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domingo, 11 de dezembro de 2016

Filme Preciosa - Uma história de esperança

Assisti o filme Preciosa - Uma história de esperança de 2009. Desde o ano passado já haviam me indicado esse filme, mas só agora pude assistir. O filme  dirigido por Lee Daniels é estrelado por  Gabourey Sidibe, Mo'Nique, Paula Patton e ainda tem Mariah Carey no elenco.

A história de Preciosa se passa em 1987, no bairro do Harlem, em Nova York e Claireece "Preciosa" Jones (Gabourey Sidibe) é uma adolescente 16 anos que vive condições precárias, sendo estuprada pelo pai e espancada pela mãe. Preciosa já tinha uma filha, chamada de "Mongo" por ter Síndrome de Down, fruto dos abusos sexuais aos quais é submetida. E agora espera um outro bebê.

Um dia, recebe a orientação de ir para uma escola diferente, uma escola "onde um aprende com o outro" e nessa escola  encontra amigas verdadeiras e é durante esse período que tem seu segundo filho. A história de Preciosa é forte. Ela sofria bullying na escola anterior, é preta e gorda, além de todo o sofrimento que passa em casa.

A mãe depende dela para continuar ganhando dinheiro sem trabalhar, os abusos sexuais do pai continuam e todos os problemas que decorrem disso também. Até que um dia Preciosa recebe uma notícia que vai mudar sua vida para sempre.



Rafaela Valverde 

quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Filme Bem vindo a Marly-Gomont


O filme Bem Vindo a Marly-Gomont é um país francês lançado agora mesmo em 2016 e recentemente chegado ao Netflix. Eu assisti por que foi indicação de uma amiga que me explicou um pouco do filme e fez uma pequena comparação entre o nosso comportamento, baianos, com os africanos.

Daí achei interessante a narrativa que ela fez da história do filme e fui assistir no mesmo dia. A direção é de Julien Rambaldi e o elenco conta com Marc Zinga, Médina Diarra, Aïssa Maïga, Bayron Lebli, entre outros. Confesso que eu não conheço nenhum ator do filme, mas eu gostei do filme e estou aqui indicando para vocês.

O filme traz a história de uma família da região do Congo, cujo o pai é recém formado em medicina. Ele decide então ir para o interior da França para começar a atuar na medicina. Eles já moravam na França e foi nesse país que ele estudou medicina. Um belo dia, em uma breve seleção, o prefeito de um remoto povoado no interior decide contratar o médico negro.

Ele vai com a sua família e são tratados com estranheza ou até com rispidez pelos moradores brancos da localidade. Eles nunca tiveram um morador negro, africano na cidade. Eles nunca tiveram um médico negro. E aí se inicia uma série de  acontecimentos de rejeição e preconceito contra a família. Muita resistência é encontrada pelo médico que tem que se esforçar muito mais para conseguir ganhar a confiança das pessoas e  passar a exercer a medicina. É uma história baseada em fatos reais e vale a pena ver. Recomendo.



Rafaela Valverde

segunda-feira, 17 de outubro de 2016

Scandal


Terminei a quinta temporada da  série Scandal. É uma série dramática norte-americana. Passada em Washington, D.C, com grande foco na Casa Branca e na vida do presidente mais poderoso do mundo. Os bastidores da política americana são retratados com muita emoção e para quem não conhece os pormenores da política americana pode ser bastante útil. 

A série é de Shonda Rhimes a mesma criadora de Greys Anatomy, série de grande sucesso. E a primeira temporada foi lançada no país em 2012. Estrelada por Kerry Washington no papel de Olívia Pope, a série é inspirada na ex assessora de imprensa da Casa Branca durante o governo de George Bush: Judy Smith.

Olívia Pope agora trabalha na OPA. Olívia Pope Associados que é uma empresa que resolve problemas. Como a própria Olívia afirma é a melhor coisa que ela sabe fazer. É o que ela faz melhor: resolver problemas e "limpar a barra" de clientes que nem sempre são tão inocentes assim.

Vi algumas críticas à série na internet e em algumas coisas eu concordo. Há uma série de incoerências e histórias mal contadas na série. Um jogo perigoso é jogado o tempo todo, b613, Comando, espionagem, terrorismo, assassinatos, suspense... Mas a protagonista tem muitas oportunidades de resolver coisas e não resolve. Ela é meio inútil em alguns momentos.

Ela é egoísta e chata. Aquelas caras e bocas junto com os suspiros pelo presidente são irritantes. Eu acho maravilhoso uma mulher negra protagonista, mas a personagem não ajuda. Ela é arrogante e só pensa nela. Quase tudo o que ela faz é por ela mesma e não para ajudar as pessoas como ela mesmo fala. Mas apesar de Olívia, eu adoro essa série. Ela é alucinante, não dá para parar de assistir.

Agora é esperar o ano que vem para chegar a sexta temporada na netflix. Sem falar que há outros personagens memoráveis como Cyrus, Mellie, Abby, Huck, Rowan... Os outros personagens e/ ou as tramas paralelas ajudam a prender a gente na frente da tela e não desgrudar nem um minuto. É muito boa e quem gostar de suspense e tramas alucinantes assista! Recomendo.


Rafaela Valverde 

terça-feira, 16 de agosto de 2016

Filme O sol é para todos

Imagem da internet
 Assisti recentemente o filme O sol é para todos. É um filme americano de 1963. Li o livro quando era adolescente, mas não lembro de muita coisa não. É um livro denso e o que é mais marcante para mim nele é justamente a densidade. O filme não pega toda essa densidade e nem a tensão do livro não. Pelo menos é o que eu penso.

O filme está classificado como Drama/ Policial e tem como diretor  Robert Mulligan, além de atores como  Gregory Peck, Mary Badham, Phillip Alford. É claro que nós hoje não conhecemos esse povo, mas isso aqui é uma resenha ou seria uma resenha e precisa ter essas informações. Pois bem, o filme traz a história do advogado Atticus Finch e seus filhos que vivem numa cidade quente no interior dos EUA.

O filme é narrado pela filha Jean Louise que conta a sua infância, já que ela tinha seis anos na época em que se passa o filme, 1932. Nesse ano, um jovem negro foi acusado de estuprar a filha de um morador da cidade, uma moça branca. O caso vai a julgamento e Atticus resolve defendê-lo apesar de toda a cidade ser contra. Ele leva o caso adiante e faz de tudo para provar a inocência do rapaz. O caso vai se desenrolando e o racismo comum na época no país, questões sociais etc, vão também se mostrando. É um bom filme, só que como é uma versão de livro acho que está meio incompleto, já que em determinado momento a história fica meio oca, não tem muito sentido, pelo menos para mim.Ainda assim vale a pena. Pretendo ler o livro novamente. Tem no Netflix para quem quiser.



Rafaela Valverde


terça-feira, 28 de junho de 2016

Orange Is the News is Black - Quarta temporada (Spoiler)

Imagem da internet
Durante o final de semana terminei de ver a quarta temporada de Orange is the News Black, série já bastante conhecida de todos, mas que surpreendeu muito nessa última temporada que foi lançada no último dia 17/06. Assisti aos pouquinhos para não terminar tão rápido. Fui saboreando as pequenas doses da série que esteve muito mais pesada nessa temporada.

Agora sim foi possível perceber que era um série que se passava dentro de um presídio. Mais cruel, mais violenta, abuso de autoridade e outras questões estiveram presentes a cada episódio. Confesso que senti que acabou rápido, apesar de eu ter visto devagar. Na madrugada de domingo eu vi o penúltimo e o último episódio e esses dois foram emocionantes, de cortar o coração.

Chorava sem nem sentir, as lágrimas desciam enquanto eu vislumbrava o que para muitos se tratam apenas de uma obra de ficção, mas que para mim é a representação da vida real. Os diálogos estavam emocionantes e emocionados, algumas cenas passaram uma tensão incrível e como todos já sabem houve a morte de uma personagem muito querida da maioria das pessoas que acompanham a série.

O último episódio terminou com uma grande tensão em suspenso, pois só será concluída na quinta temporada que estreia no ano que vem. Fiz um pequeno relato de como estava me sentindo sobre essa quarta temporada e sobre essa morte no Facebook e para mim ficam duas lições principais: a vida é muita curta e é necessário vivê-la intensamente. Ela, a vida, pode acabar de repente. A segunda lição, é que apesar de sermos diferentes, somos também iguais, pois somos seres humanos. Que venha OITNB em 2017!



Rafaela Valverde

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Ainda somos muito preconceituosos!



Como nós ainda somos preconceituosos, em tempos tão modernos e "civilizados". Como somos mentirosos e hipócritas, ao afirmarmos a todo momento que não temos preconceito e no entanto os discursos estão impregnados de preconceito e desprezo com o diferente. Com o negro, com o gay, enfim, com tudo o que for diferente das nossas ideologias. 

Ouço pessoas falando que não têm preconceitos com gays por exemplo e no entanto não vêm com naturalidade uma possível união homo afetiva. Ninguém fica curioso ao observar um casal hétero junto, mas então por que quando se trata de um casal homo, fica todo mundo em cima, olhando, querendo saber? Por que não vê aquilo como normal e natural, e se não vê, então é preconceito sim. 

As pessoas dizem não ter preconceitos e no entanto acham estranho uma menina bonita gostar de mulheres. Como assim? Só as feias podem ser lésbicas? Pois é, eu tenho ouvido coisas como essas. Asneiras como essas só podem sair da boca de pessoas arcaicas, preconceituosas e com uma mente fechada, pessoas que acham que estão com a razão e ponto. E que acham que as outras pessoas são preconceituosas, elas não.

Eu não sei o que fazer para combater preconceitos absurdos como esses e ainda por cima, tem discriminação contra negros. Esse é pior ainda! E falam assim: "eu não sou preconceituoso não, afinal fulana de tal, é negra". Ouvi isso de alguém se referindo à namorada e depois ouvi a mesma pessoa falando que a mulher até que era bonita, mas era quase azul de tão preta. Como assim?

Então, na verdade eu não sei mesmo como é que a nossa sociedade vai expurgar esses males, mas acredito que o caminho é a educação. Educação em casa e na escola. Conscientização, melhoria cultural, avanço. É disso que precisamos enquanto sociedade para nos livramos de uma vez de discursos nojentos que proliferam práticas infames, em relação a quem é diferente.


Rafaela Valverde

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Reduzir a maioridade penal é a melhor solução?

 Não dá mais para achar que vamos resolver um problema tão complexo, como o da violência urbana, apenas com ações pontuais e que visam remediar a situação. Utilizando o antigo ditado, deve- se prevenir primeiro para depois remediar. Essa prevenção funciona a médio e longo prazo e não pode ser feita sem investimento e educação, cultura, lazer e ações que nem sempre são tangíveis, mas quando bem trabalhadas e desenvolvidas produzem um efeito bastante positivo, principalmente em assuntos concernentes  à violência. 

Pois bem, a redução da maioridade penal só serviria como um remédio paliativo e não como prevenção eficaz dessa chaga social que vitima milhares de pessoas todos os meses. Como já foi dito, o problema da violência é muito grande e tem suas raízes fincadas, há muito em nosso cotidiano. Dessa forma, a resolução há de ser difícil de ser encontrada e provavelmente ainda demore.

Reduzir a maioridade para dezesseis, quatorze anos, só vai fazer com que crianças que já nasceram vítimas de um sistema cruel de desigualdade, vão parar em um ambiente ainda mais cruel, que é um ambiente carcerário. Uma criança exposta a um ambiente como esse, mesmo que diferenciado e específico para essa faixa etária, pode fazer com que esse menor infrator saia ainda pior, perdendo talvez uma chance de se recuperar se estivesse em uma escola de tempo integral por exemplo.

Além disso, ao diminuir a idade para ir para um presídio, corre-se o risco de diminuir cada vez mais e o que teremos então? Crianças de seis, sete, dez anos presas?  Essas crianças na maioria das vezes são usadas por traficantes, alguém com mais poder e força que elas e suas famílias. e que provêm suas comunidades com as necessidades básicas que as autoridades deveriam suprir.

Enfim, não se pode solucionar ou apaziguar um problema tão amplo, começando por cima da pirâmide e sim através da base dela, que é onde se encontram suas origens que vão além da criminalidade juvenil.


Rafaela Valverde

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

A ditadura do politicamente correto

O guia politicamente incorreto terminou e já estou me sentindo um pouco carente dele, apesar de o substituto ter sido muito satisfatório, que foi um dos livros de Jorge Amado que se encontra aqui ao ao lado, A Morte e a Morte de Quincas Berro D'água. Comecei a ler hoje e já estou na metade, tamanho é o prazer que ele dá. É um livro indicado no vestibular da UNEB, e que eu deveria ter começado a ler há muito tempo, mas desconcertantemente decidi tudo às pressas, então terei que não ler as obras do vestibular dessa vez. 

Mas voltando ao livro de Luis Felipe Pondé, que se trata de um encontro de ensaios que criticam fortemente a praga do politicamente correto, concluo que não vale mais a pena esconder tudo o que eu já pensava sobre essa gente que se acha "classe média poderosa brasileira" e posa sempre de boa samaritana. Pessoas que não aguentam ouvir a verdade da boca de quem realmente tem coragem de falar e que jamais vai se calar. Então, com a leitura desse livro me convenço que não estou sozinha no desprezo a essa gente.Graças a Deus! Para essas pessoas sem caráter e sem inteligência como diz Pondé, adjetivos que eu concordo muito plenamente por sinal, não se pode dizer que odiamos determinado tipo de pessoas, determinado grupo que por coincidência pode ou não ser minoria, para essa gente tudo deve ser amado e celebrado por que tudo tem o seu valor, tudo é lindo. Balela! Coisa de quem se esqueceu de desenvolver a sua mente e esqueceu o mínimo de senso crítico e sensatez que uma pessoa pode ter em algum desses bares "pseudo- classe média" que eles frequentam.

Apesar de tudo isso, os politicamente corretos jogam latas e todo tipo de lixo imaginável pela janela do carro, ficam em duas filas no supermercado, vão em lava jatos clandestinos, alimentam o mercado pirata, usam carteira de estudante sem ser estudantes e SIM alimentam o tráfico de drogas, com seus finais de semana regados a músicas sertanejas universitárias de qualidade duvidosa  e ainda saem desses finais de semana bêbados, dirigindo. Porém, hipocritamente, na segunda feira, colocam seus cadernos vazios em suas mochilas de marca e vão para as suas universidades portas de garagem, ou não, pois eles também frequentam boas universidades às vezes, eles só não frequentam o estudo, a construção de conhecimento, a articulação de ideias, a leitura, etc.

Em um trecho do livro, por exemplo, Pondé fala sobre essa baianidade inventada que somos obrigados a suportar há anos. Essa graça de povo festeiro, sorridente e feliz apesar das  dificuldades, essa terra iluminada que tem carnaval, axé e uma africanidade inata e  tradicionalmente imutável. Todo mundo que vem para cá se encanta com essa baianidade que inventaram para a gente e a gente, adivinhem? A gente acreditou. Não se pode odiar axé, não se pode odiar pagode, não se pode não gostar e não ter paciência de ver os cortejos afro passando durante o carnaval. Não, somos abrigados a gostar de tudo, pois afinal é a nossa essência.  Afinal, como diria Cetano:" A Bahia é linda..." Então por que ele não mora aqui?  Essa ideia foi ditada por quem, cara pálida? E se deixamos claro que não gostamos dessas coisas, somos preconceituosos, metidos a besta, NERDS, (como eu já fui chamada) e até racistas.


No fundo, sei perfeitamente que estamos vivendo em meio a ditadura dos politicamente corretos, onde não  podemos falar o que pensamos, ou o que não gostamos, por que, podemos dessa forma, ofender alguém. Temos que pensar duas vezes em quê vamos falar, em como vamos falar e se vale a pena realmente falar nossas opiniões, por que um monte de gente vai cair matando, estejam certos. E vivemos em uma país livre e democrático, hem?





Rafaela Valverde





terça-feira, 18 de setembro de 2012

Memórias Póstumas de Brás Cubas

Acabei de ler o livro Memórias Póstumas de Brás Cubas e devo dizer e confirmar mais uma vez a   genialidade de Machado de Assis. Gostei muito do livro por causa da acidez, do pessimismo e do realismo propriamente dito com qual ele escreve. Cabe ressaltar que Machado de Assis - segundo o que me lembro da escola- foi um dos precursores do movimento oposto ao romantismo que foi efetivamente o realismo.
O brilhantismo desse livro me encantou, assim como Dom Casmurro, a ponto de eu ficar lendo de pé no ônibus, pode? Gosto muito dos outros textos que ele traz no texto dele e prova que ele era muito inteligente de verdade, conhecedor de muitas outras obras literárias mundiais. E olhe que no século XIX, em que ele viveu era tudo um pouco precário.

Ele critica as elites brasileiras do Rio de Janeiro e seus falsos moralismos. Critica também a igreja e a religião. Critica duramente inclusive. A acidez de seus textos me encantou. Machado foi criador e primeiro imortal da Academia Brasileira de Letras.


Rafaela Valverde

sábado, 1 de setembro de 2012

A ausência de mulheres negras em revistas femininas


Essa semana perdi o sono pensando em uma coisa: É raro ainda ver a presença de mulheres negras em capas de revistas. Já falei isso aqui em relação a Revista Gloss. Mas já venho observando há algum tempo em outras revistas também. As revistas femininas brasileiras não representam brasileiras e sim o padrão europeu de beleza, corpo, cabelo e moda. Não percebo representatividade da maioria da população brasileira que é negra, com cabelo crespo ou cacheado, se veste basicamente e está acima do peso, ou pelo menos não é escrava da magreza doentia a que somos submetidas diariamente.

Em geral quando há uma atriz negra se destacando em alguma novela de sucesso, tende- se a vê-la também em capas de revistas de moda, comportamento, etc. Mas nesse caso não tenho visto isso acontecer. Me refiro à Maria da Penha, uma das "Empreguetes" vivida por Tais Araújo. A minha preferida, diga-se de passagem e uma atriz ótima que já quebrou  diversos tabus na TV brasileira, interpretando Chica da Silva, na falida Manchete, quando tinha apenas dezessete anos e mostrando uma nudez que hoje não é mais possível para essa faixa etária, fazendo a primeira protagonista negra em três ocasiões: A primeira como eu já falei, em Chica da Silva, depois a primeira protagonista negra da Globo em um horário "das sete" e em seguida a primeira protagonista negra do horário nobre.

Será que uma história de vida e de carreira dessa,ela  não merece os destaques das revistas? E fora que ela é linda. Tem um belo corpo e está dentro dos padrões de magreza. Então por que a relutância? Será que sou eu que estou mal informada? Não. Venho intencionalmente fazendo pesquisas de capas de revistas diversas e não tenho visto com frequência. A frequência ideal não acontece, parece que só há capas assim em poucos momentos para preencher certa cota.

Ainda há pouca representatividade.
Falo de Taís por causa do sucesso das "empreguetes", mas temos muitas outras mulheres negras que merecem ter certo destaque nas revistas, por sua beleza e encanto genuinamente brasileiros. Elas possuem talento e histórias para contar e não são requisitadas para impor nenhum tipo de comportamento, por é que isso que as revistas, principalmente as femininas fazem.

Temos muitas outras: como Ildi Silva que além de negra é baiana e linda e está fazendo Gabriela, Juliana Alves, ex BBB que faz a própria novela Cheias de Charme, Camila Pitanga, Adriana Lessa, Thalma de Freitas, Sheron Menezes, Raquel Fuina, Aparecida pretowsky, Cris Vianna, Lucy Ramos, etc.


Todas essas belas e jovens atrizes poderiam estar em capas de revistas. Se não conhecer alguma, pesquise e verá que todas elas já se destacaram no Brasil em boas novelas. Mas não obtiveram o reconhecimento proporcional a sua obra e continuam sem representatividade nas capas de revistas de uma país essencialmente negro e miscigenado.


Só para lembrar: Assino a Revista Gloss há quase dois anos e nunca nesse tempo a capa foi com uma mulher negra!


Rafaela Valverde

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Cotas 'tapa-buracos' não são suficientes

UFBA -Ondina
Há duas semanas os senadores brasileiros aprovaram um projeto regulamentar do sistemas de cotas nas universidades federais. Para ser mais específica, essa votação aconteceu na noite do dia 07 de agosto. De acordo com esse projeto de lei, metade das vagas nas universidades deve ser destinadas às cotas. Cotas essas que serão novamente divididas e 25% serão destinadas à estudantes oriundos de escolas públicas e os 25% restantes serão destinadas a pessoas negras, pardas ou indígenas.

Já li um pouco a respeito e ouvi opiniões diversas, mas continuo mantendo a minha. Acho que as cotas raciais são válidas enquanto durarem de forma provisória. Como as cotas raciais funcionariam em minha cabeça? As cotas durariam por determinado tempo e ações efetivas aconteceriam simultânea e obrigatoriamente para melhorar de verdade a educação em seus níveis mais básicos. As cotas não devem ser solução definitiva e sim um dos recursos para reparar e melhorar as condições de vida dessas pessoas através da educação. Não podemos e nem devemos ficar escravos de cotas eternamente. Bem, isso todos já sabem, mas o fato é que somos o país "largadão". Gostaram do novo apelido carinhoso? Largadão. Somos uma país acostumado a ter leis que "pegam" e leis que "não pegam". Não punimos quem bebe e dirige e nem quem corrompe, piorou quem é corrompido.

Então como é que o país "largadão" vai conseguir cumprir isso, se não consegue sequer realizar coisas mais simples? A resposta é simples: Não vai. É por isso que as cotas raciais viram solução, um tapa-buraco de algo que é muito mais complexo do que simplesmente mandar negros para a universidade. Afinal o que adianta eles, nós entrarmos e não podermos nos manter? Sou parda, filha e neta de negros, de classe baixa e vim de escola pública. Entrei em uma universidade pública, mas estou sem poder me manter, pois tenho que trabalhar ao mesmo tempo e é muito difícil. Não existe uma real política de permanência e assistência a alunos pobres em universidades públicas. Quando tem não funciona como deveria. Digo isso com experiência própria.

Falando um pouco das cotas sociais, eu também não sou muito a favor não. Na verdade não gosto muito dessa ideia de criar bandos e mais bandos de "esmolés", que vivem sempre mamando de graça nas tetas do governo, de bolsas famílias, "bolsas sei-lá-das-quantas" e não sei mais o quê. Mas tenho argumentos para sustentar minha opinião. Estamos numa cultura de folga de vida mansa e fácil, estamos criando uma geração que não quer saber de ralar, estudar e trabalhar ao mesmo tempo. Doa a quem doer essa é a verdade e ela tem que ser dita. Sempre damos um jeitinho de nos safar de alguma obrigação. Aquele velho e conhecido "jeitinho brasileiro".

Essas pessoas indolentes, que não têm boas notas, não leem e definitivamente não estudam, vão concorrer em pé de igualdade e com benefício ainda com que estuda e batalha diariamente e acaba sendo bolsista em uma escola particular, por exemplo?  Pessoas de escolas públicas, em sua maioria analfabetos funcionais vão entrar em universidades federais sem ao menos saber fazer um resumo simples? Como é que pode isso? Como vai ficar a produção de conhecimento em nossas universidades, a pesquisa, o ensino e o conhecimento científico? Essas áreas acadêmicas já não andam boas e ainda com essa facilidade vai piorar a situação. Vamos emburrecer ainda mais nossos espaços acadêmicos, que apesar de ainda serem elitistas, já comportam grande quantidade de pessoas oriundas da classe pobre e da escola pública. Observo todos os dias na universidade pessoas com algum nível de analfabetismo funcional, que ao menos sabem falar o que estudaram em público, por que não foram preparadas adequadamente pelas escolas públicas estaduais e municipais do nosso país.


Acredito na provisoriedade desses projetos que segundo minhas pesquisas serão revisados em dez anos, e sou contra a duração muito longa ou eterna de cotas que apenas servem para remendar a ponta de níveis complexos e críticos e mais baixos da educação. A meritocracia acima de tudo deve ser o  principal requisito para entrada em universidades públicas que são bancadas pelo estado, mas como haver meritocracia em um país tão desigual onde mensalidades escolares de certos jovens são maiores do que o valor que outros jovens sustentam suas famílias em um mês? A questão é muito longa e demanda muito debate e tempo para pensar, agir e discutir, antes que transformemos nossas ambientes acadêmicos em jogadas eleitoreiras e frutos de politicagem barata.




quinta-feira, 26 de julho de 2012

A mentalidade atrasada nossa de cada dia

É cada coisa que ouço nessa vida que já estou quase me convencendo que meu ouvido é penico. Tem gente que não tem o mínimo de inteligência e senso crítico e acaba reproduzindo velhos conceitos disseminados pelo senso comum. Senso comum esse que vem sendo alimentado nos últimos anos por uma pobreza cultural estapafúrdia e inacreditável. Pobreza cultural acompanhada de coma coletivo que anestesia o povo brasileiro, fazendo - o pensar apenas em futebol, redes sociais, sub-celebridades e reality shows falidos. Tudo isso ao som de Michel Teló e neo - duplas sertanejas de quinta categoria.

Me sinto como se ao nascermos enquanto país e enquanto povo, nos deram um banho de conformismo, e não queremos sair de  nossas zonas de conforto, nossos mundinhos falsamente calmos e divertidos.

É desse enorme conformismo brasileiro que me ressinto e me revolto. Me recuso a concordar com algo que me desagrada ou que ache injusto ou errado. E foi sobre isso que estava conversando ontem com alguém que demonstrou e comprovou o quão conformista é a mentalidade do povo brasileiro. Conheço pessoas que para elas, está tudo bom, melhor do que nada, etc. Desculpas ridículas como essas, que á estamos acostumados a ouvir. Pessoas que seguem á risca todas as instruções, ordens e passos do professor e acabam perdendo a chance de demonstrar sua criatividade; pessoas que se deixam levar exclusiva e extremamente por dogmas religiosos, se deixando cegar pela fé e esquecendo completamente a razão; pessoas que que ficam paradas esperando oportunidades caírem do céu que nem chuva e que não leem nem manual de eletrodoméstico fazendo toda a questão de sem manter na ignorância, enfim, vários tipos de pessoas que me decepcionam dia após dia.


Muitas dessas pessoas  se mantem à margem do conhecimento e continuam perpetuando discursos machistas, patriarcais, capitalistas e pseudointelectuais, se mantendo com a mente fechada e repetindo as falas das elites que diz: " quem quer subir na vida sobe, só é se esforçar e se sacrificar". Detesto esse discurso hipócrita. Típico discurso capitalista, branco, masculino, heterossexual e rico. Por que é feito de cima para baixo, atingindo o negro, a mulher, o homossexual, o pobre, enfim, as minorias. E fazendo com que essa parcela menos privilegiada da sociedade acredite.

Muito me admira e me entristece quando vejo uma mulher negra com falas baseadas nesses discursos segregadores. Pois é, foi com o que me deparei essa semana, então me pergunto: Se discursos desses tipos, focados na exploração do homem pelo homem e na injustiça social, que não consideram condições socioeconômicas a que um indivíduo é submetido, já chegaram aqui na base da pirâmide, ou seja nas classes B,C e D, qual deve ser então o tamanho do nosso esforço, pessoas realmente esclarecidas, para combater e desconstruir esses discursos e pensamentos alienantes?


Pensemos portanto em nosso papel nesse combate e desconstrução de pré - conceitos.





terça-feira, 5 de junho de 2012

Filme O contador de histórias


Estão gostando dos textos curtos, mais literários, mais melancólicos? Eles refletem alguns dos conflitos que estou passando internamente nesse momento. Mas o que eu quero falar, é que vocês devem acompanhar a página eu indico, pois acrescentei dois filmes hoje. Um foi um que assisti há uns dez dias mais ou menos, com Sandra Bullock, chamado 28 dias e um outro que vi hoje, O contador de histórias, filme brasileiro baseado em história verídica, de um pedagogo chamado Roberto Carlos Ramos, negro, que viveu nas ruas e na Febem dos 6 aos 13 anos, mas logo foi adotado por uma pedagoga francesa que o ensinou a ler e o levou para a França. Ele se formou pedagogo e se especializou em literatura infantil, sendo hoje contador de histórias. Muito interessante, vejam o trailler. Não tem atores conhecidos e não é um filme comercial, do jeito que eu gosto. Detesto filmes comerciais. Detesto qualquer coisa comercial. Viu como nada está definitivamente perdido. O mundo ainda tem solução sim, e um dos caminhos para essa solução é a educação sim!

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Presidenta Dilma sanciona dia Nacional da Umbanda


A presidente Dilma Rousseff assinou, na quarta-feira (16), a Lei 12.644 que decreta o Dia Nacional da Umbanda, a ser comemorado anualmente, em 15 de novembro. A decisão foi publicada no Diário Oficial da União desta quinta-feira, 17 de maio.
O documento foi sancionado a partir do Projeto de Lei da Câmara nº 187 de 2010, que propõe em sua justificativa, o direito constitucional à liberdade de crença e o livre exercício dos cultos religiosos, conforme o inciso VI do art. 5º da Constituição. Além de defender a valorização, a origem e a difusão da religião umbandista no país por tratar-se de uma religião genuinamente brasileira, a data reporta-se ao dia, do ano de 1908, em que o médium Zélio Fernandino de Moraes recebeu, em Niterói, a missão de fundar o novo culto.
Leia a Lei na integra:

Institui o Dia Nacional da Umbanda.
A PRESIDENTA DA REPÚBLICA Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei: 
                Art. 1o  Fica instituído o Dia Nacional da Umbanda, que será comemorado, anualmente, em 15 de novembro. 
Art. 2o  Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação. 
Brasília,  16  de  maio  de 2012; 191o da Independência e 124o da República. 

DILMA ROUSSEFF
Anna Maria Buarque de Hollanda
Luiza Helena de Bairros

Este texto não substitui o publicado no DOU de 17.5.2012
















terça-feira, 15 de maio de 2012

A falsa abolição da escravatura por Blog Escurecendo as ideias

Faço as suas paavras as minhas palavras e por isso decidi postar esse texto em meu blog, com os devidos créditos é claro. Blog Escurencendo as ideias no meu blogroll, passa lá.


Neste 13 de Maio completam 124 anos da falsa abolição, dia ainda utilizado pela grande elite e seus meios de comunicação para enaltecer a “Princesa Isabel” e ainda pior, incutir no imaginário coletivo a pseudo-ideia de data mais importante para os negro e negras desse País. O movimento questiona até os dias de hoje como a historia é contada e deturpada principalmente nos livros didáticos.


ormalmente esse é o dia da “abolição da escravatura”, dia em que os escravos deixaram de ser tratados como “coisas”, mercadorias de propriedade de seus senhores pra tornarem-se “cidadãos”. Porém, cidadãos de uma sociedade que não estava e nem foi preparada para conceber os africanos e afrobrasileiros como tal.  Diferentemente dos europeus, que foram trazidos para o Brasil com o aporte financeiro e institucional do Estado, numa medida explícita de "política de ações afirmativas" às avessas, pois os europeus receberam subsídios e incentivos por parte do governo brasileiro. Por outro lado, este mesmo governo relegou aos ex-escravizados a herança maldita de viver às margens de uma sociedade racista e excludente, sem moradia, terra para trabalhar, educação e condições mínimas para sobreviver, nem mesmo tiveram direito à indenização pelo tempo de trabalho forçado. Condições que permanecem vivas em nosso cotidiano. 


A escravidão foi e ainda é (pois não deixou de existir) o ato mais perverso, desumano e humilhante que a historia pode registrar, além de ser a maior fonte de lucratividade do capitalismo rendendo muitas riquezas para a elite brasileira a mesma que marginaliza e explora a força de trabalho, impulsionando o racismo com a ideologia hierárquica, dados estes que ocupam os índices do IBGE como a população que tem a maioria dos analfabetos, desempregados,  em situação de risco, ocupam as cadeias, a que mais morre entre outras mazelas.
Os anos se passaram, as relações sociais são recorrentes e dinâmicas e as situações de desigualdades e injustiças em relação aos grupos historicamente excluídos também se reconfiguram de acordo com as mudanças na sociedade. Entretanto, a historia é a mesma, ainda vive aqui um povo escravizado pelo sistema que não pagou e recusa-se pagar a divida moral, histórica, social, cultural e econômica, as cotas chegaram tarde e mesmo olhando o passado e o sofrimento desse povo ela é migalha perto do que toleraram e a abolição ainda é uma utopia.


Extraído de:http: //escurecendoasideias.blogspot.com.br/  em 15/05/2012 às 15:53

sábado, 12 de maio de 2012

Vídeo do Youtube - Abolição da escravatura- Por que é tão importante entender essas questões?


Treze de maio "Abolição" da Escravatura no Brasil



Carla Caruso*
Especial para a Página 3 Pedagogia & Comunicação
Reprodução
Fac-símile do documento assinado pela princesa Isabel

No dia 13 de maio comemora-se a Abolição da Escravatura no Brasil. A palavra "abolir" significa acabar, eliminar, extinguir. A escravidão foi oficialmente extinta nesse dia por meio da Lei Áurea. "Áurea", por sua vez, quer dizer "de ouro" e - por aí - você pode imaginar o valor que se deu a essa lei, com toda a razão. Afinal, o trabalho escravo é uma prática desumana.
Assinado pela princesa Isabel, em 1888, o texto da Lei Áurea é curto e bastante objetivo, como você pode ver a seguir:
"A Princesa Imperial Regente, em Nome de Sua Majestade, o Imperador, o senhor dom Pedro II, faz saber a todos os súditos do Império que a Assembléia Geral decretou e Ela sancionou a Lei seguinte:
Art. 1º - É declarada extinta desde a data desta Lei a escravidão no Brasil.
Art. 2º - Revogam-se as disposições em contrário."
Quando essa lei passou a vigorar, a escravidão já existia no Brasil há cerca de três séculos. No mundo, o trabalho escravo era empregado desde a Antigüidade. Naquela época, na Europa e na Ásia, basicamente, os escravos eram prisioneiros de guerra ou ainda pessoas que contraíam dívidas muito grandes, sem ter como pagá-las.
As grandes navegações e a escravidão negraNa Europa, durante a Idade Média, o trabalho escravo praticamente desapareceu. Contudo, na Idade Moderna (séculos 15 a 19), com as grandes navegações e o descobrimento do continente americano, a escravidão voltou a ser largamente utilizada. Era a maneira mais simples e barata que os europeus encontraram de conseguir mão de obra para a agricultura nas terras que colonizaram.
Ao chegarem ao Brasil, no séc. 16, os portugueses primeiramente tentaram escravizar os indígenas, forçando-os a trabalhar em suas lavouras. Os índios, porém, resistiram, seja lutando, seja fugindo para regiões remotas do interior, na selva, onde os brancos não conseguiam capturá-los.
Para Portugal, a solução encontrada foi trazer ao Brasil escravos negros de suas colônias na África. Subjugados à força e trazidos para um país estranho, a imensa maioria dos negros não tinha como resistir à escravidão, embora muitos tenham se refugiado em quilombos e enfrentado os brancos. Foi o caso de Palmares, em Alagoas, que durou cerca de 70 anos.
A Lei do Ventre LivreEntretanto, no início do século 19, nos países industrializados da Europa, desenvolveu-se uma consciência do caráter cruel e desumano que existia por trás da escravidão. Em 1833, a Inglaterra, que era a maior potência da época, acabou coma escravidão em todas as suas colônias e passou a pressionar outros países a fazerem o mesmo. Sob pressão inglesa, em 1850, foi aprovada no Brasil a lei Eusébio de Queirós, que proibia o tráfico de escravos africanos.
Outros fatos ocorreram no panorama mundial nas décadas seguinte: a libertação dos escravos nas colônias de Portugal e da França e também nos Estados Unidos. Eram acontecimentos que pressionavam a Monarquia brasileira a adotar a mesma atitude. No entanto, os proprietários de escravos resistiam a abrir mão do que consideravam seus "bens" ou "propriedades".
Após a vitória do Brasil na Guerra do Paraguai (1865-1870), na qual muitos escravos lutaram, os problemas aumentaram, já que muitos ex-combatentes negros não aceitavam mais voltar para sua antiga condição de escravos.
Numa tentativa de resolver a questão, com um jeitinho bem brasileiro, o governo imperial sancionou a Lei do Ventre Livre, em 1871, que tornaria livres, a partir daquela data, todos os filhos de escravos. De acordo com ela, a escravidão acabaria no Brasil em no mínimo 50 anos... É óbvio que os escravos não poderiam esperar todo esse tempo.
A campanha abolicionistaAo longo das décadas de 1870 e 1880, a população brasileira livre - particularmente a dos centros urbanos - começaram a se solidarizar com os escravos e a compreender a necessidade da abolição.Vários políticos e intelectuais passaram a defendê-la. Entre eles encontravam-se nomes de destaque na época, como Joaquim Nabuco, José do Patrocínio, André Rebouças e Luís Gama. Também surgiram muitos jornais e revistas que defendiam o abolicionismo.
Além disso, formaram-se os chamados clubes abolicionistas que arrecadavam fundos para compra de cartas de alforrias - certificados de libertação que podiam ser adquiridos pelos escravos. Em 1885, o Ceará decretou o fim da escravidão em seu território. Fugas em massa começaram a ocorrer no resto do país. Em 1887, o Exército solicitou ser dispensado da tarefa de caçar escravos fugidos.
Ainda existe escravidãoEm São Paulo, Antônio Bento de Souza e Castro fundou um grupo abolicionista radical, os Caifazes, que organizava rebeliões e fugas em massa. A campanha abolicionista tornou-se um dos maiores movimentos cívicos da história do Brasil e já se unificava com os movimentos republicanos. Então, a situação tornou-se insustentável e o governo, sob a regência da princesa Isabel decidiu agir.
A abolição, contudo, não representou o fim da exploração do negro no Brasil, nem a sua integração - em pé de igualdade - na sociedade brasileira, que ainda tem uma enorme dívida para com os descendentes dos escravos.
Mas o que é pior: apesar das leis e da consciência da maior parte da população mundial, ainda hoje, encontram-se pessoas em várias partes do Brasil e do mundo que trabalham sem receber pagamento, em situação semelhante à da escravidão. De qualquer forma, hoje isso é considerado um crime e quem o pratica, se for pego, recebe a punição que merece.


*Carla Caruso é escritora e pesquisadora, autora do livro "Zumbi, o último herói dos Palmares" (Editora Callis).


Em 12/05/2012 às 22:22

quarta-feira, 9 de maio de 2012

O que conhecemos sobre a África?

África e seus mais de 50 países

O que conhecemos sobre a África? Quantos livros já lemos sobre a África? Quantos de nós tivemos a oportunidade de estudar mais detalhadamente esse continente? Essas perguntas trazem à tona o nosso total desconhecimento sobre o continente africano. E hoje através da lei 10.639/03, que obriga o ensino da História e Cultura Afro- brasileira e africana em escolas brasileiras, sinto que temos a obrigação de estudar esse continente. Não só nós, professores e futuros professores, mas toda uma sociedade miscigenada, ignorante e necessitada de conhecimento. 

O professor nesse sentido deve ter o papel de historiador, também - aquele que investiga, que vai atrás dos fatos - e junta tudo para formar ideias e desconstruir ideais estereotipados. O papel do professor nesse caso é muito importante e é a chave principal para se fazer cumprir a lei. Para isso é necessário formação docente adequada, com boas bases teóricas, vontade e cabeça aberta. O conhecimento que se pode ter do continente africano é bem amplo e remete a pluralidade das culturas brasileiras. A visão eurocêntrica que temos e que adquirimos na escola desde a tenra idade, não nos deixa despertar o interesse pelo estudo da história e cultura africanas, e nos cegam de uma forma tão cruel que nos deixam reféns de uma visão injusta e desigual. Além de alguns dogmas religiosos, herdados do judaico-cristianismo, que fazem com que torçamos os lábios (coisa de baiano!) quando ouvimos falar nas diversas religiões de matrizes africanas. Essa lei indiscutivelmente é um grande avanço, porém ainda é preciso muito trabalho em cima dela, para aprimorá-la e fazê- la cumprir seu papel que é a desconstrução de imagens simplistas e incondizentes com a realidade africana.

 Esse cumprimento vem do conhecimento e o professor é o principal mediador desse processo, já que a lei envolve especialmente os bancos escolares e a relação professor- aluno- escola- gestão- currículo. 
Ressalto que o principal motivo de formação de conceitos estereotipados é o desconhecimento, é a ignorância de determinado assunto, por que infelizmente ainda nos comportamos de uma forma que segrega o que, e quem não conhecemos e o que e quem é diferente de nós. Aliás nesse sentido ainda mantemos nossas cabeças no século retrasado. 


Vestimenta

A lei 10.639/03 foi alcançada devido a um já longo descontentamento e devido a lutas dos diversos Movimentos Negros existentes em nosso país, praticamente desde o final da escravidão formal. Digo escravidão formal, por ela - se consideramos alguns fatos atuais - ainda continua de foma implícita e informal de uma forma portanto mais difícil de ser combatida. Não sei se é exagero da minha parte, mas é essa a visão que tenho hoje, que pode mudar amanhã. E essas ações são louváveis. Antigamente, eu era contra essas ações, como as cotas e essa lei, por achar que eram simples "tapa- buracos" e não iam resolver a situação. Porém hoje com uma visão mais amadurecida entendo que são essas ações, mesmo que deficientes em alguns casos, que vão ajudar a construir mentalidades menos discriminatórias e atitudes mais efetivas da parte de nossos governantes e civis com voz ativa.

Diante de tudo isso, penso que é papel da escola, dos seus gestores e docentes contribuir para a sociedade igualitária que queremos, aonde abraçando esses conhecimentos desse continente multicultural e repleto de história, possamos criar uma geração onde todos os continentes serão iguais, sem nenhum tipo de discriminação. E que deixemos de ver o continente africano apenas como um país com aids, e sem história e /ou cultura. Busquemos portanto essa igualdade, através de conhecimento, desmistificações e amos abrir nossas cabeças para o belo e conteúdo que nos espera. Rico, histórico e plural.

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