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terça-feira, 17 de julho de 2018

Pela Hora da Morte

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Um dia estamos vivos
No outro não se sabe
É difícil prever
E viver antes que tudo acabe

De repente a morte nos alcança
Nos traz quem sabe a bonança
E num dia de sol
O ar deixa de entrar nos pulmões

A vida paralisa
E se esvazia no oco de um estampido
Penso cá com meus botões
Se não pode ser menos sofrido

Esse lance de viver de repente
E esperar pela morte
Mas a espera é latente
Fingimos vida

Enquanto ela durar
E num golpe de sorte
Longa e bonita será
Ninguém pensa nessa ideia descabida

De sair e não voltar
Ora essa, eu vivo porque a morte existe
Só não sei quando ela vem
E já aparece nos deixando tristes

Todo mundo sabe
Que a morte impulsiona a vida
A vontade da existência arde
E tudo queremos ver

O mais intensamente porssível
Se encontra a substância
Que em um dia icógnito
Será só uma lembrança

Digna de glória é a vida
Saber vivê-la é difícil
Desperdiçamos muitas coisas
Deixamos a cargo do invisível

E nesses devaneios
Vou deixando a reflexão
Somos tão inteiros
E ao mesmo tempo imcompletos

Precisamos inundar nossos pulmões de ar
Não deixamos nosso sangue escapar 
Lutamos ferozmente pela presença de sopro diário
E a cada manhã seguimos num embate mais que necessário




Rafaela Valverde

sábado, 14 de julho de 2018

Luzes artificiais

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A luz no fim do túnel nunca acaba
É  gente que não está onde ela está
O dia sempre está lá quando acaba o túnel
A não ser que seja noite
Se for, terá luzes artificiais
Mas de dia a luz branca do fim do túnel estará lá
Por mais que não possamos ver
Estar presa em um carro passando em túneis escuros
ou artificialmente iluminados dá angústia
Esperamos sempre a luz
E quando ela não vem?
Ah, sim, ela vem!
E se for noite e não tiver luz, tem o sereno
Aquele ventinho na cara
Torna tudo mais ameno
Por mais que eu saiba que logo depois pode vir outro túnel
Sem luz
Ou muito longo
E a luz pode demorar a chegar
Mas ela está lá
Mesmo que seja noite
O dia chegará
E a luz no fim do túnel
Voltará!



Rafaela Valverde

Marcas

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Cada vez que escrevemos nossa letra é diferente
Assim como a cada ano que vem e vai a gente fica diferente
Porradas da vida vão moldando a gente assim como a depender da caneta,
a letra pode ser bonita ou feia, com tinta forte ou fraca.
No entanto, mesmo de formas diferentes é a gente quem escreve
Assim são as porradas e as mudanças
Muitas vezes somos responsáveis por elas
Porque escolhemos de mais
Ou de menos
Somos teimosos, birrentos, chatos, implicantes...
Então acabamos sendo marcados
Assim como a escrita com força marca o papel
Não tem como voltar atrás
A mão dói
Daí a gente escreve com menos força
Como dói, a gente para de querer o que hipoteticamente nos causará dor
Mas o que é mesmo que dói?
Dá para evitar?
Ou a gente só se ilude?
Dá para desescrever?
Dá para desmarcar o papel?
E a vida?
Cada vez que escrevemos nossa letra é diferente
Cada vez que a vida nos marca é diferente
Só resta aceitar.






Rafaela Valverde

quarta-feira, 11 de julho de 2018

As Canções Que Você Fez Pra Mim - Maria Bethânia


Minha cara. A cara das minhas dores de cotovelo. Rsrsrs


Hoje eu ouço as canções que você fez pra mim
Não sei porque razão tudo mudou assim
Ficaram as canções e você não ficou.

Esqueceu de tanta coisa que um dia me falou
Tanta coisa que somente entre nós dois ficou
Eu acho que você já nem se lembra mais.

É tão difícil olhar o mundo e ver o que ainda existe
Pois sem você meu mundo é diferente
Minha alegria é triste.

Quantas vezes você disse que me amava tanto
Tantas vezes eu enxuguei o seu pranto
E agora eu choro só sem ter você aqui

Esqueceu de tanta coisa que um dia me falou
Tanta coisa que somente entre nós dois ficou
Eu acho que você já nem se lembra mais

É tão difícil olhar o mundo e ver
O que ainda existe
Pois sem você meu mundo é diferente

Minha alegria é triste
Quantas vezes você disse que me amava tanto
Tantas vezes eu enxuguei o seu pranto
E agora eu choro só sem ter você aqui.




Rafaela Valverde

Da calma e do silêncio - Conceição Evaristo

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Quando eu morder
a palavra,
por favor,
não me apressem,
quero mascar,
rasgar entre os dentes,
a pele, os ossos, o tutano
do verbo,
para assim versejar
o âmago das coisas


Quando meu olhar
se perder no nada,
por favor,
não me despertem,
quero reter,
no adentro da íris,
a menor sombra,
do ínfimo movimento.


Quando meus pés
abrandarem na marcha,
por favor,
não me forcem.
Caminhar para quê?
deixem-me quedar,
deixem-me quieta,
na aparente inércia.
Nem todo viandante
anda estradas,
há mundos submersos,
que só o silêncio
da poesia penetra.



Rafaela Valverde

domingo, 8 de julho de 2018

Te tendo

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Sua santidade é tão infinita
E eu sei que não consigo imitar
Nunca serei igual a ti
A tua face é bonita
Não paro de te amar
Jamais me deixa cair
Quero te ver
Porque sentir já sinto
Contigo pra sempre quero viver
Tão forte sua presença
Não posso deixar de crer
De ti estou faminta
Mais e mais vou te conhecer
Chegou e ainda pediu licença
Educado, grandioso
Me dá o maior amor que já tive
Tu és glorioso!
Sereno e cheio de vida
Você vive!
Não importa que duvidem
Eu sei que aí estás
À destra do pai
Um dia voltarás
Antes estava estava no time dos que não criam
Mas da escravidão me apartais
E hoje livre estou
Me juntava aos que não te viam
Mas me dei conta que sempre me amou
E naquele dia
Me encheu de plenitude
E amor
E aí mudei minha atitude
E quis te ter
E assim sigo eu: te tendo!




Rafaela Valverde

terça-feira, 3 de julho de 2018

A chuva e a troça

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Um pingo de chuva bate com força na poça do asfalto
Parece minha insistência em tentar coisas para as quais não tenho tato
Tipo isso de me apaixonar
Já vi que não dá
A chuva diminuiu
Mas não o impacto sobre a poça
A água flui
E a vida me troça
Em algum momento vai parar
A chuva ou a enganação?
A chuva!
A enganação não acaba, não
A chuva vai, e vem o sol...
Mas a poça fica lá
E vira buraco quando seca
Atrapalhando o trânsito
Igualzinho o que fica depois que a paixão passa
Um atrapalho mudo do trânsito da minha tranquilidade
Sento e aguardo: a chuva vai voltar!
A enganação também
O buraco vai aumentar
Junto com minha falta de tato
Para gotas grossas que vão bater forte aqui dentro.



Rafaela Valverde

O estar só

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Quantas vezes será que vou precisar repetir que me sinto sozinha?
E de que vai adiantar?
Quem é que vai me ouvir além Daquele que mora lá em cima?
Não há nada que remedie esse estar só
Solitude, afinal, só é bom quando se escolhe
Quando compulsoriamente vive-se
Sente-se a revolta e angústia
Dos dias que poderiam ser mais divertidos
Sobram apenas TV, cobertor, brigadeiro e pipoca
Sozinhos!
É bom que posso aproveitar minha gula sem atrapalhações
Mas tem horas que até eu preciso de companhia para comer
Pergunto-me o porquê
Tento entender
Em oração questiono
Porque afasto todo mundo
Esse pequeno escrito é mais um pequeno e inútil manifesto contra a poeira que o estar só levanta
Contra quem hei de me levantar/;
Quem preciso culpar?
A mim mesma, será?
O fato é que já não aprendi a viver sozinha
Estou sozinha quase o tempo todo há quatro anos
E quando todos se vão no fim de semana
Tranco - me aqui nessa caixa escura
Sem ver caras muito menos corações
Já sei como viver sozinha
E gosto até
Mas há de haver um limite
Ou não há?
Só!
Estar só não é bom nem para quem quer
Quem não quer vive a penar
Sinceramente, não quero mais estar só
Nem oito, nem oitenta
Não quero companhia o tempo todo
Nem tampouco um estar só tão constante quanto o tempo
Entendeu, vida?
Céu?
Deus?
Entenderam?
Estar só tem limite
Quantas vezes será que vou precisar repetir?
E de que vai adiantar?




Rafaela Valverde

segunda-feira, 2 de julho de 2018

O fim

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Andava taciturnamente pela rua escura em que ele morava. Já estava chegando perto. Pensava no que diria como justificativa. A verdade. Para ele seria repentino, mas ela já pensava nisso há meses. Não queria mais um relacionamento, não com ele. Três anos. Desgaste. Não havia mais paixão, pelo menos da sua parte. Claro que às vezes tinha dúvidas sobre seus sentimentos. E quem não tem? Quem tem certeza absoluta sobre paixão? Por causa dessas dúvidas, que antes não existiam, achara melhor terminar o namoro.

Chegou à porta. Bateu hesitante no portão. Logo ele apareceu e abriu, olhando a fixamente. Sorria. O que era estranho, já que há meses não havia mais sorrisos ali. Estava de bom humor, mas não a beijou. Já sorrimos muito ao longo dos anos. Como nos divertíamos no início! Será que não poderíamos ser felizes de novo? Nunca mais? Será que realmente a paixão estava morta?

Sentou no sofá e pegou o controle da TV, como sempre. Mudava os canais aleatoriamente quando ele lhe entregou uma taça de vinho, como sempre. Três coisas que só fazia quando estava na casa dele: ver TV, beber vinho e comer comida de verdade.

Sentou- se ao seu lado dizendo que a comida estava quase pronta. Conversam sobre como havia sido o dia de ambos. Papo vai, papo vem e até a saia curta da secretária do chefe entrou na pauta. De repente ele solta: “Quer casar comigo?” Um anel sai do bolso. Sem caixa, nem nada, só o anel. A cara dele. Ela arregalou os olhos, sem saber o que responder.

“Tem certeza?” Consegue balbuciar. Ele sorri, e se afasta para colocar a taça na mesa de centro. “Se eu não tivesse não estava perguntando...” O anel ainda estava na palma da sua mão, esticou a dela e pôs em seu dedo anelar da mão direita.

De repente todas as suas dúvidas de dissiparam. Talvez ainda fosse possível recuperar tudo aquilo que tinham construído ao longo desses anos. Tudo mudou. A decisão de terminar não existia mais. E nem as dúvidas. Amava-o. Agora sabia disso. Era o fim das incertezas. O fim da confusão.





Rafaela Valverde

sábado, 30 de junho de 2018

Manifesto de abertura: Literatura Marginal/ Terrorismo Literário (escrito por Ferréz)

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Fica aí a mensagem. Entendedores entenderão!


A capoeira não vem mais, agora reagimos com a palavra, porque pouca coisa mudou, principalmente para nós.
Não somos movimento, não somos os novos, não somos nada, nem pobres, porque pobre segundo os poetas da rua, é quem não tem as coisas.
Cala a boca, negro e pobre aqui não tem vez! Cala a boca!
Cala a boca uma porra, agora agente fala, agora agente canta, e na moral agora agente escreve.
Quem inventou o barato não separou entre literatura boa/feita com caneta de ouro e literatura ruim/escrita com carvão, a regra é só uma, mostrar as caras. Não somos o retrato, pelo contrário, mudamos o foco e tiramos nós mesmos a nossa foto.
A própria linguagem margeando e não os da margem, marginalizando e não us marginalizados, rocha na areia do capitalismo.
O sonho não é seguir o padrão, Não é ser o empregado que virou o patrão, não isso não, aqui ninguém quer humilhar, pagar migalhas nem pensar, nós sabemos a dor por recebe-las.
Somos o contra sua opinião, não viveremos ou morreremos se não tivermos o selo da aceitação, na verdade tudo vai continuar, muitos querendo ou não.
Um dia a chama capitalista fez mal a nossos avós, agora faz mal a nossos pais e no futuro vai fazer a nossos filhos, o ideal é mudar a fita, quebrar o ciclo da mentira dos “direitos iguais”, da farsa dos “todos são livres” agente sabe que não é assim, vivemos isso nas ruas, sob os olhares dos novos capitães do mato, policiais que são pagos para nos lembrar que somos classificados por três letras classes: C,D,E.
Literatura de rua com sentido sim, com um principio sim, e com um ideal sim, trazer melhoras para o povo que constrói esse pais mas não recebe sua parte.
O jogo é objetivo, compre, ostente, e tenha minutos de felicidade, seja igual ao melhor, use o que ele usa.
Mas nós não precisamos disso, isso traz morte, dor, cadeia, mães sem filhos, lágrimas demais no rio de sangue da periferia.
Somos mais, somos aquele que faz a cultura, falem que não somos marginais, nos tirem o pouco que sobrou, até o nome, já não escolhemos o sobrenome, deixamos para os donos da casa grande escolher por nós, deixamos eles marcarem nossas peles, porque teríamos espaço para um movimento literário? Sabe duma coisa, o mais louco é que não precisamos de sua legitimação, porque não batemos na porta para alguém abrir, nós arrombamos a porta e entramos.
Sua negação não é novidade, você não entendeu? Não é o quanto vendemos, é o que falamos, não é por onde nem como publicamos, é que sobrevivemos.
Estamos na rua loco, estamos na favela, no campo, no bar, nos viadutos, e somos marginais mas antes somos literatura, e isso vocês podem negar, podem fechar os olhos, virarem as costas, mas como já disse, continuaremos aqui, assim como o muro social invisível que divide esse pais.
O significado do que colocamos em suas mãos hoje, é nada mais do que a realização de um sonho que infelizmente não foi visto por centenas de escritores marginalizados desse país.
Ao contrário do bandeirante que avançou com as mãos sujas de sangue nosso território, e arrancou a fé verdadeira, doutrinando nossos antepassados índios, ao contrário dos senhores das casas grandes que escravizaram nossos irmãos africanos e tentaram dominar e apagar toda a cultura de um povo massacrado mas não derrotado.
Uma coisa é certa, queimaram nossos documentos, mentiram sobre nossa história, mataram nossos antepassados.
Outra coisa também é certa, mentirão no futuro, esconderão e queimarão tudo que prove que um dia a classe menos beneficiada com o dinheiro fez arte.
Jogando contra a massificação que domina e aliena cada vez mais os assim chamados por eles de “excluídos sociais” e para nos certificar que o povo da periferia/favela/gueto tenha sua colocação na história, e que não fique mais 500 anos jogado no limbo cultural de um país que tem nojo de sua própria cultura, a literatura marginal se faz presente para representar a cultura de um povo, composto de minorias, mas em seu todo uma maioria.
E temos muito a proteger e a mostrar, temos nosso próprio vocabulário que é muito precioso, principalmente num país colonizado até os dias de hoje, onde a maioria não tem representatividade cultural e social, na real negô o povo num tem nem o básico pra comer, e mesmo assim meu tio, agente faz por onde ter us barato para agüentar mais um dia.
Mas estamos na área, e já somos vários, estamos lutando pelo espaço para que no futuro, os autores do gueto sejam também lembrados e eternizados, mostramos a várias faces da caneta que se faz presente na favela, e pra representar o grito do verdadeiro povo brasileiro, nada mais que os autenticos, e como a pergunta do menino numa certa palestra.
- como é essa literatura marginal publicada em livros.
Ela é honrada, ela é autentica e nem por morarmos perto do lixo, fazemos parte dele, merecemos o melhor, pois já sofremos demais.
O mimiógrafo foi útil, mas a guerra é maior agora, os grandes meios de comunicação estão ai, com mais de 50% de anunciantes por edição, bancando a ilusão que você terá que ter em sua mente.
A maior satisfação está em agredir os inimigos novamente, e em trazer o sorriso na boca da Dona Maria quando ver o livro que o filho trouxe para casa.
Vindo com muita mais gente e com grande prazer de apresentar novos talentos da escrita periférica.
Prus aliados o banquete está servido, pode degustar, porque esse tipo de literatura viveu muito na rua e por fim está aqui no livro.
Depois do lançamento dos três atos que fizemos juntamente com a revista Caros Amigos, edições especiais chamadas Caros amigos/literatura marginal ao qual a Casa Amarela desde o principio acreditou e apoiou, a forma agora chega em livro.
Mas como sempre todos falam tudo e não dizem nada, vamos dar uma explicada: A revista é feita para e por pessoas que foram postas a margem da sociedade.
Ganhamos até prêmios, como o da A.P.C.A.(Academia Paulista de Críticos de Arte) melhor projeto especial do ano.
Muitas são as perguntas, e pouco o espaço para respostas, um exemplo para se guardar é o de Kafka, a crítica convencionou que aquela era uma literatura menor. Ou seja, literatura feita pela minoria dos judeus em Praga, numa língua maior o Alemão.
A Literatura Marginal sempre é bom frisar é uma literatura feita por minorias, sejam elas raciais ou sócio-econômicas. Literatura feita a margem dos núcleos centrais do saber e da grande cultura nacional, ou seja os de grande poder aquisitivo. Mas alguns dizem que sua principal característica é a linguagem, é o jeito que falamos, que contamos a história, bom isso fica para os estudiosos, o que agente faz é tentar explicar, mas agente fica na tentativa, pois aqui não reina nem o começo da verdade absoluta.
Hoje não somos uma literatura menor, nem nos deixemos taxar assim, somos uma literatura maior, feita por maiorias, numa linguagem maior, pois temos as raízes e as mantemos.
Não vou apresentar os convidados um a um porque eles falarão por sim mesmos, é ler e verificar, só sei que com muitos deles eu tenho lindas histórias, várias caminhadas tentando fazer uma única coisa, o povo ler.
Cansei de ouvir.
- mas o que cês tão fazendo é separar a literatura, a do gueto e a do centro.
E nunca cansarei de responder.
- o barato já tá separado a muito tempo, só que do lado de cá ninguém deu um gritão, ninguém chegou com a nossa parte, foi feito todo um mundo de teses e de estudos do lado de lá, e do cá mal terminamos o ensino dito básico.
Sabe o que é mais louco, nesse pais você tem que sofrer boicote de tudo que é lado, mas nunca pode fazer o seu, o seu é errado, por mais que você tenha sofrido você tem que fazer por todos, principalmente pela classe que quase conseguiu te matar, fazendo você nascer na favela e te dando a miséria como herança.
Afinal um dia o povo ia ter que se valorizar, então é nóis nas linhas da cultura, chegando de vagar, sem querer agredir ninguém, mas também não aceitando desaforo nem compactuando com hipocrisia alheia, bom vamos deixar de ladainha e na bola de meia tocar o barco.
Boa leitura, e muita paz se você merece-la, se não bem vindo a guerra.

Agradecimentos a:
Sérgio de Souza
Marina Amaral
Wagner Nabuco
Guilheme Azevedo,
Garrett,
R.O.D.
Bolha.
E a todos os parceiros que tem acompanhado o L.M. e o Movimento 1DASUL, tamos de pé graças a vocês.

Ferréz


E como já é de praxe, aqui vai um recado pro sistema.

“ Evitem certos tipos, certos ambientes. Evitem a fala do povo, que vocês nem sabem onde mora e como. Não reportem povo, que ele fede. Não contem ruas, vidas, paixões violentas. Não se metam com o restolho que vocês não vêem humanidade ali. Que vocês não percebem vida ali. E vocês não sabem escrever essas coisas. Não podem sentir certas emoções, como o ouvido humano não percebe ultra-sons.”

João Antônio, trecho do livro Abraçado ao meu rancor.


Extraído de: http://editoraliteraturamarginal.blogspot.com/2006/10/literatura-marginal.html




Rafaela Valverde

sexta-feira, 29 de junho de 2018

Do fogo que em mim arde - Conceição Evaristo

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Sim, eu trago o fogo,
o outro,
não aquele que te apraz.
Ele queima sim,
é chama voraz
que derrete o bivo de teu pincel
incendiando até ás cinzas
O desejo-desenho que fazes de mim.

Sim, eu trago o fogo,
o outro,
aquele que me faz,
e que molda a dura pena
de minha escrita.
é este o fogo,
o meu, o que me arde
e cunha a minha face
na letra desenho
do auto-retrato meu.



Rafaela Valverde

quarta-feira, 27 de junho de 2018

Minúsculos cotidianos


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Mariela passava o dia na frente de um computador, analisando e criando sistemas e programações. Mariela trabalhava demais. O trabalho funcionava como fuga e ela gostava. Além disso, trabalhar pagava as contas e permitia-lhe comprar seus amados livros. Principais parceiros na agonia que é viver. Sua biblioteca aumentava a cada dia. Graças aos sistemas de computação, tinha companhias.

Saía às dezoito horas. Horário de movimento intenso nas cidades grandes. “Muitas pessoas se deslocam nesse período todos os dias” – Mariela pensava enquanto esperava o metrô na estação, depois de um movimentado dia de trabalho. O metrô chegou, apinhado.  Entrou e ficou de pé até a próxima estação quando vagou um lugar. Sentou. Bom, pois a inquietude já tomava conta. A ansiedade não a deixava em paz. Fone no ouvido. Passava as músicas freneticamente.  “Não consigo achar uma música legal...” Naqueles momentos não conseguia achar graça em nada. “Ah, um livro na bolsa” – lembrou-se. Sempre havia um livro na bolsa. Lia uns poemas aquela semana. A leitura fluía mais que o trânsito lá em baixo. Parado. O metrô seguia seu caminho, assim como a tristeza que fluía e ela se deixava levar. Mesmo com os recursos de distração, era sempre atingida pela flecha da tristeza.

Fechou o livro. Suspirou. Já pensava em seus códigos de programação e fazia cálculos mentais ao mesmo tempo em que observava as pessoas no vagão e o trânsito nas avenidas da cidade. Era tudo tão estressante para os outros, mas para ela nem tanto. Em meio aquele caos conseguia encontrar certa calmaria. Pelo menos em algum lugar, o caos é maior que em seus pensamentos. Os motoristas buzinavam nervosos, queriam seguir. Mas, afinal, pra que tanta pressa?

Voltando ao player do celular, encontrou uma música dançante. Levantou calmamente e desceu na estação seguinte. Não era sua estação, mas quem liga? Caminharia dançando até seu bairro. Mariela se sentia tão infeliz que se esforçava para encontrar alegria em pequenos momentos. Ansiava por um bom momento em sua vida tediosa. E geralmente eram os minúsculos cotidianos do dia que lhe arrancavam raros sorrisos. Andando pelo menos impediria as lágrimas de cair. Dançando pelo menos o corpo não estaria sufocado de tensão, frustração e tristeza.




Rafaela Valverde





segunda-feira, 25 de junho de 2018

Mundo de poeta

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Sou poeta 
Poeta gosta de grandes pequenices
Queria alguém pra conversar
Massagem no pé
Alguém pra perguntar como fui nas provas
Alguém que se interesse
Sou poeta
Poeta gosta de ser acarinhado
Poeta vê cores em tudo
Até no cinza
Sou poeta
Poeta até diz que não
Mas às vezes se ilude
Por acreditar demais
Sou poeta
E ser poeta é encontrar um pedaço de mundo dentro do mundo
E viver naquele lugar
Como se ele fosse seu
E lugar melhor não há
Poeta é assim
Ô bicho besta!
É poeta
Sabe que precisa de tudo
Mas não precisa de nada
Sou poeta
Poeta é indeciso
Poeta quer o mundo só pra si
E ao mesmo tempo quer construir um novo!
Sou poeta




Rafaela Valverde

sexta-feira, 22 de junho de 2018

O que falta pra gente ficar junto?

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O que falta pra gente ficar junto, hein?
Se tem amor
Tem paixão
Tem tesão
Tem cuidado
Tem afeto e atenção
Tem amizade e admiração
Se tem conversa
Tem assunto
O que falta pra gente ficar junto?
O que é que mais falta?
O que é que você ainda quer?
Além de toda essa emoção que temos quando estamos juntos?
Você quer mais que isso?
Então você quer incendiar o universo
Só pode ser
Por que eu não sei de nada mais quente do que nosso amor
E não só quente no sentido erótico
Não se trata somente disso
É quente de intensidade
De vontade
De tamanho
O que é que falta, me diz?
Eu não vejo mais nada que esteja escasso por aqui
Mas se você me disser
Vou ao final do arco-íris pegar pra você
Pra você se tocar
Que não falta mais nada pra gente ficar junto
Só você que teima em não perceber
Ou não querer
Mas como  pode não ver
Se tem amor
Tem paixão
Tem tesão
Tem cuidado
Tem afeto e atenção
Tem amizade e admiração
Se tem conversa
Tem assunto
O que falta pra gente ficar junto?



Rafaela Valverde


quarta-feira, 20 de junho de 2018

Estou muito melhor sem você

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Olha só, estou muito bem sem você
Voltei a me exercitar
Pintei o cabelo
Re-encontrei Deus
Não imploro mais por atenção
Ela vem!
Atenção e tudo mais
Olhos se voltam
Quando passo em qualquer lugar
Sem você
Sem seu peso
Olha, estou muito melhor sem você
Nem imaginava, sabe?
É que sou tapada
Acabo cobrindo a visão de mim mesma
E fico vendo mais o outro
Mas agora, depois de umas porradas
Vou me ver mais
Me olhar mais
E preciso repetir:
Estou tão bem sem você!
Se soubesse que ficaria assim
Já teria soltado sua mão
Desde a primeira vez que percebi
Que tu querias partir
Demorei de soltar
Segurei com força
Hoje nem sei o porquê
Não queria ficar sem você
Hoje não sei viver sem mim
Sou muito melhor sem você
Respiro sem achar que estou incomodando
Posso ser eu mesma
Não aquela que você fazia eu ser
Saiba que não me deixou ser um terço do que eu realmente sou
Perdeu!
Brilho no olhar, não mais aquele de paixão
Alívio me alcançou
Eu perdi!
Perdi o medo de me expressar
Brigar e lutar pelo melhor
Nem preciso mais!
Estou otimamente bem sem você!
Ora, ora...
Não preciso mais exigir ser bem tratada
Simplesmente sou e deixo ser
Eu mereço!
Não preciso mais implorar ínfimas e pobres palavras
Elas vêm automaticamente
E, ei psiu?
Estou muito, mas muito bem mesmo
Sem você!
E espero que você finalmente esteja melhor
Que esteja feliz
Sem mim...
E sem você também
É sim, você sem você
Porque é você quem se sabota
Quis me sabotar também
Comigo não!
É você quem afasta as pessoas de você!
Enfim, você se foi
Quis ir
Graças a Deus!
Porque eu estou muito bem, obrigada!
Vou ali ver TV e comer pipoca
Sozinha e também acompanhada.




Rafaela Valverde

segunda-feira, 18 de junho de 2018

Erva daninha


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Corro pela rua
O fone no ouvido
Desci da lua
Não quero mais me distrair
Mantenho a mente sempre aberta
Pra não ruir
Piso em tudo o que é menos no chão
A folha seca, formigas, na perna arranhão
Cai o sangue, ferida aberta
Sangra!
E justo quando está para cicatrizar
Vem outra erva daninha e arranha
Justo quando estou caminhando
Olhando para frente
Na estrada tacanha
Que a vida é...
Mas não posso mais deixar
Que sofra a minha mente
Corpo e coração
Eu já disse coração?
Não importa!
Quebro a rima
Para clarear
O quanto quero estar pra cima
A partir de agora
Imaginar
Mas também viver
A vida aqui fora
Fora de mim
Suspirei
Fui na farmácia, comprei antisséptico
Pra matar tudo isso, enfim
Estou atenta
Distrair para me destruir, não mais
A erva, a daninha, até tenta
Mas eu já superei!




Rafaela Valverde

Ainda Assim Eu Me Levanto - Maya Angelou


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Precisamos conhecer poetas e poetisas negros!!!

Você pode me riscar da História
Com mentiras lançadas ao ar.
Pode me jogar contra o chão de terra,
Mas ainda assim, como a poeira, eu vou me levantar.

Minha presença o incomoda?
Por que meu brilho o intimida?
Porque eu caminho como quem possui
Riquezas dignas do grego Midas.

Como a lua e como o sol no céu,
Com a certeza da onda no mar,
Como a esperança emergindo na desgraça,
Assim eu vou me levantar.

Você não queria me ver quebrada?
Cabeça curvada e olhos para o chão?
Ombros caídos como as lágrimas,
Minh’alma enfraquecida pela solidão?

Meu orgulho o ofende?
Tenho certeza que sim
Porque eu rio como quem possui
Ouros escondidos em mim.

Pode me atirar palavras afiadas,
Dilacerar-me com seu olhar,
Você pode me matar em nome do ódio,
Mas ainda assim, como o ar, eu vou me levantar.

Minha sensualidade incomoda?
Será que você se pergunta
Porquê eu danço como se tivesse
Um diamante onde as coxas se juntam?

Da favela, da humilhação imposta pela cor
Eu me levanto
De um passado enraizado na dor
Eu me levanto
Sou um oceano negro, profundo na fé,
Crescendo e expandindo-se como a maré.

Deixando para trás noites de terror e atrocidade
Eu me levanto
Em direção a um novo dia de intensa claridade
Eu me levanto
Trazendo comigo o dom de meus antepassados,
Eu carrego o sonho e a esperança do homem escravizado.
E assim, eu me levanto
Eu me levanto
Eu me levanto.


Original em inglês: Still I Rise
Tradução de Mauro Catopodis



Rafaela Valverde

terça-feira, 12 de junho de 2018

Crescente fértil - Carina Castro

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enquanto estendo as roupas
no varal
torço
pra que não chova
enquanto eu estiver fora
seria toda uma tarde enxuta
encharcada
tem também aquela goteira
insistente
pra amparar
pode vir de vento
sem aviso
dependendo da força
entra pelas frestas
da janela
inundando dentro
enquanto se acaba
a civilização
lembro que tenho que me virar em comida
pra suprir fomes alheias
confirmo no calendário o dia que o gás acabou/
localizo a lua crescente
– tempo certo –
pra cortar
os cabelos
pra que cresçam
subo a ladeira quase-sem-fôlego
me sinto sedentária
lembro que tenho
um corpo
mas não lembro
quando assentei poeira no chão
finquei raízes
ergui e pari o mundo
[e o que fez de mim a civilização?]
concebia-me sem pecado
e me embalava com muita graça
quando não temia
a época das cheias
que batiam no peito
não dava pé e não sabia nadar
que vinham
lavando e levando tudo
trazendo feras
peixes à beira da loucura
num transbordar infinito
prateando tudo até que tudo apodrecesse
tornando a lama, lume
crescente fértil
leito de nanã
dou de beber a tantas sedes
que a estiagem sempre é certa
corro pra tirar as roupas do varal
mas no fundo quero
que meu corpo encharque



Rafaela Valverde

sábado, 9 de junho de 2018

Livro Surpreendido pela Alegria - C.S. Lewis

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Terminei de ler recentemente o livro Surpreendido pela Alegria de C. S Lewis. O livro foi escrito em 1955. Lewis foi um professor da universidade de Oxford e autor de alguns livros infantis, inclusive os das Crônicas de Nárnia. Pois bem, o livro é tratado como autobiografia pelo próprio autor que conta sua vida desde a infância, a relação com a família, as escolas que estudou e sua relação com Deus e com a literatura.

Lewis era ateu, virou agnóstico e depois se converteu ao cristianismo e ele conta com detalhes essas experiências. Confesso que alguns detalhes demais. Não curto muito biografias, acho uma leitura um pouco maçante e esse então, foi bem cansativo, sobretudo pela época em que foi escrito. Mas lutei e conseguir ir até o fim. É uma leitura cansativa até no sentido de muitas informações. Muitos autores e livros são citados, além de pessoas da convivência do autor. Ainda assim gostei bastante da forma que ele escreve e tenho mais alguns livros dele aqui que com certeza lerei. C.S. Lewis faz algumas críticas e revelações sobre questões variadas e algumas coisas voltadas a Deus e a descoberta da sua elação com Ele me marcaram.

É um livro bastante interessante para conhecer o autor, ainda mais para quem nunca leu nada dele, como eu. A mudança brusca no que se refere ao cristianismo e a fé fez eu me identificar muito com ele e sua história de vida.


Rafaela Valverde




segunda-feira, 4 de junho de 2018

Primeiro beijo

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Eu ainda lembro do nosso primeiro beijo
Você lembra?
Foi de repente
Não pude evitar
Nem tentei 
Me pegou de surpresa
Porque era eu quem queria beijar primeiro
Fiquei sem coragem
Daí você veio
Tranquilamente
Como se fosse a coisa mais natural a se fazer
E era!
Foi na hora certa
Porque eu já estava querendo 
Dizer que foi ótimo é tão clichê
Não foi ótimo
Foi indizível
Inefável
O primeiro de muitos
O mais especial
Foi ali que me apaixonei
O shopping que estava cheio ficou vazio
No momento que você me beijou
Só tinha nós dois ali
Naqueles segundos
Ou minutos?
Ou horas?
Sei lá!
O tempo parou
Quando você me beijou
Soube naquele momento que não quereria mais te deixar!
Ainda lembro do primeiro beijo que você me deu
O melhor de tudo é que partiu de você
Foi iniciativa sua
E isso, meu bem, não dá para apagar!



Rafaela Valverde


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