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sábado, 22 de julho de 2017

Só posso dizer - Nando Reis




Tenho pensado muito nessa música. E escutado. E refletido  sobre minha vida, através dela. Linda música. Amo Nando Reis. Vejam o clipe e acompanhem com a letra. 

Cada um de nós tem o seu próprio jeito de ser
Mas tudo que foi feito
Só fizemos juntos
Porque você ouviu a minha, e eu, a sua voz
Tudo que dissemos sempre teve efeito mas sobra
Um ou outro aspecto
E o inverso do direito é a busca do desejo sem culpa

Protegem as flores
Seus espinhos
Preferem os cactos
Que a solidão da noite assista a flor
Quando se abre

Mas eu só posso dizer
Que eu só fico bem ao seu lado
Eu já tentei com outro alguém
Mas não consigo dormir sem seus braços

Vou dizer
Que eu só fico bem ao seu lado
Eu já tentei com outro alguém
Mas não consigo dormir sem seus braços

Cada um de nós tem um enorme respeito e após
Todo esse tempo
Que estivemos juntos
Você lutou por mim, e eu por você
Tudo que enfrentamos sempre demos um jeito tão nosso
É isso que eu adoro
O inverno é o silêncio
É quando a terra aguarda

Protegem as flores
Seus espinhos
Preferem os cactos
Que a solidão da noite assista a flor
Quando se abre

Mas eu só posso dizer
Que eu só fico bem ao seu lado
Eu já tentei com outro alguém
Mas não consigo dormir



Rafaela Valverde

segunda-feira, 17 de julho de 2017

Sem contatinhos

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Não, eu não estou mais afim de ser contatinho. Eu não quero mais ser um dos contatinhos de alguém. Eu não mereço ser só isso. Eu agora estou querendo muito mais que isso. Quando terminei meu último relacionamento, depois de termos reatado há menos de dois meses, eu até fiquei feliz com a solteirice que surgia naquele momento. Mas é claro que tinha que comemorar. Eu não ia ficar por baixo e choramingar o fim de um namoro falido. Tinha mesmo que comemorar minha solteirice e fazer postagens dizendo que ia pegar todo mundo e encher o celular de contatinhos. 

É claro que isso não aconteceu. Desde que terminei meu namoro, em fevereiro, eu só fiquei com uma pessoa e é com quem eu tenho estado, de vez em quando, até então. Porque descobri que não tenho mais interesse em ser e em ter contatinhos. Essa minha fase já passou há um tempo e é algo muito pequeno para mim. 

Eu quero mais, muito mais. Eu sou mais. Eu preciso de mais. Eu quero alguém que eu possa ligar quando algo me acontecer, mesmo que seja uma coisa idiota, apenas algo engraçado, como um tropeço no meio da rua; eu quero alguém que pegue na minha mão quando eu estiver mal e beije minha nuca só pelo ato de me acarinhar. 

Eu quero alguém que cozinhe pra mim, compre vinho e me faça sentir importante. Eu quero acordar com alguém me olhando. Eu quero edredom e brigadeiro em dias frios. Eu quero preparar jantares desastradamente românticos como só eu sei fazer. E quando a comida queimar ou passar do ponto eu quero simplesmente pedir uma pizza e que a pessoa me olhe compreensivamente e diga que essas coisas acontecem e não ajude a me sentir ainda mais culpada.

Eu quero sair para comprar roupas e trazer roupas masculinas junto com as minhas, eu quero escrever poemas e cartas, eu quero me sentir tão especial, mas tão especial, que ninguém  vai ter a capacidade de me colocar para baixo. Eu quero que o assunto flua entre mim e essa pessoa e não apenas ter que ficar inventando assunto e falar do tempo chuvoso.

Eu preciso de algo que meros contatinhos nunca vão me proporcionar. Eu quero uma coisa que saídas casuais, amizades coloridas ou sei lá mais o quê, não vão conseguir dar conta. Eu quero ter com quem compartilhar minha vida, alguém que realmente se interesse por ela. Alguém que me escute, mas também que eu possa escutar. Porque eu amo escutar. Eu quero alguém que só de me olhar já me dispa e me deixe afim de qualquer coisa.

Contatinhos, por melhores que sejam, por darem a ilusão de liberdade, por mais fofas que sejam as pessoas envolvidas ou ainda por mais tempo que dure a amizade colorida, não dá tempo para desenvolver todas essas coisas que eu quero, todas essas coisas que minha alma quer e todas essas coisas que fazem os olhos brilhar as mãos tremer e surgir um envolvimento emocional, real, daqueles que todo mundo pretende ter um dia.




Rafaela Valverde

domingo, 16 de julho de 2017

Casas de sentimentos

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Nós somos casas de sentimentos. Todos nós. Não existe uma pessoa que não tenha sentido um dia, não existe alguém que não tenha amado um dia. Por mais que hoje não queira amar, já amou, já sentiu. Somos poços transbordantes de sentimentos.

Um texto de um amigo do Facebook me inspirou para escrever sobre isso. Sobre o sentimento. Sobre a expectativa dos sentimento que às vezes depositamos no outro ou em nós mesmos. Em nós mesmos, porque não queremos mais sentir e sentimos ou no outro, porque gostaríamos que ele sentisse e ele não quer ou não consegue mais.

Ainda que digamos que não criaremos mais expectativas porque elas não são animais de estimação e muitas outras piadas que contamos sobre o assunto, sempre há uma pontinha de expectativa. Por mais recôndita que esteja, por menor que seja, ela vai estar lá. A danada da expectativa. Por mais que tentemos evitar, sempre queremos que o outro faça ou sinta por nós minimamente o que fazemos ou sentimos por ele.

Sim, esperamos reciprocidade. Sempre. Não existe essa pessoa que diga que é capaz de sentir sozinha, sem esperar esperançosamente (perdoem - me a redundância!) que o outro sinta, se não a mesma coisa, pelo menos um pouco parecido. Queremos atenção, cuidado, afeto, alguém que se interesse por nossas vidas, para que nos sintamos menos medíocres.

Mas como meu amigo do Facebook escreveu, ninguém merece depositar cargas emocionais, expectativas, sentimento, atenção, cuidado em alguém, sem receber nada em troca. Nem ao menos um: "como foi seu dia?" Ninguém merece e ninguém precisa disso. É por isso que cada vez mais escondemos e evitamos nossos sentimentos. O ato de sentir é tão forte que precisamos evitar o máximo que for possível. Limpamos a casa, tiramos os móveis, desinfetamos -na. E ela deixa de ser a casa dos sentimentos bons para ser a cada do medo, da desconfiança, do olhar triste e até mesmo da frieza. Ninguém merece uma casa assim. Ninguém merece uma casa vazia. 





Rafaela Valverde

sábado, 15 de julho de 2017

Lua Adversa - Cecília Meireles

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Tenho fases, como a lua.
Fases de andar escondida,
fases de vir para a rua...
Perdição da minha vida!
Perdição da vida minha!
Tenho fases de ser tua,
tenho outras de ser sozinha.

Fases que vão e vêm,
no secreto calendário
que um astrólogo arbitrário
inventou para meu uso.

E roda a melancolia
seu interminável fuso!

Não me encontro com ninguém
(tenho fases como a lua...)
No dia de alguém ser meu
não é dia de eu ser sua...
E, quando chega esse dia,
o outro desapareceu...




Rafaela Valverde

terça-feira, 11 de julho de 2017

Tentando entender você

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Eu não consigo entender certas coisas em você. Eu não consigo entender muitas coisas, pra falar a verdade. Eu não entendo como você diz que eu sou a melhor. Melhor em tudo: no beijo, no sexo, na companhia, na inteligência... E ainda assim você continua a não me querer para estar ao seu lado. Você diz que quer ter opções, que precisa disso para ser feliz. Você diz que quer ter outras não tão boas quanto eu, só por ter, só para saber que realmente tem essa opção.

Você entende isso como liberdade. Mas eu entendo  como uma confusão que você faz com sua vida e com a minha. Soa tudo tão incoerente e desconexo. Não quero criticar você, não ache isso. Eu só queria entender. Queria. Na verdade eu nem sei se quero mais. Talvez eu apenas me deixe levar pela situação e me satisfaça só com o fato de estar com você de vez em quando. Às vezes é bom viver na ignorância mesmo. Sem compreender determinadas coisas.

Mas minha cabeça não para. Ela insiste em saber o porquê de você querer outras se tem a melhor disponível para você a qualquer momento que precisar. Além de ser a melhor, eu sou também a que te ama. A que te ama incondicionalmente. Sou a mulher que te amou nesses últimos anos, independente do que você fizesse. Eu sou a mulher que te conhece melhor do que você mesmo, eu sou a mulher que te viu chorar feito criança em vários momentos, sobretudo, no momento em que seu time foi rebaixado. Eu sou uma mulher maravilhosa, como você mesmo diz. E eu não preciso que ninguém diga, eu sei que sou. 

Nem você consegue me explicar, os motivos dessa sua escolha. Já que tem a melhor, ainda opta em ficar, ou encontrar outras que serão pessoas menos importantes na sua vida. O que você quer? Colecionar afetos? Pequenos afetos, pequenos envolvimentos emocionais... Pequenos... Sempre pequenos. Porque o maior você já teve e tem. Você tem o amor da sua vida na sua frente e como mesmo já me disse, deveria se sentir privilegiado, mas não se sente.

Privilégio para você é poder estar "livre" para "ficar" com quem quiser, a hora que quiser. Questiono isso que você chama de liberdade, pois isso pode ser uma ou várias prisões. Prisões em conceitos, em pré-conceitos, prisões em ideias retrógradas e nefastas sobre você mesmo e sobre mim. E ainda há as ideias otimistas sobre as outras pessoas. Acho que você tem esperança de procurar, procurar e encontrar alguém igual ou melhor que eu. Você não aceita que possa haver apenas uma mulher para dedicar tanto amor durante tantos anos, durante a vida inteira... Você não se conforma com essa possibilidade e quer experimentar várias outras possibilidades para saber que não está perdendo nada da vida.

O problema é que enquanto você brinca de encontrar outro amor tão especial como o nosso e tenta experimentar "as alegrias da vida", você pode estar perdendo a possibilidade de ter seu amor, de ter sua companheira, sua amiga confidente, a pessoa que mais ama e cuida de você. Sabe por que? Não porque eu não esteja disposta a esperar por você e ficar com você, mas porque a vida pode acabar a qualquer hora, já pensou nisso? Além disso, nesse momento deve existir pessoas me observando. E eu não sei o que vai acontecer daqui pra frente, mas a gente tem que pensar em todas as possibilidades da vida, não é? Pois, enquanto você está aí dizendo que quando se ama quer  ver o outro feliz  e tentando buscar alguém para me substituir - mero discurso - eu estou "livre, leve e solta" e pensando que só posso mesmo obter ou reobter minha felicidade no amor com você, ao seu lado.



Rafaela Valverde

domingo, 2 de julho de 2017

Um dia ela percebeu


Um dia ela percebeu que só precisava dela mesma
Entendeu que é incrível mas também não presta
Não presta pra levar desaforo pra casa
Não presta pra ser menos do que é
Está mais para pôr-do-sol
Do que o nascer
O nascer é calmo, ela não
Ela entendeu que é sombria, mas ilumina todos ao redor.
Seu coração está leve
Suficiente para a alma que não aguenta pesos
De pesada basta a vida
Mas ela aguenta
E vive
Ela percebeu que se basta
Percebeu que só precisava de si mesma para viver
É fluída
É volúvel
É maravilhosa, costumam dizer
Mas, meu Deus, está sendo consumida pela solidão
Por que isso?
Por que é que ninguém quer pegar na sua mão?
E nem amá-la nos momentos de crise?
Será por causa da sua descoberta?
Ela sabe que só precisa dela
Tem certeza disso.
Mas está o tempo todo presente
Ela e ela mesma
Não é uma opção
O que ela gostaria de ter era a opção de ter mais alguém por perto
Para segurar sua mão
Para te abraçar no frio
E não mais ser consumida pelo tédio de ser sozinha
Estar  consigo mesma é maravilhoso
Tão maravilhoso, que ela quer dividir com alguém.
Um dia ela percebeu.



Rafaela Valverde



sexta-feira, 30 de junho de 2017

Desmergulha!


Mergulho na complexidade de quem você é
E assim me vejo afogada
Desfibrilada
Me socorrem
Me aplaudem
Como isso é possível?
Eu finjo que morri
Ou eu também me aplaudi?
Acho que não, né?
Deixa de bestagem!
Desmergulha!
Sai daí!




Rafaela Valverde

sábado, 24 de junho de 2017

Transa no chuveiro


Estamos no banheiro. Ele tomava banho, e eu entrei. Queria provocá-lo. E queria fazer as pazes. Havíamos brigado na noite anterior. Encostei meu corpo nu em suas costas, enquanto o masturbava. Ele se animou, virou e me empurrou até a parede, me beijando. Assim, rápido, sem uma palavra sequer.

Seu beijo mostrava que estava bem excitado. Não havia mais briga. Chupou meu pescoço. Desceu para os seios com uma ânsia impressionante. Lambeu meus mamilos, mordicando de vez em quando. Sem aviso, ajoelhou, apoiou minha perna em seu ombro e começou a me chupar. Deliciosamente, do jeito que só ele sabe fazer. Eu me contorcia e gemia baixinho. Depois de um tempinho, parou e me olhou nos olhos, enfiou a língua em meu umbigo, depois foi subindo lambendo minha barriga até chegar em minha boca de novo.

Meu gosto estava em sua boca e eu adorava isso. O vapor esquentava as coisas, mas tive a impressão que não era só ele. Nós estávamos quentes também. Transar depois de uma briga é sempre muito gostoso. Estávamos nos beijando, quase engolindo a boca um do outro. Com uma mão só ele me virou de costas e me penetrou. Gemi alto.

Estava com a cara colada no azulejo quente do banheiro, gritando de prazer, salivando por mais e mais. Com minha mão apertava seu corpo contra o meu, para que ele continuasse e aumentasse a intensidade. Apertava sua bunda firme e macia e assim, gritando, gozamos juntos, caindo arfantes no chão do banheiro, a água quente caindo em nossos corpos cansados de prazer.



Rafaela Valverde

domingo, 18 de junho de 2017

Malemolência - Céu

Veio até mim
Quem deixou me olhar assim?
Não pediu minha permissão
Não pude evitar, tirou meu ar
Fiquei sem chão

Menino bonito, menino bonito, ai!
Ai, menino bonito menino bonito, ai!
Menino bonito, menino bonito, ai!
Ai, menino bonito menino bonito, ai!

É tudo o que eu posso lhe adiantar
O que é um beijo se eu posso ter o teu olhar?
Cai na dança, cai!
Vem pra roda da malemolência

Menino bonito, menino bonito, ai!
Ai, menino bonito menino bonito, ai!
Menino bonito, menino bonito, ai!
Ai, menino bonito menino bonito, ai!

É tudo o que eu posso lhe adiantar
O que é um beijo se eu posso ter o teu olhar?
Cai na dança, cai!
Vem pra roda da malemolência

Menino bonito, menino bonito, ai!
Ai, menino bonito menino bonito, ai!



Rafaela Valverde

Quando você voltar


Quando você voltar
Pense na possibilidade
De não me encontrar
Mesmo que eu esteja aqui
Eu posso tentar fugir
Seus beijos mostram
O que você quer ocultar
Os sentimentos furtivos que por mim tens
Não adianta negar!
Seus olhos vão além e complementam a mensagem
Sei que me amas
Sei que não vai embora
Seu corpo não sabe ser sutil
Você disfarça mas  sabe me esquecer
Tentou encobri, mas me chamou de seu bebê
Eu ouvi
Eu percebi
Eu senti
E eu vivi
Até agora sem você
Mas o amor permanece aqui
Se fazendo perceptível cada vez que amanhece
Você dissimula
Tudo bem, eu te entendo
É forte e complexo demais
Nem todo mundo consegue lidar
Mas aqui no meu peito esse amor só se acumula
E nunca deixarei de te amar!



Rafaela Valverde

sexta-feira, 16 de junho de 2017

Diva


Quero sentir sua boca roçando em minha pele
Quero sentir seu hálito cálido
E seu cheiro de frescor
Que me deixa louca

Quando o vento brincar com meu cabelo quero que você esteja lá
Quero que você esteja em todos os momentos
Eu não sei mais disfarçar

Quero acordar ao seu lado todo dia
Olhar seu rosto relaxado
Te observar enquanto dorme
Escutar seus barulhos noturnos
Era só isso que eu queria

Mas não tenho mais expectativa
Sei que não mais me amarás
Sei que não estarei mais ao seu lado
E você não vai estar lá
Roçando sua boca em mim
E me tratando como diva



Rafaela Valverde

A vida

Vou pensar
Vou penar
Vou chorar
Vou beijar
Vou sorrir
Vou sair
Vou cair
Vou levantar
Vou suar
Vou jogar
Vou cantar
Vou dançar
Vou trepar
Vou gemer
Vou viver
Mas nunca vou te esquecer.



Rafaela Valverde

quarta-feira, 7 de junho de 2017

Eu

Eu te amo
Eu me odeio porque te amo
Eu não consigo te odiar por um minuto sequer
Eu brinco de te esquecer
Eu finjo que hoje não vou pensar em você
Eu minto dizendo que não me importo
Eu fico imaginando como seria ter você aqui, ao meu lado
Eu tenho certeza que aqui é o seu lugar
Eu te amo
Eu sei que a minha vida seria melhor com você
Eu odeio a minha vida por isso
Eu sei que não será possível, não mais!
Eu perdi você
Eu me odeio por isso
Eu acordo pensando em você
Eu relembro nossos momentos juntos e penso como eu já fui feliz ao seu lado
Eu amo você
Eu sempre vou amar você
Eu me odeio por ter perdido você
Eu sempre vou achar que vou estar melhor do seu lado
Eu sei que não adianta você estar ao meu lado se não quiser e se não estiver feliz
Eu sei de tudo isso!
Eu me importo com sua felicidade, acredite
Eu
Amo
Você.
Eu.
E você? Me fala de você.
Qual seu ponto de vista nessa historia?


Rafaela Valverde

terça-feira, 6 de junho de 2017

Crianças sabem mais que poeta


Eu não sei o que quer dizer isso
Mas sei que não tem nada de enguiço
Como costumavam me dizer na infância
Tramam contra as crianças, porquê?
Inventam respostas ininteligíveis

Vocês que são bestas
Achando que criança não entende
Criança tem sabedoria
Mas às vezes ficam invisíveis
Aos olhos do mundo

Crianças sabem mais que poeta
Que como dizem por aí,
Nada mais é que um fingidor
Criança finge que não vê e que não escuta
Criança sabe mais do que a gente imagina

Criança sabe mais que a gente adulta
Que se acha melhor e mais culta
Mais livre e mais esperta
Mas não sabe de bulhufas
Especialmente quando se apaixona

Gente adulta fica cega
Cega de amor
Criança, não!
Criança ainda não tem burrice para passar por isso
Sim, a gente cresce e emburrece.
Quero voltar a ser criança!




Rafaela Valverde

segunda-feira, 29 de maio de 2017

Livro O leitor


Terminei de ler o livro O leitor. Esse livro originou o filme que deu o Oscar de melhor atriz a Kate Winslet. Inclusive, assisti o filme antes e nem sabia que existia o livro. Descobri há bem pouco tempo. Comprei o livro por dez reais com uma menina que conheci no Facebook em grupos de vendas de livros.

Confesso que demorei de ler o livro, achei ele meio paradão. Meu ritmo de leitura de livros está bem lento, sobretudo por causa da faculdade e por casa das séries hehehe. O livro foi escrito pelo escritor alemão Bernhard Schlink e publicado em 1995. A adaptação para o cinema só foi feita em 2008.

O filme é bastante fiel ao livro. Há muitos detalhes, claro, que no filme não são contados. Essa parte gostei bastante. Alguns detalhes foram esclarecidos com a leitura. A história contada é a de Michael Berg, menino de 15 anos que ao ficar doente conhece a cobradora de bondes Hanna Schmitz, que tinha 36 anos. Eles vivem um caso tórrido de paixão e Hanna pede que o "menino", como ela o chama, leia para ela em voz alta. Muitos livros são lidos, entre uma transa e outra. E assim, o menino vai se descobrindo e amadurecendo.

Alguns anos depois, quando ele já havia se afastado de Hanna e estudante de direito, encontra a mulher que outrora amou, no banco dos réus. Ela havia sido guarda nos campos de concentração do nazismo, vitimando diversas mulheres em um incêndio. Hanna tem um grande segredo e pretende abrir mão de muita coisa para preservá-lo, inclusive da sua liberdade,

Michael narra o livro. E o quadro com que nos deparamos é ele narrando sua própria culpa e tristeza durante toda a sua vida, até o instante em que finaliza o relato. Culpa, saudade, dor, tristeza, saudade. A vida dele inteira girou em torno desse amor de adolescência. Amor por uma mulher incrivelmente misteriosa e fascinante. Leiam!



Rafaela Valverde

Eu não sei mais lidar com tudo o que sinto


Acordo todas as manhãs sentindo falta de algo, sentindo falta do que tive, do que não tive e do que ainda vou ter. E o que eu não vou ter nunca, fica pairando acima da minha cabeça. Todos os dias. Como uma nuvem, opaca e sem vida. A nuvem joga sua chuva sobre minha cabeça e explode um turbilhão de pensamentos sufocantes, aterrorizantes. Mas que eu não consigo evitar.

Como assim? Você diz que quer algo que nem sabe o que é. Mas, é mentira! Você sabe, sim! Sempre soube. Mas, parece que como tudo em sua vida, o fato de você querer muito algo, afasta decisivamente o algo da sua vida. Você é uma azarada de merda. Você afasta tudo o que quer. E você nunca quer o que tem. Você é idiota, porra!

E esse vazio? Cura como? Isso que te faz chorar escondido à noite. Como resolve? Com baladinhas, cheias de gente tombadora com maquiagem "cheguei" e beck na mão? Com sexos casuais, frios e mal feitos? Com revolta e melancolia? Como resolve?

Se eu soubesse não estava passando por isso. Eu queria simplesmente não passar por nada. Eu abriria mão de viver só para não sentir. Eu preciso de um entorpecimento constante. Por isso, o sono excessivo, por isso as leituras e as séries, por isso a escrita compulsiva, por isso as garrafas de catuaba e vinho barato pela mesa de centro. Por isso, as noites em claro chorando e fumando cigarro após cigarro.

É por isso, tudo isso. Porque eu não sei lidar com a dor de sentir, com a dor de existir e ser eu mesma. Eu não sei mais encarar uma baladinha e descontrair com ela. Ao contrário, fico tão tensa e mal humorada nas festas, que sento em um canto, falando mal de todo mundo, sozinha. Sofá de boate tem sido meu lugar preferido ultimamente. Destilo veneno e ironia. E as lágrimas de tristeza ficam caindo naquele escuro, é onde melhor posso chorar. Choro enquanto danço também! Sim, sociedade, é só isso mesmo o que eu posso te oferecer!



Rafaela Valverde

sexta-feira, 19 de maio de 2017

Transbordante


O que buscar lá fora se tudo que me faz bem está aqui dentro?
Por que buscar coisas lá fora se tudo está aqui?
Pra que procurar qualidades em outras pessoas se você já as tem?
Tudo que me satisfaz está aqui, em você
Tudo que eu gosto você faz
O que eu preciso você tem
Eu não preciso de mais ninguém
Quando eu te falo você não acredita
Mas não há ninguém como você
Estar com você me faz tão bem
Há anos que sua presença me faz ótima, que é melhor que bem
Eu realmente não preciso de ninguém
Mas você não é ninguém
E eu preciso de você
Não para viver
Não para ser feliz, afinal eu já sou feliz!
Mas preciso de você para tornar minha vida melhor
Também para me transformar nesse poço de sorrisos
Sim, quando estou perto de você, eu transbordo de alegria
A felicidade me toma por completo
Eu me fecho nesse mundinho em que você está
E esqueço do que se passa no mundo lá fora
Nada lá fora importa!
Aí no outro dia tenho que voltar ao tempo presente, à vida real
É duro demais não ter você
É injusto ter que procurar lá fora o que eu tenho aqui dentro
É injusto, principalmente, porque eu nunca vou achar
O poço da felicidade de estar com você esvazia um pouco quando vou embora
Mas o meu amor é um poço muito maior
Não enche, não transborda e nunca vai acabar
Agora, me diga, você que tem resposta para tudo:
O que eu faço com esse amor?



Rafaela Valverde

quarta-feira, 17 de maio de 2017

Passional


Você diz que sabe quem é
Você diz que se conhece
Você diz que me conhece
Mas, ora bolas, quem é que sabe mesmo de si?
Eu não sei, você não sabe, o mundo não sabe
O mundo nem sabe que fim terá!
O mundo não sabe nada
Agora, imagine você!
Você não sabe de nada
Eu vejo que estou em seu olhar
Mas você nega
Você é engraçado
Não se entrega
Não se apoia
É orgulhoso
Tem medo
Você diz que sabe de si
Você diz que se conhece
Você diz que me conhece
E que eu sou a mesma
Você se auto - engradece
Não que esteja errado
Se engrandeça mesmo
Brilhe mesmo
Pense em você mesmo
Mas não minimize nosso amor
Seja quem e o que você quiser
Só não ache que tudo isso é menor
Você pode não amar
Mas não desame quem ama
Você pode não se dedicar ao amor
Mas deixa minha dedicação
Você pode se conhecer
Pode me conhecer
Só não mate minha presença em seus olhos
Não esnobe meu amor
Ele, meu bem, ainda vai te salvar de você mesmo.



Rafaela Valverde


domingo, 14 de maio de 2017

Pausa nos estudos


Estávamos sentados estudando para as provas finais. Geralmente a universidade ficava bastante agitada nesse período de provas, mas naquele horário a biblioteca estava calma, com poucas pessoas circulando. A sala em que estudávamos estava mais escura que o normal e passou pela minha cabeça que talvez uma das lâmpadas tivesse queimado.

Realmente queria estudar, pois não tinha ido muito bem esse semestre. Ele porém, não parecia muito interessado nos textos. Foi enfiando a mão embaixo da minha saia, o que eu prontamente reivindiquei. Estávamos em um lugar público. E daí, ele disse. Ninguém tá vendo, disse em seguida. Realmente sua mão estava por debaixo da mesa e não dava para quem tivesse de longe ver nada.

Deixei sua mão ali. Ela era macia, firme e delicada ao mesmo tempo. Não sei como isso era possível mas era. Ele sabia me masturbar deliciosamente bem. Ia massageando meu clitóris e eu ia ficando cada vez mais molhada com aquela mão familiar em mim. Nunca tínhamos feito nada assim em público e eu percebia em seu rosto que ele estava se divertindo.

Ele me lançava olhares safados e passava a língua ao redor dos lábios. A essa altura apenas fingíamos que estudávamos. Ninguém estava mais interessado em teoria linguística quando havia um pequeno incêndio acontecendo por ali. Eu sorria e ao mesmo tempo olhava disfarçadamente para os lados. Me surpreendi com minha desfaçatez, não me imaginava sendo assim.

Em um determinado momento da nossa aventura bibliotecária, suspirei alto e recostei na cadeira, desistindo de vez dos textos. Eu já estava perto de gozar e precisava me concentrar. Ele passeava com mais força por dentro de mim, mas uma força precisa que sabia do que eu gostava. Gozei soltando alguns pequenos gemidos e relaxei totalmente. Ele tirou a mão debaixo da minha saia e lambeu os dois dedos que antes estavam dentro de mim.

Arrumamos os materiais impacientemente e corremos para a residência universitária, onde ele morava. Ficava bem perto dali e fomos rápido para manter a chama. Os amassos começaram na porta mesmo, já fui tirando a camisa dele e quando já estávamos na cama, ele levantou minha saia, que era comprida, arrancou minha calcinha e começou a me chupar bem devagar. Uma delícia. Gozamos juntos, com a sensação  de que tínhamos estudado bastante e que criaríamos nossas próprias teorias.



Rafaela Valverde

sábado, 13 de maio de 2017

A lua no cinema - Paulo Leminski


A lua foi ao cinema,
passava um filme engraçado,
   a história de uma estrela
que não tinha namorado.

   Não tinha porque era apenas
uma estrela bem pequena,
   dessas que, quando apagam,
ninguém vai dizer, que pena!

   Era uma estrela sozinha,
ninguém olhava pra ela,
   e toda a luz que ela tinha
cabia numa janela.

   A lua ficou tão triste
com aquela história de amor,
   que até hoje a lua insiste:
- Amanheça, por favor!



Rafaela Valverde
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