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terça-feira, 20 de junho de 2017

Burocracia ou burrocracia no ILUFBA


Cá estou eu cercada de burocracia. Ou seria burrocracia? A UFBA está impregnada desse ranço do século passado. Todos nós alunos da UFBA estamos cercados desse sistema que não ajuda ninguém, em maior ou meno medida. O fato é que perguntei a algumas pessoas e especificamente o Instituto de Letras, onde eu passo maior parte do meus dias aqui dentro é um dos mais burocráticos.

Pois bem, para o colegiado de Letras Vernáculas receber contratos de estágio dos alunos para assinar, os alunos precisam entregar cópias do histórico e comprovante de matrícula. Até aí tudo bem, se não fosse um formulário com assinatura de três professores. Até aí tudo bem, estamos em sala de aula constantemente com os professores, mas há outro problema: eu, por exemplo, estou tendo mais dificuldade em encontrar professores do que eu imaginava. Só tenho aula às segundas, quartas e sextas. Já vou perder a sexta por causa do São João e uma das minhas professoras é estagiária de pós graduação, não pode assinar, tenho que ir atrás do titular. Desde ontem bato nas portas dos gabinetes dos professores sem sucesso. Consegui ontem uma assinatura. Hoje ficarei aqui até à noite para conseguir outra e talvez consiga uma outra a partir das 14 horas de amanhã.

Beleza, entro com o contrato amanhã à tarde. Mas aí, o colegiado exige mais 72 horas de prazo para analisar e assinar o contrato, não adianta vir antes. É no mínimo 72 horas mesmo. Sem conversa. E lhe lá. Com esses três dias úteis para assinar meu contrato eu só consigo pegá-lo na segunda à tarde, talvez terça pela manhã. Tenho prazos para cumprir e estou nessa ladainha desde sexta feira passada, hoje é terça.

Eu não compreendo que sistema é esse, sinceramente. Como assim, eu tenho que provar para a universidade que frequento as aulas? Por que um prazo tão grande para analisar as disciplinas cursadas, carga horária, etc? Não  são todos os alunos do Instituto que solicitam ao mesmo tempo, então não há demandas como essas diariamente. Eu só gostaria de entender, por isso o meu questionamento. Não explicam nada para a gente, a gente só tem que aceitar, mesmo não concordando.

Até porque não se sabe o motivo dessa rigorosa e chata burocracia. Pode ser que já tenham havido problemas no passado, porque as pessoas são corruptas, isso são. Mas será que não há uma preguiça de pensar em outra solução menos burocrática? Será que os próprios alunos não teriam alguma sugestão? Já que é nossa realidade, nosso dia a dia, nosso estágio, nossa correria. O que não pode é continuarmos calados, aceitando esse processo anacrônico, que só faz atrapalhar mais ainda a gente. A burocracia é um dos maiores atrasos desse país. Coisas que podem ser resolvidas em poucas horas levam dias! E temo recursos para isso, humanos e tecnológicos, o que falta mesmo é boa vontade, empatia e usar a cabeça, especialmente nos serviços públicos.


Rafaela Valverde

sexta-feira, 9 de junho de 2017

As maravilhas da leitura


Há unanimidade quando se fala nas vantagens de se cultivar o hábito da leitura. Apesar de o brasileiro ler pouco, houve nos últimos anos, aumento na média de livros lidos.

Canais do youtube trazem indicações de livros de diversos gêneros, clubes de leitura aumentaram consideravelmente no país. Os clubes de leitura são aqueles em que os clientes pagam um valor fixo mensal e recebem todos os meses, também, livros no conforto de suas casas. Assim, mais pessoas podem desfrutar dos inúmeros benefícios da leitura. Acessibilidade é importante, mas, livros ainda continuam bem caros no Brasil.

Porém, para melhorar a comunicação oral e escrita, aumentar o vocabulário, estimular a imaginação, relaxar e aliviar o estresse, entre outros bônus, vale a pena pagar pelos livros. Opções mais baratas seriam os sebos e feiras de livros; gratuitamente também é possível frequentar bibliotecas. Ler é viciante; é um prazer que se estende, transformando -se em mudança de vida. Por exemplo, quem quer escrever, precisa ler de tudo, afim de ampliar o repertório; o estudo, em todos os níveis, perpassam pela leitura, por textos. Ler é uma delícia e faz bem.

Dessa forma, apesar do sensível aumento no número de leitores brasileiros, ainda é possível constatar que o brasileiro não gosta muito de ler. Isso atrasa o país em anos, em relação a outros países do mundo. São necessárias, portanto, ações efetivas na educação, com campanhas de incentivo, exemplos e sobretudo, baixa nos impostos dos livros. Então, assim será possível, talvez, vislumbrar ainda mais leitores no futuro.


Rafaela Valverde

quarta-feira, 31 de maio de 2017

Das 8h às 17h


Nunca me imaginei vestindo um uniforme e trabalhando das oito às dezessete. Assim como nunca me imaginei, nunca trabalhei oito horas na vida. Também nunca tive um salário de mais de três dígitos, pois os salários baixos são mais compatíveis com a carga horária de seis horas por dia. Eu fico tentando entender como será essa rotina, como será a cabeça dessas pessoas que a vivem. Claro que eu tenho minha mãe em casa, mas queria visões de fora sobre perder no mínimo quatro horas por dia só no trânsito - o que é condizente com a realidade do trânsito de Salvador e o tempo gasto parado; depois ainda trabalhar oito, nove horas e ainda passar uma ou duas horas de almoço dentro da empresa, ou nas proximidades. É como se vidas inteiras girassem em torno de empresas, de empregos, de negócios, de lucros. Vejo colegas andando juntos na rua, com os uniformes do trabalho, indo ou voltando do almoço. Sim às vezes escuto as conversas alheias e sei que muito do que conversam se relaciona à empresa ou aos colegas. Penso que é por isso que as pessoas imploram tanto pela chegada da sexta feira, por que ter uma vida que gira em torno de uma atividade laboral deve ser bem extenuante. Eu analisando de fora, vejo que isso é triste, sei lá, não sei bem se é triste a palavra que queria usar. Se eu, só estudando e agora estagiando, às vezes não sobra tempo para estudar imagine então quem trabalha o dia todo e faz uma graduação à noite. Quase não tem tempo de estudar. Deve ser bem puxado e não imagino minha vida girando em torno de nada que não dará lucro a mim mesma. No final do dia as pessoas já saem tão cansadas do trabalho e ainda pegam o trânsito miserável dessa cidade. E no outro dia precisam acordar mais cedo para conseguir chegar no horário, pois também tem trânsito... Eu seria bem infeliz em uma rotina dessa. Não posso chegar aqui e mentir, dizer que é melhor viver refém de uma empresa qualquer do que ficar sem trabalhar formalmente. Sim, porque esse é o discurso da maioria das pessoas que eu conheço e talvez eu seja a maior errada nisso tudo, mas é o que eu penso. Não entendo como as pessoas podem sair desses trabalhos sorrindo, devem ser muito felizes. O resto que sobra das suas vidas deve mesmo ser muito bom para que elas sorriam tanto, porque eu sinceramente não entendo.




Rafaela Valverde

segunda-feira, 24 de abril de 2017

Recife - Erel 2017


Estive esse mês pela primeira vez em Recife Pernambuco. Fui ao Erel - Encontro Regional dos Estudantes de Letras. Fui apresentar pela primeira vez meu trabalho de pesquisa. Tivemos alguns perrengues, eu e meus amigos, em relação ao acampamento e à organização do evento realizado pela UFPE, mas fora isso amamos Recife.

Eu pelo menos gostei bastante. Visitamos Olinda e Porto de Galinhas que são municípios próximos da capital. Essa foto acima é de Recife antiga, Marco Zero. Primeiro lugar que fui. Além de atividades acadêmicas na universidade, turistamos bastante na cidade e região. Tenho que dizer que sempre rola alguma comparação e eu senti inveja de Recife por dois motivos principais, claro que foram só cinco dias que estive lá, então minha análise é superficial. Então, os pontos que tive inveja da cidade foi que Recife conserva seus prédios históricos e consequentemente sua história. Pode ter problemas do tipo mas meus olhos encantados de turista viu poucos prédios mal conservados e nenhum em ruínas e perto de cair.

Como eu disse, pode ser que meus olhos tenham se enganado, mas foi essa a impressão que tive. A segunda inveja de Recife é relacionada à limpeza urbana. Sinceramente, alguém dizer que Salvador é uma cidade limpa deve ser cego. Soteropolitanos são muito mal educados e em a cada canteiro, bueiro e canto da nossa cidade é possível encontrar alguma embalagem de picolé ou garrafa de água. É só sair olhando atentamente os cantos da cidade, que vê fácil, fácil a sujeira de Salvador.

Eu observei os cantos de Recife também. Pouco, pelos poucos dias que passei lá, não é suficiente, mas ainda assim, notei que os cantos entre a rua e meio fio não têm garrafas de água, nem palitos de picolé como aqui na minha amada cidade. Perto da UFPE tem várias barracas de lanches e ponto de ônibus, por ali dá até para ver talvez um papel de bala ou outro que o vento leva, mas é diferente da sujeira que parece que brota do solo de Salvador. Enfim, eu acho que é mais uma questão de educação mesmo, já que o cidadão soteropolitano atira quantidades enormes de lixo pelas janelas dos ônibus e carros. É isso, é só minha impressão sobre alguns fatos que observei na cidade. E fora que Recife já tem BRT que é um tipo de ônibus mais rápido, com pontos específicos e que dizem que há anos que terá em Salvador também. Enfim, amei Recife, Ipojuca que é onde Porto de Galinhas e Olinda.




Rafaela Valverde

quarta-feira, 5 de abril de 2017

Altruísmo


Li essa semana num status de WhatsApp algo sobre altruísmo. Altruísmo é, entre outras coisas, fazer o bem sem esperar nada em troca. A partir desse status comecei a pensar em mim mesma, se eu sou uma pessoa altruísta. Acho que sou, pelo menos pelo fato de não querer nada em troca. Nem vejo como boa ação e sim como minha obrigação mesmo. Gosto de repassar informações, especialmente para quem esteja precisando. Gosto de ajudar as pessoas. Gosto de dar boas notícias, me preocupo com as pessoas.

Há algum tempo notei que sou assim. Me preocupo quando alguém falta durante aulas importantes. Fico tentando imaginar o que pode ter acontecido e se posso ajudar. Já fiz trabalho sozinha, quando era em dupla, mas para ajudar o colega mesmo. Coloquei o nome dele e disse para estudar, que a parte do slide eu fazia. Segurei a apresentação. Ele me agradeceu, mas já aconteceu de outras pessoas não agradecerem e eu não me importo. De verdade, eu nem lembro de todas as coisas que já fiz para ajudar as pessoas. Não fico remoendo isso.

Eu vejo imagens e posts sobre empregos e mando para quem acho que aquela vaga pode interessar. Eu converso com quem precisa, eu sou dessas que acha que as pessoas podem ter oportunidades. Sou dessas que faz coisas de forma automática sem se importar muito com o que pode ou não vir em troca. O mais engraçado é que só pensei nisso essa semana que vi essa imagem com a definição da palavra altruísmo e pensei que talvez com algumas atitudes minhas posso ser considerada altruísta. É claro que não vou dizer aqui. Não acho que devo divulgar. E não falo de assistencialismo ou caridade de dar dinheiro ou cesta básica para alguém. Falo de gentileza, de troca, de coisas que uma pessoa pode fazer por outra. Pequenas coisas, coisas cotidianas. Sim, eu gosto de mim.




Rafaela Valverde

sábado, 25 de março de 2017

Alguém sabe o que é Brasil?


Esse texto é um pequeno ensaio produzido por mim para avaliação da disciplina Literatura Brasileira e a Construção da Nacionalidade do curso de Letras da UFBA.

Para o novo país, havia a necessidade de definição. Nações europeias já estavam aí há muito mais tempo. O Brasil era novo nessa coisa de ser pátria. As pessoas que habitavam o território brasileiro eram diversas já no período radical.
Um país com jeito de continente: como formar uma unidade? Com engendrar traços em comum que tornassem o povo, ou os povos que aqui viviam minimamente homogêneos? Era realmente possível? O fato é que hoje ainda não somos homogêneos, apesar das inúmeras tentativas. Graças a Deus, graças a todos os deuses, já que somos  um estado laico.
O querer ser nação foi inventado pela Europa, é claro. Ainda no século III no período do Império Romano, onde já existia esse tipo de política para impressionar e para dominar. Em Roma havia exército, guerras, corrupção, brigas políticas e dominação de povos. Segundo Ernest Renan, no texto O que é uma nação? foi a invasão germânica ao território românico que introduz no mundo o princípio da nacionalidade. É claro que esse conceito só seria desenvolvido mais tarde; a invasão foi uma base para o que conhecemos hoje. Portugal trouxe-nos de forma bastante contundente, ideias de nacionalidade como bom representante do continente europeu.
Renan escreve ainda que “[...] a essência de uma nação é que todos os indivíduos tenham muitas coisas em comum, e também que todos tenham esquecido coisas”. Dessa forma, para que uma nação seja nação, a maioria das pessoas deve compartilhar nuances de uma mesma cultura e ao mesmo tempo ocultar o que não interessa dessa mesma cultura. Em geral que é esquecido é algo ruim, ou considerado ruim ou ainda algumas culturas produzidas pelas minorias.  Existe uma crença que para o Brasil ser Brasil, se faz necessário que todos falem o mesmo português, gostem de futebol e carnaval, por exemplo. Ao mesmo tempo ser Brasil é estereotipar povos indígenas e pessoas pretas; é esquecer e ocultar escravidão e massacres desses povos; ser Brasil é acreditar piamente no mito da democracia racial, ser Brasil é  ”esquecer” de muitas outras perebas históricas e sociais de um jeitinho escroto regulamentado por nós mesmos.
Não dá para ser homogêneo. Não é possível que exista homogeneidade quando se trata de seres humanos com culturas, subjetividades e individualidades. Somos iguais perante a constituição brasileira e somos tão diferentes. Somos essencialmente distintos, isso não dá para mudar. Essas diferenças vêm de todos os fatores que já sabemos: miscigenação, intercâmbios culturais, etc. Se não há homogeneidade, tampouco é possível definir o “ser brasileiro” apenas por esse jeito de se pensar que é ser brasileiro. Não dá para definir através de futebol, carnaval, língua e novela. Aliás toda essa trama bem conduzida e interligada de que todo brasileiro gosta dessas coisas foi criada politicamente. Isso é óbvio. Como eu disse no início, era necessário vender o novo país ao mundo. E quanto a isso, meu texto é até repetitivo.
Vejamos: somos tão criativos em alguns casos que até o jeitinho brasileiro varia de região para região; duvido que o cara que burla qualquer coisa lá no Sul, burle da mesma forma que burlamos aqui no Nordeste. Nem todos gostamos de futebol, ou entendemos suas regras, como é o meu caso. O carnaval também não é unânime por aqui. Há também heterogeneidades na língua. Com dialetos e sotaques, ela não é igual em nenhum estado brasileiro.
Assim, não dá para definir nacionalidade através desses aspectos. Mas o que é ser brasileiro, afinal? “Uma nação é uma alma, um princípio espiritual.” (RENAM, P. 18) Para ele é invisível, para mim uma mentira. A nação brasileira inventada para satisfazer o resto do mundo é uma falácia.

 O próprio Renam afirmou em seu texto, que é preciso uma boa dose de  esquecimento para formação de nações.  Dessa forma exterminamos a maioria dos nossos índios, matamos pessoas pretas todos os dias. Essas ações, conscientes ou não, ajudam a ocultar o que não queremos em nossa pátria. O lado da história que queremos é o lado narrado pelo homem branco.
Nossa história começou a ser contada, como até hoje é, por homens brancos, europeus, heterossexuais. Histórias ou estórias que narram a grandeza do homem europeu que fez o favor de achar o Brasil e nos salvar dos povos indígenas selvagens que aqui viviam. Obrigada, gente!
A carta de Pero Vaz de Caminha é um dos exemplos da contação dessa estória, sim, para histórias fantasiosas é estória! A lenda do surgimento do Brasil e da nacionalidade brasileira estava esquecida e foi resgatada para ser um símbolo de brasilidade e orgulho da terra maravilhosa em que nascemos, olha que sorte!
O texto Quem foi Pero Vaz de Caminha? De Hans Ulrich Gumbrecht traz informações e reflexões importantes para refutar a carta. Caminha não só esteve aqui por apenas dez dias como também  não se sabe quase nada sobre o homem que primeiro descreveu o Brasil. Há várias outras questões no texto, listo aqui algumas delas: Pero Vaz de Caminha só esteve presente na expedição do “descobrimento” por causa de suas habilidades  para escrever. Portanto, ele já veio com essa função pré- determinada. Ou seja, a carta não foi fruto do fascínio de Caminha pelo país. Não era literatura, era um documento oficial para ser entregue ao rei de Portugal. Um relatório sobre o recém-achado país que serviria para enriquecer ainda mais a corte portuguesa. A carta descreve vários momentos  desses dez dias de convivência com  os índios: as comidas, os rituais. As danças, as relações sociais e os costumes. Tudo meio piegas  e estereotipado. O Brasil é um país rico e perfeito e é aqui que vamos nos estabelecer trazer nossos presos e extrair toda riqueza que for possível.
O texto, tratado até como literário, pode ser considerado o marco inicial dos textos nacionalistas, que montam o Brasil e o brasileiro baseado em conceitos que pretendem vender o país como paraíso tropical, com  um jeitinho malandro e lindas mulheres.
O termo nacionalismo traz uma ideia patriótica intrínseca, mas não é tão fácil definir. Não há um significado só. Nação e nacionalismo são o que querem que a gente pense que é. Para Benedict Anderson: “Nação, nacionalidade, nacionalismo, todos provaram ser de dificílima definição que dirá de análise.” (p.28)
Se Anderson está afirmando isso, quem sou eu para tentar aqui definir qualquer um desses termos. Mais a frente, o autor discute nação como algo inventado, como “uma comunidade política imaginada, [...] limitada e ao mesmo tempo soberana.” (p.22)
Dessa forma, há de se concluir que o Brasil enquanto essa nação alegre, festiva e receptiva, não existe. Não existe porque não existe um só Brasil, mas Brasis. Diversos, multiculturais, que vai além do Brasil que querem mostrar ao mundo. Parece que sempre existiu essa mania de querer difundir um Brasil especial, desde Caminha até hoje.
Especialmente a partir de 1930, quando houve uma mudança política no país, essa imagem articulada de um Brasil malandro e festeiro foi distribuída pelo mundo. Filmes, propagandas políticas, jornais, livros e gêneros literários espalhavam nosso jeito maroto de viver. Todos esses meios convergiam para confirmar a versão de Brasil  que pretendiam espalhar. Nós tínhamos e ainda temos um Brasil encomendado. Drummond, ciente disso, perguntou em seu poema Hino Nacional, se o Brasil existe mesmo e se existem mesmo os brasileiros? Esse Brasil e esses brasileiros encomendados e inventados? É a mesma pergunta que eu me faço.  
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Rafaela Valverde


terça-feira, 7 de março de 2017

Quanto menos sabem, mais falam!


Existem muitas pessoas vazias. A maioria das pessoas não têm nada a oferecer. Só tiram, só sugam. Então, quando a gente é cheia, transbordante, e diferente passa a ser tratada com desdém e indiferença. Digo isso porque passo por isso constantemente. Portanto quem vai desdenhar hoje sou eu.

Gosto de pessoas interessantes. Gosto de conteúdo. Gosto de quem sabe vários assuntos e sabe falar sobre eles. Gosto de pessoas completas, como eu.  Há pessoas, homens e mulheres, que buscam em outras pessoas somente o que eles mesmo podem oferecer: nada. Ou apenas uma aparência vazia, só preenchida com beleza física e olhe lá. 

Essas pessoas não apreciam pessoas e sim aparência; não apreciam a letra, apenas a música; não apreciam a poesia, apenas a prosa barata e ordinária. Algumas mulheres que eu conheço, por exemplo, não se importam se os caras que estão ao lado dela, ou que elas estão querendo "pegar" têm caráter ou conteúdo, não se importam se eles prestam ou não. Contato que sejam gostosinhos, malhados, com barbinhas bem feitas... De preferência devem ter carro e pau grande, mesmo que não saibam usar.

Eu observo muito as pessoas e escuto mulheres valorizando muito tamanho de pau em detrimento de cérebro, conteúdo, bom papo, etc... Poucas pessoas conseguem valorizar gente complexa, que assiste filme de verdade, que  ouve músicas não somente para dançar  e que bate papo sobre política, social, literatura e outros assuntos considerados cabeça.

As pessoas gostam de coisas rasas, porque é mais fácil. É muito mais difícil estudar, ler e ter conteúdo. É muito mais fácil falar de BBB ou se algum novo casal famoso se separou ou vai casar. Ouvir Marília Mendonça num bar, se divertindo dançando é muito mais fácil que ouvir Crioulo e outros raps de protesto, por exemplo. 

É muito mais fácil ser ignorante, não ler nada, não reclamar de nada, ter conversas fúteis. Dá menos trabalho trabalhar o dia todo, a semana toda, sem questionar, pegar engarrafamento e demorar horas para chegar em casa. Tem nada não, no final de semana tem cervejinha e paredão e uma vez ao ano tem carnaval. 

Bem, é esse o meu pequeno desabafo . Eu não estou mais sabendo lidar com esse tipo de gente vazia, que só quer luxo, carro, shows de banda sertaneja e só sabe falar abobrinha. E o pior é que quanto menos sabem, mais falam. Socorro!



Rafaela Valverde

sexta-feira, 3 de março de 2017

Livro Nos Bastidores da Censura - Deonísio Silva


Terminei ontem de ler o livro Nos bastidores da censura: sexualidade, literatura e repressão pós-64 de Deonísio da Silva. É um livro de não ficção publicado pela primeira vez em 1989, ano que eu nasci e cinco anos após o fim da ditadura militar no Brasil. Comprei esse livro por acaso em uma feirinha de livros baratos num shopping. Custou 10 golpínhos e me interessei por ele devido à minha pesquisa na Iniciação Científica que é sobre a escrita feminina nos anos 1970, justamente período da ditadura militar.

Inclusive utilizei duas citações do livro no meu relatório parcial de pesquisa, entregue ao CNPq. Gostei bastante do livro, principalmente no que diz respeito à análise literária  feita de forma crítica e contundente. Não gostei muito das partes que eram descritos os documentos de processos, etc.

Pois bem, o livro trata basicamente da censura do livro Feliz Ano Novo de Rubem Fonseca que havia sido lançado em meados dos anos setenta, no momento em que se autorizava uma abertura, ou distensão durante o regime militar. Há também informações e análises sobre outros livros, mas esse é o principal livro analisado, até porque Rubem processo a união e o ministro que havia autorizado a proibição do livro. Segundo o regime o livre feria "a moral e os bons costumes" e precisava ser retirado dos pontos de vendas.

Ao contrário do que se pensou, a procura pelo livro aumentou e o processo se espalho por anos. Vários argumentos que forma utilizados pelos advogados do autor, são justificados no livro através da crítica literária. Todos os contos do livro são analisados e conforme informações dos censores, eles incitam violência, impunidade e homossexualidade. Alguns fatos são bem curiosos e gostei muito de descobrir. Um dos livros mais baratos e mais úteis que já comprei. 




Rafaela Valverde

terça-feira, 6 de dezembro de 2016

Aloha - Legião urbana



Será que ninguém vê
O caos em que vivemos ?
Os jovens são tão jovens
E fica tudo por isso mesmo
A juventude é rica, a juventude é pobre
A juventude sofre e ninguém parece perceber
Eu tenho um coração
Eu tenho ideais

Eu gosto de cinema
E de coisas naturais
E penso sempre em sexo, oh yeah!
Todo adulto tem inveja dos mais jovens
A juventude está sozinha
Não há ninguém para ajudar
A explicar por que é que o mundo
É este desastre que aí está
Eu não sei, eu não sei

Dizem que eu não sei nada
Dizem que eu não tenho opinião
Me compram, me vendem, me estragam
E é tudo mentira, me deixam na mão
Não me deixam fazer nada
E a culpa é sempre minha, oh yeah!
E meus amigos parecem ter medo

De quem fala o que sentiu
De quem pensa diferente
Nos querem todos iguais
Assim é bem mais fácil nos controlar
E mentir, mentir, mentir
E matar, matar, matar
O que eu tenho de melhor: minha esperança
Que se faça o sacrifício
E cresçam logo as crianças




Rafaela Valverde

Mulheres no buzu


Hoje eu peguei um ônibus para ir à faculdade. Quanto a isso, nada atípico. Atípico mesmo foi me deparar com a gritaria que havia ali. Na frente do ônibus, perto do motorista, havia umas mulheres adultas gritando e gargalhando de manhã cedo. Primeiro: eu não sei por que algumas pessoas são tão felizes, especialmente em dias de semana, às seis da manhã. O povo de Salvador é muito feliz, feliz de mais, feliz à toa, feliz sem motivo. A gente só vive com os dentes abertos e olhe que a cidade fede a mijo e esgoto, imagine se vivêssemos numa cidade com bom aroma!

Em segundo lugar, essa imagem, das moças rindo, nos deixa evidente o quanto somos intolerantes com o o outro. Eu fui intolerante com elas. Eu e as algumas outras pessoas do ônibus. É possível perceber também o quanto somos intolerantes com os mais jovens: se fosse um grupo de estudantes com o mesmo comportamento, todo mundo "cairia matando". Sei disso porque já fui estudante e porque já fiz esse tipo de algazarra dentro do ônibus e fui constantemente rechaçada, junto com os colegas que faziam isso comigo.

A maioria das pessoas não suporta esse tipo de comportamento de adolescentes. Adolescentes fazendo essas coisas é ruim para a imagem, são baderneiros, etc. Mas um monte de "muié véia" pode! Eu acho isso uma vergonha alheia, seja lá quem for. É chato, é feio e incomoda as pessoas. É falta de educação. Mas em Salvador falta de educação é normal, os ônibus dessa cidade além de serem barulhentos, quentes, sujos, ainda são pontos das maiores faltas de educação que eu já vi na minha vida. Sim, por que ainda tem os bonitos, geralmente jovens e estudantes, que não tiram a mochila das costas mesmo o ônibus estando socado.

Nós, baianos somos muito mal educados. Chego, infelizmente a essa conclusão. Mas voltando aos jovens, eu acho que nós jovens adultos e adultos na meia idade somos muito intolerante com os adolescentes. Os meninos são discriminados o tempo todo pela gente. E não podem fazer o que a gente cansava de fazer quando tinha a mesma idade deles. Parece um círculo vicioso, vamos crescendo e ficando ranzinzas, por isso eu repito que se fossem jovens protagonizando uma cena como a de hoje, os adultos do "buzu" ficariam indignados. Por que é um absurdo que esses jovens se comportem dessa forma! Acho até que os meninos estão contidos. Estão tolhendo nossos meninos. Enquanto os adultos viram um monte de retardados.



Rafaela Valverde

sábado, 3 de dezembro de 2016

Mulheres devem segurar suas sacolas sim!!!


Ontem estava no shopping esperando uma amiga e ouvi a seguinte frase de uma mãe falando para o filho: "Você tem que carregar as sacolas porque você é homem. Mulheres não devem carregar nada!" Eu fiquei uns segundo encarando aquela mulher, tentando entendê-la, tentando entender seu argumento. Sem lógica, aliás, já que ela era uma mulher adulta e ele uma criança. Mas o gênero fica acima de ser adulto e criança? Gostaria que alguém me explicasse essa lógica!

Homens não têm que carregar todas as sacolas enquanto as mulheres não carregam nada. Isso é ridículo. Primeiro, homens não são super homens, fortes e poderosos, eles são seres humanos. Seria bom parar de colocar essa imagem para o sexo masculino. É ruim para a gente e ruim para eles, que se vêem obrigados a corresponder a esse estereótipo. E é ruim para a gente porque eles sempre vão ver as mulheres como frágeis e inúteis, que não conseguem nem carregar a sacola das suas compras.

Em segundo lugar, nós mulheres conseguimos e temos plena capacidade de carregar o que for. Temos dois braços, igual aos homens. Somos seres humanos, todos os seres humanos têm braços e eles, os braços, são feitos para isso. Afinal de contas, mulheres que são mães vivem com os meninos para cima e para baixo. Então, apenas parem, mães, de deseducar seus filhos. Eles não merecem isso. As mulheres não merecem isso.

É bem melhor dizer que os homens podem pegar sacolas das mulheres por simples gentileza e educação. E não porque as mulheres não são competentes para carregar, ou não conseguem, não aguentam peso. Eu sempre odiei a frase: "onde tem homem, mulher não trabalha". Passa a imagem que somos seres inúteis diante dos homens. São eles que devem usar força física e precisão. Mulher não, mulher deve ficar sentada esperando que o serviço seja feito. Mulher deve ser delicada. Ah me poupem!

Enquanto esses forem os discursos de mãe de meninos, nada vai mudar. Porém, eu não sei como deter essa reprodução de machismo irrefreado realizado por essas mães. Mas dá uma aflição quando vejo cenas dessas.  E sei que ainda temos muita luta pela frente.


Rafaela Valverde

quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Filme Bem vindo a Marly-Gomont


O filme Bem Vindo a Marly-Gomont é um país francês lançado agora mesmo em 2016 e recentemente chegado ao Netflix. Eu assisti por que foi indicação de uma amiga que me explicou um pouco do filme e fez uma pequena comparação entre o nosso comportamento, baianos, com os africanos.

Daí achei interessante a narrativa que ela fez da história do filme e fui assistir no mesmo dia. A direção é de Julien Rambaldi e o elenco conta com Marc Zinga, Médina Diarra, Aïssa Maïga, Bayron Lebli, entre outros. Confesso que eu não conheço nenhum ator do filme, mas eu gostei do filme e estou aqui indicando para vocês.

O filme traz a história de uma família da região do Congo, cujo o pai é recém formado em medicina. Ele decide então ir para o interior da França para começar a atuar na medicina. Eles já moravam na França e foi nesse país que ele estudou medicina. Um belo dia, em uma breve seleção, o prefeito de um remoto povoado no interior decide contratar o médico negro.

Ele vai com a sua família e são tratados com estranheza ou até com rispidez pelos moradores brancos da localidade. Eles nunca tiveram um morador negro, africano na cidade. Eles nunca tiveram um médico negro. E aí se inicia uma série de  acontecimentos de rejeição e preconceito contra a família. Muita resistência é encontrada pelo médico que tem que se esforçar muito mais para conseguir ganhar a confiança das pessoas e  passar a exercer a medicina. É uma história baseada em fatos reais e vale a pena ver. Recomendo.



Rafaela Valverde

sexta-feira, 30 de setembro de 2016

Avec Elegance - Martha Medeiros

Gente eu amo Martha Medeiros!






Hoje a maioria das pessoas que têm acesso à informação sabe que é peruíce usar uma blusa de paetês às duas da tarde e que é deselegante comparecer a um casamento sem gravata. Costanza Pascolato, Gloria Kalil e Claudia Matarazzo são alguns dos jornalistas especializados em ajudar os outros a não cometerem gafes na hora de se vestir ou de se portar à mesa. Mas existe uma coisa difícil de ser ensinada e que, talvez por isso, esteja cada vez mais rara: a elegância do comportamento.

É um dom que vai muito além do uso correto dos talheres e que abrange bem mais do que dizer um simples obrigado diante de uma gentileza. É a elegância que nos acompanha da primeira hora da manhã até a hora de dormir e que se manifesta nas situações mais prosaicas, quando não há festa alguma nem fotógrafos por perto. É uma elegância desobrigada.

É possível detectá-la nas pessoas que elogiam mais do que criticam. Nas pessoas que escutam mais do que falam. E quando falam, passam longe da fofoca, das pequenas maldades ampliadas no boca a boca.

É possível detectá-la nas pessoas que não usam um tom superior de voz ao se dirigir à empregadas domésticas, garçons ou frentistas. Nas pessoas que evitam assuntos constrangedores porque não sentem prazer em humilhar os outros. É possível detectá-la em pessoas pontuais.

Elegante é quem demonstra interesse por assuntos que desconhece, é quem dá um presente sem data de aniversário por perto, é quem cumpre o que promete e, ao receber uma ligação, não recomenda à secretária que pergunte antes quem está falando e só depois manda dizer se está ou não está.

Oferecer flores é sempre elegante. É elegante não ficar espaçoso demais. É elegante não mudar seu estilo apenas para se adaptar ao de outro. É muito elegante não falar de dinheiro em bate-papos informais. É elegante retribuir carinho e solidariedade.

Sobrenome, jóias e nariz empinado não substituem a elegância do gesto. Não há livro que ensine alguém a ter uma visão generosa do mundo, a estar nele de uma forma não arrogante. Pode-se tentar capturar esta delicadeza natural através da observação, mas tentar imitá-la é improdutivo.


A saída é desenvolver em si mesmo a arte de conviver, que independe de status social: é só pedir licencinha para o nosso lado brucutu, que acha que “com amigo não tem que ter estas frescuras”. Se os amigos não merecem uma certa cordialidade, os inimigos é que não irão um dia desfrutá-la. Educação enferruja por falta de uso. E, detalhe: não é frescura.







Rafaela Valverde

Presidente de mesa pela terceira vez


Serei presidente de mesa mais uma vez esse ano. Claro que a contragosto. Em 2014, nas eleições presidenciais e para governador eu já saí de lá em clima de despedida e agora tenho que ir trabalhar o dia todo sem remuneração. Apesar de ter escrito em um formulário entregue pelos coordenadores e ter escrito em um documento importante da votação, a ata, que não queria trabalhar de novo, eles me convocaram.

Eu acho isso um despotismo e só me resta realmente e infelizmente cumprir essa determinação idiota. E quando acabar vou pessoalmente ao TRE para que retirem meu nome desse suplício. Enfim, em um país bagunçado como é o Brasil, já é um acinte a gente ser obrigado a votar, imagine ser obrigado a trabalhar de graça nas eleições. Um horror.

Agora estou fazendo esse treinamento chato, on line. Eu sou presidente pela terceira vez, mas como há alguns eleitores  com cadastro de biometria esse ano, é necessário fazê- lo novamente. O treinamento é quase uma lavagem cerebral: "estar lá sendo escravo do governo é um ato de cidadania." Tudo é um ato de cidadania. Ah  que porre. Eu gostava de ser mesária, em 2010 quando fui a primeira vez, fui voluntária. Mas cansa, satura. E eu não quero mais. Mas não temos vontade própria nesse país e isso me deixa muito chateada.





Rafaela Valverde

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Livro Santo dia de Lilian Fontes


Terminei de ler o livro Santo dia de Lilian Fontes. Ela é arquiteta e mestra em literatura, mas eu nunca tinha ouvido falar nela e nem nesse livro. Eu o comprei em uma feira de livros em um shopping daqui de Salvador. Ele me custou cinco reais. Comprei em julho e demorei para ler. Me surpreendi com esse livro, achei o bom.

Um livro bem escrito, uma trama instigante e interessante, apesar de poucos os personagens são envolventes. O personagem principal, Joca, acusado de um assassinato bárbaro de uma americana nem aparece. Outras pessoas falam sobre ele, traçando seu perfil e informando a nós leitores que ele pode muito bem matar, ele é capaz disso. Mas nós leitores, ficamos na dúvida sobre isso. Joca é bom ou ruim? Matou ou não matou?

É uma pergunta que não tem resposta, pelo menos não da minha parte. Hahaha! Comprei o livro, não dava nada, mas me surpreendi bastante. A história passa no ano de 1998 quando o Brasil ainda entrava na era da internet e só pessoas muito ricas tinham acesso à tecnologia. Então palavras como disquete, Palm Toch, fax e outras são bastante presentes no livro, mas hoje a gente nem usa mais esses equipamentos! É bom se deparar com essa volta no tempo e olhe que nem tem tanto tempo assim e tudo era tão diferente.

O livro tece várias críticas ao Brasil. À justiça brasileira, a polícia e a sua incompetência. A vida nos morros, a pobreza e a desigualdade social também são retratados como crítica. A polícia e a justiça do Brasil são comparados com a polícia e ajustiça americana quase o tempo todo nos diálogos do livro. Eu não me lembro de já ter lido um livro onde houvesse tantas críticas assim a esse sistema brasileiro. Gostei bastante disso.




Rafaela Valverde

terça-feira, 6 de setembro de 2016

Voto nulo 2016

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Esse ano eu não vou votar em ninguém. Não sei, talvez vote em uma candidata a vereadora que realmente defende, abriga e trabalha pelos animais há anos e não é uma oportunista como muitos por aí. Pois bem, mas ainda assim não decidi se vou votar em alguém. Estou pensando em anular meu voto pela primeira vez. Fiz meu título há mais de dez anos e sempre fiz questão de votar, mas dessa vez é diferente. Estou desesperançada. E quem não está?

A democracia brasileira foi ferida. Não, eu não sou de esquerda, nem de direita. Eu não me rotulo. Eu só defendo a justiça e a democracia. E acho que qualquer pessoa de bom senso deveria defender. Eu acho sim que o governo de Dilma foi um desastre, principalmente nos aspectos político e econômico. O país foi lançado em uma crise que antes havia sido uma "marolinha". Enfim, tenho muitas críticas ao governo, mas acho que assim como diversos outros governos estaduais, municipais e até federais, com seus erros e acertos, chegaram ao fim. Por que só o governo de uma presidenta, uma mulher chega ao fim mesmo sem crime de responsabilidade fiscal? Mesmo sem nenhum crime?

Eu ainda não havia me pronunciado sobre esse assunto aqui, mas é esse o meu posicionamento. Me lembrei de escrever sobre política porque sempre de manhã estou ouvindo o horário político na rádio no caminho da faculdade. Faço questão de ouvir os dez minutos do horário eleitoral gratuito. Sim, gosto de saber como estão as campanhas, quais são as promessas e as mentiras que estão sendo contadas. Sim, porque é isso que eu ouço. Mentiras e ataques aos opositores. Será que não é possível fazer campanhas políticas sem baixaria? Sem atacar o outro? Isso me incomoda bastante e diminui mais ainda a minha vontade de votar.

O da TV eu não vejo, por que em geral não vejo TV, mas sei que é bem bizarro também. E sinceramente, não me interessa! Eu escuto o da rádio porque como vocês já sabem sou ouvinte fã da rádio Metrópole já saio de casa com o fone de ouvido e como são só dez minutos eu escuto para ver o que está ruim, bom ou péssimo;;; Ouço para criticar mesmo. E só consigo sentir que estou sendo enganada. Eu que sou tão desconfiada, como pude confiar em político algum dia na minha vida?

Que me desculpe quem faz campanha, segue, admira ou trabalha com candidatos, mas eles, em sua maioria, não me representam. Há candidato para a prefeitura de Salvador que diz que vai "conversar biblicamente com traficantes para acabar a violência", cara, que idiotia é em que estamos mergulhados? A candidata colocada em segundo lugar repete algumas das mesmas promessas do prefeito quando se elegeu há quatro anos e o prefeito que pleiteia reeleição nem cumpriu algumas dessas promessas... Me poupem! Eu não acredito mais em vocês!





Rafaela Valverde
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sexta-feira, 19 de agosto de 2016

Por que a escola não serve para (quase) nada? Gustavo Ioschpe

Vi esse texto em um livro e gostei bastante dele até por que eu concordo muito com isso e já vi exemplos dos que eram os "cu de ferro da sala" terem apenas se formado em ADM por exemplo em uma faculdade particular dessas normais, enquanto algum outro 'porra louca', classe onde eu me incluo apesar de ainda não estar com uma carreira, muito menos em engenharia, passar em cursos como engenharia em universidade federal. Apesar disso não querer dizer nada, a gente sempre acaba caindo nessa de classificar a pessoa por isso ou por aquilo. Desde quando fazia Pedagogia eu venho me questionando qual o papel da escola , se ela sabe qual é esse papel e se cumpre. Deixo com vocês esse texto que é do ano 2000 mas é cada vez mais atual.

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Por que a escola não serve para (quase) nada?

GUSTAVO IOSCHPE
Colunista da Folha 



Sempre me intrigou o fato de que os melhores alunos terminam não repetindo o sucesso escolar vida afora e, ao mesmo tempo, que as pessoas de grande êxito em suas atividades foram, frequentemente, maus alunos, ou pelo menos nada brilhantes. Não são inquietações que me surgiram agora, mas já na época de estudante.
Nessa mesma época, de estudante secundário, comecei a sentir um profundo incômodo com a vida estudantil. Quando criança, tinha muito prazer em ir ao colégio, em aprender aquelas coisas novas todo dia, em resolver mistérios. A educação é o mecanismo de inserção mais poderoso que há: com ela, penetramos no mundo e nos sentimos participantes da nossa realidade. A grande parede de ignorância que nos barra da compreensão do universo vai aos poucos sendo derrubada.
Mas, em um certo momento, lá pelo fim do primeiro grau, o encantamento se quebrou. Não sei se eu é que perdi a ingenuidade, ou se foi a escola que mudou, mas ficou tudo esquemático, mecânico e completamente broxante. A relação com o professor, que antes era de companheirismo e admiração nessa viagem de descobrimento, virou burocrática e antagonística. Pairava no ar o reconhecimento mútuo de que entrávamos em um teatro, onde mestres e pupilos eram atores secundários e o papel principal ficava a cargo da mediocridade, a se infiltrar e dominar tudo. Ela ditava que o nosso papel ali era de fingidores: o professor fingia estar ensinando e se interessando pela inteligência de seus alunos, e o aluno fingia estar aprendendo e absorvendo conhecimentos que lhe seriam úteis.
No fundo, todos sabiam que grande parte do que se ensinava ali era inútil e desinteressante, mas, enfim, caía no vestibular, então o que é que se havia de fazer, né?
Assim, passei, como todos os meus colegas, anos e anos regurgitando o que diziam os livrinhos que os professores nos indicavam. Líamos grandes livros, falávamos sobre grandes personagens históricos, mas o que ficava eram perguntas sobre o enredo, pedidos de descrição de eventos e causas. Nenhuma elucubração, nenhum desejo de ir além do texto, nenhuma tentativa, enfim, de pensar e imaginar. Qualquer tentativa de dizer algo diferente ou pensar o proibido era (e continua sendo) punida com canetaços vermelhos e notas baixas ou, em casos mais severos, conversinhas com orientadores pedagógicos e coordenadores educacionais (nomes infames para cargos que se resumem aos de carcerários do presídio de almas que é a escola moderna).
Assim, o sistema educacional transformou-se numa máquina produtora de mediocridade e resignação, que vai aos poucos filtrando os inconformistas e deixando-os de lado, rotulando-os como "problemáticos". Matando o espírito questionador, já que qualquer pergunta desafiadora é vista como um desafio à autoridade. Por isso é que os bons alunos não raro têm vida escolar apagada, e os maus alunos se saem bem: fora das paredes da escola, o espírito crítico, a imaginação e a vontade de fazer diferente são fatores indispensáveis ao sucesso.
O que só comprova a impressão de que colégios viraram exatamente aquilo que foram criados para combater: templos da gratificação da mediocridade e da mesquinharia; fortalezas que massacram aquilo que há de espontâneo nos jovens, e os "preparam para a vida", dando-lhes a garantia de sobrevivência que é, ao mesmo tempo, a garantia de uma vida sem saltos, voltas, dúvidas, explosões, entusiasmos, descobertas, angústias e fascínios. Tudo, enfim, que faz com que a vida valha a pena.
P.S. Antes que o tradicional espírito de porco pergunte se me imagino um gênio incompreendido, confesso que passei minha temporada escolar perseguindo notas altas e me empenhando em ser o melhor da classe, mesmo sabendo a falência moral que isso significava. O que só me entristece e envergonha.

01/05/2000



Rafaela Valverde

quarta-feira, 17 de agosto de 2016

A situação da UFBA com os cortes anunciados pelo MEC

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A mera manutenção do teto seria insuficiente
O Ministério da Educação encaminhou proposta de orçamento para as Universidades Federais para a elaboração do Projeto da Lei Orçamentária Anual, PLOA2017. Os valores apresentados implicam significativa redução dos limites em comparação com o orçamento de 2016. Os números podem variar de instituição a instituição, mas acarretam diminuição da ordem de 19% do orçamento de custeio, podendo chegar, em certos casos, a 45% de redução em investimento, ou seja, em obras e em recursos de capital.
 Caso se concretize essa redução orçamentária, a rede de ensino superior público federal pode enfrentar uma crise profunda, capaz de ameaçar-lhe a estabilidade administrativa e a qualidade acadêmica. Nossas instituições estarão impossibilitadas de, na proporção exigida por suas atividades fins e suas respectivas dimensões, propiciar a manutenção regular e adequada de sua infraestrutura e das ações de ensino, pesquisa e extensão, manter e aprofundar políticas de inclusão e assistência aos estudantes em situação de vulnerabilidade, garantir as condições de segurança do patrimônio e da comunidade universitária, honrar ou preservar os contratos atuais de prestação de serviços, prosseguir com o investimento necessário em equipamentos, concluir obras paradas ou em andamento, compensar com seu próprio orçamento cortes que estão sendo praticados por outros órgãos federais, a exemplo, recentemente, de bolsas pelo CNPq e do custeio da pós-graduação pela CAPES.
A Universidade Federal da Bahia, especificamente, pode vir a ser atingida nos seguintes itens:
1.      Recursos para o funcionamento e manutenção (custeio) da UFBA reduzidos em 19% na PLOA 2017 em relação ao ano de 2016, afetando serviços de limpeza, portaria, vigilância, transporte, etc.;
2.      Redução da ordem de 25,4% nos recursos de capital, inviabilizando a continuidade ou a conclusão de obras fundamentais para a Universidade, bem como a reposição de equipamentos de informática, elevadores, entre outros;
3.      Corte proposto no PROEXT-MEC de 49% para a UFBA, restringindo programas de extensão essenciais à formação de profissionais socialmente comprometidos;
4.      Corte de 2,7% em programas de assistência estudantil, que são essenciais e cuja demanda só pode ser crescente em uma universidade como a UFBA, que há 10 anos implantou uma ampla política de cotas e na qual 20% dos estudantes se encontram em situação de vulnerabilidade;
5.      Supressão da rubrica do Programa Mais Médicos, programa vinculado à manutenção dos hospitais universitários e à implantação de novas escolas médicas, visando a superar dificuldades da assistência pública à saúde e do SUS.
Nesse cenário, a regularização orçamentária alcançada pela UFBA ao início de 2016 será comprometida, o que tanto pode descontinuar iniciativas exitosas de nossa história, quanto comprometer nosso futuro como um lugar de realização dos valores universais de produção do conhecimento e de gestão democrática dos interesses públicos relacionados à formação de cidadãos, às ciências e às artes.
A Universidade Federal da Bahia tem hoje uma grande dimensão, com sua população de quase 50 mil pessoas, entre estudantes, docentes, técnicos e terceirizados. Além de polo de ensino, pesquisa e extensão de qualidade, a UFBA teve, no contexto da expansão do ensino superior público, expressivo aumento do número de estudantes de graduação, passando de 24.367 em 2008 para 33.798 em 2015, e de 3.116 para 5.379 estudantes de pós-graduação no mesmo período, tendo sido abertos vinte e nove cursos noturnos de graduação entre 2008 e 2015.
É um fato consabido que, em face dessa grande dimensão e do nosso compromisso com a qualidade acadêmica, o orçamento da UFBA encontra-se bastante defasado. Desse modo, tendo em conta esse aspecto e, ademais, os reajustes contratuais obrigatórios, a própria inflação, a necessidade de recursos para a conclusão de obras inacabadas ou em andamento, além das despesas adicionais decorrentes do funcionamento de novos prédios (a exemplo da recém-inaugurada Biblioteca de Ciências e Tecnologia Omar Catunda), a simples manutenção do atual teto orçamentário já implicaria uma restrição severa para a UFBA. Em sendo assim, se a mera manutenção do teto seria insuficiente, uma redução qualquer é inaceitável.
É verdade que enfrentamos contingenciamentos e cortes nos dois últimos anos. Enquanto estiveram vigentes, tiveram impacto bastante negativo; e a UFBA, com claro sucesso, lutou contra eles. Entretanto, um orçamento diminuído é algo mais grave, pois significa consolidar em lei o que antes fora circunstância adversa. Com isso, contratos de serviços continuados teriam que ser reajustados à disponibilidade orçamentária, o que poderá significar uma redução danosa e indesejável de serviços essenciais, defrontando-nos de modo abrupto e terminante com restrições fiscais talvez inamovíveis e cujo impacto, nesse caso, será de longa duração.
Há, porém, tempo hábil para reverter esse grave equívoco. A Reitoria da UFBA vem assim apelar aos parlamentares que vão examinar e decidir sobre essa matéria; vem apelar, em especial, aos parlamentares da bancada baiana, que tão bem conhecem a UFBA e as demais instituições federais de ensino do nosso Estado, de modo que, sensíveis à importância estratégica das universidades públicas, não permitam o comprometimento de conquistas da sociedade brasileira, nem que sejamos compelidos a soluções que atinjam os próprios fundamentos de nossa estrutura acadêmica e o cumprimento de nossa missão.
Nossa sociedade tem o dever de escapar às premissas desse dilema. Afinal, nossas instituições não podem ser constrangidas a fazer cortes que lhes sacrifiquem a qualidade ou lhes comprometam obrigações, nem devem ser levadas, à força, a saídas que maculem suas notas características mais essenciais, contidas no compromisso do Estado brasileiro com o ensino superior público, gratuito, inclusivo e de elevada qualidade.
Reitoria da Universidade Federal da Bahia


Obs: Recebi esse texto por e-mail. Uma professora quem mandou. Nossa situação política não é fácil e a atual conjuntura exige reivindicação e luta, mas confesso que em alguns casos não sabemos como lutar. É revoltante! FORA TEMER! AÍ NÃO É O SEU LUGAR! Espero que tenhamos um futuro melhor, viu?

Rafaela Valverde

quinta-feira, 21 de julho de 2016

Enel 2016 em Brasília

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Gente eu estou numa correria terrível e estarei viajando no sábado de manhã para Brasília para participar do ENEL 2016 na UNB. Só estarei em Salvador no domingo dia 31/07. Portanto ficarei ausente do blog por esses dias. Mas em breve volto com textos voltados para a área de Letras, Literatura, cabelo e as novidades da viagem. Bem é isso. Um até logo!




Rafaela Valverde

terça-feira, 19 de julho de 2016

Reflexões de passarela

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As pessoas vivem com pressa e pior que paradoxalmente reclamam que o tempo está voando. Os anos voam, envelhece se rápido. Ruas movimentadas são atravessadas destemidamente, tudo pela vontade de chegar mais rápido ou pela impaciência. E eu penso imediatamente no quanto a vida é valiosa. Ela não merece que nós arrisquemos tanto por tão pouco. Só para chegar uns minutinhos antes?

De cima da passarela eu observo, eu penso. É um turbilhão de ideias que vêm tão rapidamente e a pessoa continua lá esperando os carros pararem de passar para ela atravessar a rua. "Mas como assim, você já poderia ter vindo pela passarela, seu jumento!" Daí eu não entendo muito bem o raciocínio dessas pessoas e sigo meu caminho com a minha mente demente apostando corrida mentalmente com aquela pessoa otária que tem síndromes suicidas em plenas avenidas movimentadas de Salvador.

O que vale aqueles momentinhos economizados atravessando uma avenida ao invés de simples e seguramente atravessar pela passarela? O trabalho? Almoço? O crush esperando? Uma entrevista de emprego? Uma aula? Prova? O que é mais importante do que apenas não virar mingau de baixo de um ônibus ou de um caminhão? Bem, eu não entendo e nunca vou entender. Vou continuar passando pela passarela, sem me importar se estarei sendo chamada de abestalhada como se diz por aqui.

Mesmo tendo medo de passarela. Bem, eu ainda não decidi se é medo de passarela mesmo ou se é medo de altura. Só sei que não gosto. Não ando nas extremidades, de jeito nenhum. Somente no meio. E correndo. Quando dá. Passarelas são equipamentos muito caros para a cidade e são muito úteis e inteligentes, então por que eu vou seguir uma lógica primitiva de atravessar uma rua ou avenida movimentada? Para refletir!



Rafaela Valverde
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