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segunda-feira, 18 de junho de 2018

Ainda Assim Eu Me Levanto - Maya Angelou


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Precisamos conhecer poetas e poetisas negros!!!

Você pode me riscar da História
Com mentiras lançadas ao ar.
Pode me jogar contra o chão de terra,
Mas ainda assim, como a poeira, eu vou me levantar.

Minha presença o incomoda?
Por que meu brilho o intimida?
Porque eu caminho como quem possui
Riquezas dignas do grego Midas.

Como a lua e como o sol no céu,
Com a certeza da onda no mar,
Como a esperança emergindo na desgraça,
Assim eu vou me levantar.

Você não queria me ver quebrada?
Cabeça curvada e olhos para o chão?
Ombros caídos como as lágrimas,
Minh’alma enfraquecida pela solidão?

Meu orgulho o ofende?
Tenho certeza que sim
Porque eu rio como quem possui
Ouros escondidos em mim.

Pode me atirar palavras afiadas,
Dilacerar-me com seu olhar,
Você pode me matar em nome do ódio,
Mas ainda assim, como o ar, eu vou me levantar.

Minha sensualidade incomoda?
Será que você se pergunta
Porquê eu danço como se tivesse
Um diamante onde as coxas se juntam?

Da favela, da humilhação imposta pela cor
Eu me levanto
De um passado enraizado na dor
Eu me levanto
Sou um oceano negro, profundo na fé,
Crescendo e expandindo-se como a maré.

Deixando para trás noites de terror e atrocidade
Eu me levanto
Em direção a um novo dia de intensa claridade
Eu me levanto
Trazendo comigo o dom de meus antepassados,
Eu carrego o sonho e a esperança do homem escravizado.
E assim, eu me levanto
Eu me levanto
Eu me levanto.


Original em inglês: Still I Rise
Tradução de Mauro Catopodis



Rafaela Valverde

sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

Todo Mundo Odeia o Chris

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O seriado protagonizado por pessoas negras mais marcante e que mais gosto com certeza é Todo Mundo Odeia o Chris. Além de ser bem divertido e engraçado, o seriado aborda diversas questões raciais presentes nos Estados Unidos na década de oitenta, época em que o seriado se passa. O seriado, criado pelo humorista Chris Rock é baseado em sua infância e adolescência. Claro que há dados reais, mas há também certa ficção em torno de sua vida.

No seriado, Chris era o único menino negro na escola e sofria preconceito. Apanhava e era constantemente tratado com ironia e estereotipado pela professora. Comecei a ver o seriado na TV aberta na minha adolescência - ele foi transmitido entre 2005 e 2009 - mas, recentemente, através de um aplicativo pude assistir todas as temporadas - quatro. Em ordem cronológica. Já que na TV os episódios passavam aleatoriamente.

Enfim, eu adoro esse seriado. Acho muito bem feito, bem escrito. Boas piadas e tiradas. Excelentes interpretações e personagens muito bem construídos. A melhor, na minha opinião é a mãe de Chris, Rochelle, interpretado pela maravilhosa Tichina Arnold. Costumo dizer que Rochelle é a melhor personagem de todos os tempos. Com sua célebre frase: "Eu não preciso disso aqui, meu marido tem dois empregos..." Rochelle me conquistou totalmente. Dei muitas risadas durante todo o seriado. Nesse período vemos Tyler James Williams, que interpreta Chris crescer e amadurecer como ator e personagem. Não posso esquecer também dos irmãos de Chris, interpretados por Tequan Richmond e
Imani Hakim. Ótimos personagens também.

O melhor é que há pouquíssimas pessoas brancas no seriado, geralmente personagens pequenos. O protagonismo era dos personagens negros, sobretudo no bairro, na música, na cultura. E isso era uma das melhores coisas no seriado.  O personagem branco mais próximo de Chris era Greg, seu melhor amigo, interpretado por Vincent Martella. Juntos, Chris e Greg eram centro de muitas cenas engraçadas.

Mas não só de humor vive Todo Mundo Odeia o Chirs. Algumas questões raciais são mostradas e retratadas com detalhes. Os Estados Unidos é uma nação assumidamente racista, lá as coisas são muito menos veladas que aqui, imaginem, então, nessa época, anos oitenta, noventa. A coisa era muito mais polarizada. Não vou entrar mais nessa questão pois não me sinto suficientemente conhecedora. Mas, o que posso dizer é que o seriado é muito bem feito e completo.

O seriado termina no final dos anos oitenta, quando Chris perde de ano na escola  e faz um exame supletivo para conseguir diploma de ensino médio. No último episódio, a família está reunida em uma lanchonete para saber o resultado do supletivo, mas exatamente no resultado o episódio é interrompido subitamente e a série termina. Dá para entender que Chris não passa. Ele, nesse mesmo período, em sua vida real, abandona a escola e começa sua carreira como humorista. Inclusive para ajudar a família, já que seu pai morre, nesse período. A partir daí, é possível entender que o seriado não mais seria engraçado, então pode ser esse o motivo de terminar tão de repente e sem final. Vale muito a pena assistir e com certeza ainda muitas pessoas vão ter acesso, já que de vez em quando passa na Rede Record. Tomara!



Rafaela Valverde

sexta-feira, 10 de novembro de 2017

A Cor Púrpura - Alice Walker

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Terminei de ler o livro A Cor Púrpura de Alice Walker. É com certeza um dos melhores livros que já li na vida. Nunca li uma coisa tão linda, forte, militante e tão cheia de saberes. O livro lançado inicialmente em 1982 nos EUA, teve muito sucesso desde o início e logo foi adaptado para virar filme com Whoopi Goldberg, Danny Glover e Oprah Winfrey.

Alice é militante feminista e negra. Daí é possível entender um pouco da grandiosidade dessa obra. Porém não é um livro de clichês, daqueles que dizem mais do mesmo da militância, repetindo sempre a mesma coisa. A Cor Púrpura vai além, nos faz pensar em coisas não pensadas antes e através do conhecimento e texto bem escrito da autora.

O livro tem narração a partir de cartas. Primeiro as cartas de Celie, a personagem principal são voltadas para Deus, que passa a ser testemunha de todos os sofrimentos diários passados pela mulher que começa sua narrativa ainda menina, vivendo em um ambiente de extrema violência e grande ataque à sua auto estima. Fora violentada pelo pai e maltratada pelo marido, que sempre a rechaçava por ser "feia, pobre, negra e mulher..." Mulher não pode fazer determinadas coisas. Mulher é mais fraca que homem, portanto não deve falar nada, ficar calada e apanhar...

As narrativas epistolares se dão entre os anos de 1900 e 1940 nos EUA, trazendo de forma crua e real a situação que vivia as pessoas negras naquele país, naquele momento. As mulheres eram tratadas ainda pior e estas questões são mostradas no livro e o melhor, do ponto de vista de quem viveu, sendo narrado em primeira pessoa. Os erros de português de Celie, que era semi-analfabeta foram mantidos para manter a veracidade, já que eram cartas.

Celie, após ser violentada pelo pai -  spoiler: ou pelo que se diz pai - é "dada" em casamento para outro homem violento chamado de Sinhô. Sinhô queria sua irmã mais nova Nettie, por achar Celie feia e sem graça, mas acabou casando com Celie, que pensava apenas em proteger a irmã, pois o amor entre elas é muito grande. A vida com Sinhô consegue ser pior do que a vida com o pai. Cuidar de seus filhos, apanhar e passar por humilhações. Além de ficar longe da irmã Nettie - que virara missionária na África - e de seus filhos, feitos pelas violências do pai e dados a outra família por ele.

Um belo dia, chega  em sua casa Shug Avery, uma cantora, amante de Sinhô. A partir daí, aos poucos, é claro, Celie passa a enxergar a vida de outra forma e começa seu processo de libertação do marido e daquela vida. O medo e a repulsa que sente pelos homens fica mais evidente com a aproximação das duas, que vivem um romance, chegando a morar juntas.

Enfim, nada que eu disser desse livro vai conseguir traduzir meu encantamento e amor pela história. Com certeza entrou na lista de meus livros preferidos. Peguei na Biblioteca Central da Bahia, mas assim que puder, com certeza, vou comprar. Os textos das cartas das irmãs são fortes e não simplesmente narram os acontecimentos da vida, mas sim, dão aulas para a gente em vários setores. Aulas de África e de tribos africanas, aula sobre o racismo e a escravidão nos EUA, aula de língua, já que até o pidgin (quem é de letras vai saber o que é) é citado; aula de feminismo, aula de luta por direitos, aula de vida e até ensinamentos de como lidar com fins de relacionamentos. É um grande livro e eu estou maravilhada até agora. Fico por aqui recomendando esse livro incrível e ainda tão atual. Leiam! Vale muito a pena.




Rafaela Valverde

terça-feira, 15 de agosto de 2017

Filme A Vida Secreta das Abelhas

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O filme A Vida Secreta das Abelhas é um filme de 2008, estrelado por  Dakota Fanning, Jennifer Hudson, Queen Latifah, entre outros. É uma comédia dramática dirigida por Gina Prince-Bythewood. A história se passa nos EUA, durante os anos sessenta e traz a adolescente Lily Owens (Dakota Fanning) que vivia triste após a morte da mãe, causada por ela quando ainda era criança.

Depois da morte da mãe, o relacionamento com seu pai fica ainda pior. Um belo dia, depois de uma briga da babá  Rosaleen (Jennifer Hudson) com um homem branco na rua, Lily decide fugir com Rosaleen. Elas vão atrás das lembranças da mãe da menina e em uma cidade do interior encontram August (Queen Latifah), a mais velha das irmãs Boatwright, que conheceram sua mãe.

Além disso, as irmãs são donas de um apiário na cidade e produzem o melhor mel da região. Rosaleen e Lily passam um tempo com as irmãs Boatwright e aprendem como funciona o trabalho com as abelhas e com a produção de mel. Fora isso, elas passam a ter mais contato com o afeto e a união das irmãs.

Há uma certa tensão relacionada à questões raciais, já que novas leis de igualdade racial estavam sendo implementadas naquele período, especialmente a possibilidade de voto para pessoas negras. Havia uma grande luta e apesar de alguns direitos já conquistados, os negros ainda eram tratados como inferiores ou até mesmo animais.

Mas o filme não se trata somente disso. É um filme emocionante e bem feito. ótimas atuações e atrizes maravilhosas. Gostei muito e recomendo. Tem na Netflix!



Rafaela Valverde

domingo, 11 de dezembro de 2016

Filme Preciosa - Uma história de esperança

Assisti o filme Preciosa - Uma história de esperança de 2009. Desde o ano passado já haviam me indicado esse filme, mas só agora pude assistir. O filme  dirigido por Lee Daniels é estrelado por  Gabourey Sidibe, Mo'Nique, Paula Patton e ainda tem Mariah Carey no elenco.

A história de Preciosa se passa em 1987, no bairro do Harlem, em Nova York e Claireece "Preciosa" Jones (Gabourey Sidibe) é uma adolescente 16 anos que vive condições precárias, sendo estuprada pelo pai e espancada pela mãe. Preciosa já tinha uma filha, chamada de "Mongo" por ter Síndrome de Down, fruto dos abusos sexuais aos quais é submetida. E agora espera um outro bebê.

Um dia, recebe a orientação de ir para uma escola diferente, uma escola "onde um aprende com o outro" e nessa escola  encontra amigas verdadeiras e é durante esse período que tem seu segundo filho. A história de Preciosa é forte. Ela sofria bullying na escola anterior, é preta e gorda, além de todo o sofrimento que passa em casa.

A mãe depende dela para continuar ganhando dinheiro sem trabalhar, os abusos sexuais do pai continuam e todos os problemas que decorrem disso também. Até que um dia Preciosa recebe uma notícia que vai mudar sua vida para sempre.



Rafaela Valverde 

quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Filme Bem vindo a Marly-Gomont


O filme Bem Vindo a Marly-Gomont é um país francês lançado agora mesmo em 2016 e recentemente chegado ao Netflix. Eu assisti por que foi indicação de uma amiga que me explicou um pouco do filme e fez uma pequena comparação entre o nosso comportamento, baianos, com os africanos.

Daí achei interessante a narrativa que ela fez da história do filme e fui assistir no mesmo dia. A direção é de Julien Rambaldi e o elenco conta com Marc Zinga, Médina Diarra, Aïssa Maïga, Bayron Lebli, entre outros. Confesso que eu não conheço nenhum ator do filme, mas eu gostei do filme e estou aqui indicando para vocês.

O filme traz a história de uma família da região do Congo, cujo o pai é recém formado em medicina. Ele decide então ir para o interior da França para começar a atuar na medicina. Eles já moravam na França e foi nesse país que ele estudou medicina. Um belo dia, em uma breve seleção, o prefeito de um remoto povoado no interior decide contratar o médico negro.

Ele vai com a sua família e são tratados com estranheza ou até com rispidez pelos moradores brancos da localidade. Eles nunca tiveram um morador negro, africano na cidade. Eles nunca tiveram um médico negro. E aí se inicia uma série de  acontecimentos de rejeição e preconceito contra a família. Muita resistência é encontrada pelo médico que tem que se esforçar muito mais para conseguir ganhar a confiança das pessoas e  passar a exercer a medicina. É uma história baseada em fatos reais e vale a pena ver. Recomendo.



Rafaela Valverde

segunda-feira, 17 de outubro de 2016

Scandal


Terminei a quinta temporada da  série Scandal. É uma série dramática norte-americana. Passada em Washington, D.C, com grande foco na Casa Branca e na vida do presidente mais poderoso do mundo. Os bastidores da política americana são retratados com muita emoção e para quem não conhece os pormenores da política americana pode ser bastante útil. 

A série é de Shonda Rhimes a mesma criadora de Greys Anatomy, série de grande sucesso. E a primeira temporada foi lançada no país em 2012. Estrelada por Kerry Washington no papel de Olívia Pope, a série é inspirada na ex assessora de imprensa da Casa Branca durante o governo de George Bush: Judy Smith.

Olívia Pope agora trabalha na OPA. Olívia Pope Associados que é uma empresa que resolve problemas. Como a própria Olívia afirma é a melhor coisa que ela sabe fazer. É o que ela faz melhor: resolver problemas e "limpar a barra" de clientes que nem sempre são tão inocentes assim.

Vi algumas críticas à série na internet e em algumas coisas eu concordo. Há uma série de incoerências e histórias mal contadas na série. Um jogo perigoso é jogado o tempo todo, b613, Comando, espionagem, terrorismo, assassinatos, suspense... Mas a protagonista tem muitas oportunidades de resolver coisas e não resolve. Ela é meio inútil em alguns momentos.

Ela é egoísta e chata. Aquelas caras e bocas junto com os suspiros pelo presidente são irritantes. Eu acho maravilhoso uma mulher negra protagonista, mas a personagem não ajuda. Ela é arrogante e só pensa nela. Quase tudo o que ela faz é por ela mesma e não para ajudar as pessoas como ela mesmo fala. Mas apesar de Olívia, eu adoro essa série. Ela é alucinante, não dá para parar de assistir.

Agora é esperar o ano que vem para chegar a sexta temporada na netflix. Sem falar que há outros personagens memoráveis como Cyrus, Mellie, Abby, Huck, Rowan... Os outros personagens e/ ou as tramas paralelas ajudam a prender a gente na frente da tela e não desgrudar nem um minuto. É muito boa e quem gostar de suspense e tramas alucinantes assista! Recomendo.


Rafaela Valverde 

terça-feira, 16 de agosto de 2016

Filme O sol é para todos

Imagem da internet
 Assisti recentemente o filme O sol é para todos. É um filme americano de 1963. Li o livro quando era adolescente, mas não lembro de muita coisa não. É um livro denso e o que é mais marcante para mim nele é justamente a densidade. O filme não pega toda essa densidade e nem a tensão do livro não. Pelo menos é o que eu penso.

O filme está classificado como Drama/ Policial e tem como diretor  Robert Mulligan, além de atores como  Gregory Peck, Mary Badham, Phillip Alford. É claro que nós hoje não conhecemos esse povo, mas isso aqui é uma resenha ou seria uma resenha e precisa ter essas informações. Pois bem, o filme traz a história do advogado Atticus Finch e seus filhos que vivem numa cidade quente no interior dos EUA.

O filme é narrado pela filha Jean Louise que conta a sua infância, já que ela tinha seis anos na época em que se passa o filme, 1932. Nesse ano, um jovem negro foi acusado de estuprar a filha de um morador da cidade, uma moça branca. O caso vai a julgamento e Atticus resolve defendê-lo apesar de toda a cidade ser contra. Ele leva o caso adiante e faz de tudo para provar a inocência do rapaz. O caso vai se desenrolando e o racismo comum na época no país, questões sociais etc, vão também se mostrando. É um bom filme, só que como é uma versão de livro acho que está meio incompleto, já que em determinado momento a história fica meio oca, não tem muito sentido, pelo menos para mim.Ainda assim vale a pena. Pretendo ler o livro novamente. Tem no Netflix para quem quiser.



Rafaela Valverde


terça-feira, 28 de junho de 2016

Orange Is the News is Black - Quarta temporada (Spoiler)

Imagem da internet
Durante o final de semana terminei de ver a quarta temporada de Orange is the News Black, série já bastante conhecida de todos, mas que surpreendeu muito nessa última temporada que foi lançada no último dia 17/06. Assisti aos pouquinhos para não terminar tão rápido. Fui saboreando as pequenas doses da série que esteve muito mais pesada nessa temporada.

Agora sim foi possível perceber que era um série que se passava dentro de um presídio. Mais cruel, mais violenta, abuso de autoridade e outras questões estiveram presentes a cada episódio. Confesso que senti que acabou rápido, apesar de eu ter visto devagar. Na madrugada de domingo eu vi o penúltimo e o último episódio e esses dois foram emocionantes, de cortar o coração.

Chorava sem nem sentir, as lágrimas desciam enquanto eu vislumbrava o que para muitos se tratam apenas de uma obra de ficção, mas que para mim é a representação da vida real. Os diálogos estavam emocionantes e emocionados, algumas cenas passaram uma tensão incrível e como todos já sabem houve a morte de uma personagem muito querida da maioria das pessoas que acompanham a série.

O último episódio terminou com uma grande tensão em suspenso, pois só será concluída na quinta temporada que estreia no ano que vem. Fiz um pequeno relato de como estava me sentindo sobre essa quarta temporada e sobre essa morte no Facebook e para mim ficam duas lições principais: a vida é muita curta e é necessário vivê-la intensamente. Ela, a vida, pode acabar de repente. A segunda lição, é que apesar de sermos diferentes, somos também iguais, pois somos seres humanos. Que venha OITNB em 2017!



Rafaela Valverde

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Ainda somos muito preconceituosos!



Como nós ainda somos preconceituosos, em tempos tão modernos e "civilizados". Como somos mentirosos e hipócritas, ao afirmarmos a todo momento que não temos preconceito e no entanto os discursos estão impregnados de preconceito e desprezo com o diferente. Com o negro, com o gay, enfim, com tudo o que for diferente das nossas ideologias. 

Ouço pessoas falando que não têm preconceitos com gays por exemplo e no entanto não vêm com naturalidade uma possível união homo afetiva. Ninguém fica curioso ao observar um casal hétero junto, mas então por que quando se trata de um casal homo, fica todo mundo em cima, olhando, querendo saber? Por que não vê aquilo como normal e natural, e se não vê, então é preconceito sim. 

As pessoas dizem não ter preconceitos e no entanto acham estranho uma menina bonita gostar de mulheres. Como assim? Só as feias podem ser lésbicas? Pois é, eu tenho ouvido coisas como essas. Asneiras como essas só podem sair da boca de pessoas arcaicas, preconceituosas e com uma mente fechada, pessoas que acham que estão com a razão e ponto. E que acham que as outras pessoas são preconceituosas, elas não.

Eu não sei o que fazer para combater preconceitos absurdos como esses e ainda por cima, tem discriminação contra negros. Esse é pior ainda! E falam assim: "eu não sou preconceituoso não, afinal fulana de tal, é negra". Ouvi isso de alguém se referindo à namorada e depois ouvi a mesma pessoa falando que a mulher até que era bonita, mas era quase azul de tão preta. Como assim?

Então, na verdade eu não sei mesmo como é que a nossa sociedade vai expurgar esses males, mas acredito que o caminho é a educação. Educação em casa e na escola. Conscientização, melhoria cultural, avanço. É disso que precisamos enquanto sociedade para nos livramos de uma vez de discursos nojentos que proliferam práticas infames, em relação a quem é diferente.


Rafaela Valverde

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Reduzir a maioridade penal é a melhor solução?

 Não dá mais para achar que vamos resolver um problema tão complexo, como o da violência urbana, apenas com ações pontuais e que visam remediar a situação. Utilizando o antigo ditado, deve- se prevenir primeiro para depois remediar. Essa prevenção funciona a médio e longo prazo e não pode ser feita sem investimento e educação, cultura, lazer e ações que nem sempre são tangíveis, mas quando bem trabalhadas e desenvolvidas produzem um efeito bastante positivo, principalmente em assuntos concernentes  à violência. 

Pois bem, a redução da maioridade penal só serviria como um remédio paliativo e não como prevenção eficaz dessa chaga social que vitima milhares de pessoas todos os meses. Como já foi dito, o problema da violência é muito grande e tem suas raízes fincadas, há muito em nosso cotidiano. Dessa forma, a resolução há de ser difícil de ser encontrada e provavelmente ainda demore.

Reduzir a maioridade para dezesseis, quatorze anos, só vai fazer com que crianças que já nasceram vítimas de um sistema cruel de desigualdade, vão parar em um ambiente ainda mais cruel, que é um ambiente carcerário. Uma criança exposta a um ambiente como esse, mesmo que diferenciado e específico para essa faixa etária, pode fazer com que esse menor infrator saia ainda pior, perdendo talvez uma chance de se recuperar se estivesse em uma escola de tempo integral por exemplo.

Além disso, ao diminuir a idade para ir para um presídio, corre-se o risco de diminuir cada vez mais e o que teremos então? Crianças de seis, sete, dez anos presas?  Essas crianças na maioria das vezes são usadas por traficantes, alguém com mais poder e força que elas e suas famílias. e que provêm suas comunidades com as necessidades básicas que as autoridades deveriam suprir.

Enfim, não se pode solucionar ou apaziguar um problema tão amplo, começando por cima da pirâmide e sim através da base dela, que é onde se encontram suas origens que vão além da criminalidade juvenil.


Rafaela Valverde

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

A ditadura do politicamente correto

O guia politicamente incorreto terminou e já estou me sentindo um pouco carente dele, apesar de o substituto ter sido muito satisfatório, que foi um dos livros de Jorge Amado que se encontra aqui ao ao lado, A Morte e a Morte de Quincas Berro D'água. Comecei a ler hoje e já estou na metade, tamanho é o prazer que ele dá. É um livro indicado no vestibular da UNEB, e que eu deveria ter começado a ler há muito tempo, mas desconcertantemente decidi tudo às pressas, então terei que não ler as obras do vestibular dessa vez. 

Mas voltando ao livro de Luis Felipe Pondé, que se trata de um encontro de ensaios que criticam fortemente a praga do politicamente correto, concluo que não vale mais a pena esconder tudo o que eu já pensava sobre essa gente que se acha "classe média poderosa brasileira" e posa sempre de boa samaritana. Pessoas que não aguentam ouvir a verdade da boca de quem realmente tem coragem de falar e que jamais vai se calar. Então, com a leitura desse livro me convenço que não estou sozinha no desprezo a essa gente.Graças a Deus! Para essas pessoas sem caráter e sem inteligência como diz Pondé, adjetivos que eu concordo muito plenamente por sinal, não se pode dizer que odiamos determinado tipo de pessoas, determinado grupo que por coincidência pode ou não ser minoria, para essa gente tudo deve ser amado e celebrado por que tudo tem o seu valor, tudo é lindo. Balela! Coisa de quem se esqueceu de desenvolver a sua mente e esqueceu o mínimo de senso crítico e sensatez que uma pessoa pode ter em algum desses bares "pseudo- classe média" que eles frequentam.

Apesar de tudo isso, os politicamente corretos jogam latas e todo tipo de lixo imaginável pela janela do carro, ficam em duas filas no supermercado, vão em lava jatos clandestinos, alimentam o mercado pirata, usam carteira de estudante sem ser estudantes e SIM alimentam o tráfico de drogas, com seus finais de semana regados a músicas sertanejas universitárias de qualidade duvidosa  e ainda saem desses finais de semana bêbados, dirigindo. Porém, hipocritamente, na segunda feira, colocam seus cadernos vazios em suas mochilas de marca e vão para as suas universidades portas de garagem, ou não, pois eles também frequentam boas universidades às vezes, eles só não frequentam o estudo, a construção de conhecimento, a articulação de ideias, a leitura, etc.

Em um trecho do livro, por exemplo, Pondé fala sobre essa baianidade inventada que somos obrigados a suportar há anos. Essa graça de povo festeiro, sorridente e feliz apesar das  dificuldades, essa terra iluminada que tem carnaval, axé e uma africanidade inata e  tradicionalmente imutável. Todo mundo que vem para cá se encanta com essa baianidade que inventaram para a gente e a gente, adivinhem? A gente acreditou. Não se pode odiar axé, não se pode odiar pagode, não se pode não gostar e não ter paciência de ver os cortejos afro passando durante o carnaval. Não, somos abrigados a gostar de tudo, pois afinal é a nossa essência.  Afinal, como diria Cetano:" A Bahia é linda..." Então por que ele não mora aqui?  Essa ideia foi ditada por quem, cara pálida? E se deixamos claro que não gostamos dessas coisas, somos preconceituosos, metidos a besta, NERDS, (como eu já fui chamada) e até racistas.


No fundo, sei perfeitamente que estamos vivendo em meio a ditadura dos politicamente corretos, onde não  podemos falar o que pensamos, ou o que não gostamos, por que, podemos dessa forma, ofender alguém. Temos que pensar duas vezes em quê vamos falar, em como vamos falar e se vale a pena realmente falar nossas opiniões, por que um monte de gente vai cair matando, estejam certos. E vivemos em uma país livre e democrático, hem?





Rafaela Valverde





terça-feira, 18 de setembro de 2012

Memórias Póstumas de Brás Cubas

Acabei de ler o livro Memórias Póstumas de Brás Cubas e devo dizer e confirmar mais uma vez a   genialidade de Machado de Assis. Gostei muito do livro por causa da acidez, do pessimismo e do realismo propriamente dito com qual ele escreve. Cabe ressaltar que Machado de Assis - segundo o que me lembro da escola- foi um dos precursores do movimento oposto ao romantismo que foi efetivamente o realismo.
O brilhantismo desse livro me encantou, assim como Dom Casmurro, a ponto de eu ficar lendo de pé no ônibus, pode? Gosto muito dos outros textos que ele traz no texto dele e prova que ele era muito inteligente de verdade, conhecedor de muitas outras obras literárias mundiais. E olhe que no século XIX, em que ele viveu era tudo um pouco precário.

Ele critica as elites brasileiras do Rio de Janeiro e seus falsos moralismos. Critica também a igreja e a religião. Critica duramente inclusive. A acidez de seus textos me encantou. Machado foi criador e primeiro imortal da Academia Brasileira de Letras.


Rafaela Valverde

sábado, 1 de setembro de 2012

A ausência de mulheres negras em revistas femininas


Essa semana perdi o sono pensando em uma coisa: É raro ainda ver a presença de mulheres negras em capas de revistas. Já falei isso aqui em relação a Revista Gloss. Mas já venho observando há algum tempo em outras revistas também. As revistas femininas brasileiras não representam brasileiras e sim o padrão europeu de beleza, corpo, cabelo e moda. Não percebo representatividade da maioria da população brasileira que é negra, com cabelo crespo ou cacheado, se veste basicamente e está acima do peso, ou pelo menos não é escrava da magreza doentia a que somos submetidas diariamente.

Em geral quando há uma atriz negra se destacando em alguma novela de sucesso, tende- se a vê-la também em capas de revistas de moda, comportamento, etc. Mas nesse caso não tenho visto isso acontecer. Me refiro à Maria da Penha, uma das "Empreguetes" vivida por Tais Araújo. A minha preferida, diga-se de passagem e uma atriz ótima que já quebrou  diversos tabus na TV brasileira, interpretando Chica da Silva, na falida Manchete, quando tinha apenas dezessete anos e mostrando uma nudez que hoje não é mais possível para essa faixa etária, fazendo a primeira protagonista negra em três ocasiões: A primeira como eu já falei, em Chica da Silva, depois a primeira protagonista negra da Globo em um horário "das sete" e em seguida a primeira protagonista negra do horário nobre.

Será que uma história de vida e de carreira dessa,ela  não merece os destaques das revistas? E fora que ela é linda. Tem um belo corpo e está dentro dos padrões de magreza. Então por que a relutância? Será que sou eu que estou mal informada? Não. Venho intencionalmente fazendo pesquisas de capas de revistas diversas e não tenho visto com frequência. A frequência ideal não acontece, parece que só há capas assim em poucos momentos para preencher certa cota.

Ainda há pouca representatividade.
Falo de Taís por causa do sucesso das "empreguetes", mas temos muitas outras mulheres negras que merecem ter certo destaque nas revistas, por sua beleza e encanto genuinamente brasileiros. Elas possuem talento e histórias para contar e não são requisitadas para impor nenhum tipo de comportamento, por é que isso que as revistas, principalmente as femininas fazem.

Temos muitas outras: como Ildi Silva que além de negra é baiana e linda e está fazendo Gabriela, Juliana Alves, ex BBB que faz a própria novela Cheias de Charme, Camila Pitanga, Adriana Lessa, Thalma de Freitas, Sheron Menezes, Raquel Fuina, Aparecida pretowsky, Cris Vianna, Lucy Ramos, etc.


Todas essas belas e jovens atrizes poderiam estar em capas de revistas. Se não conhecer alguma, pesquise e verá que todas elas já se destacaram no Brasil em boas novelas. Mas não obtiveram o reconhecimento proporcional a sua obra e continuam sem representatividade nas capas de revistas de uma país essencialmente negro e miscigenado.


Só para lembrar: Assino a Revista Gloss há quase dois anos e nunca nesse tempo a capa foi com uma mulher negra!


Rafaela Valverde
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