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quarta-feira, 18 de abril de 2018

Manifesto dos covardes

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A caminhada é longa e árdua
Sim, eu sei
Mas isso é tão clichê e traz mágoa
Saber que o destino é rei

Mas e o que é destino?
É o que não sabemos que vai acontecer
Nunca sei e desatino
A tentar me convencer

Que a dor vai me deixar mais forte
E lá na frente terei sorte
E poderei viver em paz
Sozinha ou com algum rapaz

Viajando pelo mundo ou por aqui
A caminhada é árdua e longa
Sei que Deus vai me trair
Ele me deixa viver e minha dor prolonga

Eu nem sei se aguento mais
Caminhar tanto para nada
Meus pés doem, cansaços carnais
Mas também na alma que não se resguarda

É tudo tão difícil e pesado
Traz lágrimas de travesseiro
Daquelas trancadas com cadeado
Que ninguém revela, um berreiro

Você precisa controlar seus sentimentos
Parar com todos esses lamentos
Deus sabe o que constrói
Não é só em você que dói

Tenha coragem!
E continue a caminhada
Não ande pela margem
Enfrente a estrada

É isso que corajosos fazem
Lutam e são fortes
Não ficam inventando viagem
Nem procurando e querendo sorte!


Rafaela Valverde

Licença Poética

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Me dá licença pr'eu cometer um poema
Vem cá sem quê nem pra quê
Atentar contra a sua quietude
Vim gritar frases poemáticas
Me dê licença!
Que eu vou logo me ousar
A essa poetésica declamar
Agora estou assim inventando palavras
Essa é a licença poética da vida
Inventar Arte em meio ao cinza
Me dê licença!
Mas olhe que na verdade nem preciso de sua permissão
Já vou logo me chegando
Empurrando a mutidão
Driblando a solidão
Cometo erros poêmicos constantes
Assim como esse
Exatamente esse
Que brinca com as palavras
Brinca com a licença poética
Brinca com a minha mão dançando com a caneta
Me dê licença!
Deixa eu poetar
Vou continuar cometendo o crime
Crime do poema que se faz sozinho
Sem pedir licença!



Rafaela Valverde


quinta-feira, 12 de abril de 2018

Um beijo seu

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Sinto que preciso de um beijo seu
Não só um
Só um não me satisfaz
Aquela frieza que havia em mim morreu
Os momentos sombrios ficaram pra trás
Vou te colocar num avião, te levar pra Cancun
Provar dos seus dias, ver o sol e a lua com você
Tiro do seu olhar muita da minha razão de viver
Sinto que preciso de um beijo seu
A cada dia que amanhece
O seu santo com o meu bateu
O que é recíproco me enaltece
A tristeza se desfez em cada lágrima que chorei
Hoje meu coração é rei
Manda na minha realidade
Sinto que preciso de um beijo seu
Pra guardar na memória
Contar para a posteridade
Tudo sobre a nossa história
Os detalhes desse beijo que afugentou a fatalidade
A vida se transformou em momentos doces de lábios colados
Para isso joguei os dados
Mas não foi sorte, não
Eu mereci
Por demais já sofri
Mas, hoje só quero um beijo seu
Sinto que vou precisar acalmar meu coração
Que a ordem da razão já subverteu
Sim, definitivamente preciso de um beijo seu!




Rafaela Valverde

quinta-feira, 5 de abril de 2018

A felicidade está nas pequenas coisas

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Como escreveu Lispector no conto A imitação da rosa, presente no livro Laços de Família : "Como era rica a vida comum [...]" a vida comum, o dia a dia, o cotidiano são lindos. A gente precisa treinar nosso olhar para observar as pequenas sutilezas da vida e chegar a concordar com Lispector. Já escrevi sobre esse assunto várias vezes aqui. Mas cheguei a conclusão que sempre vou escrever sobre o tema. É um tema que eu penso muito. A beleza dos pequenos momentos da vida não saem da minha cabeça. Há todo momento paro para contemplar um céu azul ou um passarinho quicando ou até mesmo brincar com um cachorro de rua... Nós somos muito arrogantes, nossa alma quer grandeza o tempo inteiro. Desejamos e apreciamos momentos grandiosos a todo momento. Queremos cenas finais de filmes e novelas para sermos felizes sem ao menos nos dar conta que a felicidade está nos pequenas coisas da vida, bem na nossa frente. Isso acaba se transformando em uma grande perda de tempo, porque perdemos pequenas boas ocasiões e acontecimentos para buscar grandes fatos , guinadas e realizações. Claro que coisas boas e grandiosas volta e meia acontecem na vida, mas não é sempre. Na maioria das vezes a felicidade passa por nós enquanto estamos cegos procurando outra coisa. Procurando um afortunamento constante, ideal e gigante. Muitas vezes, o simples fato de a chuva passar quando estamos para sair, achar dinheiro no bolso da calça, ou não pegar muita fila no banco já são motivos para abrir um sorriso, agradecer e simplesmente aproveitar a sensação de ter coisas boas acontecendo, mesmo que seja por dois ou três minutos já valem a pena. Aliás, essas pequenas coisas já devem liberar aquelas substâncias responsáveis pelo prazer e satisfação que tanto gostamos e precisamos. Então, por que não olhar o mundo a nossa volta? Por que não considerar pequenas coisas como partes da felicidade? O simples fato de ser livre para mim, já um grande fator de felicidade. Eu adoro a sensação de ouvir música, ler um livro e ter a possibilidade de fazer isso todos os dias me causa muita alegria. Eu sou feliz e grata. Eu vejo a felicidade em pequenas realizações. A felicidade está no fato de eu estar escrevendo aqui nesse momento. Só de ter tempo para sentar e escrever já é maravilhoso. Gratidão!



Rafaela Valverde

segunda-feira, 2 de abril de 2018

Morte Súbita - J.K. Rowling.

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Morte Súbita é um livro que exige paciência no início. Depois vai ganhando força  e se torna um grande livro, com grandes personagens e histórias. Falo de paciência porque achei o início da leitura bem chata, mas depois deslanchou. Se for um leitor sem paciência não segue a leitura. Mas eu segui e não me arrependi. Na verdade gostei muito. O livro lançado em 2012 foi o primeiro livro não infanto-juvenil de J.K. Rowling. 

A história se passa em um pequeno povoado chamado Pagford e seus moradores complexos e ao mesmo tempo tão simplificados. Personagens tão humanos que fogem do maniqueísmo habitual de histórias como essas. A morte súbita, título do livro é a de Barry Fairbrother, membro do conselho municipal. Estórias diversas são desencadeadas a partir da aneurisma rompida de Barry que causa sua morte.

A partir desse acontecimento, questões são mostradas, personagens bem feitos demonstram seus dramas mais profundos, preconceitos, defeitos, etc. Há uma violência nas entrelinhas ao longo de todo o livro que termina de maneira surpreendente, a meu ver.  Do meio para o final eu não queria mais soltar o livro e estou fascinada pelos personagens até hoje. Fiquei encantada com os bons personagens, bem construídos e completos. Além disso, a passagem de um trecho para outro do livro, foi escrito e era mostrado como cenas de filme. Me senti lendo um grande roteiro de cinema. Enfim, Morte Súbita  foi um livro que gostei muito. Recomendo, vale a pena. Tenham paciência.




Rafaela Valverde

Cansada



Eu não sei o que é descanso. Já comecei o ano cansada e acordo quase todos os dias cansada. Se deito cedo, acordo no final da madrugada e não consigo mais dormir. Se deito tarde, acordo arrasada, privada de sono. Em ambos os casos o dia seguinte é bem ruim. E ainda tem o tal do "rolar na cama" a madrugada inteira. Sonhos estranhos e mais cansaço. Minha vida tem se resumido a isso: cansaço. Mesmo que eu não faça nada ou quase nada que me canse fisicamente, a mente não para. São 2:40 da manhã, eu estou acordada, no celular, totalmente desperta. Ouço barulhos inexistentes, chiados de rato, o que me dá pavor. Me sinto amedrontada e cansada. Mais uma vez essa palavra. Cansada mesmo. Frustrada. Choro. Por que não posso ser uma pessoa que deita e dorme? Conheço várias. Mas não, eu tenho que ficar com insônia na cama por horas e horas. De onde vem essa insônia que me persegue desde a tenra idade? Será que vem da ansiedade ou a ansiedade me atinge por causa da insônia? Elas são irmãs? Parentes? Eu sinceramente não aguento mais. Estou cansada. Ando cansada. Sou cansada. Pra quem está de fora é difícil perceber o tamanho do meu sofrimento por não conseguir fazer plenamente o que todo ser humano faz e tem direito de fazer. Dormir é também uma necessidade fisiológica. E eu preciso dela. Naturalmente. Sem mecanismos. Eu não quero ter que cansar meu corpo ao extremo, nem tomar chás e calmantes para conseguir dormir e ter uma noite em paz. Eu estou cansada de lutar contra meus próprios pensamentos que não deixam meu corpo descansar. Eu não sei o significado da palavra descanso. Eu só sei o que passo na cama tentando dormir. Deve ser esse lugar. Eu odeio esse lugar. A energia daqui é carregada. Odeio esse bairro, essa rua, essa casa, esse quarto, essa cama de solteiro barata e quebrada. Eu estou cansada desse lugar. Cansada de tudo. Maria cansada. Eu preciso descansar.




Rafaela Valverde

domingo, 1 de abril de 2018

Durona? Não, eu quero é ser feliz!

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Sabe esse tal de romantismo? Ele não costumava me encontrar. Lá nos longínquos anos da adolescência eu era ou queria ser durona. Sabe, eu nunca fui durona. Eu só queria ser aquela moça fria e seca de filmes adolescentes. Mas, na maioria das vezes, essas moças mudavam o jeito de ser  por causa de um amor. Mas eu não queria mudar. Eu achava que não queria mudar. Achava que não iria mudar. Achei que seria assim por toda a vida. Hoje um novo mês começa e eu já estou pensando em formas românticas de me expressar. Eu achava que por não ter visto pais apaixonados, casamento feliz, carinho e amor durante minha infância e adolescência, eu não conseguiria ter essas coisas e talvez não conseguisse ser feliz e romântica. Nem imaginava viver metade das coisas românticas que vivi ao longo dos anos. E quando falo romântico, falo no sentido literal da palavra mesmo. Falo de paixão de relação a dois, falo de encontro, jantares, velas, cartas, músicas, danças, filmes, mãos dadas, etc. Mas cá estou eu desejando tudo isso, inventando formas românticas de viver. Querendo estar cercada de amor e de família, querendo ter certas coisas que não tive. Cá estou em em 2018, no dia 01/04 sendo uma pessoa completamente diferente do que sempre imaginei. Sem dureza posso até ser mole demais. Por querer viver em paz desisti mil vezes de ter razão. Pra que razão sem amor? Sem leveza? Sem companheirismo? Sem contato corporal? Não adianta de nada. Não quero razão sem tudo isso. E nem sei se adianta liberdade. Liberdade pra solidão? Sério? Não! Já vivi assim, livre e sozinha, sozinha não, solitária. Solitária e infeliz. Aff que vida triste de se viver. Eu que não quero mais isso. Eu quero é continuar sendo molinha mesmo. E romântica. E tudo mais que venha em decorrência disso. Eu quero é ser feliz!





Rafaela Valverde

segunda-feira, 19 de março de 2018

De costas

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O clima começou a esquentar ainda no restaurante. Passava o pé pela perna dele, por debaixo da calça. Estava vestida com o vestido novo preto decotado com uma fenda atrás que deixava minhas costas à mostra. O sapato era vermelho e de salto alto, coisa que eu não costumava usar, mas deixava minhas pernas mais torneadas. Ele adorava quando me vestia assim e fazia isso de propósito. Desde que saímos de casa me lançava olhares gulosos. Passei meu pé em suas pernas até onde a calça permitia e depois, por cima da calça mesmo, acariciei com vigor seu membro que já havia se manifestado diante do meu habilidoso pé.

Já estávamos acostumados a fazer isso em qualquer lugar. Esta noite é a comemoração de mais um ano juntos e é especial, claro. Não nos constrangíamos mais. Aliás, ele não se constrangia mais, pois eu nunca me constrangi. Continuávamos jantando normalmente, aparentando normalidade para o resto das pessoas. Mas a chama começara ali e só iria terminar... bem, nem sei se terminou. Afinal de contas meu tesão por esse homem parece que não acaba nunca.

Terminamos o jantar calmamente e mal nos aguentamos dentro do carro do Uber. Ele enfiava a mão discretamente, se é que isso é possível, por baixo do meu vestido e eu já estava muito molhada, querendo ele. Entramos em casa nos atracando. Entrando de costas pelo hall de entrada enquanto o beijava, retirei os sapatos. Isso me deixava mais baixa. Em todos os sentidos... Continuei andando de costas, enquanto ele me guiava ainda me beijando com tesão, até chegarmos ao aparador. Ali, como num passe de mágica, ele me virou de costas para ele e passou a língua pela fenda do meu vestido.

Nossa, como eu adoro isso. Dei uns gritinhos de prazer e me arrepiei com o toque da sua língua em um dos pontos mais erógenos do meu corpo. Ainda de vestido, senti sua mão dentro da minha calcinha e depois entrar delicadamente em mim. Ele pressionava meus quadris nos dele e eu senti seu pau que já estava deliciosamente pronto. Aquela brincadeira com a língua pelas minhas costas continuava em ritmos diferentes enquanto ele me masturbava. Eu já gritava e sentia o gozo escorrer um pouco em seus dedos.

Implorei para que me penetrasse, porém ele parecia não me ouvir. Queria me torturar. Não falava nada, apenas sorria ás vezes. Um risinho descarado que me deixava maluca. Ao invés de fazer o que eu pedia ele preferiu tirar meu vestido por cima da cabeça e com desespero segurou e sugou delicadamente meu seio esquerdo. Passou a língua várias vezes pelo mamilo e deu mordidinhas no bico. Fez o mesmo no outro e eu já estava gozando loucamente. Ele tratava meus seios como ninguém. Não sei porque alguns homens simplesmente esquecem os seios. Eles são essenciais no prazer feminino... Devaneava enquanto gritava seu nome e pedia para que ele me chamasse de gostosa. Mulheres são auditivas, é o que dizem. Ora, todo mundo deve ser auditivo nessas horas!

Ele se ajoelhou, baixou minha calcinha até os joelhos e com a a saia do meu vestido em sua cabeça fazia movimentos de vai e vem só para sugar meu gozo. Nossa, o que esse homem faz é um espetáculo! Tirou meu vestido me apoiando de costas no aparador novamente e me penetrou com intensidade. Eu já não aguentava mais essa tortura e gozei mais uma vez, gritando. Minha voz ecoava pela casa. Ouvi ele gemer alto também. Terminamos e ficamos por alguns minutos ali, eu apoiada no móvel e ele apoiado em mim. Alguns vasos e porta retratos haviam se espatifado no chão. Mas, quem liga?




Rafaela Valverde

domingo, 18 de março de 2018

EPITÁFIO PARA O SÉCULO XX – AFFONSO ROMANO DE SANT’ANNA

 Olha que poema atual. Escrito em 1997 podia ter sido escrito agora em 2018. Afonso sempre escreveu poemas com temáticas sociais, especialmente durante o período da ditadura. Gostei muito desse quando li.


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Afonso Romano de Sant'anna

1.
Aqui jaz um século
onde houve duas ou três guerras
mundiais e milhares
de outras pequenas
e igualmente bestiais.

2.
Aqui jaz um século
onde se acreditou
que estar à esquerda
ou à direita
eram questões centrais.

3.
Aqui jaz um século
que quase se esvaiu
na nuvem atômica.
Salvaram-no o acaso
e os pacifistas
com sua homeopática
atitude
-nux vômica.




Rafaela Valverde

Deixem minha bagunça em paz

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Odeio que entrem na minha privacidade. Odeio que invadam minha intimidade. Há um lugar no mundo que é só meu. Um lugar físico e subjetivo que meu corpo ocupa que não é mais ocupado por ninguém. Mas, algumas pessoas não respeitam isso. O simples espaço do outro é invadido. Seu quarto, que é seu por um motivo. Seu espaço, seu lugar mais íntimo no mundo passa a ser invadido por pessoas e questões que bagunçam a sua bagunça e eu não mais consigo me encontrar e encontrar tudo da forma que eu deixei.

No início da semana passada isso aconteceu. Invasão em meu quarto e invasão em mim mesma.  Parece que algo dentro da gente se sente invadido, mexido quando mexem em nossas coisas, especialmente eu que sou taurina. Sim, eu acredito em signos; sim, eu posso estar sendo dramática e sem, tudo o que eu escrevo vira literatura, mesmo que seja apenas um texto-manifesto para reclamar que mexeram em minhas coisas.

Sinto vontade de matar quem mexe em minhas coisas e desestrutura o que eu estruturei. E sinto vontade de escrever também. Impressionante como quero escrever nos momentos bons e ruins da vida, incrível como preciso escrever para expurgar o que estou sentindo, seja bom ou ruim. A raiva é um dos sentimentos que mais devem ser expulsos do nosso corpo porque ela, entre outras coisas nos faz mal. E eu sinto vontade de escrever quando estou com raiva e fico com raiva quando mexem em minhas coisas,em meus sentimentos,  em minha vida, em minha rotina. Por favor não façam isso. Deixem minha bagunça em paz!



Rafaela Valverde

sexta-feira, 9 de março de 2018

Tocar o outro

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Ás vezes falta carinho. Por mais que as coisas estejam bem. Faltam carinho e atenção. Pequenos gestos, pequenas palavras que faltam e apenas faltam. Se tornam vácuo. Vácuo que não devia estar ali. Pode parecer que eu não estou satisfeita com nada, como se sempre faltasse algo. Também me sinto assim de vez em quando, mas a coisa não é tão simplória assim não. É que na verdade eu dou tanto valor às pequenas coisas aos pequenos carinhos diários que eu quero sim que façam o mesmo por mim, por que não?

Quem é que não quer se sentir bem quisto? Tocado, amado, idolatrado até? Mas a gente quer que a coisa toda aconteça a partir da vontade do outro e não sempre que pedirmos. Não existe carinho e atenção solicitados. Estes vêm naturalmente conforme for o sentimento e grau de intimidade entre o par. Eu adoro fazer carinho e minha mão pula automaticamente no corpo do outro, independente de sexo. Cafuné, beijo em qualquer parte do corpo, todo tipo de toque. Todos têm necessidade de serem tocados. É uma necessidade quase psicanalítica, de pertencer ao outro e o outro pertencer a você.

É lindo! Começa com o toque das mãos quando se dão. Como é lindo um casal com as mãos dadas e como é triste o que constatamos quando vemos um que não se dá mais as mãos. Depois das mãos, vêm os beijos. Esses são o ato introdutório do sexo, mas também podem ser a demonstração de carinho e cumplicidade mais doce. Por ser intermediário o beijo ocupa posição de destaque entre um casal. Toques são necessários e servem como comunhão entre o casal. Nem sei mais o que se tem em um relacionamento quando não se tem mais toques, sejam eles quais forem.  Toques com malícia ou não ou simplesmente daqueles para que o outro se sinta amado, querido. Também o toque para satisfazer a si mesmo. Quando eu toco o outro estou me alimentando de amor por ele, pela pele, pelo corpo deste outro. Quando eu toco o outro eu me satisfaço. Se não for para ser assim, nem adianta tocar só por tocar. É importante, mas tem que ser feito com gosto, querendo fazer. É isso.



Rafaela Valverde 



domingo, 4 de março de 2018

Tortura

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Fico mandando mensagens picantes do nada ao longo do dia. Você nem responde mais. Adoro provocar e você sabe disso. Acaba me deixando ainda mais excitada por todo o dia. As longas horas desses dias em que passamos separados me fazem lembrar de todos os momentos em que transamos. Cada detalhe. Você por cima ou eu. Tanto faz. Não importa. Aí resolvo fazer uma surpresa e visto aquele corpete preto e a meia arrastão que você adora. Um sapato vermelho para complementar o look da tortura gostosa  que farei com você. Primeiro mordo suas orelhas. Não te deixo tocar em mim. Amarro suas mãos na cabeceira da cama com um tecido não muito firme que você pode partir mas não parte. Entra na brincadeira e me sinto mais excitada ainda. Seu sorriso safado se faz presente e me sinto em uma cena de filme. Tiro o sapato, sento em você passando a língua delicadamente por seus mamilos. Você fecha os olhos soltando pequenos gemidos. Está se deliciando coma nossa cena de filme erótico. Mas você ainda não viu nada do que estou te preparando. Essa noite nossos corpos serão explorados. Claro que com o dia a dia nem sempre dá para se explorar tanto assim  as zonas de prazer dos nossos corpos, mas hoje reservei a noite para isso... Mordisco cada um dos seus dedos e vou mordendo o braço todo até chegar na axila, passo a língua por ela e você geme alto. Não esperava por isso. Depois de explorar toda a parte da frente, te viro de costas e passo um gel gelado por toda a extensão das suas costas, massageando- a. Após a massagem lambo delicadamente a parte de trás dos seus joelhos e arranco mais gritinhos inesperados... Detenho- me nessa área por que sei que você gosta, depois faço uma massagem em seus pés. Sigo acariciando sua pele macia  e ela ao mesmo tempo acaricia minhas mãos com todo o tesão que emana de você e me atinge em cheio. Não estou com pressa, não anseio desesperadamente pelo clímax porque não quero que acabe. Quero estender o máximo possível esse momento em que te dou prazer. Porque te dar prazer me dá prazer. Observar sua cara de prazer e ouvir seus sorrisinhos safados são as coisas que mais me satisfazem na vida. Eu gosto de ver você encontrando todas essas sensações prazerosas através de mim e através do meu corpo. E assim que vamos construindo nossa vida sexual. É assim que quero que você pense em relação ao nosso prazer. Dar prazer ao outro é sempre a melhor forma de ter prazer. É lindo. Encontro de corpos a fim de um bem comum, nos deliciarmos e nos apaixonarmos cada vez mais. Porque sexo é bom, mas sexo com paixão é indizível. Inefável. É o que nós temos e cativamos a cada dia. Nosso prazer, nossa paixão.



Rafaela Valverde

Intensa - Jarid Arraes

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não te quero como cerveja
social
entre conversinhas
com uma casualidade
e uma leveza
características

te quero como vodka
pura
e quente
de efeito forte
e de repente
te quero em muitas doses
e uma ressaca
que seja,
por favor,
recorrente.



Rafaela Valverde

domingo, 25 de fevereiro de 2018

2008

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De repente escrevo num papel a mesma data mas no ano de 2008
Quero voltar no tempo, é?
O que eu estava fazendo em 2008 além de sendo uma menina estúpida de 19 anos?
Na verdade, nada de útil, não
Talvez sim.
"Quem dera voltar no tempo" disse  quando me dei conta do erro
Dessa forma consertaria as tantas merdas que fiz
Será?
Será que faria merdas diferentes?
Ou simplesmente não as faria?
É possível?
Uma máquina do tempo responderia minha pergunta
Mas no momento a máquina que tenho é minha cabeça
Minha memória
E só ela é capaz de, pelo menos tentar, me levar de volta para 2008
Mas será que eu quero?
Seria eu mesma se voltasse para 2008 e fizesse várias coisas diferentes?
Seria outra mulher, outra pessoa.
Prefiro continuar sendo quem eu sou que voltar e desfazer as merdas.
Me deixa aqui mesmo.
Deixa eu ser quem eu sou!
Porque eu gosto de mim.
Foda-se 2008!
Voilá!



Rafaela Valverde


Carrossel de afazeres

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O carrossel parece que não para nunca de girar. Ah, graças a Deus! Se parar a gente morre. Mal acaba uma coisa já estamos planejando outra, mal termina um projeto já vem outro à mente. E que continue assim, que bom que está sendo assim. Quando a gente perde a vontade de realizar coisas, a gente perde a vontade de viver, aí vem a depressão, a tristeza, o desânimo e a vontade de ficar deitada dia após dia.

Eu, leitora compulsiva, acabo um livro já começou outro em seguida. Acaba um semestre na faculdade já estou planejando outro. E que venha o outro! E que venha o novo. Venha! É assim que funciona o fluxo da vida. É assim que deve ser. É claro que mais um fatídico texto criado por mim expõe o que eu penso de tudo isso. Eu não consigo ficar parada e acho que nem gosto de ficar parada. Sempre é empolgante planejar coisas. É saber que estamos vivos, sangue pulsa em nossas veias.

A vida segue, corre e o tempo não para. Planejando coisas e realizando -as. Apertando um pouco tudo o que deve ser feito, ainda dá tempo ver uma série e ler um romance água com açúcar. Comecei a pensar nisso nesta manhã, justamente por estar fazendo coisas que geralmente faço no meu tempo livre, como limpar e organizar o e-mail, escrever e fazer a grade para o próximo semestre. E em meu único dia de folga da semana, consigo fazer certas coisas, pequenas coisas que apesar do caráter burocrático, acabam me dando paz. Sim, porque quando resolvo algo, mesmo tendo mais coisas para fazer, dá uma sensação de dever cumprido, de paz. A cabeça fica agitada mas quando vou resolvendo coisas ela vai se acalmando pouco a pouco. e A gente vai ticando itens na nossa lista imaginária de tantos afazeres. E por falar nisso, deixa eu ir ali que tenho um poema e a grade de 2018.1 para concluir.






Rafaela Valverde

terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

Maturidade para mudar

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Eu sou uma pessoa difícil e fácil ao mesmo tempo. Uma das incongruências da vida é poder ser a gente mesmo. Sem maniqueísmos. Sem o totalmente bom e sem o totalmente mau. Eu sou chata e legal. Eu acordo de mal humor às vezes, mas uma hora depois já estou de boa. De incongruências vivem os seres humanos, de incongruências vivo eu. Sou insegura, às vezes. Com essa insegurança posso fazer grandes estragos em minha auto estima e em meu relacionamento com as outras pessoas. Eu faço muita merda, às vezes. Mas, claro, faço muitas coisas bacanas. Como todo mundo. Ninguém é só uma coisa. Ninguém é só bom ou mau. 


Eu não tenho pensamento linear sobre nada. Estou pensando em uma coisa agora e daqui a cinco minutos tudo pode mudar. Quase nunca premedito nada. Nem sei premeditar. Até meus personagens  e poemas são criados quando estou sentada escrevendo. Como eu iria premeditar atitudes idiotas que tenho às vezes? Minha mente trabalha com turbilhões de emoções ao mesmo tempo. A ansiedade não me deixa parar. Uma vez tive uma crise de pânico. Só contei para uma pessoa. Como falar essas coisas sem que nos taxem de malucos e frescos? O que estou querendo dizer aqui é que muitas coisas podem estar acontecendo ao mesmo tempo na minha cabeça enquanto eu faço ou falo alguma coisa.

A minha auto estima nem sempre é boa. Nem sempre está em alta. Eu costumo achar que todo mundo me odeia. Que ninguém me suporta. Que estou sempre incomodando... Que não há espaço para mim em lugar nenhum... Às vezes não me encaixo, apesar de fazer um esforço muito grande para isso. Quase nunca quero conversar com ninguém. Eu não aguento conversas bestas que não me levarão a lugar nenhum. Não gosto de conversar sobre atrações e valores de festas Open Bar. Me desculpem, mas a minha mente é tão agitada que eu só quero um pouco de sossego de vez em quando.

Em muitos casos procuro briga por tudo. Tudo é motivo de eu me indignar e reagir. Eu já fui tão vilipendiada na vida (eita, que hoje estou usando palavras difíceis!) que por qualquer coisinha tendo a reagir, tendo a não admitir ser tratada de forma diferente da que eu mereço, da forma que eu trato. E qualquer indício de que posso vir a ser maltratada me faz acender uma luz vermelha. Dessa forma acabo metendo os pés pelas mãos e maltratando quem não merece ou agindo como criança. Pior que criança. É um defeito grave. Não tinha me dado conta dele antes e agora consigo perceber o porquê de algumas pessoas se afastarem de mim. Como já mudei muito ao longo dos anos e consegui melhorar e até mesmo corrigir alguns defeitos que tinha, também agora com a percepção desse, preciso tomar atitudes para corrigir. Urgente! Porque não quero e nem posso mais perder mais ninguém. Já chega!

Eu antes era uma pessoa teimosa que só ouvia a mim mesma, a opinião do outro não importava; era controladora, calculista, ciumenta, grudenta daquelas de querer falar com a pessoa o tempo todo... Eu já corrigi muitos defeitos e pretendo corrigir mais esses. Era só uma questão de percepção. Alguém que eu amo me fez perceber o quanto sou estúpida e infantil ainda. Nem eu me suportaria. Eu ainda preciso mudar muito. Ser segura o suficiente para não deixar coisas pequenas me atingirem num grau superlativo. O meu maior problema é insegurança, ansiedade, depressão. Eu não faço por mal. Só parece que algo em meu eu gosta de brigar ou precisa sempre se indignar,  sei lá...

Mas é muito bom ter maturidade para perceber erros e defeitos. É muito bom olhar para dentro de mim mesma, dar um passo para trás e observar o que deve ser mudado. Já devia ter sido, só que eu ainda não tinha percebido a gravidade do problema. Sim, mudar é preciso!



Rafaela Valverde

O perdão

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O que é o perdão? Pra mim perdão é o maior ato de clemência que se pode fazer por quem se ama ou gosta. Bem, eu sei, talvez eu esteja exagerando... Clemência  é uma palavra muito forte. Mas ainda penso assim. Perdoar é a coisa mais nobre que se pode fazer pelo outro. O outro que de alguma forma a gente gosta. Porque quem a gente não tem uma relação afetiva não tem capacidade de nos atingir com seus atos. Já repararam que quem mais nos atinge com atitudes é quem a a gente gosta? Nos atinge porque nos importamos. E, se nos importamos com aquela pessoa ou com aquela ligação afetiva, então por que não perdoar?

Perdoar chega a ser um conceito religioso, cristão. Acho que também é uma coisa nobre que podemos fazer por nós mesmos. A gente se sente mais leve depois que a raiva passa, depois que a deixamos passar, depois que a cabeça está fresca. Já perdoei várias vezes e me senti muito melhor sempre que o fiz. O perdão é lindo. É olhar para o outro entendendo sua humanidade e com isso sua capacidade intrínseca de cometer erros. É olhar para o outro reconhecendo a si mesmo e a sua própria humanidade, porque também cometemos erros. Todos nós. É a coisa mais certa: saber que o outro vai errar. E se ele erra, é ser humano. Se ele erra, todo mundo erra. Quem perdoa ou vai perdoar também erra o tempo todo ou já errou feio um dia. Por que não ter empatia? Por que não se colocar no lugar daquela pessoa que errou e tentar entendê-la? Eu já estou tão acostumada a fazer isso que pra mim já soa como algo muito fácil. 

Sou das que perdoam. Sou das que não guardam mágoas. Sou das que dá segunda, terceira chances... Já cheguei a dar chances extras. Me via como trouxa por conta disso. Hoje não vejo mais. Me vejo como alguém que entende o outro e consequentemente a si mesmo. Me vejo como alguém de coração bom que entende que perdoar é básico para qualquer tipo de relação. Claro que tudo tem seu limite e depois das chances extras, a gente já começa a perceber que o outro não está realmente disposto a mudar ou a consertar seus erros... Mas quando o outro se dispõe a consertar seus erros e mostra isso ao longo do tempo nada mais justo que dar essa chance. Nada mais justo que dar chance de a pessoa se redimir. Todo mundo merece. Eu acho. Sempre tive essa certeza em minha vida. Acredito no ser humano. Ainda.

 Ainda vislumbro possibilidade de melhorias nas pessoa. Pelo menos nas que se propõem a mudar e se policiam. Obviamente é preciso enxergar essa mudança, essa melhoria. Não dá, como eu já disse, para ser feita de idiota. Ninguém merece ser feito de idiota, ao mesmo tempo que todo mundo merece uma segunda chance. Sou adepta das segundas chances. Sou adepta ao perdão. Meu coração perdoa. Minha cabeça também. E tudo volta do início. Começa do zero. E consigo ser capaz de entender o outro, de perceber seus esforços em mudar e começar tudo de novo. Nossas relações afetivas se renovam a partir do perdão e ficam melhores.




Rafaela Valverde
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