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domingo, 18 de junho de 2017

Nossas escolhas são responsabilidade nossa


As pessoas estão deixando  suas vidas e decisões a cargo de Deus e da vida. A vida é imprevisível. É o que dizem. Mas e onde ficam nossas escolhas, nossas experiências, inteligência e livre arbítrio? Não acho que dá para deixar tudo a cargo da vida. Como Zeca Pagodinho que queria: "deixa a vida me levar..." Isso nos exime de responsabilidade e até mesmo de culpa quando algo não dá certo.

E quando dá certo também é possível que deixemos tudo a cargo da vida e/ou de Deus. Mas e nossos méritos? E nossa luta diária para sobreviver e para viver da melhor forma possível? E quando nos inscrevemos em determinado concurso e estudamos pacas e acabamos passando na prova, foi total responsabilidade de Deus e da vida? Foi sorte? Apenas sorte? Ou ralamos pra caramba e escolhemos estudar ao invés de ir à baladas?

Há muito o que se pensar sobre isso, especialmente quando dizemos que o futuro a Deus pertence e que não sabemos o que acontecerá daqui há dez anos, tirando nosso corpo fora de determinadas situações e decisões que devem ser tomadas. É claro que não sabemos mesmo. Isso eu não posso negar. Ninguém sabe o que será da sua vida daqui há dez anos, mas é possível que se tenha certa noção de como será nossa vida a depender de nossas atitudes hoje.

Nossa, daqui a dez anos eu não sei como será minha vida mesmo, então não vou aproveitá-la, não vou estudar, nem trabalhar, nem juntar dinheiro, nem construir uma carreira, nem fazer amigos, nem construir uma relação, ou amar e me envolver com alguém, porque o futuro a Deus pertence. Ah, me poupe! Você é uma pessoa covarde que tem medo de dar dois passos sozinha para depois não se sentir culpada e joga a responsabilidade de suas escolhas para Deus, ou para a vida, ou para o universo. 

Primeiro seria bom começar a crescer primeiro e assumir as consequências de nossos atos. Acho de uma covardia e infantilidade sem tamanho dizer que a vida é imprevisível, só por que não tem coragem de tomar decisões próprias. Eu posso não estar no controle total e absoluto da minha vida, já que não faço ideia quando vou morrer, por exemplo, mas ainda assim sei que sou totalmente responsável pela minha vida, pelas minhas decisões e escolhas e não Deus. Deus nos deu livre arbítrio e tem  gente que ainda continua jogando as coisas para que Ele resolva. Isso, para mim, é fraqueza, é covardia.  É falta de firmeza e falta de conhecimento de si próprio, de suas capacidades. É isso que eu penso sobre esse assunto e vocês, o que acham? Contem para mim.




Rafaela Valverde


quarta-feira, 31 de maio de 2017

Das 8h às 17h


Nunca me imaginei vestindo um uniforme e trabalhando das oito às dezessete. Assim como nunca me imaginei, nunca trabalhei oito horas na vida. Também nunca tive um salário de mais de três dígitos, pois os salários baixos são mais compatíveis com a carga horária de seis horas por dia. Eu fico tentando entender como será essa rotina, como será a cabeça dessas pessoas que a vivem. Claro que eu tenho minha mãe em casa, mas queria visões de fora sobre perder no mínimo quatro horas por dia só no trânsito - o que é condizente com a realidade do trânsito de Salvador e o tempo gasto parado; depois ainda trabalhar oito, nove horas e ainda passar uma ou duas horas de almoço dentro da empresa, ou nas proximidades. É como se vidas inteiras girassem em torno de empresas, de empregos, de negócios, de lucros. Vejo colegas andando juntos na rua, com os uniformes do trabalho, indo ou voltando do almoço. Sim às vezes escuto as conversas alheias e sei que muito do que conversam se relaciona à empresa ou aos colegas. Penso que é por isso que as pessoas imploram tanto pela chegada da sexta feira, por que ter uma vida que gira em torno de uma atividade laboral deve ser bem extenuante. Eu analisando de fora, vejo que isso é triste, sei lá, não sei bem se é triste a palavra que queria usar. Se eu, só estudando e agora estagiando, às vezes não sobra tempo para estudar imagine então quem trabalha o dia todo e faz uma graduação à noite. Quase não tem tempo de estudar. Deve ser bem puxado e não imagino minha vida girando em torno de nada que não dará lucro a mim mesma. No final do dia as pessoas já saem tão cansadas do trabalho e ainda pegam o trânsito miserável dessa cidade. E no outro dia precisam acordar mais cedo para conseguir chegar no horário, pois também tem trânsito... Eu seria bem infeliz em uma rotina dessa. Não posso chegar aqui e mentir, dizer que é melhor viver refém de uma empresa qualquer do que ficar sem trabalhar formalmente. Sim, porque esse é o discurso da maioria das pessoas que eu conheço e talvez eu seja a maior errada nisso tudo, mas é o que eu penso. Não entendo como as pessoas podem sair desses trabalhos sorrindo, devem ser muito felizes. O resto que sobra das suas vidas deve mesmo ser muito bom para que elas sorriam tanto, porque eu sinceramente não entendo.




Rafaela Valverde

sábado, 20 de maio de 2017

Mulheres, não precisamos de homens!



Eu sofri mas eu aprendi algumas coisas com meus erros e meus sofrimentos. E quem sofre, erra e não aprende nada com isso? Não estou aqui querendo me sentir melhor que ninguém, apenas ratificar a tese de que os erros e dores servem para nos dar uma lição. Isso é verdade. Claro que a gente precisa ter consciência desses erros e realmente refletir sobre o que mudar. Não acontece por osmose, não é rápido, nem fácil. Demora e dói. 

Passei vários meses sentindo uma dor física, sem querer levantar da cama e passei muitas das horas desses dias pensando em que tinha falhado e que se eu não tivesse cometido determinada falha, talvez eu não tivesse em determinada situação. Mudei e virei uma pessoa mais leve com a vida. Não cobro mais tanto de mim, nem da vida, nem dos outros. Me tornei uma adulta mais leve e não me troco pela eu de cinco, seis anos atrás.

Mas e quando as pessoas sofrem, passam determinadas coisas e não mudam? Continuam cometendo os mesmos erros? Será que elas não refletiram sobre suas atitudes? E quando essas pessoas são mulheres? Uma mulher sofreu horrores em um relacionamento: perdeu tudo o que tinha construído com o outro, porque simplesmente ele lhe usurpou, quase morreu por um problema de saúde e ainda foi trocada por outra e agora "abre os dentes" para esse homem, anos depois. Não dá vontade de matar uma mulher dessa? Dá!

Eu não sei se é falta de maturidade, pois é uma mulher já bem grandinha. Eu não sei se muita falta de amor próprio, eu não sei se é o machismo, a misoginia e a sociedade patriarcal já impregnados em nosso inconsciente. Eu sinceramente não sei. A coisa está tão feia que quando a mulher erra é xingada, considerada vadia, vagabunda, sei lá. Mas quando o cara erra, a sociedade aconselha que se perdoe porque ele "é homem" e porque "todo mundo merece uma segunda chance." Então, só os homens merecem segunda chance? Porque mulheres são execradas e até mortas quando traem!

Então, isso está tão impregnado em nossa cabeça que a gente acha que não pode viver sem homem, mesmo que ele seja ruim. Chega a um determinado momento da vida em que a gente só sabe falar: "ruim com ele, pior sem ele" e acredita nisso tão veementemente que fica ali naquela relação, inerte, só esperando o dia de ser libertada por alguma magia. Não, isso não vai acontecer! Quem se liberta é a gente mesmo. E ponto.

A gente é criada e incentivada desde muito nova a procurar homem, a viver dependente de homem.  aí acreditamos que não dá para viver feliz sem ter um homem do lado, sem ter um relacionamento, sem casar. Porque somos indefesas e precisamos da defesa de um homem, A gente não sabe que dá para viajar sozinha, ir ao cinema sozinha, beber sozinha, ir à festas e shows sozinha... A gente acha que só vai ser feliz se tiver um homem para nos fazer companhia. Assim, aproveitamos a deixa e ficamos burras, esquecemos como instala computador, não aprendemos furar ou pintar uma parede e não aprendemos a ser independentes "por que temos um homem".

Mas um dia, assim como eu aprendi, a gente aprende que somos suficientes e nos bastamos. Estudamos, trabalhamos, pegamos pesado para ter nossa independência e nenhum homem vai nos dizer o que fazer, nem hoje, nem nunca. Pelo menos não a mim! Sobre os fatos relatados acima: eu, por muito menos já botei homem para correr. Mas tem mulher que sabe que está infeliz, sabe que aquele homem não presta e nunca vai mudar e continua ali. Até quando Deus quiser. Mulheres tomem posse das suas vidas! Amem, mas amem a si mesmas muito mais em primeiro lugar. É tão maravilhoso se amar, se achar linda, independente e auto-suficiente. Não há nada melhor! Aprender com nossos erros e sofrimentos, é para mim, o principal motivo deles acontecerem, então vamos levantar da cadeira e lutar por nós mesmas, pois os homens só enxergam seus próprios umbigos.




Rafaela Valverde

quinta-feira, 27 de abril de 2017

Há dez anos eu fazia 18


Há dez anos eu completava dezoito anos, eu achava, assim como todo adolescente, que os dezoito anos abririam portas e tornariam a vida mais fácil, ou mais feliz. Ou pelo menos diferente. A gente sempre trata as idades como etapas. Na verdade, o tempo ou uma determinada quantia de tempo. Até os dezoito, antes dos trinta, depois dos trinta, etc. Sempre há rótulos e demandas a depender da década em que se vive.

A gente não se dá conta e acaba sendo a mesma pessoa que foi no ano e na idade anterior, mas a gente muda muito. E é claro que em dez anos muitas coisas mudam, inclusive na aparência e no peso. Engordamos e melhoramos. Deixamos os óculos de lado e evoluímos intelectualmente e muitas outras mudanças. Eu, por exemplo, ao contrário de dez anos atrás, adoro poesia. Eu não tinha paciência nenhuma para poemas. Eu tinha problemas de auto estima e me achava feia.

Eu tinha dezoito anos e quando a gente tem essa idade tem muito pouco o que mostrar além das aparências. Ainda não construímos nada, salvo em raras exceções, não temos experiência e ainda estamos começando a vida, aprendendo e adquirindo experiências. Dessa forma, as aparências são bastante valorizadas mesmo.  Funciona assim: "fulaninho é feio, cicraninho é gordo e feio..."

Bom, pelo menos é assim que eu vejo hoje. Não é porque os meninos são malvados, não. É porque são adolescentes. Eu fui adolescente e há dez anos, há apenas dez anos eu completava dezoito. E sem que eu me desse conta os anos foram passando, as coisas foram acontecendo e eu fui mudando. Muita coisa aconteceu. Mudei de empregos, de cursos na faculdade, casei, separei, sofri, chorei, sorri, me divertir, viajei. A vida foi passando e fui me tornando quem sou hoje.

E com certeza hoje não vejo apenas aparência no espelho, nem minha e nem das outras pessoas. Somos muito mais que um corpo magro, ou um cabelo liso e uma pele perfeita, somos seres humanos. Com subjetividades, peculiaridades, sentimentos e atitudes. É isso, dez anos é um período curto ao mesmo tempo que é uma grande quantidade de anos. Depende do ponto de vista, depende do que se faz em dez anos. Eu aprendi muito, eu sou outra pessoa. Bem mais gorda, sem óculos, cacheada e sem química, com uma mente aberta, escritora, independente que sabe o que quer da vida. Eu cresci!




Rafaela Valverde

sexta-feira, 10 de março de 2017

Bem sucedida e solitária


Parece que serei a mulher bem sucedida na carreira, escritora, acadêmica, com teses e muitas leituras. E por aí mesmo vou ficar. Não que isso não me satisfaça, é maravilhoso! Mas o que vai ficando claro a medida em que os anos vão passando é que não serei a mulher amada e que ama; não serei a mulher com um casamento bem sucedido e com amor.

Esses sonhos românticos não são para mim, deixo para os afortunados na vida, cujo sorriso demonstra a felicidade de estar ao lado de alguém. Parece que não nasci afeita aos lados românticos da vida. Ou eu tento me afastar deles ou eles se afastam de mim. Já vi que amor não é para mim. Até sinto, mas não vivo. E não tenho nenhuma esperança de viver novamente.

Eu tenho andado muito desiludida com todas essas questões românticas. Eu não quero mais saber de romantismo. Eu serei a representante oficial da mulher moderna, livre e bem sucedida. Mas sozinha, Sabe, não exatamente aquele sozinha de não ter ninguém por perto. É  a solidão que vem no final do dia - que é a hora de compartilhar coisas; é a solidão de não ter ninguém para abraçar a gente, para acariciar a gente, é a sensação de estar sempre calada ou de conversar com espelhos.

Outra sensação que tem se apoderado de mim nos últimos dias é a se eu realmente sirvo para ser amada, ou se sou mulher para encontros casuais e relações rápidas. Talvez sim, é provável que sim. Já tive meu pequeno conto de fadas, já tive meu momento. Agora ele já passou e é à minha carreira que irei me dedicar agora. Pelo menos ela não me faz sofrer.



Rafaela Valverde

A maçã - Raul Seixas





Essa música é muito especial para mim. Certa ocasião, alguém colocou um fone tocando ela em meu ouvido. E devido ao contexto da época ela me marcou e eu chorei muito. Ainda hoje choro. Hoje estava escutando rádio, no ônibus (!) e tocou ela. Adivinhem? Chorei.


Se eu te amo e tu me amas
E um amor a dois profana
O amor de todos os mortais
Porque quem gosta de maçã
Irá gostar de todas
Porque todas são iguais

Se eu te amo e tu me amas
E outro vem quando tu chamas
Como poderei te condenar
Infinita tua beleza
Como podes ficar presa
Que nem santa no altar

Quando eu te escolhi para morar junto de mim
Eu quis ser tua alma, ter seu corpo, tudo enfim
Mas compreendi que além de dois existem mais
O amor só dura em liberdade
O ciúme é só vaidade
Sofro mas eu vou te libertar
O que é que eu quero se eu te privo
Do que eu mais venero
Que é a beleza de deita




Rafaela Valverde

terça-feira, 7 de março de 2017

Quanto menos sabem, mais falam!


Existem muitas pessoas vazias. A maioria das pessoas não têm nada a oferecer. Só tiram, só sugam. Então, quando a gente é cheia, transbordante, e diferente passa a ser tratada com desdém e indiferença. Digo isso porque passo por isso constantemente. Portanto quem vai desdenhar hoje sou eu.

Gosto de pessoas interessantes. Gosto de conteúdo. Gosto de quem sabe vários assuntos e sabe falar sobre eles. Gosto de pessoas completas, como eu.  Há pessoas, homens e mulheres, que buscam em outras pessoas somente o que eles mesmo podem oferecer: nada. Ou apenas uma aparência vazia, só preenchida com beleza física e olhe lá. 

Essas pessoas não apreciam pessoas e sim aparência; não apreciam a letra, apenas a música; não apreciam a poesia, apenas a prosa barata e ordinária. Algumas mulheres que eu conheço, por exemplo, não se importam se os caras que estão ao lado dela, ou que elas estão querendo "pegar" têm caráter ou conteúdo, não se importam se eles prestam ou não. Contato que sejam gostosinhos, malhados, com barbinhas bem feitas... De preferência devem ter carro e pau grande, mesmo que não saibam usar.

Eu observo muito as pessoas e escuto mulheres valorizando muito tamanho de pau em detrimento de cérebro, conteúdo, bom papo, etc... Poucas pessoas conseguem valorizar gente complexa, que assiste filme de verdade, que  ouve músicas não somente para dançar  e que bate papo sobre política, social, literatura e outros assuntos considerados cabeça.

As pessoas gostam de coisas rasas, porque é mais fácil. É muito mais difícil estudar, ler e ter conteúdo. É muito mais fácil falar de BBB ou se algum novo casal famoso se separou ou vai casar. Ouvir Marília Mendonça num bar, se divertindo dançando é muito mais fácil que ouvir Crioulo e outros raps de protesto, por exemplo. 

É muito mais fácil ser ignorante, não ler nada, não reclamar de nada, ter conversas fúteis. Dá menos trabalho trabalhar o dia todo, a semana toda, sem questionar, pegar engarrafamento e demorar horas para chegar em casa. Tem nada não, no final de semana tem cervejinha e paredão e uma vez ao ano tem carnaval. 

Bem, é esse o meu pequeno desabafo . Eu não estou mais sabendo lidar com esse tipo de gente vazia, que só quer luxo, carro, shows de banda sertaneja e só sabe falar abobrinha. E o pior é que quanto menos sabem, mais falam. Socorro!



Rafaela Valverde

quinta-feira, 2 de março de 2017

Pensamentos de carnaval

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Pensamentos inúteis moram em minha cabeça. É um feriadão, carnaval e todos estão pulando pelas ruas, felizes. Eu estou feliz também, sozinha na casa de veraneio. São tantos pensamentos que a casa de dois andares  fica pequena para mim.

Sim, eu vim para cá sozinha. Chamei algumas pessoas para vir, mas elas estão ocupadas demais com os blocos passando nas ruas e com a falta generalizada de dinheiro para virem para o que eu chamo de "meu paraíso."

Até gosto de carnaval, apesar de achá-lo cansativo e repetitivo às vezes. Mas sou uma bixa festeira, apesar de quase sempre minha vida financeira se esquecer disso. Gosto da folia, mas estava muito estressada e aproveitei esse recesso da UFBA para relaxar. Preciso descansar e não ficar estafada correndo atrás de trio. Além de descanso e relaxamento, precisava pensar. E tanto pensei que esses pensamentos grudaram em minha mente como se fossem cola.

Coisas estão acontecendo nesse momento em minha vida que me fazem pensar em quanto posso ser uma pessoa desinteressante, imprestável, trouxa... Não é possível que mesmo quando eu acho que estou fazendo a coisa certa eu estou fazendo errado! Tenho a sensação que sempre estou errada.

Senti pensamentos como esses me atingirem e entre um banho de mar e outro decidi que precisava escrever. E cá estou eu, botando para fora um pouco do que estou sentindo. Mas também, é só a ponta do iceberg. Não posso escrever tudo, ainda mais porque sei que é um texto que será lido.

Eu devo mesmo ser um saco. Percebo que as pessoas não me suportam e se afastam. Ou talvez não tenham paciência, ou ainda não aguentam quem eu sou. Sou complexa e não costumo mudar por senhor ninguém!

Mas, o fato é que mais uma vez eu me sinto sozinha. Eu estou sozinha. Entendam que há solidão e solidão. Estou na ilha sozinha por opção. Mas eu não me sinto só e desamparada por opção e sim porque sou eu demais e pouca gente consegue compreender isso. Muito pouca gente mesmo.

E no entanto, me sinto bastante satisfeita com a pessoa que me tornei e não vou mudar. Na verdade, já mudei bastante, para melhor e porque eu quis. Eu era grossa, intolerante, controladora... Era o que nenhuma pessoa deve ser. E ainda assim há pessoas que conseguem me tratar, mesmo eu mudada, de uma forma que eu nunca era tratada antes de mudar. Pessoas são pessoas, com defeitos e qualidades, com jeitos diferentes de ser e de lidar com outras pessoas. Mas eu não admito, eu não suporto que me tratem com indiferença. É a coisa que mais odeio. A pessoa pode ser rude, grosseira, mas não indiferente, porque eu me afasto e afasto totalmente.

O mais engraçado de tudo é que a gente sempre acha que as pessoas tratam a gente mal porque merecemos ou que a culpa é nossa. Eu pelo menos, fico me sentindo assim e sei que não deveria pois não tenho culpa da babaquice dos outros. Mas ainda assim, fico o dia todo buscando coisas terríveis que eu possa ter feito ou falado. Fico também querendo saber se sou tão miserável a ponto de afastar as pessoas. Busco algo  que justifique tanto abandono. Mas não adianta. Pura perda de tempo. Quando a pessoa quer ir ela simplesmente vai e não há nada que possa detê-la. Mesmo que as farras e a vida vazia pelas quais ela te trocou não valendo a pena e ela sabendo disso, ela vai. A pessoa sempre vai, só cabe a mim deixar. Eu deixo. Vá com Deus, amém!





Rafaela Valverde

sábado, 11 de fevereiro de 2017

Quem me conhece sabe quem eu sou


Quem já teve dois dedos de prosa sincera comigo e realmente se dispôs a me ouvir e não simplesmente despejar argumentos disparatados me conhece. Quem já parou de me ver a partir do seu próprio umbigo e sem julgamentos, me conhece. Quem quer me conhecer me conhece. Quem me conhece sabe quem eu sou e como sou.

Talvez três ou quatro pessoas me conheçam realmente nesse mundo. Sabem da minha real essência. Isso se inclui minha mãe, minha melhor amiga, meu namorado e meu ex marido que conviveu comigo por quase dez anos. O resto se deixa levar  pelas aparências mesmo, por esse carão e por esse jeito explosivo que se reflete às vezes num modo de falar mesmo que eu esteja calma.

Quem tiver o mínimo de interesse em conhecer realmente como eu sou, vai perceber que não sou grossa - pelo menos não na maioria das vezes e não com todo mundo. Quem quiser me conhecer tem que se sentar e conversar comigo, não apenas julgar a partir de seu próprio umbigo e ponto de vista. Nosso ponto de vista cega a gente, especialmente quando o egocentrismo toma conta da nossa vida.

Portanto, quem me conhece de verdade e até mesmo que convive comigo de forma superficial, amigos que eu não vejo muito, por exemplo, sabem que eu sou humilde, às vezes até demais. Em muitas situações eu deixo até de acreditar em mim mesma. Eu não sou uma pessoa esnobe, que acha que sabe mais que todo mundo. Ao contrário, eu não sei p**** nenhuma e preciso mais é aprender.

Quem me conhece sabe que eu sou um amorzinho, sou gentil e gosto de ajudar. Porém tenho minhas opiniões e convicções e luto por elas. Me imponho e argumento a favor do meu ponto de vista. Eu lutei muito para chegar onde eu estou, para ser quem eu sou e para saber o que eu sei. Não vou abrir mão disso por causa de nada e nem de ninguém.  Me orgulho muito da pessoa que sou. Ser eu mesma é a melhor coisa que eu posso ser. Não vou tolerar quem não me conhece me julgando e falando coisas de mim que nem passam perto da verdade!


Rafaela Valverde

sábado, 28 de janeiro de 2017

Minha paixão por música e o Kid Abelha Acústico MTV


Obviamente não sou crítica musical, mas escuto música, mas escuto mesmo. Minha vida toda. Mais de vinte anos que escuto muita música. Minha mãe ouvia de Bee Gees a Luis Caldas. Ela ouvia também muitos hits pop nacionais e internacionais dos anos 80, como a jovem mãe que era. Sempre fui muito apaixonada por música. Virei fá de Marisa Monte aos 11 anos depois de ouvir Amor I Love You senti que eu tinha que saber mais daquela mulher tão afinada. E descobri. Acompanho Marisa até hoje.

Mas há muitos outros artistas que eu acompanho desde a pré adolescência, um deles é a banda Kid Abelha. Estou ouvindo o disco acústico MTV exatamente agora. Esse disco foi gravado em 2002. Eu tinha treze anos. E ele para mim é muito especial. Marcou minha adolescência. O Acústico MTV do Kid Abelha é uma compilação básica dos maiores sucessos do Kid. E nesse momento em que foi lançado, eles voltam à vida da gente e as rádios com Nada Sei. Esse hit estourou na época.

Eu escutava uma vizinha ouvindo e viva pedindo a minha mãe para comprar porque eu queria conhecer mais a banda. Minha mãe um belo dia chegou com uma cópia pirata - não julguem minha mãe, era 2002, vocês sabem quanto custava cds naquela época? - além disso, não tínhamos tanto dinheiro. Até hoje não temos, hahaha. Mas, enfim. Vou contar a história desse disco.

Como eu já havia dito, minha mãe me trouxe esse disco um dia e eu fiquei enlouquecida. Mas depois de um tempo o cd se acabou, arranhou, sei lá, nem lembro direito. Só sei que se perdeu e eu não pude mais ouvi-lo. Mas uns anos depois eu consegui comprar o original, naqueles balaios das Lojas Americanas, baratinho. Comprei com meu salário do Mc Donald's no ano de 2006. Lembro bastante desse dia que tem exatamente onze anos e eu era uma menina tão inocente, cheia de sonhos. Lembro que fiquei muito feliz nesse dia e tenho meu Cd até hoje. Quando peguei para escutar, vi a data e tive a ideia de compartilhar essa história com vocês. É isso. Música é demais. Música é poesia!


Rafaela Valverde


sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

Filme A Busca


Assisti novamente o filme brasileiro A busca do ano de 2013. O filme é dirigido por Luciano Moura e tem no elenco Wagner Moura, Mariana Lima, Lima Duarte, entre outros. Pode ser  caracterizado como Aventura ou Drama. É um filme bem brasileiro, pelo menos foi o que eu achei. É claro que a atuação de Wagner Moura dispensa comentários e eu adoro Mariana Lima.

O filme traz a história de Theo Gadelha (Wagner Moura) e Branca (Mariana Lima), um casal de médicos que está se divorciando e que tem um filho adolescente de 14 anos , Pedro (Brás Antunes) que desaparece deixando os pais bem preocupados. Assim, Theo sai em busca do menino, percorre várias cidades, conhece várias pessoas e passa por alguns perrengues para tentar achar o menino.

É uma boa trama, porque prende. Dá curiosidade de saber o que houve com o menino que ao que se sabe está andando num cavalo preto por aí. Theo passa inclusive por um grupo de jovens que estão acampando e nesse momento eu senti que ele passa a conhecer melhor seu filho, conhecendo outros jovens quase da idade dele.

É um filme que fala de família. A família que se separa, o pai que não vê o filho há anos. O filho que foge de casa para poder reunir os dois... É um lindo e reflexivo filme. É um típico filme brasileiro, daqueles que colocam a gente para pensar mesmo. Assistam. Valorizem o cinema nacional.



Rafaela Valverde


sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

Dona de casa? Eu?


Fui uma esposa agoniada que queria tudo arrumado limpo e tudo pra já! Eu tinha mania de limpeza, na verdade eu tinha mesmo era mania de controle. Eu queria controlar a organização da casa, eu queria que tudo estivesse do meu jeito. Eu era muito nova, casei com 21 anos e hoje eu vejo minhas atitudes como idiotices. 

Quantas coisas eu deixei de aproveitar para ficar limpando a casa? Quantos filmes eu deixei de assistir com meu ex marido, mesmo ele me pedindo tanto para largar tudo e ir deitar para assistir com ele? Quantos livros e textos da faculdade eu deixei de ler por que queria que tudo estivesse perfeito. 

Eu queria ser uma boa esposa e acho que até fui, mas em muitos momentos eu não achei aquilo divertido. Eu não achava engraçado brincar de casinha naqueles momentos, mas ao mesmo tempo eu não entendia que aquela sensação era causada por mim mesma. Eu era insuportável e sinceramente não sei como ele, meu ex marido me suportou durante quatro longos anos.

Mas hoje tudo mudou. Eu sou uma mulher mais madura, que já passou por muita coisa e que sabe que sofrimento ajuda a crescer. Hoje eu faria muita coisa diferente. Hoje eu sou uma pessoa mais relaxada, que ao mesmo tempo em que faz faxina na casa, está com o celular na mão e performando, fazendo a vassoura de microfone. Eu  aprendi a ser uma pessoa mais leve e o que menos importa para mim hoje é se a pia está limpa.

Pouco me importa se o banheiro não pôde ser lavado hoje. Eu posso lavá-lo amanhã, ou semana que vem. Sei lá, o dia que der. O meu bem estar importa mais do que a  higiene da casa. A casa vai sobreviver mesmo que tenha poeira nos móveis, mas eu posso não sobreviver com uma carga muito alta de estresse... Enfim, eu não sei se vou me casar de novo um dia, mas eu sei que não sou mais a louca do controle. Sei que posso até ser considerada, hoje, preguiçosa e relaxada. Eu não ligo. Eu quero é paz. Eu quero é viver bem comigo mesma e os pratos na pia que fiquem lá até quando eu quiser lavar!




Rafaela Valverde

quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

Livro A Garota na Teia de Aranha - David Lagergrantz


O último livro que li em 2016 foi A Garota na Teia de Aranha de David Lagergrantz. Ele é a continuação da trilogia Millenium, trilogia sueca cujo o autor, Stieg Larsson, faleceu em 2004. Ele nem viu seus três livros serem lançados e o sucesso que fizeram. Eu adoro essa trilogia  e descobri por acaso quando tinha TV por assinatura, o filme Sueco Os homens que não amavam as mulheres. A partir daí comecei a pesquisar, vi todos os filmes, inclusive o americano e li os três livros.

No ano passado, houve o lançamento desse quarto livro, escrito pelo jornalista e escritor Davi, citado acima. Eu torci a boca para esse livro, pois só o via como um livro mercadológico lançado pela família de Larsson para ganhar dinheiro. Eu ainda acho isso, com a diferença de que agora eu li e devo admitir que é um bom livro. Apesar de meio repetitivo, David conseguiu captar as áureas dos personagens, especialmente os principais: Lisbeth Salander e Mikael Blomkvist.

O livro traz uma trama, literalmente. Uma trama, uma teia, como o próprio nome já diz, onde os personagens se ligam de alguma forma. O passado de Lisbeth vem mais uma vez à tona com a revelação de novos detalhes que ainda não eram conhecidos pelos leitores dos livros anteriores.

Agora, a história está fortemente ligada à tecnologia e à matemática. O autismo também tratado, com um pouco de fantasia, eu achei. Há algumas outras coisas que são fantasiosas demais, mas vocês terão que ler para saber. Mas o livro é bom, eu gostei bastante e praticamente o devorei. Recomendo a leitura!



Rafaela Valverde

segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Vem ni mim 2017!

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Eis que o ano maluco de instabilidades chegou ao fim. Teve  muita bagunça no Brasil em 2016. Aliás, o Brasil é o país da bagunça, e como se já não bastasse todos os problemas que temos, em 2016 tivemos instabilidade econômica e política.

O ano passado foi melhor que 2015 para mim, mas ainda foi um ano difícil. Um ano cansativo e com pouco dinheiro. Foram muitas tretas, noites em dormir, assuntos para conversar e textos para ler. Sorrisos, festas e paixão, Paixão pela vida, paixão por mim mesma, paixão por outra pessoa.

Um ano cheio de fatos marcantes, imprevisíveis e com coisas boas também. Um período que não volta mais, um ano findado é um livro todo preenchido. O outro que começa é um livro em branco que podemos escrever tudo de novo. É uma metáfora manjada, mas bem ilustrativa.

Engraçado como o tempo passa e como a gente acha estranho um ano que estava logo ali, mas que já tem quatro anos. Acabei de compartilhar uma foto minha de 2013 e apareceu no Facebook, há quatro anos. Como assim? 2013 foi ontem.

Mas enfim, esse é o tempo. Essa é a nossa vida. Essa é a graça da vida: saber que vamos envelhecer e morrer. Sem isso a vida não teria sentido. Agora é foco total em 2017. Foco total em ser feliz. Em continuar sendo feliz! Tenho mais um ano novinho em folha para sorrir, para viver, para sair, para amar, para ler, etc. 

Eu só tenho o que agradecer pelo ano que passou. Aprendi muito, tive saúde, estudei bastante, fui para outro estado, arranjei um ótimo namorado, entrei num curso de inglês, fiz um curso de preparação de tortas no Senac. Enfim, fiz muitas coisas que tive vontade e esse ano farei muito mais. Eu sou muito grata! Vem ni mim 2017!



Rafaela Valverde

sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

Crônica do tráfego livre que é a vida


Anteontem estava caminhando distraída quando de repente me dei conta da fila de carros que estavam estacionados ali na minha rua. Notei que ao longo do tempo essa fila aumentara. Todo dia está mais entulhado isso aqui. E há de intrigar saber que todos esses carros parados aqui vieram das ruas da cidade, muitas vezes nos mesmos horários, causando muitos engarrafamentos e transtornos. Esbarrei em um daqueles espelhos retrovisores e soltei um palavrão. Continuei meu trajeto, tinha que almoçar com um amigo que não via há uns meses.

Almoçamos e conversamos sobre diversos assuntos, inclusive sobre os carros, sobre os engarrafamentos, quais seriam as soluções e o porquê de as pessoas terem carros. Muitos carros ocupam as grandes cidades atualmente. Meu amigo que era tão polêmico quanto eu, disse que todo mundo tinha direito de progredir e ter seus carros, etc. Eu achei aquele pensamento meio limitado, mas nada comentei, fiquei ali parada comendo minha massa.

O restaurante já estava vazio aquela hora, já eram quase quinze horas e nosso almoço tinha se estendido além do que eu havia imaginado e eu estava um pouco alta com tanto vinho branco. Meu amigo não bebeu, tinha que dirigir. Engraçado como a vida de algumas pessoas giram em torno de um carro e dessa cultura da direção. Eu não. Ia era de metrô mesmo, eu preferia ser feliz e tomar meu vinho, do que me limitar com questões tão estúpidas como essa. A glória da vida está nos pequenos momentos de prazer.

Após um tempo saímos e fomos até o estacionamento do restaurante, meu amigo me daria uma carona até a estação do metrô. Entramos no carro e ele arrancou dirigindo por uma pequena ruazinha ao lado do restaurante. Mas essa fluidez não durou muito. Logo desembocamos em uma das avenidas principais da cidade e o trânsito estava praticamente parado. Meu amigo logo fez aquela cara de resignação que eu detesto e largou o volante.

Olhei para ele sem acreditar, respirei fundo umas três vezes, soltei o cinto de segurança, abri a porta e simplesmente saí do carro. Falando um: "valeu mesmo, mas vou de metrô, cara!" através da janela. Eu não tenho paciência com isso, eu não sei lidar com essa perda de tempo no trânsito e eu não gosto de me sentir impotente e presa.

Atravessei entre os carros, fui para o outro lado da rua e passei a andar no sentido contrário em direção à estação do metrô. Comecei a pensar no tamanho da ironia que era aquilo tudo, já que eu pensei nos carros e conversamos sobre carros. Ele defendeu essa vida movida a gasolina e eu defendi o direito de usar minhas pernas para andar e os transportes coletivos que existem na cidade. Por que ser livre não é ter carro, ser livre é ir para onde eu quiser a hora que eu quiser, sem nenhum engarrafamento no meio do caminho.




Rafaela Valverde

sábado, 3 de dezembro de 2016

Mulheres devem segurar suas sacolas sim!!!


Ontem estava no shopping esperando uma amiga e ouvi a seguinte frase de uma mãe falando para o filho: "Você tem que carregar as sacolas porque você é homem. Mulheres não devem carregar nada!" Eu fiquei uns segundo encarando aquela mulher, tentando entendê-la, tentando entender seu argumento. Sem lógica, aliás, já que ela era uma mulher adulta e ele uma criança. Mas o gênero fica acima de ser adulto e criança? Gostaria que alguém me explicasse essa lógica!

Homens não têm que carregar todas as sacolas enquanto as mulheres não carregam nada. Isso é ridículo. Primeiro, homens não são super homens, fortes e poderosos, eles são seres humanos. Seria bom parar de colocar essa imagem para o sexo masculino. É ruim para a gente e ruim para eles, que se vêem obrigados a corresponder a esse estereótipo. E é ruim para a gente porque eles sempre vão ver as mulheres como frágeis e inúteis, que não conseguem nem carregar a sacola das suas compras.

Em segundo lugar, nós mulheres conseguimos e temos plena capacidade de carregar o que for. Temos dois braços, igual aos homens. Somos seres humanos, todos os seres humanos têm braços e eles, os braços, são feitos para isso. Afinal de contas, mulheres que são mães vivem com os meninos para cima e para baixo. Então, apenas parem, mães, de deseducar seus filhos. Eles não merecem isso. As mulheres não merecem isso.

É bem melhor dizer que os homens podem pegar sacolas das mulheres por simples gentileza e educação. E não porque as mulheres não são competentes para carregar, ou não conseguem, não aguentam peso. Eu sempre odiei a frase: "onde tem homem, mulher não trabalha". Passa a imagem que somos seres inúteis diante dos homens. São eles que devem usar força física e precisão. Mulher não, mulher deve ficar sentada esperando que o serviço seja feito. Mulher deve ser delicada. Ah me poupem!

Enquanto esses forem os discursos de mãe de meninos, nada vai mudar. Porém, eu não sei como deter essa reprodução de machismo irrefreado realizado por essas mães. Mas dá uma aflição quando vejo cenas dessas.  E sei que ainda temos muita luta pela frente.


Rafaela Valverde

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

A sua - Marisa Monte



Eu só quero que você saiba
Que eu estou pensando em você
Agora e sempre mais
Eu só quero que você ouça
A canção que eu fiz pra dizer
Que te adoro cada vez mais
E que eu te quero sempre em paz

To com sintomas de saudade
To pensando em você
Como eu te quero tanto bem
Aonde for não quero dor
Eu tomo conta de você
Pois te quero livre também
Como o tempo vai o vento vem

Eu só quero que você caiba
No meu colo porque
Eu te adoro cada vez mais
Eu só quero que você siga
Para onde quiser
Que eu não vou ficar muito atrás

To com sintomas de saudade
To pensando em você
Como eu te quero tanto bem
Aonde for não quero dor
Eu tomo conta de você
Pois te quero livre também
Como o tempo vai o vento vem

Eu só quero que você saiba
Que eu estou pensando em você
Pois te quero livre também
Como o tempo vai o vento vem
Porque eu te quero livre também
Como o tempo vai o vento vem




Rafaela Valverde

terça-feira, 22 de novembro de 2016

Ela só quer paz - Projota ♥

 Quando ouvi essa música pela primeira vez, já senti que amaria ela. Essa música me descreve! ♪♫♥♥





Ela é um filme de ação com vários finais
Ela é política aplicada em conversas banais
Se ela tiver muito a fim, seja perspicaz
Ela nunca vai deixar claro, então entenda sinais

É o paraíso, suas curvas são cartões postais
Não tem juízo, ou se já teve, hoje não tem mais
Ela é o barco mais bolado que aportou no seu cais
As outras falam, falam, ela chega e faz

Ela não cansa, não cansa, não cansa jamais
Ela dança, dança, dança demais
Ela já acreditou no amor, mas não sabe mais
Ela é um disco do Nirvana de 20 anos atrás

Não quer cinco minutos no seu banco de trás
Só quer um jeans rasgado e uns quarenta reais
Ela é uma letra do Caetano com "flow" do Racionais
Hoje pode até chover, porque ela só quer paz

Hoje ela só quer paz
Hoje ela só quer paz
Hoje ela só quer paz
Hoje ela só quer

Notícias boas pra se ler nos jornais
Amores reais, amizades leais
Ela entende de flores, ama os animais
Coisas simples pra ela são as coisas principais

Sem cantada, ela prefere os originais
Conheceu caras legais, mas nunca sensacionais
Ela não é as suas nega rapaz
Pagar bebida é fácil, difícil é apresentar pros pais

Ela vai te enlouquecer pra ver do que é capaz
Vai fazer você sentir inveja de outros casais
E você vai ver que as outras eram todas iguais
Vai querer comprar um sítio lá em Minas Gerais

Essa mina é uma daquelas fenomenais
Vitamina, é proteína e sais minerais
Ela é a vida, após a vida
Despedida pros seus dias mais normais
Pra que mais?

Ela não cansa, não cansa, não cansa jamais
Ela dança, dança, dança demais
Ela já acreditou no amor, mas não sabe mais
Ela é um disco do Nirvana de 20 anos atrás

Não quer cinco minutos no seu banco de trás
Só quer um jeans rasgado e uns quarenta reais
Ela é uma letra do Caetano com "flow" do Racionais
Hoje pode até chover, porque ela só quer paz

Hoje ela só quer paz
Hoje ela só quer paz
Hoje ela só quer paz
Hoje ela só quer paz



Rafaela Valverde

domingo, 20 de novembro de 2016

Eu desisto!


Sim, eu já devia ter desistido há um tempo. Comecei a namorar aos 13 anos, ainda era muito nova, havia acabado de dar meu primeiro beijo. Ele tinha 15. Éramos duas crianças. Mas quem disse que criança não se machuca? O namoro sei lá durou o que, uns dois meses.  O garoto simplesmente sumiu. Levei um certo tempo para me recuperar, eu nem entendia o que tinha acontecido direito. Aquele namoro havia sido um erro.

O segundo, afff, como eu tenho dedo podre! O segundo foi o maior escroto até agora, o campeão mundial da escrotidão. Namoramos cinco meses e foi um desastre que eu não vou descrever aqui. O meu terceiro relacionamento começou quando eu tinha 17 anos e foi o mais bem sucedido até hoje. Durou nove anos, mas acabou mal. E esse ano, no início, eu inventei de me apaixonar de novo e é claro que não podia durar né? Nem dar certo. Claro que deu errado. Outro namoro que foi um erro. Todos são, sempre são!

Eu preciso limpar esses meus dedos podres. Urgentemente. Ou então desistir de vez dos relacionamentos que foi o que eu disse que iria fazer quando meu outro relacionamento terminou e não fiz. Mas dessa vez é diferente, eu vou cumprir. Para meu próprio bem. Eu sou muito mais que isso, apenas uma namorada idiota e abandonada.

Com os indícios que a minha vida amorosa deu desde o início eu devia ter adivinhado que ela seria péssima, minha vida amorosa. E é. Ela é inexistente. E é assim que ela vai ser tratada agora. Como inexistente. Ela não vai existir. Não quero mais saber de dividir a minha vida com ninguém, ninguém tem mais o direito de saber e entrar na minha vida. É  abertura demais e eu não estou mais disposta a passar por isso de novo. Um constrangimento, um sentimento de rejeição. É péssimo. 

Agora eu já entendi. Eu obtive o aprendizado depois de tantos anos e depois de tantos fracassos. Já entendi a mensagem. Eu não vou mais cair nessa arapuca de novo, eu não vou mair derramar lágrimas, eu não vou mais me importar e nem me preocupar. Eu preciso deixar de ser idiota! Eu desisto!


Rafaela Valverde


segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Filme Aquarius


Aquarius já chegou causando. Em maio a equipe protestou no Festival de Cannes contra o impeachment da ex-presidente Dilma Roussef. O filme dirigido por Kléber Mendonça Filho concorria à Palma de Ouro e exatamente um mês depois da fatídica votação sobre o processo de impedimento, dia dezessete de maio, os atores e o diretor seguraram cartazes na entrada do evento denunciando o golpe. A cena do protesto pega o público do tapete vermelho de surpresa e com certeza vale a pena ser vista.

Alguns, contagiados com a paixão política juraram boicotar, outros, porém caíram no marketing do protesto e foram curiosos ver o filme que estreou no último dia primeiro. Estreou modestamente, não tem levantado números estrondosos. Mas os números pouco importam. Números passam, mas a riqueza da obra vai ficar para a posteridade, apesar do golpe.

Clara, vivida magnificamente por Sônia Braga, é a protagonista de Aquarius. Uma jornalista de 65 anos, aposentada e que vive na Avenida Boa Viagem em Recife. Frequenta a praia da Boa Viagem e tem um amigo salva-vidas. Seu edifício, Aquarius fica de frente para a praia. Ali, Clara criou seus filhos. É no Aquarius onde ela ainda vive e é onde o filme começa nos anos oitenta – época de ditadura no país – na festa de aniversário da tia Lúcia. Clara está com os cabelos bem curtos, se recupera de um câncer, seu marido ainda é vivo e seus filhos pequenos.

A música Toda menina Baiana de Gil faz a transição dos setenta anos de tia Lúcia para os dias de hoje. Clara ainda ouve essa música, ela mora no mesmo apartamento e ouve muitas músicas. Ela vive cercada por discos e livros, ela dança sozinha e tira cochilos vespertinos. Sua vida é tranquila no Aquarius.

‘O cabelo de Clara’ é como se chama a primeira parte do filme. Um cabelo preto, grande e volumoso, tão volumoso que precisa de duas presilhas para prendê-lo. É um sinal de abastança em contradição com o momento inicial onde ela aparecia quase careca. Já que foi escasso outrora, por causa da doença, o cabelo agora “se vinga” da escassez e é por si só um símbolo de resistência, força e beleza. Força e beleza essas demonstradas ao longo de todo o filme, mas destacadas nessa primeira parte. Mergulhos na praia mostram uma mulher em forma e sua força é retratada a todo o momento, inclusive quando ela se despe e a cicatriz da mastectomia fica evidente. É um pouco chocante para os telespectadores e dá a sensação de que essa mulher é realmente resistente.

Sônia Braga está no melhor momento de sua carreira. Nesse filme ela pode mostrar sua atuação crua. Praticamente só ela e a câmera, e mesmo quando contracena com os outros atores ela se destaca.  Os seus olhares se casam com as câmeras, com as cenas e muitas vezes nem precisa de falas.  Não há sexualidade implícita, não há pipa no telhado e nudez sensual; não há maquiagem e roupas chiques e provocantes. Há apenas uma mulher elegante, com roupas confortáveis. Uma mulher da classe média alta de Recife. É quase uma mulher normal. Claro, se não fosse Sônia Braga.

A primeira parte do filme traz ainda a relação de Clara com Ladjane, sua empregada. Ladjane às vezes a chama de você e elas convivem bem, tendo algumas vezes o que parece ser uma relação de camaradagem e cumplicidade. Mas Ladjane não deixa de ser empregada doméstica e essa é uma separação que fica clara ao longo do filme. 

Algumas questões são discutidas ou simplesmente mostradas como meras casualidades da vida: relação patroa e empregada, desigualdade social, amizade, sexo na terceira idade, entre outros assuntos. Em uma entrevista, Clara privilegia um LP em sua fala. Esse LP tem uma história do seu antigo dono e ela fala que ele “é como se fosse uma mensagem na garrafa.” Mas a frase que sai em destaque na capa do jornal é “Eu gosto de MP3.” Esse fato demonstra distorções da imprensa e distorções do que é importante. Uma mensagem poética, uma história, uma memória se perde em detrimento da ideia da tecnologia, do uso efêmero de um MP3. E é isso que Clara quer evitar, que memórias se percam, que histórias sejam esquecidas.

Outro assunto é a relação entre patroa e empregada que pode até ser de cumplicidade, mas fica claro que Clara já teve outra empregada, sem rosto e quase sem nome, que roubou sua família e no fundo ela sabe que não deve confiar totalmente em Ladjane. Mas ainda assim vai à sua casa comemorar seu aniversário. Festa na laje, na parte pobre da cidade como ela mesma afirma. Nesse momento a câmera do diretor – que às vezes pode ter mais a dizer do que os diálogos e tramas fílmicos – se afasta e mostra o contraste da laje em meio a prédios chiques ao fundo. 

A segunda parte do filme se intitula ‘O amor de Clara’ mas poderia ser os amores de Clara. Assim como toda a trama, essa parte é um misto de cores e acontecimentos. O sobrinho, a quem ela afirma lamentar não ser mãe, as amigas, a música, os filhos, o apartamento... São muitos os amores de Clara. O apartamento é carregado de amor e de lembranças. Desde o início, desde os tempos de tia Lúcia, um móvel de madeira antiga, um tipo de aparador está naquele apartamento. Ele não é só um móvel, ele é um objeto repleto de amor e digamos também de lascívia... A câmera que o diga, ela encara o objeto algumas vezes. Ele é de madeira forte que resiste ao tempo, assim como Clara que decide que não vai vender o seu apartamento.

Ela recebe a visita de empresários da construção civil. Uma empresa famosa e familiar. Um neto formado em business no exterior, seja lá o que isso seja. Apesar dos sorrisos e da simpatia, ela diz não. E continua dizendo não. É claro que nessa altura, nós telespectadores já temos quase certeza que uma hora ela vai ceder. Ela precisa ceder, afinal de contas os outros apartamentos estão vazios, não dá para uma mulher morar sozinha num prédio ermo, sem estrutura e sem segurança. Além disso, existem as outras pessoas, as pessoas que compraram o empreendimento inexistente, “na planta”, os pais de família que estão dependendo da obra para trabalhar e os demais envolvidos, como os donos da construtora. É muita pressão, Clara é abordada na praia por um dos interessados e a mensagem que é passada é que logo ela cederá. Ela é uma pessoa boa, não pode ser tão egoísta, não é mesmo?

Em um mundo dominado por homens que estão acostumados com a obediência feminina, é um avilte uma mulher, logo uma mulher resistir e continuar onde ela não deveria estar mais. Ela é má e louca, ela é egoísta e ela tem que sair! Semelhanças com a realidade atual brasileira à parte, não dá para enxergar Clara dessa forma, não há como não simpatizar com ela de cara. Suas tiradas engraçadas, algumas vezes até artificiais, fazem ou deveriam fazer pensar um pouco mais em nós mesmos, em não abrir mão da nossa história de vida, de quem nós somos por causa de outrem. Essa história de bem comum social soa tão hipócrita. Nesse caso havia pessoas precisando de emprego ou precisando dos apartamentos para morar, mas havia também a padronização das cidades, com prédios enormes e modernos, “urbanização e progresso” traz enormes edifícios cobrindo a praia e produzindo lucros para empreiteiros que constroem essas contemporâneas cidades cinzas e iguais, se tornando ricos, muito ricos. 

Acontecimentos estranhos passam a ocorrer no Aquarius. Festa e luxúria na madrugada; colchões queimados e cultos evangélicos. Até chegar o momento do confronto cara a cara entre Clara e o “neto business.” A trama principal do filme gira em torno desse conflito, um conflito tão pacífico quanto violento, uma violência simbólica. E esse não seria o único conflito.

Nem esses fatos fazem a destemida mulher desistir do seu espaço, da sua história. Ela enfrenta tudo de uma forma elegante. Até demais na verdade. Há quem já parta logo para o barraco. Mas Clara não há de ser uma heroína, não é esse o ponto. O ponto é que ela é uma mulher normal, como cada uma de nós, brasileiras. Heroínas que vão à praia, ao supermercado e cuidam de filhos e netos. Clara fica. E é ali que tem que ficar. Todo mundo está contra sua decisão, até seus filhos, mas ela vai ficar. Agora não há mais dúvidas. Seus filhos se reúnem e pedem que ela saia, que venda o apartamento, mas ela não quer e está irredutível. Não vai simplesmente se desfazer da sua história, cair no esquecimento. Ela quer ser imortal, assim como os livros que escreveu. E por falar em filhos e em livros, a cena mais emocionante – meus olhos encheram de lágrimas – foi a cena em que durante uma briga com sua filha, interpretada por Maeve Jinkings, Clara é acusada de ter abandonado os filhos por dois anos para morar no exterior e escrever um livro. O filho mais velho se levanta em silêncio, pega o referido livro e lá está o nome dos três na dedicatória. “Pelo tempo de lazer roubado...” Se não há falhas em minha memória caquética é essa a frase.

A terceira e última parte do filme é denominada “O câncer de Clara”. A parte que tem a intenção da resolução, tudo se reúne em volta de um desfecho. Um desfecho que ainda não se sabe qual. Releitura do cotidiano, Aquarius é tipicamente um filme brasileiro. Lento, quase parado, com diálogos densos e que começa a ficar meio cansativo nesse momento. O espectador já não sabe mais o que pensar sobre o final, mas ainda assim ainda está curioso. A trilha sonora ajuda bastante a acompanhar o filme todo,  aliás, já que é linda e animada. Curiosamente, porém, uma coisa destrutiva e genuína leva Clara a mais um conflito, o conflito final.  Aquele em que ela categoricamente afirma que não quer mais ter câncer e sim que os outros tenham câncer.  A cena final é subjetiva, característica típica de filme brasileiro. O espectador faz o final, em sua mente, em sua imaginação. Por que o que importa mesmo é o decorrer da trama, a fruição que ela proporciona e não somente um final. Um final é só um fim. E essa expectativa por ele só faz as pessoas temerem spoilers. Esse é Aquarius. Não só um edifício. Não só algo que remeta à Era de Aquário e não só um prédio quadrado e fechado que faça alusão à casa artificial de peixes que estão ali isolados, e privados da vida cá fora, vivendo em seu próprio mundo. O nosso Aquarius é recheado de peixes coloridos e diversificados, que estão em contato com o mundo aqui fora, mas querem preservar seu mundo particular e suas antigas memórias do mar.





Rafaela Valverde




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