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segunda-feira, 26 de junho de 2017

Não, não é sempre que queremos compromisso!

Um tempo depois de eu ter escrito sobre assunto aqui e em pleno 2017, século XXI ainda existem homens que acham que as mulheres que se aproximam, que vão atrás, que demonstram interesse, mandam mensagem, etc., querem casar com eles e ter filhos. Queridos, acordem! Baixem a bolinha e o ego, bebês! A gente só quer pegar vocês mesmo. Dar uns beijos, levar pra cama, ver se o desempenho é bom e tchau.
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Homens são criados com tamanho egocentrismo, que se acham os reis, os donos do mundo. Esse é um dos ônus do patriarcado. ônus para nós, mulheres, porque para eles é um puta bônus. Para os homens, as mulheres devem estar aos pés deles, afins deles e sempre tem que querer estar com eles, os gostosões.


Estou escrevendo isso aqui por que ouço as pessoas falarem, especialmente mulheres falando sobre isso. E já aconteceu comigo várias vezes. Perguntamos como eles estão, damos bom dia ou nos preocupamos e os caras já pensam que a gente quer compromisso. É uma coisa tão sórdida esse comportamento masculino, que dá a entender que só precisa ter educação quando quer namorar, só se importa e se preocupa se quiser casar e construir família. Quanta idiotice! Quanta falta de amor ao próximo!

Uma pessoa que está com você, ficando, tendo um sexo casual, amizade colorida ou sei lá o quê, não merece ser tratada como gente, não merece ser cuidada e ter alguém que se preocupe com ela. Ela é só alguém que se come e pronto. Até porque mulher que se come fácil não pode ser a mesma que eles namoram, não é mesmo? Eu tenho odiado alguns homens heterossexuais tanto quanto tenho odiado o machismo, pois em muitos casos estão intrinsecamente ligados.

Não dá para ser tolerante com machismo, com homens machistas. E eu não sou. Tenho aprendido cada vez mais a ser menos tolerante com "omi" escroto. Quando vou conversar com qualquer um que seja, deixo bem claro quem sou e com essa sinceridade que Deus me deu, falo o que realmente importa e o que eles precisam saber e ouvir. Não estou aqui para aturar homem pretensioso que acha que eu quero compromisso com ele só porque lhe dei bom dia. Eu não sou obrigada, nós mulheres não somos obrigadas a nada, nem a termos compromisso. Fica a dica!


Rafaela Valverde


sábado, 24 de junho de 2017

Transa no chuveiro


Estamos no banheiro. Ele tomava banho, e eu entrei. Queria provocá-lo. E queria fazer as pazes. Havíamos brigado na noite anterior. Encostei meu corpo nu em suas costas, enquanto o masturbava. Ele se animou, virou e me empurrou até a parede, me beijando. Assim, rápido, sem uma palavra sequer.

Seu beijo mostrava que estava bem excitado. Não havia mais briga. Chupou meu pescoço. Desceu para os seios com uma ânsia impressionante. Lambeu meus mamilos, mordicando de vez em quando. Sem aviso, ajoelhou, apoiou minha perna em seu ombro e começou a me chupar. Deliciosamente, do jeito que só ele sabe fazer. Eu me contorcia e gemia baixinho. Depois de um tempinho, parou e me olhou nos olhos, enfiou a língua em meu umbigo, depois foi subindo lambendo minha barriga até chegar em minha boca de novo.

Meu gosto estava em sua boca e eu adorava isso. O vapor esquentava as coisas, mas tive a impressão que não era só ele. Nós estávamos quentes também. Transar depois de uma briga é sempre muito gostoso. Estávamos nos beijando, quase engolindo a boca um do outro. Com uma mão só ele me virou de costas e me penetrou. Gemi alto.

Estava com a cara colada no azulejo quente do banheiro, gritando de prazer, salivando por mais e mais. Com minha mão apertava seu corpo contra o meu, para que ele continuasse e aumentasse a intensidade. Apertava sua bunda firme e macia e assim, gritando, gozamos juntos, caindo arfantes no chão do banheiro, a água quente caindo em nossos corpos cansados de prazer.



Rafaela Valverde

Lascívia


Meu corpo é pleno
Dele faço o que quero
Da língua ao dedão do pé
Não seja ingênuo
Eu não te pertenço
Eu me venero
Meu corpo de mulher
Você sempre será pequeno
Diante das minhas possibilidades de prazer
E eu espero
Que você aprenda
Que não é só meter
Meu corpo é sensual
Traz tantas possibilidades
E você aí nessa!
Acorda, homem!
Olha esse corpo que suplica um bom toque
E toca,
Pega,
Apalpa
Aproveita
Dá prazer.
Não seja ingênuo
Essa mulher não te pertence
Achando um que faça melhor
Ela se vai
Escorre pelas suas mãos
Escorrega da sua cama, seus lençóis de seda
Não a segurarão mais
Ela se vai
Mesmo pela  pior vereda
Ela precisa exprimir sua sensualidade
Precisa de prazer
Quer gozar!
E aí?
O que você vai fazer?
.

Rafaela Valverde

Ex namorado machista e escroto


Como não odiar o machismo? Como não ter raiva de homens que ainda insistem em serem machistas e proliferar o machismo? Esses dias tive uma briga séria com meu ex namorado, aquele que se mostrava um príncipe tão bom no início, tão carinhoso e companheiro e depois virou um sapo escroto e machista - sim, esse. Bloqueei, excluí e senti raiva dele, pela primeira vez desde que terminamos, voltamos e terminamos de novo.

Cortei relações. Pra mim morreu, é um erro que eu quero esquecer que cometi. Pois bem, estávamos conversando e não vou revelar o contexto da conversa, mas ele me disse que EU fiz ele perder o interesse dele por mim. Um cara que chegou em mim, desde o início, ficamos juntos uns meses. Ele  começou a ficar distante e terminou do nada. Quarenta dias depois pediu para voltar e eu trouxa que sou, voltei. Menos de dois meses depois, adivinhe? Ficou distante de novo e eu pensei: " quem vai terminar essa porra sou eu." Viajei sozinha no carnaval e se eu não ligasse ou falasse com ele, ele não ligava e não falava comigo. Desinteresse total.

Voltei da ilha e na quarta feira de cinzas liguei para ele e terminei. Não o vi desde então, graças a Deus. Nem quero ver. Só que como já éramos amigos antes, desde a época da escola, resolvemos continuar uma "amizade" ou pelo menos uma camaradagem, um relacionamento amigável. Mas nem isso ele não quis. Me deixou com raiva dele, pela primeira vez. Muita raiva. 

Disse que a culpa da escrotidão dele era minha. Que EU FIZ ELE SE DESINTERESSAR. Sim, foram essas palavras. Chamei ele de machista escroto, disse que foi um erro ter me envolvido com ele e cortei relações. Não quero mais saber. Fiz questão de compartilhar isso aqui com vocês para que fique claro que muitas vezes o machista, FDP escroto se esconde por trás da pele de um cordeirinho santo e a gente cai nisso e é preciso tomar cuidado. Eu não quero essa raça de gente perto de mim. Ele falou isso, porque me queria submissa, aceitando as idiotices que ele fazia ou o que ele deixava de fazer. E quando eu comecei a me impor, a falar, a não aceitar certas coisas, ele passou a "perder o interesse".

Já tinha percebido que ele era machista por causa de comentários como: "mulher pra somar e mulher pra tirar", "se dar ao valor" e outras... Mas até tolerava, tentava desconstruir, mas a pessoa é tão burra que eu não consegui fazer muita coisa. Não muda o pensamento, parece uma mula e dessas pessoas quero distância. Desse tipo de homem bosta só quero  muita distância. Prefiro ficar sozinha do que ser subordinada, como diria Anitta, ou do que suportar machista sacana.



Rafaela Valverde

quinta-feira, 22 de junho de 2017

Em Código - Fernando Sabino

 Gente, quando eu era criança e adolescente eu adorava ler  o que Fernando Sabino escrevia. Especialmente os contos e as crônicas. Li esse num livro de Irandé Antunes ontem e me lembrei desse período. Quis trazer para vocês, meus leitores. Aproveitem!



Fui chamado ao telefone. Era o chefe de escritório de meu irmão:
- Recebi de Belo Horizonte um recado dele para o senhor. É uma mensagem meio esquisita, com vários itens, convém tomar nota: o senhor tem um lápis aí?
- Tenho. Pode começar.
- Então lá vai. Primeiro: minha mãe precisa de uma nora.
- Precisa de quê?
- De uma nora.
- Que história é essa?
- Eu estou dizendo ao senhor que é um recado meio esquisito. Posso continuar?
- Continue.
- Segundo: pobre vive de teimoso. Terceiro: não chora, morena, que eu volto.
- Isso é alguma brincadeira.
- Não é não, estou repetindo o que ele escreveu. Tem mais. Quarto: sou amarelo, mas não opilado. Tomou nota?
- Mas não opilado - repeti, tomando nota. - Que diabo ele pretende com isso?
- Não sei não, senhor. Mandou trasmitir o recado, estou transmitindo.
- Mas você há de concordar comigo que é um recado meio esquisito.
- Foi o que eu preveni ao senhor. E tem mais. Quinto: não sou colgate, mas ando na boca de muita gente. Sexto: poeira é minha penicilina. Sétimo: carona, só de saia. Oitavo...
- Chega! - protestei, estupefato. - Não vou ficar aqui tomando nota disso, feito idiota.
- Deve ser carta em código ou coisa parecida - e ele vacilou: - Estou dizendo ao senhor que também não entendi, mas enfim... Posso continuar?
- Continua. Falta muito?
- Não, está acabando: são doze. Oitavo: vou mas volto. Nono: chega à janela, morena. Décimo: quem fala de mim tem mágoa. Décimo primeiro: não sou pipoca, mas também dou meus pulinhos.
- Não tem dúvida, ficou maluco.
- Maluco não digo, mas como o senhor mesmo disse, a gente até fica com ar meio idiota... Está acabando, só falta um. Décimo segundo: Deus, eu e o Rocha:
- Que Rocha?
- Não sei: é capaz de ser a assinatura.
- Meu irmão não se chama Rocha, essa é boa!
- É, mas foi ele que mandou, isso foi.
Desliguei, atônito, fui até refrescar o rosto com água, para poder pensar melhor. Só então me lembrei: haviam-me encomendado uma crônica sobre essas frases que os motoristas costumam pintar, como lema, à frente dos caminhões. Meu irmão, que é engenheiro e viaja sempre pelo interior fiscalizando obras, prometera ajudar-me, recolhendo em suas andanças farto e variado material. E ele viajou, o tempo passou, acabei me esquecendo completamente o trato, na suposição de que o mesmo lhe acontecera.
Agora, o material ali estava, era só fazer a crônica. Deus, eu e o Rocha! Tudo explicado: Rocha era o motorista. Deus era Deus mesmo, e eu, o caminhão.


Rafaela Valverde

sábado, 20 de maio de 2017

Minhas pernas peludas



Por que ainda há um choque com pernas femininas com pelos? Por que pelos em homem é atraente e em mulheres é anti-higiênico e masculino? As minhas pernas estão peludas. Tenho poucos pelos e a maior parte deles são loiros, portanto decidi deixá-los. Mas não só por isso. Porque também não vou ficar raspando, agredindo minha pele e gastando horrores com depilação com cera para satisfazer senhor ninguém. Especialmente uma sociedade que não me dá nada, eu que não rale não! 

Meus pelos da perna não me incomodam e gosto de passar a mão em minha perna e senti-los. Me sinto aliviada em não mais ser obrigada a fazer depilação. Eu ODEIO fazer depilação em qualquer parte do meu corpo. Claro que é um passo muito mais difícil deixar de depilar tudo e ainda depilo as axilas e partes íntimas, mas minhas pernas serão peludas, sim! Pelo menos enquanto eu estiver afim de ter pelos. 

Reparo que as pessoas olham minhas pernas e estranham. Por que não estranham homens com pernas depiladas? Já ouvi gente dizer: "deve ser nadador..." Nunca entendi muito bem a relação, mas já ouvi isso rsrsrs. Só porque é homem e só por que eles sim podem fazer o quiserem com seus corpos. Nós é que não podemos ter domínio sobre nosso corpo que vem logo um enxerido comentar, ou olhar, ou fazer uma lei... Para dominar o corpo feminino aparece gente de tudo quanto é inferno!

Para cima de mim, não! Ninguém vai me dizer o que fazer em meu corpo e com meu corpo. E estou pensando seriamente em deixar de tirar a sobrancelha. Fico arrancando os pelos da minha cara desnecessariamente em casa, quando quero algo mais bem feito tenho que pagar no mínimo oito/ dez reais. Homens além de tudo, gastam muito menos para cuidar da aparência. É tudo muito injusto e eu eu estou aqui para quebrar isso, mudar essas regras que só beneficiam os homens. Vai ter pelo, sim! Porque afinal sou um mamífero e meus pelinhos me protegem. Quem não gostar se joga de um pé de alface, ok?



Rafaela Valverde


Mulheres, não precisamos de homens!



Eu sofri mas eu aprendi algumas coisas com meus erros e meus sofrimentos. E quem sofre, erra e não aprende nada com isso? Não estou aqui querendo me sentir melhor que ninguém, apenas ratificar a tese de que os erros e dores servem para nos dar uma lição. Isso é verdade. Claro que a gente precisa ter consciência desses erros e realmente refletir sobre o que mudar. Não acontece por osmose, não é rápido, nem fácil. Demora e dói. 

Passei vários meses sentindo uma dor física, sem querer levantar da cama e passei muitas das horas desses dias pensando em que tinha falhado e que se eu não tivesse cometido determinada falha, talvez eu não tivesse em determinada situação. Mudei e virei uma pessoa mais leve com a vida. Não cobro mais tanto de mim, nem da vida, nem dos outros. Me tornei uma adulta mais leve e não me troco pela eu de cinco, seis anos atrás.

Mas e quando as pessoas sofrem, passam determinadas coisas e não mudam? Continuam cometendo os mesmos erros? Será que elas não refletiram sobre suas atitudes? E quando essas pessoas são mulheres? Uma mulher sofreu horrores em um relacionamento: perdeu tudo o que tinha construído com o outro, porque simplesmente ele lhe usurpou, quase morreu por um problema de saúde e ainda foi trocada por outra e agora "abre os dentes" para esse homem, anos depois. Não dá vontade de matar uma mulher dessa? Dá!

Eu não sei se é falta de maturidade, pois é uma mulher já bem grandinha. Eu não sei se muita falta de amor próprio, eu não sei se é o machismo, a misoginia e a sociedade patriarcal já impregnados em nosso inconsciente. Eu sinceramente não sei. A coisa está tão feia que quando a mulher erra é xingada, considerada vadia, vagabunda, sei lá. Mas quando o cara erra, a sociedade aconselha que se perdoe porque ele "é homem" e porque "todo mundo merece uma segunda chance." Então, só os homens merecem segunda chance? Porque mulheres são execradas e até mortas quando traem!

Então, isso está tão impregnado em nossa cabeça que a gente acha que não pode viver sem homem, mesmo que ele seja ruim. Chega a um determinado momento da vida em que a gente só sabe falar: "ruim com ele, pior sem ele" e acredita nisso tão veementemente que fica ali naquela relação, inerte, só esperando o dia de ser libertada por alguma magia. Não, isso não vai acontecer! Quem se liberta é a gente mesmo. E ponto.

A gente é criada e incentivada desde muito nova a procurar homem, a viver dependente de homem.  aí acreditamos que não dá para viver feliz sem ter um homem do lado, sem ter um relacionamento, sem casar. Porque somos indefesas e precisamos da defesa de um homem, A gente não sabe que dá para viajar sozinha, ir ao cinema sozinha, beber sozinha, ir à festas e shows sozinha... A gente acha que só vai ser feliz se tiver um homem para nos fazer companhia. Assim, aproveitamos a deixa e ficamos burras, esquecemos como instala computador, não aprendemos furar ou pintar uma parede e não aprendemos a ser independentes "por que temos um homem".

Mas um dia, assim como eu aprendi, a gente aprende que somos suficientes e nos bastamos. Estudamos, trabalhamos, pegamos pesado para ter nossa independência e nenhum homem vai nos dizer o que fazer, nem hoje, nem nunca. Pelo menos não a mim! Sobre os fatos relatados acima: eu, por muito menos já botei homem para correr. Mas tem mulher que sabe que está infeliz, sabe que aquele homem não presta e nunca vai mudar e continua ali. Até quando Deus quiser. Mulheres tomem posse das suas vidas! Amem, mas amem a si mesmas muito mais em primeiro lugar. É tão maravilhoso se amar, se achar linda, independente e auto-suficiente. Não há nada melhor! Aprender com nossos erros e sofrimentos, é para mim, o principal motivo deles acontecerem, então vamos levantar da cadeira e lutar por nós mesmas, pois os homens só enxergam seus próprios umbigos.




Rafaela Valverde

sábado, 13 de maio de 2017

Eu ouvindo Marília Mendonça


Eu já devo ter contado aqui que gosto de vários tipos de música. Ouço de Marisa Monte até funk mas torcia o nariz para sertanejo. Bem, ainda torço um pouco, mas estou ouvindo muito Marília Mendonça, uma das representantes do chamado feminejo.  Desde a minha viagem para Recife voltei com essa mania de ouvir Marília. E gosto bastante. Ela fala algumas coisas que os homens precisam ouvir e sofre bastante também.

Quem não tem essas sofrências? Quem nunca sofreu dor de corno mesmo? Eu nem vou falar sobre isso na minha vida hahaha. Mas o fato é que eu gosto de música, independente de qual rótulo. Um amigo me disse justamente isso: para eu ouvir música independente de rótulos, se eu gostar ótimo, se não, bola pra frente.

E fiz isso. Cá estou eu, nesse exato momento ouvindo a maravilhosa da Marília. A mulher canta muito mesmo. E graças a todos os deuses que tenho a capacidade de mudar de ideia, de gostos, de conceitos. Prefiro sim ser uma metamorfose ambulante e é isso que eu sou.



Rafaela Valverde

quarta-feira, 5 de abril de 2017

A máquina de moer mulheres - Aline Valek


Tec, tec, tec. Ouve o som? É o barulho das engrenagens funcionando perfeitamente, fazendo tudo correr como deveria. Com a precisão de um relógio, movem-se os mecanismos dessa máquina gigante, antiga, mas que ainda funciona que é uma beleza para cumprir seu principal objetivo: triturar mulheres.

São muitas as engrenagens e complexos seus movimentos, mas se você der um ou dois passinhos para trás, pegando alguma distância para vê-la como um todo, é possível observar que seu funcionamento, na verdade, é tão simples que dispensa a existência daqueles volumosos manuais de instruções.

Para que funcione, é preciso abastecê-la com a ideia de que mulheres não são pessoas. São santas ou deusas; carne barata ou lixo; mas nunca pessoas. Então basta colocar uma mulher de um lado – e tec, tec, tec, soará a máquina, ruidosa – para vê-la sair do outro lado devidamente transformada em vítima.

Uma mulher agredida por seu marido. Ou assassinada pelo seu ex. Ou uma moça agredida por um desconhecido a quem ousou dizer “não”. Ou ainda uma jovem violentada por mais de trinta homens. São inúmeras as possibilidades. Todas demonstram como estão funcionando direitinho as engrenagens.

Funciona assim: primeiro, cria-se a ideia de que os corpos das mulheres estão à disposição. Que é ok violentar e agredir mulheres. Até engraçado, ou mesmo esperado. Então uma mulher sofre a violência. Se denuncia, os mecanismos de fazer com que seja desacreditada logo são postos para funcionar:

– Estava usando a roupa certa? Era recatada e do lar? Usava drogas? O que estava fazendo sozinha? Será que não queria prejudicar o homem e inventou tudo?

Na era medieval ou nos tempos de internet, o modus operandi é o mesmo: trazem a vítima em praça pública. Devassam sua vida, questionam suas escolhas, tacam pedras. Julgam se é culpada – e só pode ser – caso não se encaixe no padrão de “vítima perfeita”– e nunca se encaixa. Sempre tem um “porém”, um detalhe qualquer que faça com que os julgadores se sintam tranquilizados com a violência que ela sofreu e com o veredicto de “culpada” que ajudaram a carimbar.

– Vai ver ela mereceu – dizem, mas é o tec, tec, tec da máquina que está falando.

Não é, no entanto, máquina totalmente automática: precisa de braços para funcionar. Em primeiro lugar, precisa dos braços (e corpos inteiros) daqueles que puxam o gatilho, dão o soco, abusam psicologicamente ou estupram. Mas esses operadores da máquina quase não são visíveis daqui. Somem. Há outras engrenagens na frente tapando a visão, fazendo com que sejam esquecidos. 

São engrenagens operadas pelos braços de delegados, juizes ou policiais que constrangem as vítimas que denunciam. Pelas pessoas que questionam a vítima com um ímpeto que não direcionam aos agressores. Por quem acha que ela pediu. Por quem acredita que ela mereceu. Por quem compartilha vídeos e fotos que expõem a violência que ela sofreu. Por quem faz piadas com o assunto. Por quem faz malabarismos para provar que não foi tão grave assim. Por quem passa adiante a ideia de que mulheres é que precisam aprender a temer e a entrar na linha. Por quem aprova e incentiva o comportamento dos homens que agridem.

São tantos braços operando tantos mecanismos que fica fácil encobrir e esquecer dos verdadeiros culpados e dos mecanismos que os criaram; à esta altura, a mulher que sofreu a violência é a única responsável, ainda que dê para ouvir o som de seus ossos sendo triturados nas engrenagens na máquina de moer mulheres: tec, tec, tec.

Vê como os mecanismos funcionam em perfeita sincronia? As engrenagens da frente e de trás, as que possibilitam e as que justificam, são as que movem as engrenagens sujas de sangue, que violentam e matam, que mastigam a mulher, por dentro e por fora, para depois cuspir. Se uma mulher é triturada, não foi por uma peça ou outra; mas pela máquina inteira.

É preciso mais que um, dois ou trinta homens para violentar uma mulher: é preciso uma multidão validando toda a violência, colocando a máquina da opressão para funcionar. Enquanto as mulheres são isoladas, os agressores nunca estão sozinhos.

Da mesma forma, para fazer essa máquina parar de funcionar, não basta tirar uma peça ou outra. É preciso arrancar todas. Tirar todo o combustível. Arrebentar fios e engrenagens. Talvez por isso os mecanismos tenham funcionado há centenas de anos, sem parar: porque há mais braços ocupados em fazer a máquina de moer mulheres funcionar do que ocupados em destruí-la. Onde estão os seus?

Não há nada que indique que as engrenagens deixarão de funcionar. Mas, enquanto funcionar uma máquina tão antiga quanto a crueldade, não podemos dizer que vivemos em uma sociedade avançada. A existência dessa máquina nos mantém eternamente presos ao passado.

E assim ela segue, com seu tec, tec, tec ininterrupto. Dessa vez, foram trinta homens ao mesmo tempo violentando uma garota. Da próxima, serão cinquenta? Cem? Quantos agressores são necessários para confirmar a existência da violência? A capacidade da máquina de moer mulheres cresce em progressão geométrica, enquanto seus mecanismos permanecem invisíveis para muita gente.

Tec, tec, tec. A máquina produz mais vítimas hoje. Tec, tec, tec. Mais mulheres serão vítimas amanhã. Não é possível saber quando isso irá parar. Mas o primeiro passo para chegar a essa resposta está na atitude de enxergar a máquina – e então perceber que é possível se recusar a ser uma das engrenagens.



Rafaela Valverde

O beijo na boca - Fabrício Carpinejar




Casais que não se beijam na boca estão se separando. Vão se tornando amigos, parentes, irmãos, até se esquecerem de caminhar de mãos dadas. Vão se apartando do cheiro da pele, do gosto do abraço, das provocações infantis de corredor, das pernas alisadas no fundo da coberta.

O beijo na boca é a autêntica aliança, o ouro que vinga, a certidão que não desbota. Só que me refiro ao beijo mesmo, de girar o corpo, o pescoço, o rosto. Selinho não conta, onde os lábios são uma carta para quem já está distante. Beijo seco também não vale, onde não há a ameaça de morder os lábios.

O beijo molhado é que une. Um beijo úmido por dia renova o amor. O beijo de quem tem saudade dos tempos apaixonados, um beijo que ainda sopre de volta os elogios ditos um para o outro. O beijo sussurrado, em que os sons tremem com as respirações próximas.

O beijo que não tenha a necessidade de ser pensado demais senão surge sem jeito, forçado, cinematográfico. O beijo que seja um segredo a dois, que você extravie o horário e suspenda a noção do lugar. O beijo que toque uma canção dentro, que desperte a vontade de dançar.

O beijo de língua não permite o vazio crescer, a lacuna, o lapso. Pois uma ausência dentro de casa ainda tem conserto, duas ausências não têm como recuperar – o par esqueceu o amor em algum lugar das lembranças e não correu para reaver.

O beijo de língua desfaz as formalidades, os medos e a educação que esfriam a relação. Beijo de língua é beijo para combater o tédio, a mecânica repetida dos gestos. Beijo de língua salva os desaforos, perdoa as críticas e as cobranças. É como uma janela batendo com a chegada da chuva, uma porta batendo com o vento. É um susto que põe o coração a bater de novo.

Nem o sexo resolve o que o beijo faz. A transa sem beijo é apenas desafogo, catarse, apego de bichos. O beijo com língua é o que nos singulariza entre os animais. Casais felizes sempre se buscam pela boca. É uma receita simples de longevidade. Sem o beijo, a pessoa tem a vontade de largar tudo e ficar sozinha. Com o beijo, ela não perde a vontade de largar tudo, mas com a diferença de querer levar junto aquele que ama.



Rafaela Valverde

sábado, 25 de março de 2017

Fotos de paus


Não sei qual a dificuldade dos homens entenderem que  não se trata do pau deles. Não sei porque é tão difícil compreender  que eles e seus respectivos paus não estão no centro do mundo e nem são os principais responsáveis por fazer uma mulher gozar. O protaganista do sexo não é o pênis como se pensava há retrógrados anos, graças a Deus, já passados. O protagonista do sexo há de ser o prazer mútuo, e com certeza meter o pau em algum orifício não é a principal fonte da prazer.

Por mais que as mulheres falem para os homens que o pau não é o principal instrumento para o prazer delas, que há vários outros mecanismos e pontos erógenos num corpo imenso, a maioria dos homens só enxergam mesmo o orifício que chamamos carinhosamente de boceta ou buceta. Se nós, mulheres, agora me incluindo, estamos falando claramente o que dá ou não prazer, seria bom escutar né não?

Mas os homens continuam endeusando os seus paus. A prova disso são as famigeradas fotos de paus que enviam. Sempre são as mesmas fotos, fotos bastante parecidas  de um mesmo membro, aquele membro que eles acham que  vai resolver todo o problema da incapacidade deles de enxergar uma mulher. E olhe que muitas vezes o pau nem funciona. 

Claro que já sei toda a questão da pressão que é posta em cima dos homens. Não podem chorar, têm que ser viris e nunca, mas nunca mesmo negarem fogo. Mas a gente não precisa da foto da porra do pau de vocês para ficarmos excitadas. Há coisas muito mais eficazes para isso. Mas vocês têm preguiça de tocar o corpo de uma mulher. Eu tenho extrema repulsa por isso e não vou dar mais essa dica a nenhum de vocês. Vou ficar bem caladinha, mas também não provarão a fruta. Se não ouvem o que a gente fala então também não comem a gente! É fato. Atos têm consequências!

E por fim. Mulher não gosta de receber fotos de paus do nada. FOTOS DE PAUS NÃO EXCITAM MULHERES DO NADA. Se pelo menos houver um contexto, uma conversa mais quente, aí sim a foto se justifica, mas fora isso, parem porque vocês estão passando vergonha.






Rafaela Valverde

sexta-feira, 10 de março de 2017

Resenha acadêmica de Nove Noites - Bernardo de Carvalho - Parte II


Ora, era justamente a ideia que Bernardo de Carvalho rechaça. Os índios devem ser tratados como gente, como os seres humanos que são. Com seus defeitos e suas virtudes. A ideia que ainda se tem sobre o índio é que além de ele ser passivo, é  oco e superficial.   Índio   não pensa,  índio   só   quer   umas   lembrancinhas  e alguém   que   os defenda. Essa é a ideia paternalista que o livro pretende desbancar. E consegue. O livro passeia por histórias e emoções, o livro vai e vem. E assim será esse texto, ele vagueará pelas histórias  contadas  em   Nove  Noites   e  pelo   mistério que   ronda  o  suicídio   do etnólogo americano.

Dessa forma, há de se falar da morte, da vida, das cartas e de tudo mais que possa ser interessante sobre a vida de Buell Quain. Essa busca pela vida do antropólogo está   diretamente   ligada   à   vida  do   narrador.  A  análise   desse   texto   buscará   ser   tão obsessiva quanto a busca dele. Portanto trechos e parágrafos se vão se misturar e se intercalar para contar essa (s) história (s).

O narrador, depois de adulto, retornou à comunidade dos  Krahô, acompanhado de   um   antropólogo  conhecido.   Ele   conheceu   o   velho   Diniz,   único   membro   da comunidade vivo que conheceu Quain quando ainda era menino. Havia a esperança de que ele falasse sobre local em que o americano havia sido enterrado e outras questões. O velho Diniz mal havia sido apresentado ao jornalista e foi logo pedindo seu gravador. Negando educadamente, ele informa que precisa dele para trabalhar, o índio rebate: “Lá em   São   Paulo   você   compra   um   igualzinho   e   manda   pelo   correio.”   É   um   trecho marcante, pois evidencia o quão os índios são humanos, o quão os índios que moram no Brasil são realmente brasileiros. Enfim comprovam que índio é gente e gosta de todas ascoisas que todas as outras pessoas gostam. O velho Diniz conta que os índios chamavam Buell   de   “Cãmtwýon”,   sendo   logo   questionado   sobre   o   significado.   Mas   não   há significado específico, ao contrário do que se pensa que sejam os nomes indígenas. Mais um estereótipo quebrado. 

Diniz   ainda  conta   que   o   antropólogo   americano  raspou  a   cabeça,   enquanto tomava banho no rio, no dia seguinte à sua chegada: ajudou em um parto, deu nome ao recém-nascido, mas não queria participar de nada. Não se envolvia em nada e passava dias escrevendo, não bebia muito e costumava ouvir música às vezes. Era um homem bastante   reservado.   Diniz   achava   que   ele   havia   enlouquecido   depois   que   recebera algumas cartas. Nessas cartas, que foram queimadas por ele antes de morrer, haveria anotícia de que a mulher o havia traído com o irmão.

Mas   essa   história   não   é   verdadeira.   Há   muitas   contradições   e   versões desencontradas sobre as possíveis causas do seu suicídio. A mãe e a irmã dele afirmam que ele nunca havia sido casado e não tinha irmão. Só irmã, mãe e um pai que eranmédico, mas não muito próximo dele. Há ainda várias hipóteses sobre o momento da sua morte: “foi se cortando todo, ainda de dia, descendo sangue”, depois “queimou dinheiro.” Havia ainda informações sobre ele ter queimado as cartas que recebera, pois elas nunca foram encontradas. Ele teria se cortado no pescoço e nos braços e depois se
enforcado. Enfim, como se vê, não há uma informação só sobre o inesperado caso.

Há relatos que o etnólogo sofria e que estava se cortando (foi questionado nomomento) e ele afirmara que “precisava amenizar o sofrimento, extinguir a sua dorcruciante.” Em geral, as pessoas atribuem o suicídio a sofrimento à depressão e é fácil perceber que o homem tinha picos  de tristeza  e crises existenciais. Ele em  alguns momentos interagia e estava bem. No momento seguinte, porém mudava o seu humor e se trancava.

“Ele se enforcou com a corda da rede num pau grosso, inclinado, quando os índios fugiram,” afirmou o velho Diniz. Pediu que fosse enterrado ali mesmo e seu pedido foi atendido. A sepultura foi marcada com talos de buriti e nenhuma polícia ou outra autoridade foi ao local. Não houve exumação nem abertura de inquérito e nem há registro em nenhum cartório ou fórum.

 A morte de Buell Quain foi esquecida, teve certa repercussão na época, mais entre o meio antropológico, além de ter sido um americano morto em terras Brasileiras. Nem a mãe e a irmã vieram ao Brasil ou solicitaram o envio do corpo. Não. Ele ficou esquecido lá nos confins do norte do Brasil. A colcha de retalhos de informações e especulações sobre esse suicídio nunca foi concluída. As costuras não combinam entres i e sempre há alguma discrepância entre elas. Nunca se chegará a nenhuma conclusão sobre o que teria levado o jovem americano a se matar.

Foi   observado   que   há   algumas   insinuações   sobre   uma   possível homossexualidade   do   etnólogo.   Em   alguns   trechos   das   narrativas   apontam   como estranha a ausência de mulheres na vida dele. Ele não tinha amantes, não olhava para as índias, não era dado a aventuras sexuais, era bastante recluso. Outro ponto que pode ser interpretado como insinuação sobre a sexualidade de Buell seria uma das últimas cartas que ele escreveu ao cunhado, e somente a ele, antes de morrer. Para muitas pessoas poderia passar despercebido, mas não é esse o caso. Há também o fato de ele não se dar bem com o pai, seria um indício?

Em determinados momentos do texto é narrada  a viagem do jornalista, sessenta e  dois anos  depois. Ele mantém  um relacionamento mais  próximo com  os   índios, participa de rituais e reconstrói algumas imagens sobre os indígenas. Pôde ainda sentir um pouco a  sensação de estar próximo aos índios  e pesquisou bastante a vida do antropólogo. Cartas e fotos por exemplo. Em uma carta escrita em 4 de julho, menos de um mês antes de morrer ele escrevia: “Duvido de que em algum outro lugar no mundo existam culturas indígenas tão puras. Mas, a despeito de todas as virtudes do Xingu, gostaria   de deixar   o   Brasil   definitivamente   e   limitar   meu   trabalho   a   regiões.” Ele reclamava das dificuldades de trabalhar com índios brasileiros. “Acredito que isso possa ser atribuído à natureza indisciplinada e invertebrada da própria cultura brasileira.” Ou seja, os indígenas brasileiros, já naquela época não eram passivos como se imagina. E quase nada se alterou na cultura do povo brasileiro.



Continua...


Rafaela Valverde

Bem sucedida e solitária


Parece que serei a mulher bem sucedida na carreira, escritora, acadêmica, com teses e muitas leituras. E por aí mesmo vou ficar. Não que isso não me satisfaça, é maravilhoso! Mas o que vai ficando claro a medida em que os anos vão passando é que não serei a mulher amada e que ama; não serei a mulher com um casamento bem sucedido e com amor.

Esses sonhos românticos não são para mim, deixo para os afortunados na vida, cujo sorriso demonstra a felicidade de estar ao lado de alguém. Parece que não nasci afeita aos lados românticos da vida. Ou eu tento me afastar deles ou eles se afastam de mim. Já vi que amor não é para mim. Até sinto, mas não vivo. E não tenho nenhuma esperança de viver novamente.

Eu tenho andado muito desiludida com todas essas questões românticas. Eu não quero mais saber de romantismo. Eu serei a representante oficial da mulher moderna, livre e bem sucedida. Mas sozinha, Sabe, não exatamente aquele sozinha de não ter ninguém por perto. É  a solidão que vem no final do dia - que é a hora de compartilhar coisas; é a solidão de não ter ninguém para abraçar a gente, para acariciar a gente, é a sensação de estar sempre calada ou de conversar com espelhos.

Outra sensação que tem se apoderado de mim nos últimos dias é a se eu realmente sirvo para ser amada, ou se sou mulher para encontros casuais e relações rápidas. Talvez sim, é provável que sim. Já tive meu pequeno conto de fadas, já tive meu momento. Agora ele já passou e é à minha carreira que irei me dedicar agora. Pelo menos ela não me faz sofrer.



Rafaela Valverde

quarta-feira, 8 de março de 2017

Ser mulher - Silvana Duboc


Ser mulher...
É viver mil vezes em apenas uma vida.
É lutar por causas perdidas e sempre sair vencedora.
É estar antes do ontem e depois do amanhã.
É desconhecer a palavra recompensa apesar dos seus atos.

Ser mulher...
É caminhar na dúvida cheia de certezas.
É correr atrás das nuvens num dia de sol.
É alcançar o sol num dia de chuva.

Ser mulher...
É chorar de alegria e muitas vezes sorrir com tristeza.
É acreditar quando ninguém mais acredita.
É cancelar sonhos em prol de terceiros.
É esperar quando ninguém mais espera.

Ser mulher...
É identificar um sorriso triste e uma lágrima falsa.
É ser enganada, e sempre dar mais uma chance.
É cair no fundo do poço, e emergir sem ajuda.

Ser mulher...
É estar em mil lugares de uma só vez.
É fazer mil papeis ao mesmo tempo.
É ser forte e fingir que é frágil...
Pra ter um carinho.

Ser mulher...
É se perder em palavras e depois perceber que se encontrou nelas.
É distribuir emoções que nem sempre são captadas.

Ser mulher...
É comprar, emprestar, alugar, vender sentimentos, mas jamais dever.
É construir castelos na areia, ve-los desmoronados pelas águas.
E ainda assim amá-los.

Ser mulher...
É saber dar o perdão... É tentar recuperar o irrecuperável.
É entender o que ninguém mais conseguiu desvendar.

Ser mulher...
É estender a mão a quem ainda não pediu.
É doar o que ainda não foi solicitado.

Ser mulher...
É não ter vergonha de chorar por amor.
É saber a hora certa do fim.
É esperar sempre por um recomeço.

Ser mulher...
É ter a arrogância de viver apesar dos dissabores,
das desilusões, das traições e das decepções.

Ser mulher...
É ser mãe dos seus filhos... Dos filhos de outros.
É amá-los igualmente.

Ser mulher...
É ter confiança no amanhã e aceitação pelo ontem.
É desbravar caminhos difíceis em instantes inoportunos.
E fincar a bandeira da conquista.

Ser mulher...
É entender as fases da lua por ter suas próprias fases.
É ser "nova" quando o coração está à espera do amor.
Ser "crescente" quando o coração está se enchendo de amor.
Ser "cheia" quando ele já está transbordando de tanto amor.
E ser "minguante" quando esse amor vai embora.

Ser mulher...
É hospedar dentro de si o sentimento do perdão.
É voltar no tempo todos os dias e viver por poucos instantes.
Coisas que nunca ficarão esquecidas.

Ser mulher...
É cicatrizar feridas de outros e inúmeras vezes deixar.
As suas próprias feridas sangrando.

Ser mulher...
É ser princesa aos 20... Rainha aos 30...
Imperatriz aos 40 e... "Especial" a vida toda.

Ser mulher...
É conseguir encontrar uma flor no deserto.
Água na seca... Labaredas no mar.

Ser mulher...
É chorar calada as dores do mundo e
Em apenas um segundo, já estar sorrindo.
Ser mulher...
É subir degraus e se os tiver que descer não precisar de ajuda.
É tropeçar, cair e voltar a andar.

Ser mulher...
É saber ser super-homem quando o sol nasce.
E virar cinderela quando a noite chega.

Ser mulher...
É ter sido escolhida por Deus para colocar no mundo os homens.

Ser mulher...
É acima de tudo um estado de espírito.
É uma dádiva... É ter dentro de si um tesouro escondido
E ainda assim dividí-lo com o mundo!


Silvana Duboc

Leia mais: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=80968 © Luso-Poemas





Rafaela Valverde

Traição


Traição é coisa muita séria. Causa problemas diversos, não só para os envolvidos, como também para a família e amigos e até mesmo pode virar casos sociais de violência, já que sempre vemos por exemplo, casos de assassinatos por traição ou ciúme. Mas a verdade é que em algum momento alguém já teve vontade de trair ou foi às vias de fato mesmo.

Na verdade, é um assunto que vai de cada casa, de cada pessoa. Uma pessoa pode dizer que perdoa traição e realmente perdoar, ou não, vai saber. Outra pessoa pode dizer que nunca perdoa e perdoar dizendo : "ah, foi só um deslize bobo." Na hora mesmo que acontece a coisa é que vai saber qual a real atitude.

Eu já vivi um relacionamento aberto. Eu sempre fui muito tranquila em relação a ciúmes, mas nunca admiti a traição propriamente dita, apear de sempre ter dito que perdoaria. E realmente perdoaria. Eu não consigo admitir a traição porque penso que ninguém é obrigado a estar em um relacionamento sério, namorar, casar... Mas se a pessoa está e se comprometeu a estar, é só naquele relacionamento em que ela vai se focar.

Pelo menos é o que EU penso. Por que conheço muita gente que não pensa assim e mesmo estando em um relacionamento dito monogâmico, tem vários "casinhos" por fora. Quem sou eu para julgar mas tenho certeza que ninguém é obrigado a nada. Não quer estar naquela relação, separa. 

Eu já traí, uma vez e com uma certa culpa. Mas eu tenho bem os meus motivos para isso. E com certeza já devo ter sido traída. Só tenho certeza de uma relação em que não fui. Ainda assim, não por falta de vontade da pessoa. É tudo muito relativo, somos seres humanos e erramos. Erramos muito.




Rafaela Valverde

terça-feira, 7 de março de 2017

Quanto menos sabem, mais falam!


Existem muitas pessoas vazias. A maioria das pessoas não têm nada a oferecer. Só tiram, só sugam. Então, quando a gente é cheia, transbordante, e diferente passa a ser tratada com desdém e indiferença. Digo isso porque passo por isso constantemente. Portanto quem vai desdenhar hoje sou eu.

Gosto de pessoas interessantes. Gosto de conteúdo. Gosto de quem sabe vários assuntos e sabe falar sobre eles. Gosto de pessoas completas, como eu.  Há pessoas, homens e mulheres, que buscam em outras pessoas somente o que eles mesmo podem oferecer: nada. Ou apenas uma aparência vazia, só preenchida com beleza física e olhe lá. 

Essas pessoas não apreciam pessoas e sim aparência; não apreciam a letra, apenas a música; não apreciam a poesia, apenas a prosa barata e ordinária. Algumas mulheres que eu conheço, por exemplo, não se importam se os caras que estão ao lado dela, ou que elas estão querendo "pegar" têm caráter ou conteúdo, não se importam se eles prestam ou não. Contato que sejam gostosinhos, malhados, com barbinhas bem feitas... De preferência devem ter carro e pau grande, mesmo que não saibam usar.

Eu observo muito as pessoas e escuto mulheres valorizando muito tamanho de pau em detrimento de cérebro, conteúdo, bom papo, etc... Poucas pessoas conseguem valorizar gente complexa, que assiste filme de verdade, que  ouve músicas não somente para dançar  e que bate papo sobre política, social, literatura e outros assuntos considerados cabeça.

As pessoas gostam de coisas rasas, porque é mais fácil. É muito mais difícil estudar, ler e ter conteúdo. É muito mais fácil falar de BBB ou se algum novo casal famoso se separou ou vai casar. Ouvir Marília Mendonça num bar, se divertindo dançando é muito mais fácil que ouvir Crioulo e outros raps de protesto, por exemplo. 

É muito mais fácil ser ignorante, não ler nada, não reclamar de nada, ter conversas fúteis. Dá menos trabalho trabalhar o dia todo, a semana toda, sem questionar, pegar engarrafamento e demorar horas para chegar em casa. Tem nada não, no final de semana tem cervejinha e paredão e uma vez ao ano tem carnaval. 

Bem, é esse o meu pequeno desabafo . Eu não estou mais sabendo lidar com esse tipo de gente vazia, que só quer luxo, carro, shows de banda sertaneja e só sabe falar abobrinha. E o pior é que quanto menos sabem, mais falam. Socorro!



Rafaela Valverde

Manifesto contra 'homis' escrotos

Pessoas em geral não prestam, pessoas em geral não são confiáveis. Mas os homens estão de parabéns nessa história. Parece que na escola chamam os homens e ensinam como serem escrotos. Parafraseando Vivian, personagem de Julia Roberts em Uma Linda Mulher que fala exatamente essa frase, só que no lugar do "de como serem escrotos", a fala dela é sobre os homens aprenderem a bater bem na cara de uma mulher - é que abro esse manifesto contra os homens escrotos - quase todos.

Não estou aqui para generalizar, mas também não vou ficar defendendo homi bosta não. Pois bem: a maioria dos homens que conheci e fiquei são bem imbecis. Não têm papo, não sabem lidar com uma mulher; eu sou capaz de dizer que não conhecem mulher.  Os homens são inconstantes, indecisos (mudando de opinião de forma irritante, ao seu bel prazer), uma hora querem, outra não querem. E isso em qualquer coisa! Os homens, em sua maioria, não se importam com nada mais além deles mesmos e seus digníssimos paus. Ah, pelo amor de Deus! Grande coisa é um pau!

Há uma cultura tão grande de idolatria a esse órgão, que para mim é nojenta. Um pau sozinho não faz nada. Entendam isso! Mulher é um conjunto bastante complexo e não apenas o que está embaixo da nossa saia é que o interessa. Aliás, para vocês, sim, né! É só o que importa: buceta. Pra meter, gozar, virar para o lado e dormir. Mas eu hei de informar para vocês, homens, que nós mulheres, temos vários pontos erógenos pelo corpo, atrás dos joelhos, por exemplo, é um bom local, o pescoço... Vocês já chegaram nesses locais? Não, né? Porque vocês não se importam com o prazer feminino. Só com vocês mesmos e ainda não sabem fazer sexo, não descobriram ainda a magnitude do que é o sexo, que com certeza não é só buceta e pau!

Ainda falando de sexo, eu infelizmente preciso dizer aqui que o mesmo homem que adora receber sexo oral é o mesmo que não gosta de fazer. Tem nojo de buceta, dos pelos, do cheiro, sei lá o que! Eu já devo ter falado isso aqui umas quinhentas vezes mas ainda assim vou repetir: buceta tem gosto e cheiros característicos e isso que faz dela uma buceta. Se você não gosta desses dois aspectos, você não gosta de buceta! Ah, quem dera se o mesmo homem que não gosta de chupar fosse o mesmo que não gostasse de ser chupado!!

Eu tenho pena desses homens. Coitados. Dependem apenas do pênis para ter prazer e quando esses dito-cujos começam a falhar é um deus dará, porque não há interesse em descobrir outras formas de prazer para ambos, afinal sexo é uma troca, não é? Não, os homens passam a vida toda dependentes dos pintos e só usando eles, muito mal, ainda por cima.

E aqui não estou reclamando ainda da falta de tato masculina apenas no sexo não. A maioria dos homens não tem tato para nada. Já saí com um cara que me levou numa lanchonete, engoliu o sanduíche dele e aparentava muita presa de irmos logo ao motel. Fiquei com vergonha alheia ali mesmo, só não me mandei porque queria levar o encontro adiante apenas para finalizá-lo de vez. Em outra ocasião deixei um homem-britadeira, lá sozinho de pau duro, na cama e fui me embora. Que nada, eu não sou obrigada!

Em relacionamentos, quando resolvem entrar, os homens costumam fazer muita merda também. Uma das piores coisas é continuar a vida de pegador mesmo tendo mulher/namorada em casa. É ridículo! Vocês não são obrigados a terem relacionamento, se querem continuar pegando, fiquem solteiros, porra! Estamos no século XXI! Mas na sociedade retrógrada e conservadora em que vivemos, parece que as pessoas são obrigadas a se relacionarem, casar, ter filhos... Apenas para prestar contas à sociedade. Tsc, tsc, tsc...

Por último, mas nem por isso menos importante, ao contrário são as coisas mais importantes para mim em qualquer relacionamento, mesmo que seja somente um relacionamento curto, para sexo casual, o respeito tem que imperar, de qualquer jeito. Sejam carinhosos, gentis, cavalheiros (não no sentido de tratar a mulher como uma retardada, sem mãos) mas o que custa pegar uma bolsa pesada se vocês estão com as mãos vazias? Nada! Acreditem, a gente, por mais feminista que seja, repara em atitudes como essa e gosta de ser bem tratada. Quando terminarem de transar e os DOIS tiverem gozado, e isso eu digo para as mulheres também: se abracem, se acariciem! Carinho é maravilhoso. Não vão cada um para um canto com o celular não, isso destrói qualquer possibilidade de um novo encontro e vai destruindo aos poucos o relacionamento. Por fim: homens, ESCUTEM AS MULHERES! Será que é tão difícil escutar, não só ouvir? Prestar atenção e não ficar olhando para o celular? Será que é possível conversar com vocês? Ou vocês só sabem mesmo, e mal, fazer sexo?


Ficam as dicas!


Rafaela Valverde


sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Série Dexter


Terminei essa semana a série Dexter. Já vou logo soltar um spoiler leve. Confesso que fiquei bastante decepcionada com o final. Triste mesmo. Na verdade, o meu bom senso afirma que ela terminou como tinha que terminar, era  a maneira mais coerente da série chegar ao fim. Mas eu fiquei chateada, enfim.

Dexter foi uma série americana de drama/suspense que estreou em 2006 e contou com detalhes a história de Dexter Morgan (Michael C. Hall), um psicopata serial killer que tinha um código de conduta ensinado pelo pai que fora policial. De acordo com esse código, Dexter primeiramente não deveria ser pego e em segundo lugar só devia matar bandidos. Ele deveria ser um tipo de vingador segundo o código de Harry, seu pai.

A história é narrada em Miami, o que é na minha opinião, uma das coisas mais interessantes e originais da série. Quando a gente pensa em Miami, só pensa em praia, férias, colares de flores e dança hula. Ou seja, clichês e mais clichês, ilusões que são quebradas quando aparece a primeira cena de crime sombria na cidade do litoral americano.

O assassino em série também trabalha na polícia, assim como seu pai e sua irmã Debra (Jennifer Carpenter). Mas ele não é policial. Dexter se tornou um perito em padrões de sangue. Ele, óbvio né, é fascinado pelo sangue, suas nuances e desenhos. Sangue é arte. Eu adorei essa série e praticamente a devorei. É divertida. Alguns fios soltos podem ser observados durante o enredo. Por que Dexter nunca é pego apesar de tantas vezes  vacilar, ou deixar algo que provava quem realmente ele era bem evidente? Claro né, se ele fosse pego acabava a série.

Mas não é bem isso que estou querendo dizer. Por exemplo, Debra Morgan, irmã de Dexter, minha personagem preferida - a pessoa mais boca porca de todas as séries e filmes que eu já assisti - foi uma excelente detetive e foi a personagem da série mais próxima do irmão durante as oito temporadas da série. Mas ela nunca, nunca, mas nunca mesmo desconfiou. Mesmo com tantos "moles" que ele dava, mesmo com saídas " a trabalho", mesmo tendo sido criada com ele, etc...

É claro que não vou contar tudo aqui né. Mais uma vez: eu amo essa série! Boas atuações. Especialmente dos protagonistas Dexter e Debra. A série terminou 2013 e sua primeira temporada foi fortemente baseada no livro Darkly Dreaming Dexter de Jeff Lindsay. Voltando ao fato de Dexter nunca ter sido pego, hehehe: ele, além de ser "atlético", como me disse um amigo, ele era um bom perito e sabia como se comportava a mente de psicopatas como ele. Por isso, era mais fácil para ele se desviar dos olhares da polícia... Olha eu ficaria aqui a noite toda falando dessa série. Quem quiser que assista. Recomendo!



Rafaela Valverde


quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Filme O Nome da Rosa


O Nome da Rosa é um suspense dramático de 1986, dirigido por Jean-Jacques Annaud e com atuações de Sean Connery, Christian Slater, Elya Baskin, entre outros. A história se passa no século XIV, no ano de 1327, período da Idade Média. Wiliam de Baskerville (Sean Connery), um monge franciscano e Adso von Melk (Christian Slater) seu pupilo, são secretamente convocados para uma missão em um rígido Mosteiro Beneditino na Itália. A missão era investigar a morte de um dos monges. O tradutor grego Adelmo teria sido jogado de um penhasco por alguma força maligna. Wiliam constata, após algumas investigações, que foi suicídio.

Há algo sombrio naquele lugar, Baskerville e seu pupilo têm certeza. Alguém fala logo no início: “o demônio ronda essa abadia”. Dessa forma o filme começa já com esse clima assustador, que claro, é ligado à figura feminina. Ao jovem Adso é atribuída uma imagem feminina e diabólica. Um jovem com olhos femininos.

Porém, um segundo monge morre e seu corpo encontrado de cabeça para baixo dentro de tanque, descartando assim a hipótese inicial de suicídio na morte anterior. Alguns monges associam essa morte como uma profecia do apocalipse, já que as arrumações do corpo supostamente faria referência a uma passagem bíblica do livro de mesmo nome. Aristóteles é citado, já que a vítima estudava as obras dele e as traduzia. A partir desse momento, a credibilidade de Wiliam fica um pouco estremecida e os monges líderes passam a ter dúvidas sobre sua capacidade de investigar o caso.
Coisas vão acontecendo durante as investigações. Wiliam percebe que pode realmente haver ali um assassino. A Comédia de Aristóteles, aquela que fazia parte da Poética e que se perdeu ao longo dos anos, passa a ser discutida por causa do gênero que faz rir. Ele é desvalorizado pela igreja. Um dos monges mais velhos afirma que o riso é demoníaco, deforma o rosto e faz as pessoas parecerem macacos, daí já é possível constatar a sisudez do período e daqueles monges. O riso afastava as pessoas de Deus, por isso a rejeição às Comédias. Esse monge grita de forma categórica que a Comédia de Aristóteles nunca existiu. A Comédia é vista como estimuladora do ridículo, o riso mata o temor Sem o temor não pode haver fé, pois sem temer o demônio não há necessidade de crer na existência de Deus.

O pupilo de Wiliam, Adso, se entrega aos prazeres da carne com uma mulher que rodeia a abadia em troca de comida. A mulher vista como feiticeira, aquela desvia o homem do caminho de Deus. O menino conta a aventura ao seu mestre, como amigo que lhe responde que a vida teria mais paz sem o amor.

Acontece a terceira morte: o corpo de mais um monge é encontrado em uma banheira com folhas de lima. Folhas de lima eram utilizadas em banhos para aliviar dores. Ele havia morrido afogado, após tentar aliviar as dores que sentia. Verifica-se, assim como nos outros monges, que as pontas dos dedos e a língua estavam manchadas de tinta escura. E assim segue o mistério e as investigações.
Wiliam e Adso desconfiam cada vez mais dos segredos que rondam o mosteiro. Eles passam a ir mais a fundo na caça ao assassino. Os segredos estão relacionados a livros: proibidos e espiritualmente perigosos. Há uma torre cheia deles e poucas pessoas podem acessa-los. Chega a constatação de que os três homens morreram por causa de um livro que mata ou pelo qual um certo homem pode matar.
Alguns monges passam a se incomodar com a presença de Wiliam e pedem que ele vá embora e que as investigações sejam finalizadas.

 Mas eles não param de investigar e descobrem um porão nas fundações da torre da biblioteca do mosteiro. Alguns livros proibidos são encontrados. Wiliam afirma que ninguém deveria ser proibido de consultar estes livros de forma livre. Seu pupilo responde que talvez eles sejam muito preciosos e frágeis. Mas ele sabe que não é bem isso, eles contêm uma sabedoria diferente e ideias que podem fazer as pessoas duvidarem de Deus. E a dúvida é a inimiga da fé, ou seja, para acreditar é preciso ter certeza do que acredita. Se há uma possibilidade de dúvida da existência de Deus, em que as pessoas vão acreditar? Como as pessoas vão acreditar na igreja e na bíblia? Portanto, o conhecimento deve ficar oculto, especialmente esse tipo de conhecimento.

Enquanto isso, a mesma mulher que fez Adso se entregar aos prazeres da carne, se envolve em um ritual que pode ser considerado bruxaria, junto com um monge corcunda e um deficiente mental: Salvarote, Eles utilizam um gato preto nesse ritual que é logo associado às mortes dos monges. Ambos são julgados e condenados à fogueira pela inquisição. Nesse mesmo período está acontecendo no mosteiro uma votação que decidirá os gastos da igreja, justificando assim a presença de Wiliam e de outros membros da igreja. Desta forma, com a presença desses nomes da inquisição no mosteiro, é possível a realização da condenação dos envolvidos com bruxaria de forma mais rápida.

Não havia como contestar a inquisição e quem assim o fizesse seria acusado de heresia. Vivia- se a partir de normas estabelecidas por doutrinas cristãs. Não era possível discordar e dizê-lo em voz alta, pois a inquisição matava. E esses livros, os que haviam sido escondidos, eram vetores de discordância, por isso foram taxados como livros proibidos. Em suas páginas foram depositadas veneno, para que quem ousasse lê-los, morresse. O responsável pelo veneno é o mais antigo morador e mais velho monge, Jorge que é cego.

Um incêndio na torre, provocado acidentalmente por Jorge ao tentar fugir após ser descoberto, destrói alguns livros, mas Wiliam consegue salvar alguns livros e a sua própria vida. Os livros têm saberes que não podem mais se perder. Daí o desespero de Wiliam para salvá-los. E mesmo quando é questionado por Adso se se importa mais com livros ou com pessoas, ele não tem dúvida e permanece com a ideia fixa de salvar os livros também, pois sem eles, as pessoas não conseguirão contestar doutrinas e ideias da igreja um dia.

O filme conta com uma fotografia sombria e escura, o que é essencial para o clima sombrio da história e do local. As atuações são fortes e os diálogos são bem construídos. Sean Connery está no melhor papel da sua carreira junto com Christian Slater que ainda menino demonstra um pouco de insegurança, mas segura bem o personagem.

É um filme para se pensar nessas formas de viver durante a Idade Média. O poder da igreja imperava, mulheres, deficientes e quem quer que discordasse ou realizasse práticas condenadas pela igreja, poderia ser condenado à morte. E geralmente era o que acontecia. A inquisição se instaurou no século XIII para investigar e julgar pessoas consideradas hereges, ou seja, aquelas pessoas que discordavam do poder e das ideias da igreja católica.






Rafaela Valverde

Às mulheres que se cuidam II


Há alguns dias escrevi um texto falando sobre as mulheres que se cuidam, sobre nós mulheres que nos cuidamos tanto e algumas consequências disso, especialmente para os lucros de grandes empresas e para a péssima saúde do planeta. Pois bem, o texto foi escrito para ter essa continuação que vos fala agora.

Eu me cuido, eu uso maquiagem, apesar de ser muito raro, eu uso hidratante na pele, protetor solar, sabonete, shampoo, condicionador, cremes de cabelo, óleo, esmalte, acetona, etc. O que queria discutir era sobre o excesso de produtos que existem para mulheres, enquanto para os homens quase nada. Parece que só vagina precisa de cuidados!

É isso que nós mulheres precisamos ter em mente. A nossa vagina não fede. Ela tem seu próprio cheiro, além disso, os homens também precisam se cuidar e estar limpinhos e cheirosinhos. Não somente as mulheres. Há também a questão do tanto de lixo que a gente gera com todos esses produtos. É muito lixo, é muito plástico. 

Eu tenho ouvido falar do coletor menstrual, por exemplo. Ele é uma das formas de ter nosso momento feminino sem poluir muito o meio ambiente, sem deixar tanto lixo para nossos netos. Mas eu ainda estou muito pensativa em relação a eles, já que eu não sei se me adaptaria. Não uso nem absorvente interno, não consigo, incomoda demais. Então como usaria um copinho de silicone dentro da minha cavidade vaginal? É meio estranho falar sobre isso aqui no blog, mas é importante que mulheres discutam sobre produtos fabricados para elas. Refletir sobre o porquê de tantos produtos para higiene e beleza feminina. Será mesmo que precisamos tanto assim deles? Ou será que eles precisam de nós?



Rafaela Valverde
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