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quarta-feira, 27 de junho de 2018

Breaking Bad

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Para alguns, a melhor série de todos os tempos. Para mim, a melhor série que assisti. Breaking Bad já ganhou muitos prêmios e é considerada uma das maiores séries de todos os tempos sim, pela revista Rolling Stone. Criada por Vince Gillian, a série que estreou em 2008, traz a história de Walter White (Bryan Cranston), um químico frustrado que dá aulas para o ensino médio e trabalha em um lava-rápido para complementar a já limitada renda familiar. Para piorar a situação, Walter descobre que está com um avançado câncer de pulmão e a partir daí, é claro, sua vida e sua percepção sobre ela mudam.

Preciso agora abrir um pequeno parêntese para informar que escreverei com muita paixão. Não tenho a intenção de escrever uma mera resenha descritiva, fria e isenta. Preciso mesmo, pelo menos tentar demonstrar através deste texto, o quanto gostei da série e o quanto me emocionei, me surpreendi e achei-a brilhante. Preciso escrever com paixão sobre Breaking Bad porque queria que todo mundo assistisse.

Pois bem, com incentivo do cunhado, que é policial de combate ao tráfico de drogas, Walter participa de uma batida policial e esse é seu primeiro contato com o famigerado ambiente do tráfico. A partir desse momento, Walter vê a possibilidade de deixar sua família bem financeiramente depois que ele morrer. Ele reencontra seu ex aluno Jesse Pinkman (Aaron Paul) e começa a "cozinhar" cristal ou metanfetamina em um trailer. Walter, com sua genialidade e seu conhecimento sobre química, aliado à Pinkman, que já conhece bem o mercado passa a experimentar uma nova sensação de poder e a ganhar dinheiro.

Sua esposa Skyler (Anna Gunn) fica sem saber durante um tempo sobre a doença e sobre a nova profissão do marido. Mas quando ela descobre sobre a doença, insiste que o marido faça o tratamento, mesmo sem saber de onde vinha o dinheiro. Skyler é uma grande personagem na série. Ela é o ponto principal de alguns conflitos e problemas enfrentados pelo marido. Sim, algumas das tensões e planos que davam errado para Walter se safar, eram causados por ela. Skyler começou como uma personagem pequena que foi crescendo ao longo do tempo. Uma dona de casa fútil, grávida,  que escrevia (até achei que a carreira dela de escritora seria mais desenvolvida na série, mas não foi, que pena!)

Assim como os outros personagens também cresceram. Parece que eles iam crescendo na medida em que a série ia avançando e tendo sucesso. Até li em uma das minhas pesquisas que Jesse seria um personagem pequeno que logo morreria, porém devido a química com o Sr. White, como ele o chamava, o personagem não só não morreu como cresceu e virou um dos personagens chave para para o andamento da série.

Com cinco temporadas, Breaking Bad, mostra o ser humano da forma mais humana e real possível, tendo em vista que afasta visões maniqueístas dos personagens. Ninguém nessa série é somente bom ou somente mau. São pessoas, corruptíveis e cheias de defeitos. Algumas pessoas afirmam que acabam gostando muito de Walter mesmo ele sendo criminoso. Eu não. Admirava-o por sua inteligência, mas não tinha ilusões, sabia que ele era bandido sim e que deveria pagar pelos seus crimes. E, na minha opinião, essa é uma das qualidades de um bom ator: ele é tão bom que se faz ser odiado. E Bryan prova ser um excelente ator. A maior desculpa de Walter é que entrara no crime pela família e essa seria sua maior motivação, mas em determinado momento da série ele admite que é por ele. Pelo poder, pelo prestígio de ser o Heisemberg, o cozinheiro do cristal azul, o melhor da região.

Com um filho adolescente e deficiente, Walt Junior (RJ Mitte) e um bebê a caminho, Walter sabe que não poderá estar presente na vida deles dali a um tempo, portanto, apesar do tratamento contra o câncer que o deixa debilitado, ele continua cozinhando e "aprontando" bastante na companhia de Jesse. E em determinados momentos a capa do "pela minha família" cai e a gente passa a perceber que Walter faz o que faz porque quer. Ele tem várias oportunidades de parar, ele não escolhe não matar ou não deixar morrer (quem assistiu vai entender!) pelo contrário, sempre que surge uma oportunidade ele avança ainda mais em sua vida criminosa. E para mim é essa é uma das genialidades da série e do personagem Sr White como eu gosto de chamá-lo.

Roteiro bem feito, bem organizado, com cenas mais antigas intercaladas e uma boa sequência. Além de uma excelente produção. Enfim, como eu disse: cheia de paixão! Não tem como ser diferente. Estou até com vontade de ver de novo, inclusive já revi o primeiro e segundo episódios com uma pessoa que indiquei. Podem me chamar de louca, mas gosto de qualidade, sei reconhecer minimamente algo bom quando vejo.

Além de tudo a série passa em Albuquerque, Novo México, local incomum para mim. Nunca vi produção feita nesse local. O que ajuda um pouco o roteiro devido a proximidade com o México, o cartel e todas as vertentes criminosas ligadas ao tráfico de drogas que todos nós já sabemos. Enfim, posso falar que amo essa série mais uma vez? Comprovadamente fenômeno mundial, Breaking Bad já ganhou inúmeros prêmios incluindo dezesseis Primetime Emmy Awards, oito Satellite Awards, dois Globos de Ouro e um Prêmio Escolha Popular. Em 2014, entrou para o Livro dos Recordes como o seriado mais bem avaliado de todos os tempos pela crítica. (Fonte: Wikipédia)

A série está na Netflix e eu assisti em um tempo recorde. Menos de dois meses. Agora, vou falar sobre algumas curiosidades que pesquisei e observei na série ao longo desse tempo. Claro que faltou falar sobre muitas coisas aqui. E óbvio que passaria o dia escrevendo sobre essa série. E não vou falar mais sobre detalhes do enredo ou do roteiro, porque seria spoiler para os desafortunados que ainda não assistiram ou que ainda estão assistindo. Rsrs Assistam e tirem suas próprias conclusões  e vejam o que acontece ao longo das cinco temporadas.

Pois bem, o nono episódio da última temporada foi dedicado ao fã adolescente Kevin Cordasco que morreu de câncer. Na época houve uma forte comoção do elenco e produção da série com esse fã. Até o visitaram. Achei bem legal a homenagem. "O ator principal, Bryan Cranston, declarou numa entrevista que "o termo 'breaking bad' é uma gíria do Sul que significa que alguém desviou-se do caminho correto e passou a fazer coisas erradas. E isto aplica-se tanto a um dado momento quanto a uma vida inteira." (Wikipédia)

Com tiradas engraçadas e cenas bastante violentas - a série arrancou gargalhadas e nervosismo de minha pessoa - Breaking Bad encerrou no ano de 2013. Em seguida, Vince Gillian começou a escrever e produzir a série Better Call Saul que é um um spin-off de Breaking Bad.  Better Call Saul trata da vida do advogado Saul Godman que foi advogado de Sr White. É isso. Amor eterno a Breaking Bad!



Rafaela Valverde




quarta-feira, 20 de junho de 2018

Livro A Vida de Nosso Senhor

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Ontem terminei de ler um surpreendente livro de Charles Dickens : A Vida de Nosso Senhor. Surpreendente porque não fazia ideia que existia. Comprei o livro por 10,00 em uma feirinha de livros em um shopping da cidade. Pois bem, Charles escreveu  ou reescreveu uma história resumida da vida de Jesus Cristo, totalmente baseada na bíblia. Com essa história ele queria ensinar essa história a seus filhos quando ainda eram crianças. Nunca quis publicar e só depois de muitos anos de sua morte, seus descendentes resolveram publicar. A edição que comprei é da editora Martins Fontes.

O livro foi escrito entre 1846 e 1849 e é baseado no evangelho de São Lucas, conforme informação da orelha do livro. O manuscrito ficou na família guardado como tesouro na família Dickens por  oitenta e cinco anos, sendo passado de mão em mão. Porém não poderia ser publicado enquanto algum filho do autor estivesse vivo. No ano de 1933 o último filho de Dickens morreu deixando o manuscrito com sua esposa e filhos que decidiram publicar. A primeira edição foi ´publicada em 1934 em Londres e nos EUA e foi um dos livros mais vendidos daquele ano.

O livro é uma narrativa simples, com alguns milagres, parábolas e detalhes sobre a vida de Jesus. Destaquei alguns trechos no final e vou dividir um aqui com vocês:

"Cristandade é AGIR BEM, sempre, mesmo em relação a quem nos faz o mal. Cristandade é amar ao nosso próximo como a nós mesmos e fazer a todos os homens o que desejamos que eles façam conosco. Cristandade é ser amável, bondoso, desculpar e conservar essas qualidades serenamente em nossos corações e, sem vaidade, jamais vangloriar - nos delas, ou de nossas orações, ou de nosso amor a Deus, mas demonstrar sempre que O amamos na busca humilde de agirmos justamente, em todos os sentidos."

É isso!


Rafaela Valverde

segunda-feira, 18 de junho de 2018

Responsabilidade afetiva, você tem?

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Vou falar um pouco sobre responsabilidade afetiva. Não que eu seja psicóloga nem nada e nem estou aqui para tentar discutir e definir teorias acerca de quaisquer temas que sejam, mas com certeza já fui bastante atingida pela falta de responsabilidade afetiva dos outros, principalmente dos homens. Então, a intenção aqui é falar da minha experiência para tentar conscientizar as pessoas para que tenham responsabilidade e empatia com os sentimentos dos outros.

Bem, primeiro vou começar por um ponto muito importante, talvez o mais importante para algumas pessoas: o amor próprio, a prioridade para si mesmo. Claro que a gente mesmo deve vir em primeiro lugar, ninguém está falando o contrário. E não, não é egoísmo pensar na gente em primeiro lugar. Ao contrário, quando pensamos em nós mesmos e nos amamos fica mais fácil olhar para o outro com amor e empatia. Pois bem, para ter amor próprio e se valorizar não precisa usar outras pessoas a seu bel prazer, nem é preciso envolver alguém até esse alguém se apaixonar para se auto afirmar. Olha só, que incrível, existem outras formas de se auto afirmar: fazer exercício físico, escrever, pintar, produzir alguma coisa, ser inteligente... Há muito o que se fazer no universo para se sentir bem consigo mesmo, não precisa envolver o sentimento de outra pessoa ou outras pessoas, no plural. Porque tem gente que faz disso um hábito e age com irresponsabilidade afetiva diversas vezes na vida.

Vamos lá. É preciso olhar o outro com respeito, amor fraternal, seriedade e empatia - mais uma vez a empatia - ela é essencial! Quando você não está preparado para se envolver em relacionamentos ou ficar, ou seja lá o que for que envolva  outrem - e não venha com uma conversa de que não se sabe, a gente sempre sabe se está preparado ou não (!) então, não se envolva. Então não envolva ninguém em sua teia de insatisfação, dor e incoerência. Tenha um relacionamento com você mesmo ou com Deus. Mas fique só.Vá pensar na vida, ler a bíblia, ir ao cinema ou ao teatro, fazer caminhada, ver o pôr do sol. Talvez não dê para acreditar mas é possível fazer muitas coisas sozinho e ser feliz sozinho também.

Se não se sente preparado não envolva outra pessoa em sua vida, com sua família, com suas questões e vida pessoal. Essa pessoa também tem família, vida pessoal e questões. Ela tem sentimentos e provavelmente vai sofrer quando não mais conseguir satisfazer seus caprichos de pessoa mimada. Se não quer namorar não namore, se não quiser ficar não fique, se somente quiser ficar, sem ter certeza se gosta para ter algo mais sério, deixe claro, bem claro. Fale, grite e não fique inventando palhaçadas de namorico de adolescente. A outra pessoa não é idiota, nem criança. Ela vai entender e se não tiver na mesma vibe, vai sair da sua vida. Apenas tenha sinceridade, maturidade, humildade e amor ao próximo. Se você é uma pessoa boa você vai se preocupar minimamente com o outro e com o que vai causar na vida desse outro. Pense, respire, analise, ore, pergunte a outras pessoas, se questione várias vezes se você realmente gosta dessa pessoa a ponto de se relacionar. Não deixe o outro se relacionando sozinho. É triste, machuca. Se não vai ficar, se não tem intenção de ficar, não prometa nunca ir embora, não prometa vida a dois, casamento, filhos, futuro. Não prometa, idiota. Não prometa!

E além de tudo isso, envolver alguém deliberadamente em sua vidinha medíocre, ainda tem a falta de sinceridade. A coisa não está mais andando, todo mundo está percebendo, mas você não tem a coragem de falar, de abrir o jogo. Fica maltratando, ignorando, fazendo joguinho, se cala, passa mais tempo no celular, não toca, não beija, não deseja e faz de tudo para que a outra pessoa termine. Isso é uma sacanagem. É uma covardia! Você acaba gerando mágoas, raiva e energias ruins para si mesmo e para sua vida.

Ter um pouco de cuidado com o outro não custa nada. É simples. É só ficar quietinho no seu canto. Não baixar Apps de paquera, não pedir para amigos te apresentarem a alguém e não ficar buscando outras pessoas, PESSOAS, sim, olha eles são SERES HUMANOS iguais a você. Não diga que ama, não elogie, não envolva, não mande músicas, não seja romântico, não faça nada que faça o outro se apaixonar por você, se você não tiver realmente afim de viver aquilo. Porque relacionamento é coisa séria e não é fácil. Relacionamento é ajuste, é diálogo constante, é conflito, é conviver com outra pessoa e aceitar seu jeito de ser. Relacionamento é respirar fundo às vezes, e querer matar o outro de vez em quando, é muito difícil e não é para qualquer um, portanto se você realmente não quer se relacionar com AQUELA PESSOA, se acha que talvez vocês não combinem tanto, então não ENVOLVA ESSA PESSOA. Deixe ela em paz no canto dela. Porque qualquer coisa diferente disso é cretinice. Cresça, acorde e tenha responsabilidade afetiva. Nós agradecemos.



Rafaela Valverde

sábado, 2 de junho de 2018

Metonímia - Lívia Natália


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Meu pai colocou meu nome num barquinho que comprou.
É miúdo.
Uma insignificância no meio do oceano de vaga vaga.
É reles.

De uma cruel e desleixada vileza.
De uma pequenez quase lírica.

É reles.

Mal cabem nele dois homens e o isopor para a pescaria.

Mal cabem dois homens.

Talvez somente ele – solitário – e o isopor.

Mas, como no milagre,
o barco que leva o meu nome caminha sobre as águas.



Poema do livro Água Negra



Rafaela Valverde

domingo, 27 de maio de 2018

Filme Pregando o Amor

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Quero escrever um pouco sobre o filme gospel que acabei de assistir na Netflix: Pregando o Amor, com o o ex rapper americano Ja Rule. O filme foi lançado no ano de 2013 direto para a televisão, tem a direção de Steve Race e no elenco: Ja Rule, Adrienne Bailon, Michael Madsen, etc. O gênero é Drama. 

Miles Montego (Ja Rule) é um ex traficante e vive uma vida desregrada até encontrar Vanessa (Adrienne Bailon) e recebe convites para ir à igreja com ela e sua família. Eles começam a namorar mesmo com um pouco de resistência da família dela. Miles também se sente resistente para com a igreja e com a bíblia. Ele não acredita e não entende muitas coisas, mas a convivência com Vanessa pode fazer ele entender algumas questões que vêm de Deus. A partir de perdas e dificuldades, Miles passa a buscar a Deus. É um filme bonito e forte. Gostei bastante. Vale a pena.





Rafaela Valverde

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

As festinhas da moda para constranger bebês que ainda nem chegaram ao mundo

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Já repararam na obrigação que as pessoas parecem que têm agora em fazer festa de anúncio de sexo de bebê e chá de fralda, quando não dois chás de fraldas; um para a empresa em que trabalha e outro para a família. Eu acho tudo isso as coisas mais ridículas que se pode fazer ao esperar a chegada de um filho. Essas modinhas, espero que passem, causam aversão em mim às pessoas que as realizam. Parece que é o maior acontecimento do mundo. Parece que é a coisa mais extraordinária do mundo, fazer e parir um filho. Saibam que não é. Qualquer ser mamífero pode parir, a única diferença é que somos seres humanos, seres "racionais" e "pensantes" e aparentemente achamos ou temos certeza que mandamos no mundo, mandamos em todo o reino animal. Portanto, só nós mesmos somos capazes de sermos patéticos, de tornar uma coisa tão bonita, tão simples e ao mesmo tempo tão complexa em um circo de horrores...

Minhas reflexões acerca do assunto começaram a partir de um episódio da série Grace e Frankie que assisto e adoro. Mas já pensava nessas coisas há um tempo. O que o episódio trouxe? Um casal descobre que serão pais e fazem uma pequena festinha com a presença da família, que também não gostara muito da ideia de ir à esse tipo de festa e fazia muita galhofa. A festa vai rolando, a família criticando e bebendo para esquecer que estavam ali participando daquele momento patético e no final acabam não descobrindo o sexo do bebê porque o bolo tem recheio lilás, o azul se misturou com o rosa e não chegaram a nenhuma conclusão. O casal virou motivo de chacota para a família e para mim também. Mas, não só o casal, o bebê também. Será que as pessoas já pararam para pensar nisso? Que as coisas ridículas que fazem para "dar as boas vindas" aos filhos podem constranger os bebês antes mesmos de eles chegarem ao mundo? Acho que ninguém para para pensar nisso. E também nem sei se estou certa ao falar isso, eu só acho muito sintomático seguir essas modinhas que transformam o acontecimento de ter um filho constrangedor. As pessoas pensam que estão abafando, postando nas redes sociais, mas, na maioria das vezes estão pagando mico.

Pelo menos na minha opinião. Eu não estou aqui dizendo que o que eu acho das coisas é a verdade absoluta, não. Estou aqui apenas afirmando, e isso tenho direito absoluto, que detesto esse tipo de festa modinha e acho que há muitas coisas mais importantes em que se investir MEU dinheiro. Eu, por exemplo preferiria investir em educação e livros para meus filhos, mas cada um sabe o que faz com seu dinheiro. O mais irônico dessas situações é que esses mesmos pais que gastam horrores fazendo essas festas ridículas, economizam em escolas, não querem comprar livros, nem pagar transporte escolar e reclamam todo ano para comprar material escolar. E os chamados "mêsvesários"? Meu Deus, não tem coisa mais ridícula que essas comemorações mensais em que se gasta um dinheirão e posta fotos temáticas a cada mês...

E quem não faz esse tipo de coisa ou cai na asneira de criticar esses comportamentos idiotas, como eu estou fazendo agora, ainda é taxado como insensível, desnaturado, etc. Na cabeça das pessoas só é legitimada a parentalidade se houver esse tipo de cena e festinha na internet. Caso você não faça nada disso, porque afinal tem uma criança para cuidar ou uma gravidez para administrar, você não é pai ou mãe de verdade. Mas, tá. Pai e mãe são só aqueles que posam tematicamente e pagam mico - e fazem seus filhos pagarem - antes, durante, e depois da chegada de um bebê na família. Falta do que fazer define, na minha opinião.



Rafaela Valverde

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

Depois de você - Jojo Moyes

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Depois de Você de Jojo Moyes finalizou muito bem a história da vida de Lou, Louisa Clark, personagem apresentada em Como Eu era Antes de Você. A personagem, como não poderia deixar de ser, cresceu muito ao longo dos dois livros. Mas a personagem ainda está perdida na vida. Não faria metade das escolhas que ela fez, mas ainda assim gosto muito de Louisa. 

Nesse livro Lou está em um novo momento da vida. Frequenta um grupo de apoio para aceitar a morte de Will, trabalha num lugar que odeia e está afastada da família. Mas um belo dia alguém aparece em sua vida, fazendo com que ela recue várias vezes antes de voltar a andar para frente. 

A leitura como sempre é muito divertida e flui de maneira muito agradável. Alguns momentos eu até me pegava rindo. Jojo constrói muito bem seus personagens e os fazem ser gente como a gente. Foi o primeiro livro lido em 2018 e acho que comecei muito bem o ano. Fiquei tão fã da escritora que comprei mais um livro dela. 

Essa pessoa vai fazer Louisa crescer ainda mais e entender que sua vida é sua responsabilidade e não do acaso. Senti algumas coisas em comum entre nós duas. Amei esse livro, de verdade. Acho que posso ter gostado até mais do que o primeiro. É isso, somente um pequeno resumo da minha primeira leitura do ano. 

Lou se reconcilia com a família, consegue dar a volta por cima e entende que o que Will queria era justamente isso: que ela vivesse a vida de maneira mais plena que conseguisse. Isso depois de cair do terraço do prédio em que morava. A queda lhe traz outra surpresa... Leiam!



Rafaela Valverde

sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

Todo Mundo Odeia o Chris

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O seriado protagonizado por pessoas negras mais marcante e que mais gosto com certeza é Todo Mundo Odeia o Chris. Além de ser bem divertido e engraçado, o seriado aborda diversas questões raciais presentes nos Estados Unidos na década de oitenta, época em que o seriado se passa. O seriado, criado pelo humorista Chris Rock é baseado em sua infância e adolescência. Claro que há dados reais, mas há também certa ficção em torno de sua vida.

No seriado, Chris era o único menino negro na escola e sofria preconceito. Apanhava e era constantemente tratado com ironia e estereotipado pela professora. Comecei a ver o seriado na TV aberta na minha adolescência - ele foi transmitido entre 2005 e 2009 - mas, recentemente, através de um aplicativo pude assistir todas as temporadas - quatro. Em ordem cronológica. Já que na TV os episódios passavam aleatoriamente.

Enfim, eu adoro esse seriado. Acho muito bem feito, bem escrito. Boas piadas e tiradas. Excelentes interpretações e personagens muito bem construídos. A melhor, na minha opinião é a mãe de Chris, Rochelle, interpretado pela maravilhosa Tichina Arnold. Costumo dizer que Rochelle é a melhor personagem de todos os tempos. Com sua célebre frase: "Eu não preciso disso aqui, meu marido tem dois empregos..." Rochelle me conquistou totalmente. Dei muitas risadas durante todo o seriado. Nesse período vemos Tyler James Williams, que interpreta Chris crescer e amadurecer como ator e personagem. Não posso esquecer também dos irmãos de Chris, interpretados por Tequan Richmond e
Imani Hakim. Ótimos personagens também.

O melhor é que há pouquíssimas pessoas brancas no seriado, geralmente personagens pequenos. O protagonismo era dos personagens negros, sobretudo no bairro, na música, na cultura. E isso era uma das melhores coisas no seriado.  O personagem branco mais próximo de Chris era Greg, seu melhor amigo, interpretado por Vincent Martella. Juntos, Chris e Greg eram centro de muitas cenas engraçadas.

Mas não só de humor vive Todo Mundo Odeia o Chirs. Algumas questões raciais são mostradas e retratadas com detalhes. Os Estados Unidos é uma nação assumidamente racista, lá as coisas são muito menos veladas que aqui, imaginem, então, nessa época, anos oitenta, noventa. A coisa era muito mais polarizada. Não vou entrar mais nessa questão pois não me sinto suficientemente conhecedora. Mas, o que posso dizer é que o seriado é muito bem feito e completo.

O seriado termina no final dos anos oitenta, quando Chris perde de ano na escola  e faz um exame supletivo para conseguir diploma de ensino médio. No último episódio, a família está reunida em uma lanchonete para saber o resultado do supletivo, mas exatamente no resultado o episódio é interrompido subitamente e a série termina. Dá para entender que Chris não passa. Ele, nesse mesmo período, em sua vida real, abandona a escola e começa sua carreira como humorista. Inclusive para ajudar a família, já que seu pai morre, nesse período. A partir daí, é possível entender que o seriado não mais seria engraçado, então pode ser esse o motivo de terminar tão de repente e sem final. Vale muito a pena assistir e com certeza ainda muitas pessoas vão ter acesso, já que de vez em quando passa na Rede Record. Tomara!



Rafaela Valverde

quinta-feira, 4 de janeiro de 2018

Em 2018 dez anos do blog

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O ano está começando. Mais um ano. O ano em que o blog completa dez anos. Eu estou muito feliz por isso e por muitos outros motivos também. Eu nem acredito que já tenho todos esses anos escrevendo aqui. Agora, se eu for parar para analisar meus  textos de dez, nove anos atrás verei alguns desastres. 

Mas sei que é para isso que estamos aqui. Para melhorar, para evoluir. Para escrever é preciso ler e praticar. Não existe fórmula mágica, não é um dom sobrenatural. Qualquer pessoa pode escrever, basta praticar. Muita coisa mudou em minha vida ao longo desses anos. Estou mais velha, mais gorda, mais bonita, mais segura. Casei e descasei, já fiz milhares de coisas que queria, já realizei sonhos , viajei, li milhares de textos e livros ao longo desses anos...

Já estou no meu quarto curso superior, sem terminar nenhum, como vocês sabem. Já passei pela transição e hoje tenho cachos lindos que eu amo. Enfim, muitas, mas muitas mudanças mesmo. Já saí para morar em outro bairro e já voltei para o mesmo endereço de onde escrevi pela primeira vez no blog, em agosto de 2008. Eu tinha 19 anos, terminara o ensino médio no ano anterior e estava meio sem perspectiva do que fazer da vida, procurando trabalho e em um relacionamento com altos e baixos. Me sentia muito triste quando comecei a escrever, por motivos diversos, mas principalmente pelo fato de ficar em casa sem fazer nada. Essa foi uma das motivações da criação do blog, internet também era algo bastante novo em minha casa, eu só tinha computador e banda larga há mais ou menos um ano. O MSN ainda existia e não havia smartphone. Em um tempo relativamente curto, vivíamos em praticamente outro mundo. 

Enfim, assim seguiremos, mas esse ano. Tentarei escrever mais textos literários, poemas e contos. E também sinto falta de artigos de opinião e textos um pouco mais jornalísticos. Na medida do possível tentarei cobrir mais essas áreas, mas não garanto muito, já que tenho a faculdade e agora um emprego para  cuidar... Mas é isso, vamos que vamos 2018!




Rafaela Valverde

quinta-feira, 16 de novembro de 2017

Livro Antes Feliz do que Mal Acompanhada - Emanuela Carvalho


Terminei de ler o livro Antes Feliz do que Mal Acompanhada de Emanuela Carvalho. O livro foi lançado no ano passado aqui em Salvador. Emanuela é baiana. Encontrei- o por acaso nas estantes de sugestões de leitura da Biblioteca Central dos Barris. Me interessei pelo título e texto da contracapa e trouxe. 

O livro traz histórias anônimas de 25 mulheres sobre relacionamentos abusivos, violências física, psicológica e sexual e todo o sofrimento vindo desses relacionamentos. Dá uma dor no coração ler algumas dessas histórias. A gente que é mulher sempre se vê em situações como essas, em que nosso amor próprio vai embora, expulso por nós mesmas. 

Muitas vezes, amamos mais o outro do que a nós mesmas e quase sempre a vida mostra nosso erro. Há no livro histórias de relacionamentos abusivos entre mulheres também, há filhos envolvidos, dor, lágrimas, tristeza, falta de amor próprio, juventudes destruídas... Há coisas demais. E quando a gente para e pensa que são casos reais (a autora se inspirou em casos reais para escrever as histórias) misturados a um pouco de ficção, claro. Mas quando a gente percebe quantas mulheres estão envolvidas nesse tipo de relação, mesmo que tentem esconder e mostrar para o mundo o quanto são felizes, a gente pensa: "poderia ser eu..." ou "antigamente eu também agiria assim, hoje mais não..." 

Querendo ou não a gente se vê ali. Quantas mulheres não foram e são enganadas até hoje por homens e mulheres também, que acham que são seus donos? Que são possessivos, controladores e mau caráter... São esses alguns dos pensamentos que vêm à mente enquanto lia esse livro. É triste e dói saber que ainda somos tratadas como as culpadas por esses abusos. Muitas vezes recriminadas e julgadas... Bom, é isso. O livro é bastante interessante, por trazer casos próximos da gente, são histórias daqui de Salvador e nos faz refletir...




Rafaela Valverde












quarta-feira, 27 de setembro de 2017

Tinder

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Sempre tive uma relação meio conturbada com o Tinder e já devo ter escrito sobre isso aqui. Mais uma vez, pela milésima vez eu apaguei minha conta ontem e excluí o aplicativo. Claro que eu acho que todo mundo sabe o que é o Tinder, mas eu vou aqui defini-lo como um aplicativo para procurar pessoas para transar.

Foi só o que encontrei nesses dois anos que utilizei o aplicativo. Pessoas para transar. E mal. E olhe lá. Porque eu não sei o que esse povo acha que é transar, mas isso é assunto para outro texto. Enfim, eu não quero mais conhecer ninguém através do Tinder e nem de nenhum outro aplicativo do tipo. Eu não tenho mais paciência pra ficar falando com estranhos: "oi, tudo bem?" E ir conhecendo a pessoa, destrinchando sua vida e me aproximando. Já fiz isso muitas vezes e até conheci pessoas legais. A última pessoa que conheci e comecei a conversar pelo Tinder nem em Salvador mora, mas o papo fluiu, foi além do raso cumprimento e conversamos desde cabelo até questões mais picantes e secretas de nossas vidas.

Quando chega assim é muito bom. Costuma ser menos vazio. Mas é muito raro e essa é a graça. Pois bem, continuando a falar sobre o aplicativo e minha relação com ele, o que eu quero dizer é que ultimamente tenho andado mais retraída em relação a sair com pessoas desconhecidas. Além disso, só estava usando o Tinder para me divertir. Como? Rindo da cara dos omi. São muitas coisas bizarras, fotos ridículas. Perfis com  cachorros, gatinhos e até bebês. É muita gente esquisita. Já vi até fake com foto de um modelo que já tinha visto no Google antes. AFFF omis!

Fora os malhados ou pseudo-malhados, os que tiram foto no carro ou do carro. Eu queria muito poder expressar a minha cara aqui nesse texto em relação a isso. Mas, seguindo... Então, eu perdi minha paciência com papos vazios e pessoas idem. É tudo meio bizarro. Já usei e não vou ficar aqui cuspindo no prato que comi, só não quero mais. Quem continua usando, massa. Liberdade! E também, como já disse, minha relação com o aplicativo é bem confusa. Pode ser que daqui a uns meses eu decida baixar de novo e usar. Liberdade!

Enfim, só quero dizer mais uma coisa sobre as pessoas que utilizam o Tinder. Na verdade sobre os homens que utilizam. Se vocês são casados não usem o Tinder. Tá feião ver tanto homem casado e próximo num aplicativo pra pegar pessoas. Se quer ter vida de solteiro não case. E se casou exclua o tinder. Porque eu tô com muita vergonha alheia de vocês.

É claro que a vida amorosa-sexual não depende só do curtir, descurtir, matchs e bate papo do Tinder. Há muito mais que isso aqui fora e é nisso que vou tentar me agarrar por que eu nem sei como trocar olhares com alguém. Mas preciso aprender! Já! Fora Tinder!




Rafaela Valverde

domingo, 2 de julho de 2017

Como saber se você é machista


Se você acha que existe mulher para namorar e outra só para pegar e mulher fácil e difícil, você é machista. E dos grandes! Se você acha que mulher que "dá" (entre aspas porque não damos porra nenhuma pra você, só estamos testando se o equipamento é bom) na primeira vez que sai, não presta pra ter um relacionamento você é um filho da puta machista.

Se você acha que só mulher pode fazer serviços domésticos e não consegue aprender mais nada além disso, você é machista. Se você acha que mulher deve ter filho, porque é biologicamente programada para isso, você é machista, querido. Se você põe a culpa da sua escrotidão nas mulheres que estão ou passaram na sua vida, adivinhe? Machista.

Se você ainda acha, em pleno século XXI, que mulher não goza, não precisa gozar ou não gosta de sexo, você é um machista, escroto e ignorante, que não conhece mulher. Além de nojo, só consigo ter pena de você. Se você acha que mulher não consegue carregar peso, ou qualquer outro tipo de trabalho braçal ou ainda não pode sair sozinha, com amigas você é um 'MACHISTÃO', OTÁRIO!

Se você acha que sua namorada ou esposa não pode fazer qualquer coisa sem você, ou usar saia curta ou fazer a porra que ela quiser, você é um cuzão machista e merece ficar sozinho. Se você acha que mulher é só um pedaço de carne que merece ser assediada na rua e só uma buceta para você meter seu pauzinho incompetente, você está fazendo muita coisa errada e nem sabe o que é sexo! Se você faz muitas dessas coisas que eu sei que você faz aí, você é tudo isso que eu falei e também é um egoísta que não merece compaixão talvez nem de sua mãe, que a propósito, é uma mulher.

O mais engraçado é que alguns homens fingem que não sabem que estão sendo machistas. Se fingem de santos e ainda se ofendem quando ouvem verdades e são colocados em seus devidos lugares. Coitadinhos de vocês, tão sofridos com séculos de opressão e misandria.  E agora, em pleno 2017 ainda têm que aguentar mi mi mi de feminista peluda... Tô realmente muito indignada por vocês, 'omis'.

E por fim, devo ainda trazer nesse texto que se você é homem, não deixa uma mulher se pronunciar, falar o que ela pensa e ser ela mesma, você é muito machista. Há que se lembrar ainda da objetificação do corpo da mulher e da posse. Essas duas coisas abjetas causam muitos estupros e feminícidios brutais a cada dia. Somente no Brasil, a cada onze minutos, uma mulher é estuprada e a culpa é de vocês homens, de quem estupra, e não da mulher que está de saia curta bebendo na balada. Porque afinal de contas, 'omis' escrotos usam a porra da roupa que querem, se embriagam quase diariamente e não têm seus corpos violados por ninguém. Entendam isso de uma vez por todas: vocês não são donos das mulheres, vocês não são donos de mais nada. O patriarcado acabou, os homens não mandam em porra nenhuma. Aceitem e deixem de ser bebês chorões. Parem que tá feio!




Rafaela Valverde

Enredo para um tema - Adélia Prado


Ele me amava, mas não tinha dote,
só os cabelos pretíssimos e um beleza
de príncipe de estórias encantadas.
Não tem importância, falou a meu pai,
se é só por isto, espere.
Foi-se com uma bandeira
e ajuntou ouro pra me comprar três vezes.
Na volta me achou casada com D. Cristóvão.
Estimo que sejam felizes, disse.
O melhor do amor é sua memória, disse meu pai.
Demoraste tanto, que...disse D. Cristóvão.
Só eu não disse nada,
nem antes, nem depois.


Rafaela Valverde

segunda-feira, 29 de maio de 2017

Eu não sei mais lidar com tudo o que sinto


Acordo todas as manhãs sentindo falta de algo, sentindo falta do que tive, do que não tive e do que ainda vou ter. E o que eu não vou ter nunca, fica pairando acima da minha cabeça. Todos os dias. Como uma nuvem, opaca e sem vida. A nuvem joga sua chuva sobre minha cabeça e explode um turbilhão de pensamentos sufocantes, aterrorizantes. Mas que eu não consigo evitar.

Como assim? Você diz que quer algo que nem sabe o que é. Mas, é mentira! Você sabe, sim! Sempre soube. Mas, parece que como tudo em sua vida, o fato de você querer muito algo, afasta decisivamente o algo da sua vida. Você é uma azarada de merda. Você afasta tudo o que quer. E você nunca quer o que tem. Você é idiota, porra!

E esse vazio? Cura como? Isso que te faz chorar escondido à noite. Como resolve? Com baladinhas, cheias de gente tombadora com maquiagem "cheguei" e beck na mão? Com sexos casuais, frios e mal feitos? Com revolta e melancolia? Como resolve?

Se eu soubesse não estava passando por isso. Eu queria simplesmente não passar por nada. Eu abriria mão de viver só para não sentir. Eu preciso de um entorpecimento constante. Por isso, o sono excessivo, por isso as leituras e as séries, por isso a escrita compulsiva, por isso as garrafas de catuaba e vinho barato pela mesa de centro. Por isso, as noites em claro chorando e fumando cigarro após cigarro.

É por isso, tudo isso. Porque eu não sei lidar com a dor de sentir, com a dor de existir e ser eu mesma. Eu não sei mais encarar uma baladinha e descontrair com ela. Ao contrário, fico tão tensa e mal humorada nas festas, que sento em um canto, falando mal de todo mundo, sozinha. Sofá de boate tem sido meu lugar preferido ultimamente. Destilo veneno e ironia. E as lágrimas de tristeza ficam caindo naquele escuro, é onde melhor posso chorar. Choro enquanto danço também! Sim, sociedade, é só isso mesmo o que eu posso te oferecer!



Rafaela Valverde

quinta-feira, 25 de maio de 2017

Impressões da sala de aula


Comecei a dar aulas em uma escola estadual. Nunca pensei que fosse fácil, mas descobri que é bem difícil ser professora. Principalmente em escola pública, onde os meninos são jogados lá, sem ao menos compreender o porquê de estarem ali. Há ainda a falta de estrutura e também o grande uso de tecnologias, como o celular  e vídeos do youtube, que podem atrapalhar bastante a prática docente.

Os meninos ouvem música e ficam com o celular na sala, às vezes tocando música sem o fone de ouvido. Não há nenhuma noção de disciplina, nem do que deve ou não ser feito. Não há noção de hora certa para fazer determinadas coisas. Eu sempre ouvi na minha casa que existia hora para tudo, hora para se divertir e hora de ralar. Eu sempre ouvi que primeiro deve vir a obrigação e depois a diversão.

Percebo que não há respeito nem na presença do professor. Não posso ser hipócrita e dizer que eu fui uma criança e uma pré adolescente maravilhosa e bem comportada. Não fui! Mas os meus pais estavam presentes na escola por tudo que eu aprontasse e era quase sempre. Por mais que no fundo eles achassem que não adiantaria nada, eles iam. Já chegue a tomar uns tapas de minha mãe dentro da escola.

Mas, mesmo sendo rebelde, havia um mínimo de respeito ao professor. Mesmo que eu continuasse a conversar, porque lembro que era uma faladeira na sala, eu pelo menos entrava na sala e sentava na cadeira. Ao contrário de hoje. Os meus alunos não sentam, não param, não se interessam pelos conteúdos e nem me respeitam. Fora que saem da sala toda hora e outros alunos entram na sala a todo momento, me ignorando.

A estrutura da escola pública não ajuda muito a vida do professor não. Algumas salas nem porta têm e quando chove molham tem goteira. Não têm ventiladores e é péssimo estudar assim. Como eu, sozinha, vou fazer os alunos prestarem atenção em mim com tantas distrações e com tanta falta de estrutura? Eu até tento. Converso com eles, fiz um jogo e pretendo fazer o máximo para tornar minhas aulas interessantes mas é bem difícil.

É difícil porque esse interesse pela escola e pelo conhecimento não vem de casa. Os pais não leem. Mas também qual o pai que tem tempo ou dinheiro para comprar livro? Não estou defendendo, pois isso não justifica nada. Essa é uma sensação geral que eu tenho. As pessoas não estão nem aí para nada, não leem, não estudam, não se informam. Só querem saber de festas, alegrias da vida, novelas, youtube, whatsapp... Mas quem condenaria essas pessoas? O caminho do conhecimento é bem árduo.

Eu também gosto de todas essas coisas, mas amadureci cedo e entendi desde nova que havia momento para tudo na vida. Há hora para estudar, para brincar, para dormir. Deve haver uma adequação para tudo na vida, não é mesmo? Mas é isso, essa é uma das minhas reflexões sobre a sala de aula e sobre a prática docente. Espero que eu faça mais!


Rafaela Valverde


quarta-feira, 10 de maio de 2017

Série Gilmore Girls


Terminei de ver no final de semana a antiga série Gilmore Girls e em seguida assisti os quatro episódios do especial lançado pela Netflix no final do ano passado. Já tinha ouvido falar da série há alguns anos, mas a curiosidade veio mesmo  a partir do Gilmore Girls - Um ano pra recordar. No início do ano comecei a ver os episódios e de cara já gostei do bom humor de Lorerai e da amizade com a filha Rory.

Tal Mãe, Tal Filha como foi traduzida é uma série criada por  Amy Sherman-Palladino que estreou no ano 2000. Estrelada por Lauren Graham e Alexis Bledel, como Lorerai e Rory, teve seu final no ano de 2007. Com sete temporadas, a série teve um grande sucesso, inclusive aqui no Brasil. 

A história de mãe e filha é contada. Lorelai engravidou aos 16 anos e decidiu sair de casa para criar sua filha longe de todos. Mãe solteira, chegou na  pequena cidade fictícia Stars Hollow e  com ajuda de amigos e bastante trabalho começou a criar sua filha. Como são apenas as duas, elas desenvolvem uma parceria e cumplicidade. E foi essa parceria que me chamou atenção na série. E o bom humor de ambas? A piada de uma complementa a da outra. Achei sensacional a química das duas atrizes.

Lorelai não tem um bom relacionamento com seus pais Emily e Richard Gilmore por sempre contestar suas ideias e modo de vida. Os pais são envolvidos em eventos sociais que Lorelai acha fúteis, por isso sempre critica os pais e com isso traz certas alfinetadas ao modo de vida dessas pessoas.

Mas a série é muito mais que isso. Ri horrores durante esses meses que a vi. São ótimas piadas, histórias e personagens bem construídos. Stars Hollow é a comédia em si. Claro que também há drama e especialmente na última temporada e no especial chorei bastante e com certeza entrou no rol de uma das minhas séries preferidas. Amo Gilmore Girls. E essa é minha pequena homenagem.



Rafaela Valverde


quinta-feira, 4 de maio de 2017

Minha trajetória acadêmica

Em 2010 passei no vestibular da Uneb - Universidade do estado da Bahia para o curso de Pedagogia, que eu não sabia exatamente do que se tratava, mas como achava que queria fazer psicologia, achei que pedagogia tinha semelhanças com psico e lá fui eu. As aulas começaram no dia 12 de abril e ainda era tão menina, ia fazer vinte e um anos e estava noiva. Nessa época eu trabalhava e estudava e só vivia cansada, dormia na aula e não sei como eu consegui lidar com oito matérias assim. Uns dois meses depois fiquei desempregada e minha mãe que me ajudava com a faculdade. Casei no mesmo ano e continuei nos semestres seguintes com as oito disciplinas.

Depois de um tempo comecei a pegar menos matérias e fui ficando atrasada, separada das minhas colegas e amigas que tinha feito naqueles meses. Acredito que  isso tenha me desmotivado bastante, além  de uma monitoria que fiz e não recebi o dinheiro ao qual tinha direito e precisava. Por essas e questões de não gostar e não me adaptar com algumas disciplinas e questões do curso acabei abandonando. Eu não via mais graça em estar ali, fazendo aquele curso. Me sentia sem perspectivas.

Foi nessa época que passei a dar mais atenção ao blog e quis seguir o sonho de escrever, de ganhar dinheiro escrevendo e botei na cabeça que queria ser jornalista. Por que queria escrever de qualquer jeito. Até pensei em fazer letras, mas tinha horror à licenciatura e à sala de aula. Tentei entrar na UFBA em jornalismo e não consegui. No ano de 2013 depois de uns meses fora do Departamento de Educação da Uneb, decidi voltar. Mas durou pouco tempo. Minha falta de afinidade com o curso era latente, eu não me dava bem com a maioria dos professores de lá que eram muito arrogantes. Não tinha motivação para ir até lé, nem para fazer as atividades, nem de olhar para as caras dos professores. Saí de novo e dessa vez pra valer.

Em 2014 depois de mais um Enem tentei novamente o curso de jornalismo na UFBA e não consegui. Porém fiz um vestibular na Unijorge e passei, consegui um FIES e fui fazer jornalismo nesse centro universitário privado. Não me adaptei muito bem lá. A universidade parece um shopping, com praças de alimentação bem grandes e quase nenhum apoio a alunos de baixa renda. Me sentia deslocada, um peixe fora d'água. Fora que a sala que eu estudava era super barulhenta e imatura, me sentia estudando em uma escola de ensino médio. Fora que com boletos todo mês e o salário que eu ganhava não estava dando, daí decidi usar a mesma nota do Enem e ganhar uma bolsa em uma universidade diferente e melhor. Consegui a bolsa e ia começar o semestre no mês de agosto de 2014. Enquanto isso, minhas colegas estavam se formando. 

Faltando poucos dias para começar o semestre na FSBA - Faculdade Social da Bahia eu recebi uma ligação  avisando que não havia formado turma para jornalismo e que o curso estava praticamente extinto na universidade. Eu teria que escolher outro curso ou desistir da bolsa. Dentre os cursos que me ofereceram fiz a merda de escolher um. Eu não acreditava mais que pudesse entrar na UFBA  e seguir a carreira acadêmica que eu tanto sonhava. Então eu escolhi psicologia. Entrei sem semestre definido e pegava disciplinas introdutórias misturadas com as mais avançadas e não entendia os conceitos básicos tendo certa dificuldade em acompanhar. Sentia o tempo todo que me formaria sem nenhuma perspetiva, não me sentia feliz ali, nem no curso e nem na faculdade. Fora que é perto do campus da UFBA em que estudo hoje e pegava os mesmos ônibus que vários alunos da Federal que ali desciam e ficava pensando que meu lugar era ali, que um dia eu gostaria de descer antes, naqueles ponto.

O que começou a me tirar daquele curso e daquela faculdade foi a dificuldade em estudar. Os textos eram longos e meu tablet havia quebrado, me impossibilitando de ler a maioria dos textos. Eu teria que tirar xerox ou imprimir todos e não tinha grana para isso, apesar de estar trabalhando na época. Comecei a tirar notas ruins e a faltar nas aulas de sábado, já que trabalhava aos finais de semana. Eu sabia que tinha que sair dali e exatamente no meio do ano de 2015, no SISU do meio do ano eu decidi que eu iria para a UFBA em qualquer curso. E eu entrei em Letras. De primeira. Sabe se que as notas de corte desses cursos são bem baixas e não foi tão difícil. Fiquei muito feliz. Acho que foi um dos poucos dias mais felizes que tive naquele ano. Dia 15 de junho de 2015. A universidade estava em greve, fiz matrícula, mas só comecei a ter aulas em janeiro de 20016, ano passado e hoje estou no quarto semestre e realmente estou onde eu merecia, precisava e queria estar. Eu dou aulas particulares de Português e agora vou assumir salas de aula em uma escola estadual. Eu estou muito feliz e realizada na minha vida acadêmica. Eu amo ensinar. Eu já faço pesquisa e sou bolsista de Iniciação Científica. Eu vejo  a realização do meu sonho chegando, chegando aos poucos. Eu tenho contato mais direto com literatura, algumas disciplinas de literatura do curso são fascinantes e eu adoro entrar naquele portão todos os dias. Por mais que a coisa não seja fácil. É muito estudo. É tudo bem diferente de todas as universidades em que já estive. Mas eu adoro, finalmente me encontrei.

Não desista do seu sonho, não hesite em sair de algo que não te faz bem, onde você não quer estar. Saia e vá atrás do que realmente você quer. Porque uma hora dá certo. Essa é a loucura da minha vida acadêmica até agora, minhas desistências e conquistas. 



Rafaela Valverde
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