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sábado, 24 de junho de 2017

Transa no chuveiro


Estamos no banheiro. Ele tomava banho, e eu entrei. Queria provocá-lo. E queria fazer as pazes. Havíamos brigado na noite anterior. Encostei meu corpo nu em suas costas, enquanto o masturbava. Ele se animou, virou e me empurrou até a parede, me beijando. Assim, rápido, sem uma palavra sequer.

Seu beijo mostrava que estava bem excitado. Não havia mais briga. Chupou meu pescoço. Desceu para os seios com uma ânsia impressionante. Lambeu meus mamilos, mordicando de vez em quando. Sem aviso, ajoelhou, apoiou minha perna em seu ombro e começou a me chupar. Deliciosamente, do jeito que só ele sabe fazer. Eu me contorcia e gemia baixinho. Depois de um tempinho, parou e me olhou nos olhos, enfiou a língua em meu umbigo, depois foi subindo lambendo minha barriga até chegar em minha boca de novo.

Meu gosto estava em sua boca e eu adorava isso. O vapor esquentava as coisas, mas tive a impressão que não era só ele. Nós estávamos quentes também. Transar depois de uma briga é sempre muito gostoso. Estávamos nos beijando, quase engolindo a boca um do outro. Com uma mão só ele me virou de costas e me penetrou. Gemi alto.

Estava com a cara colada no azulejo quente do banheiro, gritando de prazer, salivando por mais e mais. Com minha mão apertava seu corpo contra o meu, para que ele continuasse e aumentasse a intensidade. Apertava sua bunda firme e macia e assim, gritando, gozamos juntos, caindo arfantes no chão do banheiro, a água quente caindo em nossos corpos cansados de prazer.



Rafaela Valverde

domingo, 18 de junho de 2017

Malemolência - Céu

Veio até mim
Quem deixou me olhar assim?
Não pediu minha permissão
Não pude evitar, tirou meu ar
Fiquei sem chão

Menino bonito, menino bonito, ai!
Ai, menino bonito menino bonito, ai!
Menino bonito, menino bonito, ai!
Ai, menino bonito menino bonito, ai!

É tudo o que eu posso lhe adiantar
O que é um beijo se eu posso ter o teu olhar?
Cai na dança, cai!
Vem pra roda da malemolência

Menino bonito, menino bonito, ai!
Ai, menino bonito menino bonito, ai!
Menino bonito, menino bonito, ai!
Ai, menino bonito menino bonito, ai!

É tudo o que eu posso lhe adiantar
O que é um beijo se eu posso ter o teu olhar?
Cai na dança, cai!
Vem pra roda da malemolência

Menino bonito, menino bonito, ai!
Ai, menino bonito menino bonito, ai!



Rafaela Valverde

Quando você voltar


Quando você voltar
Pense na possibilidade
De não me encontrar
Mesmo que eu esteja aqui
Eu posso tentar fugir
Seus beijos mostram
O que você quer ocultar
Os sentimentos furtivos que por mim tens
Não adianta negar!
Seus olhos vão além e complementam a mensagem
Sei que me amas
Sei que não vai embora
Seu corpo não sabe ser sutil
Você disfarça mas  sabe me esquecer
Tentou encobri, mas me chamou de seu bebê
Eu ouvi
Eu percebi
Eu senti
E eu vivi
Até agora sem você
Mas o amor permanece aqui
Se fazendo perceptível cada vez que amanhece
Você dissimula
Tudo bem, eu te entendo
É forte e complexo demais
Nem todo mundo consegue lidar
Mas aqui no meu peito esse amor só se acumula
E nunca deixarei de te amar!



Rafaela Valverde

sexta-feira, 16 de junho de 2017

Diva


Quero sentir sua boca roçando em minha pele
Quero sentir seu hálito cálido
E seu cheiro de frescor
Que me deixa louca

Quando o vento brincar com meu cabelo quero que você esteja lá
Quero que você esteja em todos os momentos
Eu não sei mais disfarçar

Quero acordar ao seu lado todo dia
Olhar seu rosto relaxado
Te observar enquanto dorme
Escutar seus barulhos noturnos
Era só isso que eu queria

Mas não tenho mais expectativa
Sei que não mais me amarás
Sei que não estarei mais ao seu lado
E você não vai estar lá
Roçando sua boca em mim
E me tratando como diva



Rafaela Valverde

A vida

Vou pensar
Vou penar
Vou chorar
Vou beijar
Vou sorrir
Vou sair
Vou cair
Vou levantar
Vou suar
Vou jogar
Vou cantar
Vou dançar
Vou trepar
Vou gemer
Vou viver
Mas nunca vou te esquecer.



Rafaela Valverde

quarta-feira, 7 de junho de 2017

Eu

Eu te amo
Eu me odeio porque te amo
Eu não consigo te odiar por um minuto sequer
Eu brinco de te esquecer
Eu finjo que hoje não vou pensar em você
Eu minto dizendo que não me importo
Eu fico imaginando como seria ter você aqui, ao meu lado
Eu tenho certeza que aqui é o seu lugar
Eu te amo
Eu sei que a minha vida seria melhor com você
Eu odeio a minha vida por isso
Eu sei que não será possível, não mais!
Eu perdi você
Eu me odeio por isso
Eu acordo pensando em você
Eu relembro nossos momentos juntos e penso como eu já fui feliz ao seu lado
Eu amo você
Eu sempre vou amar você
Eu me odeio por ter perdido você
Eu sempre vou achar que vou estar melhor do seu lado
Eu sei que não adianta você estar ao meu lado se não quiser e se não estiver feliz
Eu sei de tudo isso!
Eu me importo com sua felicidade, acredite
Eu
Amo
Você.
Eu.
E você? Me fala de você.
Qual seu ponto de vista nessa historia?


Rafaela Valverde

terça-feira, 6 de junho de 2017

Crianças sabem mais que poeta


Eu não sei o que quer dizer isso
Mas sei que não tem nada de enguiço
Como costumavam me dizer na infância
Tramam contra as crianças, porquê?
Inventam respostas ininteligíveis

Vocês que são bestas
Achando que criança não entende
Criança tem sabedoria
Mas às vezes ficam invisíveis
Aos olhos do mundo

Crianças sabem mais que poeta
Que como dizem por aí,
Nada mais é que um fingidor
Criança finge que não vê e que não escuta
Criança sabe mais do que a gente imagina

Criança sabe mais que a gente adulta
Que se acha melhor e mais culta
Mais livre e mais esperta
Mas não sabe de bulhufas
Especialmente quando se apaixona

Gente adulta fica cega
Cega de amor
Criança, não!
Criança ainda não tem burrice para passar por isso
Sim, a gente cresce e emburrece.
Quero voltar a ser criança!




Rafaela Valverde

segunda-feira, 29 de maio de 2017

Livro O leitor


Terminei de ler o livro O leitor. Esse livro originou o filme que deu o Oscar de melhor atriz a Kate Winslet. Inclusive, assisti o filme antes e nem sabia que existia o livro. Descobri há bem pouco tempo. Comprei o livro por dez reais com uma menina que conheci no Facebook em grupos de vendas de livros.

Confesso que demorei de ler o livro, achei ele meio paradão. Meu ritmo de leitura de livros está bem lento, sobretudo por causa da faculdade e por casa das séries hehehe. O livro foi escrito pelo escritor alemão Bernhard Schlink e publicado em 1995. A adaptação para o cinema só foi feita em 2008.

O filme é bastante fiel ao livro. Há muitos detalhes, claro, que no filme não são contados. Essa parte gostei bastante. Alguns detalhes foram esclarecidos com a leitura. A história contada é a de Michael Berg, menino de 15 anos que ao ficar doente conhece a cobradora de bondes Hanna Schmitz, que tinha 36 anos. Eles vivem um caso tórrido de paixão e Hanna pede que o "menino", como ela o chama, leia para ela em voz alta. Muitos livros são lidos, entre uma transa e outra. E assim, o menino vai se descobrindo e amadurecendo.

Alguns anos depois, quando ele já havia se afastado de Hanna e estudante de direito, encontra a mulher que outrora amou, no banco dos réus. Ela havia sido guarda nos campos de concentração do nazismo, vitimando diversas mulheres em um incêndio. Hanna tem um grande segredo e pretende abrir mão de muita coisa para preservá-lo, inclusive da sua liberdade,

Michael narra o livro. E o quadro com que nos deparamos é ele narrando sua própria culpa e tristeza durante toda a sua vida, até o instante em que finaliza o relato. Culpa, saudade, dor, tristeza, saudade. A vida dele inteira girou em torno desse amor de adolescência. Amor por uma mulher incrivelmente misteriosa e fascinante. Leiam!



Rafaela Valverde

Eu não sei mais lidar com tudo o que sinto


Acordo todas as manhãs sentindo falta de algo, sentindo falta do que tive, do que não tive e do que ainda vou ter. E o que eu não vou ter nunca, fica pairando acima da minha cabeça. Todos os dias. Como uma nuvem, opaca e sem vida. A nuvem joga sua chuva sobre minha cabeça e explode um turbilhão de pensamentos sufocantes, aterrorizantes. Mas que eu não consigo evitar.

Como assim? Você diz que quer algo que nem sabe o que é. Mas, é mentira! Você sabe, sim! Sempre soube. Mas, parece que como tudo em sua vida, o fato de você querer muito algo, afasta decisivamente o algo da sua vida. Você é uma azarada de merda. Você afasta tudo o que quer. E você nunca quer o que tem. Você é idiota, porra!

E esse vazio? Cura como? Isso que te faz chorar escondido à noite. Como resolve? Com baladinhas, cheias de gente tombadora com maquiagem "cheguei" e beck na mão? Com sexos casuais, frios e mal feitos? Com revolta e melancolia? Como resolve?

Se eu soubesse não estava passando por isso. Eu queria simplesmente não passar por nada. Eu abriria mão de viver só para não sentir. Eu preciso de um entorpecimento constante. Por isso, o sono excessivo, por isso as leituras e as séries, por isso a escrita compulsiva, por isso as garrafas de catuaba e vinho barato pela mesa de centro. Por isso, as noites em claro chorando e fumando cigarro após cigarro.

É por isso, tudo isso. Porque eu não sei lidar com a dor de sentir, com a dor de existir e ser eu mesma. Eu não sei mais encarar uma baladinha e descontrair com ela. Ao contrário, fico tão tensa e mal humorada nas festas, que sento em um canto, falando mal de todo mundo, sozinha. Sofá de boate tem sido meu lugar preferido ultimamente. Destilo veneno e ironia. E as lágrimas de tristeza ficam caindo naquele escuro, é onde melhor posso chorar. Choro enquanto danço também! Sim, sociedade, é só isso mesmo o que eu posso te oferecer!



Rafaela Valverde

sexta-feira, 19 de maio de 2017

Transbordante


O que buscar lá fora se tudo que me faz bem está aqui dentro?
Por que buscar coisas lá fora se tudo está aqui?
Pra que procurar qualidades em outras pessoas se você já as tem?
Tudo que me satisfaz está aqui, em você
Tudo que eu gosto você faz
O que eu preciso você tem
Eu não preciso de mais ninguém
Quando eu te falo você não acredita
Mas não há ninguém como você
Estar com você me faz tão bem
Há anos que sua presença me faz ótima, que é melhor que bem
Eu realmente não preciso de ninguém
Mas você não é ninguém
E eu preciso de você
Não para viver
Não para ser feliz, afinal eu já sou feliz!
Mas preciso de você para tornar minha vida melhor
Também para me transformar nesse poço de sorrisos
Sim, quando estou perto de você, eu transbordo de alegria
A felicidade me toma por completo
Eu me fecho nesse mundinho em que você está
E esqueço do que se passa no mundo lá fora
Nada lá fora importa!
Aí no outro dia tenho que voltar ao tempo presente, à vida real
É duro demais não ter você
É injusto ter que procurar lá fora o que eu tenho aqui dentro
É injusto, principalmente, porque eu nunca vou achar
O poço da felicidade de estar com você esvazia um pouco quando vou embora
Mas o meu amor é um poço muito maior
Não enche, não transborda e nunca vai acabar
Agora, me diga, você que tem resposta para tudo:
O que eu faço com esse amor?



Rafaela Valverde

quarta-feira, 17 de maio de 2017

Passional


Você diz que sabe quem é
Você diz que se conhece
Você diz que me conhece
Mas, ora bolas, quem é que sabe mesmo de si?
Eu não sei, você não sabe, o mundo não sabe
O mundo nem sabe que fim terá!
O mundo não sabe nada
Agora, imagine você!
Você não sabe de nada
Eu vejo que estou em seu olhar
Mas você nega
Você é engraçado
Não se entrega
Não se apoia
É orgulhoso
Tem medo
Você diz que sabe de si
Você diz que se conhece
Você diz que me conhece
E que eu sou a mesma
Você se auto - engradece
Não que esteja errado
Se engrandeça mesmo
Brilhe mesmo
Pense em você mesmo
Mas não minimize nosso amor
Seja quem e o que você quiser
Só não ache que tudo isso é menor
Você pode não amar
Mas não desame quem ama
Você pode não se dedicar ao amor
Mas deixa minha dedicação
Você pode se conhecer
Pode me conhecer
Só não mate minha presença em seus olhos
Não esnobe meu amor
Ele, meu bem, ainda vai te salvar de você mesmo.



Rafaela Valverde


domingo, 14 de maio de 2017

Pausa nos estudos


Estávamos sentados estudando para as provas finais. Geralmente a universidade ficava bastante agitada nesse período de provas, mas naquele horário a biblioteca estava calma, com poucas pessoas circulando. A sala em que estudávamos estava mais escura que o normal e passou pela minha cabeça que talvez uma das lâmpadas tivesse queimado.

Realmente queria estudar, pois não tinha ido muito bem esse semestre. Ele porém, não parecia muito interessado nos textos. Foi enfiando a mão embaixo da minha saia, o que eu prontamente reivindiquei. Estávamos em um lugar público. E daí, ele disse. Ninguém tá vendo, disse em seguida. Realmente sua mão estava por debaixo da mesa e não dava para quem tivesse de longe ver nada.

Deixei sua mão ali. Ela era macia, firme e delicada ao mesmo tempo. Não sei como isso era possível mas era. Ele sabia me masturbar deliciosamente bem. Ia massageando meu clitóris e eu ia ficando cada vez mais molhada com aquela mão familiar em mim. Nunca tínhamos feito nada assim em público e eu percebia em seu rosto que ele estava se divertindo.

Ele me lançava olhares safados e passava a língua ao redor dos lábios. A essa altura apenas fingíamos que estudávamos. Ninguém estava mais interessado em teoria linguística quando havia um pequeno incêndio acontecendo por ali. Eu sorria e ao mesmo tempo olhava disfarçadamente para os lados. Me surpreendi com minha desfaçatez, não me imaginava sendo assim.

Em um determinado momento da nossa aventura bibliotecária, suspirei alto e recostei na cadeira, desistindo de vez dos textos. Eu já estava perto de gozar e precisava me concentrar. Ele passeava com mais força por dentro de mim, mas uma força precisa que sabia do que eu gostava. Gozei soltando alguns pequenos gemidos e relaxei totalmente. Ele tirou a mão debaixo da minha saia e lambeu os dois dedos que antes estavam dentro de mim.

Arrumamos os materiais impacientemente e corremos para a residência universitária, onde ele morava. Ficava bem perto dali e fomos rápido para manter a chama. Os amassos começaram na porta mesmo, já fui tirando a camisa dele e quando já estávamos na cama, ele levantou minha saia, que era comprida, arrancou minha calcinha e começou a me chupar bem devagar. Uma delícia. Gozamos juntos, com a sensação  de que tínhamos estudado bastante e que criaríamos nossas próprias teorias.



Rafaela Valverde

sábado, 13 de maio de 2017

A lua no cinema - Paulo Leminski


A lua foi ao cinema,
passava um filme engraçado,
   a história de uma estrela
que não tinha namorado.

   Não tinha porque era apenas
uma estrela bem pequena,
   dessas que, quando apagam,
ninguém vai dizer, que pena!

   Era uma estrela sozinha,
ninguém olhava pra ela,
   e toda a luz que ela tinha
cabia numa janela.

   A lua ficou tão triste
com aquela história de amor,
   que até hoje a lua insiste:
- Amanheça, por favor!



Rafaela Valverde

Eu ouvindo Marília Mendonça


Eu já devo ter contado aqui que gosto de vários tipos de música. Ouço de Marisa Monte até funk mas torcia o nariz para sertanejo. Bem, ainda torço um pouco, mas estou ouvindo muito Marília Mendonça, uma das representantes do chamado feminejo.  Desde a minha viagem para Recife voltei com essa mania de ouvir Marília. E gosto bastante. Ela fala algumas coisas que os homens precisam ouvir e sofre bastante também.

Quem não tem essas sofrências? Quem nunca sofreu dor de corno mesmo? Eu nem vou falar sobre isso na minha vida hahaha. Mas o fato é que eu gosto de música, independente de qual rótulo. Um amigo me disse justamente isso: para eu ouvir música independente de rótulos, se eu gostar ótimo, se não, bola pra frente.

E fiz isso. Cá estou eu, nesse exato momento ouvindo a maravilhosa da Marília. A mulher canta muito mesmo. E graças a todos os deuses que tenho a capacidade de mudar de ideia, de gostos, de conceitos. Prefiro sim ser uma metamorfose ambulante e é isso que eu sou.



Rafaela Valverde

quinta-feira, 4 de maio de 2017

O que eu sei


Eu sei que trocamos juras de amor. Estávamos deitados de conchinha. Eram 4:26 de uma madrugada qualquer. Fazia frio. Quem raciocina no frio? E de madrugada? Ninguém. Eu sei também que aquelas juras podem não ter sido verdadeiras, a promessa de que estaríamos sempre juntos não vingou. Seguimos separados e eu sei que é assim que vamos ficar.

Eu sei que você não levou nada daquilo a sério. Depois daquelas madrugadas vieram outras, outras que ficávamos acordados fazendo planos para um futuro. Esse futuro hoje é tão distante e inexistente que eu nem sei porque perdemos tanto tempo assim falando nele. Talvez porque nos amássemos. Naquela época era tudo mais fácil, éramos muito jovens e ainda não tínhamos descoberto as maldades da vida adulta. Sabe, gente adulta estraga tudo. Complica tudo. Não gosto muito da adulta sem sonhos que me tornei hoje.

Não tenho sonhos, nem expectativas. Não imagino nós dois juntos. Eu apenas me aproveito de você para ter inspiração para escrever, porque meus leitores gostam. Por incrível que pareça, há pessoas que gostam das minha ladainhas. Mas eu não penso em nós dois tendo futuro. Eu só vejo nós dois separados mesmo, mas eu finjo que acredito pois isso rende textos, afinal de contas isso que eu sinto por você tem que servir para alguma coisa, não é?

Eu sei. Eu sei muitas coisas. Mas o que eu sei mesmo é que foi tudo da boca para fora. O que eu disse e o que você disse. Pois, afinal de contas, quando jurei te esperar até oitenta anos eu não imaginava que ia demorar tanto. E quando você disse que eu nunca mais iria chorar e que você estaria cuidando de mim para sempre era mentira. Não sei muito bem se uma mentira deliberada ou se você se enganou e se atrapalhou todo no meio do caminho.

Vai demorar. Está demorando. Isso eu já constatei há tempos. O que você acha? Que eu vou te esperar aqui mais dez, vinte, trinta anos?  Você acha mesmo que eu vou te esperar até quando não tiver mais nenhuma melanina em meu cabelo e quando meus ossos forem tomados pela osteoporose? Se você acha isso mesmo saiba que você está certo. Estou aqui esperando, o tempo que for necessário, no meu canto, sem expectativas e calada, só esperando minha hora, se ela chegar. Se não, paciência, mas eu estarei com meu dever cumprido. Estarei aqui, sempre aqui, incondicionalmente. Indo a festas, viajando, estudando, conhecendo outras pessoas de vez em quando; bebendo e fumando um cigarro, esperando o tempo passar lentamente.  Eu posso não saber tudo, mas sei que é o que eu quero e devo fazer, é esperar por você e cumprir aquelas promessas das 4:26 de uma madrugada qualquer.



Rafaela Valverde


quarta-feira, 3 de maio de 2017

Quando você está aqui


De repente tudo vira coisa de casal. De repente não quero mais ir ao cinema sozinha e percebo que você é aquela pessoa que  eu procurava para conversar sobre os filmes cabeça que eu tanto assisto. Um belo dia acordo sozinha na cama e te procuro do lado, deve ter sido reflexo do final de semana em que dormi com você.

As coisas que eu fazia sozinha antes, hoje ficam muito mais divertidas com você. Mesmo aquele disco triste do Legião Urbana que escuto quando estou triste para ficar mais triste ainda, fica melhor quando escuto com você. Porque você entende a minha necessidade de ouvir músicas tristes e também você é umas das poucas pessoas que conhece o disco e se deixou influenciar pelo meu gosto musical e hoje gosta tanto dele quanto eu.

Sobre cozinhar sozinha ouvindo uma música e bebendo vinho? Isso perdeu a graça também. Eu sempre quero ter você por perto. é incrível como preciso sempre compartilhar algo com você. Óbvio que tenho  meus momentos de estar sozinha. Quem não precisa ficar consigo mesmo às vezes? Mas a primeira pessoa que penso quando quero companhia é você.

Nos momentos em que preciso comemorar alguma nota boa, alguma pequena conquista é em você que eu penso. Ultimamente tudo virou coisa de casal: pretextos para te ver. Jantar à luz de velas, aquela música mais sensual. Imagino logo a gente na cama, se enroscando. Ah, seu beijo! Eu não preciso de mais nada, eu não preciso de mais ninguém. Minha felicidade se resume a minha plenitude como pessoa e se resume a você na minha vida. Se você estiver aqui tudo fica mais completo, a minha felicidade se torna mais realista.

Você e sua racionalidade trazem mais equilíbrio para minha loucura, especialmente para aquelas loucuras noturnas que impedem meu sono profundo de acontecer. Sou notívaga, você também é. Dormimos ao raiar do dia conversando, ouvindo aquelas músicas loucas do Youtube ou fazendo amor. E que amor! Que delícia de amor, o que a gente faz. Seu cheiro me enlouquece e sei que o meu também, meu cheiro fica no seu travesseiro de manhã, quando vou embora. 

Enfiados no edredom, nossa vida rende. Rende histórias, rende tudo que passamos e tudo o que ainda queremos passar e viver juntos. Nossa vida fica mais larga quando estamos juntos, mais forte. Somos bons em tudo. Tudo o que fazemos juntos dá certo, nossa parceria dá certo, sempre deu. Eu e você somos um. Não precisamos nos completar, mas nos suplementamos, somos melhores um com o outro. É assim que enxergo a gente. Quando estou sem sono observo as estrelas da minha sacada e imagino que estar ao seu lado é o que eu mais quero. A minha vida toda, até  envelhecer.

Saindo da varanda, olho para minha maior estrela dormindo em minha cama. Você respira calmamente e quase sorri. Sei que também está feliz. Sei que se sente todo bobo em relação a mim. Sei que me ama. E de repente sinto uma paz. Me enfio debaixo das cobertas e me enrosco em você. De repente tudo vira coisa de casal. De novo. E eu gosto disso.



Rafaela Valverde


terça-feira, 25 de abril de 2017

Apaixonamentos


Apaixonamentos estão fora de questão
Sabe, aqueles em que ficamos bobos
Sem saber o que fazer ou falar
Isso não tem mais cabimento por aqui
Não há mais quem caia nessa
Pelo menos entre as gentes que se prezem
Apaixonamentos não têm vez!
Encantamentos são estupidez!
Não adianta fingir que é mais forte que o mundo
Se cai nessas ciladas
Feito idiota
Mas aqui essas coisas estão fora de questão, repito
Não  há o que se discutir
Aqui não entram mais, em meu peito
Esses típicos apaixonamentos
De quem anda à toa por aí
Sem saber como andar
E para onde ir
Apaixonamentos não!




Rafaela Valverde


quarta-feira, 19 de abril de 2017

Jogos Vorazes e o protagonismo feminino


Reli Jogos Vorazes. Dessa vez li meu próprio livro, sem muita pressa, mas ao mesmo tempo devorando. Porque não tem como ler aquela história sem devorar. Já tinha lido há uns dois anos, mas era emprestado. Se eu já amei a história na época, agora amei mais ainda pois li com mais calma, mais atenta aos detalhes e conceitos, implícitos ou não.

Vejo o livro como um embate do feminismo com o machismo, além de outras questões, já que se trata de uma distopia, com jogos intrinsecamente políticos. Os próprios jogos vorazes que dá nome ao livro vêm de uma situação de opressão que vive um povo em relação aqueles que o governam. Mas, voltando ao embate machismo x feminismo, eu consegui ter algumas percepções que não tinha tido antes.

Katniss Everdeen, a mocinha  rebelde do livro, está sozinha lutando contra um mundo masculino, onde os homens dizem o que ela deve vestir, como se comportar para agradar as pessoas e outro homem, além de o próprio presidente de Panem, o pais distópico em que ela vive, é um homem, que organizou durante anos os jogos. Há ainda os organizadores dos jogos e Haymitch, seu mentor. 

Em alguns momentos percebo que ela se sente mal em estar cercada de tantos homens, já que suas maiores referências na vida atual são mulheres: sua irmã e sua mãe e estão longe, lá no Diistrito Doze. A  única referência masculina era o pai que morreu quando ela ainda era criança. Foi o pai que fez com que Katniss se tornasse a pessoa forte que é. Ele a levava para caçar, ele ensinou como se virar e como usar arco e flecha. A mãe dela é uma mulher totalmente silenciada na narrativa. Talvez propositalmente para que a protagonista tivesse mais luz.

E ela consegue. Mesmo com apelidos como "a garota quente" e a insinuação de que ela deveria agradar e ter um romance com Peeta, já que ele a amava desde sempre, como ele mesmo afirma durante uma entrevista. Todos ou quase todos os momentos do livro vêm com uma carga emocional forte para derrubar Kastniss, para dizer que talvez ela não seja tão forte assim. Mas ela é. E prova isso.

É claro que talvez devêssemos levar em consideração que todo esse jogo de poder dado a uma mulher em um livro, ou três livros, seja uma jogada de marketing intencional. É claro que eu amo essa trilogia e nunca vou deixar de amar, mas também já perdi a inocência há alguns anos.  A gente não aceita mais uma mocinha ingênua e idiota. O mundo mudou e nós mulheres mudamos, queremos e precisamos de protagonistas mulheres fortes e destemidas. E foi o que Jogos Vorazes nos deu em sua trilogia. Uma mocinha que conta sua própria história, que não se cala, que se sustenta a si mesma e a sua família, uma mocinha guerreira que sabe lidar com arco e flecha. Uma mocinha não, uma mulher forte e decidida que apenas fazem os homens acreditarem que ela está fazendo o que eles querem. Viva Jogos Vorazes!



Rafaela Valverde

quarta-feira, 5 de abril de 2017

O beijo na boca - Fabrício Carpinejar




Casais que não se beijam na boca estão se separando. Vão se tornando amigos, parentes, irmãos, até se esquecerem de caminhar de mãos dadas. Vão se apartando do cheiro da pele, do gosto do abraço, das provocações infantis de corredor, das pernas alisadas no fundo da coberta.

O beijo na boca é a autêntica aliança, o ouro que vinga, a certidão que não desbota. Só que me refiro ao beijo mesmo, de girar o corpo, o pescoço, o rosto. Selinho não conta, onde os lábios são uma carta para quem já está distante. Beijo seco também não vale, onde não há a ameaça de morder os lábios.

O beijo molhado é que une. Um beijo úmido por dia renova o amor. O beijo de quem tem saudade dos tempos apaixonados, um beijo que ainda sopre de volta os elogios ditos um para o outro. O beijo sussurrado, em que os sons tremem com as respirações próximas.

O beijo que não tenha a necessidade de ser pensado demais senão surge sem jeito, forçado, cinematográfico. O beijo que seja um segredo a dois, que você extravie o horário e suspenda a noção do lugar. O beijo que toque uma canção dentro, que desperte a vontade de dançar.

O beijo de língua não permite o vazio crescer, a lacuna, o lapso. Pois uma ausência dentro de casa ainda tem conserto, duas ausências não têm como recuperar – o par esqueceu o amor em algum lugar das lembranças e não correu para reaver.

O beijo de língua desfaz as formalidades, os medos e a educação que esfriam a relação. Beijo de língua é beijo para combater o tédio, a mecânica repetida dos gestos. Beijo de língua salva os desaforos, perdoa as críticas e as cobranças. É como uma janela batendo com a chegada da chuva, uma porta batendo com o vento. É um susto que põe o coração a bater de novo.

Nem o sexo resolve o que o beijo faz. A transa sem beijo é apenas desafogo, catarse, apego de bichos. O beijo com língua é o que nos singulariza entre os animais. Casais felizes sempre se buscam pela boca. É uma receita simples de longevidade. Sem o beijo, a pessoa tem a vontade de largar tudo e ficar sozinha. Com o beijo, ela não perde a vontade de largar tudo, mas com a diferença de querer levar junto aquele que ama.



Rafaela Valverde

segunda-feira, 3 de abril de 2017

Andando em círculos


Tudo é muito confuso. Eu não sei se você me quer. Na verdade eu sei que não quer. Eu só não gosto de admitir e fico mergulhada nesse vão imundo. Estou presa em você, estou presa nesse sentimento cheio de limo e bolor. Não porque é um sentimento sujo, mas porque já dura tempo demais. Me pergunto e  pergunto a Deus quando vai acabar. Se vai acabar. E por que não acaba? Qual a razão disso ainda corroer meu peito me trazendo lágrimas aos olhos em madrugadas modorrentas.

Tenho medo. O medo me persegue constantemente. Tenho medo da ansiedade e a ansiedade me deixa com medo. Desconto tudo na comida, na bebida e no cigarro. Claro, não posso me entregar a você, então me entrego aos vícios prazerosos que um dia acabarão com minha vida. Eu não ligo. O dia de hoje é mais um dia desses últimos anos em que eu estou vivendo sem você. Não muito bem, talvez apenas sobrevivendo e cumprindo minhas obrigações como  uma cidadã decente.

Eu não sei o que temos. Eu sei que já tivemos alguma coisa. Mas escorreu pela minhas mãos como água. Nosso amor foi sólido durante esses anos, mas acabou rapidamente como um rio escoando para bem longe de mim. Não sei, não. Acho que eu espanto você. Acho que não sou o que você procura e em todos esses anos só agora você descobriu. Não culpo você. A vida é assim mesmo, nós somos assim mesmo. Seres humanos toscos, cheios de indecisões e defeitos.

Toda a minha esperança foi embora no dia que você se foi de vez. Ao longo dos dias em que não vi você voltando, durante aqueles dias vazios e sombrios eu matei a minha esperança. No lugar dela ficou um buraco fundo, parece um poço. Ele se enche de lágrimas quando você me chama de maluca quando eu digo que te amo. Ele, o poço, nunca vai transbordar, derramar e se cansar. Parece que não. Ele tem sede, ele enche e seca. Para logo em seguida encher de novo. Um círculo vicioso miseravelmente baixo, que me faz passar por uma enorme humilhação diante do mundo. Sim, é tudo muito confuso. E mesmo que você passe noites inteiras conversando comigo, você nunca vai conseguir ter noção de tudo o que eu sinto, você nunca vai saber como é esse poço sem fundo, vazio e escuro dentro de mim.

É, eu sei. Pareço chata, às vezes. E sou mesmo. Sou chata. Até eu mesma já enchi de mim. Não suporto mais me ver te amando. Grito mentalmente que não deveria sentir essas coisas que já duram uns dez anos, mas elas insistem em se manter aqui. Enchendo meu saco, me perturbando. Mas eu juro, eu juro mesmo, que não vou mais terceirizar essas coisas e não vou mais passar isso para você. Você não vai mais precisar lidar com isso, eu juro. Você vai mesmo esquecer que eu existo, porque sim, eu vou sumir dos seu campo de visão. Me perdoe. Mas eu não sou maluca. Eu apenas te amo.



Rafaela Valverde


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