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sexta-feira, 22 de junho de 2018

Escola ultrapassada

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A educação  como está organizada hoje é a mesma que foi organizada há séculos. E a maior representante disso é a escola. A escola está velha. Não se aprende mais com a escola do jeito que é. Hoje as pessoas precisam de novos conhecimentos, novos formatos, novas estruturas e não somente do mais do mesmo. Pode até ter um pouco de mais do mesmo, mais é mais do mesmo demais e ninguém aprende nada, só conteúdos para passar no vestibular - ou memoriza - e olhe lá.

Há muitos e muitos anos a estrutura dos currículos escolares é a mesma. Só aprendemos conteúdos, repetições e mantras, sem pensar, sem raciocinar, sem criticar. Sim, nas escolas particulares também. Vejo algumas escolas particulares como fábricas de "passantes" no vestibular e nada mais.  Os outdoors espalhados pela cidade com "fulaninho aprovado em medicina na Ufba", "cicraninho aprovado em primeiro lugar sei lá onde..." estão aí para comprovar isso.

A estrutura e a forma como a escola funciona data do tempo dos nossos avós. Meus avós estudaram assim: fileiras, ordem alfabética, silêncio absoluto na sala, memorização, o professor lá na frente sendo o centro do saber e todos os bláblablás que conhecemos. O foco ainda está no que o professor sabe e em como ele vai transmitir para seus alunos - que são como o nome já diz a-lunos - sem luz. Tábulas rasas que precisam ser preenchidos com o saber do professor. O processo de ensino aprendizagem não é considerado e sim a passação de conteúdos meramente ilustrativos, distantes do cotidiano dos estudantes e pouco interessantes.

O que o aluno já sabe e pode vir a contribuir não é importante e não pode ser considerado. Esse aluno não é protagonista do seu próprio conhecimento, ele não desperta para determinado saber, através da mediação do professor. Não na escola que ainda temos hoje. Nessa escola, o aluno se cala, senta ereto, sem se mexer ou olhar para trás e ouve. E escreve. Coisas fragmentadas, descontextualizadas e que na maioria dos casos ele não sabe para que serve.

O sistema não permite. A burocracia não permite. Há muitos entraves para que a escola melhore, cresça, evolua e assim ela segue, com preguiça de sair da zona de conforto e se transformar. Mas também quem está no poder não tem nenhum interesse que a escola mude e vire um ambiente de formação crítica. Ainda temos uma educação e escolas tecnicistas, idiotizantes, desinteressantes e incapacitantes no sentido  de fazer os meninos acharem que o problema está neles, que eles não conseguem aprender e que são burros, essas coisas que sempre escutamos.

O que eu penso é que algo tem que mudar. Do jeito que está não está satisfatória. Então seria interessante mudar, não? Acredito que a responsabilidade também não pode estar sempre na mão dos professores. Existe algo maior, como eu já disse acima, o sistema, o poder. Não há interesse em mudar nada na escola no que se refere a isso, por parte do MEC por exemplo. O que vemos são um bando de reformas remendando o que já está esfarrapada há muitos anos.

Acredito que é daí que vem a mudança, mas não a partir deles e sim de nós que estamos aqui embaixo, lutando pela educação. Nenhuma luta que gerou mudanças ocorreu de cima para baixo e sim ao contrário. Por que não trazer elementos sociais, coisas que estão acontecendo nas comunidades em que eles estão inseridos para iniciar as aulas? Por que não conversar, saber dos meninos o que eles fazem quando estão fora da escola? Por que não deixar que eles sentem à vontade e conversem troquem questões entre si? Por que não aproveitar a conversa deles para iniciar a aula? Por que ficar somente dentro da sala de aula? Por quê? São tantos porquês. Não tenho resposta para eles todos, mas teremos que caminhar e trabalhar para termos. Por uma escola mais crítica! Por uma educação que faça pensar e realmente seja transformadora!



Rafaela Valverde


Desperdício de papel, desperdício de tudo...

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Como nós gastamos papel. Como nós destruímos recursos da natureza por causa de besteira. Semana passada fiz provas de duas disciplinas na faculdade, as duas do mesmo professor. Cada prova tinha mais ou menos quatro, cinco páginas, folhas de papel de ofício, fora o papel pautado para respostas. Eram provas com muitos textos, entendo, mas a quantidade de papel gasta nas duas turmas foi absurda, na minha opinião.

E não só na universidade. Estive no banco ontem e saí de lá com duas folhas de papel. As informações contidas ali poderiam estar em apenas uma folha, mas por praticidade ou talvez até por vergonha de soar como pãodurice ou amadorismo, sei lá. O fato é que gasta-se muito papel, seja em empresas, escolas, hospitais, residências...  Eu tento reutilizar o máximo que eu posso para fazer rascunhos, mas não dá conta, sabe? Gasta-se muito mais do que o que tenta aproveitar.

Eu detesto qualquer tipo de desperdício. Porém confesso que sou um pouco chata em relação a coisas de cozinha: paninhos, esponjas, essas coisas, troco logo, mas em relação a todo o resto tento ser mais sustentável possível. Inclusive uso tudo até seu limite de vida útil. Ou seja, só compro celular, roupas, canetas, etc., quando os que estou usando se deterioram. Isso se chama pobreza também, viu gente? Então, como nem de longe, sou rica, vejo como necessidade usar tudo ao máximo. Meus cadernos são todos utilizados, até o final. E quando não uso mais para o semestre eu reciclo ou vou usando as folhas para algumas coisas.

Enfim, queria somente discutir um pouco essa questão do  desperdício. Toquei no assunto do papel porque é o mais observável para mim, porém, sei que desperdiçamos muito mais, principalmente água e comida, enquanto tem gente que vive diariamente em racionamento. Pretendo também levantar a consciência de cada um. O quanto você tem desperdiçado? Quanto lixo você gera por dia? Você tenta reciclar os papéis utilizados como rascunho? Pense e repense no que estamos fazendo, gastando coisas sem necessidade, destruindo sem necessidade.



Rafaela Valverde

quinta-feira, 21 de junho de 2018

Como bancos tratam pobres que devem

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Essa semana, na terça feira, fui a um banco abrir uma conta para receber minha bolsa do estágio. Conto que é para a bolsa por que eu nunca abriria uma conta do nada e para nada, principalmente no banco que foi. Pois bem, cheguei lá alguns minutos da agência abrir e fiquei esperando na porta. É uma agênia bem vazia - por isso fui lá - e tinha pouca gente. Só eu para abertura de contas. Uma fila de funcionárias do banco nos esperavam na entrada, sorridentes e dando bom dia.

Disse que era para abrir conta e me mandaram sentar em uma cadeira lá para esperar. Todas ainda muito sorridentes. O atendimento começou com uma atendente ainda bastante sorridente e solícita, até ela verificar que eu possuo restrições no SPC e Cerasa, blá-blá-blá. A mulher nem conseguiu disfarçar a mudança no semblante dela. Claro que ela queria me empurrar goela abaixo produtos e serviços como seguros e capitalizações, etc. Daí, quando ela viu que não conseguiria fazer isso, porque não poderia e porque eu estava com uma declaração da prefeitura para abrir a conta , portanto seria obrigatório para ela abrir, ela ficou chateada, sem comissão, coitadinha.

Eu ria por dentro. É um absurdo o nível de mercenarismo desses bancos, sendo que existe um convênio com a prefeitura, convênio esse que com certeza tem dinheiro envolvido no meio, claro. É absurdo também o nível de preconceito e discriminação que instituições bancárias têm com pobres, assalariados (ou no meu caso, estagiários), da periferia e devedores. O atendimento seguiu seco, diferente do que eu imaginei quando entrei na agência e depois de alguns minutos saí feliz com minha conta aberta. E ela ficou lá, espero que o humor dela tenha melhorado ao longo do dia.

O que quero discutir aqui um pouco é justamente sobre essa questão da aparência - não preciso nem dizer que fui bem simples, né? Quero falar também sobre a importância que as pessoas dão para coisas mesquinhas, coisas que não têm importância. O jogo de interesses que há no comércio, nos serviços bancários e no capitalismo como um todo, de só vou atender você bem se houver alguma contrapartida. Só vou te oferecer um sorriso se a minha comissão for boa. Não vou te atender bem porque é minha obrigação, mas sim se ganhar algo em troca. Está difícil viver nesse mundo. Está cada vez mais mesquinho, o mundo. E isso acaba obrigando certas pessoas a fingirem ser o que não são para alimentar o sistema e para se encaixar em padrões e finalmente ser bem atendido, ser bem recebido e receber um sorriso. Bem, é isso...



Rafaela Valverde

segunda-feira, 18 de junho de 2018

Ainda Assim Eu Me Levanto - Maya Angelou


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Precisamos conhecer poetas e poetisas negros!!!

Você pode me riscar da História
Com mentiras lançadas ao ar.
Pode me jogar contra o chão de terra,
Mas ainda assim, como a poeira, eu vou me levantar.

Minha presença o incomoda?
Por que meu brilho o intimida?
Porque eu caminho como quem possui
Riquezas dignas do grego Midas.

Como a lua e como o sol no céu,
Com a certeza da onda no mar,
Como a esperança emergindo na desgraça,
Assim eu vou me levantar.

Você não queria me ver quebrada?
Cabeça curvada e olhos para o chão?
Ombros caídos como as lágrimas,
Minh’alma enfraquecida pela solidão?

Meu orgulho o ofende?
Tenho certeza que sim
Porque eu rio como quem possui
Ouros escondidos em mim.

Pode me atirar palavras afiadas,
Dilacerar-me com seu olhar,
Você pode me matar em nome do ódio,
Mas ainda assim, como o ar, eu vou me levantar.

Minha sensualidade incomoda?
Será que você se pergunta
Porquê eu danço como se tivesse
Um diamante onde as coxas se juntam?

Da favela, da humilhação imposta pela cor
Eu me levanto
De um passado enraizado na dor
Eu me levanto
Sou um oceano negro, profundo na fé,
Crescendo e expandindo-se como a maré.

Deixando para trás noites de terror e atrocidade
Eu me levanto
Em direção a um novo dia de intensa claridade
Eu me levanto
Trazendo comigo o dom de meus antepassados,
Eu carrego o sonho e a esperança do homem escravizado.
E assim, eu me levanto
Eu me levanto
Eu me levanto.


Original em inglês: Still I Rise
Tradução de Mauro Catopodis



Rafaela Valverde

terça-feira, 12 de junho de 2018

A igreja deve estar sim conectada ao contexto social e político

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Eu tinha uma visão bem diferente de igrejas, sobretudo as protestantes. Em vários sentidos. Pois hoje estou tendo a oportunidade de mudar minha visão, sobretudo no que se refere à questão que vou levantar agora: a igreja deve estar conectada com o contexto social e cultural em que está inserido. Sim! Não podemos ser e ter uma igreja alienada, distante das pessoas e distante da comunidade e da sociedade.

Pois bem, no último domingo estava na igreja, em um culto de missões, e este foi contextualizado  com dados estatísticos da Secretaria de Segurança Pública do estado da Bahia em relação aos casos de assassinato em nosso estado em apenas um final de semana. Dados foram dados com detalhes e discutidos aliados ao tema de missões e versículos bíblicos.

Em vários outros momentos, foram trazidas ideias e questões sobre a situação atual do nosso país. Vamos mal econômica, social e politicamente. E isso não deve estar de fora de nenhum ambiente. Devemos discutir essas questões. A corrupção também foi pauta do culto e de nossas orações. Críticas à política partidária e aos políticos que se aproveitam das igrejas para angariarem votos, ou ainda aqueles que são honestos mas não conseguem ser eleitos.

O pastor nos perguntou em quem tínhamos votado há quatro anos. Se ainda nos lembrávamos. E que éramos responsáveis por tudo que acontecer a nossa nação, pois não sabemos escolher, não sabemos votar com discernimento e inteligência. Foi ressaltado também que Deus nos deu inteligência, capacidade de escolha e livre arbítrio. E na verdade temos escolhido e agido muito mal. Além de votarmos mal, ainda por cima não queremos nem ouvir falar em política com nossa eterna preguicite aguda. Sobretudo, de pensar.

Achei importante a igreja trazer essa reflexão. Fazendo associações, relacionando fatos e ideias. Isso é bastante inteligente. Eu tinha uma visão muito distorcida, como já disse. Eu achava que crente era burro, que só lia a bíblia e nada mais. Achava que crente não tinha capacidade de falar nada que não fosse suas crenças e julgamentos da vida alheia. Mas estou mudando meus pontos de vista e sou dessas que lê, estuda e procura se informar, além disso, procura votar e agir. Além de me interessar por política. Até porque se a gente, pessoas boas, não nos importamos com política, acabamos deixando nas mãos de pessoas más. Isso, igreja! Esteja sim envolvida em causas sociais e políticas, porque sabendo podemos argumentar e argumentando podemos cumprir nossas obras.



Rafaela Valverde

sábado, 28 de abril de 2018

O Direito das Crianças – Ruth Rocha

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Toda criança no mundo
Deve ser bem protegida
Contra os rigores do tempo
Contra os rigores da vida.

Criança tem que ter nome
Criança tem que ter lar
Ter saúde e não ter fome
Ter segurança e estudar.

Não é questão de querer
Nem questão de concordar
Os diretos das crianças
Todos têm de respeitar.

Tem direito à atenção
Direito de não ter medos
Direito a livros e a pão
Direito de ter brinquedos.

Mas criança também tem
O direito de sorrir.
Correr na beira do mar,
Ter lápis de colorir…

Ver uma estrela cadente,
Filme que tenha robô,
Ganhar um lindo presente,
Ouvir histórias do avô.

Descer do escorregador,
Fazer bolha de sabão,
Sorvete, se faz calor,
Brincar de adivinhação.

Morango com chantilly,
Ver mágico de cartola,
O canto do bem-te-vi,
Bola, bola,bola, bola!

Lamber fundo da panela
Ser tratada com afeição
Ser alegre e tagarela
Poder também dizer não!

Carrinho, jogos, bonecas,
Montar um jogo de armar,
Amarelinha, petecas,
E uma corda de pular.




Rafaela Valverde

domingo, 18 de março de 2018

EPITÁFIO PARA O SÉCULO XX – AFFONSO ROMANO DE SANT’ANNA

 Olha que poema atual. Escrito em 1997 podia ter sido escrito agora em 2018. Afonso sempre escreveu poemas com temáticas sociais, especialmente durante o período da ditadura. Gostei muito desse quando li.


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Afonso Romano de Sant'anna

1.
Aqui jaz um século
onde houve duas ou três guerras
mundiais e milhares
de outras pequenas
e igualmente bestiais.

2.
Aqui jaz um século
onde se acreditou
que estar à esquerda
ou à direita
eram questões centrais.

3.
Aqui jaz um século
que quase se esvaiu
na nuvem atômica.
Salvaram-no o acaso
e os pacifistas
com sua homeopática
atitude
-nux vômica.




Rafaela Valverde

quarta-feira, 14 de março de 2018

Lixo nosso de cada dia

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Já parou pra pensar quanto lixo a gente gera por dia? Já observou isso? Da hora que acordo até a hora que vou dormir quanto dejeto eu descarto no planeta? Não? Nunca pensou? Eu, às vezes, contabilizo mentalmente o lixo que vou gerando ao longo do dia. Papel higiênico, papéis de bala, embalagens de biscoito, caixa de suco, guardanapo, pacote de leite e café... É muita coisa. É muito entulho gerado pelo ser humano há anos, especialmente desde o surgimento do plástico...

Me pego pensando às vezes se só eu penso nisso. Tenho a impressão que ninguém se importa. Agora,vocês imagem, com a quantidade de pessoas que temos no planeta e cada vez nascem mais e mesmo aquelas que morrem os lixos gerados por elas levam anos para se decompor. Imaginem o que está virando nossa esfera, nosso habitat.

O que vamos fazer com tanto lixo? A reciclagem não é suficiente ainda para tanto lixo que geramos diariamente. Muitas vezes nem pensamos nisso. Cada pequena embalagem que é gerada a partir de uma bala ou um picolé que compramos na rua. Cada entulho, por menos que seja, causado por nós, é  prejudicial para o planeta e até mesmo para nossa convivência diária, pois reparem que ruas sujas. com muito lixo jogado por nós, soam como ambientes desagradáveis  e são mesmo.

Já há algumas tendências e tentativas de se produzir menos lixo individualmente. Até já vi alguns vídeos na internet sobre o assunto, mas o que temos feito para que isso realmente ocorra? Temos economizado em copos descartáveis quando vamos beber água? Por exemplo, se você for beber água pela manhã e pela tarde ou a cada uma hora você pega outro copo descartável ou você tem uma garrafa ou copo próprio? Existe essa preocupação? E o tanto de papel que é gerado especialmente em empresas? Trabalho em uma empresa que não tem nenhum cuidado com o tanto de papel que produz. É tanto documento impresso desnecessariamente. Podemos reaproveitar coisas, mas por motivos diversos não o fazemos. Até papel de rascunho pode ser feito com esses papéis, mas em muitos casos ou quase todos são simplesmente descartados. Como repensar essas questões e simplesmente fazer a diferença? É possível ? Acredito que passa pela educação e por conscientização mesmo. Mas não conscientização por algo que está longe de nós e sim devemos trazer para perto da gente para que nossas ações possam realmente ter algum sentido. Olha, eu tento, mas em alguns casos é bem difícil, até porque dependemos de outras pessoas, empresas e setores para fazer nossa parte.




Rafaela Valverde

terça-feira, 28 de novembro de 2017

A rosa de Hiroshima - Vinícius de Moraes

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Pensem nas crianças
Mudas telepáticas
Pensem nas meninas
Cegas inexatas
Pensem nas mulheres
Rotas alteradas
Pensem nas feridas
Como rosas cálidas
Mas oh não se esqueçam
Da rosa da rosa
Da rosa de Hiroxima
A rosa hereditária
A rosa radioativa
Estúpida e inválida
A rosa com cirrose
A antirrosa atômica
Sem cor sem perfume
Sem rosa sem nada.



Rafaela Valverde

quinta-feira, 16 de novembro de 2017

Verbos sem ações, ações sem efeitos

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Eu sei que nada vai dar em nada. Nada que eu fizer, reclamações, denúncias, chiliques vão ser suficientes para resolver as coisas. No nível em que estamos nãos sei se ainda adianta bradar, gritar, questionar... Está tudo tão parado que só dá vontade de ficar parado também.

Antes, eu achava que podia mudar coisas, talvez não o mundo, porque ele já está assim há muito tempo e a coisa não é boa. Não mesmo. Quando ainda insisto em reclamar ou questionar algo que está bem ruim, recebo mensagens genéricas, mais trazendo discursos de como eles deveriam agir do que resposta e efetivas soluções para o que foi questionado.

Dá um cansaço, um desânimo, uma preguiça... A gente se sente desmotivada a continuar acreditando que possa ainda existir algum tipo de solução para o que quer que seja. Esquece, deixa como está. Não adianta ficar se  envolvendo nessas coisas... São coisas que ouço. Especialmente das pessoas mais velhas, que claro, já estão por aqui há mais tempo e sabem que não vai dar em nada... É provável que já tenham sentido na própria pele, a dor da decepção de que sua voz não vale de nada.

O gosto é amargo, azedo e injusto. Não existe coisa pior que receber respostas genéricas, que não levam a lugar nenhum. Não existe coisa pior do que ter seu grito abafado, gritar mudo. Grito único, pessoa sozinha, berrando à toa por coisas que nunca vão mudar. É frustrante. Dá uma tristeza, um súbito malquerer toma conta da gente. Dá vontade de sumir. E sabe por quê? Não apenas por uma resposta, mas por todo o conjunto. Tudo vai mal. Aliás, pode não ir totalmente mal, mas anda bem capenga. Tudo está sendo feito em vão. O que pode fazer com que eu pare de gritar, de falar, de reclamar, de orar, de pedir, de agradecer, de acreditar... Verbos ocos, esses. Ninguém mais acredita, Eu não mais acredito nas reais ações desses verbos.



Rafaela Valverde

sábado, 7 de outubro de 2017

Mulheres, escrevam!

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Mulheres, escrevam. Se vocês têm o que dizer e querem fazê-lo escrevendo, façam isso. Hoje nós podemos, graças a muita luta. Mesmo em tempos conservadores como os nossos, estamos tendo mais espaço. Podemos falar por nós mesmas, ao invés de homens falarem. Temos voz. Temos inteligência e capacidade de escrever, de nos construir enquanto mulheres que escrevem enquanto fazem todas as outras atividades da vida cotidiana.

Eu sempre digo que escrever é um ato político. E é. Não se pode imaginar escrever de forma isenta e nem é possível. Sempre haverá um partido a ser tomado. Um ponto de vista a ser defendido. Escrever não é e não pode ser um ato mecânico, automático. Não. Escrever com consciência do ato de escrever. Escrever sabendo as implicações do ato. Escrever bem atenta. Essas devem ser nossas ações.

Mulheres, todas nós, que temos poesia em nós e sabemos disso devemos externá-la. Quanto mais mulheres atuando no mundo da escrita melhor para todas as outras mulheres. Assim, geraremos mais questões sobre nós mesmas;  aumentaremos o número de nós falando sobre nós mesmas. Tomaremos nosso lugar de fala, nossa voz. É muito importante ter voz. Já falaram muito por nós. Já disseram por muito tempo o que tínhamos que fazer e se tínhamos que fazer.

Escrever é registrar nosso eu livre, que está livre há tão pouco tempo. Não podemos nos calar. Sinto que é nossa obrigação moral escrever para que outras mulheres nos leiam. Para que nossas próximas gerações nos leiam. A luta ainda é grande, mas ainda seremos o que nossos filhos estudarão nas escolas daqui há algumas gerações. Estaremos registradas, para sempre. Não seremos poucas, porém ilustres, não seremos Clarices, Cecílias, Hildas... Poucas e ilustres em meio a um mundo predominantemente masculino. Seremos muitas e ilustres. Seremos nós por nós mesmas. Seremos cânones. Seremos autoras de nós mesmas, de nossas próprias histórias. Mulheres, escrevam!


Rafaela Valverde

terça-feira, 20 de junho de 2017

Burocracia ou burrocracia no ILUFBA


Cá estou eu cercada de burocracia. Ou seria burrocracia? A UFBA está impregnada desse ranço do século passado. Todos nós alunos da UFBA estamos cercados desse sistema que não ajuda ninguém, em maior ou meno medida. O fato é que perguntei a algumas pessoas e especificamente o Instituto de Letras, onde eu passo maior parte do meus dias aqui dentro é um dos mais burocráticos.

Pois bem, para o colegiado de Letras Vernáculas receber contratos de estágio dos alunos para assinar, os alunos precisam entregar cópias do histórico e comprovante de matrícula. Até aí tudo bem, se não fosse um formulário com assinatura de três professores. Até aí tudo bem, estamos em sala de aula constantemente com os professores, mas há outro problema: eu, por exemplo, estou tendo mais dificuldade em encontrar professores do que eu imaginava. Só tenho aula às segundas, quartas e sextas. Já vou perder a sexta por causa do São João e uma das minhas professoras é estagiária de pós graduação, não pode assinar, tenho que ir atrás do titular. Desde ontem bato nas portas dos gabinetes dos professores sem sucesso. Consegui ontem uma assinatura. Hoje ficarei aqui até à noite para conseguir outra e talvez consiga uma outra a partir das 14 horas de amanhã.

Beleza, entro com o contrato amanhã à tarde. Mas aí, o colegiado exige mais 72 horas de prazo para analisar e assinar o contrato, não adianta vir antes. É no mínimo 72 horas mesmo. Sem conversa. E lhe lá. Com esses três dias úteis para assinar meu contrato eu só consigo pegá-lo na segunda à tarde, talvez terça pela manhã. Tenho prazos para cumprir e estou nessa ladainha desde sexta feira passada, hoje é terça.

Eu não compreendo que sistema é esse, sinceramente. Como assim, eu tenho que provar para a universidade que frequento as aulas? Por que um prazo tão grande para analisar as disciplinas cursadas, carga horária, etc? Não  são todos os alunos do Instituto que solicitam ao mesmo tempo, então não há demandas como essas diariamente. Eu só gostaria de entender, por isso o meu questionamento. Não explicam nada para a gente, a gente só tem que aceitar, mesmo não concordando.

Até porque não se sabe o motivo dessa rigorosa e chata burocracia. Pode ser que já tenham havido problemas no passado, porque as pessoas são corruptas, isso são. Mas será que não há uma preguiça de pensar em outra solução menos burocrática? Será que os próprios alunos não teriam alguma sugestão? Já que é nossa realidade, nosso dia a dia, nosso estágio, nossa correria. O que não pode é continuarmos calados, aceitando esse processo anacrônico, que só faz atrapalhar mais ainda a gente. A burocracia é um dos maiores atrasos desse país. Coisas que podem ser resolvidas em poucas horas levam dias! E temo recursos para isso, humanos e tecnológicos, o que falta mesmo é boa vontade, empatia e usar a cabeça, especialmente nos serviços públicos.


Rafaela Valverde

sexta-feira, 9 de junho de 2017

As maravilhas da leitura


Há unanimidade quando se fala nas vantagens de se cultivar o hábito da leitura. Apesar de o brasileiro ler pouco, houve nos últimos anos, aumento na média de livros lidos.

Canais do youtube trazem indicações de livros de diversos gêneros, clubes de leitura aumentaram consideravelmente no país. Os clubes de leitura são aqueles em que os clientes pagam um valor fixo mensal e recebem todos os meses, também, livros no conforto de suas casas. Assim, mais pessoas podem desfrutar dos inúmeros benefícios da leitura. Acessibilidade é importante, mas, livros ainda continuam bem caros no Brasil.

Porém, para melhorar a comunicação oral e escrita, aumentar o vocabulário, estimular a imaginação, relaxar e aliviar o estresse, entre outros bônus, vale a pena pagar pelos livros. Opções mais baratas seriam os sebos e feiras de livros; gratuitamente também é possível frequentar bibliotecas. Ler é viciante; é um prazer que se estende, transformando -se em mudança de vida. Por exemplo, quem quer escrever, precisa ler de tudo, afim de ampliar o repertório; o estudo, em todos os níveis, perpassam pela leitura, por textos. Ler é uma delícia e faz bem.

Dessa forma, apesar do sensível aumento no número de leitores brasileiros, ainda é possível constatar que o brasileiro não gosta muito de ler. Isso atrasa o país em anos, em relação a outros países do mundo. São necessárias, portanto, ações efetivas na educação, com campanhas de incentivo, exemplos e sobretudo, baixa nos impostos dos livros. Então, assim será possível, talvez, vislumbrar ainda mais leitores no futuro.


Rafaela Valverde

quarta-feira, 31 de maio de 2017

Das 8h às 17h


Nunca me imaginei vestindo um uniforme e trabalhando das oito às dezessete. Assim como nunca me imaginei, nunca trabalhei oito horas na vida. Também nunca tive um salário de mais de três dígitos, pois os salários baixos são mais compatíveis com a carga horária de seis horas por dia. Eu fico tentando entender como será essa rotina, como será a cabeça dessas pessoas que a vivem. Claro que eu tenho minha mãe em casa, mas queria visões de fora sobre perder no mínimo quatro horas por dia só no trânsito - o que é condizente com a realidade do trânsito de Salvador e o tempo gasto parado; depois ainda trabalhar oito, nove horas e ainda passar uma ou duas horas de almoço dentro da empresa, ou nas proximidades. É como se vidas inteiras girassem em torno de empresas, de empregos, de negócios, de lucros. Vejo colegas andando juntos na rua, com os uniformes do trabalho, indo ou voltando do almoço. Sim às vezes escuto as conversas alheias e sei que muito do que conversam se relaciona à empresa ou aos colegas. Penso que é por isso que as pessoas imploram tanto pela chegada da sexta feira, por que ter uma vida que gira em torno de uma atividade laboral deve ser bem extenuante. Eu analisando de fora, vejo que isso é triste, sei lá, não sei bem se é triste a palavra que queria usar. Se eu, só estudando e agora estagiando, às vezes não sobra tempo para estudar imagine então quem trabalha o dia todo e faz uma graduação à noite. Quase não tem tempo de estudar. Deve ser bem puxado e não imagino minha vida girando em torno de nada que não dará lucro a mim mesma. No final do dia as pessoas já saem tão cansadas do trabalho e ainda pegam o trânsito miserável dessa cidade. E no outro dia precisam acordar mais cedo para conseguir chegar no horário, pois também tem trânsito... Eu seria bem infeliz em uma rotina dessa. Não posso chegar aqui e mentir, dizer que é melhor viver refém de uma empresa qualquer do que ficar sem trabalhar formalmente. Sim, porque esse é o discurso da maioria das pessoas que eu conheço e talvez eu seja a maior errada nisso tudo, mas é o que eu penso. Não entendo como as pessoas podem sair desses trabalhos sorrindo, devem ser muito felizes. O resto que sobra das suas vidas deve mesmo ser muito bom para que elas sorriam tanto, porque eu sinceramente não entendo.




Rafaela Valverde

segunda-feira, 24 de abril de 2017

Recife - Erel 2017


Estive esse mês pela primeira vez em Recife Pernambuco. Fui ao Erel - Encontro Regional dos Estudantes de Letras. Fui apresentar pela primeira vez meu trabalho de pesquisa. Tivemos alguns perrengues, eu e meus amigos, em relação ao acampamento e à organização do evento realizado pela UFPE, mas fora isso amamos Recife.

Eu pelo menos gostei bastante. Visitamos Olinda e Porto de Galinhas que são municípios próximos da capital. Essa foto acima é de Recife antiga, Marco Zero. Primeiro lugar que fui. Além de atividades acadêmicas na universidade, turistamos bastante na cidade e região. Tenho que dizer que sempre rola alguma comparação e eu senti inveja de Recife por dois motivos principais, claro que foram só cinco dias que estive lá, então minha análise é superficial. Então, os pontos que tive inveja da cidade foi que Recife conserva seus prédios históricos e consequentemente sua história. Pode ter problemas do tipo mas meus olhos encantados de turista viu poucos prédios mal conservados e nenhum em ruínas e perto de cair.

Como eu disse, pode ser que meus olhos tenham se enganado, mas foi essa a impressão que tive. A segunda inveja de Recife é relacionada à limpeza urbana. Sinceramente, alguém dizer que Salvador é uma cidade limpa deve ser cego. Soteropolitanos são muito mal educados e em a cada canteiro, bueiro e canto da nossa cidade é possível encontrar alguma embalagem de picolé ou garrafa de água. É só sair olhando atentamente os cantos da cidade, que vê fácil, fácil a sujeira de Salvador.

Eu observei os cantos de Recife também. Pouco, pelos poucos dias que passei lá, não é suficiente, mas ainda assim, notei que os cantos entre a rua e meio fio não têm garrafas de água, nem palitos de picolé como aqui na minha amada cidade. Perto da UFPE tem várias barracas de lanches e ponto de ônibus, por ali dá até para ver talvez um papel de bala ou outro que o vento leva, mas é diferente da sujeira que parece que brota do solo de Salvador. Enfim, eu acho que é mais uma questão de educação mesmo, já que o cidadão soteropolitano atira quantidades enormes de lixo pelas janelas dos ônibus e carros. É isso, é só minha impressão sobre alguns fatos que observei na cidade. E fora que Recife já tem BRT que é um tipo de ônibus mais rápido, com pontos específicos e que dizem que há anos que terá em Salvador também. Enfim, amei Recife, Ipojuca que é onde Porto de Galinhas e Olinda.




Rafaela Valverde
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