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quarta-feira, 20 de junho de 2018

Livro A Vida de Nosso Senhor

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Ontem terminei de ler um surpreendente livro de Charles Dickens : A Vida de Nosso Senhor. Surpreendente porque não fazia ideia que existia. Comprei o livro por 10,00 em uma feirinha de livros em um shopping da cidade. Pois bem, Charles escreveu  ou reescreveu uma história resumida da vida de Jesus Cristo, totalmente baseada na bíblia. Com essa história ele queria ensinar essa história a seus filhos quando ainda eram crianças. Nunca quis publicar e só depois de muitos anos de sua morte, seus descendentes resolveram publicar. A edição que comprei é da editora Martins Fontes.

O livro foi escrito entre 1846 e 1849 e é baseado no evangelho de São Lucas, conforme informação da orelha do livro. O manuscrito ficou na família guardado como tesouro na família Dickens por  oitenta e cinco anos, sendo passado de mão em mão. Porém não poderia ser publicado enquanto algum filho do autor estivesse vivo. No ano de 1933 o último filho de Dickens morreu deixando o manuscrito com sua esposa e filhos que decidiram publicar. A primeira edição foi ´publicada em 1934 em Londres e nos EUA e foi um dos livros mais vendidos daquele ano.

O livro é uma narrativa simples, com alguns milagres, parábolas e detalhes sobre a vida de Jesus. Destaquei alguns trechos no final e vou dividir um aqui com vocês:

"Cristandade é AGIR BEM, sempre, mesmo em relação a quem nos faz o mal. Cristandade é amar ao nosso próximo como a nós mesmos e fazer a todos os homens o que desejamos que eles façam conosco. Cristandade é ser amável, bondoso, desculpar e conservar essas qualidades serenamente em nossos corações e, sem vaidade, jamais vangloriar - nos delas, ou de nossas orações, ou de nosso amor a Deus, mas demonstrar sempre que O amamos na busca humilde de agirmos justamente, em todos os sentidos."

É isso!


Rafaela Valverde

sábado, 9 de junho de 2018

Livro Surpreendido pela Alegria - C.S. Lewis

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Terminei de ler recentemente o livro Surpreendido pela Alegria de C. S Lewis. O livro foi escrito em 1955. Lewis foi um professor da universidade de Oxford e autor de alguns livros infantis, inclusive os das Crônicas de Nárnia. Pois bem, o livro é tratado como autobiografia pelo próprio autor que conta sua vida desde a infância, a relação com a família, as escolas que estudou e sua relação com Deus e com a literatura.

Lewis era ateu, virou agnóstico e depois se converteu ao cristianismo e ele conta com detalhes essas experiências. Confesso que alguns detalhes demais. Não curto muito biografias, acho uma leitura um pouco maçante e esse então, foi bem cansativo, sobretudo pela época em que foi escrito. Mas lutei e conseguir ir até o fim. É uma leitura cansativa até no sentido de muitas informações. Muitos autores e livros são citados, além de pessoas da convivência do autor. Ainda assim gostei bastante da forma que ele escreve e tenho mais alguns livros dele aqui que com certeza lerei. C.S. Lewis faz algumas críticas e revelações sobre questões variadas e algumas coisas voltadas a Deus e a descoberta da sua elação com Ele me marcaram.

É um livro bastante interessante para conhecer o autor, ainda mais para quem nunca leu nada dele, como eu. A mudança brusca no que se refere ao cristianismo e a fé fez eu me identificar muito com ele e sua história de vida.


Rafaela Valverde




segunda-feira, 30 de abril de 2018

Eu te amo - Chico Buarque de Hollanda

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Ah, se já perdemos a noção da hora
Se juntos já jogamos tudo fora
Me conta agora como hei de partir

Se, ao te conhecer, dei pra sonhar, fiz tantos desvarios
Rompi com o mundo, queimei meus navios
Me diz pra onde é que inda posso ir

Se nós, nas travessuras das noites eternas
Já confundimos tanto as nossas pernas
Diz com que pernas eu devo seguir

Se entornaste a nossa sorte pelo chão
Se na bagunça do teu coração
Meu sangue errou de veia e se perdeu

Como, se na desordem do armário embutido
Meu paletó enlaça o teu vestido
E o meu sapato inda pisa no teu

Como, se nos amamos feito dois pagãos
Teus seios inda estão nas minhas mãos
Me explica com que cara eu vou sair

Não, acho que estás se fazendo de tonta
Te dei meus olhos pra tomares conta
Agora conta como hei de partir



Rafaela Valverde

sábado, 28 de abril de 2018

A Lua foi ao Cinema - Paulo Leminski


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A lua foi ao cinema,
passava um filme engraçado,
a história de uma estrela
que não tinha namorado.

Não tinha porque era apenas
uma estrela bem pequena,
dessas que, quando apagam,
ninguém vai dizer, que pena!

Era uma estrela sozinha,
ninguém olhava para ela,
e toda a luz que ela tinha
cabia numa janela.

A lua ficou tão triste
com aquela história de amor,
que até hoje a lua insiste:
– Amanheça, por favor!




Rafaela Valverde

terça-feira, 24 de abril de 2018

Vídeo Cabra da Peste - Patativa do Assaré

Na escola em que estou estagiando vamos iniciar um projeto em Língua Portuguesa sobre a Literatura de Cordel e procurando alguns vídeos hoje de manhã, encontrei esse, entre outros, e fiquei encantada. Na verdade, achar vídeos na internet é bem mais fácil do que encontrar os textos de cordel ou poema de cordel em si. Há vários no Youtube para quem tiver interesse. Pesquisamos Bule-Bule e Patativa do Assaré principalmente. E é deste último esse texto que estou compartilhando com vocês. Espero que gostem. Viva a cultura do nosso Nordeste que é tão bonita, rica, mas pouco conhecida e valorizada.






Rafaela Valverde

Poema do 29

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Com certeza existem mais de 29 momentos no mundo
Com certeza ninguém se importa com esse número [impar desengonçado
Mas é ele quem eu estou vivendo agora
Você está vivendo o 29?
Sim, a idade 29
Começou ontem
A partir de agora inicia- se um novo período, um novo momento, um ano pessoal
A transição para os trinta
A partir dos trinta já temos uma nova década, a terceira década.
Idade balzaquiana
Os trinta são os novos vinte
Pois os tempos são outros
Eis me aqui com 29
Daqui a 364 dias antevejo 30
Mas aí fica para outro poema
Ainda estou vivendo
Plenamente, diga se de passagem
Meus 29
Sim, começaram hoje.
Vamos viver!
Esse ano ímpar e desengoçado
29
Vinte e nove



Rafaela Valverde








domingo, 18 de março de 2018

EPITÁFIO PARA O SÉCULO XX – AFFONSO ROMANO DE SANT’ANNA

 Olha que poema atual. Escrito em 1997 podia ter sido escrito agora em 2018. Afonso sempre escreveu poemas com temáticas sociais, especialmente durante o período da ditadura. Gostei muito desse quando li.


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Afonso Romano de Sant'anna

1.
Aqui jaz um século
onde houve duas ou três guerras
mundiais e milhares
de outras pequenas
e igualmente bestiais.

2.
Aqui jaz um século
onde se acreditou
que estar à esquerda
ou à direita
eram questões centrais.

3.
Aqui jaz um século
que quase se esvaiu
na nuvem atômica.
Salvaram-no o acaso
e os pacifistas
com sua homeopática
atitude
-nux vômica.




Rafaela Valverde

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

Depois de você - Jojo Moyes

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Depois de Você de Jojo Moyes finalizou muito bem a história da vida de Lou, Louisa Clark, personagem apresentada em Como Eu era Antes de Você. A personagem, como não poderia deixar de ser, cresceu muito ao longo dos dois livros. Mas a personagem ainda está perdida na vida. Não faria metade das escolhas que ela fez, mas ainda assim gosto muito de Louisa. 

Nesse livro Lou está em um novo momento da vida. Frequenta um grupo de apoio para aceitar a morte de Will, trabalha num lugar que odeia e está afastada da família. Mas um belo dia alguém aparece em sua vida, fazendo com que ela recue várias vezes antes de voltar a andar para frente. 

A leitura como sempre é muito divertida e flui de maneira muito agradável. Alguns momentos eu até me pegava rindo. Jojo constrói muito bem seus personagens e os fazem ser gente como a gente. Foi o primeiro livro lido em 2018 e acho que comecei muito bem o ano. Fiquei tão fã da escritora que comprei mais um livro dela. 

Essa pessoa vai fazer Louisa crescer ainda mais e entender que sua vida é sua responsabilidade e não do acaso. Senti algumas coisas em comum entre nós duas. Amei esse livro, de verdade. Acho que posso ter gostado até mais do que o primeiro. É isso, somente um pequeno resumo da minha primeira leitura do ano. 

Lou se reconcilia com a família, consegue dar a volta por cima e entende que o que Will queria era justamente isso: que ela vivesse a vida de maneira mais plena que conseguisse. Isso depois de cair do terraço do prédio em que morava. A queda lhe traz outra surpresa... Leiam!



Rafaela Valverde

sábado, 20 de janeiro de 2018

Se eu te faço bem...

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Se eu te faço bem você me faz o quê?
Cobre minha vida de sorrisos e bem-me-queres
Perco a mão dos meus afazeres
Te vejo sem idealizar
Algo que era raro para mim
Tudo foi tão rápido
Tenho medo de chorar
Sentimento tão macio
Mora no meu peito assim
O que sinto exatamente
Ainda mal sei o que
Mas é por você
Me desconcerta
Paixão que não esperava
Mas quem espera?
Me deixa alerta!
Só consigo pensar naquela foto
Você com cara de deleite
Para ela me transporto
Aquele momento
Para que você me aceite
Se eu te faço bem o que é que acontece comigo quando olho aquela foto?
Me sinto sortuda!






Rafaela Valverde

sábado, 13 de janeiro de 2018

Regina

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Quando fecho os olhos vejo um casarão
Um monstruoso, como um castelo
Típico da realeza
Mas, ora, não é o que sou?
E essa rainha, regina?
O casarão é dos suntuosos
Que tem uns dezoito quartos
Um luxo pra mim
E ainda assim é como meu coração...
Já me mudei tantas vezes
Minha casa tem outras em cima
Não tenho riquezas, ao contrário
Sou digna de recursos
Por isso o trabalho constante
De ser rainha
E minha própria dona
Ainda assim continuo precisando de investimentos
Invista
Serei sua rainha
A regina!





Rafaela Valverde

quinta-feira, 4 de janeiro de 2018

Fragmentos soltos de saudade

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Meu olhar fotografa o vento brincando com seu cabelo.
Essa brisa leve de início de trade faz a vida valer a pena.
Ouço, apesar disso, as pessoas reclamando. As pessoas reclamam de tudo.
Eu só reclamo por você não estar aqui.
Sinto sua falta, imensamente, muito mais que aquela fome da madrugada...
Não sei o que você fez comigo mas eu só ando atarantada.
Não sei se você sabe que eu te quero
Mas, do jeito que tu anda, eu só posso mesmo te querer...
Encerro-me em congratulações por você gostar de mim.
Senti um leve comichão na nuca. Era você chegando...
Sinto que pode vir um tsunami. Eu não me importo. Seus braços grandes vão me proteger.
Não consigo escrever mais nada. Só é possível sentir.
Sinto saudades todos os dias.
Sinto que os dias estão passando mais devagar. Não há horário de verão que resolva...





Rafaela Valverde

quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

Atrações químicas

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Apática e melancólica
Eu era
Mas surgiu essa Química
Como uma Quimera
Para me desarmar
Como uma reza católica
Virou constante por aqui
Coberta por uma túnica
Me protegi
Por poucos cinco minutos
Nessas substâncias caí
Mergulhei a fundo
Muitos atributos
Além do estudo da matéria
Quero conhecer tudo
Quem dera!
Começo o estudo
De suas faces e manias
Acho que a paixão já me dominou
Com sua soberania
Me iluminou
Trouxe as propriedades
De uma matéria única
Exclusiva e excepcional
Sem piedade
Me tirou da dor e da apatia
Me tornou mais passional
Cada molécula
Cada átomo meu
Se movimenta
Em uma nova e cíclica alegria.





Rafaela Valverde

domingo, 31 de dezembro de 2017

Guardar- Antônio Cícero

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Guardar uma coisa não é escondê-la ou trancá-la.
Em cofre não se guarda coisa alguma.
Em cofre perde-se a coisa à vista.

Guardar uma coisa é olhá-la, fitá-la, mirá-la por
admirá-la, isto é, iluminá-la ou ser por ela iluminado.

Guardar uma coisa é vigiá-la, isto é, fazer vigília por
ela, isto é, velar por ela, isto é, estar acordado por ela,
isto é, estar por ela ou ser por ela.

Por isso melhor se guarda o vôo de um pássaro
Do que um pássaro sem vôos.

Por isso se escreve, por isso se diz, por isso se publica,
por isso se declara e declama um poema:
Para guardá-lo:
Para que ele, por sua vez, guarde o que guarda:
Guarde o que quer que guarda um poema:
Por isso o lance do poema:
Por guardar-se o que se quer guardar.




Rafaela Valverde

Soneto futebolístico - Glauco Mattoso

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Machismo é futebol e amor aos pés.
São machos adorando pés de macho,
e nesse mundo mágico me acho
em meio aos fãs de algum camisa dez.

Invejo os massagistas dos Pelés
nos lúdicos momentos de relaxo,
servindo-lhes de chanca e de capacho,
levando a língua ali, do chão no rés.

É lógico que um cego como eu
não pode convocar o titular
dum time brasileiro ou europeu.

Contento-me em chupar o polegar
do pé de quem ainda não venceu
sequer a mais local preliminar.




Rafaela Valverde

terça-feira, 26 de dezembro de 2017

A bunda, que engraçada - Carlos Drummond de Andrade

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A bunda, que engraçada.
Está sempre sorrindo, nunca é trágica.

Não lhe importa o que vai
pela frente do corpo. A bunda basta-se.
Existe algo mais? Talvez os seios.
Ora — murmura a bunda — esses garotos
ainda lhes falta muito que estudar.

A bunda são duas luas gêmeas
em rotundo meneio. Anda por si
na cadência mimosa, no milagre
de ser duas em uma, plenamente.

A bunda se diverte
por conta própria. E ama.
Na cama agita-se. Montanhas
avolumam-se, descem. Ondas batendo
numa praia infinita.

Lá vai sorrindo a bunda. Vai feliz
na carícia de ser e balançar
Esferas harmoniosas sobre o caos.

A bunda é a bunda
redunda.



Rafaela Valverde

terça-feira, 19 de dezembro de 2017

Memórias de Luxúria

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Ando tão necessitada que tô lembrando de casos sexuais antigos. Lembrei agora de sua forma de praticar cunilíngua. Lasciva. Quis usar esse termo, cunilíngua, para deixar mais elegante esse momento sexual tão sublime e superestimado por mim. Sim, eu gosto de uma boa língua passando - bem direitinho - no meu grelo. E olhe, não vou ficar falado através de eufemismos. E para completar este relato, devo dizer que adoro fazer oral. Felação. No popular cunilíngua é chupar boceta e felação é boquete. Quem não gosta? O problema é que algumas pessoas não gostam. Na verdade não gostam de fazer, mas recebem de bom grado. Mas, voltando a você e a lembrança de quando você me lambeu tão vorazmente. Que tesão. Que delícia, que lindo! Esperamos muito tempo até nos encontrarmos sexualmente. Anos, talvez. Não sei. Não sei quase nada. Não vou deixar claro o que é real e o que não é. Este é um texto ficcional. Mas talvez não seja. Talvez seja autoficcional. Talvez seja todo real. Não vou dizer. Fica por sua conta e das demais pessoas que estão lendo. Vou me ater apenas a escrever dominada pelo torpor sexual que me toma nesse exato momento. Sim, mas nós esperamos muitos anos e penso que por isso mesmo tenha sido tudo tão quente, desesperado e gostoso. Ainda sinto as sensações daquele dia. Elas vem lá de baixo e me deixam com vontade de sentar a qualquer momento do dia e em qualquer lugar. Repito: foi uma delícia! Sua língua passeava por minha boceta para cima e para baixo como se subisse e descesse uma ladeira. E vai ver até é uma ladeira. A ladeira do meu prazer.  Consigo lembrar que fiquei super molhada desde o momento em que saímos do carro e você foi andando atrás de mim no corredor. Imaginei você me olhando e rebolei mais ainda enquanto andava. Quase senti minha excitação escorrer pela calcinha quando abri a porta e sentei na cama. Tirei a sandália e deitei esperando por você que atravessou o quarto, tirando o sapato e a camisa. Deitou. Ficamos ali deitados um ao lado do outro pelos dez segundos mais longos da minha vida antes de começarmos a nos pegar. Fiquei por cima, tirei a calcinha, mas continuei de vestido. Abri o zíper da sua calça e puxei seu pau com volúpia. Queria sentir seu calor e queria que você sentisse o quanto eu estava quente e ao mesmo tempo molhada. Lembro de tudo isso me contorcendo de prazer. Tá um frio lá fora e eu tô só de calcinha lembrando desse dia. Quando você estava dentro de mim e gritava: "quanto tempo esperei por isso...", eu sentia toda a fúria daquele tesão e o gozo vinha facilmente.  O som do meu gozo eram a sua voz e meus gemidos de satisfação. Apertava seu corpo contra o meu e não queria que aquele momento de êxtase terminasse nunca. Minutos depois estávamos deitados de conchinha, mais porque foi a posição que deu para deitar. Ofegantes. Você olhava pra mim com uma cara boba e eu olhava para o teto tentando me recuperar desse estupor. Começou a lamber minhas costas. Era o sinal. Virei e beijei sua boca, seus dedos já estavam dentro de mim, massageando delicadamente, depois forte, depois devagar de novo. O tesão estava em cada poro do meu corpo e em névoas naquele quarto. Me deitou de bruços me penetrando com a mesma intensidade que precisava para eu delirar e gozar. Eu tô é muito desesperada, eu preciso transar, senão não estaria lembrando desse dia, afinal, você foi só mais um... A segunda melhor transa da minha vida, mas, só mais um... Sem termos técnicos, sem firulas, sem nada dessas frescuras. Eu quero é foder!




Rafaela Valverde

domingo, 17 de dezembro de 2017

Cansada e com medo

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Cansada e com medo
Guardo um segredo
Corpo fechado
Nó atado
Mente também
Pra os que não são do bem
Me fizeram sucumbir
Meu "não-amor-próprio" quase me fez desistir

Cansada e com medo
Corpo fechado
Ferido com um machado
Não o de Assis
Deixou cicatriz
Gosto azedo
De amarga rejeição
Que decepção!

Cansada e com medo
Mente também
Mente como todos eles
Aprendeu a ser reles
Mas com um porém
Quem aprende não tem males
Como quem nasceu assim
É apenas um arremedo

Cansada e com medo
Me fizeram sucumbir
Pensei em partir
Cortar os pulsos, nem sei...
Na hora paralisei
Mas, peraê!
Não vou me desesperar por isso
Não vou dar gosto a quem foi omisso

Cansada e com medo
Guardo um segredo
Fui tratada como brinquedo
Daqueles que a criança enjoa
E larga à toa
Mas sou boa
Não mereço, sei lá?
A pergunta que não vai calar!

Cansada e com medo
Nó atado
Por que será que a gente sempre acha que merece?
E se tivesse se matado?
A dor transparece
Mas ainda tem força
Desamarra logo!
E sai cedo

Cansada e com medo
Pra os que não são do bem
Saibam que vocês estão aquém
Saiu sem demora daquele atoledo
Vocês são uma corja
Que amor finge e forja
Para enganar
Quem tem pouco amor por si

Cansada e com medo
Meu "não-amor-próprio" quase me fez desistir
Mas consegui a poeira sacudir
Espanei vocês para fora da minha vida
Esse foi o ponto de partida
Me apaixonei por mim mesma
Por vocês só sinto indiferença, nem me apiedo
Afinal, não olho para pantesmas!




Rafaela Valverde

sábado, 16 de dezembro de 2017

Casamento - Adélia Prado


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Olha que lindeza de poema!

Há mulheres que dizem:

Meu marido, se quiser pescar, pesque,

mas que limpe os peixes.

Eu não. A qualquer hora da noite me levanto,

ajudo a escamar, abrir, retalhar e salgar.

É tão bom, só a gente sozinhos na cozinha,

de vez em quando os cotovelos se esbarram,

ele fala coisas como "este foi difícil"

"prateou no ar dando rabanadas"

e faz o gesto com a mão.

O silêncio de quando nos vimos a primeira vez

atravessa a cozinha como um rio profundo.

Por fim, os peixes na travessa,

vamos dormir.

Coisas prateadas espocam:

somos noivo e noiva.





Rafaela Valverde

sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

Geração Paissandu - Paulo Fernando Henriques Britto



Li recentemente esse poema em um livro e gostei muito. Resolvi compartilhar com vocês!



Vim, como todo mundo,
do quarto escuro da infância,
mundo de coisas e ânsias indecifráveis,
de só desejo e repulsa.
Cresci com a pressa de sempre.

Fui jovem, com a sede de todos,
em tempo de seco fascismo.
Por isso não tive pátria, só discos.
Amei, como todos pensam.
Troquei carícias cegas nos cinemas,
li todos os livros, acreditei
em quase tudo por ao menos um minuto,
provei do que pintou, adolesci.

Vi tudo que vi, entendi como pude.
Depois, como de direito,
endureci. Agora a minha boca
não arde tanto de sede.
As minhas mãos é que coçam -
vontade de destilar
depressa, antes que esfrie,
esse caldo morno de vida.



Rafaela Valverde

Acostada

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Meio do dia
Sol a pino
Agonia
Desatino

Ando pelo acostamento
Carcaças de animais mortos
Exigem meu afastamento
Me transporto

Penso que não vou aguentar
Carros por todo lado
Veículos de transitar
Horizonte opaco

A estrada é longa
Trata-se de alguma bê-erre
Ainda mais para mim, songamonga
Por mais que a vida me aferre

Quero mais é voar
Comemorar uma tal liberdade
Que temia encontrar
Na tal raridade

Do luar!

Mas, o que penso enquanto esse acostamento me persegue?
Será que vou chegar?




Rafaela Valverde
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