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quarta-feira, 27 de setembro de 2017

Tinder

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Sempre tive uma relação meio conturbada com o Tinder e já devo ter escrito sobre isso aqui. Mais uma vez, pela milésima vez eu apaguei minha conta ontem e excluí o aplicativo. Claro que eu acho que todo mundo sabe o que é o Tinder, mas eu vou aqui defini-lo como um aplicativo para procurar pessoas para transar.

Foi só o que encontrei nesses dois anos que utilizei o aplicativo. Pessoas para transar. E mal. E olhe lá. Porque eu não sei o que esse povo acha que é transar, mas isso é assunto para outro texto. Enfim, eu não quero mais conhecer ninguém através do Tinder e nem de nenhum outro aplicativo do tipo. Eu não tenho mais paciência pra ficar falando com estranhos: "oi, tudo bem?" E ir conhecendo a pessoa, destrinchando sua vida e me aproximando. Já fiz isso muitas vezes e até conheci pessoas legais. A última pessoa que conheci e comecei a conversar pelo Tinder nem em Salvador mora, mas o papo fluiu, foi além do raso cumprimento e conversamos desde cabelo até questões mais picantes e secretas de nossas vidas.

Quando chega assim é muito bom. Costuma ser menos vazio. Mas é muito raro e essa é a graça. Pois bem, continuando a falar sobre o aplicativo e minha relação com ele, o que eu quero dizer é que ultimamente tenho andado mais retraída em relação a sair com pessoas desconhecidas. Além disso, só estava usando o Tinder para me divertir. Como? Rindo da cara dos omi. São muitas coisas bizarras, fotos ridículas. Perfis com  cachorros, gatinhos e até bebês. É muita gente esquisita. Já vi até fake com foto de um modelo que já tinha visto no Google antes. AFFF omis!

Fora os malhados ou pseudo-malhados, os que tiram foto no carro ou do carro. Eu queria muito poder expressar a minha cara aqui nesse texto em relação a isso. Mas, seguindo... Então, eu perdi minha paciência com papos vazios e pessoas idem. É tudo meio bizarro. Já usei e não vou ficar aqui cuspindo no prato que comi, só não quero mais. Quem continua usando, massa. Liberdade! E também, como já disse, minha relação com o aplicativo é bem confusa. Pode ser que daqui a uns meses eu decida baixar de novo e usar. Liberdade!

Enfim, só quero dizer mais uma coisa sobre as pessoas que utilizam o Tinder. Na verdade sobre os homens que utilizam. Se vocês são casados não usem o Tinder. Tá feião ver tanto homem casado e próximo num aplicativo pra pegar pessoas. Se quer ter vida de solteiro não case. E se casou exclua o tinder. Porque eu tô com muita vergonha alheia de vocês.

É claro que a vida amorosa-sexual não depende só do curtir, descurtir, matchs e bate papo do Tinder. Há muito mais que isso aqui fora e é nisso que vou tentar me agarrar por que eu nem sei como trocar olhares com alguém. Mas preciso aprender! Já! Fora Tinder!




Rafaela Valverde

sexta-feira, 22 de setembro de 2017

Ela e os trabalhos dela: um lamento público

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Ela foi uma jovem inconsequente no que diz respeito a empregos, a trabalhos. Em contrapartida de todas as outras partes da vida em que sempre foi certinha. Casou cedo e durante oito anos só teve um único homem. Mas no que se refere a estabilidade financeira, estudo e carreira, sempre foi desmiolada.

Temperamento agitado e quente que nem pipoca na panela. "Não levo desaforo pra casa" - foi seu mantra durante anos.  Largava empregos. Irresponsável. Mangueava. Pedia demissão. Achava que era fácil conseguir outro."Sou demais." Se achava muito boa. Até era. Mas faltou humildade e comprometimento.

Jovem e inconsequente. Mas, sabe, não justifica. Ser jovem não é necessariamente sinônimo de irresponsabilidade e inconstâncias. Foram muitas atitudes infantis, daquelas que nem criança tem. Houve momentos ruins. Mas, hoje ela vê que não era nada insuportável. Ela podia ter aguentado em muitos momentos. Hoje é muito claro. Fica mais fácil perceber, ao longo do tempo, que foi muito idiota. Burra mesmo. Perdeu oportunidades, jogou outras no ralo. Viraram dejetos, junto com sua vida. Vida que poderia estar melhor se não fosse por ela mesma.

Sim, ela é a principal responsável pela merda em que está mergulhada. Até o pescoço. Lama. Tóxica e purulenta. Não há uma pessoa que conviveu com ela que não a tenha alertado. Impulso. Era o que movia suas ações. "Vou pedir demissão. Não faça isso" - a voz do marido na época, ecoou pelo telefone. Ela não ouviu. Achou que onde estava era ruim demais. Saiu. Não pôde suportar. Por quê? Porque sempre queria justificar essas atitudes idiotas? Não há justificativa. Agir de forma tão imprudente. Uma. Duas. Três. Ene vezes. Arrependeu- se, quis voltar atrás, já era tarde. A merda já estava feita. Ela fez isso até mesmo no melhor emprego que já teve. O que mais gostava. Para quê? Para descansar. "Não aguento mais fazer a mesma coisa todo dia."

Hoje vê o quão foi burra. O passado lhe dá tapas com mãos de ferro. Se mostra e se gaba. "Você não pode me ter mais..." Inconsequente. Irresponsável. Já nem sei quantas vezes repetir essas palavras aqui nesse lamento público.  

Mas é isso que ela é. Ela sabe que foi. Ninguém precisa dizer-lhe. Ela se culpa. Ela se flagela e esse auto flagelo não tem fim. Vem em forma de ansiedade, insônia, depressão, crise de pânico e tristeza. Além de frustração e raiva. Raiva de si mesma. De ter sido tão estúpida. Tanta  coisa jogada na lata de lixo!

A maturidade mostra hoje o que foi feito no passado e era escondido pela névoa de infantilidade, de ilusão do gênio forte. Pavio curto, personalidade  difícil. Poucos sabiam lidar. Nem ela mesma sabia.  Mas ela mudou. Amadureceu. Renasceu. Reviveu. Ela sente na boca o gosto amargo  das besteiras que fez.. Seu maior emprego durou um ano e oito meses. Chora. Perde outras chances. Terceira. Quarta. Décima chance. Quer movimentar a vida. Estacionada. Quer avançar e não consegue. Crise. O emprego não vem. Maré de azar. Três estágios como professora substituta não deram certo. As professoras titulares sempre voltavam. Ano conturbado, esse. Ímpar. Nunca gostara de anos ímpares. Geralmente, por má sorte mesmo ou por força do pensamento, esses anos são bem cuzados para ela.

Ela se sente fraca. Não tem mais a quem recorrer. Já pediu aos céus e aos infernos. Implorou. Pediu. Esperneou. Nada. Mais de ano se passou. Precisa reformar o quarto, comprar aquele Kindle maravilhoso e um notebook. Precisa ter dinheiro de transporte para não ter que trancar seu amado e suado  curso.

Não que não haja vagas. Não que não dê para conciliar com a faculdade. Até tem. Até dá. Só não chegam para ela. "Entenda, não é azar. São as consequências dos seus atos. Tantos empregos que não valorizou agora se vingam de você em forma de vácuo." Simplesmente não vem. O que precisa para a vida dela avançar  não vem. "Viu sua trouxa, imbecil? Bem feito, eu não tenho pena de você."

Agora vá comprar o caderno das Americanas de  cinco reais. Agora vá comprar dois reais de pão e um copo de suco. Não vai. Porque não pode. Não tem dinheiro. Não tem emprego. Não tem vida, sucesso, avanço, carreira... Só o gosto amargo do que era, como era e quando era. O gosto do ontem que você expurgou e juntou ao lixo. Sem direito à reciclagem.

Agora aquente, sofra, chore, passe por isso. Encare e nãos e mate. Ore. "Faça mandinga." Dance um tango. Coma tofu. Faça coisas que nunca fez. Tome banho de pipoca. Fique cheirando a alfazema. E espere. Sim, eu só te digo uma coisa: seu maior castigo é esperar!



Rafaela Valverde

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Série Grace e Frankie

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Conheci recentemente a série Grace e Frankie. Não lembro exatamente o porquê de ter adicionado a série à minha lista da Netflix, mas já estava há alguns meses. Daí comecei a assistir e gostei logo de cara. No início pensei que seria uma série chata e dramática sobre velhinhos, mas fui muito pega de surpresa, pois é uma série muito engraçada, bem feita e alto astral.

Criada por Marta Kauffman, Howard J. Morris, a série estreou em 2015 e tem três temporadas na Netflix. Já vi as três e estou apaixonada pelas velhinhas fofinhas cujo os nomes dão título a série. No elenco estão  Jane Fonda (Grace), Lily Tomlin (Frankie), Sam Waterston, entre outros. A série americana de comédia traz a história de Gracie e Frankie que depois de quarenta anos de casadas descobrem repentinamente que seus maridos são gays e estão tendo um caso há vinte.

A partir daí começa a série de conflitos mais engraçados que eu já vi na minha vida. Mas não são simplesmente engraçados, são diálogos bem feitos, situações tão inusitadas que a gente esquece até o drama do caso (traição) dos maridos. Até porque a série não se baseia nisso, a série funciona ao redor das duas setentonas "prafrentex."

Elas  namoram, fazem sexo, fumam maconha, tomam porres as onze da manhã e até criam um vibrador e uma empresa Sex Shop. Essa série mudou minha visão sobre a terceira idade. Mesmo que seja ficcional e Grace seja ninguém menos que Jane Fonda toda conservada e até um pouco plastificada, é impossível não mudar alguma coisa da imagem que temos da terceira idade. Até porque as imagens que tenho vêm das minhas duas avós e nem de longe se compara com as cenas que são protagonizadas por essas duas. Elas ficam muito amigas e essa amizade cheia de implicância, pois elas são tão diferentes, é que segura o enredo da série.

É claro que sempre tem alguma coisa que incomoda a gente um pouco em qualquer coisa. No caso da série o que me incomodou foi o silenciamento sobre a existência da bissexualidade. Os maridos são nomeados ou "taxados" o tempo inteiro como gays. Se assumem gays, se auto intitulam gays. Mas óbvio que eles são bissexuais não, é? E não só pelo fato de terem passado quarenta anos casados com mulheres, mas, também pelo de terem laços afetivos, filhos e vida sexual. É notório que houve paixão pelo menos em um dos casais. E esse casal  até tem uma pequena recaída sexual... e eu não vou contar mais nada. Apenas precisava problematizar isso, porque passei as três temporadas engasgada com isso. 



Rafaela Valverde

quinta-feira, 30 de março de 2017

Batom II



 Esse texto é um dos produtos da disciplina Criação Literária do curso de Letras da UFBA. Foi modificado algumas vezes e essa é a versão final. Escrito por mim.

Encarava o espelho do banheiro. Solitária. Olhos inchados. Chorara. Divórcio. O marido a deixara pela estagiária. Apaixonara-se. Não podia culpa-lo.  Coisas assim acontecem. A poesia que o atraíra não existia mais. Virara poeta vazia, esquecida. Suspirou. Problemas financeiros. Não voltaria a morar com os pais. Dívidas: prestação do carro e rombo na conta. Todos os problemas vieram de vez. Enxugou as lágrimas que voltavam a cair. Não desistiria agora. Retocou o rímel.  Passou o batom roxo.
          Lá fora, tudo ok. Peixes alimentados, plantas regadas. Saiu pelos fundos. Elevador de serviço. Mais três andares até décimo oitavo, terraço. O sol já estava se pondo. Mesa posta: vinho, flores e velas. Sentou olhando o horizonte, o vento roçava seu rosto. Ensaiou um sorriso.
 O vinho era seco, tomou uma taça. O sol descia rápido. Também queria ir embora. O celular marcava 17:57, desligou. Passara vinte minutos. Acendeu um cigarro. Sem cerimônia, agora bebia no gargalo. Último gole, última tragada. Cigarro no cinzeiro. Cheirou uma rosa e a pôs na garrafa de vinho vazia. Respirou fundo. Olhar parado, oco.
Espelho na mão. Dessa vez, batom vermelho. Levantou, desamarrou o hobby, vestia sua melhor camisola.
Subiu na balaustrada, fechou os olhos e pulou.




Rafaela Valverde


terça-feira, 28 de março de 2017

Da cama às pequenas conquistas


Com quem vou dividir minhas pequenas conquistas? Sabe aquelas pequenas vitórias cotidianas como por exemplo, uma prova de uma matéria que eu estava muito ruim e consegui melhorar? Pequenas coisas, sutilezas da vida. E eu não tenho com quem dividir. Minha família não se interessa muito e assim não posso expressar toda minha empolgação cm uma coisa que parece tão pequena mas que para mim soa como uma superação nesse semestre.

Não há ninguém para comemorar nada disso comigo. Ter alguém por perto para dividir essas coisas é o que mais faz falta. Nossa, como é bom de noite contar nosso dia, nem que seja pelo telefone. Como é bom ouvir o dia do outro. Entre eu, minha mãe e minha irmã não há muito esse hábito de conversar horas. E há dias em que fico tantas horas calada que quando volto a falar estou rouca de tanto não falar

E olhe que nem curto falar tanto assim. Mas eu sinto falta dessa pessoa que vai me ouvir falar dessas pequenas conquistas diárias. Eu sinto falta de alguém que me lhe nos olhos e me escute ou simplesmente me escute mesmo que no telefone. Eu sempre tive momentos de reclamar de solidão, de me sentir sozinha, mas eu nunca me senti tão sozinha como nesses últimos dois anos. Sinto que ninguém se importa de verdade comigo e eu não tenho relações profundas com pessoas.

Eu tenho uma amiga mais próxima, que faz às vezes de ouvinte, mas não é disso que estou falando. Não sei se é possível alguém entender minhas elucubrações. E nem sei se quero. O que sei é que preciso de gente, preciso de gente que me escute, me enxergue, me entenda ou pelo menos tente, sem julgamentos. Só isso. Preciso de gente para conversar comigo e para me perguntar como foi o meu dia, mas não só perguntar, preciso que escute de forma interessada. Não simplesmente pergunte por perguntar. Eu quero apenas que seja comigo como eu sou. Eu quero um sonho, uma ilusão.




Rafaela Valverde 

sexta-feira, 10 de março de 2017

Bem sucedida e solitária


Parece que serei a mulher bem sucedida na carreira, escritora, acadêmica, com teses e muitas leituras. E por aí mesmo vou ficar. Não que isso não me satisfaça, é maravilhoso! Mas o que vai ficando claro a medida em que os anos vão passando é que não serei a mulher amada e que ama; não serei a mulher com um casamento bem sucedido e com amor.

Esses sonhos românticos não são para mim, deixo para os afortunados na vida, cujo sorriso demonstra a felicidade de estar ao lado de alguém. Parece que não nasci afeita aos lados românticos da vida. Ou eu tento me afastar deles ou eles se afastam de mim. Já vi que amor não é para mim. Até sinto, mas não vivo. E não tenho nenhuma esperança de viver novamente.

Eu tenho andado muito desiludida com todas essas questões românticas. Eu não quero mais saber de romantismo. Eu serei a representante oficial da mulher moderna, livre e bem sucedida. Mas sozinha, Sabe, não exatamente aquele sozinha de não ter ninguém por perto. É  a solidão que vem no final do dia - que é a hora de compartilhar coisas; é a solidão de não ter ninguém para abraçar a gente, para acariciar a gente, é a sensação de estar sempre calada ou de conversar com espelhos.

Outra sensação que tem se apoderado de mim nos últimos dias é a se eu realmente sirvo para ser amada, ou se sou mulher para encontros casuais e relações rápidas. Talvez sim, é provável que sim. Já tive meu pequeno conto de fadas, já tive meu momento. Agora ele já passou e é à minha carreira que irei me dedicar agora. Pelo menos ela não me faz sofrer.



Rafaela Valverde

quarta-feira, 8 de março de 2017

Traição


Traição é coisa muita séria. Causa problemas diversos, não só para os envolvidos, como também para a família e amigos e até mesmo pode virar casos sociais de violência, já que sempre vemos por exemplo, casos de assassinatos por traição ou ciúme. Mas a verdade é que em algum momento alguém já teve vontade de trair ou foi às vias de fato mesmo.

Na verdade, é um assunto que vai de cada casa, de cada pessoa. Uma pessoa pode dizer que perdoa traição e realmente perdoar, ou não, vai saber. Outra pessoa pode dizer que nunca perdoa e perdoar dizendo : "ah, foi só um deslize bobo." Na hora mesmo que acontece a coisa é que vai saber qual a real atitude.

Eu já vivi um relacionamento aberto. Eu sempre fui muito tranquila em relação a ciúmes, mas nunca admiti a traição propriamente dita, apear de sempre ter dito que perdoaria. E realmente perdoaria. Eu não consigo admitir a traição porque penso que ninguém é obrigado a estar em um relacionamento sério, namorar, casar... Mas se a pessoa está e se comprometeu a estar, é só naquele relacionamento em que ela vai se focar.

Pelo menos é o que EU penso. Por que conheço muita gente que não pensa assim e mesmo estando em um relacionamento dito monogâmico, tem vários "casinhos" por fora. Quem sou eu para julgar mas tenho certeza que ninguém é obrigado a nada. Não quer estar naquela relação, separa. 

Eu já traí, uma vez e com uma certa culpa. Mas eu tenho bem os meus motivos para isso. E com certeza já devo ter sido traída. Só tenho certeza de uma relação em que não fui. Ainda assim, não por falta de vontade da pessoa. É tudo muito relativo, somos seres humanos e erramos. Erramos muito.




Rafaela Valverde

sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

Dona de casa? Eu?


Fui uma esposa agoniada que queria tudo arrumado limpo e tudo pra já! Eu tinha mania de limpeza, na verdade eu tinha mesmo era mania de controle. Eu queria controlar a organização da casa, eu queria que tudo estivesse do meu jeito. Eu era muito nova, casei com 21 anos e hoje eu vejo minhas atitudes como idiotices. 

Quantas coisas eu deixei de aproveitar para ficar limpando a casa? Quantos filmes eu deixei de assistir com meu ex marido, mesmo ele me pedindo tanto para largar tudo e ir deitar para assistir com ele? Quantos livros e textos da faculdade eu deixei de ler por que queria que tudo estivesse perfeito. 

Eu queria ser uma boa esposa e acho que até fui, mas em muitos momentos eu não achei aquilo divertido. Eu não achava engraçado brincar de casinha naqueles momentos, mas ao mesmo tempo eu não entendia que aquela sensação era causada por mim mesma. Eu era insuportável e sinceramente não sei como ele, meu ex marido me suportou durante quatro longos anos.

Mas hoje tudo mudou. Eu sou uma mulher mais madura, que já passou por muita coisa e que sabe que sofrimento ajuda a crescer. Hoje eu faria muita coisa diferente. Hoje eu sou uma pessoa mais relaxada, que ao mesmo tempo em que faz faxina na casa, está com o celular na mão e performando, fazendo a vassoura de microfone. Eu  aprendi a ser uma pessoa mais leve e o que menos importa para mim hoje é se a pia está limpa.

Pouco me importa se o banheiro não pôde ser lavado hoje. Eu posso lavá-lo amanhã, ou semana que vem. Sei lá, o dia que der. O meu bem estar importa mais do que a  higiene da casa. A casa vai sobreviver mesmo que tenha poeira nos móveis, mas eu posso não sobreviver com uma carga muito alta de estresse... Enfim, eu não sei se vou me casar de novo um dia, mas eu sei que não sou mais a louca do controle. Sei que posso até ser considerada, hoje, preguiçosa e relaxada. Eu não ligo. Eu quero é paz. Eu quero é viver bem comigo mesma e os pratos na pia que fiquem lá até quando eu quiser lavar!




Rafaela Valverde
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