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segunda-feira, 11 de setembro de 2017

Eu não conserto erros de português de ninguém!

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Sou professora de português em formação. Entrei porque queria escrever, produzir, pesquisar, quem sabe fazer mestrado e doutorado. Entrei ainda perdida, sem saber muito bem o que era a sala de aula. Hoje, já faço. Já estive em sala de aula. Não é coisa que eu abomino como achei que faria. Eu amo estar na sala de aula, como aluna e como professora. Quero ressaltar que eu gosto de estudar esse curso, mas antes dele fiz dois semestres de psicologia e odiei. Era uma tortura estar na sala de aula estudando aquelas coisas estranhas.

Mas agora me sinto realizada estudando a língua portuguesa, suas teorias, práticas, literaturas e gramáticas. Eu não sabia que nossa língua era assim tão encantadora. Claro que tem disciplinas que gosto mais e outras que gosto menos. Umas que estudo mais e outras não. Em qualquer lugar é sempre assim. Mas ainda assim, eu me encontrei porque agora posso realmente fazer o que gosto: escrever e estudar a língua. Sempre gostei de português e sempre tive muita facilidade. Eu quase nem estudava português na escola, porque pra mim vinha natural e com apenas assistindo as aulas eu conseguia entender. Fora que eu sempre amei ler e escrever.

E eu estou escrevendo isso por quê? Para que as pessoas compreendam que quanto mais a gente é apaixonado pelo que faz, mais a gente estuda e quanto mais estudamos menos tendemos a praticar preconceito linguístico. E mais uma vez, digo isso estou escrevendo todas essas coisas porque eu não vou corrigir ninguém. A não ser que a pessoa me peça. Até porque eu não estou ganhando para consertar as pessoas. 

Se depender de mim as pessoas vão continuar falando e escrevendo "errado" que eu não estou nem aí. A não ser que seja meu aluno, criança ou adolescente. Sendo adulto e não sendo meu aluno, eu não estou aqui para ficar praticando preconceito linguístico com ninguém. Tem gente que fica com medo de conversar comigo no Whatsapp para não escrever errado, achando que eu vou corrigir. E já ouvi relatos de outros estudantes de letras falando a mesma coisa.

Mas não tenham medo da gente. Nós não vamos te consertar. Pelo menos um bom estudante de letras e um realmente estudante não vai te consertar. Fiquem tranquilos, leiam, estudem que isso auxilia na melhoria da escrita. Não precisa que outras pessoas te consertem, não! É deselegante.



Rafaela Valverde

terça-feira, 25 de julho de 2017

Minha relação com a escrita

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Minha relação com a escrita é bem antiga. Comecei a ler com quatro anos e a escrita veio logo em seguida: minha mãe sugeria que escrevesse cartas para professoras e minha madrinha. Minha mãe foi uma grande incentivadora de todo o processo, porque em todos os momentos que me lembro escrevendo na infância, minha mãe estava presente ou foi por causa dela. Além das cartas, havia as cópias de textos dos livros de português, especialmente como castigos; tinha também as caligrafias, aqueles cadernos para ajeitar as letras e as deixar bonitinhas. 

Não sei que coisa mágica é essa de minha mãe, pois não teve estudo, não gostava de estudar, segundo ela mesma, e ainda assim "puxava" da gente no estudo, de mim e de minha irmã. Fora isso, tínhamos o incentivo das escolas em que estudamos na primeira infância. Escolas pequenas, privadas, mas de bairro. Mas escolas que foram muito importantes em minha formação. Tive uma base muito boa, apesar de depois, a partir dos sete anos, ter ido para a escola pública.

Como tinha essa base da escrita e entrei na segunda série mais adiantada que meus colegas e ainda continuava o incentivo-castigo de mamis, eu seguia bem na escola. Apesar de lembrar de ler pouco nessa época, mas de já ter lido muito na escola anterior, foi lá que comecei a ler quadrinhos, eu gostava de ler, mas não tinha muito acesso a livros. Não havia internet e realmente eu só lia o pouco que conseguia nos livros didáticos e na casa de duas de minhas tias, que tinham alguns livros.

Com a reforma da escola que eu estudava, na terceira série do ensino fundamental, esperei que pudéssemos passar a frequentar a biblioteca, eu e minha turma, mas isso não acontecia. Continuei com pouco acesso e sem incentivos muito satisfatórios. No entanto, uma professora pedia que nós sempre lêssemos. Lembro claramente ela falando pra gente ler placas na rua e até bulas de remédios. Segui seu conselho.

Nessa época eu ainda não escrevia. E acho que também nessa época, começou a ir ao meu bairro, um projeto da biblioteca pública da Bahia: biblioteca móvel, que nada mais era que uma biblioteca em uma van. Eu carinhosamente chamava de bibliocombi. Nossa, como é bom lembrar disso, porque eu simplesmente amava esse momento. Foi aí que começou minha relação direta com os livros. Eram tardes de quarta feira, pra mim o melhor dia da semana. Eu ia lá, lia algumas revistas: Veja, Época, Turma da Mônica e pegava livros emprestados. Eu sempre li de tudo, mas amava ler romances água com açúcar. Uns que tinha nomes de flores. Simplesmente adorava. Lia nessa época, muito Agatha Christie também. Eu sempre li de tudo, independente se era próprio pra minha idade. Se eu tinha acesso eu lia. Não tenho certeza, mas acho que comecei a ler Sidney Sheldon também essa época, que são livros bem adultos.

Enfim, essa biblioteca esteve no meu bairro durante anos, toda quarta feira. E eu batia ponto lá. Pelo menos até mudar de escola e ir estudar no Centro da cidade. Lá havia biblioteca e eu podia frequentar a biblioteca pública dos Barris. E era o que eu fazia. Teve também as bibliotecas Monteiro Lobato e do Sesc, em Nazaré. Ambas fizeram parte da minha adolescência, também. Sempre vivi nesse universo literário

Comecei a escrever literatura pra valer com onze pra doze anos. Mas antes tinha um diário, então comecei bem antes dessa idade. Pois bem, aos doze anos escrevi a história baseada em um dos romances bestas que havia lido e dei pra minha professora de português na época, de quem eu gostava muito. Peguei várias folhas, escritas à lápis, grampeei, colei um papel ofício na frente com um nome que nem lembro mais e entreguei a ela. Até hoje tenho vergonha disso. Rsrsrs Coitada da professora, gente!

Depois disso não parei mais. Eram poesias bobas de menina, paródias para trabalhos da escola, tudo eu escrevia. Em 2008, eu já na era da internet, comecei esse blog. E já se foram nove anos! Eu estava em casa vagabundando, tinha terminado o ensino médio e estava procurando emprego. Estava sem rumo, me sentia triste e insatisfeita com aquela situação. Daí, decidi escrever sobre esses sentimentos que tanto me afligiam. E não parei mais.

Hoje eu escrevo tudo: poema, crônicas, contos, trabalhos acadêmicos, textos dissertativos. Tudo... Eu amo escrever. Em 2013 obtive 940 na redação do Enem e em 2014 900 pontos. Isso me deixa muito orgulhosa e eu fico espalhando para as pessoas. Claro que eu não nasci sabendo e nem é um dom divino que veio do nada. Eu ralei muito e batalhei para escrever como escrevo hoje. E ainda assim preciso muito melhorar. Li muito a minha vida toda e leio ainda. Até hoje eu leio muito, até porque meu curso exige.

Mas dá muito trabalho. Não é nada de outro mundo, qualquer pessoa pode escrever bem, basta ler e treinar bastante, é um trabalho árduo. Algumas pessoas acham que eu já nasci com o dom de escrever e que só tive que começar a escrever e mais nada. Confesso que isso me incomoda um pouco, mas vamos que vamos...


Rafaela Valverde


sexta-feira, 9 de junho de 2017

As maravilhas da leitura


Há unanimidade quando se fala nas vantagens de se cultivar o hábito da leitura. Apesar de o brasileiro ler pouco, houve nos últimos anos, aumento na média de livros lidos.

Canais do youtube trazem indicações de livros de diversos gêneros, clubes de leitura aumentaram consideravelmente no país. Os clubes de leitura são aqueles em que os clientes pagam um valor fixo mensal e recebem todos os meses, também, livros no conforto de suas casas. Assim, mais pessoas podem desfrutar dos inúmeros benefícios da leitura. Acessibilidade é importante, mas, livros ainda continuam bem caros no Brasil.

Porém, para melhorar a comunicação oral e escrita, aumentar o vocabulário, estimular a imaginação, relaxar e aliviar o estresse, entre outros bônus, vale a pena pagar pelos livros. Opções mais baratas seriam os sebos e feiras de livros; gratuitamente também é possível frequentar bibliotecas. Ler é viciante; é um prazer que se estende, transformando -se em mudança de vida. Por exemplo, quem quer escrever, precisa ler de tudo, afim de ampliar o repertório; o estudo, em todos os níveis, perpassam pela leitura, por textos. Ler é uma delícia e faz bem.

Dessa forma, apesar do sensível aumento no número de leitores brasileiros, ainda é possível constatar que o brasileiro não gosta muito de ler. Isso atrasa o país em anos, em relação a outros países do mundo. São necessárias, portanto, ações efetivas na educação, com campanhas de incentivo, exemplos e sobretudo, baixa nos impostos dos livros. Então, assim será possível, talvez, vislumbrar ainda mais leitores no futuro.


Rafaela Valverde

quinta-feira, 25 de maio de 2017

Impressões da sala de aula


Comecei a dar aulas em uma escola estadual. Nunca pensei que fosse fácil, mas descobri que é bem difícil ser professora. Principalmente em escola pública, onde os meninos são jogados lá, sem ao menos compreender o porquê de estarem ali. Há ainda a falta de estrutura e também o grande uso de tecnologias, como o celular  e vídeos do youtube, que podem atrapalhar bastante a prática docente.

Os meninos ouvem música e ficam com o celular na sala, às vezes tocando música sem o fone de ouvido. Não há nenhuma noção de disciplina, nem do que deve ou não ser feito. Não há noção de hora certa para fazer determinadas coisas. Eu sempre ouvi na minha casa que existia hora para tudo, hora para se divertir e hora de ralar. Eu sempre ouvi que primeiro deve vir a obrigação e depois a diversão.

Percebo que não há respeito nem na presença do professor. Não posso ser hipócrita e dizer que eu fui uma criança e uma pré adolescente maravilhosa e bem comportada. Não fui! Mas os meus pais estavam presentes na escola por tudo que eu aprontasse e era quase sempre. Por mais que no fundo eles achassem que não adiantaria nada, eles iam. Já chegue a tomar uns tapas de minha mãe dentro da escola.

Mas, mesmo sendo rebelde, havia um mínimo de respeito ao professor. Mesmo que eu continuasse a conversar, porque lembro que era uma faladeira na sala, eu pelo menos entrava na sala e sentava na cadeira. Ao contrário de hoje. Os meus alunos não sentam, não param, não se interessam pelos conteúdos e nem me respeitam. Fora que saem da sala toda hora e outros alunos entram na sala a todo momento, me ignorando.

A estrutura da escola pública não ajuda muito a vida do professor não. Algumas salas nem porta têm e quando chove molham tem goteira. Não têm ventiladores e é péssimo estudar assim. Como eu, sozinha, vou fazer os alunos prestarem atenção em mim com tantas distrações e com tanta falta de estrutura? Eu até tento. Converso com eles, fiz um jogo e pretendo fazer o máximo para tornar minhas aulas interessantes mas é bem difícil.

É difícil porque esse interesse pela escola e pelo conhecimento não vem de casa. Os pais não leem. Mas também qual o pai que tem tempo ou dinheiro para comprar livro? Não estou defendendo, pois isso não justifica nada. Essa é uma sensação geral que eu tenho. As pessoas não estão nem aí para nada, não leem, não estudam, não se informam. Só querem saber de festas, alegrias da vida, novelas, youtube, whatsapp... Mas quem condenaria essas pessoas? O caminho do conhecimento é bem árduo.

Eu também gosto de todas essas coisas, mas amadureci cedo e entendi desde nova que havia momento para tudo na vida. Há hora para estudar, para brincar, para dormir. Deve haver uma adequação para tudo na vida, não é mesmo? Mas é isso, essa é uma das minhas reflexões sobre a sala de aula e sobre a prática docente. Espero que eu faça mais!


Rafaela Valverde


quinta-feira, 4 de maio de 2017

Minha trajetória acadêmica

Em 2010 passei no vestibular da Uneb - Universidade do estado da Bahia para o curso de Pedagogia, que eu não sabia exatamente do que se tratava, mas como achava que queria fazer psicologia, achei que pedagogia tinha semelhanças com psico e lá fui eu. As aulas começaram no dia 12 de abril e ainda era tão menina, ia fazer vinte e um anos e estava noiva. Nessa época eu trabalhava e estudava e só vivia cansada, dormia na aula e não sei como eu consegui lidar com oito matérias assim. Uns dois meses depois fiquei desempregada e minha mãe que me ajudava com a faculdade. Casei no mesmo ano e continuei nos semestres seguintes com as oito disciplinas.

Depois de um tempo comecei a pegar menos matérias e fui ficando atrasada, separada das minhas colegas e amigas que tinha feito naqueles meses. Acredito que  isso tenha me desmotivado bastante, além  de uma monitoria que fiz e não recebi o dinheiro ao qual tinha direito e precisava. Por essas e questões de não gostar e não me adaptar com algumas disciplinas e questões do curso acabei abandonando. Eu não via mais graça em estar ali, fazendo aquele curso. Me sentia sem perspectivas.

Foi nessa época que passei a dar mais atenção ao blog e quis seguir o sonho de escrever, de ganhar dinheiro escrevendo e botei na cabeça que queria ser jornalista. Por que queria escrever de qualquer jeito. Até pensei em fazer letras, mas tinha horror à licenciatura e à sala de aula. Tentei entrar na UFBA em jornalismo e não consegui. No ano de 2013 depois de uns meses fora do Departamento de Educação da Uneb, decidi voltar. Mas durou pouco tempo. Minha falta de afinidade com o curso era latente, eu não me dava bem com a maioria dos professores de lá que eram muito arrogantes. Não tinha motivação para ir até lé, nem para fazer as atividades, nem de olhar para as caras dos professores. Saí de novo e dessa vez pra valer.

Em 2014 depois de mais um Enem tentei novamente o curso de jornalismo na UFBA e não consegui. Porém fiz um vestibular na Unijorge e passei, consegui um FIES e fui fazer jornalismo nesse centro universitário privado. Não me adaptei muito bem lá. A universidade parece um shopping, com praças de alimentação bem grandes e quase nenhum apoio a alunos de baixa renda. Me sentia deslocada, um peixe fora d'água. Fora que a sala que eu estudava era super barulhenta e imatura, me sentia estudando em uma escola de ensino médio. Fora que com boletos todo mês e o salário que eu ganhava não estava dando, daí decidi usar a mesma nota do Enem e ganhar uma bolsa em uma universidade diferente e melhor. Consegui a bolsa e ia começar o semestre no mês de agosto de 2014. Enquanto isso, minhas colegas estavam se formando. 

Faltando poucos dias para começar o semestre na FSBA - Faculdade Social da Bahia eu recebi uma ligação  avisando que não havia formado turma para jornalismo e que o curso estava praticamente extinto na universidade. Eu teria que escolher outro curso ou desistir da bolsa. Dentre os cursos que me ofereceram fiz a merda de escolher um. Eu não acreditava mais que pudesse entrar na UFBA  e seguir a carreira acadêmica que eu tanto sonhava. Então eu escolhi psicologia. Entrei sem semestre definido e pegava disciplinas introdutórias misturadas com as mais avançadas e não entendia os conceitos básicos tendo certa dificuldade em acompanhar. Sentia o tempo todo que me formaria sem nenhuma perspetiva, não me sentia feliz ali, nem no curso e nem na faculdade. Fora que é perto do campus da UFBA em que estudo hoje e pegava os mesmos ônibus que vários alunos da Federal que ali desciam e ficava pensando que meu lugar era ali, que um dia eu gostaria de descer antes, naqueles ponto.

O que começou a me tirar daquele curso e daquela faculdade foi a dificuldade em estudar. Os textos eram longos e meu tablet havia quebrado, me impossibilitando de ler a maioria dos textos. Eu teria que tirar xerox ou imprimir todos e não tinha grana para isso, apesar de estar trabalhando na época. Comecei a tirar notas ruins e a faltar nas aulas de sábado, já que trabalhava aos finais de semana. Eu sabia que tinha que sair dali e exatamente no meio do ano de 2015, no SISU do meio do ano eu decidi que eu iria para a UFBA em qualquer curso. E eu entrei em Letras. De primeira. Sabe se que as notas de corte desses cursos são bem baixas e não foi tão difícil. Fiquei muito feliz. Acho que foi um dos poucos dias mais felizes que tive naquele ano. Dia 15 de junho de 2015. A universidade estava em greve, fiz matrícula, mas só comecei a ter aulas em janeiro de 20016, ano passado e hoje estou no quarto semestre e realmente estou onde eu merecia, precisava e queria estar. Eu dou aulas particulares de Português e agora vou assumir salas de aula em uma escola estadual. Eu estou muito feliz e realizada na minha vida acadêmica. Eu amo ensinar. Eu já faço pesquisa e sou bolsista de Iniciação Científica. Eu vejo  a realização do meu sonho chegando, chegando aos poucos. Eu tenho contato mais direto com literatura, algumas disciplinas de literatura do curso são fascinantes e eu adoro entrar naquele portão todos os dias. Por mais que a coisa não seja fácil. É muito estudo. É tudo bem diferente de todas as universidades em que já estive. Mas eu adoro, finalmente me encontrei.

Não desista do seu sonho, não hesite em sair de algo que não te faz bem, onde você não quer estar. Saia e vá atrás do que realmente você quer. Porque uma hora dá certo. Essa é a loucura da minha vida acadêmica até agora, minhas desistências e conquistas. 



Rafaela Valverde

sexta-feira, 24 de março de 2017

Série Merli


Dois professores me indicaram a série Merlí e eu decidi assistir. Está no Netflix e eu não poderia deixar de dar uma espiada. Especialmente por se tratar de uma série catalã, cuja cultura e língua eu ainda não tinha tido contato e por se tratar de educação e filosofia. Merlí estreou na Catalunha em 2015 e a Netflix comprou os direitos de exibição no Brasil e nos EUA.

Só tem a primeira temporada, mas já quero a segunda! Merlí, professor que dá nome a série é um professor de filosofia nada tradicional. Ele chega à escola causando polêmicas com os outros professores e com os alunos que estranham sua forma de ensinar e agir. Desperta o ódio de alguns e o amor de outros. Um outro detalhe da série é que cada episódio é nomeado com um filósofo ou uma vertente filosófica como os peripatéticos. E nesses episódios com nomes de filósofos, as aulas e as histórias têm influências de certas ideias deles. 

Merlí é pai de Bruno, que também é seu aluno. Bruno é gay mas ainda está no armário. E as histórias vão se desenvolvendo a partir dos dramas dos alunos, da personalidade do professor-protagonista Merlí, que não é nada fácil e a partir de ideias filosóficas também. Vários assuntos são abordados, como conflitos entre pais e filhos, divulgação de vídeos íntimos na internet, bullying, homossexualidade, etc.

É uma série muito bacana. Bem produzida, com boas atuações e aquela gostosíssima língua catalã que inclusive estou estudando na faculdade, já que é uma língua românica, advinda do latim hahaha. É isso, gente, eu gostei bastante e recomendo. Para professores e pessoas normais (rsrsrs). Já que é uma série bastante divertida e dá para aprender alguma coisa sobre filosofia. Recomendo!



Rafaela Valverde

sexta-feira, 4 de novembro de 2016

No espelho


Eu não era como as outras meninas. Eu acho que nunca fui. Eu me olhava no espelho e via uma menina de óculos e espinhas, uma cicatriz ao lado do olho. Tomei dois pontos. Uma queda na escola. Além de ser a esquisita, eu era a esquisita que vivia correndo e batendo em todo mundo. Eu ficava olhando enquanto minhas amigas adolescentes namoravam.

Eu não beijei ninguém até os treze anos, e olhe que isso era bem tarde, já naquela época. Eu não sabia de muita coisa da vida e até hoje eu não sei. E esse espelho não me diz nada, não esclarece nada. Há uma névoa pairando sobre a minha cabeça. Eu sou uma mulher sombria, eu fui uma adolescente sombria.

Há coisas que eu guardei só para mim e só pouquíssimas pessoas sabem. Eu gosto do que vejo hoje no espelho. É melhor do que o que eu via há alguns anos. Minha aparência havia melhorado, mas eu estava ainda ferida pelo tempo, pela vida, por tudo. Eu sabia que precisava cicatrizar. Mas bem lá no fundo  havia ainda em mim marcas da passado que não se tratariam. Não sarariam jamais.

Bem, eu continuo esquisita, é o que eu quero dizer. A minha esquisitice nada tem a ver com a a aparência. É a conclusão que chego. Escuto vozes que vem de mim mesma e não as compreendo. Eu sou a mocinha mais vilã, eu sou a mulher com cara de bruxa, eu sou a ovelha negra, eu sou a caladona com um livro na mão. É o que eu sou, é quem eu sou. Ambígua, paradoxal, complexa, inquieta. Sim, eu não sou como as outras meninas.


Rafaela Valverde

quarta-feira, 5 de outubro de 2016

O "amarelo"


No último domingo estive na escola que estudei a minha infância inteira até os 14 anos. Há cada dois anos eu vou a essa escola que fez parte da minha vida. Vou lá votar. No último domingo após o fim das eleições eu esperava numa cadeira  e comecei a observar o pátio da entrada do colégio. Ainda há um telefone público na entrada. Lembro das ligações que já fiz naquele telefone público.

Olho para o chão, ainda é o mesmo. A estrutura é basicamente a mesma, mas há mais um portão e câmeras. Ao mesmo tempo em que a escola é a mesma, ela mudou muito. Saí de lá há treze anos e ainda nem tinha ensino médio quando saí. Era só até o ensino fundamental II. Lá fiz muitas travessuras, lá fiz amigos e inimigos que duram até hoje. Lá eu vivi coisas boas e ruins. Mais ruins, para falar a verdade.

Sofri bulliyng, sensação de fracasso escolar, "amores" não correspondidos e sofri a precariedade da escola pública. Eu vi aquela escola nascer e antes ela ainda era mais precária. Há vinte anos, eu tinha sete anos e estava na segunda série do ensino fundamental I. Havia saído da escola particular, onde estudei na pré escola e fui estudar nessa escola que era pequena, com apenas sete salas de aulas, quatro de madeira. Sim, a escola era um amontoado de compensado.

No ano seguinte começou uma reforma que durou mais de um ano, ficamos sem escola nesse ano. Minha mão não podia pagar particular e a outra pública era ainda pior, mas ainda assim era melhor que nada, até hoje não entendo isso, mas enfim... Quando finalmente a reforma foi concluída e a escola foi entregue com a estrutura que ela tem hoje todos nós ficamos maravilhados e achamos aquilo tudo a última e mais moderna revolução educacional. Até passamos a chamar carinhosamente o colégio de "amarelo" devido a cor do seu prédio. E é assim até hoje. Simplesmente amarelo e pronto.

Sim, então enquanto estava sentada lá esperando meu trabalho como presidente de mesa terminar eu vi num grande mural que tem logo na entrada um aviso informando que devido à morte da professora Graça as provas seriam canceladas e adiadas para a semana seguinte. Ela morreu no dia 27/09 e era uma professora que eu gostava muito, fiquei arrasada quando soube da notícia. Aquilo me encheu de tristeza e ao mesmo tempo saudade dos anos em que estive ali. Só queria prestar mais essa pequena homenagem a minha professora de português/ inglês de quase toda minha vida escolar e a escola que eu estudei que apesar de sofrer com a precariedade foi onde eu estudei.




Rafaela Valverde

terça-feira, 23 de agosto de 2016

Eu me amo, eu me acho!

Essa semana vi essa imagem no Facebook e decidi compartilhar e salvei no meu instagram por que ela diz muito sobre mim.

Sim, é um print do meu instagram. Eu já fui inúmeras vezes criticada co ironia sobre as quantidades de fotos minhas que posto,  já fui chamada de metida e já me disseram que "eu me achava". Eu não ligo, eu me acho mesmo. Se eu não me achar que vai? Eu já fui feia, a feia da escola, que todo mundo zoava. Eu sofria bullying, eu era a gorda de óculos  e que era assim caracterizada. Hoje eu me acho maravilhosa, eu me amo e me acho linda. Não sei como eu consegui esse feito, depois de anos me achando feia, me escondendo.

Eu usava óculos, mas eu queria que meu cabelo fosse diferente e queria também ser magra, eu achava que se eu fosse lisa, loira e magra talvez pudesse compensar a minha "quatroolhice"e todas as outras coisas que eu achava esquisitas em mim. Mas enfim, essa fase passou e hoje eu estou aqui me amando cada vez e me achando maravilhosa.

Me sinto bem com meu corpo e consigo usá-lo para as coisas que ele geralmente serve como andar, sustentar minha cabeça, viver, etc. Enfim, eu  vou tirar fotos sim, eu vou me amar sim e não vão continuar me dizendo o que posso ou não fazer por causa da minha aparência. Me sinto muito bem, me acho maravilhosa e ninguém mais vai mudar isso. Boto meu brincão, meu batom vermelho e saio esbanjando charme e auto estima. Amor por mim mesma. Não há nada igual. E é essa a mensagem! Se amem meninas!



Rafaela Valverde

sexta-feira, 19 de agosto de 2016

Por que a escola não serve para (quase) nada? Gustavo Ioschpe

Vi esse texto em um livro e gostei bastante dele até por que eu concordo muito com isso e já vi exemplos dos que eram os "cu de ferro da sala" terem apenas se formado em ADM por exemplo em uma faculdade particular dessas normais, enquanto algum outro 'porra louca', classe onde eu me incluo apesar de ainda não estar com uma carreira, muito menos em engenharia, passar em cursos como engenharia em universidade federal. Apesar disso não querer dizer nada, a gente sempre acaba caindo nessa de classificar a pessoa por isso ou por aquilo. Desde quando fazia Pedagogia eu venho me questionando qual o papel da escola , se ela sabe qual é esse papel e se cumpre. Deixo com vocês esse texto que é do ano 2000 mas é cada vez mais atual.

Imagem da internet



Por que a escola não serve para (quase) nada?

GUSTAVO IOSCHPE
Colunista da Folha 



Sempre me intrigou o fato de que os melhores alunos terminam não repetindo o sucesso escolar vida afora e, ao mesmo tempo, que as pessoas de grande êxito em suas atividades foram, frequentemente, maus alunos, ou pelo menos nada brilhantes. Não são inquietações que me surgiram agora, mas já na época de estudante.
Nessa mesma época, de estudante secundário, comecei a sentir um profundo incômodo com a vida estudantil. Quando criança, tinha muito prazer em ir ao colégio, em aprender aquelas coisas novas todo dia, em resolver mistérios. A educação é o mecanismo de inserção mais poderoso que há: com ela, penetramos no mundo e nos sentimos participantes da nossa realidade. A grande parede de ignorância que nos barra da compreensão do universo vai aos poucos sendo derrubada.
Mas, em um certo momento, lá pelo fim do primeiro grau, o encantamento se quebrou. Não sei se eu é que perdi a ingenuidade, ou se foi a escola que mudou, mas ficou tudo esquemático, mecânico e completamente broxante. A relação com o professor, que antes era de companheirismo e admiração nessa viagem de descobrimento, virou burocrática e antagonística. Pairava no ar o reconhecimento mútuo de que entrávamos em um teatro, onde mestres e pupilos eram atores secundários e o papel principal ficava a cargo da mediocridade, a se infiltrar e dominar tudo. Ela ditava que o nosso papel ali era de fingidores: o professor fingia estar ensinando e se interessando pela inteligência de seus alunos, e o aluno fingia estar aprendendo e absorvendo conhecimentos que lhe seriam úteis.
No fundo, todos sabiam que grande parte do que se ensinava ali era inútil e desinteressante, mas, enfim, caía no vestibular, então o que é que se havia de fazer, né?
Assim, passei, como todos os meus colegas, anos e anos regurgitando o que diziam os livrinhos que os professores nos indicavam. Líamos grandes livros, falávamos sobre grandes personagens históricos, mas o que ficava eram perguntas sobre o enredo, pedidos de descrição de eventos e causas. Nenhuma elucubração, nenhum desejo de ir além do texto, nenhuma tentativa, enfim, de pensar e imaginar. Qualquer tentativa de dizer algo diferente ou pensar o proibido era (e continua sendo) punida com canetaços vermelhos e notas baixas ou, em casos mais severos, conversinhas com orientadores pedagógicos e coordenadores educacionais (nomes infames para cargos que se resumem aos de carcerários do presídio de almas que é a escola moderna).
Assim, o sistema educacional transformou-se numa máquina produtora de mediocridade e resignação, que vai aos poucos filtrando os inconformistas e deixando-os de lado, rotulando-os como "problemáticos". Matando o espírito questionador, já que qualquer pergunta desafiadora é vista como um desafio à autoridade. Por isso é que os bons alunos não raro têm vida escolar apagada, e os maus alunos se saem bem: fora das paredes da escola, o espírito crítico, a imaginação e a vontade de fazer diferente são fatores indispensáveis ao sucesso.
O que só comprova a impressão de que colégios viraram exatamente aquilo que foram criados para combater: templos da gratificação da mediocridade e da mesquinharia; fortalezas que massacram aquilo que há de espontâneo nos jovens, e os "preparam para a vida", dando-lhes a garantia de sobrevivência que é, ao mesmo tempo, a garantia de uma vida sem saltos, voltas, dúvidas, explosões, entusiasmos, descobertas, angústias e fascínios. Tudo, enfim, que faz com que a vida valha a pena.
P.S. Antes que o tradicional espírito de porco pergunte se me imagino um gênio incompreendido, confesso que passei minha temporada escolar perseguindo notas altas e me empenhando em ser o melhor da classe, mesmo sabendo a falência moral que isso significava. O que só me entristece e envergonha.

01/05/2000



Rafaela Valverde

terça-feira, 16 de agosto de 2016

Sociolinguística

Imagem da internet
A partir dos anos 1960 os estudos linguísticos passaram a se interessar também por questões relacionadas à sociologia. A sociolinguística nasceu da preocupação com áreas como a antropologia, sociologia, psicologia relacionadas à linguagem e à sociedade. O termo sociolinguística surgiu em 1964 em um congresso organizado poe William Bright em Los Angeles. Porém, antes no início do século XX, já haviam iniciado os estudos e a preocupação com os temas e suas relações.

William Labov reage às ideias de Chomsky sobre a ausência de componentes sociais em seu modelo gerativo. Labov insiste na relação entre língua e sociedade e na possibilidade de sistematização da língua falada. Em 1963 ele publicou um trabalho que destacava fatores  sociais para entender as variações linguísticas. Esses fatores poderiam ser  idade, sexo, ocupação, origem étnica entre outros.

A língua falada é heterogênea e diversa. E é a língua falada, sua observação, discussão e descrição e  análise das situações reais, se torna o objeto de estudo da sociolinguística. Assim é estudado que cada comunidade linguística utiliza maneiras diferenciadas para falar. Essas diferenças são chamadas de variedades linguísticas. O conjunto de variedades utilizadas  em uma comunidade é o repertório e as variações podem estar inseridas nos planos diacrônico (histórico) e sincrônico (época determinada ou atual).

Há diferenças no português falado nas regiões brasileiras. Essas diferenças podem ser lexicais, fonéticas, fonológicas, sintáticas e morfossintáticas. As variações podem se relacionar ao lugar ou região (variação diatópica), à formalidade da situação de fala (variação diafásica) e a aspectos socioeconômicos, escolaridade e contexto social (variação diastrática).

Cada variação pode ocorrer em uma região do país por exemplo. Ou mais de uma. Vai depender da comunidade em que os falantes estejam inseridos. A variação é inerente às línguas naturais segundo a sociolinguística, por isso é inevitável que uma língua natural falada não tenha variação. A gramática normativa nega essas variações e  prescreve que falamos exatamente como escrevemos.

Daí pode se abordar o preconceito linguístico, já que as gramáticas normativas são feitas pela elite que exige que falemos como eles acham que é o português certo e bonito. Com isso as variação diastrática e diatópica, que são relacionadas à questão das classe sociais e de lugares menos abastados são a mais tolhida pela "elite" . Ou seja, para a classe dominante quem fala "errado" são as pessoas pobres, sem educação, desempregadas e que moram na periferia ou na região Nordeste. Porém a SL não considera variações como agramaticais, ao contrário, nossas variações de cada dia são inteligíveis e nós como professores temos obrigação de mostrar aos nossos alunos que existem diferenças linguísticas e que não há quem fale certo ou errado, melhor ou pior. Os alunos não podem ser menosprezados por suas variantes e sim devem ser conscientizados sobre a adequação a depender de onde eles estejam.



Rafaela Valverde


segunda-feira, 18 de julho de 2016

Como fazer um resumo

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Muitas pessoas não sabem como fazer um resumo. Acho que até hoje eu não sei direito (hehehe), mas já melhorei muito ao longo dos anos. Primeiramente antes de começar a resumir é preciso ler e reler várias vezes o texto. Em seguida é importante sublinhar os pontos considerados mais importantes do texto. Pode fazer um fichamento rápido.

É necessário ter uma noa noção de interpretação de texto para entender o que está sendo dito e quais são as ideias principais e secundárias. Em seguida, é bom organizar essas ideias principais em uma certa ordem com as suas próprias palavras. É interessante ter em mente o que está sendo dito no texto e como você explicaria esse assunto para alguém. Isso ajuda na hora de escrever.

Resumir basicamente é ler, analisar e escrever em poucas linhas o que é importante para o leitor saber. Não se deve copiar trechos do texto original, toda a escrita - apesar de se basear no texto original - deve ser de sua autoria, com as suas palavras e o seu estilo. O resumo deve apresentar de forma breve, concisa e coletiva um determinado conteúdo.

Apesar de não poder repetir as palavras do autor pode estar no resumo os exemplos e dados secundários dados pelo autor. O resumo deve ser coeso, um texto lógico, não um monte de frases soltas. Alguns autores indicam que há três tipos de resumo:

Resumo indicativo: Indica apenas os pontos principais do texto, não apresentando dados qualitativos, quantitativos, etc.
Resumo informativo: Informa ao leitor sobre o texto, sobre a conveniência da leitura do texto inteiro. Conta ainda com finalidades, metodologia, resultados e conclusões.
Resumo crítico ou resenha: resumo escrito por especialista com análise interpretativa de um documento ou texto.

Um resumo, como o nome já diz deve ser resumido. Se trata de um texto conciso. Partes desnecessárias como adjetivos, advérbios ou equivalentes. Diminuição de expressões por uma palavra, construções novas com substituições de termos que tornem o texto mais enxuto são essenciais para a elaboração de um bom resumo.

Informações como os dados do texto, autor, título ano de publicação e gênero da obra devem constar no resumo. Deve se usar conectivos para relacionar as ideias principais com as secundárias e assim escrever um novo texto. O autor do texto original deve ser mencionado diversas vezes ao longo do texto com expressões como: "segundo o autor", etc.


Rafaela Valverde



quinta-feira, 14 de julho de 2016

Livro Português ou Brasileiro? um convite à pesquisa - Marcos Bagno

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Terminei de ler o livro Português ou Brasileiro: Um convite à pesuqisa de Marcos Bagno. O autor discute um pouco da história da Gramática Tradicional e da Língua Portuguesa, além de tecer críticas diversas ao ensino tradicional da língua no Brasil. Ele aponta algumas possíveis soluções para o ensino, além de diferenciar o português falado em Portugal e o português brasileiro.

Bagno fala sobre as suas pesquisas na área. E traz outras formas de pesquisa. O que e como pesquisar na área. O livro traz diversos exemplos do que se fala e do que é ensinado nas escolas. Um é diferente do outro. A Gramática Tradicional exclui o falante e traz formas totalmente em desuso no Brasil, mas algumas que ainda são faladas em Portugal.

Logo há duas línguas diferentes. O português de Portugal e o Português brasileiro. Esse último é o que deve ser ensinado no Brasil. Formas como si, consigo, entre outras, não são mais utilizadas pelo falante brasileiro, mas ainda assim são ensinadas e repetidas como verdade absoluta ano após anos nas escolas brasileiras. Fazendo com que o aluno da língua ache a difícil, complicada. Esse aluno acaba sendo excluído, por que não "sabe falar certo" ou não.

Assim, o professor de Língua Portuguesa ou Brasileira é convidado a refletir nos usos da língua em nosso país. Além de refletir, o professor também é convidado à pesquisa. Algo que é extremamente citada no autor como importante para aperfeiçoar as práticas de ensino e talvez com mais conhecimento do professor consiga se diminuir um pouco desse abismo entre língua e alunos. Que a GT e ensinos descontextualizados não sejam mais a base do ensino da Língua Brasileira.



Rafaela Valverde


sexta-feira, 8 de julho de 2016

Algumas regras do Novo acordo ortográfico da Língua Portugesa

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Agora quero falar um pouco das novas regras ortográficas da Língua Portuguesa que já estão em vigor e devem ser usadas. Bem, há certas controvérsias em relação a esse acordo que é plenamente político e viveríamos muito bem sem ele. Mas confesso que gostei do fim do trema, aqueles pontinhos eram meio irritantes.

Enfim, hoje eu vou trazer algumas das novas regras. Para quem está aprendendo agora, sendo alfabetizado com elas é mais fácil. Mas para nós que fomos alfabetizados já há algum tempo é um pouco mais difícil. Só muita leitura e treino podem ajudar a fixar cada vez mais as mudanças que somos obrigados a acatar, concordando ou não.

Vamos lá: Os ditongos abertos tônicos èi e ói perdem o acento agudo quando caem na penúltima sílaba (paroxítona). Ex: ideia, joia, geleia, debiloide entre outras. O acento não cai se incide em ditongos em sílabas tônicas de palavras oxítonas (acento tônico na última sílaba) ou proparoxítonas (acento na antepenúltima sílaba) Ex: anéis, fiéis, anzóis, etc. Cai o acento circunflexo de palavras paroxítonas terminadas em ôo e em  êem.  Ex: voo, deem, enjoo, veem, creem. Porém têm e vêm indicando plural mantêm o acento, assim como seus derivados: mantém, mantêm, provêm, etc

Outras mudanças mais frequentes são no uso do hífen em palavras compostas. Palavras compostas com prefixos ou falsos prefixos que ganharam significado das palavras das quais faziam parte como aero, radio, tele, etc; usa- se o hífen se o segundo elemento começar com h: anti - histórico, super- homem, multi- horário, mini-habilitação, etc. 

Obs: Quando o uso dos prefixos des- e in- caem o h e o hífen: desumano, inabitável, desonra, inábil. Ainda com os prefixos co- e re- caem o h e o hífen: coerdar, coabitar, reabilitar, reabitar.

Passa se a usar hífen entre o prefixo e o segundo elemento quando o prefixo termina na mesma vogal pela qual começa o segundo elemento: anti - inflacionário, tele-educação, neo- ortodoxia. Usa se também o hífen quando o prefixo termina na mesma consoante pela qual começa o segundo elemento, ou quando este começa por r ou h: hiper- requintada,  inter-resistente, super-radical, inter-hospitalar.

Não se usa o hífen quando o prefixo termina em consoante e o segundo elemento começa por vogal ou consoante diferente de h ou r: subsequência, sublinear, interativo, hiperativo,superabundante, hiperacidez, interlocução, etc. Quando o prefixo termina em vogal e o segundo elemento começa por r ou s não se usa mais o hífen e a consoante r ou s é duplicada:
Ultra - som -> ultrassom
anti- semita -> antissemita
contra -regra -> contrarregra

Não se usa hífen quando o prefixo termina em vogal e o segundo elemento começa por vogal diferente ou consoante (r ou s se duplica)
auto- escola -> autoescola
extra-escolar ->extraescolar
co-piloto -> copiloto
auto-imune -> autoimune

Então essas são algumas das mudanças do novo acordo ortográfico da Língua Portuguesa que já está em vigor. Claro que algumas regras não vamos conseguir decorar logo, ou aprender. Mas como eu já havia dito, leitura ajuda e muito. Boa sorte para todos nós!




Rafaela Valverde

quarta-feira, 1 de junho de 2016

Livro A língua de Eulália - Marcos Bagno

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Li o livro A Língua de Eulália do professor e linguista brasileiro Marcos Bagno. O livro se denomina uma novela linguística e traz a história de Sílvia, Vera e Emília, três amigas que vão tirar férias no interior de São Paulo na casa da tia de uma delas. Lá, encontram com Irene, doutora em Língua Portuguesa que é a tia e Eulália, a inspiradora de toda a estória.

Durante as férias as amigas que são universitárias estudantes de Letras, Pedagogia e Psicologia têm um novo encontro com a Língua Portuguesa, com a variação e com a sociolinguística. Irene passa a dar aulas a elas todas as noites e vai mostrando os capítulos do seu novo livro falando sobre o tema. O livro ainda será lançado e as três amigas viram "cobaias" e ao mesmo tempo aprendem muitas coisas sobre o Português Padrão e o Português Não Padrão.

Irene deixa claro que não há apenas uma língua portuguesa no Brasil, que há a variação a depender da localidade e situação em que se esteja. O ensino da língua hoje no Brasil é discriminatória e não auxilia no aprendizado dessas questões referentes à variação linguística.

Vários conceitos são mostrados ao longo do livro, é contada um pouco da história da língua que se derivou especialmente do Latim. Ainda é mostrado como as variações são coerentes e têm sua própria lógica com explicações plausíveis. Há os mesmos tipos de variações em outras línguas como o francês e o italiano. O principal aprendizado é que não há certo ou errado quando se trata da língua falada e das variações realizadas pelo falante.

A estória do livro é besta e têm até diálogos meio artificiais, porém os conceitos referentes à língua e tudo o que pode ser apreendido compensa a construção da novela. É uma literatura mais funcional. Eu gostei muito desse livro, é possível aprender várias coisas com ele. Ele é da biblioteca do Sesc, mas um dia eu pretendo comprá-lo. Vale a pena.


Rafaela Valverde



terça-feira, 24 de maio de 2016

Filme Escritores da Lliberdade

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O filme Escritores da Liberdade foi lançado em 2007 com a direção de Richard LaGravenese e tem no elenco nomes como Hilary Swank, Patrick Dempsey, Ricardo Molina entre outros. É um drama passado em Los Angeles, Califórnia nos anos noventa, iniciando em 1992. Nesse ano começou uma lei de integração racial na escola Wilson e um grupo de estudantes mais “fracos” foi aceito na escola que antes era uma escola destinada aos melhores alunos. A professora Erin Gruwel chega à escola nesse contexto ficando com a turma da integração.

Essa turma especial era do primeiro ano e contava com alunos diferentes, oriundos das classes mais baixas. Pobres, negros, imigrantes e pessoas consideradas pouco inteligentes formavam um desafio para a jovem professora. Dentro da turma há vários grupos que se divergem e alunos envolvidos com gangs criminosas, sobretudo envolvidas com o tráfico de drogas. O relacionamento já se mostra bem difícil logo no início, já que a professora é branca, acaba sendo rechaçada pela maioria dos alunos que é composta de alunos negros. 

Mas Erin não desiste, ela é recém-formada e está cheia de esperanças de fazer um bom trabalho pela educação. Ela tem planos de realizar um trabalho diferenciado, mas ainda não sabe como tendo em vista todas as dificuldades. Além da discriminação sofrida pelos alunos da turma de integração há ainda a resistência dos outros professores ao trabalho realizado por Erin. Ela não encontra nenhum apoio e nem acesso aos livros literários da biblioteca esses alunos têm. Assim, a nova professora para tentar desenvolver seu trabalho faz de tudo, inclusive arranjar mais dois empregos, comprar livros com seu próprio dinheiro e ainda por cima vê seu casamento ruir. 

Há diversos conflitos e questões violentas envolvendo seus alunos que se veem envolvidos em problemas familiares e com a polícia. Isso é claro atrapalha os rendimentos deles que vão mal, baixando os índices de qualidade da escola causando uma resistência maior ainda para eles.

A jovem professora tenta realizar atividades que aproximem seus alunos e atividades que desenvolvam a leitura, conhecimentos e a afetividade desses jovens. Livros como O Diário de Anne Frank por exemplo são trabalhados em sala de aula, mostrando um novo mundo para os meninos. Um mundo onde não há opressão só no mundo deles. O holocausto passa a ser conhecido pela maioria que não sabia da existência dele.

A partir de então é solicitado que os alunos escrevam sobre suas vidas, seus sentimentos e sensações. Ela distribui um caderno para cada um deles, para que eles escrevam suas trajetórias de vida, suas experiências ou qualquer coisa que quisessem.
O clima começa a melhorar, o relacionamento entre os alunos flui e eles começam a se interessar mais e mais pela leitura, pelos livros e por estórias. Eles passam a gostar da professora e ela consegue permissão para lecionar para a turma nos anos seguintes. A professora Erin consegue que os relatos dos seus alunos virem um livro. O livro Diário dos escritores da liberdade, publicado em 1999.

A história é baseada em fatos reais, a professora e a sua turma de escritores realmente existiram e no final do são mostradas as imagens deles.
Eu já havia assistido  esse filme em 2011 e já o achara muito om. Dessa vez, portanto foi diferente, pois vi com uma visão ainda mais crítica, voltada para que eu acho que pode ser a minha prática futura enquanto professora. Professora que se interessa por desenvolver a prática da leitura e da escrita nos alunos, primeiro por serem essas as minhas paixões e segundo por querer mesmo incentivar as pessoas para essas práticas tão prazerosas e fundamentais para as práticas sociais. O filme é muito bem feito com excelentes atuações, sobretudo a atuação de Hilary Swank que é quem segura o filme junto com alguns atores não tão coadjuvantes assim.

Juntos eles formam um time na interpretação. Ela é uma ótima atriz e consegue levar até o fim o drama e o desafio da vida da sua personagem real. O filme é tocante no que diz respeito ao trabalho do professor, que estando emprenhado consegue fazer um bom trabalho e consegue cativar seus alunos, pois afetividade é importante para a aprendizagem.



Rafaela Valverde  

quinta-feira, 19 de maio de 2016

Debates (ou falta deles) sobre a homofobia no Brasil

Artigo de opinião escrito por mim em 2014


A homofobia ainda impera no Brasil, e é sabido que homossexuais sofrem preconceitos e violência, sendo muitas vezes levados ao extremo, causando mortes. Não há uma lei específica que puna a homofobia. E ações de conscientização e  de combate a comportamentos homofóbicos são realizados de forma insuficiente e concentradas apenas em pequenas ações de grupos LGBTs. São necessárias, portanto, ações mais enérgicas para tornar a homofobia crime. Mas o que acontece é o contrário, por exemplo, o projeto de lei da Câmara Federal, conhecido como PLC 122 que tem como objetivo criminalizar a homofobia, está parado desde 2006 e sem previsão de quando será votado.

 Tida por muitos como atitude urgente a ser tomada, a criminalização de atos homofóbicos no Brasil, pelo visto ainda faz parte apenas de discursos eleitoreiros. Em setembro, após um debate dos presidenciáveis em uma emissora de TV, a presidente eleita Dilma Roussef, na época candidata à reeleição, deu a seguinte declaração defendendo a criminalização da homofobia no Brasil: “Sou contra qualquer forma de violência contra pessoas. No caso específico da homofobia, eu acho que é uma ofensa ao Brasil. Então fico triste de ver que temos grandes índices atingindo essa população. Acho que a gente tem que criminalizar a homofobia, que não é algo com o que a gente pode conviver.”

Quem ouvir ou ler essa fala da presidente Dilma pode imaginar que ações efetivas estejam sendo realizadas pelo Governo Federal afim de viabilizar o surgimento de uma legislação específica para tratar o tema, mas não é isso que as estatísticas mostram. Segundo o blog Homofobia mata que traz dados do relatório do grupo gay da Bahia (GGB) de 2013-2014, um gay é morto a cada 28 horas no país. Há ainda registros de 312 assassinatos de gays, travestis e lésbicas no Brasil no ano passado. O relatório mostra ainda que o Brasil continua sendo o campeão mundial de crimes homo-transfóbicos. Ainda segundo o relatório, algumas agências internacionais apontam que 40% dos assassinatos de transexuais e travestis no ano passado foram cometidos aqui. Enfim, esses são apenas alguns dados divulgados que dão a percepção de que pouca coisa está sendo feita nesse sentido e a impunidade continua vencendo a batalha.

Porém, apesar disso não dá para negar os avanços que foram conquistados, em outros segmentos, como a possibilidade e legalidade de uniões homo-afetivas, por exemplo. Essas agora possuem os mesmos direitos de relações heterosexuais.

Voltando para a homofobia e celebrando uma atitude para promover a criminalização, em julho desse ano o Procurador Geral da República Rodrigo Janot enviou ao Supremo Tribunal Federal um parecer a favor da criminalização da homofobia. Janot sugeriu em seu parecer que a punição contra a homofobia seja aplicada pela justiça nos termos da lei 7.716/1989 (Lei de racismo), que estabelece o tempo de prisão para crimes resultantes de preconceito de raça, etnia e religião. Ainda segundo Janot, a homofobia deve ser tratada como crime de racismo até que o Congresso Nacional aprove uma lei específica para disciplinar as punições. Ações como essa são louváveis e demonstram interesse em ver algo sendo feito contra a impunidade em casos de homofobia, mas ainda é pouco. 

Outro ponto que requer atenção é a educação, os valores que são passados através das escola e da educação familiar. O preconceito vem sendo perpetuado há anos na sociedade brasileira, dentro das escolas e passa despercebido, se manifestando em forma de “brincadeiras”, em forma de bullying. Assim, as diferenças são tratadas de forma depreciativa e não como algo a ser valorizado. A criança ou adolescente que se percebe homossexual desde cedo já encara sua diferença como negativa.

Pensando nisso, em 2011 o Ministério da Educação em parceria com entidades dos movimentos LGBTs, criou um kit educativo para distribuir para professores de algumas escolas públicas. Essa iniciativa é uma das ações do programa federal Escola sem homofobia e o kit é destinado ao ensino médio, ou seja, é para adolescentes e não para crianças como alegou a bancada evangélica, que após protestos, conseguiu que a presidente Dilma vetasse o projeto. É  preciso que haja maiores discussões acerca desse kit que seria de muita valia se tivesse a oportunidade de ser mostrado aos adolescentes brasileiros. Ele seria entregue aos professores que definiriam como trabalhar com o material que contaria com caderno e pôster informativo, cinco vídeos,  boletins para serem entregues aos alunos etc. O caderno seria material de apoio, com conceitos, sugestões de aulas e atividades a serem realizadas em sala de aula. Ou seja, uma material como qualquer outro que daria direcionamento ao professor que muitas vezes não sabe como abordar o tema, seria um material de promoção dos direitos humanos, do respeito à diferença. Porém foi vetado antes mesmo do seu lançamento oficial em benefício a uma bancada que parece que sequer tem noção da laicidade do Estado brasileiro.

Assim, é possível concluir que mesmo apesar de alguns avanços, efetivamente pouca coisa tem sido feita para se não acabar, pelo menos reduzir os números trágicos da homofobia. É preciso muito mais que a legalização das relações homoafetivas para garantir igualdade de direitos e para o fim da homofobia no Brasil. Apesar de ser um excelente avanço na luta em prol da igualdade e da liberdade, isso ainda não é suficiente para arrancar do país o triste estigma da violência contra o diferente. É preciso criminalização e educação, duas palavras que rimam, mas que na prática não estão sendo combinadas para proporcionar igualdade  a todas as pessoas.



Rafaela Valverde




terça-feira, 17 de maio de 2016

Aulas particulares de Língua Portuguesa

Gente, vou começar a dar aulas particulares de Língua Portuguesa que é o que estudo. O foco principal é a disciplina em si para reforço, ortografia, redações, textos dissertativos, literatura, etc. Tenho que buscar alguma coisa para ganhar meu próprio dinheiro, de forma autônoma e fazendo o que eu gosto utilizando a prática da teoria que estou estudando. Este é um pequeno anúncio que comecei a divulgar hoje nas redes sociais.







Rafaela Valverde

quarta-feira, 20 de abril de 2016

Livro Coisas que todo professor de português precisa saber

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Hoje terminei de ler esse livro que peguei na biblioteca da UFBA. É um livro da Editora Parábola, produzido pelo professor da universidade, Luciano Amaral Oliveira. É um livro que deixa bem clara a função do professor de português dentro da sala de aula, fazendo atividades, analisando livros didáticos e outras atividades. O livro traz ainda uma perspectiva sociolinguística, sem preconceitos acerca da posição do professor em relação aos alunos e à língua.

Ele responde perguntas, com sugestões, críticas e atividades. São perguntas como: O que é ensinar? O que é língua? Para que ensinar Português a brasileiros entre outras. Ele ainda divide o livro em tópicos ou capítulos, dividindo o ensino da disciplina em: Ensino Pragmático da Leitura; Ensino Pragmático da  Escrita; Ensino Pragmático da Literatura; Ensino Pragmático do Vocabulário e Ensino Pragmático da Gramática.

Lembrando que a palavra pragmática está diretamente ligada ao uso prático e cotidiano de cada uma dessas perspectivas. Ele traz a importância da boa formação do professor e da sua função em sala de aula, lembrando ainda que se faz necessário mostrar aos alunos a importância de se estudar e para que esses conteúdos serão utilizados no dia a dia.

Uma das coisas mais interessantes que vi nesse livro foi a ideia que o autor traz sobre a necessidade de preparar o aluno para a vida. Ele afirma que é preciso que as escolas ensinem aos seus alunos a redigirem um currículo por exemplo. Achei isso incrível! Ele faz duras críticas à algumas atividades dos livros didáticos e aos gramáticos puristas. Além de criticar a Nomenclatura Gramatical, que descontextualizada não serve para muita coisa a não ser "comprovar" ao aluno que ele não sabe português. Outra coisa que me chamou muito a atenção também foi um questionamento interessante sobre a utilidade da literatura, conteúdo que estudei esse semestre na disciplina de Literatura. Um bom livro sobre a prática. Recomendo!


Rafaela Valverde


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