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quinta-feira, 4 de maio de 2017

Minha trajetória acadêmica

Em 2010 passei no vestibular da Uneb - Universidade do estado da Bahia para o curso de Pedagogia, que eu não sabia exatamente do que se tratava, mas como achava que queria fazer psicologia, achei que pedagogia tinha semelhanças com psico e lá fui eu. As aulas começaram no dia 12 de abril e ainda era tão menina, ia fazer vinte e um anos e estava noiva. Nessa época eu trabalhava e estudava e só vivia cansada, dormia na aula e não sei como eu consegui lidar com oito matérias assim. Uns dois meses depois fiquei desempregada e minha mãe que me ajudava com a faculdade. Casei no mesmo ano e continuei nos semestres seguintes com as oito disciplinas.

Depois de um tempo comecei a pegar menos matérias e fui ficando atrasada, separada das minhas colegas e amigas que tinha feito naqueles meses. Acredito que  isso tenha me desmotivado bastante, além  de uma monitoria que fiz e não recebi o dinheiro ao qual tinha direito e precisava. Por essas e questões de não gostar e não me adaptar com algumas disciplinas e questões do curso acabei abandonando. Eu não via mais graça em estar ali, fazendo aquele curso. Me sentia sem perspectivas.

Foi nessa época que passei a dar mais atenção ao blog e quis seguir o sonho de escrever, de ganhar dinheiro escrevendo e botei na cabeça que queria ser jornalista. Por que queria escrever de qualquer jeito. Até pensei em fazer letras, mas tinha horror à licenciatura e à sala de aula. Tentei entrar na UFBA em jornalismo e não consegui. No ano de 2013 depois de uns meses fora do Departamento de Educação da Uneb, decidi voltar. Mas durou pouco tempo. Minha falta de afinidade com o curso era latente, eu não me dava bem com a maioria dos professores de lá que eram muito arrogantes. Não tinha motivação para ir até lé, nem para fazer as atividades, nem de olhar para as caras dos professores. Saí de novo e dessa vez pra valer.

Em 2014 depois de mais um Enem tentei novamente o curso de jornalismo na UFBA e não consegui. Porém fiz um vestibular na Unijorge e passei, consegui um FIES e fui fazer jornalismo nesse centro universitário privado. Não me adaptei muito bem lá. A universidade parece um shopping, com praças de alimentação bem grandes e quase nenhum apoio a alunos de baixa renda. Me sentia deslocada, um peixe fora d'água. Fora que a sala que eu estudava era super barulhenta e imatura, me sentia estudando em uma escola de ensino médio. Fora que com boletos todo mês e o salário que eu ganhava não estava dando, daí decidi usar a mesma nota do Enem e ganhar uma bolsa em uma universidade diferente e melhor. Consegui a bolsa e ia começar o semestre no mês de agosto de 2014. Enquanto isso, minhas colegas estavam se formando. 

Faltando poucos dias para começar o semestre na FSBA - Faculdade Social da Bahia eu recebi uma ligação  avisando que não havia formado turma para jornalismo e que o curso estava praticamente extinto na universidade. Eu teria que escolher outro curso ou desistir da bolsa. Dentre os cursos que me ofereceram fiz a merda de escolher um. Eu não acreditava mais que pudesse entrar na UFBA  e seguir a carreira acadêmica que eu tanto sonhava. Então eu escolhi psicologia. Entrei sem semestre definido e pegava disciplinas introdutórias misturadas com as mais avançadas e não entendia os conceitos básicos tendo certa dificuldade em acompanhar. Sentia o tempo todo que me formaria sem nenhuma perspetiva, não me sentia feliz ali, nem no curso e nem na faculdade. Fora que é perto do campus da UFBA em que estudo hoje e pegava os mesmos ônibus que vários alunos da Federal que ali desciam e ficava pensando que meu lugar era ali, que um dia eu gostaria de descer antes, naqueles ponto.

O que começou a me tirar daquele curso e daquela faculdade foi a dificuldade em estudar. Os textos eram longos e meu tablet havia quebrado, me impossibilitando de ler a maioria dos textos. Eu teria que tirar xerox ou imprimir todos e não tinha grana para isso, apesar de estar trabalhando na época. Comecei a tirar notas ruins e a faltar nas aulas de sábado, já que trabalhava aos finais de semana. Eu sabia que tinha que sair dali e exatamente no meio do ano de 2015, no SISU do meio do ano eu decidi que eu iria para a UFBA em qualquer curso. E eu entrei em Letras. De primeira. Sabe se que as notas de corte desses cursos são bem baixas e não foi tão difícil. Fiquei muito feliz. Acho que foi um dos poucos dias mais felizes que tive naquele ano. Dia 15 de junho de 2015. A universidade estava em greve, fiz matrícula, mas só comecei a ter aulas em janeiro de 20016, ano passado e hoje estou no quarto semestre e realmente estou onde eu merecia, precisava e queria estar. Eu dou aulas particulares de Português e agora vou assumir salas de aula em uma escola estadual. Eu estou muito feliz e realizada na minha vida acadêmica. Eu amo ensinar. Eu já faço pesquisa e sou bolsista de Iniciação Científica. Eu vejo  a realização do meu sonho chegando, chegando aos poucos. Eu tenho contato mais direto com literatura, algumas disciplinas de literatura do curso são fascinantes e eu adoro entrar naquele portão todos os dias. Por mais que a coisa não seja fácil. É muito estudo. É tudo bem diferente de todas as universidades em que já estive. Mas eu adoro, finalmente me encontrei.

Não desista do seu sonho, não hesite em sair de algo que não te faz bem, onde você não quer estar. Saia e vá atrás do que realmente você quer. Porque uma hora dá certo. Essa é a loucura da minha vida acadêmica até agora, minhas desistências e conquistas. 



Rafaela Valverde

segunda-feira, 24 de abril de 2017

Recife - Erel 2017


Estive esse mês pela primeira vez em Recife Pernambuco. Fui ao Erel - Encontro Regional dos Estudantes de Letras. Fui apresentar pela primeira vez meu trabalho de pesquisa. Tivemos alguns perrengues, eu e meus amigos, em relação ao acampamento e à organização do evento realizado pela UFPE, mas fora isso amamos Recife.

Eu pelo menos gostei bastante. Visitamos Olinda e Porto de Galinhas que são municípios próximos da capital. Essa foto acima é de Recife antiga, Marco Zero. Primeiro lugar que fui. Além de atividades acadêmicas na universidade, turistamos bastante na cidade e região. Tenho que dizer que sempre rola alguma comparação e eu senti inveja de Recife por dois motivos principais, claro que foram só cinco dias que estive lá, então minha análise é superficial. Então, os pontos que tive inveja da cidade foi que Recife conserva seus prédios históricos e consequentemente sua história. Pode ter problemas do tipo mas meus olhos encantados de turista viu poucos prédios mal conservados e nenhum em ruínas e perto de cair.

Como eu disse, pode ser que meus olhos tenham se enganado, mas foi essa a impressão que tive. A segunda inveja de Recife é relacionada à limpeza urbana. Sinceramente, alguém dizer que Salvador é uma cidade limpa deve ser cego. Soteropolitanos são muito mal educados e em a cada canteiro, bueiro e canto da nossa cidade é possível encontrar alguma embalagem de picolé ou garrafa de água. É só sair olhando atentamente os cantos da cidade, que vê fácil, fácil a sujeira de Salvador.

Eu observei os cantos de Recife também. Pouco, pelos poucos dias que passei lá, não é suficiente, mas ainda assim, notei que os cantos entre a rua e meio fio não têm garrafas de água, nem palitos de picolé como aqui na minha amada cidade. Perto da UFPE tem várias barracas de lanches e ponto de ônibus, por ali dá até para ver talvez um papel de bala ou outro que o vento leva, mas é diferente da sujeira que parece que brota do solo de Salvador. Enfim, eu acho que é mais uma questão de educação mesmo, já que o cidadão soteropolitano atira quantidades enormes de lixo pelas janelas dos ônibus e carros. É isso, é só minha impressão sobre alguns fatos que observei na cidade. E fora que Recife já tem BRT que é um tipo de ônibus mais rápido, com pontos específicos e que dizem que há anos que terá em Salvador também. Enfim, amei Recife, Ipojuca que é onde Porto de Galinhas e Olinda.




Rafaela Valverde

sexta-feira, 3 de março de 2017

Livro Nos Bastidores da Censura - Deonísio Silva


Terminei ontem de ler o livro Nos bastidores da censura: sexualidade, literatura e repressão pós-64 de Deonísio da Silva. É um livro de não ficção publicado pela primeira vez em 1989, ano que eu nasci e cinco anos após o fim da ditadura militar no Brasil. Comprei esse livro por acaso em uma feirinha de livros baratos num shopping. Custou 10 golpínhos e me interessei por ele devido à minha pesquisa na Iniciação Científica que é sobre a escrita feminina nos anos 1970, justamente período da ditadura militar.

Inclusive utilizei duas citações do livro no meu relatório parcial de pesquisa, entregue ao CNPq. Gostei bastante do livro, principalmente no que diz respeito à análise literária  feita de forma crítica e contundente. Não gostei muito das partes que eram descritos os documentos de processos, etc.

Pois bem, o livro trata basicamente da censura do livro Feliz Ano Novo de Rubem Fonseca que havia sido lançado em meados dos anos setenta, no momento em que se autorizava uma abertura, ou distensão durante o regime militar. Há também informações e análises sobre outros livros, mas esse é o principal livro analisado, até porque Rubem processo a união e o ministro que havia autorizado a proibição do livro. Segundo o regime o livre feria "a moral e os bons costumes" e precisava ser retirado dos pontos de vendas.

Ao contrário do que se pensou, a procura pelo livro aumentou e o processo se espalho por anos. Vários argumentos que forma utilizados pelos advogados do autor, são justificados no livro através da crítica literária. Todos os contos do livro são analisados e conforme informações dos censores, eles incitam violência, impunidade e homossexualidade. Alguns fatos são bem curiosos e gostei muito de descobrir. Um dos livros mais baratos e mais úteis que já comprei. 




Rafaela Valverde

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

Escuta - Maria da Conceição Paranhos

Eu faço parte do grupo de pesquisa Edição de textos teatrais censurados da área de filologia do ILUFBA. E  estou pesquisando a poeta, cronista, ensaísta e professora da UFBA Maria da Conceição Paranhos. Estou descobrindo alguns poemas dela e deixo esse aqui hoje com vocês.




Ocorre que há uns lapsos na história,
há uns lapsos. Então vêm, videntes,
relatar histórias conhecidas
em noites longas de calor, insônia.
Ouvimos. Pacientemente.
Sob discursos jazem outras vozes.

Necessário cantar.
Animais se aninham ao nosso ânimo,
baixam seu brado à espera da canção.
E os leões de pedra dos portões
deixam rolar os globos que os sustentam.

Falamos línguas obscenas.
Não. Endureceu-se o ouvir.
Indefinidamente?
Afrontar a rija espada dos confrontos,
permitir soluções, se o peito arfa
curvado de rajadas imprudentes.
Se não se deixa a alma nesses lances
em que transidos vagamos dementes,
como afrontar as rugas, decifrar mensagens
(não correm ventos nas paisagens mortas,
largadas ao relento)?

Necessário é amar.
Primeiro e último tormento






Rafaela Valverde

quarta-feira, 26 de outubro de 2016

A professora e coreógrafa Lia Robatto

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Lia Robatto é coreógrafa, dançarina e professora, nasceu em São Paulo mas mora em Salvador desde os anos 1950 quando veio ser assistente da professora de dança russa Yanka Rudzka que veio fundar a escola de dança da UFBA. Continuou dançando, se aperfeiçoando e virou professora de dança, fazendo a graduação de bailarina.

Casou - se com o fotógrafo e arquiteto Sílvio Robatto e fez história na dança da Bahia. Lia criou nos anos 1960 as suas primeiras coreografias para a Companhia de dança da UFBA. Após um tempo foi para a escola de teatro, onde trabalhou por um tempo, retornou posteriormente  à escola de dança. Onde ficou e deu aulas até se aposentar em 1982.

Em 1983 tornou se diretora do departamento de dança da FUNCEB, onde criou uma escola de dança. Criou ainda  a Usina de Dança do Projeto Axé.  Trabalhou na secretaria de Cultura da Bahia e montou vários espetáculos encenados pelo Balé do TCA, Grupo Experimental de Dança e outros.

Lia publicou três livros sobre dança. Dois pela editora da UFBA  e um outro pela editora da Casa de Jorge Amado com Lúcia Mascarenhas. O trabalho de Lia é grande. Ela ainda é diretora, dramaturga, curadora, etc. Passei a conhecer um pouco seu trabalho por causa da minha pesquisa de iniciação científica. Mas como a maioria dos seus espetáculos são relacionados à dança, eu e minha orientadora resolvemos mudar.

Lia recentemente doou seu acervo para o Centro de Memória da Bahia que fica no terceiro andar da Biblioteca Pública da Bahia nos Barris. Eu tive a oportunidade  de ver algumas coisas e ter em mãos a lista de todo  acervo. É enorme. Quem tiver interesse, passa lá. O pessoal é super acessível.



Rafaela Valverde
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