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terça-feira, 22 de agosto de 2017

Série Lúcifer

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A série Lúcifer estreou na Fox em 25 de janeiro de 2016 e já está na segunda temporada, que ainda não chegou na Netflix. Criada por  Tom Kapinos em 2015, a série é ambientada em Los Angeles, e se encaixa nos gêneros Drama, Fantasia, Policial.

Cansado de ser julgado no inferno e com tédio, Lúcifer decide vir à Terra conviver com os humanos. Lúcifer Morningstar, (Tom Ellis) como se auto denominou, abre a boate Lux e passa a se divertir em companhia dos moradores da agitada Los Angeles. Ele passa a auxiliar policiais locais a capturar bandidos ao lado da bela policial Chloe Decker (Lauren German).Assim vão acontecendo as aventuras da nova vida de Lúcifer que muda cada vez mais a medida em que se aproxima das pessoas. Até faz terapia. E sempre é interpelado pelo seu irmão Amenadiel (D. B Woodside) para que retorne para casa e às graças do pai.

A série é bastante irônica. Piadas bem feitas e reflexões sobre esse misterioso mundo que se divide entre céu e inferno, bom e ruim (ou não). Eu pelo menos, pensei em muitas coisas sobre a bíblia por exemplo. Coisas que nós, criados com forte interferência cristã, somos levados a acreditar desde cedo, desde a mais tenra infância. Mas será que as coisas são dessa forma mesmo? Não cabe nenhum questionamento? A série traz esses questionamentos o tempo todo. É transgressora. Não está muito aí para as críticas. derruba conceitos pré estabelecidos e ainda vai dar muito pano pra manga. Contando a história do anjo mais bonito e iluminado que se rebelou contra Deus e foi expulso do céu, indo parar no inferno para fazer maldades... Será?


Rafaela Valverde


Quero pedir desculpas a todas as mulheres - Rupi Kaur

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quero pedir desculpas a todas as mulheres

que descrevi como bonitas

antes de dizer inteligentes ou corajosas

fico triste por ter falado como se

algo tão simples como aquilo que nasceu com você

fosse seu maior orgulho quando seu

espírito já despedaçou montanhas

de agora em diante vou dizer coisas como

você é forte ou você é incrível

não porque eu não te ache bonita

mas porque você é muito mais do que isso


Que coisa linda!


Rafaela Valverde

Uma lista de tarefas para o amor próprio - Key Ballah

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- Lave sua pele com água morna.
- Use o dedo indicador de sua mão direita para comer mel direto do pote.
- Escreva uma carta de amor para si mesma.
- Peça para sua mãe dizer o quanto ela te ama. Ouça com cuidado a verdade em sua voz.
- Diga ao seu pai que você o perdoa.
(Tente perdoá-lo, por mais clichê que isso soe, o perdão é na verdade para você).
- Leia o primeiro capítulo do seu livro favorito, se você não conseguir parar, leia o quanto conseguir.
- Saia de casa. Não importa o clima, mesmo que você só fique em uma varanda, mesmo que seja apenas por alguns segundos. O ar fresco queima a tristeza.
- Se alongue…
- Toque todas as suas cicatrizes e relembre seus aniversários, lembre-se de quão longe você veio.


Eu amei esse texto!


Rafaela Valverde

Metonímia - Angélica Freitas

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alguém quer saber o que é metonímia
abre uma página da wikipédia
depara com um trecho de borges
em que a proa representa o navio

a parte pelo todo se chama sinédoque

a parte pelo todo em minha vida
este pedaço de tapeçaria
é representativo? não é representativo?

eu não queria saber o que era
metonímia, entrei na página errada
eu queria saber como se chegava
perguntei a um guarda

não queria fazer uma leitura
equivocada
mas todas as leituras de poesia
são equivocadas

queria escrever um poema
bem contemporâneo
sem ter que trocar fluídos
com o contemporâneo

como roland barthes na cama
só os clássicos


Rafaela Valverde

Livro Machado - Silviano Santiago - Parte II

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 Texto escrito para avaliação da disciplina O Cânone Literário Brasileiro do curso de Letras Vernáculas da UFBA, onde estudo.

Não há espaço para best-sellers, desses que lotam as linhas de frente das livrarias nos dias de hoje – na Academia Brasileira de Letras. Nem no cânone. Mas, o cânone pode ser bastante relativizado. Cada pessoa pode ter o seu e dessa forma, um best-seller pode estar presente. São possibilidades. Tudo é possibilidade. Nada é estanque, sobretudo no que tange ao conhecimento e a literatura.

Porém, é correto afirmar que o cânone existe, os cânones existem desse sempre. E são necessários, pois não há como ler todas as obras literárias lançadas no mundo.

O próprio Silviano Santiago se apropriou da ideia de cânone ao construir o livro. Ele utilizou as leituras do próprio Machado, como por exemplo, Flaubert – olha ele novamente – autor que estava presente com todas as suas obras na estante do escritor brasileiro. Além disso, havia a forte presença do romancista José de Alencar, amigo do morador do Chalé do Cosme Velho. Não tinha como falar de uma personalidade tão intensa, sem passar pela crítica literária. Além dos demais aspectos que envolvem a literatura hoje e na época em que viveu Machado de Assis. 

Autores desconhecidos também fazem parte do bem tecido emaranhado literário que é Machado. Mário de Alencar foi um deles. Mário era filho de José de Alencar e melhor amigo de Machado de Assis. Além disso, era seu discípulo e protegido, auxiliado pelo autor de Memórias Póstumas de Brás Cubas, na eleição para a cadeira na ABL.

Mas Machado não tinha muitos amigos, especialmente após a morte de Carolina, sua esposa portuguesa. Especialmente nos últimos anos com as crises epilépticas e as ausências, como ele chamava os desmaios, e vertigens. Essas crises afetavam a saúde de Machado e o faziam passar vergonha. Mas as enfermidades também o aproximou de Miguel Couto, ex médico de sua esposa. Doutor Miguel Couto passa a ser médico de Machado também, a partir do momento da primeira crise epiléptica e posteriormente de Mário de Alencar que passa a apresentar os mesmos sintomas do mestre, do pai espiritual que ele considerava.

A melancolia acompanhava o velho bruxo. Junto com as ausências e as convulsões. Ele não se afastava do trabalho, mesmo com os problemas de saúde. O que Silviano traz para o livro é o convívio de uma pessoa idosa com uma saúde frágil. Saúde que lhe oferecia diversas limitações. Na alimentação, na locomoção e até nos passeios que fazia, especialmente pela livraria Garnier. Silviano faz um paralelo com a sua própria vida de homem idoso, morando sozinho e convivendo com a melancolia. Como ele mesmo afirmou em uma de suas entrevistas, o romance é um romance de sobrevivência. Daqueles que trazem personagens em seus últimos momentos de vida. Assim é com Machado de Assis, assim é com o próprio Silviano. Pelo menos assim ele se colocou, do alto dos seus 81 anos, como alguém que estava em sobrevivência. Aí, mais uma vez, assim como em vários outros momentos do livro, narrador, autor e personagem principal de confundem como se fossem um só. E confundem também o leitor.

Quando lemos, às vezes, fica difícil saber quem está se pronunciando ali. Quem está desenvolvendo aquela ideia, aquela crítica ou quem está contando a vida de Machado de Assis. O Rio de Janeiro se transforma, se moderniza, fica parecida com Paris, enquanto personagens e estórias vão se desenrolando. É claro que a história não pode ficar de fora, sobretudo a história da cidade do Rio de Janeiro, que desde essa época já sofria com ação de bandidos. Com muitas notícias e imagens de jornais da época, podemos saber como funcionava a dinâmica da cidade da época. Por exemplo, na página 181 há o episódio do assalto à casa do doutor Miguel Couto na rua Senador Dantas. Objetos de valor da família são roubados e em plena a luz do dia. “Não falta policial nem sobre ladrão. Falta é policial que percorra as ruas, patrulhando a cidade.” Afirma o narrador. Atual, não?


Outros episódios dão conta ainda da falta de infraestrutura que tomava conta da cidade. Faltava água e as pessoas ansiavam por chuvas. As pessoas pobres, durante o processo de urbanização e modernização do centro foram expulsas para as partes mais altas da cidade. Olha as favelas nascendo!  Machado de Assis tinha assistia com desalento a mudança da sua cidade. Para o que ele considerava ser pior. A cidade do Rio de Janeiro e sua história não podiam ficar de fora de um livro que fala tão detalhadamente de um dos autores que mais retratou em suas obras, a cidade maravilhosa.

E por falar em suas obras, o livro de Silviano Santiago traz alguns detalhes sobre seu último livro: Memorial de Aires. A construção dos personagens e a comparação com outros personagens dele. Memórias Póstumas de Brás Cubas também é analisada da forma “silvianica”. Ele traz referências à ciência, à bíblia, à literatura mundial, à arte entre vários outros assuntos que são abordados nesse preciosíssimo livro.
O capítulo nove, penúltimo,  Manassés e Efrain começa indicando a pouca vida que ainda restaria a Machado. Últimos meses de vida que se encerra em 29 de setembro de 1908. Esse capítulo destrincha a amizade de Mário de Alencar e Machado de Assis, confirmando a ideia que o primeiro esteve com o segundo até o fim. Um era bastante leal ao outro e na página 339 há a seguinte passagem: “Mário de Alencar é o alter ego do velho Machado de Assis, em quem ele confia como não se confia em imagem no espelho.” Essa é a ideia que o narrador ou Silviano Santiago tem da amizade dos dois escritores. Claro que houve muita pesquisa e com certeza era uma amizade muito boa mesmo, com lealdade. Será que Silviano tem um Mário de Alencar em sua vida? A amizade é um dos temas mais presentes no livro do crítico literário.

Por fim, o capítulo dez, Transfiguração, Silviano relaciona as leituras realizadas por Machado ao conjunto de sua obra e sua vida. “Machado de Assis tem na biblioteca tudo o que Gustave Flaubert e Stendhal publicaram no século XIX.” (p.379). Várias outras questões são abordadas nesse capítulo, é claro que para saber é preciso ler o livro, não vou aqui me adentrar em todas elas. Apenas estou pontuando e tentando “comentar” – já que analisar seria muita audácia da minha parte – as que mais me chamaram atenção.  Para finalizar devo aqui registrar que o livro é aberto com a pintura Transfiguração, de Rafael e nesse capítulo, o último e de mesmo nome, Silviano faz uma pequena análise do quadro e o relaciona com as crises convulsivas de Machado. Uma das hipóteses que Silviano cria é que há um rapaz com crises epiléticas no quadro, olhando para Jesus, que flutua no centro na imagem. 

Como já havia dito, o livro é um emaranhado –  a meu ver organizado – de informações, de saberes, de questões a serem abordadas. Seriam necessários vários anos e várias teses para analisar detalhadamente a obra de arte chamada Machado. E ainda assim não se daria conta. Para além do romance, da biografia, do rinoceronte e da sobrevivência, o livro é um compilado de cânones. O livro nasceu para ser cânone e daqui há cinquenta anos com certeza ele e seu autor serão lembrados. Como não deixar esse livro ser cânone? Como não permitir que seja? Como afirmar que uns cânones não devam existir? Provavelmente não é possível, pois, essa obra já nasceu para ser cânone. Já nasceu para consolidar seu autor, idoso e sobrevivente solitário em seu apartamento cheio de livros, como autor canônico. Autor que deve ser lido. E com certeza será.



Rafaela Valverde



Livro Machado - Silviano Santiago - Parte I

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Texto escrito para avaliação da disciplina O Cânone Literário Brasileiro do curso de Letras Vernáculas da UFBA, onde estudo.


Machado é um romance que não é romance. Uma biografia que vai além dos fatos da vida de alguém. Ensaio que já é o espetáculo. Espetáculo protagonizado pelo mímico do Cosme Velho, Machado de Assis. Retratada já em sua fase final, a vida de Machado de Assis foi bastante complexa.

Descendente de escravos, Machado sempre viveu de forma humilde. Conviveu com a escravidão durante grande parte da sua vida, até a abolição. Esta temática esteve bastante presente em sua obra. O livro retrata, porém os últimos quatro anos da sua vida. A partir de cartas escritas entre 1905 e 1908, Silviano Santiago construiu a grande obra biográfico-ensaística-romanceada-pitoresca e rica.

Além de uma grande homenagem, Machado pode ser considerado um bom almanaque de literatura. E não só brasileira. E não só de literatura. Almanaque de história, crítica literária e dos últimos momentos da vida do Bruxo do Cosme Velho.

Como o próprio Silviano Santiago declarou em uma de suas entrevistas: não era possível escrever um livro simples sobre a vida de alguém tão complexo como Machado de Assis. Por isso, o livro tão multifacetado. Não dava para ser uma simples biografia narrando fatos da sua vida e descrevendo dados e anos. Um romance simples, porém, não bastaria. Fazia-se necessário um livro grandioso, para a posteridade.

É claro que a intenção de fazer um livro como esse não é apenas homenagear um grande escritor e o fundador da Academia Brasileira de Letras. Não. Silviano quer deixar para o futuro, algo de si mesmo. O que ele próprio sabe sobre literatura. Seu mestrado na França, ilustrado pelo grande conhecimento em Flaubert não deixa mentir. Além disso, inicia- se a consagração do escritor como cânone da sua geração. Já que Machado foi e ainda é um autor legitimado no Brasil e no mundo. Há ainda de lembrar que o processo de urbanização do Rio de Janeiro, fator que incomodava muito o Bruxo do Cosme Velho, se comparava desde sua composição ao processo de urbanização de Paris. Onde quem esteve? Silviano. Eles estão ligados. Silviano Santiago se liga a Machado. Sua ligação com o escritor está também no fato de que Silviano nasceu, anos depois, na mesma data de morte do mímico: 29 de setembro. Silviano estende seu vínculo. Ele se transporta para o início do século XX e teima em conviver bem próximo ao grande escritor brasileiro.

O livro traz diversas imagens, mas nem precisava: com a confusão organizada entre narrador, autor e personagens, a trama já se estampa. Com uma bem feita metalinguagem, o livro consegue narrar, com literatura, a própria literatura. Além disso, há a descrição detalhada da urbanização do Rio de Janeiro, com seus principais meandros e consequências sociais.

Como já sabemos o cânone ou os cânones são listas de leituras escolhidas e implementadas por alguém. E que esse alguém geralmente é formado por mais de uma pessoa ou até mesmo instituições. Principalmente as universidades e seus grandes doutores críticos. Há a certeza, é claro que essas pessoas e universidades estão imbuídas de poder. A ideia de cânone foi criada e consolidada ao longo da história ocidental. Quando a igreja mandava, o cânone existia para determinar o que os fieis podiam ler ou não. E quem mais já teve poder nesse mundo que a igreja? 

Machado de Assis está no cânone. Ouso até dizer que Machado é ele mesmo, um cânone. Além de escritor, já respeitado na sua época, funcionário Público nomeado pelo imperador, Machado foi também o fundador da Academia Brasileira de Letras, como todos nós já sabemos. Antes, os encontros literários eram realizados na livraria Garnier. Os encontros cresceram tanto que nasceu a academia. A própria ABL – um siglazinha carinhosa – já estabelece um cânone. A lista de cadeiras dos imortais que ali se encontram confirmam bem isso. A rejeição do desconhecido Mário de Alencar também.


Continua...


Rafaela Valverde

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Crepúsculo e alvorecer

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Do meu olhar para o crepúsculo
A noite se vai, levando minha mensagem
Para algum lugar
Para alguém
Que eu nem sei se vai receber
Que talvez nem vá ligar
Na manhã seguinte o pensamento volta
Como se o destinatário tivesse virado remetente
Já nem sei o que quero dizer
Penso em uma coisa
Falo outra
Mais uma vez chega o anoitecer
E com ele eu penso em você
Isso é tudo tão estúpido
Você nem estar mais lá
Para se importar
Para receber o que eu digo
Mais uma madrugada
Um alvorecer
Momentos de transição que me angustiam
Mudam de cor
Mas não mudam minha situação
De sempre te querer.



Rafaela Valverde


segunda-feira, 14 de agosto de 2017

Me tocando

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Está frio. Auge do inverno. Eu que moro em uma cidade litorânea, com sol o ano todo, não estou acostumada com tanto frio. O frio traz a carência, a vontade de dormir acompanhada. Penso em várias pessoas com quem poderia dormir, e não só dormir, nesses dias frios. Estou de moletom, calças e meias. Eles estão cheirando a naftalina, devido ao grande tempo guardado. Que excitante.

O programa da TV está muito chato. Programo-a para que ela desligue caso eu durma e puxo o edredom que faz uma montanha ao meu lado na cama. Gosto de pensar que é uma pessoa. Me enrolei toda e abri bem as pernas, imaginando alguém me chupando. Gostava de imaginar sexo oral, às vezes quando estava muito excitada.

E assim que estou agora. Muito excitada. Nem me lembro a última vez que estive assim, nem a última vez que transei. Estou pegando fogo e como diz uma amiga: "Eu vou sucumbir de tanto hormônio mal canalizado..." Rsrsrs

Não sei mais o que fazer então resolvo me satisfazer sozinha. Ultimamente não estão aparecendo mais homens que prestem para me satisfazer. Aquele sexo safado, com pegada, olhares, chupadas quase não existe mais. Parece que as pessoas praticamente só se conhecem para umas rapidinhas sem graça, que só envolvem os órgãos genitais.

Nesse momento, enquanto confabulava sobre a minha inexistente vida sexual, já brincava com meus dedos em minha pepeka que está bem molhada. Me contorço toda, imaginando que estou fazendo sexo a três. Viajo e volto umas três vezes. Gemo alto, brincando cada vez mais forte com os dedos, que entram e saeam de mim com mais facilidade.

Depois dos dedos, o vibrador entrou em ação. Era o momento do ápice. Do gozo magistral de mim para mim mesma. Estar com a gente era uma excitante opção para essas noites frias. É possível se dar prazer e é maravilhoso. Orgasmos deliciosos. Entrei em transe, não sabia mais onde estava. Suei e fui do frio ao calor. Estava suando. Gritei!

Depois que terminei respirei fundo e abri os olhos. A TV ainda estava ligada. Uma senhorinha ensinava os telespectadores a bater um bolo. Sorri e balancei a cabeça, abismada com a ironia daquela situação.  Mas me sentia mais leve. Desliguei a TV, me enrolei no edredom e fechei os olhos, dessa vez para dormir.



Rafaela Valverde

Minha poesia

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Ainda tenho um poema
Desde aquela manhã
Sem fórmula, sem teorema
Só o que chegar na mente
Sobre o que eu senti quando
o sol daquele dia nasceu.
Meu peito ainda sente
O ardor daquele momento
Em que minha resistência morreu
Ainda tenho algumas rimas
Mesmo que não sejam boas
Dessa coisa que me alucina
E me faz rir à toa
Rimas sem harmonia
Versos desarrumados
É essa minha poesia
Apenas regular
Não sou nenhuma gênia
do poema.
Sei que muitas vezes vou falhar.
Mas eu só quero dizer o que sinto
Lançar para os quatro cantos do mundo
Para que eles vejam o quanto é bonito.




Rafaela Valverde

O beijo


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Foi um beijo rápido e simples
Daquele que ninguém dá nada
Esperado por anos
Uma longa jornada

Já o tinha imaginado
Pensei em como seria
Me derreti toda
E enfim chegou esse dia

O dia mágico
Em que se realizou
O beijo tão esperado
O seu beijo

Que agora é nosso
E ninguém pode tomar
A cabeça ainda está girando
Parece que vou ter um troço

Foi só o primeiro
Espero que hajam mais
Daqueles tais...
Que pegam fogo

Que iluminam noites
Que causam terremotos
Invadem meu corpo
E enchem de energia o que estava sem vida, oco e vazio.




Rafaela Valverde



sexta-feira, 11 de agosto de 2017

Discurso - Cecília Meireles

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E aqui estou, cantando.
Um poeta é sempre irmão do vento e da água:
deixa seu ritmo por onde passa.

Venho de longe e vou para longe:
mas procurei pelo chão os sinais do meu caminho
e não vi nada, porque as ervas cresceram e as serpentes
andaram.

Também procurei no céu a indicação de uma trajetória,
mas houve sempre muitas nuvens.
E suicidaram-se os operários de Babel.

Pois aqui estou, cantando.

Se eu nem sei onde estou,
como posso esperar que algum ouvido me escute?

Ah! Se eu nem sei quem sou,
como posso esperar que venha alguém gostar de mim?



Rafaela Valverde

quinta-feira, 3 de agosto de 2017

Suas promessas

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Você nunca foi bom de promessas, eu sei
Foi embora na primeira oportunidade
Mesmo depois de dizer que não iria
O que você falava era lei
Hoje não acredito mais em ninguém.

Queria reaver minha capacidade
De novamente acreditar
Em alguém que não ria
E que valha um vintém

Você sempre vai falar o que não devia
Promessas, palavras, histórias vazias.
Essas rimas baratas estão bem aquém
Do que antes eu fazia!

Antes das suas promessas
Antes de descumprir as que nem chegou a fazer
Antes de me deixar vazia, oca e envolvida em desespero
Você nunca foi bom de promessas
Eu sei

E nossas horas eu já parei de rimar
Não dá mais
A inspiração não vem
Você me viu em prantos e prometeu
Que eu não ia mais chorar

Você mentiu
Você é péssimo com promessas
Você não sabe amar
Você não sabe nada
Você não presta pra nada, eu sei.




Rafaela Valverde

terça-feira, 1 de agosto de 2017

Saber viver - Cora Coralina

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Não sei... Se a vida é curta
Ou longa demais pra nós,
Mas sei que nada do que vivemos
Tem sentido, se não tocamos o coração das pessoas.

Muitas vezes basta ser:
Colo que acolhe,
Braço que envolve,
Palavra que conforta,
Silêncio que respeita,
Alegria que contagia,
Lágrima que corre,
Olhar que acaricia,
Desejo que sacia,
Amor que promove.

E isso não é coisa de outro mundo,
É o que dá sentido à vida.
É o que faz com que ela
Não seja nem curta,
Nem longa demais,
Mas que seja intensa,
Verdadeira, pura... Enquanto durar


Rafaela Valverde

quinta-feira, 27 de julho de 2017

Se tu viesses ver-me hoje à tardinha - Florbela Espanca


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Se tu viesses ver-me hoje à tardinha,
A essa hora dos mágicos cansaços,
Quando a noite de manso se avizinha,
E me prendesses toda nos teus barcos…

Quando me lembra: esse sabor que tinha
A tua boca… o eco dos teus passos…
O teu riso de fonte… os teus abraços…
Os teus beijos… a tua mão na minha…

Se tu viesses quando, linda e louca,
Traça as linhas dulcíssimas dum beijo
E é de seda vermelha e canta e ri

E é como um cravo ao sol a minha boca…
Quando os olhos se me cerram de desejo…
E os meus braços se estendem para ti…




Rafaela Valverde

Aquela rapidinha

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Estávamos no carro. Tocava um jazz suave e eu estava doidona. Tínhamos acabado o estoque de drogas lícitas e ilícitas. Ele não tinha bebido nada, porque ia dirigir, mas estava mais louco que eu. Tirou uma das mãos do volante e agarrou meu seio. Descendo pela minha barriga, levantou a blusa e apalpou os pneuzinhos da minha barriga. O que eu adorava.

Continuou descendo, levantou minha saia e me apalpou por cima da calcinha. Já estava toda molhada e me contorcendo. Era incrível como ele conseguia fazer aquelas coisas enquanto dirigia. Passava a língua nos lábios tentando umedecê-los, pois já estavam ressecados. Não sei se pelas substâncias químicas e se por aquelas substâncias de prazer.

Com a mão por dentro da calcinha, enfiou delicadamente dois dedos dentro de mim. Massageava meu clitóris com delicadeza e ao mesmo tempo firmeza. Seus dedos escorregavam nos líquidos do meu corpo e faziam movimentos diversos. Circulares, verticais. Apertava e soltava. Ora com força, ora com um carinho que me fazia gemer alto.

Parou. De repente tirou a mão de dentro de mim. Percebi que estava encostando o carro. Olhei ao redor, não estávamos perto de casa. Paramos em um canto qualquer. Claro que ele sabia o perigo de parar no meio da noite em qualquer lugar. Mas estávamos com tanto tesão que não dava mais para aguentar. Olhei para ele interrogativamente e ele pegou minha mão e colocou em seu pau que já estava animado.

Eu estava ofegante, nervosa e cheia de tesão. Tirei o cinto de segurança e ainda com a saia levantada sentei nele e o beijei. Desabotoei a camisa, passando minha língua em seu peito macio. Abri seu zíper e sentei nele. Enquanto cavalgava, mordia seus lábios. Era uma coisinha que eu gostava de fazer. Era muito gostoso. Gozamos juntos, gritamos e o efeito das químicas já havia passado. Aquela tinha sido a melhor rapidinha da minha vida. Nos recompomos e o trajeto continuou como se nada tivesse acontecido. 



Rafaela Valverde

terça-feira, 25 de julho de 2017

Minha relação com a escrita

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Minha relação com a escrita é bem antiga. Comecei a ler com quatro anos e a escrita veio logo em seguida: minha mãe sugeria que escrevesse cartas para professoras e minha madrinha. Minha mãe foi uma grande incentivadora de todo o processo, porque em todos os momentos que me lembro escrevendo na infância, minha mãe estava presente ou foi por causa dela. Além das cartas, havia as cópias de textos dos livros de português, especialmente como castigos; tinha também as caligrafias, aqueles cadernos para ajeitar as letras e as deixar bonitinhas. 

Não sei que coisa mágica é essa de minha mãe, pois não teve estudo, não gostava de estudar, segundo ela mesma, e ainda assim "puxava" da gente no estudo, de mim e de minha irmã. Fora isso, tínhamos o incentivo das escolas em que estudamos na primeira infância. Escolas pequenas, privadas, mas de bairro. Mas escolas que foram muito importantes em minha formação. Tive uma base muito boa, apesar de depois, a partir dos sete anos, ter ido para a escola pública.

Como tinha essa base da escrita e entrei na segunda série mais adiantada que meus colegas e ainda continuava o incentivo-castigo de mamis, eu seguia bem na escola. Apesar de lembrar de ler pouco nessa época, mas de já ter lido muito na escola anterior, foi lá que comecei a ler quadrinhos, eu gostava de ler, mas não tinha muito acesso a livros. Não havia internet e realmente eu só lia o pouco que conseguia nos livros didáticos e na casa de duas de minhas tias, que tinham alguns livros.

Com a reforma da escola que eu estudava, na terceira série do ensino fundamental, esperei que pudéssemos passar a frequentar a biblioteca, eu e minha turma, mas isso não acontecia. Continuei com pouco acesso e sem incentivos muito satisfatórios. No entanto, uma professora pedia que nós sempre lêssemos. Lembro claramente ela falando pra gente ler placas na rua e até bulas de remédios. Segui seu conselho.

Nessa época eu ainda não escrevia. E acho que também nessa época, começou a ir ao meu bairro, um projeto da biblioteca pública da Bahia: biblioteca móvel, que nada mais era que uma biblioteca em uma van. Eu carinhosamente chamava de bibliocombi. Nossa, como é bom lembrar disso, porque eu simplesmente amava esse momento. Foi aí que começou minha relação direta com os livros. Eram tardes de quarta feira, pra mim o melhor dia da semana. Eu ia lá, lia algumas revistas: Veja, Época, Turma da Mônica e pegava livros emprestados. Eu sempre li de tudo, mas amava ler romances água com açúcar. Uns que tinha nomes de flores. Simplesmente adorava. Lia nessa época, muito Agatha Christie também. Eu sempre li de tudo, independente se era próprio pra minha idade. Se eu tinha acesso eu lia. Não tenho certeza, mas acho que comecei a ler Sidney Sheldon também essa época, que são livros bem adultos.

Enfim, essa biblioteca esteve no meu bairro durante anos, toda quarta feira. E eu batia ponto lá. Pelo menos até mudar de escola e ir estudar no Centro da cidade. Lá havia biblioteca e eu podia frequentar a biblioteca pública dos Barris. E era o que eu fazia. Teve também as bibliotecas Monteiro Lobato e do Sesc, em Nazaré. Ambas fizeram parte da minha adolescência, também. Sempre vivi nesse universo literário

Comecei a escrever literatura pra valer com onze pra doze anos. Mas antes tinha um diário, então comecei bem antes dessa idade. Pois bem, aos doze anos escrevi a história baseada em um dos romances bestas que havia lido e dei pra minha professora de português na época, de quem eu gostava muito. Peguei várias folhas, escritas à lápis, grampeei, colei um papel ofício na frente com um nome que nem lembro mais e entreguei a ela. Até hoje tenho vergonha disso. Rsrsrs Coitada da professora, gente!

Depois disso não parei mais. Eram poesias bobas de menina, paródias para trabalhos da escola, tudo eu escrevia. Em 2008, eu já na era da internet, comecei esse blog. E já se foram nove anos! Eu estava em casa vagabundando, tinha terminado o ensino médio e estava procurando emprego. Estava sem rumo, me sentia triste e insatisfeita com aquela situação. Daí, decidi escrever sobre esses sentimentos que tanto me afligiam. E não parei mais.

Hoje eu escrevo tudo: poema, crônicas, contos, trabalhos acadêmicos, textos dissertativos. Tudo... Eu amo escrever. Em 2013 obtive 940 na redação do Enem e em 2014 900 pontos. Isso me deixa muito orgulhosa e eu fico espalhando para as pessoas. Claro que eu não nasci sabendo e nem é um dom divino que veio do nada. Eu ralei muito e batalhei para escrever como escrevo hoje. E ainda assim preciso muito melhorar. Li muito a minha vida toda e leio ainda. Até hoje eu leio muito, até porque meu curso exige.

Mas dá muito trabalho. Não é nada de outro mundo, qualquer pessoa pode escrever bem, basta ler e treinar bastante, é um trabalho árduo. Algumas pessoas acham que eu já nasci com o dom de escrever e que só tive que começar a escrever e mais nada. Confesso que isso me incomoda um pouco, mas vamos que vamos...


Rafaela Valverde


sábado, 22 de julho de 2017

Só posso dizer - Nando Reis




Tenho pensado muito nessa música. E escutado. E refletido  sobre minha vida, através dela. Linda música. Amo Nando Reis. Vejam o clipe e acompanhem com a letra. 

Cada um de nós tem o seu próprio jeito de ser
Mas tudo que foi feito
Só fizemos juntos
Porque você ouviu a minha, e eu, a sua voz
Tudo que dissemos sempre teve efeito mas sobra
Um ou outro aspecto
E o inverso do direito é a busca do desejo sem culpa

Protegem as flores
Seus espinhos
Preferem os cactos
Que a solidão da noite assista a flor
Quando se abre

Mas eu só posso dizer
Que eu só fico bem ao seu lado
Eu já tentei com outro alguém
Mas não consigo dormir sem seus braços

Vou dizer
Que eu só fico bem ao seu lado
Eu já tentei com outro alguém
Mas não consigo dormir sem seus braços

Cada um de nós tem um enorme respeito e após
Todo esse tempo
Que estivemos juntos
Você lutou por mim, e eu por você
Tudo que enfrentamos sempre demos um jeito tão nosso
É isso que eu adoro
O inverno é o silêncio
É quando a terra aguarda

Protegem as flores
Seus espinhos
Preferem os cactos
Que a solidão da noite assista a flor
Quando se abre

Mas eu só posso dizer
Que eu só fico bem ao seu lado
Eu já tentei com outro alguém
Mas não consigo dormir



Rafaela Valverde

Filme Um Contratempo

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Assisti recentemente o Filme Contratiempo traduzido para Um Contratempo. O filme espanhol do ano passado está disponível no Netflix.  Em alguns sites vi  informam que o filme lançou em 2016 e em outros em 2017. Enfim. Dirigido por Oriol Paulo, o filme é passado na Espanha e estrelado por  Mario Casas, Bárbara Lennie, Ana Wagener, etc. É um Policial, Suspense.

 A vida de Adrian Doria (Mario Casas) estava indo muito bem. Prosperava nos negócios e tinha uma bela família, até que  um dia acorda em um quarto de hotel  ao lado da amante morta.  Com o quarto trancado por dentro e sem nenhuma outra opção de entrar e sair, Adrian se vê automaticamente incriminado pelo crime. Sua vida agora vai se basear em se defender do crime que ele diz não ter cometido. Para ajudar ele contrata a melhor advogada de defesa do país, Virginia Goodman (Ana Wagener) que vai repassar com ele todo seu passo a passo e tentar provar sua inocência.

O filme é um excelente suspense. Sabe, daquele que prende até o final?  Eu estava deitava e de repente levantava para ficar mais perto da tela. Queria ver os detalhes com atenção. A câmera mudava o tempo e o local do filme nos momentos em que realmente era necessário. O momento do filme pedia algum esclarecimento, logo a cena mudava e uma explicação era dada. Ou não. Porque nem sempre o que se achava que era verdade, era efetivamente rea. O filme mudou de perspectiva e passou a ser narrado por outro ponto de vista. O vilão mudou. E a trama estava toda interligada. Filme instigante, recomendo.


Rafaela Valverde

segunda-feira, 17 de julho de 2017

Sem contatinhos

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Não, eu não estou mais afim de ser contatinho. Eu não quero mais ser um dos contatinhos de alguém. Eu não mereço ser só isso. Eu agora estou querendo muito mais que isso. Quando terminei meu último relacionamento, depois de termos reatado há menos de dois meses, eu até fiquei feliz com a solteirice que surgia naquele momento. Mas é claro que tinha que comemorar. Eu não ia ficar por baixo e choramingar o fim de um namoro falido. Tinha mesmo que comemorar minha solteirice e fazer postagens dizendo que ia pegar todo mundo e encher o celular de contatinhos. 

É claro que isso não aconteceu. Desde que terminei meu namoro, em fevereiro, eu só fiquei com uma pessoa e é com quem eu tenho estado, de vez em quando, até então. Porque descobri que não tenho mais interesse em ser e em ter contatinhos. Essa minha fase já passou há um tempo e é algo muito pequeno para mim. 

Eu quero mais, muito mais. Eu sou mais. Eu preciso de mais. Eu quero alguém que eu possa ligar quando algo me acontecer, mesmo que seja uma coisa idiota, apenas algo engraçado, como um tropeço no meio da rua; eu quero alguém que pegue na minha mão quando eu estiver mal e beije minha nuca só pelo ato de me acarinhar. 

Eu quero alguém que cozinhe pra mim, compre vinho e me faça sentir importante. Eu quero acordar com alguém me olhando. Eu quero edredom e brigadeiro em dias frios. Eu quero preparar jantares desastradamente românticos como só eu sei fazer. E quando a comida queimar ou passar do ponto eu quero simplesmente pedir uma pizza e que a pessoa me olhe compreensivamente e diga que essas coisas acontecem e não ajude a me sentir ainda mais culpada.

Eu quero sair para comprar roupas e trazer roupas masculinas junto com as minhas, eu quero escrever poemas e cartas, eu quero me sentir tão especial, mas tão especial, que ninguém  vai ter a capacidade de me colocar para baixo. Eu quero que o assunto flua entre mim e essa pessoa e não apenas ter que ficar inventando assunto e falar do tempo chuvoso.

Eu preciso de algo que meros contatinhos nunca vão me proporcionar. Eu quero uma coisa que saídas casuais, amizades coloridas ou sei lá mais o quê, não vão conseguir dar conta. Eu quero ter com quem compartilhar minha vida, alguém que realmente se interesse por ela. Alguém que me escute, mas também que eu possa escutar. Porque eu amo escutar. Eu quero alguém que só de me olhar já me dispa e me deixe afim de qualquer coisa.

Contatinhos, por melhores que sejam, por darem a ilusão de liberdade, por mais fofas que sejam as pessoas envolvidas ou ainda por mais tempo que dure a amizade colorida, não dá tempo para desenvolver todas essas coisas que eu quero, todas essas coisas que minha alma quer e todas essas coisas que fazem os olhos brilhar as mãos tremer e surgir um envolvimento emocional, real, daqueles que todo mundo pretende ter um dia.




Rafaela Valverde

domingo, 16 de julho de 2017

Casas de sentimentos

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Nós somos casas de sentimentos. Todos nós. Não existe uma pessoa que não tenha sentido um dia, não existe alguém que não tenha amado um dia. Por mais que hoje não queira amar, já amou, já sentiu. Somos poços transbordantes de sentimentos.

Um texto de um amigo do Facebook me inspirou para escrever sobre isso. Sobre o sentimento. Sobre a expectativa dos sentimento que às vezes depositamos no outro ou em nós mesmos. Em nós mesmos, porque não queremos mais sentir e sentimos ou no outro, porque gostaríamos que ele sentisse e ele não quer ou não consegue mais.

Ainda que digamos que não criaremos mais expectativas porque elas não são animais de estimação e muitas outras piadas que contamos sobre o assunto, sempre há uma pontinha de expectativa. Por mais recôndita que esteja, por menor que seja, ela vai estar lá. A danada da expectativa. Por mais que tentemos evitar, sempre queremos que o outro faça ou sinta por nós minimamente o que fazemos ou sentimos por ele.

Sim, esperamos reciprocidade. Sempre. Não existe essa pessoa que diga que é capaz de sentir sozinha, sem esperar esperançosamente (perdoem - me a redundância!) que o outro sinta, se não a mesma coisa, pelo menos um pouco parecido. Queremos atenção, cuidado, afeto, alguém que se interesse por nossas vidas, para que nos sintamos menos medíocres.

Mas como meu amigo do Facebook escreveu, ninguém merece depositar cargas emocionais, expectativas, sentimento, atenção, cuidado em alguém, sem receber nada em troca. Nem ao menos um: "como foi seu dia?" Ninguém merece e ninguém precisa disso. É por isso que cada vez mais escondemos e evitamos nossos sentimentos. O ato de sentir é tão forte que precisamos evitar o máximo que for possível. Limpamos a casa, tiramos os móveis, desinfetamos -na. E ela deixa de ser a casa dos sentimentos bons para ser a cada do medo, da desconfiança, do olhar triste e até mesmo da frieza. Ninguém merece uma casa assim. Ninguém merece uma casa vazia. 





Rafaela Valverde
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