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terça-feira, 22 de agosto de 2017

Série Lúcifer

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A série Lúcifer estreou na Fox em 25 de janeiro de 2016 e já está na segunda temporada, que ainda não chegou na Netflix. Criada por  Tom Kapinos em 2015, a série é ambientada em Los Angeles, e se encaixa nos gêneros Drama, Fantasia, Policial.

Cansado de ser julgado no inferno e com tédio, Lúcifer decide vir à Terra conviver com os humanos. Lúcifer Morningstar, (Tom Ellis) como se auto denominou, abre a boate Lux e passa a se divertir em companhia dos moradores da agitada Los Angeles. Ele passa a auxiliar policiais locais a capturar bandidos ao lado da bela policial Chloe Decker (Lauren German).Assim vão acontecendo as aventuras da nova vida de Lúcifer que muda cada vez mais a medida em que se aproxima das pessoas. Até faz terapia. E sempre é interpelado pelo seu irmão Amenadiel (D. B Woodside) para que retorne para casa e às graças do pai.

A série é bastante irônica. Piadas bem feitas e reflexões sobre esse misterioso mundo que se divide entre céu e inferno, bom e ruim (ou não). Eu pelo menos, pensei em muitas coisas sobre a bíblia por exemplo. Coisas que nós, criados com forte interferência cristã, somos levados a acreditar desde cedo, desde a mais tenra infância. Mas será que as coisas são dessa forma mesmo? Não cabe nenhum questionamento? A série traz esses questionamentos o tempo todo. É transgressora. Não está muito aí para as críticas. derruba conceitos pré estabelecidos e ainda vai dar muito pano pra manga. Contando a história do anjo mais bonito e iluminado que se rebelou contra Deus e foi expulso do céu, indo parar no inferno para fazer maldades... Será?


Rafaela Valverde


domingo, 18 de junho de 2017

Nossas escolhas são responsabilidade nossa


As pessoas estão deixando  suas vidas e decisões a cargo de Deus e da vida. A vida é imprevisível. É o que dizem. Mas e onde ficam nossas escolhas, nossas experiências, inteligência e livre arbítrio? Não acho que dá para deixar tudo a cargo da vida. Como Zeca Pagodinho que queria: "deixa a vida me levar..." Isso nos exime de responsabilidade e até mesmo de culpa quando algo não dá certo.

E quando dá certo também é possível que deixemos tudo a cargo da vida e/ou de Deus. Mas e nossos méritos? E nossa luta diária para sobreviver e para viver da melhor forma possível? E quando nos inscrevemos em determinado concurso e estudamos pacas e acabamos passando na prova, foi total responsabilidade de Deus e da vida? Foi sorte? Apenas sorte? Ou ralamos pra caramba e escolhemos estudar ao invés de ir à baladas?

Há muito o que se pensar sobre isso, especialmente quando dizemos que o futuro a Deus pertence e que não sabemos o que acontecerá daqui há dez anos, tirando nosso corpo fora de determinadas situações e decisões que devem ser tomadas. É claro que não sabemos mesmo. Isso eu não posso negar. Ninguém sabe o que será da sua vida daqui há dez anos, mas é possível que se tenha certa noção de como será nossa vida a depender de nossas atitudes hoje.

Nossa, daqui a dez anos eu não sei como será minha vida mesmo, então não vou aproveitá-la, não vou estudar, nem trabalhar, nem juntar dinheiro, nem construir uma carreira, nem fazer amigos, nem construir uma relação, ou amar e me envolver com alguém, porque o futuro a Deus pertence. Ah, me poupe! Você é uma pessoa covarde que tem medo de dar dois passos sozinha para depois não se sentir culpada e joga a responsabilidade de suas escolhas para Deus, ou para a vida, ou para o universo. 

Primeiro seria bom começar a crescer primeiro e assumir as consequências de nossos atos. Acho de uma covardia e infantilidade sem tamanho dizer que a vida é imprevisível, só por que não tem coragem de tomar decisões próprias. Eu posso não estar no controle total e absoluto da minha vida, já que não faço ideia quando vou morrer, por exemplo, mas ainda assim sei que sou totalmente responsável pela minha vida, pelas minhas decisões e escolhas e não Deus. Deus nos deu livre arbítrio e tem  gente que ainda continua jogando as coisas para que Ele resolva. Isso, para mim, é fraqueza, é covardia.  É falta de firmeza e falta de conhecimento de si próprio, de suas capacidades. É isso que eu penso sobre esse assunto e vocês, o que acham? Contem para mim.




Rafaela Valverde


quarta-feira, 3 de maio de 2017

Aproveite a vida!


Existem diversos motivos para se odiar. Quando a gente se olha no espelho e vê a cara inchada e os olhos vermelhos de ter chorado a noite toda por quem não merece, a gente se odeia. A gente se odeia quando faz alguma merda, a gente se odeia quando faz ou fala coisas que não deveria ter falado. A gente se odeia quando adianta coisas que nem deveriam acontecer.

Muitas vezes passamos por coisas que poderiam ter sido evitadas por nós mesmos. Parece que nosso cérebro até avisa, "sai daí, idiota, você vai se estrepar." Mas você continua insistindo em algo que sabe que vai dar merda. Assim, vão surgindo razões para que a gente se massacre mentalmente, se odeie e sofra por antecipação, tentando evitar fazer outra cagada.

Existem muitos motivos para a gente querer morrer. ás vezes bate uma tristeza terrível e a gente não consegue fugir; às  vezes são tantos problemas e um atrás do outro que a gente acha que não vai aguentar e se recusa a suportar mesmo tantas rebombadas. Mas no final das contas, a gente vê que aguentava e que é mais forte do que imaginava. É claro que a coisa toda não fica plena e todos nós temos problemas na vida e que eles voltam sempre que podem para encher o saco. E é normal, é assim, é um círculo vicioso.

Existem, no entanto, inúmeros motivos para a gente brindar a vida e se amar. Há motivos diversos para adorar viver e querer viver cada vez mais. A vida é linda, apesar dos percalços. A natureza nos presenteia com lindos espetáculos, apesar de a gente muitas vezes não notar e ainda destruí-la. Os cantos dos pássaros em meio ao caos de uma avenida movimentada; um pôr do sol em um dia de verão; experiências que temos em determinados momentos: viagens, sensações, gargalhadas... Ter amigos é incrível, rir de uma piada, dançar sozinha em casa, tomar um bom vinho, um belo churrasco... É tudo bem gostoso, é a prova de que vale a pena viver. É  a prova de que vale a pena enfrentar problemas e obstáculos. Tudo tem lado bom e lado ruim. E essa é a graça da vida. Os bons momentos não existiriam sem os ruins. E eu tempo ver sempre ou quase sempre, o lado bom das coisas, apesar de ser difícil, bastante difícil. Mas a gente consegue, afinal é bem melhor curtir a vida e o que ela tem de bom para oferecer.




Rafaela Valverde

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Filme O Nome da Rosa


O Nome da Rosa é um suspense dramático de 1986, dirigido por Jean-Jacques Annaud e com atuações de Sean Connery, Christian Slater, Elya Baskin, entre outros. A história se passa no século XIV, no ano de 1327, período da Idade Média. Wiliam de Baskerville (Sean Connery), um monge franciscano e Adso von Melk (Christian Slater) seu pupilo, são secretamente convocados para uma missão em um rígido Mosteiro Beneditino na Itália. A missão era investigar a morte de um dos monges. O tradutor grego Adelmo teria sido jogado de um penhasco por alguma força maligna. Wiliam constata, após algumas investigações, que foi suicídio.

Há algo sombrio naquele lugar, Baskerville e seu pupilo têm certeza. Alguém fala logo no início: “o demônio ronda essa abadia”. Dessa forma o filme começa já com esse clima assustador, que claro, é ligado à figura feminina. Ao jovem Adso é atribuída uma imagem feminina e diabólica. Um jovem com olhos femininos.

Porém, um segundo monge morre e seu corpo encontrado de cabeça para baixo dentro de tanque, descartando assim a hipótese inicial de suicídio na morte anterior. Alguns monges associam essa morte como uma profecia do apocalipse, já que as arrumações do corpo supostamente faria referência a uma passagem bíblica do livro de mesmo nome. Aristóteles é citado, já que a vítima estudava as obras dele e as traduzia. A partir desse momento, a credibilidade de Wiliam fica um pouco estremecida e os monges líderes passam a ter dúvidas sobre sua capacidade de investigar o caso.
Coisas vão acontecendo durante as investigações. Wiliam percebe que pode realmente haver ali um assassino. A Comédia de Aristóteles, aquela que fazia parte da Poética e que se perdeu ao longo dos anos, passa a ser discutida por causa do gênero que faz rir. Ele é desvalorizado pela igreja. Um dos monges mais velhos afirma que o riso é demoníaco, deforma o rosto e faz as pessoas parecerem macacos, daí já é possível constatar a sisudez do período e daqueles monges. O riso afastava as pessoas de Deus, por isso a rejeição às Comédias. Esse monge grita de forma categórica que a Comédia de Aristóteles nunca existiu. A Comédia é vista como estimuladora do ridículo, o riso mata o temor Sem o temor não pode haver fé, pois sem temer o demônio não há necessidade de crer na existência de Deus.

O pupilo de Wiliam, Adso, se entrega aos prazeres da carne com uma mulher que rodeia a abadia em troca de comida. A mulher vista como feiticeira, aquela desvia o homem do caminho de Deus. O menino conta a aventura ao seu mestre, como amigo que lhe responde que a vida teria mais paz sem o amor.

Acontece a terceira morte: o corpo de mais um monge é encontrado em uma banheira com folhas de lima. Folhas de lima eram utilizadas em banhos para aliviar dores. Ele havia morrido afogado, após tentar aliviar as dores que sentia. Verifica-se, assim como nos outros monges, que as pontas dos dedos e a língua estavam manchadas de tinta escura. E assim segue o mistério e as investigações.
Wiliam e Adso desconfiam cada vez mais dos segredos que rondam o mosteiro. Eles passam a ir mais a fundo na caça ao assassino. Os segredos estão relacionados a livros: proibidos e espiritualmente perigosos. Há uma torre cheia deles e poucas pessoas podem acessa-los. Chega a constatação de que os três homens morreram por causa de um livro que mata ou pelo qual um certo homem pode matar.
Alguns monges passam a se incomodar com a presença de Wiliam e pedem que ele vá embora e que as investigações sejam finalizadas.

 Mas eles não param de investigar e descobrem um porão nas fundações da torre da biblioteca do mosteiro. Alguns livros proibidos são encontrados. Wiliam afirma que ninguém deveria ser proibido de consultar estes livros de forma livre. Seu pupilo responde que talvez eles sejam muito preciosos e frágeis. Mas ele sabe que não é bem isso, eles contêm uma sabedoria diferente e ideias que podem fazer as pessoas duvidarem de Deus. E a dúvida é a inimiga da fé, ou seja, para acreditar é preciso ter certeza do que acredita. Se há uma possibilidade de dúvida da existência de Deus, em que as pessoas vão acreditar? Como as pessoas vão acreditar na igreja e na bíblia? Portanto, o conhecimento deve ficar oculto, especialmente esse tipo de conhecimento.

Enquanto isso, a mesma mulher que fez Adso se entregar aos prazeres da carne, se envolve em um ritual que pode ser considerado bruxaria, junto com um monge corcunda e um deficiente mental: Salvarote, Eles utilizam um gato preto nesse ritual que é logo associado às mortes dos monges. Ambos são julgados e condenados à fogueira pela inquisição. Nesse mesmo período está acontecendo no mosteiro uma votação que decidirá os gastos da igreja, justificando assim a presença de Wiliam e de outros membros da igreja. Desta forma, com a presença desses nomes da inquisição no mosteiro, é possível a realização da condenação dos envolvidos com bruxaria de forma mais rápida.

Não havia como contestar a inquisição e quem assim o fizesse seria acusado de heresia. Vivia- se a partir de normas estabelecidas por doutrinas cristãs. Não era possível discordar e dizê-lo em voz alta, pois a inquisição matava. E esses livros, os que haviam sido escondidos, eram vetores de discordância, por isso foram taxados como livros proibidos. Em suas páginas foram depositadas veneno, para que quem ousasse lê-los, morresse. O responsável pelo veneno é o mais antigo morador e mais velho monge, Jorge que é cego.

Um incêndio na torre, provocado acidentalmente por Jorge ao tentar fugir após ser descoberto, destrói alguns livros, mas Wiliam consegue salvar alguns livros e a sua própria vida. Os livros têm saberes que não podem mais se perder. Daí o desespero de Wiliam para salvá-los. E mesmo quando é questionado por Adso se se importa mais com livros ou com pessoas, ele não tem dúvida e permanece com a ideia fixa de salvar os livros também, pois sem eles, as pessoas não conseguirão contestar doutrinas e ideias da igreja um dia.

O filme conta com uma fotografia sombria e escura, o que é essencial para o clima sombrio da história e do local. As atuações são fortes e os diálogos são bem construídos. Sean Connery está no melhor papel da sua carreira junto com Christian Slater que ainda menino demonstra um pouco de insegurança, mas segura bem o personagem.

É um filme para se pensar nessas formas de viver durante a Idade Média. O poder da igreja imperava, mulheres, deficientes e quem quer que discordasse ou realizasse práticas condenadas pela igreja, poderia ser condenado à morte. E geralmente era o que acontecia. A inquisição se instaurou no século XIII para investigar e julgar pessoas consideradas hereges, ou seja, aquelas pessoas que discordavam do poder e das ideias da igreja católica.






Rafaela Valverde

segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Vem ni mim 2017!

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Eis que o ano maluco de instabilidades chegou ao fim. Teve  muita bagunça no Brasil em 2016. Aliás, o Brasil é o país da bagunça, e como se já não bastasse todos os problemas que temos, em 2016 tivemos instabilidade econômica e política.

O ano passado foi melhor que 2015 para mim, mas ainda foi um ano difícil. Um ano cansativo e com pouco dinheiro. Foram muitas tretas, noites em dormir, assuntos para conversar e textos para ler. Sorrisos, festas e paixão, Paixão pela vida, paixão por mim mesma, paixão por outra pessoa.

Um ano cheio de fatos marcantes, imprevisíveis e com coisas boas também. Um período que não volta mais, um ano findado é um livro todo preenchido. O outro que começa é um livro em branco que podemos escrever tudo de novo. É uma metáfora manjada, mas bem ilustrativa.

Engraçado como o tempo passa e como a gente acha estranho um ano que estava logo ali, mas que já tem quatro anos. Acabei de compartilhar uma foto minha de 2013 e apareceu no Facebook, há quatro anos. Como assim? 2013 foi ontem.

Mas enfim, esse é o tempo. Essa é a nossa vida. Essa é a graça da vida: saber que vamos envelhecer e morrer. Sem isso a vida não teria sentido. Agora é foco total em 2017. Foco total em ser feliz. Em continuar sendo feliz! Tenho mais um ano novinho em folha para sorrir, para viver, para sair, para amar, para ler, etc. 

Eu só tenho o que agradecer pelo ano que passou. Aprendi muito, tive saúde, estudei bastante, fui para outro estado, arranjei um ótimo namorado, entrei num curso de inglês, fiz um curso de preparação de tortas no Senac. Enfim, fiz muitas coisas que tive vontade e esse ano farei muito mais. Eu sou muito grata! Vem ni mim 2017!



Rafaela Valverde

terça-feira, 20 de dezembro de 2016

Eu, contraditória. Eu, eu mesma.


Eu vivo no mundo da lua às vezes, mas também sei ser esperta. Sou humilde mas também sei dar o fora na modéstia de vez em quando. Sou organizadinha, mas às vezes curto meu quarto bagunçado. A minha bagunça fala muito sobre mim. Não gosto de chuva, mas curto um friozinho. Sou sempre sincera, mas às vezes minto.

Sou preguiçosa, mas cumpro minhas obrigações. Umas vezes desapego, em outras grudo. Posso ser ciumenta ou nem ligar. Às vezes diminuo o passo mas sempre estou com pressa. Em alguns momentos sou corajosa, em outros me pelo de medo. Certos momentos me deixam nervosa, outros não.

Posso explodir ou ser calmaria. Posso ver um filme ou ler um livro. Têm dias que me acho feia, e têm dias que supero qualquer miss. Hoje eu simpatizo com alguém, mas se amanhã observar algum comportamento que me desagrade, posso deixar de gostar. Posso ser amiga de quem todo mundo é inimigo e posso ser inimiga das pessoas mais populares.

Sou das que rebolam e vão até o chão, mas também escuto MPB, rock pauleira e rap. Posso ser os extremos, os opostos. Podem até achar que sou inconstante, mas eu sou eu. Eu sou quem sou. Sem vergonha, sem falsidades, sem desencantamentos ou encantamentos desnecessários. Nada em mim é desnecessário. Tudo em mim compõe o que eu sou. 

Eu sou um vulcão, mas também sou um mar calmo. Paro e agito no mesmo instante. Sou voraz, mas também sei esperar. Sou a rainha das incongruências e paradoxos e ao mesmo tempo, paradoxalmente, sou eu mesma, espontânea e segura. Eu sou assim. Eu sou feliz do jeito que eu sou. Sou a reclamona, que denuncia tudo o que tiver errado. Não aguento ver uma injustiça, ou um alfinete fora do lugar. Sou luz, mas as trevas podem chegar até mim. Sou alegre e triste. E você já descobriu o que é?



Rafaela Valverde

terça-feira, 22 de novembro de 2016

Não sei quantas almas tenho - Fernando Pessoa



Não sei quantas almas tenho.
Cada momento mudei.
Continuamente me estranho.
Nunca me vi nem acabei.
De tanto ser, só tenho alma.
Quem tem alma não tem calma.
Quem vê é só o que vê,
Quem sente não é quem é,

Atento ao que sou e vejo,
Torno-me eles e não eu.
Cada meu sonho ou desejo
É do que nasce e não meu.
Sou minha própria paisagem;
Assisto à minha passagem,
Diverso, móbil e só,
Não sei sentir-me onde estou.

Por isso, alheio, vou lendo
Como páginas, meu ser.
O que segue não prevendo,
O que passou a esquecer.
Noto à margem do que li
O que julguei que senti.
Releio e digo: “Fui eu?”
Deus sabe, porque o escreveu.



Rafaela Valverde

quarta-feira, 26 de outubro de 2016

Julia


A minha Julia voltou. Sim, ela havia sumido no início do mês causando em mim uma profunda angústia por não saber como ela havia saído e onde estava. Ela nunca vai para a rua e isso me deixou extremamente preocupada pois ela não saberia - a meu ver - como andar e se comportar na rua. Eu e minha mãe perguntamos a algumas pessoas na rua e no final de semana passado uma vizinha disse que a tinha visto, fomos procurar e nada.

Mas ontem à noite eis que eu estava na pia lavando os pratos e ouvi um miado alto e forte. O miado dela. Sim eu conheço o miado dela e reconheci. Achei que estava muito próximo e levantei a cortina da janelinha da pia e lá estava minha filha branquela pendurada, olhando para mim. Puxei-a e chorando sentada no chão que nem uma idiota.

Minha mãe mandou eu justamente deixar de ser idiota e dar comida a bichinha que está super magrinha. Comeu muito. Uns quatro pratos de ração e peixe. Mas não importa. Eu estou muito feliz com a volta dela, com o retorno do meu "grudinho", do único ser do universo que manda em mim hahaha.

Já comecei as providências para castrá-la o mais rápido possível e as outras duas também. Meus outros dois "grudinhos" que eu tanto amo. É isso. Esse mês de outubro foi uma loucura, está sendo uma loucura. Mas vai passar, já está passando. Minha filha voltou e é o que mais importa.

Julia já está comigo há quase dois anos. Eu salvei ela de atropelamento quando ela ainda era um bebezinho inocente e foi abandonada. Ela era suja, magra e feia. Passei umas três vezes por ela de manhã cedo indo para a faculdade. Uma das vezes ela brincava inocentemente, na outra cochilava e em outra ocasião retirei a praticamente debaixo de um pneu que dava ré. Cheguei em casa e falei que da próxima vez que eu a visse ali correndo perigo eu a levaria para casa. Estava sofrendo, havia poucos meses que havia perdido meu casal de gatinhos envenenados e eu dizia que não queria mais. Mas não podia deixá la ali. Passei mais uma vez, ela ali estava no mesmo local. Peguei rapidamente aquele saquinho de pelos e joguei dentro da mochila. Deixei aberta e fui falando com ela até chegar em casa. E assim começou nosso amor.

Julia chegou em minha vida em um momento difícil. Eu estava me separando e fui morar sozinha. Fomos só nós duas durante vários meses, eu acompanhei seu crescimento enquanto fiquei sem trabalhar no início do ano passado. Seu nome é em homenagem a minha diva Julia Roberts. Enfim, eu me derreto por Julia. E ela simplesmente voltou!


Rafaela Valverde

terça-feira, 13 de setembro de 2016

O poeta Jorge de Lima

Imagem da internet
Jorge de Lima foi um escritor alagoano nascido em 23 de abril (data do meu aniversário) do ano de 1893 e morto no ano de 1953. Estou estudando esse escritor na disciplina Literatura Comparada, uma optativa da UFBA. Jorge de Lima foi político, médico, poeta, romancista, biógrafo, ensaísta, tradutor e pintor brasileiro. Foi um modernista que se inspirou na cultura brasileira, no regionalismo, na poesia religiosa para escrever sua obra.

O poeta havia se consagrado em versos alexandrinos e conseguia variar ritmos, formas e etc, deixando sua obra vasta e dinâmica. Ele estava sempre interessado em intertextos e utilizava eventualmente esse recurso. Jorge de Lima começou a estudar medicina em Salvador, mas o concluiu no Rio de Janeiro. Mas foi de volta a Maceió que ele passou a exercer a literatura e a política. Era amigo de Murilo Mendes, Graciliano Ramos e José Lins do Rego, que se promoviam encontros de intelectuais.

Publicou  o romance A mulher Obscura em 1939 e anos depois veio O Livro de Sonetos. Teve sua candidatura para a Academia Brasileira de Letras negada várias vezes. Jorge de Lima negava a sociedade laica que pregava a morte de Deus. Ele tinha uma ligação forte com a religião, especialmente com o catolicismo e sua obra estava ligada diretamente a isso. Alguns críticos indicam que a "falta de fama" do poeta se deva a essa ligação com o místico, mas o místico cristão que trazia um pouco de regionalismo, barroco e inspiração dos contextos da época, como por exemplo a guerra.

Do pouco que li do poeta, o considero um bom poeta, apesar de não ser ligada em temas religiosos. Mas ele fala sobre o amor, tem em sua mente uma mulher amada e idealizada; que morre ou não. Há influências de Camões. Enfim, há uma riqueza em Jorge de Lima. Conheçam!



Rafaela Valverde

terça-feira, 9 de agosto de 2016

Divagações íntimas sobre meu fracasso


Sinto o gosto do fracasso quase que diariamente. Aquela sensação ressequida de perda e de derrota. Mas tem dias que fica pior o gosto de tudo que não deu certo. A dor de existir aperta, nem Freud explica. Eu não sei exatamente qual o gosto da plenitude de coisas que dão certo. Mas alguém sabe? Ainda assim, para mim é pior, eu sou a recordista mundial de desistir das coisas quando estão difíceis demais. Eu sou a campeã mundial de deixar as coisas pela metade. Eu ganho medalhas de ter dúvidas e de sofrer por antecipação. Tenho uma desesperada síndrome de peru, aquele que já está sofrendo de véspera com a morte certa para alimentar uma família sedenta por ceia. Mas quem foi que inventou isso? Quem sabe se realmente o peru está sofrendo? Perguntaram para ele? Pois é. E nem para mim. Não me perguntaram nada. Não me perguntaram se eu queria nascer, se eu queria ser mulher, se eu queria ter esse nome e essa vida... Não me perguntaram qual nacionalidade eu queria. Não me consultaram sobre nada! E na boa, se tivessem me consultado eu não viria! Para ser essa pessoa inconstante que não leva nada adiante e depois ainda se desespera com isso? Não, eu dispensaria sem nem pensar uma vez.

Tantos sacrifícios, tanta pressão, uma vida tão pesada. Dificuldades financeiras. Tudo para mim sempre foi muito difícil. Ouço algumas pessoas falando dos seus colégios maravilhosos, suas infâncias incríveis, seus cursos de inglês, suas viagens ao exterior. E eu escuto pensando o quão desigual eu sou, o quão diferente nossas vidas se constituíram e que ajudei a criar minha irmã e comecei a trabalhar aos 16 anos. Mas o que fez com  que a gente se encontrasse? Não sei, mas fico pensando que talvez seja a vida querendo tripudiar de mim. Querendo jogar na minha cara que eu nasci, e a contra gosto estou aqui, nasci desvalida e ainda por cima sou desistidora de tudo. Sou jovem, eu acho, tenho 27 e não tenho nada. A maioria das pessoas da minha idade, amigas de infância - as inimigas não - são bem sucedidas, têm carreira, trabalho, amigos, saem aos finais de semana, viajam e estão tão bem que eu me sinto pior. Mas, ainda assim consigo ter a lucidez para perceber que todas essas vidas maravilhosas podem ser meramente estampas para capas de time line e as ignoro. 

Mesmo assim eu reflito. O que eu não tenho mais, ou o que eu não consegui ter me atingem muito. Me sinto frustrada por nunca ter conseguido efetivar coisas que para as outras pessoas são tão fáceis. Ao mesmo tempo sei que eu sou a principal culpada. Larguei três faculdades, três cursos diferentes e dois cursos técnicos; sim. já fiz muita coisa, mas só agora começo a me encontrar e consigo diminuir angústia de existir e tento encontrar um propósito de vida. Isso tudo soa meio depressivo mas não ligo. Já beirei a depressão inúmeras vezes e ainda nem cheguei na terceira década de existência. E que existência densa, cansativa. Minhas costas doem e não há médico que prescreva uma cura. Não tenho emprego, dinheiro no banco, não sei como vou à faculdade daqui para frente, afinal, para ir preciso de dinheiro.

Eu odeio esse meu jeito mas não consigo mudar. Não consigo levar nada a diante. Terminei um relacionamento de quase dez anos e sofri muito. Hoje não sofro mais, já encontrei um novo amor, mas as marcas ficam e elas são fortes como marcas de cinto na pele. Por mais que nos recuperemos, sempre lembraremos da surra! Esse  sentimento novo veio como um consolo para toda essa dor de fracasso e frustração. Pelo menos não sou tão incompetente assim. Ainda consigo conquistar alguém. Não vou prolongar nesse simulacro ordinário da minha vida, é cansativo até para mim. Essas são apenas elucubrações de uma mente cheia, agitada e com 525 coisas para fazer todos os dias. Espero que não tenha sido muito desagradável, mas essa sou eu. Infelizmente.


Rafaela Valverde

quinta-feira, 23 de junho de 2016

Mais beleza e alegria do que podemos supor

Imagem da internet
Tenho andando mais feliz do que triste ultimamente e ironicamente isso me deixa ainda mais feliz. É claro que a vida tem suas tribulações próprias e a gente tem várias preocupações mas no geral estou mais feliz, estou muito bem. Como há muitos meses não ficava. O meu peito está aquecido, eu não sinto mais dor, nem solidão. Eu não sinto mais vontade de chorar e de morrer.

De jeito nenhum. Eu quero mais é viver! A vida é uma coisa linda e como ela se mostra para a gente, depende de como a gente conduz ela. Os nossos pensamentos e atitudes determinam várias coisas. Antes eu era muito mais cética e tinha grandes dificuldades de acreditar nisso, mas hoje eu acredito porque eu comprovei. Parece que os bons pensamentos, as boas atitudes e as boas palavras recaem sobre o universo, se transformam em energias boas e voltam ainda melhores para a gente, para a vida da gente.

É uma coisa tão mágica! Essas energias fazem parte daquela máxima de que "existe entre os céus e a terra muito mais do que a nossa vã filosofia pode supor." É isso, a gente mão consegue explicar, mas a gente sente e como sente. A vontade de viver intensamente vem de volta ao lugar de onde nunca deveria ter saído. A gente dança, ri à toa, faz piada, se emociona com filmes da sessão da tarde...

A gente volta a ver beleza nas pessoas, nos sentimentos, nos objetos, na natureza, num poema. Tudo passa a ter mais sentido. Mas até chegar a esse ponto saindo de uma tristeza profunda de muitos meses, é necessário muita força, muita cabeça, amigos, força e família. Ah, a família é o que mais impulsiona a gente a querer viver. Afinal, quem mais vai sofrer com a nossa ida?

Um sorriso nasce a todo instante e as energias que depositamos no universo estão vindo e nos forçando a ficar bem, nos forçando a sorrir e a sentir prazer. Elas nos fazem sentir prazer com coisas pequenas da vida como um brigadeiro de panela. Essas boas energias, danadas que são, nos dão um novo horizonte, novas perspectivas, ações, planos e sonhos. Portanto, não mais deixarei de atrair e lançar boas energias para que elas me ajudem a não pestanejar e me façam enxergar dia após dia o quão grandiosa e bela é a vida.



Rafaela Valverde

sexta-feira, 4 de março de 2016

Livro Os Catadores de Conchas - Rosamunde Pilcher

Imagem da internet
Terminei essa semana dentro de um ônibus e leitura do livro Os catadores de Conchas de Rosamunde Pilcher que é uma escritora inglesa. Segundo a orelha do próprio livro, esse é o maior livro dela. E é um livro maravilhoso para mim. Me tocou profundamente e me prendeu como há um bom tempo um livro não prendia.

Ele traz a história de Penelope Keeling, a matriarca de uma família que se vê em sua velhice, recém atacada do coração, com uma necessidade de voltar ao lugar onde nascera. E assim passa a relembrar sua juventude e a planejar talvez um dia voltar à Cornualha. Devido a falta de dinheiro Penelope nunca havia levado os filhos para passar férias lá, perto do mar e se arrependia disso. Pensava em levar um dos três filhos, mas eles não se interessavam pelo passeio. Daí sugiro que vocês leiam!

Eu me envolvi muito com esse livro e com seus personagens. Sentia simpatia, antipatia e tudo mais que é possível sentir lendo um livro e entendendo seus personagens. Penelope foi, junto com seus pais, boêmia e viveu sua vida intensamente até o dia da sua morte. E por falar nela, a sua morte, há uma passagem no livro que me marcou muito: a filha dela, Olívia, conversa com o vigário da cidade sobre a cerimônia de sepultamento da mãe e ela afirma que não sabe como ele pode ser tão gentil em celebrar o evento, sendo que a mãe dela nunca tinha sido religiosa e ela nem sabia se ela acreditava em Deus. Ele respondeu que ela podia não acreditar em Deus, mas Ele acreditava nela. Que coisa linda e impressionante, que livro!

Eu demorei um pouco para ler esse livro por que ele é grosso, tem mais de 600 páginas, mas finalmente peguei na biblioteca central e não me arrependi. Como eu já devia ter feito isso antes! Vale a pena. Eu recomendo!


Rafaela Valverde

sábado, 16 de janeiro de 2016

Descendo o rio - Forfun



Eu vou descendo esse rio, guiando a minha canoa
Não fujo do desafio, que cabe a minha pessoa
Deixo que as águas me levem, mas, quando preciso eu remo
Invoco a calma e a coragem nas tempestades que enfrento

Ah! Que lindo é o amor, o amigo chegou trazendo a paz
Ah! Que lindo é o amor, não há mais temor que seja capaz

Tem que ter leveza muleque, discernimento muleque
Tem que ter certeza muleque
Perseverança

Eu vou descendo esse rio, guiando a minha canoa
Não fujo do desafio, que cabe a minha pessoa
Deixo que as águas me levem, mas, quando preciso eu remo
Invoco a calma e a coragem nas tempestades que enfrento

Ah! Que lindo é o amor, o amigo chegou trazendo a paz
Ah! Que lindo é o amor, não há mais temor que seja capaz

Tem que ter leveza muleque, discernimento muleque
Tem que ter certeza muleque
Perseverança

Invoco a fé, a calma e a coragem
Invoco a fé, a calma e a coragem
Invoco a fé, a calma e a coragem
Invoco a fé, a calma e a coragem



Rafaela Valverde
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