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terça-feira, 20 de junho de 2017

Burocracia ou burrocracia no ILUFBA


Cá estou eu cercada de burocracia. Ou seria burrocracia? A UFBA está impregnada desse ranço do século passado. Todos nós alunos da UFBA estamos cercados desse sistema que não ajuda ninguém, em maior ou meno medida. O fato é que perguntei a algumas pessoas e especificamente o Instituto de Letras, onde eu passo maior parte do meus dias aqui dentro é um dos mais burocráticos.

Pois bem, para o colegiado de Letras Vernáculas receber contratos de estágio dos alunos para assinar, os alunos precisam entregar cópias do histórico e comprovante de matrícula. Até aí tudo bem, se não fosse um formulário com assinatura de três professores. Até aí tudo bem, estamos em sala de aula constantemente com os professores, mas há outro problema: eu, por exemplo, estou tendo mais dificuldade em encontrar professores do que eu imaginava. Só tenho aula às segundas, quartas e sextas. Já vou perder a sexta por causa do São João e uma das minhas professoras é estagiária de pós graduação, não pode assinar, tenho que ir atrás do titular. Desde ontem bato nas portas dos gabinetes dos professores sem sucesso. Consegui ontem uma assinatura. Hoje ficarei aqui até à noite para conseguir outra e talvez consiga uma outra a partir das 14 horas de amanhã.

Beleza, entro com o contrato amanhã à tarde. Mas aí, o colegiado exige mais 72 horas de prazo para analisar e assinar o contrato, não adianta vir antes. É no mínimo 72 horas mesmo. Sem conversa. E lhe lá. Com esses três dias úteis para assinar meu contrato eu só consigo pegá-lo na segunda à tarde, talvez terça pela manhã. Tenho prazos para cumprir e estou nessa ladainha desde sexta feira passada, hoje é terça.

Eu não compreendo que sistema é esse, sinceramente. Como assim, eu tenho que provar para a universidade que frequento as aulas? Por que um prazo tão grande para analisar as disciplinas cursadas, carga horária, etc? Não  são todos os alunos do Instituto que solicitam ao mesmo tempo, então não há demandas como essas diariamente. Eu só gostaria de entender, por isso o meu questionamento. Não explicam nada para a gente, a gente só tem que aceitar, mesmo não concordando.

Até porque não se sabe o motivo dessa rigorosa e chata burocracia. Pode ser que já tenham havido problemas no passado, porque as pessoas são corruptas, isso são. Mas será que não há uma preguiça de pensar em outra solução menos burocrática? Será que os próprios alunos não teriam alguma sugestão? Já que é nossa realidade, nosso dia a dia, nosso estágio, nossa correria. O que não pode é continuarmos calados, aceitando esse processo anacrônico, que só faz atrapalhar mais ainda a gente. A burocracia é um dos maiores atrasos desse país. Coisas que podem ser resolvidas em poucas horas levam dias! E temo recursos para isso, humanos e tecnológicos, o que falta mesmo é boa vontade, empatia e usar a cabeça, especialmente nos serviços públicos.


Rafaela Valverde

sexta-feira, 9 de junho de 2017

As maravilhas da leitura


Há unanimidade quando se fala nas vantagens de se cultivar o hábito da leitura. Apesar de o brasileiro ler pouco, houve nos últimos anos, aumento na média de livros lidos.

Canais do youtube trazem indicações de livros de diversos gêneros, clubes de leitura aumentaram consideravelmente no país. Os clubes de leitura são aqueles em que os clientes pagam um valor fixo mensal e recebem todos os meses, também, livros no conforto de suas casas. Assim, mais pessoas podem desfrutar dos inúmeros benefícios da leitura. Acessibilidade é importante, mas, livros ainda continuam bem caros no Brasil.

Porém, para melhorar a comunicação oral e escrita, aumentar o vocabulário, estimular a imaginação, relaxar e aliviar o estresse, entre outros bônus, vale a pena pagar pelos livros. Opções mais baratas seriam os sebos e feiras de livros; gratuitamente também é possível frequentar bibliotecas. Ler é viciante; é um prazer que se estende, transformando -se em mudança de vida. Por exemplo, quem quer escrever, precisa ler de tudo, afim de ampliar o repertório; o estudo, em todos os níveis, perpassam pela leitura, por textos. Ler é uma delícia e faz bem.

Dessa forma, apesar do sensível aumento no número de leitores brasileiros, ainda é possível constatar que o brasileiro não gosta muito de ler. Isso atrasa o país em anos, em relação a outros países do mundo. São necessárias, portanto, ações efetivas na educação, com campanhas de incentivo, exemplos e sobretudo, baixa nos impostos dos livros. Então, assim será possível, talvez, vislumbrar ainda mais leitores no futuro.


Rafaela Valverde

sábado, 25 de março de 2017

Alguém sabe o que é Brasil?


Esse texto é um pequeno ensaio produzido por mim para avaliação da disciplina Literatura Brasileira e a Construção da Nacionalidade do curso de Letras da UFBA.

Para o novo país, havia a necessidade de definição. Nações europeias já estavam aí há muito mais tempo. O Brasil era novo nessa coisa de ser pátria. As pessoas que habitavam o território brasileiro eram diversas já no período radical.
Um país com jeito de continente: como formar uma unidade? Com engendrar traços em comum que tornassem o povo, ou os povos que aqui viviam minimamente homogêneos? Era realmente possível? O fato é que hoje ainda não somos homogêneos, apesar das inúmeras tentativas. Graças a Deus, graças a todos os deuses, já que somos  um estado laico.
O querer ser nação foi inventado pela Europa, é claro. Ainda no século III no período do Império Romano, onde já existia esse tipo de política para impressionar e para dominar. Em Roma havia exército, guerras, corrupção, brigas políticas e dominação de povos. Segundo Ernest Renan, no texto O que é uma nação? foi a invasão germânica ao território românico que introduz no mundo o princípio da nacionalidade. É claro que esse conceito só seria desenvolvido mais tarde; a invasão foi uma base para o que conhecemos hoje. Portugal trouxe-nos de forma bastante contundente, ideias de nacionalidade como bom representante do continente europeu.
Renan escreve ainda que “[...] a essência de uma nação é que todos os indivíduos tenham muitas coisas em comum, e também que todos tenham esquecido coisas”. Dessa forma, para que uma nação seja nação, a maioria das pessoas deve compartilhar nuances de uma mesma cultura e ao mesmo tempo ocultar o que não interessa dessa mesma cultura. Em geral que é esquecido é algo ruim, ou considerado ruim ou ainda algumas culturas produzidas pelas minorias.  Existe uma crença que para o Brasil ser Brasil, se faz necessário que todos falem o mesmo português, gostem de futebol e carnaval, por exemplo. Ao mesmo tempo ser Brasil é estereotipar povos indígenas e pessoas pretas; é esquecer e ocultar escravidão e massacres desses povos; ser Brasil é acreditar piamente no mito da democracia racial, ser Brasil é  ”esquecer” de muitas outras perebas históricas e sociais de um jeitinho escroto regulamentado por nós mesmos.
Não dá para ser homogêneo. Não é possível que exista homogeneidade quando se trata de seres humanos com culturas, subjetividades e individualidades. Somos iguais perante a constituição brasileira e somos tão diferentes. Somos essencialmente distintos, isso não dá para mudar. Essas diferenças vêm de todos os fatores que já sabemos: miscigenação, intercâmbios culturais, etc. Se não há homogeneidade, tampouco é possível definir o “ser brasileiro” apenas por esse jeito de se pensar que é ser brasileiro. Não dá para definir através de futebol, carnaval, língua e novela. Aliás toda essa trama bem conduzida e interligada de que todo brasileiro gosta dessas coisas foi criada politicamente. Isso é óbvio. Como eu disse no início, era necessário vender o novo país ao mundo. E quanto a isso, meu texto é até repetitivo.
Vejamos: somos tão criativos em alguns casos que até o jeitinho brasileiro varia de região para região; duvido que o cara que burla qualquer coisa lá no Sul, burle da mesma forma que burlamos aqui no Nordeste. Nem todos gostamos de futebol, ou entendemos suas regras, como é o meu caso. O carnaval também não é unânime por aqui. Há também heterogeneidades na língua. Com dialetos e sotaques, ela não é igual em nenhum estado brasileiro.
Assim, não dá para definir nacionalidade através desses aspectos. Mas o que é ser brasileiro, afinal? “Uma nação é uma alma, um princípio espiritual.” (RENAM, P. 18) Para ele é invisível, para mim uma mentira. A nação brasileira inventada para satisfazer o resto do mundo é uma falácia.

 O próprio Renam afirmou em seu texto, que é preciso uma boa dose de  esquecimento para formação de nações.  Dessa forma exterminamos a maioria dos nossos índios, matamos pessoas pretas todos os dias. Essas ações, conscientes ou não, ajudam a ocultar o que não queremos em nossa pátria. O lado da história que queremos é o lado narrado pelo homem branco.
Nossa história começou a ser contada, como até hoje é, por homens brancos, europeus, heterossexuais. Histórias ou estórias que narram a grandeza do homem europeu que fez o favor de achar o Brasil e nos salvar dos povos indígenas selvagens que aqui viviam. Obrigada, gente!
A carta de Pero Vaz de Caminha é um dos exemplos da contação dessa estória, sim, para histórias fantasiosas é estória! A lenda do surgimento do Brasil e da nacionalidade brasileira estava esquecida e foi resgatada para ser um símbolo de brasilidade e orgulho da terra maravilhosa em que nascemos, olha que sorte!
O texto Quem foi Pero Vaz de Caminha? De Hans Ulrich Gumbrecht traz informações e reflexões importantes para refutar a carta. Caminha não só esteve aqui por apenas dez dias como também  não se sabe quase nada sobre o homem que primeiro descreveu o Brasil. Há várias outras questões no texto, listo aqui algumas delas: Pero Vaz de Caminha só esteve presente na expedição do “descobrimento” por causa de suas habilidades  para escrever. Portanto, ele já veio com essa função pré- determinada. Ou seja, a carta não foi fruto do fascínio de Caminha pelo país. Não era literatura, era um documento oficial para ser entregue ao rei de Portugal. Um relatório sobre o recém-achado país que serviria para enriquecer ainda mais a corte portuguesa. A carta descreve vários momentos  desses dez dias de convivência com  os índios: as comidas, os rituais. As danças, as relações sociais e os costumes. Tudo meio piegas  e estereotipado. O Brasil é um país rico e perfeito e é aqui que vamos nos estabelecer trazer nossos presos e extrair toda riqueza que for possível.
O texto, tratado até como literário, pode ser considerado o marco inicial dos textos nacionalistas, que montam o Brasil e o brasileiro baseado em conceitos que pretendem vender o país como paraíso tropical, com  um jeitinho malandro e lindas mulheres.
O termo nacionalismo traz uma ideia patriótica intrínseca, mas não é tão fácil definir. Não há um significado só. Nação e nacionalismo são o que querem que a gente pense que é. Para Benedict Anderson: “Nação, nacionalidade, nacionalismo, todos provaram ser de dificílima definição que dirá de análise.” (p.28)
Se Anderson está afirmando isso, quem sou eu para tentar aqui definir qualquer um desses termos. Mais a frente, o autor discute nação como algo inventado, como “uma comunidade política imaginada, [...] limitada e ao mesmo tempo soberana.” (p.22)
Dessa forma, há de se concluir que o Brasil enquanto essa nação alegre, festiva e receptiva, não existe. Não existe porque não existe um só Brasil, mas Brasis. Diversos, multiculturais, que vai além do Brasil que querem mostrar ao mundo. Parece que sempre existiu essa mania de querer difundir um Brasil especial, desde Caminha até hoje.
Especialmente a partir de 1930, quando houve uma mudança política no país, essa imagem articulada de um Brasil malandro e festeiro foi distribuída pelo mundo. Filmes, propagandas políticas, jornais, livros e gêneros literários espalhavam nosso jeito maroto de viver. Todos esses meios convergiam para confirmar a versão de Brasil  que pretendiam espalhar. Nós tínhamos e ainda temos um Brasil encomendado. Drummond, ciente disso, perguntou em seu poema Hino Nacional, se o Brasil existe mesmo e se existem mesmo os brasileiros? Esse Brasil e esses brasileiros encomendados e inventados? É a mesma pergunta que eu me faço.  
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Rafaela Valverde


sexta-feira, 10 de março de 2017

Resenha acadêmica de Nove Noites - Bernardo de Carvalho - Parte III


Alguns dados foram encontrados, mas o jornalista optou em não atribuir juízos de valor às informações encontradas. Mas o fato era que ele, o americano, não gostava de estar no Brasil. Ele queria ir embora e escrevia isso em cartas sempre que tinhao portunidade.   Não   se   sabia   o   motivo   exato,   por   exemplo,   ele   poderia   ter   alguma inimizade com alguém, o que poderia ter resultado um homicídio e não um suicídio. Sim, houve essa especulação na grande colcha de retalhos que se tornou Nove Noites 

.Já quase no finalzinho do livro em um dos momentos narrados por Manoel Perna, ele conta que durante essas nove noites que esteve conversando com Buell Quainteve certeza que todas as histórias que ele contou pareciam confissões, mas de alguma coisa além do que parecia realmente estar contando. “Foi a preparação da sua morte.”Manoel afirmou ainda que não acreditava que ele, Buell, pudesse ter feito algo errado,mas que pudesse estar tentando dizer que se mataria em breve.

Nove Noites é um livro rico e em alguns casos se torna até meio repetitivo no que diz respeito à ausência de informações precisas sobre a morte de Buell Quain. Dessa forma, o livro traz narrativas dentro de uma narrativa. Já no final há uma nova história: o pai do jornalista-narrador está em um hospital internado ao lado de um velhinho bem doente que pode ter conhecido o antropólogo americano. Isso ele conclui depois de investigar o idoso já moribundo. Essa parte encerra o livro com chave de ouro, já que não se espera o que pode vir dessa nova narrativa apresentada dentro de um hospital. É surpreendente essa nova possível nova perspectiva da história. O que deixa ela ainda mais genial. O idoso internado é um fotógrafo que pode ter convivido com Buell um tempo e pode ser autor de uma icônica foto do americano. Ele envia cartas para diversas pessoas   nos  EUA  e   vai   até lá tentar   descobrir  mais algo   sobre   essa possível ligação. Na volta encontra se com um jovem “orgulhoso e entusiasmado” que vinha estudar os índios brasileiros. Perplexo, o jornalista brasileiro pensa em como aquela situação é irônica e como os mortos podem atormentar os vivos.




Essa resenha foi solicitada como forma de avaliação junto com um debate sobre o livro para a disciplina de Literatura Brasileira e a Construção da Nacionalidade do curso de Letras da UFBA- Universidade Federal da Bahia. E foi escrita por mim.



Rafaela Valverde

Resenha acadêmica de Nove Noites - Bernardo de Carvalho - Parte II


Ora, era justamente a ideia que Bernardo de Carvalho rechaça. Os índios devem ser tratados como gente, como os seres humanos que são. Com seus defeitos e suas virtudes. A ideia que ainda se tem sobre o índio é que além de ele ser passivo, é  oco e superficial.   Índio   não pensa,  índio   só   quer   umas   lembrancinhas  e alguém   que   os defenda. Essa é a ideia paternalista que o livro pretende desbancar. E consegue. O livro passeia por histórias e emoções, o livro vai e vem. E assim será esse texto, ele vagueará pelas histórias  contadas  em   Nove  Noites   e  pelo   mistério que   ronda  o  suicídio   do etnólogo americano.

Dessa forma, há de se falar da morte, da vida, das cartas e de tudo mais que possa ser interessante sobre a vida de Buell Quain. Essa busca pela vida do antropólogo está   diretamente   ligada   à   vida  do   narrador.  A  análise   desse   texto   buscará   ser   tão obsessiva quanto a busca dele. Portanto trechos e parágrafos se vão se misturar e se intercalar para contar essa (s) história (s).

O narrador, depois de adulto, retornou à comunidade dos  Krahô, acompanhado de   um   antropólogo  conhecido.   Ele   conheceu   o   velho   Diniz,   único   membro   da comunidade vivo que conheceu Quain quando ainda era menino. Havia a esperança de que ele falasse sobre local em que o americano havia sido enterrado e outras questões. O velho Diniz mal havia sido apresentado ao jornalista e foi logo pedindo seu gravador. Negando educadamente, ele informa que precisa dele para trabalhar, o índio rebate: “Lá em   São   Paulo   você   compra   um   igualzinho   e   manda   pelo   correio.”   É   um   trecho marcante, pois evidencia o quão os índios são humanos, o quão os índios que moram no Brasil são realmente brasileiros. Enfim comprovam que índio é gente e gosta de todas ascoisas que todas as outras pessoas gostam. O velho Diniz conta que os índios chamavam Buell   de   “Cãmtwýon”,   sendo   logo   questionado   sobre   o   significado.   Mas   não   há significado específico, ao contrário do que se pensa que sejam os nomes indígenas. Mais um estereótipo quebrado. 

Diniz   ainda  conta   que   o   antropólogo   americano  raspou  a   cabeça,   enquanto tomava banho no rio, no dia seguinte à sua chegada: ajudou em um parto, deu nome ao recém-nascido, mas não queria participar de nada. Não se envolvia em nada e passava dias escrevendo, não bebia muito e costumava ouvir música às vezes. Era um homem bastante   reservado.   Diniz   achava   que   ele   havia   enlouquecido   depois   que   recebera algumas cartas. Nessas cartas, que foram queimadas por ele antes de morrer, haveria anotícia de que a mulher o havia traído com o irmão.

Mas   essa   história   não   é   verdadeira.   Há   muitas   contradições   e   versões desencontradas sobre as possíveis causas do seu suicídio. A mãe e a irmã dele afirmam que ele nunca havia sido casado e não tinha irmão. Só irmã, mãe e um pai que eranmédico, mas não muito próximo dele. Há ainda várias hipóteses sobre o momento da sua morte: “foi se cortando todo, ainda de dia, descendo sangue”, depois “queimou dinheiro.” Havia ainda informações sobre ele ter queimado as cartas que recebera, pois elas nunca foram encontradas. Ele teria se cortado no pescoço e nos braços e depois se
enforcado. Enfim, como se vê, não há uma informação só sobre o inesperado caso.

Há relatos que o etnólogo sofria e que estava se cortando (foi questionado nomomento) e ele afirmara que “precisava amenizar o sofrimento, extinguir a sua dorcruciante.” Em geral, as pessoas atribuem o suicídio a sofrimento à depressão e é fácil perceber que o homem tinha picos  de tristeza  e crises existenciais. Ele em  alguns momentos interagia e estava bem. No momento seguinte, porém mudava o seu humor e se trancava.

“Ele se enforcou com a corda da rede num pau grosso, inclinado, quando os índios fugiram,” afirmou o velho Diniz. Pediu que fosse enterrado ali mesmo e seu pedido foi atendido. A sepultura foi marcada com talos de buriti e nenhuma polícia ou outra autoridade foi ao local. Não houve exumação nem abertura de inquérito e nem há registro em nenhum cartório ou fórum.

 A morte de Buell Quain foi esquecida, teve certa repercussão na época, mais entre o meio antropológico, além de ter sido um americano morto em terras Brasileiras. Nem a mãe e a irmã vieram ao Brasil ou solicitaram o envio do corpo. Não. Ele ficou esquecido lá nos confins do norte do Brasil. A colcha de retalhos de informações e especulações sobre esse suicídio nunca foi concluída. As costuras não combinam entres i e sempre há alguma discrepância entre elas. Nunca se chegará a nenhuma conclusão sobre o que teria levado o jovem americano a se matar.

Foi   observado   que   há   algumas   insinuações   sobre   uma   possível homossexualidade   do   etnólogo.   Em   alguns   trechos   das   narrativas   apontam   como estranha a ausência de mulheres na vida dele. Ele não tinha amantes, não olhava para as índias, não era dado a aventuras sexuais, era bastante recluso. Outro ponto que pode ser interpretado como insinuação sobre a sexualidade de Buell seria uma das últimas cartas que ele escreveu ao cunhado, e somente a ele, antes de morrer. Para muitas pessoas poderia passar despercebido, mas não é esse o caso. Há também o fato de ele não se dar bem com o pai, seria um indício?

Em determinados momentos do texto é narrada  a viagem do jornalista, sessenta e  dois anos  depois. Ele mantém  um relacionamento mais  próximo com  os   índios, participa de rituais e reconstrói algumas imagens sobre os indígenas. Pôde ainda sentir um pouco a  sensação de estar próximo aos índios  e pesquisou bastante a vida do antropólogo. Cartas e fotos por exemplo. Em uma carta escrita em 4 de julho, menos de um mês antes de morrer ele escrevia: “Duvido de que em algum outro lugar no mundo existam culturas indígenas tão puras. Mas, a despeito de todas as virtudes do Xingu, gostaria   de deixar   o   Brasil   definitivamente   e   limitar   meu   trabalho   a   regiões.” Ele reclamava das dificuldades de trabalhar com índios brasileiros. “Acredito que isso possa ser atribuído à natureza indisciplinada e invertebrada da própria cultura brasileira.” Ou seja, os indígenas brasileiros, já naquela época não eram passivos como se imagina. E quase nada se alterou na cultura do povo brasileiro.



Continua...


Rafaela Valverde

Resenha acadêmica de Nove Noites - Bernardo de Carvalho


Livro que foi publicado em 2002 e  recebeu   o   prêmio  Portugal  Telecom de Literatura Brasileira, Nove Noites é o sexto livro de Bernardo de Carvalho. Ele mescla fatos da vida do antropólogo norte-americano Buell Quain com a vida do narrador. No dia 02 de agosto de 1939, cinco meses após chegar ao Brasil em sua segunda visita, Quain  se   suicidou   aos   27   anos.  Ele   vivia   com   a   comunidade  indígena   Krahô,   noTocantins, quando decidiu tirar a própria vida.

O narrador, sessenta e dois anos depois, resolve investigar obsessivamente o caso, após ler um artigo no jornal que fazia rápida menção ao suicídio de Quain. Ele segue pistas, contata pessoas que poderiam estar ligadas ao antropólogo e vai até a região conhecer os Krahô, a fim de tentar saber informações sobre esse misterioso suicídio. Ele usa o pretexto de que vai escrever um romance. E a partir dessa obsessão as histórias começam a ser contadas, de forma intercalada.

 O   livro,   na   verdade   pode   ser   encarado   como   uma   colcha   de   retalhos   de especulações sobre o que teria motivado o suicídio do jovem antropólogo. Mas uma colcha de retalhos genial. Bernardo de Carvalho – que já afirmou que o livro é “uma combinação de memória e imaginação” – soube desenvolver muito bem a narrativa a partir de fatos reais. Em uma entrevista para a Revista Trópico, Bernardo afirma que queria escrever um romance que não fosse paternalista e que mostrasse os índios como eles realmente são. Afirma ainda que queria fugir de diversas outras abordagens que são paternalistas. 

Quain era uma pessoa solitária, não se envolvia muito com os índios, até porque assim foi orientado antes  de   aqui chegar.  Porém,   se isolar   era uma   escolha muito particular dele. Não se sabia muito sobre o antropólogo que viveu meses entre os Krahô. Tanto que após a sua trágica morte especulava-se na possibilidade de uma doença, como por exemplo, a lepra. Havia também falatórios sobre sífilis. De tudo se falou. Afinal, era preciso justificar de alguma forma aquela odiosa tragédia.

O Brasil vivia no período do Estado Novo e assim alguns estrangeiros que por aqui viviam poderiam vir a ser vigiados – pelo menos é o que é contado no livro – em caso de serem comunistas ou algo parecido. Dessa forma, a reserva de Quain sobre a sua vida se tornava ainda maior. Essa reserva aumentou ainda mais em torno do seu suicídio.

Manoel Perna, engenheiro que conheceu e conversou com o etnólogo conta diversas informações sobre a personalidade e costumes de Quain. Inclusive é da estada do americano em sua casa que surge o nome do livro, já que foram nove noites de histórias contadas. Essas nove noites foram dias de abrigo para Quain que viajava. O que Manoel conta é o resumo das histórias de Buell nessas nove noites que foram alternadas: a primeira em um momento, a segunda em outro e mais sete em outra
viagem do etnólogo. Eles conversavam sobre muitos assuntos e o engenheiro afirma que chegou a conhecer um pouco a personalidade do misterioso homem.

O narrador, que é obcecado por essa história entrevistou Lévi-Strauss em Paris. Ele se pronunciou sobre sua visita ao Brasil e sobre a emoção que sentiu quando soube das pequenas culturas indígenas que estavam sendo ameaçadas de extinção, ou sendo exterminadas aos poucos. Strauss afirmou ainda que “toda cultura tenta defender sua identidade”. É possível perceber no livro, alguns relatos e narrativas se comunidades indígenas que lutavam entre si, a fim de se preservar cultural ou territorialmente. 

Ou seja,  não   necessariamente   era   o   homem   branco   que   ameaçava   a   existência   dessas comunidades. Eles mesmos lutavam e guerreavam. Esse fato já desconstrói algumas ideias paternalistas de que o índio é “coitadinho” e que o homem branco era o único algoz. Porém, apesar de alguns conflitos, a maioria das tribos mantinha uma relação amistosa. Antes de visitar os Krahô, Quain havia visitado a comunidade dos Trumai e achado os “chatos e sujos”, eles pediam várias coisas materiais para ele, que sempre recusava. 

Parece que ele já estava pensando em morte, pois segundo Manoel Perna afirmou, por exemplo, que o americano falara que os Trumai viam na morte uma saída para seus problemas  – “uma libertação dos seus temores e sofrimentos.” Há ainda relatos de Perna sobre possíveis prenúncios de morte que ele poderia ter recebido. Em um ritual dos Trumai, através do qual buscava- se a cura de uma mulher. Era uma cerimônia, muito fechada e foi informado a Quain que se entrasse ele morreria. Ele ignorou e  entrou   mesmo assim.   Em  outra  ocasião,   enquanto caçavam aves  para  a retirada das penas, disseram-lhe que “um pássaro de cabeça vermelha a que chamavam de ‘lê’ era o anúncio da morte para quem o visse. Pouco depois ele deparou com a aparição fatídica e preferiu acreditar que lhe pregavam uma peça.”  

Manoel   Perna   afirma   que   ao   lembrar-se   das   histórias   do   antropólogo,   só chegava à mente dele a imagem do corpo do antropólogo enforcado, cortado com gilete no pescoço e nos braços, com sangue pelo corpo, pendurado acima de uma poça de sangue. Foi essa a cena que os índios descreveram para ele, quando foram dar a notícia. Nove Noites traz diversas questões, as quais são impossíveis de serem todas analisadas nesse texto. Porém, há a pretensão de abarcar o máximo possível de questões trazidas pelo livro. Questões sobre o antropólogo americano, questões sociais e políticas da época, questões indígenas, entre outras.

O narrador, que é jornalista, conta as histórias das suas andanças pelas florestas.Sua primeira viagem foi em 1967, quando tinha seis anos. Ele foi acompanhado pelo pai, que procurava fazendas para comprar. Comprara duas: uma na região do Araguaia e outra na região do Xingu. Nessas fazendas ele viveu algumas aventuras na infância, inclusive um acidente de avião com o pai. Ele nem imaginava que retornaria um dia àquelas matas para investigar obsessivamente circunstâncias de um suicídio. Em sua narrativa ele afirma, entre outras coisas, que ficou guardada em sua memória a imagem do Xingu como um inferno e que ele não “entendia o que dera na cabeça dos índios para se instalarem lá.” Para ele parecia burrice, um masoquismo ou até mesmo uma espécie de suicídio. O antropólogo que o levou à região, em 2001 também se questionava o porquê de os índios estarem instalados ali.

 Entre algumas coincidências entre o narrador e Quain, há o fato de ele ter estado, 62 anos depois, no mesmo local e data em que se suicidara o etnólogo: dia 02 de agosto.   O americano escrevia muitas cartas a seus amigos e parentes. Algumas, não chegavam a ser enviadas, como essa que seria para Margaret Mead, escrita no dia 04 de julho   de   1939   com   o   seguinte   trecho:   “O   tratamento   oficial   reduziu   os   índios   à pauperização. Há uma crença muito difundida (entre os poucos que se interessam pelo índios) de que a maneira de ajuda-los é cobri- los de presentes e ‘elevá-los a nossa civilização’ [...]”


Continua...



Rafaela Valverde




quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

Carnaval 2017


Já é carnaval! Bom, aqui em Salvador já é carnaval desde domingo hahaha. Êta cidade que tem festa. Parece que todos os nossos problemas estão resolvidos. Nosso transporte público é maravilhoso, nassas ruas limpas, a educação e a saúde são as melhores do mundo. Está tudo resolvido, vamos pular e nos divertir! 

Não que eu não goste do carnaval. Até gosto e já curti bastante na infância e pré- adolescência, mas eu acho que o carnaval tem muita gente, ou seja muita violência. A violência só aumentou ao longo dos anos e eu sinceramente não estou afim de ser assaltada, nem apanhar da polícia. Porque eles batem mesmo em quer que esteja passando, não estão nem aí. Prefiro me preservar. Em 2015 retornei ao carnaval depois de dez anos sei ir e achei meio sem graça, o mais do mesmo. Não sei como as pessoas vão todos anos pular nas mesmas ruas, dançar as mesmas músicas - sem coreografia - e ver os mesmos artistas que usam as mesmas roupas todos os anos.

Há outras questões, sobretudo sociais que me afastam do carnaval, mas não vou falar sobre elas agora, pois dão muito pano para manga. Definitivamente não estou afim de problematizar nada hoje não. Só estou aqui discorrendo sobre alguns aspectos do carnaval. Hoje (ou não sei se é só hoje) parece que há uma discriminação velada com quem não vai ao carnaval, ou quem não gosta. Parece ainda que existe uma obrigação de se gostar da folia. Quem não gosta ou não vai vira um ET. Mas eu não ligo, não problematizo, não falo nada. Apenas falo: gosto mas não vou. É meu direito, pronto!

E quem for espero que vá em paz. Sem intenção de brigar ou perturbar. Porque tem umas pessoas que parecem que saem de casa com o cão no corpo para brigar. Aff! É isso. Quem sabe no ano que vem eu vá? Estou buscando coisas novas no carnaval, mas não tenho muita certeza se é possível. Todo ano é a mesma coisa. Enquanto isso vou descansar e aproveitar esses dias sem UFBA. XAU!


Rafaela Valverde

Nove Noites - Bernardo de Carvalho

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Estou mergulhada num livro como há muito tempo não ficava. É claro que a resenha crítica solicitada pelo professor de Literatura Brasileira me impeliu à tal empreitada, mas realmente a leitura desse livro é apaixonante. O livro é  Nove Noites de Bernardo de Carvalho, já tinha ouvido falar no autor, bem por alto, mas nunca havia lido nada dele. Amei essa experiência de ler Nove Noites. Ele traz muitas questões, mas muitas mesmo, sobretudo no que se refere às comunidades indígenas tão estereotipadas por nós.

Há muitas desconstruções. Na verdade, a disciplina é toda de  desconstrução de conceitos bizarros que estão em nossa cabeça desde a tenra infância. Fiquei muito apaixonada por Nove Noites, especificamente. É um livro de ficção e memória como afirmou o próprio autor.  Ele mescla a vida do narrador ou narradores com relatos da vida de Buell Quain, antropólogo americano que se suicidou aso 27 anos enquanto vivia em uma comunidade indígena no Brasil.

Eu escrevi uma resenha crítica, ou seja lá o que for aquilo, de cinco folhas sobre o livro que é genial. Deixa o leitor preso até o final a fim de saber se aquele mistério será resolvido. Pelo menos eu fiquei presa, em alguns momentos fascinada pela história. Mas o livro, que eu carinhosamente chamei de colcha de retalhos, não elucida o suicídio do jovem etnólogo. Sim, vou logo dando spoiler, porque com um livro maravilhoso desse não há spoiler que estrague a leitura.

Por que o americano se matou? Onde está enterrado seu corpo? Onde estão as cartas que ele recebeu pouco antes de morrer? Essas perguntas, entre outras, são deixadas sem resposta no decorrer do livro. Mas o que mais importa é como essas perguntas são feitas. Ainda assim, o final do livro conseguiu ser surpreendente para mim devido a alguns desdobramentos da narrativa. Amei Nove Noites!



Rafaela Valverde

sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

Filme A Busca


Assisti novamente o filme brasileiro A busca do ano de 2013. O filme é dirigido por Luciano Moura e tem no elenco Wagner Moura, Mariana Lima, Lima Duarte, entre outros. Pode ser  caracterizado como Aventura ou Drama. É um filme bem brasileiro, pelo menos foi o que eu achei. É claro que a atuação de Wagner Moura dispensa comentários e eu adoro Mariana Lima.

O filme traz a história de Theo Gadelha (Wagner Moura) e Branca (Mariana Lima), um casal de médicos que está se divorciando e que tem um filho adolescente de 14 anos , Pedro (Brás Antunes) que desaparece deixando os pais bem preocupados. Assim, Theo sai em busca do menino, percorre várias cidades, conhece várias pessoas e passa por alguns perrengues para tentar achar o menino.

É uma boa trama, porque prende. Dá curiosidade de saber o que houve com o menino que ao que se sabe está andando num cavalo preto por aí. Theo passa inclusive por um grupo de jovens que estão acampando e nesse momento eu senti que ele passa a conhecer melhor seu filho, conhecendo outros jovens quase da idade dele.

É um filme que fala de família. A família que se separa, o pai que não vê o filho há anos. O filho que foge de casa para poder reunir os dois... É um lindo e reflexivo filme. É um típico filme brasileiro, daqueles que colocam a gente para pensar mesmo. Assistam. Valorizem o cinema nacional.



Rafaela Valverde


quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

Hino Nacional - Carlos Drummond de Andrade

Precisamos descobrir o Brasil!
Escondido atrás das florestas,
com a água dos rios no meio,
o Brasil está dormindo, coitado.
Precisamos colonizar o Brasil.

O que faremos importando francesas
muito louras, de pele macia,
alemãs gordas, russas nostálgicas para
garçonnettes dos restaurantes noturnos.
E virão sírias fidelíssimas.
Não convém desprezar as japonesas.

Precisamos educar o Brasil.
Compraremos professores e livros,
assimilaremos finas culturas,
abriremos dancings e subvencionaremos as elites.

Cada brasileiro terá sua casa
com fogão e aquecedor elétricos, piscina,
salão para conferências científicas.
E cuidaremos do Estado Técnico.

Precisamos louvar o Brasil.
Não é só um país sem igual.
Nossas revoluções são bem maiores
do que quaisquer outras; nossos erros também.
E nossas virtudes? A terra das sublimes paixões…
os Amazonas inenarráveis… os incríveis João-Pessoas…

Precisamos adorar o Brasil.
Se bem que seja difícil caber tanto oceano e tanta solidão
no pobre coração já cheio de compromissos…
se bem que seja difícil compreender o que querem esses homens,
por que motivo eles se ajuntaram e qual a razão de seus sofrimentos.

Precisamos, precisamos esquecer o Brasil!
Tão majestoso, tão sem limites, tão despropositado,
ele quer repousar de nossos terríveis carinhos.
O Brasil não nos quer! Está farto de nós!
Nosso Brasil é no outro mundo. Este não é o Brasil.
Nenhum Brasil existe. E acaso existirão os brasileiros?

Carlos Drummond de Andrade


Rafaela Valverde

sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

Série 3%


Terminei de ver a série brasileira 3%. É uma série exclusiva da Netflix com produção e atores brasileiros. Foi lançada no ano passado e a primeira temporada tem 8 episódios. Criada por Cesar Charlone e Pedro Aguilera, a série tem excelentes atores como João Miguel, Bianca Comparato, Michel Gomes.

João Miguel está maravilhoso com sempre. Que ator. Eu nem vou falar dele, vou falar só da série pois João Miguel daria um texto só pra ele. Enfim, 3% é uma série de Drama, Ficção científica, Suspense que foi bastante falada no final do ano passado quando estreou.  Ouvi falarem bem e mal também. Eu gostei bastante, especialmente por ser completamente diferente de tudo que eu já assisti produzido no Brasil. Particularmente, eu curto bastante a dramaturgia e o cinema brasileiros, então para mim foi mais fácil. Apenas não julguei.

Um ambiente futurista é o cenário da série, onde há a separação do mundo em um lugar devastado, o Continente e Maralto, um lugar extremamente moderno e bom de se viver. Todo jovem de vinte anos passa por uma seleção para ir para um bom lugar para "melhorar de vida". Eles passam por duras provas físicas e psicológicas, mas só três por cento desses jovens serão selecionados e poderão sair daquela vida miserável.

A trama que se segue a partir daí é tensa e cheia de suspense. A cada hora você é surpreendido, não se sabe o que vai acontecer no próximo minuto, e  novas histórias sobre os personagens são contadas ao longo dos episódios. Com uma fotografia sóbria e cinza e diálogos bem feitos a série para mim dá conta do recado. Devorei em poucos dias. Recomendo!



Rafaela Valverde

domingo, 23 de outubro de 2016

Desperdício no RU da UFBA


Observando os pratos recém utilizados no Restaurante Universitário da UFBA chamado carinhosamente de RU, eu percebo o quanto a gente desperdiça comida. É muita comida no lixo! Imagine que são servidas mil e duzentas refeições nos dois horários desse RU. No almoço e no jantar. E a maioria, ou uma boa parte dessas pessoas que são servidas, joguem restos fora. Pequenas porções que não seriam bem vindas no estômago, que encheriam demais a barriga.

Ninguém se importa, ninguém observa, mas de resto em resto devem ser toneladas de comida no lixo todos os dias. Comida que é demais para uns e escassa para outros. Não há, ou pelo menos eu não vejo ou sei de alguma campanha da universidade ou da escola de nutrição contra o desperdício de alimentos. Fora que se a comida fosse um pouco mais gostosinha os alunos comeriam melhor. E se os próprios alunos servissem a comida - que hoje é servida pelas atendentes -  reduziria, ao meu ver o desperdício que é bem grande.

Eu vejo muitas pessoas, muitas mesmo com restos de comidas nos pratos e isso me dá uma dor no coração. Eu não gosto de desperdiçar comida e não gosto de ver ninguém desperdiçando comida. Creio que ações simples poderiam evitar tanto desperdício. O Brasil é um dos países do mundo que mais jogam comida fora e ao mesmo tempo um dos maiores em número de fome. Há um paradoxo já conhecido, mas ninguém faz nada.

É isso, eu tenho que lidar com a minha impotência com algo que parece ser tão simples mas não é. É grave. É um problema que se minimizaria com ações simples. Mas que não interessam. Não interessam por quê? Cada um de nós pode simplesmente comer a comida toda ou pedir para as moças que servem não colocarem tanta comida, ou ainda pode colocar menos salada ou não pegar a fruta que é servida como sobremesa. Eu já vi gente jogando salada e fruta fora sendo que esses dois itens são os alunos que se servem, tendo a opção de pegar ou não. Eu acho uma falta de consciência pegar só para jogar fora. É um egoísmo, uma falta de bom senso. Se não vai comer, não sirva e não jogue comida fora!



Rafaela Valverde

sexta-feira, 30 de setembro de 2016

Presidente de mesa pela terceira vez


Serei presidente de mesa mais uma vez esse ano. Claro que a contragosto. Em 2014, nas eleições presidenciais e para governador eu já saí de lá em clima de despedida e agora tenho que ir trabalhar o dia todo sem remuneração. Apesar de ter escrito em um formulário entregue pelos coordenadores e ter escrito em um documento importante da votação, a ata, que não queria trabalhar de novo, eles me convocaram.

Eu acho isso um despotismo e só me resta realmente e infelizmente cumprir essa determinação idiota. E quando acabar vou pessoalmente ao TRE para que retirem meu nome desse suplício. Enfim, em um país bagunçado como é o Brasil, já é um acinte a gente ser obrigado a votar, imagine ser obrigado a trabalhar de graça nas eleições. Um horror.

Agora estou fazendo esse treinamento chato, on line. Eu sou presidente pela terceira vez, mas como há alguns eleitores  com cadastro de biometria esse ano, é necessário fazê- lo novamente. O treinamento é quase uma lavagem cerebral: "estar lá sendo escravo do governo é um ato de cidadania." Tudo é um ato de cidadania. Ah  que porre. Eu gostava de ser mesária, em 2010 quando fui a primeira vez, fui voluntária. Mas cansa, satura. E eu não quero mais. Mas não temos vontade própria nesse país e isso me deixa muito chateada.





Rafaela Valverde

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Livro Santo dia de Lilian Fontes


Terminei de ler o livro Santo dia de Lilian Fontes. Ela é arquiteta e mestra em literatura, mas eu nunca tinha ouvido falar nela e nem nesse livro. Eu o comprei em uma feira de livros em um shopping daqui de Salvador. Ele me custou cinco reais. Comprei em julho e demorei para ler. Me surpreendi com esse livro, achei o bom.

Um livro bem escrito, uma trama instigante e interessante, apesar de poucos os personagens são envolventes. O personagem principal, Joca, acusado de um assassinato bárbaro de uma americana nem aparece. Outras pessoas falam sobre ele, traçando seu perfil e informando a nós leitores que ele pode muito bem matar, ele é capaz disso. Mas nós leitores, ficamos na dúvida sobre isso. Joca é bom ou ruim? Matou ou não matou?

É uma pergunta que não tem resposta, pelo menos não da minha parte. Hahaha! Comprei o livro, não dava nada, mas me surpreendi bastante. A história passa no ano de 1998 quando o Brasil ainda entrava na era da internet e só pessoas muito ricas tinham acesso à tecnologia. Então palavras como disquete, Palm Toch, fax e outras são bastante presentes no livro, mas hoje a gente nem usa mais esses equipamentos! É bom se deparar com essa volta no tempo e olhe que nem tem tanto tempo assim e tudo era tão diferente.

O livro tece várias críticas ao Brasil. À justiça brasileira, a polícia e a sua incompetência. A vida nos morros, a pobreza e a desigualdade social também são retratados como crítica. A polícia e a justiça do Brasil são comparados com a polícia e ajustiça americana quase o tempo todo nos diálogos do livro. Eu não me lembro de já ter lido um livro onde houvesse tantas críticas assim a esse sistema brasileiro. Gostei bastante disso.




Rafaela Valverde

terça-feira, 6 de setembro de 2016

Voto nulo 2016

Imagem da internet
Esse ano eu não vou votar em ninguém. Não sei, talvez vote em uma candidata a vereadora que realmente defende, abriga e trabalha pelos animais há anos e não é uma oportunista como muitos por aí. Pois bem, mas ainda assim não decidi se vou votar em alguém. Estou pensando em anular meu voto pela primeira vez. Fiz meu título há mais de dez anos e sempre fiz questão de votar, mas dessa vez é diferente. Estou desesperançada. E quem não está?

A democracia brasileira foi ferida. Não, eu não sou de esquerda, nem de direita. Eu não me rotulo. Eu só defendo a justiça e a democracia. E acho que qualquer pessoa de bom senso deveria defender. Eu acho sim que o governo de Dilma foi um desastre, principalmente nos aspectos político e econômico. O país foi lançado em uma crise que antes havia sido uma "marolinha". Enfim, tenho muitas críticas ao governo, mas acho que assim como diversos outros governos estaduais, municipais e até federais, com seus erros e acertos, chegaram ao fim. Por que só o governo de uma presidenta, uma mulher chega ao fim mesmo sem crime de responsabilidade fiscal? Mesmo sem nenhum crime?

Eu ainda não havia me pronunciado sobre esse assunto aqui, mas é esse o meu posicionamento. Me lembrei de escrever sobre política porque sempre de manhã estou ouvindo o horário político na rádio no caminho da faculdade. Faço questão de ouvir os dez minutos do horário eleitoral gratuito. Sim, gosto de saber como estão as campanhas, quais são as promessas e as mentiras que estão sendo contadas. Sim, porque é isso que eu ouço. Mentiras e ataques aos opositores. Será que não é possível fazer campanhas políticas sem baixaria? Sem atacar o outro? Isso me incomoda bastante e diminui mais ainda a minha vontade de votar.

O da TV eu não vejo, por que em geral não vejo TV, mas sei que é bem bizarro também. E sinceramente, não me interessa! Eu escuto o da rádio porque como vocês já sabem sou ouvinte fã da rádio Metrópole já saio de casa com o fone de ouvido e como são só dez minutos eu escuto para ver o que está ruim, bom ou péssimo;;; Ouço para criticar mesmo. E só consigo sentir que estou sendo enganada. Eu que sou tão desconfiada, como pude confiar em político algum dia na minha vida?

Que me desculpe quem faz campanha, segue, admira ou trabalha com candidatos, mas eles, em sua maioria, não me representam. Há candidato para a prefeitura de Salvador que diz que vai "conversar biblicamente com traficantes para acabar a violência", cara, que idiotia é em que estamos mergulhados? A candidata colocada em segundo lugar repete algumas das mesmas promessas do prefeito quando se elegeu há quatro anos e o prefeito que pleiteia reeleição nem cumpriu algumas dessas promessas... Me poupem! Eu não acredito mais em vocês!





Rafaela Valverde
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sexta-feira, 19 de agosto de 2016

Por que a escola não serve para (quase) nada? Gustavo Ioschpe

Vi esse texto em um livro e gostei bastante dele até por que eu concordo muito com isso e já vi exemplos dos que eram os "cu de ferro da sala" terem apenas se formado em ADM por exemplo em uma faculdade particular dessas normais, enquanto algum outro 'porra louca', classe onde eu me incluo apesar de ainda não estar com uma carreira, muito menos em engenharia, passar em cursos como engenharia em universidade federal. Apesar disso não querer dizer nada, a gente sempre acaba caindo nessa de classificar a pessoa por isso ou por aquilo. Desde quando fazia Pedagogia eu venho me questionando qual o papel da escola , se ela sabe qual é esse papel e se cumpre. Deixo com vocês esse texto que é do ano 2000 mas é cada vez mais atual.

Imagem da internet



Por que a escola não serve para (quase) nada?

GUSTAVO IOSCHPE
Colunista da Folha 



Sempre me intrigou o fato de que os melhores alunos terminam não repetindo o sucesso escolar vida afora e, ao mesmo tempo, que as pessoas de grande êxito em suas atividades foram, frequentemente, maus alunos, ou pelo menos nada brilhantes. Não são inquietações que me surgiram agora, mas já na época de estudante.
Nessa mesma época, de estudante secundário, comecei a sentir um profundo incômodo com a vida estudantil. Quando criança, tinha muito prazer em ir ao colégio, em aprender aquelas coisas novas todo dia, em resolver mistérios. A educação é o mecanismo de inserção mais poderoso que há: com ela, penetramos no mundo e nos sentimos participantes da nossa realidade. A grande parede de ignorância que nos barra da compreensão do universo vai aos poucos sendo derrubada.
Mas, em um certo momento, lá pelo fim do primeiro grau, o encantamento se quebrou. Não sei se eu é que perdi a ingenuidade, ou se foi a escola que mudou, mas ficou tudo esquemático, mecânico e completamente broxante. A relação com o professor, que antes era de companheirismo e admiração nessa viagem de descobrimento, virou burocrática e antagonística. Pairava no ar o reconhecimento mútuo de que entrávamos em um teatro, onde mestres e pupilos eram atores secundários e o papel principal ficava a cargo da mediocridade, a se infiltrar e dominar tudo. Ela ditava que o nosso papel ali era de fingidores: o professor fingia estar ensinando e se interessando pela inteligência de seus alunos, e o aluno fingia estar aprendendo e absorvendo conhecimentos que lhe seriam úteis.
No fundo, todos sabiam que grande parte do que se ensinava ali era inútil e desinteressante, mas, enfim, caía no vestibular, então o que é que se havia de fazer, né?
Assim, passei, como todos os meus colegas, anos e anos regurgitando o que diziam os livrinhos que os professores nos indicavam. Líamos grandes livros, falávamos sobre grandes personagens históricos, mas o que ficava eram perguntas sobre o enredo, pedidos de descrição de eventos e causas. Nenhuma elucubração, nenhum desejo de ir além do texto, nenhuma tentativa, enfim, de pensar e imaginar. Qualquer tentativa de dizer algo diferente ou pensar o proibido era (e continua sendo) punida com canetaços vermelhos e notas baixas ou, em casos mais severos, conversinhas com orientadores pedagógicos e coordenadores educacionais (nomes infames para cargos que se resumem aos de carcerários do presídio de almas que é a escola moderna).
Assim, o sistema educacional transformou-se numa máquina produtora de mediocridade e resignação, que vai aos poucos filtrando os inconformistas e deixando-os de lado, rotulando-os como "problemáticos". Matando o espírito questionador, já que qualquer pergunta desafiadora é vista como um desafio à autoridade. Por isso é que os bons alunos não raro têm vida escolar apagada, e os maus alunos se saem bem: fora das paredes da escola, o espírito crítico, a imaginação e a vontade de fazer diferente são fatores indispensáveis ao sucesso.
O que só comprova a impressão de que colégios viraram exatamente aquilo que foram criados para combater: templos da gratificação da mediocridade e da mesquinharia; fortalezas que massacram aquilo que há de espontâneo nos jovens, e os "preparam para a vida", dando-lhes a garantia de sobrevivência que é, ao mesmo tempo, a garantia de uma vida sem saltos, voltas, dúvidas, explosões, entusiasmos, descobertas, angústias e fascínios. Tudo, enfim, que faz com que a vida valha a pena.
P.S. Antes que o tradicional espírito de porco pergunte se me imagino um gênio incompreendido, confesso que passei minha temporada escolar perseguindo notas altas e me empenhando em ser o melhor da classe, mesmo sabendo a falência moral que isso significava. O que só me entristece e envergonha.

01/05/2000



Rafaela Valverde

quarta-feira, 17 de agosto de 2016

A situação da UFBA com os cortes anunciados pelo MEC

Imagem da internet


A mera manutenção do teto seria insuficiente
O Ministério da Educação encaminhou proposta de orçamento para as Universidades Federais para a elaboração do Projeto da Lei Orçamentária Anual, PLOA2017. Os valores apresentados implicam significativa redução dos limites em comparação com o orçamento de 2016. Os números podem variar de instituição a instituição, mas acarretam diminuição da ordem de 19% do orçamento de custeio, podendo chegar, em certos casos, a 45% de redução em investimento, ou seja, em obras e em recursos de capital.
 Caso se concretize essa redução orçamentária, a rede de ensino superior público federal pode enfrentar uma crise profunda, capaz de ameaçar-lhe a estabilidade administrativa e a qualidade acadêmica. Nossas instituições estarão impossibilitadas de, na proporção exigida por suas atividades fins e suas respectivas dimensões, propiciar a manutenção regular e adequada de sua infraestrutura e das ações de ensino, pesquisa e extensão, manter e aprofundar políticas de inclusão e assistência aos estudantes em situação de vulnerabilidade, garantir as condições de segurança do patrimônio e da comunidade universitária, honrar ou preservar os contratos atuais de prestação de serviços, prosseguir com o investimento necessário em equipamentos, concluir obras paradas ou em andamento, compensar com seu próprio orçamento cortes que estão sendo praticados por outros órgãos federais, a exemplo, recentemente, de bolsas pelo CNPq e do custeio da pós-graduação pela CAPES.
A Universidade Federal da Bahia, especificamente, pode vir a ser atingida nos seguintes itens:
1.      Recursos para o funcionamento e manutenção (custeio) da UFBA reduzidos em 19% na PLOA 2017 em relação ao ano de 2016, afetando serviços de limpeza, portaria, vigilância, transporte, etc.;
2.      Redução da ordem de 25,4% nos recursos de capital, inviabilizando a continuidade ou a conclusão de obras fundamentais para a Universidade, bem como a reposição de equipamentos de informática, elevadores, entre outros;
3.      Corte proposto no PROEXT-MEC de 49% para a UFBA, restringindo programas de extensão essenciais à formação de profissionais socialmente comprometidos;
4.      Corte de 2,7% em programas de assistência estudantil, que são essenciais e cuja demanda só pode ser crescente em uma universidade como a UFBA, que há 10 anos implantou uma ampla política de cotas e na qual 20% dos estudantes se encontram em situação de vulnerabilidade;
5.      Supressão da rubrica do Programa Mais Médicos, programa vinculado à manutenção dos hospitais universitários e à implantação de novas escolas médicas, visando a superar dificuldades da assistência pública à saúde e do SUS.
Nesse cenário, a regularização orçamentária alcançada pela UFBA ao início de 2016 será comprometida, o que tanto pode descontinuar iniciativas exitosas de nossa história, quanto comprometer nosso futuro como um lugar de realização dos valores universais de produção do conhecimento e de gestão democrática dos interesses públicos relacionados à formação de cidadãos, às ciências e às artes.
A Universidade Federal da Bahia tem hoje uma grande dimensão, com sua população de quase 50 mil pessoas, entre estudantes, docentes, técnicos e terceirizados. Além de polo de ensino, pesquisa e extensão de qualidade, a UFBA teve, no contexto da expansão do ensino superior público, expressivo aumento do número de estudantes de graduação, passando de 24.367 em 2008 para 33.798 em 2015, e de 3.116 para 5.379 estudantes de pós-graduação no mesmo período, tendo sido abertos vinte e nove cursos noturnos de graduação entre 2008 e 2015.
É um fato consabido que, em face dessa grande dimensão e do nosso compromisso com a qualidade acadêmica, o orçamento da UFBA encontra-se bastante defasado. Desse modo, tendo em conta esse aspecto e, ademais, os reajustes contratuais obrigatórios, a própria inflação, a necessidade de recursos para a conclusão de obras inacabadas ou em andamento, além das despesas adicionais decorrentes do funcionamento de novos prédios (a exemplo da recém-inaugurada Biblioteca de Ciências e Tecnologia Omar Catunda), a simples manutenção do atual teto orçamentário já implicaria uma restrição severa para a UFBA. Em sendo assim, se a mera manutenção do teto seria insuficiente, uma redução qualquer é inaceitável.
É verdade que enfrentamos contingenciamentos e cortes nos dois últimos anos. Enquanto estiveram vigentes, tiveram impacto bastante negativo; e a UFBA, com claro sucesso, lutou contra eles. Entretanto, um orçamento diminuído é algo mais grave, pois significa consolidar em lei o que antes fora circunstância adversa. Com isso, contratos de serviços continuados teriam que ser reajustados à disponibilidade orçamentária, o que poderá significar uma redução danosa e indesejável de serviços essenciais, defrontando-nos de modo abrupto e terminante com restrições fiscais talvez inamovíveis e cujo impacto, nesse caso, será de longa duração.
Há, porém, tempo hábil para reverter esse grave equívoco. A Reitoria da UFBA vem assim apelar aos parlamentares que vão examinar e decidir sobre essa matéria; vem apelar, em especial, aos parlamentares da bancada baiana, que tão bem conhecem a UFBA e as demais instituições federais de ensino do nosso Estado, de modo que, sensíveis à importância estratégica das universidades públicas, não permitam o comprometimento de conquistas da sociedade brasileira, nem que sejamos compelidos a soluções que atinjam os próprios fundamentos de nossa estrutura acadêmica e o cumprimento de nossa missão.
Nossa sociedade tem o dever de escapar às premissas desse dilema. Afinal, nossas instituições não podem ser constrangidas a fazer cortes que lhes sacrifiquem a qualidade ou lhes comprometam obrigações, nem devem ser levadas, à força, a saídas que maculem suas notas características mais essenciais, contidas no compromisso do Estado brasileiro com o ensino superior público, gratuito, inclusivo e de elevada qualidade.
Reitoria da Universidade Federal da Bahia


Obs: Recebi esse texto por e-mail. Uma professora quem mandou. Nossa situação política não é fácil e a atual conjuntura exige reivindicação e luta, mas confesso que em alguns casos não sabemos como lutar. É revoltante! FORA TEMER! AÍ NÃO É O SEU LUGAR! Espero que tenhamos um futuro melhor, viu?

Rafaela Valverde

quarta-feira, 3 de agosto de 2016

Enel 2016 em Brasília, eu fui!

Pessoas lindas que conheci em Brasília
Brasília foi incrível. Conheci pessoas maravilhosas que com certeza ficarão para sempre em minha vida. Sim, eu fiz amigos! E de pensar que levei dois livros achando que seria a louca solitária sem amigos durante uma semana em uma cidade desconhecida! Quem diria que eu ia me enturmar, que eu seria tão bem acolhida por uma galera incrível? Nem tenho como agradecer a Deus pelas pessoas que Ele às vezes coloca em minha vida.

Pois bem, fiz amigos, me diverti, assisti palestras e comunicações acadêmicas, especialmente voltadas para a literatura; dei muita risada, dancei nas festas, comi bem, conheci Brasília. Foi muito bom! O clima da cidade é meio louco. É seco, faz muito frio à noite e dormimos em barracas, mas ainda assim eu gostei bastante dessa semana que passei lá.

Encontros de estudantes são sempre bons, apesar de ser mal vistos por professores rola bastante discussão sobre os cursos que fazemos, sobre a carreira e sobre assuntos concernentes à universidade. Só que são discussões leves, de forma descontraída, fora do ambiente sisudo acadêmico e ainda com muita festa e farra. É isso. Planejei essa viagem desde março e ela aconteceu, sendo melhor que o esperado. Já quero o EBEL, Encontro Baiano de Estudantes de Letras que será em Santo Antônio de Jesus aqui mesmo na Bahia.




Rafaela Valverde

segunda-feira, 20 de junho de 2016

Biblioteca Pública dos Barris está fechada: a quem interessa?

Imagem da internet
Em um estado e em um país em que a leitura não é valorizada e quase ninguém lê, a maior biblioteca do estado encontra se fechada ao público há vários dias. No dia 10/06, uma sexta feira ainda pudemos adentrar no prédio para estudar, porém antes de 17h havia um rapaz nas portas de vidro fechando-as e controlando para que ninguém entrasse, só saísse. Ele me informou que era devido a uma greve dos seguranças que estavam sem receber e resolveram paralisar por tempo indeterminado. Só voltariam quando recebessem os salários atrasados. Justo.

O setor de empréstimo estava fechado. Grades com cadeado. Isso é uma falta de respeito com os frequentadores. Que são poucos, mas geralmente jovens que não têm condições de comprar livros e que realmente se importam com a leitura. Já vi também muitos idosos lá no setor de empréstimo. São essas pessoas que ficam prejudicadas, pois para quem frequenta e gosta de ir às bibliotecas faz muita falta.

Eu acho isso uma total e completa falta de respeito e já registrei uma reclamação na Ouvidoria do estado. Porque é isso que nós cidadãos devemos fazer. Devemos reivindicar nossos direitos e reclamar de algo que esteja nos prejudicando. Nesse caso, eu estou precisando de meus livros para incrementar minhas leituras tanto para fruição quanto para adquirir conhecimento e não posso tê- los. 

Realmente gosto de bibliotecas, sempre gostei e frequento a biblioteca central há uns dez anos e exijo que o funcionamento seja restabelecido. Vou ficar batendo nessa tecla e vocês não sabem o que é mexer com os livros e com a biblioteca de alguém. Se não tem dinheiro para pagar os funcionários da segurança, diminua os gastos do nosso dinheiro para benefícios e salários altíssimos dos políticos, inclusive o governador que deveria cuidar muito mais da parte educacional e cultural do estado já que afirma o tempo todo que se importa tanto com a educação. 




Rafaela Valverde

quarta-feira, 1 de junho de 2016

Livro A língua de Eulália - Marcos Bagno

Imagem da internet
Li o livro A Língua de Eulália do professor e linguista brasileiro Marcos Bagno. O livro se denomina uma novela linguística e traz a história de Sílvia, Vera e Emília, três amigas que vão tirar férias no interior de São Paulo na casa da tia de uma delas. Lá, encontram com Irene, doutora em Língua Portuguesa que é a tia e Eulália, a inspiradora de toda a estória.

Durante as férias as amigas que são universitárias estudantes de Letras, Pedagogia e Psicologia têm um novo encontro com a Língua Portuguesa, com a variação e com a sociolinguística. Irene passa a dar aulas a elas todas as noites e vai mostrando os capítulos do seu novo livro falando sobre o tema. O livro ainda será lançado e as três amigas viram "cobaias" e ao mesmo tempo aprendem muitas coisas sobre o Português Padrão e o Português Não Padrão.

Irene deixa claro que não há apenas uma língua portuguesa no Brasil, que há a variação a depender da localidade e situação em que se esteja. O ensino da língua hoje no Brasil é discriminatória e não auxilia no aprendizado dessas questões referentes à variação linguística.

Vários conceitos são mostrados ao longo do livro, é contada um pouco da história da língua que se derivou especialmente do Latim. Ainda é mostrado como as variações são coerentes e têm sua própria lógica com explicações plausíveis. Há os mesmos tipos de variações em outras línguas como o francês e o italiano. O principal aprendizado é que não há certo ou errado quando se trata da língua falada e das variações realizadas pelo falante.

A estória do livro é besta e têm até diálogos meio artificiais, porém os conceitos referentes à língua e tudo o que pode ser apreendido compensa a construção da novela. É uma literatura mais funcional. Eu gostei muito desse livro, é possível aprender várias coisas com ele. Ele é da biblioteca do Sesc, mas um dia eu pretendo comprá-lo. Vale a pena.


Rafaela Valverde



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