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sexta-feira, 29 de junho de 2018

Escolhi não sofrer

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Eu escolhi não sofrer. Decidi que não ficaria choramingando por pessoa bosta. Acordei um belo dia e disse para mim mesma: "não vou mais pensar nessa pessoa escrota". E assim tenho seguido minha vida. E sabe que não tenho pensado mesmo? Pra mim é como se a pessoa nem existisse e como se ela nunca tivesse passado pela minha vida. Eu dou graças a Deus todos os dias por isso. Quando a gente passa a enxergar mais Deus e mais a gente mesma, para de pensar, de se importar e de gostar de homem escroto que não merece a gente. Isso é maravilhoso! Deus fala para amarmos a Ele acima de qualquer coisa e isso faz sentido quando passamos por certas coisas. Quando amamos outra coisa mais que a Ele temos grande chance de nos dar mal. Porque ninguém tem tamanho amor e tamanha capacidade de nos corresponder como Deus. Deus não nos decepciona. Nunca. Então, essa lição fica bem clara pra mim na medida em que as coisas vão acontecendo, principalmente no que se refere a relacionamento com outras pessoas, sendo namoro ou amizade. Se isso está acontecendo é porque eu amei mais pessoas do que a Deus e essas pessoas sempre vão me decepcionar e sempre serão imperfeitas, assim como eu. Simplesmente porque elas são pessoas. É claro que não podemos redimir pessoas escrotas da sua escrotidão e mau caratismo. Não tenho dúvidas que as pessoas escolhem agir mal com outras. Assim como temos o amor, temos livre arbítrio dados por Deus. Então, a pessoa sabe que está sendo escrota e continua sendo. Por livre escolha dela. E eita que já me perdi do que eu estava falando exatamente. Estava falando da minha decisão de não sofrer. Pensei e vi que tinha duas opções: sofrer e choramingar por alguém ridículo que fez promessas falsas ou simplesmente mudar e sair da zona do sofrimento. Escolhi, é claro, a segunda opção e até já escrevi poema sobre isso. Depois que esse embuste-encosto saiu da minha vida eu me reconciliei com Deus, eu sinto um amor imenso no meu coração; minha auto estima está mais lá em cima do que nunca - ao contrário de quando estava com ele que me sentia como um lixo que não podia nem falar e me expressar, já que tudo o que eu falava estava errado. Depois que esse traste se retirou da minha vida tenho mais tempo para mim mesma, mudei o cabelo, durmo melhor (na minha cama de casal nova!), estou fazendo exercícios físicos e me amando tanto, mas tanto. Cada vez mais linda, mais rainha. Até minha pele melhorou! Não tenho mais nenhuma necessidade de medir minhas atitudes e palavras por causa de pessoas medíocres. E isso me dá um grande alívio. O que consequentemente me fortalece e faz com que não sofra mesmo. Um peso foi retirado da minha vida e eu sofri e chorei por mais ou menos um mês, mas agora já passou, já foi. Estou bem plena. Melhor que nunca. E a tendência é melhorar. Porque Deus está comigo. É só o que importa.



Rafaela Valverde

segunda-feira, 18 de junho de 2018

Erva daninha


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Corro pela rua
O fone no ouvido
Desci da lua
Não quero mais me distrair
Mantenho a mente sempre aberta
Pra não ruir
Piso em tudo o que é menos no chão
A folha seca, formigas, na perna arranhão
Cai o sangue, ferida aberta
Sangra!
E justo quando está para cicatrizar
Vem outra erva daninha e arranha
Justo quando estou caminhando
Olhando para frente
Na estrada tacanha
Que a vida é...
Mas não posso mais deixar
Que sofra a minha mente
Corpo e coração
Eu já disse coração?
Não importa!
Quebro a rima
Para clarear
O quanto quero estar pra cima
A partir de agora
Imaginar
Mas também viver
A vida aqui fora
Fora de mim
Suspirei
Fui na farmácia, comprei antisséptico
Pra matar tudo isso, enfim
Estou atenta
Distrair para me destruir, não mais
A erva, a daninha, até tenta
Mas eu já superei!




Rafaela Valverde

Responsabilidade afetiva, você tem?

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Vou falar um pouco sobre responsabilidade afetiva. Não que eu seja psicóloga nem nada e nem estou aqui para tentar discutir e definir teorias acerca de quaisquer temas que sejam, mas com certeza já fui bastante atingida pela falta de responsabilidade afetiva dos outros, principalmente dos homens. Então, a intenção aqui é falar da minha experiência para tentar conscientizar as pessoas para que tenham responsabilidade e empatia com os sentimentos dos outros.

Bem, primeiro vou começar por um ponto muito importante, talvez o mais importante para algumas pessoas: o amor próprio, a prioridade para si mesmo. Claro que a gente mesmo deve vir em primeiro lugar, ninguém está falando o contrário. E não, não é egoísmo pensar na gente em primeiro lugar. Ao contrário, quando pensamos em nós mesmos e nos amamos fica mais fácil olhar para o outro com amor e empatia. Pois bem, para ter amor próprio e se valorizar não precisa usar outras pessoas a seu bel prazer, nem é preciso envolver alguém até esse alguém se apaixonar para se auto afirmar. Olha só, que incrível, existem outras formas de se auto afirmar: fazer exercício físico, escrever, pintar, produzir alguma coisa, ser inteligente... Há muito o que se fazer no universo para se sentir bem consigo mesmo, não precisa envolver o sentimento de outra pessoa ou outras pessoas, no plural. Porque tem gente que faz disso um hábito e age com irresponsabilidade afetiva diversas vezes na vida.

Vamos lá. É preciso olhar o outro com respeito, amor fraternal, seriedade e empatia - mais uma vez a empatia - ela é essencial! Quando você não está preparado para se envolver em relacionamentos ou ficar, ou seja lá o que for que envolva  outrem - e não venha com uma conversa de que não se sabe, a gente sempre sabe se está preparado ou não (!) então, não se envolva. Então não envolva ninguém em sua teia de insatisfação, dor e incoerência. Tenha um relacionamento com você mesmo ou com Deus. Mas fique só.Vá pensar na vida, ler a bíblia, ir ao cinema ou ao teatro, fazer caminhada, ver o pôr do sol. Talvez não dê para acreditar mas é possível fazer muitas coisas sozinho e ser feliz sozinho também.

Se não se sente preparado não envolva outra pessoa em sua vida, com sua família, com suas questões e vida pessoal. Essa pessoa também tem família, vida pessoal e questões. Ela tem sentimentos e provavelmente vai sofrer quando não mais conseguir satisfazer seus caprichos de pessoa mimada. Se não quer namorar não namore, se não quiser ficar não fique, se somente quiser ficar, sem ter certeza se gosta para ter algo mais sério, deixe claro, bem claro. Fale, grite e não fique inventando palhaçadas de namorico de adolescente. A outra pessoa não é idiota, nem criança. Ela vai entender e se não tiver na mesma vibe, vai sair da sua vida. Apenas tenha sinceridade, maturidade, humildade e amor ao próximo. Se você é uma pessoa boa você vai se preocupar minimamente com o outro e com o que vai causar na vida desse outro. Pense, respire, analise, ore, pergunte a outras pessoas, se questione várias vezes se você realmente gosta dessa pessoa a ponto de se relacionar. Não deixe o outro se relacionando sozinho. É triste, machuca. Se não vai ficar, se não tem intenção de ficar, não prometa nunca ir embora, não prometa vida a dois, casamento, filhos, futuro. Não prometa, idiota. Não prometa!

E além de tudo isso, envolver alguém deliberadamente em sua vidinha medíocre, ainda tem a falta de sinceridade. A coisa não está mais andando, todo mundo está percebendo, mas você não tem a coragem de falar, de abrir o jogo. Fica maltratando, ignorando, fazendo joguinho, se cala, passa mais tempo no celular, não toca, não beija, não deseja e faz de tudo para que a outra pessoa termine. Isso é uma sacanagem. É uma covardia! Você acaba gerando mágoas, raiva e energias ruins para si mesmo e para sua vida.

Ter um pouco de cuidado com o outro não custa nada. É simples. É só ficar quietinho no seu canto. Não baixar Apps de paquera, não pedir para amigos te apresentarem a alguém e não ficar buscando outras pessoas, PESSOAS, sim, olha eles são SERES HUMANOS iguais a você. Não diga que ama, não elogie, não envolva, não mande músicas, não seja romântico, não faça nada que faça o outro se apaixonar por você, se você não tiver realmente afim de viver aquilo. Porque relacionamento é coisa séria e não é fácil. Relacionamento é ajuste, é diálogo constante, é conflito, é conviver com outra pessoa e aceitar seu jeito de ser. Relacionamento é respirar fundo às vezes, e querer matar o outro de vez em quando, é muito difícil e não é para qualquer um, portanto se você realmente não quer se relacionar com AQUELA PESSOA, se acha que talvez vocês não combinem tanto, então não ENVOLVA ESSA PESSOA. Deixe ela em paz no canto dela. Porque qualquer coisa diferente disso é cretinice. Cresça, acorde e tenha responsabilidade afetiva. Nós agradecemos.



Rafaela Valverde

terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

Maturidade para mudar

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Eu sou uma pessoa difícil e fácil ao mesmo tempo. Uma das incongruências da vida é poder ser a gente mesmo. Sem maniqueísmos. Sem o totalmente bom e sem o totalmente mau. Eu sou chata e legal. Eu acordo de mal humor às vezes, mas uma hora depois já estou de boa. De incongruências vivem os seres humanos, de incongruências vivo eu. Sou insegura, às vezes. Com essa insegurança posso fazer grandes estragos em minha auto estima e em meu relacionamento com as outras pessoas. Eu faço muita merda, às vezes. Mas, claro, faço muitas coisas bacanas. Como todo mundo. Ninguém é só uma coisa. Ninguém é só bom ou mau. 


Eu não tenho pensamento linear sobre nada. Estou pensando em uma coisa agora e daqui a cinco minutos tudo pode mudar. Quase nunca premedito nada. Nem sei premeditar. Até meus personagens  e poemas são criados quando estou sentada escrevendo. Como eu iria premeditar atitudes idiotas que tenho às vezes? Minha mente trabalha com turbilhões de emoções ao mesmo tempo. A ansiedade não me deixa parar. Uma vez tive uma crise de pânico. Só contei para uma pessoa. Como falar essas coisas sem que nos taxem de malucos e frescos? O que estou querendo dizer aqui é que muitas coisas podem estar acontecendo ao mesmo tempo na minha cabeça enquanto eu faço ou falo alguma coisa.

A minha auto estima nem sempre é boa. Nem sempre está em alta. Eu costumo achar que todo mundo me odeia. Que ninguém me suporta. Que estou sempre incomodando... Que não há espaço para mim em lugar nenhum... Às vezes não me encaixo, apesar de fazer um esforço muito grande para isso. Quase nunca quero conversar com ninguém. Eu não aguento conversas bestas que não me levarão a lugar nenhum. Não gosto de conversar sobre atrações e valores de festas Open Bar. Me desculpem, mas a minha mente é tão agitada que eu só quero um pouco de sossego de vez em quando.

Em muitos casos procuro briga por tudo. Tudo é motivo de eu me indignar e reagir. Eu já fui tão vilipendiada na vida (eita, que hoje estou usando palavras difíceis!) que por qualquer coisinha tendo a reagir, tendo a não admitir ser tratada de forma diferente da que eu mereço, da forma que eu trato. E qualquer indício de que posso vir a ser maltratada me faz acender uma luz vermelha. Dessa forma acabo metendo os pés pelas mãos e maltratando quem não merece ou agindo como criança. Pior que criança. É um defeito grave. Não tinha me dado conta dele antes e agora consigo perceber o porquê de algumas pessoas se afastarem de mim. Como já mudei muito ao longo dos anos e consegui melhorar e até mesmo corrigir alguns defeitos que tinha, também agora com a percepção desse, preciso tomar atitudes para corrigir. Urgente! Porque não quero e nem posso mais perder mais ninguém. Já chega!

Eu antes era uma pessoa teimosa que só ouvia a mim mesma, a opinião do outro não importava; era controladora, calculista, ciumenta, grudenta daquelas de querer falar com a pessoa o tempo todo... Eu já corrigi muitos defeitos e pretendo corrigir mais esses. Era só uma questão de percepção. Alguém que eu amo me fez perceber o quanto sou estúpida e infantil ainda. Nem eu me suportaria. Eu ainda preciso mudar muito. Ser segura o suficiente para não deixar coisas pequenas me atingirem num grau superlativo. O meu maior problema é insegurança, ansiedade, depressão. Eu não faço por mal. Só parece que algo em meu eu gosta de brigar ou precisa sempre se indignar,  sei lá...

Mas é muito bom ter maturidade para perceber erros e defeitos. É muito bom olhar para dentro de mim mesma, dar um passo para trás e observar o que deve ser mudado. Já devia ter sido, só que eu ainda não tinha percebido a gravidade do problema. Sim, mudar é preciso!



Rafaela Valverde

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

Não te pedi opinião sobre meu corpo!


Não. Eu não te autorizo a fazer comentários sobre meu corpo. Não quero que você fale sua opinião sobre mim, sobre meu corpo, sobre meu cabelo, meu estilo de vida, tatuagens... Nada! Cale a boca e pronto. Nós, gordos, já nos cansamos de ouvir seus comentários maldosos sobre nossos corpos. Aguentamos isso durante anos, anos e anos. Mas agora temos voz, tomamos nossa voz e não permitiremos mais piadas, comentários escrotos e nem mais pio. 

Já escutei muitas coisas durante toda minha vida. Minha infância foi tomada por bullying e zoação sobre meu corpo. Minha adolescência foi um pouco melhor porque espichei um pouco e perdi peso, mas agora na minha vida adulta passo a ouvir comentários sobre meu corpo e sobre o fato de eu estar acima do peso. Sempre estive e sempre estarei. Até mesmo o homem que se diz ou se dizia meu pai fazia comentários, brincadeiras e dava gargalhadas com suas piadas infames sobre o fato de eu ser gorda. Quando decidi dar um basta nele, nós deixamos de nos falar. Graças a Deus.

Ser gordo é esquisito, é estranho. Estar acima do peso é chamariz de doenças, assim eles dizem, todos eles que são os perfeitões, os julgadores de corpo e vida alheias. Sou incapaz de fazer qualquer comentário sobre o que quer que seja  da vida dos outros. Mas existem pessoas que parecem sentir  um prazer orgástico nisso. Só se sentem realizadas se tecerem comentários desagradáveis sobre tudo e todos.

Essa coisa escrota sempre existiu. A diferença é que agora a gente expõe quem faz isso. A gente cansou de aceitar tudo calado. Eu já me cansei.  Não foi uma, nem duas, nem três vezes que encontrei pessoas na rua e elas se admiraram pelo fato de eu estar gorda. O mais engraçado é que uso o mesmo manequim há anos. Minhas roupas são grandes, ou a depender da forma, super grandes há anos. Não tem nenhuma novidade no fato de eu estar acima do peso. Mas, mesmo assim ainda é possível encontrar com pessoas admiradas, pois cada vez estou mais gorda.

Ontem foi um desses dias. Estou morando aqui no bairro novamente há mais de um ano. Não engordei mais de dois quilos desde que vim morar aqui e ainda assim consigo encontrar gente com língua ferina, para não dizer maldita, que fala algo sobre isso, como se eu tivesse triplicado o peso ou ficado grávida de repente. Falo grávida porque é uma condição em que geralmente se engorda muito...

Enfim, espero que as pessoas tomem consciência e parem de tomar conta da vida, da comida, da gordura e do corpo do outro. Porque é muito ruim pra gente escutar coisas desse tipo. Nós temos espelho em casa, nós compramos roupas, nós vivemos no nosso corpo e sabemos exatamente como ele é. Nós gostamos de comer. Nós sabemos que somos gordos. Não precisamos das opiniões de vocês. E calem a bokita, tá? Tá! Beijos de luz e paz




Rafaela Valverde


quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

Mulher ao espelho - Cecília Meireles


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Hoje que seja esta ou aquela,
pouco me importa.
Quero apenas parecer bela,
pois, seja qual for, estou morta.

Já fui loura, já fui morena,
já fui Margarida e Beatriz.
Já fui Maria e Madalena.
Só não pude ser como quis.

Que mal faz, esta cor fingida
do meu cabelo, e do meu rosto,
se tudo é tinta: o mundo, a vida,
o contentamento, o desgosto?

Por fora, serei como queira
a moda, que me vai matando.
Que me levem pele e caveira
ao nada, não me importa quando.

Mas quem viu, tão dilacerados,
olhos, braços e sonhos seus
e morreu pelos seus pecados,
falará com Deus.

Falará, coberta de luzes,
do alto penteado ao rubro artelho.
Porque uns expiram sobre cruzes,
outros, buscando-se no espelho.





Rafaela Valverde

Foda-pra-caralho!

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Nesses raros momentos românticos da minha vida em que fiquei por alguns momentos, poucos, em companhia de alguém que esteja amando, ouvindo alguma playlist fofa e romântica eu me senti bem. Essas coisas me deixam tão satisfeita que é como se eu tivesse nascido especialmente para isso, para viver dessa forma, em eterno clima de romance, me desculpem a redundância, eternamente. Mas, me diga quem é que não quis em algum momento da vida algum momento desse a la conto de fada daquele bem da carochinha que a gente acha que pode acabar a qualquer momento? Quem diz que não, é um puta mentiroso. Um mentiroso do caralho. E vou aqui mesmo falar meus palavrões mesmo. Se não quiser ler não leia. Tchau. Não é essa a palavra? Ciau, bye... Sim, esse é mais um dos meus textos malucos para comprovar que não existe ninguém normal no mundo e nem mesmo existe quem  não queira viver um mísero momento como esse. De romancinho-água-com-açúcar. Pois bem, é assim que me encontro nesta noite que um dia pode vir a ser famigerada e ordinária. Espero que não seja, mas não sou daquelas pessoas que costuma conseguir o que quer ou o que espera. Geralmente tudo escorre da minha mão mesmo, como uma água muito mole e escrota... Nesses raros momentos de paz e calmaria da minha vida eu não sei o que pensar, porque por mais que agradeça nunca me sinto suficientemente grata e nem acho que mereço tanta coisa boa que acontece quase sempre agora. Fico achando que a qualquer momento o jogo vai virar de novo em breve  vou  cair naquele rio solitário de amargura e depressão. Quando a gente passa anos sofrendo fica difícil acreditar que o sofrimento acabou e que agora tudo é bom, calmo e reciproco. Tem coisa mais inacreditável que a reciprocidade? Principalmente pra mim que quase nunca tive nada recíproco na minha vida. Tudo que eu vivi por um período era mentira. Mas será que agora é mesmo verdade? Aí fico confabulando todas essas coisas e pensando em tudo isso, no que é verdadeiro ou não. No que é recíproco ou não. No que é, mas de repente pode deixar de ser... Fica um pouco difícil viver assim às vezes. Se me deixar levar por esses pensamentos eu não vivo. E mesmo quando recebo um telefonema avisando que teríamos uma boa comemoração com direito a molho de tomate caseiro e tudo, eu ainda, mesmo que sorrindo, me parei pensando se mereço tudo isso mesmo e se tudo isso é verdade mesmo. Sei lá, bate uma dúvida. As pessoas dizem que a gente é nada, que a gente não merece nada e a gente acredita. A gente passa dias, meses, anos acreditando que é um lixo porque isso foi dito, mesmo que nas entrelinhas, várias vezes, por várias pessoas que a gente começa a acreditar piamente. Depois de muito tempo acreditando nessas coisas, depois de muito sofrer achando que não merece nada da vida, a gente até liga o Foda-se, porém ainda ocorrem algumas recaídas de vez em quando. E nesses raros momentos românticos e recíprocos da minha vida eu me ponho de joelhos e agradeço aos céus, aos deuses, aos orixás a todo mundo, porque isso é foda-pra-caralho. Bem, é isso... Se for um sonho não me deixem acordar.





Rafaela Valverde

terça-feira, 23 de janeiro de 2018

Minha borboleta

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A gente corre, corre e corre atrás da borboleta, mas ela foge da gente. Um belo dia quando a gente para de procurar e se distrai, é aí que a borboleta posa em nosso ombro. Ouvi essa história há um tempinho e me encantei logo de cara. Já gostava de borboletas, mas foi aí que decidi que gostaria mais. Essa pequena história quer dizer que durante muito tempo a gente fica procurando algo que às vezes nem sabe o que é e quando a gente para de procurar ou até mesmo perde as esperanças essa coisa acontece. Sem mais nem menos. Eu, por exemplo, estava aqui de boa, na minha, sem nem pensar em nada disso, sem nem pensar em me apaixonar de novo, mas em alguns momentos é a vida quem manda na gente, sei lá. Parece que há sempre alguma coisa predestinada, apesar de eu acreditar muito mais no livre arbítrio, em livres escolhas. Mas, querendo ou não, em determinado momento alguma coisa acontece sem que você queira ou sequer se dê conta. Pois bem, eu me apaixonei. Perdidamente. Loucamente. Rapidamente. Tantos advérbios para explicar e caracterizar o que não tem explicação e nem caracterização específica. Paixão é a coisa mais maluca que alguém pode sentir.  É ao mesmo tempo doença e cura, ao mesmo tempo que dá tensão de saudade, nos deixa com sorrisos idiotas o dia todo. Paixão é um sentimento pouco inocente, pouco isento. Arrasa tudo que vê pela frente. Consome fornalhas e mais fornalhas, esquenta... Pode virar amor. E esse sim é o mais sublime encanto sentido por seres humanos. A minha borboleta chegou no momento que eu imaginava que não mais seria capaz de despertar interesse em borboleta nenhuma. Posou no meu ombros descaradamente e eu não podia deixar que ela se fosse. Tentando buscá-la, caçá-la foi que me meti em uma enrascada disfarçada de namoro no passado. Hoje, eu sei que as coisas não serão mais assim. Eu não sinto apenas. Eu tenho certeza. Eu quero ficar nessa relação, eu quero tentar. Não são expectativas, são certezas. Expectativas são coisas que já descalcei há muito tempo. Não tinha expectativas nenhuma quando encontrei essa nova paixão lá no décimo dia do último mês de 2017. Sim, como eu disse foi tudo muito rápido. Porque era pra ser. Porque estávamos sendo preparados um para o outro. Porque estou lembrando muito bem que Deus me disse para esperar, para ficar calma e não procurar. Que essa hora chegaria. Que essa pessoa chegaria. Daí eu fiquei tranquila, parada e não procurei. Eis que chegou minha borboleta, minha rechonchuda e brilhante borboleta. Suas cores me enchem de alegria, sua calmaria me enche de paz. Suas graças me enchem de gargalhadas. Meu peito está cheio de um sentimento lindo e avassalador que me pegou depois de muitos anos. Há muito tempo não sabia o que era ficar sorrindo pelos cantos, ao invés de chorando e me lamentando. A minha borboleta me alcançou, me escolheu e é perto dela que vou ficar. Não vou deixar escapar. Não dessa vez. Me faz bem. Quero ela perto de mim, como já disse não vou deixar que ela escape, mas não vou prendê-la. Comigo não existe isso. Aqui a gaiola são meus braços e pernas enroscados quando estamos nus na cama de madrugada. Aqui, ao meu lado, fica quem quer. E ele quer. Minha borboleta, o dono da minha paixão. Quer. Ele-me-quer. E olha que nem imaginava que ainda tinha pólen para atrair uma borboleta tão incrível. Mas não é que eu tenho? Sou muito privilegiada!




Rafaela Valverde

domingo, 31 de dezembro de 2017

Adeus 2017!



Não posso dizer que 2017 foi um bom ano.  Terminei um namoro ruim e o que seguiu a partir daí foi bem escroto, mas já passei uma borracha nessa história que nem devia ter acontecido. Enfim, passando dessa parte que foi bem no inicio do ano, pulo para o carnaval que também foi bem no início e é um tema bem melhor. Fui depois de dois anos ao carnaval e pela primeira vez à noite, no circuito da Ondina. Fui atrás da pipoca de Armandinho e foi maravilhoso. Apesar de ter ido na última noite. Foi o melhor carnaval da minha vida.

Em abril fui para Recife e foram dias maravilhosos que passei lá. Viajar é uma das experiências mais gratificantes da vida. Mas esse ano tive poucos momentos realmente bons. Não posso mentir. Minha bolsa de iniciação científica acabou, tentei três estágios diferentes para atar em sala de aula e nenhum dos três deu certo. Isso foi muito frustrante por mim, sobretudo por eu não poder fazer nada. Me senti muito impotente. Com isso fiquei sem renda, o que me impediu de continuar saindo e fazendo minhas coisas. Deixei de ir à baladas, cinema ou qualquer outra coisa. E olhe que comecei o ano indo quase que toda semana ao cinema, o que eu amo. Enfim, tive momentos ruins financeiramente e na vida como um todo, pra falar a verdade.

Quantos dias e noites pensei em me matar. Coisa oriunda de uma grande depressão que fez ter uma recaída. Em muitos momentos acordava com vontade de morrer. A cada não que tomava em entrevistas de empregos e / ou estágios eu me sentia muito frustrada. Foi bem complicado. Tive vários momentos em que me senti inútil, com baixa auto estima e me achando a pior pessoa do mundo. Não curti São João. Não fiz quase nada que eu queria, mas consegui vencer tudo isso e estou aqui viva e bem.

Foi um ano bastante produtivo no que se refere a estudos e escrita. Comecei a escrever um livro de contos, que não sei quando vou terminar, escrevi o relatório final de pesquisa e fui destaque da Iniciação Científica do ano. Essa parte esteve tudo muito bem obrigado.  Tomei várias lições da vida. Lições de fé, de otimismo, de amor próprio, de amizade. Vi quem é realmente meu amigo e esteve sempre ao meu lado, disposto a me ajudar. Obrigada amigos. Um ano que conheci muita coisa nova na música e na literatura. Grandes descobertas e aprendizados. Agora, já no último mês, depois de tantos nãos chegou minha melhor notícia, meu emprego apareceu e é assim que vou começar o ano. Empregada. 

E ainda teve as questões políticas, sociais, os feminícidios e todas as atrocidades que aconteceram no Brasil e no mundo e que não deixam de nos marcar profundamente. É isso. Esse é, resumidamente, meu 2017. Que venha 2018. Muito melhor, fluindo, ano par... Coisa boa! Feliz ano novo para todos.




Rafaela Valverde

sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

Cuidados com o cabelo e plano para 2018

Há um tempo decidi deixar meu cabelo sempre médio. Não sei se tenho paciência com cabelo muito comprido não. Nunca tive cabelo compridão nem quando eu dava química. E acredito que deve dar muito mais trabalho e não sei se terei tempo. Já preciso lavar o cabelo de três em três dias, já que ele embola e embaraça bastante na parte de baixo, onde tem partes mais lisas.

Há dois anos mantenho ele médio, passando um pouco do ombro, mas sempre corto, renovando as camadas. E olhe que meu cabelo cresce muito rápido mesmo. Eu cuido muito então acho que ele é sim um cabelo saudável, na medida do possível e das minhas condições financeiras. Pois bem, o que quero dizer aqui é que agora, a partir desse final de 2017 decidi que quero deixar o cabelo crescer e ficar comprido, o mais comprido possível. Vou "criar o cabelo", como se diz aqui na Bahia. Não pretendo mais cortar e vou ver como me saio com um cabelão. Cortei em maio, com retoques de camadas em outubro mas sem mexer no comprimento.

Acho que vou me dar bem e vou continuar mantendo a saúde dos fios, já que estou tão acostumada a cuidar. Não consigo lavar o cabelo sem hidratar. É muito raro. Outra coisa que quero dizer aqui é que voltei a fazer fitagem, não daquelas muito caprichadas, mas ainda assim fitagem. Capricho mais no meio e na frente, fazendo uma fitagem mais estruturada ou dedo lis. É a mesma coisa. Dessa forma, fica mais definido nessa área, ficando com cachos mais firmes e menos frizz.

É isso. Um pequeno relatório sobre meus cuidados capilares, já que sei que tem muita gente que lê o blog e gosta muito dessa parte. Hoje lavei na lavanderia, com a cabeça pra baixo, massageando o couro cabeludo com as pontas dos dedos em movimentos circulares - o que ajuda a estimular o crescimento. Passei xampu duas vezes e depois passei essa máscara de hidratação abaixo, com uma sacola plástica, deixei agir por cerca de quarenta minutos.

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Essa máscara é muito boa. Se quiser, intensifique-a com algum óleo ou Bempantol.


Depois passei meu condicionar, um pouquinho só nas pontas, durante o banho e finalizei com esse creme de pentear que é bom, tem filtro solar mas não segura muito meus cachos, é muito leve. Mas ainda assim gosto dele.

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Esse creme custou apenas 7,00 aqui no meu bairro


Bom, é isso. Em breve volto com mais novidades sobre meus cachos e como estou cuidando deles.





Rafaela Valverde


sábado, 9 de dezembro de 2017

Para Educar Crianças Feministas - um manifesto e Sejamos Todos Feministas de Chimamanda Ngozi Adichie

Os livros Para Educar Crianças Feministas - um manifesto  e Sejamos Todos Feministas de Chimamanda Ngozi Adichie são livros reveladores, especialmente para quem não conhece nada de feminismo e anda falando besteira por aí. É muito importante para conhecer algumas pequenas questões - ou talvez não tão pequenas assim - que ela aborda de maneira tão bem feita que não dá para desgrudar do livro e ainda ficar concordando que nem uma doida, balançando a cabeça na rua.

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Chimamanda é Nigeriana, nascida em 1977. É uma das mais conhecidas e bem sucedidas escritoras de literatura africana em língua inglesa. Só a conheci no ano passado na faculdade de Letras, assistindo uma de suas palestras em uma aula de literatura. Como tive facilidade de ler seus livros, aproveitei logo a oportunidade e li. São livros bem fáceis de ler. Terminei em um dia. Pois bem, Para Educar Crianças Feministas - um manifesto é uma carta/manifesto escrito para sua amiga que lhe perguntara como educar a filha de maneira feminista e para ser feminista A partir dessa resposta, ela cria inúmeras respostas e uma lista com coisas a serem feitas e coisas para nunca serem feitas. É bem didático, sobretudo para quem critica tanto o movimento feminista que busca igualdade entre homens e mulheres, nada mais. Trarei duas frases do livro:

Seja uma pessoa completa. A maternidade é uma dádiva maravilhosa, mas não seja definida apenas pela maternidade. Seja uma pessoa completa. (p. 14)

Ensine-a a ler. […] Os livros vão ajudá-la a entender e questionar o mundo, vão ajudá-la a se expressar, vão ajudá-la em tudo o que ela quiser ser. (p. 34)

Então, né gente? O livro é maravilhoso e traz algumas coisas que já pensava há anos. Reflexões sobre a mudança do sobrenome da mulher ao se casar, reflexões sobre o rosa e o azul - definições de gêneros impostas pela sociedade e muitas outras... É um livro que nos coloca para pensar.

Já Sejamos Todos Feministas é uma de suas palestras adaptadas para livro e vem para reforçar as ideias do feminismo mesmo. Como se fosse a repetição para a confirmação de determinada ideia. Desconstrução de conceitos fortemente arraigados já há muito tempo em nossas sociedades.

Trechos destacados:

"Perdemos muito tempo ensinando as meninas a se preocupar com o que os meninos pensam delas. Mas o oposto não acontece."


"E se criássemos nossas crianças ressaltando seus talentos, e não seu gênero? E se focássemos em seus interesses, sem considerar gênero?"


É também um excelente livro, que aborda várias questões que precisam ser abordadas e discutidas. Gostei bastante dessas leituras. Todo mundo deveria ler!



Rafaela Valverde


terça-feira, 5 de dezembro de 2017

Eu tenho uma pessoa e sou eu!

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Eu já sofri muito. Já sofri muito nessa vida. E já tinha sofrido muito desde que você me deixou. Passeis uns seis meses sem saber de mim. Fora de mim pra falar a verdade. Eu estava com você, em você. Só tinha um pensamento: queria você de volta. Mas hoje isso é tão ridículo. E em tempos de empoderamento feminino, elevação de auto estimas, essas coisas, não cabe bem eu preferir você em detrimento de mim mesma. Sabe dizem que isso não é amor. Eu acho que é amor sim. Porém é mais amor pelo outro, nesse caso por você, do que por mim mesma.  A questão toda, é que graças a Deus isso mudou. Eu amo mais a mim hoje do que a você. Eu encontrei uma pessoa e ela sou eu mesma. Hoje só sofro por mim mesma. Hoje não admito ser maltratada por ninguém. Hoje só consigo ser capaz de ficar fora de mim por mim mesma.

Não sei dizer exatamente por quanto tempo fiquei no limbo. Às vezes o limbo ainda vem. É escuro, vazio e pegajoso. Mas não é por você, nem por ninguém. É simplesmente pelo fato de minha vida ser uma bosta mesmo. Em alguns momentos, ou quase todos os momentos em que estive com você foi menos bosta do que é agora. Confesso que fui feliz ao seu lado. Isso eu nunca escondi de ninguém, nem de você. Confesso que ainda existe algum resquício desse amor aqui por dentro de mim. Ele nunca vai morrer. Amor não morre, eu sei. O que apaga é o fogo da paixão, mas o incêndio do amor, só pode ser escondido e não finalizado. Jamais.

Ainda assim meu amor por mim mesma, graças a Deus, hoje, se sobrepõe ao amor que sinto por qualquer outro ser na terra.  Eu escolho a mim e sempre escolherei. Não creio que você volte a me fazer mal de novo algum dia, até porque eu não deixarei que isso aconteça. Até porque não sofro mais como antes e até porque não existe tanta proximidade assim entre nós, como eu penso. Estamos acabados, não existimos mais como casal e nosso Facebook não nos deixa mentir com as palavras "solteiro" e "solteira." Queria te tratar com um pouco mais de frieza do que o necessário. Queria tratá-lo com mais frieza do que trato usualmente. Queria, mas não trato, não consigo e não vou conseguir nunca. Quando penso ou falo com você sempre sinto afeto e vontade de fazer cafuné em você e tocar sua pele macia. 

Mas, não confunda as coisas, eu demorei, mas, hoje não me confundo mais! Isso não significa que eu pense em você como meu de novo, que eu tenha sonhos de Cinderela donzela e apaixonada de novo. Não significa que eu sonhe com você me dizendo que me ama e me pedindo para voltar. Você já fez isso uma vez e nem sei se era verdade.  Já consegui te conquistar uma vez e tenho plena consciência que não o farei de novo. Não possuo tanta capacidade apaixonativa assim, mas, o que eu sei é que sou maravilhosa. E que cada dia seu distante de mim é um desperdício e uma privação dessa mulher incrível e maravilhosa que eu me tornei e você nem conhece.



Rafaela Valverde

sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

Livro Uma Vida Inventada - Maitê Proença


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Terminei  de ler essa semana o livro da atriz Maitê Proença, de quem eu gostava desde a infância, acompanhando pelas novelas da globo. Troquei o livro em um projeto de troca de livros e não sabia muito bem o que esperar dele. Confesso que o que me chamou atenção foi o nome da autora. Provavelmente se não fosse Maitê Proença eu nunca pegaria o livro.

Gostei bastante do livro que intercala memórias com estória. Uma está dentro da outra, não se separam e é justamente esse um dos diferenciais do livro que traz de maneira suave suas impressões sobre a vida, sobre as pessoas e narra de forma suave todas as tragédias que fazem parte da sua vida. Sim, para quem não sabe a atriz passou por grandes tragédias em sua vida. Quando ela tinha doze anos o pai matou a mãe e se matou anos depois, quando ela já trabalhava na Globo. Mas, a forma com que ela narra é muito bem feita. Pelo menos eu gostei bastante. Me fez refletir em alguns fatos da minha vida, especialmente a mágoa e a liberdade.

A atriz contou em uma entrevista que eu pude ler, que sentiu vontade de escrever sobre suas tragédias, depois que elas foram expostas em rede nacional no ano de 2005 no programa de Faustão. Então não tinha mais como não contar.

Ela vai trazendo memórias, relatos de viagens e conta casos divertidos sobre a vida; além da relação com a filha Maria, sua relação com a família e com as religiões. Além do começo difícil da carreira. No primeiro trabalho na TV, antes de começar, Maitê sofreu um acidente que a deixou de moletas por cerca de um ano. Além disso teve o aborto que ela fez aos dezesseis anos. Ela conta tudo de maneira muito leve e eu não consegui desgrudar do livro. É isso.


Autor: Maitê Proença
Ano: 2008
Páginas: 224
Editora: Agir





Rafaela Valverde

quinta-feira, 16 de novembro de 2017

Livro Antes Feliz do que Mal Acompanhada - Emanuela Carvalho


Terminei de ler o livro Antes Feliz do que Mal Acompanhada de Emanuela Carvalho. O livro foi lançado no ano passado aqui em Salvador. Emanuela é baiana. Encontrei- o por acaso nas estantes de sugestões de leitura da Biblioteca Central dos Barris. Me interessei pelo título e texto da contracapa e trouxe. 

O livro traz histórias anônimas de 25 mulheres sobre relacionamentos abusivos, violências física, psicológica e sexual e todo o sofrimento vindo desses relacionamentos. Dá uma dor no coração ler algumas dessas histórias. A gente que é mulher sempre se vê em situações como essas, em que nosso amor próprio vai embora, expulso por nós mesmas. 

Muitas vezes, amamos mais o outro do que a nós mesmas e quase sempre a vida mostra nosso erro. Há no livro histórias de relacionamentos abusivos entre mulheres também, há filhos envolvidos, dor, lágrimas, tristeza, falta de amor próprio, juventudes destruídas... Há coisas demais. E quando a gente para e pensa que são casos reais (a autora se inspirou em casos reais para escrever as histórias) misturados a um pouco de ficção, claro. Mas quando a gente percebe quantas mulheres estão envolvidas nesse tipo de relação, mesmo que tentem esconder e mostrar para o mundo o quanto são felizes, a gente pensa: "poderia ser eu..." ou "antigamente eu também agiria assim, hoje mais não..." 

Querendo ou não a gente se vê ali. Quantas mulheres não foram e são enganadas até hoje por homens e mulheres também, que acham que são seus donos? Que são possessivos, controladores e mau caráter... São esses alguns dos pensamentos que vêm à mente enquanto lia esse livro. É triste e dói saber que ainda somos tratadas como as culpadas por esses abusos. Muitas vezes recriminadas e julgadas... Bom, é isso. O livro é bastante interessante, por trazer casos próximos da gente, são histórias daqui de Salvador e nos faz refletir...




Rafaela Valverde












sábado, 14 de outubro de 2017

A Hora da Estrela - Clarice Lispector

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Já li A Hora da Estrela pela segunda vez esse ano. Eu já havia lido em algum momento da minha pré adolescência, mas não tinha nenhuma memória dele. Macabéa é uma personagem bastante conhecida na literatura brasileira. Clarice Lispector em seu último livro marcou a literatura brasileira com a estória da nordestina datilógrafa que mal sabia escrever. Em 1977, ano de sua morte, a escritora nos trouxe a rica estória da pobre mulher nordestina que "só sabia chover."

Além da história de Macabéa, narrada pela figura masculina de Rodrigo S.M já que mulheres narrando estórias é de uma pieguice sem tamanho, então tomem um homem! E assim o livro que tem treze títulos inicia a partir da voz deste homem, que além de contar a história de Macabéa, algo que pouco conhecia, ainda reflete sobre a função do escritor, sobre a ação de escrever e funciona (se coloca ou é colocado) como alter ego de Clarice.

Eu não estou aqui para escrever uma simples resenha do livro. Contar como se dá a história, descrever e analisar personagens, essas coisas... Não! Há muito disso por aí. Estou aqui para contar para vocês o que esse livro, essa história, esse personagem e esse narrador significam para mim. E talvez eu ainda não consiga deixar isso muito claro, mas pelo menos posso tentar.

Pois bem, no início, a presença de Rodrigo me causou certa estranheza. Mas o que esse homem pensa que está fazendo? Ele nem sabe o que quer contar e como contar. Mas confesso que fui me acostumando e reconheço que ele conseguiu cumprir bem a missão de nos trazer Macabéa, a alagoana insignificante que fora para São Paulo para 'melhorar" de vida. E "é claro que a história é verdadeira embora inventada..."

Macabéa aprendera com a tia a bater à máquina. Muito mal, poque era quase analfabeta. Macabéa era tola. "Ela como uma cadela vadia era teleguiada exclusivamente por si mesma. Pois reduzira-se a si." Ela nunca se viu, nunca se olhou no espelho por ter vergonha. Macabéa era sem atrativos. Macabéa era virgem. Sim, virgem! Ela mal vive, somente inspira, expira, inspira e expira... Macabéa é incompetente, ouve rádio-relógio com anúncios e cultura. E adora. Marias dividem o quarto com ela. Assim que vive essa nordestina: amontoada em um quartinho amorfo que pode muito bem ser igual a sua vida. Mas ela nunca perdera a fé, apesar de não saber em que deus acreditar. Era desencantadora aos olhos do mundo. Esta era Macabéa. Ou é. Porque ela ainda vive, apesar de morta. Mas ela não é só isso. Dentro de sua pequenez há algo muito maior. Quer saber? Leia as retorcidas palavras narradas por Rodrigo S.M porque eu agora hei de me calar.

Rodrigo afirma que escrever não é fácil. E não é mesmo. Ele, assim como todos os escritores, vê a escrita como uma fuga, como única alternativa para o cansaço da mente e da alma. O narrador fala de se preparar para falar sobre a nordestina. É preciso se igualar ao nível dela para que se consiga  escrever sobre a vida medíocre que ela levava. E isso não é fácil. Se abster de sua própria vida para compor ou descrever uma personagem como essa... Pobre, pobre de espírito, sem atrativos, moça infeliz...

O livro traz poucos personagens. O livro em si é pouco, mas um pouco que preenche a grandiosidade literária que se propõe. Glória, a colega de trabalho de Macabéa; o chefe, cujo nome agora eu esqueci; Olímpico, o namorado; as Marias, já citadas acima e a cartomante. Ainda há a tia de Macabéa que aparece in memorian e não deixa de ser marcante devido a seu relacionamento abusivo com a sobrinha. Havia o relacionamento abusivo também com Olímpico, o namorado. Que bom que hoje temos esse termo para nomear esse tipo de relacionamento. Até Glória maltratava a nordestina. Todo mundo a maltratava. Parece que ela atraía...

A morte, a aflição, a culpa, a crítica, a angústia e a briga com si mesmo - o auto-embate - como eu carinhosamente chamei, são temas que permeiam todo o livro. Por mais que não estejam explícitos, estão ali. O tempo todo. É só prestar atenção. A crítica literária e o preconceito sofrido por Clarice, por ser mulher também estão presentes. Há ainda de se ressaltar referências ao Nordeste e a Recife, terra onde viveu nossa autora. Eu vejo esse livro de muitas formas diferentes. A Hora da estrela é somente uma: a derradeira. Só se é estrela uma vez. Só se tem hora uma vez. Nada mais que isso... Eu vejo, entre outras coisas, a grande despedida de Clarice através deste livro, através de Macabéa, sua insignificante e grandiosa personagem. A personagem com nome esquisito que foi apresentada e narrada por um homem, fato que simbolizou, talvez, a voz feminina que tentaram calar.



Rafaela Valverde

segunda-feira, 11 de setembro de 2017

Ela é força

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Ela é tão forte que nada é capaz de destruir
Pensa em desmoronar, em ruir
Mas ela parece inquebrantável
Aço reforçado, energia inesgotável

Não que ela não tenha se sentido fraca
Sim, isso já aconteceu
Manhãs de ressaca
Em raros momentos a enfraqueceu

Nada que um banho e uma xícara de café não curasse
Momentos de catarse!
Daqueles que renovam; fortalecem mais
Estar consigo mesma, sem olhar para trás.



Rafaela Valverde

sexta-feira, 1 de setembro de 2017

Foi assim a gente na cama

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Foi doce e ao mesmo tempo ardente. Isso é possível quando nós dois estamos no mesmo recinto, no mesmo colchão. Chocolate e Pimenta. Vinho seco e vinho tinto daqueles bem vagabundos e doces. Os opostos. Que se conectam não apenas com o corpo numa linda dança, uma coreografia bem ensaiada. 

E foi assim que foi. Sem nenhum ensaio prévio. E quando me dei conta estava em cima de você. Foi tudo muito louco. Ainda de roupa, já estava molhada. Os flashs que vêm à minha cabeça por si só já são deliciosos. Você me chupava com uma voracidade, uma sede. De uma forma que eu nunca havia sido chupada. Tanto desespero, tanto destempero e agonia se tornaram um boom estonteante de prazer do início ao fim.

Mordia sua orelha e passava minha língua nela só pra ver você se derretendo. Nossa dança continuava, sincrônica e suave, selvagem e desajustada. Brincávamos de explorar nossos corpos em plena luz do dia. Luz que entrava pela janela transformando a penumbra do quarto em mais lascívia. Cada vez mais. Gemia de prazer com cada gesto seu, que me movia como se soubesse todos meus pontos erógenos  e sabia. Todos meus pontos de prazer. 

Ás vezes gritava porque não conseguia mais ficar calada porque você é demais. Faz tudo bem. Bem até demais. Como eu não imaginava muito, confesso. Há tempos que não tinha um sexo tão incrível. Uma outra pessoa não me dava tanto prazer há um tempo relativamente bom. E nem só por isso, mas pelo fato de me sentir desejada. Me senti uma deusa exclusiva e maravilhosa.

Entre um rolar na cama e outro, beijos quentes e carinhos fofos que me deram gosto de ter usado meu hidratante caro. Deixei minha pele mais macia e parece que você adivinhara, porque me acariciava de uma forma tão doce e ao mesmo tempo libertina que eu lembro desses toques até hoje. E assim é que foi: carinhoso e sensual. Indomável e dócil. É assim que foi. Deitamos de conchinha e o que você falou em meu ouvido com essa voz gostosa está ecoando até agora... Gozamos juntos e ficamos ali abraçados, de conchinha, sentindo o calor do corpo do outro e esperando a próxima vez.



Rafaela Valverde

terça-feira, 22 de agosto de 2017

Uma lista de tarefas para o amor próprio - Key Ballah

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- Lave sua pele com água morna.
- Use o dedo indicador de sua mão direita para comer mel direto do pote.
- Escreva uma carta de amor para si mesma.
- Peça para sua mãe dizer o quanto ela te ama. Ouça com cuidado a verdade em sua voz.
- Diga ao seu pai que você o perdoa.
(Tente perdoá-lo, por mais clichê que isso soe, o perdão é na verdade para você).
- Leia o primeiro capítulo do seu livro favorito, se você não conseguir parar, leia o quanto conseguir.
- Saia de casa. Não importa o clima, mesmo que você só fique em uma varanda, mesmo que seja apenas por alguns segundos. O ar fresco queima a tristeza.
- Se alongue…
- Toque todas as suas cicatrizes e relembre seus aniversários, lembre-se de quão longe você veio.


Eu amei esse texto!


Rafaela Valverde

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

Entorpecimento mortífero

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A frustração, o medo e desesperança dão bons temas para escrever. Aliás, eles já são o próprio assunto. Eu, quando recebo noticias ou baques na minha vida - o que acontece quase o tempo todo, diga se de passagem - tendo a escrever melhor. Com mais tristeza, consequentemente com mais literatura.

Refletir sobre minha escrita faz parte de uma tomada de consciência sobre mim mesma e meus sentimentos. Quais os momentos em que escrevo? E como escrevo nesses momentos? Qual a época em que mais escrevo contos eróticos, por exemplo? Cabe a reflexão.

Sei que isso pode não interessar as pessoas, mas analisar isso, para mim, me faz entender a mim mesma ou pelo menos ajuda. Meu psiquismo, meus processos cognitivos e de assimilação de coisas ruins que acontecem em minha vida. Só na semana passada tive duas notícias ruins, duas preocupações sobre o futuro. Dois pequenos problemas que não me definem, mas me incomodam. Com essas coisas eu só sinto vontade de escrever. Escrever, chorar e morrer. O fardo de viver, às vezes, me deixa muito deprimida e muito desgostosa com a vida.

Às vezes, nem a literatura consegue me tirar desse entorpecimento mortífero. Deve existir uma força sobrenatural dentro do meu ser, porque mesmo com tudo desmoronando eu ainda consigo cumprir minhas obrigações diárias, os trabalhos da faculdade, etc. A demanda de estudos pelo menos mantém minha mente ocupada e eu deixo de sentir ímpetos de me jogar debaixo de algum carro em uma avenida movimentada.

Tudo é pesadelo, tudo é tempestade. E eu não acordo nunca desse sono que não oferece descanso, nem alento. Só dor, angústia e pesadelos. Eu não sei até quando eu vou conseguir me manter ocupada o suficiente para não desistir e não mergulhar de vez nesse entorpecimento.


Rafaela Valverde

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