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sábado, 20 de maio de 2017

Mulheres, não precisamos de homens!



Eu sofri mas eu aprendi algumas coisas com meus erros e meus sofrimentos. E quem sofre, erra e não aprende nada com isso? Não estou aqui querendo me sentir melhor que ninguém, apenas ratificar a tese de que os erros e dores servem para nos dar uma lição. Isso é verdade. Claro que a gente precisa ter consciência desses erros e realmente refletir sobre o que mudar. Não acontece por osmose, não é rápido, nem fácil. Demora e dói. 

Passei vários meses sentindo uma dor física, sem querer levantar da cama e passei muitas das horas desses dias pensando em que tinha falhado e que se eu não tivesse cometido determinada falha, talvez eu não tivesse em determinada situação. Mudei e virei uma pessoa mais leve com a vida. Não cobro mais tanto de mim, nem da vida, nem dos outros. Me tornei uma adulta mais leve e não me troco pela eu de cinco, seis anos atrás.

Mas e quando as pessoas sofrem, passam determinadas coisas e não mudam? Continuam cometendo os mesmos erros? Será que elas não refletiram sobre suas atitudes? E quando essas pessoas são mulheres? Uma mulher sofreu horrores em um relacionamento: perdeu tudo o que tinha construído com o outro, porque simplesmente ele lhe usurpou, quase morreu por um problema de saúde e ainda foi trocada por outra e agora "abre os dentes" para esse homem, anos depois. Não dá vontade de matar uma mulher dessa? Dá!

Eu não sei se é falta de maturidade, pois é uma mulher já bem grandinha. Eu não sei se muita falta de amor próprio, eu não sei se é o machismo, a misoginia e a sociedade patriarcal já impregnados em nosso inconsciente. Eu sinceramente não sei. A coisa está tão feia que quando a mulher erra é xingada, considerada vadia, vagabunda, sei lá. Mas quando o cara erra, a sociedade aconselha que se perdoe porque ele "é homem" e porque "todo mundo merece uma segunda chance." Então, só os homens merecem segunda chance? Porque mulheres são execradas e até mortas quando traem!

Então, isso está tão impregnado em nossa cabeça que a gente acha que não pode viver sem homem, mesmo que ele seja ruim. Chega a um determinado momento da vida em que a gente só sabe falar: "ruim com ele, pior sem ele" e acredita nisso tão veementemente que fica ali naquela relação, inerte, só esperando o dia de ser libertada por alguma magia. Não, isso não vai acontecer! Quem se liberta é a gente mesmo. E ponto.

A gente é criada e incentivada desde muito nova a procurar homem, a viver dependente de homem.  aí acreditamos que não dá para viver feliz sem ter um homem do lado, sem ter um relacionamento, sem casar. Porque somos indefesas e precisamos da defesa de um homem, A gente não sabe que dá para viajar sozinha, ir ao cinema sozinha, beber sozinha, ir à festas e shows sozinha... A gente acha que só vai ser feliz se tiver um homem para nos fazer companhia. Assim, aproveitamos a deixa e ficamos burras, esquecemos como instala computador, não aprendemos furar ou pintar uma parede e não aprendemos a ser independentes "por que temos um homem".

Mas um dia, assim como eu aprendi, a gente aprende que somos suficientes e nos bastamos. Estudamos, trabalhamos, pegamos pesado para ter nossa independência e nenhum homem vai nos dizer o que fazer, nem hoje, nem nunca. Pelo menos não a mim! Sobre os fatos relatados acima: eu, por muito menos já botei homem para correr. Mas tem mulher que sabe que está infeliz, sabe que aquele homem não presta e nunca vai mudar e continua ali. Até quando Deus quiser. Mulheres tomem posse das suas vidas! Amem, mas amem a si mesmas muito mais em primeiro lugar. É tão maravilhoso se amar, se achar linda, independente e auto-suficiente. Não há nada melhor! Aprender com nossos erros e sofrimentos, é para mim, o principal motivo deles acontecerem, então vamos levantar da cadeira e lutar por nós mesmas, pois os homens só enxergam seus próprios umbigos.




Rafaela Valverde

terça-feira, 14 de março de 2017

O parque no domingo



Esse texto é um dos produtos da disciplina Criação Literária  do curso de Letras da UFBA, o tema é As moscas.


Era domingo e o parque estava cheio. A  tarde estava agradável e havia crianças por toda parte. Para a gente era dia de trabalho. Em um banco de cimento estava uma família: três crianças sentadas e um casal arrumando a toalha do piquenique. Brincavam, comiam doces e riam. Eram enormes como todos os humanos. Quase sempre matavam alguma de nós, sem querer. Nossos tamanhos eram desproporcionais, mas precisávamos arriscar.

Nos aproximamos timidamente. É injusto. As moscas voam e são bem mais rápidas. Há poucas notícias sobre mortes de moscas, enquanto há um bombardeamento delas em nossa colônia. Nossas amigas são esmagadas diariamente. Lá  estão as moscas, em cima da família, rondando, experimentando. Estão sempre presentes  e incomodam. Saem impunes. São livres. Voam rápido, saltitam, mesmo que sobre o lixo.

Iniciava o massacre. Algumas foram achatadas por pés ou mão desavisados. Nem toda formiga morria, mas em certos momentos quebravam nossas patinhas, impossibilitando nós de transportar a comida. Vivíamos presas ao chão, enquanto as mocas gozavam de inteira liberdade. Raramente alguém consegue atingir uma mosca. Parecendo, para nós, que as moscas são seres cósmicos super poderosos. Além de tudo, livres! Nossa, que inveja das moscas!

Do outro lado do parque, próximo de um carvalho de duzentos anos, vários pombos comiam farelos. Moscas disputavam espaço com as aves. Iam e voltavam da lixeira para comer restos de frutas, hambúrgueres e outros resíduos pútridos.

Duas moscas conversavam:

- As formigas estão de boa! Comem toda a comida fresca, quanto ficamos com naquinhos mal roubados ou lixo. Ainda temos que  fazer esforço para voar tão rápido.

- É, irmã, elas que têm sorte. Olha para lá, caminhando calmamente até a colônia, quanto eu tô aqui com a a asa machucada, voando para comer.

- Ainda temos que ficar aqui perto desses pombos nojentos, eca!

- Vamos, vamos lá para aquele banco. Aquela família tem bastante doce.





Rafaela Valverde

quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Livro O Pequeno Príncipe


Demorei de ler O Pequeno Príncipe. Eu já devia ter lido há tempos, mas ficava com preguiça por ser um livro muito manjado. Mas minha irmã me emprestou e eu li. É um livro bem fofo, considerado infantil, mas já vi muito adulto lendo. Foi escrito pelo aviador  francês Antoine de Saint-Exupéry.

Um piloto encontra o Pequeno Príncipe num deserto após a queda do seu avião. Enquanto tenta consertar a aeronave, ele faz amizade com o Pequeno Príncipe que apareceu de um outro planeta, pedindo para que ele desenhasse algumas coisas. 

E como gente grande não entende nada, não sabe nada e ainda aceita tudo, esse livro é um convite para sair da nossa vida real, do nosso mundo adulto. O Pequeno Príncipe, viajante, explorador decide visitar vários lugares. Encontra uma raposa, um bêbado, um geógrafo e assim segue a aventura.

Leitura gostosa e rápida.  Recomendo!



Rafaela Valverde 

quinta-feira, 29 de setembro de 2016

Ser tradicional é tão ruim assim?


Passei anos fugindo do tradicional. Não quis cerimônia e festa de casamento, quando juntei os trapos. Nunca tive esse sonho, nunca tive o sonho de ser mãe. Mesmo depois de uns anos casada, eu pensei em engravidar somente por influência de uma amiga que havia tido filho recentemente. Nunca fui "Amélia", sempre trabalhei e estudei. Exigia as divisões das tarefas domésticas, sempre fui uma mulher diferente. Aquela que  não queria ser normal, tradicional. Não queria fazer o mesmo que os outros faziam.

Troquei de faculdade e de curso três vezes antes de conseguir finalmente ir para a UFBA. Enquanto tinha um relacionamento, ele, em um determinado momento, foi aberto. Depois que meu relacionamento e meu casamento terminaram, eu tive literalmente uma vida de solteira. Curti bastante. Nunca fui, portanto, uma mulher tradicional, com valores tradicionais e puritanos, muito pelo contrário, sempre fiz questão de seguir o oposto.

Mas ei que eu venho percebendo que quero ser meio tradicional. Eu explico: para começo de conversa eu estou em um relacionamento sério, o que eu achava há seis meses que não queria e que não iria acontecer; me enquadrei de novo nas regras de um relacionamento e não me arrependo, não sinto falta da vida solitária que eu levava quando estava solteira. E por fim, fico olhando ex colegas de escola ou de faculdade que casaram, têm filhos, cachorro... Fico olhando essas famílias tradicionais, constituídas com um casamento formal,  "no papel" como a gente costuma dizer; com filhinhos, bichinhos, casas bonitas, lares estruturados e meio que me dá uma inveja.

Eu não sei muito bem explicar o que eu sinto e por quê. Mas eu fico querendo ter essa vidinha pacata, com problemas pra resolver e fraldas para trocar ( essa parte é só licença poética, tá?) É claro que eu não desejo ter filhos. Não agora, mas sei que posso mudar de ideia. Sei que já tive uma vidinha pacata de gente casada, que é boa, viu? Mas que não deu mais certo e o que não dá certo deve ser consertado ou acabar. Sei que há uma tendência atual de rejeitar essa tradicionalidade, de rejeitar essa vidinha- família- classe média-shopping.

Mas eu sei também que sou taurina. Os taurinos gostam de estabilidade, de um porto seguro. Os taurinos geralmente curtem família. E se, querer uma "famíliazinha" minha, construída por mim, é o "normal", é isso mesmo que eu quero. Com cachorro e gato, com frutas e Fast Food, com filmes e carnaval. Com tudo que eu tiver direito. Essas pessoas com cônjuge/companheiros, filhos e bichinhos de estimação devem sentir um orgulho danado da família que expõem no Facebook, eu teria!





Rafaela Valverde

sexta-feira, 19 de agosto de 2016

Por que a escola não serve para (quase) nada? Gustavo Ioschpe

Vi esse texto em um livro e gostei bastante dele até por que eu concordo muito com isso e já vi exemplos dos que eram os "cu de ferro da sala" terem apenas se formado em ADM por exemplo em uma faculdade particular dessas normais, enquanto algum outro 'porra louca', classe onde eu me incluo apesar de ainda não estar com uma carreira, muito menos em engenharia, passar em cursos como engenharia em universidade federal. Apesar disso não querer dizer nada, a gente sempre acaba caindo nessa de classificar a pessoa por isso ou por aquilo. Desde quando fazia Pedagogia eu venho me questionando qual o papel da escola , se ela sabe qual é esse papel e se cumpre. Deixo com vocês esse texto que é do ano 2000 mas é cada vez mais atual.

Imagem da internet



Por que a escola não serve para (quase) nada?

GUSTAVO IOSCHPE
Colunista da Folha 



Sempre me intrigou o fato de que os melhores alunos terminam não repetindo o sucesso escolar vida afora e, ao mesmo tempo, que as pessoas de grande êxito em suas atividades foram, frequentemente, maus alunos, ou pelo menos nada brilhantes. Não são inquietações que me surgiram agora, mas já na época de estudante.
Nessa mesma época, de estudante secundário, comecei a sentir um profundo incômodo com a vida estudantil. Quando criança, tinha muito prazer em ir ao colégio, em aprender aquelas coisas novas todo dia, em resolver mistérios. A educação é o mecanismo de inserção mais poderoso que há: com ela, penetramos no mundo e nos sentimos participantes da nossa realidade. A grande parede de ignorância que nos barra da compreensão do universo vai aos poucos sendo derrubada.
Mas, em um certo momento, lá pelo fim do primeiro grau, o encantamento se quebrou. Não sei se eu é que perdi a ingenuidade, ou se foi a escola que mudou, mas ficou tudo esquemático, mecânico e completamente broxante. A relação com o professor, que antes era de companheirismo e admiração nessa viagem de descobrimento, virou burocrática e antagonística. Pairava no ar o reconhecimento mútuo de que entrávamos em um teatro, onde mestres e pupilos eram atores secundários e o papel principal ficava a cargo da mediocridade, a se infiltrar e dominar tudo. Ela ditava que o nosso papel ali era de fingidores: o professor fingia estar ensinando e se interessando pela inteligência de seus alunos, e o aluno fingia estar aprendendo e absorvendo conhecimentos que lhe seriam úteis.
No fundo, todos sabiam que grande parte do que se ensinava ali era inútil e desinteressante, mas, enfim, caía no vestibular, então o que é que se havia de fazer, né?
Assim, passei, como todos os meus colegas, anos e anos regurgitando o que diziam os livrinhos que os professores nos indicavam. Líamos grandes livros, falávamos sobre grandes personagens históricos, mas o que ficava eram perguntas sobre o enredo, pedidos de descrição de eventos e causas. Nenhuma elucubração, nenhum desejo de ir além do texto, nenhuma tentativa, enfim, de pensar e imaginar. Qualquer tentativa de dizer algo diferente ou pensar o proibido era (e continua sendo) punida com canetaços vermelhos e notas baixas ou, em casos mais severos, conversinhas com orientadores pedagógicos e coordenadores educacionais (nomes infames para cargos que se resumem aos de carcerários do presídio de almas que é a escola moderna).
Assim, o sistema educacional transformou-se numa máquina produtora de mediocridade e resignação, que vai aos poucos filtrando os inconformistas e deixando-os de lado, rotulando-os como "problemáticos". Matando o espírito questionador, já que qualquer pergunta desafiadora é vista como um desafio à autoridade. Por isso é que os bons alunos não raro têm vida escolar apagada, e os maus alunos se saem bem: fora das paredes da escola, o espírito crítico, a imaginação e a vontade de fazer diferente são fatores indispensáveis ao sucesso.
O que só comprova a impressão de que colégios viraram exatamente aquilo que foram criados para combater: templos da gratificação da mediocridade e da mesquinharia; fortalezas que massacram aquilo que há de espontâneo nos jovens, e os "preparam para a vida", dando-lhes a garantia de sobrevivência que é, ao mesmo tempo, a garantia de uma vida sem saltos, voltas, dúvidas, explosões, entusiasmos, descobertas, angústias e fascínios. Tudo, enfim, que faz com que a vida valha a pena.
P.S. Antes que o tradicional espírito de porco pergunte se me imagino um gênio incompreendido, confesso que passei minha temporada escolar perseguindo notas altas e me empenhando em ser o melhor da classe, mesmo sabendo a falência moral que isso significava. O que só me entristece e envergonha.

01/05/2000



Rafaela Valverde

segunda-feira, 30 de maio de 2016

"Tem cara de puta mesmo..."

Imagem: Blog Mulherzinha
Não vou falar da dor que senti esse final de semana, não vou falar sobre a solidariedade e empatia que nós mulheres sentimos nesse final de semana de estupro coletivo a uma adolescente no Brasil. Brasil? Ou seria Índia? Vou falar apenas da indignação e não da minha dor. A dor é indizível, a dor é tão intensa que não é possível ser descrita e explicada.

Eu me vi várias vezes no lugar de Beatriz, a menina de 16 anos que teve seu corpo violado e usado por muitos homens. Homens não. Seres inomináveis, covardes, cruéis e desumanos. Homens de verdade não fazem isso. Os homens de verdade que eu conheço tratam mulher como gente, de igual para igual e não como um objeto ou um pedaço de carne.

O pior de saber ler numa hora dessas é ver pessoas, inclusive mulheres justificando ou tentando justificar o injustificável. É péssimo escutar também, pedi a Deus para ser surda nesses últimos dias. Já cheguei a escutar que a menina tem "cara de puta". Sim e daí? E se eu tiver cara de puta, eu posso e mereço que façam uma atrocidade dessa comigo? O que é cara de puta? Será que o que é "cara de puta" para um é também para outro?

Acontecem coisas inexplicáveis, as pessoas saem repetindo merdas sem ao menos saber o que estão falando. Por que a subjetividade de ter "cara de puta" é tão realmente inexplicável, é tão realmente subjetiva e abstrata que se eu sair na sexta à noite com meus olhos pretos, batom vermelho e vestido curto e colado eu com certeza estarei "puta" mas agora como estou aqui de roupa leve de ficar em casa, de óculos, sem maquiagem e cabelo preso eu seria considerada uma santa. Ah me poupem!

Essas pessoas que justificam estupro e uma crueldade como essa com direito a vídeo e tudo com shorts curtos, com iniciação sexual precoce e gravidez na adolescência, com saídas no final de semana para as baladas; querem justificar atrocidades como essas com um simples batom vermelho e uma sombra escura. No entanto os homens saem sem camisa, com os cofrinhos de fora, coçam o saco (coisa feia) na rua, bebem e andam cambaleando e não são estuprados não é mesmo?

Um pouquinho de humanidade não faz mal a ninguém. Empatia também não paga para sentir. Estão chamando a mina de piranha e outras coisas absurdas, justificando o uso do corpo dela sem a sua autorização, já que ela estava dopada e justificando que ela tem total consciência do que faz na vida e outros argumentos sem nenhum tipo de fundamento, apenas baseados em preconceitos, misoginia e objetificação do corpo da mulher , que existe apenas para satisfazer os desejos carnais e instintivos dos homens. Há ainda a tão evitada questão de gênero, já que ainda se pensa que os homens são superiores às mulheres.

E as mulheres, nós, mesmo quando vítimas somos ridicularizadas, ofendidas, marginalizadas, tratadas como putas. O que é ser puta, exatamente? Alguém me explica! É ter liberdade sobre o próprio corpo? É dar para quem quiser e a hora que quiser e ainda se quiser? Então se é isso eu sou puta e eu mereço ser dopada, jogada em um canto, espancada e penetrada até a minha vagina sangrar. Eu mereço ter meu corpo vilipendiado só por ele ser livre. O que está faltando nos humanos além de muito conhecimento e mente aberta, é HUMANIDADE. Está escassa a capacidade de se compadecer pela dor dos outros, mesmo  que esses outros tenham "cara de puta".



Rafaela Valverde

terça-feira, 17 de maio de 2016

Aulas particulares de Língua Portuguesa

Gente, vou começar a dar aulas particulares de Língua Portuguesa que é o que estudo. O foco principal é a disciplina em si para reforço, ortografia, redações, textos dissertativos, literatura, etc. Tenho que buscar alguma coisa para ganhar meu próprio dinheiro, de forma autônoma e fazendo o que eu gosto utilizando a prática da teoria que estou estudando. Este é um pequeno anúncio que comecei a divulgar hoje nas redes sociais.







Rafaela Valverde

quarta-feira, 20 de abril de 2016

Livro Coisas que todo professor de português precisa saber

Imagem da internet

Hoje terminei de ler esse livro que peguei na biblioteca da UFBA. É um livro da Editora Parábola, produzido pelo professor da universidade, Luciano Amaral Oliveira. É um livro que deixa bem clara a função do professor de português dentro da sala de aula, fazendo atividades, analisando livros didáticos e outras atividades. O livro traz ainda uma perspectiva sociolinguística, sem preconceitos acerca da posição do professor em relação aos alunos e à língua.

Ele responde perguntas, com sugestões, críticas e atividades. São perguntas como: O que é ensinar? O que é língua? Para que ensinar Português a brasileiros entre outras. Ele ainda divide o livro em tópicos ou capítulos, dividindo o ensino da disciplina em: Ensino Pragmático da Leitura; Ensino Pragmático da  Escrita; Ensino Pragmático da Literatura; Ensino Pragmático do Vocabulário e Ensino Pragmático da Gramática.

Lembrando que a palavra pragmática está diretamente ligada ao uso prático e cotidiano de cada uma dessas perspectivas. Ele traz a importância da boa formação do professor e da sua função em sala de aula, lembrando ainda que se faz necessário mostrar aos alunos a importância de se estudar e para que esses conteúdos serão utilizados no dia a dia.

Uma das coisas mais interessantes que vi nesse livro foi a ideia que o autor traz sobre a necessidade de preparar o aluno para a vida. Ele afirma que é preciso que as escolas ensinem aos seus alunos a redigirem um currículo por exemplo. Achei isso incrível! Ele faz duras críticas à algumas atividades dos livros didáticos e aos gramáticos puristas. Além de criticar a Nomenclatura Gramatical, que descontextualizada não serve para muita coisa a não ser "comprovar" ao aluno que ele não sabe português. Outra coisa que me chamou muito a atenção também foi um questionamento interessante sobre a utilidade da literatura, conteúdo que estudei esse semestre na disciplina de Literatura. Um bom livro sobre a prática. Recomendo!


Rafaela Valverde


domingo, 3 de abril de 2016

Variação sim!

Imagem da internet

A linguística  vem para tratar de diversos temas relacionados à linguagem, especialmente aos temas relacionados aos atos de fala. Atos de fala que são observáveis e individuais, mas que estão relacionados a uma norma. Esta por sua vez, relaciona- se sempre a um grupo  dentro de uma comunidade. 

Há várias normas dentro de uma comunidade, porém um único sistema linguístico é comum aos falantes de todas essas normas. Os falantes, sejam de que que norma forem variam as suas falas, a sua comunicação oral, onde a fala está incluída. A depender das questões de  razões sócio-culturais e até mesmo históricas das normas em que esses falantes estão inseridos, eles vão  adquirir os hábitos das comunidades de falantes onde eles vivem, claro. Essas variações não afetam a comunicação e fazem parte do sistema linguístico.

Falando um pouco em história, o português brasileiro foi influenciado por muitos dialetos, línguas indígenas e africanas, entre outras. Isso começaria a explicar, falando a grosso modo, as variações que foram acontecendo e que se dão até hoje. Mas, muitos fatores sociais e históricos configuraram e configuram nossa língua como ela é hoje, com suas flutuações e dialetos.

Há ainda a chamada norma padrão que é ou deveria estar ligada diretamente apenas à escrita e não à fala, mas as escolas e a educação que é realizada no Brasil hoje, não respeita esse pensamento tão defendido pelos linguistas. Não respeitando, consequentemente os falantes, seus hábitos e comunidades.

As gramáticas normativas brasileiras, criadas pela elite ou pseudo elite que acha que deve ser respeitada e obedecida, continuam exigindo que se fale como se escreve. Ou seja, a fala deve ser escrava da norma padrão e das gramáticas. Quem fala "eu o amo?" As pessoas falam eu "amo ele" mesmo e pronto! Não dá para se exigir que os falantes falem como escrevem. Nem pessoas "bem" escolarizadas conseguem falar assim!

Desrespeito à cultura dos alunos. Isso está relacionado diretamente ao desrespeito à pessoa, às suas características cognitivas e às suas origens culturais e ambientes sociais onde ela frequenta e um desrespeito global a algo tão natural quanto à fala. 

Muitas vezes, o professor nem sabe como trabalhar com essas questões que incluem também aspectos sociais tão complexos. O professor fica no meio do furacão em ter que ensinar a "norma padrão" e ao mesmo tempo aceitar e entender o modo da fala dos seus alunos. Letramento, por exemplo não é apenas ensinar a ler e a escrever. Letramento trata-se das práticas sociais de escrita e comunicação. Assim, não necessariamente, uma pessoa não alfabetizada não possa ser letrada. 

E não necessariamente uma pessoa letrada não vai variar a sua fala. Enfim, são diversas questões que eu não vou adentrar agora. Quero finalizar o texto falando sobre o método da retextualização de Marchuschi, que traz de forma objetiva como contextualizar a fala e até mesmo transformar transcrições de fala em textos escritos. Bem, é algo mais complexo que isso e Marchuschi dá os passos da atividade a ser feita em sala de aula. O que deve ficar claro para o professor é que retextualização é diferente de reescrever. Mas o que o professor deve ter em mente no momento em que vai para a sala de aula é que vai haver variações e ele deve estar quase que desprendido das gramáticas que apenas ditam normas estranhas para a fala e norteiam mecanicamente trabalhos de educação em língua.


Rafaela Valverde

terça-feira, 22 de março de 2016

Reflexões sobre o Salvador Card e suas incoerências

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Ando pensando algumas coisas sobre o Salvador Card ultimamente. O Salvador Card é o que dá meia passagem aos estudantes, integração nos ônibus diferentes, enfim, o cartão para passar nos ônibus da cidade. O projeto era vinculado ao Seteps antigamente e até era chamado de Seteps, porém hoje está ligado também à prefeitura de Salvador. Não tenho bem certeza, mas parece que é um acordo entre prefeitura e sindicato dos empresários de empresas de transportes públicos da cidade.

Então, de um tempo para cá, não sei bem dizer quanto, o projeto resolveu se reformular. Houve uma popularização dos cartões, quase todas as empresas são adeptas para transporte dos seus funcionários, a maioria dos estudantes possuem um cartão de meia passagem e ainda há o bilhete avulso, que qualquer cidadão pode ter e pegar dois ônibus pagando apenas uma passagem no período de duas horas.

Além disso houve uma dispensa maciça do trabalho do humano e as recargas passaram a ser exclusivamente através de totens. Antes do início das revalidações anuais para que os estudantes continuem usando o serviço durante 2016 ainda havia pessoas carregando os valores em dinheiro no cartão. Agora não. As pessoas estão lá apenas para revalidar. Um processo que ao meu ver também é falho.

O Salvador Card possui três pontos fixos de recarga dos cartões em pontos específicos da cidade. Abriram postos móveis em alguns shoppings e totens foram distribuídos em algumas faculdades, como a UNEB e a Unijorge por exemplo. Porém ainda é pouco, comparado à quantidade de pessoas que havia antes para fazer as recargas e que provavelmente foram demitidas. Os totens são úteis, mas são máquinas, será que se um dia quebrarem ou precisarem passar por alguma manutenção, haverá pessoal suficiente para lidar com essa contingência? A resposta é não. Fora que as filas continuam, o que invalidou um pouco o princípio da praticidade dos totens. Ah e os totens não dão troco e só aceitam notas novas (sem rasuras e que não estejam amassadas, recusando as que estão) e ainda só é possível inserir notas a partir de cinco reais. Moedas e dois reais não! Já passei maus bocados por causa disso!

E para voltar a falar de revalidação, eu revalidei recentemente o meu cartão e o de minha irmã. Nossos comprovantes de matrícula mal foram olhados, os documentos de identificação então nem se fala. Não foi pedida a mim nenhuma comprovação de parentesco com a minha irmã, já que estava revalidando o cartão dela de estudante.

Há ainda a questão da segurança sobre quem está ou não utilizando esses cartões de estudantes, pois no início era um sistema bem rigoroso, onde só as pessoas da família podiam fazer a recarga e a revalidação apresentando documentos de identificação que eram analisados e a depender do estado não eram aceitos. Havia também a questão da digital que era solicitada nos ônibus a fim de identificar os estudantes. Essa medida de segurança foi muito criticada por mim, pela lentidão que gerava dentro dos coletivos, JÁ QUE NUNCA FUNCIONOU BEM! 

Mas aí de repente, a solicitação da digital ou identificação biométrica que começou com tanto rigor e todos tivemos que fazer o cadastro dos nossos dedinhos em tempo hábil, não existe mais! Quem me disse isso foi uma cobradora de ônibus! Sim! Ela disse: " esqueça isso de botar o dedo, isso acabou!". Eu me senti enganada, por que depois de tanta agonia em nossa cabeça (quem lembra desse período sabe o que estou dizendo), simplesmente não existe mais. Como assim? Cadê a segurança? Não há mais solicitação de digitais? Quer dizer então que quaisquer pessoas podem recarregar meu cartão (totens) e ainda podem utilizar nos ônibus "de boa"? Como assim, Seteps? Hein Salvador Card? Prefeitura? Alguém para explicar? Só eu quem penso nisso?

E ainda há mais uma coisa: a diminuição de funcionários no órgão além de aumentar o número de desempregados na cidade e no estado, será que não ajudou a piorar o atendimento e conferimento dos documentos, diminuindo a segurança? Afinal, é muita gente e o serviço tem que ser rápido. A resposta é SIM! Fica a reflexão ou as reflexões. Temos que reclamar e chamar atenção para o que está errado, é o nosso dever enquanto cidadãos!



Rafaela Valverde

sábado, 12 de março de 2016

Minha jóia - Forfun


Caminharemos lado a lado uma questão de afinidade
Música, dança, tempero e sabor
Afeto, amparo, carinho e calor

E uma faísca desse amor abrasará o coração
A alma que encanta é a alma que encanta

Minha criança, minha jóia, minha vida, meu amor
Minha criança, minha jóia, minha vida, meu amor

Caminharemos lado a lado uma questão de afinidade
Música, dança, tempero e sabor
Afeto, amparo, carinho e calor

E uma faísca desse amor abrasará o coração
É alma que encanta é alma que encanta

Minha criança, minha jóia, minha vida, meu amor
Minha criança, minha jóia, minha vida, meu amor




Rafaela Valverde

segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

A menina das letras

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Sempre fui a menina das letras. Sempre fui a menina dos rótulos, das bulas de remédios e dos manuais de todos os móveis e eletroeletrônicos e domésticos que eram comprados lá em casa. As letras juntas em palavras, constituindo frases e formando textos sempre exerceram um fascínio sobre mim,

Sempre fui a menina que lia tudo e que sempre tinha a resposta na ponta da língua, e que quando não tinha essa resposta ia buscar nos livros, já que a internet era mais remota nesses tempos longínquos. Sempre estive acompanha por um livro, revista ou qualquer coisa para ler. Durante os almoços de família não era permitido, mas aí eu arrumava outros locais mais solitários como o banheiro (rsrsrs). Na minha bolsa sempre tem um livro e essa é uma regra básica!

A leitura sempre foi presente na minha vida. Como eu já disse, sempre fui a menina das letras, aquela que muitas vezes foi considerada esquisita, mas que nunca ligou. Afinal de contas havia mundos muito mais interessantes nos livros, gibis e outras revistas. O mundo das letras e das palavras sempre me pertenceu e eu a ele. E com eles eu sou possessiva, não os deixando por nada! E nem eles me deixam. Os livros me conquistam a cada dia que passa e eu sempre faço questão de tê-los perto de mim.

Ao contrário da maioria das pessoas adeptas à internet e das pessoas sobreviventes nesse século, os livros sempre têm o que me dizer! Mesmo que seja o mesmo livro, ele sempre vai me dizer algo, sempre vai me servir para algo e sempre vai me preencher. Eu amo as letras, as palavras, os textos, os livros. E eles me amam! Eu amo cheiro de livros, cor de livros, fontes das letras impressas, tudo. Tudo mesmo. Mas o que me encanta é o que há dentro deles, as histórias, a magia, o encantamento... 

Quem não tem essa paixão pelos livros nunca vai conseguir entender, mas a gente, os aficionados, nós entendemos e continuamos amando, esses que são a melhor invenção! Enfim, mesmo quando estiver velha, continuarei sendo eu, continuarei amando os livros e continuarei sendo a menina das letras.



Rafaela Valverde

Filme Boyhood - Da infância à juventude

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Ontem vi o filme Boyhood - Da infância à juventude de 2014. O filme tem quase três horas e ficou bastante famoso após ser sabido que ele levou doze anos para ser concluído. O filme acompanhou o crescimento do protagonista e de sua irmã na trama, que começaram o filme ainda crianças, até alcançarem a idade de ir para a faculdade. 

O filme conta com Patrícia Arquette e Ethan Hawke no elenco e eu gostei bastante do filme. Por ser do estilo que eu gosto, paradão, narrador de fatos cotidianos, etc. É um filme bem feito, com uma genial narrativa acerca da vida e do quão é difícil crescer. Em algum momento eu acabei me vendo ali, tentando me lembrar da minha infância e da minha adolescência, com os conflitos dos pais e os próprios conflitos internos.

Eu acho esse tipo de filme realmente incrível. O filme tem uma excelente fotografia, atuações que se mantém e enfim, é um filme que por se só já é genial. Eu nem tenho mais o que falar sobre ele e sobre as sensações que despertou em mim. Recomendo.




Rafaela Valverde

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

Platão, a poesia e a mimese

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Platão em suas ideias acreditava que textos literários como fábulas deveriam ser pré selecionados antes de serem ouvidos pelas crianças. Ele afirma ainda que características de deuses e heróis narradas nas histórias devem ser censuradas se mostrarem mentiras. Platão escreveu em seu livro A República que nao se deve contar ou retratar lutas e inimizades desses deuses e heróis com seus familiares.

As crianças não são capazes de distinguirem o alegórico do real e portanto as primeiras histórias ouvidas por elas devem ser as mais nobres possíveis. Daí entra um dos motivos da aversão de Platão à Homero  por exemplo, já que suas histórias contém elementos como esses rejeitados pelo filósofo.

As fábulas mais poéticas devem ser evitadas pelas crianças, pelas pessoas que buscam a liberdade e pelos guardiões da cidade, esses últimos por receio de que fiquem "moles" demais. Com isso é possível perceber instruções diversas contra as poesias e como devem ser as "verdadeiras" obras poéticas e sobre as que não podem ser contadas livremente. Devem ser selecionadas as melhores.

Mas o que seriam as melhores? Aquelas histórias que não tornem alguns muito sentimentais e nem tampouco outros muito frios e/ou violentos. Segundo Platão, a imitação (mimese) deve imitar para as crianças bons sentimentos para quem ouvir ou ler. Sentimentos baixos ou vícios não devem ser praticados.

Para Platão tudo era a representação  do real e em seu mundo das ideias não havia espaço para a poesia. Pelo menos não para esse tipo de poesia. O tipo de obra mimética que é totalmente recusada em alguns momentos pelo filósofo, por ser a "destruição da inteligência" e por mascarar possíveis entendimentos.

Através dessa obra, o leitor é enganado e se afasta da verdade três vezes, já que a poesia seria a representação da representação do real. Na poesia não há nenhum conhecimento, guerra ou boa administração que possam ser apreendidos. "Os poetas não atingem a verdade. Os poetas mentem." Mas ainda assim há o reconhecimento do encantamento que a poesia pode causar. Apesar de em nada contribuir para a administração da cidade.

O que pode ser compreendido portanto das ideias de Platão é que a poesia encanta e só. De resto não há mais nenhuma utilidade nela. Ele acreditava ainda que a poesia e seus autores deveriam estar mais concentrados na filosofia e em alguma utilidade prática na Politeia e não apenas na mimese, O papel social da poesia deveria ser educar e auxiliar na formação do pensamento crítico e não apenas imitar sentimentos e ideias por todo o tempo. Essa mimese realizada o tempo todo não traz reflexões, saberes filosóficas e discernimento por parte dos poetas.

Para Platão a boa mimese seria guiada pela filosofia e essa sim teria utilidade dentro da Politeia. Ela teria a reflexão em sua essência e assim as pessoas conseguiriam discernir o que é real. Por isso é possível concluir que Platão não rejeita totalmente a poesia mimética, ele a ama mas a critica ou critica mas a ama. Critica os exageros dos poetas e se preocupa com a ética e a política envolvidas na poesia, ou a falta delas, assim, ele se preocupa como já foi dito, com a educação de sua cidade.



Rafaela Valverde

terça-feira, 5 de janeiro de 2016

Reflexões sobre minha insônia

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Sou da madrugada. Sempre fui. E olhe que fui uma daquelas crianças insones que a mãe não sabia mais o que fazer para que dormisse. E eu achava não dormir ou dormir pouco muito ruim.
Hoje não mais. Me entendo como uma pessoa extremamente noturna. Produzo melhor na madrugada, meus melhores textos e poemas foram escritos à noite ou durante a madrugada.

Na verdade isso já se mostrava desde a tenra infância, pois meus pais dormiam e eu levantava da cama na madrugada e ia assistir TV. Filmes como Chucky, o boneco assassino entre outros. Sim eu gostava de filmes de terror. Hoje fiquei covarde e não gosto mais.Ou era isso ou era ficar na cama tendo pesadelos ainda piores, ou achando que sairiam ratos debaixo da cama. Acreditem que meus pesadelos eram piores que aqueles filmes. Até hoje são. Engraçado é que acabei de me dar conta que sempre tive pavor por ratos.

Mais engraçado ainda é eu estar falando de insônia em um momento de cansaço, em um momento de calmaria que já foi turbulento. É engraçado eu ter tomado chá de erva cidreira às 20h e às 23h ter tomado achocolatado que é estimulante e mais engraçado ainda é eu estar sem sono, deitada no escuro escrevendo e ouvindo o segundo disco da minha cantora internacional favorita. As músicas que me dão paz. Mas não me dão sono.

Engraçado, uma coisa nada tem a ver com a outra.Me sinto em paz, eu perdoei, eu senti uma presença divina inexorável eu não lembro mais dos meus sonhos. Mas eu acordo sentindo saudade, eu acordo sentindo cheiros. Saudades de quem não está mais aqui e de quem ainda virá. Cheiro dos que eu conheço e os cheiros que eu imagino que sejam.

Eu hoje não rechaço minha insônia. Eu a respeito. Eu gosto dela. Eu aproveito ela e eu acho ela engraçada e útil. Sei que na semana que vem quando eu passar a acordar as 5:30h ela vai me fazer falta, por que eu vou começar a capotar de sono todos os dias. A cama é de casal, é enorme, sinto ela vazia, mas eu me acostumo, a insônia vai perder razão de existir logo logo.



Rafaela Valverde

segunda-feira, 9 de novembro de 2015

Logo eu que emano amor!

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Logo eu que sempre fui tão amorosa: ajudei a criar uma irmã, escrevia cartas para a madrinha e as professoras, dava nomes carinhosos aos bichos de pelúcia e as bonecas e sempre fui apaixonada por animais e bebês. Logo eu que emano sensibilidade e amor pelos poros. Logo eu que gosto de fazer cafuné e massagem. E que considero carinho bom para quem faz também.

Eu que choro com livros e filmes, eu que só desejo ser cheirada, desejada e olhada com carinho. Eu que apenas desejo ser acariciada no rosto enquanto durmo e acordar vendo um olhar atencioso voltado para mim. Eu, logo eu, que passei por tanta coisa na vida, consegui superar sozinha e hoje tenho uma alegria de viver enorme, apesar de às vezes ainda ser pega pela tristeza.

Eu que sei sorrir nos momentos de lágrimas e que sou uma pessoa livre, sem papas na língua, sincera, autêntica e honesta. Eu que só quero que se importem comigo, que queiram estar em minha companhia e que riam das minhas piadas infames. Eu que tenho uma "aura sexual" como já me foi dito.

Eu. Logo eu que sou como sou. Desenvolvi valores através de uma educação rígida, sou bonita, bastante paquerada, inteligente, gentil, grata e "gente boa" só consigo receber desprezo, frustração, desamor, indiferença, mentiras, deslealdade de quem conviveu comigo durante anos e que várias vezes me senti usada. Mal recebo respostas secas no WhatsApp, de bons dias que não serão bons dias. Eu que há um ano era tão agraciada com boas conversas nesse aplicativo, mas que hoje no lugar dessas conversas só há bloqueio.

Eu que sou constantemente ignorada e que aos poucos tenho aprendido a ser sozinha. Essa foi uma coisa positiva de tudo isso. Pelo menos isso. Uma coisa boa. Mas fora isso, todo o resto tem sido uma merda total. Ao longo de anos tive decepções na vida com amizades, relacionamentos (que terminaram todos de forma ruim) e com pessoas que passam pela minha vida e que eu acabo fazendo a burrada de me apegar. Isso aconteceu poucas vezes felizmente, mas duas vezes de um ano para cá. Isso me deixa muito chateada, por que sei que eu não mereço essas decepções que são constantes.

Aos poucos porém, vou expulsando essas coisas e esses sentimentos da minha vida. Não culpo as pessoas e sim a mim mesma. Eu que sou tão amorosa com a vida, eu que gosto do sentimento de apaixonamento não me avexo não e isso um dia acaba saindo da minha  cabeça e da minha vida. E aí eu vou voltar a dar amor às bonecas, aos bichos de pelúcia, aos animais e aos bebês alheios.



Rafaela Valverde

quinta-feira, 5 de novembro de 2015

Livro Muito mais que 5inco minutos - Kéfera Buchmann

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Ontem terminei de ler o livro Muito mais que cinco minutos da Youtuber Kéfera Buchmann. Gostei do livro e ele, assim como a sua escritora, me fez rir muito. É claro que o livro não é uma obra literária estupenda, mas é um livro auto biográfico, divertido e que conversa diretamente com os adolescentes. É uma literatura efêmera, mas que atinge os jovens e os fazem ler. E é claro que toda leitura é válida.

Até por que, quem começa a ler livros de youtubers, de literatura efêmera, uma hora vai passar a ler livros mais complexos. Sim, por que eu ainda criança, comecei a ler livros muito bestas e gibis. Enfim, gosto de Kéfera. Acho a uma pessoa inteligente que soube superar coisas como o bullying e o insucesso escolar, fazendo algo relacionado às artes que foi o que ela sempre curtiu desde a infância.

No livro ela conta algumas das histórias da infância, da adolescência, da transformação de um patinho feio  em uma menina bonita que quem a  havia desprezado antes, depois de um tempo ficou afim e ela desprezou. Hahaha. Me identifico muito com isso, por que foi exatamente o que aconteceu comigo. Deixei de ser a gorda, feia e quatro olhos. Me tornei mais bonita e depois os otários vinha atrás... hahaha. Me identifiquei com isso e com o bullying. Bom, sem mais spoilers. Entre outros motivos, li o livro para estar atualizada e poder falar sobre  o mesmo.



Rafaela Valverde



quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Não apenas professores, pessoas marcantes!

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Hoje chega mais um quinze de outubro. Dia dos professores. Dia dos mestres que se dedicam inteiramente a uma profissão tão ingrata e ao mesmo tempo tão gratificante. Pode parecer clichê e condescendente dizer isso, afinal todo mundo fala a mesma coisa. Todo mundo fala da paixão, da vocação, etc. Mas o que ninguém sabe mesmo são os desafios que têm que ser encarados todos os dias.

A profissão de professor é uma das mais importantes, pois dela origina- se todas as outras. Todo mundo tem, teve ou terá professores na vida. É uma profissão desvalorizada ao extremo no Brasil, assim como a educação que anda muito mal das pernas há décadas. Se Paulo Freire, Anísio Teixeira, Darcy Ribeiro, entre outros  não conseguiram conscientizar o país do tesouro que é a educação, imagina quem vai fazer isso nas próximas gerações? Difícil responder não é mesmo?

A origem da data se deve se ao imperador D. Pedro I ter instituído um decreto num 15 de outubro, sobre a criação do ensino elementar no Brasil em 1827. O decreto estabeleceu conteúdos, normas e criação de escolas em todo o país. Em 1947, professores decidiram criar uma confraternização nessa data para os professores e em 1963 a data foi oficializada.

Muita coisa mudou de lá para cá e ao mesmo tempo nada mudou. Quanta incoerência. Até hoje ouvimos falar em péssimos salários, condições e estruturas ínfimas para trabalhar, acúmulo de carga horária e inúmeros outros problemas, que nem dá para citar aqui. E ao mesmo tempo muitos professores conseguem realizar um trabalho tão grandioso na educação e na vida dos seus alunos, que conseguem marcar vidas inteiras. Alguns professores são inesquecíveis!

Em minha vida há vários. Ah, como eu amo alguns professores que passaram em minha vida! Tem o professor Oscar, que foi meu professor da primeira série até hoje lembro dele e tenho contato através do Facebook (!) e ele me emprestava as revistas em quadrinhos que eu tanto amava. Eu lembro! Tem a professora Ivonete do Jardim de infância que me marcou muito; tem a professora Gildair que foi a minha professora da terceira série, nunca esqueci dela. Ela incentivou tanto a minha leitura, mandava a gente ler placas nas ruas, bulas de remédios, etc. Bem, eu segui a risca, leio tudo até hoje.

Teve a professora Maria da Graça do final do ensino fundamental dois que era de inglês e também de português. Brigávamos tanto e depois ela virou meu xodó. Teve Aníger de Português que também foi muito especial, o nome dela é Regina ao contrário e o meu nome é Rafaela Regina, então tínhamos uma ligação muito próxima. Escrevi um livro e dei para ela, imaginem? Teve vários outros professores que me suportavam, Deus. Os do ensino médio, as que me incentivaram a ler mais, mais e mais. Os das universidade e faculdades que eu passei. Todos. Eu honro e agradeço muito a todos os professores que já passaram na minha vida e os que marcaram ela para sempre.

Obrigada por vocês darem tanto pelos outros. Professores são mais que professores são seres especiais. É pena que não dá para citar todos, ou encontrar todos no Facebook e agradecer, agradecer e agradecer por tudo. Mas quem foi meu professor sabe. Eu amo vocês, vocês tem lugar no meu coração.


Uma pequena homenagem, 

Rafaela Valverde

segunda-feira, 12 de outubro de 2015

Cinquenta fatos sobre mim

Bom, esses cinquenta itens estão prontos há alguns dias, mas acho que chegou o momento de divulgar, pois tem gente precisando me conhecer melhor. Pois bem, eis aí os 50 fatos sobre mim:

Imagem: internet
1 - Amo ler
2 - Amo brigadeiro de panela
3 - Tenho insônia desde a infância
4 - Sou ligada no 220 e faço várias coisas ao mesmo tempo
5 - Eu amo gatos e me derreto com bebês
6 - Amo comer e como muito
7 - Tenho uma personalidade forte
8 - Só faço o que eu quero
9 - Gosto de cozinhar e fazer bolos
10 - Aprendi a ler com cinco anos
11 - Não sei me maquiar direito (estou aprendendo)
12 - Prefiro conforto à moda
13 - Sou sincera e sempre falo o que me incomoda
14 - Não me privo de nada e sempre quero experimentar algo novo
15 - Não faço dieta e não gosto de academia
16 - Não me envolvo em confusão e fofoca
17 - Gosto de andar
18 - Sou livre e acho que as outras pessoas também são
19 - Amo praia
20 - Adoro acordar tarde, mas se necessário acordo cedo sem problemas
21 - Adoro que me chamem de Rafa
22 - Sou diferente da maioria e gosto disso
23 - Sou pontual, sempre
24 - Amo livros e sempre quero comprar mais
25 - Coleciono marcadores de páginas
26 - Sou desligadona em nomes de músicas
27 - Sou péssima com nomes, mas nunca esqueço um rosto
28 - Não julgo nada nem ninguém antes de conhecer
29 - Gosto de me cuidar, mas não sou obcecada
30 - Só durmo com ventilador ligado
31 - Venci o vício de roer unhas e agora as mantenho pintadas
32 - Não resisto a revista em quadrinhos (nenhuma)
33 - Detesto livros de auto - ajuda
34 - Odeio o politicamente correto
35 - Gosto de desenhos animados
36 - Escrevo poemas desde criança
37 - Lia livros proibidos na infância
38 - Sou muito tranquila em meus relacionamentos
39 - Não deixo o ciúme me dominar
40 - Lealdade em um relacionamento é mais importante do que a fidelidade em si
41 - Sou manteiga derretida
42 - Estudo muito e pesquiso sobre cabelos cacheados e como cuidar deles
43 - Sou muito curiosa, leio tudo e sou sedenta por conhecimento
44 - Não guardo mágoas e cultivo o bem
45 - Sou tolerante e paciente, mas não pise no meu calo, por que aí viro o contrário
46 - Amo literatura, filmes e comédias românticas
47 - Adoro esmaltes coloridos
48 - Fiz curso de datilografia na infância ( não sou velha!) rsrsrs
49 - Adoro rádio e música
50 - Sou bem humorada, faço piada e já me disseram que eu podia fazer stand up! Hahahaha


Bem, isso aí é um pouco de mim.



Rafaela Valverde


Resposta a um comentário anônimo e estúpido.

Imagem: internet
Hoje recebi um comentário idiota e anônimo em meu blog, criticando grosseiramente um texto que escrevi no início do ano passado. Esse aqui ó: Chaves,o bullying e o politicamente correto. Pois bem, em primeiro lugar querida pessoa covarde que fez o comentário: eu tenho regras em meu blog e uma delas é que eu não publico comentários anônimos.

Portanto, se identifique e confirme a sua burrice. Por que eu fiz, nesse texto, uma análise do bullying, em uma outra ótica, diferente das que eu já vi por aí. Assistindo um dos episódios do seriado Chaves, eu percebi que a transmissão de um seriado desse hoje não seria possível, devido ao politicamente correto e que o bullying é algo normal na infância de quase todas as pessoas que foram crianças. Você discorda? Você acha que isso não acontece em todas as escolas e com crianças de todas as faixas etárias? Ou você foi o único escolhido? Ah me poupe!

No mesmo sentido em que uma criança sofre bullying ela também comete. Sabe por que eu digo isso? Por que ao contrário do que você afirmou - coisa de gente estúpida mesmo: falar o que não sabe - eu sofri bullying na infância sim. E foram coisas muito graves que marcaram minha vida e a minha baixa auto-estima. Os abusos que hoje chamamos de bullying deixaram marcas eternas em minha vida. Mas eu também cometia. Eu criticava quem era magro demais, quem era lerdo, feio e mais gordo que eu. Enfim, crianças podem ser bem malvadas sim! E adultos de verdade se recuperam de tudo isso.

Eu nunca contei nada do que passei na escola aqui em meu blog por que não desejo me vitimizar e nem fazer as pessoas ficarem com pena de mim. Isso é coisa de gente fraca. Fraca e que não mostra a cara ainda por cima! Me recuperei de muitos dos traumas deixados por isso e hoje eu me amo, me aceito e me acho bonita mesmo sendo gordinha e míope. (lentes de contato, conhece?) Quem leva isso para a vida adulta, mesmo depois de anos é uma pessoa no mínimo fraca. E que não consegue fazer nada de positivo que supere isso. Por que eu escrevo desde a infância, para "descarregar" meus traumas e consegui desenvolver minha escrita a um ponto muito bom, ao meu ver. 

Então nada do que me digam tentando me inferiorizar vai me atingir, por que sei que sou boa em muitas coisas, sobretudo na escrita que é o que eu gosto de fazer. Se até hoje, depois de mil anos, a sua pressão fica alta e você tem síndrome de sei-lá-o-que, não é culpa minha e nem do meu texto, ok? Portanto vá procurar o que fazer e procurar ser um pouco mais inteligente e menos intolerante, tá? Quando quiser uma discussão de verdade, justa, se identifique. Agradeço a visita, caro anônimo.




Rafaela Valverde
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