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sábado, 14 de julho de 2018

Luzes artificiais

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A luz no fim do túnel nunca acaba
É  gente que não está onde ela está
O dia sempre está lá quando acaba o túnel
A não ser que seja noite
Se for, terá luzes artificiais
Mas de dia a luz branca do fim do túnel estará lá
Por mais que não possamos ver
Estar presa em um carro passando em túneis escuros
ou artificialmente iluminados dá angústia
Esperamos sempre a luz
E quando ela não vem?
Ah, sim, ela vem!
E se for noite e não tiver luz, tem o sereno
Aquele ventinho na cara
Torna tudo mais ameno
Por mais que eu saiba que logo depois pode vir outro túnel
Sem luz
Ou muito longo
E a luz pode demorar a chegar
Mas ela está lá
Mesmo que seja noite
O dia chegará
E a luz no fim do túnel
Voltará!



Rafaela Valverde

Marcas

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Cada vez que escrevemos nossa letra é diferente
Assim como a cada ano que vem e vai a gente fica diferente
Porradas da vida vão moldando a gente assim como a depender da caneta,
a letra pode ser bonita ou feia, com tinta forte ou fraca.
No entanto, mesmo de formas diferentes é a gente quem escreve
Assim são as porradas e as mudanças
Muitas vezes somos responsáveis por elas
Porque escolhemos de mais
Ou de menos
Somos teimosos, birrentos, chatos, implicantes...
Então acabamos sendo marcados
Assim como a escrita com força marca o papel
Não tem como voltar atrás
A mão dói
Daí a gente escreve com menos força
Como dói, a gente para de querer o que hipoteticamente nos causará dor
Mas o que é mesmo que dói?
Dá para evitar?
Ou a gente só se ilude?
Dá para desescrever?
Dá para desmarcar o papel?
E a vida?
Cada vez que escrevemos nossa letra é diferente
Cada vez que a vida nos marca é diferente
Só resta aceitar.






Rafaela Valverde

Filme Tungstênio

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Essa semana assisti o filme Tungstênio. Foi lançado no dia 21 de junho, está em cartaz no Espaço Itau de Cinema e é um filme gravado aqui mesmo em Salvador, na praia da Boa Viagem, no Forte de Nossa Senhora de Monte Serrat, Ponta de Humaitá, Ribeira, Massaranduba e Gamboa de Baixo. Nem preciso falar sobre a fotografia, tendo em vista essas belezuras de paisagem. O filme é baseado na obra homônima de HQ de Marcelo Quintanilha (2014). Dirigido por Heitor Dhalia, o filme cujo o nome faz referência ao metal mais pesado da tabela periódica, o que já dá a entender quantas tensões podem ser trabalhadas e são, traz o excelente Fabrício Boliveira, a maravilhosa Samira Carvalho, José Dumont, Wesley Guimarães entre outros. Existe ainda a narração onisciente do excelente ator Milhem Cortaz, o que é um dos recursos mais importantes e diferenciais do filme. Pois não é uma narração comum, na minha opinião. O uso ilegal de explosivos para pesca é o estopim para a tensa trama bem atuada e bem dirigida. Seu Nei, vivido por José Dumont  é um sargento aposentado ainda um tanto obcecado pelo poder e é ele quem vê os pescadores. Fica muito nervoso e exige que se repeite a lei e afirma o tempo todo que "no tempo dele as coisas não eram assim." Os diálogos são bem marcados acerca de determinado tema e as cenas de brigas, violência e amor se intercalam. Com câmeras localizadas em locais diferenciados, o diretor tenta mostrar os mesmos ângulos da HQ. Ele afirmou que foi o mais fiel possível à premiada HQ (Festival Internacional de Quadrinhos de Angoulême na França, na categoria Thriller). Marçal Aquino e Fernando Bonassi são os roteiristas e o produtor associado foi Guel Arraes. O filme gravado em 2016 é muito bom e vale a pena assistir. Ainda está em cartaz, mas não sei até quando. Então corram!



Rafaela Valverde

quarta-feira, 11 de julho de 2018

Da calma e do silêncio - Conceição Evaristo

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Quando eu morder
a palavra,
por favor,
não me apressem,
quero mascar,
rasgar entre os dentes,
a pele, os ossos, o tutano
do verbo,
para assim versejar
o âmago das coisas


Quando meu olhar
se perder no nada,
por favor,
não me despertem,
quero reter,
no adentro da íris,
a menor sombra,
do ínfimo movimento.


Quando meus pés
abrandarem na marcha,
por favor,
não me forcem.
Caminhar para quê?
deixem-me quedar,
deixem-me quieta,
na aparente inércia.
Nem todo viandante
anda estradas,
há mundos submersos,
que só o silêncio
da poesia penetra.



Rafaela Valverde

domingo, 8 de julho de 2018

O musical Mamonas

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Eu mesma dentro da "Brasília"



"A banda Mamonas Assassinas entrou para a história como o maior fenômeno da indústria fonográfica brasileira, tendo vendido mais de três milhões de cópias no primeiro e único disco." (Fonte: G1)


Ontem fui ver o musical "Mamonas" gratuitamente no parque da cidade. O espetáculo estreou em 2016 e já passou por mais de trinta cidades. Aqui em Salvador foi apresentado pela primeira vez ao ar livre. O formato do evento foi bastante agradável, com espaço de food trucks, [duas mil] cadeiras (sim, assistimos sentados, oh glória!), cabine para fotos e uma Brasília Amarela em papelão (sei lá se é papelão mesmo, rsrs) que eu obviamente usei para exibir minha figura. Achei a estrutura muito boa, principalmente por ser de graça. Nunca imaginei que fosse ver algo tão bem feito e bem produzido gratuitamente. O evento foi patrocinado pelo BB Seguros, demorou pra fazer algo que preste, hein Banco do Brasil? 

O espetáculo é dirigido por José Possi Neto e o texto escrito Walter Daguerre, com direção de musical de Miguel Briamonte e coreografia de Vanessa Guillen. A classificação é livre e o musical traz a historia dos cinco rapazes que fizeram história e morreram em um desastre aéreo no ano de 1996. Dinho, Bento, Samuel, Júlio e Sérgio formaram inicialmente "a banda de rock progressivo" Utopia e tentaram por anos fazer sucesso sem conseguir, mas em 1995 após conhecerem o produtor musical Rick Bonadio e mudarem o nome e estilo da banda. Um ano estrondoso de sucesso. Com letras bem humoradas, de cunho sexual e marcadas pela irreverência.


O espetáculo é muito bom, com piadas divertidas e boas brincadeiras metalinguísticas, temporais e locais, já que a peça brinca o tempo todo com o fato de ser peça e musical, faz boas amarrações entre os anos noventa e aos tempos atuais; ainda teve boa adaptação local do texto já que traz elementos como acarajé e Baixa dos Sapateiros. Amei! Divertida, emocionante, artística. Bons cantores e dançarinos. 

Quando os Mamonas Assassinas morreram daquela forma horrível eu tinha sete anos e lembro do dia. Estávamos brincando em um domingo cinza de março quando deu a notícia na televisão. Na minha cabeça era mentira, já que pra mim não morriam pessoas jovens e no auge do sucesso. Aquele acidente abalou o Brasil e tomou o que mais de politicamente incorreto tivemos. Olha, Mamonas, fiquem em paz porque vocês não só não teriam sucesso como seriam bastante criticados nessa patrulha politicamente correta de hoje em que crianças não podem ouvir as palavras comer, corno e saco, mas jogam vídeo games super violentos e são expostas a todo tipo de conteúdo erótico possível. Saudades! É o que emana do peito. Foi lindo. Foi mágico, voltei à minha infância.



Rafaela Valverde

terça-feira, 3 de julho de 2018

A chuva e a troça

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Um pingo de chuva bate com força na poça do asfalto
Parece minha insistência em tentar coisas para as quais não tenho tato
Tipo isso de me apaixonar
Já vi que não dá
A chuva diminuiu
Mas não o impacto sobre a poça
A água flui
E a vida me troça
Em algum momento vai parar
A chuva ou a enganação?
A chuva!
A enganação não acaba, não
A chuva vai, e vem o sol...
Mas a poça fica lá
E vira buraco quando seca
Atrapalhando o trânsito
Igualzinho o que fica depois que a paixão passa
Um atrapalho mudo do trânsito da minha tranquilidade
Sento e aguardo: a chuva vai voltar!
A enganação também
O buraco vai aumentar
Junto com minha falta de tato
Para gotas grossas que vão bater forte aqui dentro.



Rafaela Valverde

O estar só

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Quantas vezes será que vou precisar repetir que me sinto sozinha?
E de que vai adiantar?
Quem é que vai me ouvir além Daquele que mora lá em cima?
Não há nada que remedie esse estar só
Solitude, afinal, só é bom quando se escolhe
Quando compulsoriamente vive-se
Sente-se a revolta e angústia
Dos dias que poderiam ser mais divertidos
Sobram apenas TV, cobertor, brigadeiro e pipoca
Sozinhos!
É bom que posso aproveitar minha gula sem atrapalhações
Mas tem horas que até eu preciso de companhia para comer
Pergunto-me o porquê
Tento entender
Em oração questiono
Porque afasto todo mundo
Esse pequeno escrito é mais um pequeno e inútil manifesto contra a poeira que o estar só levanta
Contra quem hei de me levantar/;
Quem preciso culpar?
A mim mesma, será?
O fato é que já não aprendi a viver sozinha
Estou sozinha quase o tempo todo há quatro anos
E quando todos se vão no fim de semana
Tranco - me aqui nessa caixa escura
Sem ver caras muito menos corações
Já sei como viver sozinha
E gosto até
Mas há de haver um limite
Ou não há?
Só!
Estar só não é bom nem para quem quer
Quem não quer vive a penar
Sinceramente, não quero mais estar só
Nem oito, nem oitenta
Não quero companhia o tempo todo
Nem tampouco um estar só tão constante quanto o tempo
Entendeu, vida?
Céu?
Deus?
Entenderam?
Estar só tem limite
Quantas vezes será que vou precisar repetir?
E de que vai adiantar?




Rafaela Valverde

segunda-feira, 2 de julho de 2018

O fim

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Andava taciturnamente pela rua escura em que ele morava. Já estava chegando perto. Pensava no que diria como justificativa. A verdade. Para ele seria repentino, mas ela já pensava nisso há meses. Não queria mais um relacionamento, não com ele. Três anos. Desgaste. Não havia mais paixão, pelo menos da sua parte. Claro que às vezes tinha dúvidas sobre seus sentimentos. E quem não tem? Quem tem certeza absoluta sobre paixão? Por causa dessas dúvidas, que antes não existiam, achara melhor terminar o namoro.

Chegou à porta. Bateu hesitante no portão. Logo ele apareceu e abriu, olhando a fixamente. Sorria. O que era estranho, já que há meses não havia mais sorrisos ali. Estava de bom humor, mas não a beijou. Já sorrimos muito ao longo dos anos. Como nos divertíamos no início! Será que não poderíamos ser felizes de novo? Nunca mais? Será que realmente a paixão estava morta?

Sentou no sofá e pegou o controle da TV, como sempre. Mudava os canais aleatoriamente quando ele lhe entregou uma taça de vinho, como sempre. Três coisas que só fazia quando estava na casa dele: ver TV, beber vinho e comer comida de verdade.

Sentou- se ao seu lado dizendo que a comida estava quase pronta. Conversam sobre como havia sido o dia de ambos. Papo vai, papo vem e até a saia curta da secretária do chefe entrou na pauta. De repente ele solta: “Quer casar comigo?” Um anel sai do bolso. Sem caixa, nem nada, só o anel. A cara dele. Ela arregalou os olhos, sem saber o que responder.

“Tem certeza?” Consegue balbuciar. Ele sorri, e se afasta para colocar a taça na mesa de centro. “Se eu não tivesse não estava perguntando...” O anel ainda estava na palma da sua mão, esticou a dela e pôs em seu dedo anelar da mão direita.

De repente todas as suas dúvidas de dissiparam. Talvez ainda fosse possível recuperar tudo aquilo que tinham construído ao longo desses anos. Tudo mudou. A decisão de terminar não existia mais. E nem as dúvidas. Amava-o. Agora sabia disso. Era o fim das incertezas. O fim da confusão.





Rafaela Valverde

sábado, 30 de junho de 2018

Manifesto de abertura: Literatura Marginal/ Terrorismo Literário (escrito por Ferréz)

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Fica aí a mensagem. Entendedores entenderão!


A capoeira não vem mais, agora reagimos com a palavra, porque pouca coisa mudou, principalmente para nós.
Não somos movimento, não somos os novos, não somos nada, nem pobres, porque pobre segundo os poetas da rua, é quem não tem as coisas.
Cala a boca, negro e pobre aqui não tem vez! Cala a boca!
Cala a boca uma porra, agora agente fala, agora agente canta, e na moral agora agente escreve.
Quem inventou o barato não separou entre literatura boa/feita com caneta de ouro e literatura ruim/escrita com carvão, a regra é só uma, mostrar as caras. Não somos o retrato, pelo contrário, mudamos o foco e tiramos nós mesmos a nossa foto.
A própria linguagem margeando e não os da margem, marginalizando e não us marginalizados, rocha na areia do capitalismo.
O sonho não é seguir o padrão, Não é ser o empregado que virou o patrão, não isso não, aqui ninguém quer humilhar, pagar migalhas nem pensar, nós sabemos a dor por recebe-las.
Somos o contra sua opinião, não viveremos ou morreremos se não tivermos o selo da aceitação, na verdade tudo vai continuar, muitos querendo ou não.
Um dia a chama capitalista fez mal a nossos avós, agora faz mal a nossos pais e no futuro vai fazer a nossos filhos, o ideal é mudar a fita, quebrar o ciclo da mentira dos “direitos iguais”, da farsa dos “todos são livres” agente sabe que não é assim, vivemos isso nas ruas, sob os olhares dos novos capitães do mato, policiais que são pagos para nos lembrar que somos classificados por três letras classes: C,D,E.
Literatura de rua com sentido sim, com um principio sim, e com um ideal sim, trazer melhoras para o povo que constrói esse pais mas não recebe sua parte.
O jogo é objetivo, compre, ostente, e tenha minutos de felicidade, seja igual ao melhor, use o que ele usa.
Mas nós não precisamos disso, isso traz morte, dor, cadeia, mães sem filhos, lágrimas demais no rio de sangue da periferia.
Somos mais, somos aquele que faz a cultura, falem que não somos marginais, nos tirem o pouco que sobrou, até o nome, já não escolhemos o sobrenome, deixamos para os donos da casa grande escolher por nós, deixamos eles marcarem nossas peles, porque teríamos espaço para um movimento literário? Sabe duma coisa, o mais louco é que não precisamos de sua legitimação, porque não batemos na porta para alguém abrir, nós arrombamos a porta e entramos.
Sua negação não é novidade, você não entendeu? Não é o quanto vendemos, é o que falamos, não é por onde nem como publicamos, é que sobrevivemos.
Estamos na rua loco, estamos na favela, no campo, no bar, nos viadutos, e somos marginais mas antes somos literatura, e isso vocês podem negar, podem fechar os olhos, virarem as costas, mas como já disse, continuaremos aqui, assim como o muro social invisível que divide esse pais.
O significado do que colocamos em suas mãos hoje, é nada mais do que a realização de um sonho que infelizmente não foi visto por centenas de escritores marginalizados desse país.
Ao contrário do bandeirante que avançou com as mãos sujas de sangue nosso território, e arrancou a fé verdadeira, doutrinando nossos antepassados índios, ao contrário dos senhores das casas grandes que escravizaram nossos irmãos africanos e tentaram dominar e apagar toda a cultura de um povo massacrado mas não derrotado.
Uma coisa é certa, queimaram nossos documentos, mentiram sobre nossa história, mataram nossos antepassados.
Outra coisa também é certa, mentirão no futuro, esconderão e queimarão tudo que prove que um dia a classe menos beneficiada com o dinheiro fez arte.
Jogando contra a massificação que domina e aliena cada vez mais os assim chamados por eles de “excluídos sociais” e para nos certificar que o povo da periferia/favela/gueto tenha sua colocação na história, e que não fique mais 500 anos jogado no limbo cultural de um país que tem nojo de sua própria cultura, a literatura marginal se faz presente para representar a cultura de um povo, composto de minorias, mas em seu todo uma maioria.
E temos muito a proteger e a mostrar, temos nosso próprio vocabulário que é muito precioso, principalmente num país colonizado até os dias de hoje, onde a maioria não tem representatividade cultural e social, na real negô o povo num tem nem o básico pra comer, e mesmo assim meu tio, agente faz por onde ter us barato para agüentar mais um dia.
Mas estamos na área, e já somos vários, estamos lutando pelo espaço para que no futuro, os autores do gueto sejam também lembrados e eternizados, mostramos a várias faces da caneta que se faz presente na favela, e pra representar o grito do verdadeiro povo brasileiro, nada mais que os autenticos, e como a pergunta do menino numa certa palestra.
- como é essa literatura marginal publicada em livros.
Ela é honrada, ela é autentica e nem por morarmos perto do lixo, fazemos parte dele, merecemos o melhor, pois já sofremos demais.
O mimiógrafo foi útil, mas a guerra é maior agora, os grandes meios de comunicação estão ai, com mais de 50% de anunciantes por edição, bancando a ilusão que você terá que ter em sua mente.
A maior satisfação está em agredir os inimigos novamente, e em trazer o sorriso na boca da Dona Maria quando ver o livro que o filho trouxe para casa.
Vindo com muita mais gente e com grande prazer de apresentar novos talentos da escrita periférica.
Prus aliados o banquete está servido, pode degustar, porque esse tipo de literatura viveu muito na rua e por fim está aqui no livro.
Depois do lançamento dos três atos que fizemos juntamente com a revista Caros Amigos, edições especiais chamadas Caros amigos/literatura marginal ao qual a Casa Amarela desde o principio acreditou e apoiou, a forma agora chega em livro.
Mas como sempre todos falam tudo e não dizem nada, vamos dar uma explicada: A revista é feita para e por pessoas que foram postas a margem da sociedade.
Ganhamos até prêmios, como o da A.P.C.A.(Academia Paulista de Críticos de Arte) melhor projeto especial do ano.
Muitas são as perguntas, e pouco o espaço para respostas, um exemplo para se guardar é o de Kafka, a crítica convencionou que aquela era uma literatura menor. Ou seja, literatura feita pela minoria dos judeus em Praga, numa língua maior o Alemão.
A Literatura Marginal sempre é bom frisar é uma literatura feita por minorias, sejam elas raciais ou sócio-econômicas. Literatura feita a margem dos núcleos centrais do saber e da grande cultura nacional, ou seja os de grande poder aquisitivo. Mas alguns dizem que sua principal característica é a linguagem, é o jeito que falamos, que contamos a história, bom isso fica para os estudiosos, o que agente faz é tentar explicar, mas agente fica na tentativa, pois aqui não reina nem o começo da verdade absoluta.
Hoje não somos uma literatura menor, nem nos deixemos taxar assim, somos uma literatura maior, feita por maiorias, numa linguagem maior, pois temos as raízes e as mantemos.
Não vou apresentar os convidados um a um porque eles falarão por sim mesmos, é ler e verificar, só sei que com muitos deles eu tenho lindas histórias, várias caminhadas tentando fazer uma única coisa, o povo ler.
Cansei de ouvir.
- mas o que cês tão fazendo é separar a literatura, a do gueto e a do centro.
E nunca cansarei de responder.
- o barato já tá separado a muito tempo, só que do lado de cá ninguém deu um gritão, ninguém chegou com a nossa parte, foi feito todo um mundo de teses e de estudos do lado de lá, e do cá mal terminamos o ensino dito básico.
Sabe o que é mais louco, nesse pais você tem que sofrer boicote de tudo que é lado, mas nunca pode fazer o seu, o seu é errado, por mais que você tenha sofrido você tem que fazer por todos, principalmente pela classe que quase conseguiu te matar, fazendo você nascer na favela e te dando a miséria como herança.
Afinal um dia o povo ia ter que se valorizar, então é nóis nas linhas da cultura, chegando de vagar, sem querer agredir ninguém, mas também não aceitando desaforo nem compactuando com hipocrisia alheia, bom vamos deixar de ladainha e na bola de meia tocar o barco.
Boa leitura, e muita paz se você merece-la, se não bem vindo a guerra.

Agradecimentos a:
Sérgio de Souza
Marina Amaral
Wagner Nabuco
Guilheme Azevedo,
Garrett,
R.O.D.
Bolha.
E a todos os parceiros que tem acompanhado o L.M. e o Movimento 1DASUL, tamos de pé graças a vocês.

Ferréz


E como já é de praxe, aqui vai um recado pro sistema.

“ Evitem certos tipos, certos ambientes. Evitem a fala do povo, que vocês nem sabem onde mora e como. Não reportem povo, que ele fede. Não contem ruas, vidas, paixões violentas. Não se metam com o restolho que vocês não vêem humanidade ali. Que vocês não percebem vida ali. E vocês não sabem escrever essas coisas. Não podem sentir certas emoções, como o ouvido humano não percebe ultra-sons.”

João Antônio, trecho do livro Abraçado ao meu rancor.


Extraído de: http://editoraliteraturamarginal.blogspot.com/2006/10/literatura-marginal.html




Rafaela Valverde

sexta-feira, 29 de junho de 2018

Do fogo que em mim arde - Conceição Evaristo

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Sim, eu trago o fogo,
o outro,
não aquele que te apraz.
Ele queima sim,
é chama voraz
que derrete o bivo de teu pincel
incendiando até ás cinzas
O desejo-desenho que fazes de mim.

Sim, eu trago o fogo,
o outro,
aquele que me faz,
e que molda a dura pena
de minha escrita.
é este o fogo,
o meu, o que me arde
e cunha a minha face
na letra desenho
do auto-retrato meu.



Rafaela Valverde

quarta-feira, 27 de junho de 2018

Breaking Bad

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Para alguns, a melhor série de todos os tempos. Para mim, a melhor série que assisti. Breaking Bad já ganhou muitos prêmios e é considerada uma das maiores séries de todos os tempos sim, pela revista Rolling Stone. Criada por Vince Gillian, a série que estreou em 2008, traz a história de Walter White (Bryan Cranston), um químico frustrado que dá aulas para o ensino médio e trabalha em um lava-rápido para complementar a já limitada renda familiar. Para piorar a situação, Walter descobre que está com um avançado câncer de pulmão e a partir daí, é claro, sua vida e sua percepção sobre ela mudam.

Preciso agora abrir um pequeno parêntese para informar que escreverei com muita paixão. Não tenho a intenção de escrever uma mera resenha descritiva, fria e isenta. Preciso mesmo, pelo menos tentar demonstrar através deste texto, o quanto gostei da série e o quanto me emocionei, me surpreendi e achei-a brilhante. Preciso escrever com paixão sobre Breaking Bad porque queria que todo mundo assistisse.

Pois bem, com incentivo do cunhado, que é policial de combate ao tráfico de drogas, Walter participa de uma batida policial e esse é seu primeiro contato com o famigerado ambiente do tráfico. A partir desse momento, Walter vê a possibilidade de deixar sua família bem financeiramente depois que ele morrer. Ele reencontra seu ex aluno Jesse Pinkman (Aaron Paul) e começa a "cozinhar" cristal ou metanfetamina em um trailer. Walter, com sua genialidade e seu conhecimento sobre química, aliado à Pinkman, que já conhece bem o mercado passa a experimentar uma nova sensação de poder e a ganhar dinheiro.

Sua esposa Skyler (Anna Gunn) fica sem saber durante um tempo sobre a doença e sobre a nova profissão do marido. Mas quando ela descobre sobre a doença, insiste que o marido faça o tratamento, mesmo sem saber de onde vinha o dinheiro. Skyler é uma grande personagem na série. Ela é o ponto principal de alguns conflitos e problemas enfrentados pelo marido. Sim, algumas das tensões e planos que davam errado para Walter se safar, eram causados por ela. Skyler começou como uma personagem pequena que foi crescendo ao longo do tempo. Uma dona de casa fútil, grávida,  que escrevia (até achei que a carreira dela de escritora seria mais desenvolvida na série, mas não foi, que pena!)

Assim como os outros personagens também cresceram. Parece que eles iam crescendo na medida em que a série ia avançando e tendo sucesso. Até li em uma das minhas pesquisas que Jesse seria um personagem pequeno que logo morreria, porém devido a química com o Sr. White, como ele o chamava, o personagem não só não morreu como cresceu e virou um dos personagens chave para para o andamento da série.

Com cinco temporadas, Breaking Bad, mostra o ser humano da forma mais humana e real possível, tendo em vista que afasta visões maniqueístas dos personagens. Ninguém nessa série é somente bom ou somente mau. São pessoas, corruptíveis e cheias de defeitos. Algumas pessoas afirmam que acabam gostando muito de Walter mesmo ele sendo criminoso. Eu não. Admirava-o por sua inteligência, mas não tinha ilusões, sabia que ele era bandido sim e que deveria pagar pelos seus crimes. E, na minha opinião, essa é uma das qualidades de um bom ator: ele é tão bom que se faz ser odiado. E Bryan prova ser um excelente ator. A maior desculpa de Walter é que entrara no crime pela família e essa seria sua maior motivação, mas em determinado momento da série ele admite que é por ele. Pelo poder, pelo prestígio de ser o Heisemberg, o cozinheiro do cristal azul, o melhor da região.

Com um filho adolescente e deficiente, Walt Junior (RJ Mitte) e um bebê a caminho, Walter sabe que não poderá estar presente na vida deles dali a um tempo, portanto, apesar do tratamento contra o câncer que o deixa debilitado, ele continua cozinhando e "aprontando" bastante na companhia de Jesse. E em determinados momentos a capa do "pela minha família" cai e a gente passa a perceber que Walter faz o que faz porque quer. Ele tem várias oportunidades de parar, ele não escolhe não matar ou não deixar morrer (quem assistiu vai entender!) pelo contrário, sempre que surge uma oportunidade ele avança ainda mais em sua vida criminosa. E para mim é essa é uma das genialidades da série e do personagem Sr White como eu gosto de chamá-lo.

Roteiro bem feito, bem organizado, com cenas mais antigas intercaladas e uma boa sequência. Além de uma excelente produção. Enfim, como eu disse: cheia de paixão! Não tem como ser diferente. Estou até com vontade de ver de novo, inclusive já revi o primeiro e segundo episódios com uma pessoa que indiquei. Podem me chamar de louca, mas gosto de qualidade, sei reconhecer minimamente algo bom quando vejo.

Além de tudo a série passa em Albuquerque, Novo México, local incomum para mim. Nunca vi produção feita nesse local. O que ajuda um pouco o roteiro devido a proximidade com o México, o cartel e todas as vertentes criminosas ligadas ao tráfico de drogas que todos nós já sabemos. Enfim, posso falar que amo essa série mais uma vez? Comprovadamente fenômeno mundial, Breaking Bad já ganhou inúmeros prêmios incluindo dezesseis Primetime Emmy Awards, oito Satellite Awards, dois Globos de Ouro e um Prêmio Escolha Popular. Em 2014, entrou para o Livro dos Recordes como o seriado mais bem avaliado de todos os tempos pela crítica. (Fonte: Wikipédia)

A série está na Netflix e eu assisti em um tempo recorde. Menos de dois meses. Agora, vou falar sobre algumas curiosidades que pesquisei e observei na série ao longo desse tempo. Claro que faltou falar sobre muitas coisas aqui. E óbvio que passaria o dia escrevendo sobre essa série. E não vou falar mais sobre detalhes do enredo ou do roteiro, porque seria spoiler para os desafortunados que ainda não assistiram ou que ainda estão assistindo. Rsrs Assistam e tirem suas próprias conclusões  e vejam o que acontece ao longo das cinco temporadas.

Pois bem, o nono episódio da última temporada foi dedicado ao fã adolescente Kevin Cordasco que morreu de câncer. Na época houve uma forte comoção do elenco e produção da série com esse fã. Até o visitaram. Achei bem legal a homenagem. "O ator principal, Bryan Cranston, declarou numa entrevista que "o termo 'breaking bad' é uma gíria do Sul que significa que alguém desviou-se do caminho correto e passou a fazer coisas erradas. E isto aplica-se tanto a um dado momento quanto a uma vida inteira." (Wikipédia)

Com tiradas engraçadas e cenas bastante violentas - a série arrancou gargalhadas e nervosismo de minha pessoa - Breaking Bad encerrou no ano de 2013. Em seguida, Vince Gillian começou a escrever e produzir a série Better Call Saul que é um um spin-off de Breaking Bad.  Better Call Saul trata da vida do advogado Saul Godman que foi advogado de Sr White. É isso. Amor eterno a Breaking Bad!



Rafaela Valverde




Minúsculos cotidianos


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Mariela passava o dia na frente de um computador, analisando e criando sistemas e programações. Mariela trabalhava demais. O trabalho funcionava como fuga e ela gostava. Além disso, trabalhar pagava as contas e permitia-lhe comprar seus amados livros. Principais parceiros na agonia que é viver. Sua biblioteca aumentava a cada dia. Graças aos sistemas de computação, tinha companhias.

Saía às dezoito horas. Horário de movimento intenso nas cidades grandes. “Muitas pessoas se deslocam nesse período todos os dias” – Mariela pensava enquanto esperava o metrô na estação, depois de um movimentado dia de trabalho. O metrô chegou, apinhado.  Entrou e ficou de pé até a próxima estação quando vagou um lugar. Sentou. Bom, pois a inquietude já tomava conta. A ansiedade não a deixava em paz. Fone no ouvido. Passava as músicas freneticamente.  “Não consigo achar uma música legal...” Naqueles momentos não conseguia achar graça em nada. “Ah, um livro na bolsa” – lembrou-se. Sempre havia um livro na bolsa. Lia uns poemas aquela semana. A leitura fluía mais que o trânsito lá em baixo. Parado. O metrô seguia seu caminho, assim como a tristeza que fluía e ela se deixava levar. Mesmo com os recursos de distração, era sempre atingida pela flecha da tristeza.

Fechou o livro. Suspirou. Já pensava em seus códigos de programação e fazia cálculos mentais ao mesmo tempo em que observava as pessoas no vagão e o trânsito nas avenidas da cidade. Era tudo tão estressante para os outros, mas para ela nem tanto. Em meio aquele caos conseguia encontrar certa calmaria. Pelo menos em algum lugar, o caos é maior que em seus pensamentos. Os motoristas buzinavam nervosos, queriam seguir. Mas, afinal, pra que tanta pressa?

Voltando ao player do celular, encontrou uma música dançante. Levantou calmamente e desceu na estação seguinte. Não era sua estação, mas quem liga? Caminharia dançando até seu bairro. Mariela se sentia tão infeliz que se esforçava para encontrar alegria em pequenos momentos. Ansiava por um bom momento em sua vida tediosa. E geralmente eram os minúsculos cotidianos do dia que lhe arrancavam raros sorrisos. Andando pelo menos impediria as lágrimas de cair. Dançando pelo menos o corpo não estaria sufocado de tensão, frustração e tristeza.




Rafaela Valverde





segunda-feira, 25 de junho de 2018

Mundo de poeta

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Sou poeta 
Poeta gosta de grandes pequenices
Queria alguém pra conversar
Massagem no pé
Alguém pra perguntar como fui nas provas
Alguém que se interesse
Sou poeta
Poeta gosta de ser acarinhado
Poeta vê cores em tudo
Até no cinza
Sou poeta
Poeta até diz que não
Mas às vezes se ilude
Por acreditar demais
Sou poeta
E ser poeta é encontrar um pedaço de mundo dentro do mundo
E viver naquele lugar
Como se ele fosse seu
E lugar melhor não há
Poeta é assim
Ô bicho besta!
É poeta
Sabe que precisa de tudo
Mas não precisa de nada
Sou poeta
Poeta é indeciso
Poeta quer o mundo só pra si
E ao mesmo tempo quer construir um novo!
Sou poeta




Rafaela Valverde

sexta-feira, 22 de junho de 2018

O que falta pra gente ficar junto?

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O que falta pra gente ficar junto, hein?
Se tem amor
Tem paixão
Tem tesão
Tem cuidado
Tem afeto e atenção
Tem amizade e admiração
Se tem conversa
Tem assunto
O que falta pra gente ficar junto?
O que é que mais falta?
O que é que você ainda quer?
Além de toda essa emoção que temos quando estamos juntos?
Você quer mais que isso?
Então você quer incendiar o universo
Só pode ser
Por que eu não sei de nada mais quente do que nosso amor
E não só quente no sentido erótico
Não se trata somente disso
É quente de intensidade
De vontade
De tamanho
O que é que falta, me diz?
Eu não vejo mais nada que esteja escasso por aqui
Mas se você me disser
Vou ao final do arco-íris pegar pra você
Pra você se tocar
Que não falta mais nada pra gente ficar junto
Só você que teima em não perceber
Ou não querer
Mas como  pode não ver
Se tem amor
Tem paixão
Tem tesão
Tem cuidado
Tem afeto e atenção
Tem amizade e admiração
Se tem conversa
Tem assunto
O que falta pra gente ficar junto?



Rafaela Valverde


Escola ultrapassada

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A educação  como está organizada hoje é a mesma que foi organizada há séculos. E a maior representante disso é a escola. A escola está velha. Não se aprende mais com a escola do jeito que é. Hoje as pessoas precisam de novos conhecimentos, novos formatos, novas estruturas e não somente do mais do mesmo. Pode até ter um pouco de mais do mesmo, mais é mais do mesmo demais e ninguém aprende nada, só conteúdos para passar no vestibular - ou memoriza - e olhe lá.

Há muitos e muitos anos a estrutura dos currículos escolares é a mesma. Só aprendemos conteúdos, repetições e mantras, sem pensar, sem raciocinar, sem criticar. Sim, nas escolas particulares também. Vejo algumas escolas particulares como fábricas de "passantes" no vestibular e nada mais.  Os outdoors espalhados pela cidade com "fulaninho aprovado em medicina na Ufba", "cicraninho aprovado em primeiro lugar sei lá onde..." estão aí para comprovar isso.

A estrutura e a forma como a escola funciona data do tempo dos nossos avós. Meus avós estudaram assim: fileiras, ordem alfabética, silêncio absoluto na sala, memorização, o professor lá na frente sendo o centro do saber e todos os bláblablás que conhecemos. O foco ainda está no que o professor sabe e em como ele vai transmitir para seus alunos - que são como o nome já diz a-lunos - sem luz. Tábulas rasas que precisam ser preenchidos com o saber do professor. O processo de ensino aprendizagem não é considerado e sim a passação de conteúdos meramente ilustrativos, distantes do cotidiano dos estudantes e pouco interessantes.

O que o aluno já sabe e pode vir a contribuir não é importante e não pode ser considerado. Esse aluno não é protagonista do seu próprio conhecimento, ele não desperta para determinado saber, através da mediação do professor. Não na escola que ainda temos hoje. Nessa escola, o aluno se cala, senta ereto, sem se mexer ou olhar para trás e ouve. E escreve. Coisas fragmentadas, descontextualizadas e que na maioria dos casos ele não sabe para que serve.

O sistema não permite. A burocracia não permite. Há muitos entraves para que a escola melhore, cresça, evolua e assim ela segue, com preguiça de sair da zona de conforto e se transformar. Mas também quem está no poder não tem nenhum interesse que a escola mude e vire um ambiente de formação crítica. Ainda temos uma educação e escolas tecnicistas, idiotizantes, desinteressantes e incapacitantes no sentido  de fazer os meninos acharem que o problema está neles, que eles não conseguem aprender e que são burros, essas coisas que sempre escutamos.

O que eu penso é que algo tem que mudar. Do jeito que está não está satisfatória. Então seria interessante mudar, não? Acredito que a responsabilidade também não pode estar sempre na mão dos professores. Existe algo maior, como eu já disse acima, o sistema, o poder. Não há interesse em mudar nada na escola no que se refere a isso, por parte do MEC por exemplo. O que vemos são um bando de reformas remendando o que já está esfarrapada há muitos anos.

Acredito que é daí que vem a mudança, mas não a partir deles e sim de nós que estamos aqui embaixo, lutando pela educação. Nenhuma luta que gerou mudanças ocorreu de cima para baixo e sim ao contrário. Por que não trazer elementos sociais, coisas que estão acontecendo nas comunidades em que eles estão inseridos para iniciar as aulas? Por que não conversar, saber dos meninos o que eles fazem quando estão fora da escola? Por que não deixar que eles sentem à vontade e conversem troquem questões entre si? Por que não aproveitar a conversa deles para iniciar a aula? Por que ficar somente dentro da sala de aula? Por quê? São tantos porquês. Não tenho resposta para eles todos, mas teremos que caminhar e trabalhar para termos. Por uma escola mais crítica! Por uma educação que faça pensar e realmente seja transformadora!



Rafaela Valverde


quarta-feira, 20 de junho de 2018

Toca Em Mim de Novo - Isadora Pompeo







Essa música é muito linda e me toca muito. Gosto muito de Isadora! 



Lembro quando te encontrei
Tudo novo você fez
Os abraços que senti
Me fizeram prosseguir

Várias vezes eu caí
E você me levantou
Eu achava estar bem
Mas me rendo

Eu me rendo
Eu me rendo
Eu me rendo a ti

Eu me rendo
Eu me rendo
Eu me rendo a ti

Toca em mim de novo
Enche-me de novo
Eu não me vejo
Sem tua presença

Toca em mim de novo
Enche-me de novo
Eu não me vejo
Sem tua presença




Rafaela Valverde

Livro A Vida de Nosso Senhor

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Ontem terminei de ler um surpreendente livro de Charles Dickens : A Vida de Nosso Senhor. Surpreendente porque não fazia ideia que existia. Comprei o livro por 10,00 em uma feirinha de livros em um shopping da cidade. Pois bem, Charles escreveu  ou reescreveu uma história resumida da vida de Jesus Cristo, totalmente baseada na bíblia. Com essa história ele queria ensinar essa história a seus filhos quando ainda eram crianças. Nunca quis publicar e só depois de muitos anos de sua morte, seus descendentes resolveram publicar. A edição que comprei é da editora Martins Fontes.

O livro foi escrito entre 1846 e 1849 e é baseado no evangelho de São Lucas, conforme informação da orelha do livro. O manuscrito ficou na família guardado como tesouro na família Dickens por  oitenta e cinco anos, sendo passado de mão em mão. Porém não poderia ser publicado enquanto algum filho do autor estivesse vivo. No ano de 1933 o último filho de Dickens morreu deixando o manuscrito com sua esposa e filhos que decidiram publicar. A primeira edição foi ´publicada em 1934 em Londres e nos EUA e foi um dos livros mais vendidos daquele ano.

O livro é uma narrativa simples, com alguns milagres, parábolas e detalhes sobre a vida de Jesus. Destaquei alguns trechos no final e vou dividir um aqui com vocês:

"Cristandade é AGIR BEM, sempre, mesmo em relação a quem nos faz o mal. Cristandade é amar ao nosso próximo como a nós mesmos e fazer a todos os homens o que desejamos que eles façam conosco. Cristandade é ser amável, bondoso, desculpar e conservar essas qualidades serenamente em nossos corações e, sem vaidade, jamais vangloriar - nos delas, ou de nossas orações, ou de nosso amor a Deus, mas demonstrar sempre que O amamos na busca humilde de agirmos justamente, em todos os sentidos."

É isso!


Rafaela Valverde

Estou muito melhor sem você

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Olha só, estou muito bem sem você
Voltei a me exercitar
Pintei o cabelo
Re-encontrei Deus
Não imploro mais por atenção
Ela vem!
Atenção e tudo mais
Olhos se voltam
Quando passo em qualquer lugar
Sem você
Sem seu peso
Olha, estou muito melhor sem você
Nem imaginava, sabe?
É que sou tapada
Acabo cobrindo a visão de mim mesma
E fico vendo mais o outro
Mas agora, depois de umas porradas
Vou me ver mais
Me olhar mais
E preciso repetir:
Estou tão bem sem você!
Se soubesse que ficaria assim
Já teria soltado sua mão
Desde a primeira vez que percebi
Que tu querias partir
Demorei de soltar
Segurei com força
Hoje nem sei o porquê
Não queria ficar sem você
Hoje não sei viver sem mim
Sou muito melhor sem você
Respiro sem achar que estou incomodando
Posso ser eu mesma
Não aquela que você fazia eu ser
Saiba que não me deixou ser um terço do que eu realmente sou
Perdeu!
Brilho no olhar, não mais aquele de paixão
Alívio me alcançou
Eu perdi!
Perdi o medo de me expressar
Brigar e lutar pelo melhor
Nem preciso mais!
Estou otimamente bem sem você!
Ora, ora...
Não preciso mais exigir ser bem tratada
Simplesmente sou e deixo ser
Eu mereço!
Não preciso mais implorar ínfimas e pobres palavras
Elas vêm automaticamente
E, ei psiu?
Estou muito, mas muito bem mesmo
Sem você!
E espero que você finalmente esteja melhor
Que esteja feliz
Sem mim...
E sem você também
É sim, você sem você
Porque é você quem se sabota
Quis me sabotar também
Comigo não!
É você quem afasta as pessoas de você!
Enfim, você se foi
Quis ir
Graças a Deus!
Porque eu estou muito bem, obrigada!
Vou ali ver TV e comer pipoca
Sozinha e também acompanhada.




Rafaela Valverde

segunda-feira, 18 de junho de 2018

Erva daninha


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Corro pela rua
O fone no ouvido
Desci da lua
Não quero mais me distrair
Mantenho a mente sempre aberta
Pra não ruir
Piso em tudo o que é menos no chão
A folha seca, formigas, na perna arranhão
Cai o sangue, ferida aberta
Sangra!
E justo quando está para cicatrizar
Vem outra erva daninha e arranha
Justo quando estou caminhando
Olhando para frente
Na estrada tacanha
Que a vida é...
Mas não posso mais deixar
Que sofra a minha mente
Corpo e coração
Eu já disse coração?
Não importa!
Quebro a rima
Para clarear
O quanto quero estar pra cima
A partir de agora
Imaginar
Mas também viver
A vida aqui fora
Fora de mim
Suspirei
Fui na farmácia, comprei antisséptico
Pra matar tudo isso, enfim
Estou atenta
Distrair para me destruir, não mais
A erva, a daninha, até tenta
Mas eu já superei!




Rafaela Valverde

Ainda Assim Eu Me Levanto - Maya Angelou


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Precisamos conhecer poetas e poetisas negros!!!

Você pode me riscar da História
Com mentiras lançadas ao ar.
Pode me jogar contra o chão de terra,
Mas ainda assim, como a poeira, eu vou me levantar.

Minha presença o incomoda?
Por que meu brilho o intimida?
Porque eu caminho como quem possui
Riquezas dignas do grego Midas.

Como a lua e como o sol no céu,
Com a certeza da onda no mar,
Como a esperança emergindo na desgraça,
Assim eu vou me levantar.

Você não queria me ver quebrada?
Cabeça curvada e olhos para o chão?
Ombros caídos como as lágrimas,
Minh’alma enfraquecida pela solidão?

Meu orgulho o ofende?
Tenho certeza que sim
Porque eu rio como quem possui
Ouros escondidos em mim.

Pode me atirar palavras afiadas,
Dilacerar-me com seu olhar,
Você pode me matar em nome do ódio,
Mas ainda assim, como o ar, eu vou me levantar.

Minha sensualidade incomoda?
Será que você se pergunta
Porquê eu danço como se tivesse
Um diamante onde as coxas se juntam?

Da favela, da humilhação imposta pela cor
Eu me levanto
De um passado enraizado na dor
Eu me levanto
Sou um oceano negro, profundo na fé,
Crescendo e expandindo-se como a maré.

Deixando para trás noites de terror e atrocidade
Eu me levanto
Em direção a um novo dia de intensa claridade
Eu me levanto
Trazendo comigo o dom de meus antepassados,
Eu carrego o sonho e a esperança do homem escravizado.
E assim, eu me levanto
Eu me levanto
Eu me levanto.


Original em inglês: Still I Rise
Tradução de Mauro Catopodis



Rafaela Valverde
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