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sexta-feira, 22 de setembro de 2017

Uma manhã...

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Ela tinha acabado de correr, por isso estava ofegante e suada. A esteira ainda ligada na tomada. O cômodo tomado por seu cheiro. Hidratante e seu suor quente. Mistura química que me enlouquece. Andava de um lado para o outro, impaciente. Devia estar atrasada. Sempre se atrasava quando corria de manhã. Observei- a pelo que pareceu ser uma eternidade, antes de entrar no quarto. Coque no alto da cabeça, camiseta rosa bebê, calça legging estampada. O tênis já estava no canto. Seus pés à mostra. Unhas pintadas de vermelho. Os pés mais lindos e sensuais que já vi na vida.

Entrei enquanto ela estava de costas e a abracei beijando-a no pescoço. "Cheguei"- disse em seu ouvido. Mais um plantão, mais uma noite que ficara fora de casa, longe dela. Ouvi o som do seu sorriso por saber que eu estava ali. Virou e me beijou suavemente. Beijo de saudade. "Tô atrasada." Respondi que sabia e que não iria incomodá-la. Revirou os olhos dizendo muda que eu não incomodava. Sabia que era isso que queria dizer. Tirei a roupa do trabalho e entrei no banho, enquanto ela continuava sua saga matinal.

Nossa rotina estava pesada. Quase não nos encontrávamos mais. Eu chegava e ela saía. Respirei fundo sentindo a água passeando pelo meu corpo. Cheguei cansada, mas cheia de tesão. Queria-a. Mas hoje não parece ser um bom dia. De costas para a entrada, me ensaboando, ouvi o barulho do box se abrindo e me virei. Lá estava ela, nua. Me olhando daquele jeito gostoso. Me beijou com veracidade, reavivando meu corpo.  "Liguei pra lá e disse que vou me atrasar..." - disse. Agarrou meu cabelo e me empurrou até a parede, me beijando cada vez com mais força. Meu corpo ainda estava cheio de sabão e sua mão escorregava sobre ele. Me apalpava com intensidade, parecia que eu iria escapar caso não me segurasse.

De repente parou. Me enxaguou, retirando o sabão do meu corpo. Se ensaboou rapidamente, me provocando e fazendo aquela dancinha boba que eu gostava. Terminou seu banho enquanto eu fica ali parada, olhando-a. Abriu o box, saindo do banheiro sem se secar. Sorri. Vesti o roupão e fui atrás. Ela havia deitado na cama, nua, molhada e de bruços. As pernas jogadas pra cima. Pouco se importando comigo...

Tirei o roupão e me joguei de leve por cima dela. Beijando suas costas molhadas até quase o bumbum. Massageei suas pernas e pés. Ah, aquelas unhas vermelhas... Virei-a beijando sua boca suavemente, acariciando seu cabelo. Passeei a língua pelos seus seios e ela gemia baixinho. Aréolas, bicos... Mordicadas de leve e ela ficava cada vez mais enlouquecida. Seu olhar pegava fogo. Intercalava beijos, mordidas e lambidas em sua barriga, me concentrando no umbigo. Nessa hora, ela já puxava meu cabelo e gritava.

Sentir seu gosto era o momento mais esperado. Foi o que eu fiz. Mergulhei em seu universo enquanto a chupava. Ela estava deliciosamente excitada, molhada. Fazia movimentos diversos com a língua. Sentia prazer com seu prazer. Ela gemia e apertava minha cabeça e ali eu permanecia obedientemente. Passeando minha língua, matando meu tesão. Satisfazendo-a. Língua, dedos, saliva, suor, água... Nós duas ali, esquecendo horários, obrigações e tudo que não fosse nós mesmas e nossos corpos...

Gozamos. Arfantes, deitadas lado a lado olhávamos para o teto. Mãos dadas. Não falamos nada. Não precisava. Eu sabia o que ela pensava e vice-versa. Depois de vários dias, tivemos uma transa deliciosa. Nossa sintonia aumentava, nossos corpos se entrelaçavam e crescia o tesão. Ela virou de lado, olhando diretamente para mim. O sorriso safado ainda estava ali. Se jogou em cima de mim, me beijando. Recomeçamos...


Rafaela Valverde





Ela e os trabalhos dela: um lamento público

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Ela foi uma jovem inconsequente no que diz respeito a empregos, a trabalhos. Em contrapartida de todas as outras partes da vida em que sempre foi certinha. Casou cedo e durante oito anos só teve um único homem. Mas no que se refere a estabilidade financeira, estudo e carreira, sempre foi desmiolada.

Temperamento agitado e quente que nem pipoca na panela. "Não levo desaforo pra casa" - foi seu mantra durante anos.  Largava empregos. Irresponsável. Mangueava. Pedia demissão. Achava que era fácil conseguir outro."Sou demais." Se achava muito boa. Até era. Mas faltou humildade e comprometimento.

Jovem e inconsequente. Mas, sabe, não justifica. Ser jovem não é necessariamente sinônimo de irresponsabilidade e inconstâncias. Foram muitas atitudes infantis, daquelas que nem criança tem. Houve momentos ruins. Mas, hoje ela vê que não era nada insuportável. Ela podia ter aguentado em muitos momentos. Hoje é muito claro. Fica mais fácil perceber, ao longo do tempo, que foi muito idiota. Burra mesmo. Perdeu oportunidades, jogou outras no ralo. Viraram dejetos, junto com sua vida. Vida que poderia estar melhor se não fosse por ela mesma.

Sim, ela é a principal responsável pela merda em que está mergulhada. Até o pescoço. Lama. Tóxica e purulenta. Não há uma pessoa que conviveu com ela que não a tenha alertado. Impulso. Era o que movia suas ações. "Vou pedir demissão. Não faça isso" - a voz do marido na época, ecoou pelo telefone. Ela não ouviu. Achou que onde estava era ruim demais. Saiu. Não pôde suportar. Por quê? Porque sempre queria justificar essas atitudes idiotas? Não há justificativa. Agir de forma tão imprudente. Uma. Duas. Três. Ene vezes. Arrependeu- se, quis voltar atrás, já era tarde. A merda já estava feita. Ela fez isso até mesmo no melhor emprego que já teve. O que mais gostava. Para quê? Para descansar. "Não aguento mais fazer a mesma coisa todo dia."

Hoje vê o quão foi burra. O passado lhe dá tapas com mãos de ferro. Se mostra e se gaba. "Você não pode me ter mais..." Inconsequente. Irresponsável. Já nem sei quantas vezes repetir essas palavras aqui nesse lamento público.  

Mas é isso que ela é. Ela sabe que foi. Ninguém precisa dizer-lhe. Ela se culpa. Ela se flagela e esse auto flagelo não tem fim. Vem em forma de ansiedade, insônia, depressão, crise de pânico e tristeza. Além de frustração e raiva. Raiva de si mesma. De ter sido tão estúpida. Tanta  coisa jogada na lata de lixo!

A maturidade mostra hoje o que foi feito no passado e era escondido pela névoa de infantilidade, de ilusão do gênio forte. Pavio curto, personalidade  difícil. Poucos sabiam lidar. Nem ela mesma sabia.  Mas ela mudou. Amadureceu. Renasceu. Reviveu. Ela sente na boca o gosto amargo  das besteiras que fez.. Seu maior emprego durou um ano e oito meses. Chora. Perde outras chances. Terceira. Quarta. Décima chance. Quer movimentar a vida. Estacionada. Quer avançar e não consegue. Crise. O emprego não vem. Maré de azar. Três estágios como professora substituta não deram certo. As professoras titulares sempre voltavam. Ano conturbado, esse. Ímpar. Nunca gostara de anos ímpares. Geralmente, por má sorte mesmo ou por força do pensamento, esses anos são bem cuzados para ela.

Ela se sente fraca. Não tem mais a quem recorrer. Já pediu aos céus e aos infernos. Implorou. Pediu. Esperneou. Nada. Mais de ano se passou. Precisa reformar o quarto, comprar aquele Kindle maravilhoso e um notebook. Precisa ter dinheiro de transporte para não ter que trancar seu amado e suado  curso.

Não que não haja vagas. Não que não dê para conciliar com a faculdade. Até tem. Até dá. Só não chegam para ela. "Entenda, não é azar. São as consequências dos seus atos. Tantos empregos que não valorizou agora se vingam de você em forma de vácuo." Simplesmente não vem. O que precisa para a vida dela avançar  não vem. "Viu sua trouxa, imbecil? Bem feito, eu não tenho pena de você."

Agora vá comprar o caderno das Americanas de  cinco reais. Agora vá comprar dois reais de pão e um copo de suco. Não vai. Porque não pode. Não tem dinheiro. Não tem emprego. Não tem vida, sucesso, avanço, carreira... Só o gosto amargo do que era, como era e quando era. O gosto do ontem que você expurgou e juntou ao lixo. Sem direito à reciclagem.

Agora aquente, sofra, chore, passe por isso. Encare e nãos e mate. Ore. "Faça mandinga." Dance um tango. Coma tofu. Faça coisas que nunca fez. Tome banho de pipoca. Fique cheirando a alfazema. E espere. Sim, eu só te digo uma coisa: seu maior castigo é esperar!



Rafaela Valverde

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Finitude

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Você sabe que a vida acaba não é?
Ciente do fim, você sabe que a vida tem que ser aproveitada
Não, não é apenas  um clichê dito por quem quer "meter o loko"
Não é mesmo!
Viver burocraticamente é apenas sobreviver
Coragem!
Você sabe que a nossa matéria acaba um tantinho dia após dia, não é?
Eu sei que você sabe
Tu estuda essas transcendências da vida que eu sei
Sua preguiça de florescer é o que mais me irrita
Você pensa que sabe tudo ou pelo menos muito
Oh, de nada você sabe
Você devia saber e ter certeza apenas que a vida, essa dádiva tão plena e bela que
foi dada a você e a nós, tem um momento para acabar
Não fique aí dando vacilo, achando que tem todo tempo do mundo
Você não tem, ok?
Espantalho!
Isso é um pseudo-palavrão que está aqui porque isso é um poema e não posso escrever o palavrão que rima com ele.
Espero que você realmente saiba o que tá fazendo.
Ficando na frente desse Big Brother gigante aí na sua sala, curtindo fossa na cama ao invés de curtir esse lindo céu azul-frescor e esse sol cheio de vitamina D.
Vai, sai da minha frente.
Enquanto você não tiver o melhor plano de viver da face da terra, eu não quero papo com você.



Rafaela Valverde


Série Grace e Frankie

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Conheci recentemente a série Grace e Frankie. Não lembro exatamente o porquê de ter adicionado a série à minha lista da Netflix, mas já estava há alguns meses. Daí comecei a assistir e gostei logo de cara. No início pensei que seria uma série chata e dramática sobre velhinhos, mas fui muito pega de surpresa, pois é uma série muito engraçada, bem feita e alto astral.

Criada por Marta Kauffman, Howard J. Morris, a série estreou em 2015 e tem três temporadas na Netflix. Já vi as três e estou apaixonada pelas velhinhas fofinhas cujo os nomes dão título a série. No elenco estão  Jane Fonda (Grace), Lily Tomlin (Frankie), Sam Waterston, entre outros. A série americana de comédia traz a história de Gracie e Frankie que depois de quarenta anos de casadas descobrem repentinamente que seus maridos são gays e estão tendo um caso há vinte.

A partir daí começa a série de conflitos mais engraçados que eu já vi na minha vida. Mas não são simplesmente engraçados, são diálogos bem feitos, situações tão inusitadas que a gente esquece até o drama do caso (traição) dos maridos. Até porque a série não se baseia nisso, a série funciona ao redor das duas setentonas "prafrentex."

Elas  namoram, fazem sexo, fumam maconha, tomam porres as onze da manhã e até criam um vibrador e uma empresa Sex Shop. Essa série mudou minha visão sobre a terceira idade. Mesmo que seja ficcional e Grace seja ninguém menos que Jane Fonda toda conservada e até um pouco plastificada, é impossível não mudar alguma coisa da imagem que temos da terceira idade. Até porque as imagens que tenho vêm das minhas duas avós e nem de longe se compara com as cenas que são protagonizadas por essas duas. Elas ficam muito amigas e essa amizade cheia de implicância, pois elas são tão diferentes, é que segura o enredo da série.

É claro que sempre tem alguma coisa que incomoda a gente um pouco em qualquer coisa. No caso da série o que me incomodou foi o silenciamento sobre a existência da bissexualidade. Os maridos são nomeados ou "taxados" o tempo inteiro como gays. Se assumem gays, se auto intitulam gays. Mas óbvio que eles são bissexuais não, é? E não só pelo fato de terem passado quarenta anos casados com mulheres, mas, também pelo de terem laços afetivos, filhos e vida sexual. É notório que houve paixão pelo menos em um dos casais. E esse casal  até tem uma pequena recaída sexual... e eu não vou contar mais nada. Apenas precisava problematizar isso, porque passei as três temporadas engasgada com isso. 



Rafaela Valverde

terça-feira, 12 de setembro de 2017

Aquele bom e velho medo de se apegar

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O que venho observando é que as pessoas estão meio perdidas. Elas não sabem exatamente o que querem. Claro, que em "as pessoas" eu me incluo porque não gosto disso de falar pelo outro ou sobre o outro me excluindo do problema. Entenderam? Quando eu digo as pessoas, são todos nós. Ok? Pronto, agora posso continuar. Pois bem, não temos em nossa cultura atual ideias bem definidas de relacionamentos. Às vezes nem amizade hoje em dia, é apenas amizade. Claro, que tudo é relativo, mas apenas tentem entender o que estou querendo dizer.

Antes, pelo menos na época de minha mãe e minha avó, existiam namorados, noivos, casados, amantes e outros nomes que queiram dar. Mas havia definição. Quando se fazia sexo sem ter "compromisso" havia recriminação, claro que com as mulheres né? Aff Mas se sabia o que queria ou em que estava metido. Não estou dizendo que era melhor, mas também não vou dizer que é pior. Eu não sei. Não estava lá. Não vivi essas épocas. Nasci no final dos anos oitenta...

O que quero dizer é queque existia um certo conservadorismo. Hipócrita e machista, claro. Eu acho que minha vó nem sabe o que sexo casual. Hoje temos essa liberdade. Temos a possibilidade de ter sexo casual, temos a possibilidade de não ter "compromisso" de não nos relacionarmos com ninguém. Isso foi muito bom, eu acho. Para nós mulheres, foi um ganho absoluto sobre nossos corpos e sobre nossa sexualidade.

Por outro lado, no entanto, viramos um bando de perdidos. Atarantados em nós mesmos, com medo de se abrir, com medo de qualquer contato mais próximo, com medo de se importar, de se apegar, de se importar. Vivemos com medo de tudo. Da violência urbana e de se relacionar. E não falo só de relação amorosa, falo de amizade e falo de ter consideração com o outro, mesmo que estejam em algo casual, mesmo que estejam ficando. Porque com nossos egos inflados, não querendo nos envolver para não sofrer acabamos sendo muito escrotos com as outras pessoas.

Medo. Tudo isso vem do medo. Medo de amar e de sofrer. Medo de abrir nossas casas e convívio familiar com quem quer que seja, medo de relacionamentos abusivos, medo de sermos enganadas. Medo. Nossas vidas foram invadidas pelo medo. Mesmo que nem todas as pessoas sejam assim, medrosas, sempre há algum, em maior ou menor proporção. Algum trauma do passado, em muitos casos vai determinar esses medos e nossas atitudes diante dele e sobre ele.

Eu tenho esse medo também. Sim, fui atingida. Tantas decepções dão nisso não, é? Mas eu não quero falar de mim. Estou tentando falar sobre a tendência que temos, em geral, em nossos dias, de não se envolver, não se relacionar, não se apaixonar. Queremos mesmo o casual, o raso. Mas tenho cá minhas dúvidas se estamos realmente felizes com isso. Já estou começando a sentir uma quebra de todo esse discurso bem elaborado e construído em nossas mentes.  Porque não é possível que se viva assim o tempo todo, a vida inteira. Em algum momento esse gelo tem que ser quebrado e o medo enfrentado. Em algum momento a gente vai se apaixonar, querer dividir o edredom,o brigadeiro e o filme em uma tarde de domingo. Mesmo que já tenha feito isso em determinado momento e quebrado a cara. Coloquemos a cara pra bater. E pra quebrar também. Porque a vida é se arriscar... Bom, é o que dizem, porque por enquanto eu prefiro é não dividir nada. Ficar só comigo mesma. É o melhor que posso fazer por mim nesse momento. Sem medo de ter medo.


Rafaela Valverde

segunda-feira, 11 de setembro de 2017

Tá bom - Los Hermanos


Senta aqui
que hoje eu quero te falar
não tem mistério não
é só teu coração
que não te deixa amar
você precisa reagir
não se entregar assim
como quem nada quer
não há mulher irmão que goste dessa vida
ela não quer viver as coisas por você
me diz cadê você aí
e aí não há sequer um par pra dividir

senta aqui
espera que eu não terminei
pra onde é que você foi
que eu não te vejo mais
não há ninguém capaz
de ser isso que você quer
vencer a luta vã
e ser o campeão
pois se é no não que se descobre de verdade
o que te sobra além das coisas casuais
me diz se assim está em paz
achando que sofrer é amar demais



Rafaela Valverde

Não faça mais ninguém sofrer do jeito que me fez

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Cansei de impor minha presença onde não sou bem vinda e para quem não me quer por perto. Cansei de ser segunda, terceira, quarta opção. Fantoche, apenas para nego se divertir. Quando você se ama tanto e se descobre tão incrivelmente maravilhosa, não sobra espaço para se permitir ser tratada de forma escrota. Às vezes, na verdade, quase sempre a gente se deixa levar, no meu caso por amor e pela "trouxice" e sou tratada como lixo. De forma que nenhum ser humano merece ser tratado. O outro lado sequer pede desculpas, acha que está certo, "só porque aquilo já aconteceu e não tem como mudar." Ah, vai te catar! Não foi obra do acaso, aconteceu porque você quis que acontecesse. Você, conscientemente agiu como um porco com a última pessoa que deveria sacanear no mundo: eu. Não vou ficar aqui dizendo todas as vezes em que te apoiei, estive do seu lado e cuidei de você, por que você sabe e nesse momento vai passar um filme na sua cabeça. Mas, olha quer saber? Eu sou uma retardada mesmo. Quantas vezes eu vim aqui neste mesmo blog escrever coisas assim? Quantas vezes eu me despedi, eu briguei, eu lutei contra o que eu sinto, eu escrevi com lágrimas nos olhos e os dedos tremendo? Muitas! Você, nem leu, cara! E nem vai ler. Você nunca saberá da metade das coisas que eu penso e sinto porque você não me ouve, você nunca me ouviu. Na verdade, você pode até ouvir a minha voz, o eco dessa voz irritante chegando no seu ouvido, mas você não me escuta e nunca vai escutar. E quer saber? Quer saber mesmo? Eu tô cansada de ser a otária dessa história, poque definitivamente quem é otário aqui é você. E não só por me abandonar no momento em que eu mais precisava de você. Mas também por me tratar como um lixo. Um lixo bem descartável. Que não era bem vindo em seus eventos sociais, mas na cama era quem te satisfazia, porque nenhuma dessas mulheres que você insiste em querer pegar "tem o beijo como o meu." Não era isso que você costumava dizer? Não era isso que você dizia sempre? Que eu era a melhor mulher e que você nunca encontraria nenhuma outra como eu. Ora, disso eu sei. Agora fique aí vivendo essa vidinha medíocre que você escolheu ao invés de estar ao lado da pessoa mais maravilhosa que você conheceu. A minha burrice tem limite, sabe? Você achou que eu ia ficar servindo de suporte pra você? Você achou que eu ia continuar a vida toda sendo seu " socorro sexual? " Você realmente achou que isso ia durar? Eu sou maravilhosa demais e transo bem demais para ser apenas seu brinquedinho sexual, diga se de passagem o melhor brinquedo sexual que você já teve na vida. Mas, que pena que acabou né? Porque eu deixei de ser otária. Pelo menos sou menos otária do que há alguns meses quando você se aproveitou do fim traumático do meu namoro e como um abutre, começou a dizer que me amava, só para transar comigo. Só para eu te mimar, cuidar e acarinhar como só eu faço. E você sabe disso. O mais engraçado nisso tudo é que você decidiu abrir mão do melhor, para ter o pior, simplesmente pelo prazer de ser muito escroto. Caralho! Será que ensinam isso aos homens desde o ventre? Não é possível! Não entendo e nunca vou entender. Pra que causar tanta dor? Se não quer ficar não fica. Mas sai de vez! Como diria Carpinejar, você é o homem que não vai nem tampouco fica. Decide. Tantas vezes eu te pedi para decidir e você nunca teve coragem. Você é a pessoa mais covarde que eu conheço. Realmente não combina comigo que sou tão corajosa. Todas as coisas que eu fiz na vida, foram atos de coragem, que me fizeram estar realmente viva hoje. Eu já sei. Você se sente pequeno e tacanho diante de mim. E talvez seja mesmo. Talvez você seja toda a escória que sempre disse que é e eu nunca quis acreditar. Precisou eu, logo eu, tomar a decisão de me afastar de você, porque você nunca o faria. Eu tenho muita raiva da pessoa que você se tornou. Sem coragem, sem escrúpulos. Eu não vou ficar aqui apontando seus erros. Você é virginiano, conhece detalhadamente cada um deles. Eu espero, não que você sofra ou que seja infeliz. Não. Isso seria muito pouco pra você. E eu não sou assim. Eu sou a mulher que te perdoa há onze anos. Todas as suas cagadas. Olha, é triste saber que uma história tão linda se transformou nisso, nessa bosta. Saiba que por culpa sua. Vou jogar na sua cara um pouco de culpa pra ver se você passa sentir alguma!  Na boa, eu espero que você não cause mais sofrimento e infelicidade em mais ninguém. Pois tenho sofrido e sido infeliz desde que você começou a agir assim. Não sei como é, porque eu nunca causei tanta dor a ninguém, mas qualquer pessoa que tenha o mínimo de valores sabe que deve ser muito foda fazer alguém sofrer tanto. Mas, não sei. Você talvez não tenha tantos valores assim, já que não demonstra culpa, ao contrário, é frio e se diverte depois de fazer merda atrás de merda. Eu não tenho raiva de você. Eu tenho pena. Eu tenho medo que você cause essa dor que eu venho sentindo a alguma outra pobre coitada que apareça na sua frente. Portanto, por favor não faça mais ninguém sofrer. Para de ser escroto. Para de ser idiota. Para de falar uma coisa e fazer outra. Para de dizer que ama para conseguir sexo. Para, para, para. Para logo!


Rafaela Valverde


Ela é força

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Ela é tão forte que nada é capaz de destruir
Pensa em desmoronar, em ruir
Mas ela parece inquebrantável
Aço reforçado, energia inesgotável

Não que ela não tenha se sentido fraca
Sim, isso já aconteceu
Manhãs de ressaca
Em raros momentos a enfraqueceu

Nada que um banho e uma xícara de café não curasse
Momentos de catarse!
Daqueles que renovam; fortalecem mais
Estar consigo mesma, sem olhar para trás.



Rafaela Valverde

Eu não conserto erros de português de ninguém!

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Sou professora de português em formação. Entrei porque queria escrever, produzir, pesquisar, quem sabe fazer mestrado e doutorado. Entrei ainda perdida, sem saber muito bem o que era a sala de aula. Hoje, já faço. Já estive em sala de aula. Não é coisa que eu abomino como achei que faria. Eu amo estar na sala de aula, como aluna e como professora. Quero ressaltar que eu gosto de estudar esse curso, mas antes dele fiz dois semestres de psicologia e odiei. Era uma tortura estar na sala de aula estudando aquelas coisas estranhas.

Mas agora me sinto realizada estudando a língua portuguesa, suas teorias, práticas, literaturas e gramáticas. Eu não sabia que nossa língua era assim tão encantadora. Claro que tem disciplinas que gosto mais e outras que gosto menos. Umas que estudo mais e outras não. Em qualquer lugar é sempre assim. Mas ainda assim, eu me encontrei porque agora posso realmente fazer o que gosto: escrever e estudar a língua. Sempre gostei de português e sempre tive muita facilidade. Eu quase nem estudava português na escola, porque pra mim vinha natural e com apenas assistindo as aulas eu conseguia entender. Fora que eu sempre amei ler e escrever.

E eu estou escrevendo isso por quê? Para que as pessoas compreendam que quanto mais a gente é apaixonado pelo que faz, mais a gente estuda e quanto mais estudamos menos tendemos a praticar preconceito linguístico. E mais uma vez, digo isso estou escrevendo todas essas coisas porque eu não vou corrigir ninguém. A não ser que a pessoa me peça. Até porque eu não estou ganhando para consertar as pessoas. 

Se depender de mim as pessoas vão continuar falando e escrevendo "errado" que eu não estou nem aí. A não ser que seja meu aluno, criança ou adolescente. Sendo adulto e não sendo meu aluno, eu não estou aqui para ficar praticando preconceito linguístico com ninguém. Tem gente que fica com medo de conversar comigo no Whatsapp para não escrever errado, achando que eu vou corrigir. E já ouvi relatos de outros estudantes de letras falando a mesma coisa.

Mas não tenham medo da gente. Nós não vamos te consertar. Pelo menos um bom estudante de letras e um realmente estudante não vai te consertar. Fiquem tranquilos, leiam, estudem que isso auxilia na melhoria da escrita. Não precisa que outras pessoas te consertem, não! É deselegante.



Rafaela Valverde

terça-feira, 5 de setembro de 2017

Vida aleatória e sem sentido

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A vida é como um filme, ou talvez até uma série. Com vários episódios, uns bons, outros nem tanto. Vai alcançando ápices de conflitos, realizações e conquistas. Mas também há aqueles episódios decepcionantes, em que não acontece nada. E as temporadas sem emoção, sem nada bom. Parece que foram mal escritas. 

Séries são escritas por alguém e não são aleatórias. Seguem uma lógica, ou pelo menos deveriam. A vida já nasce sem lógica. Aleatória e sem sentido como já diria W. Somerset Maugham. Não sei porque nasci, nem quando vou morrer. Só sei que vou morrer em algum momento. E é isso que dá sentido à vida: a certeza de que um dia a morte vai chegar. Isso impulsiona a vivência. Afinal, é preciso aproveitar a vida, antes que tudo acabe e vire um vácuo escuro.

Tantas pessoas nesse mundo. Só em Salvador são quase quatro milhões de pessoas. Mais de sete bilhões no planeta e eu aqui querendo que alguma energia superior olhe por mim. Alguns preferem chamar essa energia de Deus. Eu também, às vezes, mas creio que essa força, essa fé que nos impulsiona a acreditar em alguma coisa está dentro da gente.

Se faz necessário crer em alguma coisa para sobreviver, para não surtar ou entrar em depressão. Daí a gente inventa a fé e inventa Deus. Assim, continuo com o exemplo das séries para ilustrar a vida. A gente precisa acreditar nos roteiristas, nos produtores e atores para compreender e aceitar os destinos dos nossos personagens preferidos. Tendemos a acreditar que os conflitos de cada episódio são a vontade do roteirista, assim como deixamos certas coisas a cargo de Deus, como se fossem seu desejo. E nem sempre temos a comprovação de que isso é realmente verdade. Não temos como comprovar nada. Mas precisamos acreditar. Desesperadamente. Alguma coisa precisa fazer sentido para que possamos aceitar melhor determinados fatos da vida, ou a falta deles.

Aí vem nossos questionamentos sobre a vida, sobre as coisas que a gente consegue ou não na vida, mesmo que peça, mesmo que implore, mesmo que faça promessas. Enquanto isso pessoas ordinárias vivem bradando suas vitórias. A gente começa a se perguntar o que está fazendo de errado e porque simplesmente as coisas não fluem e porque a gente não consegue felicidade, paz e calmaria. É tudo muito injusto e repito: aleatório e sem sentido. Dizem que as energias que lançamos ao universo voltam para a gente exatamente como lançamos, portanto quando ajudamos as pessoas, somos gentis, não fazemos maldade e somos positivos essas coisas deviam retornar para a gente com coisas boas. Mas não é bem isso que acontece. Bom, pelo menos não para mim, pelo menos quase sempre, porque as coisas quase sempre desandam e eu me pergunto diariamente sobre isso.

E por outro lado vejo que pessoas falsas, fofoqueiras, invejosas, mentirosas e com mau caráter se dão bem na vida, ou pelo menos aparentam estar muito bem. Aí eu me pergunto porque a vida não funciona como as séries, filmes, livros, etc., onde os mocinhos se são bem e vivem felizes e os vilões morrem ou vão presos e sempre se dão mal. Como gostaria que a vida fosse uma série.


Rafaela Valverde

O mundo do silêncio

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Me dei conta que sou solitária. Não sou daquelas pessoas que fazem amizade em qualquer lugar que chega. Demoro um pouco. Demoro para me abrir, para me enturmar, demoro para sorrir. Quase nunca sorrio. Não gosto de me revelar logo de cara. Não confio nas pessoas e quase nunca gosto delas. Ouvir gente falando é uma tortura pra mim. Quando preciso estar em um ambiente com muitas pessoas gostaria muito que elas não falassem e nem arrastassem os chinelos. Me irrita muito certos contatos. Irrita e incomoda. Já pensei que podia ser algum tipo de distúrbio, autismo, sei lá... Mas semana passada quando conversava com um ex professor, ele falou que nós, pessoas solitárias, sofríamos muito quando em contato com as outras pessoas... Nesse momento foi que caiu a minha ficha e percebi que realmente sou uma pessoa solitária. Talvez não porque eu queira ser, ou talvez sim, nem sei mais. Mas também há esse meu jeito de ser né. Se eu encontro uma pessoa no ônibus, continuo lendo meu livro ou com o fone de ouvido, simplesmente porque não quero conversar com ela. Eu não quero conversar com quase ninguém. São muito raras as pessoas que me despertam a curiosidade de conversar. São raras as pessoas com quem eu me sinto à vontade para falar, falar e falar. Eu geralmente até prefiro escutar do que falar. Mas nem tanto pois valorizo meu silêncio demais. Quando estou almoçando no Restaurante Universitário quero comer em silêncio. Deglutir calmamente minha comida enquanto simplesmente curto uma música ou meu programa preferido na rádio. Eu não quero ninguém tagarelando em meu ouvido. Eu não quero blá, blá, blá no meu juízo o dia inteiro. Não sei o porquê de as pessoas falarem tanto. Não sei porque não calam a porra da boca, na moral. Não gosto de tagarelices, nem de jogar conversa fora. Não gosto de desperdiçar palavras, nem de gastar saliva. Sou, na maioria das vezes, calada. Sou personalidade única, como todas as pessoas no mundo. Obviamente cada pessoa é única. Existem muitas pessoas solitárias por aí. Eu não sou a única e nem sou a privilegiada que só abre a boca quando tem certeza e em caso de extrema necessidade. Mesmo que essa necessidade seja um final de tarde, com uma amiga, fumando, vendo o pôr-do-sol, conversando, conversando e rindo das caras dos homens. 



Rafaela Valverde

sexta-feira, 1 de setembro de 2017

Foi assim a gente na cama

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Foi doce e ao mesmo tempo ardente. Isso é possível quando nós dois estamos no mesmo recinto, no mesmo colchão. Chocolate e Pimenta. Vinho seco e vinho tinto daqueles bem vagabundos e doces. Os opostos. Que se conectam não apenas com o corpo numa linda dança, uma coreografia bem ensaiada. 

E foi assim que foi. Sem nenhum ensaio prévio. E quando me dei conta estava em cima de você. Foi tudo muito louco. Ainda de roupa, já estava molhada. Os flashs que vêm à minha cabeça por si só já são deliciosos. Você me chupava com uma voracidade, uma sede. De uma forma que eu nunca havia sido chupada. Tanto desespero, tanto destempero e agonia se tornaram um boom estonteante de prazer do início ao fim.

Mordia sua orelha e passava minha língua nela só pra ver você se derretendo. Nossa dança continuava, sincrônica e suave, selvagem e desajustada. Brincávamos de explorar nossos corpos em plena luz do dia. Luz que entrava pela janela transformando a penumbra do quarto em mais lascívia. Cada vez mais. Gemia de prazer com cada gesto seu, que me movia como se soubesse todos meus pontos erógenos  e sabia. Todos meus pontos de prazer. 

Ás vezes gritava porque não conseguia mais ficar calada porque você é demais. Faz tudo bem. Bem até demais. Como eu não imaginava muito, confesso. Há tempos que não tinha um sexo tão incrível. Uma outra pessoa não me dava tanto prazer há um tempo relativamente bom. E nem só por isso, mas pelo fato de me sentir desejada. Me senti uma deusa exclusiva e maravilhosa.

Entre um rolar na cama e outro, beijos quentes e carinhos fofos que me deram gosto de ter usado meu hidratante caro. Deixei minha pele mais macia e parece que você adivinhara, porque me acariciava de uma forma tão doce e ao mesmo tempo libertina que eu lembro desses toques até hoje. E assim é que foi: carinhoso e sensual. Indomável e dócil. É assim que foi. Deitamos de conchinha e o que você falou em meu ouvido com essa voz gostosa está ecoando até agora... Gozamos juntos e ficamos ali abraçados, de conchinha, sentindo o calor do corpo do outro e esperando a próxima vez.



Rafaela Valverde

sábado, 26 de agosto de 2017

O Sol

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Tomei um susto
Quando você se foi
Achei que era pra sempre
Afinal eu já tinha ido também
Voltei há pouco tempo
E já te perdi?
Como assim?
Mas você não vai
É persistente como eu
Insiste que nem o sol nascendo todas as manhãs
E mesmo em dias nublados o sol está lá em algum lugar
Assim é você
Está em algum lugar
Circundando minhas áreas
Observando minha vida
Ameaçou que ia
Mas voltou
Que pirraça!
Sei que você sempre volta
Exatamente como o sol
Ei, você tem sido um tipo de sol
Nesses meus dias escuros
Em que nem a chuva aparece



Rafaela Valverde

quinta-feira, 24 de agosto de 2017

Desisti definitivamente de aprender inglês

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Desisti definitivamente de estudar inglês. É, parece que realmente a minha casa é a desistência. Falo isso em alusão a um trabalho solicitado por uma professora de literatura no semestre retrasado, que pedia que identificássemos nossas casas. Na época escrevi um texto bastante reflexivo e acusatório. Acusando a mim mesma, claro. 

Sei das minhas limitações e me conheço melhor do que qualquer outra pessoa no mundo, obviamente. Assim, sei como vou me comportar diante de determinadas situações e até onde posso ir ou não. Nesse caso, não dava mais. Tentei pela quarta vez um curso de proficiência na UFBA. Mas apesar de tentar, não consigo aprender muito. Pelo menos nessa proposta de curso.  Uma sala de aula coletiva em que eu tenho que interagir com outras pessoas, fazer exercícios de prática e errar na frente delas. É muito difícil para mim. Além do mais eu estava num nível que as professoras falavam, contavam piadas e eu era a única da sala que não entendia, consequentemente não ria. Na boa, é demais pra mim.

Lembro que na época da escola sempre tirei notas boas em inglês. Eu gostava de estudar inglês e até ajudava os colegas. Mas também pelo inglês que é dado em escola pública né...? Ainda assim, eu conseguia pegar melhor que agora. Parece que é algo relacionado à idade. Dizem que quanto mais jovem for, mais fácil e rápido de aprender. Faz sentido. E eu não vou mais me massacrar por isso.

Entrei no curso no ano passado e fiz um módulo: o elementar I; para o elementar II fiz umas semanas e abandonei, depois me matriculei de novo e nunca fui. Agora me matriculei de novo aos sábados e foi aí que me convenci de que não tenho mais paciência para aprender. Além da falta de paciência, que já não tenho para muita coisa mesmo, mas percebi que tenho dificuldades para aprender mesmo. Pelo menos em uma sala de aula, em contato com outras pessoas. 

Por isso mesmo desisti. Eu não vou mais perder meu precioso tempo nesse curso e nem em nenhum. Me conformei e aceitei que não tenho mais jeito para estar em um curso de inglês. Talvez eu tenha alguma trava sei lá. Mas o fato é que eu desisti do inglês. De novo. Nem acabou ainda, mas parece que 2017 é o ano da desistência, para mim. Pelo menos desistência de coisas que não me fazem bem. E isso, definitivamente não me faz bem.



Rafaela Valverde

terça-feira, 22 de agosto de 2017

Série Lúcifer

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A série Lúcifer estreou na Fox em 25 de janeiro de 2016 e já está na segunda temporada, que ainda não chegou na Netflix. Criada por  Tom Kapinos em 2015, a série é ambientada em Los Angeles, e se encaixa nos gêneros Drama, Fantasia, Policial.

Cansado de ser julgado no inferno e com tédio, Lúcifer decide vir à Terra conviver com os humanos. Lúcifer Morningstar, (Tom Ellis) como se auto denominou, abre a boate Lux e passa a se divertir em companhia dos moradores da agitada Los Angeles. Ele passa a auxiliar policiais locais a capturar bandidos ao lado da bela policial Chloe Decker (Lauren German).Assim vão acontecendo as aventuras da nova vida de Lúcifer que muda cada vez mais a medida em que se aproxima das pessoas. Até faz terapia. E sempre é interpelado pelo seu irmão Amenadiel (D. B Woodside) para que retorne para casa e às graças do pai.

A série é bastante irônica. Piadas bem feitas e reflexões sobre esse misterioso mundo que se divide entre céu e inferno, bom e ruim (ou não). Eu pelo menos, pensei em muitas coisas sobre a bíblia por exemplo. Coisas que nós, criados com forte interferência cristã, somos levados a acreditar desde cedo, desde a mais tenra infância. Mas será que as coisas são dessa forma mesmo? Não cabe nenhum questionamento? A série traz esses questionamentos o tempo todo. É transgressora. Não está muito aí para as críticas. derruba conceitos pré estabelecidos e ainda vai dar muito pano pra manga. Contando a história do anjo mais bonito e iluminado que se rebelou contra Deus e foi expulso do céu, indo parar no inferno para fazer maldades... Será?


Rafaela Valverde


Quero pedir desculpas a todas as mulheres - Rupi Kaur

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quero pedir desculpas a todas as mulheres

que descrevi como bonitas

antes de dizer inteligentes ou corajosas

fico triste por ter falado como se

algo tão simples como aquilo que nasceu com você

fosse seu maior orgulho quando seu

espírito já despedaçou montanhas

de agora em diante vou dizer coisas como

você é forte ou você é incrível

não porque eu não te ache bonita

mas porque você é muito mais do que isso


Que coisa linda!


Rafaela Valverde

Metonímia - Angélica Freitas

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alguém quer saber o que é metonímia
abre uma página da wikipédia
depara com um trecho de borges
em que a proa representa o navio

a parte pelo todo se chama sinédoque

a parte pelo todo em minha vida
este pedaço de tapeçaria
é representativo? não é representativo?

eu não queria saber o que era
metonímia, entrei na página errada
eu queria saber como se chegava
perguntei a um guarda

não queria fazer uma leitura
equivocada
mas todas as leituras de poesia
são equivocadas

queria escrever um poema
bem contemporâneo
sem ter que trocar fluídos
com o contemporâneo

como roland barthes na cama
só os clássicos


Rafaela Valverde

Livro Machado - Silviano Santiago - Parte II

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 Texto escrito para avaliação da disciplina O Cânone Literário Brasileiro do curso de Letras Vernáculas da UFBA, onde estudo.

Não há espaço para best-sellers, desses que lotam as linhas de frente das livrarias nos dias de hoje – na Academia Brasileira de Letras. Nem no cânone. Mas, o cânone pode ser bastante relativizado. Cada pessoa pode ter o seu e dessa forma, um best-seller pode estar presente. São possibilidades. Tudo é possibilidade. Nada é estanque, sobretudo no que tange ao conhecimento e a literatura.

Porém, é correto afirmar que o cânone existe, os cânones existem desse sempre. E são necessários, pois não há como ler todas as obras literárias lançadas no mundo.

O próprio Silviano Santiago se apropriou da ideia de cânone ao construir o livro. Ele utilizou as leituras do próprio Machado, como por exemplo, Flaubert – olha ele novamente – autor que estava presente com todas as suas obras na estante do escritor brasileiro. Além disso, havia a forte presença do romancista José de Alencar, amigo do morador do Chalé do Cosme Velho. Não tinha como falar de uma personalidade tão intensa, sem passar pela crítica literária. Além dos demais aspectos que envolvem a literatura hoje e na época em que viveu Machado de Assis. 

Autores desconhecidos também fazem parte do bem tecido emaranhado literário que é Machado. Mário de Alencar foi um deles. Mário era filho de José de Alencar e melhor amigo de Machado de Assis. Além disso, era seu discípulo e protegido, auxiliado pelo autor de Memórias Póstumas de Brás Cubas, na eleição para a cadeira na ABL.

Mas Machado não tinha muitos amigos, especialmente após a morte de Carolina, sua esposa portuguesa. Especialmente nos últimos anos com as crises epilépticas e as ausências, como ele chamava os desmaios, e vertigens. Essas crises afetavam a saúde de Machado e o faziam passar vergonha. Mas as enfermidades também o aproximou de Miguel Couto, ex médico de sua esposa. Doutor Miguel Couto passa a ser médico de Machado também, a partir do momento da primeira crise epiléptica e posteriormente de Mário de Alencar que passa a apresentar os mesmos sintomas do mestre, do pai espiritual que ele considerava.

A melancolia acompanhava o velho bruxo. Junto com as ausências e as convulsões. Ele não se afastava do trabalho, mesmo com os problemas de saúde. O que Silviano traz para o livro é o convívio de uma pessoa idosa com uma saúde frágil. Saúde que lhe oferecia diversas limitações. Na alimentação, na locomoção e até nos passeios que fazia, especialmente pela livraria Garnier. Silviano faz um paralelo com a sua própria vida de homem idoso, morando sozinho e convivendo com a melancolia. Como ele mesmo afirmou em uma de suas entrevistas, o romance é um romance de sobrevivência. Daqueles que trazem personagens em seus últimos momentos de vida. Assim é com Machado de Assis, assim é com o próprio Silviano. Pelo menos assim ele se colocou, do alto dos seus 81 anos, como alguém que estava em sobrevivência. Aí, mais uma vez, assim como em vários outros momentos do livro, narrador, autor e personagem principal de confundem como se fossem um só. E confundem também o leitor.

Quando lemos, às vezes, fica difícil saber quem está se pronunciando ali. Quem está desenvolvendo aquela ideia, aquela crítica ou quem está contando a vida de Machado de Assis. O Rio de Janeiro se transforma, se moderniza, fica parecida com Paris, enquanto personagens e estórias vão se desenrolando. É claro que a história não pode ficar de fora, sobretudo a história da cidade do Rio de Janeiro, que desde essa época já sofria com ação de bandidos. Com muitas notícias e imagens de jornais da época, podemos saber como funcionava a dinâmica da cidade da época. Por exemplo, na página 181 há o episódio do assalto à casa do doutor Miguel Couto na rua Senador Dantas. Objetos de valor da família são roubados e em plena a luz do dia. “Não falta policial nem sobre ladrão. Falta é policial que percorra as ruas, patrulhando a cidade.” Afirma o narrador. Atual, não?


Outros episódios dão conta ainda da falta de infraestrutura que tomava conta da cidade. Faltava água e as pessoas ansiavam por chuvas. As pessoas pobres, durante o processo de urbanização e modernização do centro foram expulsas para as partes mais altas da cidade. Olha as favelas nascendo!  Machado de Assis tinha assistia com desalento a mudança da sua cidade. Para o que ele considerava ser pior. A cidade do Rio de Janeiro e sua história não podiam ficar de fora de um livro que fala tão detalhadamente de um dos autores que mais retratou em suas obras, a cidade maravilhosa.

E por falar em suas obras, o livro de Silviano Santiago traz alguns detalhes sobre seu último livro: Memorial de Aires. A construção dos personagens e a comparação com outros personagens dele. Memórias Póstumas de Brás Cubas também é analisada da forma “silvianica”. Ele traz referências à ciência, à bíblia, à literatura mundial, à arte entre vários outros assuntos que são abordados nesse preciosíssimo livro.
O capítulo nove, penúltimo,  Manassés e Efrain começa indicando a pouca vida que ainda restaria a Machado. Últimos meses de vida que se encerra em 29 de setembro de 1908. Esse capítulo destrincha a amizade de Mário de Alencar e Machado de Assis, confirmando a ideia que o primeiro esteve com o segundo até o fim. Um era bastante leal ao outro e na página 339 há a seguinte passagem: “Mário de Alencar é o alter ego do velho Machado de Assis, em quem ele confia como não se confia em imagem no espelho.” Essa é a ideia que o narrador ou Silviano Santiago tem da amizade dos dois escritores. Claro que houve muita pesquisa e com certeza era uma amizade muito boa mesmo, com lealdade. Será que Silviano tem um Mário de Alencar em sua vida? A amizade é um dos temas mais presentes no livro do crítico literário.

Por fim, o capítulo dez, Transfiguração, Silviano relaciona as leituras realizadas por Machado ao conjunto de sua obra e sua vida. “Machado de Assis tem na biblioteca tudo o que Gustave Flaubert e Stendhal publicaram no século XIX.” (p.379). Várias outras questões são abordadas nesse capítulo, é claro que para saber é preciso ler o livro, não vou aqui me adentrar em todas elas. Apenas estou pontuando e tentando “comentar” – já que analisar seria muita audácia da minha parte – as que mais me chamaram atenção.  Para finalizar devo aqui registrar que o livro é aberto com a pintura Transfiguração, de Rafael e nesse capítulo, o último e de mesmo nome, Silviano faz uma pequena análise do quadro e o relaciona com as crises convulsivas de Machado. Uma das hipóteses que Silviano cria é que há um rapaz com crises epiléticas no quadro, olhando para Jesus, que flutua no centro na imagem. 

Como já havia dito, o livro é um emaranhado –  a meu ver organizado – de informações, de saberes, de questões a serem abordadas. Seriam necessários vários anos e várias teses para analisar detalhadamente a obra de arte chamada Machado. E ainda assim não se daria conta. Para além do romance, da biografia, do rinoceronte e da sobrevivência, o livro é um compilado de cânones. O livro nasceu para ser cânone e daqui há cinquenta anos com certeza ele e seu autor serão lembrados. Como não deixar esse livro ser cânone? Como não permitir que seja? Como afirmar que uns cânones não devam existir? Provavelmente não é possível, pois, essa obra já nasceu para ser cânone. Já nasceu para consolidar seu autor, idoso e sobrevivente solitário em seu apartamento cheio de livros, como autor canônico. Autor que deve ser lido. E com certeza será.



Rafaela Valverde



Livro Machado - Silviano Santiago - Parte I

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Texto escrito para avaliação da disciplina O Cânone Literário Brasileiro do curso de Letras Vernáculas da UFBA, onde estudo.


Machado é um romance que não é romance. Uma biografia que vai além dos fatos da vida de alguém. Ensaio que já é o espetáculo. Espetáculo protagonizado pelo mímico do Cosme Velho, Machado de Assis. Retratada já em sua fase final, a vida de Machado de Assis foi bastante complexa.

Descendente de escravos, Machado sempre viveu de forma humilde. Conviveu com a escravidão durante grande parte da sua vida, até a abolição. Esta temática esteve bastante presente em sua obra. O livro retrata, porém os últimos quatro anos da sua vida. A partir de cartas escritas entre 1905 e 1908, Silviano Santiago construiu a grande obra biográfico-ensaística-romanceada-pitoresca e rica.

Além de uma grande homenagem, Machado pode ser considerado um bom almanaque de literatura. E não só brasileira. E não só de literatura. Almanaque de história, crítica literária e dos últimos momentos da vida do Bruxo do Cosme Velho.

Como o próprio Silviano Santiago declarou em uma de suas entrevistas: não era possível escrever um livro simples sobre a vida de alguém tão complexo como Machado de Assis. Por isso, o livro tão multifacetado. Não dava para ser uma simples biografia narrando fatos da sua vida e descrevendo dados e anos. Um romance simples, porém, não bastaria. Fazia-se necessário um livro grandioso, para a posteridade.

É claro que a intenção de fazer um livro como esse não é apenas homenagear um grande escritor e o fundador da Academia Brasileira de Letras. Não. Silviano quer deixar para o futuro, algo de si mesmo. O que ele próprio sabe sobre literatura. Seu mestrado na França, ilustrado pelo grande conhecimento em Flaubert não deixa mentir. Além disso, inicia- se a consagração do escritor como cânone da sua geração. Já que Machado foi e ainda é um autor legitimado no Brasil e no mundo. Há ainda de lembrar que o processo de urbanização do Rio de Janeiro, fator que incomodava muito o Bruxo do Cosme Velho, se comparava desde sua composição ao processo de urbanização de Paris. Onde quem esteve? Silviano. Eles estão ligados. Silviano Santiago se liga a Machado. Sua ligação com o escritor está também no fato de que Silviano nasceu, anos depois, na mesma data de morte do mímico: 29 de setembro. Silviano estende seu vínculo. Ele se transporta para o início do século XX e teima em conviver bem próximo ao grande escritor brasileiro.

O livro traz diversas imagens, mas nem precisava: com a confusão organizada entre narrador, autor e personagens, a trama já se estampa. Com uma bem feita metalinguagem, o livro consegue narrar, com literatura, a própria literatura. Além disso, há a descrição detalhada da urbanização do Rio de Janeiro, com seus principais meandros e consequências sociais.

Como já sabemos o cânone ou os cânones são listas de leituras escolhidas e implementadas por alguém. E que esse alguém geralmente é formado por mais de uma pessoa ou até mesmo instituições. Principalmente as universidades e seus grandes doutores críticos. Há a certeza, é claro que essas pessoas e universidades estão imbuídas de poder. A ideia de cânone foi criada e consolidada ao longo da história ocidental. Quando a igreja mandava, o cânone existia para determinar o que os fieis podiam ler ou não. E quem mais já teve poder nesse mundo que a igreja? 

Machado de Assis está no cânone. Ouso até dizer que Machado é ele mesmo, um cânone. Além de escritor, já respeitado na sua época, funcionário Público nomeado pelo imperador, Machado foi também o fundador da Academia Brasileira de Letras, como todos nós já sabemos. Antes, os encontros literários eram realizados na livraria Garnier. Os encontros cresceram tanto que nasceu a academia. A própria ABL – um siglazinha carinhosa – já estabelece um cânone. A lista de cadeiras dos imortais que ali se encontram confirmam bem isso. A rejeição do desconhecido Mário de Alencar também.


Continua...


Rafaela Valverde

Homens, melhorem!

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Eu não sei o que os homens pensam da vida. Eles se acham os donos do mundo. Acham que todas as mulheres estão afim deles e não fazem nada para cativar essas mulheres. Se uma mulher está afim de um homem e dá sinais ou ele se afasta ou trata- a como se fosse uma mera oferecida que não merece consideração e são "mulheres para pegar."

Tem homem que pensa que  todas as mulheres que se aproximam dele querem casar e ter filhos, quando em muitos casos a mulher só quer mesmo usar seu lindo corpinho para sexo. Sim, queridos, nós, mulheres apenas só queremos transar. Não necessariamente queremos trazer vocês para nossas vidas.

Há ainda os que posam de  frios, indiferentes e anti-relacionamentos. Os que nunca se apaixonaram e nunca namoraram e se acham os tais por isso. Estou cagando para o que vocês acham de vocês mesmos. O pior é que esses, os sabichões, frios, etc, são os que menos sabem lidar com mulheres, com corpos femininos. Sabem nem transar.

Em alguma medida eu não culpo tanto os homens. Foram criados no patriarcado, sendo os reis desde que nascem. Me dá um ranço quando alguém pega um bebê e diz que vai ser pegador. Eu tenho vontade de matar aquele "adulto" que disse isso. Mas, por outro lado culpo os homens sim. Porque quando viram adultos, escolhem sim ser escrotos e continuam disseminando a forma que foram criados. É claro, é uma zona de conforto. Então, sim, cabe a nós adultos escolhermos nossas atitudes e pensamentos. Cabe aos homens escolherem se serão FDP ou não. E a maioria é.

Eu estou pela milésima vez escrevendo essas coisas aqui. Mas não sei se adiantam alguma coisa. Nem sei se homens leem esses textos. Nem sei se homens tem capacidade de auto criticar. Vou morrer esperando, eu sei. Mas posso tentar pelo menos alcançar as novas gerações, já que os babacões adultos já estão com as cabeças formadas. Homens, melhorem!



Rafaela Valverde
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