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sábado, 9 de dezembro de 2017

Para Educar Crianças Feministas - um manifesto e Sejamos Todos Feministas de Chimamanda Ngozi Adichie

Os livros Para Educar Crianças Feministas - um manifesto  e Sejamos Todos Feministas de Chimamanda Ngozi Adichie são livros reveladores, especialmente para quem não conhece nada de feminismo e anda falando besteira por aí. É muito importante para conhecer algumas pequenas questões - ou talvez não tão pequenas assim - que ela aborda de maneira tão bem feita que não dá para desgrudar do livro e ainda ficar concordando que nem uma doida, balançando a cabeça na rua.

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Chimamanda é Nigeriana, nascida em 1977. É uma das mais conhecidas e bem sucedidas escritoras de literatura africana em língua inglesa. Só a conheci no ano passado na faculdade de Letras, assistindo uma de suas palestras em uma aula de literatura. Como tive facilidade de ler seus livros, aproveitei logo a oportunidade e li. São livros bem fáceis de ler. Terminei em um dia. Pois bem, Para Educar Crianças Feministas - um manifesto é uma carta/manifesto escrito para sua amiga que lhe perguntara como educar a filha de maneira feminista e para ser feminista A partir dessa resposta, ela cria inúmeras respostas e uma lista com coisas a serem feitas e coisas para nunca serem feitas. É bem didático, sobretudo para quem critica tanto o movimento feminista que busca igualdade entre homens e mulheres, nada mais. Trarei duas frases do livro:

Seja uma pessoa completa. A maternidade é uma dádiva maravilhosa, mas não seja definida apenas pela maternidade. Seja uma pessoa completa. (p. 14)

Ensine-a a ler. […] Os livros vão ajudá-la a entender e questionar o mundo, vão ajudá-la a se expressar, vão ajudá-la em tudo o que ela quiser ser. (p. 34)

Então, né gente? O livro é maravilhoso e traz algumas coisas que já pensava há anos. Reflexões sobre a mudança do sobrenome da mulher ao se casar, reflexões sobre o rosa e o azul - definições de gêneros impostas pela sociedade e muitas outras... É um livro que nos coloca para pensar.

Já Sejamos Todos Feministas é uma de suas palestras adaptadas para livro e vem para reforçar as ideias do feminismo mesmo. Como se fosse a repetição para a confirmação de determinada ideia. Desconstrução de conceitos fortemente arraigados já há muito tempo em nossas sociedades.

Trechos destacados:

"Perdemos muito tempo ensinando as meninas a se preocupar com o que os meninos pensam delas. Mas o oposto não acontece."


"E se criássemos nossas crianças ressaltando seus talentos, e não seu gênero? E se focássemos em seus interesses, sem considerar gênero?"


É também um excelente livro, que aborda várias questões que precisam ser abordadas e discutidas. Gostei bastante dessas leituras. Todo mundo deveria ler!



Rafaela Valverde


Livros Outros Jeitos de Usar a Boca de Rupi Kaur e Um Útero é do Tamanho de um Punho de Angélica Freitas

Queria bater vinte livros lidos no ano e consegui. Quero falar aqui sobre quatro deles, que li recentemente e que foram livros bastante comentados e lidos ao longo de 2017. São ele: Outros Jeitos de Usar a Boca Rupi Kaur; Um Útero é do Tamanho de um Punho de Angélica Freitas; Para Educar Crianças Feministas e Sejamos Todos Feministas de Chimamanda Ngozi Adichie.

Resultado de imagem para outros jeitos de usar a boca resenhaDevo dizer que são bons livros, pequenos livros, livros para serem lidos rapidamente. Mas não significa que esses livros não tenham o que dizer. Eles têm e muito. O primeiro é de uma autora indiana, hoje residente no Canadá. O livro desde o início me chamou atenção pelo nome e por uma indicação feita em um quadro de livros na Rádio Metrópole. Daí a curiosidade foi aumentando cada vez mais e um belo dia consegui ler. Os textos foram escritos em formato de poema e são maravilhosos. Chorei um pouco lendo alguns, pois falavam de mim mesma. O sofrimento por amor, pela perda, a dor pelo outro que  foi embora... A cura (que inclusive é um dos capítulos do livro...)Ainda traz questões sobre violência contra mulher, questões de aceitação e amor pórprio. É um livro muito tocante.

quando você estiver machucada
e ele estiver bem longe
não se pergunte
se você foi o bastante
o problema é que
você foi mais que o bastante
e ele não conseguiu carregar 


Esse é um dos poemas ou trechos que mais me marcou, por razões muito óbvias, é só ler o poema e saber que tive uma ou talvez duas estórias assim.  Quem é que não teve? Pois bem, como eu já disse o livro aborda temas muito sérios. Assim, trago mais um trechinho:

sexo exige o consentimento dos dois
se uma pessoa está ali deitada sem fazer nada
porque não está pronta
ou não está no clima
ou simplesmente não quer
e mesmo assim a outra está fazendo sexo
com o seu corpo isso não é amor
isso é estupro 

Nem preciso dizer que amei esse livro não é? O próximo da minha listinha é o ó útero é do Tamanho de Um Punho de Angélica Freitas que tem o mesmo sobrenome que eu e de quem eu nunca tinha ouvido falar. É um livro que aborda questões feministas também e eu nem preciso dizer mais nada, não é mesmo? Sobretudo pelo nome do livro já é possível compreender do que se trata. É uma boa seleção de textos, eu também gostei, apesar de ter me tocado e me identificado menos que o anterior. Esse é o meu trecho selecionado do livro:

a mulher é uma construção
deve ser
a mulher basicamente é pra ser
um conjunto habitacional
tudo igual
tudo rebocado
só muda a cor
particularmente sou uma mulher
de tijolos à vista
nas reuniões sociais tendo a ser
a mais mal vestida
digo que sou jornalista

A postagem ficou muito grande, portanto vou falar um pouco dos livros de Chimananda em uma próxima postagem. Não tenho intenção que isto seja uma resenha, apenas quero registrar e compartilhar com vocês as minhas leituras. São livros tão subjetivos, leiam por vocês mesmos e criem suas próprias opiniões.




Rafaela Valverde




terça-feira, 5 de dezembro de 2017

Eu tenho uma pessoa e sou eu!

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Eu já sofri muito. Já sofri muito nessa vida. E já tinha sofrido muito desde que você me deixou. Passeis uns seis meses sem saber de mim. Fora de mim pra falar a verdade. Eu estava com você, em você. Só tinha um pensamento: queria você de volta. Mas hoje isso é tão ridículo. E em tempos de empoderamento feminino, elevação de auto estimas, essas coisas, não cabe bem eu preferir você em detrimento de mim mesma. Sabe dizem que isso não é amor. Eu acho que é amor sim. Porém é mais amor pelo outro, nesse caso por você, do que por mim mesma.  A questão toda, é que graças a Deus isso mudou. Eu amo mais a mim hoje do que a você. Eu encontrei uma pessoa e ela sou eu mesma. Hoje só sofro por mim mesma. Hoje não admito ser maltratada por ninguém. Hoje só consigo ser capaz de ficar fora de mim por mim mesma.

Não sei dizer exatamente por quanto tempo fiquei no limbo. Às vezes o limbo ainda vem. É escuro, vazio e pegajoso. Mas não é por você, nem por ninguém. É simplesmente pelo fato de minha vida ser uma bosta mesmo. Em alguns momentos, ou quase todos os momentos em que estive com você foi menos bosta do que é agora. Confesso que fui feliz ao seu lado. Isso eu nunca escondi de ninguém, nem de você. Confesso que ainda existe algum resquício desse amor aqui por dentro de mim. Ele nunca vai morrer. Amor não morre, eu sei. O que apaga é o fogo da paixão, mas o incêndio do amor, só pode ser escondido e não finalizado. Jamais.

Ainda assim meu amor por mim mesma, graças a Deus, hoje, se sobrepõe ao amor que sinto por qualquer outro ser na terra.  Eu escolho a mim e sempre escolherei. Não creio que você volte a me fazer mal de novo algum dia, até porque eu não deixarei que isso aconteça. Até porque não sofro mais como antes e até porque não existe tanta proximidade assim entre nós, como eu penso. Estamos acabados, não existimos mais como casal e nosso Facebook não nos deixa mentir com as palavras "solteiro" e "solteira." Queria te tratar com um pouco mais de frieza do que o necessário. Queria tratá-lo com mais frieza do que trato usualmente. Queria, mas não trato, não consigo e não vou conseguir nunca. Quando penso ou falo com você sempre sinto afeto e vontade de fazer cafuné em você e tocar sua pele macia. 

Mas, não confunda as coisas, eu demorei, mas, hoje não me confundo mais! Isso não significa que eu pense em você como meu de novo, que eu tenha sonhos de Cinderela donzela e apaixonada de novo. Não significa que eu sonhe com você me dizendo que me ama e me pedindo para voltar. Você já fez isso uma vez e nem sei se era verdade.  Já consegui te conquistar uma vez e tenho plena consciência que não o farei de novo. Não possuo tanta capacidade apaixonativa assim, mas, o que eu sei é que sou maravilhosa. E que cada dia seu distante de mim é um desperdício e uma privação dessa mulher incrível e maravilhosa que eu me tornei e você nem conhece.



Rafaela Valverde

sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

Livro Uma Vida Inventada - Maitê Proença


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Terminei  de ler essa semana o livro da atriz Maitê Proença, de quem eu gostava desde a infância, acompanhando pelas novelas da globo. Troquei o livro em um projeto de troca de livros e não sabia muito bem o que esperar dele. Confesso que o que me chamou atenção foi o nome da autora. Provavelmente se não fosse Maitê Proença eu nunca pegaria o livro.

Gostei bastante do livro que intercala memórias com estória. Uma está dentro da outra, não se separam e é justamente esse um dos diferenciais do livro que traz de maneira suave suas impressões sobre a vida, sobre as pessoas e narra de forma suave todas as tragédias que fazem parte da sua vida. Sim, para quem não sabe a atriz passou por grandes tragédias em sua vida. Quando ela tinha doze anos o pai matou a mãe e se matou anos depois, quando ela já trabalhava na Globo. Mas, a forma com que ela narra é muito bem feita. Pelo menos eu gostei bastante. Me fez refletir em alguns fatos da minha vida, especialmente a mágoa e a liberdade.

A atriz contou em uma entrevista que eu pude ler, que sentiu vontade de escrever sobre suas tragédias, depois que elas foram expostas em rede nacional no ano de 2005 no programa de Faustão. Então não tinha mais como não contar.

Ela vai trazendo memórias, relatos de viagens e conta casos divertidos sobre a vida; além da relação com a filha Maria, sua relação com a família e com as religiões. Além do começo difícil da carreira. No primeiro trabalho na TV, antes de começar, Maitê sofreu um acidente que a deixou de moletas por cerca de um ano. Além disso teve o aborto que ela fez aos dezesseis anos. Ela conta tudo de maneira muito leve e eu não consegui desgrudar do livro. É isso.


Autor: Maitê Proença
Ano: 2008
Páginas: 224
Editora: Agir





Rafaela Valverde

Com licença poética - Adélia Prado


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Eu amo esse poema!

Quando nasci um anjo esbelto,
desses que tocam trombeta, anunciou:
vai carregar bandeira.
Cargo muito pesado pra mulher,
esta espécie ainda envergonhada.
Aceito os subterfúgios que me cabem,
sem precisar mentir.
Não sou tão feia que não possa casar,
acho o Rio de Janeiro uma beleza e
ora sim, ora não, creio em parto sem dor.
Mas o que sinto escrevo. Cumpro a sina.
Inauguro linhagens, fundo reinos
-- dor não é amargura.
Minha tristeza não tem pedigree,
já a minha vontade de alegria,
sua raiz vai ao meu mil avô.
Vai ser coxo na vida é maldição pra homem.
Mulher é desdobrável. Eu sou.





Rafaela Valverde

domingo, 26 de novembro de 2017

Motivo - Cecília Meireles


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Eu canto porque o instante existe
e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem sou triste:
sou poeta.

Irmão das coisas fugidias,
não sinto gozo nem tormento.
Atravesso noites e dias
no vento.

Se desmorono ou se edifico,
se permaneço ou me desfaço,
— não sei, não sei. Não sei se fico
ou passo.

Sei que canto. E a canção é tudo.
Tem sangue eterno a asa ritmada.
E um dia sei que estarei mudo:
— mais nada.



Rafaela Valverde

segunda-feira, 20 de novembro de 2017

Durante a aula


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Tem uma música antiga que minha mãe sempre cantarola: "não consigo prestar atenção na aula, não suporto mais o professor..." E assim estou hoje. Sala gelada, ar condicionado bem forte, mesmo com o casaco, meus dedos estão gelados. Olho para a professora lá na frente e penso que ela realmente tem propriedade sobre o que está falando. A partir desse momento começo a olhar para um ponto fixo atrás da professora, no quadro. Me desligo totalmente da aula, estou com sono. A professora começa a falar a línguas ininteligíveis. Até tento me concentrar, arregalo os olhos, bebo um gole de água, me espreguiço discretamente, mas tudo em vão...

Estou de calça jeans, daquelas que vão até o meio da canela, com a borda dobrada. Rasgada nos joelhos. Testo minha elasticidade puxando a perna esquerda, deixando- a dobrada, o joelho na altura do queixo. O braço esquerdo abraça a perna. Me sinto relaxada. A aula tá rolando, não sei o que a professora está falando... Olho para baixo e estou sem calça, você está com a cara entre minhas pernas, começando a me chupar. De leve. Como se tivesse encostando a língua em algo novo, cujo gosto ainda era desconhecido. Ainda assim, aquele gesto possuía a sua segurança. A segurança de quem já sabia onde ficava e como apertar todos os botões do meu corpo.

Volta e meia olhava para a professora, tentando entender o que realmente estava acontecendo com minha cabeça. Ao mesmo tempo você me dava aquele sorriso largo, safado. Revirei os olhos, me contorcia... Não estava mais conseguindo disfarçar. Sentia tanto tesão naqueles últimos dias e tanta falta de sentar e rebolar em você que já estou imaginando coisas... Levanto. Vou ao banheiro. Estou muito molhada, excitada. Saio da cabine e respiro fundo olhando para o espelho. Fecho os olhos em seguida e você está lá, me provocando, chupando os dedos da minha mão, um a um...

Volto para a sala, mas dessa vez sento de pernas cruzadas, para não te dar espaço, mas, mesmo assim você vem. Eu só consigo imaginar você com a língua dentro de mim, eu não sei mais como entender a matéria, como acompanhar o ritmo. Quarta feira de manhã, já isso! Longos minutos depois consegui afastar sua imagem da minha cabeça e consegui até participar da aula.

É por isso. Por isso que estou aqui de calcinha e robe vermelhos no seu portão. Vim de carro, ninguém repara nessas coisas. Abre o portão ou desce! Você escolhe. Mas decide logo porque eu tô perto de pegar fogo. E você não vai me deixar incendiando aqui em baixo no relento, não é? Prefiro me esparrar na sua cama e em todos os cômodos da casa...

Ouvi o estalido da fechadura se abrindo... É hoje!!




Rafaela Valverde

sábado, 18 de novembro de 2017

Lépida e leve - Gilka Machado

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Lépida e leve
em teu labor que, de expressões à míngua,
O verso não descreve...
Lépida e leve,
guardas, ó língua, em seu labor,
gostos de afagos de sabor.


És tão mansa e macia,
que teu nome a ti mesmo acaricia,
que teu nome por ti roça, flexuosamente,
como rítmica serpente,
e se faz menos rudo,
o vocábulo, ao teu contacto de veludo.


Dominadora do desejo humano,
estatuária da palavra,
ódio, paixão, mentira, desengano,
por ti que incêndio no Universo lavra!...
És o réptil que voa,
o divino pecado
que as asas musicais, às vezes, solta, à toa,
e que a Terra povoa e despovoa,
quando é de seu agrado.


Sol dos ouvidos, sabiá do tato,
ó língua-idéia, ó língua-sensação,
em que olvido insensato,
em que tolo recato,
te hão deixado o louvor, a exaltação!


— Tu que irradiar pudeste os mais formosos poemas!
— Tu que orquestrar soubeste as carícias supremas!
Dás corpo ao beijo, dás antera à boca, és um tateio de
alucinação,
és o elástico da alma... Ó minha louca
língua, do meu Amor penetra a boca,
passa-lhe em todo senso tua mão,
enche-o de mim, deixa-me oca...
— Tenho certeza, minha louca,
de lhe dar a morder em ti meu coração!...


Língua do meu Amor velosa e doce,
que me convences de que sou frase,
que me contornas, que me veste quase,
como se o corpo meu de ti vindo me fosse.
Língua que me cativas, que me enleias
os surtos de ave estranha,
em linhas longas de invisíveis teias,
de que és, há tanto, habilidosa aranha...


Língua-lâmina, língua-labareda,
língua-linfa, coleando, em deslizes de seda...
Força inféria e divina
faz com que o bem e o mal resumas,
língua-cáustica, língua-cocaína,
língua de mel, língua de plumas?...


Amo-te as sugestões gloriosas e funestas,
amo-te como todas as mulheres
te amam, ó língua-lama, ó língua-resplendor,
pela carne de som que à idéia emprestas
e pelas frases mudas que proferes
nos silêncios de Amor!...

quinta-feira, 16 de novembro de 2017

Livro Antes Feliz do que Mal Acompanhada - Emanuela Carvalho


Terminei de ler o livro Antes Feliz do que Mal Acompanhada de Emanuela Carvalho. O livro foi lançado no ano passado aqui em Salvador. Emanuela é baiana. Encontrei- o por acaso nas estantes de sugestões de leitura da Biblioteca Central dos Barris. Me interessei pelo título e texto da contracapa e trouxe. 

O livro traz histórias anônimas de 25 mulheres sobre relacionamentos abusivos, violências física, psicológica e sexual e todo o sofrimento vindo desses relacionamentos. Dá uma dor no coração ler algumas dessas histórias. A gente que é mulher sempre se vê em situações como essas, em que nosso amor próprio vai embora, expulso por nós mesmas. 

Muitas vezes, amamos mais o outro do que a nós mesmas e quase sempre a vida mostra nosso erro. Há no livro histórias de relacionamentos abusivos entre mulheres também, há filhos envolvidos, dor, lágrimas, tristeza, falta de amor próprio, juventudes destruídas... Há coisas demais. E quando a gente para e pensa que são casos reais (a autora se inspirou em casos reais para escrever as histórias) misturados a um pouco de ficção, claro. Mas quando a gente percebe quantas mulheres estão envolvidas nesse tipo de relação, mesmo que tentem esconder e mostrar para o mundo o quanto são felizes, a gente pensa: "poderia ser eu..." ou "antigamente eu também agiria assim, hoje mais não..." 

Querendo ou não a gente se vê ali. Quantas mulheres não foram e são enganadas até hoje por homens e mulheres também, que acham que são seus donos? Que são possessivos, controladores e mau caráter... São esses alguns dos pensamentos que vêm à mente enquanto lia esse livro. É triste e dói saber que ainda somos tratadas como as culpadas por esses abusos. Muitas vezes recriminadas e julgadas... Bom, é isso. O livro é bastante interessante, por trazer casos próximos da gente, são histórias daqui de Salvador e nos faz refletir...




Rafaela Valverde












segunda-feira, 13 de novembro de 2017

Novena vespertina



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Ela caminha até o fim e para na esquina
Olha para o entardecer
E sabe que essa é sua sina
Não quer se embrutecer

Precisa continuar serena
Mesmo com essa rotina
Seguiria como uma novena
Já se preparava para a solidão vespertina

Causada pelo tédio
Daquela infinita caminhada
Mas não há remédio

As mãos atadas
Caminha até a esquina
Até o fim!




Rafaela Valverde





sexta-feira, 10 de novembro de 2017

A Cor Púrpura - Alice Walker

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Terminei de ler o livro A Cor Púrpura de Alice Walker. É com certeza um dos melhores livros que já li na vida. Nunca li uma coisa tão linda, forte, militante e tão cheia de saberes. O livro lançado inicialmente em 1982 nos EUA, teve muito sucesso desde o início e logo foi adaptado para virar filme com Whoopi Goldberg, Danny Glover e Oprah Winfrey.

Alice é militante feminista e negra. Daí é possível entender um pouco da grandiosidade dessa obra. Porém não é um livro de clichês, daqueles que dizem mais do mesmo da militância, repetindo sempre a mesma coisa. A Cor Púrpura vai além, nos faz pensar em coisas não pensadas antes e através do conhecimento e texto bem escrito da autora.

O livro tem narração a partir de cartas. Primeiro as cartas de Celie, a personagem principal são voltadas para Deus, que passa a ser testemunha de todos os sofrimentos diários passados pela mulher que começa sua narrativa ainda menina, vivendo em um ambiente de extrema violência e grande ataque à sua auto estima. Fora violentada pelo pai e maltratada pelo marido, que sempre a rechaçava por ser "feia, pobre, negra e mulher..." Mulher não pode fazer determinadas coisas. Mulher é mais fraca que homem, portanto não deve falar nada, ficar calada e apanhar...

As narrativas epistolares se dão entre os anos de 1900 e 1940 nos EUA, trazendo de forma crua e real a situação que vivia as pessoas negras naquele país, naquele momento. As mulheres eram tratadas ainda pior e estas questões são mostradas no livro e o melhor, do ponto de vista de quem viveu, sendo narrado em primeira pessoa. Os erros de português de Celie, que era semi-analfabeta foram mantidos para manter a veracidade, já que eram cartas.

Celie, após ser violentada pelo pai -  spoiler: ou pelo que se diz pai - é "dada" em casamento para outro homem violento chamado de Sinhô. Sinhô queria sua irmã mais nova Nettie, por achar Celie feia e sem graça, mas acabou casando com Celie, que pensava apenas em proteger a irmã, pois o amor entre elas é muito grande. A vida com Sinhô consegue ser pior do que a vida com o pai. Cuidar de seus filhos, apanhar e passar por humilhações. Além de ficar longe da irmã Nettie - que virara missionária na África - e de seus filhos, feitos pelas violências do pai e dados a outra família por ele.

Um belo dia, chega  em sua casa Shug Avery, uma cantora, amante de Sinhô. A partir daí, aos poucos, é claro, Celie passa a enxergar a vida de outra forma e começa seu processo de libertação do marido e daquela vida. O medo e a repulsa que sente pelos homens fica mais evidente com a aproximação das duas, que vivem um romance, chegando a morar juntas.

Enfim, nada que eu disser desse livro vai conseguir traduzir meu encantamento e amor pela história. Com certeza entrou na lista de meus livros preferidos. Peguei na Biblioteca Central da Bahia, mas assim que puder, com certeza, vou comprar. Os textos das cartas das irmãs são fortes e não simplesmente narram os acontecimentos da vida, mas sim, dão aulas para a gente em vários setores. Aulas de África e de tribos africanas, aula sobre o racismo e a escravidão nos EUA, aula de língua, já que até o pidgin (quem é de letras vai saber o que é) é citado; aula de feminismo, aula de luta por direitos, aula de vida e até ensinamentos de como lidar com fins de relacionamentos. É um grande livro e eu estou maravilhada até agora. Fico por aqui recomendando esse livro incrível e ainda tão atual. Leiam! Vale muito a pena.




Rafaela Valverde

quinta-feira, 9 de novembro de 2017

Cinismo - Tati Bernardi

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E o único jeito de ser mais malandro 
que a tristeza é sendo cínico.
E lá vai a garota. 
Comprar pão quente com seu cinismo. 
Comprar absorvente com seu cinismo. 
Amar com seu cinismo. 
Porque só o cinismo vence a tristeza.
Porque só o cinismo é mais triste do que a tristeza. 
E eu virei um muro alto feito de pedras cheias de pontas. 
Tudo isso só porque eu quero tanto um pouco de carinho 

que acabei ficando com medo de não ganhar.



Rafaela Valverde

segunda-feira, 6 de novembro de 2017

Uns olhos inquietos procurando pretextos volúveis para viver

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Sempre fui a que está sozinha. É muito raro alguém me encontrar acompanhada. Observo as pessoas atentamente. Se as todos soubessem o que olhares e corpos dizem, com certeza falariam menos e olhariam mais. Será que alguém sabe a carga que carrega um olhar? Um único olhar? Sentada, sozinha é claro, no restaurante universitário consigo identificar vários tipos de pessoas. As que sofrem e as que fazem sofrer; calouros sorridentes sem nem imaginar o que lhes esperam. Além disso é lindo ver esses mesmos calouros perdidos sem saber onde pega o garfo e onde pega a faca. Já passei por isso e não tem muito tempo não. Início do ano passado era eu, caloura, o motivo da chacota, das observações dos veteranos. 

Dá para saber quem é o falastrão e o caladão. Dá para perceber quem está apaixonado ou não. Só observando as pessoas no RU. Quero terminar meu almoço e ir lá pra fora fumar. Eu não gosto de conversar à toa e um cigarro sempre cai bem, ninguém encosta em mim com toda aquela fumaça. Não é que eu não goste de conversar. Eu até gosto, sim. Mas conversa tem que ter propósito. A meu ver. Não quero tagarelar. Jogar conversa fora ou falar só pra não ficar calada. O que eu quero mesmo é ficar calada e observar. Um passarinho dançante na grama lá fora, um pai beijando o filho antes de ele sair do carro, flores desabrochando... Sabe...? Todas essas coisas piegas da vida, que só gente piegas observa.

E eu sou desse tipo de gente. O mais cafona possível. Pieguice é meu sobrenome. E olha que frase ridícula que evidencia exatamente isto que estou falando agora. Tinha um menino lá, no RU, com uma camisa rosa desbotada. Que tom de rosa horrível. Ele ficava olhando para a menina que estava bem a sua frente de uma forma quase idólatra. Não sei se eles se conheciam. Não vi os dois conversando. Mas vi como ele olhava para ela. Ninguém olha pra mim daquele jeito. FATO! 

Depois do menino da camisa horrível, um torcedor do Bahia (só podia ser) gritava para um gostosão rasta que estava do outro lado do restaurante  Bom, pelo menos isso despertou minha atenção e pude me deliciar com aquele colírio. Ele logo sumiu das minhas vistas, já que eu estava mais interessada na minha sobremesa. Sinto muito, gostosão! Um docinho depois do almoço  é melhor que você sim.

Lá fora, já com o cigarro na mão, pensava no ônibus que passaria dali a cinco minutos e pensava em todas aquelas pessoas que formam meus repertórios de observação diária. Se não fossem essas pessoas e suas peripécias com certeza eu seria muito mais solitária, cá com meus botões e cigarros. Maços e mais maços. Dúvidas constantes sobre tudo que todo mundo tem certeza. Olho pra aquele tubinho branco e penso: "essa porra vai me matar..."

E aí vem tudo à tona. "O que é que eu tô fazendo com minha vida? Eu não tagarelo, tô sempre sozinha, sou essa demente observadora, piegas e cafona e ainda por cima fumo." Todo o meu pulmão deve estar preto agora. Será que estar preto é mesmo ruim? Por que toda essa coisa com a cor preta? O preto das substâncias do cigarro é tão lindo! E quem é que me garante que aquele pulmão rosinha, fofinho é o normal? É o saudável? Ninguém me garante, porque sei que tem bebês que nascem com problemas no pulmão e nunca fumaram. Minhas maratonas de Grey's Anatomy me deixaram assim metida a entendida dos assuntos medicamentosos. Olho pro cigarro de novo, sendo desperdiçado, queimando ali sozinho... "Ah vou fumar mesmo. Porra!"

Olhei para a frente, em meio as árvores. Um homem me observava.  Também fumava. Ele era claramente homossexual, então sem essa idiotice clichê de climinha romântico nesse texto. Não. Reconheci imediatamente que seu interesse em minha briga com o cigarro era bem parecido com meu interesse por todas as pessoas... O menino da camisa horrível, os calouros, o gostosão de cabelo rasta... Eu gosto de observar pessoas, de olhar seus olhares e expressões. Essa coisa toda me deixa menos sombria e solitária. Sorri amarelamente, sem mostrar os dentes. Era o melhor sorriso que podia oferecer. Depois caminhei para o ponto de ônibus, ainda fumando.



Rafaela Valverde

domingo, 5 de novembro de 2017

No chão da cozinha

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O piso é novo. Branco, minha pele nua ressai nele. Foi colocado há poucos dias. Ainda posso sentir a umidade do rejunte nas minhas costas. Estou com as pernas abertas, seu rosto entre elas, me chupando delicadamente. Revirava os olhos aproveitando o momento e pensava como tínhamos ido parar ali no chão.

Talvez fosse o fetiche do novo piso tão desejado. Há anos que queríamos trocá-lo. Ele foi aumentando a velocidade e intensidade, aumentei os gemidos porque estava muito bom. O homem chupava gostoso demais. Gozei sentindo o piso gelado em minhas costas enquanto empurrava a cara dele para mais perto.

Quando terminei, ele parou e me beijou com selvageria. Senti meu gosto em sua boca e estava cada vez mais excitada ansiando por ele. Quando me penetrou gritei alto, me sentindo preenchida. Ele apertava minha coxas intercalando com beijos e mordidas em meu pescoço, me deixando louca.

Virei, ficando por cima, cavalgando. Agora ele quem estava deitado no piso novo. Mordisquei seus lábios enquanto rebolava e gemia. Depois de uns minutos, de lado, me contorcia enquanto ele mordia meu ombro. Gozamos ali mesmo no chão novo da cozinha, enquanto planejávamos que azulejos colocaríamos na parede.



Rafaela Valverde

Assim eu vejo a vida - Cora Coralina



A vida tem duas faces:
Positiva e negativa
O passado foi duro
mas deixou o seu legado
Saber viver é a grande sabedoria
Que eu possa dignificar
Minha condição de mulher,
Aceitar suas limitações
E me fazer pedra de segurança
dos valores que vão desmoronando.
Nasci em tempos rudes
Aceitei contradições
lutas e pedras
como lições de vida
e delas me sirvo
Aprendi a viver.



Rafaela Valverde

terça-feira, 31 de outubro de 2017

Quarto de Despejo: diário de uma favelada - Carolina Maria de Jesus

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Quarto de Despejo: diário de uma favelada é um livro lançado em 1960  e escrito por Carolina Maria de Jesus. A autora trazia em seus relatos quase diários, seu dia a dia na  antiga favela do Canindé em São Paulo. Lia bastante e gostava de escrever, registrando como fotografias os fatos de sua vida cotidiana em diários.

O livro foi publicado por meio do jornalista Audálio Dantas, que em reportagem visitou a favela e conheceu a escritora, se oferecendo para levar os manuscritos em editoras. Carolina narra os fatos da sua vida pessoal com os três filhos pequenos entre 1955 e 1960. A pobreza, a fome e o sofrimento que passavam, mesclados com fatos das vidas alheias, seus vizinhos. Esses fatos davam um panorama geral de como funcionava a favela. Brigas entre vizinhos, confusões, festas, etc. Ela morava em um barracão com os três filhos. Catava papel e outros materiais descartáveis para sobreviver.

O livro é basicamente isso. O diário de Carolina, contando as desventuras da vida de favelada. Ou seja, uma favelada contando, falando de si e da sua realidade. Ao invés de pessoas de fora fazerem isso. O livro, segundo o site Wikipédia, é considerado um dos marcos da literatura feminina brasileira. Foi traduzido para mais de treze idiomas. O engraçado é que eu nunca havia escutado falar no livro e na autora antes de entrar no curso de Letras. Engraçado, não. Trágico. E horrível. Mas que bom que pude ter acesso à essa obra agora. E eu gostei muito! É um livro bem político. Forte!

A escrita foi conservada como a original. Com os "erros" de ortografia e concordância também conservados, para preservar a escrita original. É o livro mais diferente que eu já li na minha vida. E já estava me sentindo fazendo parte daquela rotina. Que apesar de sofrida demonstrava que ela sempre foi uma mulher muito forte, assim como todas as mulheres negras e faveladas que eu conheço. Muito bom dar voz a quem tem voz. Pena não ter lido antes. Mas com certeza entrou na lista dos meus livros preferidos. 




Rafaela Valverde




Tuas Mãos - Pablo Neruda

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Quando tuas mãos saem,
amada, para as minhas,
o que me trazem voando?
Por que se detiveram
em minha boca, súbitas,
e por que as reconheço
como se outrora então
as tivesse tocado,
como se antes de ser
houvessem percorrido
minha fronte e a cintura?

Sua maciez chegava
voando por sobre o tempo,
sobre o mar, sobre o fumo,
e sobre a primavera,
e quando colocaste
tuas mãos em meu peito,
reconheci essas asas
de paloma dourada,
reconheci essa argila
e a cor suave do trigo.

A minha vida toda
eu andei procurando-as.
Subi muitas escadas,
cruzei os recifes,
os trens me transportaram,
as águas me trouxeram,
e na pele das uvas
achei que te tocava.
De repente a madeira
me trouxe o teu contacto,
a amêndoa me anunciava
suavidades secretas,
até que as tuas mãos
envolveram meu peito
e ali como duas asas
repousaram da viagem.




Rafaela Valverde

Parei de fazer fitagem

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Recentemente aprendi uma técnica para finalizar o cabelo e acabei deixando a fitagem de lado por um tempo. Claro que no início fui bem relutante em deixar a técnica que já fazia há anos de separar os cachos em fitas. Mas estou me acostumando. Não fazer fitagem aumenta o frizz, consequentemente o volume, mas ainda assim não tanto como eu queria. Meu cabelo é pouco volumoso mesmo e eu aprendi a respeitar isso também.

Então, fitagem é uma técnica de texturização que deixa os cachos bem definidos, com aparência de mais hidratados e dá vários days afters, que são os dias seguintes. A técnica ajuda o creme a penetrar melhor nos cachos, melhorando a definição, diminuindo o frizz e dando um melhor aspecto, digamos assim, ao cabelo.

Depois de pesquisar um pouco com outras cacheadas.  Descobri uma forma bem prática de finalizar os cachos. Não perde totalmente a definição não, fica com mais volume, seca mais rápido e é realmente mais rápida que fitagem. Faço todo o processo em cerca de cinco minutos, enquanto uma fitagem mais caprichada leva uns vinte minutos.

Funciona da seguinte forma: divido o cabelo em duas partes, como uma Maria Chiquinha, pego uma grande quantidade de creme, aplico em uma mecha, das pontas para a raiz e vou amassando bem para que os cachos se formem. Na raiz continua indo pouco creme, só o que vai sobrando nas mãos. Faço tudo na outra mecha e também amasso. Lembrando que cabelo cacheado "chupa" muito creme, então eu gosto de passar muito creme mesmo e como não é fitagem não vai ficar com aquele aspecto pesado não. Não se preocupem! Outra coisa: jogo a cabeça para baixo, com o cabelo todo pra frente, passando os dedos, penteando. Os dedos devem estar com creme. Amassando bastante para garantir a definição e volume. Depois jogo para trás e deixo secar naturalmente. Seca muito mais rápido do que se tivesse feito fitagem.

Bom, por enquanto estou gostando. Em relação a maciez e a definição não estou tendo muito problema, mas com a quantidade de days after sim! Se desfazem mais rápido, os cachos e o frizz é maior, mas por enquanto estou gostando da rapidez e da não escravidão em relação à fitagem. Estou ainda mais livre, em relação ao meu cabelo e acho também que não fazer fitagem é questão de costume.  Pode ser que eu volte a fazer ou não. Nunca se sabe! E vocês, cacheadas? Fazem fitagem? O que acham da técnica? Compartilhem comigo!



Rafaela Valverde

quarta-feira, 25 de outubro de 2017

A vagina - Maria Teresa Horta

Maria Teresa Horta


É cálida flor
E trópica mansamente
De leite entreaberta às tuas
Mãos

Feltro das pétalas que por dentro
Tem o felpo das pálpebras
Da língua a lentidão

Guelra do corpo
Pulmão que não respira

Dobada em muco
Tecida em água

Flor carnívora voraz do próprio
suco
No ventre entorpecida
Nas pernas sequestrada.




Rafaela Valverde

Fim

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O cabelo solto passeia no vento
Ela olha para o horizonte
Lá no fim do mar
Procurando alento

Tentou encontrar a fonte
Cansou de procurar
Amor, paz e alimento
O coração já sucumbiu

Não quer mais se enfeitar
Esqueceu o arroubamento
E cansou de imaginar
Sua esperança ruiu

Ninguém ouve seu lamento
Em silêncio, pôs se a gritar
Continua olhando o nada
A natureza brincando com seu corpo

Em um baile de conformismo dançar
Lutar contra, suar frio
Sentir ira e calmaria

Tudo ao mesmo tempo
Enquanto olha pro final do mar




Rafaela Valverde

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