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sábado, 24 de junho de 2017

Transa no chuveiro


Estamos no banheiro. Ele tomava banho, e eu entrei. Queria provocá-lo. E queria fazer as pazes. Havíamos brigado na noite anterior. Encostei meu corpo nu em suas costas, enquanto o masturbava. Ele se animou, virou e me empurrou até a parede, me beijando. Assim, rápido, sem uma palavra sequer.

Seu beijo mostrava que estava bem excitado. Não havia mais briga. Chupou meu pescoço. Desceu para os seios com uma ânsia impressionante. Lambeu meus mamilos, mordicando de vez em quando. Sem aviso, ajoelhou, apoiou minha perna em seu ombro e começou a me chupar. Deliciosamente, do jeito que só ele sabe fazer. Eu me contorcia e gemia baixinho. Depois de um tempinho, parou e me olhou nos olhos, enfiou a língua em meu umbigo, depois foi subindo lambendo minha barriga até chegar em minha boca de novo.

Meu gosto estava em sua boca e eu adorava isso. O vapor esquentava as coisas, mas tive a impressão que não era só ele. Nós estávamos quentes também. Transar depois de uma briga é sempre muito gostoso. Estávamos nos beijando, quase engolindo a boca um do outro. Com uma mão só ele me virou de costas e me penetrou. Gemi alto.

Estava com a cara colada no azulejo quente do banheiro, gritando de prazer, salivando por mais e mais. Com minha mão apertava seu corpo contra o meu, para que ele continuasse e aumentasse a intensidade. Apertava sua bunda firme e macia e assim, gritando, gozamos juntos, caindo arfantes no chão do banheiro, a água quente caindo em nossos corpos cansados de prazer.



Rafaela Valverde

quinta-feira, 22 de junho de 2017

Em Código - Fernando Sabino

 Gente, quando eu era criança e adolescente eu adorava ler  o que Fernando Sabino escrevia. Especialmente os contos e as crônicas. Li esse num livro de Irandé Antunes ontem e me lembrei desse período. Quis trazer para vocês, meus leitores. Aproveitem!



Fui chamado ao telefone. Era o chefe de escritório de meu irmão:
- Recebi de Belo Horizonte um recado dele para o senhor. É uma mensagem meio esquisita, com vários itens, convém tomar nota: o senhor tem um lápis aí?
- Tenho. Pode começar.
- Então lá vai. Primeiro: minha mãe precisa de uma nora.
- Precisa de quê?
- De uma nora.
- Que história é essa?
- Eu estou dizendo ao senhor que é um recado meio esquisito. Posso continuar?
- Continue.
- Segundo: pobre vive de teimoso. Terceiro: não chora, morena, que eu volto.
- Isso é alguma brincadeira.
- Não é não, estou repetindo o que ele escreveu. Tem mais. Quarto: sou amarelo, mas não opilado. Tomou nota?
- Mas não opilado - repeti, tomando nota. - Que diabo ele pretende com isso?
- Não sei não, senhor. Mandou trasmitir o recado, estou transmitindo.
- Mas você há de concordar comigo que é um recado meio esquisito.
- Foi o que eu preveni ao senhor. E tem mais. Quinto: não sou colgate, mas ando na boca de muita gente. Sexto: poeira é minha penicilina. Sétimo: carona, só de saia. Oitavo...
- Chega! - protestei, estupefato. - Não vou ficar aqui tomando nota disso, feito idiota.
- Deve ser carta em código ou coisa parecida - e ele vacilou: - Estou dizendo ao senhor que também não entendi, mas enfim... Posso continuar?
- Continua. Falta muito?
- Não, está acabando: são doze. Oitavo: vou mas volto. Nono: chega à janela, morena. Décimo: quem fala de mim tem mágoa. Décimo primeiro: não sou pipoca, mas também dou meus pulinhos.
- Não tem dúvida, ficou maluco.
- Maluco não digo, mas como o senhor mesmo disse, a gente até fica com ar meio idiota... Está acabando, só falta um. Décimo segundo: Deus, eu e o Rocha:
- Que Rocha?
- Não sei: é capaz de ser a assinatura.
- Meu irmão não se chama Rocha, essa é boa!
- É, mas foi ele que mandou, isso foi.
Desliguei, atônito, fui até refrescar o rosto com água, para poder pensar melhor. Só então me lembrei: haviam-me encomendado uma crônica sobre essas frases que os motoristas costumam pintar, como lema, à frente dos caminhões. Meu irmão, que é engenheiro e viaja sempre pelo interior fiscalizando obras, prometera ajudar-me, recolhendo em suas andanças farto e variado material. E ele viajou, o tempo passou, acabei me esquecendo completamente o trato, na suposição de que o mesmo lhe acontecera.
Agora, o material ali estava, era só fazer a crônica. Deus, eu e o Rocha! Tudo explicado: Rocha era o motorista. Deus era Deus mesmo, e eu, o caminhão.


Rafaela Valverde

quinta-feira, 8 de junho de 2017

Sintonia Transcendental


Sabe aquela conexão em que apenas com um olhar já se consegue entender o outro? Sabe aquela sensação que se conhece tanto o outro que é capaz de adivinhar o que ele está pensando e/ou sentindo?

Sabe aquela pessoa com quem você pode falar de tudo? Tem assunto para toda hora e a madrugada não é suficiente para tanto bate papo?
. Noites e noites são viradas conversando. Ligação mágica. Não dá para descrever nessas poucas linhas o que significa. A outra pessoa conhece cada olhar meu, cada momento em que queria falar e me calei; daí se ouve: "fala, você ia dizer alguma coisa..." Mas como assim, você sabia? É uma intimidade tão grande que é possível saber do que se trada a respirada que o outro dá em determinado momento.

Compartilham os mesmos gostos esquisitos: aquele disco de rock melancólico que ninguém conhece, aquele filme "cabeça"... Quantas horas noturnas foram gastas falando besteiras que ninguém mais entenderia. Só aquele par entende do que se trata. O par se entende. É uma sintonia transcendental. É algo que dá inveja, mas não nasceu com essa intenção. Nasceu do amor, para o amor e é sobre o amor. É a sintonia! É a transmissão de pensamentos, é a adivinhação de sensações. É tudo muito único, momentos que não se repetem.

Sabe aquele dia que você não pensa na pessoa? Não existe! O pensamento é diário, o sentimento é constante. Minuto após minuto, hora após hora, dia após dia. A gente se importa um com o outro, a gente é maravilhoso sozinho, mas, se é que isso é possível, ao mesmo tempo se completa.



Rafaela Valverde

terça-feira, 6 de junho de 2017

As pessoas...

E que se dane a dieta, que se dane meu cabelo feio e a espinha cravada na minha testa. Hoje eu não estou interessada no que o espelho tem a me dizer. Não me importo mais se estou gorda, não me importo mais se meu cabelo precisa de hidratação e minha pele se comporta como se eu tivesse doze anos.

Hoje eu não quero mais me importar com o que as pessoas pensam e dizem sobre mim e sobre minha aparência. Eu gosto de ter cabelo curto, essa juba cresce demais e me transforma em escrava dele. Eu gosto de ser gorda, porque eu gosto de comer, beber e fumar. E que se danem minhas veias, meu fígado e meu pulmão. Eles não são meus, porra?

Então, quem vai morrer cedo, de câncer de pulmão e feia? Eu. Então vão procurar lavar umas panelas ao invés de me atazanar. Peguei a tesoura no armário do banheiro e comecei a cortar o cabelo. Sempre o cortei, sozinha em casa. Sempre fui muito independente em relação a mim mesma. O que me fez ficar tão abobalhada me importando com as opiniões alheias?

Talvez tenha sido uma forma de me enturmar, de me encaixar em um determinado grupo. Sabe, as pessoas impõem qualquer ideia idiota sobre nossos corpos e a gente acredita. Que coisa, mulher não pode viver em paz! As pessoas sempre me disseram que eu ficava mais bonita de cabelo comprido, as pessoas sempre me disseram que eu seria mais saudável se fosse magra; as pessoas sempre me disseram que eu seria mais feliz se gastasse rios de dinheiro com depilação e tratamentos de beleza.

As pessoas... Que se danem o que elas acham ou dizem. Eu sou preguiçosa, não gosto de cuidar do cabelo, eu gosto é de comer e por isso sou gorda. Eu gosto de ser eu mesma e por isso eu sou feliz. Pelo fato de me permitir ser eu mesma. Com minhas comidas, meu cabelo curto, meu cigarro e meus pelos.

Então, hoje eu digo, com toda convicção: que se danem as pessoas, que se dane essa porra dessa dieta e que se dane esse cabelo ridículo e mal tratado. Vou continuar sendo eu mesma, com meus noventa quilos e meu cabelo de "machão".



Rafaela Valverde

domingo, 14 de maio de 2017

Pausa nos estudos


Estávamos sentados estudando para as provas finais. Geralmente a universidade ficava bastante agitada nesse período de provas, mas naquele horário a biblioteca estava calma, com poucas pessoas circulando. A sala em que estudávamos estava mais escura que o normal e passou pela minha cabeça que talvez uma das lâmpadas tivesse queimado.

Realmente queria estudar, pois não tinha ido muito bem esse semestre. Ele porém, não parecia muito interessado nos textos. Foi enfiando a mão embaixo da minha saia, o que eu prontamente reivindiquei. Estávamos em um lugar público. E daí, ele disse. Ninguém tá vendo, disse em seguida. Realmente sua mão estava por debaixo da mesa e não dava para quem tivesse de longe ver nada.

Deixei sua mão ali. Ela era macia, firme e delicada ao mesmo tempo. Não sei como isso era possível mas era. Ele sabia me masturbar deliciosamente bem. Ia massageando meu clitóris e eu ia ficando cada vez mais molhada com aquela mão familiar em mim. Nunca tínhamos feito nada assim em público e eu percebia em seu rosto que ele estava se divertindo.

Ele me lançava olhares safados e passava a língua ao redor dos lábios. A essa altura apenas fingíamos que estudávamos. Ninguém estava mais interessado em teoria linguística quando havia um pequeno incêndio acontecendo por ali. Eu sorria e ao mesmo tempo olhava disfarçadamente para os lados. Me surpreendi com minha desfaçatez, não me imaginava sendo assim.

Em um determinado momento da nossa aventura bibliotecária, suspirei alto e recostei na cadeira, desistindo de vez dos textos. Eu já estava perto de gozar e precisava me concentrar. Ele passeava com mais força por dentro de mim, mas uma força precisa que sabia do que eu gostava. Gozei soltando alguns pequenos gemidos e relaxei totalmente. Ele tirou a mão debaixo da minha saia e lambeu os dois dedos que antes estavam dentro de mim.

Arrumamos os materiais impacientemente e corremos para a residência universitária, onde ele morava. Ficava bem perto dali e fomos rápido para manter a chama. Os amassos começaram na porta mesmo, já fui tirando a camisa dele e quando já estávamos na cama, ele levantou minha saia, que era comprida, arrancou minha calcinha e começou a me chupar bem devagar. Uma delícia. Gozamos juntos, com a sensação  de que tínhamos estudado bastante e que criaríamos nossas próprias teorias.



Rafaela Valverde

quinta-feira, 4 de maio de 2017

O que eu sei


Eu sei que trocamos juras de amor. Estávamos deitados de conchinha. Eram 4:26 de uma madrugada qualquer. Fazia frio. Quem raciocina no frio? E de madrugada? Ninguém. Eu sei também que aquelas juras podem não ter sido verdadeiras, a promessa de que estaríamos sempre juntos não vingou. Seguimos separados e eu sei que é assim que vamos ficar.

Eu sei que você não levou nada daquilo a sério. Depois daquelas madrugadas vieram outras, outras que ficávamos acordados fazendo planos para um futuro. Esse futuro hoje é tão distante e inexistente que eu nem sei porque perdemos tanto tempo assim falando nele. Talvez porque nos amássemos. Naquela época era tudo mais fácil, éramos muito jovens e ainda não tínhamos descoberto as maldades da vida adulta. Sabe, gente adulta estraga tudo. Complica tudo. Não gosto muito da adulta sem sonhos que me tornei hoje.

Não tenho sonhos, nem expectativas. Não imagino nós dois juntos. Eu apenas me aproveito de você para ter inspiração para escrever, porque meus leitores gostam. Por incrível que pareça, há pessoas que gostam das minha ladainhas. Mas eu não penso em nós dois tendo futuro. Eu só vejo nós dois separados mesmo, mas eu finjo que acredito pois isso rende textos, afinal de contas isso que eu sinto por você tem que servir para alguma coisa, não é?

Eu sei. Eu sei muitas coisas. Mas o que eu sei mesmo é que foi tudo da boca para fora. O que eu disse e o que você disse. Pois, afinal de contas, quando jurei te esperar até oitenta anos eu não imaginava que ia demorar tanto. E quando você disse que eu nunca mais iria chorar e que você estaria cuidando de mim para sempre era mentira. Não sei muito bem se uma mentira deliberada ou se você se enganou e se atrapalhou todo no meio do caminho.

Vai demorar. Está demorando. Isso eu já constatei há tempos. O que você acha? Que eu vou te esperar aqui mais dez, vinte, trinta anos?  Você acha mesmo que eu vou te esperar até quando não tiver mais nenhuma melanina em meu cabelo e quando meus ossos forem tomados pela osteoporose? Se você acha isso mesmo saiba que você está certo. Estou aqui esperando, o tempo que for necessário, no meu canto, sem expectativas e calada, só esperando minha hora, se ela chegar. Se não, paciência, mas eu estarei com meu dever cumprido. Estarei aqui, sempre aqui, incondicionalmente. Indo a festas, viajando, estudando, conhecendo outras pessoas de vez em quando; bebendo e fumando um cigarro, esperando o tempo passar lentamente.  Eu posso não saber tudo, mas sei que é o que eu quero e devo fazer, é esperar por você e cumprir aquelas promessas das 4:26 de uma madrugada qualquer.



Rafaela Valverde


quarta-feira, 3 de maio de 2017

Quando você está aqui


De repente tudo vira coisa de casal. De repente não quero mais ir ao cinema sozinha e percebo que você é aquela pessoa que  eu procurava para conversar sobre os filmes cabeça que eu tanto assisto. Um belo dia acordo sozinha na cama e te procuro do lado, deve ter sido reflexo do final de semana em que dormi com você.

As coisas que eu fazia sozinha antes, hoje ficam muito mais divertidas com você. Mesmo aquele disco triste do Legião Urbana que escuto quando estou triste para ficar mais triste ainda, fica melhor quando escuto com você. Porque você entende a minha necessidade de ouvir músicas tristes e também você é umas das poucas pessoas que conhece o disco e se deixou influenciar pelo meu gosto musical e hoje gosta tanto dele quanto eu.

Sobre cozinhar sozinha ouvindo uma música e bebendo vinho? Isso perdeu a graça também. Eu sempre quero ter você por perto. é incrível como preciso sempre compartilhar algo com você. Óbvio que tenho  meus momentos de estar sozinha. Quem não precisa ficar consigo mesmo às vezes? Mas a primeira pessoa que penso quando quero companhia é você.

Nos momentos em que preciso comemorar alguma nota boa, alguma pequena conquista é em você que eu penso. Ultimamente tudo virou coisa de casal: pretextos para te ver. Jantar à luz de velas, aquela música mais sensual. Imagino logo a gente na cama, se enroscando. Ah, seu beijo! Eu não preciso de mais nada, eu não preciso de mais ninguém. Minha felicidade se resume a minha plenitude como pessoa e se resume a você na minha vida. Se você estiver aqui tudo fica mais completo, a minha felicidade se torna mais realista.

Você e sua racionalidade trazem mais equilíbrio para minha loucura, especialmente para aquelas loucuras noturnas que impedem meu sono profundo de acontecer. Sou notívaga, você também é. Dormimos ao raiar do dia conversando, ouvindo aquelas músicas loucas do Youtube ou fazendo amor. E que amor! Que delícia de amor, o que a gente faz. Seu cheiro me enlouquece e sei que o meu também, meu cheiro fica no seu travesseiro de manhã, quando vou embora. 

Enfiados no edredom, nossa vida rende. Rende histórias, rende tudo que passamos e tudo o que ainda queremos passar e viver juntos. Nossa vida fica mais larga quando estamos juntos, mais forte. Somos bons em tudo. Tudo o que fazemos juntos dá certo, nossa parceria dá certo, sempre deu. Eu e você somos um. Não precisamos nos completar, mas nos suplementamos, somos melhores um com o outro. É assim que enxergo a gente. Quando estou sem sono observo as estrelas da minha sacada e imagino que estar ao seu lado é o que eu mais quero. A minha vida toda, até  envelhecer.

Saindo da varanda, olho para minha maior estrela dormindo em minha cama. Você respira calmamente e quase sorri. Sei que também está feliz. Sei que se sente todo bobo em relação a mim. Sei que me ama. E de repente sinto uma paz. Me enfio debaixo das cobertas e me enrosco em você. De repente tudo vira coisa de casal. De novo. E eu gosto disso.



Rafaela Valverde


quarta-feira, 19 de abril de 2017

Terceiro dia


Era o meio do terceiro dia de obra. Três dias sempre foi o meu número. Sempre que convivia ou encontrava a pessoa por três dias eu já ficava afim. Mas dessa vez é diferente, a convivência é mais intensa, essa obra parece interminável e eu não estou mais sabendo me controlar, nem disfarçar. Meu tesão estava na cara. Ele já tinha me visto passar de toalha pela sala e de biquíni quando voltei da piscina. 

Ele é o mestre de obras, portanto estava aqui quase todo o tempo. Gostoso, com uma barba bem feita, uma cor linda. forte, mas rústico, não aqueles boys malhados de academia. O corpo dele era formado pelo trabalho pesado mesmo. Era uma delícia. As mãos grandes e pelos. O homem é maravilhoso e eu estava toda derretida.

Passei pela sala e perguntei quando a obra iria realmente terminar, já havia sido estendida demais e eu não aguentava mais aquela poeira. Mas, se o mestre da obra quisesse ficar ele podia. Ele veio até mim já que o barulho estava muito alto e falou que dali a mais dois dias tudo estaria finalizado. Olhei ele de forma provocante, de cima a baixo; aquele olhar safado, mal intencionado mesmo. Ele fez o mesmo, de forma um pouco mais discreta. Eu estava com um short jeans azul escuro colado no corpo e uma blusa rosa fina, sem sutiã. Eu não uso sutiã.

Senti minha calcinha molhada com aquele olhar e sem ao menos mexer a cabeça apontei o corredor onde ficava meu quarto com os olhos. Sem falar nada ele virou e dispensou para o almoço os pedreiros. Esperou eles saírem, fingindo que fazia anotações. Depois veio até mim, me puxou com uma mão pela cintura e me beijou.  Me jogou sentada no balcão da cozinha. Que pegada!

O beijo foi tão intenso que feri minha boca, mesmo assim continuei a beijá lo com uma urgência, um desespero. Tirei sua camisa e mordiquei seus mamilos, ele beijou meu pescoço, nem sei se foi assim, nem sei qual foi a ordem das coisas. Eu já estava toda envolvida naquele corpo, não conseguia nem raciocinar. Tirei minha blusa e senti sua mão grande e forte, com calos tocar meus seios. Seu hálito quente chegou aos meus mamilos e eu gemi. Revirei os olhos e ele apalpava minha coxa com força; doeria se não fosse tão gostoso.

Desci do balcão, peguei sua mão e o levei para o quarto. Ele deitou de costas e eu puxei sua calça jeans, deixando o de cueca, sentando por cima e me esfregando em seu membro duro. Após um tempo assim chupei- o. Ele gemeu e falou que tava gostoso. Não demorou muito e ele disse que preferia chupar. Tirou meu short e eu já estava enlouquecida com aquela pirraça de tesão. Quando senti sua língua, quase desfaleci de prazer. Gozei. E essa foi só a primeira vez. Esse homem é gostoso demais. Transamos algumas vezes, até sermos interrompidos pelos pedreiros que já voltavam do almoço. Duas horas nunca passaram tão rápido. Mas ainda tínhamos mais dois dias de obras, mais quatro horas!




Rafaela Valverde

segunda-feira, 3 de abril de 2017

Andando em círculos


Tudo é muito confuso. Eu não sei se você me quer. Na verdade eu sei que não quer. Eu só não gosto de admitir e fico mergulhada nesse vão imundo. Estou presa em você, estou presa nesse sentimento cheio de limo e bolor. Não porque é um sentimento sujo, mas porque já dura tempo demais. Me pergunto e  pergunto a Deus quando vai acabar. Se vai acabar. E por que não acaba? Qual a razão disso ainda corroer meu peito me trazendo lágrimas aos olhos em madrugadas modorrentas.

Tenho medo. O medo me persegue constantemente. Tenho medo da ansiedade e a ansiedade me deixa com medo. Desconto tudo na comida, na bebida e no cigarro. Claro, não posso me entregar a você, então me entrego aos vícios prazerosos que um dia acabarão com minha vida. Eu não ligo. O dia de hoje é mais um dia desses últimos anos em que eu estou vivendo sem você. Não muito bem, talvez apenas sobrevivendo e cumprindo minhas obrigações como  uma cidadã decente.

Eu não sei o que temos. Eu sei que já tivemos alguma coisa. Mas escorreu pela minhas mãos como água. Nosso amor foi sólido durante esses anos, mas acabou rapidamente como um rio escoando para bem longe de mim. Não sei, não. Acho que eu espanto você. Acho que não sou o que você procura e em todos esses anos só agora você descobriu. Não culpo você. A vida é assim mesmo, nós somos assim mesmo. Seres humanos toscos, cheios de indecisões e defeitos.

Toda a minha esperança foi embora no dia que você se foi de vez. Ao longo dos dias em que não vi você voltando, durante aqueles dias vazios e sombrios eu matei a minha esperança. No lugar dela ficou um buraco fundo, parece um poço. Ele se enche de lágrimas quando você me chama de maluca quando eu digo que te amo. Ele, o poço, nunca vai transbordar, derramar e se cansar. Parece que não. Ele tem sede, ele enche e seca. Para logo em seguida encher de novo. Um círculo vicioso miseravelmente baixo, que me faz passar por uma enorme humilhação diante do mundo. Sim, é tudo muito confuso. E mesmo que você passe noites inteiras conversando comigo, você nunca vai conseguir ter noção de tudo o que eu sinto, você nunca vai saber como é esse poço sem fundo, vazio e escuro dentro de mim.

É, eu sei. Pareço chata, às vezes. E sou mesmo. Sou chata. Até eu mesma já enchi de mim. Não suporto mais me ver te amando. Grito mentalmente que não deveria sentir essas coisas que já duram uns dez anos, mas elas insistem em se manter aqui. Enchendo meu saco, me perturbando. Mas eu juro, eu juro mesmo, que não vou mais terceirizar essas coisas e não vou mais passar isso para você. Você não vai mais precisar lidar com isso, eu juro. Você vai mesmo esquecer que eu existo, porque sim, eu vou sumir dos seu campo de visão. Me perdoe. Mas eu não sou maluca. Eu apenas te amo.



Rafaela Valverde


quinta-feira, 30 de março de 2017

Batom II



 Esse texto é um dos produtos da disciplina Criação Literária do curso de Letras da UFBA. Foi modificado algumas vezes e essa é a versão final. Escrito por mim.

Encarava o espelho do banheiro. Solitária. Olhos inchados. Chorara. Divórcio. O marido a deixara pela estagiária. Apaixonara-se. Não podia culpa-lo.  Coisas assim acontecem. A poesia que o atraíra não existia mais. Virara poeta vazia, esquecida. Suspirou. Problemas financeiros. Não voltaria a morar com os pais. Dívidas: prestação do carro e rombo na conta. Todos os problemas vieram de vez. Enxugou as lágrimas que voltavam a cair. Não desistiria agora. Retocou o rímel.  Passou o batom roxo.
          Lá fora, tudo ok. Peixes alimentados, plantas regadas. Saiu pelos fundos. Elevador de serviço. Mais três andares até décimo oitavo, terraço. O sol já estava se pondo. Mesa posta: vinho, flores e velas. Sentou olhando o horizonte, o vento roçava seu rosto. Ensaiou um sorriso.
 O vinho era seco, tomou uma taça. O sol descia rápido. Também queria ir embora. O celular marcava 17:57, desligou. Passara vinte minutos. Acendeu um cigarro. Sem cerimônia, agora bebia no gargalo. Último gole, última tragada. Cigarro no cinzeiro. Cheirou uma rosa e a pôs na garrafa de vinho vazia. Respirou fundo. Olhar parado, oco.
Espelho na mão. Dessa vez, batom vermelho. Levantou, desamarrou o hobby, vestia sua melhor camisola.
Subiu na balaustrada, fechou os olhos e pulou.




Rafaela Valverde


quarta-feira, 29 de março de 2017

Aquele nosso tesão



Eu estou sem me depilar há dias. Esse não é o momento para fazer sexo, mas ele está bem aqui, atrás da porta, no lado de fora, esperando por mim. Eu sei o que vai acontecer se eu abrir. A gente não consegue se desgrudar. É uma atração tão intensa  que às vezes acho que nossos corpos já foram xifópagos em algum momento da história da humanidade.

Nos encontramos sem querer na rua, depois de um tempo sem nos ver, e eu casualmente, respondi que ainda morava no mesmo endereço. É claro que eu sabia que ele viria, mas não tão rápido. Amo e odeio essa agonia que estou sentindo. Fechei os olhos e tentei controlar minha respiração arfante. Virei e abri a porta.

"Oi." Falei sem olhar seus olhos. Ele abriu aquele sorriso e respondeu um "oi" maroto. Olhar safado e sorrisinho de canto de boca. "O que você tá fazendo aqui?" Respondeu: "Posso entrar?" Respirei fundo e me afastei da porta abrindo espaço para ele entrar. "Uau, reformou!"  Revirei os olhos e sorri. "Só uma pinturinha. Quer beber alguma coisa?" 

"Você." Olhei pela primeira vez em seus olhos. Estava tremendo, excitada. "E talvez uma cerveja, sei que sua geladeira é fã de cerveja." Mordi os lábios e fui até a cozinha, que era contígua à sala, separada apenas por um pequeno balcão. Peguei a pequena garrafa de cerveja e entreguei a ele que sentou na mesma poltrona de sempre.

"Você ainda não me disse o que veio fazer aqui."  Ele me olhou tomando um longo gole de cerveja. "Disse sim, eu vim beber você."  Levantei os braços, em sinal de protesto. "Não sei porquê você faz isso." Levantei e sentei de frente em seu colo. O beijo com gosto de cerveja mais gostoso da minha vida. "Estou toda molhada." Sussurrei em seu ouvido. "Eu sei." 

Nos amassamos por ali mesmo. Ele arrancou meu vestido e fiquei só de calcinha. Ele estava ereto e eu estava quase enlouquecendo. É muito tesão! É um tesão que amolece cada fibra e estrutura do meu corpo. E não é só tesão, é paixão. Assim, fica tudo mais apimentado. Passava a língua lentamente pelos meus seios, sem pressa e ao mesmo tempo com um desespero indecente, que não dava para resistir. Revirava meus olhos de prazer, gemendo bem baixinho.

O clima esquentava cada vez mais e eu já estava quase pegando fogo. Quando ele enfiou a mão em minha calcinha. 'Está peludinha, adoro quando está assim." Fiquei um pouco surpresa pois é raro encontrar um homem que goste de pelo. Mas essas críticas aos homens deixarei pra depois. Ele está com dois dedos dentro de mim, fecho o olhos e aproveito o momento para começar a gozar. Ele interrompe, me carrega e me leva para o sofá. Começa a me chupar. Só saímos do apartamento na tarde do dia seguinte. Satisfeitos e sem saber quando nos veríamos novamente.



Rafaela Valverde


quarta-feira, 15 de março de 2017

Batom


Encarava o espelho do banheiro. Olhos inchados. Chorara. Suspirou. Passou o batom roxo. Lá fora, tudo ok.
Peixes alimentados, plantas regadas. Saiu pelos fundos, pegou elevador de serviço. Mais três andares até décimo oitavo, terraço.
O sol já estava  se pondo. Mesa posta: vinho, flores e velas. Sentou olhando o horizonte, sentiu o vento roçar seu rosto e ensaiou um sorriso.
 O vinho era seco, tomou uma taça. O sol descia rápido. Também queria ir embora. O celular marcava 17:57, desligou. Passara vinte minutos, acendeu um cigarro.
Sem cerimônia, agora bebia no gargalo. últimos gole e tragada coincidiram.
Espelho na mão, passou dessa vez batom vermelho. Levantou, desamarrou o hobby, vestia sua melhor camisola.
Subiu na balaustrada, fechou os olhos e pulou.




Rafaela Valverde

terça-feira, 14 de março de 2017

O parque no domingo



Esse texto é um dos produtos da disciplina Criação Literária  do curso de Letras da UFBA, o tema é As moscas.


Era domingo e o parque estava cheio. A  tarde estava agradável e havia crianças por toda parte. Para a gente era dia de trabalho. Em um banco de cimento estava uma família: três crianças sentadas e um casal arrumando a toalha do piquenique. Brincavam, comiam doces e riam. Eram enormes como todos os humanos. Quase sempre matavam alguma de nós, sem querer. Nossos tamanhos eram desproporcionais, mas precisávamos arriscar.

Nos aproximamos timidamente. É injusto. As moscas voam e são bem mais rápidas. Há poucas notícias sobre mortes de moscas, enquanto há um bombardeamento delas em nossa colônia. Nossas amigas são esmagadas diariamente. Lá  estão as moscas, em cima da família, rondando, experimentando. Estão sempre presentes  e incomodam. Saem impunes. São livres. Voam rápido, saltitam, mesmo que sobre o lixo.

Iniciava o massacre. Algumas foram achatadas por pés ou mão desavisados. Nem toda formiga morria, mas em certos momentos quebravam nossas patinhas, impossibilitando nós de transportar a comida. Vivíamos presas ao chão, enquanto as mocas gozavam de inteira liberdade. Raramente alguém consegue atingir uma mosca. Parecendo, para nós, que as moscas são seres cósmicos super poderosos. Além de tudo, livres! Nossa, que inveja das moscas!

Do outro lado do parque, próximo de um carvalho de duzentos anos, vários pombos comiam farelos. Moscas disputavam espaço com as aves. Iam e voltavam da lixeira para comer restos de frutas, hambúrgueres e outros resíduos pútridos.

Duas moscas conversavam:

- As formigas estão de boa! Comem toda a comida fresca, quanto ficamos com naquinhos mal roubados ou lixo. Ainda temos que  fazer esforço para voar tão rápido.

- É, irmã, elas que têm sorte. Olha para lá, caminhando calmamente até a colônia, quanto eu tô aqui com a a asa machucada, voando para comer.

- Ainda temos que ficar aqui perto desses pombos nojentos, eca!

- Vamos, vamos lá para aquele banco. Aquela família tem bastante doce.





Rafaela Valverde

sexta-feira, 3 de março de 2017

Livro Nos Bastidores da Censura - Deonísio Silva


Terminei ontem de ler o livro Nos bastidores da censura: sexualidade, literatura e repressão pós-64 de Deonísio da Silva. É um livro de não ficção publicado pela primeira vez em 1989, ano que eu nasci e cinco anos após o fim da ditadura militar no Brasil. Comprei esse livro por acaso em uma feirinha de livros baratos num shopping. Custou 10 golpínhos e me interessei por ele devido à minha pesquisa na Iniciação Científica que é sobre a escrita feminina nos anos 1970, justamente período da ditadura militar.

Inclusive utilizei duas citações do livro no meu relatório parcial de pesquisa, entregue ao CNPq. Gostei bastante do livro, principalmente no que diz respeito à análise literária  feita de forma crítica e contundente. Não gostei muito das partes que eram descritos os documentos de processos, etc.

Pois bem, o livro trata basicamente da censura do livro Feliz Ano Novo de Rubem Fonseca que havia sido lançado em meados dos anos setenta, no momento em que se autorizava uma abertura, ou distensão durante o regime militar. Há também informações e análises sobre outros livros, mas esse é o principal livro analisado, até porque Rubem processo a união e o ministro que havia autorizado a proibição do livro. Segundo o regime o livre feria "a moral e os bons costumes" e precisava ser retirado dos pontos de vendas.

Ao contrário do que se pensou, a procura pelo livro aumentou e o processo se espalho por anos. Vários argumentos que forma utilizados pelos advogados do autor, são justificados no livro através da crítica literária. Todos os contos do livro são analisados e conforme informações dos censores, eles incitam violência, impunidade e homossexualidade. Alguns fatos são bem curiosos e gostei muito de descobrir. Um dos livros mais baratos e mais úteis que já comprei. 




Rafaela Valverde

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

Na biblioteca


Estávamos ali de novo, nus, no chão da biblioteca da faculdade. Era um setor com poucos livros. Ninguém ia muito para aquele lado, por isso sempre o aproveitávamos. Eram uns livros clássicos e até raros, dicionários de Latim e Grego e até bíblias. Que pecado! Estávamos começando o rala e rola, a coisa ainda estava esquentando. Estava me esfregando nele, num conjunto de sacanagens que é chamado de preliminares, não à toa.

O carpete estava me pinicando, coisa mais estúpida do mundo é carpete. Assim, decidi ficar por cima. Nesse momento vi dois olhos pretos e brilhantes me olhando por detrás dos livros. Me assustei e me desequilibrei, caindo e tombando em uma das estantes que estavam atrás de nós. Por alguns segundos ficamos ali apenas nos olhando, os três. Era uma menina que eu nunca tinha visto na faculdade. Parecia ser caloura. Ela começou a tirar a blusa. Queria entrar na brincadeira. Olhei pra ela com os olhos arregalados, mas não disse nada.

Fiquei parada, mas eles não. Começaram a se beijar e eu ali parada com a cara de tacho olhando. Nunca tinha transado com uma mulher antes, apesar de ter curiosidade. Ela puxou meu braço e me beijou. Bem, não foi tão difícil, nem ruim. Ficava imaginando o resto. Como seria o resto. Nem sabia como funcionava.

O beijo dela era voraz. Ela era bastante fogosa. Que mina estranha, querer transar com um casal desconhecido na biblioteca. Me deixei levar. Acho que a mais estranha era eu. Sua pele era macia,  o hálito refrescante e seu cheiro me deixava louca. Era uma experiência nova. Nós três ali, no escuro, em silêncio. Tateando os corpos que estavam em nossa frente. Tentava  explorar ao máximo aquele momento. E até mesmo o momento que mais temia, o de sentir seu gosto, foi uma delícia.

Nos revesávamos nos momentos de prazer. Que surpresa! Quanta sacanagem ainda era possível naquela faculdade? Aquela dança de corpos continuou por um tempo indefinível. E depois que terminamos, ainda aproveitando o gozo, começamos a rir baixinho, porém em sintonia. Uma sintonia que acabávamos de descobrir.



Rafaela Valverde

domingo, 5 de fevereiro de 2017

Desconhecido do metrô


Estávamos no metrô e o metrô é aquela coisa constrangedora que um senta de frente para o outro e fica se olhando. Trocamos uns olhares e eu fiquei com tesão. Misericórdia! Eu já estava há um tempão sem transar e esse cara é um gostoso. Dava para sentir nitidamente o que estava rolando ali. Ele tem cara de safado. Me lembrei daquele filme Shame, onde há uma cena parecida. Num metrô, à noite.

Não sei se o rapazinho aí tem compulsão sexual, como o personagem do filme, mas eu não tenho. Tenho mesmo é excesso de luxúria no corpo, na mente e na vida. Mas ao contrário da compulsão, isso não chega a atrapalhar minha vida. Pelo contrário!

Levantei para descer na estação seguinte. Realmente havia chegado meu ponto de descida. Que pena. Desviei meu olhar e fiquei olhando para frente. Percebi que ele também levantou. Arregalei os olhos, meu coração batia acelerado. Cada vez mais ia me lembrando do filme e achei até que ele me daria aquela encoxada que rolou no metrô do cinema. Mas ele só ficou lá parado na frente da outra porta do vagão.

Chegamos e eu fiquei lá parada como uma idiota. A estação estava lotada, era horário de pico, as pessoas se esbarravam em mim,  e ele também. O gostoso. Fiquei olhando com uma cara de idiota e ele andou na minha direção. Finalmente. Fiz uma cara de sonsa. Trocamos umas palavras. Fomos andando lado a lado. Nem precisamos falar muita coisa, eu já queria ir com ele "para onde quer que fosse" no momento que eu pus meus olhos nele.

Ele morava num cubículo. Eu estava hesitante e tensa por estar ali na casa de um estranho. Como é possível que eu seja tão louca? Apesar de que não costumo fazer isso. Geralmente  não envolvo casas, a coisa fica mais em motel mesmo, mas dessa vez não pude resistir.

Nos beijamos com uma voracidade absurda enquanto ele tirava a camisa. Tinha músculos fortes e eu estava me enroscando toda nele, aproveitando aquele momento quente. Se desvencilhou de mim e sentou no sofá. Eu sentei por cima dele, já de calcinha. Ficamos ali nos esfregando durante não sei quanto tempo. Ele colocou o dedo em mim e me masturbou durante um tempo, depois chupou. Fiquei enlouquecida com isso.

Transamos ali mesmo no sofá, com fogo, com avidez, com desespero. Parecia que a gente estava com medo do outro sumir, parece que queríamos absorver um ao outro. Gozei e arfando deitei no chão da sala. Eu não estava me importando se estava limpo, eu não estava me importando com nada. Só fiquei ali deitando aproveitando meu torpor pós gozo. É uma loucura ótima essa de pegar desconhecidos no metrô para transar. Transamos a noite toda. Na manhã seguinte eu acordei e olhei para ele, seu nome é Felipe. Em algum momento da noite ele havia me falado. Ele acordou e apenas disse: "Viu? Você tá viva." Com certeza fazia referência à minha hesitação na noite anterior. Recomeçamos.




Rafaela Valverde

segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

Calor e volúpia


A pegação já havia começado no carro. Estávamos numa noite quente de janeiro, essa cidade definitivamente é um inferno. Dá vontade de tirar roupa o tempo todo, e é claro. se eu tiver oportunidade eu não vou me negar a tirar. Sentia que o carro estava quente, mesmo com o ar- condicionado ligado. é que a nossa quentura era maior que qualquer ar artificial de um carro semi -novo.

Minha calcinha estava no tornozelo, a saia na cintura. Eu não sabia onde estávamos, sei que era noite e a rua estava deserta,  Corríamos riscos de assaltos, de sequestro, de várias coisas. Mas nem sei se pensamos nisso. Estávamos ali, nos pegando.

O beijo tinha um gosto bom e eu nem lembrava seu nome. Só tínhamos nos visto duas vezes na balada. Eu precisava dar um jeito de perguntar... Nesse momento eu parei de pensar, não sei como, ele levantou minha perna e começou a me chupar de maneira voraz. Meu pé batia no teto do carro e eu nem lembro mais que sapato estava usando. Geralmente era muito apegada aos meus sapatos, mas naquele dia eu não quis saber.

Gozei em sua boca. Senti meu líquido de prazer escorrendo pela sua boca e ouvi um "vamos subir?" Surpreendentemente rápido levantei a calcinha e baixei a saia. Saí do carro e ele me pegou pela mão. Fomos de escada, era no primeiro andar.

Tive uma grande surpresa quando entrei no seu apartamento. Era arrumado, bem decorado e cheiroso. Ultimamente eu só havia entrado em muquifos bagunçados, não sei como alguns homens não têm vergonha de levar mulheres a suas casas podres... Enfim, a casa desse boy era bem bonitinha, limpinha. Isso aumentou ainda mais o meu tesão.

Tirei a blusa e o joguei sentado no sofá. Queria me esfregar muito naquele "tanque-não tão tanque-assim". E assim a pegação continuou e ele continuou de onde havia parado, a boca na minha buceta. Aquilo estava pegando fogo! Eu que ainda não havia visto ele nu me adiantei e tirei suas calças, retribuindo bem de leve a chupada. Primeiro de leve, depois mais forte e firme. Usei um dos meus truques e ele ficou enlouquecido. Me puxou para cima, enfiando os dedos nas minhas pernas e lambendo. Eu adorava quando faziam isso.

Depois de sentir meu gosto mais uma vez ele me colocou sentada no colo dele. E assim encaixamos perfeitamente bem. E dançamos. Parecia que havíamos ensaiado os passos de dança, uma dança sincronizada e quente. Sensual e gostosa. Gozei e gemi alto. Meus gritos ecoaram pelo apartamento limpo dele. E eu sabia, antes mesmo de terminar, que eu queria mais. Depois que ele saiu de dentro de mim ordenei: "liga o ar condicionado!" Sim, essa cidade é realmente muito quente.



Rafaela Valverde

sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

O último encontro



Eu não costumava usar batom, nem colocar vestido, mas lembro bem que nesse dia pintei a boca de vermelho e coloquei um vestido azul estampado. O vestido que ele mais gostava porque dizia que me deixava mais feminina. Eu só me enfeitava daquele jeito boçal quando ia encontrá-lo. Acho tão ridículo isso de mulher ter que se emperequetar toda, enquanto homem mal faz a barba e passa perfume.

Naquele dia tudo estava diferente, o céu estava límpido, com um azul iluminado; os pássaros voavam alegremente. Tudo estava alegre. Se eu soubesse o que viria dali em diante, eu teria aproveitado mais aquele dia com ele.  Se eu soubesse que seria nosso último encontro, eu teria rido mais das piadas dele, mesmo sendo sem graça. Se eu soubesse que esse era nosso último encontro, teria beijado-lhe o pescoço como ele tanto gostava e se arrepiava.

Aquele fatídico dia me deixa nostálgica até hoje. Não sei porquê alguém não fica com outro alguém que ama. Ainda não entendo, cinco anos depois, como a vida pode ser tão injusta.

Lembro que tomamos vinho branco até eu altear de leve, comemos algum peixe chique e uma sobremesa maravilhosa. Sei também que ele devia ter economizado uma boa grana para pagar aquele jantar. Foi tudo tão gostoso, o clima do restaurante era mágico e estávamos em uma mesa à meia luz. Volta e meia ele pegava minha mão, me olhava com tanta ternura que eu só podia retribuir. Foi um encontro quase surreal. Por que eu não desconfiei que estava bom demais para ser verdade? Por que não passou pela minha cabeça que seria nosso último jantar?

Ele estava muito bonito naquela noite. O cabelo estava com aquele jeito almofadinha que eu não curtia muito, mas a roupa estava bonita, apesar de despretensiosa demais, se tratando dele. Provavelmente não quis parecer muito exibido. Ele adorava se arrumar, sempre vestia roubas bonitas e caras.

Seus olhos brilhavam e eu sorria o tempo todo. No final do jantar fomos para o meu apartamento. Era sempre lá. A casa dele tinha gente demais: mãe, irmãos, sobrinhos...

Estar em seus braços mais uma vez foi especial. Quem dera meu Deus se eu soubesse que seria a derradeira noite a sentir seu cheiro! Mas ainda o guardo em minha memória. Sempre vou guardar seu cheiro, sua voz...

Dois dias depois recebi a notícia que mudou a minha vida e tirou a maioria dos meus sorrisos. Ele havia sido atropelado, um acidente estúpido e rápido, que o tirou de mim. Se por um momento eu tivesse tido um lapso e soubesse que aquele dia seria o último que iria vê-lo, eu o teria amado mais, teria aproveitado mais sua presença, teria olhado mais para ele. Teria demonstrado mais o que sentia. Eu nunca falei que o amava. Que infelicidade, que desgosto! O que fica hoje é saudade, dor e um profundo arrependimento de não ter demonstrado o meu amor.



Rafaela Valverde

sábado, 7 de janeiro de 2017

Do outro lado


Era uma manhã fresca, eu me lembro bem, na cidade onde nasci não temos climas definidos e fica até difícil ter dias frescos, mas aquela manhã estava fresca. Havia chovido durante a madrugada, mas eu só me dei conta de manhã. Lembro que acordei com o toque do telefone, a sala estava escura, por causa das nuvens que encobriam o sol.

Atendi e não era ninguém. Fiquei com o telefone na mão, esperando não sei o quê. Aquela manhã fria se transformaria num dia sombrio, o dia em que a morte veio me buscar. O dia em que eu descobri como era o lado de cá. Quer dizer, mais ou menos, porque eu ainda não sei exatamente como é isso aqui.

Ainda não tive oportunidade de ver tudo. Na verdade eu nem sei ainda se eu posso ver ou andar aqui. Eu nem sei onde estou exatamente, mas espero que não seja no céu. Mas voltando à manhã que fui resgatada pela morte, aquela senhorinha de capuz preto que vocês acham que conhecem por aí. Nessa manhã, senti uma paz que nunca havia sentido na vida, especialmente nos últimos meses,  que eu estive com um tumor no cérebro. Esse tumor se proliferou pelo meu corpo e cá estou eu, no umbral de não sei das quantas.

Eu só tinha 33 anos, a idade de Cristo, que balela! Vocês sabem a porra da idade de Cristo quando morreu? Vocês não sabem nada! Vocês não sabem nem curar um tumor no cérebro. A porra de um tumor no cérebro. Vocês vão saber com quantos anos, Cristo morreu. Me poupe.

Estou aqui me lembrando daquela manhã fria e feia em que morri. E acabo me lembrando de todo o resto da minha vida. Eu passei a adolescência presa em casa, meus pais não me deixavam sair e viver como uma adolescente normal; depois de adulta passei a me acostumar com aquela vida e não queria fazer nada para me divertir. Faculdade, trabalho, casa, um namorico aqui e ali. Nada de mais. Não fiz nada, não tive nada, nenhuma conquista, nenhum amor. Que vida mais vazia! Morri e não valeu a pena ter vivido. E agora de nada adianta ficar aqui me lamentando. 

Só quero mesmo passar essa mensagem para as pessoas que ainda estão na terra. Vivam o mais intensamente que puderem. porque aqui é cinza, gélido e vazio. Aproveitem o calor humano e o calor dos animais também, pois não há isso por aqui. Mas eu estou aqui conformada já, tentando lembrar  a voz da minha mãe. Tchau para vocês.



Rafaela Valverde

quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

Um sonho


Tomei um banho, lavei o cabelo, vesti uma camisa qualquer de time e uma bermuda jeans surrada que era masculina e não era minha, mas estava aqui no meu apartamento. Alguém deve ter deixado ela aí. Não sei, esse apartamento é mesmo uma bagunça. Assim como a dona dele. Não tem como ser mais distraída, bagunceira e preguiçosa do que eu. 

A diarista estava doente essa semana e eu não estava com vontade de arrumar nada e assim a coisa toda foi se acumulando. A louça está na pia há dois dias e eu não tenho vontade de limpar nada. Saí com a minha camisa de time e bermuda masculina, desci para o estacionamento bocejando. Lembrei que passei quase a noite toda na frente do computador trabalhando em um projeto. Cliente exigente e muito dinheiro na parada. A única forma de me fazer deixar de dormir.

Entrei no carro já ajustando a cadeira. Quando emprestava o carro ao George, meu irmão, ele devolvia essa porra assim. O carro todo sujo, ai ai. Eu não gosto do meu carro bagunçado não. Enquanto meu apartamento é aquele nojo. Dizem que isso é uma coisa de homem, então eu devo ser homem. Meu carro tem que estar em ordem. Limpei a bagunça e levei o pequeno saco de lixo até uma lixeira que havia ali.

Entrei no carro e liguei a ignição. Saindo do estacionamento percebi que estava tudo meio diferente. Estava tudo vazio demais e minha rua é bastante movimentada. Havia grama bem verde por todos os lados. Verde abacate, eu odeio essa cor. Mas enfim, fazer o que? Tive que continuar meu trajeto. De repente vi algumas pessoas. Elas andavam bem devagar, sem pressa. Se vestiam de um jeito engraçado. Com uma espécie de capa de pelo animal. As cores mudavam de uma pessoa para outra.

Algumas daquelas pessoas carregavam um ou dois livros e sorriam enquanto caminhavam calmamente. Elas não tinham pressa. Parece que eu estava num lugar onde não existia pressa. Comecei a sentir uma curiosidade, uma euforia. Eram sentimentos bastante diferentes do que eu estava acostumada e eu continuava dirigindo para chegar não sei onde. 

De repente comecei a sentir carícias invisíveis pelo corpo, pelas pernas principalmente. Era bom, não queria que parasse. Tirei as mãos do volante, mesmo sabendo que aquilo era perigoso. Abri o zíper e comecei a me tocar de leve. Há um tempo que não fazia isso. Eu nem achava que ainda tinha algo parecido com tesão em mim. As carícias continuavam e eu também.  Aumentei o ritimo. As pessoas esquisitas sorriam para mim e eu também era uma esquisita agora. Ouvi um grito alto saindo da minha garganta. E gemia. Gemia alto mesmo sem perceber e sem controlar.

Me assustei e acordei sobressaltada dentro do carro parado no estacionamento do prédio. Estava molhada de suor. Não sabia quanto tempo havia se passado. Só sei que eu havia gozado, sonhando, dentro de um carro, no estacionamento do meu prédio. Eu flutuei, eu estive fora de mim. E isso foi maravilhoso. Perder o controle às vezes é bom. Ainda estava excitada e toda molhada. Nem lembrava que era possível fazer isso sozinha. Pelo menos não desse jeito. Uau que delícia.  Tranquei o carro e subi para tomar banho de novo.



Rafaela Valverde
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