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sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

Todo Mundo Odeia o Chris

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O seriado protagonizado por pessoas negras mais marcante e que mais gosto com certeza é Todo Mundo Odeia o Chris. Além de ser bem divertido e engraçado, o seriado aborda diversas questões raciais presentes nos Estados Unidos na década de oitenta, época em que o seriado se passa. O seriado, criado pelo humorista Chris Rock é baseado em sua infância e adolescência. Claro que há dados reais, mas há também certa ficção em torno de sua vida.

No seriado, Chris era o único menino negro na escola e sofria preconceito. Apanhava e era constantemente tratado com ironia e estereotipado pela professora. Comecei a ver o seriado na TV aberta na minha adolescência - ele foi transmitido entre 2005 e 2009 - mas, recentemente, através de um aplicativo pude assistir todas as temporadas - quatro. Em ordem cronológica. Já que na TV os episódios passavam aleatoriamente.

Enfim, eu adoro esse seriado. Acho muito bem feito, bem escrito. Boas piadas e tiradas. Excelentes interpretações e personagens muito bem construídos. A melhor, na minha opinião é a mãe de Chris, Rochelle, interpretado pela maravilhosa Tichina Arnold. Costumo dizer que Rochelle é a melhor personagem de todos os tempos. Com sua célebre frase: "Eu não preciso disso aqui, meu marido tem dois empregos..." Rochelle me conquistou totalmente. Dei muitas risadas durante todo o seriado. Nesse período vemos Tyler James Williams, que interpreta Chris crescer e amadurecer como ator e personagem. Não posso esquecer também dos irmãos de Chris, interpretados por Tequan Richmond e
Imani Hakim. Ótimos personagens também.

O melhor é que há pouquíssimas pessoas brancas no seriado, geralmente personagens pequenos. O protagonismo era dos personagens negros, sobretudo no bairro, na música, na cultura. E isso era uma das melhores coisas no seriado.  O personagem branco mais próximo de Chris era Greg, seu melhor amigo, interpretado por Vincent Martella. Juntos, Chris e Greg eram centro de muitas cenas engraçadas.

Mas não só de humor vive Todo Mundo Odeia o Chirs. Algumas questões raciais são mostradas e retratadas com detalhes. Os Estados Unidos é uma nação assumidamente racista, lá as coisas são muito menos veladas que aqui, imaginem, então, nessa época, anos oitenta, noventa. A coisa era muito mais polarizada. Não vou entrar mais nessa questão pois não me sinto suficientemente conhecedora. Mas, o que posso dizer é que o seriado é muito bem feito e completo.

O seriado termina no final dos anos oitenta, quando Chris perde de ano na escola  e faz um exame supletivo para conseguir diploma de ensino médio. No último episódio, a família está reunida em uma lanchonete para saber o resultado do supletivo, mas exatamente no resultado o episódio é interrompido subitamente e a série termina. Dá para entender que Chris não passa. Ele, nesse mesmo período, em sua vida real, abandona a escola e começa sua carreira como humorista. Inclusive para ajudar a família, já que seu pai morre, nesse período. A partir daí, é possível entender que o seriado não mais seria engraçado, então pode ser esse o motivo de terminar tão de repente e sem final. Vale muito a pena assistir e com certeza ainda muitas pessoas vão ter acesso, já que de vez em quando passa na Rede Record. Tomara!



Rafaela Valverde

quinta-feira, 4 de janeiro de 2018

Fragmentos soltos de saudade

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Meu olhar fotografa o vento brincando com seu cabelo.
Essa brisa leve de início de trade faz a vida valer a pena.
Ouço, apesar disso, as pessoas reclamando. As pessoas reclamam de tudo.
Eu só reclamo por você não estar aqui.
Sinto sua falta, imensamente, muito mais que aquela fome da madrugada...
Não sei o que você fez comigo mas eu só ando atarantada.
Não sei se você sabe que eu te quero
Mas, do jeito que tu anda, eu só posso mesmo te querer...
Encerro-me em congratulações por você gostar de mim.
Senti um leve comichão na nuca. Era você chegando...
Sinto que pode vir um tsunami. Eu não me importo. Seus braços grandes vão me proteger.
Não consigo escrever mais nada. Só é possível sentir.
Sinto saudades todos os dias.
Sinto que os dias estão passando mais devagar. Não há horário de verão que resolva...





Rafaela Valverde

Em 2018 dez anos do blog

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O ano está começando. Mais um ano. O ano em que o blog completa dez anos. Eu estou muito feliz por isso e por muitos outros motivos também. Eu nem acredito que já tenho todos esses anos escrevendo aqui. Agora, se eu for parar para analisar meus  textos de dez, nove anos atrás verei alguns desastres. 

Mas sei que é para isso que estamos aqui. Para melhorar, para evoluir. Para escrever é preciso ler e praticar. Não existe fórmula mágica, não é um dom sobrenatural. Qualquer pessoa pode escrever, basta praticar. Muita coisa mudou em minha vida ao longo desses anos. Estou mais velha, mais gorda, mais bonita, mais segura. Casei e descasei, já fiz milhares de coisas que queria, já realizei sonhos , viajei, li milhares de textos e livros ao longo desses anos...

Já estou no meu quarto curso superior, sem terminar nenhum, como vocês sabem. Já passei pela transição e hoje tenho cachos lindos que eu amo. Enfim, muitas, mas muitas mudanças mesmo. Já saí para morar em outro bairro e já voltei para o mesmo endereço de onde escrevi pela primeira vez no blog, em agosto de 2008. Eu tinha 19 anos, terminara o ensino médio no ano anterior e estava meio sem perspectiva do que fazer da vida, procurando trabalho e em um relacionamento com altos e baixos. Me sentia muito triste quando comecei a escrever, por motivos diversos, mas principalmente pelo fato de ficar em casa sem fazer nada. Essa foi uma das motivações da criação do blog, internet também era algo bastante novo em minha casa, eu só tinha computador e banda larga há mais ou menos um ano. O MSN ainda existia e não havia smartphone. Em um tempo relativamente curto, vivíamos em praticamente outro mundo. 

Enfim, assim seguiremos, mas esse ano. Tentarei escrever mais textos literários, poemas e contos. E também sinto falta de artigos de opinião e textos um pouco mais jornalísticos. Na medida do possível tentarei cobrir mais essas áreas, mas não garanto muito, já que tenho a faculdade e agora um emprego para  cuidar... Mas é isso, vamos que vamos 2018!




Rafaela Valverde

quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

Atrações químicas

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Apática e melancólica
Eu era
Mas surgiu essa Química
Como uma Quimera
Para me desarmar
Como uma reza católica
Virou constante por aqui
Coberta por uma túnica
Me protegi
Por poucos cinco minutos
Nessas substâncias caí
Mergulhei a fundo
Muitos atributos
Além do estudo da matéria
Quero conhecer tudo
Quem dera!
Começo o estudo
De suas faces e manias
Acho que a paixão já me dominou
Com sua soberania
Me iluminou
Trouxe as propriedades
De uma matéria única
Exclusiva e excepcional
Sem piedade
Me tirou da dor e da apatia
Me tornou mais passional
Cada molécula
Cada átomo meu
Se movimenta
Em uma nova e cíclica alegria.





Rafaela Valverde

domingo, 31 de dezembro de 2017

Guardar- Antônio Cícero

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Guardar uma coisa não é escondê-la ou trancá-la.
Em cofre não se guarda coisa alguma.
Em cofre perde-se a coisa à vista.

Guardar uma coisa é olhá-la, fitá-la, mirá-la por
admirá-la, isto é, iluminá-la ou ser por ela iluminado.

Guardar uma coisa é vigiá-la, isto é, fazer vigília por
ela, isto é, velar por ela, isto é, estar acordado por ela,
isto é, estar por ela ou ser por ela.

Por isso melhor se guarda o vôo de um pássaro
Do que um pássaro sem vôos.

Por isso se escreve, por isso se diz, por isso se publica,
por isso se declara e declama um poema:
Para guardá-lo:
Para que ele, por sua vez, guarde o que guarda:
Guarde o que quer que guarda um poema:
Por isso o lance do poema:
Por guardar-se o que se quer guardar.




Rafaela Valverde

Soneto futebolístico - Glauco Mattoso

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Machismo é futebol e amor aos pés.
São machos adorando pés de macho,
e nesse mundo mágico me acho
em meio aos fãs de algum camisa dez.

Invejo os massagistas dos Pelés
nos lúdicos momentos de relaxo,
servindo-lhes de chanca e de capacho,
levando a língua ali, do chão no rés.

É lógico que um cego como eu
não pode convocar o titular
dum time brasileiro ou europeu.

Contento-me em chupar o polegar
do pé de quem ainda não venceu
sequer a mais local preliminar.




Rafaela Valverde

terça-feira, 26 de dezembro de 2017

A bunda, que engraçada - Carlos Drummond de Andrade

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A bunda, que engraçada.
Está sempre sorrindo, nunca é trágica.

Não lhe importa o que vai
pela frente do corpo. A bunda basta-se.
Existe algo mais? Talvez os seios.
Ora — murmura a bunda — esses garotos
ainda lhes falta muito que estudar.

A bunda são duas luas gêmeas
em rotundo meneio. Anda por si
na cadência mimosa, no milagre
de ser duas em uma, plenamente.

A bunda se diverte
por conta própria. E ama.
Na cama agita-se. Montanhas
avolumam-se, descem. Ondas batendo
numa praia infinita.

Lá vai sorrindo a bunda. Vai feliz
na carícia de ser e balançar
Esferas harmoniosas sobre o caos.

A bunda é a bunda
redunda.



Rafaela Valverde

terça-feira, 19 de dezembro de 2017

Memórias de Luxúria

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Ando tão necessitada que tô lembrando de casos sexuais antigos. Lembrei agora de sua forma de praticar cunilíngua. Lasciva. Quis usar esse termo, cunilíngua, para deixar mais elegante esse momento sexual tão sublime e superestimado por mim. Sim, eu gosto de uma boa língua passando - bem direitinho - no meu grelo. E olhe, não vou ficar falado através de eufemismos. E para completar este relato, devo dizer que adoro fazer oral. Felação. No popular cunilíngua é chupar boceta e felação é boquete. Quem não gosta? O problema é que algumas pessoas não gostam. Na verdade não gostam de fazer, mas recebem de bom grado. Mas, voltando a você e a lembrança de quando você me lambeu tão vorazmente. Que tesão. Que delícia, que lindo! Esperamos muito tempo até nos encontrarmos sexualmente. Anos, talvez. Não sei. Não sei quase nada. Não vou deixar claro o que é real e o que não é. Este é um texto ficcional. Mas talvez não seja. Talvez seja autoficcional. Talvez seja todo real. Não vou dizer. Fica por sua conta e das demais pessoas que estão lendo. Vou me ater apenas a escrever dominada pelo torpor sexual que me toma nesse exato momento. Sim, mas nós esperamos muitos anos e penso que por isso mesmo tenha sido tudo tão quente, desesperado e gostoso. Ainda sinto as sensações daquele dia. Elas vem lá de baixo e me deixam com vontade de sentar a qualquer momento do dia e em qualquer lugar. Repito: foi uma delícia! Sua língua passeava por minha boceta para cima e para baixo como se subisse e descesse uma ladeira. E vai ver até é uma ladeira. A ladeira do meu prazer.  Consigo lembrar que fiquei super molhada desde o momento em que saímos do carro e você foi andando atrás de mim no corredor. Imaginei você me olhando e rebolei mais ainda enquanto andava. Quase senti minha excitação escorrer pela calcinha quando abri a porta e sentei na cama. Tirei a sandália e deitei esperando por você que atravessou o quarto, tirando o sapato e a camisa. Deitou. Ficamos ali deitados um ao lado do outro pelos dez segundos mais longos da minha vida antes de começarmos a nos pegar. Fiquei por cima, tirei a calcinha, mas continuei de vestido. Abri o zíper da sua calça e puxei seu pau com volúpia. Queria sentir seu calor e queria que você sentisse o quanto eu estava quente e ao mesmo tempo molhada. Lembro de tudo isso me contorcendo de prazer. Tá um frio lá fora e eu tô só de calcinha lembrando desse dia. Quando você estava dentro de mim e gritava: "quanto tempo esperei por isso...", eu sentia toda a fúria daquele tesão e o gozo vinha facilmente.  O som do meu gozo eram a sua voz e meus gemidos de satisfação. Apertava seu corpo contra o meu e não queria que aquele momento de êxtase terminasse nunca. Minutos depois estávamos deitados de conchinha, mais porque foi a posição que deu para deitar. Ofegantes. Você olhava pra mim com uma cara boba e eu olhava para o teto tentando me recuperar desse estupor. Começou a lamber minhas costas. Era o sinal. Virei e beijei sua boca, seus dedos já estavam dentro de mim, massageando delicadamente, depois forte, depois devagar de novo. O tesão estava em cada poro do meu corpo e em névoas naquele quarto. Me deitou de bruços me penetrando com a mesma intensidade que precisava para eu delirar e gozar. Eu tô é muito desesperada, eu preciso transar, senão não estaria lembrando desse dia, afinal, você foi só mais um... A segunda melhor transa da minha vida, mas, só mais um... Sem termos técnicos, sem firulas, sem nada dessas frescuras. Eu quero é foder!




Rafaela Valverde

Série Stranger Things


Hoje quero falar sobre Stranger Things, a série que carinhosamente intitulei: "a série cheia de crianças" ou "a série dos meninos melequentos." Tive realmente um pequeno preconceito no início, mais porque tinha gente demais falando e  como sabia que era de terror só podia ser alguma aberração que nem as séries dos zumbis e a do trono, que é outra aberração. Vocês devem saber quais são.

Não é uma aberração propriamente dita, mas é uma séria bizarra, no sentido mais literal da palavra - algo assustador, incomum, diferente, espalhafatoso - mas não necessariamente ruim. Pois bem, é uma série de ficção científica e terror. Foi Lançada no ano passado e pode ser encontrada na Netflix. A trama se passa nos anos oitenta e está toda caracterizada como uma produção do período mesmo. É bem marcada a questão do tempo e as músicas, figurinos e cabelos não deixam mentir.

Primeiramente foi esse clima de anos oitenta que me seduziu e depois a personagem de Millie Bobby Brown, Eleven. Os meninos também são super engraçados, bons atores e funcionam muito bem juntos. Meus preferidos, fora Eleven são Dustin (Gaten Matarazzo) e Lucas (Caleb McLaughlin). Para mim eles são as estrelas da série. A série foi criada por  Matt Duffer e Ross Duffer. E vale destacar ainda o retorno de Winona Ryder ao auge, de onde ela não deveria ter saído, na minha singela opinião. 

A série começa tratando do desaparecimento de um dos meninos da pequena cidade de Hawkins, cidade onde nada acontece. Até aquele momento. Will (Noah Schnapp) desaparece e a partir desse fato, muitas coisas estranhas e inimagináveis vão acontecendo. Toda a cidade é mobilizada para procurá-lo e aí começam as aventuras desse divertida série. Eu ri, eu fiquei nervosa com o suspense, eu me indignei, fiquei surpresa e curiosa... Enfim... Que bom que posso mudar de ideia, porque hoje não vejo mais como "a série dos meninos melequentos." Gostei. Deixei de achar que é só modinha, apesar de ser. Hahahaha



Rafaela Valverde




domingo, 17 de dezembro de 2017

Cansada e com medo

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Cansada e com medo
Guardo um segredo
Corpo fechado
Nó atado
Mente também
Pra os que não são do bem
Me fizeram sucumbir
Meu "não-amor-próprio" quase me fez desistir

Cansada e com medo
Corpo fechado
Ferido com um machado
Não o de Assis
Deixou cicatriz
Gosto azedo
De amarga rejeição
Que decepção!

Cansada e com medo
Mente também
Mente como todos eles
Aprendeu a ser reles
Mas com um porém
Quem aprende não tem males
Como quem nasceu assim
É apenas um arremedo

Cansada e com medo
Me fizeram sucumbir
Pensei em partir
Cortar os pulsos, nem sei...
Na hora paralisei
Mas, peraê!
Não vou me desesperar por isso
Não vou dar gosto a quem foi omisso

Cansada e com medo
Guardo um segredo
Fui tratada como brinquedo
Daqueles que a criança enjoa
E larga à toa
Mas sou boa
Não mereço, sei lá?
A pergunta que não vai calar!

Cansada e com medo
Nó atado
Por que será que a gente sempre acha que merece?
E se tivesse se matado?
A dor transparece
Mas ainda tem força
Desamarra logo!
E sai cedo

Cansada e com medo
Pra os que não são do bem
Saibam que vocês estão aquém
Saiu sem demora daquele atoledo
Vocês são uma corja
Que amor finge e forja
Para enganar
Quem tem pouco amor por si

Cansada e com medo
Meu "não-amor-próprio" quase me fez desistir
Mas consegui a poeira sacudir
Espanei vocês para fora da minha vida
Esse foi o ponto de partida
Me apaixonei por mim mesma
Por vocês só sinto indiferença, nem me apiedo
Afinal, não olho para pantesmas!




Rafaela Valverde

sábado, 16 de dezembro de 2017

Casamento - Adélia Prado


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Olha que lindeza de poema!

Há mulheres que dizem:

Meu marido, se quiser pescar, pesque,

mas que limpe os peixes.

Eu não. A qualquer hora da noite me levanto,

ajudo a escamar, abrir, retalhar e salgar.

É tão bom, só a gente sozinhos na cozinha,

de vez em quando os cotovelos se esbarram,

ele fala coisas como "este foi difícil"

"prateou no ar dando rabanadas"

e faz o gesto com a mão.

O silêncio de quando nos vimos a primeira vez

atravessa a cozinha como um rio profundo.

Por fim, os peixes na travessa,

vamos dormir.

Coisas prateadas espocam:

somos noivo e noiva.





Rafaela Valverde

sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

Série The Bletchley Circle

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Terminei de ver recentemente a segunda temporada da série  The Bletchley Circle. É excelente e bastante curtinha. As duas temporadas contam apenas com sete episódios, mas já soube que não haverá renovação para uma terceira temporada. Tem na Netflix e vale a pena assistir, a meu ver. A série começa nos anos 1940 durante a segunda guerra mundial. Nesse momento quaro grande mulheres trabalham em Bletchley Park, a serviço do governo, descifrando códigos criptografados dos inimigos. 

Susan, Millie, Jean e Lucy  são mulheres diferentes, com personalidades marcantes e cada uma tem um  talento peculiar. Assim, nove anos depois, elas se reencontram, incentivadas por Susan que as reúnem,  para tentar desvendar um crime que ainda não tinha solução. Um assassino de mulheres estava à solta e precisava ser contido.

Susan é boa com códigos e equações matemáticas, Millie é a mais inteirada dos meandros sociais e conhece muita gente, além de falar várias línguas; Jean ainda trabalha em um órgão público e conhece bastante gente influente e Lucy tem memória fotográfica, sendo capaz de memorizar qualquer coisa em qualquer tempo.

Quatro amigas. Quatro mulheres fortes que precisam lidar com seu próprio dia a dia - Susan é casada e tem dois filhos; Lucy também é casada - e ainda enfrentar preconceitos por serem mulheres. Nesse período havia poucas coisas que mulheres podiam fazer a não ser casar e ter filhos e ser realmente bem sucedida. Mas elas enfrentam os obstáculos com bravura, provando que mulheres podem fazer qualquer coisa que quiserem. Mesmo não sendo tão ouvidas assim pela polícia, elas continuam a investigar o crime e seguem com seu propósito até o final.

É fantástica, recheada de suspense, mistério, cenas bem feitas e fortes, além das atuações bem s guras das personagens. Praticamente em todos os episódios, as aparições dessas quatro mulheres muito capazes e maravilhosas. Assim como todas nós, que podemos tudo, inclusive desvendar crimes! A segunda temporada achei mais chatinha, sei lá, mais parada. Susan, minha personagem preferida, meio que sai um pouco de cena dando lugar a outra personagem que agora não lembro o nome.

O plano de fundo da série com certeza é a situação em que vivia a mulher naquele momento da história da humanidade. Traz em detalhes e /ou referências diversas questões que estavam lá no século vinte, mas que ainda estão, até hoje no século XXI, infelizmente. Vão lá e assistam. Pode começar um pouco chatinha, mas deem uma chance porque vale a pena.



Rafaela Vaverde

Acostada

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Meio do dia
Sol a pino
Agonia
Desatino

Ando pelo acostamento
Carcaças de animais mortos
Exigem meu afastamento
Me transporto

Penso que não vou aguentar
Carros por todo lado
Veículos de transitar
Horizonte opaco

A estrada é longa
Trata-se de alguma bê-erre
Ainda mais para mim, songamonga
Por mais que a vida me aferre

Quero mais é voar
Comemorar uma tal liberdade
Que temia encontrar
Na tal raridade

Do luar!

Mas, o que penso enquanto esse acostamento me persegue?
Será que vou chegar?




Rafaela Valverde

sábado, 9 de dezembro de 2017

Para Educar Crianças Feministas - um manifesto e Sejamos Todos Feministas de Chimamanda Ngozi Adichie

Os livros Para Educar Crianças Feministas - um manifesto  e Sejamos Todos Feministas de Chimamanda Ngozi Adichie são livros reveladores, especialmente para quem não conhece nada de feminismo e anda falando besteira por aí. É muito importante para conhecer algumas pequenas questões - ou talvez não tão pequenas assim - que ela aborda de maneira tão bem feita que não dá para desgrudar do livro e ainda ficar concordando que nem uma doida, balançando a cabeça na rua.

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Chimamanda é Nigeriana, nascida em 1977. É uma das mais conhecidas e bem sucedidas escritoras de literatura africana em língua inglesa. Só a conheci no ano passado na faculdade de Letras, assistindo uma de suas palestras em uma aula de literatura. Como tive facilidade de ler seus livros, aproveitei logo a oportunidade e li. São livros bem fáceis de ler. Terminei em um dia. Pois bem, Para Educar Crianças Feministas - um manifesto é uma carta/manifesto escrito para sua amiga que lhe perguntara como educar a filha de maneira feminista e para ser feminista A partir dessa resposta, ela cria inúmeras respostas e uma lista com coisas a serem feitas e coisas para nunca serem feitas. É bem didático, sobretudo para quem critica tanto o movimento feminista que busca igualdade entre homens e mulheres, nada mais. Trarei duas frases do livro:

Seja uma pessoa completa. A maternidade é uma dádiva maravilhosa, mas não seja definida apenas pela maternidade. Seja uma pessoa completa. (p. 14)

Ensine-a a ler. […] Os livros vão ajudá-la a entender e questionar o mundo, vão ajudá-la a se expressar, vão ajudá-la em tudo o que ela quiser ser. (p. 34)

Então, né gente? O livro é maravilhoso e traz algumas coisas que já pensava há anos. Reflexões sobre a mudança do sobrenome da mulher ao se casar, reflexões sobre o rosa e o azul - definições de gêneros impostas pela sociedade e muitas outras... É um livro que nos coloca para pensar.

Já Sejamos Todos Feministas é uma de suas palestras adaptadas para livro e vem para reforçar as ideias do feminismo mesmo. Como se fosse a repetição para a confirmação de determinada ideia. Desconstrução de conceitos fortemente arraigados já há muito tempo em nossas sociedades.

Trechos destacados:

"Perdemos muito tempo ensinando as meninas a se preocupar com o que os meninos pensam delas. Mas o oposto não acontece."


"E se criássemos nossas crianças ressaltando seus talentos, e não seu gênero? E se focássemos em seus interesses, sem considerar gênero?"


É também um excelente livro, que aborda várias questões que precisam ser abordadas e discutidas. Gostei bastante dessas leituras. Todo mundo deveria ler!



Rafaela Valverde


Agosto 1964 - Ferreira Gullar



Entre lojas de flores e de sapatos, bares,

mercados, butiques,

viajo

num ônibus Estrada de Ferro – Leblon.

Volto do trabalho, a noite em meio,

fatigado de mentiras.

O ônibus sacoleja. Adeus, Rimbaud,

relógio de lilases, concretismo,

neoconcretismo, ficções da juventude, adeus,

que a vida

eu a compro à vista aos donos do mundo.

Ao peso dos impostos, o verso sufoca,

a poesia agora responde a inquérito policial-militar.

Digo adeus à ilusão

mas não ao mundo. Mas não à vida,

meu reduto e meu reino.

Do salário injusto,

da punição injusta,

da humilhação, da tortura,

do terror,

retiramos algo e com ele construímos um artefato
um poema

uma bandeira

(do livro Dentro da noite veloz – Ferreira Gullar)





Rafaela Valverde

sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

Livro Uma Vida Inventada - Maitê Proença


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Terminei  de ler essa semana o livro da atriz Maitê Proença, de quem eu gostava desde a infância, acompanhando pelas novelas da globo. Troquei o livro em um projeto de troca de livros e não sabia muito bem o que esperar dele. Confesso que o que me chamou atenção foi o nome da autora. Provavelmente se não fosse Maitê Proença eu nunca pegaria o livro.

Gostei bastante do livro que intercala memórias com estória. Uma está dentro da outra, não se separam e é justamente esse um dos diferenciais do livro que traz de maneira suave suas impressões sobre a vida, sobre as pessoas e narra de forma suave todas as tragédias que fazem parte da sua vida. Sim, para quem não sabe a atriz passou por grandes tragédias em sua vida. Quando ela tinha doze anos o pai matou a mãe e se matou anos depois, quando ela já trabalhava na Globo. Mas, a forma com que ela narra é muito bem feita. Pelo menos eu gostei bastante. Me fez refletir em alguns fatos da minha vida, especialmente a mágoa e a liberdade.

A atriz contou em uma entrevista que eu pude ler, que sentiu vontade de escrever sobre suas tragédias, depois que elas foram expostas em rede nacional no ano de 2005 no programa de Faustão. Então não tinha mais como não contar.

Ela vai trazendo memórias, relatos de viagens e conta casos divertidos sobre a vida; além da relação com a filha Maria, sua relação com a família e com as religiões. Além do começo difícil da carreira. No primeiro trabalho na TV, antes de começar, Maitê sofreu um acidente que a deixou de moletas por cerca de um ano. Além disso teve o aborto que ela fez aos dezesseis anos. Ela conta tudo de maneira muito leve e eu não consegui desgrudar do livro. É isso.


Autor: Maitê Proença
Ano: 2008
Páginas: 224
Editora: Agir





Rafaela Valverde

Minha rotina de leituras

Resultado de imagem para Outros Jeitos de Usar a BocaTodo mundo já sabe que sou leitora compulsiva. Estou lendo o vigésimo e o vigésimo primeiro livros de 2017. Um é sobre a história do português no Brasil e o outro é Outros Jeitos de Usar a Boca de Rupi Kaur. Este está no celular em epub e é claro que não é a mesma coisa do livro impresso, o qual eu pretendo comprar assim que minha situação financeira melhorar. O formato é Epub, formato que passei a utilizar bem recentemente. Leio através do aplicativo Lithium. Enfim, depois escrevo algo sobre ele.  Pois bem, quero falar um pouco sobre minhas dinâmicas de leitura e como eu administro tudo junto com os textos da faculdade.

Percebi que estava lendo poucos livros da minha área, portanto decidi que leria um livro de literatura intercalado com algum livro da minha área cujo o tema me interessasse. Sou apaixonada por Letras e há várias subáreas que me interessam muito. Portanto, é com essa dinâmica que pretendo iniciar 2018. 

Acabei de ler um livro da atriz Maitê Proença ao mesmo tempo em que lia um livro para um trabalho da disciplina Literatura Brasileira Contemporânea, do autor Michel Laub, O tribunal da Quinta Feira. Todos esses livros ganharão resenhas individuais, só estou aqui divagando um pouco sobre minha paixão pela leitura. É uma das coisas que mais me dá prazer, com certeza. Leio no ônibus, no metrô, em fila. Leio em tudo que é lugar. Sempre levo um livro na bolsa e prefiro eles que a maioria das pessoas. Queria ler muito mais. Queria ler um livro por semana, mas não consigo. Mesmo assim, consigo ler mais de dez livros por ano. Graças a Deus!

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E isso tudo conciliando com todas as leituras da faculdade, que não são poucas, mais as atividades, as obrigações em casa e as séries e filmes. Hahaha. Já estou acostumada e até consigo dar conta de tudo, com jeitinho. Aperto ali, aperto aqui e dá. Sempre leio quase todos os textos que posso e é muito raro eu não ler algum texto da faculdade. Chegou dezembro e nada de férias. Mais um semestre atípico, que vai até fevereiro e com isso seguem as leituras. E vocês? Leem? Como é a rotina de leitura de vocês? Conta pra mim!




Rafaela Valverde

Com licença poética - Adélia Prado


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Eu amo esse poema!

Quando nasci um anjo esbelto,
desses que tocam trombeta, anunciou:
vai carregar bandeira.
Cargo muito pesado pra mulher,
esta espécie ainda envergonhada.
Aceito os subterfúgios que me cabem,
sem precisar mentir.
Não sou tão feia que não possa casar,
acho o Rio de Janeiro uma beleza e
ora sim, ora não, creio em parto sem dor.
Mas o que sinto escrevo. Cumpro a sina.
Inauguro linhagens, fundo reinos
-- dor não é amargura.
Minha tristeza não tem pedigree,
já a minha vontade de alegria,
sua raiz vai ao meu mil avô.
Vai ser coxo na vida é maldição pra homem.
Mulher é desdobrável. Eu sou.





Rafaela Valverde

terça-feira, 28 de novembro de 2017

A rosa de Hiroshima - Vinícius de Moraes

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Pensem nas crianças
Mudas telepáticas
Pensem nas meninas
Cegas inexatas
Pensem nas mulheres
Rotas alteradas
Pensem nas feridas
Como rosas cálidas
Mas oh não se esqueçam
Da rosa da rosa
Da rosa de Hiroxima
A rosa hereditária
A rosa radioativa
Estúpida e inválida
A rosa com cirrose
A antirrosa atômica
Sem cor sem perfume
Sem rosa sem nada.



Rafaela Valverde

Filme Elefante Branco

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Assisti no final de semana o drama argentino Elefante Branco, do ano de  2012. Com direção de  Pablo Trapero, o filme conta com : Ricardo Darín, Jérémie Renier, Martina Gusman. Mas claro que Darín está no filme... Gracinhas à parte, sério, às vezes tenho a sensação que ele está em todo filme argentino... Mas ele é um grande ídolo por lá e realmente é bom ator, então, vou ao que interessa...

O filme traz os padres Julián (Ricardo Darín) e o padre Nicolás (Jérémie Renier) inseridos em um bairro pobre de Buenos Aires, a  favela de Villa Virgen. A região periferia é bastante violenta e os padre Julián, com intenção de ajudar as famílias que ali vivem, mora em uma construção abandonada. O prédio gigante que seria um hospital para os mais pobres está abandonado há anos e ali o padre vê possibilidades de melhorar a vida das pessoas que compartilham do mesmo endereço.

Todas as histórias secundárias vão acontecer a partir desse local tomado pelo tráfico de drogas e pela pobreza. Com negações advindas da igreja de continuar ajudando aquelas pessoas, os dois padres se unem e vão sozinhos enfrentar o que tiver de acontecer. E olhe que acontece muita coisa... O filme é bastante interessante, sobretudo no que diz respeito à vida dos religiosos, que querem ajudar pessoas, mas também seus próprios conflitos.

Com boas cenas de ação, atores convincentes e uma bela fotografia mostrando o verde e o dia a dia de uma grande cidade como Buenos Aires, o filme é mais uma obra prima argentina. Pelo menos a meu ver. Não especialmente no que se refere a roteiro propriamente dito. Mas o filme me ganhou muito mais pelas interpretações e fotografia. Fascinante. Não dá mais vontade de parar de ver.




Rafaela Valverde

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