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domingo, 14 de maio de 2017

Pausa nos estudos


Estávamos sentados estudando para as provas finais. Geralmente a universidade ficava bastante agitada nesse período de provas, mas naquele horário a biblioteca estava calma, com poucas pessoas circulando. A sala em que estudávamos estava mais escura que o normal e passou pela minha cabeça que talvez uma das lâmpadas tivesse queimado.

Realmente queria estudar, pois não tinha ido muito bem esse semestre. Ele porém, não parecia muito interessado nos textos. Foi enfiando a mão embaixo da minha saia, o que eu prontamente reivindiquei. Estávamos em um lugar público. E daí, ele disse. Ninguém tá vendo, disse em seguida. Realmente sua mão estava por debaixo da mesa e não dava para quem tivesse de longe ver nada.

Deixei sua mão ali. Ela era macia, firme e delicada ao mesmo tempo. Não sei como isso era possível mas era. Ele sabia me masturbar deliciosamente bem. Ia massageando meu clitóris e eu ia ficando cada vez mais molhada com aquela mão familiar em mim. Nunca tínhamos feito nada assim em público e eu percebia em seu rosto que ele estava se divertindo.

Ele me lançava olhares safados e passava a língua ao redor dos lábios. A essa altura apenas fingíamos que estudávamos. Ninguém estava mais interessado em teoria linguística quando havia um pequeno incêndio acontecendo por ali. Eu sorria e ao mesmo tempo olhava disfarçadamente para os lados. Me surpreendi com minha desfaçatez, não me imaginava sendo assim.

Em um determinado momento da nossa aventura bibliotecária, suspirei alto e recostei na cadeira, desistindo de vez dos textos. Eu já estava perto de gozar e precisava me concentrar. Ele passeava com mais força por dentro de mim, mas uma força precisa que sabia do que eu gostava. Gozei soltando alguns pequenos gemidos e relaxei totalmente. Ele tirou a mão debaixo da minha saia e lambeu os dois dedos que antes estavam dentro de mim.

Arrumamos os materiais impacientemente e corremos para a residência universitária, onde ele morava. Ficava bem perto dali e fomos rápido para manter a chama. Os amassos começaram na porta mesmo, já fui tirando a camisa dele e quando já estávamos na cama, ele levantou minha saia, que era comprida, arrancou minha calcinha e começou a me chupar bem devagar. Uma delícia. Gozamos juntos, com a sensação  de que tínhamos estudado bastante e que criaríamos nossas próprias teorias.



Rafaela Valverde

sábado, 13 de maio de 2017

A lua no cinema - Paulo Leminski


A lua foi ao cinema,
passava um filme engraçado,
   a história de uma estrela
que não tinha namorado.

   Não tinha porque era apenas
uma estrela bem pequena,
   dessas que, quando apagam,
ninguém vai dizer, que pena!

   Era uma estrela sozinha,
ninguém olhava pra ela,
   e toda a luz que ela tinha
cabia numa janela.

   A lua ficou tão triste
com aquela história de amor,
   que até hoje a lua insiste:
- Amanheça, por favor!



Rafaela Valverde

quarta-feira, 10 de maio de 2017

Série Gilmore Girls


Terminei de ver no final de semana a antiga série Gilmore Girls e em seguida assisti os quatro episódios do especial lançado pela Netflix no final do ano passado. Já tinha ouvido falar da série há alguns anos, mas a curiosidade veio mesmo  a partir do Gilmore Girls - Um ano pra recordar. No início do ano comecei a ver os episódios e de cara já gostei do bom humor de Lorerai e da amizade com a filha Rory.

Tal Mãe, Tal Filha como foi traduzida é uma série criada por  Amy Sherman-Palladino que estreou no ano 2000. Estrelada por Lauren Graham e Alexis Bledel, como Lorerai e Rory, teve seu final no ano de 2007. Com sete temporadas, a série teve um grande sucesso, inclusive aqui no Brasil. 

A história de mãe e filha é contada. Lorelai engravidou aos 16 anos e decidiu sair de casa para criar sua filha longe de todos. Mãe solteira, chegou na  pequena cidade fictícia Stars Hollow e  com ajuda de amigos e bastante trabalho começou a criar sua filha. Como são apenas as duas, elas desenvolvem uma parceria e cumplicidade. E foi essa parceria que me chamou atenção na série. E o bom humor de ambas? A piada de uma complementa a da outra. Achei sensacional a química das duas atrizes.

Lorelai não tem um bom relacionamento com seus pais Emily e Richard Gilmore por sempre contestar suas ideias e modo de vida. Os pais são envolvidos em eventos sociais que Lorelai acha fúteis, por isso sempre critica os pais e com isso traz certas alfinetadas ao modo de vida dessas pessoas.

Mas a série é muito mais que isso. Ri horrores durante esses meses que a vi. São ótimas piadas, histórias e personagens bem construídos. Stars Hollow é a comédia em si. Claro que também há drama e especialmente na última temporada e no especial chorei bastante e com certeza entrou no rol de uma das minhas séries preferidas. Amo Gilmore Girls. E essa é minha pequena homenagem.



Rafaela Valverde


quarta-feira, 19 de abril de 2017

Jogos Vorazes e o protagonismo feminino


Reli Jogos Vorazes. Dessa vez li meu próprio livro, sem muita pressa, mas ao mesmo tempo devorando. Porque não tem como ler aquela história sem devorar. Já tinha lido há uns dois anos, mas era emprestado. Se eu já amei a história na época, agora amei mais ainda pois li com mais calma, mais atenta aos detalhes e conceitos, implícitos ou não.

Vejo o livro como um embate do feminismo com o machismo, além de outras questões, já que se trata de uma distopia, com jogos intrinsecamente políticos. Os próprios jogos vorazes que dá nome ao livro vêm de uma situação de opressão que vive um povo em relação aqueles que o governam. Mas, voltando ao embate machismo x feminismo, eu consegui ter algumas percepções que não tinha tido antes.

Katniss Everdeen, a mocinha  rebelde do livro, está sozinha lutando contra um mundo masculino, onde os homens dizem o que ela deve vestir, como se comportar para agradar as pessoas e outro homem, além de o próprio presidente de Panem, o pais distópico em que ela vive, é um homem, que organizou durante anos os jogos. Há ainda os organizadores dos jogos e Haymitch, seu mentor. 

Em alguns momentos percebo que ela se sente mal em estar cercada de tantos homens, já que suas maiores referências na vida atual são mulheres: sua irmã e sua mãe e estão longe, lá no Diistrito Doze. A  única referência masculina era o pai que morreu quando ela ainda era criança. Foi o pai que fez com que Katniss se tornasse a pessoa forte que é. Ele a levava para caçar, ele ensinou como se virar e como usar arco e flecha. A mãe dela é uma mulher totalmente silenciada na narrativa. Talvez propositalmente para que a protagonista tivesse mais luz.

E ela consegue. Mesmo com apelidos como "a garota quente" e a insinuação de que ela deveria agradar e ter um romance com Peeta, já que ele a amava desde sempre, como ele mesmo afirma durante uma entrevista. Todos ou quase todos os momentos do livro vêm com uma carga emocional forte para derrubar Kastniss, para dizer que talvez ela não seja tão forte assim. Mas ela é. E prova isso.

É claro que talvez devêssemos levar em consideração que todo esse jogo de poder dado a uma mulher em um livro, ou três livros, seja uma jogada de marketing intencional. É claro que eu amo essa trilogia e nunca vou deixar de amar, mas também já perdi a inocência há alguns anos.  A gente não aceita mais uma mocinha ingênua e idiota. O mundo mudou e nós mulheres mudamos, queremos e precisamos de protagonistas mulheres fortes e destemidas. E foi o que Jogos Vorazes nos deu em sua trilogia. Uma mocinha que conta sua própria história, que não se cala, que se sustenta a si mesma e a sua família, uma mocinha guerreira que sabe lidar com arco e flecha. Uma mocinha não, uma mulher forte e decidida que apenas fazem os homens acreditarem que ela está fazendo o que eles querem. Viva Jogos Vorazes!



Rafaela Valverde

segunda-feira, 17 de abril de 2017

As histórias dos livros usados


Eu gosto de comprar livros usados, geralmente em sebo ou nas ruas. Não são necessariamente velhos, e sim antigos, donos de histórias e cheios de histórias de seus donos. Trocadilhos à parte, sabemos que quando compramos livros usados, eles sempre vêm carregados de significados, de histórias de outras pessoas, de outras vidas. Há nomes que indicam os antigos donos, há marcas nas páginas e sublinhas.

Em alguns livros que eu comprei têm dedicatórias que contam, por si só histórias. Gosto de ficar imaginando que são para mim. Imagino que alguém muito especial me deu aquele livro e o abraço com força. Vai que de repente aquela pessoa especial se materialize. Nunca se sabe o que cada nome ou dedicatória vai nos fazer lembrar.

No meu livro Jogos Vorazes, que comprei em um sebo têm uma dedicatória super fofa, com uma letra caprichada e diz mais ou menos assim: "espero que esse livro te deixe mais inteligente do que já é." Eu achei isso tão lindo. Dizem que dar livro é elogio e eu concordo com isso. Alguém que recebe um livro que levou tempo para ser escolhido deve se sentir agraciado.

Claro que também há o outro lado. Alguém vendeu ou trocou em um sebo um livro que ganhou. A pessoa deve ter tido seus motivos, é óbvio. Até eu já troquei livros que ganhei de presente em sebo. E não me arrependi. A pessoa que ganhou pode ter morrido e a venda é obra da família, ou então pode ser um relacionamento que acabou, ou simplesmente a pessoa pode estar se mudando e simplesmente não tem mais espaço para alocar os livros. Enfim, são inúmeros os motivos que podem levar os livros até o sebo, enfim. É só uma pequena reflexão sobre livros usados e antigos. E s histórias que eles contam, histórias intrínsecas nos livros, mas escrita pelos seus donos.


Rafaela Valverde


sexta-feira, 7 de abril de 2017

Série Orphan Black


Terminei a quarta temporada da série Orphan Black. Já estou esperando a quinta e li em algum lugar que será a última temporada. Sabe, eu até prefiro séries que sejam assim, do que aquelas que ficam enchendo linguiça como Grey's Anatomy já durando mais de dez anos. Enfim, mas essa é outra história. O fato é que Orphan Black vai durar cinco temporadas e já estou na expectativa da quinta.

Mas vamos ao que interessa. Orphan Black foi criada por Graeme Manson, John Fawcett  e estreou em 2013, sendo produzida no EUA e Canadá. É uma fantástica série de Ficção Científica e Suspense. Eu comecei sem muito interesse, só porque ouvia falar muito dela, mas depois foi engrenando e eu amei. Entrou no rol das minhas séries preferidas. Com Tatiana Maslany, Jordan Gavaris, Kevin Hanchard e outros no elenco, a série dá show de interpretação.

Claro que a campeã do show é  a canadense Tatiana Maslany. Eu já havia assistido um filme com ela e já sabia do seu potencial, mas nessa série ela se superou. São 22 clones, cerca de nove personagens que ela encarna ao longo de toda a trama. Todas com olhares, trejeitos, vozes e sotaques diferentes. E mesmo quando duas personagens estão juntas, dá facilmente para imaginar que são duas pessoas diferentes, irmãs gêmeas juntas. Ela é genial e já ganhou diversos prêmios por essas interpretações. 

Eu sinceramente fico fascinada por cada personagem e suas diferenças: Cosima, Sarah, Alison, Katja, Rachel, Helena, Mika, Kristal, Beth. Todas elas são bastante diferentes. Até a forma de andar muda e confesso que essa é uma das coisas que mais me atrai na série. E mesmo em alguns momentos em que alguma clone se passa por outra é genial, pois conserva- se traços da original misturando aos traços da clone imitada. AMEI! 

As questões de ficção científica podem parecer confusas no final da primeira temporada e na segunda, mas a partir da terceira e quarta já ficou mais amarrradinho e próximo do real. É isso. Há mais questões sobre a série que eu gostaria de abordar, mas vou deixar para a quinta e última temporada. Vai ter textão. Se vocês ainda não viram Orphan Black, corram para ver!


Rafaela Valverde

quarta-feira, 29 de março de 2017

Aquele nosso tesão



Eu estou sem me depilar há dias. Esse não é o momento para fazer sexo, mas ele está bem aqui, atrás da porta, no lado de fora, esperando por mim. Eu sei o que vai acontecer se eu abrir. A gente não consegue se desgrudar. É uma atração tão intensa  que às vezes acho que nossos corpos já foram xifópagos em algum momento da história da humanidade.

Nos encontramos sem querer na rua, depois de um tempo sem nos ver, e eu casualmente, respondi que ainda morava no mesmo endereço. É claro que eu sabia que ele viria, mas não tão rápido. Amo e odeio essa agonia que estou sentindo. Fechei os olhos e tentei controlar minha respiração arfante. Virei e abri a porta.

"Oi." Falei sem olhar seus olhos. Ele abriu aquele sorriso e respondeu um "oi" maroto. Olhar safado e sorrisinho de canto de boca. "O que você tá fazendo aqui?" Respondeu: "Posso entrar?" Respirei fundo e me afastei da porta abrindo espaço para ele entrar. "Uau, reformou!"  Revirei os olhos e sorri. "Só uma pinturinha. Quer beber alguma coisa?" 

"Você." Olhei pela primeira vez em seus olhos. Estava tremendo, excitada. "E talvez uma cerveja, sei que sua geladeira é fã de cerveja." Mordi os lábios e fui até a cozinha, que era contígua à sala, separada apenas por um pequeno balcão. Peguei a pequena garrafa de cerveja e entreguei a ele que sentou na mesma poltrona de sempre.

"Você ainda não me disse o que veio fazer aqui."  Ele me olhou tomando um longo gole de cerveja. "Disse sim, eu vim beber você."  Levantei os braços, em sinal de protesto. "Não sei porquê você faz isso." Levantei e sentei de frente em seu colo. O beijo com gosto de cerveja mais gostoso da minha vida. "Estou toda molhada." Sussurrei em seu ouvido. "Eu sei." 

Nos amassamos por ali mesmo. Ele arrancou meu vestido e fiquei só de calcinha. Ele estava ereto e eu estava quase enlouquecendo. É muito tesão! É um tesão que amolece cada fibra e estrutura do meu corpo. E não é só tesão, é paixão. Assim, fica tudo mais apimentado. Passava a língua lentamente pelos meus seios, sem pressa e ao mesmo tempo com um desespero indecente, que não dava para resistir. Revirava meus olhos de prazer, gemendo bem baixinho.

O clima esquentava cada vez mais e eu já estava quase pegando fogo. Quando ele enfiou a mão em minha calcinha. 'Está peludinha, adoro quando está assim." Fiquei um pouco surpresa pois é raro encontrar um homem que goste de pelo. Mas essas críticas aos homens deixarei pra depois. Ele está com dois dedos dentro de mim, fecho o olhos e aproveito o momento para começar a gozar. Ele interrompe, me carrega e me leva para o sofá. Começa a me chupar. Só saímos do apartamento na tarde do dia seguinte. Satisfeitos e sem saber quando nos veríamos novamente.



Rafaela Valverde


Filme Cães de Aluguel


No final de semana assisti finalmente o filme Cães de Aluguel. Filme de 1993, o suspense/policial norte- americano conta com Harvey Keitel, Tim Roth, Michael Madsen no elenco. Além do próprio Tarantino atuando. Eu não lembro de ter visto nenhum filme com ele atuando. E esse é um filme do diretor que eu não curti muito não. Achei chato. E olhe que gosto de filmes paradões, mas esse se superou. Há quem me diga sempre que Os Oito Odiados seja o mais chato, mas não curti muito Cães de Aluguel não.

O filme traz a história de seis bandidos que após uma tentativa fracassada de roubo de diamantes, se confrontam em um armazém. Tudo gira em torno desse conflito. Cada um deles tem um codinome com cores, Sr White, Sr Pink, Sr Brown, etc. Há uma tensão entre esses diálogos, pois busca- se quem é o traidor do grupo, já que a polícia ficou sabendo que o assalto aconteceria e estava no local. 

Todos são suspeitos, até que se prove o contrário. Todos são policiais infiltrados. O filme carrega aquela presença já conhecida de Tarantino, com muito sangue e mortes. Eu gosto desse estilo e ele é um dos meus diretores preferidos. Mas enfim, não curti Cães de Aluguel. Pelo menos nesse momento. Pode ser que eu assista novamente em outro momento e curta mais. Mas por enquanto é isso.



Rafaela Valverde

sexta-feira, 24 de março de 2017

Livro O lado bom da vida - Matthew Quick


Tenho O lado Bom da Vida desde 2014. O que motivou a compra foi o filme, que assisti antes e o Oscar de Jennifer Lawrence por interpretar Tiffany. Comprei e li uma vez de forma rasteira, sem prestar muita atenção. Li só por ler e não gostei. Até tentei vender esse livro no ano passado, mas ainda bem que não vendi porque eu o reli e amei. Achei um bom livro, leitura agradável, apesar  de muito futebol americano, personagens bastante humanos, reais. Pelo menos em relação a certas mudanças de comportamento e problemas  que todo mundo tem, sabe? Bem, vou parar de divagar sobre o livro e vou ao que realmente interessa.

Esse livro foi escrito por Matthew Quick e lançado em 2008 virando logo um best seller nos EUA e em seguida sendo traduzido para outros países e obtendo o mesmo sucesso. Enfim, o livro traz a história de Pat Peoples, um professor de história que se vê numa clínica psiquiátrica, tendo que lidar com uma nova vida e com o "tempo separados" que é o que ele chama  a separação da esposa Nikki. Alguns anos passam enquanto ele está internado na clínica e quando ele sai algumas coisas estão bastante mudadas.

Ele conhece Tiffany e iniciam uma amizade. Pat aguarda obedientemente o que ele pensa que é apenas um período separado, mas sua esposa Nikki já se divorciou dele, não existe mais possibilidade de volta. Mas Pat acredita tão ingenuamente no restabelecimento do seu casamento que chega emociona, sabe? Ele luta para mudar e se transforma numa pessoa melhor, já que não havia sido um bom marido, ele passa a malhar e ler os livros que sua esposa tanto queria que ele lesse. Enfim, Pat passa por um longo processo de sofrimento e mudança. É quase catártico observar essa mudança. É uma história de superação muito gostosa de ler. Eu recomendo!



Rafaela Valverde

Série Merli


Dois professores me indicaram a série Merlí e eu decidi assistir. Está no Netflix e eu não poderia deixar de dar uma espiada. Especialmente por se tratar de uma série catalã, cuja cultura e língua eu ainda não tinha tido contato e por se tratar de educação e filosofia. Merlí estreou na Catalunha em 2015 e a Netflix comprou os direitos de exibição no Brasil e nos EUA.

Só tem a primeira temporada, mas já quero a segunda! Merlí, professor que dá nome a série é um professor de filosofia nada tradicional. Ele chega à escola causando polêmicas com os outros professores e com os alunos que estranham sua forma de ensinar e agir. Desperta o ódio de alguns e o amor de outros. Um outro detalhe da série é que cada episódio é nomeado com um filósofo ou uma vertente filosófica como os peripatéticos. E nesses episódios com nomes de filósofos, as aulas e as histórias têm influências de certas ideias deles. 

Merlí é pai de Bruno, que também é seu aluno. Bruno é gay mas ainda está no armário. E as histórias vão se desenvolvendo a partir dos dramas dos alunos, da personalidade do professor-protagonista Merlí, que não é nada fácil e a partir de ideias filosóficas também. Vários assuntos são abordados, como conflitos entre pais e filhos, divulgação de vídeos íntimos na internet, bullying, homossexualidade, etc.

É uma série muito bacana. Bem produzida, com boas atuações e aquela gostosíssima língua catalã que inclusive estou estudando na faculdade, já que é uma língua românica, advinda do latim hahaha. É isso, gente, eu gostei bastante e recomendo. Para professores e pessoas normais (rsrsrs). Já que é uma série bastante divertida e dá para aprender alguma coisa sobre filosofia. Recomendo!



Rafaela Valverde

quinta-feira, 16 de março de 2017

Uma manhã


A minha imagem no espelho era deprimente. Olhos inchados e vermelhos, minhas olheiras quase iam até o queixo e  me sentia um caco humano. Meu cabelo estava uma bosta. Não sei como as maioria das mulheres conseguem ser mulheres, administrar tanta coisa, ainda ter cabelo e cuidar dele. Fiquei por uma fração de segundo ali olhando para minha imagem aterrorizante, mas me lembrei que tinha que trabalhar. Ainda era meio da semana e eu com cara de ressaca. O banho foi frio e rápido, como sempre. Eu vivia de saco cheio de tudo, até um banho demorado enchia me irritava. Uma xícara fumegante de café me esperava no balcão. Minha mãe era a única pessoa legal desse mundo. Levei a xícara para o quarto, enquanto tentava entender o que meu cabelo queria de mim.

Peguei a primeira camiseta que vi na minha frente e uma calça jeans. A camisa era rosa. Bom, alguma coisa diferente do meu estado de espírito sombrio, né? A minha apatia estava refletida em tudo que se relacionava a mim. Meu quarto era uma bagunça ridícula e eu sentia dor de cabeça, me lembrei ao olhar ao redor. Tomei umas aspirinas, calcei meu all star e saí de casa. Na rua, as pessoas estavam tão felizes. Não entendo o porquê de as pessoas sempre estarem sorrindo. Tudo é uma porcaria. Não consigo mais ficar satisfeita com algumas coisas. Minha vizinha lava calçada, enquanto escuta sertanejo. Por que alguém lava calçada, gente? A chuva não é para fazer isso? Não entendo isso, as pessoas se comprometem além do que é necessário para fazer coisas desnecessárias.

Continuei andando para chegar ao ponto de ônibus, eu estava atrasada. Já eram quase nove horas. Mas que se dane, eu quero me livrar de tudo e espero que esse emprego voe pelos ares. A minha infelicidade maior é estar trabalhando em um lugar que odeio em uma área que não é a minha só porque paga mais e eu preciso manter a casa. O que minha mãe ganha não dá para muita coisa e ainda tem o tratamento do meu irmão, Vinícius. Ele tem câncer. Todas essas coisas me deixam infeliz. A minha área é muito mal remunerada e valorizada, então minha mãe conseguiu esse emprego na assessoria de um vereador na época da eleição há dois anos. Ganho muito bem, mas odeio trabalhar pra ele. Odeio esse ambiente de política. Odeio a minha vida!

Meu ônibus já saía quando eu cheguei no ponto e não consegui pegá-lo. Praguejei, xinguei a mãe do motorista e toda a sua próxima geração. Eu odeio andar de ônibus. Bem, mais uma coisa para a minha lista de ódios. Respirei fundo e sentei no banquinho do ponto, teria que aguardar o próximo ônibus que chegaria sabe-lá-Deus-quando. Observei as pessoas: todas fingindo felicidade como sempre. Uma mocinha falava ao celular toda derretida com o namorado. As pessoas são patéticas.

Adiante, em frente ao ponto de ônibus, um dos shoppings mais imponentes da cidade. Um lampejo de ideia passou em minha cabeça e eu segui rapidamente seu impulso. Atravessei a rua e ao entrar no shopping entrei no salão de beleza que estava ali, não sei desde quando, na estrada do shopping. Na verdade, eu só havia entrado nesse shopping umas três ou quatro vezes. Adivinhem? Eu também odeio shoppings.

Como era de se esperar e devido ao horário o salão ainda estava vazio. "Quero cortar o cabelo!" A moça olhou para mim confusa. Ela deve ter imaginado que era muito cabelo. E era mesmo. "Curtinho, igual ao da Sandra Anemberg, aquela da globo" Sentei na cadeira e fiquei girando que nem criança. Começou o corte. Cada tufo daquele cabelo horroroso que caía eu me sentia mais leve, mais aliviada, não feliz, mas pela primeira vez em anos eu fazia o que realmente queria e seguia um impulso.

Cerca de meia hora depois o corte era finalizado e eu parecia outra pessoa. Era um corte moderno, repicado. E eu parecia mais jovem. Não bonita, jovem. Esbocei um sorriso, enquanto virava a cabeça de um lado para o outro. Paguei e saí saltitante. Outra ideia era gestada em minha mente.  Peguei um táxi. Que se fodam os ônibus, hoje vou esbanjar. O trânsito estava caótico aquele horário, mas o taxista estava ouvindo rádio e eu estava cantando as músicas. Nunca tinha tido esse comportamento feliz. De repente as coisas mudaram um pouco e fui tomada por uma coragem inesperada. Tinha que tomar decisões na minha vida, o que eu não podia mais era acordar daquele jeito todas as manhãs.

Em um um momento, calei a boca, fechei os olhos e recostei a cabeça no assento do carro, pensei em todas possibilidades e consequências. Quando abri os olhos já estava na frente da câmara de vereadores. Paguei e entrei rapidamente. Sem mais titubeios. Fui até minha sala e através do nosso serviço de comunicação pedi para falar com meu chefe ainda naquela manhã. Ele me recebeu uma hora depois, elogiou meu cabelo e se mostrou surpreso quando eu pedi demissão. "Mas por quê?" "Não quero mais trabalhar aqui, pra você. Tenho alguns projetos que pretendo realizar."  Disse que estava chateado mas não havia o que fazer. Depois de um tempo, saí da câmara. Pra sempre!

Voltei pra casa, de ônibus claro. Assim que entrei em casa, liguei para meu pai: "A partir de hoje você vai arcar com o tratamento de Vini. É seu filho e eu não vou ganhar mais como antes. Saí de lá." Ele estranhou minha atitude e disse que minha mãe não queria ajuda dele. "Ela não tem que querer nada. Não vou mais me sacrificar por que ela não quer que você faça sua obrigação!" Desliguei e fui para o quarto. Bagunça miserável. Comecei pelas roupas espalhadas pelo chão.  E em meio aquela bagunça decidi que bagunça não seria mais uma constante na vida. Com meus originais em mãos, liguei para algumas editoras que uma amiga havia me indicado há dois anos. Vou publicar meus livros. Agora o ano começou. E eu sou outra pessoa.



Rafaela Valverde






terça-feira, 14 de março de 2017

O parque no domingo



Esse texto é um dos produtos da disciplina Criação Literária  do curso de Letras da UFBA, o tema é As moscas.


Era domingo e o parque estava cheio. A  tarde estava agradável e havia crianças por toda parte. Para a gente era dia de trabalho. Em um banco de cimento estava uma família: três crianças sentadas e um casal arrumando a toalha do piquenique. Brincavam, comiam doces e riam. Eram enormes como todos os humanos. Quase sempre matavam alguma de nós, sem querer. Nossos tamanhos eram desproporcionais, mas precisávamos arriscar.

Nos aproximamos timidamente. É injusto. As moscas voam e são bem mais rápidas. Há poucas notícias sobre mortes de moscas, enquanto há um bombardeamento delas em nossa colônia. Nossas amigas são esmagadas diariamente. Lá  estão as moscas, em cima da família, rondando, experimentando. Estão sempre presentes  e incomodam. Saem impunes. São livres. Voam rápido, saltitam, mesmo que sobre o lixo.

Iniciava o massacre. Algumas foram achatadas por pés ou mão desavisados. Nem toda formiga morria, mas em certos momentos quebravam nossas patinhas, impossibilitando nós de transportar a comida. Vivíamos presas ao chão, enquanto as mocas gozavam de inteira liberdade. Raramente alguém consegue atingir uma mosca. Parecendo, para nós, que as moscas são seres cósmicos super poderosos. Além de tudo, livres! Nossa, que inveja das moscas!

Do outro lado do parque, próximo de um carvalho de duzentos anos, vários pombos comiam farelos. Moscas disputavam espaço com as aves. Iam e voltavam da lixeira para comer restos de frutas, hambúrgueres e outros resíduos pútridos.

Duas moscas conversavam:

- As formigas estão de boa! Comem toda a comida fresca, quanto ficamos com naquinhos mal roubados ou lixo. Ainda temos que  fazer esforço para voar tão rápido.

- É, irmã, elas que têm sorte. Olha para lá, caminhando calmamente até a colônia, quanto eu tô aqui com a a asa machucada, voando para comer.

- Ainda temos que ficar aqui perto desses pombos nojentos, eca!

- Vamos, vamos lá para aquele banco. Aquela família tem bastante doce.





Rafaela Valverde

Filmes O silêncio do céu e Suíte Francesa


Assisti no final de semana dois filmes. Ambos na Netflix. O primeiro foi O silêncio do céu com Carolina Dieckmam. Do diretor Marco Dutra, o filme, que é um drama-suspense, se apresenta com duas nacionalidades: brasileira e chilena e é de 2016. O segundo filme foi Suíte Francesa. que segundo o Adoro Cinema também é do ano passado, o diretor é Saul Dibb e conta com Michelle Williams, Kristin Scott Thomas, Matthias Schoenaerts e outros no elenco. É um drama de guerra e romance e passado na França.

Este último traz a história de Lucile Angellier (Michelle Williams) que durante a segunda guerra mundial aguarda seu marido retornar enquanto convive com a sogra Kristin Scott Thomas). Enquanto isso, os franceses são obrigados pelos alemães a hospedarem seus soldados nas próprias residências. Assim, o soldado pianista Bruno von Falk (Matthias Schoenaearts) vai viver na sua casa, começando assim uma paixão proibida.

Já O silêncio do céu, Diana (Carolina Dieckmann), esconde um segredo de seu marido: ela foi estuprada dentro de sua própria casa. Ela não conta para o marido. Mas ele também tem seus mistérios e segredos. A partir daí, a trama vai se desenrolando de uma maneira muito peculiar. Eu gostei dos dois. Recomendo!



Rafaela Valverde


sexta-feira, 10 de março de 2017

Resenha acadêmica de Nove Noites - Bernardo de Carvalho - Parte III


Alguns dados foram encontrados, mas o jornalista optou em não atribuir juízos de valor às informações encontradas. Mas o fato era que ele, o americano, não gostava de estar no Brasil. Ele queria ir embora e escrevia isso em cartas sempre que tinhao portunidade.   Não   se   sabia   o   motivo   exato,   por   exemplo,   ele   poderia   ter   alguma inimizade com alguém, o que poderia ter resultado um homicídio e não um suicídio. Sim, houve essa especulação na grande colcha de retalhos que se tornou Nove Noites 

.Já quase no finalzinho do livro em um dos momentos narrados por Manoel Perna, ele conta que durante essas nove noites que esteve conversando com Buell Quainteve certeza que todas as histórias que ele contou pareciam confissões, mas de alguma coisa além do que parecia realmente estar contando. “Foi a preparação da sua morte.”Manoel afirmou ainda que não acreditava que ele, Buell, pudesse ter feito algo errado,mas que pudesse estar tentando dizer que se mataria em breve.

Nove Noites é um livro rico e em alguns casos se torna até meio repetitivo no que diz respeito à ausência de informações precisas sobre a morte de Buell Quain. Dessa forma, o livro traz narrativas dentro de uma narrativa. Já no final há uma nova história: o pai do jornalista-narrador está em um hospital internado ao lado de um velhinho bem doente que pode ter conhecido o antropólogo americano. Isso ele conclui depois de investigar o idoso já moribundo. Essa parte encerra o livro com chave de ouro, já que não se espera o que pode vir dessa nova narrativa apresentada dentro de um hospital. É surpreendente essa nova possível nova perspectiva da história. O que deixa ela ainda mais genial. O idoso internado é um fotógrafo que pode ter convivido com Buell um tempo e pode ser autor de uma icônica foto do americano. Ele envia cartas para diversas pessoas   nos  EUA  e   vai   até lá tentar   descobrir  mais algo   sobre   essa possível ligação. Na volta encontra se com um jovem “orgulhoso e entusiasmado” que vinha estudar os índios brasileiros. Perplexo, o jornalista brasileiro pensa em como aquela situação é irônica e como os mortos podem atormentar os vivos.




Essa resenha foi solicitada como forma de avaliação junto com um debate sobre o livro para a disciplina de Literatura Brasileira e a Construção da Nacionalidade do curso de Letras da UFBA- Universidade Federal da Bahia. E foi escrita por mim.



Rafaela Valverde

Resenha acadêmica de Nove Noites - Bernardo de Carvalho - Parte II


Ora, era justamente a ideia que Bernardo de Carvalho rechaça. Os índios devem ser tratados como gente, como os seres humanos que são. Com seus defeitos e suas virtudes. A ideia que ainda se tem sobre o índio é que além de ele ser passivo, é  oco e superficial.   Índio   não pensa,  índio   só   quer   umas   lembrancinhas  e alguém   que   os defenda. Essa é a ideia paternalista que o livro pretende desbancar. E consegue. O livro passeia por histórias e emoções, o livro vai e vem. E assim será esse texto, ele vagueará pelas histórias  contadas  em   Nove  Noites   e  pelo   mistério que   ronda  o  suicídio   do etnólogo americano.

Dessa forma, há de se falar da morte, da vida, das cartas e de tudo mais que possa ser interessante sobre a vida de Buell Quain. Essa busca pela vida do antropólogo está   diretamente   ligada   à   vida  do   narrador.  A  análise   desse   texto   buscará   ser   tão obsessiva quanto a busca dele. Portanto trechos e parágrafos se vão se misturar e se intercalar para contar essa (s) história (s).

O narrador, depois de adulto, retornou à comunidade dos  Krahô, acompanhado de   um   antropólogo  conhecido.   Ele   conheceu   o   velho   Diniz,   único   membro   da comunidade vivo que conheceu Quain quando ainda era menino. Havia a esperança de que ele falasse sobre local em que o americano havia sido enterrado e outras questões. O velho Diniz mal havia sido apresentado ao jornalista e foi logo pedindo seu gravador. Negando educadamente, ele informa que precisa dele para trabalhar, o índio rebate: “Lá em   São   Paulo   você   compra   um   igualzinho   e   manda   pelo   correio.”   É   um   trecho marcante, pois evidencia o quão os índios são humanos, o quão os índios que moram no Brasil são realmente brasileiros. Enfim comprovam que índio é gente e gosta de todas ascoisas que todas as outras pessoas gostam. O velho Diniz conta que os índios chamavam Buell   de   “Cãmtwýon”,   sendo   logo   questionado   sobre   o   significado.   Mas   não   há significado específico, ao contrário do que se pensa que sejam os nomes indígenas. Mais um estereótipo quebrado. 

Diniz   ainda  conta   que   o   antropólogo   americano  raspou  a   cabeça,   enquanto tomava banho no rio, no dia seguinte à sua chegada: ajudou em um parto, deu nome ao recém-nascido, mas não queria participar de nada. Não se envolvia em nada e passava dias escrevendo, não bebia muito e costumava ouvir música às vezes. Era um homem bastante   reservado.   Diniz   achava   que   ele   havia   enlouquecido   depois   que   recebera algumas cartas. Nessas cartas, que foram queimadas por ele antes de morrer, haveria anotícia de que a mulher o havia traído com o irmão.

Mas   essa   história   não   é   verdadeira.   Há   muitas   contradições   e   versões desencontradas sobre as possíveis causas do seu suicídio. A mãe e a irmã dele afirmam que ele nunca havia sido casado e não tinha irmão. Só irmã, mãe e um pai que eranmédico, mas não muito próximo dele. Há ainda várias hipóteses sobre o momento da sua morte: “foi se cortando todo, ainda de dia, descendo sangue”, depois “queimou dinheiro.” Havia ainda informações sobre ele ter queimado as cartas que recebera, pois elas nunca foram encontradas. Ele teria se cortado no pescoço e nos braços e depois se
enforcado. Enfim, como se vê, não há uma informação só sobre o inesperado caso.

Há relatos que o etnólogo sofria e que estava se cortando (foi questionado nomomento) e ele afirmara que “precisava amenizar o sofrimento, extinguir a sua dorcruciante.” Em geral, as pessoas atribuem o suicídio a sofrimento à depressão e é fácil perceber que o homem tinha picos  de tristeza  e crises existenciais. Ele em  alguns momentos interagia e estava bem. No momento seguinte, porém mudava o seu humor e se trancava.

“Ele se enforcou com a corda da rede num pau grosso, inclinado, quando os índios fugiram,” afirmou o velho Diniz. Pediu que fosse enterrado ali mesmo e seu pedido foi atendido. A sepultura foi marcada com talos de buriti e nenhuma polícia ou outra autoridade foi ao local. Não houve exumação nem abertura de inquérito e nem há registro em nenhum cartório ou fórum.

 A morte de Buell Quain foi esquecida, teve certa repercussão na época, mais entre o meio antropológico, além de ter sido um americano morto em terras Brasileiras. Nem a mãe e a irmã vieram ao Brasil ou solicitaram o envio do corpo. Não. Ele ficou esquecido lá nos confins do norte do Brasil. A colcha de retalhos de informações e especulações sobre esse suicídio nunca foi concluída. As costuras não combinam entres i e sempre há alguma discrepância entre elas. Nunca se chegará a nenhuma conclusão sobre o que teria levado o jovem americano a se matar.

Foi   observado   que   há   algumas   insinuações   sobre   uma   possível homossexualidade   do   etnólogo.   Em   alguns   trechos   das   narrativas   apontam   como estranha a ausência de mulheres na vida dele. Ele não tinha amantes, não olhava para as índias, não era dado a aventuras sexuais, era bastante recluso. Outro ponto que pode ser interpretado como insinuação sobre a sexualidade de Buell seria uma das últimas cartas que ele escreveu ao cunhado, e somente a ele, antes de morrer. Para muitas pessoas poderia passar despercebido, mas não é esse o caso. Há também o fato de ele não se dar bem com o pai, seria um indício?

Em determinados momentos do texto é narrada  a viagem do jornalista, sessenta e  dois anos  depois. Ele mantém  um relacionamento mais  próximo com  os   índios, participa de rituais e reconstrói algumas imagens sobre os indígenas. Pôde ainda sentir um pouco a  sensação de estar próximo aos índios  e pesquisou bastante a vida do antropólogo. Cartas e fotos por exemplo. Em uma carta escrita em 4 de julho, menos de um mês antes de morrer ele escrevia: “Duvido de que em algum outro lugar no mundo existam culturas indígenas tão puras. Mas, a despeito de todas as virtudes do Xingu, gostaria   de deixar   o   Brasil   definitivamente   e   limitar   meu   trabalho   a   regiões.” Ele reclamava das dificuldades de trabalhar com índios brasileiros. “Acredito que isso possa ser atribuído à natureza indisciplinada e invertebrada da própria cultura brasileira.” Ou seja, os indígenas brasileiros, já naquela época não eram passivos como se imagina. E quase nada se alterou na cultura do povo brasileiro.



Continua...


Rafaela Valverde

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

Nove Noites - Bernardo de Carvalho

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Estou mergulhada num livro como há muito tempo não ficava. É claro que a resenha crítica solicitada pelo professor de Literatura Brasileira me impeliu à tal empreitada, mas realmente a leitura desse livro é apaixonante. O livro é  Nove Noites de Bernardo de Carvalho, já tinha ouvido falar no autor, bem por alto, mas nunca havia lido nada dele. Amei essa experiência de ler Nove Noites. Ele traz muitas questões, mas muitas mesmo, sobretudo no que se refere às comunidades indígenas tão estereotipadas por nós.

Há muitas desconstruções. Na verdade, a disciplina é toda de  desconstrução de conceitos bizarros que estão em nossa cabeça desde a tenra infância. Fiquei muito apaixonada por Nove Noites, especificamente. É um livro de ficção e memória como afirmou o próprio autor.  Ele mescla a vida do narrador ou narradores com relatos da vida de Buell Quain, antropólogo americano que se suicidou aso 27 anos enquanto vivia em uma comunidade indígena no Brasil.

Eu escrevi uma resenha crítica, ou seja lá o que for aquilo, de cinco folhas sobre o livro que é genial. Deixa o leitor preso até o final a fim de saber se aquele mistério será resolvido. Pelo menos eu fiquei presa, em alguns momentos fascinada pela história. Mas o livro, que eu carinhosamente chamei de colcha de retalhos, não elucida o suicídio do jovem etnólogo. Sim, vou logo dando spoiler, porque com um livro maravilhoso desse não há spoiler que estrague a leitura.

Por que o americano se matou? Onde está enterrado seu corpo? Onde estão as cartas que ele recebeu pouco antes de morrer? Essas perguntas, entre outras, são deixadas sem resposta no decorrer do livro. Mas o que mais importa é como essas perguntas são feitas. Ainda assim, o final do livro conseguiu ser surpreendente para mim devido a alguns desdobramentos da narrativa. Amei Nove Noites!



Rafaela Valverde

sábado, 18 de fevereiro de 2017

La la land - Cantando Estações


Assisti La la land. O filme dirigido por Damien Chazelle é uma comédia musical romântica com atuações de  Ryan Gosling, Emma Stone, John Legend, etc., foi lançado em janeiro desse ano. Vou logo soltar o spoiler que o filme é maravilhoso, o melhor musical que eu já vi na vida. Logo, na primeira cena já fiquei empolgada. E sabia que havia ali um potencial. Ainda é dividido em estações, por isso  La la land - Cantando Estações.

O pianista de jazz Sebastian (Ryan Gosling) conhece a atriz Mia (Emma Stone). Eles estão tentando a sorte: ele recomeçando com o jazz e ela realizando testes para atuar em filmes. Sebastian tem o sonho de abrir um clube de jazz em Los Angeles e assim seguem tentando a sorte. Um belo dia se descobrem apaixonados e resolvem ficar juntos.E assim vão tentando permanecer juntos enquanto lutam para realizar seus sonhos de carreira.

Eu não vou contar mais sobre o enredo. O filme é lindo, mas não é a beleza somente na história que está sendo contada e sim na maneira que está sendo contada. A história poderia ser narrada de várias outras formas, mas a que foi escolhida com certeza foi a melhor e mais inovadora. Os diálogos são bem articulados com as músicas e eu gostei bastante. Não vou ficar aqui falando mais nada não. Ainda está em cartaz e provavelmente deve ficar até depois do Oscar. E deve levar algumas estatuetas sim. Saí do cinema com lágrimas nos olhos e extasiada. Recomendo!




Rafaela Valverde

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Série Dexter


Terminei essa semana a série Dexter. Já vou logo soltar um spoiler leve. Confesso que fiquei bastante decepcionada com o final. Triste mesmo. Na verdade, o meu bom senso afirma que ela terminou como tinha que terminar, era  a maneira mais coerente da série chegar ao fim. Mas eu fiquei chateada, enfim.

Dexter foi uma série americana de drama/suspense que estreou em 2006 e contou com detalhes a história de Dexter Morgan (Michael C. Hall), um psicopata serial killer que tinha um código de conduta ensinado pelo pai que fora policial. De acordo com esse código, Dexter primeiramente não deveria ser pego e em segundo lugar só devia matar bandidos. Ele deveria ser um tipo de vingador segundo o código de Harry, seu pai.

A história é narrada em Miami, o que é na minha opinião, uma das coisas mais interessantes e originais da série. Quando a gente pensa em Miami, só pensa em praia, férias, colares de flores e dança hula. Ou seja, clichês e mais clichês, ilusões que são quebradas quando aparece a primeira cena de crime sombria na cidade do litoral americano.

O assassino em série também trabalha na polícia, assim como seu pai e sua irmã Debra (Jennifer Carpenter). Mas ele não é policial. Dexter se tornou um perito em padrões de sangue. Ele, óbvio né, é fascinado pelo sangue, suas nuances e desenhos. Sangue é arte. Eu adorei essa série e praticamente a devorei. É divertida. Alguns fios soltos podem ser observados durante o enredo. Por que Dexter nunca é pego apesar de tantas vezes  vacilar, ou deixar algo que provava quem realmente ele era bem evidente? Claro né, se ele fosse pego acabava a série.

Mas não é bem isso que estou querendo dizer. Por exemplo, Debra Morgan, irmã de Dexter, minha personagem preferida - a pessoa mais boca porca de todas as séries e filmes que eu já assisti - foi uma excelente detetive e foi a personagem da série mais próxima do irmão durante as oito temporadas da série. Mas ela nunca, nunca, mas nunca mesmo desconfiou. Mesmo com tantos "moles" que ele dava, mesmo com saídas " a trabalho", mesmo tendo sido criada com ele, etc...

É claro que não vou contar tudo aqui né. Mais uma vez: eu amo essa série! Boas atuações. Especialmente dos protagonistas Dexter e Debra. A série terminou 2013 e sua primeira temporada foi fortemente baseada no livro Darkly Dreaming Dexter de Jeff Lindsay. Voltando ao fato de Dexter nunca ter sido pego, hehehe: ele, além de ser "atlético", como me disse um amigo, ele era um bom perito e sabia como se comportava a mente de psicopatas como ele. Por isso, era mais fácil para ele se desviar dos olhares da polícia... Olha eu ficaria aqui a noite toda falando dessa série. Quem quiser que assista. Recomendo!



Rafaela Valverde


quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Filme O Nome da Rosa


O Nome da Rosa é um suspense dramático de 1986, dirigido por Jean-Jacques Annaud e com atuações de Sean Connery, Christian Slater, Elya Baskin, entre outros. A história se passa no século XIV, no ano de 1327, período da Idade Média. Wiliam de Baskerville (Sean Connery), um monge franciscano e Adso von Melk (Christian Slater) seu pupilo, são secretamente convocados para uma missão em um rígido Mosteiro Beneditino na Itália. A missão era investigar a morte de um dos monges. O tradutor grego Adelmo teria sido jogado de um penhasco por alguma força maligna. Wiliam constata, após algumas investigações, que foi suicídio.

Há algo sombrio naquele lugar, Baskerville e seu pupilo têm certeza. Alguém fala logo no início: “o demônio ronda essa abadia”. Dessa forma o filme começa já com esse clima assustador, que claro, é ligado à figura feminina. Ao jovem Adso é atribuída uma imagem feminina e diabólica. Um jovem com olhos femininos.

Porém, um segundo monge morre e seu corpo encontrado de cabeça para baixo dentro de tanque, descartando assim a hipótese inicial de suicídio na morte anterior. Alguns monges associam essa morte como uma profecia do apocalipse, já que as arrumações do corpo supostamente faria referência a uma passagem bíblica do livro de mesmo nome. Aristóteles é citado, já que a vítima estudava as obras dele e as traduzia. A partir desse momento, a credibilidade de Wiliam fica um pouco estremecida e os monges líderes passam a ter dúvidas sobre sua capacidade de investigar o caso.
Coisas vão acontecendo durante as investigações. Wiliam percebe que pode realmente haver ali um assassino. A Comédia de Aristóteles, aquela que fazia parte da Poética e que se perdeu ao longo dos anos, passa a ser discutida por causa do gênero que faz rir. Ele é desvalorizado pela igreja. Um dos monges mais velhos afirma que o riso é demoníaco, deforma o rosto e faz as pessoas parecerem macacos, daí já é possível constatar a sisudez do período e daqueles monges. O riso afastava as pessoas de Deus, por isso a rejeição às Comédias. Esse monge grita de forma categórica que a Comédia de Aristóteles nunca existiu. A Comédia é vista como estimuladora do ridículo, o riso mata o temor Sem o temor não pode haver fé, pois sem temer o demônio não há necessidade de crer na existência de Deus.

O pupilo de Wiliam, Adso, se entrega aos prazeres da carne com uma mulher que rodeia a abadia em troca de comida. A mulher vista como feiticeira, aquela desvia o homem do caminho de Deus. O menino conta a aventura ao seu mestre, como amigo que lhe responde que a vida teria mais paz sem o amor.

Acontece a terceira morte: o corpo de mais um monge é encontrado em uma banheira com folhas de lima. Folhas de lima eram utilizadas em banhos para aliviar dores. Ele havia morrido afogado, após tentar aliviar as dores que sentia. Verifica-se, assim como nos outros monges, que as pontas dos dedos e a língua estavam manchadas de tinta escura. E assim segue o mistério e as investigações.
Wiliam e Adso desconfiam cada vez mais dos segredos que rondam o mosteiro. Eles passam a ir mais a fundo na caça ao assassino. Os segredos estão relacionados a livros: proibidos e espiritualmente perigosos. Há uma torre cheia deles e poucas pessoas podem acessa-los. Chega a constatação de que os três homens morreram por causa de um livro que mata ou pelo qual um certo homem pode matar.
Alguns monges passam a se incomodar com a presença de Wiliam e pedem que ele vá embora e que as investigações sejam finalizadas.

 Mas eles não param de investigar e descobrem um porão nas fundações da torre da biblioteca do mosteiro. Alguns livros proibidos são encontrados. Wiliam afirma que ninguém deveria ser proibido de consultar estes livros de forma livre. Seu pupilo responde que talvez eles sejam muito preciosos e frágeis. Mas ele sabe que não é bem isso, eles contêm uma sabedoria diferente e ideias que podem fazer as pessoas duvidarem de Deus. E a dúvida é a inimiga da fé, ou seja, para acreditar é preciso ter certeza do que acredita. Se há uma possibilidade de dúvida da existência de Deus, em que as pessoas vão acreditar? Como as pessoas vão acreditar na igreja e na bíblia? Portanto, o conhecimento deve ficar oculto, especialmente esse tipo de conhecimento.

Enquanto isso, a mesma mulher que fez Adso se entregar aos prazeres da carne, se envolve em um ritual que pode ser considerado bruxaria, junto com um monge corcunda e um deficiente mental: Salvarote, Eles utilizam um gato preto nesse ritual que é logo associado às mortes dos monges. Ambos são julgados e condenados à fogueira pela inquisição. Nesse mesmo período está acontecendo no mosteiro uma votação que decidirá os gastos da igreja, justificando assim a presença de Wiliam e de outros membros da igreja. Desta forma, com a presença desses nomes da inquisição no mosteiro, é possível a realização da condenação dos envolvidos com bruxaria de forma mais rápida.

Não havia como contestar a inquisição e quem assim o fizesse seria acusado de heresia. Vivia- se a partir de normas estabelecidas por doutrinas cristãs. Não era possível discordar e dizê-lo em voz alta, pois a inquisição matava. E esses livros, os que haviam sido escondidos, eram vetores de discordância, por isso foram taxados como livros proibidos. Em suas páginas foram depositadas veneno, para que quem ousasse lê-los, morresse. O responsável pelo veneno é o mais antigo morador e mais velho monge, Jorge que é cego.

Um incêndio na torre, provocado acidentalmente por Jorge ao tentar fugir após ser descoberto, destrói alguns livros, mas Wiliam consegue salvar alguns livros e a sua própria vida. Os livros têm saberes que não podem mais se perder. Daí o desespero de Wiliam para salvá-los. E mesmo quando é questionado por Adso se se importa mais com livros ou com pessoas, ele não tem dúvida e permanece com a ideia fixa de salvar os livros também, pois sem eles, as pessoas não conseguirão contestar doutrinas e ideias da igreja um dia.

O filme conta com uma fotografia sombria e escura, o que é essencial para o clima sombrio da história e do local. As atuações são fortes e os diálogos são bem construídos. Sean Connery está no melhor papel da sua carreira junto com Christian Slater que ainda menino demonstra um pouco de insegurança, mas segura bem o personagem.

É um filme para se pensar nessas formas de viver durante a Idade Média. O poder da igreja imperava, mulheres, deficientes e quem quer que discordasse ou realizasse práticas condenadas pela igreja, poderia ser condenado à morte. E geralmente era o que acontecia. A inquisição se instaurou no século XIII para investigar e julgar pessoas consideradas hereges, ou seja, aquelas pessoas que discordavam do poder e das ideias da igreja católica.






Rafaela Valverde

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

Na biblioteca


Estávamos ali de novo, nus, no chão da biblioteca da faculdade. Era um setor com poucos livros. Ninguém ia muito para aquele lado, por isso sempre o aproveitávamos. Eram uns livros clássicos e até raros, dicionários de Latim e Grego e até bíblias. Que pecado! Estávamos começando o rala e rola, a coisa ainda estava esquentando. Estava me esfregando nele, num conjunto de sacanagens que é chamado de preliminares, não à toa.

O carpete estava me pinicando, coisa mais estúpida do mundo é carpete. Assim, decidi ficar por cima. Nesse momento vi dois olhos pretos e brilhantes me olhando por detrás dos livros. Me assustei e me desequilibrei, caindo e tombando em uma das estantes que estavam atrás de nós. Por alguns segundos ficamos ali apenas nos olhando, os três. Era uma menina que eu nunca tinha visto na faculdade. Parecia ser caloura. Ela começou a tirar a blusa. Queria entrar na brincadeira. Olhei pra ela com os olhos arregalados, mas não disse nada.

Fiquei parada, mas eles não. Começaram a se beijar e eu ali parada com a cara de tacho olhando. Nunca tinha transado com uma mulher antes, apesar de ter curiosidade. Ela puxou meu braço e me beijou. Bem, não foi tão difícil, nem ruim. Ficava imaginando o resto. Como seria o resto. Nem sabia como funcionava.

O beijo dela era voraz. Ela era bastante fogosa. Que mina estranha, querer transar com um casal desconhecido na biblioteca. Me deixei levar. Acho que a mais estranha era eu. Sua pele era macia,  o hálito refrescante e seu cheiro me deixava louca. Era uma experiência nova. Nós três ali, no escuro, em silêncio. Tateando os corpos que estavam em nossa frente. Tentava  explorar ao máximo aquele momento. E até mesmo o momento que mais temia, o de sentir seu gosto, foi uma delícia.

Nos revesávamos nos momentos de prazer. Que surpresa! Quanta sacanagem ainda era possível naquela faculdade? Aquela dança de corpos continuou por um tempo indefinível. E depois que terminamos, ainda aproveitando o gozo, começamos a rir baixinho, porém em sintonia. Uma sintonia que acabávamos de descobrir.



Rafaela Valverde
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