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segunda-feira, 29 de maio de 2017

Eu não sei mais lidar com tudo o que sinto


Acordo todas as manhãs sentindo falta de algo, sentindo falta do que tive, do que não tive e do que ainda vou ter. E o que eu não vou ter nunca, fica pairando acima da minha cabeça. Todos os dias. Como uma nuvem, opaca e sem vida. A nuvem joga sua chuva sobre minha cabeça e explode um turbilhão de pensamentos sufocantes, aterrorizantes. Mas que eu não consigo evitar.

Como assim? Você diz que quer algo que nem sabe o que é. Mas, é mentira! Você sabe, sim! Sempre soube. Mas, parece que como tudo em sua vida, o fato de você querer muito algo, afasta decisivamente o algo da sua vida. Você é uma azarada de merda. Você afasta tudo o que quer. E você nunca quer o que tem. Você é idiota, porra!

E esse vazio? Cura como? Isso que te faz chorar escondido à noite. Como resolve? Com baladinhas, cheias de gente tombadora com maquiagem "cheguei" e beck na mão? Com sexos casuais, frios e mal feitos? Com revolta e melancolia? Como resolve?

Se eu soubesse não estava passando por isso. Eu queria simplesmente não passar por nada. Eu abriria mão de viver só para não sentir. Eu preciso de um entorpecimento constante. Por isso, o sono excessivo, por isso as leituras e as séries, por isso a escrita compulsiva, por isso as garrafas de catuaba e vinho barato pela mesa de centro. Por isso, as noites em claro chorando e fumando cigarro após cigarro.

É por isso, tudo isso. Porque eu não sei lidar com a dor de sentir, com a dor de existir e ser eu mesma. Eu não sei mais encarar uma baladinha e descontrair com ela. Ao contrário, fico tão tensa e mal humorada nas festas, que sento em um canto, falando mal de todo mundo, sozinha. Sofá de boate tem sido meu lugar preferido ultimamente. Destilo veneno e ironia. E as lágrimas de tristeza ficam caindo naquele escuro, é onde melhor posso chorar. Choro enquanto danço também! Sim, sociedade, é só isso mesmo o que eu posso te oferecer!



Rafaela Valverde

quinta-feira, 25 de maio de 2017

Impressões da sala de aula


Comecei a dar aulas em uma escola estadual. Nunca pensei que fosse fácil, mas descobri que é bem difícil ser professora. Principalmente em escola pública, onde os meninos são jogados lá, sem ao menos compreender o porquê de estarem ali. Há ainda a falta de estrutura e também o grande uso de tecnologias, como o celular  e vídeos do youtube, que podem atrapalhar bastante a prática docente.

Os meninos ouvem música e ficam com o celular na sala, às vezes tocando música sem o fone de ouvido. Não há nenhuma noção de disciplina, nem do que deve ou não ser feito. Não há noção de hora certa para fazer determinadas coisas. Eu sempre ouvi na minha casa que existia hora para tudo, hora para se divertir e hora de ralar. Eu sempre ouvi que primeiro deve vir a obrigação e depois a diversão.

Percebo que não há respeito nem na presença do professor. Não posso ser hipócrita e dizer que eu fui uma criança e uma pré adolescente maravilhosa e bem comportada. Não fui! Mas os meus pais estavam presentes na escola por tudo que eu aprontasse e era quase sempre. Por mais que no fundo eles achassem que não adiantaria nada, eles iam. Já chegue a tomar uns tapas de minha mãe dentro da escola.

Mas, mesmo sendo rebelde, havia um mínimo de respeito ao professor. Mesmo que eu continuasse a conversar, porque lembro que era uma faladeira na sala, eu pelo menos entrava na sala e sentava na cadeira. Ao contrário de hoje. Os meus alunos não sentam, não param, não se interessam pelos conteúdos e nem me respeitam. Fora que saem da sala toda hora e outros alunos entram na sala a todo momento, me ignorando.

A estrutura da escola pública não ajuda muito a vida do professor não. Algumas salas nem porta têm e quando chove molham tem goteira. Não têm ventiladores e é péssimo estudar assim. Como eu, sozinha, vou fazer os alunos prestarem atenção em mim com tantas distrações e com tanta falta de estrutura? Eu até tento. Converso com eles, fiz um jogo e pretendo fazer o máximo para tornar minhas aulas interessantes mas é bem difícil.

É difícil porque esse interesse pela escola e pelo conhecimento não vem de casa. Os pais não leem. Mas também qual o pai que tem tempo ou dinheiro para comprar livro? Não estou defendendo, pois isso não justifica nada. Essa é uma sensação geral que eu tenho. As pessoas não estão nem aí para nada, não leem, não estudam, não se informam. Só querem saber de festas, alegrias da vida, novelas, youtube, whatsapp... Mas quem condenaria essas pessoas? O caminho do conhecimento é bem árduo.

Eu também gosto de todas essas coisas, mas amadureci cedo e entendi desde nova que havia momento para tudo na vida. Há hora para estudar, para brincar, para dormir. Deve haver uma adequação para tudo na vida, não é mesmo? Mas é isso, essa é uma das minhas reflexões sobre a sala de aula e sobre a prática docente. Espero que eu faça mais!


Rafaela Valverde


quarta-feira, 10 de maio de 2017

Série Gilmore Girls


Terminei de ver no final de semana a antiga série Gilmore Girls e em seguida assisti os quatro episódios do especial lançado pela Netflix no final do ano passado. Já tinha ouvido falar da série há alguns anos, mas a curiosidade veio mesmo  a partir do Gilmore Girls - Um ano pra recordar. No início do ano comecei a ver os episódios e de cara já gostei do bom humor de Lorerai e da amizade com a filha Rory.

Tal Mãe, Tal Filha como foi traduzida é uma série criada por  Amy Sherman-Palladino que estreou no ano 2000. Estrelada por Lauren Graham e Alexis Bledel, como Lorerai e Rory, teve seu final no ano de 2007. Com sete temporadas, a série teve um grande sucesso, inclusive aqui no Brasil. 

A história de mãe e filha é contada. Lorelai engravidou aos 16 anos e decidiu sair de casa para criar sua filha longe de todos. Mãe solteira, chegou na  pequena cidade fictícia Stars Hollow e  com ajuda de amigos e bastante trabalho começou a criar sua filha. Como são apenas as duas, elas desenvolvem uma parceria e cumplicidade. E foi essa parceria que me chamou atenção na série. E o bom humor de ambas? A piada de uma complementa a da outra. Achei sensacional a química das duas atrizes.

Lorelai não tem um bom relacionamento com seus pais Emily e Richard Gilmore por sempre contestar suas ideias e modo de vida. Os pais são envolvidos em eventos sociais que Lorelai acha fúteis, por isso sempre critica os pais e com isso traz certas alfinetadas ao modo de vida dessas pessoas.

Mas a série é muito mais que isso. Ri horrores durante esses meses que a vi. São ótimas piadas, histórias e personagens bem construídos. Stars Hollow é a comédia em si. Claro que também há drama e especialmente na última temporada e no especial chorei bastante e com certeza entrou no rol de uma das minhas séries preferidas. Amo Gilmore Girls. E essa é minha pequena homenagem.



Rafaela Valverde


quinta-feira, 4 de maio de 2017

Minha trajetória acadêmica

Em 2010 passei no vestibular da Uneb - Universidade do estado da Bahia para o curso de Pedagogia, que eu não sabia exatamente do que se tratava, mas como achava que queria fazer psicologia, achei que pedagogia tinha semelhanças com psico e lá fui eu. As aulas começaram no dia 12 de abril e ainda era tão menina, ia fazer vinte e um anos e estava noiva. Nessa época eu trabalhava e estudava e só vivia cansada, dormia na aula e não sei como eu consegui lidar com oito matérias assim. Uns dois meses depois fiquei desempregada e minha mãe que me ajudava com a faculdade. Casei no mesmo ano e continuei nos semestres seguintes com as oito disciplinas.

Depois de um tempo comecei a pegar menos matérias e fui ficando atrasada, separada das minhas colegas e amigas que tinha feito naqueles meses. Acredito que  isso tenha me desmotivado bastante, além  de uma monitoria que fiz e não recebi o dinheiro ao qual tinha direito e precisava. Por essas e questões de não gostar e não me adaptar com algumas disciplinas e questões do curso acabei abandonando. Eu não via mais graça em estar ali, fazendo aquele curso. Me sentia sem perspectivas.

Foi nessa época que passei a dar mais atenção ao blog e quis seguir o sonho de escrever, de ganhar dinheiro escrevendo e botei na cabeça que queria ser jornalista. Por que queria escrever de qualquer jeito. Até pensei em fazer letras, mas tinha horror à licenciatura e à sala de aula. Tentei entrar na UFBA em jornalismo e não consegui. No ano de 2013 depois de uns meses fora do Departamento de Educação da Uneb, decidi voltar. Mas durou pouco tempo. Minha falta de afinidade com o curso era latente, eu não me dava bem com a maioria dos professores de lá que eram muito arrogantes. Não tinha motivação para ir até lé, nem para fazer as atividades, nem de olhar para as caras dos professores. Saí de novo e dessa vez pra valer.

Em 2014 depois de mais um Enem tentei novamente o curso de jornalismo na UFBA e não consegui. Porém fiz um vestibular na Unijorge e passei, consegui um FIES e fui fazer jornalismo nesse centro universitário privado. Não me adaptei muito bem lá. A universidade parece um shopping, com praças de alimentação bem grandes e quase nenhum apoio a alunos de baixa renda. Me sentia deslocada, um peixe fora d'água. Fora que a sala que eu estudava era super barulhenta e imatura, me sentia estudando em uma escola de ensino médio. Fora que com boletos todo mês e o salário que eu ganhava não estava dando, daí decidi usar a mesma nota do Enem e ganhar uma bolsa em uma universidade diferente e melhor. Consegui a bolsa e ia começar o semestre no mês de agosto de 2014. Enquanto isso, minhas colegas estavam se formando. 

Faltando poucos dias para começar o semestre na FSBA - Faculdade Social da Bahia eu recebi uma ligação  avisando que não havia formado turma para jornalismo e que o curso estava praticamente extinto na universidade. Eu teria que escolher outro curso ou desistir da bolsa. Dentre os cursos que me ofereceram fiz a merda de escolher um. Eu não acreditava mais que pudesse entrar na UFBA  e seguir a carreira acadêmica que eu tanto sonhava. Então eu escolhi psicologia. Entrei sem semestre definido e pegava disciplinas introdutórias misturadas com as mais avançadas e não entendia os conceitos básicos tendo certa dificuldade em acompanhar. Sentia o tempo todo que me formaria sem nenhuma perspetiva, não me sentia feliz ali, nem no curso e nem na faculdade. Fora que é perto do campus da UFBA em que estudo hoje e pegava os mesmos ônibus que vários alunos da Federal que ali desciam e ficava pensando que meu lugar era ali, que um dia eu gostaria de descer antes, naqueles ponto.

O que começou a me tirar daquele curso e daquela faculdade foi a dificuldade em estudar. Os textos eram longos e meu tablet havia quebrado, me impossibilitando de ler a maioria dos textos. Eu teria que tirar xerox ou imprimir todos e não tinha grana para isso, apesar de estar trabalhando na época. Comecei a tirar notas ruins e a faltar nas aulas de sábado, já que trabalhava aos finais de semana. Eu sabia que tinha que sair dali e exatamente no meio do ano de 2015, no SISU do meio do ano eu decidi que eu iria para a UFBA em qualquer curso. E eu entrei em Letras. De primeira. Sabe se que as notas de corte desses cursos são bem baixas e não foi tão difícil. Fiquei muito feliz. Acho que foi um dos poucos dias mais felizes que tive naquele ano. Dia 15 de junho de 2015. A universidade estava em greve, fiz matrícula, mas só comecei a ter aulas em janeiro de 20016, ano passado e hoje estou no quarto semestre e realmente estou onde eu merecia, precisava e queria estar. Eu dou aulas particulares de Português e agora vou assumir salas de aula em uma escola estadual. Eu estou muito feliz e realizada na minha vida acadêmica. Eu amo ensinar. Eu já faço pesquisa e sou bolsista de Iniciação Científica. Eu vejo  a realização do meu sonho chegando, chegando aos poucos. Eu tenho contato mais direto com literatura, algumas disciplinas de literatura do curso são fascinantes e eu adoro entrar naquele portão todos os dias. Por mais que a coisa não seja fácil. É muito estudo. É tudo bem diferente de todas as universidades em que já estive. Mas eu adoro, finalmente me encontrei.

Não desista do seu sonho, não hesite em sair de algo que não te faz bem, onde você não quer estar. Saia e vá atrás do que realmente você quer. Porque uma hora dá certo. Essa é a loucura da minha vida acadêmica até agora, minhas desistências e conquistas. 



Rafaela Valverde

terça-feira, 2 de maio de 2017

Trem - Bala - Ana Vilela


Não é sobre ter todas as pessoas do mundo pra si
É sobre saber que em algum lugar, alguém zela por ti
É sobre cantar e poder escutar mais do que a própria voz
É sobre dançar na chuva de vida que cai sobre nós

É saber se sentir infinito
Num universo tão vasto e bonito, é saber sonhar
Então fazer valer a pena
Cada verso daquele poema sobre acreditar

Não é sobre chegar no topo do mundo e saber que venceu
É sobre escalar e sentir que o caminho te fortaleceu
É sobre ser abrigo e também ter morada em outros corações
E assim ter amigos contigo em todas as situações

A gente não pode ter tudo
Qual seria a graça do mundo se fosse assim?
Por isso eu prefiro sorrisos
E os presentes que a vida trouxe para perto de mim

Não é sobre tudo que o seu dinheiro é capaz de comprar
E sim sobre cada momento, sorriso a se compartilhar
Também não é sobre correr contra o tempo pra ter sempre mais
Porque quando menos se espera, a vida já ficou pra trás

Segura teu filho no colo
Sorria e abraça os teus pais enquanto estão aqui
Que a vida é trem bala, parceiro
E a gente é só passageiro prestes a partir

Laiá, laiá, laiá, laiá, laiá
Laiá, laiá, laiá, laiá, laiá

Segura teu filho no colo
Sorria e abraça os teus pais enquanto estão aqui
Que a vida é trem bala, parceiro
E a gente é só passageiro prestes a partir




Rafaela Valverde

segunda-feira, 17 de abril de 2017

As histórias dos livros usados


Eu gosto de comprar livros usados, geralmente em sebo ou nas ruas. Não são necessariamente velhos, e sim antigos, donos de histórias e cheios de histórias de seus donos. Trocadilhos à parte, sabemos que quando compramos livros usados, eles sempre vêm carregados de significados, de histórias de outras pessoas, de outras vidas. Há nomes que indicam os antigos donos, há marcas nas páginas e sublinhas.

Em alguns livros que eu comprei têm dedicatórias que contam, por si só histórias. Gosto de ficar imaginando que são para mim. Imagino que alguém muito especial me deu aquele livro e o abraço com força. Vai que de repente aquela pessoa especial se materialize. Nunca se sabe o que cada nome ou dedicatória vai nos fazer lembrar.

No meu livro Jogos Vorazes, que comprei em um sebo têm uma dedicatória super fofa, com uma letra caprichada e diz mais ou menos assim: "espero que esse livro te deixe mais inteligente do que já é." Eu achei isso tão lindo. Dizem que dar livro é elogio e eu concordo com isso. Alguém que recebe um livro que levou tempo para ser escolhido deve se sentir agraciado.

Claro que também há o outro lado. Alguém vendeu ou trocou em um sebo um livro que ganhou. A pessoa deve ter tido seus motivos, é óbvio. Até eu já troquei livros que ganhei de presente em sebo. E não me arrependi. A pessoa que ganhou pode ter morrido e a venda é obra da família, ou então pode ser um relacionamento que acabou, ou simplesmente a pessoa pode estar se mudando e simplesmente não tem mais espaço para alocar os livros. Enfim, são inúmeros os motivos que podem levar os livros até o sebo, enfim. É só uma pequena reflexão sobre livros usados e antigos. E s histórias que eles contam, histórias intrínsecas nos livros, mas escrita pelos seus donos.


Rafaela Valverde


sexta-feira, 10 de março de 2017

Bem sucedida e solitária


Parece que serei a mulher bem sucedida na carreira, escritora, acadêmica, com teses e muitas leituras. E por aí mesmo vou ficar. Não que isso não me satisfaça, é maravilhoso! Mas o que vai ficando claro a medida em que os anos vão passando é que não serei a mulher amada e que ama; não serei a mulher com um casamento bem sucedido e com amor.

Esses sonhos românticos não são para mim, deixo para os afortunados na vida, cujo sorriso demonstra a felicidade de estar ao lado de alguém. Parece que não nasci afeita aos lados românticos da vida. Ou eu tento me afastar deles ou eles se afastam de mim. Já vi que amor não é para mim. Até sinto, mas não vivo. E não tenho nenhuma esperança de viver novamente.

Eu tenho andado muito desiludida com todas essas questões românticas. Eu não quero mais saber de romantismo. Eu serei a representante oficial da mulher moderna, livre e bem sucedida. Mas sozinha, Sabe, não exatamente aquele sozinha de não ter ninguém por perto. É  a solidão que vem no final do dia - que é a hora de compartilhar coisas; é a solidão de não ter ninguém para abraçar a gente, para acariciar a gente, é a sensação de estar sempre calada ou de conversar com espelhos.

Outra sensação que tem se apoderado de mim nos últimos dias é a se eu realmente sirvo para ser amada, ou se sou mulher para encontros casuais e relações rápidas. Talvez sim, é provável que sim. Já tive meu pequeno conto de fadas, já tive meu momento. Agora ele já passou e é à minha carreira que irei me dedicar agora. Pelo menos ela não me faz sofrer.



Rafaela Valverde

terça-feira, 7 de março de 2017

Manifesto contra 'homis' escrotos

Pessoas em geral não prestam, pessoas em geral não são confiáveis. Mas os homens estão de parabéns nessa história. Parece que na escola chamam os homens e ensinam como serem escrotos. Parafraseando Vivian, personagem de Julia Roberts em Uma Linda Mulher que fala exatamente essa frase, só que no lugar do "de como serem escrotos", a fala dela é sobre os homens aprenderem a bater bem na cara de uma mulher - é que abro esse manifesto contra os homens escrotos - quase todos.

Não estou aqui para generalizar, mas também não vou ficar defendendo homi bosta não. Pois bem: a maioria dos homens que conheci e fiquei são bem imbecis. Não têm papo, não sabem lidar com uma mulher; eu sou capaz de dizer que não conhecem mulher.  Os homens são inconstantes, indecisos (mudando de opinião de forma irritante, ao seu bel prazer), uma hora querem, outra não querem. E isso em qualquer coisa! Os homens, em sua maioria, não se importam com nada mais além deles mesmos e seus digníssimos paus. Ah, pelo amor de Deus! Grande coisa é um pau!

Há uma cultura tão grande de idolatria a esse órgão, que para mim é nojenta. Um pau sozinho não faz nada. Entendam isso! Mulher é um conjunto bastante complexo e não apenas o que está embaixo da nossa saia é que o interessa. Aliás, para vocês, sim, né! É só o que importa: buceta. Pra meter, gozar, virar para o lado e dormir. Mas eu hei de informar para vocês, homens, que nós mulheres, temos vários pontos erógenos pelo corpo, atrás dos joelhos, por exemplo, é um bom local, o pescoço... Vocês já chegaram nesses locais? Não, né? Porque vocês não se importam com o prazer feminino. Só com vocês mesmos e ainda não sabem fazer sexo, não descobriram ainda a magnitude do que é o sexo, que com certeza não é só buceta e pau!

Ainda falando de sexo, eu infelizmente preciso dizer aqui que o mesmo homem que adora receber sexo oral é o mesmo que não gosta de fazer. Tem nojo de buceta, dos pelos, do cheiro, sei lá o que! Eu já devo ter falado isso aqui umas quinhentas vezes mas ainda assim vou repetir: buceta tem gosto e cheiros característicos e isso que faz dela uma buceta. Se você não gosta desses dois aspectos, você não gosta de buceta! Ah, quem dera se o mesmo homem que não gosta de chupar fosse o mesmo que não gostasse de ser chupado!!

Eu tenho pena desses homens. Coitados. Dependem apenas do pênis para ter prazer e quando esses dito-cujos começam a falhar é um deus dará, porque não há interesse em descobrir outras formas de prazer para ambos, afinal sexo é uma troca, não é? Não, os homens passam a vida toda dependentes dos pintos e só usando eles, muito mal, ainda por cima.

E aqui não estou reclamando ainda da falta de tato masculina apenas no sexo não. A maioria dos homens não tem tato para nada. Já saí com um cara que me levou numa lanchonete, engoliu o sanduíche dele e aparentava muita presa de irmos logo ao motel. Fiquei com vergonha alheia ali mesmo, só não me mandei porque queria levar o encontro adiante apenas para finalizá-lo de vez. Em outra ocasião deixei um homem-britadeira, lá sozinho de pau duro, na cama e fui me embora. Que nada, eu não sou obrigada!

Em relacionamentos, quando resolvem entrar, os homens costumam fazer muita merda também. Uma das piores coisas é continuar a vida de pegador mesmo tendo mulher/namorada em casa. É ridículo! Vocês não são obrigados a terem relacionamento, se querem continuar pegando, fiquem solteiros, porra! Estamos no século XXI! Mas na sociedade retrógrada e conservadora em que vivemos, parece que as pessoas são obrigadas a se relacionarem, casar, ter filhos... Apenas para prestar contas à sociedade. Tsc, tsc, tsc...

Por último, mas nem por isso menos importante, ao contrário são as coisas mais importantes para mim em qualquer relacionamento, mesmo que seja somente um relacionamento curto, para sexo casual, o respeito tem que imperar, de qualquer jeito. Sejam carinhosos, gentis, cavalheiros (não no sentido de tratar a mulher como uma retardada, sem mãos) mas o que custa pegar uma bolsa pesada se vocês estão com as mãos vazias? Nada! Acreditem, a gente, por mais feminista que seja, repara em atitudes como essa e gosta de ser bem tratada. Quando terminarem de transar e os DOIS tiverem gozado, e isso eu digo para as mulheres também: se abracem, se acariciem! Carinho é maravilhoso. Não vão cada um para um canto com o celular não, isso destrói qualquer possibilidade de um novo encontro e vai destruindo aos poucos o relacionamento. Por fim: homens, ESCUTEM AS MULHERES! Será que é tão difícil escutar, não só ouvir? Prestar atenção e não ficar olhando para o celular? Será que é possível conversar com vocês? Ou vocês só sabem mesmo, e mal, fazer sexo?


Ficam as dicas!


Rafaela Valverde


quinta-feira, 2 de março de 2017

Solteirice


Estou solteira novamente. E nunca estive tão aliviada por isso. Relacionamento é complicado. E eu não quero complicações pois minha vida já é por demais caótica. Para estar em um relacionamento é preciso vontade, precisa querer. Eu, quando estou, estou mesmo. E agora vou dar um tempo, um longo tempo sozinha, aproveitando minha vida. Vou virar solteira convicta.

Sou jovem bonita, independente e não preciso de ninguém para ser feliz. Já nasci feliz! Ninguém precisa me completar também, o que eu gosto mesmo é de companhia, mas isso eu vou buscar em mim mesma, nos meus amigos e nos contatinhos hehehehe.

Viajei sozinha e passei quatro dias na ilha pensando na minha vida, na minha vida amorosa. E percebi que eu não quero mais ter uma vida amorosa. Eu já tive. E não dá mais. Não só de sentimentos e relacionamentos vive a gente não é mesmo? No último dia de carnaval fui curtir minha festa, na boa, na tranquilidade e muito bem acompanhada. 

Não preciso estar onde não sou bem vinda, não preciso estar com quem não quer estar comigo. Eu não preciso de nada disso. Eu só preciso de mim mesma, de minha família e amigos. A vida é tão maravilhosa e eu estou aqui para celebrá-la todos os dias! Viva la vida! Vila la solteirice!



Rafaela Valverde

sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

Dona de casa? Eu?


Fui uma esposa agoniada que queria tudo arrumado limpo e tudo pra já! Eu tinha mania de limpeza, na verdade eu tinha mesmo era mania de controle. Eu queria controlar a organização da casa, eu queria que tudo estivesse do meu jeito. Eu era muito nova, casei com 21 anos e hoje eu vejo minhas atitudes como idiotices. 

Quantas coisas eu deixei de aproveitar para ficar limpando a casa? Quantos filmes eu deixei de assistir com meu ex marido, mesmo ele me pedindo tanto para largar tudo e ir deitar para assistir com ele? Quantos livros e textos da faculdade eu deixei de ler por que queria que tudo estivesse perfeito. 

Eu queria ser uma boa esposa e acho que até fui, mas em muitos momentos eu não achei aquilo divertido. Eu não achava engraçado brincar de casinha naqueles momentos, mas ao mesmo tempo eu não entendia que aquela sensação era causada por mim mesma. Eu era insuportável e sinceramente não sei como ele, meu ex marido me suportou durante quatro longos anos.

Mas hoje tudo mudou. Eu sou uma mulher mais madura, que já passou por muita coisa e que sabe que sofrimento ajuda a crescer. Hoje eu faria muita coisa diferente. Hoje eu sou uma pessoa mais relaxada, que ao mesmo tempo em que faz faxina na casa, está com o celular na mão e performando, fazendo a vassoura de microfone. Eu  aprendi a ser uma pessoa mais leve e o que menos importa para mim hoje é se a pia está limpa.

Pouco me importa se o banheiro não pôde ser lavado hoje. Eu posso lavá-lo amanhã, ou semana que vem. Sei lá, o dia que der. O meu bem estar importa mais do que a  higiene da casa. A casa vai sobreviver mesmo que tenha poeira nos móveis, mas eu posso não sobreviver com uma carga muito alta de estresse... Enfim, eu não sei se vou me casar de novo um dia, mas eu sei que não sou mais a louca do controle. Sei que posso até ser considerada, hoje, preguiçosa e relaxada. Eu não ligo. Eu quero é paz. Eu quero é viver bem comigo mesma e os pratos na pia que fiquem lá até quando eu quiser lavar!




Rafaela Valverde

sábado, 3 de dezembro de 2016

Mulheres devem segurar suas sacolas sim!!!


Ontem estava no shopping esperando uma amiga e ouvi a seguinte frase de uma mãe falando para o filho: "Você tem que carregar as sacolas porque você é homem. Mulheres não devem carregar nada!" Eu fiquei uns segundo encarando aquela mulher, tentando entendê-la, tentando entender seu argumento. Sem lógica, aliás, já que ela era uma mulher adulta e ele uma criança. Mas o gênero fica acima de ser adulto e criança? Gostaria que alguém me explicasse essa lógica!

Homens não têm que carregar todas as sacolas enquanto as mulheres não carregam nada. Isso é ridículo. Primeiro, homens não são super homens, fortes e poderosos, eles são seres humanos. Seria bom parar de colocar essa imagem para o sexo masculino. É ruim para a gente e ruim para eles, que se vêem obrigados a corresponder a esse estereótipo. E é ruim para a gente porque eles sempre vão ver as mulheres como frágeis e inúteis, que não conseguem nem carregar a sacola das suas compras.

Em segundo lugar, nós mulheres conseguimos e temos plena capacidade de carregar o que for. Temos dois braços, igual aos homens. Somos seres humanos, todos os seres humanos têm braços e eles, os braços, são feitos para isso. Afinal de contas, mulheres que são mães vivem com os meninos para cima e para baixo. Então, apenas parem, mães, de deseducar seus filhos. Eles não merecem isso. As mulheres não merecem isso.

É bem melhor dizer que os homens podem pegar sacolas das mulheres por simples gentileza e educação. E não porque as mulheres não são competentes para carregar, ou não conseguem, não aguentam peso. Eu sempre odiei a frase: "onde tem homem, mulher não trabalha". Passa a imagem que somos seres inúteis diante dos homens. São eles que devem usar força física e precisão. Mulher não, mulher deve ficar sentada esperando que o serviço seja feito. Mulher deve ser delicada. Ah me poupem!

Enquanto esses forem os discursos de mãe de meninos, nada vai mudar. Porém, eu não sei como deter essa reprodução de machismo irrefreado realizado por essas mães. Mas dá uma aflição quando vejo cenas dessas.  E sei que ainda temos muita luta pela frente.


Rafaela Valverde

sexta-feira, 25 de novembro de 2016

A sabedoria de desistir na hora certa


Eu antes não sabia, mas agora eu já sei. Eu aprendi a viver com a frustração e o conformismo para determinados momentos. Se não há jeito, se os anos vão passar, se a vida vai durar e eu tenho que conviver com isso eu conviverei. Me resigno e aceito, já que não posso mais lutar e mudar determinada situação. A gente precisa saber quando parar.

A gente precisa desistir na hora certa, por mais que tenhamos lutado tanto. Chega uma hora que não dá mais, o esforço fica grande demais, a luta ultrapassa o que podemos suportar e simplesmente a gente desiste. Respiramos fundo e analisamos as opções, mas elas não são mais viáveis.

Eu já passei algumas vezes por situações que exigiram muito de mim. Algumas eu desisti, outras lutei até o fim. Hoje porém, me deparo com uma luta que sei que não vou conseguir ganhar. Eu já consigo me enxergar vivendo daqui a vinte anos frustrada e sem ter tido o que eu realmente quis na vida.

Mas não desisti por causa de preguiça ou covardia. Desisti porque era demais, porque não adiantaria. Desisti porque não há mais sintonia entre mim e a luta, essa luta. Eu me sinto cansada para lidar com ela. Eu estou fraca e por isso vou ter que conviver com isso, com a frustração e talvez, quem sabe, o arrependimento. Mas no momento não há nada que eu possa fazer.

Não sei quantas pessoas se sentem assim diante de coisas difíceis, mas é complicado olhar para trás e prever o futuro e estar entre um e outro. Só esperando o tempo passar para ver se alguma coisa muda. Mas não vai mudar. Se eu tiver que virar uma mulher frustrada quando tiver na meia idade eu vou virar. Porque a gente tem que saber a hora de parar. A hora de desistir de lutar por algo que nunca mais vai acontecer. Isso é ter sabedoria.



Rafaela Valverde

quinta-feira, 3 de novembro de 2016

Casamento é legal!


Não sei como pessoas que nunca foram casadas podem saber tanto sobre casamentos a ponto de odiá-los. Algumas pessoas que eu conheço falam com uma terrível certeza que casamento é ruim. Em primeiro lugar: eu não tenho certeza de nada e em segundo lugar eu discordo. E eu posso discordar, já  que fui casada e não tive uma boa experiência enquanto filha de pais casados.

No início da minha vida eu até pensava que casamento era como o dos meus pais e cresci achando que não iria casar para ser infeliz. Eu não queria isso. Mas um dia algo mudou e eu vi que tinha a oportunidade de viver isso. Eu era uma pessoa diferente de minha mãe e meu ex marido totalmente diferente de meu pai. Não era possível que fosse ser igual.

Embarcamos nessa aventura e deu certo por quatro anos. Será que dá para as pessoas terem ideia do que são quatro anos? Quantos dias e quantas horas dormindo numa mesma cama, compartilhando gostos e atividades, vivendo em comum... É difícil claro. Nada é fácil na vida. Mas, casamento é gratificante ao mesmo tempo que é difícil. Você consegue dividir o máximo da sua intimidade com outro alguém, com alguém que geralmente é muito especial, que você gosta e quer estar perto.

É como a extensão de um namoro, só que nesse caso você vai dividir a sua vida como um todo com aquela pessoa e não só alguns momentos na semana, não apenas os bons momentos, mas os perrengues também. É preciso haver amor em primeiro lugar, mas amor de verdade. Paciência, admiração e companheirismo, entre outras características para que dê certo enquanto dure.

São desafios diários. O casamento é construído todos os dias. Um bloco por dia e o muro vai subindo. Eu acho que casamento não é ruim. Não quando se ama, conhece suficientemente, quando se divide as mesmas expectativas e sonhos. Quando há uma sintonia entre o casal. Sintonia de ideias, de ideais e de sentimentos, dá certo. 

Eu não estou aqui para mudar opiniões de ninguém mas eu estou aqui para falar a minha opinião e é isso que eu acho acerca do casamento. Instituição que pode até ser considerada falida por algumas esferas da sociedade, mas que para as pessoas que têm vontade e maturidade para levar adiante pode ser uma boa experiência de amor e companheirismo para muitos anos ou para a vida.

Portanto se você nunca casou, ou não casou ainda, não fale mal do casamento. Não diga que estar casado é ruim, que você perde a liberdade e privacidade. Isso não é verdade! Vá falar do que você viveu e beijos de luz! Rsrsrs


Rafaela Valverde


quarta-feira, 26 de outubro de 2016

Julia


A minha Julia voltou. Sim, ela havia sumido no início do mês causando em mim uma profunda angústia por não saber como ela havia saído e onde estava. Ela nunca vai para a rua e isso me deixou extremamente preocupada pois ela não saberia - a meu ver - como andar e se comportar na rua. Eu e minha mãe perguntamos a algumas pessoas na rua e no final de semana passado uma vizinha disse que a tinha visto, fomos procurar e nada.

Mas ontem à noite eis que eu estava na pia lavando os pratos e ouvi um miado alto e forte. O miado dela. Sim eu conheço o miado dela e reconheci. Achei que estava muito próximo e levantei a cortina da janelinha da pia e lá estava minha filha branquela pendurada, olhando para mim. Puxei-a e chorando sentada no chão que nem uma idiota.

Minha mãe mandou eu justamente deixar de ser idiota e dar comida a bichinha que está super magrinha. Comeu muito. Uns quatro pratos de ração e peixe. Mas não importa. Eu estou muito feliz com a volta dela, com o retorno do meu "grudinho", do único ser do universo que manda em mim hahaha.

Já comecei as providências para castrá-la o mais rápido possível e as outras duas também. Meus outros dois "grudinhos" que eu tanto amo. É isso. Esse mês de outubro foi uma loucura, está sendo uma loucura. Mas vai passar, já está passando. Minha filha voltou e é o que mais importa.

Julia já está comigo há quase dois anos. Eu salvei ela de atropelamento quando ela ainda era um bebezinho inocente e foi abandonada. Ela era suja, magra e feia. Passei umas três vezes por ela de manhã cedo indo para a faculdade. Uma das vezes ela brincava inocentemente, na outra cochilava e em outra ocasião retirei a praticamente debaixo de um pneu que dava ré. Cheguei em casa e falei que da próxima vez que eu a visse ali correndo perigo eu a levaria para casa. Estava sofrendo, havia poucos meses que havia perdido meu casal de gatinhos envenenados e eu dizia que não queria mais. Mas não podia deixá la ali. Passei mais uma vez, ela ali estava no mesmo local. Peguei rapidamente aquele saquinho de pelos e joguei dentro da mochila. Deixei aberta e fui falando com ela até chegar em casa. E assim começou nosso amor.

Julia chegou em minha vida em um momento difícil. Eu estava me separando e fui morar sozinha. Fomos só nós duas durante vários meses, eu acompanhei seu crescimento enquanto fiquei sem trabalhar no início do ano passado. Seu nome é em homenagem a minha diva Julia Roberts. Enfim, eu me derreto por Julia. E ela simplesmente voltou!


Rafaela Valverde

quinta-feira, 29 de setembro de 2016

Ser tradicional é tão ruim assim?


Passei anos fugindo do tradicional. Não quis cerimônia e festa de casamento, quando juntei os trapos. Nunca tive esse sonho, nunca tive o sonho de ser mãe. Mesmo depois de uns anos casada, eu pensei em engravidar somente por influência de uma amiga que havia tido filho recentemente. Nunca fui "Amélia", sempre trabalhei e estudei. Exigia as divisões das tarefas domésticas, sempre fui uma mulher diferente. Aquela que  não queria ser normal, tradicional. Não queria fazer o mesmo que os outros faziam.

Troquei de faculdade e de curso três vezes antes de conseguir finalmente ir para a UFBA. Enquanto tinha um relacionamento, ele, em um determinado momento, foi aberto. Depois que meu relacionamento e meu casamento terminaram, eu tive literalmente uma vida de solteira. Curti bastante. Nunca fui, portanto, uma mulher tradicional, com valores tradicionais e puritanos, muito pelo contrário, sempre fiz questão de seguir o oposto.

Mas ei que eu venho percebendo que quero ser meio tradicional. Eu explico: para começo de conversa eu estou em um relacionamento sério, o que eu achava há seis meses que não queria e que não iria acontecer; me enquadrei de novo nas regras de um relacionamento e não me arrependo, não sinto falta da vida solitária que eu levava quando estava solteira. E por fim, fico olhando ex colegas de escola ou de faculdade que casaram, têm filhos, cachorro... Fico olhando essas famílias tradicionais, constituídas com um casamento formal,  "no papel" como a gente costuma dizer; com filhinhos, bichinhos, casas bonitas, lares estruturados e meio que me dá uma inveja.

Eu não sei muito bem explicar o que eu sinto e por quê. Mas eu fico querendo ter essa vidinha pacata, com problemas pra resolver e fraldas para trocar ( essa parte é só licença poética, tá?) É claro que eu não desejo ter filhos. Não agora, mas sei que posso mudar de ideia. Sei que já tive uma vidinha pacata de gente casada, que é boa, viu? Mas que não deu mais certo e o que não dá certo deve ser consertado ou acabar. Sei que há uma tendência atual de rejeitar essa tradicionalidade, de rejeitar essa vidinha- família- classe média-shopping.

Mas eu sei também que sou taurina. Os taurinos gostam de estabilidade, de um porto seguro. Os taurinos geralmente curtem família. E se, querer uma "famíliazinha" minha, construída por mim, é o "normal", é isso mesmo que eu quero. Com cachorro e gato, com frutas e Fast Food, com filmes e carnaval. Com tudo que eu tiver direito. Essas pessoas com cônjuge/companheiros, filhos e bichinhos de estimação devem sentir um orgulho danado da família que expõem no Facebook, eu teria!





Rafaela Valverde

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Pensamentos obscuros


Sabe quando a gente sai caminhando até o ponto de ônibus e de repente vem pensamentos suicidas? Como seria se eu me jogasse debaixo de um carro? Seria rápido? E essa passarela? Será que dá para morrer caindo de cima dela? E se algum bandido viesse me assaltar e eu reagisse, seria que eu morreria?

Acredito que em algum momento esses pensamentos passam pela cabeça de muitas pessoas. Se não passam vocês me avisam pois daí saberei que estou ficando muito louca e destrutiva. Mas às vezes me pego pensando em coisas do tipo mesmo. Como essas tragédias afetariam a vida da minha família e o funcionamento da cidade.

Eu não estou ficando maluca e nem estou pensando em me matar. São apenas pensamentos obscuros que às vezes rondam minha mente. Como será a sensação de morrer? Como será o momento do último suspiro? Será que realmente passa o famoso filme na cabeça? Bom, ninguém sabe até que o dia chega, mas aí não dá para contar. Já morreu. Como ouvimos por aí, "há muito mais entre o céu e aterra do que a nossa vã filosofia pode supor." 

Do momento derradeiro só saberemos na hora em que chega nossa hora. Mas enquanto isso resta imaginar e querer que esse momento fique bem longe, porque afinal ninguém quer morrer, não é mesmo? Então, deixa meus pensamentos bem guardadinhos aqui para quando eu tiver andando para ir para o ponto de ônibus.



Rafaela Valverde

domingo, 18 de setembro de 2016

Vida breve


Quando um acontecimento trágico e repentino como o que nos acometeu essa semana com a morte do ator Domingos Montagner se realiza, nos damos conta do quanto a vida é efêmera e frágil. E vem a necessidade de viver mais, de viver plenamente. Vem a confirmação do fim, vem a proximidade da morte que geralmente está distante de nós. Ou a gente acha que está.

A gente pensa: "saímos de casa e não sabemos se voltamos." Bate um desespero, um desalento em saber que sempre vamos perder para a morte, para o fim, especialmente se ela for repentina e trágica. Alguém é tomado da vida de forma não natural. Somos tomados da vida. A qualquer momentos podemos ser tomados e simplesmente deixar de existir.

Nossos familiares vão sofrer, nós vamos sofrer com um desprendimento tão repentino da matéria. Enquanto aconteceu com outrem, porém a gente fica menos consternado, mas ainda assim abalado com a falta de garantias que temos em viver. Não sabemos quando vamos desaparecer desse mundo. É incerto. Será doença? Será acidente? Não dá para saber e é esse o maior medo, antes do medo de morrer, vem o medo da  maneira que será morte.

Por ser uma tragédia de outra família, acabamos respirando um pouco mais aliviados e nos convencemos de que devemos aproveitar a vida e todos os momentos bons que ela nos proporciona. Não podemos esquecer a beleza da vida. Portanto o que eu sempre disse e ainda costumo dizer é: aproveite a vida, ela pode acabar a qualquer momento. Se arrisque, se jogue, viva, chore, sofra, sorria, só não peque pelo vácuo e pela ausência de vida. Porque ela, ela não pertence totalmente a você. Ela pode simplesmente lhe ser tirada em um pequeno momento de lazer.



Rafaela Valverde




terça-feira, 13 de setembro de 2016

O que é feminismo?

Imagem da internet
O feminismo é um movimento pacífico que luta por igualdade. É político e social e não se trata de uma guerra que objetiva provar a superioridade feminina. Não aguento quando chegam com esse papo de feminazi. Por que o nazismo foi uma ideologia e um sistema político escroto e cruel, não tendo nada a ver com o feminismo. Só posso dizer que essas pessoas – que fazem essa junção pérfida – são bem ignorantes. Pegar uns livros de vez em quando não faz mal, tá bom?

Pois bem, o feminismo começa a dar o ar da graça provavelmente no século XIX. O movimento, como é bom repetir, prega exclusivamente a igualdade entre os gêneros e não a superioridade feminina sobre os homens. Aliás, a igualdade se comprova no momento em que a mulher faz tudo o que o homem faz. Não há distinção, não há fragilidade! Seres humanos. Com sangue nas veias e respirando todos os dias. Feminismo não é o antônimo de machismo. Nada a ver, deixem de close errado minha gente. Tá feio!

Já o machismo, por sua vez, deixa bem claro que as mulheres são inferiores. Está aí a diferença. Um movimento prega a igualdade e o outro deixa bem claro a desigualdade e a inferioridade de um dos gêneros. O machismo faz, nós mulheres, nos sentirmos inferiores todos os dias. Afinal, os homens dominam o mundo desde sempre e as notícias na TV e nosso cotidiano não nos deixam mentir. 

Há muitos anos, na Antiguidade, o patriarcado surgiu e já dava todas as cartas. O homem é que era considerado o “fazedor” exclusivo do herdeiro. A mulher só participava como um solo para receber a sementinha que o homem plantaria. Uma guardadora do tesouro ali depositado pelo homem. Era a sua função única e exclusiva. O homem mandava, inclusive no corpo da mulher que deveria ser resguardado. Afinal, era preciso ter a certeza de que quem havia realmente plantara a sementinha foi o marido. A herança devia ser deixada para o filho legítimo e não para um bastardo.

Aí é que entra uma questão antiga do patriarcado: a mulher sempre sabe que o filho é dela. O homem, bom, nem sempre. E esse é um dos motivos da objetificação, misoginia e domínio que infelizmente permanecem até hoje. Era preciso uma marcação cerrada para que não viesse outro e levasse seu objeto. É claro que a igreja católica ajudou nesse processo, já que a mulher que tivesse liberdade sobre seu corpo e ousasse desobedecer seu marido era uma grande pecadora, mas  não vamos entrar nesse assunto, pois dá muito pano pra manga.

Porém, tanto sofrimento, tanto cerceamento não poderia sair incólume e as mulheres passaram a resistir bravamente a isso. O movimento feminismo avançou ao longo dos anos e traçou novos contornos para nós mulheres. Houve muita luta, muitas mortes, mas alcançamos avanços. Ao contrário do Nazismo que só destruiu e matou, o feminismo trouxe a vida para as mulheres, para nós. Ele não mata ninguém, nunca matou. Quem mata é o machismo. Esse sim é cruel e faz vítimas sem piedade. O machismo não precisa de permissão para existir, ele já está aí, todos os dias, enquanto o feminismo luta para ser aceito e para mostrar que só quer igualdade.

É graças ao movimento feminista que hoje nós votamos, vamos à escola e à universidade – onde inclusive somos maioria. Hoje podemos trabalhar, temos certa liberdade sexual e de expressão, podemos sair sozinhas, usar as roupas que quisermos e fazer alguns serviços antes considerados masculinos. Graças ao feminismo podemos fazer tudo isso.

É claro que ainda precisamos avançar, mas com certeza já estamos levando uma vida melhor do que nossas avós e tataravós. Infelizmente ainda somos discriminadas apenas por ser o que somos. Apesar de poder sair sozinhas e à noite, ainda somos assediadas e discriminadas pelo tamanho das nossas roupas e cor dos nossos lábios. Além disso, é necessário constatar tristemente que governantes do sexo masculino ainda dominam nossos corpos já que não temos total decisão sobre ter filhos ou não. Somos cobradas para ter filhos, para querer ser mãe, não temos a opção do aborto que garante liberdade ao nosso corpo.

Ainda falta muito respeito. Não precisamos nos dar ao respeito, já nascemos com eles. E afinal de contas qual homem tem que ser dar o respeito? Se eles têm respeito por direito desde que nascem, nós também temos que ter! Temos que exigir!  Ainda há muito o que se fazer, mas já temos avanços. Já avançamos muito mas a luta deve continuar. 

Com educação, com luta e com combate à violência de gênero que mata uma mulher a cada  noventa minutos no Brasil, segundo o IPEA, vamos continuar avançando para quem sabe nossas filhas não sejam estupradas há cada  dez minutos  e que tenham uma vida ainda melhor que a nossa. Se não fosse toda essa cadeia de luta eu não teria escrito esse texto e nem vocês leriam, aliás eu nem saberia esse pouco que eu sei hoje, o machismo  e o patriarcado não permitiriam. Por isso, mesmo que não saibam ou não queiram, todas as mulheres são feministas. No momento em que acham um absurdo não poder fazer as mesmas coisas que os homens fazem, no momento em que estudam, votam, escrevem, se posicionam, já estão sendo feministas.



Rafaela Valverde

segunda-feira, 12 de setembro de 2016

Passo de tartaruga não!

Imagem da internet
Eu tenho andado quieta, distraída, preocupada e tensa. O que tenho que fazer para que a única coisa que ainda falta se resolver na minha vida, se resolva logo? Eu tinha problemas de auto estima, minha aparência não me agradava, eu tive problemas com universidade e cursos de graduação e eu tive problemas sentimentais e quase entrei em depressão, eu tive e continuo tendo problemas financeiros.

Porém meus problemas de auto estima se resolveram e hoje eu me acho bonita, eu consigo me amar, não uso mais óculos e amo meus cachos. Eu também decidi que quero estudar literatura - minha grande paixão da vida toda - e que quero ser professora. Além de ter conseguido entrar na UFBA, que era o que eu sempre quis. E eu resolvi meus problemas sentimentais, superei um amor do passado e encontrei outro amor, alguém que me aceita, me respeita e me merece. Mas os problemas financeiros continuam.

Nunca tive uma vida financeira tranquila e folgada. Nunca achei nada fácil e de graça. Fui trabalhas aos dezesseis anos para ter minhas coisas e minha independência financeira. Não durou muito e daí eu já sabia que teria uma vida profissional complicada. Desde então foi assim mesmo. O maior tempo que fiquei em um trabalho foi um ano e oito meses, claro que por culpa minha também. Sempre fiquei na faixa de quem ganha um salário mínimo e só. Quase sempre dependi de alguém ou de ajuda para me sustentar. Nunca tive um bom salário, um bom emprego. Parece que isso não é para mim. 

Então eu estava pensando: já que muitas coisas mudaram para melhor na minha vida, como por exemplo minha auto estima e problemas de decidir minha área de formação, por que então a minha vida financeira e profissional não pode ser resolvida de vez? Qual a dificuldade de apenas um único pedacinho da minha vida se resolver para ela ser tranquila? Eu já orei, fiz promessa, estudo que nem uma louca, fiz concursos e cursos, eu busco, eu vou atrás... Mas nada acontece na área profissional e financeira da minha vida. Por que? O que falta? O que falta eu aprender? Só falta isso para minha vida se ajeitar. Depois de estabilidade financeira e profissional eu serei uma adulta realizada. E sei que ralo para isso e tenho potencial. Isso ninguém muda, o que eu sou, ou que eu sei... 

Eu sei também que a vida não é fácil e que é aos poucos que as coisas vão mudando e se ajeitando. Nenhuma dessas minhas conquistas acima: entrar na UFBA, melhorar minha auto estima, ou encontrar um novo amor veio de forma fácil. Nada vem fácil, mas também não precisa vir em passos de tartaruga não. Eu tenho gostado muito da minha vida, eu tenho estado satisfeita, mas ainda não cheguei no patamar financeiro que preciso para poder realizar meus sonhos materiais. Eu espero que isso também venha. E que venha logo. Daí minha felicidade estará completa!


Rafaela Valverde

terça-feira, 30 de agosto de 2016

E a velhice?

Imagem da internet
A gente teme ficar velho, a gente não sabe como vai ficar nossa aparência. Como vai ser nosso rosto e nosso corpo no espelho? Nossa pele vai estar flácida, o rosto com rugas, o cabelo ralo. As roupas vão mudar, tudo vai ser diferente. A mentalidade vai ser diferente , a história de vida vai ser diferente. Teremos mais experiência. Tenho observado muitos velhinhos na rua. Vai ver é por causa da proximidade dos trinta... É, o tempo passa e conforme as décadas vão passando a gente vai ficando mais preocupado com o futuro, com a idade, com a saúde, com os joelhos... etc. Tudo muda né? 

Pois bem, eu vivo observando pessoas idosas na rua. Elas são diferentes. Bastante diferentes, mas ao mesmo tempo têm coisas em comum. Pensamentos que se convergem com os seus, ou não; têm aparências variadas, experiências e conselhos a dar. Minha vó mesmo diz sempre: "não termine a vida sozinha, minha filha, arranje um marido e fique com ele, não se pare sozinha como eu..." Eu gosto de escutar conselhos dos mais velhos. Se vou segui-los já é outras história. Mas eu escuto esses conselhos tecidos por uma outra mentalidade por uma outra visão de mundo.

Hoje estava observando uma senhora no shopping. Ela estava com uma roupa laranja. Calça e blusa laranjas. O cabelo estava pintado de vermelho cereja. Ela estava com muitas bijuterias. Eu achei ela bem estilosa, bem "prafrentex". Cheguei a conclusão que quero ser uma velhinha assim. Ela estava tomando um expresso com uma amiga. Ainda por cima curte um cafezinho. Ela ainda me lembrou uma pessoa muito querida para mim que morreu há uns anos.

Eu não tenho muita ideia de como eu vou ser daqui a quarenta anos ou mais, se estiver viva mas eu posso até imaginar pelo que minha mãe e minha vó demonstram a estética é boa, a pele é boa, os peitos demoram a cair... rsrsrs. Mas é difícil se imaginar com idade, mais idade. A gente sempre acha que será um momento bem longínquo a velhice. Mas nem tanto. O tempo voa. A idade vem, as limitações físicas também.

Hoje a qualidade de vida e a expectativa de vida dos idosos aumentou, viver e ser velho é u pouco melhor do que vinte anos atrás por exemplo. Mas ainda assim sei que existem muitos desafios. Posso comprovar isso através de minhas avós. É pena que eu não tenho mais avôs. Gostava deles, mas enfim, é a vida. Vou continuar a observar os mais velhos e me imaginar assim, pretendo ainda seguir o conselho de não ficar sozinha que minha vó tanto me dá. Não gosto de solidão. E solidão na terceira idade deve ser ainda pior. Abraçar, escutar, observar, acarinhar os velhinhos é uma boa forma de tomar um pouco da maturidade deles para a gente.




Rafaela Valverde
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