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domingo, 8 de julho de 2018

Te tendo

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Sua santidade é tão infinita
E eu sei que não consigo imitar
Nunca serei igual a ti
A tua face é bonita
Não paro de te amar
Jamais me deixa cair
Quero te ver
Porque sentir já sinto
Contigo pra sempre quero viver
Tão forte sua presença
Não posso deixar de crer
De ti estou faminta
Mais e mais vou te conhecer
Chegou e ainda pediu licença
Educado, grandioso
Me dá o maior amor que já tive
Tu és glorioso!
Sereno e cheio de vida
Você vive!
Não importa que duvidem
Eu sei que aí estás
À destra do pai
Um dia voltarás
Antes estava estava no time dos que não criam
Mas da escravidão me apartais
E hoje livre estou
Me juntava aos que não te viam
Mas me dei conta que sempre me amou
E naquele dia
Me encheu de plenitude
E amor
E aí mudei minha atitude
E quis te ter
E assim sigo eu: te tendo!




Rafaela Valverde

terça-feira, 3 de julho de 2018

O estar só

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Quantas vezes será que vou precisar repetir que me sinto sozinha?
E de que vai adiantar?
Quem é que vai me ouvir além Daquele que mora lá em cima?
Não há nada que remedie esse estar só
Solitude, afinal, só é bom quando se escolhe
Quando compulsoriamente vive-se
Sente-se a revolta e angústia
Dos dias que poderiam ser mais divertidos
Sobram apenas TV, cobertor, brigadeiro e pipoca
Sozinhos!
É bom que posso aproveitar minha gula sem atrapalhações
Mas tem horas que até eu preciso de companhia para comer
Pergunto-me o porquê
Tento entender
Em oração questiono
Porque afasto todo mundo
Esse pequeno escrito é mais um pequeno e inútil manifesto contra a poeira que o estar só levanta
Contra quem hei de me levantar/;
Quem preciso culpar?
A mim mesma, será?
O fato é que já não aprendi a viver sozinha
Estou sozinha quase o tempo todo há quatro anos
E quando todos se vão no fim de semana
Tranco - me aqui nessa caixa escura
Sem ver caras muito menos corações
Já sei como viver sozinha
E gosto até
Mas há de haver um limite
Ou não há?
Só!
Estar só não é bom nem para quem quer
Quem não quer vive a penar
Sinceramente, não quero mais estar só
Nem oito, nem oitenta
Não quero companhia o tempo todo
Nem tampouco um estar só tão constante quanto o tempo
Entendeu, vida?
Céu?
Deus?
Entenderam?
Estar só tem limite
Quantas vezes será que vou precisar repetir?
E de que vai adiantar?




Rafaela Valverde

segunda-feira, 2 de julho de 2018

E o nosso tempo?

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Algumas coisas têm me influenciado ao longo desses dias para vir escrever este texto agora, é verdade. Lógico, não se constrói saberes sozinho. Pois bem, sempre leio blogs, livros, vejo vídeos no Youtube e principalmente leio a bíblia. E através disso tudo construo minhas próprias ideias. Vi esse vídeo (Vídeo Por que você acordou hoje?) agora a pouco de Luca Martini, se não conhece vá conhecê-lo. E até compartilhei no Facebook. Esse vídeo me fez pensar em algumas coisas que já vinha pensando. Aliado a isso fiz um devocional através do livro Bom dia de Max Lucado que dizia Encha seu dia de Deus. O texto trazia o seguinte versículo: Mas tu, Senhor, és Deus compassivo e misericordioso muito paciente, rico em amor e em fidelidade. Salmos 86,15. Então, o que eu quero dizer é que Ele é o único que não nos abandona. Quantas vezes perdemos tempo fazendo coisas idiotas e sem sentido? Perdemos tempo em redes sociais (eu já fiz e ainda faço muito isso) e esquecemos de observar as pequenas coisas do dia que podem ser sinais de Deus e Seu amor por nós. No entanto, Ele é paciente e misericordioso para esperar por nós. Quando é dito para encher seu dia de Deus, não significa que tem que ficar orando e lendo a bíblia o dia todo, até porque a gente precisa trabalhar, estudar, etc. Isso é dito, a meu ver, sobre relacionamento, comunhão, parceria e submissão à sua vontade. Porém para que saibamos e consigamos ouvi- Lo se faz necessário nos calarmos, fazer silêncio, deixar o celular um pouco de lado, parar de tagarelar. Simples assim. Simplesmente observar um pássaro ou uma borboleta passeando e quicando em nossa frente pode ser Deus se aproximando da gente. Sentir o vento no rosto, ver o mar ora revolto, ora calmo; tomar banho de chuva ou sentir o sol queimando nossa pele. Esses são os sinais diários  de Deus. Deus nos dá novas manhãs todos os dias para que estejamos próximos Dele, usufruindo da sua benignidade e amor absolutos. Muitas vezes damos mais importância a nossos afazeres que a Deus. Mas Ele não nos abandona. Mesmo a gente estando distraído. É isso. Estar em comunhão com o Pai e encher nosso dia e nossa vida Dele não significa ir à igreja quase todos os dias e nem a ler a bíblia de maneira descontextualizada e afastada Dele, como se fosse um documento formal e antigo e nada mais. O que temos feito para nos aproximarmos de Deus? Temos deixado coisas fúteis de lado? Coisas que nos fazem perder um tempo absurdo. Eu, por exemplo, vou contar um segredo: volta e meia fico sem redes sociais,ou Netflix ou qualquer outra coisa, passo dias sem postar ou assistir nada, em propósito com o Senhor, voltando a atenção para Ele. Me privando de tão pouco em relação ao que Ele faz por mim. É isso que queria dizer. 





Rafaela Valverde

sexta-feira, 29 de junho de 2018

Escolhi não sofrer

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Eu escolhi não sofrer. Decidi que não ficaria choramingando por pessoa bosta. Acordei um belo dia e disse para mim mesma: "não vou mais pensar nessa pessoa escrota". E assim tenho seguido minha vida. E sabe que não tenho pensado mesmo? Pra mim é como se a pessoa nem existisse e como se ela nunca tivesse passado pela minha vida. Eu dou graças a Deus todos os dias por isso. Quando a gente passa a enxergar mais Deus e mais a gente mesma, para de pensar, de se importar e de gostar de homem escroto que não merece a gente. Isso é maravilhoso! Deus fala para amarmos a Ele acima de qualquer coisa e isso faz sentido quando passamos por certas coisas. Quando amamos outra coisa mais que a Ele temos grande chance de nos dar mal. Porque ninguém tem tamanho amor e tamanha capacidade de nos corresponder como Deus. Deus não nos decepciona. Nunca. Então, essa lição fica bem clara pra mim na medida em que as coisas vão acontecendo, principalmente no que se refere a relacionamento com outras pessoas, sendo namoro ou amizade. Se isso está acontecendo é porque eu amei mais pessoas do que a Deus e essas pessoas sempre vão me decepcionar e sempre serão imperfeitas, assim como eu. Simplesmente porque elas são pessoas. É claro que não podemos redimir pessoas escrotas da sua escrotidão e mau caratismo. Não tenho dúvidas que as pessoas escolhem agir mal com outras. Assim como temos o amor, temos livre arbítrio dados por Deus. Então, a pessoa sabe que está sendo escrota e continua sendo. Por livre escolha dela. E eita que já me perdi do que eu estava falando exatamente. Estava falando da minha decisão de não sofrer. Pensei e vi que tinha duas opções: sofrer e choramingar por alguém ridículo que fez promessas falsas ou simplesmente mudar e sair da zona do sofrimento. Escolhi, é claro, a segunda opção e até já escrevi poema sobre isso. Depois que esse embuste-encosto saiu da minha vida eu me reconciliei com Deus, eu sinto um amor imenso no meu coração; minha auto estima está mais lá em cima do que nunca - ao contrário de quando estava com ele que me sentia como um lixo que não podia nem falar e me expressar, já que tudo o que eu falava estava errado. Depois que esse traste se retirou da minha vida tenho mais tempo para mim mesma, mudei o cabelo, durmo melhor (na minha cama de casal nova!), estou fazendo exercícios físicos e me amando tanto, mas tanto. Cada vez mais linda, mais rainha. Até minha pele melhorou! Não tenho mais nenhuma necessidade de medir minhas atitudes e palavras por causa de pessoas medíocres. E isso me dá um grande alívio. O que consequentemente me fortalece e faz com que não sofra mesmo. Um peso foi retirado da minha vida e eu sofri e chorei por mais ou menos um mês, mas agora já passou, já foi. Estou bem plena. Melhor que nunca. E a tendência é melhorar. Porque Deus está comigo. É só o que importa.



Rafaela Valverde

quarta-feira, 27 de junho de 2018

Minúsculos cotidianos


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Mariela passava o dia na frente de um computador, analisando e criando sistemas e programações. Mariela trabalhava demais. O trabalho funcionava como fuga e ela gostava. Além disso, trabalhar pagava as contas e permitia-lhe comprar seus amados livros. Principais parceiros na agonia que é viver. Sua biblioteca aumentava a cada dia. Graças aos sistemas de computação, tinha companhias.

Saía às dezoito horas. Horário de movimento intenso nas cidades grandes. “Muitas pessoas se deslocam nesse período todos os dias” – Mariela pensava enquanto esperava o metrô na estação, depois de um movimentado dia de trabalho. O metrô chegou, apinhado.  Entrou e ficou de pé até a próxima estação quando vagou um lugar. Sentou. Bom, pois a inquietude já tomava conta. A ansiedade não a deixava em paz. Fone no ouvido. Passava as músicas freneticamente.  “Não consigo achar uma música legal...” Naqueles momentos não conseguia achar graça em nada. “Ah, um livro na bolsa” – lembrou-se. Sempre havia um livro na bolsa. Lia uns poemas aquela semana. A leitura fluía mais que o trânsito lá em baixo. Parado. O metrô seguia seu caminho, assim como a tristeza que fluía e ela se deixava levar. Mesmo com os recursos de distração, era sempre atingida pela flecha da tristeza.

Fechou o livro. Suspirou. Já pensava em seus códigos de programação e fazia cálculos mentais ao mesmo tempo em que observava as pessoas no vagão e o trânsito nas avenidas da cidade. Era tudo tão estressante para os outros, mas para ela nem tanto. Em meio aquele caos conseguia encontrar certa calmaria. Pelo menos em algum lugar, o caos é maior que em seus pensamentos. Os motoristas buzinavam nervosos, queriam seguir. Mas, afinal, pra que tanta pressa?

Voltando ao player do celular, encontrou uma música dançante. Levantou calmamente e desceu na estação seguinte. Não era sua estação, mas quem liga? Caminharia dançando até seu bairro. Mariela se sentia tão infeliz que se esforçava para encontrar alegria em pequenos momentos. Ansiava por um bom momento em sua vida tediosa. E geralmente eram os minúsculos cotidianos do dia que lhe arrancavam raros sorrisos. Andando pelo menos impediria as lágrimas de cair. Dançando pelo menos o corpo não estaria sufocado de tensão, frustração e tristeza.




Rafaela Valverde





sexta-feira, 22 de junho de 2018

Desperdício de papel, desperdício de tudo...

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Como nós gastamos papel. Como nós destruímos recursos da natureza por causa de besteira. Semana passada fiz provas de duas disciplinas na faculdade, as duas do mesmo professor. Cada prova tinha mais ou menos quatro, cinco páginas, folhas de papel de ofício, fora o papel pautado para respostas. Eram provas com muitos textos, entendo, mas a quantidade de papel gasta nas duas turmas foi absurda, na minha opinião.

E não só na universidade. Estive no banco ontem e saí de lá com duas folhas de papel. As informações contidas ali poderiam estar em apenas uma folha, mas por praticidade ou talvez até por vergonha de soar como pãodurice ou amadorismo, sei lá. O fato é que gasta-se muito papel, seja em empresas, escolas, hospitais, residências...  Eu tento reutilizar o máximo que eu posso para fazer rascunhos, mas não dá conta, sabe? Gasta-se muito mais do que o que tenta aproveitar.

Eu detesto qualquer tipo de desperdício. Porém confesso que sou um pouco chata em relação a coisas de cozinha: paninhos, esponjas, essas coisas, troco logo, mas em relação a todo o resto tento ser mais sustentável possível. Inclusive uso tudo até seu limite de vida útil. Ou seja, só compro celular, roupas, canetas, etc., quando os que estou usando se deterioram. Isso se chama pobreza também, viu gente? Então, como nem de longe, sou rica, vejo como necessidade usar tudo ao máximo. Meus cadernos são todos utilizados, até o final. E quando não uso mais para o semestre eu reciclo ou vou usando as folhas para algumas coisas.

Enfim, queria somente discutir um pouco essa questão do  desperdício. Toquei no assunto do papel porque é o mais observável para mim, porém, sei que desperdiçamos muito mais, principalmente água e comida, enquanto tem gente que vive diariamente em racionamento. Pretendo também levantar a consciência de cada um. O quanto você tem desperdiçado? Quanto lixo você gera por dia? Você tenta reciclar os papéis utilizados como rascunho? Pense e repense no que estamos fazendo, gastando coisas sem necessidade, destruindo sem necessidade.



Rafaela Valverde

quinta-feira, 21 de junho de 2018

Como bancos tratam pobres que devem

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Essa semana, na terça feira, fui a um banco abrir uma conta para receber minha bolsa do estágio. Conto que é para a bolsa por que eu nunca abriria uma conta do nada e para nada, principalmente no banco que foi. Pois bem, cheguei lá alguns minutos da agência abrir e fiquei esperando na porta. É uma agênia bem vazia - por isso fui lá - e tinha pouca gente. Só eu para abertura de contas. Uma fila de funcionárias do banco nos esperavam na entrada, sorridentes e dando bom dia.

Disse que era para abrir conta e me mandaram sentar em uma cadeira lá para esperar. Todas ainda muito sorridentes. O atendimento começou com uma atendente ainda bastante sorridente e solícita, até ela verificar que eu possuo restrições no SPC e Cerasa, blá-blá-blá. A mulher nem conseguiu disfarçar a mudança no semblante dela. Claro que ela queria me empurrar goela abaixo produtos e serviços como seguros e capitalizações, etc. Daí, quando ela viu que não conseguiria fazer isso, porque não poderia e porque eu estava com uma declaração da prefeitura para abrir a conta , portanto seria obrigatório para ela abrir, ela ficou chateada, sem comissão, coitadinha.

Eu ria por dentro. É um absurdo o nível de mercenarismo desses bancos, sendo que existe um convênio com a prefeitura, convênio esse que com certeza tem dinheiro envolvido no meio, claro. É absurdo também o nível de preconceito e discriminação que instituições bancárias têm com pobres, assalariados (ou no meu caso, estagiários), da periferia e devedores. O atendimento seguiu seco, diferente do que eu imaginei quando entrei na agência e depois de alguns minutos saí feliz com minha conta aberta. E ela ficou lá, espero que o humor dela tenha melhorado ao longo do dia.

O que quero discutir aqui um pouco é justamente sobre essa questão da aparência - não preciso nem dizer que fui bem simples, né? Quero falar também sobre a importância que as pessoas dão para coisas mesquinhas, coisas que não têm importância. O jogo de interesses que há no comércio, nos serviços bancários e no capitalismo como um todo, de só vou atender você bem se houver alguma contrapartida. Só vou te oferecer um sorriso se a minha comissão for boa. Não vou te atender bem porque é minha obrigação, mas sim se ganhar algo em troca. Está difícil viver nesse mundo. Está cada vez mais mesquinho, o mundo. E isso acaba obrigando certas pessoas a fingirem ser o que não são para alimentar o sistema e para se encaixar em padrões e finalmente ser bem atendido, ser bem recebido e receber um sorriso. Bem, é isso...



Rafaela Valverde

segunda-feira, 18 de junho de 2018

Ainda Assim Eu Me Levanto - Maya Angelou


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Precisamos conhecer poetas e poetisas negros!!!

Você pode me riscar da História
Com mentiras lançadas ao ar.
Pode me jogar contra o chão de terra,
Mas ainda assim, como a poeira, eu vou me levantar.

Minha presença o incomoda?
Por que meu brilho o intimida?
Porque eu caminho como quem possui
Riquezas dignas do grego Midas.

Como a lua e como o sol no céu,
Com a certeza da onda no mar,
Como a esperança emergindo na desgraça,
Assim eu vou me levantar.

Você não queria me ver quebrada?
Cabeça curvada e olhos para o chão?
Ombros caídos como as lágrimas,
Minh’alma enfraquecida pela solidão?

Meu orgulho o ofende?
Tenho certeza que sim
Porque eu rio como quem possui
Ouros escondidos em mim.

Pode me atirar palavras afiadas,
Dilacerar-me com seu olhar,
Você pode me matar em nome do ódio,
Mas ainda assim, como o ar, eu vou me levantar.

Minha sensualidade incomoda?
Será que você se pergunta
Porquê eu danço como se tivesse
Um diamante onde as coxas se juntam?

Da favela, da humilhação imposta pela cor
Eu me levanto
De um passado enraizado na dor
Eu me levanto
Sou um oceano negro, profundo na fé,
Crescendo e expandindo-se como a maré.

Deixando para trás noites de terror e atrocidade
Eu me levanto
Em direção a um novo dia de intensa claridade
Eu me levanto
Trazendo comigo o dom de meus antepassados,
Eu carrego o sonho e a esperança do homem escravizado.
E assim, eu me levanto
Eu me levanto
Eu me levanto.


Original em inglês: Still I Rise
Tradução de Mauro Catopodis



Rafaela Valverde

terça-feira, 12 de junho de 2018

Crescente fértil - Carina Castro

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enquanto estendo as roupas
no varal
torço
pra que não chova
enquanto eu estiver fora
seria toda uma tarde enxuta
encharcada
tem também aquela goteira
insistente
pra amparar
pode vir de vento
sem aviso
dependendo da força
entra pelas frestas
da janela
inundando dentro
enquanto se acaba
a civilização
lembro que tenho que me virar em comida
pra suprir fomes alheias
confirmo no calendário o dia que o gás acabou/
localizo a lua crescente
– tempo certo –
pra cortar
os cabelos
pra que cresçam
subo a ladeira quase-sem-fôlego
me sinto sedentária
lembro que tenho
um corpo
mas não lembro
quando assentei poeira no chão
finquei raízes
ergui e pari o mundo
[e o que fez de mim a civilização?]
concebia-me sem pecado
e me embalava com muita graça
quando não temia
a época das cheias
que batiam no peito
não dava pé e não sabia nadar
que vinham
lavando e levando tudo
trazendo feras
peixes à beira da loucura
num transbordar infinito
prateando tudo até que tudo apodrecesse
tornando a lama, lume
crescente fértil
leito de nanã
dou de beber a tantas sedes
que a estiagem sempre é certa
corro pra tirar as roupas do varal
mas no fundo quero
que meu corpo encharque



Rafaela Valverde

Um tênis

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Fui na médica e recebi um ultimato: preciso perder peso. Vinte quilos, talvez a médica tenha exagerado. Sempre fui rechonchuda, mas não posso mais ser. Afetou minha saúde. Vamos lá! Pelo menos dez quilos pretendo perder logo. No mesmo dia  comprei um bom tênis. Confesso que sou um pouco pão dura e se já tinha comprado um tênis  precisaria usá-lo. Não sabia exatamente como usaria, se na academia ou se voltaria a caminhar. (Parei porque meu outro tênis estava horrível, muito velho) Ontem até pensei em ir à academia fazer matrícula mas pensei bem e desisti. Não vou investir dinheiro em algo que detesto (mais uma pão durice minha, rsrs).

Então, detesto academia. Detesto as músicas e o volume das músicas, detesto musculação, detesto as pessoas muito felizes e malhadas, detesto instrutores, detesto  a imagem coletiva de uma academia. Pois bem, desisti da academia e decidi que sim, voltaria a caminhar. Como ontem, segunda feira, fiquei com medo de sair às cinco da manhã sozinha para caminhar porque estava muito escuro, decidi que precisava ir hoje de qualquer jeito. E fui. Saí de casa para caminhas às 05:10, caminhei por meia hora e voltei para tomar banho, café e sair para o estágio. Foi corrido, mas me fez muito bem. Eu gosto muito de caminhar e o tênis é ótimo.

O que me surpreendeu foi encontrar várias pessoas caminhando no mesmo horário pelo bairro. Se eu soubesse que tanta gente caminhava no escuro, já teria ido desde ontem, ou desde antes, nesse horário. Sempre ia de manhã cedo, porém não tão cedo ou então no final da tarde. Minha intenção inicialmente é caminhar meia hora todos os dias, inclusive os sábados. Os domingos vão depender da minha vontade, sono, ou se for para a igreja. Vamos combinar que levantar cedo domingo (não, qualquer dia) é um saco, né? Mas, o que me faltava era somente o tênis. Já o tenho e agora estou focada em emagrecer, em ter uma vida melhor, com mais disposição, um sono melhor, enfim... Até meus ovários policísticos a atividade física vai aliviar. Atividade física é bom para tudo! Pretendo  também diminuir a quantidade de comida ingerida e melhorar a qualidade, sem dietas muito restritivas, porque isso pode vir a ter um efeito contrário. É isso!


Rafaela Valverde


sábado, 9 de junho de 2018

Burburinho humano

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É barulho por todo lado. Buzinas, sirenes, músicas em volume tão alto que me escapa até o pensamento, pessoas conversando, barulho, barulho e barulho. Será que não é possível a gente fazer silêncio nunca? Será que não há motivos para fazer silêncio? Será que estar a sós com a gente mesmo é tão ruim assim? As pessoas não falam de falar. É interminável o número de blá-blá-blás e não há quem suporte. Ontem li um texto que dizia algo assim. Algo sobre o silêncio que não temos mais. O silêncio que perdemos direito de ter. Olha, é bem cansativo ouvir tanto, ouvir tantas coisas, tanto burburinho, conversas diferentes, pessoas diferentes, histórias diferentes. Eu acho que precisamos de doses de silêncio. Acho inclusive que deve fazer bem para a saúde. Passo por longos momentos de silêncio durante a maior parte dos meus dias. Eu gosto muito. Só ouço meus pensamentos e a música ou a rádio que está no meu fone de ouvido. Na verdade eu acho que não suporto mesmo é ouvir burburinho humano. As pessoas são extremamente barulhentas, falam alto e falam muita besteira. Eu só quero estar em paz dentro de um ônibus ou na fila do banco. Oras, mas qual a necessidade que se tem de falar tanto? Auto- afirmação? Desassossego? Há alguns meses peguei um micro-ônibus e sentei bem perto de uma mulher que falava muito. Tipo, ela já estava falando quando eu entrei e desci e ela continuou falando e falando. Observem que era um micro-ônibus. Ou seja, um ônibus menor que os normais, então era muito irritante. Falam, falam, falam e não dizem nada. Quando chegam em casa querem mais barulho, querem assistir o JN depois a novela e querem que os meninos, logo os meninos, tão cheios de energia (!), fiquem calados. Ora, vocês passaram o dia parecendo umas matracas infernizando a vida de todo mundo e agora querem que os meninos calem a boca, pra vocês consumirem Tevê. Vocês estão loucos? É esquizofrenia coletiva? Hein? Me explica! Por que eu não consigo entender. Na verdade eu nem quero mais entender merda nenhuma, eu só quero que vocês calem a boca, pode ser? É por isso que a gente é obrigada a ser grossa, porque esse pessoal pede. Fala sério! Mas, então, saindo da minha histeria de exigência do silêncio, o que tenho pensado sobre isso, é que as pessoas têm necessidade de se autoafirmar, mas, além disso, penso que pessoas barulhentas são aquelas que tiveram poucos momentos de silêncio e solidão na vida. Eu, no entanto, passei muitos momentos na infância e adolescência sozinha e em silêncio quase absoluto, lendo. Como eu lia! Como eu exercitava meus pensamentos, como eu economizei minha voz e palavras que são apenas jogadas ao vento e ecoam nos ouvidos de outrem, incomodando e irritando. Assim como me irrito hoje. Pessoas que sempre tiveram casa cheia ou que tiveram raros momentos de solidão, creio eu - essa é minha opinião- podem sim ter mais dificuldades em manter a boca fechada e isso é chato. Pessoas que falam muito e o tempo todo, vocês são chatas! Já existe tanto barulho em nossas vidas, pra que mais? Obviamente eu sei que isso nunca vai acabar e sempre vão existir burburinhos, burburinhos esses que algumas vezes, ironicamente,  acabam me salvando de mim mesma e dos meus  gritantes pensamentos  silenciosos.



Rafaela Valverde

sábado, 2 de junho de 2018

Confiar em Deus

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Tribulação e angústia me atingiram, mas os teus mandamentos são o meu prazer. Os teus testemunhos são eternamente justos, dá-me discernimento para que eu tenha vida.
Salmos 119:143-144


Aprendi que não adianta ser "barraqueira", me irar ou ficar triste. Não adianta e não precisa. O que preciso mesmo é confiar em Deus. Ele me mostrou isso mais uma vez essa semana. Quantas vezes será necessário que Ele me prove para que eu acredite que Ele está do meu lado? Eu fico com tanto medo de as coisas não darem certo que fico sofrendo por antecedência. Eu devia me envergonhar e sim, me envergonho, de não confiar suficientemente em Deus e saber que hora certa Ele vai agir. Preciso acreditar mais em Seu amor, misericórdia e graça. Tenho um Deus tão fiel e ainda duvido. Como ouso?

Obviamente a minha fé ainda está no início, sendo desenvolvida e ainda preciso melhorar muito, eu sei. Mas às vezes acho inadmissível algumas coisas que eu faço. Venho tentando mudar e me deixando ser moldada por Deus ao longo dessas últimas semanas, mas ainda assim, claro que que eu sei que não posso mudar de vez. Vou explicar a situação desde o início, mas vou me ater mais ao fato dessa semana  Enfim, no início do mês passado descobri que só iria receber minhas bolsas de estágio e transporte desde o mês de março, no final do mês de maio/início do mês de junho. Desde então tenho estado indignada com a situação, já que não fui avisada desde o início.

Venho mandando emails e ligando para tentar entender e até reclamar. Pois bem, me estressei (quem não se estressaria?) fiquei zangada, angustiada e preocupada. Para resumir a história, na quarta feira, acordei com a cabeça em um dos emails que havia recebido com uma resposta: "ligue pra fulana no setor tal, peça os números da sua matrícula, registro e data de admissão para ver o contracheque..." O que eu havia cismado aquela manhã é que os números de matrícula e registro que já haviam me dado poderiam estar errados e encasquetei que iria ligar para saber se os números realmente estavam corretos. Estava tentando entrar no sistema e o mesmo informava: "Servidor não encontrado". Achei aquilo estranho. Liguei pela manhã e nada. Depois que cheguei em casa, à tarde, ligue novamente e realmente um dos números estava errado. Me passaram errado ou eu anotei errado, não sei. O fato é que consertei os números e consegui entrar no sistema e verificar os valores e data de recebimento. Foi Deus quem meteu aquela ideia na minha cabeça, Ele me disse, tenho certeza disso. Como eu poderia saber ou pensar que o número que me deram há quase um mês estaria errado? Até porque não tinha pensado nisso até essa semana, que foi uma semana que me angustiei muito por causa disso. Deus veio me tranquilizar na minha angústia, na minha tribulação. E ele sempre virá! Aleluia!


Rafaela Valverde

domingo, 27 de maio de 2018

Querido amigo ateu - Fabiana Bertotti


Descobri Fabi essa semana. Ela é jornalista, escritora, casada com um pastor e é Adventista. Não concordo com algumas coisas que ela fala, mas nesse vídeo eu concordo com tudo. Não adianta ser uma pessoa chata, até porque você não converte ninguém, quem converte é o Espírito Santo. Pode até pregar, mas antes viva em sua vida o que está pregando. Seja uma pessoa agradável pra falar de Jesus porque ele não merece gente chata achando que segue ele e proliferando mentiras e intolerâncias em Seu nome. Enfim, vejam o vídeo.



Rafaela Valverde

sábado, 26 de maio de 2018

O meu novo amor!

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Eu aceitei Jesus. No dia 13/05, dia das mães, em uma igreja Assembleia de Deus. Mas, olha só ela, não é mesmo? Que ironia da vida! Já tinha "aceitado" na minha pré adolescência mas agora é de verdade. Sou uma pessoa transformada. Sou uma pessoa consciente do amor de Deus e de Jesus e sou uma pessoa que tenta corresponder a esse amor. Todos os dias. 

Quero conhecer mais sobre o meu Deus, quero aprender muito mais sobre Ele e sua grandiosidade. Por isso, ando lendo alguns livros, além da bíblia. Faço devocionais diários quando acordo durante a semana. No final de semana faço em qualquer horário, porém em maior quantidade de tempo. Devocional é: "é a demonstração da devoção e admiração por algo ou alguma coisa, normalmente relacionado com aspectos religiosos. No âmbito religioso, devocional é o período de tempo que uma pessoa separa para se dedicar à Deus, ou seja, fazer orações, agradecimentos, leituras e discussões sobre a Bíblia."  Fonte:https://www.significados.com.br/devocional/

Estou me deixando moldar diariamente. Me policiando, orando e pedindo a Deus que mude o que eu não consigo sozinha. Já me libertei da escravidão do pecado, mas obviamente todos nós somos pecadores. Assim já nascemos, com o pecado residente, pois assim fomos gerados. Porém quando o Espírito Santo toca em nosso coração a gente ganha uma liberdade enorme - ao contrário do que as pessoas pensam e ao contrário do que eu mesma pensava. Liberdade no sentido de nos libertar da escravidão do pecado e de mim mesma, de meus próprios desejos mundanos e carnais. O amor de Deus e a forma que ele nos amou e ama é mais importante hoje para mim do que qualquer outra coisa no mundo. Nunca me senti assim na minha vida.

Uma das provas do amor de Deus está neste versículo: "Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna." (João 3:16) Dessa forma temos Jesus. Ele veio como um homem, o único que nunca pecou, e morreu por nossos pecados. Olha, eu confesso que era uma pessoa muito cética até poucos meses atrás e às vezes, certas coisas se tornavam difíceis para eu entender, mas na medida em que vou estudando vou conseguindo entender. Ainda tenho algumas questões e dúvidas, porém tenho certeza que Deus vai me ajudar a entender, através do estudo das suas palavras..

O processo é gradual. E tenho sede de aprender. Sempre gostei de estudar tanta coisa então por que não estudar com mais profundidade os assuntos do Senhor? Tenho aprendido algumas coisas e deixando que essas coisas reflitam em meu comportamento e em minha vida. Estou buscando recursos diversos para aprender mais, como livros, blogs e canais cristãos no Youtube, além da própria bíblia é claro. Além disso tenho ido à igreja. Na verdade, domingo passado fui à uma batista. Então, ainda estou frequentando para ver em qual me adapto melhor. Servir a Deus e ter Jesus como melhor amigo são as melhores coisas que tive até hoje, mas não é fácil. Seguir o cristianismo não é fácil. Tentar se assemelhar a Jesus e amar ao próximo por exemplo, não são coisas fáceis, mas quando a gente ama a Deus e a Jesus e deixa o Espírito Santo habitar em nós, mantendo intimidade diária com Ele, fica um pouco mais tranquilo.

Então, meu coração e minha vida estão preenchidos e tomados por Deus. Meus pecados anteriores foram perdoados pois me mostrei arrependida. Eu pedi a Deus uma vida nova e a partir das minhas atitudes estou conseguindo. Uma das coisas que não entendia era o fato de abrir mão das minhas vontades e de mim para deixar Deus tomar conta. Eu não queria fazer isso, antigamente. Mas agora entendo que abrir mão da minha vontade e dos meus desejos significa que devo deixar de querer  pecar e de sentir prazer no pecado, significa que eu devo abrir mão dos desejos da carne e me dedicar mais e mais à vida espiritual... Enfim, sei que ainda há muitas coisas para eu entender e talvez muitas coisas que escrevi aqui tenham sido besteiras, mas é o pouco que aprendi até agora.

Sim, eu agora sou cristã. Ainda não me batizei e não sei em qual igreja vou congregar, mas tenho total certeza da minha nova vida. Até porque não tem como voltar mais atrás. Então, para onde é que eu voltaria? Não há lugar melhor que a presença do Senhor. Não há amigo melhor que Jesus Cristo e não existe consolador mais poderoso que o Espírito Santo. Pois bem, não preciso berrar aos quatro cantos do mundo minha decisão e nem preciso orar, clamar e adorar a Deus de forma ruidosa. Pelo contrário, a bíblia ensina que é no secreto que nosso encontro e intimidade com Deus são melhores efetivados. Enfim, há mais coisas que quero falar porém elas podem ser ditas em forma de texto ao longo do tempo... Achei que era necessário escrever aqui essa nova fase da minha vida.

Para terminar quero fazer algumas observações: estou muito feliz; sinto uma paz enorme, me sinto preenchida, não sinto mais solidão, nem aquela tristeza constante, não me sinto mais deprimida e com vontade de morrer. Várias vezes de 2015 para cá pensei em me matar, mas hoje não penso mais nisso e é graças a meu Deus! Minhas atitudes hoje são mais baseadas no amor. Amor a Deus, amor ao próximo (na medida do possível) e amor próprio. E acerca de amor próprio vem a ideia da auto estima, cuidados diários, cuidar da saúde do corpo e da alma, maquiagem, esmaltes, vestuário. Não vou deixar de usar essas coisas, que se tratam de usos e costumes e que a depender da igreja são "proibidos". São doutrinas de homens e não de Deus. Vale a interpretação do que se lê, já que não há nada diretamente relacionado a essas questões na bíblia. Posso escrever textos mais detalhados sobre esse assunto depois.

Mas, continuando minhas observações: o que mudou foi meu coração, minhas atitudes ruins que melhoram a cada dia e minha forma de viver e me relacionar com as pessoas e com Deus, o que mudou foi minha vida de pecado e de gênio difícil por exemplo. E algumas coisas têm menos importância hoje para mim do que tinham antes. Mas eu não deixei de ser eu. Não vou ser crente chata, fanática, nem vou virar homofóbica, preconceituosa e alienada do mundo que vivo. Não vou deixar de ver minhas séries, ler meus livros e ouvir música secular - claro que depende da música secular. Tem músicas que são verdadeiros poemas, são lindas e falam de amor. E eu sou poeta! Acho que nem preciso me ater mais a essas explicações, não é? Claro que não vou mais ouvir por exemplo músicas que tenham conotação sexual ou violência ou músicas que tenham danças muito sensuais. Isso porque o Espírito Santo tocou no meu coração e me incomodou. Várias coisas já me incomodaram e eu deixei de vez. O que importa é meu relacionamento com o Senhor, o que Ele me diz. O que importa é o nosso amor e meu coração que tenta dia após dia ser mais santo e puro. Religião é o menos importa aqui. Importa é Jesus, o cordeiro de Deus. Sou apaixonada por Ele!





Rafaela Valverde





sábado, 19 de maio de 2018

Sintomas e dizeres da vida

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Hoje estou a fim de escrever. Talvez botar pra fora um pouco do que tenho sentido nas últimas semanas. Meu corpo está diferente. Algo não está igual. Talvez a maior diferença que já senti na vida. Não vou explicar exatamente do que se trata. Não hoje. Tudo ainda está bem obscuro. Não sei o que se passa. Minha saúde está boa, mas meu corpo vem sofrendo algumas alterações. Sinto um cansaço inexplicável e às vezes sinto vontade de chorar. Em quase todas as vezes eu choro. Já chorei no ônibus, andando na rua, já chorei no culto durante a homenagem ao dia das mães. Em alguns casos me sinto bem irritadiça também. Dores. Desânimo. Cansaço. No entanto me sinto indescritivelmente feliz e realizada. Não há nada que eu queira mudar na minha vida nesse momento. O que ocorre é que vinha querendo algo e me ajoelhava pedindo a Deus, mas não sei se quero mais. Estou sentindo várias coisas, várias indisposições e indecisões, mas ainda assim, sinto um amor no meu coração. Sinto vontade de dar boa tarde a meus desafetos e dou. Para que manter desafetos? Por que tanta birra? Sou tão amada por Deus que nem me ouso não corresponder da mesma forma. Não tenho medo de despejar de volta no universo tudo isso. Hoje estou a fim de escrever mas não posso escrever exatamente o que queria escrever. Me contento com esse texto cheio de incógnitas. Estou aqui assistindo Breaking Bad enquanto digito e enquanto bebo água. Fico tentando como sempre ocupar minha mente o tempo inteiro para não pensar, para não sentir certos sintomas que têm tomado conta do meu corpo há semanas. Além disso em mente ocupada não entra gente inoportuna. Gente que não deveria mais estar nela. Gente que deveria estar me apoiando e dividindo esse momento comigo. Mas não. As outras pessoas sempre se isentam. Nunca é problema delas. Especialmente se essas pessoas forem do sexo masculino. Os homens são criados e crescem descompromissados. Esse é um sinal da nossa geração. Hoje estou a fim de escrever. Dizer baboseiras. Falar o que ninguém quer ouvir - ou ler. Sei lá. Às vezes parece estranho o tanto de vezes em que a gente rejeita o amor e companhia de Deus, enquanto Ele sempre está lá. Esperando por nós. O dono de tudo.. O dono de toda a certeza. O mesmo Deus que me empresta um pouco dessa certeza e me faz acreditar no que ninguém acredita. Nos sinais que meu corpo está dando. Nos sinais que a vida está dando. Eu não ouso mais ignorar os sintomas e dizeres da vida. Porque ela agora, a minha vida, está sendo traçada por Deus. Está entregue a Deus. Meu corpo. Meus sintomas. Minha vida. E as pessoas que fazem parte dela. E até as que não querem fazer parte dela. E as pessoas que me detestam. Deus está com elas também. Meus sinais. Meus sintomas. Hoje estou a fim de escrever. Espero que ninguém entenda!



Rafaela Valverde

sábado, 12 de maio de 2018

É uma pena eu ter sido tão burra e briguenta.


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Sinto sua falta. Oh, Deus, como sinto sua falta. Acordo pensando no seu corpo, acordo querendo meus seios encostando em suas costas enquanto dormíamos de conchinha. Adorava te abraçar. Adorava sentir o cheiro da sua pele e ouvir os barulhos do seu corpo enquanto você dormia. Que pele gostosa. Morro de saudade, de verdade. Tem dias que já acordo pensando em você, já acordo imaginando que você está ali ao meu lado e que posso te abraçar fazendo nossa conchinha e enroscando minhas pernas nas suas. 

Mas aí logo acordo e vejo que estou sozinha na minha cama de solteiro. Sozinha. Sem você. Até sinto falta do seu ronco, porque quando o ouvia sabia que você estava ali, perto  de mim. E isso me dava uma paz muito grande, apesar de acordar na maioria das vezes. Mas seu ronco não me irritava, você foi o único que roncava e isso não me irritava. Eu até queria ouvi-lo só para ter certeza que você estava ali. E sentir paz. E me sentir protegida.

E por falar em proteção, quando você me abraçava, fazendo uma conchinha do outro lado da cama, eu me sentia tão protegida, tão acarinhada e amada. Você demonstrava amor em tudo o que fazia. Pena que muitas vezes eu não soube identificar. Oh Deus, como eu queria ter você de volta na minha vida e me sentir daquele jeito de novo. Porque eu me sentia melhor com você, me sentia uma pessoa diferente quando estava com você. Feliz. Eu era uma pessoa muito mais feliz. É pena que você não se sentia feliz assim também. É uma pena. Tudo ter acabado assim é uma pena muito grande. É uma pena eu ter sido tão burra e briguenta.




Rafaela Valverde

terça-feira, 8 de maio de 2018

Os dias sete

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Ontem faríamos 4 meses.
Eu não vou deixar você esquecer essa data tão cedo.
Eu tenho a impressão ou a ilusão que você não vai esquecer de mim tão cedo. Nem da data. Não preciso fazer nada. É a vida, é Deus. Ele trabalha. Ele não para. Sei que Ele não vai deixar você me esquecer, esquecer a forma e o momento em que nos encontramos. Nem os nossos gostos afins, as piadas que só a gente entende, as músicas que nos conectam... Los Hermanos! Como eu sempre quis encontrar alguém que gostasse de Los Hermanos como eu gosto ou pelo menos de um jeito parecido. E daí você apareceu, como quem não quer nada tomou meu coração. Foi chegando e me conquistou como eu nem imaginava que fosse capaz de acontecer. Ainda lembro como você me olhou na primeira vez que me viu. Acho que nunca vou esquecer aquele olhar. Lembro que você disse que me olhou e pensou: "é isso, é isso mesmo..." Você sabe o que isso quer dizer e eu também sei. Ah e ainda tem os outros olhares. Sim, todos os outros olhares porque até quando você brigava comigo você me olhava com amor. Até quando sua boca falava palavras agressivas, seu olhar derramava amor. Você não percebia, claro, porque os olhos são janelas e quem pode olhar pelas janelas é quem está de fora. E eu via. Eu lembro. Minha memória é de elefante. Não esqueço facilmente as coisas. Você esquece. Esqueceu quase todos os dias sete. E obviamente esqueceu a data de ontem também, até porque não precisa mais lembrar. Mas não tem problema. Eu sempre vou me lembrar daquele dia sete de janeiro que perguntamos um ao outro e tomamos a decisão. Você me abraçou forte e fez cara de feliz. Ai que abraços! Quando lembro deles me arrepio. Esse foi o primeiro dia sete longe. O primeiro sem seus abraços,  sem seus beijos, sem o calor do seu corpo, sem dormir de conchinha, sem você, sem te ver, sem te tocar, sem, sem, sem...



Rafaela Valverde

domingo, 6 de maio de 2018

Reconstrução!



Atenção: esse texto possui altas doses de metáfora!




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O quadro torto na parede. O espelho quebrado por ela ao jogar algum objeto estava por um tris e logo cairia. O quarto fora de si. O que não estava quebrado eram coisas de maior valor, claro, por que ela também não era idiota. O caos tomara conta do cômodo. Já se acostumara com ele, porém. Se era acometida pelo caos, alguma coisa tinha que ser também. E dessa vez fora o quarto. Deitara há horas de bruços, sem dormir profundo. Pesadelos a invadiam. Lágrimas caíram copiosamente e já secaram. Na verdade, nem sabia mais o porquê daquela dor. Se não lembrava é porque não era importante. Abriu os olhos e viu a parede branca com a luz do sol refletida. O travesseiro molhado. A cama exalando sofrimento. Um barulho muito alto. O susto a fez sentar na cama. O espelho caíra e se espatifara. A queda do espelho serviu para fazê-la levantar da sua própria queda. Como pôde ser tão estúpida e perder tempo com coisas tão pequenas? Como assim? Chorou? Horas perdidas deitada, chorando. Coisas quebradas. Pessoas que foram embora simplesmente por não aguentarem. Mas, hoje ela percebeu que fora tudo em vão. Perdera tempo, pessoas e momentos por causa de coisas desnecessárias e birrinhas infantis. Agora, sentara-se abraçando os joelhos, ainda na cama. Olhava ao redor analisando os resultados do acesso de raiva da noite anterior. Por que não quebrou a TV e o notebook também, sua imbecil? Assim, você teria um baita prejuízo e não esqueceria dessa atitude tola por um bom tempo. Revirou os olhos porque o pior é que agora teria que limpar toda a bagunça e sujeira. Esticou um pouco o corpo e olhou para o chão. Havia roupas, restos de comida, quadros espatifados, porta-retratos tortos e fotos rasgadas... E é claro os cacos do espelho que estavam espalhados por todo o piso branco. Depois de alguns minutos e depois de pensar e repensar em suas atitudes nos últimos meses e de tudo o que estava atraindo para si mesma, decidiu levantar. Devagar. Como tudo o que faria a partir dali. Com calma e leveza. Pegou alguns jornais e papéis velhos e enrolou um a um os cacos de vidro. Queria limpar e consertar tudo o mais rápido possível, mas se demorasse um pouco também não teria problema. O pior já passara. Agora, era reconstrução. Agora, era retirar cacos, coisas velhas e o que não servisse mais. Junto com os sentimentos ruins como ira, mágoa, ódio, tristeza e depressão. A vontade de morrer estava indo embora junto com a moldura do espelho. Os pequenos pedaços geométricos de vidro mostravam traços diferentes do seu rosto inchado pelo choro. As últimas lágrimas desse tipo de sentimento e birra, prometeu a si mesma. Enrolando aquele lixo em jornais e colocando-os em sacos sentia que aquela vida estava saindo da sua vida. Sim, aqui vale mesmo a redundância poética deste meu relato. Ela queria expurgar tudo que a fizera chegar naquele momento de sua existência. Agora, era tudo novo. Literalmente. Pôs o lixo para fora, tirou o espelho da sala e o pendurou no lugar do anterior. Não era totalmente novo mas sua vida seria. Não queria mais ficar juntando destroços, por isso fixou o espelho na parede com fita adesiva. Olhou seu reflexo novamente e suspirou. Sabia que não haveria mais estilhaços. O pranto cessara. A dor também. A vontade de brigar com o mundo e de se irar estava em sacos de lixo lá fora. Tenha um bom dia, falou em voz alta.



Rafaela Valverde
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