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sábado, 9 de dezembro de 2017

Sintonia para pressa e presságio - Paulo Leminski

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Escrevia no espaço.
Hoje, grafo no tempo,
na pele, na palma, na pétala,
luz do momento.

Sôo na dúvida que separa
o silêncio de quem grita
do escândalo que cala,
no tempo, distância, praça,
que a pausa, asa, leva
para ir do percalço ao espasmo.

Eis a voz, eis o deus, eis a fala,
eis que a luz se acendeu na casa
e não cabe mais na sala.




Rafaela Valverde

Para Educar Crianças Feministas - um manifesto e Sejamos Todos Feministas de Chimamanda Ngozi Adichie

Os livros Para Educar Crianças Feministas - um manifesto  e Sejamos Todos Feministas de Chimamanda Ngozi Adichie são livros reveladores, especialmente para quem não conhece nada de feminismo e anda falando besteira por aí. É muito importante para conhecer algumas pequenas questões - ou talvez não tão pequenas assim - que ela aborda de maneira tão bem feita que não dá para desgrudar do livro e ainda ficar concordando que nem uma doida, balançando a cabeça na rua.

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Chimamanda é Nigeriana, nascida em 1977. É uma das mais conhecidas e bem sucedidas escritoras de literatura africana em língua inglesa. Só a conheci no ano passado na faculdade de Letras, assistindo uma de suas palestras em uma aula de literatura. Como tive facilidade de ler seus livros, aproveitei logo a oportunidade e li. São livros bem fáceis de ler. Terminei em um dia. Pois bem, Para Educar Crianças Feministas - um manifesto é uma carta/manifesto escrito para sua amiga que lhe perguntara como educar a filha de maneira feminista e para ser feminista A partir dessa resposta, ela cria inúmeras respostas e uma lista com coisas a serem feitas e coisas para nunca serem feitas. É bem didático, sobretudo para quem critica tanto o movimento feminista que busca igualdade entre homens e mulheres, nada mais. Trarei duas frases do livro:

Seja uma pessoa completa. A maternidade é uma dádiva maravilhosa, mas não seja definida apenas pela maternidade. Seja uma pessoa completa. (p. 14)

Ensine-a a ler. […] Os livros vão ajudá-la a entender e questionar o mundo, vão ajudá-la a se expressar, vão ajudá-la em tudo o que ela quiser ser. (p. 34)

Então, né gente? O livro é maravilhoso e traz algumas coisas que já pensava há anos. Reflexões sobre a mudança do sobrenome da mulher ao se casar, reflexões sobre o rosa e o azul - definições de gêneros impostas pela sociedade e muitas outras... É um livro que nos coloca para pensar.

Já Sejamos Todos Feministas é uma de suas palestras adaptadas para livro e vem para reforçar as ideias do feminismo mesmo. Como se fosse a repetição para a confirmação de determinada ideia. Desconstrução de conceitos fortemente arraigados já há muito tempo em nossas sociedades.

Trechos destacados:

"Perdemos muito tempo ensinando as meninas a se preocupar com o que os meninos pensam delas. Mas o oposto não acontece."


"E se criássemos nossas crianças ressaltando seus talentos, e não seu gênero? E se focássemos em seus interesses, sem considerar gênero?"


É também um excelente livro, que aborda várias questões que precisam ser abordadas e discutidas. Gostei bastante dessas leituras. Todo mundo deveria ler!



Rafaela Valverde


Livros Outros Jeitos de Usar a Boca de Rupi Kaur e Um Útero é do Tamanho de um Punho de Angélica Freitas

Queria bater vinte livros lidos no ano e consegui. Quero falar aqui sobre quatro deles, que li recentemente e que foram livros bastante comentados e lidos ao longo de 2017. São ele: Outros Jeitos de Usar a Boca Rupi Kaur; Um Útero é do Tamanho de um Punho de Angélica Freitas; Para Educar Crianças Feministas e Sejamos Todos Feministas de Chimamanda Ngozi Adichie.

Resultado de imagem para outros jeitos de usar a boca resenhaDevo dizer que são bons livros, pequenos livros, livros para serem lidos rapidamente. Mas não significa que esses livros não tenham o que dizer. Eles têm e muito. O primeiro é de uma autora indiana, hoje residente no Canadá. O livro desde o início me chamou atenção pelo nome e por uma indicação feita em um quadro de livros na Rádio Metrópole. Daí a curiosidade foi aumentando cada vez mais e um belo dia consegui ler. Os textos foram escritos em formato de poema e são maravilhosos. Chorei um pouco lendo alguns, pois falavam de mim mesma. O sofrimento por amor, pela perda, a dor pelo outro que  foi embora... A cura (que inclusive é um dos capítulos do livro...)Ainda traz questões sobre violência contra mulher, questões de aceitação e amor pórprio. É um livro muito tocante.

quando você estiver machucada
e ele estiver bem longe
não se pergunte
se você foi o bastante
o problema é que
você foi mais que o bastante
e ele não conseguiu carregar 


Esse é um dos poemas ou trechos que mais me marcou, por razões muito óbvias, é só ler o poema e saber que tive uma ou talvez duas estórias assim.  Quem é que não teve? Pois bem, como eu já disse o livro aborda temas muito sérios. Assim, trago mais um trechinho:

sexo exige o consentimento dos dois
se uma pessoa está ali deitada sem fazer nada
porque não está pronta
ou não está no clima
ou simplesmente não quer
e mesmo assim a outra está fazendo sexo
com o seu corpo isso não é amor
isso é estupro 

Nem preciso dizer que amei esse livro não é? O próximo da minha listinha é o ó útero é do Tamanho de Um Punho de Angélica Freitas que tem o mesmo sobrenome que eu e de quem eu nunca tinha ouvido falar. É um livro que aborda questões feministas também e eu nem preciso dizer mais nada, não é mesmo? Sobretudo pelo nome do livro já é possível compreender do que se trata. É uma boa seleção de textos, eu também gostei, apesar de ter me tocado e me identificado menos que o anterior. Esse é o meu trecho selecionado do livro:

a mulher é uma construção
deve ser
a mulher basicamente é pra ser
um conjunto habitacional
tudo igual
tudo rebocado
só muda a cor
particularmente sou uma mulher
de tijolos à vista
nas reuniões sociais tendo a ser
a mais mal vestida
digo que sou jornalista

A postagem ficou muito grande, portanto vou falar um pouco dos livros de Chimananda em uma próxima postagem. Não tenho intenção que isto seja uma resenha, apenas quero registrar e compartilhar com vocês as minhas leituras. São livros tão subjetivos, leiam por vocês mesmos e criem suas próprias opiniões.




Rafaela Valverde




terça-feira, 5 de dezembro de 2017

Eu tenho uma pessoa e sou eu!

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Eu já sofri muito. Já sofri muito nessa vida. E já tinha sofrido muito desde que você me deixou. Passeis uns seis meses sem saber de mim. Fora de mim pra falar a verdade. Eu estava com você, em você. Só tinha um pensamento: queria você de volta. Mas hoje isso é tão ridículo. E em tempos de empoderamento feminino, elevação de auto estimas, essas coisas, não cabe bem eu preferir você em detrimento de mim mesma. Sabe dizem que isso não é amor. Eu acho que é amor sim. Porém é mais amor pelo outro, nesse caso por você, do que por mim mesma.  A questão toda, é que graças a Deus isso mudou. Eu amo mais a mim hoje do que a você. Eu encontrei uma pessoa e ela sou eu mesma. Hoje só sofro por mim mesma. Hoje não admito ser maltratada por ninguém. Hoje só consigo ser capaz de ficar fora de mim por mim mesma.

Não sei dizer exatamente por quanto tempo fiquei no limbo. Às vezes o limbo ainda vem. É escuro, vazio e pegajoso. Mas não é por você, nem por ninguém. É simplesmente pelo fato de minha vida ser uma bosta mesmo. Em alguns momentos, ou quase todos os momentos em que estive com você foi menos bosta do que é agora. Confesso que fui feliz ao seu lado. Isso eu nunca escondi de ninguém, nem de você. Confesso que ainda existe algum resquício desse amor aqui por dentro de mim. Ele nunca vai morrer. Amor não morre, eu sei. O que apaga é o fogo da paixão, mas o incêndio do amor, só pode ser escondido e não finalizado. Jamais.

Ainda assim meu amor por mim mesma, graças a Deus, hoje, se sobrepõe ao amor que sinto por qualquer outro ser na terra.  Eu escolho a mim e sempre escolherei. Não creio que você volte a me fazer mal de novo algum dia, até porque eu não deixarei que isso aconteça. Até porque não sofro mais como antes e até porque não existe tanta proximidade assim entre nós, como eu penso. Estamos acabados, não existimos mais como casal e nosso Facebook não nos deixa mentir com as palavras "solteiro" e "solteira." Queria te tratar com um pouco mais de frieza do que o necessário. Queria tratá-lo com mais frieza do que trato usualmente. Queria, mas não trato, não consigo e não vou conseguir nunca. Quando penso ou falo com você sempre sinto afeto e vontade de fazer cafuné em você e tocar sua pele macia. 

Mas, não confunda as coisas, eu demorei, mas, hoje não me confundo mais! Isso não significa que eu pense em você como meu de novo, que eu tenha sonhos de Cinderela donzela e apaixonada de novo. Não significa que eu sonhe com você me dizendo que me ama e me pedindo para voltar. Você já fez isso uma vez e nem sei se era verdade.  Já consegui te conquistar uma vez e tenho plena consciência que não o farei de novo. Não possuo tanta capacidade apaixonativa assim, mas, o que eu sei é que sou maravilhosa. E que cada dia seu distante de mim é um desperdício e uma privação dessa mulher incrível e maravilhosa que eu me tornei e você nem conhece.



Rafaela Valverde

sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

Livro Uma Vida Inventada - Maitê Proença


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Terminei  de ler essa semana o livro da atriz Maitê Proença, de quem eu gostava desde a infância, acompanhando pelas novelas da globo. Troquei o livro em um projeto de troca de livros e não sabia muito bem o que esperar dele. Confesso que o que me chamou atenção foi o nome da autora. Provavelmente se não fosse Maitê Proença eu nunca pegaria o livro.

Gostei bastante do livro que intercala memórias com estória. Uma está dentro da outra, não se separam e é justamente esse um dos diferenciais do livro que traz de maneira suave suas impressões sobre a vida, sobre as pessoas e narra de forma suave todas as tragédias que fazem parte da sua vida. Sim, para quem não sabe a atriz passou por grandes tragédias em sua vida. Quando ela tinha doze anos o pai matou a mãe e se matou anos depois, quando ela já trabalhava na Globo. Mas, a forma com que ela narra é muito bem feita. Pelo menos eu gostei bastante. Me fez refletir em alguns fatos da minha vida, especialmente a mágoa e a liberdade.

A atriz contou em uma entrevista que eu pude ler, que sentiu vontade de escrever sobre suas tragédias, depois que elas foram expostas em rede nacional no ano de 2005 no programa de Faustão. Então não tinha mais como não contar.

Ela vai trazendo memórias, relatos de viagens e conta casos divertidos sobre a vida; além da relação com a filha Maria, sua relação com a família e com as religiões. Além do começo difícil da carreira. No primeiro trabalho na TV, antes de começar, Maitê sofreu um acidente que a deixou de moletas por cerca de um ano. Além disso teve o aborto que ela fez aos dezesseis anos. Ela conta tudo de maneira muito leve e eu não consegui desgrudar do livro. É isso.


Autor: Maitê Proença
Ano: 2008
Páginas: 224
Editora: Agir





Rafaela Valverde

Com licença poética - Adélia Prado


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Eu amo esse poema!

Quando nasci um anjo esbelto,
desses que tocam trombeta, anunciou:
vai carregar bandeira.
Cargo muito pesado pra mulher,
esta espécie ainda envergonhada.
Aceito os subterfúgios que me cabem,
sem precisar mentir.
Não sou tão feia que não possa casar,
acho o Rio de Janeiro uma beleza e
ora sim, ora não, creio em parto sem dor.
Mas o que sinto escrevo. Cumpro a sina.
Inauguro linhagens, fundo reinos
-- dor não é amargura.
Minha tristeza não tem pedigree,
já a minha vontade de alegria,
sua raiz vai ao meu mil avô.
Vai ser coxo na vida é maldição pra homem.
Mulher é desdobrável. Eu sou.





Rafaela Valverde

terça-feira, 28 de novembro de 2017

A rosa de Hiroshima - Vinícius de Moraes

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Pensem nas crianças
Mudas telepáticas
Pensem nas meninas
Cegas inexatas
Pensem nas mulheres
Rotas alteradas
Pensem nas feridas
Como rosas cálidas
Mas oh não se esqueçam
Da rosa da rosa
Da rosa de Hiroxima
A rosa hereditária
A rosa radioativa
Estúpida e inválida
A rosa com cirrose
A antirrosa atômica
Sem cor sem perfume
Sem rosa sem nada.



Rafaela Valverde

domingo, 26 de novembro de 2017

Emergência - Mário Quintana

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Quem faz um poema abre uma janela.
Respira, tu que estás numa cela
abafada,
esse ar que entra por ela.
Por isso é que os poemas têm ritmo
- para que possas profundamente respirar.
Quem faz um poema salva um afogado.





Rafaela Valverde

segunda-feira, 20 de novembro de 2017

Filosofia - Ascenso Ferreira

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Hora de comer — comer!

Hora de dormir — dormir!

Hora de vadiar — vadiar!

Hora de trabalhar?

— Pernas pro ar que ninguém é de ferro!






Rafaela Valverde

Durante a aula


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Tem uma música antiga que minha mãe sempre cantarola: "não consigo prestar atenção na aula, não suporto mais o professor..." E assim estou hoje. Sala gelada, ar condicionado bem forte, mesmo com o casaco, meus dedos estão gelados. Olho para a professora lá na frente e penso que ela realmente tem propriedade sobre o que está falando. A partir desse momento começo a olhar para um ponto fixo atrás da professora, no quadro. Me desligo totalmente da aula, estou com sono. A professora começa a falar a línguas ininteligíveis. Até tento me concentrar, arregalo os olhos, bebo um gole de água, me espreguiço discretamente, mas tudo em vão...

Estou de calça jeans, daquelas que vão até o meio da canela, com a borda dobrada. Rasgada nos joelhos. Testo minha elasticidade puxando a perna esquerda, deixando- a dobrada, o joelho na altura do queixo. O braço esquerdo abraça a perna. Me sinto relaxada. A aula tá rolando, não sei o que a professora está falando... Olho para baixo e estou sem calça, você está com a cara entre minhas pernas, começando a me chupar. De leve. Como se tivesse encostando a língua em algo novo, cujo gosto ainda era desconhecido. Ainda assim, aquele gesto possuía a sua segurança. A segurança de quem já sabia onde ficava e como apertar todos os botões do meu corpo.

Volta e meia olhava para a professora, tentando entender o que realmente estava acontecendo com minha cabeça. Ao mesmo tempo você me dava aquele sorriso largo, safado. Revirei os olhos, me contorcia... Não estava mais conseguindo disfarçar. Sentia tanto tesão naqueles últimos dias e tanta falta de sentar e rebolar em você que já estou imaginando coisas... Levanto. Vou ao banheiro. Estou muito molhada, excitada. Saio da cabine e respiro fundo olhando para o espelho. Fecho os olhos em seguida e você está lá, me provocando, chupando os dedos da minha mão, um a um...

Volto para a sala, mas dessa vez sento de pernas cruzadas, para não te dar espaço, mas, mesmo assim você vem. Eu só consigo imaginar você com a língua dentro de mim, eu não sei mais como entender a matéria, como acompanhar o ritmo. Quarta feira de manhã, já isso! Longos minutos depois consegui afastar sua imagem da minha cabeça e consegui até participar da aula.

É por isso. Por isso que estou aqui de calcinha e robe vermelhos no seu portão. Vim de carro, ninguém repara nessas coisas. Abre o portão ou desce! Você escolhe. Mas decide logo porque eu tô perto de pegar fogo. E você não vai me deixar incendiando aqui em baixo no relento, não é? Prefiro me esparrar na sua cama e em todos os cômodos da casa...

Ouvi o estalido da fechadura se abrindo... É hoje!!




Rafaela Valverde

sábado, 18 de novembro de 2017

Lépida e leve - Gilka Machado

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Lépida e leve
em teu labor que, de expressões à míngua,
O verso não descreve...
Lépida e leve,
guardas, ó língua, em seu labor,
gostos de afagos de sabor.


És tão mansa e macia,
que teu nome a ti mesmo acaricia,
que teu nome por ti roça, flexuosamente,
como rítmica serpente,
e se faz menos rudo,
o vocábulo, ao teu contacto de veludo.


Dominadora do desejo humano,
estatuária da palavra,
ódio, paixão, mentira, desengano,
por ti que incêndio no Universo lavra!...
És o réptil que voa,
o divino pecado
que as asas musicais, às vezes, solta, à toa,
e que a Terra povoa e despovoa,
quando é de seu agrado.


Sol dos ouvidos, sabiá do tato,
ó língua-idéia, ó língua-sensação,
em que olvido insensato,
em que tolo recato,
te hão deixado o louvor, a exaltação!


— Tu que irradiar pudeste os mais formosos poemas!
— Tu que orquestrar soubeste as carícias supremas!
Dás corpo ao beijo, dás antera à boca, és um tateio de
alucinação,
és o elástico da alma... Ó minha louca
língua, do meu Amor penetra a boca,
passa-lhe em todo senso tua mão,
enche-o de mim, deixa-me oca...
— Tenho certeza, minha louca,
de lhe dar a morder em ti meu coração!...


Língua do meu Amor velosa e doce,
que me convences de que sou frase,
que me contornas, que me veste quase,
como se o corpo meu de ti vindo me fosse.
Língua que me cativas, que me enleias
os surtos de ave estranha,
em linhas longas de invisíveis teias,
de que és, há tanto, habilidosa aranha...


Língua-lâmina, língua-labareda,
língua-linfa, coleando, em deslizes de seda...
Força inféria e divina
faz com que o bem e o mal resumas,
língua-cáustica, língua-cocaína,
língua de mel, língua de plumas?...


Amo-te as sugestões gloriosas e funestas,
amo-te como todas as mulheres
te amam, ó língua-lama, ó língua-resplendor,
pela carne de som que à idéia emprestas
e pelas frases mudas que proferes
nos silêncios de Amor!...

quinta-feira, 16 de novembro de 2017

Mapa - Murilo Mendes

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Me colaram no tempo, me puseram
uma alma viva e um corpo desconjuntado. Estou
limitado ao norte pelos sentidos, ao sul pelo medo,
a leste pelo Apóstolo São Paulo, a oeste pela minha educação.

Me vejo numa nebulosa, rodando, sou um fluido,
depois chego à consciência da terra, ando como os outros,
me pregam numa cruz, numa única vida.
Colégio. Indignado, me chamam pelo número, detesto a hierarquia.

Me puseram o rótulo de homem, vou rindo, vou andando, aos solavancos.
Danço. Rio e choro, estou aqui, estou ali, desarticulado,
gosto de todos, não gosto de ninguém, batalho com os espíritos do ar,
alguém da terra me faz sinais, não sei mais o que é o bem
nem o mal.

Minha cabeça voou acima da baía, estou suspenso, angustiado, no éter,
tonto de vidas, de cheiros, de movimentos, de pensamentos,
não acredito em nenhuma técnica.

Estou com os meus antepassados, me balanço em arenas espanholas,
é por isso que saio às vezes pra rua combatendo personagens imaginários,
depois estou com os meus tios doidos, às gargalhadas,
na fazenda do interior, olhando os girassóis do jardim.

Estou no outro lado do mundo, daqui a cem anos, levantando populações…
Me desespero porque não posso estar presente a todos os atos da vida.

Onde esconder minha cara? O mundo samba na minha cabeça.
Triângulos, estrelas, noites, mulheres andando,
presságios brotando no ar, diversos pesos e movimentos me chamam a atenção,
o mundo vai mudar a cara,
a morte revelará o sentido verdadeiro das coisas.Andarei no ar.

Estarei em todos os nascimentos e em todas as agonias,
me aninharei nos recantos do corpo da noiva,
na cabeça dos artistas doentes, dos revolucionários.

Tudo transparecerá:
vulcões de ódio, explosões de amor, outras caras aparecerão na terra,
o vento que vem da eternidade suspenderá os passos,
dançarei na luz dos relâmpagos, beijarei sete mulheres,
vibrarei nos cangerês do mar, abraçarei as almas no ar,
me insinuarei nos quatro cantos do mundo.

Almas desesperadas eu vos amo. Almas insatisfeitas, ardentes.
Detesto os que se tapeiam,
os que brincam de cabra-cega com a vida, os homens “práticos”…
Viva São Francisco e vários suicidas e amantes suicidas,
os soldados que perderam a batalha, as mães bem mães,
as fêmeas bem fêmeas, os doidos bem doidos.
Vivam os transfigurados, ou porque eram perfeitos ou porque jejuavam muito…
viva eu, que inauguro no mundo o estado de bagunça transcendente.

Sou a presa do homem que fui há vinte anos passados,
dos amores raros que tive,
vida de planos ardentes, desertos vibrando sob os dedos do amor,
tudo é ritmo do cérebro do poeta. Não me inscrevo em nenhuma teoria,
estou no ar,
na alma dos criminosos, dos amantes desesperados,
no meu quarto modesto da praia de Botafogo,
no pensamento dos homens que movem o mundo,
nem triste nem alegre, chama com dois olhos andando,
sempre
em transformação.




Rafaela Valverde

segunda-feira, 13 de novembro de 2017

Novena vespertina



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Ela caminha até o fim e para na esquina
Olha para o entardecer
E sabe que essa é sua sina
Não quer se embrutecer

Precisa continuar serena
Mesmo com essa rotina
Seguiria como uma novena
Já se preparava para a solidão vespertina

Causada pelo tédio
Daquela infinita caminhada
Mas não há remédio

As mãos atadas
Caminha até a esquina
Até o fim!




Rafaela Valverde





domingo, 12 de novembro de 2017

Na Boca - Mário de Andrade

Como ensinar literatura - Zonacurva

 Sobre esse poema, preciso destacar a melhor parte: Felizmente existe o álcool na vida. Hahahahaha


Sempre tristíssimas estas cantigas de carnaval
Paixão
Ciúme
Dor daquilo que não se pode dizer

Felizmente existe o álcool na vida
e nos três dias de carnaval éter de lança-perfume
Quem me dera ser como o rapaz desvairado!
O ano passado ele parava diante das mulheres bonitas
e gritava pedindo o esguicho de cloretilo:
- Na boca! Na boca!
Umas davam-lhe as costas com repugnância
outras porém faziam-lhe a vontade.

Ainda existem mulheres bastante puras para fazer vontade aos viciados

Dorinha meu amor...
Se ela fosse bastante pura eu iria agora gritar-lhe como o outro:
                                                                             [- Na boca! Na boca!




Rafaela Valverde

sexta-feira, 10 de novembro de 2017

A Cor Púrpura - Alice Walker

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Terminei de ler o livro A Cor Púrpura de Alice Walker. É com certeza um dos melhores livros que já li na vida. Nunca li uma coisa tão linda, forte, militante e tão cheia de saberes. O livro lançado inicialmente em 1982 nos EUA, teve muito sucesso desde o início e logo foi adaptado para virar filme com Whoopi Goldberg, Danny Glover e Oprah Winfrey.

Alice é militante feminista e negra. Daí é possível entender um pouco da grandiosidade dessa obra. Porém não é um livro de clichês, daqueles que dizem mais do mesmo da militância, repetindo sempre a mesma coisa. A Cor Púrpura vai além, nos faz pensar em coisas não pensadas antes e através do conhecimento e texto bem escrito da autora.

O livro tem narração a partir de cartas. Primeiro as cartas de Celie, a personagem principal são voltadas para Deus, que passa a ser testemunha de todos os sofrimentos diários passados pela mulher que começa sua narrativa ainda menina, vivendo em um ambiente de extrema violência e grande ataque à sua auto estima. Fora violentada pelo pai e maltratada pelo marido, que sempre a rechaçava por ser "feia, pobre, negra e mulher..." Mulher não pode fazer determinadas coisas. Mulher é mais fraca que homem, portanto não deve falar nada, ficar calada e apanhar...

As narrativas epistolares se dão entre os anos de 1900 e 1940 nos EUA, trazendo de forma crua e real a situação que vivia as pessoas negras naquele país, naquele momento. As mulheres eram tratadas ainda pior e estas questões são mostradas no livro e o melhor, do ponto de vista de quem viveu, sendo narrado em primeira pessoa. Os erros de português de Celie, que era semi-analfabeta foram mantidos para manter a veracidade, já que eram cartas.

Celie, após ser violentada pelo pai -  spoiler: ou pelo que se diz pai - é "dada" em casamento para outro homem violento chamado de Sinhô. Sinhô queria sua irmã mais nova Nettie, por achar Celie feia e sem graça, mas acabou casando com Celie, que pensava apenas em proteger a irmã, pois o amor entre elas é muito grande. A vida com Sinhô consegue ser pior do que a vida com o pai. Cuidar de seus filhos, apanhar e passar por humilhações. Além de ficar longe da irmã Nettie - que virara missionária na África - e de seus filhos, feitos pelas violências do pai e dados a outra família por ele.

Um belo dia, chega  em sua casa Shug Avery, uma cantora, amante de Sinhô. A partir daí, aos poucos, é claro, Celie passa a enxergar a vida de outra forma e começa seu processo de libertação do marido e daquela vida. O medo e a repulsa que sente pelos homens fica mais evidente com a aproximação das duas, que vivem um romance, chegando a morar juntas.

Enfim, nada que eu disser desse livro vai conseguir traduzir meu encantamento e amor pela história. Com certeza entrou na lista de meus livros preferidos. Peguei na Biblioteca Central da Bahia, mas assim que puder, com certeza, vou comprar. Os textos das cartas das irmãs são fortes e não simplesmente narram os acontecimentos da vida, mas sim, dão aulas para a gente em vários setores. Aulas de África e de tribos africanas, aula sobre o racismo e a escravidão nos EUA, aula de língua, já que até o pidgin (quem é de letras vai saber o que é) é citado; aula de feminismo, aula de luta por direitos, aula de vida e até ensinamentos de como lidar com fins de relacionamentos. É um grande livro e eu estou maravilhada até agora. Fico por aqui recomendando esse livro incrível e ainda tão atual. Leiam! Vale muito a pena.




Rafaela Valverde

quinta-feira, 9 de novembro de 2017

Cinismo - Tati Bernardi

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E o único jeito de ser mais malandro 
que a tristeza é sendo cínico.
E lá vai a garota. 
Comprar pão quente com seu cinismo. 
Comprar absorvente com seu cinismo. 
Amar com seu cinismo. 
Porque só o cinismo vence a tristeza.
Porque só o cinismo é mais triste do que a tristeza. 
E eu virei um muro alto feito de pedras cheias de pontas. 
Tudo isso só porque eu quero tanto um pouco de carinho 

que acabei ficando com medo de não ganhar.



Rafaela Valverde

segunda-feira, 6 de novembro de 2017

Uns olhos inquietos procurando pretextos volúveis para viver

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Sempre fui a que está sozinha. É muito raro alguém me encontrar acompanhada. Observo as pessoas atentamente. Se as todos soubessem o que olhares e corpos dizem, com certeza falariam menos e olhariam mais. Será que alguém sabe a carga que carrega um olhar? Um único olhar? Sentada, sozinha é claro, no restaurante universitário consigo identificar vários tipos de pessoas. As que sofrem e as que fazem sofrer; calouros sorridentes sem nem imaginar o que lhes esperam. Além disso é lindo ver esses mesmos calouros perdidos sem saber onde pega o garfo e onde pega a faca. Já passei por isso e não tem muito tempo não. Início do ano passado era eu, caloura, o motivo da chacota, das observações dos veteranos. 

Dá para saber quem é o falastrão e o caladão. Dá para perceber quem está apaixonado ou não. Só observando as pessoas no RU. Quero terminar meu almoço e ir lá pra fora fumar. Eu não gosto de conversar à toa e um cigarro sempre cai bem, ninguém encosta em mim com toda aquela fumaça. Não é que eu não goste de conversar. Eu até gosto, sim. Mas conversa tem que ter propósito. A meu ver. Não quero tagarelar. Jogar conversa fora ou falar só pra não ficar calada. O que eu quero mesmo é ficar calada e observar. Um passarinho dançante na grama lá fora, um pai beijando o filho antes de ele sair do carro, flores desabrochando... Sabe...? Todas essas coisas piegas da vida, que só gente piegas observa.

E eu sou desse tipo de gente. O mais cafona possível. Pieguice é meu sobrenome. E olha que frase ridícula que evidencia exatamente isto que estou falando agora. Tinha um menino lá, no RU, com uma camisa rosa desbotada. Que tom de rosa horrível. Ele ficava olhando para a menina que estava bem a sua frente de uma forma quase idólatra. Não sei se eles se conheciam. Não vi os dois conversando. Mas vi como ele olhava para ela. Ninguém olha pra mim daquele jeito. FATO! 

Depois do menino da camisa horrível, um torcedor do Bahia (só podia ser) gritava para um gostosão rasta que estava do outro lado do restaurante  Bom, pelo menos isso despertou minha atenção e pude me deliciar com aquele colírio. Ele logo sumiu das minhas vistas, já que eu estava mais interessada na minha sobremesa. Sinto muito, gostosão! Um docinho depois do almoço  é melhor que você sim.

Lá fora, já com o cigarro na mão, pensava no ônibus que passaria dali a cinco minutos e pensava em todas aquelas pessoas que formam meus repertórios de observação diária. Se não fossem essas pessoas e suas peripécias com certeza eu seria muito mais solitária, cá com meus botões e cigarros. Maços e mais maços. Dúvidas constantes sobre tudo que todo mundo tem certeza. Olho pra aquele tubinho branco e penso: "essa porra vai me matar..."

E aí vem tudo à tona. "O que é que eu tô fazendo com minha vida? Eu não tagarelo, tô sempre sozinha, sou essa demente observadora, piegas e cafona e ainda por cima fumo." Todo o meu pulmão deve estar preto agora. Será que estar preto é mesmo ruim? Por que toda essa coisa com a cor preta? O preto das substâncias do cigarro é tão lindo! E quem é que me garante que aquele pulmão rosinha, fofinho é o normal? É o saudável? Ninguém me garante, porque sei que tem bebês que nascem com problemas no pulmão e nunca fumaram. Minhas maratonas de Grey's Anatomy me deixaram assim metida a entendida dos assuntos medicamentosos. Olho pro cigarro de novo, sendo desperdiçado, queimando ali sozinho... "Ah vou fumar mesmo. Porra!"

Olhei para a frente, em meio as árvores. Um homem me observava.  Também fumava. Ele era claramente homossexual, então sem essa idiotice clichê de climinha romântico nesse texto. Não. Reconheci imediatamente que seu interesse em minha briga com o cigarro era bem parecido com meu interesse por todas as pessoas... O menino da camisa horrível, os calouros, o gostosão de cabelo rasta... Eu gosto de observar pessoas, de olhar seus olhares e expressões. Essa coisa toda me deixa menos sombria e solitária. Sorri amarelamente, sem mostrar os dentes. Era o melhor sorriso que podia oferecer. Depois caminhei para o ponto de ônibus, ainda fumando.



Rafaela Valverde

domingo, 5 de novembro de 2017

No chão da cozinha

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O piso é novo. Branco, minha pele nua ressai nele. Foi colocado há poucos dias. Ainda posso sentir a umidade do rejunte nas minhas costas. Estou com as pernas abertas, seu rosto entre elas, me chupando delicadamente. Revirava os olhos aproveitando o momento e pensava como tínhamos ido parar ali no chão.

Talvez fosse o fetiche do novo piso tão desejado. Há anos que queríamos trocá-lo. Ele foi aumentando a velocidade e intensidade, aumentei os gemidos porque estava muito bom. O homem chupava gostoso demais. Gozei sentindo o piso gelado em minhas costas enquanto empurrava a cara dele para mais perto.

Quando terminei, ele parou e me beijou com selvageria. Senti meu gosto em sua boca e estava cada vez mais excitada ansiando por ele. Quando me penetrou gritei alto, me sentindo preenchida. Ele apertava minha coxas intercalando com beijos e mordidas em meu pescoço, me deixando louca.

Virei, ficando por cima, cavalgando. Agora ele quem estava deitado no piso novo. Mordisquei seus lábios enquanto rebolava e gemia. Depois de uns minutos, de lado, me contorcia enquanto ele mordia meu ombro. Gozamos ali mesmo no chão novo da cozinha, enquanto planejávamos que azulejos colocaríamos na parede.



Rafaela Valverde

Assim eu vejo a vida - Cora Coralina



A vida tem duas faces:
Positiva e negativa
O passado foi duro
mas deixou o seu legado
Saber viver é a grande sabedoria
Que eu possa dignificar
Minha condição de mulher,
Aceitar suas limitações
E me fazer pedra de segurança
dos valores que vão desmoronando.
Nasci em tempos rudes
Aceitei contradições
lutas e pedras
como lições de vida
e delas me sirvo
Aprendi a viver.



Rafaela Valverde

quinta-feira, 2 de novembro de 2017

Mais dicas para o Enem

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Hoje vou escrever o prometido texto de  dicas para a redação do ENEM. A primeira prova é domingo agora, dia 06/10, mas a redação ainda é na próxima semana, então dá tempo de estudar ainda. Vou falar um pouco sobre introdução, mas antes é preciso ter em mente os requisitos básicos para escrever bem. Já devo ter falado sobre eles no texto anterior, mas nunca é demais relembrar.

Repetindo:é preciso ler muito, ter repertório, saber um pouco de tudo. Conhecimento nunca é demais. É preciso ter informação, estar atualizado e atento com o que está acontecendo. Construir argumentos e se posicionar sobre um tema. Defender seu ponto de vista. Como fazer isso sem saber, sem ter repertório? Não tem como.

Sua introdução deve ser precisa, objetiva, mostrar para que seu texto veio. Não precisa  encher de palavras difíceis. A introdução vai apresentar seu tema ao leitor, a partir dela é que ele vai decidir se vai continuar a ler ou não. Portanto, pense no leitor! O texto deve se desenvolver a partir dessa introdução que também não precisa ser muito grande. Bastam três ou quatro linhas. Escreva sempre períodos curtos, com a utilização de pontos parágrafos. Aprendi a escrever assim há alguns anos e não sei mais fazer períodos muito grandes.

Mas reconheço que é difícil explicar como fazer textos. Na verdade, é questão de praticar mesmo e sentir seu texto melhorar aos poucos. É interessante ler outras redações, como por exemplo as redações de destaque em vestibulares e ENEM anteriores. Isso vai dar uma ideia mais ou menos de como as introduções são feitas.

O importante é ter em mente que a introdução vai mostrar e delimitar em que vai se basear seu texto. Se você começa trazendo dados do IBGE por exemplo, seu texto deve girar em torno daqueles dados. É claro que seu desenvolvimento deve ser um texto rico e não vai parar simplesmente em meros dados, estes devem ser desenvolvidos, argumentados e informações novas podem e devem surgir.

Ah, para finalizar, quero dizer que a introdução pode começar com uma pergunta. Mas não é algo que eu costumo fazer. Acho que a pergunta pode limitar um pouco a própria introdução e até mesmo o texto, mas sabendo fazer, pode. Pode tudo, contanto que o texto seja  bem escrito. Leiam, leiam muito. Vejam como são  as introduções das melhores redações que estão pela internet. 

Volto na semana que vem com mais dicas!


Rafaela Valverde





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