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sábado, 20 de maio de 2017

Minhas pernas peludas



Por que ainda há um choque com pernas femininas com pelos? Por que pelos em homem é atraente e em mulheres é anti-higiênico e masculino? As minhas pernas estão peludas. Tenho poucos pelos e a maior parte deles são loiros, portanto decidi deixá-los. Mas não só por isso. Porque também não vou ficar raspando, agredindo minha pele e gastando horrores com depilação com cera para satisfazer senhor ninguém. Especialmente uma sociedade que não me dá nada, eu que não rale não! 

Meus pelos da perna não me incomodam e gosto de passar a mão em minha perna e senti-los. Me sinto aliviada em não mais ser obrigada a fazer depilação. Eu ODEIO fazer depilação em qualquer parte do meu corpo. Claro que é um passo muito mais difícil deixar de depilar tudo e ainda depilo as axilas e partes íntimas, mas minhas pernas serão peludas, sim! Pelo menos enquanto eu estiver afim de ter pelos. 

Reparo que as pessoas olham minhas pernas e estranham. Por que não estranham homens com pernas depiladas? Já ouvi gente dizer: "deve ser nadador..." Nunca entendi muito bem a relação, mas já ouvi isso rsrsrs. Só porque é homem e só por que eles sim podem fazer o quiserem com seus corpos. Nós é que não podemos ter domínio sobre nosso corpo que vem logo um enxerido comentar, ou olhar, ou fazer uma lei... Para dominar o corpo feminino aparece gente de tudo quanto é inferno!

Para cima de mim, não! Ninguém vai me dizer o que fazer em meu corpo e com meu corpo. E estou pensando seriamente em deixar de tirar a sobrancelha. Fico arrancando os pelos da minha cara desnecessariamente em casa, quando quero algo mais bem feito tenho que pagar no mínimo oito/ dez reais. Homens além de tudo, gastam muito menos para cuidar da aparência. É tudo muito injusto e eu eu estou aqui para quebrar isso, mudar essas regras que só beneficiam os homens. Vai ter pelo, sim! Porque afinal sou um mamífero e meus pelinhos me protegem. Quem não gostar se joga de um pé de alface, ok?



Rafaela Valverde


Mulheres, não precisamos de homens!



Eu sofri mas eu aprendi algumas coisas com meus erros e meus sofrimentos. E quem sofre, erra e não aprende nada com isso? Não estou aqui querendo me sentir melhor que ninguém, apenas ratificar a tese de que os erros e dores servem para nos dar uma lição. Isso é verdade. Claro que a gente precisa ter consciência desses erros e realmente refletir sobre o que mudar. Não acontece por osmose, não é rápido, nem fácil. Demora e dói. 

Passei vários meses sentindo uma dor física, sem querer levantar da cama e passei muitas das horas desses dias pensando em que tinha falhado e que se eu não tivesse cometido determinada falha, talvez eu não tivesse em determinada situação. Mudei e virei uma pessoa mais leve com a vida. Não cobro mais tanto de mim, nem da vida, nem dos outros. Me tornei uma adulta mais leve e não me troco pela eu de cinco, seis anos atrás.

Mas e quando as pessoas sofrem, passam determinadas coisas e não mudam? Continuam cometendo os mesmos erros? Será que elas não refletiram sobre suas atitudes? E quando essas pessoas são mulheres? Uma mulher sofreu horrores em um relacionamento: perdeu tudo o que tinha construído com o outro, porque simplesmente ele lhe usurpou, quase morreu por um problema de saúde e ainda foi trocada por outra e agora "abre os dentes" para esse homem, anos depois. Não dá vontade de matar uma mulher dessa? Dá!

Eu não sei se é falta de maturidade, pois é uma mulher já bem grandinha. Eu não sei se muita falta de amor próprio, eu não sei se é o machismo, a misoginia e a sociedade patriarcal já impregnados em nosso inconsciente. Eu sinceramente não sei. A coisa está tão feia que quando a mulher erra é xingada, considerada vadia, vagabunda, sei lá. Mas quando o cara erra, a sociedade aconselha que se perdoe porque ele "é homem" e porque "todo mundo merece uma segunda chance." Então, só os homens merecem segunda chance? Porque mulheres são execradas e até mortas quando traem!

Então, isso está tão impregnado em nossa cabeça que a gente acha que não pode viver sem homem, mesmo que ele seja ruim. Chega a um determinado momento da vida em que a gente só sabe falar: "ruim com ele, pior sem ele" e acredita nisso tão veementemente que fica ali naquela relação, inerte, só esperando o dia de ser libertada por alguma magia. Não, isso não vai acontecer! Quem se liberta é a gente mesmo. E ponto.

A gente é criada e incentivada desde muito nova a procurar homem, a viver dependente de homem.  aí acreditamos que não dá para viver feliz sem ter um homem do lado, sem ter um relacionamento, sem casar. Porque somos indefesas e precisamos da defesa de um homem, A gente não sabe que dá para viajar sozinha, ir ao cinema sozinha, beber sozinha, ir à festas e shows sozinha... A gente acha que só vai ser feliz se tiver um homem para nos fazer companhia. Assim, aproveitamos a deixa e ficamos burras, esquecemos como instala computador, não aprendemos furar ou pintar uma parede e não aprendemos a ser independentes "por que temos um homem".

Mas um dia, assim como eu aprendi, a gente aprende que somos suficientes e nos bastamos. Estudamos, trabalhamos, pegamos pesado para ter nossa independência e nenhum homem vai nos dizer o que fazer, nem hoje, nem nunca. Pelo menos não a mim! Sobre os fatos relatados acima: eu, por muito menos já botei homem para correr. Mas tem mulher que sabe que está infeliz, sabe que aquele homem não presta e nunca vai mudar e continua ali. Até quando Deus quiser. Mulheres tomem posse das suas vidas! Amem, mas amem a si mesmas muito mais em primeiro lugar. É tão maravilhoso se amar, se achar linda, independente e auto-suficiente. Não há nada melhor! Aprender com nossos erros e sofrimentos, é para mim, o principal motivo deles acontecerem, então vamos levantar da cadeira e lutar por nós mesmas, pois os homens só enxergam seus próprios umbigos.




Rafaela Valverde

sábado, 13 de maio de 2017

Eu ouvindo Marília Mendonça


Eu já devo ter contado aqui que gosto de vários tipos de música. Ouço de Marisa Monte até funk mas torcia o nariz para sertanejo. Bem, ainda torço um pouco, mas estou ouvindo muito Marília Mendonça, uma das representantes do chamado feminejo.  Desde a minha viagem para Recife voltei com essa mania de ouvir Marília. E gosto bastante. Ela fala algumas coisas que os homens precisam ouvir e sofre bastante também.

Quem não tem essas sofrências? Quem nunca sofreu dor de corno mesmo? Eu nem vou falar sobre isso na minha vida hahaha. Mas o fato é que eu gosto de música, independente de qual rótulo. Um amigo me disse justamente isso: para eu ouvir música independente de rótulos, se eu gostar ótimo, se não, bola pra frente.

E fiz isso. Cá estou eu, nesse exato momento ouvindo a maravilhosa da Marília. A mulher canta muito mesmo. E graças a todos os deuses que tenho a capacidade de mudar de ideia, de gostos, de conceitos. Prefiro sim ser uma metamorfose ambulante e é isso que eu sou.



Rafaela Valverde

quarta-feira, 19 de abril de 2017

Jogos Vorazes e o protagonismo feminino


Reli Jogos Vorazes. Dessa vez li meu próprio livro, sem muita pressa, mas ao mesmo tempo devorando. Porque não tem como ler aquela história sem devorar. Já tinha lido há uns dois anos, mas era emprestado. Se eu já amei a história na época, agora amei mais ainda pois li com mais calma, mais atenta aos detalhes e conceitos, implícitos ou não.

Vejo o livro como um embate do feminismo com o machismo, além de outras questões, já que se trata de uma distopia, com jogos intrinsecamente políticos. Os próprios jogos vorazes que dá nome ao livro vêm de uma situação de opressão que vive um povo em relação aqueles que o governam. Mas, voltando ao embate machismo x feminismo, eu consegui ter algumas percepções que não tinha tido antes.

Katniss Everdeen, a mocinha  rebelde do livro, está sozinha lutando contra um mundo masculino, onde os homens dizem o que ela deve vestir, como se comportar para agradar as pessoas e outro homem, além de o próprio presidente de Panem, o pais distópico em que ela vive, é um homem, que organizou durante anos os jogos. Há ainda os organizadores dos jogos e Haymitch, seu mentor. 

Em alguns momentos percebo que ela se sente mal em estar cercada de tantos homens, já que suas maiores referências na vida atual são mulheres: sua irmã e sua mãe e estão longe, lá no Diistrito Doze. A  única referência masculina era o pai que morreu quando ela ainda era criança. Foi o pai que fez com que Katniss se tornasse a pessoa forte que é. Ele a levava para caçar, ele ensinou como se virar e como usar arco e flecha. A mãe dela é uma mulher totalmente silenciada na narrativa. Talvez propositalmente para que a protagonista tivesse mais luz.

E ela consegue. Mesmo com apelidos como "a garota quente" e a insinuação de que ela deveria agradar e ter um romance com Peeta, já que ele a amava desde sempre, como ele mesmo afirma durante uma entrevista. Todos ou quase todos os momentos do livro vêm com uma carga emocional forte para derrubar Kastniss, para dizer que talvez ela não seja tão forte assim. Mas ela é. E prova isso.

É claro que talvez devêssemos levar em consideração que todo esse jogo de poder dado a uma mulher em um livro, ou três livros, seja uma jogada de marketing intencional. É claro que eu amo essa trilogia e nunca vou deixar de amar, mas também já perdi a inocência há alguns anos.  A gente não aceita mais uma mocinha ingênua e idiota. O mundo mudou e nós mulheres mudamos, queremos e precisamos de protagonistas mulheres fortes e destemidas. E foi o que Jogos Vorazes nos deu em sua trilogia. Uma mocinha que conta sua própria história, que não se cala, que se sustenta a si mesma e a sua família, uma mocinha guerreira que sabe lidar com arco e flecha. Uma mocinha não, uma mulher forte e decidida que apenas fazem os homens acreditarem que ela está fazendo o que eles querem. Viva Jogos Vorazes!



Rafaela Valverde

quarta-feira, 5 de abril de 2017

A máquina de moer mulheres - Aline Valek


Tec, tec, tec. Ouve o som? É o barulho das engrenagens funcionando perfeitamente, fazendo tudo correr como deveria. Com a precisão de um relógio, movem-se os mecanismos dessa máquina gigante, antiga, mas que ainda funciona que é uma beleza para cumprir seu principal objetivo: triturar mulheres.

São muitas as engrenagens e complexos seus movimentos, mas se você der um ou dois passinhos para trás, pegando alguma distância para vê-la como um todo, é possível observar que seu funcionamento, na verdade, é tão simples que dispensa a existência daqueles volumosos manuais de instruções.

Para que funcione, é preciso abastecê-la com a ideia de que mulheres não são pessoas. São santas ou deusas; carne barata ou lixo; mas nunca pessoas. Então basta colocar uma mulher de um lado – e tec, tec, tec, soará a máquina, ruidosa – para vê-la sair do outro lado devidamente transformada em vítima.

Uma mulher agredida por seu marido. Ou assassinada pelo seu ex. Ou uma moça agredida por um desconhecido a quem ousou dizer “não”. Ou ainda uma jovem violentada por mais de trinta homens. São inúmeras as possibilidades. Todas demonstram como estão funcionando direitinho as engrenagens.

Funciona assim: primeiro, cria-se a ideia de que os corpos das mulheres estão à disposição. Que é ok violentar e agredir mulheres. Até engraçado, ou mesmo esperado. Então uma mulher sofre a violência. Se denuncia, os mecanismos de fazer com que seja desacreditada logo são postos para funcionar:

– Estava usando a roupa certa? Era recatada e do lar? Usava drogas? O que estava fazendo sozinha? Será que não queria prejudicar o homem e inventou tudo?

Na era medieval ou nos tempos de internet, o modus operandi é o mesmo: trazem a vítima em praça pública. Devassam sua vida, questionam suas escolhas, tacam pedras. Julgam se é culpada – e só pode ser – caso não se encaixe no padrão de “vítima perfeita”– e nunca se encaixa. Sempre tem um “porém”, um detalhe qualquer que faça com que os julgadores se sintam tranquilizados com a violência que ela sofreu e com o veredicto de “culpada” que ajudaram a carimbar.

– Vai ver ela mereceu – dizem, mas é o tec, tec, tec da máquina que está falando.

Não é, no entanto, máquina totalmente automática: precisa de braços para funcionar. Em primeiro lugar, precisa dos braços (e corpos inteiros) daqueles que puxam o gatilho, dão o soco, abusam psicologicamente ou estupram. Mas esses operadores da máquina quase não são visíveis daqui. Somem. Há outras engrenagens na frente tapando a visão, fazendo com que sejam esquecidos. 

São engrenagens operadas pelos braços de delegados, juizes ou policiais que constrangem as vítimas que denunciam. Pelas pessoas que questionam a vítima com um ímpeto que não direcionam aos agressores. Por quem acha que ela pediu. Por quem acredita que ela mereceu. Por quem compartilha vídeos e fotos que expõem a violência que ela sofreu. Por quem faz piadas com o assunto. Por quem faz malabarismos para provar que não foi tão grave assim. Por quem passa adiante a ideia de que mulheres é que precisam aprender a temer e a entrar na linha. Por quem aprova e incentiva o comportamento dos homens que agridem.

São tantos braços operando tantos mecanismos que fica fácil encobrir e esquecer dos verdadeiros culpados e dos mecanismos que os criaram; à esta altura, a mulher que sofreu a violência é a única responsável, ainda que dê para ouvir o som de seus ossos sendo triturados nas engrenagens na máquina de moer mulheres: tec, tec, tec.

Vê como os mecanismos funcionam em perfeita sincronia? As engrenagens da frente e de trás, as que possibilitam e as que justificam, são as que movem as engrenagens sujas de sangue, que violentam e matam, que mastigam a mulher, por dentro e por fora, para depois cuspir. Se uma mulher é triturada, não foi por uma peça ou outra; mas pela máquina inteira.

É preciso mais que um, dois ou trinta homens para violentar uma mulher: é preciso uma multidão validando toda a violência, colocando a máquina da opressão para funcionar. Enquanto as mulheres são isoladas, os agressores nunca estão sozinhos.

Da mesma forma, para fazer essa máquina parar de funcionar, não basta tirar uma peça ou outra. É preciso arrancar todas. Tirar todo o combustível. Arrebentar fios e engrenagens. Talvez por isso os mecanismos tenham funcionado há centenas de anos, sem parar: porque há mais braços ocupados em fazer a máquina de moer mulheres funcionar do que ocupados em destruí-la. Onde estão os seus?

Não há nada que indique que as engrenagens deixarão de funcionar. Mas, enquanto funcionar uma máquina tão antiga quanto a crueldade, não podemos dizer que vivemos em uma sociedade avançada. A existência dessa máquina nos mantém eternamente presos ao passado.

E assim ela segue, com seu tec, tec, tec ininterrupto. Dessa vez, foram trinta homens ao mesmo tempo violentando uma garota. Da próxima, serão cinquenta? Cem? Quantos agressores são necessários para confirmar a existência da violência? A capacidade da máquina de moer mulheres cresce em progressão geométrica, enquanto seus mecanismos permanecem invisíveis para muita gente.

Tec, tec, tec. A máquina produz mais vítimas hoje. Tec, tec, tec. Mais mulheres serão vítimas amanhã. Não é possível saber quando isso irá parar. Mas o primeiro passo para chegar a essa resposta está na atitude de enxergar a máquina – e então perceber que é possível se recusar a ser uma das engrenagens.



Rafaela Valverde

sexta-feira, 10 de março de 2017

Bem sucedida e solitária


Parece que serei a mulher bem sucedida na carreira, escritora, acadêmica, com teses e muitas leituras. E por aí mesmo vou ficar. Não que isso não me satisfaça, é maravilhoso! Mas o que vai ficando claro a medida em que os anos vão passando é que não serei a mulher amada e que ama; não serei a mulher com um casamento bem sucedido e com amor.

Esses sonhos românticos não são para mim, deixo para os afortunados na vida, cujo sorriso demonstra a felicidade de estar ao lado de alguém. Parece que não nasci afeita aos lados românticos da vida. Ou eu tento me afastar deles ou eles se afastam de mim. Já vi que amor não é para mim. Até sinto, mas não vivo. E não tenho nenhuma esperança de viver novamente.

Eu tenho andado muito desiludida com todas essas questões românticas. Eu não quero mais saber de romantismo. Eu serei a representante oficial da mulher moderna, livre e bem sucedida. Mas sozinha, Sabe, não exatamente aquele sozinha de não ter ninguém por perto. É  a solidão que vem no final do dia - que é a hora de compartilhar coisas; é a solidão de não ter ninguém para abraçar a gente, para acariciar a gente, é a sensação de estar sempre calada ou de conversar com espelhos.

Outra sensação que tem se apoderado de mim nos últimos dias é a se eu realmente sirvo para ser amada, ou se sou mulher para encontros casuais e relações rápidas. Talvez sim, é provável que sim. Já tive meu pequeno conto de fadas, já tive meu momento. Agora ele já passou e é à minha carreira que irei me dedicar agora. Pelo menos ela não me faz sofrer.



Rafaela Valverde

quarta-feira, 8 de março de 2017

Ser mulher - Silvana Duboc


Ser mulher...
É viver mil vezes em apenas uma vida.
É lutar por causas perdidas e sempre sair vencedora.
É estar antes do ontem e depois do amanhã.
É desconhecer a palavra recompensa apesar dos seus atos.

Ser mulher...
É caminhar na dúvida cheia de certezas.
É correr atrás das nuvens num dia de sol.
É alcançar o sol num dia de chuva.

Ser mulher...
É chorar de alegria e muitas vezes sorrir com tristeza.
É acreditar quando ninguém mais acredita.
É cancelar sonhos em prol de terceiros.
É esperar quando ninguém mais espera.

Ser mulher...
É identificar um sorriso triste e uma lágrima falsa.
É ser enganada, e sempre dar mais uma chance.
É cair no fundo do poço, e emergir sem ajuda.

Ser mulher...
É estar em mil lugares de uma só vez.
É fazer mil papeis ao mesmo tempo.
É ser forte e fingir que é frágil...
Pra ter um carinho.

Ser mulher...
É se perder em palavras e depois perceber que se encontrou nelas.
É distribuir emoções que nem sempre são captadas.

Ser mulher...
É comprar, emprestar, alugar, vender sentimentos, mas jamais dever.
É construir castelos na areia, ve-los desmoronados pelas águas.
E ainda assim amá-los.

Ser mulher...
É saber dar o perdão... É tentar recuperar o irrecuperável.
É entender o que ninguém mais conseguiu desvendar.

Ser mulher...
É estender a mão a quem ainda não pediu.
É doar o que ainda não foi solicitado.

Ser mulher...
É não ter vergonha de chorar por amor.
É saber a hora certa do fim.
É esperar sempre por um recomeço.

Ser mulher...
É ter a arrogância de viver apesar dos dissabores,
das desilusões, das traições e das decepções.

Ser mulher...
É ser mãe dos seus filhos... Dos filhos de outros.
É amá-los igualmente.

Ser mulher...
É ter confiança no amanhã e aceitação pelo ontem.
É desbravar caminhos difíceis em instantes inoportunos.
E fincar a bandeira da conquista.

Ser mulher...
É entender as fases da lua por ter suas próprias fases.
É ser "nova" quando o coração está à espera do amor.
Ser "crescente" quando o coração está se enchendo de amor.
Ser "cheia" quando ele já está transbordando de tanto amor.
E ser "minguante" quando esse amor vai embora.

Ser mulher...
É hospedar dentro de si o sentimento do perdão.
É voltar no tempo todos os dias e viver por poucos instantes.
Coisas que nunca ficarão esquecidas.

Ser mulher...
É cicatrizar feridas de outros e inúmeras vezes deixar.
As suas próprias feridas sangrando.

Ser mulher...
É ser princesa aos 20... Rainha aos 30...
Imperatriz aos 40 e... "Especial" a vida toda.

Ser mulher...
É conseguir encontrar uma flor no deserto.
Água na seca... Labaredas no mar.

Ser mulher...
É chorar calada as dores do mundo e
Em apenas um segundo, já estar sorrindo.
Ser mulher...
É subir degraus e se os tiver que descer não precisar de ajuda.
É tropeçar, cair e voltar a andar.

Ser mulher...
É saber ser super-homem quando o sol nasce.
E virar cinderela quando a noite chega.

Ser mulher...
É ter sido escolhida por Deus para colocar no mundo os homens.

Ser mulher...
É acima de tudo um estado de espírito.
É uma dádiva... É ter dentro de si um tesouro escondido
E ainda assim dividí-lo com o mundo!


Silvana Duboc

Leia mais: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=80968 © Luso-Poemas





Rafaela Valverde

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Às mulheres que se cuidam II


Há alguns dias escrevi um texto falando sobre as mulheres que se cuidam, sobre nós mulheres que nos cuidamos tanto e algumas consequências disso, especialmente para os lucros de grandes empresas e para a péssima saúde do planeta. Pois bem, o texto foi escrito para ter essa continuação que vos fala agora.

Eu me cuido, eu uso maquiagem, apesar de ser muito raro, eu uso hidratante na pele, protetor solar, sabonete, shampoo, condicionador, cremes de cabelo, óleo, esmalte, acetona, etc. O que queria discutir era sobre o excesso de produtos que existem para mulheres, enquanto para os homens quase nada. Parece que só vagina precisa de cuidados!

É isso que nós mulheres precisamos ter em mente. A nossa vagina não fede. Ela tem seu próprio cheiro, além disso, os homens também precisam se cuidar e estar limpinhos e cheirosinhos. Não somente as mulheres. Há também a questão do tanto de lixo que a gente gera com todos esses produtos. É muito lixo, é muito plástico. 

Eu tenho ouvido falar do coletor menstrual, por exemplo. Ele é uma das formas de ter nosso momento feminino sem poluir muito o meio ambiente, sem deixar tanto lixo para nossos netos. Mas eu ainda estou muito pensativa em relação a eles, já que eu não sei se me adaptaria. Não uso nem absorvente interno, não consigo, incomoda demais. Então como usaria um copinho de silicone dentro da minha cavidade vaginal? É meio estranho falar sobre isso aqui no blog, mas é importante que mulheres discutam sobre produtos fabricados para elas. Refletir sobre o porquê de tantos produtos para higiene e beleza feminina. Será mesmo que precisamos tanto assim deles? Ou será que eles precisam de nós?



Rafaela Valverde

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

Às mulheres que se cuidam


Não sou das mulheres que fica no espelho procurando rugas e defeitos. Tenho quase 28 anos e fora minha "sedentarice" que me incomoda um pouco,  mais devido a minha falta de ânimo e falta de fôlego ao subir uma escada, não ligo para muita coisa relacionada a aparência e envelhecer. Eu só uso protetor solar na praia e no dia a dia apenas em minhas tatuagens que são expostas. Eu não faço esfoliação, nem uso cremes no rosto, etc.

Não que eu não seja vaidosa ou não me cuide ou que ache perda de tempo. Acho bacana as meninas que se preocupam com essas coisas, mas eu simplesmente não consigo, não quero, não tenho saco. E não tenho tempo. Acordo cinco da manhã para sair antes de seis para estar na aula às sete. Imagina se eu ainda fosse passar protetor solar.

Achei que com o passar dos anos essa minha displicência com essas coisas fosse passar, mas cada ano que fico  mais velha, fico mais preguiçosa. Na verdade há algumas coisas que acho besteira e realmente não sinto necessidade de fazer. Protetor solar eu até acho importante, mas ainda sim sinto preguiça. E é claro que a questão financeira pesa bastante. Protetor solar ainda é caro, ainda não é acessível para todos e eu tenho outras prioridades.

Já repararam como hoje em dia as pessoas andam tão dependentes de coisas assim? Protetor de calcinha, sabonete íntimo, creme para rosto e para as mãos, além do hidratante corporal e esfoliante para os pés... Afff. E ainda tem os hidratantes e redutores de cutículas, óleos fortalecedores para as unhas, adstringente,  desodorante íntimo, primer, cílios postiços e mais trezentas quinquilharias desnecessárias que usamos. 

Já repararam também que a maioria desses produtos são para nós mulheres? Nós movimentamos muito a economia mundial. E ao ver dos empresários  e fabricantes desses produtos nós somos podres e fedorentas também. Precisamos de coisas que os homens não precisam e ainda pagamos mais caro! Esse é o capitalismo que inventa necessidades e a gente adere de forma que parece tão natural que parece que a gente realmente precisa dessa imundície inútil que enche o planeta de lixo, já que a maioria de todos esses produtos são embalados por plástico, que leva 100 anos para se decompor na natureza.

Não estou aqui querendo julgar ninguém, nem mesmo a mim. Estou apenas fazendo uma reflexão acerca de assunto que é tão próximo e ao mesmo tempo tão distante de nossas vidas, já que não nos interessamos muito em discuti-lo. E não interessa aos empresários, publicitários e todos que ganham muito dinheiro com todo esse "cuidado" que temos com nosso corpo.



Rafaela Valverde

quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

Homem que é homem



Homem que é homem, heterossexual claro, gosta de mulher como ela é. Sem querer magreza artificial, ficar pedindo que a mulher malhe, isso é ridículo. Homem que é homem gosta de olheiras, de pelinhos em baixo do braço e unha descascando. São essas coisas que nos fazem humanas e imperfeitas.

Homem que é homem gosta de mulher suando, dançando de short curto. Homem que é homem gosta de mulher livre, que não abaixa a cabeça pra ele e para ninguém. Homem que homem sabe o quanto mulher tatuada é sexy, que batom vermelho é poder e cachos significam aceitação e não modinha.

Homem que é homem acha mulher sexy até com aquela roupa velha de ficar em casa, com a camiseta dele, é irresistível. Ele tem certeza que a saia curta valoriza suas pernas mas não diz quem ela é. Homem de verdade, cabra macho, sabe que mulher é gente e deve ser respeitada, mesmo que esteja nua, principalmente se estiver nua.

Homem  que é homem sabe que mulher não é Feminazi, que não existe essa expressão e que o movimento Feminista não pode jamais ser comparado ao Nazismo e que fazer isso é idiotice. Homem de verdade não acha que mulher tem que se dar ao respeito, ele simplesmente a repeita, por que ela é uma pessoa.

Homem de verdade gosta mais de uma mulher feliz se empaturrando de pizza, do que uma magrela chorosa comendo alface. Homem que é homem é carinhoso, mesmo no sexo casual. Ele não vive achando que toda mulher vai grudar e se apaixonar se ele for atencioso e der carinho. Um homem de verdade beija testa, a mão, o pescoço, o corpo todo...

Homem que é homem gosta de pepeka, ele chupa e não só quer ser chupado. Ele sabe que sexo não é  só penetração e não é uma britadeira. Ele não se ilude achando que mulher não solta pum, nem arrota. Se liga, cara! Mulher é gente e mulher é igual a você. Um homem que se preze  sabe e tem certeza que a mulher é livre, mas livre mesmo, assim como ele é. Esse homem sabe que a mulher é dona do próprio corpo e não acha que ela é seu objeto ou pedaços de carne ambulantes.  Homem que é homem, é homem que respeita o outro ser humano que por caso é uma mulher. Ah, homem que é homem, não bate. Nunca!




Rafaela Valverde


sábado, 3 de dezembro de 2016

Eu tô dando risada - Tati Zaqui

Acha que pode brincar do jeito que já brincou
Fez as minas de boneca
Sai dessa, não sou assim, por favor, me escuta
Tu teve a chance
E transformou meu romance num lance
Chega de se rebaixar, levanta a cabeça
E aceita a revanche


Porque acha que pode brincar do jeito que já brincou
Fez as minas de boneca
Sai dessa, não sou assim, por favor, me escuta
Tu teve a chance e transformou meu romance num lance
Chega de se rebaixar, levanta a cabeça
E aceita a revanche

Porque
Ahhhhhh, eu tô dando risada
Palhaço igual você tá cheio na quebrada
Foi bom, vacilou me perdeu
Ta querendo voltar, desculpa, mas se fu

Ahhhhhh, eu tô dando risada
Palhaço igual você tá cheio na quebrada
Tu ficou parado na introdução
No final da história eu quero homem, lek não

Acha que pode brincar do jeito que já brincou
Fez as minas de boneca
Sai dessa, não sou assim
Por favor me escuta, tu teve a chance
E transformou meu romance num lance
Chega de se rebaixar, levanta a cabeça
E aceita a revanche

Porque
Acha que pode brincar do jeito que já brincou
Fez as minas de boneca
Sai dessa, não sou assim
Por favor me escuta, tu teve a chance
E transformou meu romance num lance
Chega de se rebaixar, levanta a cabeça
E aceita a revanche

Porque
Ahhhhhh, eu tô dando risada
Palhaço igual você tá cheio na quebrada
Foi bom, vacilou me perdeu
Ta querendo voltar desculpa mas se fu...




Rafaela Valverde

Mulheres devem segurar suas sacolas sim!!!


Ontem estava no shopping esperando uma amiga e ouvi a seguinte frase de uma mãe falando para o filho: "Você tem que carregar as sacolas porque você é homem. Mulheres não devem carregar nada!" Eu fiquei uns segundo encarando aquela mulher, tentando entendê-la, tentando entender seu argumento. Sem lógica, aliás, já que ela era uma mulher adulta e ele uma criança. Mas o gênero fica acima de ser adulto e criança? Gostaria que alguém me explicasse essa lógica!

Homens não têm que carregar todas as sacolas enquanto as mulheres não carregam nada. Isso é ridículo. Primeiro, homens não são super homens, fortes e poderosos, eles são seres humanos. Seria bom parar de colocar essa imagem para o sexo masculino. É ruim para a gente e ruim para eles, que se vêem obrigados a corresponder a esse estereótipo. E é ruim para a gente porque eles sempre vão ver as mulheres como frágeis e inúteis, que não conseguem nem carregar a sacola das suas compras.

Em segundo lugar, nós mulheres conseguimos e temos plena capacidade de carregar o que for. Temos dois braços, igual aos homens. Somos seres humanos, todos os seres humanos têm braços e eles, os braços, são feitos para isso. Afinal de contas, mulheres que são mães vivem com os meninos para cima e para baixo. Então, apenas parem, mães, de deseducar seus filhos. Eles não merecem isso. As mulheres não merecem isso.

É bem melhor dizer que os homens podem pegar sacolas das mulheres por simples gentileza e educação. E não porque as mulheres não são competentes para carregar, ou não conseguem, não aguentam peso. Eu sempre odiei a frase: "onde tem homem, mulher não trabalha". Passa a imagem que somos seres inúteis diante dos homens. São eles que devem usar força física e precisão. Mulher não, mulher deve ficar sentada esperando que o serviço seja feito. Mulher deve ser delicada. Ah me poupem!

Enquanto esses forem os discursos de mãe de meninos, nada vai mudar. Porém, eu não sei como deter essa reprodução de machismo irrefreado realizado por essas mães. Mas dá uma aflição quando vejo cenas dessas.  E sei que ainda temos muita luta pela frente.


Rafaela Valverde

segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Ménage


Estávamos nós dois nus na cama esperando por ela. Na noite de hoje ela seria a estrela. E brilharia. Faríamos ela brilhar de qualquer jeito e em qualquer posição. Era nosso projeto. Estávamos nos preparando para esse ménage há meses. Escolhemos a garota certa, vimos se ela era gostosa o suficiente e  a treinamos. Claro que tinha que ser bonita e inteligente. Claro, não vamos apenas transar.

Vamos tomar champanhe e conversar depois do sexo. Se der tempo. Se já não for dia claro e a vida não nos permitir mais tamanha ousadia. Afinal, a gente é considerada gente normal, vive e trabalha. Não podemos simplesmente passar um final de semana inteiro na cama, trepando. Mesmo quando temos uma novidade dessas!

Não tocamos nela ainda. Tivemos alguns encontros para conversar e beber, para implementar regras de convivência antes, durante e depois do ménage, do sexo a três, da suruba. Ménage, que palavra bonita, estrangeira. Suruba, que palavra vulgar! Mas é isso que somos. Os três: sofisticados e vulgares ao mesmo tempo. Ela também. Ela é uma safada. Uma piranha fina, das boas, de luxo. E é ao mesmo tempo ordinária, suja e vadia.

Foi isso o que deu para perceber nesse tempo de conversa. Que ela era a gata perfeita para a nossa aventura. Nossa primeira aventura. Somos um casal antigo, convicto. Mas que não perdeu o interesse pelos prazeres da luxúria. E não perdemos o interesse um no outro, mas é sempre bom inovar, trazer essa estrela sexual para a nossa cama. 

Ela é profissional, sabe o momento certo para tudo. Não chega logo tirando a calcinha como essas putas  baratas que têm por aí. Ela tem classe, charme e não entedia a gente, mesmo que esteja parada. Mesmo que esteja só sorrindo ou vestida. Ela não precisa estar nua para ser sexy. Ah, parece que escolhemos bem!

Ela aparece de repente na porta do quarto, só de calcinha. Uma calcinha rendada preta, transparente. Seus seios pequenos cabiam na minha mão e eu já os adorei assim que bati os olhos neles. Ela estava com uma taça grande cheia de uvas, ou eram cerejas, nem sei. A forma que a sua boca fazia ao enfiar as pequenas frutas na boca me excitavam totalmente.

Comecei a me tocar e já estava bem molhada. Cinco segundos se passaram e ela já estava na cama, em cima de nós dois, como se fôssemos um só. Sentia o cetim dos lençóis em baixo do meu corpo e sentia a maciez da pele dela em cima de mim. Que pele! Que cheiro. Um cheiro de sexo intrínseco. Ai meu Deus, isso é de enlouquecer. Somos um trio bem formado, feito para gozar, construído durante meses para que esse dia seja inesquecível e o primeiro de muitos outros.

Minha língua começou a percorrer aqueles dois corpos deliciosos que estavam ali na minha frente e eu mergulhei nesse extasy, nessa magia ensandecida até o dia amanhecer, ou até o final de semana acabar.  Nem sei. Quero mesmo é perder a noção do tempo.


Rafaela Valverde

domingo, 20 de novembro de 2016

Filme Thelma & Louise - A liberdade e a força feminina


Ontem vi o maravilhoso Thelma & Louise, filme americano de 1991 dirigido por Ridley Scott e estrelado por  Susan Sarandon, Geena Davis e Brad Pitt bem novinho. É uma comédia dramática, aventura que eu considerei bem feminista. O filme foi vencedor do Oscar de Melhor Roteiro Original e do Globo de Ouro de Melhor Roteiro.

As protagonistas Louise Sawyer (Susan Sarandon) e Thelma (Geena Davis) são amigas e enquanto a primeira trabalha em uma lanchonete, a segunda é uma dona de casa entendiada que vive um relacionamento abusivo com o marido. Entediadas, as duas amigas resolvem viajar num final de semana sem que seus parceiros saibam. 

Durante a viagem, que começou bem, elas se envolvem em um crime e a partir daí passam a fugir da polícia. A trama que segue a partir daí é cheia de confusões. As personagens são ricas, interessantes. Os diálogos são firmes, bem colocados. As viajantes percorrem muitos locais o que torna a fotografia do filme bonita e bem feita. Trazendo muitas vezes, ambientes áridos assim como as cenas e as vidas das fugitivas.

Há muitas questões feministas mostradas no filme. Cenas de misoginia que são combatidas pelas protagonistas, algumas vezes até de forma engraçada. Algumas cenas me chamaram mais atenção. Inclusive o primeiro crime é cometido depois de um estupro, é defesa mas elas dizem: "Quem vai acreditar na gente? Viram você estava dançando de rosto colado com ele." É o que a gente ouve e passa nos dias de hoje.

Há, entre outras, uma cena específica, que me fez gargalhar. Não vou dar detalhes da cena, mas é hilária, nos leva à forra. Nós que somos assediadas diariamente. A dupla cansou de ser assediada e se vinga de maneira graciosa, arrancando muitas risadas. É um filme de liberdade de mulheres e para mulheres. Mulheres fortes, personagens fortes que não baixam a cabeça para o masculino mundo em que vivemos. Os personagens homens as afrontam, as desestabilizam mas elas continuam seguindo em frente. Assim é o personagem J.D vivido magnificamente por Brad Pitt ainda no início da carreira. Um personagem pequeno que entra e sai de cena, não imperceptivelmente. Importante para o clímax da história. 

Thelma e Louise é um filme gostoso de se ver. Serve para reafirmar a força feminina. A mulher que não esmorece e que mesmo quando impedida, procura uma oportunidade de se aventurar. E como somos lutadoras! Queremos nossa liberdade e lutamos por ela. E esse filme é uma ilustração lúdica e aventureira das nossas lutas diárias. 

O final mesmo não sendo convencionalmente feliz ainda assim é feliz. É um dos melhores finais que eu já vi. Selado com um beijo entre essas duas icônicas mulheres nesse clássico e maravilhoso filme. Sim, maravilhoso. Esse entrou na lista dos meus filmes. Mulheres assistam, o que  esse diretor fez por nós há 25 anos!



Rafaela Valverde

sexta-feira, 18 de novembro de 2016

Não saio mais de casa sem batom


Eu tomei uma decisão. Sabe aquela decisão mais simples possível, mas que pode mudar a rotina e a vida da gente? Pois é, a minha decisão é simples: eu não vou sair mais de casa sem estar brilhando e me achando bonita. Eu decidi que eu não vou sair de casa sem passar pelo menos um batom. Não que eu ache que eu não seja bonita naturalmente, mas é que afinal de contas eu tenho mais de vinte batons e eles dão um tchan a mais no visual.

É claro que têm dias e dias. Nem todos os dias a gente está a fim ou com tempo de se pintar. Mas que ajuda a gente se sentir mais bela, ajuda. Eu amo batom, eu adoro chamar atenção onde eu chego e eu adoro me sentir bonita. Eu me acho linda e é claro que preciso de coisas que incrementem minha beleza.

Se sentir bem com a gente mesmo é o primeiro passo para ser feliz e é a melhor coisa que pode acontecer. A gente sai de casa, com a boca pintada, os cílios levantados e os cabelos esvoaçantes. Não tem quem derrube a gente dessa forma. A gente se sente poderosa. A boca vermelha, rosa, marrom, roxa, azul, mate ou brilhosa. Não importa! Não há quem nos faça titubear. É o poder. É nossa auto estima, nosso amor próprio e é nossa feminilidade, nossa boca pintada. É nossa capacidade de ser melhor e tentar fazer o melhor. É viver e curtir a vida.

Sim, não saio mais sem pintar minha boca. Vou evidenciar meu poder pelas ruas dessa cidade.


Rafaela Valverde

terça-feira, 8 de novembro de 2016

Easy


Assisti nesse final de semana a primeira temporada da série Easy, série original da Netflix. Composta de oito episódios, a série estreou em setembro e traz de forma antológica, personagens e episódios diferenciados e nem sempre conectados. Exceto por um detalhe ou outro, um personagem ou outro. A cidade em comum é Chicago. É lá que as câmeras livres e meio caseiras registram histórias divertidas e reflexivas.

Mas também há cenas e episódios meio maçantes. Apesar de eles durarem apenas cerca de 30 minutos, não dando muito tempo para se sentir entediado. Em alguns momentos eu senti uma identificação da série com uma outra que eu estou assistindo que é Black Mirror, uma série inglesa também com personagens e episódios diferentes. Vamos dizer que Easy seja uma Black Mirror dos pobres... rsrsrs

Mas Easy, que é dirigida por Joe Swanberg trata mais de relacionamentos interpessoais, apesar de haver algo  de relacionamento com a tecnologia e Black Mirror também tratar, além da tecnologia, das relações entre as pessoas. Mas sobre a série inglesa eu falo depois. O texto aqui é para Easy que traz temas modernos e polêmicos como exposição na mídia, diferença entre gêneros, aplicativos para transar, veganismo, homossexualidade etc.

Eu gostei da série. É bem feita e tem bons atores. Em um dos episódios há a presença de Orlando Bloom, famoso ator de Hollywood. E antes que eu esqueça de falar, há em Easy, um tratamento especial ao sexo. Cenas diferentes de sexo. Casais héteros, um casal de mulheres, mulher com o amigo do marido... É tudo bem quente. Que fique claro que foi o que eu mais gostei. Hahaha


Rafaela Valverde

segunda-feira, 24 de outubro de 2016

Filme Orgulho e Preconceito


O filme Orgulho e Preconceito estreou em 2006 é baseado no livro homônimo de Jane Austen e  foi dirigido por  Joe Wright. Tem ainda atuações de Keira Knightley, Matthew MacFadyen, Talulah Riley. Um drama britânico que traz de maneira divertida a narrativa da história da escritora inglesa.

O filme retrata a história das irmãs Bennet que  moram no interior da Inglaterra e precisam lidar com várias questões da época. A época é  século dezenove e as moças precisam se casar. Precisam sair da casa dos pais e ter seus próprios maridos. As jovens moças precisam deixar de ser fardos para os pais e para isso elas fraquentam a sociedade, festas e bailes.A mãe das cinco Bennet precisa arrumar casamento para as filhas e assim, junto com o pai ela inicia uma corrida para ver qual casará primeiro.

Logo um homem solteiro vira o alvo dessa mãe e as investidas começam. A partir daí inicia - se uma série de acontecimentos e romances. O desenrolar da história é surpreendente e gostoso de assistir. Sim, o filme é gostoso de ver. Divertido e eu recomendo. Eu comecei a ler o livro de Jane Austen e não continuei mas depois que vi o filme, senti uma necessidade maior de ler o livo clássico e feminista.

Recomendo!


Rafaela Valverde

segunda-feira, 17 de outubro de 2016

Scandal


Terminei a quinta temporada da  série Scandal. É uma série dramática norte-americana. Passada em Washington, D.C, com grande foco na Casa Branca e na vida do presidente mais poderoso do mundo. Os bastidores da política americana são retratados com muita emoção e para quem não conhece os pormenores da política americana pode ser bastante útil. 

A série é de Shonda Rhimes a mesma criadora de Greys Anatomy, série de grande sucesso. E a primeira temporada foi lançada no país em 2012. Estrelada por Kerry Washington no papel de Olívia Pope, a série é inspirada na ex assessora de imprensa da Casa Branca durante o governo de George Bush: Judy Smith.

Olívia Pope agora trabalha na OPA. Olívia Pope Associados que é uma empresa que resolve problemas. Como a própria Olívia afirma é a melhor coisa que ela sabe fazer. É o que ela faz melhor: resolver problemas e "limpar a barra" de clientes que nem sempre são tão inocentes assim.

Vi algumas críticas à série na internet e em algumas coisas eu concordo. Há uma série de incoerências e histórias mal contadas na série. Um jogo perigoso é jogado o tempo todo, b613, Comando, espionagem, terrorismo, assassinatos, suspense... Mas a protagonista tem muitas oportunidades de resolver coisas e não resolve. Ela é meio inútil em alguns momentos.

Ela é egoísta e chata. Aquelas caras e bocas junto com os suspiros pelo presidente são irritantes. Eu acho maravilhoso uma mulher negra protagonista, mas a personagem não ajuda. Ela é arrogante e só pensa nela. Quase tudo o que ela faz é por ela mesma e não para ajudar as pessoas como ela mesmo fala. Mas apesar de Olívia, eu adoro essa série. Ela é alucinante, não dá para parar de assistir.

Agora é esperar o ano que vem para chegar a sexta temporada na netflix. Sem falar que há outros personagens memoráveis como Cyrus, Mellie, Abby, Huck, Rowan... Os outros personagens e/ ou as tramas paralelas ajudam a prender a gente na frente da tela e não desgrudar nem um minuto. É muito boa e quem gostar de suspense e tramas alucinantes assista! Recomendo.


Rafaela Valverde 

quinta-feira, 29 de setembro de 2016

Ser tradicional é tão ruim assim?


Passei anos fugindo do tradicional. Não quis cerimônia e festa de casamento, quando juntei os trapos. Nunca tive esse sonho, nunca tive o sonho de ser mãe. Mesmo depois de uns anos casada, eu pensei em engravidar somente por influência de uma amiga que havia tido filho recentemente. Nunca fui "Amélia", sempre trabalhei e estudei. Exigia as divisões das tarefas domésticas, sempre fui uma mulher diferente. Aquela que  não queria ser normal, tradicional. Não queria fazer o mesmo que os outros faziam.

Troquei de faculdade e de curso três vezes antes de conseguir finalmente ir para a UFBA. Enquanto tinha um relacionamento, ele, em um determinado momento, foi aberto. Depois que meu relacionamento e meu casamento terminaram, eu tive literalmente uma vida de solteira. Curti bastante. Nunca fui, portanto, uma mulher tradicional, com valores tradicionais e puritanos, muito pelo contrário, sempre fiz questão de seguir o oposto.

Mas ei que eu venho percebendo que quero ser meio tradicional. Eu explico: para começo de conversa eu estou em um relacionamento sério, o que eu achava há seis meses que não queria e que não iria acontecer; me enquadrei de novo nas regras de um relacionamento e não me arrependo, não sinto falta da vida solitária que eu levava quando estava solteira. E por fim, fico olhando ex colegas de escola ou de faculdade que casaram, têm filhos, cachorro... Fico olhando essas famílias tradicionais, constituídas com um casamento formal,  "no papel" como a gente costuma dizer; com filhinhos, bichinhos, casas bonitas, lares estruturados e meio que me dá uma inveja.

Eu não sei muito bem explicar o que eu sinto e por quê. Mas eu fico querendo ter essa vidinha pacata, com problemas pra resolver e fraldas para trocar ( essa parte é só licença poética, tá?) É claro que eu não desejo ter filhos. Não agora, mas sei que posso mudar de ideia. Sei que já tive uma vidinha pacata de gente casada, que é boa, viu? Mas que não deu mais certo e o que não dá certo deve ser consertado ou acabar. Sei que há uma tendência atual de rejeitar essa tradicionalidade, de rejeitar essa vidinha- família- classe média-shopping.

Mas eu sei também que sou taurina. Os taurinos gostam de estabilidade, de um porto seguro. Os taurinos geralmente curtem família. E se, querer uma "famíliazinha" minha, construída por mim, é o "normal", é isso mesmo que eu quero. Com cachorro e gato, com frutas e Fast Food, com filmes e carnaval. Com tudo que eu tiver direito. Essas pessoas com cônjuge/companheiros, filhos e bichinhos de estimação devem sentir um orgulho danado da família que expõem no Facebook, eu teria!





Rafaela Valverde

segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Filme Aquarius


Aquarius já chegou causando. Em maio a equipe protestou no Festival de Cannes contra o impeachment da ex-presidente Dilma Roussef. O filme dirigido por Kléber Mendonça Filho concorria à Palma de Ouro e exatamente um mês depois da fatídica votação sobre o processo de impedimento, dia dezessete de maio, os atores e o diretor seguraram cartazes na entrada do evento denunciando o golpe. A cena do protesto pega o público do tapete vermelho de surpresa e com certeza vale a pena ser vista.

Alguns, contagiados com a paixão política juraram boicotar, outros, porém caíram no marketing do protesto e foram curiosos ver o filme que estreou no último dia primeiro. Estreou modestamente, não tem levantado números estrondosos. Mas os números pouco importam. Números passam, mas a riqueza da obra vai ficar para a posteridade, apesar do golpe.

Clara, vivida magnificamente por Sônia Braga, é a protagonista de Aquarius. Uma jornalista de 65 anos, aposentada e que vive na Avenida Boa Viagem em Recife. Frequenta a praia da Boa Viagem e tem um amigo salva-vidas. Seu edifício, Aquarius fica de frente para a praia. Ali, Clara criou seus filhos. É no Aquarius onde ela ainda vive e é onde o filme começa nos anos oitenta – época de ditadura no país – na festa de aniversário da tia Lúcia. Clara está com os cabelos bem curtos, se recupera de um câncer, seu marido ainda é vivo e seus filhos pequenos.

A música Toda menina Baiana de Gil faz a transição dos setenta anos de tia Lúcia para os dias de hoje. Clara ainda ouve essa música, ela mora no mesmo apartamento e ouve muitas músicas. Ela vive cercada por discos e livros, ela dança sozinha e tira cochilos vespertinos. Sua vida é tranquila no Aquarius.

‘O cabelo de Clara’ é como se chama a primeira parte do filme. Um cabelo preto, grande e volumoso, tão volumoso que precisa de duas presilhas para prendê-lo. É um sinal de abastança em contradição com o momento inicial onde ela aparecia quase careca. Já que foi escasso outrora, por causa da doença, o cabelo agora “se vinga” da escassez e é por si só um símbolo de resistência, força e beleza. Força e beleza essas demonstradas ao longo de todo o filme, mas destacadas nessa primeira parte. Mergulhos na praia mostram uma mulher em forma e sua força é retratada a todo o momento, inclusive quando ela se despe e a cicatriz da mastectomia fica evidente. É um pouco chocante para os telespectadores e dá a sensação de que essa mulher é realmente resistente.

Sônia Braga está no melhor momento de sua carreira. Nesse filme ela pode mostrar sua atuação crua. Praticamente só ela e a câmera, e mesmo quando contracena com os outros atores ela se destaca.  Os seus olhares se casam com as câmeras, com as cenas e muitas vezes nem precisa de falas.  Não há sexualidade implícita, não há pipa no telhado e nudez sensual; não há maquiagem e roupas chiques e provocantes. Há apenas uma mulher elegante, com roupas confortáveis. Uma mulher da classe média alta de Recife. É quase uma mulher normal. Claro, se não fosse Sônia Braga.

A primeira parte do filme traz ainda a relação de Clara com Ladjane, sua empregada. Ladjane às vezes a chama de você e elas convivem bem, tendo algumas vezes o que parece ser uma relação de camaradagem e cumplicidade. Mas Ladjane não deixa de ser empregada doméstica e essa é uma separação que fica clara ao longo do filme. 

Algumas questões são discutidas ou simplesmente mostradas como meras casualidades da vida: relação patroa e empregada, desigualdade social, amizade, sexo na terceira idade, entre outros assuntos. Em uma entrevista, Clara privilegia um LP em sua fala. Esse LP tem uma história do seu antigo dono e ela fala que ele “é como se fosse uma mensagem na garrafa.” Mas a frase que sai em destaque na capa do jornal é “Eu gosto de MP3.” Esse fato demonstra distorções da imprensa e distorções do que é importante. Uma mensagem poética, uma história, uma memória se perde em detrimento da ideia da tecnologia, do uso efêmero de um MP3. E é isso que Clara quer evitar, que memórias se percam, que histórias sejam esquecidas.

Outro assunto é a relação entre patroa e empregada que pode até ser de cumplicidade, mas fica claro que Clara já teve outra empregada, sem rosto e quase sem nome, que roubou sua família e no fundo ela sabe que não deve confiar totalmente em Ladjane. Mas ainda assim vai à sua casa comemorar seu aniversário. Festa na laje, na parte pobre da cidade como ela mesma afirma. Nesse momento a câmera do diretor – que às vezes pode ter mais a dizer do que os diálogos e tramas fílmicos – se afasta e mostra o contraste da laje em meio a prédios chiques ao fundo. 

A segunda parte do filme se intitula ‘O amor de Clara’ mas poderia ser os amores de Clara. Assim como toda a trama, essa parte é um misto de cores e acontecimentos. O sobrinho, a quem ela afirma lamentar não ser mãe, as amigas, a música, os filhos, o apartamento... São muitos os amores de Clara. O apartamento é carregado de amor e de lembranças. Desde o início, desde os tempos de tia Lúcia, um móvel de madeira antiga, um tipo de aparador está naquele apartamento. Ele não é só um móvel, ele é um objeto repleto de amor e digamos também de lascívia... A câmera que o diga, ela encara o objeto algumas vezes. Ele é de madeira forte que resiste ao tempo, assim como Clara que decide que não vai vender o seu apartamento.

Ela recebe a visita de empresários da construção civil. Uma empresa famosa e familiar. Um neto formado em business no exterior, seja lá o que isso seja. Apesar dos sorrisos e da simpatia, ela diz não. E continua dizendo não. É claro que nessa altura, nós telespectadores já temos quase certeza que uma hora ela vai ceder. Ela precisa ceder, afinal de contas os outros apartamentos estão vazios, não dá para uma mulher morar sozinha num prédio ermo, sem estrutura e sem segurança. Além disso, existem as outras pessoas, as pessoas que compraram o empreendimento inexistente, “na planta”, os pais de família que estão dependendo da obra para trabalhar e os demais envolvidos, como os donos da construtora. É muita pressão, Clara é abordada na praia por um dos interessados e a mensagem que é passada é que logo ela cederá. Ela é uma pessoa boa, não pode ser tão egoísta, não é mesmo?

Em um mundo dominado por homens que estão acostumados com a obediência feminina, é um avilte uma mulher, logo uma mulher resistir e continuar onde ela não deveria estar mais. Ela é má e louca, ela é egoísta e ela tem que sair! Semelhanças com a realidade atual brasileira à parte, não dá para enxergar Clara dessa forma, não há como não simpatizar com ela de cara. Suas tiradas engraçadas, algumas vezes até artificiais, fazem ou deveriam fazer pensar um pouco mais em nós mesmos, em não abrir mão da nossa história de vida, de quem nós somos por causa de outrem. Essa história de bem comum social soa tão hipócrita. Nesse caso havia pessoas precisando de emprego ou precisando dos apartamentos para morar, mas havia também a padronização das cidades, com prédios enormes e modernos, “urbanização e progresso” traz enormes edifícios cobrindo a praia e produzindo lucros para empreiteiros que constroem essas contemporâneas cidades cinzas e iguais, se tornando ricos, muito ricos. 

Acontecimentos estranhos passam a ocorrer no Aquarius. Festa e luxúria na madrugada; colchões queimados e cultos evangélicos. Até chegar o momento do confronto cara a cara entre Clara e o “neto business.” A trama principal do filme gira em torno desse conflito, um conflito tão pacífico quanto violento, uma violência simbólica. E esse não seria o único conflito.

Nem esses fatos fazem a destemida mulher desistir do seu espaço, da sua história. Ela enfrenta tudo de uma forma elegante. Até demais na verdade. Há quem já parta logo para o barraco. Mas Clara não há de ser uma heroína, não é esse o ponto. O ponto é que ela é uma mulher normal, como cada uma de nós, brasileiras. Heroínas que vão à praia, ao supermercado e cuidam de filhos e netos. Clara fica. E é ali que tem que ficar. Todo mundo está contra sua decisão, até seus filhos, mas ela vai ficar. Agora não há mais dúvidas. Seus filhos se reúnem e pedem que ela saia, que venda o apartamento, mas ela não quer e está irredutível. Não vai simplesmente se desfazer da sua história, cair no esquecimento. Ela quer ser imortal, assim como os livros que escreveu. E por falar em filhos e em livros, a cena mais emocionante – meus olhos encheram de lágrimas – foi a cena em que durante uma briga com sua filha, interpretada por Maeve Jinkings, Clara é acusada de ter abandonado os filhos por dois anos para morar no exterior e escrever um livro. O filho mais velho se levanta em silêncio, pega o referido livro e lá está o nome dos três na dedicatória. “Pelo tempo de lazer roubado...” Se não há falhas em minha memória caquética é essa a frase.

A terceira e última parte do filme é denominada “O câncer de Clara”. A parte que tem a intenção da resolução, tudo se reúne em volta de um desfecho. Um desfecho que ainda não se sabe qual. Releitura do cotidiano, Aquarius é tipicamente um filme brasileiro. Lento, quase parado, com diálogos densos e que começa a ficar meio cansativo nesse momento. O espectador já não sabe mais o que pensar sobre o final, mas ainda assim ainda está curioso. A trilha sonora ajuda bastante a acompanhar o filme todo,  aliás, já que é linda e animada. Curiosamente, porém, uma coisa destrutiva e genuína leva Clara a mais um conflito, o conflito final.  Aquele em que ela categoricamente afirma que não quer mais ter câncer e sim que os outros tenham câncer.  A cena final é subjetiva, característica típica de filme brasileiro. O espectador faz o final, em sua mente, em sua imaginação. Por que o que importa mesmo é o decorrer da trama, a fruição que ela proporciona e não somente um final. Um final é só um fim. E essa expectativa por ele só faz as pessoas temerem spoilers. Esse é Aquarius. Não só um edifício. Não só algo que remeta à Era de Aquário e não só um prédio quadrado e fechado que faça alusão à casa artificial de peixes que estão ali isolados, e privados da vida cá fora, vivendo em seu próprio mundo. O nosso Aquarius é recheado de peixes coloridos e diversificados, que estão em contato com o mundo aqui fora, mas querem preservar seu mundo particular e suas antigas memórias do mar.





Rafaela Valverde




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