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terça-feira, 17 de julho de 2018

Pela Hora da Morte

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Um dia estamos vivos
No outro não se sabe
É difícil prever
E viver antes que tudo acabe

De repente a morte nos alcança
Nos traz quem sabe a bonança
E num dia de sol
O ar deixa de entrar nos pulmões

A vida paralisa
E se esvazia no oco de um estampido
Penso cá com meus botões
Se não pode ser menos sofrido

Esse lance de viver de repente
E esperar pela morte
Mas a espera é latente
Fingimos vida

Enquanto ela durar
E num golpe de sorte
Longa e bonita será
Ninguém pensa nessa ideia descabida

De sair e não voltar
Ora essa, eu vivo porque a morte existe
Só não sei quando ela vem
E já aparece nos deixando tristes

Todo mundo sabe
Que a morte impulsiona a vida
A vontade da existência arde
E tudo queremos ver

O mais intensamente porssível
Se encontra a substância
Que em um dia icógnito
Será só uma lembrança

Digna de glória é a vida
Saber vivê-la é difícil
Desperdiçamos muitas coisas
Deixamos a cargo do invisível

E nesses devaneios
Vou deixando a reflexão
Somos tão inteiros
E ao mesmo tempo imcompletos

Precisamos inundar nossos pulmões de ar
Não deixamos nosso sangue escapar 
Lutamos ferozmente pela presença de sopro diário
E a cada manhã seguimos num embate mais que necessário




Rafaela Valverde

sábado, 14 de julho de 2018

Luzes artificiais

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A luz no fim do túnel nunca acaba
É  gente que não está onde ela está
O dia sempre está lá quando acaba o túnel
A não ser que seja noite
Se for, terá luzes artificiais
Mas de dia a luz branca do fim do túnel estará lá
Por mais que não possamos ver
Estar presa em um carro passando em túneis escuros
ou artificialmente iluminados dá angústia
Esperamos sempre a luz
E quando ela não vem?
Ah, sim, ela vem!
E se for noite e não tiver luz, tem o sereno
Aquele ventinho na cara
Torna tudo mais ameno
Por mais que eu saiba que logo depois pode vir outro túnel
Sem luz
Ou muito longo
E a luz pode demorar a chegar
Mas ela está lá
Mesmo que seja noite
O dia chegará
E a luz no fim do túnel
Voltará!



Rafaela Valverde

Marcas

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Cada vez que escrevemos nossa letra é diferente
Assim como a cada ano que vem e vai a gente fica diferente
Porradas da vida vão moldando a gente assim como a depender da caneta,
a letra pode ser bonita ou feia, com tinta forte ou fraca.
No entanto, mesmo de formas diferentes é a gente quem escreve
Assim são as porradas e as mudanças
Muitas vezes somos responsáveis por elas
Porque escolhemos de mais
Ou de menos
Somos teimosos, birrentos, chatos, implicantes...
Então acabamos sendo marcados
Assim como a escrita com força marca o papel
Não tem como voltar atrás
A mão dói
Daí a gente escreve com menos força
Como dói, a gente para de querer o que hipoteticamente nos causará dor
Mas o que é mesmo que dói?
Dá para evitar?
Ou a gente só se ilude?
Dá para desescrever?
Dá para desmarcar o papel?
E a vida?
Cada vez que escrevemos nossa letra é diferente
Cada vez que a vida nos marca é diferente
Só resta aceitar.






Rafaela Valverde

quarta-feira, 11 de julho de 2018

As Canções Que Você Fez Pra Mim - Maria Bethânia


Minha cara. A cara das minhas dores de cotovelo. Rsrsrs


Hoje eu ouço as canções que você fez pra mim
Não sei porque razão tudo mudou assim
Ficaram as canções e você não ficou.

Esqueceu de tanta coisa que um dia me falou
Tanta coisa que somente entre nós dois ficou
Eu acho que você já nem se lembra mais.

É tão difícil olhar o mundo e ver o que ainda existe
Pois sem você meu mundo é diferente
Minha alegria é triste.

Quantas vezes você disse que me amava tanto
Tantas vezes eu enxuguei o seu pranto
E agora eu choro só sem ter você aqui

Esqueceu de tanta coisa que um dia me falou
Tanta coisa que somente entre nós dois ficou
Eu acho que você já nem se lembra mais

É tão difícil olhar o mundo e ver
O que ainda existe
Pois sem você meu mundo é diferente

Minha alegria é triste
Quantas vezes você disse que me amava tanto
Tantas vezes eu enxuguei o seu pranto
E agora eu choro só sem ter você aqui.




Rafaela Valverde

domingo, 8 de julho de 2018

O musical Mamonas

A imagem pode conter: 4 pessoas, incluindo Rafaela Valverde, carro, céu e atividades ao ar livre
Eu mesma dentro da "Brasília"



"A banda Mamonas Assassinas entrou para a história como o maior fenômeno da indústria fonográfica brasileira, tendo vendido mais de três milhões de cópias no primeiro e único disco." (Fonte: G1)


Ontem fui ver o musical "Mamonas" gratuitamente no parque da cidade. O espetáculo estreou em 2016 e já passou por mais de trinta cidades. Aqui em Salvador foi apresentado pela primeira vez ao ar livre. O formato do evento foi bastante agradável, com espaço de food trucks, [duas mil] cadeiras (sim, assistimos sentados, oh glória!), cabine para fotos e uma Brasília Amarela em papelão (sei lá se é papelão mesmo, rsrs) que eu obviamente usei para exibir minha figura. Achei a estrutura muito boa, principalmente por ser de graça. Nunca imaginei que fosse ver algo tão bem feito e bem produzido gratuitamente. O evento foi patrocinado pelo BB Seguros, demorou pra fazer algo que preste, hein Banco do Brasil? 

O espetáculo é dirigido por José Possi Neto e o texto escrito Walter Daguerre, com direção de musical de Miguel Briamonte e coreografia de Vanessa Guillen. A classificação é livre e o musical traz a historia dos cinco rapazes que fizeram história e morreram em um desastre aéreo no ano de 1996. Dinho, Bento, Samuel, Júlio e Sérgio formaram inicialmente "a banda de rock progressivo" Utopia e tentaram por anos fazer sucesso sem conseguir, mas em 1995 após conhecerem o produtor musical Rick Bonadio e mudarem o nome e estilo da banda. Um ano estrondoso de sucesso. Com letras bem humoradas, de cunho sexual e marcadas pela irreverência.


O espetáculo é muito bom, com piadas divertidas e boas brincadeiras metalinguísticas, temporais e locais, já que a peça brinca o tempo todo com o fato de ser peça e musical, faz boas amarrações entre os anos noventa e aos tempos atuais; ainda teve boa adaptação local do texto já que traz elementos como acarajé e Baixa dos Sapateiros. Amei! Divertida, emocionante, artística. Bons cantores e dançarinos. 

Quando os Mamonas Assassinas morreram daquela forma horrível eu tinha sete anos e lembro do dia. Estávamos brincando em um domingo cinza de março quando deu a notícia na televisão. Na minha cabeça era mentira, já que pra mim não morriam pessoas jovens e no auge do sucesso. Aquele acidente abalou o Brasil e tomou o que mais de politicamente incorreto tivemos. Olha, Mamonas, fiquem em paz porque vocês não só não teriam sucesso como seriam bastante criticados nessa patrulha politicamente correta de hoje em que crianças não podem ouvir as palavras comer, corno e saco, mas jogam vídeo games super violentos e são expostas a todo tipo de conteúdo erótico possível. Saudades! É o que emana do peito. Foi lindo. Foi mágico, voltei à minha infância.



Rafaela Valverde

terça-feira, 3 de julho de 2018

A chuva e a troça

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Um pingo de chuva bate com força na poça do asfalto
Parece minha insistência em tentar coisas para as quais não tenho tato
Tipo isso de me apaixonar
Já vi que não dá
A chuva diminuiu
Mas não o impacto sobre a poça
A água flui
E a vida me troça
Em algum momento vai parar
A chuva ou a enganação?
A chuva!
A enganação não acaba, não
A chuva vai, e vem o sol...
Mas a poça fica lá
E vira buraco quando seca
Atrapalhando o trânsito
Igualzinho o que fica depois que a paixão passa
Um atrapalho mudo do trânsito da minha tranquilidade
Sento e aguardo: a chuva vai voltar!
A enganação também
O buraco vai aumentar
Junto com minha falta de tato
Para gotas grossas que vão bater forte aqui dentro.



Rafaela Valverde

O estar só

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Quantas vezes será que vou precisar repetir que me sinto sozinha?
E de que vai adiantar?
Quem é que vai me ouvir além Daquele que mora lá em cima?
Não há nada que remedie esse estar só
Solitude, afinal, só é bom quando se escolhe
Quando compulsoriamente vive-se
Sente-se a revolta e angústia
Dos dias que poderiam ser mais divertidos
Sobram apenas TV, cobertor, brigadeiro e pipoca
Sozinhos!
É bom que posso aproveitar minha gula sem atrapalhações
Mas tem horas que até eu preciso de companhia para comer
Pergunto-me o porquê
Tento entender
Em oração questiono
Porque afasto todo mundo
Esse pequeno escrito é mais um pequeno e inútil manifesto contra a poeira que o estar só levanta
Contra quem hei de me levantar/;
Quem preciso culpar?
A mim mesma, será?
O fato é que já não aprendi a viver sozinha
Estou sozinha quase o tempo todo há quatro anos
E quando todos se vão no fim de semana
Tranco - me aqui nessa caixa escura
Sem ver caras muito menos corações
Já sei como viver sozinha
E gosto até
Mas há de haver um limite
Ou não há?
Só!
Estar só não é bom nem para quem quer
Quem não quer vive a penar
Sinceramente, não quero mais estar só
Nem oito, nem oitenta
Não quero companhia o tempo todo
Nem tampouco um estar só tão constante quanto o tempo
Entendeu, vida?
Céu?
Deus?
Entenderam?
Estar só tem limite
Quantas vezes será que vou precisar repetir?
E de que vai adiantar?




Rafaela Valverde

segunda-feira, 2 de julho de 2018

E o nosso tempo?

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Algumas coisas têm me influenciado ao longo desses dias para vir escrever este texto agora, é verdade. Lógico, não se constrói saberes sozinho. Pois bem, sempre leio blogs, livros, vejo vídeos no Youtube e principalmente leio a bíblia. E através disso tudo construo minhas próprias ideias. Vi esse vídeo (Vídeo Por que você acordou hoje?) agora a pouco de Luca Martini, se não conhece vá conhecê-lo. E até compartilhei no Facebook. Esse vídeo me fez pensar em algumas coisas que já vinha pensando. Aliado a isso fiz um devocional através do livro Bom dia de Max Lucado que dizia Encha seu dia de Deus. O texto trazia o seguinte versículo: Mas tu, Senhor, és Deus compassivo e misericordioso muito paciente, rico em amor e em fidelidade. Salmos 86,15. Então, o que eu quero dizer é que Ele é o único que não nos abandona. Quantas vezes perdemos tempo fazendo coisas idiotas e sem sentido? Perdemos tempo em redes sociais (eu já fiz e ainda faço muito isso) e esquecemos de observar as pequenas coisas do dia que podem ser sinais de Deus e Seu amor por nós. No entanto, Ele é paciente e misericordioso para esperar por nós. Quando é dito para encher seu dia de Deus, não significa que tem que ficar orando e lendo a bíblia o dia todo, até porque a gente precisa trabalhar, estudar, etc. Isso é dito, a meu ver, sobre relacionamento, comunhão, parceria e submissão à sua vontade. Porém para que saibamos e consigamos ouvi- Lo se faz necessário nos calarmos, fazer silêncio, deixar o celular um pouco de lado, parar de tagarelar. Simples assim. Simplesmente observar um pássaro ou uma borboleta passeando e quicando em nossa frente pode ser Deus se aproximando da gente. Sentir o vento no rosto, ver o mar ora revolto, ora calmo; tomar banho de chuva ou sentir o sol queimando nossa pele. Esses são os sinais diários  de Deus. Deus nos dá novas manhãs todos os dias para que estejamos próximos Dele, usufruindo da sua benignidade e amor absolutos. Muitas vezes damos mais importância a nossos afazeres que a Deus. Mas Ele não nos abandona. Mesmo a gente estando distraído. É isso. Estar em comunhão com o Pai e encher nosso dia e nossa vida Dele não significa ir à igreja quase todos os dias e nem a ler a bíblia de maneira descontextualizada e afastada Dele, como se fosse um documento formal e antigo e nada mais. O que temos feito para nos aproximarmos de Deus? Temos deixado coisas fúteis de lado? Coisas que nos fazem perder um tempo absurdo. Eu, por exemplo, vou contar um segredo: volta e meia fico sem redes sociais,ou Netflix ou qualquer outra coisa, passo dias sem postar ou assistir nada, em propósito com o Senhor, voltando a atenção para Ele. Me privando de tão pouco em relação ao que Ele faz por mim. É isso que queria dizer. 





Rafaela Valverde

sexta-feira, 29 de junho de 2018

Escolhi não sofrer

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Eu escolhi não sofrer. Decidi que não ficaria choramingando por pessoa bosta. Acordei um belo dia e disse para mim mesma: "não vou mais pensar nessa pessoa escrota". E assim tenho seguido minha vida. E sabe que não tenho pensado mesmo? Pra mim é como se a pessoa nem existisse e como se ela nunca tivesse passado pela minha vida. Eu dou graças a Deus todos os dias por isso. Quando a gente passa a enxergar mais Deus e mais a gente mesma, para de pensar, de se importar e de gostar de homem escroto que não merece a gente. Isso é maravilhoso! Deus fala para amarmos a Ele acima de qualquer coisa e isso faz sentido quando passamos por certas coisas. Quando amamos outra coisa mais que a Ele temos grande chance de nos dar mal. Porque ninguém tem tamanho amor e tamanha capacidade de nos corresponder como Deus. Deus não nos decepciona. Nunca. Então, essa lição fica bem clara pra mim na medida em que as coisas vão acontecendo, principalmente no que se refere a relacionamento com outras pessoas, sendo namoro ou amizade. Se isso está acontecendo é porque eu amei mais pessoas do que a Deus e essas pessoas sempre vão me decepcionar e sempre serão imperfeitas, assim como eu. Simplesmente porque elas são pessoas. É claro que não podemos redimir pessoas escrotas da sua escrotidão e mau caratismo. Não tenho dúvidas que as pessoas escolhem agir mal com outras. Assim como temos o amor, temos livre arbítrio dados por Deus. Então, a pessoa sabe que está sendo escrota e continua sendo. Por livre escolha dela. E eita que já me perdi do que eu estava falando exatamente. Estava falando da minha decisão de não sofrer. Pensei e vi que tinha duas opções: sofrer e choramingar por alguém ridículo que fez promessas falsas ou simplesmente mudar e sair da zona do sofrimento. Escolhi, é claro, a segunda opção e até já escrevi poema sobre isso. Depois que esse embuste-encosto saiu da minha vida eu me reconciliei com Deus, eu sinto um amor imenso no meu coração; minha auto estima está mais lá em cima do que nunca - ao contrário de quando estava com ele que me sentia como um lixo que não podia nem falar e me expressar, já que tudo o que eu falava estava errado. Depois que esse traste se retirou da minha vida tenho mais tempo para mim mesma, mudei o cabelo, durmo melhor (na minha cama de casal nova!), estou fazendo exercícios físicos e me amando tanto, mas tanto. Cada vez mais linda, mais rainha. Até minha pele melhorou! Não tenho mais nenhuma necessidade de medir minhas atitudes e palavras por causa de pessoas medíocres. E isso me dá um grande alívio. O que consequentemente me fortalece e faz com que não sofra mesmo. Um peso foi retirado da minha vida e eu sofri e chorei por mais ou menos um mês, mas agora já passou, já foi. Estou bem plena. Melhor que nunca. E a tendência é melhorar. Porque Deus está comigo. É só o que importa.



Rafaela Valverde

quarta-feira, 27 de junho de 2018

Breaking Bad

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Para alguns, a melhor série de todos os tempos. Para mim, a melhor série que assisti. Breaking Bad já ganhou muitos prêmios e é considerada uma das maiores séries de todos os tempos sim, pela revista Rolling Stone. Criada por Vince Gillian, a série que estreou em 2008, traz a história de Walter White (Bryan Cranston), um químico frustrado que dá aulas para o ensino médio e trabalha em um lava-rápido para complementar a já limitada renda familiar. Para piorar a situação, Walter descobre que está com um avançado câncer de pulmão e a partir daí, é claro, sua vida e sua percepção sobre ela mudam.

Preciso agora abrir um pequeno parêntese para informar que escreverei com muita paixão. Não tenho a intenção de escrever uma mera resenha descritiva, fria e isenta. Preciso mesmo, pelo menos tentar demonstrar através deste texto, o quanto gostei da série e o quanto me emocionei, me surpreendi e achei-a brilhante. Preciso escrever com paixão sobre Breaking Bad porque queria que todo mundo assistisse.

Pois bem, com incentivo do cunhado, que é policial de combate ao tráfico de drogas, Walter participa de uma batida policial e esse é seu primeiro contato com o famigerado ambiente do tráfico. A partir desse momento, Walter vê a possibilidade de deixar sua família bem financeiramente depois que ele morrer. Ele reencontra seu ex aluno Jesse Pinkman (Aaron Paul) e começa a "cozinhar" cristal ou metanfetamina em um trailer. Walter, com sua genialidade e seu conhecimento sobre química, aliado à Pinkman, que já conhece bem o mercado passa a experimentar uma nova sensação de poder e a ganhar dinheiro.

Sua esposa Skyler (Anna Gunn) fica sem saber durante um tempo sobre a doença e sobre a nova profissão do marido. Mas quando ela descobre sobre a doença, insiste que o marido faça o tratamento, mesmo sem saber de onde vinha o dinheiro. Skyler é uma grande personagem na série. Ela é o ponto principal de alguns conflitos e problemas enfrentados pelo marido. Sim, algumas das tensões e planos que davam errado para Walter se safar, eram causados por ela. Skyler começou como uma personagem pequena que foi crescendo ao longo do tempo. Uma dona de casa fútil, grávida,  que escrevia (até achei que a carreira dela de escritora seria mais desenvolvida na série, mas não foi, que pena!)

Assim como os outros personagens também cresceram. Parece que eles iam crescendo na medida em que a série ia avançando e tendo sucesso. Até li em uma das minhas pesquisas que Jesse seria um personagem pequeno que logo morreria, porém devido a química com o Sr. White, como ele o chamava, o personagem não só não morreu como cresceu e virou um dos personagens chave para para o andamento da série.

Com cinco temporadas, Breaking Bad, mostra o ser humano da forma mais humana e real possível, tendo em vista que afasta visões maniqueístas dos personagens. Ninguém nessa série é somente bom ou somente mau. São pessoas, corruptíveis e cheias de defeitos. Algumas pessoas afirmam que acabam gostando muito de Walter mesmo ele sendo criminoso. Eu não. Admirava-o por sua inteligência, mas não tinha ilusões, sabia que ele era bandido sim e que deveria pagar pelos seus crimes. E, na minha opinião, essa é uma das qualidades de um bom ator: ele é tão bom que se faz ser odiado. E Bryan prova ser um excelente ator. A maior desculpa de Walter é que entrara no crime pela família e essa seria sua maior motivação, mas em determinado momento da série ele admite que é por ele. Pelo poder, pelo prestígio de ser o Heisemberg, o cozinheiro do cristal azul, o melhor da região.

Com um filho adolescente e deficiente, Walt Junior (RJ Mitte) e um bebê a caminho, Walter sabe que não poderá estar presente na vida deles dali a um tempo, portanto, apesar do tratamento contra o câncer que o deixa debilitado, ele continua cozinhando e "aprontando" bastante na companhia de Jesse. E em determinados momentos a capa do "pela minha família" cai e a gente passa a perceber que Walter faz o que faz porque quer. Ele tem várias oportunidades de parar, ele não escolhe não matar ou não deixar morrer (quem assistiu vai entender!) pelo contrário, sempre que surge uma oportunidade ele avança ainda mais em sua vida criminosa. E para mim é essa é uma das genialidades da série e do personagem Sr White como eu gosto de chamá-lo.

Roteiro bem feito, bem organizado, com cenas mais antigas intercaladas e uma boa sequência. Além de uma excelente produção. Enfim, como eu disse: cheia de paixão! Não tem como ser diferente. Estou até com vontade de ver de novo, inclusive já revi o primeiro e segundo episódios com uma pessoa que indiquei. Podem me chamar de louca, mas gosto de qualidade, sei reconhecer minimamente algo bom quando vejo.

Além de tudo a série passa em Albuquerque, Novo México, local incomum para mim. Nunca vi produção feita nesse local. O que ajuda um pouco o roteiro devido a proximidade com o México, o cartel e todas as vertentes criminosas ligadas ao tráfico de drogas que todos nós já sabemos. Enfim, posso falar que amo essa série mais uma vez? Comprovadamente fenômeno mundial, Breaking Bad já ganhou inúmeros prêmios incluindo dezesseis Primetime Emmy Awards, oito Satellite Awards, dois Globos de Ouro e um Prêmio Escolha Popular. Em 2014, entrou para o Livro dos Recordes como o seriado mais bem avaliado de todos os tempos pela crítica. (Fonte: Wikipédia)

A série está na Netflix e eu assisti em um tempo recorde. Menos de dois meses. Agora, vou falar sobre algumas curiosidades que pesquisei e observei na série ao longo desse tempo. Claro que faltou falar sobre muitas coisas aqui. E óbvio que passaria o dia escrevendo sobre essa série. E não vou falar mais sobre detalhes do enredo ou do roteiro, porque seria spoiler para os desafortunados que ainda não assistiram ou que ainda estão assistindo. Rsrs Assistam e tirem suas próprias conclusões  e vejam o que acontece ao longo das cinco temporadas.

Pois bem, o nono episódio da última temporada foi dedicado ao fã adolescente Kevin Cordasco que morreu de câncer. Na época houve uma forte comoção do elenco e produção da série com esse fã. Até o visitaram. Achei bem legal a homenagem. "O ator principal, Bryan Cranston, declarou numa entrevista que "o termo 'breaking bad' é uma gíria do Sul que significa que alguém desviou-se do caminho correto e passou a fazer coisas erradas. E isto aplica-se tanto a um dado momento quanto a uma vida inteira." (Wikipédia)

Com tiradas engraçadas e cenas bastante violentas - a série arrancou gargalhadas e nervosismo de minha pessoa - Breaking Bad encerrou no ano de 2013. Em seguida, Vince Gillian começou a escrever e produzir a série Better Call Saul que é um um spin-off de Breaking Bad.  Better Call Saul trata da vida do advogado Saul Godman que foi advogado de Sr White. É isso. Amor eterno a Breaking Bad!



Rafaela Valverde




Minúsculos cotidianos


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Mariela passava o dia na frente de um computador, analisando e criando sistemas e programações. Mariela trabalhava demais. O trabalho funcionava como fuga e ela gostava. Além disso, trabalhar pagava as contas e permitia-lhe comprar seus amados livros. Principais parceiros na agonia que é viver. Sua biblioteca aumentava a cada dia. Graças aos sistemas de computação, tinha companhias.

Saía às dezoito horas. Horário de movimento intenso nas cidades grandes. “Muitas pessoas se deslocam nesse período todos os dias” – Mariela pensava enquanto esperava o metrô na estação, depois de um movimentado dia de trabalho. O metrô chegou, apinhado.  Entrou e ficou de pé até a próxima estação quando vagou um lugar. Sentou. Bom, pois a inquietude já tomava conta. A ansiedade não a deixava em paz. Fone no ouvido. Passava as músicas freneticamente.  “Não consigo achar uma música legal...” Naqueles momentos não conseguia achar graça em nada. “Ah, um livro na bolsa” – lembrou-se. Sempre havia um livro na bolsa. Lia uns poemas aquela semana. A leitura fluía mais que o trânsito lá em baixo. Parado. O metrô seguia seu caminho, assim como a tristeza que fluía e ela se deixava levar. Mesmo com os recursos de distração, era sempre atingida pela flecha da tristeza.

Fechou o livro. Suspirou. Já pensava em seus códigos de programação e fazia cálculos mentais ao mesmo tempo em que observava as pessoas no vagão e o trânsito nas avenidas da cidade. Era tudo tão estressante para os outros, mas para ela nem tanto. Em meio aquele caos conseguia encontrar certa calmaria. Pelo menos em algum lugar, o caos é maior que em seus pensamentos. Os motoristas buzinavam nervosos, queriam seguir. Mas, afinal, pra que tanta pressa?

Voltando ao player do celular, encontrou uma música dançante. Levantou calmamente e desceu na estação seguinte. Não era sua estação, mas quem liga? Caminharia dançando até seu bairro. Mariela se sentia tão infeliz que se esforçava para encontrar alegria em pequenos momentos. Ansiava por um bom momento em sua vida tediosa. E geralmente eram os minúsculos cotidianos do dia que lhe arrancavam raros sorrisos. Andando pelo menos impediria as lágrimas de cair. Dançando pelo menos o corpo não estaria sufocado de tensão, frustração e tristeza.




Rafaela Valverde





segunda-feira, 25 de junho de 2018

Mundo de poeta

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Sou poeta 
Poeta gosta de grandes pequenices
Queria alguém pra conversar
Massagem no pé
Alguém pra perguntar como fui nas provas
Alguém que se interesse
Sou poeta
Poeta gosta de ser acarinhado
Poeta vê cores em tudo
Até no cinza
Sou poeta
Poeta até diz que não
Mas às vezes se ilude
Por acreditar demais
Sou poeta
E ser poeta é encontrar um pedaço de mundo dentro do mundo
E viver naquele lugar
Como se ele fosse seu
E lugar melhor não há
Poeta é assim
Ô bicho besta!
É poeta
Sabe que precisa de tudo
Mas não precisa de nada
Sou poeta
Poeta é indeciso
Poeta quer o mundo só pra si
E ao mesmo tempo quer construir um novo!
Sou poeta




Rafaela Valverde

sexta-feira, 22 de junho de 2018

O que falta pra gente ficar junto?

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O que falta pra gente ficar junto, hein?
Se tem amor
Tem paixão
Tem tesão
Tem cuidado
Tem afeto e atenção
Tem amizade e admiração
Se tem conversa
Tem assunto
O que falta pra gente ficar junto?
O que é que mais falta?
O que é que você ainda quer?
Além de toda essa emoção que temos quando estamos juntos?
Você quer mais que isso?
Então você quer incendiar o universo
Só pode ser
Por que eu não sei de nada mais quente do que nosso amor
E não só quente no sentido erótico
Não se trata somente disso
É quente de intensidade
De vontade
De tamanho
O que é que falta, me diz?
Eu não vejo mais nada que esteja escasso por aqui
Mas se você me disser
Vou ao final do arco-íris pegar pra você
Pra você se tocar
Que não falta mais nada pra gente ficar junto
Só você que teima em não perceber
Ou não querer
Mas como  pode não ver
Se tem amor
Tem paixão
Tem tesão
Tem cuidado
Tem afeto e atenção
Tem amizade e admiração
Se tem conversa
Tem assunto
O que falta pra gente ficar junto?



Rafaela Valverde


Desperdício de papel, desperdício de tudo...

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Como nós gastamos papel. Como nós destruímos recursos da natureza por causa de besteira. Semana passada fiz provas de duas disciplinas na faculdade, as duas do mesmo professor. Cada prova tinha mais ou menos quatro, cinco páginas, folhas de papel de ofício, fora o papel pautado para respostas. Eram provas com muitos textos, entendo, mas a quantidade de papel gasta nas duas turmas foi absurda, na minha opinião.

E não só na universidade. Estive no banco ontem e saí de lá com duas folhas de papel. As informações contidas ali poderiam estar em apenas uma folha, mas por praticidade ou talvez até por vergonha de soar como pãodurice ou amadorismo, sei lá. O fato é que gasta-se muito papel, seja em empresas, escolas, hospitais, residências...  Eu tento reutilizar o máximo que eu posso para fazer rascunhos, mas não dá conta, sabe? Gasta-se muito mais do que o que tenta aproveitar.

Eu detesto qualquer tipo de desperdício. Porém confesso que sou um pouco chata em relação a coisas de cozinha: paninhos, esponjas, essas coisas, troco logo, mas em relação a todo o resto tento ser mais sustentável possível. Inclusive uso tudo até seu limite de vida útil. Ou seja, só compro celular, roupas, canetas, etc., quando os que estou usando se deterioram. Isso se chama pobreza também, viu gente? Então, como nem de longe, sou rica, vejo como necessidade usar tudo ao máximo. Meus cadernos são todos utilizados, até o final. E quando não uso mais para o semestre eu reciclo ou vou usando as folhas para algumas coisas.

Enfim, queria somente discutir um pouco essa questão do  desperdício. Toquei no assunto do papel porque é o mais observável para mim, porém, sei que desperdiçamos muito mais, principalmente água e comida, enquanto tem gente que vive diariamente em racionamento. Pretendo também levantar a consciência de cada um. O quanto você tem desperdiçado? Quanto lixo você gera por dia? Você tenta reciclar os papéis utilizados como rascunho? Pense e repense no que estamos fazendo, gastando coisas sem necessidade, destruindo sem necessidade.



Rafaela Valverde

quarta-feira, 20 de junho de 2018

Toca Em Mim de Novo - Isadora Pompeo







Essa música é muito linda e me toca muito. Gosto muito de Isadora! 



Lembro quando te encontrei
Tudo novo você fez
Os abraços que senti
Me fizeram prosseguir

Várias vezes eu caí
E você me levantou
Eu achava estar bem
Mas me rendo

Eu me rendo
Eu me rendo
Eu me rendo a ti

Eu me rendo
Eu me rendo
Eu me rendo a ti

Toca em mim de novo
Enche-me de novo
Eu não me vejo
Sem tua presença

Toca em mim de novo
Enche-me de novo
Eu não me vejo
Sem tua presença




Rafaela Valverde

Livro A Vida de Nosso Senhor

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Ontem terminei de ler um surpreendente livro de Charles Dickens : A Vida de Nosso Senhor. Surpreendente porque não fazia ideia que existia. Comprei o livro por 10,00 em uma feirinha de livros em um shopping da cidade. Pois bem, Charles escreveu  ou reescreveu uma história resumida da vida de Jesus Cristo, totalmente baseada na bíblia. Com essa história ele queria ensinar essa história a seus filhos quando ainda eram crianças. Nunca quis publicar e só depois de muitos anos de sua morte, seus descendentes resolveram publicar. A edição que comprei é da editora Martins Fontes.

O livro foi escrito entre 1846 e 1849 e é baseado no evangelho de São Lucas, conforme informação da orelha do livro. O manuscrito ficou na família guardado como tesouro na família Dickens por  oitenta e cinco anos, sendo passado de mão em mão. Porém não poderia ser publicado enquanto algum filho do autor estivesse vivo. No ano de 1933 o último filho de Dickens morreu deixando o manuscrito com sua esposa e filhos que decidiram publicar. A primeira edição foi ´publicada em 1934 em Londres e nos EUA e foi um dos livros mais vendidos daquele ano.

O livro é uma narrativa simples, com alguns milagres, parábolas e detalhes sobre a vida de Jesus. Destaquei alguns trechos no final e vou dividir um aqui com vocês:

"Cristandade é AGIR BEM, sempre, mesmo em relação a quem nos faz o mal. Cristandade é amar ao nosso próximo como a nós mesmos e fazer a todos os homens o que desejamos que eles façam conosco. Cristandade é ser amável, bondoso, desculpar e conservar essas qualidades serenamente em nossos corações e, sem vaidade, jamais vangloriar - nos delas, ou de nossas orações, ou de nosso amor a Deus, mas demonstrar sempre que O amamos na busca humilde de agirmos justamente, em todos os sentidos."

É isso!


Rafaela Valverde

Estou muito melhor sem você

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Olha só, estou muito bem sem você
Voltei a me exercitar
Pintei o cabelo
Re-encontrei Deus
Não imploro mais por atenção
Ela vem!
Atenção e tudo mais
Olhos se voltam
Quando passo em qualquer lugar
Sem você
Sem seu peso
Olha, estou muito melhor sem você
Nem imaginava, sabe?
É que sou tapada
Acabo cobrindo a visão de mim mesma
E fico vendo mais o outro
Mas agora, depois de umas porradas
Vou me ver mais
Me olhar mais
E preciso repetir:
Estou tão bem sem você!
Se soubesse que ficaria assim
Já teria soltado sua mão
Desde a primeira vez que percebi
Que tu querias partir
Demorei de soltar
Segurei com força
Hoje nem sei o porquê
Não queria ficar sem você
Hoje não sei viver sem mim
Sou muito melhor sem você
Respiro sem achar que estou incomodando
Posso ser eu mesma
Não aquela que você fazia eu ser
Saiba que não me deixou ser um terço do que eu realmente sou
Perdeu!
Brilho no olhar, não mais aquele de paixão
Alívio me alcançou
Eu perdi!
Perdi o medo de me expressar
Brigar e lutar pelo melhor
Nem preciso mais!
Estou otimamente bem sem você!
Ora, ora...
Não preciso mais exigir ser bem tratada
Simplesmente sou e deixo ser
Eu mereço!
Não preciso mais implorar ínfimas e pobres palavras
Elas vêm automaticamente
E, ei psiu?
Estou muito, mas muito bem mesmo
Sem você!
E espero que você finalmente esteja melhor
Que esteja feliz
Sem mim...
E sem você também
É sim, você sem você
Porque é você quem se sabota
Quis me sabotar também
Comigo não!
É você quem afasta as pessoas de você!
Enfim, você se foi
Quis ir
Graças a Deus!
Porque eu estou muito bem, obrigada!
Vou ali ver TV e comer pipoca
Sozinha e também acompanhada.




Rafaela Valverde

segunda-feira, 18 de junho de 2018

Ainda Assim Eu Me Levanto - Maya Angelou


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Precisamos conhecer poetas e poetisas negros!!!

Você pode me riscar da História
Com mentiras lançadas ao ar.
Pode me jogar contra o chão de terra,
Mas ainda assim, como a poeira, eu vou me levantar.

Minha presença o incomoda?
Por que meu brilho o intimida?
Porque eu caminho como quem possui
Riquezas dignas do grego Midas.

Como a lua e como o sol no céu,
Com a certeza da onda no mar,
Como a esperança emergindo na desgraça,
Assim eu vou me levantar.

Você não queria me ver quebrada?
Cabeça curvada e olhos para o chão?
Ombros caídos como as lágrimas,
Minh’alma enfraquecida pela solidão?

Meu orgulho o ofende?
Tenho certeza que sim
Porque eu rio como quem possui
Ouros escondidos em mim.

Pode me atirar palavras afiadas,
Dilacerar-me com seu olhar,
Você pode me matar em nome do ódio,
Mas ainda assim, como o ar, eu vou me levantar.

Minha sensualidade incomoda?
Será que você se pergunta
Porquê eu danço como se tivesse
Um diamante onde as coxas se juntam?

Da favela, da humilhação imposta pela cor
Eu me levanto
De um passado enraizado na dor
Eu me levanto
Sou um oceano negro, profundo na fé,
Crescendo e expandindo-se como a maré.

Deixando para trás noites de terror e atrocidade
Eu me levanto
Em direção a um novo dia de intensa claridade
Eu me levanto
Trazendo comigo o dom de meus antepassados,
Eu carrego o sonho e a esperança do homem escravizado.
E assim, eu me levanto
Eu me levanto
Eu me levanto.


Original em inglês: Still I Rise
Tradução de Mauro Catopodis



Rafaela Valverde

terça-feira, 12 de junho de 2018

Crescente fértil - Carina Castro

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enquanto estendo as roupas
no varal
torço
pra que não chova
enquanto eu estiver fora
seria toda uma tarde enxuta
encharcada
tem também aquela goteira
insistente
pra amparar
pode vir de vento
sem aviso
dependendo da força
entra pelas frestas
da janela
inundando dentro
enquanto se acaba
a civilização
lembro que tenho que me virar em comida
pra suprir fomes alheias
confirmo no calendário o dia que o gás acabou/
localizo a lua crescente
– tempo certo –
pra cortar
os cabelos
pra que cresçam
subo a ladeira quase-sem-fôlego
me sinto sedentária
lembro que tenho
um corpo
mas não lembro
quando assentei poeira no chão
finquei raízes
ergui e pari o mundo
[e o que fez de mim a civilização?]
concebia-me sem pecado
e me embalava com muita graça
quando não temia
a época das cheias
que batiam no peito
não dava pé e não sabia nadar
que vinham
lavando e levando tudo
trazendo feras
peixes à beira da loucura
num transbordar infinito
prateando tudo até que tudo apodrecesse
tornando a lama, lume
crescente fértil
leito de nanã
dou de beber a tantas sedes
que a estiagem sempre é certa
corro pra tirar as roupas do varal
mas no fundo quero
que meu corpo encharque



Rafaela Valverde

A igreja deve estar sim conectada ao contexto social e político

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Eu tinha uma visão bem diferente de igrejas, sobretudo as protestantes. Em vários sentidos. Pois hoje estou tendo a oportunidade de mudar minha visão, sobretudo no que se refere à questão que vou levantar agora: a igreja deve estar conectada com o contexto social e cultural em que está inserido. Sim! Não podemos ser e ter uma igreja alienada, distante das pessoas e distante da comunidade e da sociedade.

Pois bem, no último domingo estava na igreja, em um culto de missões, e este foi contextualizado  com dados estatísticos da Secretaria de Segurança Pública do estado da Bahia em relação aos casos de assassinato em nosso estado em apenas um final de semana. Dados foram dados com detalhes e discutidos aliados ao tema de missões e versículos bíblicos.

Em vários outros momentos, foram trazidas ideias e questões sobre a situação atual do nosso país. Vamos mal econômica, social e politicamente. E isso não deve estar de fora de nenhum ambiente. Devemos discutir essas questões. A corrupção também foi pauta do culto e de nossas orações. Críticas à política partidária e aos políticos que se aproveitam das igrejas para angariarem votos, ou ainda aqueles que são honestos mas não conseguem ser eleitos.

O pastor nos perguntou em quem tínhamos votado há quatro anos. Se ainda nos lembrávamos. E que éramos responsáveis por tudo que acontecer a nossa nação, pois não sabemos escolher, não sabemos votar com discernimento e inteligência. Foi ressaltado também que Deus nos deu inteligência, capacidade de escolha e livre arbítrio. E na verdade temos escolhido e agido muito mal. Além de votarmos mal, ainda por cima não queremos nem ouvir falar em política com nossa eterna preguicite aguda. Sobretudo, de pensar.

Achei importante a igreja trazer essa reflexão. Fazendo associações, relacionando fatos e ideias. Isso é bastante inteligente. Eu tinha uma visão muito distorcida, como já disse. Eu achava que crente era burro, que só lia a bíblia e nada mais. Achava que crente não tinha capacidade de falar nada que não fosse suas crenças e julgamentos da vida alheia. Mas estou mudando meus pontos de vista e sou dessas que lê, estuda e procura se informar, além disso, procura votar e agir. Além de me interessar por política. Até porque se a gente, pessoas boas, não nos importamos com política, acabamos deixando nas mãos de pessoas más. Isso, igreja! Esteja sim envolvida em causas sociais e políticas, porque sabendo podemos argumentar e argumentando podemos cumprir nossas obras.



Rafaela Valverde
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