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sexta-feira, 24 de março de 2017

Série Merli


Dois professores me indicaram a série Merlí e eu decidi assistir. Está no Netflix e eu não poderia deixar de dar uma espiada. Especialmente por se tratar de uma série catalã, cuja cultura e língua eu ainda não tinha tido contato e por se tratar de educação e filosofia. Merlí estreou na Catalunha em 2015 e a Netflix comprou os direitos de exibição no Brasil e nos EUA.

Só tem a primeira temporada, mas já quero a segunda! Merlí, professor que dá nome a série é um professor de filosofia nada tradicional. Ele chega à escola causando polêmicas com os outros professores e com os alunos que estranham sua forma de ensinar e agir. Desperta o ódio de alguns e o amor de outros. Um outro detalhe da série é que cada episódio é nomeado com um filósofo ou uma vertente filosófica como os peripatéticos. E nesses episódios com nomes de filósofos, as aulas e as histórias têm influências de certas ideias deles. 

Merlí é pai de Bruno, que também é seu aluno. Bruno é gay mas ainda está no armário. E as histórias vão se desenvolvendo a partir dos dramas dos alunos, da personalidade do professor-protagonista Merlí, que não é nada fácil e a partir de ideias filosóficas também. Vários assuntos são abordados, como conflitos entre pais e filhos, divulgação de vídeos íntimos na internet, bullying, homossexualidade, etc.

É uma série muito bacana. Bem produzida, com boas atuações e aquela gostosíssima língua catalã que inclusive estou estudando na faculdade, já que é uma língua românica, advinda do latim hahaha. É isso, gente, eu gostei bastante e recomendo. Para professores e pessoas normais (rsrsrs). Já que é uma série bastante divertida e dá para aprender alguma coisa sobre filosofia. Recomendo!



Rafaela Valverde

terça-feira, 7 de março de 2017

Quanto menos sabem, mais falam!


Existem muitas pessoas vazias. A maioria das pessoas não têm nada a oferecer. Só tiram, só sugam. Então, quando a gente é cheia, transbordante, e diferente passa a ser tratada com desdém e indiferença. Digo isso porque passo por isso constantemente. Portanto quem vai desdenhar hoje sou eu.

Gosto de pessoas interessantes. Gosto de conteúdo. Gosto de quem sabe vários assuntos e sabe falar sobre eles. Gosto de pessoas completas, como eu.  Há pessoas, homens e mulheres, que buscam em outras pessoas somente o que eles mesmo podem oferecer: nada. Ou apenas uma aparência vazia, só preenchida com beleza física e olhe lá. 

Essas pessoas não apreciam pessoas e sim aparência; não apreciam a letra, apenas a música; não apreciam a poesia, apenas a prosa barata e ordinária. Algumas mulheres que eu conheço, por exemplo, não se importam se os caras que estão ao lado dela, ou que elas estão querendo "pegar" têm caráter ou conteúdo, não se importam se eles prestam ou não. Contato que sejam gostosinhos, malhados, com barbinhas bem feitas... De preferência devem ter carro e pau grande, mesmo que não saibam usar.

Eu observo muito as pessoas e escuto mulheres valorizando muito tamanho de pau em detrimento de cérebro, conteúdo, bom papo, etc... Poucas pessoas conseguem valorizar gente complexa, que assiste filme de verdade, que  ouve músicas não somente para dançar  e que bate papo sobre política, social, literatura e outros assuntos considerados cabeça.

As pessoas gostam de coisas rasas, porque é mais fácil. É muito mais difícil estudar, ler e ter conteúdo. É muito mais fácil falar de BBB ou se algum novo casal famoso se separou ou vai casar. Ouvir Marília Mendonça num bar, se divertindo dançando é muito mais fácil que ouvir Crioulo e outros raps de protesto, por exemplo. 

É muito mais fácil ser ignorante, não ler nada, não reclamar de nada, ter conversas fúteis. Dá menos trabalho trabalhar o dia todo, a semana toda, sem questionar, pegar engarrafamento e demorar horas para chegar em casa. Tem nada não, no final de semana tem cervejinha e paredão e uma vez ao ano tem carnaval. 

Bem, é esse o meu pequeno desabafo . Eu não estou mais sabendo lidar com esse tipo de gente vazia, que só quer luxo, carro, shows de banda sertaneja e só sabe falar abobrinha. E o pior é que quanto menos sabem, mais falam. Socorro!



Rafaela Valverde

quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Livro O Pequeno Príncipe


Demorei de ler O Pequeno Príncipe. Eu já devia ter lido há tempos, mas ficava com preguiça por ser um livro muito manjado. Mas minha irmã me emprestou e eu li. É um livro bem fofo, considerado infantil, mas já vi muito adulto lendo. Foi escrito pelo aviador  francês Antoine de Saint-Exupéry.

Um piloto encontra o Pequeno Príncipe num deserto após a queda do seu avião. Enquanto tenta consertar a aeronave, ele faz amizade com o Pequeno Príncipe que apareceu de um outro planeta, pedindo para que ele desenhasse algumas coisas. 

E como gente grande não entende nada, não sabe nada e ainda aceita tudo, esse livro é um convite para sair da nossa vida real, do nosso mundo adulto. O Pequeno Príncipe, viajante, explorador decide visitar vários lugares. Encontra uma raposa, um bêbado, um geógrafo e assim segue a aventura.

Leitura gostosa e rápida.  Recomendo!



Rafaela Valverde 

quarta-feira, 6 de julho de 2016

Filme Melancolia

Imagem da internet
Vi no final de semana o filme Melancolia de Lars von Trier, um diretor tão odiado e tão amado e que causa em seus filmes. A obra fílmica foi lançada em 2011 e conta com Kirsten Dunst, Charlotte Gainsbourg, Alexander Skarsgård  entre outros no elenco. Charlotte inclusive trabalhou Ninfomaníaca, um outro filme do diretor.

O filme é classificado como Drama, ou Ficcção Científica e traz de perto a vivência da depressão. Um planeta de nome Melancolia está se aproximando da terra e isso causa certa preocupação em alguns personagens do filme. Outros já têm seus próprios conflitos internos como é o caso de Justine (Kirsten Dunst). Ela que desiste de casar logo no início do filme, passa a questionar sua vida e a viver num estado avançado de depressão.

Ela conta com a ajuda da irmã Claire (Charlotte Gainsbourg) que junto com a sua família acolhe a irmã  e passa a investigar ou esperar o planeta que pode ou não se chocar com o nosso planeta. O filme é tenso, paradão, às vezes triste, às vezes chato... Mas quem já conhece von Trier e suas câmeras quase caseiras vaio entender que é o seu estilo e é esse estilo que mais me atrai nele. É um dos meus diretores preferidos. Para quem gosta eu recomendo.



Rafaela Valverde


quinta-feira, 23 de junho de 2016

Mais beleza e alegria do que podemos supor

Imagem da internet
Tenho andando mais feliz do que triste ultimamente e ironicamente isso me deixa ainda mais feliz. É claro que a vida tem suas tribulações próprias e a gente tem várias preocupações mas no geral estou mais feliz, estou muito bem. Como há muitos meses não ficava. O meu peito está aquecido, eu não sinto mais dor, nem solidão. Eu não sinto mais vontade de chorar e de morrer.

De jeito nenhum. Eu quero mais é viver! A vida é uma coisa linda e como ela se mostra para a gente, depende de como a gente conduz ela. Os nossos pensamentos e atitudes determinam várias coisas. Antes eu era muito mais cética e tinha grandes dificuldades de acreditar nisso, mas hoje eu acredito porque eu comprovei. Parece que os bons pensamentos, as boas atitudes e as boas palavras recaem sobre o universo, se transformam em energias boas e voltam ainda melhores para a gente, para a vida da gente.

É uma coisa tão mágica! Essas energias fazem parte daquela máxima de que "existe entre os céus e a terra muito mais do que a nossa vã filosofia pode supor." É isso, a gente mão consegue explicar, mas a gente sente e como sente. A vontade de viver intensamente vem de volta ao lugar de onde nunca deveria ter saído. A gente dança, ri à toa, faz piada, se emociona com filmes da sessão da tarde...

A gente volta a ver beleza nas pessoas, nos sentimentos, nos objetos, na natureza, num poema. Tudo passa a ter mais sentido. Mas até chegar a esse ponto saindo de uma tristeza profunda de muitos meses, é necessário muita força, muita cabeça, amigos, força e família. Ah, a família é o que mais impulsiona a gente a querer viver. Afinal, quem mais vai sofrer com a nossa ida?

Um sorriso nasce a todo instante e as energias que depositamos no universo estão vindo e nos forçando a ficar bem, nos forçando a sorrir e a sentir prazer. Elas nos fazem sentir prazer com coisas pequenas da vida como um brigadeiro de panela. Essas boas energias, danadas que são, nos dão um novo horizonte, novas perspectivas, ações, planos e sonhos. Portanto, não mais deixarei de atrair e lançar boas energias para que elas me ajudem a não pestanejar e me façam enxergar dia após dia o quão grandiosa e bela é a vida.



Rafaela Valverde

segunda-feira, 28 de março de 2016

Gritar o tempo todo que está bem não vai te deixar bem!

Imagem da internet

Quem está bem não precisa ficar bradando isso aos quatro cantos do mundo. Estar bem é apenas estar. É um estado tão puro que não carece ficar dizendo em todos os status de todas as redes sociais, nem mostrando em todas as fotos e legendas. Quem está bem, demonstra no sorriso que sai automaticamente em todas as suas fotos. Quem está bem não tira foto com a cara fechada e em baixo a legenda: "estou maravilhosamente bem, obrigado."

Não. Quem está bem sorri verdadeiramente nas fotos, mesmo que coloque na legenda "eu estou mal", ninguém acreditará. Então, estar bem é espontâneo e não deve servir para gerar elogio e admiração de outrem. Estar bem é um estado de espírito tão pleno que só dá vontade de estar em silêncio na verdade, para não assustar a sensação.

E na verdade isso serve para tudo na vida, quem está bem não fica falando, quem faz sexo todo dia não precisa ficar falando que faz e acontece e tal, quem ganha dinheiro e tem uma casa boa não precisa ficar contando vantagem.

Na verdade há hoje um conceito cultural de proibição do estar mal, é proibido ficar triste e zangado. O politicamente correto e a sensação de satisfação instantânea instaurada pelo consumo, festas e músicas ruins, inclusive com letras alienantes falando que está tudo certo no mundo, reforçam esse sentimento coletivo de falso bem estar e felicidade eterna.

É fato e é óbvio que a felicidade não pode e não é efetivamente plena. Não dá para ser. Sofremos picos de angústias, tristezas, dores, decepções, problemas cotidianos para resolver.., entre tantas outras adversidades. Em um momento, ao olhar o mar sentimos bem estar, mas depois de um momento sufocados por paredes vêm novamente a tristeza.

Então, nem sempre estamos bem. Estar o tempo todo bem e satisfeito com as as escolhas que fazemos é no mínimo ilusório. Mas também pode ser hipócrita e simplesmente mentiroso. Apenas factoides para mostrar para todo mundo, uma felicidade irreal. Enfim, o que eu quero realmente dizer é: não há necessidade de ficar dizendo que está bem, feliz, etc, etc, etc. Há coisas que não precisam ser bradadas a todo o tempo, felicidade e caridade são duas delas.


Rafaela Valverde

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

Platão, a poesia e a mimese

Imagem da internet
Platão em suas ideias acreditava que textos literários como fábulas deveriam ser pré selecionados antes de serem ouvidos pelas crianças. Ele afirma ainda que características de deuses e heróis narradas nas histórias devem ser censuradas se mostrarem mentiras. Platão escreveu em seu livro A República que nao se deve contar ou retratar lutas e inimizades desses deuses e heróis com seus familiares.

As crianças não são capazes de distinguirem o alegórico do real e portanto as primeiras histórias ouvidas por elas devem ser as mais nobres possíveis. Daí entra um dos motivos da aversão de Platão à Homero  por exemplo, já que suas histórias contém elementos como esses rejeitados pelo filósofo.

As fábulas mais poéticas devem ser evitadas pelas crianças, pelas pessoas que buscam a liberdade e pelos guardiões da cidade, esses últimos por receio de que fiquem "moles" demais. Com isso é possível perceber instruções diversas contra as poesias e como devem ser as "verdadeiras" obras poéticas e sobre as que não podem ser contadas livremente. Devem ser selecionadas as melhores.

Mas o que seriam as melhores? Aquelas histórias que não tornem alguns muito sentimentais e nem tampouco outros muito frios e/ou violentos. Segundo Platão, a imitação (mimese) deve imitar para as crianças bons sentimentos para quem ouvir ou ler. Sentimentos baixos ou vícios não devem ser praticados.

Para Platão tudo era a representação  do real e em seu mundo das ideias não havia espaço para a poesia. Pelo menos não para esse tipo de poesia. O tipo de obra mimética que é totalmente recusada em alguns momentos pelo filósofo, por ser a "destruição da inteligência" e por mascarar possíveis entendimentos.

Através dessa obra, o leitor é enganado e se afasta da verdade três vezes, já que a poesia seria a representação da representação do real. Na poesia não há nenhum conhecimento, guerra ou boa administração que possam ser apreendidos. "Os poetas não atingem a verdade. Os poetas mentem." Mas ainda assim há o reconhecimento do encantamento que a poesia pode causar. Apesar de em nada contribuir para a administração da cidade.

O que pode ser compreendido portanto das ideias de Platão é que a poesia encanta e só. De resto não há mais nenhuma utilidade nela. Ele acreditava ainda que a poesia e seus autores deveriam estar mais concentrados na filosofia e em alguma utilidade prática na Politeia e não apenas na mimese, O papel social da poesia deveria ser educar e auxiliar na formação do pensamento crítico e não apenas imitar sentimentos e ideias por todo o tempo. Essa mimese realizada o tempo todo não traz reflexões, saberes filosóficas e discernimento por parte dos poetas.

Para Platão a boa mimese seria guiada pela filosofia e essa sim teria utilidade dentro da Politeia. Ela teria a reflexão em sua essência e assim as pessoas conseguiriam discernir o que é real. Por isso é possível concluir que Platão não rejeita totalmente a poesia mimética, ele a ama mas a critica ou critica mas a ama. Critica os exageros dos poetas e se preocupa com a ética e a política envolvidas na poesia, ou a falta delas, assim, ele se preocupa como já foi dito, com a educação de sua cidade.



Rafaela Valverde
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