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sábado, 9 de dezembro de 2017

Sintonia para pressa e presságio - Paulo Leminski

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Escrevia no espaço.
Hoje, grafo no tempo,
na pele, na palma, na pétala,
luz do momento.

Sôo na dúvida que separa
o silêncio de quem grita
do escândalo que cala,
no tempo, distância, praça,
que a pausa, asa, leva
para ir do percalço ao espasmo.

Eis a voz, eis o deus, eis a fala,
eis que a luz se acendeu na casa
e não cabe mais na sala.




Rafaela Valverde

Agosto 1964 - Ferreira Gullar



Entre lojas de flores e de sapatos, bares,

mercados, butiques,

viajo

num ônibus Estrada de Ferro – Leblon.

Volto do trabalho, a noite em meio,

fatigado de mentiras.

O ônibus sacoleja. Adeus, Rimbaud,

relógio de lilases, concretismo,

neoconcretismo, ficções da juventude, adeus,

que a vida

eu a compro à vista aos donos do mundo.

Ao peso dos impostos, o verso sufoca,

a poesia agora responde a inquérito policial-militar.

Digo adeus à ilusão

mas não ao mundo. Mas não à vida,

meu reduto e meu reino.

Do salário injusto,

da punição injusta,

da humilhação, da tortura,

do terror,

retiramos algo e com ele construímos um artefato
um poema

uma bandeira

(do livro Dentro da noite veloz – Ferreira Gullar)





Rafaela Valverde

sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

Livro Uma Vida Inventada - Maitê Proença


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Terminei  de ler essa semana o livro da atriz Maitê Proença, de quem eu gostava desde a infância, acompanhando pelas novelas da globo. Troquei o livro em um projeto de troca de livros e não sabia muito bem o que esperar dele. Confesso que o que me chamou atenção foi o nome da autora. Provavelmente se não fosse Maitê Proença eu nunca pegaria o livro.

Gostei bastante do livro que intercala memórias com estória. Uma está dentro da outra, não se separam e é justamente esse um dos diferenciais do livro que traz de maneira suave suas impressões sobre a vida, sobre as pessoas e narra de forma suave todas as tragédias que fazem parte da sua vida. Sim, para quem não sabe a atriz passou por grandes tragédias em sua vida. Quando ela tinha doze anos o pai matou a mãe e se matou anos depois, quando ela já trabalhava na Globo. Mas, a forma com que ela narra é muito bem feita. Pelo menos eu gostei bastante. Me fez refletir em alguns fatos da minha vida, especialmente a mágoa e a liberdade.

A atriz contou em uma entrevista que eu pude ler, que sentiu vontade de escrever sobre suas tragédias, depois que elas foram expostas em rede nacional no ano de 2005 no programa de Faustão. Então não tinha mais como não contar.

Ela vai trazendo memórias, relatos de viagens e conta casos divertidos sobre a vida; além da relação com a filha Maria, sua relação com a família e com as religiões. Além do começo difícil da carreira. No primeiro trabalho na TV, antes de começar, Maitê sofreu um acidente que a deixou de moletas por cerca de um ano. Além disso teve o aborto que ela fez aos dezesseis anos. Ela conta tudo de maneira muito leve e eu não consegui desgrudar do livro. É isso.


Autor: Maitê Proença
Ano: 2008
Páginas: 224
Editora: Agir





Rafaela Valverde

domingo, 26 de novembro de 2017

É triste crescer sem conhecer música

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Percebo que as novas gerações, os adolescentes de hoje, 2017, estão pobres no que diz respeito a  um mínimo conhecimento musical. E não falo isso com preconceito. Longe de mim. Amo os pré-adolescentes e adolescentes. Mas parece que há um vácuo no que se refere à boa música brasileira, por exemplo. Não estou aqui - e já venho me defender de antemão - dizendo que os meninos ouvem música ruim, até porque não acho isso. Sempre ouvi as músicas "para adolescente" da minha época, mas influenciada por minha mãe, sempre gostei de vários tipos de música, especialmente MPB, samba e tudo mais... Minha mãe sempre foi eclética e sua maternidade na juventude me ajudou muito nesse sentido.

Sou apaixonada por música a ponto de ouvir música o dia todo, todos os dias. Não existe um dia na minha vida que pelo menos eu não cantarole alguma canção, de qualquer ritmo. Cresci ouvindo muitos ritmos diferentes e não posso deixar de falar também de algumas tias, que me influenciaram com contundentes participações durante toda minha vida. Cresci ouvindo Marisa Monte, Kid Abelha, Marina Lima, Caetano Veloso, Elba Ramalho, Sandra de Sá, Fagner, Simone, Cássia Eller, Zélia Duncan, Renato Russo e sua genial Legião; Arlindo Cruz, Benito de Paula. Luis Melodia, Emílio Santiago, Gilberto Gil, Djavan, Ana Carolina, grandes nomes do Axé como Luis Caldas e outros... Nossa, a lista é muito grande e  impossível de ser toda descrita aqui.

O que quero dizer com isso - não é ser saudosista, nem afirmar a "superioridade" da minha geração - não é nada disso... Quero aqui apresentar algumas coisas que tenho pensado ultimamente, sobretudo a partir de contatos que tenho tido com crianças e adolescentes. Dou aula particular e um dos meus ex alunos tem dez anos. Tivemos juntos esse ano e em uma das provas que respondemos trazia a música Homem Aranha de Jorge Vercilo. Conheço essa música há quase quinze anos, já que ela foi lançada em 2003 e conheço e gosto desde seu lançamento. É uma música bastante tocada e difundida em todos esses anos, chega até a enjoar e ele me disse que não conhecia, nunca tinha ouvido e nem quando eu cantei ele reconheceu. Achei aquilo inacreditável. Como é possível alguém, mesmo que seja criança, não conhecer essa música? Fiquei estupefata, não vou mentir! Mas não foi julgamento, foi só susto mesmo. Outro caso foi de minha ex cunhada, de dezesseis anos que não conhecia e nem sei se ainda conhece a música Pais e Filhos de Legião Urbana. Também não acreditei. Uma prima, da mesma idade, não acredita até hoje eu saber cantar, segundo ela, "quase todas" as músicas da Nova Brasil FM...

Posso observar que os pais, nesses casos especificamente, não ouvem muito música, não são apaixonados por música como eu observava minha mãe ser. Essa tradição não está mais sendo passada de pais para filhos. Entendo que as gerações são diferentes, não estou falando sobre isso.  Mas acho muito triste que os  novos jovens não conheçam a riqueza e beleza musical do nosso país... Temos tanta coisa boa, tanto repertório bom, temos música para praticamente tudo. Temos belas poesias sendo interpretadas por cantores geniais... Compositores que musicam poesia. Há um amor nisso tudo que deve ser despertado, cultivado e mantido. A meu ver, está sendo criada uma geração pobre, com pouco conhecimento das mais belas canções do mundo. Isso me deixa muito triste mesmo. Nós, adultos mais velhos temos obrigação de apresentar grandes nomes e grandes letras da MPB para nossas novas gerações. Gosto de Funk, adoro Rap, Pop, sertanejo me conquistou, mas gosto também dos ritmos, vozes, sons e letras de outrora e isso me foi dado, como um grande presente, durante minha infância e adolescência e graças a minha mãe e a algumas dessas tias...




Rafaela Valverde

Abraço de amigo

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Ando pensando ultimamente no abraço. Abraço de amigo, aquele que a gente sente uma quenturinha na barriga. Quenturinha de amor verdadeiro. "Amorzade." Aquele amigo que te quer bem de verdade, sorri ao te ver e te abraça forte e quente. É aquele abraço que não quer mais soltar. Amizade é a coisa mais bonita que existe. Você escolhe alguém, inicialmente por alguma pequena afinidade e em breve ela pode se tornar uma das pessoas mais importantes da sua vida. E aqueles abraços, contatos tão breves, mas não tanto, podem se tornar tanta coisa. Desde um consolo para almas cansadas, até um sinal de apoio em momentos difíceis, ou simplesmente um contato rápido entre amigos que não se veem há um tempo.

Um abraço pode ser muito e pouco ao mesmo tempo. Um abraço pode ser banal, mas, ao mesmo tempo pode conter grandes questões afetivas, grandes encontros dentro de um pequeno encontro. Gosto de abraçar meus amigos, sobretudo os mais queridos. Tenho poucos, mas eles, em sua raridade são muitos. Às vezes demoramos de nos ver. Mas quando a gente se vê dá aquela vontade de abraçar e abraçamos, apertamos nossas barrigas, uma contra a outra e tudo recomeça de onde parou, como se nunca tivéssemos ficado dias, meses, sem nos ver.

Tenho dois amigos em especial, que quando abraço sinto boas energias saindo deles e vindo até mim. Eu não sei exatamente do que se trata e muito menos explicar, mas hei de deixar tudo isso subentendido, depois de todas essas coisas que já explicitei acima. O que sei é que gosto de encontrar esses meus dois amigos, um homem e uma mulher, eles me transmitem boas coisas, eles são boas pessoas, cheias de boas energias... Quando ele e o bom humor dele me veem e me chamam em algum lugar, especialmente na universidade, onde geralmente nos encontramos, logo meu humor melhora também, contagiado pelo dele. Gosto desses pequenos encontros de transmissão de alegria e positividade. Já ela, a mulher, é uma das minhas amigas mais chegadas ultimamente. Nossas troças já fazem parte da nossa amizade. Passamos dias sem nos ver e nos falar, mas quando nos vemos, surge uns gritos, da minha parte, mas também da dela... (Hahaaha) E além dos gritos, há os abraços fortes, apertados e demorados, daqueles que não quero mais sair de dentro. E como diz uma música: "o melhor lugar do mundo é dentro de um abraço..." E abraço de amigos queridos então, é uma inexplicável sensação.




Rafaela Valverde

sábado, 18 de novembro de 2017

Ninguém mais pega buzu direto nessa joça!

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Ninguém anda mais como quer em Salvador. Sim, estou falando do transporte público. As pessoas, nós, soteropolitanos, estamos sendo obrigados a perambular pela cidade. E do jeito que o povo dessa cidade anda devagar, já viu, né? Como assim? Explico, apesar de as pessoas que são daqui já saberem do que vou falar...

Olha, eu não sei exatamente como se dá essa questão nas outras cidades. Mas o que ouço falar é que em nenhuma capital que tem metrô as pessoas são obrigadas a usar o modal. Aqui sim! Ninguém pode mais pegar ônibus direto. Sabe aquelas amizades de buzu? Aquelas matérias da TV, lembram? Que mostravam festas juninas e aniversários realizados dentro do ônibus? Não existem mais. Sabe aquela dormidinha faceira no trepidar do buzu? Acabou!

Agora somos obrigados a pegar um ônibus em nosso bairro, descer em um terminal de transbordo, acessar uma estação do metrô conectada ao terminal e pegar um metrô, descer em outra estação do metrô, sair e pegar outro ônibus, ou a depender da estação, outro metrô e só depois pegar o buzu e finalmente chegar ao nosso destino. Ufa! Cansei!

E nosso querido prefeito junto com sua equipe de bons entendedores de trânsito e transporte ainda dizem que é mais rápido e eficiente. Ah, integração maravilhosa! Você paga antes para usar o transporte - que é uma carniça, ônibus velhos, sujos, motoristas e cobradores imprudentes e não profissionais e  muito mais - depois de pagar antes, porque só com cartões é que existe integração e com eles a gente paga antes, colocando créditos, a gente passa por longas esperas, e todos os maus tratos que todo mundo já sabe e ainda temos que ficar que nem umas baratas tontas andando para lá e para cá atrás de metrô. Ah, me bata um abacate!

Linhas de ônibus estão sumindo, evaporando. E o que está sendo empurrado nossas goelas abaixo é que essa é uma mudança para o bem da população, que não foi ouvida. E os pululantes anúncios publicitários mentirosos, com atores sorridentes e felizes continuam mostrando o que não condiz com a verdade. Ninguém está satisfeito. Ou porque tem que andar demais da estação até o ponto mais próximo, ou porque os cartões não integram e acabam tarifando de novo (sim, porque ainda tem isso!) ou ainda porque os ônibus da bendita integração demoram demais... São inúmeros os motivos das insatisfações do povo, que só sabe reclamar dentro dos ônibus, mas na hora H oferece reeleição recorde ao prefeito... Aí fica difícil... Fora que ele nem cumpriu as promessas para o transporte público da primeira campanha que resultou no seu primeiro mandato de 2012 até 2016. Uma dessas promessas era que todos os ônibus, TODOS, teriam ar condicionado. Vocês lembram disso? Eu lembro perfeitamente! Alguém viu algum buzu com ar, a não ser os escassos e caríssimos expressos? Não? Nem eu!

Há quem diga que o prefeito tem algum tipo de acordo com os empresários do transporte público de Salvador. O ramo já vai mal há anos e quase não gera lucros. E essa foi a melhor solução que o prefeito arrumou para o problema? Massacrar os usuários que pagam pelo serviço? É isso? Se realmente for verdade - o que faz sentido já que se não há geração de lucros, pelo menos há economia com cortes de linhas, redução de itinerários e demissão de funcionários - o prefeito está dando tiros no pé, inclusive no que se refere a sua pretensa campanha  ao governo do estado em 2018.  Há quem diga também que ele, Antônio Carlos Magalhães Neto, vulgo o prefeito, quer "boicotar" o metrô, que foi implantado pelo governo do estado de Rui Costa do PT. Assim, os trens do metrô ficariam bem cheios, causando insatisfação no serviço. É o que a gente ouve por aí... Especulações à parte, o que eu sei é o que problema está aí e o que estamos fazendo além de reclamar e só reclamar? Nada. Sei também que por muito menos - e nisso incluo toda a situação política do nosso país - o gigante levantou em junho de 2013. Com todas aquelas manifestações. E agora? 




Rafaela Valverde

domingo, 12 de novembro de 2017

A vida é tão rara...

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A vida é um sopro. Realmente. Sou obrigada a concordar. A vida é rara, frágil. A vida é a coisa mais valiosa que possuímos. Não tem riqueza, não tem saber, não tem poder. A vida com certeza é nosso maior tesouro. Não sou a pessoa mais apropriada para falar da morte. Não lido bem com ela. Fico muito chocada sempre que alguém próximo morre - ou às vezes nem tão próximo assim. Fico assim, paralisada, pensativa e calada, pensando na necessidade que temos de viver urgentemente. Ontem!

Essa semana um conhecido foi morto a tiros, em um assalto. Tínhamos pouco contato e só trocamos algumas palavras, ele trabalhou no mesmo projeto que eu, há uns anos, mas isso mexeu comigo. Sobretudo pela violência, sobretudo por saber que pode ser qualquer um de nós. Cada vez mais o medo nos atinge como uma flecha no peito e quanto mais próxima da gente a pessoa assassinada, pior a gente se sente. Mesmos trajetos, mesmos gostos, mesmas questões pessoais e sociais, mesma universidade...

Dói. É duro ver alguém tão jovem, cheio de vida e alegria de viver deixar de existir assim tão mesquinhamente em uma calçada. A troco de quê? Nada. Um mero celular, ou sei lá o quê. Perguntei a Deus o porquê de tanta injustiça e Ele me acalmou trazendo pra mim a mensagem que eu tenho direito de  me revoltar e sofrer, mas, tudo tem um propósito, afinal de contas. Não sei qual ou quais. E é certo que eu nunca vou saber exatamente, mas pelo menos me colocou para pensar na minha vida e em minhas atitudes. E olhe que eu nem era próxima, nem amiga, nem nada... Mas tenho um amigo bem próximo em comum com ele e consigo perceber sua dor, me solidarizando e aumentando mais ainda a minha.

Fiz algumas reflexões acerca da vida. Acerca da minha vida. Primeiro pensei, e é o que pensamos logo que uma coisa assim acontece, que devia viver minha vida intensamente, um dia de cada vez e todas essas coisas clichês que ficam melhores na fala. Porque na prática a gente não consegue viver um dia de cada vez, porque estamos sempre com a cabeça focada em algo "lá na frente". Um TCC, um casamento, planos de comprar um carro ou um apartamento, carreira acadêmica... Tudo isso nos impulsiona para frente e para o futuro. Claro que vivemos, aproveitamos, descansamos, tentamos não nos estressar, tudo em prol desse "viver plenamente", mas o sentido da nossa vida vem mesmo a partir das nossas lutas diárias: estudar, trabalhar, estudar para concurso, cumprir obrigações em casa, escrever teses, monografias e sei lá mais o que.

Então, o que passei a me questionar essa semana foi: "pra que tanta luta? pra que trabalhar e estudar, dormir pouco, se acabar, brigar por um lugar na academia e na sociedade, pra que tudo isso se podemos deixar de existir em uma calçada qualquer de forma prematura e estúpida?" Tanto sacrifício para nada? É isso? Quem me garante que vou vou conseguir efetivar todos os meus planos e realizar meus sonhos? É muito frustrante e triste pensar nessas coisas, especialmente quando temos certeza que a resposta nunca vem e somos obrigados a viver, a lutar, batalhar e nos impulsionar para o futuro, mesmo que ele venha a não existir.  Não tem jeito, precisamos viver o mais plenamente possível. A dor é grande e não passa. A revolta e indignação são impulsionadoras também. Quem sabe elas possam  nos dar mais forças? Então, é isso.





Rafaela Valverde

terça-feira, 31 de outubro de 2017

Tuas Mãos - Pablo Neruda

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Quando tuas mãos saem,
amada, para as minhas,
o que me trazem voando?
Por que se detiveram
em minha boca, súbitas,
e por que as reconheço
como se outrora então
as tivesse tocado,
como se antes de ser
houvessem percorrido
minha fronte e a cintura?

Sua maciez chegava
voando por sobre o tempo,
sobre o mar, sobre o fumo,
e sobre a primavera,
e quando colocaste
tuas mãos em meu peito,
reconheci essas asas
de paloma dourada,
reconheci essa argila
e a cor suave do trigo.

A minha vida toda
eu andei procurando-as.
Subi muitas escadas,
cruzei os recifes,
os trens me transportaram,
as águas me trouxeram,
e na pele das uvas
achei que te tocava.
De repente a madeira
me trouxe o teu contacto,
a amêndoa me anunciava
suavidades secretas,
até que as tuas mãos
envolveram meu peito
e ali como duas asas
repousaram da viagem.




Rafaela Valverde

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Era Uma Vez - Kell Smith





Música é poesia. Espero que não enjoem essa música que nem fizeram com Trem Bala. Oremos!


Era uma vez
O dia em que todo dia era bom
Delicioso gosto e o bom gosto das nuvens
Serem feitas de algodão
Dava pra ser herói no mesmo dia
Em que escolhia ser vilão
E acabava tudo em lanche
Um banho quente e talvez um arranhão
Dava pra ver, a ingenuidade a inocência
Cantando no tom
Milhões de mundos e os universos tão reais
Quanto a nossa imaginação
Bastava um colo, um carinho
E o remédio era beijo e proteção
Tudo voltava a ser novo no outro dia
Sem muita preocupação

É que a gente quer crescer
E quando cresce quer voltar do início
Porque um joelho ralado
Dói bem menos que um coração partido
É que a gente quer crescer
E quando cresce quer voltar do início
Porque um joelho ralado
Dói bem menos que um coração partido

Dá pra viver
Mesmo depois de descobrir que o mundo ficou mau
É só não permitir que a maldade do mundo
Te pareça normal
Pra não perder a magia de acreditar na felicidade real
E entender que ela mora no caminho e não no final
É que a gente quer crescer
E quando cresce quer voltar do início
Porque um joelho ralado
Dói bem menos que um coração partido
É que a gente quer crescer
E quando cresce quer voltar do início
Porque um joelho ralado
Dói bem menos que um coração partido

Era uma vez

domingo, 1 de outubro de 2017

Redes "solitariais"

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Cercados por todos os lados de redes sociais, parece que estamos sempre muito bem. Constantemente cercados de "amigos." Felizes, com saúde e dinheiro. Tudo aparência. Criamos uma névoa imaginária que nos protege da vida real e  de nós mesmos. Muitos amigos, seguidores, curtidas, visualizações, respostas... Ufa! Somos escravos de quantidades. Quantidade de amigos, curtidas e todas essas coisas trazidas pelas redes sociais. Até parceiros sexuais e em alguns casos, relacionamentos podem ser encontrados e começar nas chamadas redes sociais. E quando dá match aumenta mais nossa vaidade.

Tudo é feito virtualmente. Não há presença, olho no olho, calor humano, voz, cheiro, aperto de mão, abraço, parabéns de aniversário ou alguma outra realização. Para isso existem o Facebook, Instagram, Whatsapp, Tinder e outros... Mas na vida real vem a solidão. Ela não é virtual, nem fictícia. Ela é constante e bem presente. E não diga que estar consigo mesmo é solitário porque não é. Falo da solidão profunda, de não ter ninguém para contar, conversar ou sair. Solidão de verdade é a compulsória. Não se escolhe estar só, mas sempre se está.

Essa solidão não é fácil e em muitos casos está paralela à redes sociais lotadas, muitas curtidas, comentários e matchs. Redes sociais agitadas. Redes pessoais vazias. Ninguém para conversar, nenhuma notificação que não seja as do celular. Nada.

A sensação que dá é que quanto mais agitada a vida virtual, mais solitária e vazia a vida real. Ou seja, redes sociais vêm para consolidar o processo de solidão, porque quanto mais interação com o celular e com o computador, menos interação com pessoas - e também  vêm para demonstrar para todas as outras  que "não estou tão solitária assim..." "Vejam como minha vida é maravilhosa, como eu tenho amigos..."

Mentiras virtuais, mentiras online. Felicidade forçada, fingida mesmo. Ninguém nunca vai saber onde se esconde a solidão. Por trás de belos sorrisos, mesas de bar lotadas de amigos e fotos "photoshopadas", pode haver pessoas mais solitárias emocionalmente, perdidas tentando se encontrar ou caminhando cada vez mais para a perdição nas teias da solidão e as garras das redes "solitariais."


Rafaela Valverde

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Finitude

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Você sabe que a vida acaba não é?
Ciente do fim, você sabe que a vida tem que ser aproveitada
Não, não é apenas  um clichê dito por quem quer "meter o loko"
Não é mesmo!
Viver burocraticamente é apenas sobreviver
Coragem!
Você sabe que a nossa matéria acaba um tantinho dia após dia, não é?
Eu sei que você sabe
Tu estuda essas transcendências da vida que eu sei
Sua preguiça de florescer é o que mais me irrita
Você pensa que sabe tudo ou pelo menos muito
Oh, de nada você sabe
Você devia saber e ter certeza apenas que a vida, essa dádiva tão plena e bela que
foi dada a você e a nós, tem um momento para acabar
Não fique aí dando vacilo, achando que tem todo tempo do mundo
Você não tem, ok?
Espantalho!
Isso é um pseudo-palavrão que está aqui porque isso é um poema e não posso escrever o palavrão que rima com ele.
Espero que você realmente saiba o que tá fazendo.
Ficando na frente desse Big Brother gigante aí na sua sala, curtindo fossa na cama ao invés de curtir esse lindo céu azul-frescor e esse sol cheio de vitamina D.
Vai, sai da minha frente.
Enquanto você não tiver o melhor plano de viver da face da terra, eu não quero papo com você.



Rafaela Valverde


A Sua - Marisa Monte




Eu sou completamente apaixonada por essa música. Até porque é Marisa, né?




Eu só quero que você saiba
Que eu estou pensando em você
Agora e sempre mais
Eu só quero que você ouça
A canção que eu fiz pra dizer
Que te adoro cada vez mais
E que eu te quero sempre em paz

To com sintomas de saudade
To pensando em você
Como eu te quero tanto bem
Aonde for não quero dor
Eu tomo conta de você
Pois te quero livre também
Como o tempo vai o vento vem

Eu só quero que você caiba
No meu colo porque
Eu te adoro cada vez mais
Eu só quero que você siga
Para onde quiser
Que eu não vou ficar muito atrás

To com sintomas de saudade
To pensando em você
Como eu te quero tanto bem
Aonde for não quero dor
Eu tomo conta de você
Pois te quero livre também
Como o tempo vai o vento vem

Eu só quero que você saiba
Que eu estou pensando em você
Pois te quero livre também
Como o tempo vai o vento vem
Porque eu te quero livre também

Como o tempo vai o vento vem



Rafaela Valverde

terça-feira, 12 de setembro de 2017

Aquele bom e velho medo de se apegar

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O que venho observando é que as pessoas estão meio perdidas. Elas não sabem exatamente o que querem. Claro, que em "as pessoas" eu me incluo porque não gosto disso de falar pelo outro ou sobre o outro me excluindo do problema. Entenderam? Quando eu digo as pessoas, são todos nós. Ok? Pronto, agora posso continuar. Pois bem, não temos em nossa cultura atual ideias bem definidas de relacionamentos. Às vezes nem amizade hoje em dia, é apenas amizade. Claro, que tudo é relativo, mas apenas tentem entender o que estou querendo dizer.

Antes, pelo menos na época de minha mãe e minha avó, existiam namorados, noivos, casados, amantes e outros nomes que queiram dar. Mas havia definição. Quando se fazia sexo sem ter "compromisso" havia recriminação, claro que com as mulheres né? Aff Mas se sabia o que queria ou em que estava metido. Não estou dizendo que era melhor, mas também não vou dizer que é pior. Eu não sei. Não estava lá. Não vivi essas épocas. Nasci no final dos anos oitenta...

O que quero dizer é queque existia um certo conservadorismo. Hipócrita e machista, claro. Eu acho que minha vó nem sabe o que sexo casual. Hoje temos essa liberdade. Temos a possibilidade de ter sexo casual, temos a possibilidade de não ter "compromisso" de não nos relacionarmos com ninguém. Isso foi muito bom, eu acho. Para nós mulheres, foi um ganho absoluto sobre nossos corpos e sobre nossa sexualidade.

Por outro lado, no entanto, viramos um bando de perdidos. Atarantados em nós mesmos, com medo de se abrir, com medo de qualquer contato mais próximo, com medo de se importar, de se apegar, de se importar. Vivemos com medo de tudo. Da violência urbana e de se relacionar. E não falo só de relação amorosa, falo de amizade e falo de ter consideração com o outro, mesmo que estejam em algo casual, mesmo que estejam ficando. Porque com nossos egos inflados, não querendo nos envolver para não sofrer acabamos sendo muito escrotos com as outras pessoas.

Medo. Tudo isso vem do medo. Medo de amar e de sofrer. Medo de abrir nossas casas e convívio familiar com quem quer que seja, medo de relacionamentos abusivos, medo de sermos enganadas. Medo. Nossas vidas foram invadidas pelo medo. Mesmo que nem todas as pessoas sejam assim, medrosas, sempre há algum, em maior ou menor proporção. Algum trauma do passado, em muitos casos vai determinar esses medos e nossas atitudes diante dele e sobre ele.

Eu tenho esse medo também. Sim, fui atingida. Tantas decepções dão nisso não, é? Mas eu não quero falar de mim. Estou tentando falar sobre a tendência que temos, em geral, em nossos dias, de não se envolver, não se relacionar, não se apaixonar. Queremos mesmo o casual, o raso. Mas tenho cá minhas dúvidas se estamos realmente felizes com isso. Já estou começando a sentir uma quebra de todo esse discurso bem elaborado e construído em nossas mentes.  Porque não é possível que se viva assim o tempo todo, a vida inteira. Em algum momento esse gelo tem que ser quebrado e o medo enfrentado. Em algum momento a gente vai se apaixonar, querer dividir o edredom,o brigadeiro e o filme em uma tarde de domingo. Mesmo que já tenha feito isso em determinado momento e quebrado a cara. Coloquemos a cara pra bater. E pra quebrar também. Porque a vida é se arriscar... Bom, é o que dizem, porque por enquanto eu prefiro é não dividir nada. Ficar só comigo mesma. É o melhor que posso fazer por mim nesse momento. Sem medo de ter medo.


Rafaela Valverde

terça-feira, 5 de setembro de 2017

Vida aleatória e sem sentido

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A vida é como um filme, ou talvez até uma série. Com vários episódios, uns bons, outros nem tanto. Vai alcançando ápices de conflitos, realizações e conquistas. Mas também há aqueles episódios decepcionantes, em que não acontece nada. E as temporadas sem emoção, sem nada bom. Parece que foram mal escritas. 

Séries são escritas por alguém e não são aleatórias. Seguem uma lógica, ou pelo menos deveriam. A vida já nasce sem lógica. Aleatória e sem sentido como já diria W. Somerset Maugham. Não sei porque nasci, nem quando vou morrer. Só sei que vou morrer em algum momento. E é isso que dá sentido à vida: a certeza de que um dia a morte vai chegar. Isso impulsiona a vivência. Afinal, é preciso aproveitar a vida, antes que tudo acabe e vire um vácuo escuro.

Tantas pessoas nesse mundo. Só em Salvador são quase quatro milhões de pessoas. Mais de sete bilhões no planeta e eu aqui querendo que alguma energia superior olhe por mim. Alguns preferem chamar essa energia de Deus. Eu também, às vezes, mas creio que essa força, essa fé que nos impulsiona a acreditar em alguma coisa está dentro da gente.

Se faz necessário crer em alguma coisa para sobreviver, para não surtar ou entrar em depressão. Daí a gente inventa a fé e inventa Deus. Assim, continuo com o exemplo das séries para ilustrar a vida. A gente precisa acreditar nos roteiristas, nos produtores e atores para compreender e aceitar os destinos dos nossos personagens preferidos. Tendemos a acreditar que os conflitos de cada episódio são a vontade do roteirista, assim como deixamos certas coisas a cargo de Deus, como se fossem seu desejo. E nem sempre temos a comprovação de que isso é realmente verdade. Não temos como comprovar nada. Mas precisamos acreditar. Desesperadamente. Alguma coisa precisa fazer sentido para que possamos aceitar melhor determinados fatos da vida, ou a falta deles.

Aí vem nossos questionamentos sobre a vida, sobre as coisas que a gente consegue ou não na vida, mesmo que peça, mesmo que implore, mesmo que faça promessas. Enquanto isso pessoas ordinárias vivem bradando suas vitórias. A gente começa a se perguntar o que está fazendo de errado e porque simplesmente as coisas não fluem e porque a gente não consegue felicidade, paz e calmaria. É tudo muito injusto e repito: aleatório e sem sentido. Dizem que as energias que lançamos ao universo voltam para a gente exatamente como lançamos, portanto quando ajudamos as pessoas, somos gentis, não fazemos maldade e somos positivos essas coisas deviam retornar para a gente com coisas boas. Mas não é bem isso que acontece. Bom, pelo menos não para mim, pelo menos quase sempre, porque as coisas quase sempre desandam e eu me pergunto diariamente sobre isso.

E por outro lado vejo que pessoas falsas, fofoqueiras, invejosas, mentirosas e com mau caráter se dão bem na vida, ou pelo menos aparentam estar muito bem. Aí eu me pergunto porque a vida não funciona como as séries, filmes, livros, etc., onde os mocinhos se são bem e vivem felizes e os vilões morrem ou vão presos e sempre se dão mal. Como gostaria que a vida fosse uma série.


Rafaela Valverde

O mundo do silêncio

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Me dei conta que sou solitária. Não sou daquelas pessoas que fazem amizade em qualquer lugar que chega. Demoro um pouco. Demoro para me abrir, para me enturmar, demoro para sorrir. Quase nunca sorrio. Não gosto de me revelar logo de cara. Não confio nas pessoas e quase nunca gosto delas. Ouvir gente falando é uma tortura pra mim. Quando preciso estar em um ambiente com muitas pessoas gostaria muito que elas não falassem e nem arrastassem os chinelos. Me irrita muito certos contatos. Irrita e incomoda. Já pensei que podia ser algum tipo de distúrbio, autismo, sei lá... Mas semana passada quando conversava com um ex professor, ele falou que nós, pessoas solitárias, sofríamos muito quando em contato com as outras pessoas... Nesse momento foi que caiu a minha ficha e percebi que realmente sou uma pessoa solitária. Talvez não porque eu queira ser, ou talvez sim, nem sei mais. Mas também há esse meu jeito de ser né. Se eu encontro uma pessoa no ônibus, continuo lendo meu livro ou com o fone de ouvido, simplesmente porque não quero conversar com ela. Eu não quero conversar com quase ninguém. São muito raras as pessoas que me despertam a curiosidade de conversar. São raras as pessoas com quem eu me sinto à vontade para falar, falar e falar. Eu geralmente até prefiro escutar do que falar. Mas nem tanto pois valorizo meu silêncio demais. Quando estou almoçando no Restaurante Universitário quero comer em silêncio. Deglutir calmamente minha comida enquanto simplesmente curto uma música ou meu programa preferido na rádio. Eu não quero ninguém tagarelando em meu ouvido. Eu não quero blá, blá, blá no meu juízo o dia inteiro. Não sei o porquê de as pessoas falarem tanto. Não sei porque não calam a porra da boca, na moral. Não gosto de tagarelices, nem de jogar conversa fora. Não gosto de desperdiçar palavras, nem de gastar saliva. Sou, na maioria das vezes, calada. Sou personalidade única, como todas as pessoas no mundo. Obviamente cada pessoa é única. Existem muitas pessoas solitárias por aí. Eu não sou a única e nem sou a privilegiada que só abre a boca quando tem certeza e em caso de extrema necessidade. Mesmo que essa necessidade seja um final de tarde, com uma amiga, fumando, vendo o pôr-do-sol, conversando, conversando e rindo das caras dos homens. 



Rafaela Valverde

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

Entorpecimento mortífero

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A frustração, o medo e desesperança dão bons temas para escrever. Aliás, eles já são o próprio assunto. Eu, quando recebo noticias ou baques na minha vida - o que acontece quase o tempo todo, diga se de passagem - tendo a escrever melhor. Com mais tristeza, consequentemente com mais literatura.

Refletir sobre minha escrita faz parte de uma tomada de consciência sobre mim mesma e meus sentimentos. Quais os momentos em que escrevo? E como escrevo nesses momentos? Qual a época em que mais escrevo contos eróticos, por exemplo? Cabe a reflexão.

Sei que isso pode não interessar as pessoas, mas analisar isso, para mim, me faz entender a mim mesma ou pelo menos ajuda. Meu psiquismo, meus processos cognitivos e de assimilação de coisas ruins que acontecem em minha vida. Só na semana passada tive duas notícias ruins, duas preocupações sobre o futuro. Dois pequenos problemas que não me definem, mas me incomodam. Com essas coisas eu só sinto vontade de escrever. Escrever, chorar e morrer. O fardo de viver, às vezes, me deixa muito deprimida e muito desgostosa com a vida.

Às vezes, nem a literatura consegue me tirar desse entorpecimento mortífero. Deve existir uma força sobrenatural dentro do meu ser, porque mesmo com tudo desmoronando eu ainda consigo cumprir minhas obrigações diárias, os trabalhos da faculdade, etc. A demanda de estudos pelo menos mantém minha mente ocupada e eu deixo de sentir ímpetos de me jogar debaixo de algum carro em uma avenida movimentada.

Tudo é pesadelo, tudo é tempestade. E eu não acordo nunca desse sono que não oferece descanso, nem alento. Só dor, angústia e pesadelos. Eu não sei até quando eu vou conseguir me manter ocupada o suficiente para não desistir e não mergulhar de vez nesse entorpecimento.


Rafaela Valverde

sábado, 15 de julho de 2017

Lua Adversa - Cecília Meireles

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Tenho fases, como a lua.
Fases de andar escondida,
fases de vir para a rua...
Perdição da minha vida!
Perdição da vida minha!
Tenho fases de ser tua,
tenho outras de ser sozinha.

Fases que vão e vêm,
no secreto calendário
que um astrólogo arbitrário
inventou para meu uso.

E roda a melancolia
seu interminável fuso!

Não me encontro com ninguém
(tenho fases como a lua...)
No dia de alguém ser meu
não é dia de eu ser sua...
E, quando chega esse dia,
o outro desapareceu...




Rafaela Valverde

Não é mulher livre que não serve para namorar, e sim homem machista!

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Alguns homens dizem que não são machistas, mas são. Vivem afirmando que não tratam mulheres como objeto mas mexem com a gente na rua; vivem dizendo que não fazem separação de mulher para namorar X mulher para comer e vivem deixando mulheres livres com a sensação que só servem para serem comidas.  Eles vivem dizendo coisas que não fazem na prática.

Conheci pouquíssimos homens que realmente não tiveram esse pensamento retrógrado de que mulher 'dada' ou 'atirada' ou sabe lá Deus o que mais eles inventam sobre mulheres que transam quando querem e que fazem o que estão afim com seu próprio corpo. É impressionante como adoram rotular mulher livre. A primeira palavra que vem à boca desses homens é puta.

Ainda existe muito machismo nas cabeças masculinas, por mais que eles não percebam, reproduzem. Alguns homens acreditam fortemente que mulheres que vão à balada e usam roupa curta, por exemplo, não servem para namorar, casar, etc. Ainda escuto isso. O que eu quero é que os homens entendam que as mulheres, contanto que queiram, servem para qualquer coisa: casar, namorar, ter filhos...

Eu já senti esse olhar sobre mim e não só o olhar. Hoje nem tanto, porque estou bastante sossegada, excluí o Tinder e não pego nem gripe. Mas na minha época de pegação, cheguei a ouvir que eu era muito "dada" e muito polêmica. Que falava alto e que alguns homens poderiam ter "receio" em me levar para conhecer os pais. Sim, mesmo nas entrelinhas, foi o que eu ouvi. A parte do 'falar alto' foi bem direto mesmo, sem entrelinhas.

Eu faço a porra que eu quiser. Eu sento de pernas abertas, falo alto, xingo, bebo e minha gargalhada é estrondosa. Não sou obrigada a ser uma mocinha delicada e submissa para agradar macho. Mas percebo que é isso que eles procuram para namorar. A submissa que eles podem manobrar. Se for para ser solteira, serei a vida toda, porque nunca, mas nunca mesmo deixarei de ser eu mesma.

Enfim, então é isso, homens. Parem de tratar mulheres livres como mulheres que não prestam para vocês. Porque eu acho que na verdade, são vocês que não prestam para esses mulherões da porra que estão por aí sozinhas. Acordem! Todo mundo serve para todo mundo. Todo mundo serve para casar, namorar, trepar... Mas, 'homis' machistas talvez não sirvam para ninguém. Tomem cuidado, porque o jogo já está virando.




Rafaela Valverde


terça-feira, 11 de julho de 2017

Tentando entender você

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Eu não consigo entender certas coisas em você. Eu não consigo entender muitas coisas, pra falar a verdade. Eu não entendo como você diz que eu sou a melhor. Melhor em tudo: no beijo, no sexo, na companhia, na inteligência... E ainda assim você continua a não me querer para estar ao seu lado. Você diz que quer ter opções, que precisa disso para ser feliz. Você diz que quer ter outras não tão boas quanto eu, só por ter, só para saber que realmente tem essa opção.

Você entende isso como liberdade. Mas eu entendo  como uma confusão que você faz com sua vida e com a minha. Soa tudo tão incoerente e desconexo. Não quero criticar você, não ache isso. Eu só queria entender. Queria. Na verdade eu nem sei se quero mais. Talvez eu apenas me deixe levar pela situação e me satisfaça só com o fato de estar com você de vez em quando. Às vezes é bom viver na ignorância mesmo. Sem compreender determinadas coisas.

Mas minha cabeça não para. Ela insiste em saber o porquê de você querer outras se tem a melhor disponível para você a qualquer momento que precisar. Além de ser a melhor, eu sou também a que te ama. A que te ama incondicionalmente. Sou a mulher que te amou nesses últimos anos, independente do que você fizesse. Eu sou a mulher que te conhece melhor do que você mesmo, eu sou a mulher que te viu chorar feito criança em vários momentos, sobretudo, no momento em que seu time foi rebaixado. Eu sou uma mulher maravilhosa, como você mesmo diz. E eu não preciso que ninguém diga, eu sei que sou. 

Nem você consegue me explicar, os motivos dessa sua escolha. Já que tem a melhor, ainda opta em ficar, ou encontrar outras que serão pessoas menos importantes na sua vida. O que você quer? Colecionar afetos? Pequenos afetos, pequenos envolvimentos emocionais... Pequenos... Sempre pequenos. Porque o maior você já teve e tem. Você tem o amor da sua vida na sua frente e como mesmo já me disse, deveria se sentir privilegiado, mas não se sente.

Privilégio para você é poder estar "livre" para "ficar" com quem quiser, a hora que quiser. Questiono isso que você chama de liberdade, pois isso pode ser uma ou várias prisões. Prisões em conceitos, em pré-conceitos, prisões em ideias retrógradas e nefastas sobre você mesmo e sobre mim. E ainda há as ideias otimistas sobre as outras pessoas. Acho que você tem esperança de procurar, procurar e encontrar alguém igual ou melhor que eu. Você não aceita que possa haver apenas uma mulher para dedicar tanto amor durante tantos anos, durante a vida inteira... Você não se conforma com essa possibilidade e quer experimentar várias outras possibilidades para saber que não está perdendo nada da vida.

O problema é que enquanto você brinca de encontrar outro amor tão especial como o nosso e tenta experimentar "as alegrias da vida", você pode estar perdendo a possibilidade de ter seu amor, de ter sua companheira, sua amiga confidente, a pessoa que mais ama e cuida de você. Sabe por que? Não porque eu não esteja disposta a esperar por você e ficar com você, mas porque a vida pode acabar a qualquer hora, já pensou nisso? Além disso, nesse momento deve existir pessoas me observando. E eu não sei o que vai acontecer daqui pra frente, mas a gente tem que pensar em todas as possibilidades da vida, não é? Pois, enquanto você está aí dizendo que quando se ama quer  ver o outro feliz  e tentando buscar alguém para me substituir - mero discurso - eu estou "livre, leve e solta" e pensando que só posso mesmo obter ou reobter minha felicidade no amor com você, ao seu lado.



Rafaela Valverde

domingo, 18 de junho de 2017

Nossas escolhas são responsabilidade nossa


As pessoas estão deixando  suas vidas e decisões a cargo de Deus e da vida. A vida é imprevisível. É o que dizem. Mas e onde ficam nossas escolhas, nossas experiências, inteligência e livre arbítrio? Não acho que dá para deixar tudo a cargo da vida. Como Zeca Pagodinho que queria: "deixa a vida me levar..." Isso nos exime de responsabilidade e até mesmo de culpa quando algo não dá certo.

E quando dá certo também é possível que deixemos tudo a cargo da vida e/ou de Deus. Mas e nossos méritos? E nossa luta diária para sobreviver e para viver da melhor forma possível? E quando nos inscrevemos em determinado concurso e estudamos pacas e acabamos passando na prova, foi total responsabilidade de Deus e da vida? Foi sorte? Apenas sorte? Ou ralamos pra caramba e escolhemos estudar ao invés de ir à baladas?

Há muito o que se pensar sobre isso, especialmente quando dizemos que o futuro a Deus pertence e que não sabemos o que acontecerá daqui há dez anos, tirando nosso corpo fora de determinadas situações e decisões que devem ser tomadas. É claro que não sabemos mesmo. Isso eu não posso negar. Ninguém sabe o que será da sua vida daqui há dez anos, mas é possível que se tenha certa noção de como será nossa vida a depender de nossas atitudes hoje.

Nossa, daqui a dez anos eu não sei como será minha vida mesmo, então não vou aproveitá-la, não vou estudar, nem trabalhar, nem juntar dinheiro, nem construir uma carreira, nem fazer amigos, nem construir uma relação, ou amar e me envolver com alguém, porque o futuro a Deus pertence. Ah, me poupe! Você é uma pessoa covarde que tem medo de dar dois passos sozinha para depois não se sentir culpada e joga a responsabilidade de suas escolhas para Deus, ou para a vida, ou para o universo. 

Primeiro seria bom começar a crescer primeiro e assumir as consequências de nossos atos. Acho de uma covardia e infantilidade sem tamanho dizer que a vida é imprevisível, só por que não tem coragem de tomar decisões próprias. Eu posso não estar no controle total e absoluto da minha vida, já que não faço ideia quando vou morrer, por exemplo, mas ainda assim sei que sou totalmente responsável pela minha vida, pelas minhas decisões e escolhas e não Deus. Deus nos deu livre arbítrio e tem  gente que ainda continua jogando as coisas para que Ele resolva. Isso, para mim, é fraqueza, é covardia.  É falta de firmeza e falta de conhecimento de si próprio, de suas capacidades. É isso que eu penso sobre esse assunto e vocês, o que acham? Contem para mim.




Rafaela Valverde


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