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sexta-feira, 22 de setembro de 2017

Ela e os trabalhos dela: um lamento público

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Ela foi uma jovem inconsequente no que diz respeito a empregos, a trabalhos. Em contrapartida de todas as outras partes da vida em que sempre foi certinha. Casou cedo e durante oito anos só teve um único homem. Mas no que se refere a estabilidade financeira, estudo e carreira, sempre foi desmiolada.

Temperamento agitado e quente que nem pipoca na panela. "Não levo desaforo pra casa" - foi seu mantra durante anos.  Largava empregos. Irresponsável. Mangueava. Pedia demissão. Achava que era fácil conseguir outro."Sou demais." Se achava muito boa. Até era. Mas faltou humildade e comprometimento.

Jovem e inconsequente. Mas, sabe, não justifica. Ser jovem não é necessariamente sinônimo de irresponsabilidade e inconstâncias. Foram muitas atitudes infantis, daquelas que nem criança tem. Houve momentos ruins. Mas, hoje ela vê que não era nada insuportável. Ela podia ter aguentado em muitos momentos. Hoje é muito claro. Fica mais fácil perceber, ao longo do tempo, que foi muito idiota. Burra mesmo. Perdeu oportunidades, jogou outras no ralo. Viraram dejetos, junto com sua vida. Vida que poderia estar melhor se não fosse por ela mesma.

Sim, ela é a principal responsável pela merda em que está mergulhada. Até o pescoço. Lama. Tóxica e purulenta. Não há uma pessoa que conviveu com ela que não a tenha alertado. Impulso. Era o que movia suas ações. "Vou pedir demissão. Não faça isso" - a voz do marido na época, ecoou pelo telefone. Ela não ouviu. Achou que onde estava era ruim demais. Saiu. Não pôde suportar. Por quê? Porque sempre queria justificar essas atitudes idiotas? Não há justificativa. Agir de forma tão imprudente. Uma. Duas. Três. Ene vezes. Arrependeu- se, quis voltar atrás, já era tarde. A merda já estava feita. Ela fez isso até mesmo no melhor emprego que já teve. O que mais gostava. Para quê? Para descansar. "Não aguento mais fazer a mesma coisa todo dia."

Hoje vê o quão foi burra. O passado lhe dá tapas com mãos de ferro. Se mostra e se gaba. "Você não pode me ter mais..." Inconsequente. Irresponsável. Já nem sei quantas vezes repetir essas palavras aqui nesse lamento público.  

Mas é isso que ela é. Ela sabe que foi. Ninguém precisa dizer-lhe. Ela se culpa. Ela se flagela e esse auto flagelo não tem fim. Vem em forma de ansiedade, insônia, depressão, crise de pânico e tristeza. Além de frustração e raiva. Raiva de si mesma. De ter sido tão estúpida. Tanta  coisa jogada na lata de lixo!

A maturidade mostra hoje o que foi feito no passado e era escondido pela névoa de infantilidade, de ilusão do gênio forte. Pavio curto, personalidade  difícil. Poucos sabiam lidar. Nem ela mesma sabia.  Mas ela mudou. Amadureceu. Renasceu. Reviveu. Ela sente na boca o gosto amargo  das besteiras que fez.. Seu maior emprego durou um ano e oito meses. Chora. Perde outras chances. Terceira. Quarta. Décima chance. Quer movimentar a vida. Estacionada. Quer avançar e não consegue. Crise. O emprego não vem. Maré de azar. Três estágios como professora substituta não deram certo. As professoras titulares sempre voltavam. Ano conturbado, esse. Ímpar. Nunca gostara de anos ímpares. Geralmente, por má sorte mesmo ou por força do pensamento, esses anos são bem cuzados para ela.

Ela se sente fraca. Não tem mais a quem recorrer. Já pediu aos céus e aos infernos. Implorou. Pediu. Esperneou. Nada. Mais de ano se passou. Precisa reformar o quarto, comprar aquele Kindle maravilhoso e um notebook. Precisa ter dinheiro de transporte para não ter que trancar seu amado e suado  curso.

Não que não haja vagas. Não que não dê para conciliar com a faculdade. Até tem. Até dá. Só não chegam para ela. "Entenda, não é azar. São as consequências dos seus atos. Tantos empregos que não valorizou agora se vingam de você em forma de vácuo." Simplesmente não vem. O que precisa para a vida dela avançar  não vem. "Viu sua trouxa, imbecil? Bem feito, eu não tenho pena de você."

Agora vá comprar o caderno das Americanas de  cinco reais. Agora vá comprar dois reais de pão e um copo de suco. Não vai. Porque não pode. Não tem dinheiro. Não tem emprego. Não tem vida, sucesso, avanço, carreira... Só o gosto amargo do que era, como era e quando era. O gosto do ontem que você expurgou e juntou ao lixo. Sem direito à reciclagem.

Agora aquente, sofra, chore, passe por isso. Encare e nãos e mate. Ore. "Faça mandinga." Dance um tango. Coma tofu. Faça coisas que nunca fez. Tome banho de pipoca. Fique cheirando a alfazema. E espere. Sim, eu só te digo uma coisa: seu maior castigo é esperar!



Rafaela Valverde

sexta-feira, 7 de abril de 2017

Olá, eu sou a tristeza


Olá, me chamo tristeza e estou aqui para acompanhar você em todos os momentos do seu dia. Eu paraliso você antes de sair da cama e te deixo sem vontade de viver. Eu não sou tão forte assim, mas às vezes pego pessoas mais fracas. Como você. Você é fraca, você sabe disso né? Eu estou aqui porque você permite, você não tem mais de onde tirar forças para se livrar de mim e eu estou aqui, persistente. Lutando com você, vamos ver quem vence.

Eu vou e volto há anos, desde que encontre uma brecha estarei aqui. Sempre que você me dá espaço eu venho e tento te paralisar de novo. As pessoas não percebem, pois sou sorrateira e te deixo suficientemente bem para que sorria e ninguém note. Assim, durante o dia você faz suas atividades normalmente, consegue até conviver com outros seres humanos, mas de noite, de noite eu chego e te derrubo, não te deixo dormir e mando lágrimas.

Sua ansiedade é minha parceira, é causada por mim e eu chego através dela. Todo o sistema do seu corpo passa a ser dominado por mim. Sem dormir, você fica mais ansiosa e doente. Aí vem baixa imunológica, dores no corpo e de cabeça, cansaço, desânimo... Reações em cadeia, um círculo vicioso, uma teia. Você está presa nessa teia e vai ter que encontrar uma força muito maior para se livrar de mim. É isso. Ou você aprende a me afastar ou você passa a conviver comigo da melhor maneira que puder. Vai, compra um doce e vai para a cama. Olá eu sou a tristeza!


Rafaela Valverde


terça-feira, 1 de novembro de 2016

Pensamento positivo


A gente vive torcendo para que as coisas deem certo. E no final elas sempre dão. Tudo vai aos poucos se encaixando. Por mais que seja difícil, que a gente tenha que apertar ali ou aqui, adequar dar uma ajeitadinha nas coisas para que funcionem. Elas obedecem e acaba quase tudo em ordem.

Eu digo isso porque sou daquelas pessoas que sempre teve dificuldades na vida. Financeiras principalmente. Mas, mais do que nunca eu sei que tudo se resolve. As contas não batem esse mês mas no mês que vem hão de bater.

É só esperar e ao mesmo tempo agir. Não ficar parado esperando que tudo dê certo.é preciso direcionar o pensamento para que dê certo antes de tudo. Pensar que o pior vai passar e que as coisas vão melhorar. Torcer e trabalhar em prol da melhora sempre. Pensar positivo não é fácil, principalmente na atual situação em que vive o nosso país, mas a gente precisa exercitar.

Hoje se inicia um novo mês e com ele a perspectiva de mudanças e coisas boas. Se aproxima o final do ano e vem aquela época de reflexão de sempre. Mas será que a reflexão é verdadeira? Será que as atitudes e erros do ano que está findando são realmente repensados? O que estou querendo dizer aqui é que não adianta deixar para consertar erros e repensar atitudes no final do ano. É necessário fazer isso o tempo todo e fazer com que tudo dê realmente certo e não ficar se sabotando. A gente não merece isso!



Rafaela Valverde

terça-feira, 25 de outubro de 2016

Agradecer!!!


Eu não tenho do que me queixar. Estou na UFBA, onde sempre quis estar, apesar dos pesares. Sou bolsista de iniciação científica. Isso não foi possível para mim nos dois anos em que estive na UNEB. Lá não houve tantas oportunidades desse tipo. Eu acredito na pesquisa. É um dos pilares da universidade e conta pontos para seleção no mestrado, um dos meus maiores sonhos.

Com essa bolsa eu posso me dedicar um pouco mais aos estudos e à pesquisa ao invés de apenas estudar para me formar e trabalhar para manter a graduação e conciliar tudo. Além disso, eu tenho poucos e bons amigos ao meu lado, tenho uma família incrível que me ama e me ajuda. Tenho uma coisa que eu acho que pode ser um dom, que é o dom da escrita e sei que escrevo bem.

Posso, apesar da crise, pagar e comprar algumas coisas como por exemplo a Netflix que me proporciona tantas séries e filmes bons, como Grey's Anatomy, House of Cards e outras que eu amo e me emociono. Me ajudam a escapar da minha rotina louca. Enfim, tenho auto estima e tenho algumas coisas que sempre quis. Inclusive paz.

E de pensar que há poucos meses eu queria morrer todo dia. Não tinha vontade e alegria de nada. Mas hoje eu estou bem e preciso muito agradecer. Por mais que eu agradeça todo dia ainda não é suficiente. E ainda há meu querido Cássio, meu namorado. Uma surpresa que apareceu esse ano e uma das quais eu me sinto mais grata. Uma nova paixão, mas uma amizade das antigas. Sim, eu conheço Cássio desde 2004 quando começamos o ensino médio. Meio que éramos amigos, e meio que rolou uns beijos não muito legais, mas não havíamos nos visto ou nos falado nos últimos anos. A não ser por uns contatos esporádicos pelo Facebook e num grupo da turma no WhatsApp. Mas um belo dia nos reencontramos...O beijo melhorou! rsrsrs Essa história eu conto depois. O que quero dizer é que depois de tanta dor hoje eu sou feliz e sou muito grata!



Rafaela Valverde

sexta-feira, 30 de setembro de 2016

Presidente de mesa pela terceira vez


Serei presidente de mesa mais uma vez esse ano. Claro que a contragosto. Em 2014, nas eleições presidenciais e para governador eu já saí de lá em clima de despedida e agora tenho que ir trabalhar o dia todo sem remuneração. Apesar de ter escrito em um formulário entregue pelos coordenadores e ter escrito em um documento importante da votação, a ata, que não queria trabalhar de novo, eles me convocaram.

Eu acho isso um despotismo e só me resta realmente e infelizmente cumprir essa determinação idiota. E quando acabar vou pessoalmente ao TRE para que retirem meu nome desse suplício. Enfim, em um país bagunçado como é o Brasil, já é um acinte a gente ser obrigado a votar, imagine ser obrigado a trabalhar de graça nas eleições. Um horror.

Agora estou fazendo esse treinamento chato, on line. Eu sou presidente pela terceira vez, mas como há alguns eleitores  com cadastro de biometria esse ano, é necessário fazê- lo novamente. O treinamento é quase uma lavagem cerebral: "estar lá sendo escravo do governo é um ato de cidadania." Tudo é um ato de cidadania. Ah  que porre. Eu gostava de ser mesária, em 2010 quando fui a primeira vez, fui voluntária. Mas cansa, satura. E eu não quero mais. Mas não temos vontade própria nesse país e isso me deixa muito chateada.





Rafaela Valverde

segunda-feira, 12 de setembro de 2016

Passo de tartaruga não!

Imagem da internet
Eu tenho andado quieta, distraída, preocupada e tensa. O que tenho que fazer para que a única coisa que ainda falta se resolver na minha vida, se resolva logo? Eu tinha problemas de auto estima, minha aparência não me agradava, eu tive problemas com universidade e cursos de graduação e eu tive problemas sentimentais e quase entrei em depressão, eu tive e continuo tendo problemas financeiros.

Porém meus problemas de auto estima se resolveram e hoje eu me acho bonita, eu consigo me amar, não uso mais óculos e amo meus cachos. Eu também decidi que quero estudar literatura - minha grande paixão da vida toda - e que quero ser professora. Além de ter conseguido entrar na UFBA, que era o que eu sempre quis. E eu resolvi meus problemas sentimentais, superei um amor do passado e encontrei outro amor, alguém que me aceita, me respeita e me merece. Mas os problemas financeiros continuam.

Nunca tive uma vida financeira tranquila e folgada. Nunca achei nada fácil e de graça. Fui trabalhas aos dezesseis anos para ter minhas coisas e minha independência financeira. Não durou muito e daí eu já sabia que teria uma vida profissional complicada. Desde então foi assim mesmo. O maior tempo que fiquei em um trabalho foi um ano e oito meses, claro que por culpa minha também. Sempre fiquei na faixa de quem ganha um salário mínimo e só. Quase sempre dependi de alguém ou de ajuda para me sustentar. Nunca tive um bom salário, um bom emprego. Parece que isso não é para mim. 

Então eu estava pensando: já que muitas coisas mudaram para melhor na minha vida, como por exemplo minha auto estima e problemas de decidir minha área de formação, por que então a minha vida financeira e profissional não pode ser resolvida de vez? Qual a dificuldade de apenas um único pedacinho da minha vida se resolver para ela ser tranquila? Eu já orei, fiz promessa, estudo que nem uma louca, fiz concursos e cursos, eu busco, eu vou atrás... Mas nada acontece na área profissional e financeira da minha vida. Por que? O que falta? O que falta eu aprender? Só falta isso para minha vida se ajeitar. Depois de estabilidade financeira e profissional eu serei uma adulta realizada. E sei que ralo para isso e tenho potencial. Isso ninguém muda, o que eu sou, ou que eu sei... 

Eu sei também que a vida não é fácil e que é aos poucos que as coisas vão mudando e se ajeitando. Nenhuma dessas minhas conquistas acima: entrar na UFBA, melhorar minha auto estima, ou encontrar um novo amor veio de forma fácil. Nada vem fácil, mas também não precisa vir em passos de tartaruga não. Eu tenho gostado muito da minha vida, eu tenho estado satisfeita, mas ainda não cheguei no patamar financeiro que preciso para poder realizar meus sonhos materiais. Eu espero que isso também venha. E que venha logo. Daí minha felicidade estará completa!


Rafaela Valverde

domingo, 11 de setembro de 2016

Incertezas financeiras

Imagem da internet
Num domingo em que a data cheira a tragédia, estar de pé já lucro. A minha maior tragédia porém são meus problemas financeiros. Durmo e acordo pensando neles. Eles têm me atormentado de uma forma alucinante ultimamente. Além da crise econômica que está instalada em todas as nossas vidas, temos a crise política e o clima de instabilidade que deixa as nossas vidas caóticas.

Muitas incertezas atingem a vida dos brasileiros nesse momento e a minha não está de fora não é mesmo? A gente dorme catando moedas e acorda  pensando em soluções para driblar a crise, como trabalhar em casa, como vender coisas e dar aulas de reforço escolar. A gente precisa pelo menos sobreviver em meio a esse turbilhão.

Daí vem desemprego, bolsa atrasada, aparelhos eletrônicos que quebram do nada, contas que aumentam o valor a cada mês, despesas surpresas que vão surgindo e muitas vezes não resolvem o problema... Vem tudo ao mesmo tempo e a gente pensa que não vai conseguir lidar, nem raciocinar, nem resolver nada. Os problemas se aglutinam e nos devoram, nos sufocam.

Dívidas nem tanto, são mais compromissos mensais que assumi quando ainda tinha emprego. E agora tenho que saber viver e cumprir os compromissos com a minha bolsa da UFBA que é de 400,00 e ainda hoje dia 11 e não saiu. É um momento de incertezas. Temos que cumprir as obrigações da pesquisa e esperar o dia em que a "crise" permitir depositarem a grande fortuna dos bolsistas.

Tenho dúvidas do futuro, muitas dúvidas. Não posso deixar de dormir sem pensar o que será da minha vida na semana seguinte, no dia seguinte. Se terei transporte para sair, para ir à faculdade. Se conseguirei cumprir com meus compromissos. Essas dúvidas me dão muita aflição e preocupação e eu não consigo sossegar, vivo só de esperar.




Rafaela Valverde
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