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sábado, 14 de julho de 2018

Filme Tungstênio

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Essa semana assisti o filme Tungstênio. Foi lançado no dia 21 de junho, está em cartaz no Espaço Itau de Cinema e é um filme gravado aqui mesmo em Salvador, na praia da Boa Viagem, no Forte de Nossa Senhora de Monte Serrat, Ponta de Humaitá, Ribeira, Massaranduba e Gamboa de Baixo. Nem preciso falar sobre a fotografia, tendo em vista essas belezuras de paisagem. O filme é baseado na obra homônima de HQ de Marcelo Quintanilha (2014). Dirigido por Heitor Dhalia, o filme cujo o nome faz referência ao metal mais pesado da tabela periódica, o que já dá a entender quantas tensões podem ser trabalhadas e são, traz o excelente Fabrício Boliveira, a maravilhosa Samira Carvalho, José Dumont, Wesley Guimarães entre outros. Existe ainda a narração onisciente do excelente ator Milhem Cortaz, o que é um dos recursos mais importantes e diferenciais do filme. Pois não é uma narração comum, na minha opinião. O uso ilegal de explosivos para pesca é o estopim para a tensa trama bem atuada e bem dirigida. Seu Nei, vivido por José Dumont  é um sargento aposentado ainda um tanto obcecado pelo poder e é ele quem vê os pescadores. Fica muito nervoso e exige que se repeite a lei e afirma o tempo todo que "no tempo dele as coisas não eram assim." Os diálogos são bem marcados acerca de determinado tema e as cenas de brigas, violência e amor se intercalam. Com câmeras localizadas em locais diferenciados, o diretor tenta mostrar os mesmos ângulos da HQ. Ele afirmou que foi o mais fiel possível à premiada HQ (Festival Internacional de Quadrinhos de Angoulême na França, na categoria Thriller). Marçal Aquino e Fernando Bonassi são os roteiristas e o produtor associado foi Guel Arraes. O filme gravado em 2016 é muito bom e vale a pena assistir. Ainda está em cartaz, mas não sei até quando. Então corram!



Rafaela Valverde

terça-feira, 3 de julho de 2018

O estar só

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Quantas vezes será que vou precisar repetir que me sinto sozinha?
E de que vai adiantar?
Quem é que vai me ouvir além Daquele que mora lá em cima?
Não há nada que remedie esse estar só
Solitude, afinal, só é bom quando se escolhe
Quando compulsoriamente vive-se
Sente-se a revolta e angústia
Dos dias que poderiam ser mais divertidos
Sobram apenas TV, cobertor, brigadeiro e pipoca
Sozinhos!
É bom que posso aproveitar minha gula sem atrapalhações
Mas tem horas que até eu preciso de companhia para comer
Pergunto-me o porquê
Tento entender
Em oração questiono
Porque afasto todo mundo
Esse pequeno escrito é mais um pequeno e inútil manifesto contra a poeira que o estar só levanta
Contra quem hei de me levantar/;
Quem preciso culpar?
A mim mesma, será?
O fato é que já não aprendi a viver sozinha
Estou sozinha quase o tempo todo há quatro anos
E quando todos se vão no fim de semana
Tranco - me aqui nessa caixa escura
Sem ver caras muito menos corações
Já sei como viver sozinha
E gosto até
Mas há de haver um limite
Ou não há?
Só!
Estar só não é bom nem para quem quer
Quem não quer vive a penar
Sinceramente, não quero mais estar só
Nem oito, nem oitenta
Não quero companhia o tempo todo
Nem tampouco um estar só tão constante quanto o tempo
Entendeu, vida?
Céu?
Deus?
Entenderam?
Estar só tem limite
Quantas vezes será que vou precisar repetir?
E de que vai adiantar?




Rafaela Valverde

segunda-feira, 2 de julho de 2018

O fim

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Andava taciturnamente pela rua escura em que ele morava. Já estava chegando perto. Pensava no que diria como justificativa. A verdade. Para ele seria repentino, mas ela já pensava nisso há meses. Não queria mais um relacionamento, não com ele. Três anos. Desgaste. Não havia mais paixão, pelo menos da sua parte. Claro que às vezes tinha dúvidas sobre seus sentimentos. E quem não tem? Quem tem certeza absoluta sobre paixão? Por causa dessas dúvidas, que antes não existiam, achara melhor terminar o namoro.

Chegou à porta. Bateu hesitante no portão. Logo ele apareceu e abriu, olhando a fixamente. Sorria. O que era estranho, já que há meses não havia mais sorrisos ali. Estava de bom humor, mas não a beijou. Já sorrimos muito ao longo dos anos. Como nos divertíamos no início! Será que não poderíamos ser felizes de novo? Nunca mais? Será que realmente a paixão estava morta?

Sentou no sofá e pegou o controle da TV, como sempre. Mudava os canais aleatoriamente quando ele lhe entregou uma taça de vinho, como sempre. Três coisas que só fazia quando estava na casa dele: ver TV, beber vinho e comer comida de verdade.

Sentou- se ao seu lado dizendo que a comida estava quase pronta. Conversam sobre como havia sido o dia de ambos. Papo vai, papo vem e até a saia curta da secretária do chefe entrou na pauta. De repente ele solta: “Quer casar comigo?” Um anel sai do bolso. Sem caixa, nem nada, só o anel. A cara dele. Ela arregalou os olhos, sem saber o que responder.

“Tem certeza?” Consegue balbuciar. Ele sorri, e se afasta para colocar a taça na mesa de centro. “Se eu não tivesse não estava perguntando...” O anel ainda estava na palma da sua mão, esticou a dela e pôs em seu dedo anelar da mão direita.

De repente todas as suas dúvidas de dissiparam. Talvez ainda fosse possível recuperar tudo aquilo que tinham construído ao longo desses anos. Tudo mudou. A decisão de terminar não existia mais. E nem as dúvidas. Amava-o. Agora sabia disso. Era o fim das incertezas. O fim da confusão.





Rafaela Valverde

quarta-feira, 27 de junho de 2018

Breaking Bad

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Para alguns, a melhor série de todos os tempos. Para mim, a melhor série que assisti. Breaking Bad já ganhou muitos prêmios e é considerada uma das maiores séries de todos os tempos sim, pela revista Rolling Stone. Criada por Vince Gillian, a série que estreou em 2008, traz a história de Walter White (Bryan Cranston), um químico frustrado que dá aulas para o ensino médio e trabalha em um lava-rápido para complementar a já limitada renda familiar. Para piorar a situação, Walter descobre que está com um avançado câncer de pulmão e a partir daí, é claro, sua vida e sua percepção sobre ela mudam.

Preciso agora abrir um pequeno parêntese para informar que escreverei com muita paixão. Não tenho a intenção de escrever uma mera resenha descritiva, fria e isenta. Preciso mesmo, pelo menos tentar demonstrar através deste texto, o quanto gostei da série e o quanto me emocionei, me surpreendi e achei-a brilhante. Preciso escrever com paixão sobre Breaking Bad porque queria que todo mundo assistisse.

Pois bem, com incentivo do cunhado, que é policial de combate ao tráfico de drogas, Walter participa de uma batida policial e esse é seu primeiro contato com o famigerado ambiente do tráfico. A partir desse momento, Walter vê a possibilidade de deixar sua família bem financeiramente depois que ele morrer. Ele reencontra seu ex aluno Jesse Pinkman (Aaron Paul) e começa a "cozinhar" cristal ou metanfetamina em um trailer. Walter, com sua genialidade e seu conhecimento sobre química, aliado à Pinkman, que já conhece bem o mercado passa a experimentar uma nova sensação de poder e a ganhar dinheiro.

Sua esposa Skyler (Anna Gunn) fica sem saber durante um tempo sobre a doença e sobre a nova profissão do marido. Mas quando ela descobre sobre a doença, insiste que o marido faça o tratamento, mesmo sem saber de onde vinha o dinheiro. Skyler é uma grande personagem na série. Ela é o ponto principal de alguns conflitos e problemas enfrentados pelo marido. Sim, algumas das tensões e planos que davam errado para Walter se safar, eram causados por ela. Skyler começou como uma personagem pequena que foi crescendo ao longo do tempo. Uma dona de casa fútil, grávida,  que escrevia (até achei que a carreira dela de escritora seria mais desenvolvida na série, mas não foi, que pena!)

Assim como os outros personagens também cresceram. Parece que eles iam crescendo na medida em que a série ia avançando e tendo sucesso. Até li em uma das minhas pesquisas que Jesse seria um personagem pequeno que logo morreria, porém devido a química com o Sr. White, como ele o chamava, o personagem não só não morreu como cresceu e virou um dos personagens chave para para o andamento da série.

Com cinco temporadas, Breaking Bad, mostra o ser humano da forma mais humana e real possível, tendo em vista que afasta visões maniqueístas dos personagens. Ninguém nessa série é somente bom ou somente mau. São pessoas, corruptíveis e cheias de defeitos. Algumas pessoas afirmam que acabam gostando muito de Walter mesmo ele sendo criminoso. Eu não. Admirava-o por sua inteligência, mas não tinha ilusões, sabia que ele era bandido sim e que deveria pagar pelos seus crimes. E, na minha opinião, essa é uma das qualidades de um bom ator: ele é tão bom que se faz ser odiado. E Bryan prova ser um excelente ator. A maior desculpa de Walter é que entrara no crime pela família e essa seria sua maior motivação, mas em determinado momento da série ele admite que é por ele. Pelo poder, pelo prestígio de ser o Heisemberg, o cozinheiro do cristal azul, o melhor da região.

Com um filho adolescente e deficiente, Walt Junior (RJ Mitte) e um bebê a caminho, Walter sabe que não poderá estar presente na vida deles dali a um tempo, portanto, apesar do tratamento contra o câncer que o deixa debilitado, ele continua cozinhando e "aprontando" bastante na companhia de Jesse. E em determinados momentos a capa do "pela minha família" cai e a gente passa a perceber que Walter faz o que faz porque quer. Ele tem várias oportunidades de parar, ele não escolhe não matar ou não deixar morrer (quem assistiu vai entender!) pelo contrário, sempre que surge uma oportunidade ele avança ainda mais em sua vida criminosa. E para mim é essa é uma das genialidades da série e do personagem Sr White como eu gosto de chamá-lo.

Roteiro bem feito, bem organizado, com cenas mais antigas intercaladas e uma boa sequência. Além de uma excelente produção. Enfim, como eu disse: cheia de paixão! Não tem como ser diferente. Estou até com vontade de ver de novo, inclusive já revi o primeiro e segundo episódios com uma pessoa que indiquei. Podem me chamar de louca, mas gosto de qualidade, sei reconhecer minimamente algo bom quando vejo.

Além de tudo a série passa em Albuquerque, Novo México, local incomum para mim. Nunca vi produção feita nesse local. O que ajuda um pouco o roteiro devido a proximidade com o México, o cartel e todas as vertentes criminosas ligadas ao tráfico de drogas que todos nós já sabemos. Enfim, posso falar que amo essa série mais uma vez? Comprovadamente fenômeno mundial, Breaking Bad já ganhou inúmeros prêmios incluindo dezesseis Primetime Emmy Awards, oito Satellite Awards, dois Globos de Ouro e um Prêmio Escolha Popular. Em 2014, entrou para o Livro dos Recordes como o seriado mais bem avaliado de todos os tempos pela crítica. (Fonte: Wikipédia)

A série está na Netflix e eu assisti em um tempo recorde. Menos de dois meses. Agora, vou falar sobre algumas curiosidades que pesquisei e observei na série ao longo desse tempo. Claro que faltou falar sobre muitas coisas aqui. E óbvio que passaria o dia escrevendo sobre essa série. E não vou falar mais sobre detalhes do enredo ou do roteiro, porque seria spoiler para os desafortunados que ainda não assistiram ou que ainda estão assistindo. Rsrs Assistam e tirem suas próprias conclusões  e vejam o que acontece ao longo das cinco temporadas.

Pois bem, o nono episódio da última temporada foi dedicado ao fã adolescente Kevin Cordasco que morreu de câncer. Na época houve uma forte comoção do elenco e produção da série com esse fã. Até o visitaram. Achei bem legal a homenagem. "O ator principal, Bryan Cranston, declarou numa entrevista que "o termo 'breaking bad' é uma gíria do Sul que significa que alguém desviou-se do caminho correto e passou a fazer coisas erradas. E isto aplica-se tanto a um dado momento quanto a uma vida inteira." (Wikipédia)

Com tiradas engraçadas e cenas bastante violentas - a série arrancou gargalhadas e nervosismo de minha pessoa - Breaking Bad encerrou no ano de 2013. Em seguida, Vince Gillian começou a escrever e produzir a série Better Call Saul que é um um spin-off de Breaking Bad.  Better Call Saul trata da vida do advogado Saul Godman que foi advogado de Sr White. É isso. Amor eterno a Breaking Bad!



Rafaela Valverde




Minúsculos cotidianos


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Mariela passava o dia na frente de um computador, analisando e criando sistemas e programações. Mariela trabalhava demais. O trabalho funcionava como fuga e ela gostava. Além disso, trabalhar pagava as contas e permitia-lhe comprar seus amados livros. Principais parceiros na agonia que é viver. Sua biblioteca aumentava a cada dia. Graças aos sistemas de computação, tinha companhias.

Saía às dezoito horas. Horário de movimento intenso nas cidades grandes. “Muitas pessoas se deslocam nesse período todos os dias” – Mariela pensava enquanto esperava o metrô na estação, depois de um movimentado dia de trabalho. O metrô chegou, apinhado.  Entrou e ficou de pé até a próxima estação quando vagou um lugar. Sentou. Bom, pois a inquietude já tomava conta. A ansiedade não a deixava em paz. Fone no ouvido. Passava as músicas freneticamente.  “Não consigo achar uma música legal...” Naqueles momentos não conseguia achar graça em nada. “Ah, um livro na bolsa” – lembrou-se. Sempre havia um livro na bolsa. Lia uns poemas aquela semana. A leitura fluía mais que o trânsito lá em baixo. Parado. O metrô seguia seu caminho, assim como a tristeza que fluía e ela se deixava levar. Mesmo com os recursos de distração, era sempre atingida pela flecha da tristeza.

Fechou o livro. Suspirou. Já pensava em seus códigos de programação e fazia cálculos mentais ao mesmo tempo em que observava as pessoas no vagão e o trânsito nas avenidas da cidade. Era tudo tão estressante para os outros, mas para ela nem tanto. Em meio aquele caos conseguia encontrar certa calmaria. Pelo menos em algum lugar, o caos é maior que em seus pensamentos. Os motoristas buzinavam nervosos, queriam seguir. Mas, afinal, pra que tanta pressa?

Voltando ao player do celular, encontrou uma música dançante. Levantou calmamente e desceu na estação seguinte. Não era sua estação, mas quem liga? Caminharia dançando até seu bairro. Mariela se sentia tão infeliz que se esforçava para encontrar alegria em pequenos momentos. Ansiava por um bom momento em sua vida tediosa. E geralmente eram os minúsculos cotidianos do dia que lhe arrancavam raros sorrisos. Andando pelo menos impediria as lágrimas de cair. Dançando pelo menos o corpo não estaria sufocado de tensão, frustração e tristeza.




Rafaela Valverde





sábado, 9 de junho de 2018

Filme Uma Questão de Fé

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O filme Uma Questão de Fé, originalmente  A matter of faith, é um filme cristão lançado em 2014 no Brasil. Tem duração de 128 minutos, é dirigido por Rich Christiano e tem na Netflix. Enfim, gostei bastante do filme por ele ser bastante esclarecedor em alguns conceitos e questões relacionadas ao Criacionismo X Evolucionismo. Questões como: "como uma natureza tão sábia e inteligência pode ter surgido de uma explosão de algo qualquer?" Essa foi uma frase que me marcou muito no filme e  há discussões interessantes ao longo do filme.

A matter of faith traz a história de Rachel Whitaker, uma menina cristã que vai para a universidade e se depara com aulas de biologia que deixam sua fé um pouco abalada. O professor é defensor ferrenho da teoria da evolução e pauta suas aulas sempre relacionadas à essas questões. O pai de Rachel percebe a mudança da filha e decide fazer alguma coisa sobre isso. A partir daí o filme vai se desenrolando até o dia da decisão de Rachel sobre a sua fé.

A temática do filme é boa, porém questões como atuações e produção deixam a desejar um pouco.  Mas penso que vale a pena, pois me fez pensar em várias ideias que ainda não havia pensado, especialmente sobre a criação do homem.




Rafaela Valverde

segunda-feira, 4 de junho de 2018

Filme Namorados para Sempre

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Assisti na semana passada o filme Namorados para Sempre lançado em 2011 com direção de Derek Cianfrance e no elenco Ryan Gosling, Michelle Williams, Mike Vogel. O filme traz a história do casal Cindy e Dean interpretados por Michele e Ryan, casados há alguns anos com uma filha pequena. Eles passam a refletir sobre o relacionamento desde o início, na época do namoro. O casamento já estava desgastado, com brigas e desinteresse de ambos os lados.

O filme vai repassando momentos da época do namoro e em dois planos diferentes, do passado e do presente, vai contando os bons momentos do passado. Pode até parecer pelo nome que é um filme bestinha, uma comédia romântica com final pré-definido, mas não. É um bom filme. Bem feito. Faz refletir sobre a vida a dois. Será que realmente casamento tem que ser ruim? Será que é? Ou são as pessoas que fazem as coisas ser ruins?

Enfim, o filme é bem legal. Faz pensar em casais que se encontram, se apaixonam e depois simplesmente se deixam levar pela rotina, pelo dia a dia. E o sofrimento que vem desses relacionamentos falidos. Gostei, Tem na Netflix!



Rafaela Valverde 

domingo, 6 de maio de 2018

Reconstrução!



Atenção: esse texto possui altas doses de metáfora!




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O quadro torto na parede. O espelho quebrado por ela ao jogar algum objeto estava por um tris e logo cairia. O quarto fora de si. O que não estava quebrado eram coisas de maior valor, claro, por que ela também não era idiota. O caos tomara conta do cômodo. Já se acostumara com ele, porém. Se era acometida pelo caos, alguma coisa tinha que ser também. E dessa vez fora o quarto. Deitara há horas de bruços, sem dormir profundo. Pesadelos a invadiam. Lágrimas caíram copiosamente e já secaram. Na verdade, nem sabia mais o porquê daquela dor. Se não lembrava é porque não era importante. Abriu os olhos e viu a parede branca com a luz do sol refletida. O travesseiro molhado. A cama exalando sofrimento. Um barulho muito alto. O susto a fez sentar na cama. O espelho caíra e se espatifara. A queda do espelho serviu para fazê-la levantar da sua própria queda. Como pôde ser tão estúpida e perder tempo com coisas tão pequenas? Como assim? Chorou? Horas perdidas deitada, chorando. Coisas quebradas. Pessoas que foram embora simplesmente por não aguentarem. Mas, hoje ela percebeu que fora tudo em vão. Perdera tempo, pessoas e momentos por causa de coisas desnecessárias e birrinhas infantis. Agora, sentara-se abraçando os joelhos, ainda na cama. Olhava ao redor analisando os resultados do acesso de raiva da noite anterior. Por que não quebrou a TV e o notebook também, sua imbecil? Assim, você teria um baita prejuízo e não esqueceria dessa atitude tola por um bom tempo. Revirou os olhos porque o pior é que agora teria que limpar toda a bagunça e sujeira. Esticou um pouco o corpo e olhou para o chão. Havia roupas, restos de comida, quadros espatifados, porta-retratos tortos e fotos rasgadas... E é claro os cacos do espelho que estavam espalhados por todo o piso branco. Depois de alguns minutos e depois de pensar e repensar em suas atitudes nos últimos meses e de tudo o que estava atraindo para si mesma, decidiu levantar. Devagar. Como tudo o que faria a partir dali. Com calma e leveza. Pegou alguns jornais e papéis velhos e enrolou um a um os cacos de vidro. Queria limpar e consertar tudo o mais rápido possível, mas se demorasse um pouco também não teria problema. O pior já passara. Agora, era reconstrução. Agora, era retirar cacos, coisas velhas e o que não servisse mais. Junto com os sentimentos ruins como ira, mágoa, ódio, tristeza e depressão. A vontade de morrer estava indo embora junto com a moldura do espelho. Os pequenos pedaços geométricos de vidro mostravam traços diferentes do seu rosto inchado pelo choro. As últimas lágrimas desse tipo de sentimento e birra, prometeu a si mesma. Enrolando aquele lixo em jornais e colocando-os em sacos sentia que aquela vida estava saindo da sua vida. Sim, aqui vale mesmo a redundância poética deste meu relato. Ela queria expurgar tudo que a fizera chegar naquele momento de sua existência. Agora, era tudo novo. Literalmente. Pôs o lixo para fora, tirou o espelho da sala e o pendurou no lugar do anterior. Não era totalmente novo mas sua vida seria. Não queria mais ficar juntando destroços, por isso fixou o espelho na parede com fita adesiva. Olhou seu reflexo novamente e suspirou. Sabia que não haveria mais estilhaços. O pranto cessara. A dor também. A vontade de brigar com o mundo e de se irar estava em sacos de lixo lá fora. Tenha um bom dia, falou em voz alta.



Rafaela Valverde

sábado, 28 de abril de 2018

O Direito das Crianças – Ruth Rocha

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Toda criança no mundo
Deve ser bem protegida
Contra os rigores do tempo
Contra os rigores da vida.

Criança tem que ter nome
Criança tem que ter lar
Ter saúde e não ter fome
Ter segurança e estudar.

Não é questão de querer
Nem questão de concordar
Os diretos das crianças
Todos têm de respeitar.

Tem direito à atenção
Direito de não ter medos
Direito a livros e a pão
Direito de ter brinquedos.

Mas criança também tem
O direito de sorrir.
Correr na beira do mar,
Ter lápis de colorir…

Ver uma estrela cadente,
Filme que tenha robô,
Ganhar um lindo presente,
Ouvir histórias do avô.

Descer do escorregador,
Fazer bolha de sabão,
Sorvete, se faz calor,
Brincar de adivinhação.

Morango com chantilly,
Ver mágico de cartola,
O canto do bem-te-vi,
Bola, bola,bola, bola!

Lamber fundo da panela
Ser tratada com afeição
Ser alegre e tagarela
Poder também dizer não!

Carrinho, jogos, bonecas,
Montar um jogo de armar,
Amarelinha, petecas,
E uma corda de pular.




Rafaela Valverde

segunda-feira, 2 de abril de 2018

Morte Súbita - J.K. Rowling.

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Morte Súbita é um livro que exige paciência no início. Depois vai ganhando força  e se torna um grande livro, com grandes personagens e histórias. Falo de paciência porque achei o início da leitura bem chata, mas depois deslanchou. Se for um leitor sem paciência não segue a leitura. Mas eu segui e não me arrependi. Na verdade gostei muito. O livro lançado em 2012 foi o primeiro livro não infanto-juvenil de J.K. Rowling. 

A história se passa em um pequeno povoado chamado Pagford e seus moradores complexos e ao mesmo tempo tão simplificados. Personagens tão humanos que fogem do maniqueísmo habitual de histórias como essas. A morte súbita, título do livro é a de Barry Fairbrother, membro do conselho municipal. Estórias diversas são desencadeadas a partir da aneurisma rompida de Barry que causa sua morte.

A partir desse acontecimento, questões são mostradas, personagens bem feitos demonstram seus dramas mais profundos, preconceitos, defeitos, etc. Há uma violência nas entrelinhas ao longo de todo o livro que termina de maneira surpreendente, a meu ver.  Do meio para o final eu não queria mais soltar o livro e estou fascinada pelos personagens até hoje. Fiquei encantada com os bons personagens, bem construídos e completos. Além disso, a passagem de um trecho para outro do livro, foi escrito e era mostrado como cenas de filme. Me senti lendo um grande roteiro de cinema. Enfim, Morte Súbita  foi um livro que gostei muito. Recomendo, vale a pena. Tenham paciência.




Rafaela Valverde

segunda-feira, 19 de março de 2018

De costas

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O clima começou a esquentar ainda no restaurante. Passava o pé pela perna dele, por debaixo da calça. Estava vestida com o vestido novo preto decotado com uma fenda atrás que deixava minhas costas à mostra. O sapato era vermelho e de salto alto, coisa que eu não costumava usar, mas deixava minhas pernas mais torneadas. Ele adorava quando me vestia assim e fazia isso de propósito. Desde que saímos de casa me lançava olhares gulosos. Passei meu pé em suas pernas até onde a calça permitia e depois, por cima da calça mesmo, acariciei com vigor seu membro que já havia se manifestado diante do meu habilidoso pé.

Já estávamos acostumados a fazer isso em qualquer lugar. Esta noite é a comemoração de mais um ano juntos e é especial, claro. Não nos constrangíamos mais. Aliás, ele não se constrangia mais, pois eu nunca me constrangi. Continuávamos jantando normalmente, aparentando normalidade para o resto das pessoas. Mas a chama começara ali e só iria terminar... bem, nem sei se terminou. Afinal de contas meu tesão por esse homem parece que não acaba nunca.

Terminamos o jantar calmamente e mal nos aguentamos dentro do carro do Uber. Ele enfiava a mão discretamente, se é que isso é possível, por baixo do meu vestido e eu já estava muito molhada, querendo ele. Entramos em casa nos atracando. Entrando de costas pelo hall de entrada enquanto o beijava, retirei os sapatos. Isso me deixava mais baixa. Em todos os sentidos... Continuei andando de costas, enquanto ele me guiava ainda me beijando com tesão, até chegarmos ao aparador. Ali, como num passe de mágica, ele me virou de costas para ele e passou a língua pela fenda do meu vestido.

Nossa, como eu adoro isso. Dei uns gritinhos de prazer e me arrepiei com o toque da sua língua em um dos pontos mais erógenos do meu corpo. Ainda de vestido, senti sua mão dentro da minha calcinha e depois entrar delicadamente em mim. Ele pressionava meus quadris nos dele e eu senti seu pau que já estava deliciosamente pronto. Aquela brincadeira com a língua pelas minhas costas continuava em ritmos diferentes enquanto ele me masturbava. Eu já gritava e sentia o gozo escorrer um pouco em seus dedos.

Implorei para que me penetrasse, porém ele parecia não me ouvir. Queria me torturar. Não falava nada, apenas sorria ás vezes. Um risinho descarado que me deixava maluca. Ao invés de fazer o que eu pedia ele preferiu tirar meu vestido por cima da cabeça e com desespero segurou e sugou delicadamente meu seio esquerdo. Passou a língua várias vezes pelo mamilo e deu mordidinhas no bico. Fez o mesmo no outro e eu já estava gozando loucamente. Ele tratava meus seios como ninguém. Não sei porque alguns homens simplesmente esquecem os seios. Eles são essenciais no prazer feminino... Devaneava enquanto gritava seu nome e pedia para que ele me chamasse de gostosa. Mulheres são auditivas, é o que dizem. Ora, todo mundo deve ser auditivo nessas horas!

Ele se ajoelhou, baixou minha calcinha até os joelhos e com a a saia do meu vestido em sua cabeça fazia movimentos de vai e vem só para sugar meu gozo. Nossa, o que esse homem faz é um espetáculo! Tirou meu vestido me apoiando de costas no aparador novamente e me penetrou com intensidade. Eu já não aguentava mais essa tortura e gozei mais uma vez, gritando. Minha voz ecoava pela casa. Ouvi ele gemer alto também. Terminamos e ficamos por alguns minutos ali, eu apoiada no móvel e ele apoiado em mim. Alguns vasos e porta retratos haviam se espatifado no chão. Mas, quem liga?




Rafaela Valverde

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

Pela rua...


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Um dia, andando pela rua
Me senti vazia, me senti nua
Não estava mais me sentindo plena
Saia de mim e via aquela cena
De mim mesma caminhando à toa
Tentando ser uma mulher boa
Das que se sentem tristes quando necessário
Mas ainda gostam de fazer aniversário
Isso porque a plenitude vem e nos alcança
Somos dessas, não gostamos de cobrança
Nem precisa
A vida avisa
O momento de mudar
O momento de bradar
Bem alto
Quebro meu salto
Andando pela rua
A tristeza se insinua
Aqui na minha frente
Faz me ver carente
Mas não estou mais
Coisas banais
Voltam a acontecer
Coisas boas até o anoitecer
E eu continuo aqui andando
Pelas ruas vazias cantarolando
Nada mais me atinge, bailando
Na dança que a vida me dá
Feliz pra-lá-de-Bagdá!



Rafaela Valverde




quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

Manhã de outono

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Estava aos poucos voltando a me exercitar depois de um tempo parada. Lutei durante anos, mas por motivos pessoais havia parado há um tempo. Sedentarismo não faz bem a ninguém e não serve para nada. Corria pelas ruas do bairro quando a avistei. A mesma moça, sentada no mesmo banco de sempre. A diferença é que estamos no início do outono e os bancos da praça, além do chão estão cheios de folhas secas, exibindo sua falta de vida por todo o ambiente urbano que ainda era predominante em todo o cinza dos seus concretos.

Aquela moça sentada ali, com sua pele pálida e seu cabelo caramelo contrastava claramente com aquele ambiente gélido e mórbido da praça outonal, em plena seis da manhã. Continuei a correr e percebi que seu olhar estava paralisado em algum ponto invisível ou em um ponto que só ela conseguia ver.

Sombras de tristeza habitavam aquele olhar. Eu não era capaz de adivinhar o que se passava naquela cabeça. Talvez alguém próximo a ela tivesse morrido, ou talvez tivesse sido abandonada por algum amor... Amor não recíproco é uma tragédia para quem não sabe lidar com tragédias... Ou talvez fosse qualquer outra coisa... Podia ser qualquer coisa... Mas aquela menina estava sentada ali há dois dias. Depois da minha corrida matutina saía para trabalhar e à noite quando chegava ela não estava ali. Ela era diurna. Uma coruja diurna. Com seus olhos parados no tempo. Em algum momento que talvez nunca poderei acessar.

Duas manhãs. Duas manhãs que eu havia voltado a correr e avistava aquela menina que parecia ter o quê? Dezesseis anos? O olhar dela passeava à sua frente e voltava para si mesma quando ela fechava os olhos. As folhas mortas típicas do outono continuavam ali alimentando um clima mórbido e repleto de angústia e confusão. Parei, apoiando as pernas no joelho, arfando e decidi que precisava me aproximar.

Respirei fundo, atravessei a rua e fui até o banco da praça que estava bem na minha frente.  Sentei ao seu lado no banco. Disse oi e perguntei se estava tudo bem. Ela nem me olhou, continuou olhando para o nada e disse: "ele vai matar ela..." Franzi as sobrancelhas sem entender, mas fiquei calada, esperando que ela falasse. 

Demorou alguns minutos até alguém falar novamente. Ela começou a falar que o padrasto estava há dois dias espancando a mãe pela manhã, antes de sair para o trabalho, ela já tentara apartar, já tentara gritar, já ligara para a polícia e nada resolvia. Quando a polícia chegava ela negava tudo, sua mãe. Percebi as lágrimas pulando em seu rosto. Passei a mão em seu ombro em sinal de solidariedade e fui andando até minha casa. No armário, a arma extra, no coldre cor de rosa. Aquela era especial. Para ocasiões raras e especiais, como por exemplo a prisão de um traste em flagrante... As algemas estavam na bolsa pendurada atrás da porta. Enfiei ambos debaixo da blusa da corrida, por dentro da calça legging, saí enquanto meu gato se esfregava em minhas pernas.

Parei na frente da garota e nesse momento pela primeira vez ela me olhou nos olhos. "Levanta! Anda logo, levanta" Puxei a pelo braço. "Me mostra onde é sua casa..." Ela arregalou os olhos mas não disse nada, apontou para umas casinhas que ficavam em um beco. Espero que ainda lembre alguns golpes de imobilização, pensei. E de repente vi uma árvore florida bem na minha frente...





Rafaela Valverde
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