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terça-feira, 2 de maio de 2017

Trem - Bala - Ana Vilela


Não é sobre ter todas as pessoas do mundo pra si
É sobre saber que em algum lugar, alguém zela por ti
É sobre cantar e poder escutar mais do que a própria voz
É sobre dançar na chuva de vida que cai sobre nós

É saber se sentir infinito
Num universo tão vasto e bonito, é saber sonhar
Então fazer valer a pena
Cada verso daquele poema sobre acreditar

Não é sobre chegar no topo do mundo e saber que venceu
É sobre escalar e sentir que o caminho te fortaleceu
É sobre ser abrigo e também ter morada em outros corações
E assim ter amigos contigo em todas as situações

A gente não pode ter tudo
Qual seria a graça do mundo se fosse assim?
Por isso eu prefiro sorrisos
E os presentes que a vida trouxe para perto de mim

Não é sobre tudo que o seu dinheiro é capaz de comprar
E sim sobre cada momento, sorriso a se compartilhar
Também não é sobre correr contra o tempo pra ter sempre mais
Porque quando menos se espera, a vida já ficou pra trás

Segura teu filho no colo
Sorria e abraça os teus pais enquanto estão aqui
Que a vida é trem bala, parceiro
E a gente é só passageiro prestes a partir

Laiá, laiá, laiá, laiá, laiá
Laiá, laiá, laiá, laiá, laiá

Segura teu filho no colo
Sorria e abraça os teus pais enquanto estão aqui
Que a vida é trem bala, parceiro
E a gente é só passageiro prestes a partir




Rafaela Valverde

segunda-feira, 17 de abril de 2017

Eu não sei paquerar


Eu não sei chegar em alguém quando estou afim. Aliás eu não sabia o que era isso até bem pouco tempo. Passei nove anos em um relacionamento que começou na adolescência e durou até a vida adulta, depois disso a maioria dos meus encontros casuais foram através do tinder e meu último namorado era um colega da época da escola que eu conhecia há mais de dez anos.

Portanto, eu não sei como agir nessas horas. Não sei se me atiro ou recuo, não sei o que demonstrar e o que se espera que se faça. Sou bem inexperiente nessa área de iniciar um lance na verdade. Fiquei pouco tempo da minha vida solteira como estou hoje. Enfim, quando me interesso por alguém eu geralmente fico bem idiota, no sentido de não saber o que fazer.

Eu acho que vou ter que começar a me acostumar com isso e aprender logo, já que não se pode viver na seca eternamente. Não saio para balada com intenção de pegar ninguém, mas ainda que saísse não teria menor ideia de como fazê-lo. Talvez esbarrar com a pessoa "sem querer" ou direcionar a conversa para ela em um grupo, ou troca de olhares... Eu não sei, mas se alguém conhecer algum curso de como se faz isso me indica porque estou super precisando.

Tem exatamente 14 dias que eu não beijo ninguém, só para vocês terem uma ideia. E eu não quero mais ter o Tinder. De jeito nenhum. Aquilo me deu muita dor de cabeça. Mas a minha questão aqui não é essa. O que quero dizer é que sou péssima nessas coisas. Eu definitivamente não sei chegar em alguém que estou a fim, mesmo que seja apenas para beijar, e quase sempre é. Eu não sei o que falar e como me comportar. Eu não sei nada. Eu sou a ignorante nas artes de arranjar "gentes". E eu estou cada vez mais na seca de "gentes" e eu estou entrando em pânico. Claro que isso é ironia, o que me dá pânico mesmo é a volta das aulas em maio. Mas, sim estou carente. E sim, realmente eu sou uma oreba na arte da paquera.



Rafaela Valverde

quarta-feira, 5 de abril de 2017

Altruísmo


Li essa semana num status de WhatsApp algo sobre altruísmo. Altruísmo é, entre outras coisas, fazer o bem sem esperar nada em troca. A partir desse status comecei a pensar em mim mesma, se eu sou uma pessoa altruísta. Acho que sou, pelo menos pelo fato de não querer nada em troca. Nem vejo como boa ação e sim como minha obrigação mesmo. Gosto de repassar informações, especialmente para quem esteja precisando. Gosto de ajudar as pessoas. Gosto de dar boas notícias, me preocupo com as pessoas.

Há algum tempo notei que sou assim. Me preocupo quando alguém falta durante aulas importantes. Fico tentando imaginar o que pode ter acontecido e se posso ajudar. Já fiz trabalho sozinha, quando era em dupla, mas para ajudar o colega mesmo. Coloquei o nome dele e disse para estudar, que a parte do slide eu fazia. Segurei a apresentação. Ele me agradeceu, mas já aconteceu de outras pessoas não agradecerem e eu não me importo. De verdade, eu nem lembro de todas as coisas que já fiz para ajudar as pessoas. Não fico remoendo isso.

Eu vejo imagens e posts sobre empregos e mando para quem acho que aquela vaga pode interessar. Eu converso com quem precisa, eu sou dessas que acha que as pessoas podem ter oportunidades. Sou dessas que faz coisas de forma automática sem se importar muito com o que pode ou não vir em troca. O mais engraçado é que só pensei nisso essa semana que vi essa imagem com a definição da palavra altruísmo e pensei que talvez com algumas atitudes minhas posso ser considerada altruísta. É claro que não vou dizer aqui. Não acho que devo divulgar. E não falo de assistencialismo ou caridade de dar dinheiro ou cesta básica para alguém. Falo de gentileza, de troca, de coisas que uma pessoa pode fazer por outra. Pequenas coisas, coisas cotidianas. Sim, eu gosto de mim.




Rafaela Valverde

terça-feira, 28 de março de 2017

Da cama às pequenas conquistas


Com quem vou dividir minhas pequenas conquistas? Sabe aquelas pequenas vitórias cotidianas como por exemplo, uma prova de uma matéria que eu estava muito ruim e consegui melhorar? Pequenas coisas, sutilezas da vida. E eu não tenho com quem dividir. Minha família não se interessa muito e assim não posso expressar toda minha empolgação cm uma coisa que parece tão pequena mas que para mim soa como uma superação nesse semestre.

Não há ninguém para comemorar nada disso comigo. Ter alguém por perto para dividir essas coisas é o que mais faz falta. Nossa, como é bom de noite contar nosso dia, nem que seja pelo telefone. Como é bom ouvir o dia do outro. Entre eu, minha mãe e minha irmã não há muito esse hábito de conversar horas. E há dias em que fico tantas horas calada que quando volto a falar estou rouca de tanto não falar

E olhe que nem curto falar tanto assim. Mas eu sinto falta dessa pessoa que vai me ouvir falar dessas pequenas conquistas diárias. Eu sinto falta de alguém que me lhe nos olhos e me escute ou simplesmente me escute mesmo que no telefone. Eu sempre tive momentos de reclamar de solidão, de me sentir sozinha, mas eu nunca me senti tão sozinha como nesses últimos dois anos. Sinto que ninguém se importa de verdade comigo e eu não tenho relações profundas com pessoas.

Eu tenho uma amiga mais próxima, que faz às vezes de ouvinte, mas não é disso que estou falando. Não sei se é possível alguém entender minhas elucubrações. E nem sei se quero. O que sei é que preciso de gente, preciso de gente que me escute, me enxergue, me entenda ou pelo menos tente, sem julgamentos. Só isso. Preciso de gente para conversar comigo e para me perguntar como foi o meu dia, mas não só perguntar, preciso que escute de forma interessada. Não simplesmente pergunte por perguntar. Eu quero apenas que seja comigo como eu sou. Eu quero um sonho, uma ilusão.




Rafaela Valverde 

sexta-feira, 24 de março de 2017

Então eu choro


A ansiedade me toma por completo. Tenho oitocentas atividades da faculdade para fazer, aulas para preparar e ainda assim passo o final de semana deitada vendo série. Procrastinando. Evitando as atividades que estão se tornando cada vez mais chatas, a medida em que o tempo passa.  Fico sofrendo porque tenho que fazer tantas coisas e ao mesmo tempo fico evitando fazê-las porque as acho chatas.

Nem me olho mais no espelho porque tenho medo de encarar minha olheiras. E quando finalmente tenho coragem de olhar, não olho meus olhos vermelhos. Vermelhos de tanto chorar. Às vezes ficam inchados também. Saio e lavo o rosto, mas não adianta nada e temo que as pessoas percebam. Minha mãe ainda ontem perguntou o porquê desses olhos inchados, se eu estava chorando.

Sabe, é preciso chorar. ás vezes as lágrimas vêm  de forma automática. Densas, chegam a pesar no rosto. Não posso evitá-las. Só enxugo, mas elas caem minutos depois. Sempre voltam a cair, me deixando preocupada  e ainda com mais vontade de chorar. Daí no outro dia acordo me sentindo seca, como se tudo tivesse sido vertido junto com as lágrimas. Tudo que havia de alegre em mim escorreu pelo meu rosto até o chão e morreu.

Mas no dia seguinte preciso reagir e acordar como se nada tivesse acontecido. Preciso viver a vida que Deus me deu. Mas por quê? Por que mesmo que Deus me concedeu a vida? Ela é tão sem sentido, aleatória e injusta e a gente ainda tem que sentir grata. É piada? Parece que sim. Fico pensando em quantas formas existem de se matar. Fico pensando em morrer todos os dias que abro os olhos e percebo que estou viva, ainda. A ansiedade me corrói, me come por dentro, então me sinto oca, vazia. Continuo procrastinando o que acho chato e adiantando o que me oferece um momentâneo e ilusório prazer.


Rafaela Valverde


quinta-feira, 16 de março de 2017

Uma manhã


A minha imagem no espelho era deprimente. Olhos inchados e vermelhos, minhas olheiras quase iam até o queixo e  me sentia um caco humano. Meu cabelo estava uma bosta. Não sei como as maioria das mulheres conseguem ser mulheres, administrar tanta coisa, ainda ter cabelo e cuidar dele. Fiquei por uma fração de segundo ali olhando para minha imagem aterrorizante, mas me lembrei que tinha que trabalhar. Ainda era meio da semana e eu com cara de ressaca. O banho foi frio e rápido, como sempre. Eu vivia de saco cheio de tudo, até um banho demorado enchia me irritava. Uma xícara fumegante de café me esperava no balcão. Minha mãe era a única pessoa legal desse mundo. Levei a xícara para o quarto, enquanto tentava entender o que meu cabelo queria de mim.

Peguei a primeira camiseta que vi na minha frente e uma calça jeans. A camisa era rosa. Bom, alguma coisa diferente do meu estado de espírito sombrio, né? A minha apatia estava refletida em tudo que se relacionava a mim. Meu quarto era uma bagunça ridícula e eu sentia dor de cabeça, me lembrei ao olhar ao redor. Tomei umas aspirinas, calcei meu all star e saí de casa. Na rua, as pessoas estavam tão felizes. Não entendo o porquê de as pessoas sempre estarem sorrindo. Tudo é uma porcaria. Não consigo mais ficar satisfeita com algumas coisas. Minha vizinha lava calçada, enquanto escuta sertanejo. Por que alguém lava calçada, gente? A chuva não é para fazer isso? Não entendo isso, as pessoas se comprometem além do que é necessário para fazer coisas desnecessárias.

Continuei andando para chegar ao ponto de ônibus, eu estava atrasada. Já eram quase nove horas. Mas que se dane, eu quero me livrar de tudo e espero que esse emprego voe pelos ares. A minha infelicidade maior é estar trabalhando em um lugar que odeio em uma área que não é a minha só porque paga mais e eu preciso manter a casa. O que minha mãe ganha não dá para muita coisa e ainda tem o tratamento do meu irmão, Vinícius. Ele tem câncer. Todas essas coisas me deixam infeliz. A minha área é muito mal remunerada e valorizada, então minha mãe conseguiu esse emprego na assessoria de um vereador na época da eleição há dois anos. Ganho muito bem, mas odeio trabalhar pra ele. Odeio esse ambiente de política. Odeio a minha vida!

Meu ônibus já saía quando eu cheguei no ponto e não consegui pegá-lo. Praguejei, xinguei a mãe do motorista e toda a sua próxima geração. Eu odeio andar de ônibus. Bem, mais uma coisa para a minha lista de ódios. Respirei fundo e sentei no banquinho do ponto, teria que aguardar o próximo ônibus que chegaria sabe-lá-Deus-quando. Observei as pessoas: todas fingindo felicidade como sempre. Uma mocinha falava ao celular toda derretida com o namorado. As pessoas são patéticas.

Adiante, em frente ao ponto de ônibus, um dos shoppings mais imponentes da cidade. Um lampejo de ideia passou em minha cabeça e eu segui rapidamente seu impulso. Atravessei a rua e ao entrar no shopping entrei no salão de beleza que estava ali, não sei desde quando, na estrada do shopping. Na verdade, eu só havia entrado nesse shopping umas três ou quatro vezes. Adivinhem? Eu também odeio shoppings.

Como era de se esperar e devido ao horário o salão ainda estava vazio. "Quero cortar o cabelo!" A moça olhou para mim confusa. Ela deve ter imaginado que era muito cabelo. E era mesmo. "Curtinho, igual ao da Sandra Anemberg, aquela da globo" Sentei na cadeira e fiquei girando que nem criança. Começou o corte. Cada tufo daquele cabelo horroroso que caía eu me sentia mais leve, mais aliviada, não feliz, mas pela primeira vez em anos eu fazia o que realmente queria e seguia um impulso.

Cerca de meia hora depois o corte era finalizado e eu parecia outra pessoa. Era um corte moderno, repicado. E eu parecia mais jovem. Não bonita, jovem. Esbocei um sorriso, enquanto virava a cabeça de um lado para o outro. Paguei e saí saltitante. Outra ideia era gestada em minha mente.  Peguei um táxi. Que se fodam os ônibus, hoje vou esbanjar. O trânsito estava caótico aquele horário, mas o taxista estava ouvindo rádio e eu estava cantando as músicas. Nunca tinha tido esse comportamento feliz. De repente as coisas mudaram um pouco e fui tomada por uma coragem inesperada. Tinha que tomar decisões na minha vida, o que eu não podia mais era acordar daquele jeito todas as manhãs.

Em um um momento, calei a boca, fechei os olhos e recostei a cabeça no assento do carro, pensei em todas possibilidades e consequências. Quando abri os olhos já estava na frente da câmara de vereadores. Paguei e entrei rapidamente. Sem mais titubeios. Fui até minha sala e através do nosso serviço de comunicação pedi para falar com meu chefe ainda naquela manhã. Ele me recebeu uma hora depois, elogiou meu cabelo e se mostrou surpreso quando eu pedi demissão. "Mas por quê?" "Não quero mais trabalhar aqui, pra você. Tenho alguns projetos que pretendo realizar."  Disse que estava chateado mas não havia o que fazer. Depois de um tempo, saí da câmara. Pra sempre!

Voltei pra casa, de ônibus claro. Assim que entrei em casa, liguei para meu pai: "A partir de hoje você vai arcar com o tratamento de Vini. É seu filho e eu não vou ganhar mais como antes. Saí de lá." Ele estranhou minha atitude e disse que minha mãe não queria ajuda dele. "Ela não tem que querer nada. Não vou mais me sacrificar por que ela não quer que você faça sua obrigação!" Desliguei e fui para o quarto. Bagunça miserável. Comecei pelas roupas espalhadas pelo chão.  E em meio aquela bagunça decidi que bagunça não seria mais uma constante na vida. Com meus originais em mãos, liguei para algumas editoras que uma amiga havia me indicado há dois anos. Vou publicar meus livros. Agora o ano começou. E eu sou outra pessoa.



Rafaela Valverde






terça-feira, 14 de março de 2017

O parque no domingo



Esse texto é um dos produtos da disciplina Criação Literária  do curso de Letras da UFBA, o tema é As moscas.


Era domingo e o parque estava cheio. A  tarde estava agradável e havia crianças por toda parte. Para a gente era dia de trabalho. Em um banco de cimento estava uma família: três crianças sentadas e um casal arrumando a toalha do piquenique. Brincavam, comiam doces e riam. Eram enormes como todos os humanos. Quase sempre matavam alguma de nós, sem querer. Nossos tamanhos eram desproporcionais, mas precisávamos arriscar.

Nos aproximamos timidamente. É injusto. As moscas voam e são bem mais rápidas. Há poucas notícias sobre mortes de moscas, enquanto há um bombardeamento delas em nossa colônia. Nossas amigas são esmagadas diariamente. Lá  estão as moscas, em cima da família, rondando, experimentando. Estão sempre presentes  e incomodam. Saem impunes. São livres. Voam rápido, saltitam, mesmo que sobre o lixo.

Iniciava o massacre. Algumas foram achatadas por pés ou mão desavisados. Nem toda formiga morria, mas em certos momentos quebravam nossas patinhas, impossibilitando nós de transportar a comida. Vivíamos presas ao chão, enquanto as mocas gozavam de inteira liberdade. Raramente alguém consegue atingir uma mosca. Parecendo, para nós, que as moscas são seres cósmicos super poderosos. Além de tudo, livres! Nossa, que inveja das moscas!

Do outro lado do parque, próximo de um carvalho de duzentos anos, vários pombos comiam farelos. Moscas disputavam espaço com as aves. Iam e voltavam da lixeira para comer restos de frutas, hambúrgueres e outros resíduos pútridos.

Duas moscas conversavam:

- As formigas estão de boa! Comem toda a comida fresca, quanto ficamos com naquinhos mal roubados ou lixo. Ainda temos que  fazer esforço para voar tão rápido.

- É, irmã, elas que têm sorte. Olha para lá, caminhando calmamente até a colônia, quanto eu tô aqui com a a asa machucada, voando para comer.

- Ainda temos que ficar aqui perto desses pombos nojentos, eca!

- Vamos, vamos lá para aquele banco. Aquela família tem bastante doce.





Rafaela Valverde

sexta-feira, 10 de março de 2017

Bem sucedida e solitária


Parece que serei a mulher bem sucedida na carreira, escritora, acadêmica, com teses e muitas leituras. E por aí mesmo vou ficar. Não que isso não me satisfaça, é maravilhoso! Mas o que vai ficando claro a medida em que os anos vão passando é que não serei a mulher amada e que ama; não serei a mulher com um casamento bem sucedido e com amor.

Esses sonhos românticos não são para mim, deixo para os afortunados na vida, cujo sorriso demonstra a felicidade de estar ao lado de alguém. Parece que não nasci afeita aos lados românticos da vida. Ou eu tento me afastar deles ou eles se afastam de mim. Já vi que amor não é para mim. Até sinto, mas não vivo. E não tenho nenhuma esperança de viver novamente.

Eu tenho andado muito desiludida com todas essas questões românticas. Eu não quero mais saber de romantismo. Eu serei a representante oficial da mulher moderna, livre e bem sucedida. Mas sozinha, Sabe, não exatamente aquele sozinha de não ter ninguém por perto. É  a solidão que vem no final do dia - que é a hora de compartilhar coisas; é a solidão de não ter ninguém para abraçar a gente, para acariciar a gente, é a sensação de estar sempre calada ou de conversar com espelhos.

Outra sensação que tem se apoderado de mim nos últimos dias é a se eu realmente sirvo para ser amada, ou se sou mulher para encontros casuais e relações rápidas. Talvez sim, é provável que sim. Já tive meu pequeno conto de fadas, já tive meu momento. Agora ele já passou e é à minha carreira que irei me dedicar agora. Pelo menos ela não me faz sofrer.



Rafaela Valverde

quarta-feira, 8 de março de 2017

Traição


Traição é coisa muita séria. Causa problemas diversos, não só para os envolvidos, como também para a família e amigos e até mesmo pode virar casos sociais de violência, já que sempre vemos por exemplo, casos de assassinatos por traição ou ciúme. Mas a verdade é que em algum momento alguém já teve vontade de trair ou foi às vias de fato mesmo.

Na verdade, é um assunto que vai de cada casa, de cada pessoa. Uma pessoa pode dizer que perdoa traição e realmente perdoar, ou não, vai saber. Outra pessoa pode dizer que nunca perdoa e perdoar dizendo : "ah, foi só um deslize bobo." Na hora mesmo que acontece a coisa é que vai saber qual a real atitude.

Eu já vivi um relacionamento aberto. Eu sempre fui muito tranquila em relação a ciúmes, mas nunca admiti a traição propriamente dita, apear de sempre ter dito que perdoaria. E realmente perdoaria. Eu não consigo admitir a traição porque penso que ninguém é obrigado a estar em um relacionamento sério, namorar, casar... Mas se a pessoa está e se comprometeu a estar, é só naquele relacionamento em que ela vai se focar.

Pelo menos é o que EU penso. Por que conheço muita gente que não pensa assim e mesmo estando em um relacionamento dito monogâmico, tem vários "casinhos" por fora. Quem sou eu para julgar mas tenho certeza que ninguém é obrigado a nada. Não quer estar naquela relação, separa. 

Eu já traí, uma vez e com uma certa culpa. Mas eu tenho bem os meus motivos para isso. E com certeza já devo ter sido traída. Só tenho certeza de uma relação em que não fui. Ainda assim, não por falta de vontade da pessoa. É tudo muito relativo, somos seres humanos e erramos. Erramos muito.




Rafaela Valverde

quinta-feira, 2 de março de 2017

Solteirice


Estou solteira novamente. E nunca estive tão aliviada por isso. Relacionamento é complicado. E eu não quero complicações pois minha vida já é por demais caótica. Para estar em um relacionamento é preciso vontade, precisa querer. Eu, quando estou, estou mesmo. E agora vou dar um tempo, um longo tempo sozinha, aproveitando minha vida. Vou virar solteira convicta.

Sou jovem bonita, independente e não preciso de ninguém para ser feliz. Já nasci feliz! Ninguém precisa me completar também, o que eu gosto mesmo é de companhia, mas isso eu vou buscar em mim mesma, nos meus amigos e nos contatinhos hehehehe.

Viajei sozinha e passei quatro dias na ilha pensando na minha vida, na minha vida amorosa. E percebi que eu não quero mais ter uma vida amorosa. Eu já tive. E não dá mais. Não só de sentimentos e relacionamentos vive a gente não é mesmo? No último dia de carnaval fui curtir minha festa, na boa, na tranquilidade e muito bem acompanhada. 

Não preciso estar onde não sou bem vinda, não preciso estar com quem não quer estar comigo. Eu não preciso de nada disso. Eu só preciso de mim mesma, de minha família e amigos. A vida é tão maravilhosa e eu estou aqui para celebrá-la todos os dias! Viva la vida! Vila la solteirice!



Rafaela Valverde

Pensamentos de carnaval

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Pensamentos inúteis moram em minha cabeça. É um feriadão, carnaval e todos estão pulando pelas ruas, felizes. Eu estou feliz também, sozinha na casa de veraneio. São tantos pensamentos que a casa de dois andares  fica pequena para mim.

Sim, eu vim para cá sozinha. Chamei algumas pessoas para vir, mas elas estão ocupadas demais com os blocos passando nas ruas e com a falta generalizada de dinheiro para virem para o que eu chamo de "meu paraíso."

Até gosto de carnaval, apesar de achá-lo cansativo e repetitivo às vezes. Mas sou uma bixa festeira, apesar de quase sempre minha vida financeira se esquecer disso. Gosto da folia, mas estava muito estressada e aproveitei esse recesso da UFBA para relaxar. Preciso descansar e não ficar estafada correndo atrás de trio. Além de descanso e relaxamento, precisava pensar. E tanto pensei que esses pensamentos grudaram em minha mente como se fossem cola.

Coisas estão acontecendo nesse momento em minha vida que me fazem pensar em quanto posso ser uma pessoa desinteressante, imprestável, trouxa... Não é possível que mesmo quando eu acho que estou fazendo a coisa certa eu estou fazendo errado! Tenho a sensação que sempre estou errada.

Senti pensamentos como esses me atingirem e entre um banho de mar e outro decidi que precisava escrever. E cá estou eu, botando para fora um pouco do que estou sentindo. Mas também, é só a ponta do iceberg. Não posso escrever tudo, ainda mais porque sei que é um texto que será lido.

Eu devo mesmo ser um saco. Percebo que as pessoas não me suportam e se afastam. Ou talvez não tenham paciência, ou ainda não aguentam quem eu sou. Sou complexa e não costumo mudar por senhor ninguém!

Mas, o fato é que mais uma vez eu me sinto sozinha. Eu estou sozinha. Entendam que há solidão e solidão. Estou na ilha sozinha por opção. Mas eu não me sinto só e desamparada por opção e sim porque sou eu demais e pouca gente consegue compreender isso. Muito pouca gente mesmo.

E no entanto, me sinto bastante satisfeita com a pessoa que me tornei e não vou mudar. Na verdade, já mudei bastante, para melhor e porque eu quis. Eu era grossa, intolerante, controladora... Era o que nenhuma pessoa deve ser. E ainda assim há pessoas que conseguem me tratar, mesmo eu mudada, de uma forma que eu nunca era tratada antes de mudar. Pessoas são pessoas, com defeitos e qualidades, com jeitos diferentes de ser e de lidar com outras pessoas. Mas eu não admito, eu não suporto que me tratem com indiferença. É a coisa que mais odeio. A pessoa pode ser rude, grosseira, mas não indiferente, porque eu me afasto e afasto totalmente.

O mais engraçado de tudo é que a gente sempre acha que as pessoas tratam a gente mal porque merecemos ou que a culpa é nossa. Eu pelo menos, fico me sentindo assim e sei que não deveria pois não tenho culpa da babaquice dos outros. Mas ainda assim, fico o dia todo buscando coisas terríveis que eu possa ter feito ou falado. Fico também querendo saber se sou tão miserável a ponto de afastar as pessoas. Busco algo  que justifique tanto abandono. Mas não adianta. Pura perda de tempo. Quando a pessoa quer ir ela simplesmente vai e não há nada que possa detê-la. Mesmo que as farras e a vida vazia pelas quais ela te trocou não valendo a pena e ela sabendo disso, ela vai. A pessoa sempre vai, só cabe a mim deixar. Eu deixo. Vá com Deus, amém!





Rafaela Valverde

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Pequeno texto de frustração e convocação idiota


Nesse momento me vejo aqui frustrada apagando mais um e-mail de convocação do CIEE para quem tem inglês avançado e fluente. O dinheiro é bacana e eu não tenho inglês avançado. Mas qual é a porra do problema desse sistema? Manda vaga idiota para mim todo dia. Vagas para atuar pela manhã e/ou para dar aula de inglês. Eu faço Letras Vernáculas, será que sabem o que é isso? E estou pegando disciplinas pela manhã.

Próximo semestre não pegarei disciplina pela manhã, dizem que os estágios melhores são justamente esse horário. Eu mesma perdi uma vaga por isso. Eu não consigo entender por que coisas imbecis como essas acontecem comigo. E estou aqui mais uma vez apagando tristemente a porra do e-mail e me perguntando quando que minha situação financeira vai definitivamente melhorar.

Eu acordo cinco horas da manhã. Muita gente faz isso e ninguém nunca morreu, mas meu corpo parece ter algum tipo de problema com 05:00. Hoje, por exemplo acordei às cinco e meia e não fiquei tão cansada como fico quando acordo meia hora antes. Tipo, eu fico dormindo pelos cantos, durmo no ônibus, tenho dores de cabeça e sonolência. O problema é acordar cinco da manhã!

Minha aula é as 7h, tipo 7h15 no máximo já tem professor dando aula. portanto preciso chegar cedo. Essa cagada de pegar aula esse horário eu não faço mais. Ainda tenho que ficar nessa frustração de apagar e-mail com vaga de estágio que não serve para mim e não tem nada a ver comigo. É foda, tá foda. E por quanto tempo vai ficar foda. Eu odeio esses sistemas que mandam vagas erradas! Bom, era só isso, meu pequeno texto de frustração de hoje.





Rafaela Valverde

Às mulheres que se cuidam II


Há alguns dias escrevi um texto falando sobre as mulheres que se cuidam, sobre nós mulheres que nos cuidamos tanto e algumas consequências disso, especialmente para os lucros de grandes empresas e para a péssima saúde do planeta. Pois bem, o texto foi escrito para ter essa continuação que vos fala agora.

Eu me cuido, eu uso maquiagem, apesar de ser muito raro, eu uso hidratante na pele, protetor solar, sabonete, shampoo, condicionador, cremes de cabelo, óleo, esmalte, acetona, etc. O que queria discutir era sobre o excesso de produtos que existem para mulheres, enquanto para os homens quase nada. Parece que só vagina precisa de cuidados!

É isso que nós mulheres precisamos ter em mente. A nossa vagina não fede. Ela tem seu próprio cheiro, além disso, os homens também precisam se cuidar e estar limpinhos e cheirosinhos. Não somente as mulheres. Há também a questão do tanto de lixo que a gente gera com todos esses produtos. É muito lixo, é muito plástico. 

Eu tenho ouvido falar do coletor menstrual, por exemplo. Ele é uma das formas de ter nosso momento feminino sem poluir muito o meio ambiente, sem deixar tanto lixo para nossos netos. Mas eu ainda estou muito pensativa em relação a eles, já que eu não sei se me adaptaria. Não uso nem absorvente interno, não consigo, incomoda demais. Então como usaria um copinho de silicone dentro da minha cavidade vaginal? É meio estranho falar sobre isso aqui no blog, mas é importante que mulheres discutam sobre produtos fabricados para elas. Refletir sobre o porquê de tantos produtos para higiene e beleza feminina. Será mesmo que precisamos tanto assim deles? Ou será que eles precisam de nós?



Rafaela Valverde

domingo, 5 de fevereiro de 2017

Desconhecido do metrô


Estávamos no metrô e o metrô é aquela coisa constrangedora que um senta de frente para o outro e fica se olhando. Trocamos uns olhares e eu fiquei com tesão. Misericórdia! Eu já estava há um tempão sem transar e esse cara é um gostoso. Dava para sentir nitidamente o que estava rolando ali. Ele tem cara de safado. Me lembrei daquele filme Shame, onde há uma cena parecida. Num metrô, à noite.

Não sei se o rapazinho aí tem compulsão sexual, como o personagem do filme, mas eu não tenho. Tenho mesmo é excesso de luxúria no corpo, na mente e na vida. Mas ao contrário da compulsão, isso não chega a atrapalhar minha vida. Pelo contrário!

Levantei para descer na estação seguinte. Realmente havia chegado meu ponto de descida. Que pena. Desviei meu olhar e fiquei olhando para frente. Percebi que ele também levantou. Arregalei os olhos, meu coração batia acelerado. Cada vez mais ia me lembrando do filme e achei até que ele me daria aquela encoxada que rolou no metrô do cinema. Mas ele só ficou lá parado na frente da outra porta do vagão.

Chegamos e eu fiquei lá parada como uma idiota. A estação estava lotada, era horário de pico, as pessoas se esbarravam em mim,  e ele também. O gostoso. Fiquei olhando com uma cara de idiota e ele andou na minha direção. Finalmente. Fiz uma cara de sonsa. Trocamos umas palavras. Fomos andando lado a lado. Nem precisamos falar muita coisa, eu já queria ir com ele "para onde quer que fosse" no momento que eu pus meus olhos nele.

Ele morava num cubículo. Eu estava hesitante e tensa por estar ali na casa de um estranho. Como é possível que eu seja tão louca? Apesar de que não costumo fazer isso. Geralmente  não envolvo casas, a coisa fica mais em motel mesmo, mas dessa vez não pude resistir.

Nos beijamos com uma voracidade absurda enquanto ele tirava a camisa. Tinha músculos fortes e eu estava me enroscando toda nele, aproveitando aquele momento quente. Se desvencilhou de mim e sentou no sofá. Eu sentei por cima dele, já de calcinha. Ficamos ali nos esfregando durante não sei quanto tempo. Ele colocou o dedo em mim e me masturbou durante um tempo, depois chupou. Fiquei enlouquecida com isso.

Transamos ali mesmo no sofá, com fogo, com avidez, com desespero. Parecia que a gente estava com medo do outro sumir, parece que queríamos absorver um ao outro. Gozei e arfando deitei no chão da sala. Eu não estava me importando se estava limpo, eu não estava me importando com nada. Só fiquei ali deitando aproveitando meu torpor pós gozo. É uma loucura ótima essa de pegar desconhecidos no metrô para transar. Transamos a noite toda. Na manhã seguinte eu acordei e olhei para ele, seu nome é Felipe. Em algum momento da noite ele havia me falado. Ele acordou e apenas disse: "Viu? Você tá viva." Com certeza fazia referência à minha hesitação na noite anterior. Recomeçamos.




Rafaela Valverde

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

Às mulheres que se cuidam


Não sou das mulheres que fica no espelho procurando rugas e defeitos. Tenho quase 28 anos e fora minha "sedentarice" que me incomoda um pouco,  mais devido a minha falta de ânimo e falta de fôlego ao subir uma escada, não ligo para muita coisa relacionada a aparência e envelhecer. Eu só uso protetor solar na praia e no dia a dia apenas em minhas tatuagens que são expostas. Eu não faço esfoliação, nem uso cremes no rosto, etc.

Não que eu não seja vaidosa ou não me cuide ou que ache perda de tempo. Acho bacana as meninas que se preocupam com essas coisas, mas eu simplesmente não consigo, não quero, não tenho saco. E não tenho tempo. Acordo cinco da manhã para sair antes de seis para estar na aula às sete. Imagina se eu ainda fosse passar protetor solar.

Achei que com o passar dos anos essa minha displicência com essas coisas fosse passar, mas cada ano que fico  mais velha, fico mais preguiçosa. Na verdade há algumas coisas que acho besteira e realmente não sinto necessidade de fazer. Protetor solar eu até acho importante, mas ainda sim sinto preguiça. E é claro que a questão financeira pesa bastante. Protetor solar ainda é caro, ainda não é acessível para todos e eu tenho outras prioridades.

Já repararam como hoje em dia as pessoas andam tão dependentes de coisas assim? Protetor de calcinha, sabonete íntimo, creme para rosto e para as mãos, além do hidratante corporal e esfoliante para os pés... Afff. E ainda tem os hidratantes e redutores de cutículas, óleos fortalecedores para as unhas, adstringente,  desodorante íntimo, primer, cílios postiços e mais trezentas quinquilharias desnecessárias que usamos. 

Já repararam também que a maioria desses produtos são para nós mulheres? Nós movimentamos muito a economia mundial. E ao ver dos empresários  e fabricantes desses produtos nós somos podres e fedorentas também. Precisamos de coisas que os homens não precisam e ainda pagamos mais caro! Esse é o capitalismo que inventa necessidades e a gente adere de forma que parece tão natural que parece que a gente realmente precisa dessa imundície inútil que enche o planeta de lixo, já que a maioria de todos esses produtos são embalados por plástico, que leva 100 anos para se decompor na natureza.

Não estou aqui querendo julgar ninguém, nem mesmo a mim. Estou apenas fazendo uma reflexão acerca de assunto que é tão próximo e ao mesmo tempo tão distante de nossas vidas, já que não nos interessamos muito em discuti-lo. E não interessa aos empresários, publicitários e todos que ganham muito dinheiro com todo esse "cuidado" que temos com nosso corpo.



Rafaela Valverde

sábado, 28 de janeiro de 2017

Minha paixão por música e o Kid Abelha Acústico MTV


Obviamente não sou crítica musical, mas escuto música, mas escuto mesmo. Minha vida toda. Mais de vinte anos que escuto muita música. Minha mãe ouvia de Bee Gees a Luis Caldas. Ela ouvia também muitos hits pop nacionais e internacionais dos anos 80, como a jovem mãe que era. Sempre fui muito apaixonada por música. Virei fá de Marisa Monte aos 11 anos depois de ouvir Amor I Love You senti que eu tinha que saber mais daquela mulher tão afinada. E descobri. Acompanho Marisa até hoje.

Mas há muitos outros artistas que eu acompanho desde a pré adolescência, um deles é a banda Kid Abelha. Estou ouvindo o disco acústico MTV exatamente agora. Esse disco foi gravado em 2002. Eu tinha treze anos. E ele para mim é muito especial. Marcou minha adolescência. O Acústico MTV do Kid Abelha é uma compilação básica dos maiores sucessos do Kid. E nesse momento em que foi lançado, eles voltam à vida da gente e as rádios com Nada Sei. Esse hit estourou na época.

Eu escutava uma vizinha ouvindo e viva pedindo a minha mãe para comprar porque eu queria conhecer mais a banda. Minha mãe um belo dia chegou com uma cópia pirata - não julguem minha mãe, era 2002, vocês sabem quanto custava cds naquela época? - além disso, não tínhamos tanto dinheiro. Até hoje não temos, hahaha. Mas, enfim. Vou contar a história desse disco.

Como eu já havia dito, minha mãe me trouxe esse disco um dia e eu fiquei enlouquecida. Mas depois de um tempo o cd se acabou, arranhou, sei lá, nem lembro direito. Só sei que se perdeu e eu não pude mais ouvi-lo. Mas uns anos depois eu consegui comprar o original, naqueles balaios das Lojas Americanas, baratinho. Comprei com meu salário do Mc Donald's no ano de 2006. Lembro bastante desse dia que tem exatamente onze anos e eu era uma menina tão inocente, cheia de sonhos. Lembro que fiquei muito feliz nesse dia e tenho meu Cd até hoje. Quando peguei para escutar, vi a data e tive a ideia de compartilhar essa história com vocês. É isso. Música é demais. Música é poesia!


Rafaela Valverde


sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

Série 3%


Terminei de ver a série brasileira 3%. É uma série exclusiva da Netflix com produção e atores brasileiros. Foi lançada no ano passado e a primeira temporada tem 8 episódios. Criada por Cesar Charlone e Pedro Aguilera, a série tem excelentes atores como João Miguel, Bianca Comparato, Michel Gomes.

João Miguel está maravilhoso com sempre. Que ator. Eu nem vou falar dele, vou falar só da série pois João Miguel daria um texto só pra ele. Enfim, 3% é uma série de Drama, Ficção científica, Suspense que foi bastante falada no final do ano passado quando estreou.  Ouvi falarem bem e mal também. Eu gostei bastante, especialmente por ser completamente diferente de tudo que eu já assisti produzido no Brasil. Particularmente, eu curto bastante a dramaturgia e o cinema brasileiros, então para mim foi mais fácil. Apenas não julguei.

Um ambiente futurista é o cenário da série, onde há a separação do mundo em um lugar devastado, o Continente e Maralto, um lugar extremamente moderno e bom de se viver. Todo jovem de vinte anos passa por uma seleção para ir para um bom lugar para "melhorar de vida". Eles passam por duras provas físicas e psicológicas, mas só três por cento desses jovens serão selecionados e poderão sair daquela vida miserável.

A trama que se segue a partir daí é tensa e cheia de suspense. A cada hora você é surpreendido, não se sabe o que vai acontecer no próximo minuto, e  novas histórias sobre os personagens são contadas ao longo dos episódios. Com uma fotografia sóbria e cinza e diálogos bem feitos a série para mim dá conta do recado. Devorei em poucos dias. Recomendo!



Rafaela Valverde

quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

Que burra, dá zero pra ela!


Eu hoje estou ouvindo Los Hermanos, minha banda preferida. Eu cheguei e decidi que ouviria a sofrência deles, a poesia deles. Eu cheguei da faculdade depois de uma prova desastrosa, da matéria que está me acabando esse semestre: morfologia. Eu pela primeira vez na minha vida universitária chorei fazendo uma prova, no meio de uma prova.

Chorei e não tenho vergonha de falar. Essa situação toda, a universidade e alguns professores é que deviam se envergonhar de fazerem isso com a gente. Porque sei que não sou só eu sofrendo. Não dá para dizer que não me interessei, que faltei aulas, que não fiz os exercícios, que não li os textos, que não estudei. Não. É impossível dizer isso.

Eu fiz tudo isso. Desde que o semestre começou eu só faltei dois dias de aula e mesmo assim um foi no dia 21/12! Eu estudei esses dias como uma louca. Mas não caiu o que eu estudei, da forma que eu estudei. Os exercícios feitos em sala de aula tinham um nível e a prova teve outro nível completamente diferente. Eu fiquei muito frustrada, me achando incapaz, burra. Fiz até um desabafo no Facebook lamentando essa sensação de fracasso que a gente suporta dia após dia na universidade. O problema  está cada vez maior e mais sério e ninguém se importa.

Eu risquei a prova com força, eu não consegui me controlar, eu chorei e eu saí com os olhos inchados. Eu nunca me senti tão burra como me sinto nesse um ano que estou na UFBA. Um ano que se completa hoje inclusive. E assim que eu estou comemorando. Com um gosto amargo na boca, com essa sensação terrível de ser burra, cada vez mais burra. É uma disciplina pesada, com muitos conteúdos, muitos nomezinhos e conceitos confusos, muitas vezes até bem parecidos. É mais um desafio que perco, mas no entanto sei que justamente pela matéria ser assim, um exercício poderia ter sido feito antes para ajudar, mas enfim, não vou ficar culpando ninguém, nem mesmo a mim.



Rafaela Valverde

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

Desígnios de Deus


Ontem eu vi o seguinte comentário em uma postagem na internet sobre homossexualidade, não lembro exatamente qual: "não são os desígnios de Deus". Alguém prontamente respondeu que roubar e matar é que não eram os desígnios de Deus e ainda assim as pessoas fazem. O mais engraçado é saber que assassinos e estupradores são acolhidos por diversas religiões. Enquanto gays, só por serem gays são tratados como pecadores, como pessoas erradas, que são julgadas e humilhadas apenas por serem o que são.

Isso quando não são mortos de forma violenta. Simplesmente porque uma sociedade doente não aceita suas orientações. Dá um desgosto ouvir uma pessoa dizer que ser gay é opção sexual. Não. Pelo amor de Deus, ninguém escolhe ser gay, ninguém escolhe viver assim a vida inteira. Ser humilhado, viver escondido e ser agredido a vida toda. Ninguém merece isso. O que não são desígnios de Deus são as coisas absurdas que certas pessoas e instituições fazem aos homossexuais. Especialmente no Brasil que é um dos países que mais mata homossexuais no mundo. Eu já escrevi sobre isso nesse artigo Debates sobre a homofobia. Para quem quiser saber mais.

Mas, voltando ao que algumas pessoas dizem ser desígnios de Deus. Eu não sei o que certas pessoas pensam que são ao falarem em nome de Deus. Uns merdas que aprontaram a vida toda e depois botam a bíblia embaixo do braço e se dizem melhores que os outros. Eu não consigo aceitar certas coisas ditas por essa gente. Gente essa que faz fofoca, intriga, picuinha, pirraça, é porca, preguiçosa e têm todos os defeitos imagináveis. São o que criticam na gente que "é do mundo" e mesmo estando vivendo nesse mundo, usufruindo das coisas boas desse mundo afirmam que "esse mundo não tem nada a oferecer."

São essas pessoas que vomitam merdas desnecessárias na internet e falam que dois homens se beijando (lembrei, era sobre o ator Leonardo Vieira) não é o desígnio de Deus. Quem é que sabe o que essas pessoas fazem nas suas vidas pessoais? Não é desígnio de Deus ficar falando merda e julgando os outros na internet também não, e mesmo assim vocês fazem, seu chatos.



Rafaela Valverde 

sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

Dona de casa? Eu?


Fui uma esposa agoniada que queria tudo arrumado limpo e tudo pra já! Eu tinha mania de limpeza, na verdade eu tinha mesmo era mania de controle. Eu queria controlar a organização da casa, eu queria que tudo estivesse do meu jeito. Eu era muito nova, casei com 21 anos e hoje eu vejo minhas atitudes como idiotices. 

Quantas coisas eu deixei de aproveitar para ficar limpando a casa? Quantos filmes eu deixei de assistir com meu ex marido, mesmo ele me pedindo tanto para largar tudo e ir deitar para assistir com ele? Quantos livros e textos da faculdade eu deixei de ler por que queria que tudo estivesse perfeito. 

Eu queria ser uma boa esposa e acho que até fui, mas em muitos momentos eu não achei aquilo divertido. Eu não achava engraçado brincar de casinha naqueles momentos, mas ao mesmo tempo eu não entendia que aquela sensação era causada por mim mesma. Eu era insuportável e sinceramente não sei como ele, meu ex marido me suportou durante quatro longos anos.

Mas hoje tudo mudou. Eu sou uma mulher mais madura, que já passou por muita coisa e que sabe que sofrimento ajuda a crescer. Hoje eu faria muita coisa diferente. Hoje eu sou uma pessoa mais relaxada, que ao mesmo tempo em que faz faxina na casa, está com o celular na mão e performando, fazendo a vassoura de microfone. Eu  aprendi a ser uma pessoa mais leve e o que menos importa para mim hoje é se a pia está limpa.

Pouco me importa se o banheiro não pôde ser lavado hoje. Eu posso lavá-lo amanhã, ou semana que vem. Sei lá, o dia que der. O meu bem estar importa mais do que a  higiene da casa. A casa vai sobreviver mesmo que tenha poeira nos móveis, mas eu posso não sobreviver com uma carga muito alta de estresse... Enfim, eu não sei se vou me casar de novo um dia, mas eu sei que não sou mais a louca do controle. Sei que posso até ser considerada, hoje, preguiçosa e relaxada. Eu não ligo. Eu quero é paz. Eu quero é viver bem comigo mesma e os pratos na pia que fiquem lá até quando eu quiser lavar!




Rafaela Valverde
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