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sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

Pela rua...


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Um dia, andando pela rua
Me senti vazia, me senti nua
Não estava mais me sentindo plena
Saia de mim e via aquela cena
De mim mesma caminhando à toa
Tentando ser uma mulher boa
Das que se sentem tristes quando necessário
Mas ainda gostam de fazer aniversário
Isso porque a plenitude vem e nos alcança
Somos dessas, não gostamos de cobrança
Nem precisa
A vida avisa
O momento de mudar
O momento de bradar
Bem alto
Quebro meu salto
Andando pela rua
A tristeza se insinua
Aqui na minha frente
Faz me ver carente
Mas não estou mais
Coisas banais
Voltam a acontecer
Coisas boas até o anoitecer
E eu continuo aqui andando
Pelas ruas vazias cantarolando
Nada mais me atinge, bailando
Na dança que a vida me dá
Feliz pra-lá-de-Bagdá!



Rafaela Valverde




quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

Manhã de outono

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Estava aos poucos voltando a me exercitar depois de um tempo parada. Lutei durante anos, mas por motivos pessoais havia parado há um tempo. Sedentarismo não faz bem a ninguém e não serve para nada. Corria pelas ruas do bairro quando a avistei. A mesma moça, sentada no mesmo banco de sempre. A diferença é que estamos no início do outono e os bancos da praça, além do chão estão cheios de folhas secas, exibindo sua falta de vida por todo o ambiente urbano que ainda era predominante em todo o cinza dos seus concretos.

Aquela moça sentada ali, com sua pele pálida e seu cabelo caramelo contrastava claramente com aquele ambiente gélido e mórbido da praça outonal, em plena seis da manhã. Continuei a correr e percebi que seu olhar estava paralisado em algum ponto invisível ou em um ponto que só ela conseguia ver.

Sombras de tristeza habitavam aquele olhar. Eu não era capaz de adivinhar o que se passava naquela cabeça. Talvez alguém próximo a ela tivesse morrido, ou talvez tivesse sido abandonada por algum amor... Amor não recíproco é uma tragédia para quem não sabe lidar com tragédias... Ou talvez fosse qualquer outra coisa... Podia ser qualquer coisa... Mas aquela menina estava sentada ali há dois dias. Depois da minha corrida matutina saía para trabalhar e à noite quando chegava ela não estava ali. Ela era diurna. Uma coruja diurna. Com seus olhos parados no tempo. Em algum momento que talvez nunca poderei acessar.

Duas manhãs. Duas manhãs que eu havia voltado a correr e avistava aquela menina que parecia ter o quê? Dezesseis anos? O olhar dela passeava à sua frente e voltava para si mesma quando ela fechava os olhos. As folhas mortas típicas do outono continuavam ali alimentando um clima mórbido e repleto de angústia e confusão. Parei, apoiando as pernas no joelho, arfando e decidi que precisava me aproximar.

Respirei fundo, atravessei a rua e fui até o banco da praça que estava bem na minha frente.  Sentei ao seu lado no banco. Disse oi e perguntei se estava tudo bem. Ela nem me olhou, continuou olhando para o nada e disse: "ele vai matar ela..." Franzi as sobrancelhas sem entender, mas fiquei calada, esperando que ela falasse. 

Demorou alguns minutos até alguém falar novamente. Ela começou a falar que o padrasto estava há dois dias espancando a mãe pela manhã, antes de sair para o trabalho, ela já tentara apartar, já tentara gritar, já ligara para a polícia e nada resolvia. Quando a polícia chegava ela negava tudo, sua mãe. Percebi as lágrimas pulando em seu rosto. Passei a mão em seu ombro em sinal de solidariedade e fui andando até minha casa. No armário, a arma extra, no coldre cor de rosa. Aquela era especial. Para ocasiões raras e especiais, como por exemplo a prisão de um traste em flagrante... As algemas estavam na bolsa pendurada atrás da porta. Enfiei ambos debaixo da blusa da corrida, por dentro da calça legging, saí enquanto meu gato se esfregava em minhas pernas.

Parei na frente da garota e nesse momento pela primeira vez ela me olhou nos olhos. "Levanta! Anda logo, levanta" Puxei a pelo braço. "Me mostra onde é sua casa..." Ela arregalou os olhos mas não disse nada, apontou para umas casinhas que ficavam em um beco. Espero que ainda lembre alguns golpes de imobilização, pensei. E de repente vi uma árvore florida bem na minha frente...





Rafaela Valverde

domingo, 11 de fevereiro de 2018

Se todas as garotas - Nikita Gill

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Se todas as garotas fossem ensinadas
como se amar ferozmente
em vez de como competir
umas com as outras
e odiar seus próprios corpos,
que diferente
e bonito mundo
nós viveríamos.





Rafaela Valverde

Nossa dança sensual

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O quarto fica mais quente com a gente dentro. Nus. Dançando movimentos sensuais. Nenhum momento com você é igual, nenhuma de nossas transas é igual, por mais que façamos as mesmas posições, por mais que pareça aquele sexo burocrático típico de casais apaixonados, nunca são as mesmas sensações. É sempre diferente, delicioso. E quando você falou: "deixa eu te chupar um pouquinho", foi tão tesudo de ouvir. Parecia desesperado por fazê-lo. Esse cabelo roçando na minha barriga enquanto está lá embaixo é a carícia mais encantadoramente sensual que pode acontecer...

Adoro quando você tira minha calcinha dessa forma única que me deixa ainda mais te querendo. Beija e lambe partes do meu corpo que eu nem sabia  que eram beijáveis. Eu quando estou embaixo de você me sinto no céu, sufocada por uma sensação que não sei de onde vem. Ou em cima, ou do lado... Todos esses momentos e posições ritmados são incríveis, porque é com você.

Eu não consigo nem descrever como fica meu corpo quando você me toca e daí já partimos para a ação e não consigo pensar em mais nada. A partir daí entramos em um transe inefável e inimaginável. Eu meio que saio de mim e só lembro de como me sinto no final, ofegante e quase infartando depois de gozar.

Alguns desses seus detalhes que te fazem único me deixam enlouquecida de tesão e você sabe do que eu estou falando. Adoro sentar em você e observar essa sua cara safada de cima, é uma visão panorâmica melhor que da Baía de Todos os Santos. Gosto de olhar seu rosto enquanto goza e puxo seu cabelo para cima. Não é por mal, é só porque é muito lindo de ver.

Quero que me coma em todos os cômodos desse apartamento que ainda me parece incauto demais. Você sabe disso, porque eu já te disse, mas não sei qual foi sua reação, aff esses aplicativos de mensagem que não deixam a gente ver a reação do outro, mas vou falar de novo só pra ver sua reação e carinha falsa de timidez. Você vai dar uma risadinha sem graça e nem vou acreditar nisso... E essa gargalhada? E essa voz deliciosa cantando em meu ouvido... É melhor eu parar por aqui mesmo porque estou na sala e tem gente aqui...



Rafaela Valverde  

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

Queria experimentar no seu corpo todos os lugares do mundo juntos - Cristiane Neder


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Queria experimentar
todas as alturas do mundo
ao seu lado,
e perder o medo
de andar pelo céu
e conversar com os anjos.
Queria voar
e cair
sem paráquedas
para te abraçar
bem apertado,
e sentir o vento denso
das cordilheiras do Himalaia
e o silêncio e o calor
do Deserto do Saara,
pois no seu corpo
há todos os lugares belos
do mundo juntos
tatuados,
há todas as maravilhas
imaginadas e sonhadas
do planeta terra
na sua mais exata perfeição,
pois por onde você passa
sua pele recebe a energia
de cada lugar especial,
e registra na tua pele
um pouco de cada cultura




Rafaela Valverde

Mulher ao espelho - Cecília Meireles


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Hoje que seja esta ou aquela,
pouco me importa.
Quero apenas parecer bela,
pois, seja qual for, estou morta.

Já fui loura, já fui morena,
já fui Margarida e Beatriz.
Já fui Maria e Madalena.
Só não pude ser como quis.

Que mal faz, esta cor fingida
do meu cabelo, e do meu rosto,
se tudo é tinta: o mundo, a vida,
o contentamento, o desgosto?

Por fora, serei como queira
a moda, que me vai matando.
Que me levem pele e caveira
ao nada, não me importa quando.

Mas quem viu, tão dilacerados,
olhos, braços e sonhos seus
e morreu pelos seus pecados,
falará com Deus.

Falará, coberta de luzes,
do alto penteado ao rubro artelho.
Porque uns expiram sobre cruzes,
outros, buscando-se no espelho.





Rafaela Valverde

Foda-pra-caralho!

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Nesses raros momentos românticos da minha vida em que fiquei por alguns momentos, poucos, em companhia de alguém que esteja amando, ouvindo alguma playlist fofa e romântica eu me senti bem. Essas coisas me deixam tão satisfeita que é como se eu tivesse nascido especialmente para isso, para viver dessa forma, em eterno clima de romance, me desculpem a redundância, eternamente. Mas, me diga quem é que não quis em algum momento da vida algum momento desse a la conto de fada daquele bem da carochinha que a gente acha que pode acabar a qualquer momento? Quem diz que não, é um puta mentiroso. Um mentiroso do caralho. E vou aqui mesmo falar meus palavrões mesmo. Se não quiser ler não leia. Tchau. Não é essa a palavra? Ciau, bye... Sim, esse é mais um dos meus textos malucos para comprovar que não existe ninguém normal no mundo e nem mesmo existe quem  não queira viver um mísero momento como esse. De romancinho-água-com-açúcar. Pois bem, é assim que me encontro nesta noite que um dia pode vir a ser famigerada e ordinária. Espero que não seja, mas não sou daquelas pessoas que costuma conseguir o que quer ou o que espera. Geralmente tudo escorre da minha mão mesmo, como uma água muito mole e escrota... Nesses raros momentos de paz e calmaria da minha vida eu não sei o que pensar, porque por mais que agradeça nunca me sinto suficientemente grata e nem acho que mereço tanta coisa boa que acontece quase sempre agora. Fico achando que a qualquer momento o jogo vai virar de novo em breve  vou  cair naquele rio solitário de amargura e depressão. Quando a gente passa anos sofrendo fica difícil acreditar que o sofrimento acabou e que agora tudo é bom, calmo e reciproco. Tem coisa mais inacreditável que a reciprocidade? Principalmente pra mim que quase nunca tive nada recíproco na minha vida. Tudo que eu vivi por um período era mentira. Mas será que agora é mesmo verdade? Aí fico confabulando todas essas coisas e pensando em tudo isso, no que é verdadeiro ou não. No que é recíproco ou não. No que é, mas de repente pode deixar de ser... Fica um pouco difícil viver assim às vezes. Se me deixar levar por esses pensamentos eu não vivo. E mesmo quando recebo um telefonema avisando que teríamos uma boa comemoração com direito a molho de tomate caseiro e tudo, eu ainda, mesmo que sorrindo, me parei pensando se mereço tudo isso mesmo e se tudo isso é verdade mesmo. Sei lá, bate uma dúvida. As pessoas dizem que a gente é nada, que a gente não merece nada e a gente acredita. A gente passa dias, meses, anos acreditando que é um lixo porque isso foi dito, mesmo que nas entrelinhas, várias vezes, por várias pessoas que a gente começa a acreditar piamente. Depois de muito tempo acreditando nessas coisas, depois de muito sofrer achando que não merece nada da vida, a gente até liga o Foda-se, porém ainda ocorrem algumas recaídas de vez em quando. E nesses raros momentos românticos e recíprocos da minha vida eu me ponho de joelhos e agradeço aos céus, aos deuses, aos orixás a todo mundo, porque isso é foda-pra-caralho. Bem, é isso... Se for um sonho não me deixem acordar.





Rafaela Valverde

sábado, 3 de fevereiro de 2018

Mais um poema

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Tenho andado distraída, cansada, irritadiça
Na aula de sintaxe escrevo poema
Não me concentro mais em nada que não seja meu sono
Não me concentro em mais nada que não seja você
Ou a gente
Nós dois
Lutando contra o cansaço
Matando toda a selva africana por dia
Tenho andado me arrastando
Coordenando e subordinando orações
Conjunções, pronomes relativos
Relações
Sei-lá-mais-o-quê!
Que aula é essa?
Não suporto mais a voz dessa professora cansada
Só lembro da SUA  voz viva em meu ouvido
Afinada, mas que voz!
Em clima de carnaval, você canta
Me derreto todinha
Aff, mas que clichê dizer isso
Formas nominais do verbo
Formas reais de te ver, de te ter
Todos os tempos que durarem esses dias
Todos os minutos que durarem essa aula nojenta
Que só me traz poemas
Haja café para me drogar
Deixar acordada
Amortecer
Não preciso de nada disso quando estou com você
Você me deixa alerta
Sem sono
Ou sem querer perder tempo dormindo
A hora não passa aqui nessa tortura disfarçada de aula
Eu só quero fazer poesia
E amar você
Complementos sei-lá-das-quantas
Mas você não precisa de complemento
Só esses verbos e substantivos idiotas
Analisando funções sintáticas
Assim estou
E a sua função em minha vida?
Mudar tudo! Para melhor
Trouxe positividade e reciprocidade
Novas formas de pensar
Coisas inteligentes para conversar
Ilumina e ao mesmo tempo tempo tapa minha visão para todo o resto
Me faz querer escrever poema na disciplina mais difícil do meu curso
Vale a pena!
E haja poema
Para conseguir expressar todo esse arrebatamento
É incendiário
Fogo que insiste em se manter
E olhe que achei, erradamente, que tinha encontrado meu sol
Oh se eu tivesse sabido antes
Que me sol chegaria e não mais se esconderia por trás de nuvens, se mostraria para mim
Hoje eu sei porque não consigo suportar essa aula
Nem a semana de chuva
Quero o final de semana
É o sol em meio ao temporal
Porque é quando vou te ver, meu sol
Só (L) meu em meio a tantas (e passadas) trevas
Quero sair correndo dessa sala de aula, sem sol, sem luz, sem calor
Só orações
E nem são aquelas que fazemos aos nossos deuses
São umas orações impostas pelas gramáticas da nossa língua
Regras separam nosso dia a dia
Mas não nosso pensamento
Eu acho
O meu não
Espero que saiba disso, assim como eu sei todas essas "coisas" da língua portuguesa...



Rafaela Valverde

sábado, 20 de janeiro de 2018

Se eu te faço bem...

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Se eu te faço bem você me faz o quê?
Cobre minha vida de sorrisos e bem-me-queres
Perco a mão dos meus afazeres
Te vejo sem idealizar
Algo que era raro para mim
Tudo foi tão rápido
Tenho medo de chorar
Sentimento tão macio
Mora no meu peito assim
O que sinto exatamente
Ainda mal sei o que
Mas é por você
Me desconcerta
Paixão que não esperava
Mas quem espera?
Me deixa alerta!
Só consigo pensar naquela foto
Você com cara de deleite
Para ela me transporto
Aquele momento
Para que você me aceite
Se eu te faço bem o que é que acontece comigo quando olho aquela foto?
Me sinto sortuda!






Rafaela Valverde

sábado, 13 de janeiro de 2018

Regina

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Quando fecho os olhos vejo um casarão
Um monstruoso, como um castelo
Típico da realeza
Mas, ora, não é o que sou?
E essa rainha, regina?
O casarão é dos suntuosos
Que tem uns dezoito quartos
Um luxo pra mim
E ainda assim é como meu coração...
Já me mudei tantas vezes
Minha casa tem outras em cima
Não tenho riquezas, ao contrário
Sou digna de recursos
Por isso o trabalho constante
De ser rainha
E minha própria dona
Ainda assim continuo precisando de investimentos
Invista
Serei sua rainha
A regina!





Rafaela Valverde

quinta-feira, 4 de janeiro de 2018

Fragmentos soltos de saudade

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Meu olhar fotografa o vento brincando com seu cabelo.
Essa brisa leve de início de trade faz a vida valer a pena.
Ouço, apesar disso, as pessoas reclamando. As pessoas reclamam de tudo.
Eu só reclamo por você não estar aqui.
Sinto sua falta, imensamente, muito mais que aquela fome da madrugada...
Não sei o que você fez comigo mas eu só ando atarantada.
Não sei se você sabe que eu te quero
Mas, do jeito que tu anda, eu só posso mesmo te querer...
Encerro-me em congratulações por você gostar de mim.
Senti um leve comichão na nuca. Era você chegando...
Sinto que pode vir um tsunami. Eu não me importo. Seus braços grandes vão me proteger.
Não consigo escrever mais nada. Só é possível sentir.
Sinto saudades todos os dias.
Sinto que os dias estão passando mais devagar. Não há horário de verão que resolva...





Rafaela Valverde

Em 2018 dez anos do blog

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O ano está começando. Mais um ano. O ano em que o blog completa dez anos. Eu estou muito feliz por isso e por muitos outros motivos também. Eu nem acredito que já tenho todos esses anos escrevendo aqui. Agora, se eu for parar para analisar meus  textos de dez, nove anos atrás verei alguns desastres. 

Mas sei que é para isso que estamos aqui. Para melhorar, para evoluir. Para escrever é preciso ler e praticar. Não existe fórmula mágica, não é um dom sobrenatural. Qualquer pessoa pode escrever, basta praticar. Muita coisa mudou em minha vida ao longo desses anos. Estou mais velha, mais gorda, mais bonita, mais segura. Casei e descasei, já fiz milhares de coisas que queria, já realizei sonhos , viajei, li milhares de textos e livros ao longo desses anos...

Já estou no meu quarto curso superior, sem terminar nenhum, como vocês sabem. Já passei pela transição e hoje tenho cachos lindos que eu amo. Enfim, muitas, mas muitas mudanças mesmo. Já saí para morar em outro bairro e já voltei para o mesmo endereço de onde escrevi pela primeira vez no blog, em agosto de 2008. Eu tinha 19 anos, terminara o ensino médio no ano anterior e estava meio sem perspectiva do que fazer da vida, procurando trabalho e em um relacionamento com altos e baixos. Me sentia muito triste quando comecei a escrever, por motivos diversos, mas principalmente pelo fato de ficar em casa sem fazer nada. Essa foi uma das motivações da criação do blog, internet também era algo bastante novo em minha casa, eu só tinha computador e banda larga há mais ou menos um ano. O MSN ainda existia e não havia smartphone. Em um tempo relativamente curto, vivíamos em praticamente outro mundo. 

Enfim, assim seguiremos, mas esse ano. Tentarei escrever mais textos literários, poemas e contos. E também sinto falta de artigos de opinião e textos um pouco mais jornalísticos. Na medida do possível tentarei cobrir mais essas áreas, mas não garanto muito, já que tenho a faculdade e agora um emprego para  cuidar... Mas é isso, vamos que vamos 2018!




Rafaela Valverde

quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

Atrações químicas

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Apática e melancólica
Eu era
Mas surgiu essa Química
Como uma Quimera
Para me desarmar
Como uma reza católica
Virou constante por aqui
Coberta por uma túnica
Me protegi
Por poucos cinco minutos
Nessas substâncias caí
Mergulhei a fundo
Muitos atributos
Além do estudo da matéria
Quero conhecer tudo
Quem dera!
Começo o estudo
De suas faces e manias
Acho que a paixão já me dominou
Com sua soberania
Me iluminou
Trouxe as propriedades
De uma matéria única
Exclusiva e excepcional
Sem piedade
Me tirou da dor e da apatia
Me tornou mais passional
Cada molécula
Cada átomo meu
Se movimenta
Em uma nova e cíclica alegria.





Rafaela Valverde

domingo, 31 de dezembro de 2017

Guardar- Antônio Cícero

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Guardar uma coisa não é escondê-la ou trancá-la.
Em cofre não se guarda coisa alguma.
Em cofre perde-se a coisa à vista.

Guardar uma coisa é olhá-la, fitá-la, mirá-la por
admirá-la, isto é, iluminá-la ou ser por ela iluminado.

Guardar uma coisa é vigiá-la, isto é, fazer vigília por
ela, isto é, velar por ela, isto é, estar acordado por ela,
isto é, estar por ela ou ser por ela.

Por isso melhor se guarda o vôo de um pássaro
Do que um pássaro sem vôos.

Por isso se escreve, por isso se diz, por isso se publica,
por isso se declara e declama um poema:
Para guardá-lo:
Para que ele, por sua vez, guarde o que guarda:
Guarde o que quer que guarda um poema:
Por isso o lance do poema:
Por guardar-se o que se quer guardar.




Rafaela Valverde

Soneto futebolístico - Glauco Mattoso

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Machismo é futebol e amor aos pés.
São machos adorando pés de macho,
e nesse mundo mágico me acho
em meio aos fãs de algum camisa dez.

Invejo os massagistas dos Pelés
nos lúdicos momentos de relaxo,
servindo-lhes de chanca e de capacho,
levando a língua ali, do chão no rés.

É lógico que um cego como eu
não pode convocar o titular
dum time brasileiro ou europeu.

Contento-me em chupar o polegar
do pé de quem ainda não venceu
sequer a mais local preliminar.




Rafaela Valverde

terça-feira, 26 de dezembro de 2017

A bunda, que engraçada - Carlos Drummond de Andrade

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A bunda, que engraçada.
Está sempre sorrindo, nunca é trágica.

Não lhe importa o que vai
pela frente do corpo. A bunda basta-se.
Existe algo mais? Talvez os seios.
Ora — murmura a bunda — esses garotos
ainda lhes falta muito que estudar.

A bunda são duas luas gêmeas
em rotundo meneio. Anda por si
na cadência mimosa, no milagre
de ser duas em uma, plenamente.

A bunda se diverte
por conta própria. E ama.
Na cama agita-se. Montanhas
avolumam-se, descem. Ondas batendo
numa praia infinita.

Lá vai sorrindo a bunda. Vai feliz
na carícia de ser e balançar
Esferas harmoniosas sobre o caos.

A bunda é a bunda
redunda.



Rafaela Valverde

terça-feira, 19 de dezembro de 2017

Memórias de Luxúria

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Ando tão necessitada que tô lembrando de casos sexuais antigos. Lembrei agora de sua forma de praticar cunilíngua. Lasciva. Quis usar esse termo, cunilíngua, para deixar mais elegante esse momento sexual tão sublime e superestimado por mim. Sim, eu gosto de uma boa língua passando - bem direitinho - no meu grelo. E olhe, não vou ficar falado através de eufemismos. E para completar este relato, devo dizer que adoro fazer oral. Felação. No popular cunilíngua é chupar boceta e felação é boquete. Quem não gosta? O problema é que algumas pessoas não gostam. Na verdade não gostam de fazer, mas recebem de bom grado. Mas, voltando a você e a lembrança de quando você me lambeu tão vorazmente. Que tesão. Que delícia, que lindo! Esperamos muito tempo até nos encontrarmos sexualmente. Anos, talvez. Não sei. Não sei quase nada. Não vou deixar claro o que é real e o que não é. Este é um texto ficcional. Mas talvez não seja. Talvez seja autoficcional. Talvez seja todo real. Não vou dizer. Fica por sua conta e das demais pessoas que estão lendo. Vou me ater apenas a escrever dominada pelo torpor sexual que me toma nesse exato momento. Sim, mas nós esperamos muitos anos e penso que por isso mesmo tenha sido tudo tão quente, desesperado e gostoso. Ainda sinto as sensações daquele dia. Elas vem lá de baixo e me deixam com vontade de sentar a qualquer momento do dia e em qualquer lugar. Repito: foi uma delícia! Sua língua passeava por minha boceta para cima e para baixo como se subisse e descesse uma ladeira. E vai ver até é uma ladeira. A ladeira do meu prazer.  Consigo lembrar que fiquei super molhada desde o momento em que saímos do carro e você foi andando atrás de mim no corredor. Imaginei você me olhando e rebolei mais ainda enquanto andava. Quase senti minha excitação escorrer pela calcinha quando abri a porta e sentei na cama. Tirei a sandália e deitei esperando por você que atravessou o quarto, tirando o sapato e a camisa. Deitou. Ficamos ali deitados um ao lado do outro pelos dez segundos mais longos da minha vida antes de começarmos a nos pegar. Fiquei por cima, tirei a calcinha, mas continuei de vestido. Abri o zíper da sua calça e puxei seu pau com volúpia. Queria sentir seu calor e queria que você sentisse o quanto eu estava quente e ao mesmo tempo molhada. Lembro de tudo isso me contorcendo de prazer. Tá um frio lá fora e eu tô só de calcinha lembrando desse dia. Quando você estava dentro de mim e gritava: "quanto tempo esperei por isso...", eu sentia toda a fúria daquele tesão e o gozo vinha facilmente.  O som do meu gozo eram a sua voz e meus gemidos de satisfação. Apertava seu corpo contra o meu e não queria que aquele momento de êxtase terminasse nunca. Minutos depois estávamos deitados de conchinha, mais porque foi a posição que deu para deitar. Ofegantes. Você olhava pra mim com uma cara boba e eu olhava para o teto tentando me recuperar desse estupor. Começou a lamber minhas costas. Era o sinal. Virei e beijei sua boca, seus dedos já estavam dentro de mim, massageando delicadamente, depois forte, depois devagar de novo. O tesão estava em cada poro do meu corpo e em névoas naquele quarto. Me deitou de bruços me penetrando com a mesma intensidade que precisava para eu delirar e gozar. Eu tô é muito desesperada, eu preciso transar, senão não estaria lembrando desse dia, afinal, você foi só mais um... A segunda melhor transa da minha vida, mas, só mais um... Sem termos técnicos, sem firulas, sem nada dessas frescuras. Eu quero é foder!




Rafaela Valverde

Série Stranger Things


Hoje quero falar sobre Stranger Things, a série que carinhosamente intitulei: "a série cheia de crianças" ou "a série dos meninos melequentos." Tive realmente um pequeno preconceito no início, mais porque tinha gente demais falando e  como sabia que era de terror só podia ser alguma aberração que nem as séries dos zumbis e a do trono, que é outra aberração. Vocês devem saber quais são.

Não é uma aberração propriamente dita, mas é uma séria bizarra, no sentido mais literal da palavra - algo assustador, incomum, diferente, espalhafatoso - mas não necessariamente ruim. Pois bem, é uma série de ficção científica e terror. Foi Lançada no ano passado e pode ser encontrada na Netflix. A trama se passa nos anos oitenta e está toda caracterizada como uma produção do período mesmo. É bem marcada a questão do tempo e as músicas, figurinos e cabelos não deixam mentir.

Primeiramente foi esse clima de anos oitenta que me seduziu e depois a personagem de Millie Bobby Brown, Eleven. Os meninos também são super engraçados, bons atores e funcionam muito bem juntos. Meus preferidos, fora Eleven são Dustin (Gaten Matarazzo) e Lucas (Caleb McLaughlin). Para mim eles são as estrelas da série. A série foi criada por  Matt Duffer e Ross Duffer. E vale destacar ainda o retorno de Winona Ryder ao auge, de onde ela não deveria ter saído, na minha singela opinião. 

A série começa tratando do desaparecimento de um dos meninos da pequena cidade de Hawkins, cidade onde nada acontece. Até aquele momento. Will (Noah Schnapp) desaparece e a partir desse fato, muitas coisas estranhas e inimagináveis vão acontecendo. Toda a cidade é mobilizada para procurá-lo e aí começam as aventuras desse divertida série. Eu ri, eu fiquei nervosa com o suspense, eu me indignei, fiquei surpresa e curiosa... Enfim... Que bom que posso mudar de ideia, porque hoje não vejo mais como "a série dos meninos melequentos." Gostei. Deixei de achar que é só modinha, apesar de ser. Hahahaha



Rafaela Valverde




domingo, 17 de dezembro de 2017

Cansada e com medo

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Cansada e com medo
Guardo um segredo
Corpo fechado
Nó atado
Mente também
Pra os que não são do bem
Me fizeram sucumbir
Meu "não-amor-próprio" quase me fez desistir

Cansada e com medo
Corpo fechado
Ferido com um machado
Não o de Assis
Deixou cicatriz
Gosto azedo
De amarga rejeição
Que decepção!

Cansada e com medo
Mente também
Mente como todos eles
Aprendeu a ser reles
Mas com um porém
Quem aprende não tem males
Como quem nasceu assim
É apenas um arremedo

Cansada e com medo
Me fizeram sucumbir
Pensei em partir
Cortar os pulsos, nem sei...
Na hora paralisei
Mas, peraê!
Não vou me desesperar por isso
Não vou dar gosto a quem foi omisso

Cansada e com medo
Guardo um segredo
Fui tratada como brinquedo
Daqueles que a criança enjoa
E larga à toa
Mas sou boa
Não mereço, sei lá?
A pergunta que não vai calar!

Cansada e com medo
Nó atado
Por que será que a gente sempre acha que merece?
E se tivesse se matado?
A dor transparece
Mas ainda tem força
Desamarra logo!
E sai cedo

Cansada e com medo
Pra os que não são do bem
Saibam que vocês estão aquém
Saiu sem demora daquele atoledo
Vocês são uma corja
Que amor finge e forja
Para enganar
Quem tem pouco amor por si

Cansada e com medo
Meu "não-amor-próprio" quase me fez desistir
Mas consegui a poeira sacudir
Espanei vocês para fora da minha vida
Esse foi o ponto de partida
Me apaixonei por mim mesma
Por vocês só sinto indiferença, nem me apiedo
Afinal, não olho para pantesmas!




Rafaela Valverde

sábado, 16 de dezembro de 2017

Banho quente

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Estávamos no banho. Eu a-observava. Oh Deus, como pode haver coisa tão linda? Se há no mundo algo mais repleto de perfeição que o corpo feminino deve estar bem escondido, não sei onde... Nesse momento ela esfregava delicadamente os pés, passou  um hidratante de banho neles e esfregou com a bucha delicadamente. Ah então é daí que sai esse cheiro de frutas vermelhas...

Recostei no box e até esqueci do meu próprio banho. Pra quê tomar banho em um momento como esse? Sua distração durou pouco. Me olhou rindo e eu ri de volta. Ora o que eu poderia fazer? A vergonha do flagrante tomou conta de mim e me virei para pegar meu xampu. Ela me abraçou por traz, beijando meu pescoço. Ai foi que me derreti... 

Seus seios médios e perfeitos contra minhas costas era a coisa mais excitante do século. Beijei- a, descendo em seguida para abocanhá-los. Ela gemia em meu ouvido enquanto lambia seus mamilos. Sem controle eu ia de um a outro com desespero. Ela puxou meu rosto e me beijou de volta. Derrubamos os xampus, sabonetes e todos os produtos que estavam pendurados. E ali mesmo começou a nossa manhã.

Seu gosto é delicioso. Claro que a gente acha tudo maravilhoso quando está apaixonado, mas era o melhor gosto, era o sexo mais delicioso que eu já experimentara. O chuveiro continuava aberto, a água quente  e o vapor embaçavam o vidro e deixava tudo ainda mais quente. A intensidade daquele momento não sairia mais da minha cabeça. No entanto, o gozo foi calmo e tranquilo. Pleno. Típico dos casais apaixonados, que fazem sexo para consagrar a paixão e não apenas por um pequeno/longo prazer momentâneo. Aquilo era lindo. Em suas minúcias mais doces e ardentes... Nesse dia nos amamos as vinte e quatro horas... Em outros cômodos da casa e na varanda...



Rafaela Valverde 


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