Mostrando postagens com marcador Educação. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Educação. Mostrar todas as postagens

sábado, 30 de junho de 2018

Manifesto de abertura: Literatura Marginal/ Terrorismo Literário (escrito por Ferréz)

Resultado de imagem para ferréz
  
Fica aí a mensagem. Entendedores entenderão!


A capoeira não vem mais, agora reagimos com a palavra, porque pouca coisa mudou, principalmente para nós.
Não somos movimento, não somos os novos, não somos nada, nem pobres, porque pobre segundo os poetas da rua, é quem não tem as coisas.
Cala a boca, negro e pobre aqui não tem vez! Cala a boca!
Cala a boca uma porra, agora agente fala, agora agente canta, e na moral agora agente escreve.
Quem inventou o barato não separou entre literatura boa/feita com caneta de ouro e literatura ruim/escrita com carvão, a regra é só uma, mostrar as caras. Não somos o retrato, pelo contrário, mudamos o foco e tiramos nós mesmos a nossa foto.
A própria linguagem margeando e não os da margem, marginalizando e não us marginalizados, rocha na areia do capitalismo.
O sonho não é seguir o padrão, Não é ser o empregado que virou o patrão, não isso não, aqui ninguém quer humilhar, pagar migalhas nem pensar, nós sabemos a dor por recebe-las.
Somos o contra sua opinião, não viveremos ou morreremos se não tivermos o selo da aceitação, na verdade tudo vai continuar, muitos querendo ou não.
Um dia a chama capitalista fez mal a nossos avós, agora faz mal a nossos pais e no futuro vai fazer a nossos filhos, o ideal é mudar a fita, quebrar o ciclo da mentira dos “direitos iguais”, da farsa dos “todos são livres” agente sabe que não é assim, vivemos isso nas ruas, sob os olhares dos novos capitães do mato, policiais que são pagos para nos lembrar que somos classificados por três letras classes: C,D,E.
Literatura de rua com sentido sim, com um principio sim, e com um ideal sim, trazer melhoras para o povo que constrói esse pais mas não recebe sua parte.
O jogo é objetivo, compre, ostente, e tenha minutos de felicidade, seja igual ao melhor, use o que ele usa.
Mas nós não precisamos disso, isso traz morte, dor, cadeia, mães sem filhos, lágrimas demais no rio de sangue da periferia.
Somos mais, somos aquele que faz a cultura, falem que não somos marginais, nos tirem o pouco que sobrou, até o nome, já não escolhemos o sobrenome, deixamos para os donos da casa grande escolher por nós, deixamos eles marcarem nossas peles, porque teríamos espaço para um movimento literário? Sabe duma coisa, o mais louco é que não precisamos de sua legitimação, porque não batemos na porta para alguém abrir, nós arrombamos a porta e entramos.
Sua negação não é novidade, você não entendeu? Não é o quanto vendemos, é o que falamos, não é por onde nem como publicamos, é que sobrevivemos.
Estamos na rua loco, estamos na favela, no campo, no bar, nos viadutos, e somos marginais mas antes somos literatura, e isso vocês podem negar, podem fechar os olhos, virarem as costas, mas como já disse, continuaremos aqui, assim como o muro social invisível que divide esse pais.
O significado do que colocamos em suas mãos hoje, é nada mais do que a realização de um sonho que infelizmente não foi visto por centenas de escritores marginalizados desse país.
Ao contrário do bandeirante que avançou com as mãos sujas de sangue nosso território, e arrancou a fé verdadeira, doutrinando nossos antepassados índios, ao contrário dos senhores das casas grandes que escravizaram nossos irmãos africanos e tentaram dominar e apagar toda a cultura de um povo massacrado mas não derrotado.
Uma coisa é certa, queimaram nossos documentos, mentiram sobre nossa história, mataram nossos antepassados.
Outra coisa também é certa, mentirão no futuro, esconderão e queimarão tudo que prove que um dia a classe menos beneficiada com o dinheiro fez arte.
Jogando contra a massificação que domina e aliena cada vez mais os assim chamados por eles de “excluídos sociais” e para nos certificar que o povo da periferia/favela/gueto tenha sua colocação na história, e que não fique mais 500 anos jogado no limbo cultural de um país que tem nojo de sua própria cultura, a literatura marginal se faz presente para representar a cultura de um povo, composto de minorias, mas em seu todo uma maioria.
E temos muito a proteger e a mostrar, temos nosso próprio vocabulário que é muito precioso, principalmente num país colonizado até os dias de hoje, onde a maioria não tem representatividade cultural e social, na real negô o povo num tem nem o básico pra comer, e mesmo assim meu tio, agente faz por onde ter us barato para agüentar mais um dia.
Mas estamos na área, e já somos vários, estamos lutando pelo espaço para que no futuro, os autores do gueto sejam também lembrados e eternizados, mostramos a várias faces da caneta que se faz presente na favela, e pra representar o grito do verdadeiro povo brasileiro, nada mais que os autenticos, e como a pergunta do menino numa certa palestra.
- como é essa literatura marginal publicada em livros.
Ela é honrada, ela é autentica e nem por morarmos perto do lixo, fazemos parte dele, merecemos o melhor, pois já sofremos demais.
O mimiógrafo foi útil, mas a guerra é maior agora, os grandes meios de comunicação estão ai, com mais de 50% de anunciantes por edição, bancando a ilusão que você terá que ter em sua mente.
A maior satisfação está em agredir os inimigos novamente, e em trazer o sorriso na boca da Dona Maria quando ver o livro que o filho trouxe para casa.
Vindo com muita mais gente e com grande prazer de apresentar novos talentos da escrita periférica.
Prus aliados o banquete está servido, pode degustar, porque esse tipo de literatura viveu muito na rua e por fim está aqui no livro.
Depois do lançamento dos três atos que fizemos juntamente com a revista Caros Amigos, edições especiais chamadas Caros amigos/literatura marginal ao qual a Casa Amarela desde o principio acreditou e apoiou, a forma agora chega em livro.
Mas como sempre todos falam tudo e não dizem nada, vamos dar uma explicada: A revista é feita para e por pessoas que foram postas a margem da sociedade.
Ganhamos até prêmios, como o da A.P.C.A.(Academia Paulista de Críticos de Arte) melhor projeto especial do ano.
Muitas são as perguntas, e pouco o espaço para respostas, um exemplo para se guardar é o de Kafka, a crítica convencionou que aquela era uma literatura menor. Ou seja, literatura feita pela minoria dos judeus em Praga, numa língua maior o Alemão.
A Literatura Marginal sempre é bom frisar é uma literatura feita por minorias, sejam elas raciais ou sócio-econômicas. Literatura feita a margem dos núcleos centrais do saber e da grande cultura nacional, ou seja os de grande poder aquisitivo. Mas alguns dizem que sua principal característica é a linguagem, é o jeito que falamos, que contamos a história, bom isso fica para os estudiosos, o que agente faz é tentar explicar, mas agente fica na tentativa, pois aqui não reina nem o começo da verdade absoluta.
Hoje não somos uma literatura menor, nem nos deixemos taxar assim, somos uma literatura maior, feita por maiorias, numa linguagem maior, pois temos as raízes e as mantemos.
Não vou apresentar os convidados um a um porque eles falarão por sim mesmos, é ler e verificar, só sei que com muitos deles eu tenho lindas histórias, várias caminhadas tentando fazer uma única coisa, o povo ler.
Cansei de ouvir.
- mas o que cês tão fazendo é separar a literatura, a do gueto e a do centro.
E nunca cansarei de responder.
- o barato já tá separado a muito tempo, só que do lado de cá ninguém deu um gritão, ninguém chegou com a nossa parte, foi feito todo um mundo de teses e de estudos do lado de lá, e do cá mal terminamos o ensino dito básico.
Sabe o que é mais louco, nesse pais você tem que sofrer boicote de tudo que é lado, mas nunca pode fazer o seu, o seu é errado, por mais que você tenha sofrido você tem que fazer por todos, principalmente pela classe que quase conseguiu te matar, fazendo você nascer na favela e te dando a miséria como herança.
Afinal um dia o povo ia ter que se valorizar, então é nóis nas linhas da cultura, chegando de vagar, sem querer agredir ninguém, mas também não aceitando desaforo nem compactuando com hipocrisia alheia, bom vamos deixar de ladainha e na bola de meia tocar o barco.
Boa leitura, e muita paz se você merece-la, se não bem vindo a guerra.

Agradecimentos a:
Sérgio de Souza
Marina Amaral
Wagner Nabuco
Guilheme Azevedo,
Garrett,
R.O.D.
Bolha.
E a todos os parceiros que tem acompanhado o L.M. e o Movimento 1DASUL, tamos de pé graças a vocês.

Ferréz


E como já é de praxe, aqui vai um recado pro sistema.

“ Evitem certos tipos, certos ambientes. Evitem a fala do povo, que vocês nem sabem onde mora e como. Não reportem povo, que ele fede. Não contem ruas, vidas, paixões violentas. Não se metam com o restolho que vocês não vêem humanidade ali. Que vocês não percebem vida ali. E vocês não sabem escrever essas coisas. Não podem sentir certas emoções, como o ouvido humano não percebe ultra-sons.”

João Antônio, trecho do livro Abraçado ao meu rancor.


Extraído de: http://editoraliteraturamarginal.blogspot.com/2006/10/literatura-marginal.html




Rafaela Valverde

sexta-feira, 22 de junho de 2018

Escola ultrapassada

Resultado de imagem para educação

A educação  como está organizada hoje é a mesma que foi organizada há séculos. E a maior representante disso é a escola. A escola está velha. Não se aprende mais com a escola do jeito que é. Hoje as pessoas precisam de novos conhecimentos, novos formatos, novas estruturas e não somente do mais do mesmo. Pode até ter um pouco de mais do mesmo, mais é mais do mesmo demais e ninguém aprende nada, só conteúdos para passar no vestibular - ou memoriza - e olhe lá.

Há muitos e muitos anos a estrutura dos currículos escolares é a mesma. Só aprendemos conteúdos, repetições e mantras, sem pensar, sem raciocinar, sem criticar. Sim, nas escolas particulares também. Vejo algumas escolas particulares como fábricas de "passantes" no vestibular e nada mais.  Os outdoors espalhados pela cidade com "fulaninho aprovado em medicina na Ufba", "cicraninho aprovado em primeiro lugar sei lá onde..." estão aí para comprovar isso.

A estrutura e a forma como a escola funciona data do tempo dos nossos avós. Meus avós estudaram assim: fileiras, ordem alfabética, silêncio absoluto na sala, memorização, o professor lá na frente sendo o centro do saber e todos os bláblablás que conhecemos. O foco ainda está no que o professor sabe e em como ele vai transmitir para seus alunos - que são como o nome já diz a-lunos - sem luz. Tábulas rasas que precisam ser preenchidos com o saber do professor. O processo de ensino aprendizagem não é considerado e sim a passação de conteúdos meramente ilustrativos, distantes do cotidiano dos estudantes e pouco interessantes.

O que o aluno já sabe e pode vir a contribuir não é importante e não pode ser considerado. Esse aluno não é protagonista do seu próprio conhecimento, ele não desperta para determinado saber, através da mediação do professor. Não na escola que ainda temos hoje. Nessa escola, o aluno se cala, senta ereto, sem se mexer ou olhar para trás e ouve. E escreve. Coisas fragmentadas, descontextualizadas e que na maioria dos casos ele não sabe para que serve.

O sistema não permite. A burocracia não permite. Há muitos entraves para que a escola melhore, cresça, evolua e assim ela segue, com preguiça de sair da zona de conforto e se transformar. Mas também quem está no poder não tem nenhum interesse que a escola mude e vire um ambiente de formação crítica. Ainda temos uma educação e escolas tecnicistas, idiotizantes, desinteressantes e incapacitantes no sentido  de fazer os meninos acharem que o problema está neles, que eles não conseguem aprender e que são burros, essas coisas que sempre escutamos.

O que eu penso é que algo tem que mudar. Do jeito que está não está satisfatória. Então seria interessante mudar, não? Acredito que a responsabilidade também não pode estar sempre na mão dos professores. Existe algo maior, como eu já disse acima, o sistema, o poder. Não há interesse em mudar nada na escola no que se refere a isso, por parte do MEC por exemplo. O que vemos são um bando de reformas remendando o que já está esfarrapada há muitos anos.

Acredito que é daí que vem a mudança, mas não a partir deles e sim de nós que estamos aqui embaixo, lutando pela educação. Nenhuma luta que gerou mudanças ocorreu de cima para baixo e sim ao contrário. Por que não trazer elementos sociais, coisas que estão acontecendo nas comunidades em que eles estão inseridos para iniciar as aulas? Por que não conversar, saber dos meninos o que eles fazem quando estão fora da escola? Por que não deixar que eles sentem à vontade e conversem troquem questões entre si? Por que não aproveitar a conversa deles para iniciar a aula? Por que ficar somente dentro da sala de aula? Por quê? São tantos porquês. Não tenho resposta para eles todos, mas teremos que caminhar e trabalhar para termos. Por uma escola mais crítica! Por uma educação que faça pensar e realmente seja transformadora!



Rafaela Valverde


Desperdício de papel, desperdício de tudo...

Resultado de imagem para gasto de papel
Como nós gastamos papel. Como nós destruímos recursos da natureza por causa de besteira. Semana passada fiz provas de duas disciplinas na faculdade, as duas do mesmo professor. Cada prova tinha mais ou menos quatro, cinco páginas, folhas de papel de ofício, fora o papel pautado para respostas. Eram provas com muitos textos, entendo, mas a quantidade de papel gasta nas duas turmas foi absurda, na minha opinião.

E não só na universidade. Estive no banco ontem e saí de lá com duas folhas de papel. As informações contidas ali poderiam estar em apenas uma folha, mas por praticidade ou talvez até por vergonha de soar como pãodurice ou amadorismo, sei lá. O fato é que gasta-se muito papel, seja em empresas, escolas, hospitais, residências...  Eu tento reutilizar o máximo que eu posso para fazer rascunhos, mas não dá conta, sabe? Gasta-se muito mais do que o que tenta aproveitar.

Eu detesto qualquer tipo de desperdício. Porém confesso que sou um pouco chata em relação a coisas de cozinha: paninhos, esponjas, essas coisas, troco logo, mas em relação a todo o resto tento ser mais sustentável possível. Inclusive uso tudo até seu limite de vida útil. Ou seja, só compro celular, roupas, canetas, etc., quando os que estou usando se deterioram. Isso se chama pobreza também, viu gente? Então, como nem de longe, sou rica, vejo como necessidade usar tudo ao máximo. Meus cadernos são todos utilizados, até o final. E quando não uso mais para o semestre eu reciclo ou vou usando as folhas para algumas coisas.

Enfim, queria somente discutir um pouco essa questão do  desperdício. Toquei no assunto do papel porque é o mais observável para mim, porém, sei que desperdiçamos muito mais, principalmente água e comida, enquanto tem gente que vive diariamente em racionamento. Pretendo também levantar a consciência de cada um. O quanto você tem desperdiçado? Quanto lixo você gera por dia? Você tenta reciclar os papéis utilizados como rascunho? Pense e repense no que estamos fazendo, gastando coisas sem necessidade, destruindo sem necessidade.



Rafaela Valverde

sábado, 5 de maio de 2018

Programa de Apoio a Aprendizagem da prefeitura de Salvador


Participo de um projeto da prefeitura de Salvador chamado PAAP. Programa de Apoio a Aprendizagem e atuo como estagiaria na Escola Municipal Dois de Julho aqui num bairro próximo do meu. Pois bem, dou apoio às professoras de português dessa escola em turmas de sexto ano em diversos momentos, sobretudo  em intervenções com os alunos que estão em dificuldade . 

Vocês não fazem ideia de como eu gosto de lá, das professoras, dos alunos e fui muito bem recebida desde o início. Ouço elogios, uma ideia minha para um projeto de literatura de cordel foi aceita e já estamos trabalhando nela. Participo das reuniões semanais de planejamento, já participei  de reunião de pais e já assumi a sala de aula em alguns momentos pontuais. É cansativo, mas gratificante. Como dizem por aí: "Trabalhe no que gosta e nunca terá que trabalhar um dia na vida."

Sempre gostei do ambiente escolar. Mesmo com as coisas que passei na escola, com bullying, etc., sempre foi um ambiente em que eu curtia estar e ainda hoje me pego pensando nisso, em como gosto de estar naquele ambiente. Os meninos me abraçam, me sinto acarinhada. É muito bom se sentir assim num ambiente de trabalho. Enfim, só queria compartilhar um pouco dessa minha nova experiência com vocês, meus leitores.



Rafaela Valverde

terça-feira, 24 de abril de 2018

Vídeo Cabra da Peste - Patativa do Assaré

Na escola em que estou estagiando vamos iniciar um projeto em Língua Portuguesa sobre a Literatura de Cordel e procurando alguns vídeos hoje de manhã, encontrei esse, entre outros, e fiquei encantada. Na verdade, achar vídeos na internet é bem mais fácil do que encontrar os textos de cordel ou poema de cordel em si. Há vários no Youtube para quem tiver interesse. Pesquisamos Bule-Bule e Patativa do Assaré principalmente. E é deste último esse texto que estou compartilhando com vocês. Espero que gostem. Viva a cultura do nosso Nordeste que é tão bonita, rica, mas pouco conhecida e valorizada.






Rafaela Valverde

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

Não te pedi opinião sobre meu corpo!


Não. Eu não te autorizo a fazer comentários sobre meu corpo. Não quero que você fale sua opinião sobre mim, sobre meu corpo, sobre meu cabelo, meu estilo de vida, tatuagens... Nada! Cale a boca e pronto. Nós, gordos, já nos cansamos de ouvir seus comentários maldosos sobre nossos corpos. Aguentamos isso durante anos, anos e anos. Mas agora temos voz, tomamos nossa voz e não permitiremos mais piadas, comentários escrotos e nem mais pio. 

Já escutei muitas coisas durante toda minha vida. Minha infância foi tomada por bullying e zoação sobre meu corpo. Minha adolescência foi um pouco melhor porque espichei um pouco e perdi peso, mas agora na minha vida adulta passo a ouvir comentários sobre meu corpo e sobre o fato de eu estar acima do peso. Sempre estive e sempre estarei. Até mesmo o homem que se diz ou se dizia meu pai fazia comentários, brincadeiras e dava gargalhadas com suas piadas infames sobre o fato de eu ser gorda. Quando decidi dar um basta nele, nós deixamos de nos falar. Graças a Deus.

Ser gordo é esquisito, é estranho. Estar acima do peso é chamariz de doenças, assim eles dizem, todos eles que são os perfeitões, os julgadores de corpo e vida alheias. Sou incapaz de fazer qualquer comentário sobre o que quer que seja  da vida dos outros. Mas existem pessoas que parecem sentir  um prazer orgástico nisso. Só se sentem realizadas se tecerem comentários desagradáveis sobre tudo e todos.

Essa coisa escrota sempre existiu. A diferença é que agora a gente expõe quem faz isso. A gente cansou de aceitar tudo calado. Eu já me cansei.  Não foi uma, nem duas, nem três vezes que encontrei pessoas na rua e elas se admiraram pelo fato de eu estar gorda. O mais engraçado é que uso o mesmo manequim há anos. Minhas roupas são grandes, ou a depender da forma, super grandes há anos. Não tem nenhuma novidade no fato de eu estar acima do peso. Mas, mesmo assim ainda é possível encontrar com pessoas admiradas, pois cada vez estou mais gorda.

Ontem foi um desses dias. Estou morando aqui no bairro novamente há mais de um ano. Não engordei mais de dois quilos desde que vim morar aqui e ainda assim consigo encontrar gente com língua ferina, para não dizer maldita, que fala algo sobre isso, como se eu tivesse triplicado o peso ou ficado grávida de repente. Falo grávida porque é uma condição em que geralmente se engorda muito...

Enfim, espero que as pessoas tomem consciência e parem de tomar conta da vida, da comida, da gordura e do corpo do outro. Porque é muito ruim pra gente escutar coisas desse tipo. Nós temos espelho em casa, nós compramos roupas, nós vivemos no nosso corpo e sabemos exatamente como ele é. Nós gostamos de comer. Nós sabemos que somos gordos. Não precisamos das opiniões de vocês. E calem a bokita, tá? Tá! Beijos de luz e paz




Rafaela Valverde


quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

As festinhas da moda para constranger bebês que ainda nem chegaram ao mundo

Resultado de imagem para chás de revelação

Já repararam na obrigação que as pessoas parecem que têm agora em fazer festa de anúncio de sexo de bebê e chá de fralda, quando não dois chás de fraldas; um para a empresa em que trabalha e outro para a família. Eu acho tudo isso as coisas mais ridículas que se pode fazer ao esperar a chegada de um filho. Essas modinhas, espero que passem, causam aversão em mim às pessoas que as realizam. Parece que é o maior acontecimento do mundo. Parece que é a coisa mais extraordinária do mundo, fazer e parir um filho. Saibam que não é. Qualquer ser mamífero pode parir, a única diferença é que somos seres humanos, seres "racionais" e "pensantes" e aparentemente achamos ou temos certeza que mandamos no mundo, mandamos em todo o reino animal. Portanto, só nós mesmos somos capazes de sermos patéticos, de tornar uma coisa tão bonita, tão simples e ao mesmo tempo tão complexa em um circo de horrores...

Minhas reflexões acerca do assunto começaram a partir de um episódio da série Grace e Frankie que assisto e adoro. Mas já pensava nessas coisas há um tempo. O que o episódio trouxe? Um casal descobre que serão pais e fazem uma pequena festinha com a presença da família, que também não gostara muito da ideia de ir à esse tipo de festa e fazia muita galhofa. A festa vai rolando, a família criticando e bebendo para esquecer que estavam ali participando daquele momento patético e no final acabam não descobrindo o sexo do bebê porque o bolo tem recheio lilás, o azul se misturou com o rosa e não chegaram a nenhuma conclusão. O casal virou motivo de chacota para a família e para mim também. Mas, não só o casal, o bebê também. Será que as pessoas já pararam para pensar nisso? Que as coisas ridículas que fazem para "dar as boas vindas" aos filhos podem constranger os bebês antes mesmos de eles chegarem ao mundo? Acho que ninguém para para pensar nisso. E também nem sei se estou certa ao falar isso, eu só acho muito sintomático seguir essas modinhas que transformam o acontecimento de ter um filho constrangedor. As pessoas pensam que estão abafando, postando nas redes sociais, mas, na maioria das vezes estão pagando mico.

Pelo menos na minha opinião. Eu não estou aqui dizendo que o que eu acho das coisas é a verdade absoluta, não. Estou aqui apenas afirmando, e isso tenho direito absoluto, que detesto esse tipo de festa modinha e acho que há muitas coisas mais importantes em que se investir MEU dinheiro. Eu, por exemplo preferiria investir em educação e livros para meus filhos, mas cada um sabe o que faz com seu dinheiro. O mais irônico dessas situações é que esses mesmos pais que gastam horrores fazendo essas festas ridículas, economizam em escolas, não querem comprar livros, nem pagar transporte escolar e reclamam todo ano para comprar material escolar. E os chamados "mêsvesários"? Meu Deus, não tem coisa mais ridícula que essas comemorações mensais em que se gasta um dinheirão e posta fotos temáticas a cada mês...

E quem não faz esse tipo de coisa ou cai na asneira de criticar esses comportamentos idiotas, como eu estou fazendo agora, ainda é taxado como insensível, desnaturado, etc. Na cabeça das pessoas só é legitimada a parentalidade se houver esse tipo de cena e festinha na internet. Caso você não faça nada disso, porque afinal tem uma criança para cuidar ou uma gravidez para administrar, você não é pai ou mãe de verdade. Mas, tá. Pai e mãe são só aqueles que posam tematicamente e pagam mico - e fazem seus filhos pagarem - antes, durante, e depois da chegada de um bebê na família. Falta do que fazer define, na minha opinião.



Rafaela Valverde

sábado, 9 de dezembro de 2017

Para Educar Crianças Feministas - um manifesto e Sejamos Todos Feministas de Chimamanda Ngozi Adichie

Os livros Para Educar Crianças Feministas - um manifesto  e Sejamos Todos Feministas de Chimamanda Ngozi Adichie são livros reveladores, especialmente para quem não conhece nada de feminismo e anda falando besteira por aí. É muito importante para conhecer algumas pequenas questões - ou talvez não tão pequenas assim - que ela aborda de maneira tão bem feita que não dá para desgrudar do livro e ainda ficar concordando que nem uma doida, balançando a cabeça na rua.

Resultado de imagem

Chimamanda é Nigeriana, nascida em 1977. É uma das mais conhecidas e bem sucedidas escritoras de literatura africana em língua inglesa. Só a conheci no ano passado na faculdade de Letras, assistindo uma de suas palestras em uma aula de literatura. Como tive facilidade de ler seus livros, aproveitei logo a oportunidade e li. São livros bem fáceis de ler. Terminei em um dia. Pois bem, Para Educar Crianças Feministas - um manifesto é uma carta/manifesto escrito para sua amiga que lhe perguntara como educar a filha de maneira feminista e para ser feminista A partir dessa resposta, ela cria inúmeras respostas e uma lista com coisas a serem feitas e coisas para nunca serem feitas. É bem didático, sobretudo para quem critica tanto o movimento feminista que busca igualdade entre homens e mulheres, nada mais. Trarei duas frases do livro:

Seja uma pessoa completa. A maternidade é uma dádiva maravilhosa, mas não seja definida apenas pela maternidade. Seja uma pessoa completa. (p. 14)

Ensine-a a ler. […] Os livros vão ajudá-la a entender e questionar o mundo, vão ajudá-la a se expressar, vão ajudá-la em tudo o que ela quiser ser. (p. 34)

Então, né gente? O livro é maravilhoso e traz algumas coisas que já pensava há anos. Reflexões sobre a mudança do sobrenome da mulher ao se casar, reflexões sobre o rosa e o azul - definições de gêneros impostas pela sociedade e muitas outras... É um livro que nos coloca para pensar.

Já Sejamos Todos Feministas é uma de suas palestras adaptadas para livro e vem para reforçar as ideias do feminismo mesmo. Como se fosse a repetição para a confirmação de determinada ideia. Desconstrução de conceitos fortemente arraigados já há muito tempo em nossas sociedades.

Trechos destacados:

"Perdemos muito tempo ensinando as meninas a se preocupar com o que os meninos pensam delas. Mas o oposto não acontece."


"E se criássemos nossas crianças ressaltando seus talentos, e não seu gênero? E se focássemos em seus interesses, sem considerar gênero?"


É também um excelente livro, que aborda várias questões que precisam ser abordadas e discutidas. Gostei bastante dessas leituras. Todo mundo deveria ler!



Rafaela Valverde


quinta-feira, 2 de novembro de 2017

Mais dicas para o Enem

Resultado de imagem para enem

Hoje vou escrever o prometido texto de  dicas para a redação do ENEM. A primeira prova é domingo agora, dia 06/10, mas a redação ainda é na próxima semana, então dá tempo de estudar ainda. Vou falar um pouco sobre introdução, mas antes é preciso ter em mente os requisitos básicos para escrever bem. Já devo ter falado sobre eles no texto anterior, mas nunca é demais relembrar.

Repetindo:é preciso ler muito, ter repertório, saber um pouco de tudo. Conhecimento nunca é demais. É preciso ter informação, estar atualizado e atento com o que está acontecendo. Construir argumentos e se posicionar sobre um tema. Defender seu ponto de vista. Como fazer isso sem saber, sem ter repertório? Não tem como.

Sua introdução deve ser precisa, objetiva, mostrar para que seu texto veio. Não precisa  encher de palavras difíceis. A introdução vai apresentar seu tema ao leitor, a partir dela é que ele vai decidir se vai continuar a ler ou não. Portanto, pense no leitor! O texto deve se desenvolver a partir dessa introdução que também não precisa ser muito grande. Bastam três ou quatro linhas. Escreva sempre períodos curtos, com a utilização de pontos parágrafos. Aprendi a escrever assim há alguns anos e não sei mais fazer períodos muito grandes.

Mas reconheço que é difícil explicar como fazer textos. Na verdade, é questão de praticar mesmo e sentir seu texto melhorar aos poucos. É interessante ler outras redações, como por exemplo as redações de destaque em vestibulares e ENEM anteriores. Isso vai dar uma ideia mais ou menos de como as introduções são feitas.

O importante é ter em mente que a introdução vai mostrar e delimitar em que vai se basear seu texto. Se você começa trazendo dados do IBGE por exemplo, seu texto deve girar em torno daqueles dados. É claro que seu desenvolvimento deve ser um texto rico e não vai parar simplesmente em meros dados, estes devem ser desenvolvidos, argumentados e informações novas podem e devem surgir.

Ah, para finalizar, quero dizer que a introdução pode começar com uma pergunta. Mas não é algo que eu costumo fazer. Acho que a pergunta pode limitar um pouco a própria introdução e até mesmo o texto, mas sabendo fazer, pode. Pode tudo, contanto que o texto seja  bem escrito. Leiam, leiam muito. Vejam como são  as introduções das melhores redações que estão pela internet. 

Volto na semana que vem com mais dicas!


Rafaela Valverde





terça-feira, 31 de outubro de 2017

Os dias sem panelas

Resultado de imagem para batendo panelas


E agora onde estão suas panelas?
Sua indignação?
Jogou a culpa nelas
E agora tá perdidão!
A coisa só faz piorar
Corrupção, sujeira, a gente feito de otário
E a gente não consegue nem chorar
Um bando de salafrário
Lá no topo
Escolhido por nós
E a gente arrastando o corpo
Completamente sem voz
E agora onde estão vocês?
O que fazem com toda essa sujeira?
Empurram para debaixo do tapete,
Assoviam
E fingem que não é com vocês!
E aí? Onde estão suas panelas?




Rafaela Valverde

quarta-feira, 25 de outubro de 2017

Como melhorar sua escrita (dicas de redação para o ENEM)

Resultado de imagem para redação

A partir de hoje vou escrever um texto com dicas para a redação do ENEM por semana. Como a maioria das pessoas que me conhece já sabe, eu fiquei com 940 e 900 pontos em 2013 e 2014 respectivamente. Não é querendo me gabar e nem me acho. Eu não sei nada, não. Eu estou aqui para aprender, mas eu escrevo desde doze anos, então já tenho um pouco mais de experiência.

Então, vamos ao que interessa? A primeira coisa a se fazer para escrever bem é ler, ler e ler. E a segunda é praticar, praticar e praticar. Ninguém consegue escrever direito se não tiver vocabulário e os saberes que a leitura oferece. Leio compulsivamente desde criança e tenho certeza que é meu principal triunfo. Tudo que sei e tudo que consegui na minha vida foi graças a leitura. A leitura dá mais repertório, criatividade e como já disse vocabulário, entre outras coisas. Existe uma coisa que costumo chamar de memória visual. Quanto mais a gente lê, mais palavras teremos visto e aprendido a grafia. E não só a grafia, a concordância, os tempos verbais, etc. Uma dica importante: se você não tem o hábito de ler, comece com algo leve, que goste. Nada de começar a ler Machado de Assis logo de cara. Ler por obrigação é muito ruim.

Partindo para a segunda parte: a escrita, é preciso antes de mais nada dizer que ninguém nasce sabendo escrever. É um trabalho árduo, de muita leitura e treino. Se eu for pegar meus textos de nove anos atrás deste mesmo blog, encontro textos terríveis, escritos por essa mesma que vos fala. Eu melhorei, uns mil por cento, mas não foi de um dia para o outro. Ralei muito. E ralando todo mundo pode conseguir.

Você pode começar a escrever tópicos sobre um determinado assunto. Você pode ler algum tema na internet, pegar as ideias principais que aquele texto está tratando e escrever umas frases com suas próprias palavras sobre o tema, isso vai dar a chance de desenvolver ideias próprias e até mesmo errar e escrever muita besteira. Lembrando mais uma vez que você só saberá coisas e só terá ideias para desenvolver se você tiver um bom repertório de saberes, que só vem com leituras, a médio e a longo prazo. Não adianta também ler um livro hoje e daqui há uma semana querer escrever muito melhor. É um processo gradual.

Leia na internet modelos de redações bem colocadas em vestibulares do país. Isso vai te dar uma base de como estruturar seu texto, de como se posicionar e argumentar. Tente fazer textos parecidos com esses dissertativos que leu. Pesquise como deve ser a estrutura de um texto dissertativo - introdução, desenvolvimento e conclusão - mas também não se prenda muito a isso. A escola muitas vezes ensina de maneira muito mecanizada e não abre espaço para o mais importante: pensar,  argumentar, refletir, analisar e defender um ponto de vista.

Tendo esses detalhes em mente comece a escrever - dentro dessa estrutura - introdução (apresenta o tema, informa ao leitor sobre o que você vai dizer e como vai dizer). Costumo dizer que a introdução é seu cartão de visita, ela vai definir se o leitor vai continuar lendo ou não. Pode começar com uma pergunta? Pode. Mas não é regra. Não gosto de trabalhar totalmente presa em regras como essas em redação. Isso limita o texto demais. Observe como se iniciam textos como artigos de opinião, científicos e até textos jornalísticos. A partir daí passe a ler muito, escolher um tema e escrever a sua própria introdução. Entendendo como funciona o texto, já é possível começar a escrever. É muito divertido, eu adoro. Pronto, sua tarefa agora é selecionar um tema  que se identifique na internet, ler sobre ele, ler outros textos dissertativos e escrever sua própria introdução. Na semana que vem trarei mais dicas e falarei sobre o desenvolvimento.




Rafaela Valverde

segunda-feira, 11 de setembro de 2017

Eu não conserto erros de português de ninguém!

Resultado de imagem para erros de portugues

Sou professora de português em formação. Entrei porque queria escrever, produzir, pesquisar, quem sabe fazer mestrado e doutorado. Entrei ainda perdida, sem saber muito bem o que era a sala de aula. Hoje, já faço. Já estive em sala de aula. Não é coisa que eu abomino como achei que faria. Eu amo estar na sala de aula, como aluna e como professora. Quero ressaltar que eu gosto de estudar esse curso, mas antes dele fiz dois semestres de psicologia e odiei. Era uma tortura estar na sala de aula estudando aquelas coisas estranhas.

Mas agora me sinto realizada estudando a língua portuguesa, suas teorias, práticas, literaturas e gramáticas. Eu não sabia que nossa língua era assim tão encantadora. Claro que tem disciplinas que gosto mais e outras que gosto menos. Umas que estudo mais e outras não. Em qualquer lugar é sempre assim. Mas ainda assim, eu me encontrei porque agora posso realmente fazer o que gosto: escrever e estudar a língua. Sempre gostei de português e sempre tive muita facilidade. Eu quase nem estudava português na escola, porque pra mim vinha natural e com apenas assistindo as aulas eu conseguia entender. Fora que eu sempre amei ler e escrever.

E eu estou escrevendo isso por quê? Para que as pessoas compreendam que quanto mais a gente é apaixonado pelo que faz, mais a gente estuda e quanto mais estudamos menos tendemos a praticar preconceito linguístico. E mais uma vez, digo isso estou escrevendo todas essas coisas porque eu não vou corrigir ninguém. A não ser que a pessoa me peça. Até porque eu não estou ganhando para consertar as pessoas. 

Se depender de mim as pessoas vão continuar falando e escrevendo "errado" que eu não estou nem aí. A não ser que seja meu aluno, criança ou adolescente. Sendo adulto e não sendo meu aluno, eu não estou aqui para ficar praticando preconceito linguístico com ninguém. Tem gente que fica com medo de conversar comigo no Whatsapp para não escrever errado, achando que eu vou corrigir. E já ouvi relatos de outros estudantes de letras falando a mesma coisa.

Mas não tenham medo da gente. Nós não vamos te consertar. Pelo menos um bom estudante de letras e um realmente estudante não vai te consertar. Fiquem tranquilos, leiam, estudem que isso auxilia na melhoria da escrita. Não precisa que outras pessoas te consertem, não! É deselegante.



Rafaela Valverde

quinta-feira, 24 de agosto de 2017

Desisti definitivamente de aprender inglês

Resultado de imagem para inglÊs

Desisti definitivamente de estudar inglês. É, parece que realmente a minha casa é a desistência. Falo isso em alusão a um trabalho solicitado por uma professora de literatura no semestre retrasado, que pedia que identificássemos nossas casas. Na época escrevi um texto bastante reflexivo e acusatório. Acusando a mim mesma, claro. 

Sei das minhas limitações e me conheço melhor do que qualquer outra pessoa no mundo, obviamente. Assim, sei como vou me comportar diante de determinadas situações e até onde posso ir ou não. Nesse caso, não dava mais. Tentei pela quarta vez um curso de proficiência na UFBA. Mas apesar de tentar, não consigo aprender muito. Pelo menos nessa proposta de curso.  Uma sala de aula coletiva em que eu tenho que interagir com outras pessoas, fazer exercícios de prática e errar na frente delas. É muito difícil para mim. Além do mais eu estava num nível que as professoras falavam, contavam piadas e eu era a única da sala que não entendia, consequentemente não ria. Na boa, é demais pra mim.

Lembro que na época da escola sempre tirei notas boas em inglês. Eu gostava de estudar inglês e até ajudava os colegas. Mas também pelo inglês que é dado em escola pública né...? Ainda assim, eu conseguia pegar melhor que agora. Parece que é algo relacionado à idade. Dizem que quanto mais jovem for, mais fácil e rápido de aprender. Faz sentido. E eu não vou mais me massacrar por isso.

Entrei no curso no ano passado e fiz um módulo: o elementar I; para o elementar II fiz umas semanas e abandonei, depois me matriculei de novo e nunca fui. Agora me matriculei de novo aos sábados e foi aí que me convenci de que não tenho mais paciência para aprender. Além da falta de paciência, que já não tenho para muita coisa mesmo, mas percebi que tenho dificuldades para aprender mesmo. Pelo menos em uma sala de aula, em contato com outras pessoas. 

Por isso mesmo desisti. Eu não vou mais perder meu precioso tempo nesse curso e nem em nenhum. Me conformei e aceitei que não tenho mais jeito para estar em um curso de inglês. Talvez eu tenha alguma trava sei lá. Mas o fato é que eu desisti do inglês. De novo. Nem acabou ainda, mas parece que 2017 é o ano da desistência, para mim. Pelo menos desistência de coisas que não me fazem bem. E isso, definitivamente não me faz bem.



Rafaela Valverde

quinta-feira, 3 de agosto de 2017

Filme O sorriso de Monalisa

Resultado de imagem para o sorriso de monalisa

Vi novamente no último final de semana o filme O sorriso de Monalisa. Eu não lembrava muito desse filme, pois já o tinha visto há algum tempo. Vi novamente por que chegou recentemente na Netflix e por que é sim um bom filme e ainda por cima Julia Roberts é a protagonista, a dona do sorriso. E como vocês todos sabem, eu sou fã desta atriz incrível.

Então, o filme é americano, lançado em 2003 e tem no elenco outras atrizes famosas como Kirsten Dunst .... (Betty Warren); Julia Stiles (Joan Brandwyn); Maggie Gyllenhaal (Giselle Levy) Ginnifer Goodwin ( Connie Baker). O filme é narrado nos anos cinquenta, década em que poucas mulheres tinham acesso à educação. Poucas mulheres tinha acesso à alguma coisa. Elas eram criadas para o casamento. E só isso importava. Mas, Katherine Watson, personagem de Julia chega na Universidade de Berkeley, na Califórnia, para tentar mostrar que elas podem mais.

A universidade e suas alunas faziam parte das famílias mais tradicionalistas da região. E mesmo sendo mulheres brilhantes, elas preferiam cuidar da casa e do marido. Katherine se sente incomodada com essa ideia, assim que chega a universidade e é hostilizada. Seus métodos modernos, sua solteirice e alto conhecimento de história da arte fazem com que ela não seja bem aceita pelas alunas, pelos pais e pela direção da instituição, que dá a entender quase o tempo todo que a contratou por falta de opção. É possível inferir que a preferência deles teria sido por alguém mais tradicional.

O filme faz várias alusões à arte, mas para mim seu tema principal é a situação feminina durante aquele período. Como as mulheres eram criadas para serem subservientes a seus futuros maridos. A que fugiam disso e buscavam outros rumos para as suas vidas, eram completamente rechaçadas pela sociedade. O movimento feminista, naquela época, nos Estados Unidos, estava com a roupagem da mulher dona de casa, aquela que queria ter a opção de cuidar da casa. Acredito que esse momento tenha representado um retrocesso na luta das mulheres, logo após um grande avanço do movimento feminista.

Grandes reflexões são imputadas. Na verdade, para mim surgiram essas questões. Como por exemplo, o conceito de arte e quem determina o que é arte; houve ainda minha reflexão sobre a autonomia feminina: a de querer realmente cuidar da família sem ser recriminada, o que vem sendo bem difícil ultimamente. Enfim, esse texto é mais sobre as reflexões e impressões que o filme causou em mim. Gosto de filmes assim, que por mais que seja assistido ainda continua inédito.



Rafaela Valverde



terça-feira, 25 de julho de 2017

Minha relação com a escrita

Resultado de imagem para escrevendo

Minha relação com a escrita é bem antiga. Comecei a ler com quatro anos e a escrita veio logo em seguida: minha mãe sugeria que escrevesse cartas para professoras e minha madrinha. Minha mãe foi uma grande incentivadora de todo o processo, porque em todos os momentos que me lembro escrevendo na infância, minha mãe estava presente ou foi por causa dela. Além das cartas, havia as cópias de textos dos livros de português, especialmente como castigos; tinha também as caligrafias, aqueles cadernos para ajeitar as letras e as deixar bonitinhas. 

Não sei que coisa mágica é essa de minha mãe, pois não teve estudo, não gostava de estudar, segundo ela mesma, e ainda assim "puxava" da gente no estudo, de mim e de minha irmã. Fora isso, tínhamos o incentivo das escolas em que estudamos na primeira infância. Escolas pequenas, privadas, mas de bairro. Mas escolas que foram muito importantes em minha formação. Tive uma base muito boa, apesar de depois, a partir dos sete anos, ter ido para a escola pública.

Como tinha essa base da escrita e entrei na segunda série mais adiantada que meus colegas e ainda continuava o incentivo-castigo de mamis, eu seguia bem na escola. Apesar de lembrar de ler pouco nessa época, mas de já ter lido muito na escola anterior, foi lá que comecei a ler quadrinhos, eu gostava de ler, mas não tinha muito acesso a livros. Não havia internet e realmente eu só lia o pouco que conseguia nos livros didáticos e na casa de duas de minhas tias, que tinham alguns livros.

Com a reforma da escola que eu estudava, na terceira série do ensino fundamental, esperei que pudéssemos passar a frequentar a biblioteca, eu e minha turma, mas isso não acontecia. Continuei com pouco acesso e sem incentivos muito satisfatórios. No entanto, uma professora pedia que nós sempre lêssemos. Lembro claramente ela falando pra gente ler placas na rua e até bulas de remédios. Segui seu conselho.

Nessa época eu ainda não escrevia. E acho que também nessa época, começou a ir ao meu bairro, um projeto da biblioteca pública da Bahia: biblioteca móvel, que nada mais era que uma biblioteca em uma van. Eu carinhosamente chamava de bibliocombi. Nossa, como é bom lembrar disso, porque eu simplesmente amava esse momento. Foi aí que começou minha relação direta com os livros. Eram tardes de quarta feira, pra mim o melhor dia da semana. Eu ia lá, lia algumas revistas: Veja, Época, Turma da Mônica e pegava livros emprestados. Eu sempre li de tudo, mas amava ler romances água com açúcar. Uns que tinha nomes de flores. Simplesmente adorava. Lia nessa época, muito Agatha Christie também. Eu sempre li de tudo, independente se era próprio pra minha idade. Se eu tinha acesso eu lia. Não tenho certeza, mas acho que comecei a ler Sidney Sheldon também essa época, que são livros bem adultos.

Enfim, essa biblioteca esteve no meu bairro durante anos, toda quarta feira. E eu batia ponto lá. Pelo menos até mudar de escola e ir estudar no Centro da cidade. Lá havia biblioteca e eu podia frequentar a biblioteca pública dos Barris. E era o que eu fazia. Teve também as bibliotecas Monteiro Lobato e do Sesc, em Nazaré. Ambas fizeram parte da minha adolescência, também. Sempre vivi nesse universo literário

Comecei a escrever literatura pra valer com onze pra doze anos. Mas antes tinha um diário, então comecei bem antes dessa idade. Pois bem, aos doze anos escrevi a história baseada em um dos romances bestas que havia lido e dei pra minha professora de português na época, de quem eu gostava muito. Peguei várias folhas, escritas à lápis, grampeei, colei um papel ofício na frente com um nome que nem lembro mais e entreguei a ela. Até hoje tenho vergonha disso. Rsrsrs Coitada da professora, gente!

Depois disso não parei mais. Eram poesias bobas de menina, paródias para trabalhos da escola, tudo eu escrevia. Em 2008, eu já na era da internet, comecei esse blog. E já se foram nove anos! Eu estava em casa vagabundando, tinha terminado o ensino médio e estava procurando emprego. Estava sem rumo, me sentia triste e insatisfeita com aquela situação. Daí, decidi escrever sobre esses sentimentos que tanto me afligiam. E não parei mais.

Hoje eu escrevo tudo: poema, crônicas, contos, trabalhos acadêmicos, textos dissertativos. Tudo... Eu amo escrever. Em 2013 obtive 940 na redação do Enem e em 2014 900 pontos. Isso me deixa muito orgulhosa e eu fico espalhando para as pessoas. Claro que eu não nasci sabendo e nem é um dom divino que veio do nada. Eu ralei muito e batalhei para escrever como escrevo hoje. E ainda assim preciso muito melhorar. Li muito a minha vida toda e leio ainda. Até hoje eu leio muito, até porque meu curso exige.

Mas dá muito trabalho. Não é nada de outro mundo, qualquer pessoa pode escrever bem, basta ler e treinar bastante, é um trabalho árduo. Algumas pessoas acham que eu já nasci com o dom de escrever e que só tive que começar a escrever e mais nada. Confesso que isso me incomoda um pouco, mas vamos que vamos...


Rafaela Valverde


domingo, 16 de julho de 2017

E aí, você se toca?

Resultado de imagem para masturbação feminina

Como falar sobre masturbação? Acho que nunca falei sobre o assunto aqui no blog. Mas hoje vou falar. Então, todo mundo já sabe que os homens se masturbam. Já é um fato até batido e até mesmo fruto de piadas e histórias engraçadas sobre adolescências masculinas, contadas até na TV.  Mas, e as mulheres? Se masturbam? Se tocam? 

Eu acho que sim, levando em conta eu mesma. Porém ainda é muito menos que os homens, é muito menos o quanto poderiam e deveriam. As mulheres não são incentivadas a se tocarem. Até fica parecendo ideia de revista feminina, mas eu acho que é verdade. Porque lembro muito bem quando era criança e pré adolescente e ouvia coisas como: "tira a mão daí, menina...", "fechas as pernas..." e outras até mais repressoras.

Não endeusam vagina como endeusam paus. Vagina é feia, fedorenta, peluda e estranha. Vivemos escondendo nossas vaginas, com calcinhas e várias camadas de roupas. Além de inibidores de cheiros como desodorantes íntimos, protetores diários e sabonetes líquidos próprios. Até mesmo pela nossa constituição física não temos tanta facilidade em olhar nossa vagina.

Eu sempre fui muito curiosa e desafiadora dos costumes. Lembro que na adolescência olhava minha vagina no espelho e nunca a achei feia. Só achei vagina, ora! Mas na prática, as coisas não funcionam assim. Os homens por ter aquelas protuberâncias chamadas de paus, estão acostumados em olhar, pegar e se darem  prazer. Para mulheres é mais difícil, até por essas questões de criação que expliquei acima, por questões religiosas e outras.

É importante se tocar, se masturbar. Conhecer nosso próprio corpo, saber quais locais que mais dão prazer e como. Só saberemos como gostamos de ser tocadas se efetivamente nos tocarmos. Até por questões de saúde é importante, pois se houver alguma lesão na região, a partir do tato fica mais fácil identificar. Fora que é muito bom dar prazer para nós mesmas.

Em tempos de homens ruins de cama e muito tesão, se masturbar pode ser um socorro (rsrsrs). Eu não tenho vergonha de falar, de escrever sobre o assunto. Homens fazem isso diariamente e falam naturalmente, por que nós mulheres temos que nos reprimir tanto? Por que há tanto problema com a sexualidade feminina? Mulheres, se toquem, gozem e aproveitem a liberdade que vocês têm.



Rafaela Valverde

domingo, 2 de julho de 2017

Como saber se você é machista


Se você acha que existe mulher para namorar e outra só para pegar e mulher fácil e difícil, você é machista. E dos grandes! Se você acha que mulher que "dá" (entre aspas porque não damos porra nenhuma pra você, só estamos testando se o equipamento é bom) na primeira vez que sai, não presta pra ter um relacionamento você é um filho da puta machista.

Se você acha que só mulher pode fazer serviços domésticos e não consegue aprender mais nada além disso, você é machista. Se você acha que mulher deve ter filho, porque é biologicamente programada para isso, você é machista, querido. Se você põe a culpa da sua escrotidão nas mulheres que estão ou passaram na sua vida, adivinhe? Machista.

Se você ainda acha, em pleno século XXI, que mulher não goza, não precisa gozar ou não gosta de sexo, você é um machista, escroto e ignorante, que não conhece mulher. Além de nojo, só consigo ter pena de você. Se você acha que mulher não consegue carregar peso, ou qualquer outro tipo de trabalho braçal ou ainda não pode sair sozinha, com amigas você é um 'MACHISTÃO', OTÁRIO!

Se você acha que sua namorada ou esposa não pode fazer qualquer coisa sem você, ou usar saia curta ou fazer a porra que ela quiser, você é um cuzão machista e merece ficar sozinho. Se você acha que mulher é só um pedaço de carne que merece ser assediada na rua e só uma buceta para você meter seu pauzinho incompetente, você está fazendo muita coisa errada e nem sabe o que é sexo! Se você faz muitas dessas coisas que eu sei que você faz aí, você é tudo isso que eu falei e também é um egoísta que não merece compaixão talvez nem de sua mãe, que a propósito, é uma mulher.

O mais engraçado é que alguns homens fingem que não sabem que estão sendo machistas. Se fingem de santos e ainda se ofendem quando ouvem verdades e são colocados em seus devidos lugares. Coitadinhos de vocês, tão sofridos com séculos de opressão e misandria.  E agora, em pleno 2017 ainda têm que aguentar mi mi mi de feminista peluda... Tô realmente muito indignada por vocês, 'omis'.

E por fim, devo ainda trazer nesse texto que se você é homem, não deixa uma mulher se pronunciar, falar o que ela pensa e ser ela mesma, você é muito machista. Há que se lembrar ainda da objetificação do corpo da mulher e da posse. Essas duas coisas abjetas causam muitos estupros e feminícidios brutais a cada dia. Somente no Brasil, a cada onze minutos, uma mulher é estuprada e a culpa é de vocês homens, de quem estupra, e não da mulher que está de saia curta bebendo na balada. Porque afinal de contas, 'omis' escrotos usam a porra da roupa que querem, se embriagam quase diariamente e não têm seus corpos violados por ninguém. Entendam isso de uma vez por todas: vocês não são donos das mulheres, vocês não são donos de mais nada. O patriarcado acabou, os homens não mandam em porra nenhuma. Aceitem e deixem de ser bebês chorões. Parem que tá feio!




Rafaela Valverde

sábado, 24 de junho de 2017

Ex namorado machista e escroto


Como não odiar o machismo? Como não ter raiva de homens que ainda insistem em serem machistas e proliferar o machismo? Esses dias tive uma briga séria com meu ex namorado, aquele que se mostrava um príncipe tão bom no início, tão carinhoso e companheiro e depois virou um sapo escroto e machista - sim, esse. Bloqueei, excluí e senti raiva dele, pela primeira vez desde que terminamos, voltamos e terminamos de novo.

Cortei relações. Pra mim morreu, é um erro que eu quero esquecer que cometi. Pois bem, estávamos conversando e não vou revelar o contexto da conversa, mas ele me disse que EU fiz ele perder o interesse dele por mim. Um cara que chegou em mim, desde o início, ficamos juntos uns meses. Ele  começou a ficar distante e terminou do nada. Quarenta dias depois pediu para voltar e eu trouxa que sou, voltei. Menos de dois meses depois, adivinhe? Ficou distante de novo e eu pensei: " quem vai terminar essa porra sou eu." Viajei sozinha no carnaval e se eu não ligasse ou falasse com ele, ele não ligava e não falava comigo. Desinteresse total.

Voltei da ilha e na quarta feira de cinzas liguei para ele e terminei. Não o vi desde então, graças a Deus. Nem quero ver. Só que como já éramos amigos antes, desde a época da escola, resolvemos continuar uma "amizade" ou pelo menos uma camaradagem, um relacionamento amigável. Mas nem isso ele não quis. Me deixou com raiva dele, pela primeira vez. Muita raiva. 

Disse que a culpa da escrotidão dele era minha. Que EU FIZ ELE SE DESINTERESSAR. Sim, foram essas palavras. Chamei ele de machista escroto, disse que foi um erro ter me envolvido com ele e cortei relações. Não quero mais saber. Fiz questão de compartilhar isso aqui com vocês para que fique claro que muitas vezes o machista, FDP escroto se esconde por trás da pele de um cordeirinho santo e a gente cai nisso e é preciso tomar cuidado. Eu não quero essa raça de gente perto de mim. Ele falou isso, porque me queria submissa, aceitando as idiotices que ele fazia ou o que ele deixava de fazer. E quando eu comecei a me impor, a falar, a não aceitar certas coisas, ele passou a "perder o interesse".

Já tinha percebido que ele era machista por causa de comentários como: "mulher pra somar e mulher pra tirar", "se dar ao valor" e outras... Mas até tolerava, tentava desconstruir, mas a pessoa é tão burra que eu não consegui fazer muita coisa. Não muda o pensamento, parece uma mula e dessas pessoas quero distância. Desse tipo de homem bosta só quero  muita distância. Prefiro ficar sozinha do que ser subordinada, como diria Anitta, ou do que suportar machista sacana.



Rafaela Valverde

terça-feira, 20 de junho de 2017

Burocracia ou burrocracia no ILUFBA


Cá estou eu cercada de burocracia. Ou seria burrocracia? A UFBA está impregnada desse ranço do século passado. Todos nós alunos da UFBA estamos cercados desse sistema que não ajuda ninguém, em maior ou meno medida. O fato é que perguntei a algumas pessoas e especificamente o Instituto de Letras, onde eu passo maior parte do meus dias aqui dentro é um dos mais burocráticos.

Pois bem, para o colegiado de Letras Vernáculas receber contratos de estágio dos alunos para assinar, os alunos precisam entregar cópias do histórico e comprovante de matrícula. Até aí tudo bem, se não fosse um formulário com assinatura de três professores. Até aí tudo bem, estamos em sala de aula constantemente com os professores, mas há outro problema: eu, por exemplo, estou tendo mais dificuldade em encontrar professores do que eu imaginava. Só tenho aula às segundas, quartas e sextas. Já vou perder a sexta por causa do São João e uma das minhas professoras é estagiária de pós graduação, não pode assinar, tenho que ir atrás do titular. Desde ontem bato nas portas dos gabinetes dos professores sem sucesso. Consegui ontem uma assinatura. Hoje ficarei aqui até à noite para conseguir outra e talvez consiga uma outra a partir das 14 horas de amanhã.

Beleza, entro com o contrato amanhã à tarde. Mas aí, o colegiado exige mais 72 horas de prazo para analisar e assinar o contrato, não adianta vir antes. É no mínimo 72 horas mesmo. Sem conversa. E lhe lá. Com esses três dias úteis para assinar meu contrato eu só consigo pegá-lo na segunda à tarde, talvez terça pela manhã. Tenho prazos para cumprir e estou nessa ladainha desde sexta feira passada, hoje é terça.

Eu não compreendo que sistema é esse, sinceramente. Como assim, eu tenho que provar para a universidade que frequento as aulas? Por que um prazo tão grande para analisar as disciplinas cursadas, carga horária, etc? Não  são todos os alunos do Instituto que solicitam ao mesmo tempo, então não há demandas como essas diariamente. Eu só gostaria de entender, por isso o meu questionamento. Não explicam nada para a gente, a gente só tem que aceitar, mesmo não concordando.

Até porque não se sabe o motivo dessa rigorosa e chata burocracia. Pode ser que já tenham havido problemas no passado, porque as pessoas são corruptas, isso são. Mas será que não há uma preguiça de pensar em outra solução menos burocrática? Será que os próprios alunos não teriam alguma sugestão? Já que é nossa realidade, nosso dia a dia, nosso estágio, nossa correria. O que não pode é continuarmos calados, aceitando esse processo anacrônico, que só faz atrapalhar mais ainda a gente. A burocracia é um dos maiores atrasos desse país. Coisas que podem ser resolvidas em poucas horas levam dias! E temo recursos para isso, humanos e tecnológicos, o que falta mesmo é boa vontade, empatia e usar a cabeça, especialmente nos serviços públicos.


Rafaela Valverde

sexta-feira, 9 de junho de 2017

As maravilhas da leitura


Há unanimidade quando se fala nas vantagens de se cultivar o hábito da leitura. Apesar de o brasileiro ler pouco, houve nos últimos anos, aumento na média de livros lidos.

Canais do youtube trazem indicações de livros de diversos gêneros, clubes de leitura aumentaram consideravelmente no país. Os clubes de leitura são aqueles em que os clientes pagam um valor fixo mensal e recebem todos os meses, também, livros no conforto de suas casas. Assim, mais pessoas podem desfrutar dos inúmeros benefícios da leitura. Acessibilidade é importante, mas, livros ainda continuam bem caros no Brasil.

Porém, para melhorar a comunicação oral e escrita, aumentar o vocabulário, estimular a imaginação, relaxar e aliviar o estresse, entre outros bônus, vale a pena pagar pelos livros. Opções mais baratas seriam os sebos e feiras de livros; gratuitamente também é possível frequentar bibliotecas. Ler é viciante; é um prazer que se estende, transformando -se em mudança de vida. Por exemplo, quem quer escrever, precisa ler de tudo, afim de ampliar o repertório; o estudo, em todos os níveis, perpassam pela leitura, por textos. Ler é uma delícia e faz bem.

Dessa forma, apesar do sensível aumento no número de leitores brasileiros, ainda é possível constatar que o brasileiro não gosta muito de ler. Isso atrasa o país em anos, em relação a outros países do mundo. São necessárias, portanto, ações efetivas na educação, com campanhas de incentivo, exemplos e sobretudo, baixa nos impostos dos livros. Então, assim será possível, talvez, vislumbrar ainda mais leitores no futuro.


Rafaela Valverde

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...