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terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

Maturidade para mudar

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Eu sou uma pessoa difícil e fácil ao mesmo tempo. Uma das incongruências da vida é poder ser a gente mesmo. Sem maniqueísmos. Sem o totalmente bom e sem o totalmente mau. Eu sou chata e legal. Eu acordo de mal humor às vezes, mas uma hora depois já estou de boa. De incongruências vivem os seres humanos, de incongruências vivo eu. Sou insegura, às vezes. Com essa insegurança posso fazer grandes estragos em minha auto estima e em meu relacionamento com as outras pessoas. Eu faço muita merda, às vezes. Mas, claro, faço muitas coisas bacanas. Como todo mundo. Ninguém é só uma coisa. Ninguém é só bom ou mau. 


Eu não tenho pensamento linear sobre nada. Estou pensando em uma coisa agora e daqui a cinco minutos tudo pode mudar. Quase nunca premedito nada. Nem sei premeditar. Até meus personagens  e poemas são criados quando estou sentada escrevendo. Como eu iria premeditar atitudes idiotas que tenho às vezes? Minha mente trabalha com turbilhões de emoções ao mesmo tempo. A ansiedade não me deixa parar. Uma vez tive uma crise de pânico. Só contei para uma pessoa. Como falar essas coisas sem que nos taxem de malucos e frescos? O que estou querendo dizer aqui é que muitas coisas podem estar acontecendo ao mesmo tempo na minha cabeça enquanto eu faço ou falo alguma coisa.

A minha auto estima nem sempre é boa. Nem sempre está em alta. Eu costumo achar que todo mundo me odeia. Que ninguém me suporta. Que estou sempre incomodando... Que não há espaço para mim em lugar nenhum... Às vezes não me encaixo, apesar de fazer um esforço muito grande para isso. Quase nunca quero conversar com ninguém. Eu não aguento conversas bestas que não me levarão a lugar nenhum. Não gosto de conversar sobre atrações e valores de festas Open Bar. Me desculpem, mas a minha mente é tão agitada que eu só quero um pouco de sossego de vez em quando.

Em muitos casos procuro briga por tudo. Tudo é motivo de eu me indignar e reagir. Eu já fui tão vilipendiada na vida (eita, que hoje estou usando palavras difíceis!) que por qualquer coisinha tendo a reagir, tendo a não admitir ser tratada de forma diferente da que eu mereço, da forma que eu trato. E qualquer indício de que posso vir a ser maltratada me faz acender uma luz vermelha. Dessa forma acabo metendo os pés pelas mãos e maltratando quem não merece ou agindo como criança. Pior que criança. É um defeito grave. Não tinha me dado conta dele antes e agora consigo perceber o porquê de algumas pessoas se afastarem de mim. Como já mudei muito ao longo dos anos e consegui melhorar e até mesmo corrigir alguns defeitos que tinha, também agora com a percepção desse, preciso tomar atitudes para corrigir. Urgente! Porque não quero e nem posso mais perder mais ninguém. Já chega!

Eu antes era uma pessoa teimosa que só ouvia a mim mesma, a opinião do outro não importava; era controladora, calculista, ciumenta, grudenta daquelas de querer falar com a pessoa o tempo todo... Eu já corrigi muitos defeitos e pretendo corrigir mais esses. Era só uma questão de percepção. Alguém que eu amo me fez perceber o quanto sou estúpida e infantil ainda. Nem eu me suportaria. Eu ainda preciso mudar muito. Ser segura o suficiente para não deixar coisas pequenas me atingirem num grau superlativo. O meu maior problema é insegurança, ansiedade, depressão. Eu não faço por mal. Só parece que algo em meu eu gosta de brigar ou precisa sempre se indignar,  sei lá...

Mas é muito bom ter maturidade para perceber erros e defeitos. É muito bom olhar para dentro de mim mesma, dar um passo para trás e observar o que deve ser mudado. Já devia ter sido, só que eu ainda não tinha percebido a gravidade do problema. Sim, mudar é preciso!



Rafaela Valverde

O perdão

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O que é o perdão? Pra mim perdão é o maior ato de clemência que se pode fazer por quem se ama ou gosta. Bem, eu sei, talvez eu esteja exagerando... Clemência  é uma palavra muito forte. Mas ainda penso assim. Perdoar é a coisa mais nobre que se pode fazer pelo outro. O outro que de alguma forma a gente gosta. Porque quem a gente não tem uma relação afetiva não tem capacidade de nos atingir com seus atos. Já repararam que quem mais nos atinge com atitudes é quem a a gente gosta? Nos atinge porque nos importamos. E, se nos importamos com aquela pessoa ou com aquela ligação afetiva, então por que não perdoar?

Perdoar chega a ser um conceito religioso, cristão. Acho que também é uma coisa nobre que podemos fazer por nós mesmos. A gente se sente mais leve depois que a raiva passa, depois que a deixamos passar, depois que a cabeça está fresca. Já perdoei várias vezes e me senti muito melhor sempre que o fiz. O perdão é lindo. É olhar para o outro entendendo sua humanidade e com isso sua capacidade intrínseca de cometer erros. É olhar para o outro reconhecendo a si mesmo e a sua própria humanidade, porque também cometemos erros. Todos nós. É a coisa mais certa: saber que o outro vai errar. E se ele erra, é ser humano. Se ele erra, todo mundo erra. Quem perdoa ou vai perdoar também erra o tempo todo ou já errou feio um dia. Por que não ter empatia? Por que não se colocar no lugar daquela pessoa que errou e tentar entendê-la? Eu já estou tão acostumada a fazer isso que pra mim já soa como algo muito fácil. 

Sou das que perdoam. Sou das que não guardam mágoas. Sou das que dá segunda, terceira chances... Já cheguei a dar chances extras. Me via como trouxa por conta disso. Hoje não vejo mais. Me vejo como alguém que entende o outro e consequentemente a si mesmo. Me vejo como alguém de coração bom que entende que perdoar é básico para qualquer tipo de relação. Claro que tudo tem seu limite e depois das chances extras, a gente já começa a perceber que o outro não está realmente disposto a mudar ou a consertar seus erros... Mas quando o outro se dispõe a consertar seus erros e mostra isso ao longo do tempo nada mais justo que dar essa chance. Nada mais justo que dar chance de a pessoa se redimir. Todo mundo merece. Eu acho. Sempre tive essa certeza em minha vida. Acredito no ser humano. Ainda.

 Ainda vislumbro possibilidade de melhorias nas pessoa. Pelo menos nas que se propõem a mudar e se policiam. Obviamente é preciso enxergar essa mudança, essa melhoria. Não dá, como eu já disse, para ser feita de idiota. Ninguém merece ser feito de idiota, ao mesmo tempo que todo mundo merece uma segunda chance. Sou adepta das segundas chances. Sou adepta ao perdão. Meu coração perdoa. Minha cabeça também. E tudo volta do início. Começa do zero. E consigo ser capaz de entender o outro, de perceber seus esforços em mudar e começar tudo de novo. Nossas relações afetivas se renovam a partir do perdão e ficam melhores.




Rafaela Valverde

domingo, 11 de fevereiro de 2018

Nossa dança sensual

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O quarto fica mais quente com a gente dentro. Nus. Dançando movimentos sensuais. Nenhum momento com você é igual, nenhuma de nossas transas é igual, por mais que façamos as mesmas posições, por mais que pareça aquele sexo burocrático típico de casais apaixonados, nunca são as mesmas sensações. É sempre diferente, delicioso. E quando você falou: "deixa eu te chupar um pouquinho", foi tão tesudo de ouvir. Parecia desesperado por fazê-lo. Esse cabelo roçando na minha barriga enquanto está lá embaixo é a carícia mais encantadoramente sensual que pode acontecer...

Adoro quando você tira minha calcinha dessa forma única que me deixa ainda mais te querendo. Beija e lambe partes do meu corpo que eu nem sabia  que eram beijáveis. Eu quando estou embaixo de você me sinto no céu, sufocada por uma sensação que não sei de onde vem. Ou em cima, ou do lado... Todos esses momentos e posições ritmados são incríveis, porque é com você.

Eu não consigo nem descrever como fica meu corpo quando você me toca e daí já partimos para a ação e não consigo pensar em mais nada. A partir daí entramos em um transe inefável e inimaginável. Eu meio que saio de mim e só lembro de como me sinto no final, ofegante e quase infartando depois de gozar.

Alguns desses seus detalhes que te fazem único me deixam enlouquecida de tesão e você sabe do que eu estou falando. Adoro sentar em você e observar essa sua cara safada de cima, é uma visão panorâmica melhor que da Baía de Todos os Santos. Gosto de olhar seu rosto enquanto goza e puxo seu cabelo para cima. Não é por mal, é só porque é muito lindo de ver.

Quero que me coma em todos os cômodos desse apartamento que ainda me parece incauto demais. Você sabe disso, porque eu já te disse, mas não sei qual foi sua reação, aff esses aplicativos de mensagem que não deixam a gente ver a reação do outro, mas vou falar de novo só pra ver sua reação e carinha falsa de timidez. Você vai dar uma risadinha sem graça e nem vou acreditar nisso... E essa gargalhada? E essa voz deliciosa cantando em meu ouvido... É melhor eu parar por aqui mesmo porque estou na sala e tem gente aqui...



Rafaela Valverde  

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

Foda-pra-caralho!

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Nesses raros momentos românticos da minha vida em que fiquei por alguns momentos, poucos, em companhia de alguém que esteja amando, ouvindo alguma playlist fofa e romântica eu me senti bem. Essas coisas me deixam tão satisfeita que é como se eu tivesse nascido especialmente para isso, para viver dessa forma, em eterno clima de romance, me desculpem a redundância, eternamente. Mas, me diga quem é que não quis em algum momento da vida algum momento desse a la conto de fada daquele bem da carochinha que a gente acha que pode acabar a qualquer momento? Quem diz que não, é um puta mentiroso. Um mentiroso do caralho. E vou aqui mesmo falar meus palavrões mesmo. Se não quiser ler não leia. Tchau. Não é essa a palavra? Ciau, bye... Sim, esse é mais um dos meus textos malucos para comprovar que não existe ninguém normal no mundo e nem mesmo existe quem  não queira viver um mísero momento como esse. De romancinho-água-com-açúcar. Pois bem, é assim que me encontro nesta noite que um dia pode vir a ser famigerada e ordinária. Espero que não seja, mas não sou daquelas pessoas que costuma conseguir o que quer ou o que espera. Geralmente tudo escorre da minha mão mesmo, como uma água muito mole e escrota... Nesses raros momentos de paz e calmaria da minha vida eu não sei o que pensar, porque por mais que agradeça nunca me sinto suficientemente grata e nem acho que mereço tanta coisa boa que acontece quase sempre agora. Fico achando que a qualquer momento o jogo vai virar de novo em breve  vou  cair naquele rio solitário de amargura e depressão. Quando a gente passa anos sofrendo fica difícil acreditar que o sofrimento acabou e que agora tudo é bom, calmo e reciproco. Tem coisa mais inacreditável que a reciprocidade? Principalmente pra mim que quase nunca tive nada recíproco na minha vida. Tudo que eu vivi por um período era mentira. Mas será que agora é mesmo verdade? Aí fico confabulando todas essas coisas e pensando em tudo isso, no que é verdadeiro ou não. No que é recíproco ou não. No que é, mas de repente pode deixar de ser... Fica um pouco difícil viver assim às vezes. Se me deixar levar por esses pensamentos eu não vivo. E mesmo quando recebo um telefonema avisando que teríamos uma boa comemoração com direito a molho de tomate caseiro e tudo, eu ainda, mesmo que sorrindo, me parei pensando se mereço tudo isso mesmo e se tudo isso é verdade mesmo. Sei lá, bate uma dúvida. As pessoas dizem que a gente é nada, que a gente não merece nada e a gente acredita. A gente passa dias, meses, anos acreditando que é um lixo porque isso foi dito, mesmo que nas entrelinhas, várias vezes, por várias pessoas que a gente começa a acreditar piamente. Depois de muito tempo acreditando nessas coisas, depois de muito sofrer achando que não merece nada da vida, a gente até liga o Foda-se, porém ainda ocorrem algumas recaídas de vez em quando. E nesses raros momentos românticos e recíprocos da minha vida eu me ponho de joelhos e agradeço aos céus, aos deuses, aos orixás a todo mundo, porque isso é foda-pra-caralho. Bem, é isso... Se for um sonho não me deixem acordar.





Rafaela Valverde

sábado, 3 de fevereiro de 2018

Mais um poema

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Tenho andado distraída, cansada, irritadiça
Na aula de sintaxe escrevo poema
Não me concentro mais em nada que não seja meu sono
Não me concentro em mais nada que não seja você
Ou a gente
Nós dois
Lutando contra o cansaço
Matando toda a selva africana por dia
Tenho andado me arrastando
Coordenando e subordinando orações
Conjunções, pronomes relativos
Relações
Sei-lá-mais-o-quê!
Que aula é essa?
Não suporto mais a voz dessa professora cansada
Só lembro da SUA  voz viva em meu ouvido
Afinada, mas que voz!
Em clima de carnaval, você canta
Me derreto todinha
Aff, mas que clichê dizer isso
Formas nominais do verbo
Formas reais de te ver, de te ter
Todos os tempos que durarem esses dias
Todos os minutos que durarem essa aula nojenta
Que só me traz poemas
Haja café para me drogar
Deixar acordada
Amortecer
Não preciso de nada disso quando estou com você
Você me deixa alerta
Sem sono
Ou sem querer perder tempo dormindo
A hora não passa aqui nessa tortura disfarçada de aula
Eu só quero fazer poesia
E amar você
Complementos sei-lá-das-quantas
Mas você não precisa de complemento
Só esses verbos e substantivos idiotas
Analisando funções sintáticas
Assim estou
E a sua função em minha vida?
Mudar tudo! Para melhor
Trouxe positividade e reciprocidade
Novas formas de pensar
Coisas inteligentes para conversar
Ilumina e ao mesmo tempo tempo tapa minha visão para todo o resto
Me faz querer escrever poema na disciplina mais difícil do meu curso
Vale a pena!
E haja poema
Para conseguir expressar todo esse arrebatamento
É incendiário
Fogo que insiste em se manter
E olhe que achei, erradamente, que tinha encontrado meu sol
Oh se eu tivesse sabido antes
Que me sol chegaria e não mais se esconderia por trás de nuvens, se mostraria para mim
Hoje eu sei porque não consigo suportar essa aula
Nem a semana de chuva
Quero o final de semana
É o sol em meio ao temporal
Porque é quando vou te ver, meu sol
Só (L) meu em meio a tantas (e passadas) trevas
Quero sair correndo dessa sala de aula, sem sol, sem luz, sem calor
Só orações
E nem são aquelas que fazemos aos nossos deuses
São umas orações impostas pelas gramáticas da nossa língua
Regras separam nosso dia a dia
Mas não nosso pensamento
Eu acho
O meu não
Espero que saiba disso, assim como eu sei todas essas "coisas" da língua portuguesa...



Rafaela Valverde

terça-feira, 23 de janeiro de 2018

Minha borboleta

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A gente corre, corre e corre atrás da borboleta, mas ela foge da gente. Um belo dia quando a gente para de procurar e se distrai, é aí que a borboleta posa em nosso ombro. Ouvi essa história há um tempinho e me encantei logo de cara. Já gostava de borboletas, mas foi aí que decidi que gostaria mais. Essa pequena história quer dizer que durante muito tempo a gente fica procurando algo que às vezes nem sabe o que é e quando a gente para de procurar ou até mesmo perde as esperanças essa coisa acontece. Sem mais nem menos. Eu, por exemplo, estava aqui de boa, na minha, sem nem pensar em nada disso, sem nem pensar em me apaixonar de novo, mas em alguns momentos é a vida quem manda na gente, sei lá. Parece que há sempre alguma coisa predestinada, apesar de eu acreditar muito mais no livre arbítrio, em livres escolhas. Mas, querendo ou não, em determinado momento alguma coisa acontece sem que você queira ou sequer se dê conta. Pois bem, eu me apaixonei. Perdidamente. Loucamente. Rapidamente. Tantos advérbios para explicar e caracterizar o que não tem explicação e nem caracterização específica. Paixão é a coisa mais maluca que alguém pode sentir.  É ao mesmo tempo doença e cura, ao mesmo tempo que dá tensão de saudade, nos deixa com sorrisos idiotas o dia todo. Paixão é um sentimento pouco inocente, pouco isento. Arrasa tudo que vê pela frente. Consome fornalhas e mais fornalhas, esquenta... Pode virar amor. E esse sim é o mais sublime encanto sentido por seres humanos. A minha borboleta chegou no momento que eu imaginava que não mais seria capaz de despertar interesse em borboleta nenhuma. Posou no meu ombros descaradamente e eu não podia deixar que ela se fosse. Tentando buscá-la, caçá-la foi que me meti em uma enrascada disfarçada de namoro no passado. Hoje, eu sei que as coisas não serão mais assim. Eu não sinto apenas. Eu tenho certeza. Eu quero ficar nessa relação, eu quero tentar. Não são expectativas, são certezas. Expectativas são coisas que já descalcei há muito tempo. Não tinha expectativas nenhuma quando encontrei essa nova paixão lá no décimo dia do último mês de 2017. Sim, como eu disse foi tudo muito rápido. Porque era pra ser. Porque estávamos sendo preparados um para o outro. Porque estou lembrando muito bem que Deus me disse para esperar, para ficar calma e não procurar. Que essa hora chegaria. Que essa pessoa chegaria. Daí eu fiquei tranquila, parada e não procurei. Eis que chegou minha borboleta, minha rechonchuda e brilhante borboleta. Suas cores me enchem de alegria, sua calmaria me enche de paz. Suas graças me enchem de gargalhadas. Meu peito está cheio de um sentimento lindo e avassalador que me pegou depois de muitos anos. Há muito tempo não sabia o que era ficar sorrindo pelos cantos, ao invés de chorando e me lamentando. A minha borboleta me alcançou, me escolheu e é perto dela que vou ficar. Não vou deixar escapar. Não dessa vez. Me faz bem. Quero ela perto de mim, como já disse não vou deixar que ela escape, mas não vou prendê-la. Comigo não existe isso. Aqui a gaiola são meus braços e pernas enroscados quando estamos nus na cama de madrugada. Aqui, ao meu lado, fica quem quer. E ele quer. Minha borboleta, o dono da minha paixão. Quer. Ele-me-quer. E olha que nem imaginava que ainda tinha pólen para atrair uma borboleta tão incrível. Mas não é que eu tenho? Sou muito privilegiada!




Rafaela Valverde

domingo, 31 de dezembro de 2017

Adeus 2017!



Não posso dizer que 2017 foi um bom ano.  Terminei um namoro ruim e o que seguiu a partir daí foi bem escroto, mas já passei uma borracha nessa história que nem devia ter acontecido. Enfim, passando dessa parte que foi bem no inicio do ano, pulo para o carnaval que também foi bem no início e é um tema bem melhor. Fui depois de dois anos ao carnaval e pela primeira vez à noite, no circuito da Ondina. Fui atrás da pipoca de Armandinho e foi maravilhoso. Apesar de ter ido na última noite. Foi o melhor carnaval da minha vida.

Em abril fui para Recife e foram dias maravilhosos que passei lá. Viajar é uma das experiências mais gratificantes da vida. Mas esse ano tive poucos momentos realmente bons. Não posso mentir. Minha bolsa de iniciação científica acabou, tentei três estágios diferentes para atar em sala de aula e nenhum dos três deu certo. Isso foi muito frustrante por mim, sobretudo por eu não poder fazer nada. Me senti muito impotente. Com isso fiquei sem renda, o que me impediu de continuar saindo e fazendo minhas coisas. Deixei de ir à baladas, cinema ou qualquer outra coisa. E olhe que comecei o ano indo quase que toda semana ao cinema, o que eu amo. Enfim, tive momentos ruins financeiramente e na vida como um todo, pra falar a verdade.

Quantos dias e noites pensei em me matar. Coisa oriunda de uma grande depressão que fez ter uma recaída. Em muitos momentos acordava com vontade de morrer. A cada não que tomava em entrevistas de empregos e / ou estágios eu me sentia muito frustrada. Foi bem complicado. Tive vários momentos em que me senti inútil, com baixa auto estima e me achando a pior pessoa do mundo. Não curti São João. Não fiz quase nada que eu queria, mas consegui vencer tudo isso e estou aqui viva e bem.

Foi um ano bastante produtivo no que se refere a estudos e escrita. Comecei a escrever um livro de contos, que não sei quando vou terminar, escrevi o relatório final de pesquisa e fui destaque da Iniciação Científica do ano. Essa parte esteve tudo muito bem obrigado.  Tomei várias lições da vida. Lições de fé, de otimismo, de amor próprio, de amizade. Vi quem é realmente meu amigo e esteve sempre ao meu lado, disposto a me ajudar. Obrigada amigos. Um ano que conheci muita coisa nova na música e na literatura. Grandes descobertas e aprendizados. Agora, já no último mês, depois de tantos nãos chegou minha melhor notícia, meu emprego apareceu e é assim que vou começar o ano. Empregada. 

E ainda teve as questões políticas, sociais, os feminícidios e todas as atrocidades que aconteceram no Brasil e no mundo e que não deixam de nos marcar profundamente. É isso. Esse é, resumidamente, meu 2017. Que venha 2018. Muito melhor, fluindo, ano par... Coisa boa! Feliz ano novo para todos.




Rafaela Valverde

terça-feira, 26 de dezembro de 2017

Eu, cuidadora

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Sempre fui a pessoa que cuidava dos outros, cuidei de minha irmã, cuidei de uma prima, achava que cuidava de minha mãe quando ela ficava doente, cuido de minha vó quando posso, cuidei de meu ex marido durante o tempo em que estivemos juntos; cuido de minhas gatas. Mesmo com esse meu jeitão doido e desbocado de ser eu consigo ser  suficientemente amorosa para cuidar de quem eu me importo.

Não vou dizer a idiotice que nasci com o dom de cuidar. Não sei se alguém realmente nasce com algum dom. Principalmente esse. O que se chama de dons são coisas que a gente precisa desenvolver por alguma necessidade ou por que gosta ou quer. Precisei desde cedo cuidar das pessoas, precisei ser responsável por minha irmã, casei cedo e precisei cuidar do marido. Simplesmente precisei e desenvolvi isso muito bem.

Me preocupo, cuido, insisto que a pessoa procure um médico, se tiver abertura vou, cozinho, cuido. Faço o que é preciso para o bem estar de quem eu gosto. Faço o que é necessário. Faço o que não é mais que minha obrigação. E nem gosto de ficar falando sobre isso. Eu apenas sou isso. Prefiro mostrar ao invés de ficar falando. Quem fala muito não é de muita coisa não...

Só queria utilizar esse singelo espaço para falar um pouco sobre isso. Estava conversando ontem com uma pessoa e usei essa palavra: cuidadora. É uma das coisas que me identifica. E quem me conhece sabe que mesmo eu sendo largadona, ter essa cara de bunda às vezes e parecer que não me importo. Eu me importo sim. E cuido. Eu adoro cuidar. Eu gosto de ver as pessoas bem. Eu sou isso, mesmo que em muitos casos não haja recíproca.



Rafaela Valverde

sábado, 16 de dezembro de 2017

Banho quente

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Estávamos no banho. Eu a-observava. Oh Deus, como pode haver coisa tão linda? Se há no mundo algo mais repleto de perfeição que o corpo feminino deve estar bem escondido, não sei onde... Nesse momento ela esfregava delicadamente os pés, passou  um hidratante de banho neles e esfregou com a bucha delicadamente. Ah então é daí que sai esse cheiro de frutas vermelhas...

Recostei no box e até esqueci do meu próprio banho. Pra quê tomar banho em um momento como esse? Sua distração durou pouco. Me olhou rindo e eu ri de volta. Ora o que eu poderia fazer? A vergonha do flagrante tomou conta de mim e me virei para pegar meu xampu. Ela me abraçou por traz, beijando meu pescoço. Ai foi que me derreti... 

Seus seios médios e perfeitos contra minhas costas era a coisa mais excitante do século. Beijei- a, descendo em seguida para abocanhá-los. Ela gemia em meu ouvido enquanto lambia seus mamilos. Sem controle eu ia de um a outro com desespero. Ela puxou meu rosto e me beijou de volta. Derrubamos os xampus, sabonetes e todos os produtos que estavam pendurados. E ali mesmo começou a nossa manhã.

Seu gosto é delicioso. Claro que a gente acha tudo maravilhoso quando está apaixonado, mas era o melhor gosto, era o sexo mais delicioso que eu já experimentara. O chuveiro continuava aberto, a água quente  e o vapor embaçavam o vidro e deixava tudo ainda mais quente. A intensidade daquele momento não sairia mais da minha cabeça. No entanto, o gozo foi calmo e tranquilo. Pleno. Típico dos casais apaixonados, que fazem sexo para consagrar a paixão e não apenas por um pequeno/longo prazer momentâneo. Aquilo era lindo. Em suas minúcias mais doces e ardentes... Nesse dia nos amamos as vinte e quatro horas... Em outros cômodos da casa e na varanda...



Rafaela Valverde 


terça-feira, 5 de dezembro de 2017

Eu tenho uma pessoa e sou eu!

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Eu já sofri muito. Já sofri muito nessa vida. E já tinha sofrido muito desde que você me deixou. Passeis uns seis meses sem saber de mim. Fora de mim pra falar a verdade. Eu estava com você, em você. Só tinha um pensamento: queria você de volta. Mas hoje isso é tão ridículo. E em tempos de empoderamento feminino, elevação de auto estimas, essas coisas, não cabe bem eu preferir você em detrimento de mim mesma. Sabe dizem que isso não é amor. Eu acho que é amor sim. Porém é mais amor pelo outro, nesse caso por você, do que por mim mesma.  A questão toda, é que graças a Deus isso mudou. Eu amo mais a mim hoje do que a você. Eu encontrei uma pessoa e ela sou eu mesma. Hoje só sofro por mim mesma. Hoje não admito ser maltratada por ninguém. Hoje só consigo ser capaz de ficar fora de mim por mim mesma.

Não sei dizer exatamente por quanto tempo fiquei no limbo. Às vezes o limbo ainda vem. É escuro, vazio e pegajoso. Mas não é por você, nem por ninguém. É simplesmente pelo fato de minha vida ser uma bosta mesmo. Em alguns momentos, ou quase todos os momentos em que estive com você foi menos bosta do que é agora. Confesso que fui feliz ao seu lado. Isso eu nunca escondi de ninguém, nem de você. Confesso que ainda existe algum resquício desse amor aqui por dentro de mim. Ele nunca vai morrer. Amor não morre, eu sei. O que apaga é o fogo da paixão, mas o incêndio do amor, só pode ser escondido e não finalizado. Jamais.

Ainda assim meu amor por mim mesma, graças a Deus, hoje, se sobrepõe ao amor que sinto por qualquer outro ser na terra.  Eu escolho a mim e sempre escolherei. Não creio que você volte a me fazer mal de novo algum dia, até porque eu não deixarei que isso aconteça. Até porque não sofro mais como antes e até porque não existe tanta proximidade assim entre nós, como eu penso. Estamos acabados, não existimos mais como casal e nosso Facebook não nos deixa mentir com as palavras "solteiro" e "solteira." Queria te tratar com um pouco mais de frieza do que o necessário. Queria tratá-lo com mais frieza do que trato usualmente. Queria, mas não trato, não consigo e não vou conseguir nunca. Quando penso ou falo com você sempre sinto afeto e vontade de fazer cafuné em você e tocar sua pele macia. 

Mas, não confunda as coisas, eu demorei, mas, hoje não me confundo mais! Isso não significa que eu pense em você como meu de novo, que eu tenha sonhos de Cinderela donzela e apaixonada de novo. Não significa que eu sonhe com você me dizendo que me ama e me pedindo para voltar. Você já fez isso uma vez e nem sei se era verdade.  Já consegui te conquistar uma vez e tenho plena consciência que não o farei de novo. Não possuo tanta capacidade apaixonativa assim, mas, o que eu sei é que sou maravilhosa. E que cada dia seu distante de mim é um desperdício e uma privação dessa mulher incrível e maravilhosa que eu me tornei e você nem conhece.



Rafaela Valverde

domingo, 26 de novembro de 2017

Abraço de amigo

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Ando pensando ultimamente no abraço. Abraço de amigo, aquele que a gente sente uma quenturinha na barriga. Quenturinha de amor verdadeiro. "Amorzade." Aquele amigo que te quer bem de verdade, sorri ao te ver e te abraça forte e quente. É aquele abraço que não quer mais soltar. Amizade é a coisa mais bonita que existe. Você escolhe alguém, inicialmente por alguma pequena afinidade e em breve ela pode se tornar uma das pessoas mais importantes da sua vida. E aqueles abraços, contatos tão breves, mas não tanto, podem se tornar tanta coisa. Desde um consolo para almas cansadas, até um sinal de apoio em momentos difíceis, ou simplesmente um contato rápido entre amigos que não se veem há um tempo.

Um abraço pode ser muito e pouco ao mesmo tempo. Um abraço pode ser banal, mas, ao mesmo tempo pode conter grandes questões afetivas, grandes encontros dentro de um pequeno encontro. Gosto de abraçar meus amigos, sobretudo os mais queridos. Tenho poucos, mas eles, em sua raridade são muitos. Às vezes demoramos de nos ver. Mas quando a gente se vê dá aquela vontade de abraçar e abraçamos, apertamos nossas barrigas, uma contra a outra e tudo recomeça de onde parou, como se nunca tivéssemos ficado dias, meses, sem nos ver.

Tenho dois amigos em especial, que quando abraço sinto boas energias saindo deles e vindo até mim. Eu não sei exatamente do que se trata e muito menos explicar, mas hei de deixar tudo isso subentendido, depois de todas essas coisas que já explicitei acima. O que sei é que gosto de encontrar esses meus dois amigos, um homem e uma mulher, eles me transmitem boas coisas, eles são boas pessoas, cheias de boas energias... Quando ele e o bom humor dele me veem e me chamam em algum lugar, especialmente na universidade, onde geralmente nos encontramos, logo meu humor melhora também, contagiado pelo dele. Gosto desses pequenos encontros de transmissão de alegria e positividade. Já ela, a mulher, é uma das minhas amigas mais chegadas ultimamente. Nossas troças já fazem parte da nossa amizade. Passamos dias sem nos ver e nos falar, mas quando nos vemos, surge uns gritos, da minha parte, mas também da dela... (Hahaaha) E além dos gritos, há os abraços fortes, apertados e demorados, daqueles que não quero mais sair de dentro. E como diz uma música: "o melhor lugar do mundo é dentro de um abraço..." E abraço de amigos queridos então, é uma inexplicável sensação.




Rafaela Valverde

domingo, 5 de novembro de 2017

No chão da cozinha

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O piso é novo. Branco, minha pele nua ressai nele. Foi colocado há poucos dias. Ainda posso sentir a umidade do rejunte nas minhas costas. Estou com as pernas abertas, seu rosto entre elas, me chupando delicadamente. Revirava os olhos aproveitando o momento e pensava como tínhamos ido parar ali no chão.

Talvez fosse o fetiche do novo piso tão desejado. Há anos que queríamos trocá-lo. Ele foi aumentando a velocidade e intensidade, aumentei os gemidos porque estava muito bom. O homem chupava gostoso demais. Gozei sentindo o piso gelado em minhas costas enquanto empurrava a cara dele para mais perto.

Quando terminei, ele parou e me beijou com selvageria. Senti meu gosto em sua boca e estava cada vez mais excitada ansiando por ele. Quando me penetrou gritei alto, me sentindo preenchida. Ele apertava minha coxas intercalando com beijos e mordidas em meu pescoço, me deixando louca.

Virei, ficando por cima, cavalgando. Agora ele quem estava deitado no piso novo. Mordisquei seus lábios enquanto rebolava e gemia. Depois de uns minutos, de lado, me contorcia enquanto ele mordia meu ombro. Gozamos ali mesmo no chão novo da cozinha, enquanto planejávamos que azulejos colocaríamos na parede.



Rafaela Valverde

sábado, 14 de outubro de 2017

A Hora da Estrela - Clarice Lispector

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Já li A Hora da Estrela pela segunda vez esse ano. Eu já havia lido em algum momento da minha pré adolescência, mas não tinha nenhuma memória dele. Macabéa é uma personagem bastante conhecida na literatura brasileira. Clarice Lispector em seu último livro marcou a literatura brasileira com a estória da nordestina datilógrafa que mal sabia escrever. Em 1977, ano de sua morte, a escritora nos trouxe a rica estória da pobre mulher nordestina que "só sabia chover."

Além da história de Macabéa, narrada pela figura masculina de Rodrigo S.M já que mulheres narrando estórias é de uma pieguice sem tamanho, então tomem um homem! E assim o livro que tem treze títulos inicia a partir da voz deste homem, que além de contar a história de Macabéa, algo que pouco conhecia, ainda reflete sobre a função do escritor, sobre a ação de escrever e funciona (se coloca ou é colocado) como alter ego de Clarice.

Eu não estou aqui para escrever uma simples resenha do livro. Contar como se dá a história, descrever e analisar personagens, essas coisas... Não! Há muito disso por aí. Estou aqui para contar para vocês o que esse livro, essa história, esse personagem e esse narrador significam para mim. E talvez eu ainda não consiga deixar isso muito claro, mas pelo menos posso tentar.

Pois bem, no início, a presença de Rodrigo me causou certa estranheza. Mas o que esse homem pensa que está fazendo? Ele nem sabe o que quer contar e como contar. Mas confesso que fui me acostumando e reconheço que ele conseguiu cumprir bem a missão de nos trazer Macabéa, a alagoana insignificante que fora para São Paulo para 'melhorar" de vida. E "é claro que a história é verdadeira embora inventada..."

Macabéa aprendera com a tia a bater à máquina. Muito mal, poque era quase analfabeta. Macabéa era tola. "Ela como uma cadela vadia era teleguiada exclusivamente por si mesma. Pois reduzira-se a si." Ela nunca se viu, nunca se olhou no espelho por ter vergonha. Macabéa era sem atrativos. Macabéa era virgem. Sim, virgem! Ela mal vive, somente inspira, expira, inspira e expira... Macabéa é incompetente, ouve rádio-relógio com anúncios e cultura. E adora. Marias dividem o quarto com ela. Assim que vive essa nordestina: amontoada em um quartinho amorfo que pode muito bem ser igual a sua vida. Mas ela nunca perdera a fé, apesar de não saber em que deus acreditar. Era desencantadora aos olhos do mundo. Esta era Macabéa. Ou é. Porque ela ainda vive, apesar de morta. Mas ela não é só isso. Dentro de sua pequenez há algo muito maior. Quer saber? Leia as retorcidas palavras narradas por Rodrigo S.M porque eu agora hei de me calar.

Rodrigo afirma que escrever não é fácil. E não é mesmo. Ele, assim como todos os escritores, vê a escrita como uma fuga, como única alternativa para o cansaço da mente e da alma. O narrador fala de se preparar para falar sobre a nordestina. É preciso se igualar ao nível dela para que se consiga  escrever sobre a vida medíocre que ela levava. E isso não é fácil. Se abster de sua própria vida para compor ou descrever uma personagem como essa... Pobre, pobre de espírito, sem atrativos, moça infeliz...

O livro traz poucos personagens. O livro em si é pouco, mas um pouco que preenche a grandiosidade literária que se propõe. Glória, a colega de trabalho de Macabéa; o chefe, cujo nome agora eu esqueci; Olímpico, o namorado; as Marias, já citadas acima e a cartomante. Ainda há a tia de Macabéa que aparece in memorian e não deixa de ser marcante devido a seu relacionamento abusivo com a sobrinha. Havia o relacionamento abusivo também com Olímpico, o namorado. Que bom que hoje temos esse termo para nomear esse tipo de relacionamento. Até Glória maltratava a nordestina. Todo mundo a maltratava. Parece que ela atraía...

A morte, a aflição, a culpa, a crítica, a angústia e a briga com si mesmo - o auto-embate - como eu carinhosamente chamei, são temas que permeiam todo o livro. Por mais que não estejam explícitos, estão ali. O tempo todo. É só prestar atenção. A crítica literária e o preconceito sofrido por Clarice, por ser mulher também estão presentes. Há ainda de se ressaltar referências ao Nordeste e a Recife, terra onde viveu nossa autora. Eu vejo esse livro de muitas formas diferentes. A Hora da estrela é somente uma: a derradeira. Só se é estrela uma vez. Só se tem hora uma vez. Nada mais que isso... Eu vejo, entre outras coisas, a grande despedida de Clarice através deste livro, através de Macabéa, sua insignificante e grandiosa personagem. A personagem com nome esquisito que foi apresentada e narrada por um homem, fato que simbolizou, talvez, a voz feminina que tentaram calar.



Rafaela Valverde

sábado, 7 de outubro de 2017

Xô, passado!



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Minha vida é um balde cheio de passado. Parece que coisas e pessoas do passado sempre voltam. Tive um namorado da época da escola, recentemente reencontrei na rua um ex namorado. Mesmo que seja em pequenos momentos meu passado sempre fá um jeito de me encontrar. Não sei o que acontece com minha vida. Porque sei que muita gente consegue deixar o passado para trás e lá mesmo ele fica. Mas eu não. Acho que sempre tenho algo para resolver. Dá a impressão de que nada novo vai aparecer.

Lembranças das merdas que eu já fiz, sobretudo no que se refere a empregos também andam pairando em minha mente nos últimos meses, especialmente por eu estar desesperadamente procurando emprego. Parece que estou sendo castigada por esses erros do passado. Esse ano está sendo o ano de eu tomar porrada do passado.

Uma paquera do passado já apareceu e já me decepcionou como costuma fazer todos os homens. Nenhuma novidade, né? Mas o que quero dizer mesmo, é que tenho essa forte relação com o passado. Uma amiga disse que eu posso ter deixado coisas mal resolvidas e essas coisas têm que acontecer e portanto voltam para que eu "resolva." Mas eu não sei se acho isso positivo não. Parece que impede minha vida de andar pra frente. E eu fico achando que mudei e aprendi mas acabo cometendo os mesmos erros do passado. Repetindo atitudes e deixando que essas pessoas do passado retornem à minha vida.

Eu não sei exatamente o que tudo isso significa. Só estava refletindo sobre isso outro dia e estou aqui, escrevendo, contando para vocês.  É bom poder fazer essas análises e reflexões sobre a vida. E tentar fortemente, esforçosamente não cometer os mesmos erros de novo. Esquecer o passado e evitar que ele fique pairando em minha cabeça e refletindo sobre o meu presente e futuro.

domingo, 1 de outubro de 2017

Redes "solitariais"

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Cercados por todos os lados de redes sociais, parece que estamos sempre muito bem. Constantemente cercados de "amigos." Felizes, com saúde e dinheiro. Tudo aparência. Criamos uma névoa imaginária que nos protege da vida real e  de nós mesmos. Muitos amigos, seguidores, curtidas, visualizações, respostas... Ufa! Somos escravos de quantidades. Quantidade de amigos, curtidas e todas essas coisas trazidas pelas redes sociais. Até parceiros sexuais e em alguns casos, relacionamentos podem ser encontrados e começar nas chamadas redes sociais. E quando dá match aumenta mais nossa vaidade.

Tudo é feito virtualmente. Não há presença, olho no olho, calor humano, voz, cheiro, aperto de mão, abraço, parabéns de aniversário ou alguma outra realização. Para isso existem o Facebook, Instagram, Whatsapp, Tinder e outros... Mas na vida real vem a solidão. Ela não é virtual, nem fictícia. Ela é constante e bem presente. E não diga que estar consigo mesmo é solitário porque não é. Falo da solidão profunda, de não ter ninguém para contar, conversar ou sair. Solidão de verdade é a compulsória. Não se escolhe estar só, mas sempre se está.

Essa solidão não é fácil e em muitos casos está paralela à redes sociais lotadas, muitas curtidas, comentários e matchs. Redes sociais agitadas. Redes pessoais vazias. Ninguém para conversar, nenhuma notificação que não seja as do celular. Nada.

A sensação que dá é que quanto mais agitada a vida virtual, mais solitária e vazia a vida real. Ou seja, redes sociais vêm para consolidar o processo de solidão, porque quanto mais interação com o celular e com o computador, menos interação com pessoas - e também  vêm para demonstrar para todas as outras  que "não estou tão solitária assim..." "Vejam como minha vida é maravilhosa, como eu tenho amigos..."

Mentiras virtuais, mentiras online. Felicidade forçada, fingida mesmo. Ninguém nunca vai saber onde se esconde a solidão. Por trás de belos sorrisos, mesas de bar lotadas de amigos e fotos "photoshopadas", pode haver pessoas mais solitárias emocionalmente, perdidas tentando se encontrar ou caminhando cada vez mais para a perdição nas teias da solidão e as garras das redes "solitariais."


Rafaela Valverde

quarta-feira, 27 de setembro de 2017

Tinder

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Sempre tive uma relação meio conturbada com o Tinder e já devo ter escrito sobre isso aqui. Mais uma vez, pela milésima vez eu apaguei minha conta ontem e excluí o aplicativo. Claro que eu acho que todo mundo sabe o que é o Tinder, mas eu vou aqui defini-lo como um aplicativo para procurar pessoas para transar.

Foi só o que encontrei nesses dois anos que utilizei o aplicativo. Pessoas para transar. E mal. E olhe lá. Porque eu não sei o que esse povo acha que é transar, mas isso é assunto para outro texto. Enfim, eu não quero mais conhecer ninguém através do Tinder e nem de nenhum outro aplicativo do tipo. Eu não tenho mais paciência pra ficar falando com estranhos: "oi, tudo bem?" E ir conhecendo a pessoa, destrinchando sua vida e me aproximando. Já fiz isso muitas vezes e até conheci pessoas legais. A última pessoa que conheci e comecei a conversar pelo Tinder nem em Salvador mora, mas o papo fluiu, foi além do raso cumprimento e conversamos desde cabelo até questões mais picantes e secretas de nossas vidas.

Quando chega assim é muito bom. Costuma ser menos vazio. Mas é muito raro e essa é a graça. Pois bem, continuando a falar sobre o aplicativo e minha relação com ele, o que eu quero dizer é que ultimamente tenho andado mais retraída em relação a sair com pessoas desconhecidas. Além disso, só estava usando o Tinder para me divertir. Como? Rindo da cara dos omi. São muitas coisas bizarras, fotos ridículas. Perfis com  cachorros, gatinhos e até bebês. É muita gente esquisita. Já vi até fake com foto de um modelo que já tinha visto no Google antes. AFFF omis!

Fora os malhados ou pseudo-malhados, os que tiram foto no carro ou do carro. Eu queria muito poder expressar a minha cara aqui nesse texto em relação a isso. Mas, seguindo... Então, eu perdi minha paciência com papos vazios e pessoas idem. É tudo meio bizarro. Já usei e não vou ficar aqui cuspindo no prato que comi, só não quero mais. Quem continua usando, massa. Liberdade! E também, como já disse, minha relação com o aplicativo é bem confusa. Pode ser que daqui a uns meses eu decida baixar de novo e usar. Liberdade!

Enfim, só quero dizer mais uma coisa sobre as pessoas que utilizam o Tinder. Na verdade sobre os homens que utilizam. Se vocês são casados não usem o Tinder. Tá feião ver tanto homem casado e próximo num aplicativo pra pegar pessoas. Se quer ter vida de solteiro não case. E se casou exclua o tinder. Porque eu tô com muita vergonha alheia de vocês.

É claro que a vida amorosa-sexual não depende só do curtir, descurtir, matchs e bate papo do Tinder. Há muito mais que isso aqui fora e é nisso que vou tentar me agarrar por que eu nem sei como trocar olhares com alguém. Mas preciso aprender! Já! Fora Tinder!




Rafaela Valverde

terça-feira, 26 de setembro de 2017

Relacionamento


Relacionamento não é fácil. Mas é para ser bom, mesmo que difícil. Relacionamento é fazer concessões. É ceder umas coisas, aceitar outras. É ser aceito. É buscar - e achar - um equilíbrio. Nada pode ser radical. É um relacionamento em que duas (ou mais pessoas, né, vai saber...) estão envolvidas. Muitas vezes é melhor estar em paz com outro e dentro deste relacionamento do que simplesmente ter razão.

Estamos vivendo um momento em que ter relacionamento é muito raro. Ninguém quer mais se abrir a esse ponto. É como se fosse aquela luz no fim do túnel. Poucos conseguem vê-la. Mas também, com tantas "leis" de desapego, com tantos discursos de "não se apaixonar", as pessoas estão cada vez mais se distanciando. Viramos um bando de amargurados, sem sentimentos. Não vivemos. Não nos arriscamos. Estamos sempre sozinhos e segue o baile...

Assim, com medo de sofrer, não nos envolvemos. Não nos apaixonamos e nem nos apegamos. Nem a quem por ventura venha a merecer. Se é que existe mesmo essa pessoa que "porventura venha a merecer..." Viu? Eu já estou impregnada com essa ideia de que ninguém presta e ninguém vale meus sentimentos.

Depois de tantas decepções  talvez seja verdade. Talvez ninguém realmente preste mesmo. Acredito que hoje é mais difícil ter e manter um relacionamento porque estamos sempre com medo. E quem vai tirar nossa razão? Me parece certo às vezes querer se preservar de um sofrimento que hora ou outra vem.

E ainda tem o fato de abrir nossa vida, nossa casa,  apresentar nossa família a alguém e essa pessoa ser super escrota e sacanear com todo mundo no final. É muita coisa, poxa. Envolver a família, a rotina para nada... Sempre que há um relacionamento, mesmo que não seja longo, há o envolvimento da família, mesmo que de forma superficial. E ainda há o medo da violência contra mulher tão presente em nossa sociedade.

Não vou contar todas as decepções e perrengues que já passei com omis, até porque levaria o dia escrevendo. Mas vou dizer que foi meio barra pesada. Até mesmo com os que eu nem cogitei ter relacionamento, o contato foi ruim. Sobretudo com presença de joguinhos.

Há dois anos terminei um relacionamento de nove anos. Um casamento. O melhor relacionamento dos quatro que já tive. O relacionamento-referência da minha vida e não aceito menos que algo parecido com ele. Ainda assim, depois deste relacionamento, tive um namoro desde o ano passado que terminou por que estava muito abaixo do referencial, estava muito abaixo do que eu mereço. 

Um erro, esse namoro. Não deveria ter acontecido. Lembro disso todos os dias. Para não cometer o mesmo erro de novo. E pretendo não cometer mesmo. Para evitar erros estúpidos acabo entrando na onda do "desapego." Por mais que eu não queira sair por aí e pegar geral, como já fiz, não pretendo mais entrar em qualquer relacionamento, com qualquer pessoa. Prefiro ficar sozinha e me preservar emocional e fisicamente. Além de não envolver minha família. Relacionamento agora, só com uma pessoa muito especial, em um momento muito especial.


Rafaela Valverde


A você que faz joguinhos


As pessoas estão viciadas em joguinhos de desinteresse ou simplesmente joguinhos. Que não são engraçados e não fazem bem para nada. E não digo que há joguinhos somente em relacionamentos afetivos e/ ou sexuais. Acabo observando jogos em diversas relações: amizade, relação profissional, familiar, etc.

Há disputas idiotas por coisas sem sentido. Quem tem mais contatinhos. Quem faz mais ciúmes no outro. Quem se interessa e liga menos para o outro. Há também a tentativa constante de provar para o outro que é mais desejado, que fica com várias pessoas e não precisa desse outro para nada. Além disso existe joguinhos do "quem desapega mais rápido", "quem ignora mais", etc. Criou-se a cultura de visualizar e não responder. O celular está do lado, mas deixa lá. Esnoba que ele (a) se apaixona. Vou dar um vácuo porque assim a pessoa se interessa.

Na boa, a pessoa tem que ser muito desinteressante, chata e sem graça, para achar que a única coisa que faz alguém se interessar é vácuo, desinteresse e escrotidão. Não sei quem inventou esses joguinhos. Não sei quem foi a pessoa que achou que isso daria certo em algum momento.

Não interagir, não curtir, não comentar, não puxar assunto, não responder, além de dar a entender que quer a pessoa mas não fazer nada mais que confirme isso. Falar por códigos, não ser direto (a) e tantos outros sinais de demonstrar não-interesse não levam a lugar nenhum e no mínimo só vai fazer o outro se cansar e sumir. Porque realmente cansa e cansa muito. Não faça joguinhos. é chato, é feio, é ruim e só afasta as pessoas. Eu quero distância desse tipo de gente.


Rafaela Valverde




sexta-feira, 22 de setembro de 2017

Uma manhã...

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Ela tinha acabado de correr, por isso estava ofegante e suada. A esteira ainda ligada na tomada. O cômodo tomado por seu cheiro. Hidratante e seu suor quente. Mistura química que me enlouquece. Andava de um lado para o outro, impaciente. Devia estar atrasada. Sempre se atrasava quando corria de manhã. Observei- a pelo que pareceu ser uma eternidade, antes de entrar no quarto. Coque no alto da cabeça, camiseta rosa bebê, calça legging estampada. O tênis já estava no canto. Seus pés à mostra. Unhas pintadas de vermelho. Os pés mais lindos e sensuais que já vi na vida.

Entrei enquanto ela estava de costas e a abracei beijando-a no pescoço. "Cheguei"- disse em seu ouvido. Mais um plantão, mais uma noite que ficara fora de casa, longe dela. Ouvi o som do seu sorriso por saber que eu estava ali. Virou e me beijou suavemente. Beijo de saudade. "Tô atrasada." Respondi que sabia e que não iria incomodá-la. Revirou os olhos dizendo muda que eu não incomodava. Sabia que era isso que queria dizer. Tirei a roupa do trabalho e entrei no banho, enquanto ela continuava sua saga matinal.

Nossa rotina estava pesada. Quase não nos encontrávamos mais. Eu chegava e ela saía. Respirei fundo sentindo a água passeando pelo meu corpo. Cheguei cansada, mas cheia de tesão. Queria-a. Mas hoje não parece ser um bom dia. De costas para a entrada, me ensaboando, ouvi o barulho do box se abrindo e me virei. Lá estava ela, nua. Me olhando daquele jeito gostoso. Me beijou com veracidade, reavivando meu corpo.  "Liguei pra lá e disse que vou me atrasar..." - disse. Agarrou meu cabelo e me empurrou até a parede, me beijando cada vez com mais força. Meu corpo ainda estava cheio de sabão e sua mão escorregava sobre ele. Me apalpava com intensidade, parecia que eu iria escapar caso não me segurasse.

De repente parou. Me enxaguou, retirando o sabão do meu corpo. Se ensaboou rapidamente, me provocando e fazendo aquela dancinha boba que eu gostava. Terminou seu banho enquanto eu fica ali parada, olhando-a. Abriu o box, saindo do banheiro sem se secar. Sorri. Vesti o roupão e fui atrás. Ela havia deitado na cama, nua, molhada e de bruços. As pernas jogadas pra cima. Pouco se importando comigo...

Tirei o roupão e me joguei de leve por cima dela. Beijando suas costas molhadas até quase o bumbum. Massageei suas pernas e pés. Ah, aquelas unhas vermelhas... Virei-a beijando sua boca suavemente, acariciando seu cabelo. Passeei a língua pelos seus seios e ela gemia baixinho. Aréolas, bicos... Mordicadas de leve e ela ficava cada vez mais enlouquecida. Seu olhar pegava fogo. Intercalava beijos, mordidas e lambidas em sua barriga, me concentrando no umbigo. Nessa hora, ela já puxava meu cabelo e gritava.

Sentir seu gosto era o momento mais esperado. Foi o que eu fiz. Mergulhei em seu universo enquanto a chupava. Ela estava deliciosamente excitada, molhada. Fazia movimentos diversos com a língua. Sentia prazer com seu prazer. Ela gemia e apertava minha cabeça e ali eu permanecia obedientemente. Passeando minha língua, matando meu tesão. Satisfazendo-a. Língua, dedos, saliva, suor, água... Nós duas ali, esquecendo horários, obrigações e tudo que não fosse nós mesmas e nossos corpos...

Gozamos. Arfantes, deitadas lado a lado olhávamos para o teto. Mãos dadas. Não falamos nada. Não precisava. Eu sabia o que ela pensava e vice-versa. Depois de vários dias, tivemos uma transa deliciosa. Nossa sintonia aumentava, nossos corpos se entrelaçavam e crescia o tesão. Ela virou de lado, olhando diretamente para mim. O sorriso safado ainda estava ali. Se jogou em cima de mim, me beijando. Recomeçamos...


Rafaela Valverde





Ela e os trabalhos dela: um lamento público

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Ela foi uma jovem inconsequente no que diz respeito a empregos, a trabalhos. Em contrapartida de todas as outras partes da vida em que sempre foi certinha. Casou cedo e durante oito anos só teve um único homem. Mas no que se refere a estabilidade financeira, estudo e carreira, sempre foi desmiolada.

Temperamento agitado e quente que nem pipoca na panela. "Não levo desaforo pra casa" - foi seu mantra durante anos.  Largava empregos. Irresponsável. Mangueava. Pedia demissão. Achava que era fácil conseguir outro."Sou demais." Se achava muito boa. Até era. Mas faltou humildade e comprometimento.

Jovem e inconsequente. Mas, sabe, não justifica. Ser jovem não é necessariamente sinônimo de irresponsabilidade e inconstâncias. Foram muitas atitudes infantis, daquelas que nem criança tem. Houve momentos ruins. Mas, hoje ela vê que não era nada insuportável. Ela podia ter aguentado em muitos momentos. Hoje é muito claro. Fica mais fácil perceber, ao longo do tempo, que foi muito idiota. Burra mesmo. Perdeu oportunidades, jogou outras no ralo. Viraram dejetos, junto com sua vida. Vida que poderia estar melhor se não fosse por ela mesma.

Sim, ela é a principal responsável pela merda em que está mergulhada. Até o pescoço. Lama. Tóxica e purulenta. Não há uma pessoa que conviveu com ela que não a tenha alertado. Impulso. Era o que movia suas ações. "Vou pedir demissão. Não faça isso" - a voz do marido na época, ecoou pelo telefone. Ela não ouviu. Achou que onde estava era ruim demais. Saiu. Não pôde suportar. Por quê? Porque sempre queria justificar essas atitudes idiotas? Não há justificativa. Agir de forma tão imprudente. Uma. Duas. Três. Ene vezes. Arrependeu- se, quis voltar atrás, já era tarde. A merda já estava feita. Ela fez isso até mesmo no melhor emprego que já teve. O que mais gostava. Para quê? Para descansar. "Não aguento mais fazer a mesma coisa todo dia."

Hoje vê o quão foi burra. O passado lhe dá tapas com mãos de ferro. Se mostra e se gaba. "Você não pode me ter mais..." Inconsequente. Irresponsável. Já nem sei quantas vezes repetir essas palavras aqui nesse lamento público.  

Mas é isso que ela é. Ela sabe que foi. Ninguém precisa dizer-lhe. Ela se culpa. Ela se flagela e esse auto flagelo não tem fim. Vem em forma de ansiedade, insônia, depressão, crise de pânico e tristeza. Além de frustração e raiva. Raiva de si mesma. De ter sido tão estúpida. Tanta  coisa jogada na lata de lixo!

A maturidade mostra hoje o que foi feito no passado e era escondido pela névoa de infantilidade, de ilusão do gênio forte. Pavio curto, personalidade  difícil. Poucos sabiam lidar. Nem ela mesma sabia.  Mas ela mudou. Amadureceu. Renasceu. Reviveu. Ela sente na boca o gosto amargo  das besteiras que fez.. Seu maior emprego durou um ano e oito meses. Chora. Perde outras chances. Terceira. Quarta. Décima chance. Quer movimentar a vida. Estacionada. Quer avançar e não consegue. Crise. O emprego não vem. Maré de azar. Três estágios como professora substituta não deram certo. As professoras titulares sempre voltavam. Ano conturbado, esse. Ímpar. Nunca gostara de anos ímpares. Geralmente, por má sorte mesmo ou por força do pensamento, esses anos são bem cuzados para ela.

Ela se sente fraca. Não tem mais a quem recorrer. Já pediu aos céus e aos infernos. Implorou. Pediu. Esperneou. Nada. Mais de ano se passou. Precisa reformar o quarto, comprar aquele Kindle maravilhoso e um notebook. Precisa ter dinheiro de transporte para não ter que trancar seu amado e suado  curso.

Não que não haja vagas. Não que não dê para conciliar com a faculdade. Até tem. Até dá. Só não chegam para ela. "Entenda, não é azar. São as consequências dos seus atos. Tantos empregos que não valorizou agora se vingam de você em forma de vácuo." Simplesmente não vem. O que precisa para a vida dela avançar  não vem. "Viu sua trouxa, imbecil? Bem feito, eu não tenho pena de você."

Agora vá comprar o caderno das Americanas de  cinco reais. Agora vá comprar dois reais de pão e um copo de suco. Não vai. Porque não pode. Não tem dinheiro. Não tem emprego. Não tem vida, sucesso, avanço, carreira... Só o gosto amargo do que era, como era e quando era. O gosto do ontem que você expurgou e juntou ao lixo. Sem direito à reciclagem.

Agora aquente, sofra, chore, passe por isso. Encare e nãos e mate. Ore. "Faça mandinga." Dance um tango. Coma tofu. Faça coisas que nunca fez. Tome banho de pipoca. Fique cheirando a alfazema. E espere. Sim, eu só te digo uma coisa: seu maior castigo é esperar!



Rafaela Valverde

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