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sábado, 14 de julho de 2018

Filme Tungstênio

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Essa semana assisti o filme Tungstênio. Foi lançado no dia 21 de junho, está em cartaz no Espaço Itau de Cinema e é um filme gravado aqui mesmo em Salvador, na praia da Boa Viagem, no Forte de Nossa Senhora de Monte Serrat, Ponta de Humaitá, Ribeira, Massaranduba e Gamboa de Baixo. Nem preciso falar sobre a fotografia, tendo em vista essas belezuras de paisagem. O filme é baseado na obra homônima de HQ de Marcelo Quintanilha (2014). Dirigido por Heitor Dhalia, o filme cujo o nome faz referência ao metal mais pesado da tabela periódica, o que já dá a entender quantas tensões podem ser trabalhadas e são, traz o excelente Fabrício Boliveira, a maravilhosa Samira Carvalho, José Dumont, Wesley Guimarães entre outros. Existe ainda a narração onisciente do excelente ator Milhem Cortaz, o que é um dos recursos mais importantes e diferenciais do filme. Pois não é uma narração comum, na minha opinião. O uso ilegal de explosivos para pesca é o estopim para a tensa trama bem atuada e bem dirigida. Seu Nei, vivido por José Dumont  é um sargento aposentado ainda um tanto obcecado pelo poder e é ele quem vê os pescadores. Fica muito nervoso e exige que se repeite a lei e afirma o tempo todo que "no tempo dele as coisas não eram assim." Os diálogos são bem marcados acerca de determinado tema e as cenas de brigas, violência e amor se intercalam. Com câmeras localizadas em locais diferenciados, o diretor tenta mostrar os mesmos ângulos da HQ. Ele afirmou que foi o mais fiel possível à premiada HQ (Festival Internacional de Quadrinhos de Angoulême na França, na categoria Thriller). Marçal Aquino e Fernando Bonassi são os roteiristas e o produtor associado foi Guel Arraes. O filme gravado em 2016 é muito bom e vale a pena assistir. Ainda está em cartaz, mas não sei até quando. Então corram!



Rafaela Valverde

quarta-feira, 27 de junho de 2018

Breaking Bad

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Para alguns, a melhor série de todos os tempos. Para mim, a melhor série que assisti. Breaking Bad já ganhou muitos prêmios e é considerada uma das maiores séries de todos os tempos sim, pela revista Rolling Stone. Criada por Vince Gillian, a série que estreou em 2008, traz a história de Walter White (Bryan Cranston), um químico frustrado que dá aulas para o ensino médio e trabalha em um lava-rápido para complementar a já limitada renda familiar. Para piorar a situação, Walter descobre que está com um avançado câncer de pulmão e a partir daí, é claro, sua vida e sua percepção sobre ela mudam.

Preciso agora abrir um pequeno parêntese para informar que escreverei com muita paixão. Não tenho a intenção de escrever uma mera resenha descritiva, fria e isenta. Preciso mesmo, pelo menos tentar demonstrar através deste texto, o quanto gostei da série e o quanto me emocionei, me surpreendi e achei-a brilhante. Preciso escrever com paixão sobre Breaking Bad porque queria que todo mundo assistisse.

Pois bem, com incentivo do cunhado, que é policial de combate ao tráfico de drogas, Walter participa de uma batida policial e esse é seu primeiro contato com o famigerado ambiente do tráfico. A partir desse momento, Walter vê a possibilidade de deixar sua família bem financeiramente depois que ele morrer. Ele reencontra seu ex aluno Jesse Pinkman (Aaron Paul) e começa a "cozinhar" cristal ou metanfetamina em um trailer. Walter, com sua genialidade e seu conhecimento sobre química, aliado à Pinkman, que já conhece bem o mercado passa a experimentar uma nova sensação de poder e a ganhar dinheiro.

Sua esposa Skyler (Anna Gunn) fica sem saber durante um tempo sobre a doença e sobre a nova profissão do marido. Mas quando ela descobre sobre a doença, insiste que o marido faça o tratamento, mesmo sem saber de onde vinha o dinheiro. Skyler é uma grande personagem na série. Ela é o ponto principal de alguns conflitos e problemas enfrentados pelo marido. Sim, algumas das tensões e planos que davam errado para Walter se safar, eram causados por ela. Skyler começou como uma personagem pequena que foi crescendo ao longo do tempo. Uma dona de casa fútil, grávida,  que escrevia (até achei que a carreira dela de escritora seria mais desenvolvida na série, mas não foi, que pena!)

Assim como os outros personagens também cresceram. Parece que eles iam crescendo na medida em que a série ia avançando e tendo sucesso. Até li em uma das minhas pesquisas que Jesse seria um personagem pequeno que logo morreria, porém devido a química com o Sr. White, como ele o chamava, o personagem não só não morreu como cresceu e virou um dos personagens chave para para o andamento da série.

Com cinco temporadas, Breaking Bad, mostra o ser humano da forma mais humana e real possível, tendo em vista que afasta visões maniqueístas dos personagens. Ninguém nessa série é somente bom ou somente mau. São pessoas, corruptíveis e cheias de defeitos. Algumas pessoas afirmam que acabam gostando muito de Walter mesmo ele sendo criminoso. Eu não. Admirava-o por sua inteligência, mas não tinha ilusões, sabia que ele era bandido sim e que deveria pagar pelos seus crimes. E, na minha opinião, essa é uma das qualidades de um bom ator: ele é tão bom que se faz ser odiado. E Bryan prova ser um excelente ator. A maior desculpa de Walter é que entrara no crime pela família e essa seria sua maior motivação, mas em determinado momento da série ele admite que é por ele. Pelo poder, pelo prestígio de ser o Heisemberg, o cozinheiro do cristal azul, o melhor da região.

Com um filho adolescente e deficiente, Walt Junior (RJ Mitte) e um bebê a caminho, Walter sabe que não poderá estar presente na vida deles dali a um tempo, portanto, apesar do tratamento contra o câncer que o deixa debilitado, ele continua cozinhando e "aprontando" bastante na companhia de Jesse. E em determinados momentos a capa do "pela minha família" cai e a gente passa a perceber que Walter faz o que faz porque quer. Ele tem várias oportunidades de parar, ele não escolhe não matar ou não deixar morrer (quem assistiu vai entender!) pelo contrário, sempre que surge uma oportunidade ele avança ainda mais em sua vida criminosa. E para mim é essa é uma das genialidades da série e do personagem Sr White como eu gosto de chamá-lo.

Roteiro bem feito, bem organizado, com cenas mais antigas intercaladas e uma boa sequência. Além de uma excelente produção. Enfim, como eu disse: cheia de paixão! Não tem como ser diferente. Estou até com vontade de ver de novo, inclusive já revi o primeiro e segundo episódios com uma pessoa que indiquei. Podem me chamar de louca, mas gosto de qualidade, sei reconhecer minimamente algo bom quando vejo.

Além de tudo a série passa em Albuquerque, Novo México, local incomum para mim. Nunca vi produção feita nesse local. O que ajuda um pouco o roteiro devido a proximidade com o México, o cartel e todas as vertentes criminosas ligadas ao tráfico de drogas que todos nós já sabemos. Enfim, posso falar que amo essa série mais uma vez? Comprovadamente fenômeno mundial, Breaking Bad já ganhou inúmeros prêmios incluindo dezesseis Primetime Emmy Awards, oito Satellite Awards, dois Globos de Ouro e um Prêmio Escolha Popular. Em 2014, entrou para o Livro dos Recordes como o seriado mais bem avaliado de todos os tempos pela crítica. (Fonte: Wikipédia)

A série está na Netflix e eu assisti em um tempo recorde. Menos de dois meses. Agora, vou falar sobre algumas curiosidades que pesquisei e observei na série ao longo desse tempo. Claro que faltou falar sobre muitas coisas aqui. E óbvio que passaria o dia escrevendo sobre essa série. E não vou falar mais sobre detalhes do enredo ou do roteiro, porque seria spoiler para os desafortunados que ainda não assistiram ou que ainda estão assistindo. Rsrs Assistam e tirem suas próprias conclusões  e vejam o que acontece ao longo das cinco temporadas.

Pois bem, o nono episódio da última temporada foi dedicado ao fã adolescente Kevin Cordasco que morreu de câncer. Na época houve uma forte comoção do elenco e produção da série com esse fã. Até o visitaram. Achei bem legal a homenagem. "O ator principal, Bryan Cranston, declarou numa entrevista que "o termo 'breaking bad' é uma gíria do Sul que significa que alguém desviou-se do caminho correto e passou a fazer coisas erradas. E isto aplica-se tanto a um dado momento quanto a uma vida inteira." (Wikipédia)

Com tiradas engraçadas e cenas bastante violentas - a série arrancou gargalhadas e nervosismo de minha pessoa - Breaking Bad encerrou no ano de 2013. Em seguida, Vince Gillian começou a escrever e produzir a série Better Call Saul que é um um spin-off de Breaking Bad.  Better Call Saul trata da vida do advogado Saul Godman que foi advogado de Sr White. É isso. Amor eterno a Breaking Bad!



Rafaela Valverde




terça-feira, 12 de junho de 2018

Crescente fértil - Carina Castro

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enquanto estendo as roupas
no varal
torço
pra que não chova
enquanto eu estiver fora
seria toda uma tarde enxuta
encharcada
tem também aquela goteira
insistente
pra amparar
pode vir de vento
sem aviso
dependendo da força
entra pelas frestas
da janela
inundando dentro
enquanto se acaba
a civilização
lembro que tenho que me virar em comida
pra suprir fomes alheias
confirmo no calendário o dia que o gás acabou/
localizo a lua crescente
– tempo certo –
pra cortar
os cabelos
pra que cresçam
subo a ladeira quase-sem-fôlego
me sinto sedentária
lembro que tenho
um corpo
mas não lembro
quando assentei poeira no chão
finquei raízes
ergui e pari o mundo
[e o que fez de mim a civilização?]
concebia-me sem pecado
e me embalava com muita graça
quando não temia
a época das cheias
que batiam no peito
não dava pé e não sabia nadar
que vinham
lavando e levando tudo
trazendo feras
peixes à beira da loucura
num transbordar infinito
prateando tudo até que tudo apodrecesse
tornando a lama, lume
crescente fértil
leito de nanã
dou de beber a tantas sedes
que a estiagem sempre é certa
corro pra tirar as roupas do varal
mas no fundo quero
que meu corpo encharque



Rafaela Valverde

domingo, 18 de março de 2018

EPITÁFIO PARA O SÉCULO XX – AFFONSO ROMANO DE SANT’ANNA

 Olha que poema atual. Escrito em 1997 podia ter sido escrito agora em 2018. Afonso sempre escreveu poemas com temáticas sociais, especialmente durante o período da ditadura. Gostei muito desse quando li.


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Afonso Romano de Sant'anna

1.
Aqui jaz um século
onde houve duas ou três guerras
mundiais e milhares
de outras pequenas
e igualmente bestiais.

2.
Aqui jaz um século
onde se acreditou
que estar à esquerda
ou à direita
eram questões centrais.

3.
Aqui jaz um século
que quase se esvaiu
na nuvem atômica.
Salvaram-no o acaso
e os pacifistas
com sua homeopática
atitude
-nux vômica.




Rafaela Valverde

domingo, 4 de março de 2018

Intensa - Jarid Arraes

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não te quero como cerveja
social
entre conversinhas
com uma casualidade
e uma leveza
características

te quero como vodka
pura
e quente
de efeito forte
e de repente
te quero em muitas doses
e uma ressaca
que seja,
por favor,
recorrente.



Rafaela Valverde

sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

Série The Bletchley Circle

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Terminei de ver recentemente a segunda temporada da série  The Bletchley Circle. É excelente e bastante curtinha. As duas temporadas contam apenas com sete episódios, mas já soube que não haverá renovação para uma terceira temporada. Tem na Netflix e vale a pena assistir, a meu ver. A série começa nos anos 1940 durante a segunda guerra mundial. Nesse momento quaro grande mulheres trabalham em Bletchley Park, a serviço do governo, descifrando códigos criptografados dos inimigos. 

Susan, Millie, Jean e Lucy  são mulheres diferentes, com personalidades marcantes e cada uma tem um  talento peculiar. Assim, nove anos depois, elas se reencontram, incentivadas por Susan que as reúnem,  para tentar desvendar um crime que ainda não tinha solução. Um assassino de mulheres estava à solta e precisava ser contido.

Susan é boa com códigos e equações matemáticas, Millie é a mais inteirada dos meandros sociais e conhece muita gente, além de falar várias línguas; Jean ainda trabalha em um órgão público e conhece bastante gente influente e Lucy tem memória fotográfica, sendo capaz de memorizar qualquer coisa em qualquer tempo.

Quatro amigas. Quatro mulheres fortes que precisam lidar com seu próprio dia a dia - Susan é casada e tem dois filhos; Lucy também é casada - e ainda enfrentar preconceitos por serem mulheres. Nesse período havia poucas coisas que mulheres podiam fazer a não ser casar e ter filhos e ser realmente bem sucedida. Mas elas enfrentam os obstáculos com bravura, provando que mulheres podem fazer qualquer coisa que quiserem. Mesmo não sendo tão ouvidas assim pela polícia, elas continuam a investigar o crime e seguem com seu propósito até o final.

É fantástica, recheada de suspense, mistério, cenas bem feitas e fortes, além das atuações bem s guras das personagens. Praticamente em todos os episódios, as aparições dessas quatro mulheres muito capazes e maravilhosas. Assim como todas nós, que podemos tudo, inclusive desvendar crimes! A segunda temporada achei mais chatinha, sei lá, mais parada. Susan, minha personagem preferida, meio que sai um pouco de cena dando lugar a outra personagem que agora não lembro o nome.

O plano de fundo da série com certeza é a situação em que vivia a mulher naquele momento da história da humanidade. Traz em detalhes e /ou referências diversas questões que estavam lá no século vinte, mas que ainda estão, até hoje no século XXI, infelizmente. Vão lá e assistam. Pode começar um pouco chatinha, mas deem uma chance porque vale a pena.



Rafaela Vaverde

terça-feira, 28 de novembro de 2017

Filme Elefante Branco

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Assisti no final de semana o drama argentino Elefante Branco, do ano de  2012. Com direção de  Pablo Trapero, o filme conta com : Ricardo Darín, Jérémie Renier, Martina Gusman. Mas claro que Darín está no filme... Gracinhas à parte, sério, às vezes tenho a sensação que ele está em todo filme argentino... Mas ele é um grande ídolo por lá e realmente é bom ator, então, vou ao que interessa...

O filme traz os padres Julián (Ricardo Darín) e o padre Nicolás (Jérémie Renier) inseridos em um bairro pobre de Buenos Aires, a  favela de Villa Virgen. A região periferia é bastante violenta e os padre Julián, com intenção de ajudar as famílias que ali vivem, mora em uma construção abandonada. O prédio gigante que seria um hospital para os mais pobres está abandonado há anos e ali o padre vê possibilidades de melhorar a vida das pessoas que compartilham do mesmo endereço.

Todas as histórias secundárias vão acontecer a partir desse local tomado pelo tráfico de drogas e pela pobreza. Com negações advindas da igreja de continuar ajudando aquelas pessoas, os dois padres se unem e vão sozinhos enfrentar o que tiver de acontecer. E olhe que acontece muita coisa... O filme é bastante interessante, sobretudo no que diz respeito à vida dos religiosos, que querem ajudar pessoas, mas também seus próprios conflitos.

Com boas cenas de ação, atores convincentes e uma bela fotografia mostrando o verde e o dia a dia de uma grande cidade como Buenos Aires, o filme é mais uma obra prima argentina. Pelo menos a meu ver. Não especialmente no que se refere a roteiro propriamente dito. Mas o filme me ganhou muito mais pelas interpretações e fotografia. Fascinante. Não dá mais vontade de parar de ver.




Rafaela Valverde

terça-feira, 31 de outubro de 2017

Os dias sem panelas

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E agora onde estão suas panelas?
Sua indignação?
Jogou a culpa nelas
E agora tá perdidão!
A coisa só faz piorar
Corrupção, sujeira, a gente feito de otário
E a gente não consegue nem chorar
Um bando de salafrário
Lá no topo
Escolhido por nós
E a gente arrastando o corpo
Completamente sem voz
E agora onde estão vocês?
O que fazem com toda essa sujeira?
Empurram para debaixo do tapete,
Assoviam
E fingem que não é com vocês!
E aí? Onde estão suas panelas?




Rafaela Valverde

sábado, 7 de outubro de 2017

Mulheres, escrevam!

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Mulheres, escrevam. Se vocês têm o que dizer e querem fazê-lo escrevendo, façam isso. Hoje nós podemos, graças a muita luta. Mesmo em tempos conservadores como os nossos, estamos tendo mais espaço. Podemos falar por nós mesmas, ao invés de homens falarem. Temos voz. Temos inteligência e capacidade de escrever, de nos construir enquanto mulheres que escrevem enquanto fazem todas as outras atividades da vida cotidiana.

Eu sempre digo que escrever é um ato político. E é. Não se pode imaginar escrever de forma isenta e nem é possível. Sempre haverá um partido a ser tomado. Um ponto de vista a ser defendido. Escrever não é e não pode ser um ato mecânico, automático. Não. Escrever com consciência do ato de escrever. Escrever sabendo as implicações do ato. Escrever bem atenta. Essas devem ser nossas ações.

Mulheres, todas nós, que temos poesia em nós e sabemos disso devemos externá-la. Quanto mais mulheres atuando no mundo da escrita melhor para todas as outras mulheres. Assim, geraremos mais questões sobre nós mesmas;  aumentaremos o número de nós falando sobre nós mesmas. Tomaremos nosso lugar de fala, nossa voz. É muito importante ter voz. Já falaram muito por nós. Já disseram por muito tempo o que tínhamos que fazer e se tínhamos que fazer.

Escrever é registrar nosso eu livre, que está livre há tão pouco tempo. Não podemos nos calar. Sinto que é nossa obrigação moral escrever para que outras mulheres nos leiam. Para que nossas próximas gerações nos leiam. A luta ainda é grande, mas ainda seremos o que nossos filhos estudarão nas escolas daqui há algumas gerações. Estaremos registradas, para sempre. Não seremos poucas, porém ilustres, não seremos Clarices, Cecílias, Hildas... Poucas e ilustres em meio a um mundo predominantemente masculino. Seremos muitas e ilustres. Seremos nós por nós mesmas. Seremos cânones. Seremos autoras de nós mesmas, de nossas próprias histórias. Mulheres, escrevam!


Rafaela Valverde

terça-feira, 12 de setembro de 2017

Aquele bom e velho medo de se apegar

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O que venho observando é que as pessoas estão meio perdidas. Elas não sabem exatamente o que querem. Claro, que em "as pessoas" eu me incluo porque não gosto disso de falar pelo outro ou sobre o outro me excluindo do problema. Entenderam? Quando eu digo as pessoas, são todos nós. Ok? Pronto, agora posso continuar. Pois bem, não temos em nossa cultura atual ideias bem definidas de relacionamentos. Às vezes nem amizade hoje em dia, é apenas amizade. Claro, que tudo é relativo, mas apenas tentem entender o que estou querendo dizer.

Antes, pelo menos na época de minha mãe e minha avó, existiam namorados, noivos, casados, amantes e outros nomes que queiram dar. Mas havia definição. Quando se fazia sexo sem ter "compromisso" havia recriminação, claro que com as mulheres né? Aff Mas se sabia o que queria ou em que estava metido. Não estou dizendo que era melhor, mas também não vou dizer que é pior. Eu não sei. Não estava lá. Não vivi essas épocas. Nasci no final dos anos oitenta...

O que quero dizer é queque existia um certo conservadorismo. Hipócrita e machista, claro. Eu acho que minha vó nem sabe o que sexo casual. Hoje temos essa liberdade. Temos a possibilidade de ter sexo casual, temos a possibilidade de não ter "compromisso" de não nos relacionarmos com ninguém. Isso foi muito bom, eu acho. Para nós mulheres, foi um ganho absoluto sobre nossos corpos e sobre nossa sexualidade.

Por outro lado, no entanto, viramos um bando de perdidos. Atarantados em nós mesmos, com medo de se abrir, com medo de qualquer contato mais próximo, com medo de se importar, de se apegar, de se importar. Vivemos com medo de tudo. Da violência urbana e de se relacionar. E não falo só de relação amorosa, falo de amizade e falo de ter consideração com o outro, mesmo que estejam em algo casual, mesmo que estejam ficando. Porque com nossos egos inflados, não querendo nos envolver para não sofrer acabamos sendo muito escrotos com as outras pessoas.

Medo. Tudo isso vem do medo. Medo de amar e de sofrer. Medo de abrir nossas casas e convívio familiar com quem quer que seja, medo de relacionamentos abusivos, medo de sermos enganadas. Medo. Nossas vidas foram invadidas pelo medo. Mesmo que nem todas as pessoas sejam assim, medrosas, sempre há algum, em maior ou menor proporção. Algum trauma do passado, em muitos casos vai determinar esses medos e nossas atitudes diante dele e sobre ele.

Eu tenho esse medo também. Sim, fui atingida. Tantas decepções dão nisso não, é? Mas eu não quero falar de mim. Estou tentando falar sobre a tendência que temos, em geral, em nossos dias, de não se envolver, não se relacionar, não se apaixonar. Queremos mesmo o casual, o raso. Mas tenho cá minhas dúvidas se estamos realmente felizes com isso. Já estou começando a sentir uma quebra de todo esse discurso bem elaborado e construído em nossas mentes.  Porque não é possível que se viva assim o tempo todo, a vida inteira. Em algum momento esse gelo tem que ser quebrado e o medo enfrentado. Em algum momento a gente vai se apaixonar, querer dividir o edredom,o brigadeiro e o filme em uma tarde de domingo. Mesmo que já tenha feito isso em determinado momento e quebrado a cara. Coloquemos a cara pra bater. E pra quebrar também. Porque a vida é se arriscar... Bom, é o que dizem, porque por enquanto eu prefiro é não dividir nada. Ficar só comigo mesma. É o melhor que posso fazer por mim nesse momento. Sem medo de ter medo.


Rafaela Valverde

terça-feira, 22 de agosto de 2017

Homens, melhorem!

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Eu não sei o que os homens pensam da vida. Eles se acham os donos do mundo. Acham que todas as mulheres estão afim deles e não fazem nada para cativar essas mulheres. Se uma mulher está afim de um homem e dá sinais ou ele se afasta ou trata- a como se fosse uma mera oferecida que não merece consideração e são "mulheres para pegar."

Tem homem que pensa que  todas as mulheres que se aproximam dele querem casar e ter filhos, quando em muitos casos a mulher só quer mesmo usar seu lindo corpinho para sexo. Sim, queridos, nós, mulheres apenas só queremos transar. Não necessariamente queremos trazer vocês para nossas vidas.

Há ainda os que posam de  frios, indiferentes e anti-relacionamentos. Os que nunca se apaixonaram e nunca namoraram e se acham os tais por isso. Estou cagando para o que vocês acham de vocês mesmos. O pior é que esses, os sabichões, frios, etc, são os que menos sabem lidar com mulheres, com corpos femininos. Sabem nem transar.

Em alguma medida eu não culpo tanto os homens. Foram criados no patriarcado, sendo os reis desde que nascem. Me dá um ranço quando alguém pega um bebê e diz que vai ser pegador. Eu tenho vontade de matar aquele "adulto" que disse isso. Mas, por outro lado culpo os homens sim. Porque quando viram adultos, escolhem sim ser escrotos e continuam disseminando a forma que foram criados. É claro, é uma zona de conforto. Então, sim, cabe a nós adultos escolhermos nossas atitudes e pensamentos. Cabe aos homens escolherem se serão FDP ou não. E a maioria é.

Eu estou pela milésima vez escrevendo essas coisas aqui. Mas não sei se adiantam alguma coisa. Nem sei se homens leem esses textos. Nem sei se homens tem capacidade de auto criticar. Vou morrer esperando, eu sei. Mas posso tentar pelo menos alcançar as novas gerações, já que os babacões adultos já estão com as cabeças formadas. Homens, melhorem!



Rafaela Valverde

terça-feira, 15 de agosto de 2017

Filme A Vida Secreta das Abelhas

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O filme A Vida Secreta das Abelhas é um filme de 2008, estrelado por  Dakota Fanning, Jennifer Hudson, Queen Latifah, entre outros. É uma comédia dramática dirigida por Gina Prince-Bythewood. A história se passa nos EUA, durante os anos sessenta e traz a adolescente Lily Owens (Dakota Fanning) que vivia triste após a morte da mãe, causada por ela quando ainda era criança.

Depois da morte da mãe, o relacionamento com seu pai fica ainda pior. Um belo dia, depois de uma briga da babá  Rosaleen (Jennifer Hudson) com um homem branco na rua, Lily decide fugir com Rosaleen. Elas vão atrás das lembranças da mãe da menina e em uma cidade do interior encontram August (Queen Latifah), a mais velha das irmãs Boatwright, que conheceram sua mãe.

Além disso, as irmãs são donas de um apiário na cidade e produzem o melhor mel da região. Rosaleen e Lily passam um tempo com as irmãs Boatwright e aprendem como funciona o trabalho com as abelhas e com a produção de mel. Fora isso, elas passam a ter mais contato com o afeto e a união das irmãs.

Há uma certa tensão relacionada à questões raciais, já que novas leis de igualdade racial estavam sendo implementadas naquele período, especialmente a possibilidade de voto para pessoas negras. Havia uma grande luta e apesar de alguns direitos já conquistados, os negros ainda eram tratados como inferiores ou até mesmo animais.

Mas o filme não se trata somente disso. É um filme emocionante e bem feito. ótimas atuações e atrizes maravilhosas. Gostei muito e recomendo. Tem na Netflix!



Rafaela Valverde

sexta-feira, 30 de junho de 2017

Filmes Corra e Mulher Maravilha

Ha alguns dias fui assistir no cinema dois filmes, o primeiro 'Corra' na Sala de Arte da UFBA, que fica no Vale do Canela e o outro foi Mulher Maravilha, no cinema do shopping da Bahia. Como vocês sabem, ir ao cinema é uma das coisas que mais gosto de fazer. Geralmente vou sozinha, que é outra coisa que gosto bastante.

Não vou falar muito sobre os filmes não, mas sobre os cinemas e sobre as experiências. Primeiro, o cinema da UFBA é bem tranquilo, vazio (só tem uma sala). Tem café e salgados gostosos. Eu gosto muito daquele lugar e como sou aluna da UFBA pago 7,00 ou 4,00 a depender do horário e amo mais ainda.. Fora que sentei ao lado de um boy lindo quando fui ver Corra, mas isso não vem exatamente ao caso.

 O suspense Corra foi lançado no dia 18/05 desse ano. Dirigido por Jordan Peele e com atuações de Daniel Kaluuya, Allison Williams, Catherine Keener, entre outras, traz a história do jovem negro Chris (Daniel Kaluuya) que vai conhecer a família da namorada branca e lá encontra muitas surpresas



.Já Mulher Maravilha nem é o estilo de filme que eu costumo ver. É mais um filme de Super Herói da DC, ou seria apenas mais um filme. Mas houve tanto burburinho logo nos primeiros dias de estreia, que indicava que era um filme que podia valer a pena ser visto. Daí eu fui ver e gostei. Não é um filme extraordinário, é apenas um filme de aventura, de heróis ou heroínas. Muita ação e luta, com grande protagonismo para a atriz  Gal Gadot, intérprete da mulher maravilha. Ela é linda e segurou bem o filme. O filme conta ainda com atuações de Chris Pine, Connie Nielsen e foi dirigido por Patty Jenkins. Não vou falar muito sobre o filme, porque ele é bem parecido com a maioria de filmes que existem por aí, mas para mim o grande destaque feminista dele é que a "mocinha", apesar de exageradamente ingênua, não depende do galã (galã feio, por sinal) para nada e o final feliz é bem diferente. Gostei especialmente disso. Ainda estão em cartaz. Vão ver!




Rafaela Valverde



sábado, 24 de junho de 2017

Em Chamas - Suzanne Collins ♥


Reli Em chamas de Suzanne Collins. O livro foi lançado em 2011 e eu li pela primeira vez em 2015. Eu amo a trilogia Jogos Vorazes, como vocês já sabem. Em Chamas é o segundo e traz novamente Katniss Everdeen e Peeta Mellark que mudaram os Jogos Vorazes e desafiaram a Capital. Nesse livro eles retornam à Arena.

Tudo parece diferente e ao mesmo tempo o mais do mesmo, mas o casal desafortunado do Distrito 12 não sabem nada do que os esperam pela frente. Eu gosto de Em Chamas porque ele não funciona como um intermediário, apenas para encher linguiça, preparando os leitores para o último livro. Não, esse livro traz emoções diferenciadas. 

Mais uma vez sentimental e ao mesmo tempo duro. Distópico, futurista, crítico das ações humanas, politico, feminista. As aventuras dos tributos que voltam à Arena para começar o 75º Massacre Quaternário são bem diferentes, a Arena funciona com uma nova dinâmica. Mas eles não estão lá ocm objetivo de matar uns aos outros e apenas um vencedor. É muito mais que isso. Dessa vez, o inimigo é outro... Ou sempre foi? Maravilhoso, amo!


Rafaela Valverde

sábado, 20 de maio de 2017

Mulheres, não precisamos de homens!



Eu sofri mas eu aprendi algumas coisas com meus erros e meus sofrimentos. E quem sofre, erra e não aprende nada com isso? Não estou aqui querendo me sentir melhor que ninguém, apenas ratificar a tese de que os erros e dores servem para nos dar uma lição. Isso é verdade. Claro que a gente precisa ter consciência desses erros e realmente refletir sobre o que mudar. Não acontece por osmose, não é rápido, nem fácil. Demora e dói. 

Passei vários meses sentindo uma dor física, sem querer levantar da cama e passei muitas das horas desses dias pensando em que tinha falhado e que se eu não tivesse cometido determinada falha, talvez eu não tivesse em determinada situação. Mudei e virei uma pessoa mais leve com a vida. Não cobro mais tanto de mim, nem da vida, nem dos outros. Me tornei uma adulta mais leve e não me troco pela eu de cinco, seis anos atrás.

Mas e quando as pessoas sofrem, passam determinadas coisas e não mudam? Continuam cometendo os mesmos erros? Será que elas não refletiram sobre suas atitudes? E quando essas pessoas são mulheres? Uma mulher sofreu horrores em um relacionamento: perdeu tudo o que tinha construído com o outro, porque simplesmente ele lhe usurpou, quase morreu por um problema de saúde e ainda foi trocada por outra e agora "abre os dentes" para esse homem, anos depois. Não dá vontade de matar uma mulher dessa? Dá!

Eu não sei se é falta de maturidade, pois é uma mulher já bem grandinha. Eu não sei se muita falta de amor próprio, eu não sei se é o machismo, a misoginia e a sociedade patriarcal já impregnados em nosso inconsciente. Eu sinceramente não sei. A coisa está tão feia que quando a mulher erra é xingada, considerada vadia, vagabunda, sei lá. Mas quando o cara erra, a sociedade aconselha que se perdoe porque ele "é homem" e porque "todo mundo merece uma segunda chance." Então, só os homens merecem segunda chance? Porque mulheres são execradas e até mortas quando traem!

Então, isso está tão impregnado em nossa cabeça que a gente acha que não pode viver sem homem, mesmo que ele seja ruim. Chega a um determinado momento da vida em que a gente só sabe falar: "ruim com ele, pior sem ele" e acredita nisso tão veementemente que fica ali naquela relação, inerte, só esperando o dia de ser libertada por alguma magia. Não, isso não vai acontecer! Quem se liberta é a gente mesmo. E ponto.

A gente é criada e incentivada desde muito nova a procurar homem, a viver dependente de homem.  aí acreditamos que não dá para viver feliz sem ter um homem do lado, sem ter um relacionamento, sem casar. Porque somos indefesas e precisamos da defesa de um homem, A gente não sabe que dá para viajar sozinha, ir ao cinema sozinha, beber sozinha, ir à festas e shows sozinha... A gente acha que só vai ser feliz se tiver um homem para nos fazer companhia. Assim, aproveitamos a deixa e ficamos burras, esquecemos como instala computador, não aprendemos furar ou pintar uma parede e não aprendemos a ser independentes "por que temos um homem".

Mas um dia, assim como eu aprendi, a gente aprende que somos suficientes e nos bastamos. Estudamos, trabalhamos, pegamos pesado para ter nossa independência e nenhum homem vai nos dizer o que fazer, nem hoje, nem nunca. Pelo menos não a mim! Sobre os fatos relatados acima: eu, por muito menos já botei homem para correr. Mas tem mulher que sabe que está infeliz, sabe que aquele homem não presta e nunca vai mudar e continua ali. Até quando Deus quiser. Mulheres tomem posse das suas vidas! Amem, mas amem a si mesmas muito mais em primeiro lugar. É tão maravilhoso se amar, se achar linda, independente e auto-suficiente. Não há nada melhor! Aprender com nossos erros e sofrimentos, é para mim, o principal motivo deles acontecerem, então vamos levantar da cadeira e lutar por nós mesmas, pois os homens só enxergam seus próprios umbigos.




Rafaela Valverde

quarta-feira, 19 de abril de 2017

Jogos Vorazes e o protagonismo feminino


Reli Jogos Vorazes. Dessa vez li meu próprio livro, sem muita pressa, mas ao mesmo tempo devorando. Porque não tem como ler aquela história sem devorar. Já tinha lido há uns dois anos, mas era emprestado. Se eu já amei a história na época, agora amei mais ainda pois li com mais calma, mais atenta aos detalhes e conceitos, implícitos ou não.

Vejo o livro como um embate do feminismo com o machismo, além de outras questões, já que se trata de uma distopia, com jogos intrinsecamente políticos. Os próprios jogos vorazes que dá nome ao livro vêm de uma situação de opressão que vive um povo em relação aqueles que o governam. Mas, voltando ao embate machismo x feminismo, eu consegui ter algumas percepções que não tinha tido antes.

Katniss Everdeen, a mocinha  rebelde do livro, está sozinha lutando contra um mundo masculino, onde os homens dizem o que ela deve vestir, como se comportar para agradar as pessoas e outro homem, além de o próprio presidente de Panem, o pais distópico em que ela vive, é um homem, que organizou durante anos os jogos. Há ainda os organizadores dos jogos e Haymitch, seu mentor. 

Em alguns momentos percebo que ela se sente mal em estar cercada de tantos homens, já que suas maiores referências na vida atual são mulheres: sua irmã e sua mãe e estão longe, lá no Diistrito Doze. A  única referência masculina era o pai que morreu quando ela ainda era criança. Foi o pai que fez com que Katniss se tornasse a pessoa forte que é. Ele a levava para caçar, ele ensinou como se virar e como usar arco e flecha. A mãe dela é uma mulher totalmente silenciada na narrativa. Talvez propositalmente para que a protagonista tivesse mais luz.

E ela consegue. Mesmo com apelidos como "a garota quente" e a insinuação de que ela deveria agradar e ter um romance com Peeta, já que ele a amava desde sempre, como ele mesmo afirma durante uma entrevista. Todos ou quase todos os momentos do livro vêm com uma carga emocional forte para derrubar Kastniss, para dizer que talvez ela não seja tão forte assim. Mas ela é. E prova isso.

É claro que talvez devêssemos levar em consideração que todo esse jogo de poder dado a uma mulher em um livro, ou três livros, seja uma jogada de marketing intencional. É claro que eu amo essa trilogia e nunca vou deixar de amar, mas também já perdi a inocência há alguns anos.  A gente não aceita mais uma mocinha ingênua e idiota. O mundo mudou e nós mulheres mudamos, queremos e precisamos de protagonistas mulheres fortes e destemidas. E foi o que Jogos Vorazes nos deu em sua trilogia. Uma mocinha que conta sua própria história, que não se cala, que se sustenta a si mesma e a sua família, uma mocinha guerreira que sabe lidar com arco e flecha. Uma mocinha não, uma mulher forte e decidida que apenas fazem os homens acreditarem que ela está fazendo o que eles querem. Viva Jogos Vorazes!



Rafaela Valverde

sexta-feira, 7 de abril de 2017

Série Orphan Black


Terminei a quarta temporada da série Orphan Black. Já estou esperando a quinta e li em algum lugar que será a última temporada. Sabe, eu até prefiro séries que sejam assim, do que aquelas que ficam enchendo linguiça como Grey's Anatomy já durando mais de dez anos. Enfim, mas essa é outra história. O fato é que Orphan Black vai durar cinco temporadas e já estou na expectativa da quinta.

Mas vamos ao que interessa. Orphan Black foi criada por Graeme Manson, John Fawcett  e estreou em 2013, sendo produzida no EUA e Canadá. É uma fantástica série de Ficção Científica e Suspense. Eu comecei sem muito interesse, só porque ouvia falar muito dela, mas depois foi engrenando e eu amei. Entrou no rol das minhas séries preferidas. Com Tatiana Maslany, Jordan Gavaris, Kevin Hanchard e outros no elenco, a série dá show de interpretação.

Claro que a campeã do show é  a canadense Tatiana Maslany. Eu já havia assistido um filme com ela e já sabia do seu potencial, mas nessa série ela se superou. São 22 clones, cerca de nove personagens que ela encarna ao longo de toda a trama. Todas com olhares, trejeitos, vozes e sotaques diferentes. E mesmo quando duas personagens estão juntas, dá facilmente para imaginar que são duas pessoas diferentes, irmãs gêmeas juntas. Ela é genial e já ganhou diversos prêmios por essas interpretações. 

Eu sinceramente fico fascinada por cada personagem e suas diferenças: Cosima, Sarah, Alison, Katja, Rachel, Helena, Mika, Kristal, Beth. Todas elas são bastante diferentes. Até a forma de andar muda e confesso que essa é uma das coisas que mais me atrai na série. E mesmo em alguns momentos em que alguma clone se passa por outra é genial, pois conserva- se traços da original misturando aos traços da clone imitada. AMEI! 

As questões de ficção científica podem parecer confusas no final da primeira temporada e na segunda, mas a partir da terceira e quarta já ficou mais amarrradinho e próximo do real. É isso. Há mais questões sobre a série que eu gostaria de abordar, mas vou deixar para a quinta e última temporada. Vai ter textão. Se vocês ainda não viram Orphan Black, corram para ver!


Rafaela Valverde

quarta-feira, 5 de abril de 2017

A máquina de moer mulheres - Aline Valek


Tec, tec, tec. Ouve o som? É o barulho das engrenagens funcionando perfeitamente, fazendo tudo correr como deveria. Com a precisão de um relógio, movem-se os mecanismos dessa máquina gigante, antiga, mas que ainda funciona que é uma beleza para cumprir seu principal objetivo: triturar mulheres.

São muitas as engrenagens e complexos seus movimentos, mas se você der um ou dois passinhos para trás, pegando alguma distância para vê-la como um todo, é possível observar que seu funcionamento, na verdade, é tão simples que dispensa a existência daqueles volumosos manuais de instruções.

Para que funcione, é preciso abastecê-la com a ideia de que mulheres não são pessoas. São santas ou deusas; carne barata ou lixo; mas nunca pessoas. Então basta colocar uma mulher de um lado – e tec, tec, tec, soará a máquina, ruidosa – para vê-la sair do outro lado devidamente transformada em vítima.

Uma mulher agredida por seu marido. Ou assassinada pelo seu ex. Ou uma moça agredida por um desconhecido a quem ousou dizer “não”. Ou ainda uma jovem violentada por mais de trinta homens. São inúmeras as possibilidades. Todas demonstram como estão funcionando direitinho as engrenagens.

Funciona assim: primeiro, cria-se a ideia de que os corpos das mulheres estão à disposição. Que é ok violentar e agredir mulheres. Até engraçado, ou mesmo esperado. Então uma mulher sofre a violência. Se denuncia, os mecanismos de fazer com que seja desacreditada logo são postos para funcionar:

– Estava usando a roupa certa? Era recatada e do lar? Usava drogas? O que estava fazendo sozinha? Será que não queria prejudicar o homem e inventou tudo?

Na era medieval ou nos tempos de internet, o modus operandi é o mesmo: trazem a vítima em praça pública. Devassam sua vida, questionam suas escolhas, tacam pedras. Julgam se é culpada – e só pode ser – caso não se encaixe no padrão de “vítima perfeita”– e nunca se encaixa. Sempre tem um “porém”, um detalhe qualquer que faça com que os julgadores se sintam tranquilizados com a violência que ela sofreu e com o veredicto de “culpada” que ajudaram a carimbar.

– Vai ver ela mereceu – dizem, mas é o tec, tec, tec da máquina que está falando.

Não é, no entanto, máquina totalmente automática: precisa de braços para funcionar. Em primeiro lugar, precisa dos braços (e corpos inteiros) daqueles que puxam o gatilho, dão o soco, abusam psicologicamente ou estupram. Mas esses operadores da máquina quase não são visíveis daqui. Somem. Há outras engrenagens na frente tapando a visão, fazendo com que sejam esquecidos. 

São engrenagens operadas pelos braços de delegados, juizes ou policiais que constrangem as vítimas que denunciam. Pelas pessoas que questionam a vítima com um ímpeto que não direcionam aos agressores. Por quem acha que ela pediu. Por quem acredita que ela mereceu. Por quem compartilha vídeos e fotos que expõem a violência que ela sofreu. Por quem faz piadas com o assunto. Por quem faz malabarismos para provar que não foi tão grave assim. Por quem passa adiante a ideia de que mulheres é que precisam aprender a temer e a entrar na linha. Por quem aprova e incentiva o comportamento dos homens que agridem.

São tantos braços operando tantos mecanismos que fica fácil encobrir e esquecer dos verdadeiros culpados e dos mecanismos que os criaram; à esta altura, a mulher que sofreu a violência é a única responsável, ainda que dê para ouvir o som de seus ossos sendo triturados nas engrenagens na máquina de moer mulheres: tec, tec, tec.

Vê como os mecanismos funcionam em perfeita sincronia? As engrenagens da frente e de trás, as que possibilitam e as que justificam, são as que movem as engrenagens sujas de sangue, que violentam e matam, que mastigam a mulher, por dentro e por fora, para depois cuspir. Se uma mulher é triturada, não foi por uma peça ou outra; mas pela máquina inteira.

É preciso mais que um, dois ou trinta homens para violentar uma mulher: é preciso uma multidão validando toda a violência, colocando a máquina da opressão para funcionar. Enquanto as mulheres são isoladas, os agressores nunca estão sozinhos.

Da mesma forma, para fazer essa máquina parar de funcionar, não basta tirar uma peça ou outra. É preciso arrancar todas. Tirar todo o combustível. Arrebentar fios e engrenagens. Talvez por isso os mecanismos tenham funcionado há centenas de anos, sem parar: porque há mais braços ocupados em fazer a máquina de moer mulheres funcionar do que ocupados em destruí-la. Onde estão os seus?

Não há nada que indique que as engrenagens deixarão de funcionar. Mas, enquanto funcionar uma máquina tão antiga quanto a crueldade, não podemos dizer que vivemos em uma sociedade avançada. A existência dessa máquina nos mantém eternamente presos ao passado.

E assim ela segue, com seu tec, tec, tec ininterrupto. Dessa vez, foram trinta homens ao mesmo tempo violentando uma garota. Da próxima, serão cinquenta? Cem? Quantos agressores são necessários para confirmar a existência da violência? A capacidade da máquina de moer mulheres cresce em progressão geométrica, enquanto seus mecanismos permanecem invisíveis para muita gente.

Tec, tec, tec. A máquina produz mais vítimas hoje. Tec, tec, tec. Mais mulheres serão vítimas amanhã. Não é possível saber quando isso irá parar. Mas o primeiro passo para chegar a essa resposta está na atitude de enxergar a máquina – e então perceber que é possível se recusar a ser uma das engrenagens.



Rafaela Valverde
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