série de desabafos de alunos da UFBA veiculados na mídia, falando sobre o mal estar que vivemos hoje na universidade, onde vivemos atolados e infelizes; surgiram várias iniciativas para terapias para nós alunos. Uma delas foi lá mesmo, na UFBA.

É uma terapia em grupo, com um psicólogo formado pela UFBA. O grupo inicialmente seria de dez pessoas mas estamos em seis. Já no primeiro dia, me fez muito bem ver aquelas pessoas passando por quase as mesmas coisas que eu venho passando. Sabe, de repente a gente deixa de achar que a culpa é nossa por não estar suportando e percebe que há uma instância maior, que atinge muitos alunos.

A gente não tem tempo para fazer quase nada do que a gente gosta no decorrer do semestre. A gente não conta com compreensão e flexibilização por parte de alguns professores. A gente tem que lidar com prepotência e desorganização. A gente praticamente não têm férias. A gente acaba odiando tudo isso. A gente odeia a área que a gente ama, a gente odeia ir às aulas, a gente odeia as pessoas. Tudo.

A gente só quer se formar logo. E assim tem gente lá do grupo que pega nove, sim eu disse nove disciplinas para poder terminar e se livrar logo. Isso é um sofrimento, é opressor. A gente passa até 12 horas dentro da universidade, a gente perde o prazer de fazer outras coisas, de fazer coisas que a gente gosta. A gente não têm mais tempo, na verdade. A gente pensa: "com tantas coisas para fazer, eu tô aqui vendo série, ou aqui vendo o pôr do sol."

É triste, é tenso. Mas estou conseguindo me libertar um pouco disso. Decidi que enquanto eu estiver sem trabalhar eu não vou estudar aos finais de semana e feriados, eu vou me organizando durante a semana e por enquanto está dando certo. Fico a semana toda atolada, mas consigo. Uma outra atitude que estou tomando para descansar a minha mente de toda essa agonia é ver um episódio da série que estou assistindo por dia. Ler outros assuntos, escrever, ouvir música, mesmo que seja no ônibus ajuda bastante. A nossa mente merece, o nosso corpo merece. Não dá para trabalhar o tempo todo, cumprir prazos o tempo todo e viver no standy by, no automático, sempre cansada, só sobrevivendo ao invés de viver plenamente.



Rafaela Valverde
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