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quinta-feira, 4 de maio de 2017

Minha trajetória acadêmica

Em 2010 passei no vestibular da Uneb - Universidade do estado da Bahia para o curso de Pedagogia, que eu não sabia exatamente do que se tratava, mas como achava que queria fazer psicologia, achei que pedagogia tinha semelhanças com psico e lá fui eu. As aulas começaram no dia 12 de abril e ainda era tão menina, ia fazer vinte e um anos e estava noiva. Nessa época eu trabalhava e estudava e só vivia cansada, dormia na aula e não sei como eu consegui lidar com oito matérias assim. Uns dois meses depois fiquei desempregada e minha mãe que me ajudava com a faculdade. Casei no mesmo ano e continuei nos semestres seguintes com as oito disciplinas.

Depois de um tempo comecei a pegar menos matérias e fui ficando atrasada, separada das minhas colegas e amigas que tinha feito naqueles meses. Acredito que  isso tenha me desmotivado bastante, além  de uma monitoria que fiz e não recebi o dinheiro ao qual tinha direito e precisava. Por essas e questões de não gostar e não me adaptar com algumas disciplinas e questões do curso acabei abandonando. Eu não via mais graça em estar ali, fazendo aquele curso. Me sentia sem perspectivas.

Foi nessa época que passei a dar mais atenção ao blog e quis seguir o sonho de escrever, de ganhar dinheiro escrevendo e botei na cabeça que queria ser jornalista. Por que queria escrever de qualquer jeito. Até pensei em fazer letras, mas tinha horror à licenciatura e à sala de aula. Tentei entrar na UFBA em jornalismo e não consegui. No ano de 2013 depois de uns meses fora do Departamento de Educação da Uneb, decidi voltar. Mas durou pouco tempo. Minha falta de afinidade com o curso era latente, eu não me dava bem com a maioria dos professores de lá que eram muito arrogantes. Não tinha motivação para ir até lé, nem para fazer as atividades, nem de olhar para as caras dos professores. Saí de novo e dessa vez pra valer.

Em 2014 depois de mais um Enem tentei novamente o curso de jornalismo na UFBA e não consegui. Porém fiz um vestibular na Unijorge e passei, consegui um FIES e fui fazer jornalismo nesse centro universitário privado. Não me adaptei muito bem lá. A universidade parece um shopping, com praças de alimentação bem grandes e quase nenhum apoio a alunos de baixa renda. Me sentia deslocada, um peixe fora d'água. Fora que a sala que eu estudava era super barulhenta e imatura, me sentia estudando em uma escola de ensino médio. Fora que com boletos todo mês e o salário que eu ganhava não estava dando, daí decidi usar a mesma nota do Enem e ganhar uma bolsa em uma universidade diferente e melhor. Consegui a bolsa e ia começar o semestre no mês de agosto de 2014. Enquanto isso, minhas colegas estavam se formando. 

Faltando poucos dias para começar o semestre na FSBA - Faculdade Social da Bahia eu recebi uma ligação  avisando que não havia formado turma para jornalismo e que o curso estava praticamente extinto na universidade. Eu teria que escolher outro curso ou desistir da bolsa. Dentre os cursos que me ofereceram fiz a merda de escolher um. Eu não acreditava mais que pudesse entrar na UFBA  e seguir a carreira acadêmica que eu tanto sonhava. Então eu escolhi psicologia. Entrei sem semestre definido e pegava disciplinas introdutórias misturadas com as mais avançadas e não entendia os conceitos básicos tendo certa dificuldade em acompanhar. Sentia o tempo todo que me formaria sem nenhuma perspetiva, não me sentia feliz ali, nem no curso e nem na faculdade. Fora que é perto do campus da UFBA em que estudo hoje e pegava os mesmos ônibus que vários alunos da Federal que ali desciam e ficava pensando que meu lugar era ali, que um dia eu gostaria de descer antes, naqueles ponto.

O que começou a me tirar daquele curso e daquela faculdade foi a dificuldade em estudar. Os textos eram longos e meu tablet havia quebrado, me impossibilitando de ler a maioria dos textos. Eu teria que tirar xerox ou imprimir todos e não tinha grana para isso, apesar de estar trabalhando na época. Comecei a tirar notas ruins e a faltar nas aulas de sábado, já que trabalhava aos finais de semana. Eu sabia que tinha que sair dali e exatamente no meio do ano de 2015, no SISU do meio do ano eu decidi que eu iria para a UFBA em qualquer curso. E eu entrei em Letras. De primeira. Sabe se que as notas de corte desses cursos são bem baixas e não foi tão difícil. Fiquei muito feliz. Acho que foi um dos poucos dias mais felizes que tive naquele ano. Dia 15 de junho de 2015. A universidade estava em greve, fiz matrícula, mas só comecei a ter aulas em janeiro de 20016, ano passado e hoje estou no quarto semestre e realmente estou onde eu merecia, precisava e queria estar. Eu dou aulas particulares de Português e agora vou assumir salas de aula em uma escola estadual. Eu estou muito feliz e realizada na minha vida acadêmica. Eu amo ensinar. Eu já faço pesquisa e sou bolsista de Iniciação Científica. Eu vejo  a realização do meu sonho chegando, chegando aos poucos. Eu tenho contato mais direto com literatura, algumas disciplinas de literatura do curso são fascinantes e eu adoro entrar naquele portão todos os dias. Por mais que a coisa não seja fácil. É muito estudo. É tudo bem diferente de todas as universidades em que já estive. Mas eu adoro, finalmente me encontrei.

Não desista do seu sonho, não hesite em sair de algo que não te faz bem, onde você não quer estar. Saia e vá atrás do que realmente você quer. Porque uma hora dá certo. Essa é a loucura da minha vida acadêmica até agora, minhas desistências e conquistas. 



Rafaela Valverde

sexta-feira, 24 de março de 2017

Série Merli


Dois professores me indicaram a série Merlí e eu decidi assistir. Está no Netflix e eu não poderia deixar de dar uma espiada. Especialmente por se tratar de uma série catalã, cuja cultura e língua eu ainda não tinha tido contato e por se tratar de educação e filosofia. Merlí estreou na Catalunha em 2015 e a Netflix comprou os direitos de exibição no Brasil e nos EUA.

Só tem a primeira temporada, mas já quero a segunda! Merlí, professor que dá nome a série é um professor de filosofia nada tradicional. Ele chega à escola causando polêmicas com os outros professores e com os alunos que estranham sua forma de ensinar e agir. Desperta o ódio de alguns e o amor de outros. Um outro detalhe da série é que cada episódio é nomeado com um filósofo ou uma vertente filosófica como os peripatéticos. E nesses episódios com nomes de filósofos, as aulas e as histórias têm influências de certas ideias deles. 

Merlí é pai de Bruno, que também é seu aluno. Bruno é gay mas ainda está no armário. E as histórias vão se desenvolvendo a partir dos dramas dos alunos, da personalidade do professor-protagonista Merlí, que não é nada fácil e a partir de ideias filosóficas também. Vários assuntos são abordados, como conflitos entre pais e filhos, divulgação de vídeos íntimos na internet, bullying, homossexualidade, etc.

É uma série muito bacana. Bem produzida, com boas atuações e aquela gostosíssima língua catalã que inclusive estou estudando na faculdade, já que é uma língua românica, advinda do latim hahaha. É isso, gente, eu gostei bastante e recomendo. Para professores e pessoas normais (rsrsrs). Já que é uma série bastante divertida e dá para aprender alguma coisa sobre filosofia. Recomendo!



Rafaela Valverde

sexta-feira, 10 de março de 2017

Resenha acadêmica de Nove Noites - Bernardo de Carvalho - Parte III


Alguns dados foram encontrados, mas o jornalista optou em não atribuir juízos de valor às informações encontradas. Mas o fato era que ele, o americano, não gostava de estar no Brasil. Ele queria ir embora e escrevia isso em cartas sempre que tinhao portunidade.   Não   se   sabia   o   motivo   exato,   por   exemplo,   ele   poderia   ter   alguma inimizade com alguém, o que poderia ter resultado um homicídio e não um suicídio. Sim, houve essa especulação na grande colcha de retalhos que se tornou Nove Noites 

.Já quase no finalzinho do livro em um dos momentos narrados por Manoel Perna, ele conta que durante essas nove noites que esteve conversando com Buell Quainteve certeza que todas as histórias que ele contou pareciam confissões, mas de alguma coisa além do que parecia realmente estar contando. “Foi a preparação da sua morte.”Manoel afirmou ainda que não acreditava que ele, Buell, pudesse ter feito algo errado,mas que pudesse estar tentando dizer que se mataria em breve.

Nove Noites é um livro rico e em alguns casos se torna até meio repetitivo no que diz respeito à ausência de informações precisas sobre a morte de Buell Quain. Dessa forma, o livro traz narrativas dentro de uma narrativa. Já no final há uma nova história: o pai do jornalista-narrador está em um hospital internado ao lado de um velhinho bem doente que pode ter conhecido o antropólogo americano. Isso ele conclui depois de investigar o idoso já moribundo. Essa parte encerra o livro com chave de ouro, já que não se espera o que pode vir dessa nova narrativa apresentada dentro de um hospital. É surpreendente essa nova possível nova perspectiva da história. O que deixa ela ainda mais genial. O idoso internado é um fotógrafo que pode ter convivido com Buell um tempo e pode ser autor de uma icônica foto do americano. Ele envia cartas para diversas pessoas   nos  EUA  e   vai   até lá tentar   descobrir  mais algo   sobre   essa possível ligação. Na volta encontra se com um jovem “orgulhoso e entusiasmado” que vinha estudar os índios brasileiros. Perplexo, o jornalista brasileiro pensa em como aquela situação é irônica e como os mortos podem atormentar os vivos.




Essa resenha foi solicitada como forma de avaliação junto com um debate sobre o livro para a disciplina de Literatura Brasileira e a Construção da Nacionalidade do curso de Letras da UFBA- Universidade Federal da Bahia. E foi escrita por mim.



Rafaela Valverde

Resenha acadêmica de Nove Noites - Bernardo de Carvalho - Parte II


Ora, era justamente a ideia que Bernardo de Carvalho rechaça. Os índios devem ser tratados como gente, como os seres humanos que são. Com seus defeitos e suas virtudes. A ideia que ainda se tem sobre o índio é que além de ele ser passivo, é  oco e superficial.   Índio   não pensa,  índio   só   quer   umas   lembrancinhas  e alguém   que   os defenda. Essa é a ideia paternalista que o livro pretende desbancar. E consegue. O livro passeia por histórias e emoções, o livro vai e vem. E assim será esse texto, ele vagueará pelas histórias  contadas  em   Nove  Noites   e  pelo   mistério que   ronda  o  suicídio   do etnólogo americano.

Dessa forma, há de se falar da morte, da vida, das cartas e de tudo mais que possa ser interessante sobre a vida de Buell Quain. Essa busca pela vida do antropólogo está   diretamente   ligada   à   vida  do   narrador.  A  análise   desse   texto   buscará   ser   tão obsessiva quanto a busca dele. Portanto trechos e parágrafos se vão se misturar e se intercalar para contar essa (s) história (s).

O narrador, depois de adulto, retornou à comunidade dos  Krahô, acompanhado de   um   antropólogo  conhecido.   Ele   conheceu   o   velho   Diniz,   único   membro   da comunidade vivo que conheceu Quain quando ainda era menino. Havia a esperança de que ele falasse sobre local em que o americano havia sido enterrado e outras questões. O velho Diniz mal havia sido apresentado ao jornalista e foi logo pedindo seu gravador. Negando educadamente, ele informa que precisa dele para trabalhar, o índio rebate: “Lá em   São   Paulo   você   compra   um   igualzinho   e   manda   pelo   correio.”   É   um   trecho marcante, pois evidencia o quão os índios são humanos, o quão os índios que moram no Brasil são realmente brasileiros. Enfim comprovam que índio é gente e gosta de todas ascoisas que todas as outras pessoas gostam. O velho Diniz conta que os índios chamavam Buell   de   “Cãmtwýon”,   sendo   logo   questionado   sobre   o   significado.   Mas   não   há significado específico, ao contrário do que se pensa que sejam os nomes indígenas. Mais um estereótipo quebrado. 

Diniz   ainda  conta   que   o   antropólogo   americano  raspou  a   cabeça,   enquanto tomava banho no rio, no dia seguinte à sua chegada: ajudou em um parto, deu nome ao recém-nascido, mas não queria participar de nada. Não se envolvia em nada e passava dias escrevendo, não bebia muito e costumava ouvir música às vezes. Era um homem bastante   reservado.   Diniz   achava   que   ele   havia   enlouquecido   depois   que   recebera algumas cartas. Nessas cartas, que foram queimadas por ele antes de morrer, haveria anotícia de que a mulher o havia traído com o irmão.

Mas   essa   história   não   é   verdadeira.   Há   muitas   contradições   e   versões desencontradas sobre as possíveis causas do seu suicídio. A mãe e a irmã dele afirmam que ele nunca havia sido casado e não tinha irmão. Só irmã, mãe e um pai que eranmédico, mas não muito próximo dele. Há ainda várias hipóteses sobre o momento da sua morte: “foi se cortando todo, ainda de dia, descendo sangue”, depois “queimou dinheiro.” Havia ainda informações sobre ele ter queimado as cartas que recebera, pois elas nunca foram encontradas. Ele teria se cortado no pescoço e nos braços e depois se
enforcado. Enfim, como se vê, não há uma informação só sobre o inesperado caso.

Há relatos que o etnólogo sofria e que estava se cortando (foi questionado nomomento) e ele afirmara que “precisava amenizar o sofrimento, extinguir a sua dorcruciante.” Em geral, as pessoas atribuem o suicídio a sofrimento à depressão e é fácil perceber que o homem tinha picos  de tristeza  e crises existenciais. Ele em  alguns momentos interagia e estava bem. No momento seguinte, porém mudava o seu humor e se trancava.

“Ele se enforcou com a corda da rede num pau grosso, inclinado, quando os índios fugiram,” afirmou o velho Diniz. Pediu que fosse enterrado ali mesmo e seu pedido foi atendido. A sepultura foi marcada com talos de buriti e nenhuma polícia ou outra autoridade foi ao local. Não houve exumação nem abertura de inquérito e nem há registro em nenhum cartório ou fórum.

 A morte de Buell Quain foi esquecida, teve certa repercussão na época, mais entre o meio antropológico, além de ter sido um americano morto em terras Brasileiras. Nem a mãe e a irmã vieram ao Brasil ou solicitaram o envio do corpo. Não. Ele ficou esquecido lá nos confins do norte do Brasil. A colcha de retalhos de informações e especulações sobre esse suicídio nunca foi concluída. As costuras não combinam entres i e sempre há alguma discrepância entre elas. Nunca se chegará a nenhuma conclusão sobre o que teria levado o jovem americano a se matar.

Foi   observado   que   há   algumas   insinuações   sobre   uma   possível homossexualidade   do   etnólogo.   Em   alguns   trechos   das   narrativas   apontam   como estranha a ausência de mulheres na vida dele. Ele não tinha amantes, não olhava para as índias, não era dado a aventuras sexuais, era bastante recluso. Outro ponto que pode ser interpretado como insinuação sobre a sexualidade de Buell seria uma das últimas cartas que ele escreveu ao cunhado, e somente a ele, antes de morrer. Para muitas pessoas poderia passar despercebido, mas não é esse o caso. Há também o fato de ele não se dar bem com o pai, seria um indício?

Em determinados momentos do texto é narrada  a viagem do jornalista, sessenta e  dois anos  depois. Ele mantém  um relacionamento mais  próximo com  os   índios, participa de rituais e reconstrói algumas imagens sobre os indígenas. Pôde ainda sentir um pouco a  sensação de estar próximo aos índios  e pesquisou bastante a vida do antropólogo. Cartas e fotos por exemplo. Em uma carta escrita em 4 de julho, menos de um mês antes de morrer ele escrevia: “Duvido de que em algum outro lugar no mundo existam culturas indígenas tão puras. Mas, a despeito de todas as virtudes do Xingu, gostaria   de deixar   o   Brasil   definitivamente   e   limitar   meu   trabalho   a   regiões.” Ele reclamava das dificuldades de trabalhar com índios brasileiros. “Acredito que isso possa ser atribuído à natureza indisciplinada e invertebrada da própria cultura brasileira.” Ou seja, os indígenas brasileiros, já naquela época não eram passivos como se imagina. E quase nada se alterou na cultura do povo brasileiro.



Continua...


Rafaela Valverde

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

Funciono melhor trabalhando sozinha


Sempre funcionei melhor sozinha. Não gosto de trabalhar em grupo e até hoje, uma mulher adulta, eu não consigo entender como um professor tem a coragem de passar escritas de texto em grupo. Escrever é um ato individual. Para mim quase todos os atos são individuais. Eu gosto de andar sozinha na rua, sem conversar, assim ando mais rápido. Eu gosto de fazer trabalhos individuais. Eu gosto de criar sozinha. Sem interferências. Todo trabalho que faço individual sai bem mais bem feito.

Claro que por conta dessa solidão voluntária eu  acabo sozinha mesmo. As pessoas me vêem como antissocial ou metida e assim vou vivendo. Eu não sou nada disso, quando trabalho em grupo, trabalho até bem e não tenho problemas de relacionamento, fazendo bons trabalhos. Só que no início demoro um pouco para me enturmar, especialmente se for num grupo que não tenham muitas pessoas conhecidas.

Mas a minha principal dificuldade é conversar com pessoas estranhas. Minha segunda dificuldade é escrever textos de forma coletiva. Como os professores acham que isso pode dar certo? Não acham e não pode. Nossa, então cada um vai mandar um pedaço e algum besta vai emendar a colcha de retalhos.

Eu gosto de silêncio. Eu gosto de estar sozinha em determinados momentos, especialmente quando estou estudando, ou seja maior parte do meu dia. Portanto pessoas por perto às vezes só fazem me atrapalhar. Porque as pessoas conversam o tempo todo. As pessoas falam demais. Eu não aguento isso. Eu adoro os momentos em que fico calada para poupar minha voz. E o povo fica tagarelando, aff. Enfim, eu sou chata. Valorizo meu silêncio, minha paz. Eu funciono melhor sozinha.



Rafaela Valverde

quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

Que burra, dá zero pra ela!


Eu hoje estou ouvindo Los Hermanos, minha banda preferida. Eu cheguei e decidi que ouviria a sofrência deles, a poesia deles. Eu cheguei da faculdade depois de uma prova desastrosa, da matéria que está me acabando esse semestre: morfologia. Eu pela primeira vez na minha vida universitária chorei fazendo uma prova, no meio de uma prova.

Chorei e não tenho vergonha de falar. Essa situação toda, a universidade e alguns professores é que deviam se envergonhar de fazerem isso com a gente. Porque sei que não sou só eu sofrendo. Não dá para dizer que não me interessei, que faltei aulas, que não fiz os exercícios, que não li os textos, que não estudei. Não. É impossível dizer isso.

Eu fiz tudo isso. Desde que o semestre começou eu só faltei dois dias de aula e mesmo assim um foi no dia 21/12! Eu estudei esses dias como uma louca. Mas não caiu o que eu estudei, da forma que eu estudei. Os exercícios feitos em sala de aula tinham um nível e a prova teve outro nível completamente diferente. Eu fiquei muito frustrada, me achando incapaz, burra. Fiz até um desabafo no Facebook lamentando essa sensação de fracasso que a gente suporta dia após dia na universidade. O problema  está cada vez maior e mais sério e ninguém se importa.

Eu risquei a prova com força, eu não consegui me controlar, eu chorei e eu saí com os olhos inchados. Eu nunca me senti tão burra como me sinto nesse um ano que estou na UFBA. Um ano que se completa hoje inclusive. E assim que eu estou comemorando. Com um gosto amargo na boca, com essa sensação terrível de ser burra, cada vez mais burra. É uma disciplina pesada, com muitos conteúdos, muitos nomezinhos e conceitos confusos, muitas vezes até bem parecidos. É mais um desafio que perco, mas no entanto sei que justamente pela matéria ser assim, um exercício poderia ter sido feito antes para ajudar, mas enfim, não vou ficar culpando ninguém, nem mesmo a mim.



Rafaela Valverde

domingo, 11 de dezembro de 2016

Filme Preciosa - Uma história de esperança

Assisti o filme Preciosa - Uma história de esperança de 2009. Desde o ano passado já haviam me indicado esse filme, mas só agora pude assistir. O filme  dirigido por Lee Daniels é estrelado por  Gabourey Sidibe, Mo'Nique, Paula Patton e ainda tem Mariah Carey no elenco.

A história de Preciosa se passa em 1987, no bairro do Harlem, em Nova York e Claireece "Preciosa" Jones (Gabourey Sidibe) é uma adolescente 16 anos que vive condições precárias, sendo estuprada pelo pai e espancada pela mãe. Preciosa já tinha uma filha, chamada de "Mongo" por ter Síndrome de Down, fruto dos abusos sexuais aos quais é submetida. E agora espera um outro bebê.

Um dia, recebe a orientação de ir para uma escola diferente, uma escola "onde um aprende com o outro" e nessa escola  encontra amigas verdadeiras e é durante esse período que tem seu segundo filho. A história de Preciosa é forte. Ela sofria bullying na escola anterior, é preta e gorda, além de todo o sofrimento que passa em casa.

A mãe depende dela para continuar ganhando dinheiro sem trabalhar, os abusos sexuais do pai continuam e todos os problemas que decorrem disso também. Até que um dia Preciosa recebe uma notícia que vai mudar sua vida para sempre.



Rafaela Valverde 

terça-feira, 1 de novembro de 2016

Transição - Maria da Conceição Paranhos

Expressar.
Esquecer os atalhos, os desvios, a fuga.
Este é o lugar : fincar raízes
em solos aéreos, improváveis.
Decifrar imagens no espelho
esmerilhado por desastrado gesto.


Cirandas na ausência,
mãos tateando o escuro,
o turvo elemento, o verbo,
que depende.


Como depende.
Essa linguagem perseguindo
a atenção do silêncio.
Signos anunciam, seio conhecido, Vita nuova:
"Amar-te-ei em excesso após a morte.
Ninguém cantará teu amor como eu".


Cantor de improviso,
de onde vens e de onde extrais
essa sabedoria imprudente?


Começa agora outro dia.
O poeta canta.
O poeta canta.
Por males que não espanta.



Rafaela Valverde

sexta-feira, 28 de outubro de 2016

Livros Sete Erros aos Quatro Ventos - Marcos Bagno


O livro Sete Erros aos Quatro Ventos de Marcos Bagno traz uma análise sobre alguns livros didáticos adotados pelo PNLD. Esses livros trazem estudos linguísticos pautados ou não - a às vezes mau pautados, na variação linguística e sociolinguística. Bagno critica de forma contundente certas formas de abordagens da língua portuguesa.

Há muitos exemplos dos LDs (Livros Didáticos) que são utilizados em sala de aula, exemplos de exercícios, abordagens, tirinhas, etc. O trabalho do professor de língua portuguesa também é destacado no livro, no sentido de ser bem formado e usar a sua formação para distinguir os bons LDs e as melhores formas de utilizá-los. Ou não utilizá-los quando não for necessário para a sua prática pedagógica.

Bagno também trata um pouco da formação de alguns dos escritores desses livros utilizados nas escolas brasileiras e aprovados pelo programa do governo federal e do MEC. Ele questiona como pode professores, mestres, doutores na área de letras tão bem formados - a maioria em boas universidades do Sudeste se propõem a escrever ideias tão arcaicas e ultrapassadas sobre a língua. Há muitos questionamentos ao longo de todo o livro.

Da formação dos professores ao uso da língua como mecanismo de poder diante de uma estrutura social, onde quem fala "bem" e "certo" é mais prestigiado socialmente e tem mais dinheiro e poder na sociedade. Essas pessoas ajudam a perpetuar a ideia de erro, a ideia de língua errada, desvios, língua selvagem e vários outros apelidos que dão às normas populares.

Bagno, a quem eu tive o prazer de conhecer em Brasília e que autografou esse livro para mim, traz de forma muito clara e direta informações e saberes sobre a nossa língua, sobre as variedades e sobre os principais erros cometidos pelos livros didáticos. Norma padrão não é o mesmo de norma culta! Norma padrão é um ideal de língua, ninguém fala a norma padrão. Ela é um padrão. Ela é tratada por Faraco - como bem citado por Bagno - como norma curta. Algo que querem que a gente fale e nos empurram guela baixo.


Rafaela Valverde

quarta-feira, 26 de outubro de 2016

A professora e coreógrafa Lia Robatto

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Lia Robatto é coreógrafa, dançarina e professora, nasceu em São Paulo mas mora em Salvador desde os anos 1950 quando veio ser assistente da professora de dança russa Yanka Rudzka que veio fundar a escola de dança da UFBA. Continuou dançando, se aperfeiçoando e virou professora de dança, fazendo a graduação de bailarina.

Casou - se com o fotógrafo e arquiteto Sílvio Robatto e fez história na dança da Bahia. Lia criou nos anos 1960 as suas primeiras coreografias para a Companhia de dança da UFBA. Após um tempo foi para a escola de teatro, onde trabalhou por um tempo, retornou posteriormente  à escola de dança. Onde ficou e deu aulas até se aposentar em 1982.

Em 1983 tornou se diretora do departamento de dança da FUNCEB, onde criou uma escola de dança. Criou ainda  a Usina de Dança do Projeto Axé.  Trabalhou na secretaria de Cultura da Bahia e montou vários espetáculos encenados pelo Balé do TCA, Grupo Experimental de Dança e outros.

Lia publicou três livros sobre dança. Dois pela editora da UFBA  e um outro pela editora da Casa de Jorge Amado com Lúcia Mascarenhas. O trabalho de Lia é grande. Ela ainda é diretora, dramaturga, curadora, etc. Passei a conhecer um pouco seu trabalho por causa da minha pesquisa de iniciação científica. Mas como a maioria dos seus espetáculos são relacionados à dança, eu e minha orientadora resolvemos mudar.

Lia recentemente doou seu acervo para o Centro de Memória da Bahia que fica no terceiro andar da Biblioteca Pública da Bahia nos Barris. Eu tive a oportunidade  de ver algumas coisas e ter em mãos a lista de todo  acervo. É enorme. Quem tiver interesse, passa lá. O pessoal é super acessível.



Rafaela Valverde

segunda-feira, 17 de outubro de 2016

Terapia


Comecei a fazer terapia. Finalmente. Sabia que precisava há muito tempo. Após uma série de desabafos de alunos da UFBA veiculados na mídia, falando sobre o mal estar que vivemos hoje na universidade, onde vivemos atolados e infelizes; surgiram várias iniciativas para terapias para nós alunos. Uma delas foi lá mesmo, na UFBA.

É uma terapia em grupo, com um psicólogo formado pela UFBA. O grupo inicialmente seria de dez pessoas mas estamos em seis. Já no primeiro dia, me fez muito bem ver aquelas pessoas passando por quase as mesmas coisas que eu venho passando. Sabe, de repente a gente deixa de achar que a culpa é nossa por não estar suportando e percebe que há uma instância maior, que atinge muitos alunos.

A gente não tem tempo para fazer quase nada do que a gente gosta no decorrer do semestre. A gente não conta com compreensão e flexibilização por parte de alguns professores. A gente tem que lidar com prepotência e desorganização. A gente praticamente não têm férias. A gente acaba odiando tudo isso. A gente odeia a área que a gente ama, a gente odeia ir às aulas, a gente odeia as pessoas. Tudo.

A gente só quer se formar logo. E assim tem gente lá do grupo que pega nove, sim eu disse nove disciplinas para poder terminar e se livrar logo. Isso é um sofrimento, é opressor. A gente passa até 12 horas dentro da universidade, a gente perde o prazer de fazer outras coisas, de fazer coisas que a gente gosta. A gente não têm mais tempo, na verdade. A gente pensa: "com tantas coisas para fazer, eu tô aqui vendo série, ou aqui vendo o pôr do sol."

É triste, é tenso. Mas estou conseguindo me libertar um pouco disso. Decidi que enquanto eu estiver sem trabalhar eu não vou estudar aos finais de semana e feriados, eu vou me organizando durante a semana e por enquanto está dando certo. Fico a semana toda atolada, mas consigo. Uma outra atitude que estou tomando para descansar a minha mente de toda essa agonia é ver um episódio da série que estou assistindo por dia. Ler outros assuntos, escrever, ouvir música, mesmo que seja no ônibus ajuda bastante. A nossa mente merece, o nosso corpo merece. Não dá para trabalhar o tempo todo, cumprir prazos o tempo todo e viver no standy by, no automático, sempre cansada, só sobrevivendo ao invés de viver plenamente.



Rafaela Valverde

quarta-feira, 5 de outubro de 2016

O "amarelo"


No último domingo estive na escola que estudei a minha infância inteira até os 14 anos. Há cada dois anos eu vou a essa escola que fez parte da minha vida. Vou lá votar. No último domingo após o fim das eleições eu esperava numa cadeira  e comecei a observar o pátio da entrada do colégio. Ainda há um telefone público na entrada. Lembro das ligações que já fiz naquele telefone público.

Olho para o chão, ainda é o mesmo. A estrutura é basicamente a mesma, mas há mais um portão e câmeras. Ao mesmo tempo em que a escola é a mesma, ela mudou muito. Saí de lá há treze anos e ainda nem tinha ensino médio quando saí. Era só até o ensino fundamental II. Lá fiz muitas travessuras, lá fiz amigos e inimigos que duram até hoje. Lá eu vivi coisas boas e ruins. Mais ruins, para falar a verdade.

Sofri bulliyng, sensação de fracasso escolar, "amores" não correspondidos e sofri a precariedade da escola pública. Eu vi aquela escola nascer e antes ela ainda era mais precária. Há vinte anos, eu tinha sete anos e estava na segunda série do ensino fundamental I. Havia saído da escola particular, onde estudei na pré escola e fui estudar nessa escola que era pequena, com apenas sete salas de aulas, quatro de madeira. Sim, a escola era um amontoado de compensado.

No ano seguinte começou uma reforma que durou mais de um ano, ficamos sem escola nesse ano. Minha mão não podia pagar particular e a outra pública era ainda pior, mas ainda assim era melhor que nada, até hoje não entendo isso, mas enfim... Quando finalmente a reforma foi concluída e a escola foi entregue com a estrutura que ela tem hoje todos nós ficamos maravilhados e achamos aquilo tudo a última e mais moderna revolução educacional. Até passamos a chamar carinhosamente o colégio de "amarelo" devido a cor do seu prédio. E é assim até hoje. Simplesmente amarelo e pronto.

Sim, então enquanto estava sentada lá esperando meu trabalho como presidente de mesa terminar eu vi num grande mural que tem logo na entrada um aviso informando que devido à morte da professora Graça as provas seriam canceladas e adiadas para a semana seguinte. Ela morreu no dia 27/09 e era uma professora que eu gostava muito, fiquei arrasada quando soube da notícia. Aquilo me encheu de tristeza e ao mesmo tempo saudade dos anos em que estive ali. Só queria prestar mais essa pequena homenagem a minha professora de português/ inglês de quase toda minha vida escolar e a escola que eu estudei que apesar de sofrer com a precariedade foi onde eu estudei.




Rafaela Valverde

sexta-feira, 19 de agosto de 2016

Por que a escola não serve para (quase) nada? Gustavo Ioschpe

Vi esse texto em um livro e gostei bastante dele até por que eu concordo muito com isso e já vi exemplos dos que eram os "cu de ferro da sala" terem apenas se formado em ADM por exemplo em uma faculdade particular dessas normais, enquanto algum outro 'porra louca', classe onde eu me incluo apesar de ainda não estar com uma carreira, muito menos em engenharia, passar em cursos como engenharia em universidade federal. Apesar disso não querer dizer nada, a gente sempre acaba caindo nessa de classificar a pessoa por isso ou por aquilo. Desde quando fazia Pedagogia eu venho me questionando qual o papel da escola , se ela sabe qual é esse papel e se cumpre. Deixo com vocês esse texto que é do ano 2000 mas é cada vez mais atual.

Imagem da internet



Por que a escola não serve para (quase) nada?

GUSTAVO IOSCHPE
Colunista da Folha 



Sempre me intrigou o fato de que os melhores alunos terminam não repetindo o sucesso escolar vida afora e, ao mesmo tempo, que as pessoas de grande êxito em suas atividades foram, frequentemente, maus alunos, ou pelo menos nada brilhantes. Não são inquietações que me surgiram agora, mas já na época de estudante.
Nessa mesma época, de estudante secundário, comecei a sentir um profundo incômodo com a vida estudantil. Quando criança, tinha muito prazer em ir ao colégio, em aprender aquelas coisas novas todo dia, em resolver mistérios. A educação é o mecanismo de inserção mais poderoso que há: com ela, penetramos no mundo e nos sentimos participantes da nossa realidade. A grande parede de ignorância que nos barra da compreensão do universo vai aos poucos sendo derrubada.
Mas, em um certo momento, lá pelo fim do primeiro grau, o encantamento se quebrou. Não sei se eu é que perdi a ingenuidade, ou se foi a escola que mudou, mas ficou tudo esquemático, mecânico e completamente broxante. A relação com o professor, que antes era de companheirismo e admiração nessa viagem de descobrimento, virou burocrática e antagonística. Pairava no ar o reconhecimento mútuo de que entrávamos em um teatro, onde mestres e pupilos eram atores secundários e o papel principal ficava a cargo da mediocridade, a se infiltrar e dominar tudo. Ela ditava que o nosso papel ali era de fingidores: o professor fingia estar ensinando e se interessando pela inteligência de seus alunos, e o aluno fingia estar aprendendo e absorvendo conhecimentos que lhe seriam úteis.
No fundo, todos sabiam que grande parte do que se ensinava ali era inútil e desinteressante, mas, enfim, caía no vestibular, então o que é que se havia de fazer, né?
Assim, passei, como todos os meus colegas, anos e anos regurgitando o que diziam os livrinhos que os professores nos indicavam. Líamos grandes livros, falávamos sobre grandes personagens históricos, mas o que ficava eram perguntas sobre o enredo, pedidos de descrição de eventos e causas. Nenhuma elucubração, nenhum desejo de ir além do texto, nenhuma tentativa, enfim, de pensar e imaginar. Qualquer tentativa de dizer algo diferente ou pensar o proibido era (e continua sendo) punida com canetaços vermelhos e notas baixas ou, em casos mais severos, conversinhas com orientadores pedagógicos e coordenadores educacionais (nomes infames para cargos que se resumem aos de carcerários do presídio de almas que é a escola moderna).
Assim, o sistema educacional transformou-se numa máquina produtora de mediocridade e resignação, que vai aos poucos filtrando os inconformistas e deixando-os de lado, rotulando-os como "problemáticos". Matando o espírito questionador, já que qualquer pergunta desafiadora é vista como um desafio à autoridade. Por isso é que os bons alunos não raro têm vida escolar apagada, e os maus alunos se saem bem: fora das paredes da escola, o espírito crítico, a imaginação e a vontade de fazer diferente são fatores indispensáveis ao sucesso.
O que só comprova a impressão de que colégios viraram exatamente aquilo que foram criados para combater: templos da gratificação da mediocridade e da mesquinharia; fortalezas que massacram aquilo que há de espontâneo nos jovens, e os "preparam para a vida", dando-lhes a garantia de sobrevivência que é, ao mesmo tempo, a garantia de uma vida sem saltos, voltas, dúvidas, explosões, entusiasmos, descobertas, angústias e fascínios. Tudo, enfim, que faz com que a vida valha a pena.
P.S. Antes que o tradicional espírito de porco pergunte se me imagino um gênio incompreendido, confesso que passei minha temporada escolar perseguindo notas altas e me empenhando em ser o melhor da classe, mesmo sabendo a falência moral que isso significava. O que só me entristece e envergonha.

01/05/2000



Rafaela Valverde

terça-feira, 16 de agosto de 2016

Sociolinguística

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A partir dos anos 1960 os estudos linguísticos passaram a se interessar também por questões relacionadas à sociologia. A sociolinguística nasceu da preocupação com áreas como a antropologia, sociologia, psicologia relacionadas à linguagem e à sociedade. O termo sociolinguística surgiu em 1964 em um congresso organizado poe William Bright em Los Angeles. Porém, antes no início do século XX, já haviam iniciado os estudos e a preocupação com os temas e suas relações.

William Labov reage às ideias de Chomsky sobre a ausência de componentes sociais em seu modelo gerativo. Labov insiste na relação entre língua e sociedade e na possibilidade de sistematização da língua falada. Em 1963 ele publicou um trabalho que destacava fatores  sociais para entender as variações linguísticas. Esses fatores poderiam ser  idade, sexo, ocupação, origem étnica entre outros.

A língua falada é heterogênea e diversa. E é a língua falada, sua observação, discussão e descrição e  análise das situações reais, se torna o objeto de estudo da sociolinguística. Assim é estudado que cada comunidade linguística utiliza maneiras diferenciadas para falar. Essas diferenças são chamadas de variedades linguísticas. O conjunto de variedades utilizadas  em uma comunidade é o repertório e as variações podem estar inseridas nos planos diacrônico (histórico) e sincrônico (época determinada ou atual).

Há diferenças no português falado nas regiões brasileiras. Essas diferenças podem ser lexicais, fonéticas, fonológicas, sintáticas e morfossintáticas. As variações podem se relacionar ao lugar ou região (variação diatópica), à formalidade da situação de fala (variação diafásica) e a aspectos socioeconômicos, escolaridade e contexto social (variação diastrática).

Cada variação pode ocorrer em uma região do país por exemplo. Ou mais de uma. Vai depender da comunidade em que os falantes estejam inseridos. A variação é inerente às línguas naturais segundo a sociolinguística, por isso é inevitável que uma língua natural falada não tenha variação. A gramática normativa nega essas variações e  prescreve que falamos exatamente como escrevemos.

Daí pode se abordar o preconceito linguístico, já que as gramáticas normativas são feitas pela elite que exige que falemos como eles acham que é o português certo e bonito. Com isso as variação diastrática e diatópica, que são relacionadas à questão das classe sociais e de lugares menos abastados são a mais tolhida pela "elite" . Ou seja, para a classe dominante quem fala "errado" são as pessoas pobres, sem educação, desempregadas e que moram na periferia ou na região Nordeste. Porém a SL não considera variações como agramaticais, ao contrário, nossas variações de cada dia são inteligíveis e nós como professores temos obrigação de mostrar aos nossos alunos que existem diferenças linguísticas e que não há quem fale certo ou errado, melhor ou pior. Os alunos não podem ser menosprezados por suas variantes e sim devem ser conscientizados sobre a adequação a depender de onde eles estejam.



Rafaela Valverde


quinta-feira, 11 de agosto de 2016

Como não enlouquecer com tantas obrigações? Aprendendo a desacelerar...

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A gente vive correndo. Corre, corre e anda. Luta contra o tempo e quando percebe o tempo já passou. Quando a gente se dá conta o ano já acabou e lá vêm as luzes irritantes de natal. A gente faz exercício fala sobre astrologia, bebe num barzinho com amigos, estuda, trabalha, dorme pouco, cumpre a promessa de vida que recebemos ao nascer.

De repente a gente passa a observar com mais detalhes as vidas dos outros. As pessoas correm. Todas elas. Ainda que os objetivos sejam diferentes está todo mundo meio que no mesmo barco. De repente aquela fulaninha que era totalmente o oposto da gente na escola, e se escondia atrás da cara de santa, decide levar uma vida meramente tradicional que não condiz exatamente com a imagem que fazíamos dela.

É claro que ninguém fica para sempre com ideias de quando tinha 15, 16 anos. As pessoas mudam o tempo todo. Nós mudamos e essa é, para mim, uma boa característica, principalmente se for para melhor. Mas o que eu falo é sobre a pressão que temos de levar vidas padronizadas e tradicionais. Namorar anos com a mesma pessoa, se formar, noivar, casar, depois filhos... Sempre nesse ordem cronológica.

Uma ordem ditada por quem? Por todos. Somos pressionados desde que saímos da adolescência. Somos ejetados para a vida adulta cheios de obrigações e prazos que temos que cumprir antes dos 30, ou seja em menos de dez anos. O que será que as pessoas estão pensando ao tratar seus filhos assim? Em tratar gente jovem assim? Como se fossem seus capachos!

O resultado de tudo isso é a formação de jovens cansados, colunas idosas, doenças psíquicas, pânico, ansiedade, suicídios... É isso o que a gente tem passado correndo todos os dias, dormindo quatro, cinco horas. Começando o dia muito cedo e terminando muito tarde devido as milhares de obrigações que somos obrigados a abarcar. Sem reflexão, sem crítica e em alguns casos sem ética.

Alguns podem dizer que nossa vida mudou muito em relação aos jovens de gerações passadas. Hoje temos tecnologia e muitas facilidades. Mas se vocês soubessem o ônus disso tudo. Nós vivemos cansados, a gente dorme mas não descansa, a gente vive correndo e não olha mais para o outro. E não é de propósito, simplesmente TEMOS QUE CORRER! Senão não dá tempo. Não há flexibilidade de nenhum lado, principalmente da universidade que continua tratando os atuais estudantes como os de antigamente. Eram muito poucos e em sua maioria não precisam trabalhar ou não tinham tanta concorrência. Não precisavam se acabar tanto. Sinceramente: eu sei que hoje a gente têm mais obrigações do que as que vocês tinham. Trabalho, estágio, Iniciação Científica, TCC, curso de línguas, vida social, visita à casa de parentes, mestrado, teses, trabalhos, seminários, milhares de textos, prazos, pressão, pressão... Olheiras, cansaço mental, esquecimento, café, drogas para dormir, drogas para se manter de pé! E ainda temos que ter opiniões e ser engajados. Ah faça me um favor!

Hoje depois de um desabafo em sala de aula uma professora conversou comigo e me questionou se realmente vale a pena se acabar tanto para cumprir todos os prazos que a sociedade e a vida exigem. Ela argumentou com literatura, com a experiência de vida que ela tem e com o oposto que ela é, já que ela sempre foi certinha e cumpridora de tudo. O que eu aprendi hoje é que não adianta tentar abarcar tudo com as nossas pequenas mãos. Alguma coisa sempre vai ficar de fora. E é bom que fique, nossa sanidade mental agradece.

Hoje cheguei em casa e relaxei. Comi um balde de pipoca vendo minha série atual decidi arrumar parte do meu guarda roupa que estava um caos. Sim, o meu quarto, os meus pertences estavam uma bagunça por causa de todas as minhas obrigações acadêmicas. Mas hoje eu decidi dar um basta e relaxei. Nada mais vai tirar a  minha paz, se não der para estudar tudo ou entregar tudo eu não o farei. Eu só não posso enlouquecer como estava fazendo nos últimos dias por causa das inúmeras atividades que tenho!




Rafaela Valverde

segunda-feira, 18 de julho de 2016

Como fazer um resumo

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Muitas pessoas não sabem como fazer um resumo. Acho que até hoje eu não sei direito (hehehe), mas já melhorei muito ao longo dos anos. Primeiramente antes de começar a resumir é preciso ler e reler várias vezes o texto. Em seguida é importante sublinhar os pontos considerados mais importantes do texto. Pode fazer um fichamento rápido.

É necessário ter uma noa noção de interpretação de texto para entender o que está sendo dito e quais são as ideias principais e secundárias. Em seguida, é bom organizar essas ideias principais em uma certa ordem com as suas próprias palavras. É interessante ter em mente o que está sendo dito no texto e como você explicaria esse assunto para alguém. Isso ajuda na hora de escrever.

Resumir basicamente é ler, analisar e escrever em poucas linhas o que é importante para o leitor saber. Não se deve copiar trechos do texto original, toda a escrita - apesar de se basear no texto original - deve ser de sua autoria, com as suas palavras e o seu estilo. O resumo deve apresentar de forma breve, concisa e coletiva um determinado conteúdo.

Apesar de não poder repetir as palavras do autor pode estar no resumo os exemplos e dados secundários dados pelo autor. O resumo deve ser coeso, um texto lógico, não um monte de frases soltas. Alguns autores indicam que há três tipos de resumo:

Resumo indicativo: Indica apenas os pontos principais do texto, não apresentando dados qualitativos, quantitativos, etc.
Resumo informativo: Informa ao leitor sobre o texto, sobre a conveniência da leitura do texto inteiro. Conta ainda com finalidades, metodologia, resultados e conclusões.
Resumo crítico ou resenha: resumo escrito por especialista com análise interpretativa de um documento ou texto.

Um resumo, como o nome já diz deve ser resumido. Se trata de um texto conciso. Partes desnecessárias como adjetivos, advérbios ou equivalentes. Diminuição de expressões por uma palavra, construções novas com substituições de termos que tornem o texto mais enxuto são essenciais para a elaboração de um bom resumo.

Informações como os dados do texto, autor, título ano de publicação e gênero da obra devem constar no resumo. Deve se usar conectivos para relacionar as ideias principais com as secundárias e assim escrever um novo texto. O autor do texto original deve ser mencionado diversas vezes ao longo do texto com expressões como: "segundo o autor", etc.


Rafaela Valverde



quinta-feira, 14 de julho de 2016

Livro Português ou Brasileiro? um convite à pesquisa - Marcos Bagno

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Terminei de ler o livro Português ou Brasileiro: Um convite à pesuqisa de Marcos Bagno. O autor discute um pouco da história da Gramática Tradicional e da Língua Portuguesa, além de tecer críticas diversas ao ensino tradicional da língua no Brasil. Ele aponta algumas possíveis soluções para o ensino, além de diferenciar o português falado em Portugal e o português brasileiro.

Bagno fala sobre as suas pesquisas na área. E traz outras formas de pesquisa. O que e como pesquisar na área. O livro traz diversos exemplos do que se fala e do que é ensinado nas escolas. Um é diferente do outro. A Gramática Tradicional exclui o falante e traz formas totalmente em desuso no Brasil, mas algumas que ainda são faladas em Portugal.

Logo há duas línguas diferentes. O português de Portugal e o Português brasileiro. Esse último é o que deve ser ensinado no Brasil. Formas como si, consigo, entre outras, não são mais utilizadas pelo falante brasileiro, mas ainda assim são ensinadas e repetidas como verdade absoluta ano após anos nas escolas brasileiras. Fazendo com que o aluno da língua ache a difícil, complicada. Esse aluno acaba sendo excluído, por que não "sabe falar certo" ou não.

Assim, o professor de Língua Portuguesa ou Brasileira é convidado a refletir nos usos da língua em nosso país. Além de refletir, o professor também é convidado à pesquisa. Algo que é extremamente citada no autor como importante para aperfeiçoar as práticas de ensino e talvez com mais conhecimento do professor consiga se diminuir um pouco desse abismo entre língua e alunos. Que a GT e ensinos descontextualizados não sejam mais a base do ensino da Língua Brasileira.



Rafaela Valverde


terça-feira, 12 de julho de 2016

Seu mestrado e doutorado não te fazem melhor que eu

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Alguns dos que se intitulam os melhores e maiores professores, mestres e doutores, que acham que têm todo o conhecimento e a gente até se sente intimidado em falar alguma coisa que os desagrade estão destruindo nossa sanidade dentro das universidades. Principalmente nas universidades públicas, onde o tempo de casa, titulação e estabilidade não lhe impõem medo. Afinal, dentro das instituições públicas não há a preocupação de perder o emprego. Pelo menos na maioria das vezes.

Isso porque em alguns casos o professor tem uma contratação toda remendada e mal explicada e ainda assim se acha o rei da cocada preta. A empáfia sai pelos poros desses professores e eles quase entregam que foram os Cu De Ferro da época da escola. Bem, pelo jeito algo mais contém ferro no corpo desses indivíduos, devido ao tamanho da dureza e inflexibilidade que são traços típicos de suas atitudes em sala de aula.

É claro que não são todos, eu não estou aqui generalizando. E nem estou querendo dizer que esses professores que agem assim são pessoas ruins nas suas vidas pessoais. A questão aqui é o comportamento dentro do ambiente de endeusamento que pode ser o ambiente universitário algumas vezes. Afinal de contas, a maioria daqueles alunos sentados ali não sabem nada mesmo, em muitos casos acabaram de sair do ensino médio e encontram professores com doutorado fora do país e pós doc em arrogância.

Aliás sabe o que significa a palavra aluno? Significa sem luz, sem conhecimento, sem saberes, uma tábula rasa como diria Locke. Mas enfim, voltando aos tchuc tchuc fofos dos professores que encontramos por aí a fora que arrotam saber tudo mas vão para debaixo da terra como todos nós. Que não cumprimentam funcionários mas querem respeito incondicional do seu aluno.

O estudante coitado já tão pressionado, pobre, com milhões de coisas para ler e trezentas xerox para tirar, filas, trabalhos, prazos, pesquisas, aulas e tantas outras demandas, têm que se virar nos trinta muitas vezes simplesmente porque o professor não pode e não quer se dar ao trabalho de mudar algumas práticas didáticas abusivas e carniceiras. Mesmo só tendo aquele trabalho, aquela pesquisa, aquele tudo. Tudo é o mesmo tema e é para uma cabeça já madura. Enquanto nós alunos estamos perdidos e confusos sem ao menos apreender direito por que tem que dar conta de tudo e é muito, muito mesmo.

Essas práticas didáticas são anacrônicas, têm cabresto. O professor é antiquado, não escuta sugestões e parece que tem um prazer sádico em fazer o aluno sofrer. Eu até sinto um risinho no canto da boca de alguns, um prazer quase orgástico em ver o aluno se acabando. Afinal com ele também foi assim, ele também se acabou não é mesmo? Por que esse aluno tem que ficar de boa com apenas um texto por vez? Não! Agora é a hora da vingança.

Aliás alguns professores, além de não terem nenhuma didática e parecer estarem falando suas teorias consigo mesmo, esquecem que já foram alunos. E talvez há não tanto tempo assim, viu? Muitos professores são jovens, acabados de sair do mestrado, ou nem saídos e já se contaminaram com esse bichinho. O bichinho da crueldade que vem fazendo alunos pirarem e odiarem o ambiente acadêmico.

Como se já não bastasse toda a situação de pressão, todas as demandas e atividades, o estudante tem que chegar no horário, atrasos são inadmissíveis, por que eles já andaram de ônibus, mas agora têm carro então que se dane o idiota- sabe-nada que está vindo para essa universidade todos os dias. Eles acham que a universidade é o reino deles, afinal mestrado e doutorado dá coroa né? NÃO! Nem educação doméstica e humanidade!



Rafaela Valverde

quinta-feira, 2 de junho de 2016

Livro A morte da Amada e Outros Poemas Rasgados - Nívia Maria Vasconcellos

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O livro A morte da Amada e Outros Poemas  Rasgados é um dos livros  de Nívia Maria Vasconcellos, mestra em Literatura e Diversidade Cultura, especialista em Estudos Literários e formada em Letras pela UEFS  e por acaso foi minha professora nesse semestre. Haha. O livro foi lançado em 2013 pela editora Mondrongo de Ilhéus.

O livro traz vários poemas de "sofrência" vamos dizer assim. São poemas bem feitos e bem bonitos e basicamente tratam do mesmo tema: final de relacionamento, final de um amor, de um sentimento. Mas também recomeços. O fim  de um ciclo para o início de outro. A dor do término e seu fim. O nascimento de um novo amor, após o fim de um outro. Exatamente o momento em que eu estou passando agora.

O melhor de tudo é que eu li aquelas palavras de dor e não senti mais dor. Eu não sinto mais dor. Mas essa dor de amor é bem utilizada por artistas e escritores, sobretudo os poetas, para as criações de suas obras. É um tema sempre recorrente e sem fim. Enfim, o livro têm vários poemas maravilhosos. Alguns eu gostei mais. Esses eu marquei com um marcador de textos bem fluorescente e vou digitar um deles aqui.  E na verdade eu acho que esses poemas são partes de um mesmo poema gigante, mas como eles estão em páginas diferentes e com números, eu vou interpretá-los como poemas diferentes. Eu já havia divulgado um e agora vai outro:

Amar teu nome,
A lembrança de ti que ele carrega
E a tudo que se refira ao que és:

Cachos, unhas, olhos, pele.

Amar o meu desejo
Por ti e por teu sorriso leve,
Causá-lo para meu deleite.

Amar teu abdômen,
O prazer que ele revela
E a tudo que teu corpo traz.

Amara ti, voz e gozo,
E só a ti dedicar:
Canções, poemas e dias.

É o que anseio: amar a ti
E transformar momentos
Em líquidas alegrias.

E ainda que digam: "não vá ali!"
Estar contigo vale cada risco.

Cada medo de simplesmente estar...



 Rafaela Valverde






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