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terça-feira, 3 de julho de 2018

A chuva e a troça

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Um pingo de chuva bate com força na poça do asfalto
Parece minha insistência em tentar coisas para as quais não tenho tato
Tipo isso de me apaixonar
Já vi que não dá
A chuva diminuiu
Mas não o impacto sobre a poça
A água flui
E a vida me troça
Em algum momento vai parar
A chuva ou a enganação?
A chuva!
A enganação não acaba, não
A chuva vai, e vem o sol...
Mas a poça fica lá
E vira buraco quando seca
Atrapalhando o trânsito
Igualzinho o que fica depois que a paixão passa
Um atrapalho mudo do trânsito da minha tranquilidade
Sento e aguardo: a chuva vai voltar!
A enganação também
O buraco vai aumentar
Junto com minha falta de tato
Para gotas grossas que vão bater forte aqui dentro.



Rafaela Valverde

segunda-feira, 2 de julho de 2018

O fim

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Andava taciturnamente pela rua escura em que ele morava. Já estava chegando perto. Pensava no que diria como justificativa. A verdade. Para ele seria repentino, mas ela já pensava nisso há meses. Não queria mais um relacionamento, não com ele. Três anos. Desgaste. Não havia mais paixão, pelo menos da sua parte. Claro que às vezes tinha dúvidas sobre seus sentimentos. E quem não tem? Quem tem certeza absoluta sobre paixão? Por causa dessas dúvidas, que antes não existiam, achara melhor terminar o namoro.

Chegou à porta. Bateu hesitante no portão. Logo ele apareceu e abriu, olhando a fixamente. Sorria. O que era estranho, já que há meses não havia mais sorrisos ali. Estava de bom humor, mas não a beijou. Já sorrimos muito ao longo dos anos. Como nos divertíamos no início! Será que não poderíamos ser felizes de novo? Nunca mais? Será que realmente a paixão estava morta?

Sentou no sofá e pegou o controle da TV, como sempre. Mudava os canais aleatoriamente quando ele lhe entregou uma taça de vinho, como sempre. Três coisas que só fazia quando estava na casa dele: ver TV, beber vinho e comer comida de verdade.

Sentou- se ao seu lado dizendo que a comida estava quase pronta. Conversam sobre como havia sido o dia de ambos. Papo vai, papo vem e até a saia curta da secretária do chefe entrou na pauta. De repente ele solta: “Quer casar comigo?” Um anel sai do bolso. Sem caixa, nem nada, só o anel. A cara dele. Ela arregalou os olhos, sem saber o que responder.

“Tem certeza?” Consegue balbuciar. Ele sorri, e se afasta para colocar a taça na mesa de centro. “Se eu não tivesse não estava perguntando...” O anel ainda estava na palma da sua mão, esticou a dela e pôs em seu dedo anelar da mão direita.

De repente todas as suas dúvidas de dissiparam. Talvez ainda fosse possível recuperar tudo aquilo que tinham construído ao longo desses anos. Tudo mudou. A decisão de terminar não existia mais. E nem as dúvidas. Amava-o. Agora sabia disso. Era o fim das incertezas. O fim da confusão.





Rafaela Valverde

quarta-feira, 27 de junho de 2018

Breaking Bad

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Para alguns, a melhor série de todos os tempos. Para mim, a melhor série que assisti. Breaking Bad já ganhou muitos prêmios e é considerada uma das maiores séries de todos os tempos sim, pela revista Rolling Stone. Criada por Vince Gillian, a série que estreou em 2008, traz a história de Walter White (Bryan Cranston), um químico frustrado que dá aulas para o ensino médio e trabalha em um lava-rápido para complementar a já limitada renda familiar. Para piorar a situação, Walter descobre que está com um avançado câncer de pulmão e a partir daí, é claro, sua vida e sua percepção sobre ela mudam.

Preciso agora abrir um pequeno parêntese para informar que escreverei com muita paixão. Não tenho a intenção de escrever uma mera resenha descritiva, fria e isenta. Preciso mesmo, pelo menos tentar demonstrar através deste texto, o quanto gostei da série e o quanto me emocionei, me surpreendi e achei-a brilhante. Preciso escrever com paixão sobre Breaking Bad porque queria que todo mundo assistisse.

Pois bem, com incentivo do cunhado, que é policial de combate ao tráfico de drogas, Walter participa de uma batida policial e esse é seu primeiro contato com o famigerado ambiente do tráfico. A partir desse momento, Walter vê a possibilidade de deixar sua família bem financeiramente depois que ele morrer. Ele reencontra seu ex aluno Jesse Pinkman (Aaron Paul) e começa a "cozinhar" cristal ou metanfetamina em um trailer. Walter, com sua genialidade e seu conhecimento sobre química, aliado à Pinkman, que já conhece bem o mercado passa a experimentar uma nova sensação de poder e a ganhar dinheiro.

Sua esposa Skyler (Anna Gunn) fica sem saber durante um tempo sobre a doença e sobre a nova profissão do marido. Mas quando ela descobre sobre a doença, insiste que o marido faça o tratamento, mesmo sem saber de onde vinha o dinheiro. Skyler é uma grande personagem na série. Ela é o ponto principal de alguns conflitos e problemas enfrentados pelo marido. Sim, algumas das tensões e planos que davam errado para Walter se safar, eram causados por ela. Skyler começou como uma personagem pequena que foi crescendo ao longo do tempo. Uma dona de casa fútil, grávida,  que escrevia (até achei que a carreira dela de escritora seria mais desenvolvida na série, mas não foi, que pena!)

Assim como os outros personagens também cresceram. Parece que eles iam crescendo na medida em que a série ia avançando e tendo sucesso. Até li em uma das minhas pesquisas que Jesse seria um personagem pequeno que logo morreria, porém devido a química com o Sr. White, como ele o chamava, o personagem não só não morreu como cresceu e virou um dos personagens chave para para o andamento da série.

Com cinco temporadas, Breaking Bad, mostra o ser humano da forma mais humana e real possível, tendo em vista que afasta visões maniqueístas dos personagens. Ninguém nessa série é somente bom ou somente mau. São pessoas, corruptíveis e cheias de defeitos. Algumas pessoas afirmam que acabam gostando muito de Walter mesmo ele sendo criminoso. Eu não. Admirava-o por sua inteligência, mas não tinha ilusões, sabia que ele era bandido sim e que deveria pagar pelos seus crimes. E, na minha opinião, essa é uma das qualidades de um bom ator: ele é tão bom que se faz ser odiado. E Bryan prova ser um excelente ator. A maior desculpa de Walter é que entrara no crime pela família e essa seria sua maior motivação, mas em determinado momento da série ele admite que é por ele. Pelo poder, pelo prestígio de ser o Heisemberg, o cozinheiro do cristal azul, o melhor da região.

Com um filho adolescente e deficiente, Walt Junior (RJ Mitte) e um bebê a caminho, Walter sabe que não poderá estar presente na vida deles dali a um tempo, portanto, apesar do tratamento contra o câncer que o deixa debilitado, ele continua cozinhando e "aprontando" bastante na companhia de Jesse. E em determinados momentos a capa do "pela minha família" cai e a gente passa a perceber que Walter faz o que faz porque quer. Ele tem várias oportunidades de parar, ele não escolhe não matar ou não deixar morrer (quem assistiu vai entender!) pelo contrário, sempre que surge uma oportunidade ele avança ainda mais em sua vida criminosa. E para mim é essa é uma das genialidades da série e do personagem Sr White como eu gosto de chamá-lo.

Roteiro bem feito, bem organizado, com cenas mais antigas intercaladas e uma boa sequência. Além de uma excelente produção. Enfim, como eu disse: cheia de paixão! Não tem como ser diferente. Estou até com vontade de ver de novo, inclusive já revi o primeiro e segundo episódios com uma pessoa que indiquei. Podem me chamar de louca, mas gosto de qualidade, sei reconhecer minimamente algo bom quando vejo.

Além de tudo a série passa em Albuquerque, Novo México, local incomum para mim. Nunca vi produção feita nesse local. O que ajuda um pouco o roteiro devido a proximidade com o México, o cartel e todas as vertentes criminosas ligadas ao tráfico de drogas que todos nós já sabemos. Enfim, posso falar que amo essa série mais uma vez? Comprovadamente fenômeno mundial, Breaking Bad já ganhou inúmeros prêmios incluindo dezesseis Primetime Emmy Awards, oito Satellite Awards, dois Globos de Ouro e um Prêmio Escolha Popular. Em 2014, entrou para o Livro dos Recordes como o seriado mais bem avaliado de todos os tempos pela crítica. (Fonte: Wikipédia)

A série está na Netflix e eu assisti em um tempo recorde. Menos de dois meses. Agora, vou falar sobre algumas curiosidades que pesquisei e observei na série ao longo desse tempo. Claro que faltou falar sobre muitas coisas aqui. E óbvio que passaria o dia escrevendo sobre essa série. E não vou falar mais sobre detalhes do enredo ou do roteiro, porque seria spoiler para os desafortunados que ainda não assistiram ou que ainda estão assistindo. Rsrs Assistam e tirem suas próprias conclusões  e vejam o que acontece ao longo das cinco temporadas.

Pois bem, o nono episódio da última temporada foi dedicado ao fã adolescente Kevin Cordasco que morreu de câncer. Na época houve uma forte comoção do elenco e produção da série com esse fã. Até o visitaram. Achei bem legal a homenagem. "O ator principal, Bryan Cranston, declarou numa entrevista que "o termo 'breaking bad' é uma gíria do Sul que significa que alguém desviou-se do caminho correto e passou a fazer coisas erradas. E isto aplica-se tanto a um dado momento quanto a uma vida inteira." (Wikipédia)

Com tiradas engraçadas e cenas bastante violentas - a série arrancou gargalhadas e nervosismo de minha pessoa - Breaking Bad encerrou no ano de 2013. Em seguida, Vince Gillian começou a escrever e produzir a série Better Call Saul que é um um spin-off de Breaking Bad.  Better Call Saul trata da vida do advogado Saul Godman que foi advogado de Sr White. É isso. Amor eterno a Breaking Bad!



Rafaela Valverde




segunda-feira, 25 de junho de 2018

Mundo de poeta

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Sou poeta 
Poeta gosta de grandes pequenices
Queria alguém pra conversar
Massagem no pé
Alguém pra perguntar como fui nas provas
Alguém que se interesse
Sou poeta
Poeta gosta de ser acarinhado
Poeta vê cores em tudo
Até no cinza
Sou poeta
Poeta até diz que não
Mas às vezes se ilude
Por acreditar demais
Sou poeta
E ser poeta é encontrar um pedaço de mundo dentro do mundo
E viver naquele lugar
Como se ele fosse seu
E lugar melhor não há
Poeta é assim
Ô bicho besta!
É poeta
Sabe que precisa de tudo
Mas não precisa de nada
Sou poeta
Poeta é indeciso
Poeta quer o mundo só pra si
E ao mesmo tempo quer construir um novo!
Sou poeta




Rafaela Valverde

sexta-feira, 22 de junho de 2018

O que falta pra gente ficar junto?

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O que falta pra gente ficar junto, hein?
Se tem amor
Tem paixão
Tem tesão
Tem cuidado
Tem afeto e atenção
Tem amizade e admiração
Se tem conversa
Tem assunto
O que falta pra gente ficar junto?
O que é que mais falta?
O que é que você ainda quer?
Além de toda essa emoção que temos quando estamos juntos?
Você quer mais que isso?
Então você quer incendiar o universo
Só pode ser
Por que eu não sei de nada mais quente do que nosso amor
E não só quente no sentido erótico
Não se trata somente disso
É quente de intensidade
De vontade
De tamanho
O que é que falta, me diz?
Eu não vejo mais nada que esteja escasso por aqui
Mas se você me disser
Vou ao final do arco-íris pegar pra você
Pra você se tocar
Que não falta mais nada pra gente ficar junto
Só você que teima em não perceber
Ou não querer
Mas como  pode não ver
Se tem amor
Tem paixão
Tem tesão
Tem cuidado
Tem afeto e atenção
Tem amizade e admiração
Se tem conversa
Tem assunto
O que falta pra gente ficar junto?



Rafaela Valverde


quarta-feira, 20 de junho de 2018

Estou muito melhor sem você

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Olha só, estou muito bem sem você
Voltei a me exercitar
Pintei o cabelo
Re-encontrei Deus
Não imploro mais por atenção
Ela vem!
Atenção e tudo mais
Olhos se voltam
Quando passo em qualquer lugar
Sem você
Sem seu peso
Olha, estou muito melhor sem você
Nem imaginava, sabe?
É que sou tapada
Acabo cobrindo a visão de mim mesma
E fico vendo mais o outro
Mas agora, depois de umas porradas
Vou me ver mais
Me olhar mais
E preciso repetir:
Estou tão bem sem você!
Se soubesse que ficaria assim
Já teria soltado sua mão
Desde a primeira vez que percebi
Que tu querias partir
Demorei de soltar
Segurei com força
Hoje nem sei o porquê
Não queria ficar sem você
Hoje não sei viver sem mim
Sou muito melhor sem você
Respiro sem achar que estou incomodando
Posso ser eu mesma
Não aquela que você fazia eu ser
Saiba que não me deixou ser um terço do que eu realmente sou
Perdeu!
Brilho no olhar, não mais aquele de paixão
Alívio me alcançou
Eu perdi!
Perdi o medo de me expressar
Brigar e lutar pelo melhor
Nem preciso mais!
Estou otimamente bem sem você!
Ora, ora...
Não preciso mais exigir ser bem tratada
Simplesmente sou e deixo ser
Eu mereço!
Não preciso mais implorar ínfimas e pobres palavras
Elas vêm automaticamente
E, ei psiu?
Estou muito, mas muito bem mesmo
Sem você!
E espero que você finalmente esteja melhor
Que esteja feliz
Sem mim...
E sem você também
É sim, você sem você
Porque é você quem se sabota
Quis me sabotar também
Comigo não!
É você quem afasta as pessoas de você!
Enfim, você se foi
Quis ir
Graças a Deus!
Porque eu estou muito bem, obrigada!
Vou ali ver TV e comer pipoca
Sozinha e também acompanhada.




Rafaela Valverde

segunda-feira, 18 de junho de 2018

Erva daninha


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Corro pela rua
O fone no ouvido
Desci da lua
Não quero mais me distrair
Mantenho a mente sempre aberta
Pra não ruir
Piso em tudo o que é menos no chão
A folha seca, formigas, na perna arranhão
Cai o sangue, ferida aberta
Sangra!
E justo quando está para cicatrizar
Vem outra erva daninha e arranha
Justo quando estou caminhando
Olhando para frente
Na estrada tacanha
Que a vida é...
Mas não posso mais deixar
Que sofra a minha mente
Corpo e coração
Eu já disse coração?
Não importa!
Quebro a rima
Para clarear
O quanto quero estar pra cima
A partir de agora
Imaginar
Mas também viver
A vida aqui fora
Fora de mim
Suspirei
Fui na farmácia, comprei antisséptico
Pra matar tudo isso, enfim
Estou atenta
Distrair para me destruir, não mais
A erva, a daninha, até tenta
Mas eu já superei!




Rafaela Valverde

segunda-feira, 4 de junho de 2018

Primeiro beijo

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Eu ainda lembro do nosso primeiro beijo
Você lembra?
Foi de repente
Não pude evitar
Nem tentei 
Me pegou de surpresa
Porque era eu quem queria beijar primeiro
Fiquei sem coragem
Daí você veio
Tranquilamente
Como se fosse a coisa mais natural a se fazer
E era!
Foi na hora certa
Porque eu já estava querendo 
Dizer que foi ótimo é tão clichê
Não foi ótimo
Foi indizível
Inefável
O primeiro de muitos
O mais especial
Foi ali que me apaixonei
O shopping que estava cheio ficou vazio
No momento que você me beijou
Só tinha nós dois ali
Naqueles segundos
Ou minutos?
Ou horas?
Sei lá!
O tempo parou
Quando você me beijou
Soube naquele momento que não quereria mais te deixar!
Ainda lembro do primeiro beijo que você me deu
O melhor de tudo é que partiu de você
Foi iniciativa sua
E isso, meu bem, não dá para apagar!



Rafaela Valverde


sábado, 2 de junho de 2018

Paredes coloridas

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Acordei. A primeira coisa que vi foi o teto branco acima da minha cabeça. Ainda bem que não há espelho nele. Não quero olhar minha cara remelenta e com olheiras. Afasto o pensamento de você. A droga da vida é essa, acordar e só ter o teto branco pra olhar. Acordar e pensar em você. Viro de lado e imagino que você está ali roncando, seu corpo quente do meu lado. Levanto o braço pra te abraçar mas abraço o oco e percebo que estava apenas imaginando.Saio do meu delírio e lembro que você não está mais ali. Viro de barriga pra cima de novo e olho o vazio. O teto. Branco.Vazio.

O espaço dos meus braços também está vazio. O que preenchia era você. Seu tamanho contundente. Sua sede de viver. Respirava com desespero. Preso à vida e preso aquele sono. E meu braço ia descendo e subindo nos movimentos da sua respiração. Até parece cafona, mas hoje só posso abraçar meu travesseiro. Suspiro e levanto da cama. Ligo o rádio. Toca aquela música. Aquela que você mandou pra mim no tempo das paredes coloridas. Danço um pouquinho, mas aí me lembro do oco, do branco, do vazio e volto a me aperrear.

Decido que não vou arrumar a cama. Decido que não vou fazer nada que não me deixe pensar em você. Ora, eu preciso pensar em você. Eu quero pensar em você. Mesmo que você mal se lembre de mim, mesmo que você não dê a mínima pra mim. Sei que você nem lembra que eu existo. Deito novamente em meio aos travesseiros e olho para o teto branco acima da minha cabeça. Fecho os olhos em seguida e imagino um arco íris. Um arco íris depois do dilúvio, tipo aquele que Deus prometeu a Noé.  E de repente todas as paredes do quarto estão arcoirescas. A minha vontade de te ter de volta é tanta que eu enxergo tudo colorido, como era quando você estava aqui, roncando entre meus braços.



Rafaela Valverde

quinta-feira, 24 de maio de 2018

Compasso de lágrimas

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A folha brinca com o vento
Seca, sem vida
Eu em desalento
Achei que essa parte estava resolvida
Mas, olha só!
Cá estou eu
Sentindo dó
De mim mesma e do que se perdeu
Lágrimas jorram lentamente
No movimento da folha que dança
Não há mais quem tente
Mas não perco a esperança
Não há mais quem tente
Mas não perco a esperança
Não há mais quem queira
Ficar comigo  nessa solidão
E assim dessa maneira
Transformá- la em uma linda união
Já me sinto quase certa
Que não nasci para ver folhas secas com alguém
Sozinha e alerta!
Para o tal amor que ainda vem
Não quero mais!
Tô dispensando
Chego pra trás
Folhas dançando
E eu aqui sentindo autopiedade
Estou em silêncio mas a mente em alarde!



Rafaela Valverde

sábado, 19 de maio de 2018

Ainda que minha cabeça não pare


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Ainda que eu tentasse não me lembrar
Sinceramente seria difícil esquecer
Qualquer coisa sobre a gente
Vivo a deslumbrar
Pareço que vou enlouquecer
Mas não vou
Por mais que a fraqueza tente
Fortaleza eu sou!

Ainda que eu possa dizer que não mais penso
Me surpreendo de madrugada lembrando
Ainda sinto tudo tão intenso
Batalhas ando travando
Contra mim mesma
Para que essas lembranças não venham à tona
Ando lerda que nem lesma
Mas meu cérebro está correndo uma maratona

Ainda que minha cabeça não pare
Estou tentando realizar minhas atividades
Não há nada que se compare
Da nossa vida sinto saudades
Mas já estou resolvendo esta situação
Todo dia te coloco pra sumir
Desfaço minha ilusão
De algumas coisas preciso me redimir

Ainda que eu ache que de mim não sairá
Tenho quase certeza (mas quase mesmo) que um dia você se vai
O jogo há de virar
Não é o que a gente pensa que a gente atrai?
Pois é assim que daqui pra frente minha cabeça pensará!




Rafaela Valverde




sábado, 12 de maio de 2018

É uma pena eu ter sido tão burra e briguenta.


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Sinto sua falta. Oh, Deus, como sinto sua falta. Acordo pensando no seu corpo, acordo querendo meus seios encostando em suas costas enquanto dormíamos de conchinha. Adorava te abraçar. Adorava sentir o cheiro da sua pele e ouvir os barulhos do seu corpo enquanto você dormia. Que pele gostosa. Morro de saudade, de verdade. Tem dias que já acordo pensando em você, já acordo imaginando que você está ali ao meu lado e que posso te abraçar fazendo nossa conchinha e enroscando minhas pernas nas suas. 

Mas aí logo acordo e vejo que estou sozinha na minha cama de solteiro. Sozinha. Sem você. Até sinto falta do seu ronco, porque quando o ouvia sabia que você estava ali, perto  de mim. E isso me dava uma paz muito grande, apesar de acordar na maioria das vezes. Mas seu ronco não me irritava, você foi o único que roncava e isso não me irritava. Eu até queria ouvi-lo só para ter certeza que você estava ali. E sentir paz. E me sentir protegida.

E por falar em proteção, quando você me abraçava, fazendo uma conchinha do outro lado da cama, eu me sentia tão protegida, tão acarinhada e amada. Você demonstrava amor em tudo o que fazia. Pena que muitas vezes eu não soube identificar. Oh Deus, como eu queria ter você de volta na minha vida e me sentir daquele jeito de novo. Porque eu me sentia melhor com você, me sentia uma pessoa diferente quando estava com você. Feliz. Eu era uma pessoa muito mais feliz. É pena que você não se sentia feliz assim também. É uma pena. Tudo ter acabado assim é uma pena muito grande. É uma pena eu ter sido tão burra e briguenta.




Rafaela Valverde

terça-feira, 8 de maio de 2018

Os dias sete

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Ontem faríamos 4 meses.
Eu não vou deixar você esquecer essa data tão cedo.
Eu tenho a impressão ou a ilusão que você não vai esquecer de mim tão cedo. Nem da data. Não preciso fazer nada. É a vida, é Deus. Ele trabalha. Ele não para. Sei que Ele não vai deixar você me esquecer, esquecer a forma e o momento em que nos encontramos. Nem os nossos gostos afins, as piadas que só a gente entende, as músicas que nos conectam... Los Hermanos! Como eu sempre quis encontrar alguém que gostasse de Los Hermanos como eu gosto ou pelo menos de um jeito parecido. E daí você apareceu, como quem não quer nada tomou meu coração. Foi chegando e me conquistou como eu nem imaginava que fosse capaz de acontecer. Ainda lembro como você me olhou na primeira vez que me viu. Acho que nunca vou esquecer aquele olhar. Lembro que você disse que me olhou e pensou: "é isso, é isso mesmo..." Você sabe o que isso quer dizer e eu também sei. Ah e ainda tem os outros olhares. Sim, todos os outros olhares porque até quando você brigava comigo você me olhava com amor. Até quando sua boca falava palavras agressivas, seu olhar derramava amor. Você não percebia, claro, porque os olhos são janelas e quem pode olhar pelas janelas é quem está de fora. E eu via. Eu lembro. Minha memória é de elefante. Não esqueço facilmente as coisas. Você esquece. Esqueceu quase todos os dias sete. E obviamente esqueceu a data de ontem também, até porque não precisa mais lembrar. Mas não tem problema. Eu sempre vou me lembrar daquele dia sete de janeiro que perguntamos um ao outro e tomamos a decisão. Você me abraçou forte e fez cara de feliz. Ai que abraços! Quando lembro deles me arrepio. Esse foi o primeiro dia sete longe. O primeiro sem seus abraços,  sem seus beijos, sem o calor do seu corpo, sem dormir de conchinha, sem você, sem te ver, sem te tocar, sem, sem, sem...



Rafaela Valverde

domingo, 6 de maio de 2018

Reconstrução!



Atenção: esse texto possui altas doses de metáfora!




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O quadro torto na parede. O espelho quebrado por ela ao jogar algum objeto estava por um tris e logo cairia. O quarto fora de si. O que não estava quebrado eram coisas de maior valor, claro, por que ela também não era idiota. O caos tomara conta do cômodo. Já se acostumara com ele, porém. Se era acometida pelo caos, alguma coisa tinha que ser também. E dessa vez fora o quarto. Deitara há horas de bruços, sem dormir profundo. Pesadelos a invadiam. Lágrimas caíram copiosamente e já secaram. Na verdade, nem sabia mais o porquê daquela dor. Se não lembrava é porque não era importante. Abriu os olhos e viu a parede branca com a luz do sol refletida. O travesseiro molhado. A cama exalando sofrimento. Um barulho muito alto. O susto a fez sentar na cama. O espelho caíra e se espatifara. A queda do espelho serviu para fazê-la levantar da sua própria queda. Como pôde ser tão estúpida e perder tempo com coisas tão pequenas? Como assim? Chorou? Horas perdidas deitada, chorando. Coisas quebradas. Pessoas que foram embora simplesmente por não aguentarem. Mas, hoje ela percebeu que fora tudo em vão. Perdera tempo, pessoas e momentos por causa de coisas desnecessárias e birrinhas infantis. Agora, sentara-se abraçando os joelhos, ainda na cama. Olhava ao redor analisando os resultados do acesso de raiva da noite anterior. Por que não quebrou a TV e o notebook também, sua imbecil? Assim, você teria um baita prejuízo e não esqueceria dessa atitude tola por um bom tempo. Revirou os olhos porque o pior é que agora teria que limpar toda a bagunça e sujeira. Esticou um pouco o corpo e olhou para o chão. Havia roupas, restos de comida, quadros espatifados, porta-retratos tortos e fotos rasgadas... E é claro os cacos do espelho que estavam espalhados por todo o piso branco. Depois de alguns minutos e depois de pensar e repensar em suas atitudes nos últimos meses e de tudo o que estava atraindo para si mesma, decidiu levantar. Devagar. Como tudo o que faria a partir dali. Com calma e leveza. Pegou alguns jornais e papéis velhos e enrolou um a um os cacos de vidro. Queria limpar e consertar tudo o mais rápido possível, mas se demorasse um pouco também não teria problema. O pior já passara. Agora, era reconstrução. Agora, era retirar cacos, coisas velhas e o que não servisse mais. Junto com os sentimentos ruins como ira, mágoa, ódio, tristeza e depressão. A vontade de morrer estava indo embora junto com a moldura do espelho. Os pequenos pedaços geométricos de vidro mostravam traços diferentes do seu rosto inchado pelo choro. As últimas lágrimas desse tipo de sentimento e birra, prometeu a si mesma. Enrolando aquele lixo em jornais e colocando-os em sacos sentia que aquela vida estava saindo da sua vida. Sim, aqui vale mesmo a redundância poética deste meu relato. Ela queria expurgar tudo que a fizera chegar naquele momento de sua existência. Agora, era tudo novo. Literalmente. Pôs o lixo para fora, tirou o espelho da sala e o pendurou no lugar do anterior. Não era totalmente novo mas sua vida seria. Não queria mais ficar juntando destroços, por isso fixou o espelho na parede com fita adesiva. Olhou seu reflexo novamente e suspirou. Sabia que não haveria mais estilhaços. O pranto cessara. A dor também. A vontade de brigar com o mundo e de se irar estava em sacos de lixo lá fora. Tenha um bom dia, falou em voz alta.



Rafaela Valverde

sábado, 5 de maio de 2018

Atitude - Cecília Meireles

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Minha esperança perdeu seu nome...
Fechei meu sonho, para chamá-la.
A tristeza transfigurou-me
como o luar que entra numa sala.

O último passo do destino
parará sem forma funesta,
e a noite oscilará como um dourado sino
derramando flores de festa.

Meus olhos estarão sobre espelhos, pensando
nos caminhos que existem dentro das coisas transparentes.

E um campo de estrelas irá brotando
atrás das lembranças ardentes



Rafaela Valverde

Sua mania besta de pegar livros que nunca vai ler


Tô pegando a sua mania besta de pegar e comprar livros que nunca vai ler. Aliás, eu peguei muitas das suas manias bestas. Muito de você ficou em mim. Muito ou pelo menos alguma coisa de você faz parte do que eu sou hoje. Sim, você ainda está por aqui. Dentro de mim, em meus pensamentos, em meus momentos de saudade e em tudo que faço hoje  sozinha mas que fazíamos juntos.

Você está por perto quando me ajoelho em oração, você está por perto quando acordo e quando vou deitar à noite. Você está aqui em suas manias que eu roubei pra mim. Você está aqui quando lembro das nossas conversas idiotas e de sua risada de mim e das coisas que eu falava e/ou fazia. Sabe? É aquela risada que fazia seu corpo subir e descer num movimento que eu adorava e ainda adoro.

E aqueles cachinhos? Nossa, eu amava puxar seus cachinhos quando caíam na cara. Mas gostei quando cortou. Uma nova versão de você em você mesmo. Lindo. Ou ainda como está agora porque te vi essa semana e você está sem barba. Nossa, como eu te amo. Como eu te admiro. Pela pessoa que você é, por tudo... No entanto, não me lamento mais pelo que você não sente. Não fico mais tão triste (só um pouco) pelo fato de não ser correspondida. Já estou acostumada em não ser correspondida, então com você eu me acostumei. Mas não significa que a saudade não exista, não significa que eu não tenha algo de você em mim, não significa que eu não pense em você o dia todo, não significa que eu não te ame, não significa que me acostumei com sua ausência. Não, eu só aceitei sua decisão de não querer mais estar por perto.

Respeito e respeitarei. Mas ficou um vácuo aqui, saiba disso. Tô até pegando as manias que você tem de se defender da solidão. Você acha que eu não sei? Que todos esses livros e atividades são para disfarçar a solidão? Claro que eu sei. Esses sempre foram meus mecanismos contra a solidão. E é justamente o que tenho feito pra escapar dela agora. Me cerco de livros, músicas, séries... Mesmo que não vá ler, ouvir e assistir tudo. Mas pelo menos eles estão ali. Você não está aqui. Não compensa a sua falta, mas pelo menos me consola um pouco e ocupa a minha mente, pelo menos nos espaços dela em que você não está.




Rafaela Valverde

segunda-feira, 30 de abril de 2018

Eu te amo - Chico Buarque de Hollanda

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Ah, se já perdemos a noção da hora
Se juntos já jogamos tudo fora
Me conta agora como hei de partir

Se, ao te conhecer, dei pra sonhar, fiz tantos desvarios
Rompi com o mundo, queimei meus navios
Me diz pra onde é que inda posso ir

Se nós, nas travessuras das noites eternas
Já confundimos tanto as nossas pernas
Diz com que pernas eu devo seguir

Se entornaste a nossa sorte pelo chão
Se na bagunça do teu coração
Meu sangue errou de veia e se perdeu

Como, se na desordem do armário embutido
Meu paletó enlaça o teu vestido
E o meu sapato inda pisa no teu

Como, se nos amamos feito dois pagãos
Teus seios inda estão nas minhas mãos
Me explica com que cara eu vou sair

Não, acho que estás se fazendo de tonta
Te dei meus olhos pra tomares conta
Agora conta como hei de partir



Rafaela Valverde
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