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sábado, 13 de maio de 2017

Eu ouvindo Marília Mendonça


Eu já devo ter contado aqui que gosto de vários tipos de música. Ouço de Marisa Monte até funk mas torcia o nariz para sertanejo. Bem, ainda torço um pouco, mas estou ouvindo muito Marília Mendonça, uma das representantes do chamado feminejo.  Desde a minha viagem para Recife voltei com essa mania de ouvir Marília. E gosto bastante. Ela fala algumas coisas que os homens precisam ouvir e sofre bastante também.

Quem não tem essas sofrências? Quem nunca sofreu dor de corno mesmo? Eu nem vou falar sobre isso na minha vida hahaha. Mas o fato é que eu gosto de música, independente de qual rótulo. Um amigo me disse justamente isso: para eu ouvir música independente de rótulos, se eu gostar ótimo, se não, bola pra frente.

E fiz isso. Cá estou eu, nesse exato momento ouvindo a maravilhosa da Marília. A mulher canta muito mesmo. E graças a todos os deuses que tenho a capacidade de mudar de ideia, de gostos, de conceitos. Prefiro sim ser uma metamorfose ambulante e é isso que eu sou.



Rafaela Valverde

terça-feira, 2 de maio de 2017

Trem - Bala - Ana Vilela


Não é sobre ter todas as pessoas do mundo pra si
É sobre saber que em algum lugar, alguém zela por ti
É sobre cantar e poder escutar mais do que a própria voz
É sobre dançar na chuva de vida que cai sobre nós

É saber se sentir infinito
Num universo tão vasto e bonito, é saber sonhar
Então fazer valer a pena
Cada verso daquele poema sobre acreditar

Não é sobre chegar no topo do mundo e saber que venceu
É sobre escalar e sentir que o caminho te fortaleceu
É sobre ser abrigo e também ter morada em outros corações
E assim ter amigos contigo em todas as situações

A gente não pode ter tudo
Qual seria a graça do mundo se fosse assim?
Por isso eu prefiro sorrisos
E os presentes que a vida trouxe para perto de mim

Não é sobre tudo que o seu dinheiro é capaz de comprar
E sim sobre cada momento, sorriso a se compartilhar
Também não é sobre correr contra o tempo pra ter sempre mais
Porque quando menos se espera, a vida já ficou pra trás

Segura teu filho no colo
Sorria e abraça os teus pais enquanto estão aqui
Que a vida é trem bala, parceiro
E a gente é só passageiro prestes a partir

Laiá, laiá, laiá, laiá, laiá
Laiá, laiá, laiá, laiá, laiá

Segura teu filho no colo
Sorria e abraça os teus pais enquanto estão aqui
Que a vida é trem bala, parceiro
E a gente é só passageiro prestes a partir




Rafaela Valverde

terça-feira, 25 de abril de 2017

Texto que minha amiga Fernanda fez para mim ♥

Recebi esse maravilhoso texto da minha amiga Fernanda no domingo, meu aniversário. Eu amei! Me emocionei demais com essa genial definição de mim. Só quem é muito boa com as palavras e me conhece bem demais é capaz de me descrever tão bem. Obrigada, miga. Te amo, também, amei a homenagem.
A referida foto é essa abaixo:





Você pra mim é como uma rosa. Flor que sabe ser aroma e espinho. Amor e dor. Pode perfumar e também perfurar. Pode estar tanto no início quanto no fim. Pode vir em variações dependendo de quem observar. As vezes num vermelho intenso e esplêndido, outras num branco poético e de paz. Pode refletir o romantismo dos que te querem como presente ou a brutalidade de quem tenta do seu jardim te arrancar. 
Escrevo isso na tentativa de eternizar-te em mim como és na sua mais pura essência: Flor! 
Gosto muito dessa foto e mais ainda de você. E enquanto pudermos e quisermos, serei apreciadora da tua beleza e felicidade. Feliz vida, flor da minha!♥♥





Rafaela Valverde

segunda-feira, 24 de abril de 2017

Recife - Erel 2017


Estive esse mês pela primeira vez em Recife Pernambuco. Fui ao Erel - Encontro Regional dos Estudantes de Letras. Fui apresentar pela primeira vez meu trabalho de pesquisa. Tivemos alguns perrengues, eu e meus amigos, em relação ao acampamento e à organização do evento realizado pela UFPE, mas fora isso amamos Recife.

Eu pelo menos gostei bastante. Visitamos Olinda e Porto de Galinhas que são municípios próximos da capital. Essa foto acima é de Recife antiga, Marco Zero. Primeiro lugar que fui. Além de atividades acadêmicas na universidade, turistamos bastante na cidade e região. Tenho que dizer que sempre rola alguma comparação e eu senti inveja de Recife por dois motivos principais, claro que foram só cinco dias que estive lá, então minha análise é superficial. Então, os pontos que tive inveja da cidade foi que Recife conserva seus prédios históricos e consequentemente sua história. Pode ter problemas do tipo mas meus olhos encantados de turista viu poucos prédios mal conservados e nenhum em ruínas e perto de cair.

Como eu disse, pode ser que meus olhos tenham se enganado, mas foi essa a impressão que tive. A segunda inveja de Recife é relacionada à limpeza urbana. Sinceramente, alguém dizer que Salvador é uma cidade limpa deve ser cego. Soteropolitanos são muito mal educados e em a cada canteiro, bueiro e canto da nossa cidade é possível encontrar alguma embalagem de picolé ou garrafa de água. É só sair olhando atentamente os cantos da cidade, que vê fácil, fácil a sujeira de Salvador.

Eu observei os cantos de Recife também. Pouco, pelos poucos dias que passei lá, não é suficiente, mas ainda assim, notei que os cantos entre a rua e meio fio não têm garrafas de água, nem palitos de picolé como aqui na minha amada cidade. Perto da UFPE tem várias barracas de lanches e ponto de ônibus, por ali dá até para ver talvez um papel de bala ou outro que o vento leva, mas é diferente da sujeira que parece que brota do solo de Salvador. Enfim, eu acho que é mais uma questão de educação mesmo, já que o cidadão soteropolitano atira quantidades enormes de lixo pelas janelas dos ônibus e carros. É isso, é só minha impressão sobre alguns fatos que observei na cidade. E fora que Recife já tem BRT que é um tipo de ônibus mais rápido, com pontos específicos e que dizem que há anos que terá em Salvador também. Enfim, amei Recife, Ipojuca que é onde Porto de Galinhas e Olinda.




Rafaela Valverde

sábado, 18 de fevereiro de 2017

La la land - Cantando Estações


Assisti La la land. O filme dirigido por Damien Chazelle é uma comédia musical romântica com atuações de  Ryan Gosling, Emma Stone, John Legend, etc., foi lançado em janeiro desse ano. Vou logo soltar o spoiler que o filme é maravilhoso, o melhor musical que eu já vi na vida. Logo, na primeira cena já fiquei empolgada. E sabia que havia ali um potencial. Ainda é dividido em estações, por isso  La la land - Cantando Estações.

O pianista de jazz Sebastian (Ryan Gosling) conhece a atriz Mia (Emma Stone). Eles estão tentando a sorte: ele recomeçando com o jazz e ela realizando testes para atuar em filmes. Sebastian tem o sonho de abrir um clube de jazz em Los Angeles e assim seguem tentando a sorte. Um belo dia se descobrem apaixonados e resolvem ficar juntos.E assim vão tentando permanecer juntos enquanto lutam para realizar seus sonhos de carreira.

Eu não vou contar mais sobre o enredo. O filme é lindo, mas não é a beleza somente na história que está sendo contada e sim na maneira que está sendo contada. A história poderia ser narrada de várias outras formas, mas a que foi escolhida com certeza foi a melhor e mais inovadora. Os diálogos são bem articulados com as músicas e eu gostei bastante. Não vou ficar aqui falando mais nada não. Ainda está em cartaz e provavelmente deve ficar até depois do Oscar. E deve levar algumas estatuetas sim. Saí do cinema com lágrimas nos olhos e extasiada. Recomendo!




Rafaela Valverde

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

Filme Bravura Indômita


O filme Bravura Indômita de 2010 é mais uma bela obra dos irmãos Ethan Coen e Joel Coen. É um filme americano de Faroeste estrelado por Jeff Bridges, Hailee Steinfeld, Josh Brolin e Matt Damon. O filme traz a história de Mattie (Hailee Steinfeld) que com 14 anos resolve vingar a morte do pai que havia sido assassinado em uma briga num saloom.

Ela contrata um homem para matar o assassino do seu pai. Depois de recusar a oferta, Reuben J. Cogburn, o assassino acaba aceitando. Mattie exige acompanhá-lo. Vão os três, já que La Boeuf (Matt Damon) também está atrás do assassino. Vão em busca dele em terras indígenas. O que se passa daí em diante é uma aventura que a menina jamais sonhara em participar.

As atuações são firmes, com bons diálogos e com aquele clima de Velho Oeste já familiar a quem já acompanha o trabalho dos irmãos Coen. Eu particularmente gosto bastante desse tipo de filme e esse eu gosto de ver a atuação de Hailee e o tamanho da coragem da sua personagem, uma menina de tão pouca idade demonstrando tanta força diante das adversidades da via.

É um filme bastante poético apesar da dureza dos cenários, dos diálogos rápidos e agressivos e dos tiros. Eu já tinha assistido na época em que foi lançado, acho que em 2011 e lembro que na época houve muita falação sobre esse filme, em relação à indicações do Oscar etc. Quem gostar do gênero Faroeste pesado e tenso, com personagens sedentos por vingança e dinheiro pode assistir. Agora, quem não gostar desse tipo de filme pode achar chato. Mas para mim é um excelente filme.



Rafaela Valverde

sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

Crônica do tráfego livre que é a vida


Anteontem estava caminhando distraída quando de repente me dei conta da fila de carros que estavam estacionados ali na minha rua. Notei que ao longo do tempo essa fila aumentara. Todo dia está mais entulhado isso aqui. E há de intrigar saber que todos esses carros parados aqui vieram das ruas da cidade, muitas vezes nos mesmos horários, causando muitos engarrafamentos e transtornos. Esbarrei em um daqueles espelhos retrovisores e soltei um palavrão. Continuei meu trajeto, tinha que almoçar com um amigo que não via há uns meses.

Almoçamos e conversamos sobre diversos assuntos, inclusive sobre os carros, sobre os engarrafamentos, quais seriam as soluções e o porquê de as pessoas terem carros. Muitos carros ocupam as grandes cidades atualmente. Meu amigo que era tão polêmico quanto eu, disse que todo mundo tinha direito de progredir e ter seus carros, etc. Eu achei aquele pensamento meio limitado, mas nada comentei, fiquei ali parada comendo minha massa.

O restaurante já estava vazio aquela hora, já eram quase quinze horas e nosso almoço tinha se estendido além do que eu havia imaginado e eu estava um pouco alta com tanto vinho branco. Meu amigo não bebeu, tinha que dirigir. Engraçado como a vida de algumas pessoas giram em torno de um carro e dessa cultura da direção. Eu não. Ia era de metrô mesmo, eu preferia ser feliz e tomar meu vinho, do que me limitar com questões tão estúpidas como essa. A glória da vida está nos pequenos momentos de prazer.

Após um tempo saímos e fomos até o estacionamento do restaurante, meu amigo me daria uma carona até a estação do metrô. Entramos no carro e ele arrancou dirigindo por uma pequena ruazinha ao lado do restaurante. Mas essa fluidez não durou muito. Logo desembocamos em uma das avenidas principais da cidade e o trânsito estava praticamente parado. Meu amigo logo fez aquela cara de resignação que eu detesto e largou o volante.

Olhei para ele sem acreditar, respirei fundo umas três vezes, soltei o cinto de segurança, abri a porta e simplesmente saí do carro. Falando um: "valeu mesmo, mas vou de metrô, cara!" através da janela. Eu não tenho paciência com isso, eu não sei lidar com essa perda de tempo no trânsito e eu não gosto de me sentir impotente e presa.

Atravessei entre os carros, fui para o outro lado da rua e passei a andar no sentido contrário em direção à estação do metrô. Comecei a pensar no tamanho da ironia que era aquilo tudo, já que eu pensei nos carros e conversamos sobre carros. Ele defendeu essa vida movida a gasolina e eu defendi o direito de usar minhas pernas para andar e os transportes coletivos que existem na cidade. Por que ser livre não é ter carro, ser livre é ir para onde eu quiser a hora que eu quiser, sem nenhum engarrafamento no meio do caminho.




Rafaela Valverde

domingo, 11 de dezembro de 2016

Filme Preciosa - Uma história de esperança

Assisti o filme Preciosa - Uma história de esperança de 2009. Desde o ano passado já haviam me indicado esse filme, mas só agora pude assistir. O filme  dirigido por Lee Daniels é estrelado por  Gabourey Sidibe, Mo'Nique, Paula Patton e ainda tem Mariah Carey no elenco.

A história de Preciosa se passa em 1987, no bairro do Harlem, em Nova York e Claireece "Preciosa" Jones (Gabourey Sidibe) é uma adolescente 16 anos que vive condições precárias, sendo estuprada pelo pai e espancada pela mãe. Preciosa já tinha uma filha, chamada de "Mongo" por ter Síndrome de Down, fruto dos abusos sexuais aos quais é submetida. E agora espera um outro bebê.

Um dia, recebe a orientação de ir para uma escola diferente, uma escola "onde um aprende com o outro" e nessa escola  encontra amigas verdadeiras e é durante esse período que tem seu segundo filho. A história de Preciosa é forte. Ela sofria bullying na escola anterior, é preta e gorda, além de todo o sofrimento que passa em casa.

A mãe depende dela para continuar ganhando dinheiro sem trabalhar, os abusos sexuais do pai continuam e todos os problemas que decorrem disso também. Até que um dia Preciosa recebe uma notícia que vai mudar sua vida para sempre.



Rafaela Valverde 

sábado, 10 de dezembro de 2016

Intimidade


Relacionamento bom é aquele que tem intimidade. E aqui não falo apenas sobre relacionamentos amorosos e nem sobre intimidade artificial. Falo sobre todo e qualquer tipo de relacionamento.  E falo sobre aquela intimidade que é tão, mas tão forte que só de olhar para o outro já se sabe o que ele está pensando.

Intimidade é uma coisa difícil de ser conquistada, especialmente hoje, nesses tempos de relacionamentos efêmeros. Não é de um dia para o outro que se se consegue intimidade. Dois amigos que são íntimos quase não se chamam pelo nome. Geralmente se chamam por palavras que seriam xingamentos para as outras pessoas ou ainda nomes engraçados. Eu chamo minha amiga Fernanda de viada, jumenta, etc. E a gente fica numa boa, a gente se entende, ninguém se desentende por isso. Ela também me xinga de idiota e outros nomes lindos... E é uma relação de amizade que sinceramente eu não nunca tive.

Um casal que tem intimidade solta pum na frente do outro sim. Não têm reservas, nem constrangimento. Eles até riem dos puns. Não precisam pedir desculpas ao soltar pum ou arrotar. Essas são coisas que todos, TODOS os seres humanos fazem e por estamos muito próximos daquela pessoa, por sermos tão íntimos porque não fazer perto dela? Eu acho isso uma puta besteira. Alguns homens acham que mulher não peidam nem arrotam. Más notícias para vocês queridos!

Tomar banho junto, para casais, compartilhar banheiro, comentar e rir sobre puns são sinais de grande intimidade. E é disso que se trata um bom relacionamento, na minha opinião, é assim que se constrói um relacionamento daqueles que realmente valem a pena. Relacionamento bom é relacionamento com intimidade. Intimidade não se conquista de um dia para o outro, ela é construída ao longo do tempo e é preciso querer construí -la. Intimidade se constrói com amor.




Rafaela Valverde

quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

Grey's Anatomy ♥


Terminei de ver as doze temporadas de Greys Anatomy disponíveis no Netflix. Há muito tempo que ouvia falar dessa série e quando tinha TV por assinatura até dei umas olhadas nela algumas vezes, \ mas alguém me disse: " essa será a melhor série da sua vida." Então fui, relutante, assistir e ver se era isso mesmo.

No início, nos primeiros capítulos da primeira temporada, eu ainda estava meio em dúvida se realmente gostava daquela série alucinante, cheia de casos loucos de medicina. Eu comecei bem devagar inclusive, ainda estava conhecendo os personagens e acabei parando no meio da segunda devido aos tantos afazeres da faculdade.

Mas um belo dia resolvi voltar a ver e fui me encantando aos poucos. Gostei logo de uns personagens de outros não. A série estreou em 2005 e é escrita por Shonda Rhimes, a mesma autora de séries como Scandal e How to Get Away with Murder, ambas que eu adoro. A minha relação hoje com Greys Anatomy é a mesma relação dos outros fãs. Eu adoro essa série. Me emocionei, ri, mas ri muito. Me indignei com algumas atitudes e mortes de alguns personagens.

E tem Cristina Yang. É um caso à parte. Eu e todos que eu conheço amam Yang. Ela é sem dúvida, a melhor personagem da série. A amizade dela com Meredith, a protagonista chatinha e metida a suicida é marcante e o bordão: "você é a minha pessoa" entrou para a minha história e para uma amizade que eu tenho hoje.

Foram casos estranhos, cenas bizarras e ficcionais. Teve gente envolvida com pedra, teve gente atravessa com um ferro no meio do corpo, explosão, afogamento, acidentes de carro, quedas de avião, transplantes, sexo... Muito sexo. Como as pessoas se pegavam dentro do hospital. Um outro destaque que eu quero dar para Grey's é em relação ao destaque que é dado aos personagens negros, que geralmente são médicos respeitados e chefes.  Enfim, cada  personagem é fofo e bem feito. Eu amo essa série.




Rafaela Valverde

quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Livro O Pequeno Príncipe


Demorei de ler O Pequeno Príncipe. Eu já devia ter lido há tempos, mas ficava com preguiça por ser um livro muito manjado. Mas minha irmã me emprestou e eu li. É um livro bem fofo, considerado infantil, mas já vi muito adulto lendo. Foi escrito pelo aviador  francês Antoine de Saint-Exupéry.

Um piloto encontra o Pequeno Príncipe num deserto após a queda do seu avião. Enquanto tenta consertar a aeronave, ele faz amizade com o Pequeno Príncipe que apareceu de um outro planeta, pedindo para que ele desenhasse algumas coisas. 

E como gente grande não entende nada, não sabe nada e ainda aceita tudo, esse livro é um convite para sair da nossa vida real, do nosso mundo adulto. O Pequeno Príncipe, viajante, explorador decide visitar vários lugares. Encontra uma raposa, um bêbado, um geógrafo e assim segue a aventura.

Leitura gostosa e rápida.  Recomendo!



Rafaela Valverde 

domingo, 20 de novembro de 2016

Filme Thelma & Louise - A liberdade e a força feminina


Ontem vi o maravilhoso Thelma & Louise, filme americano de 1991 dirigido por Ridley Scott e estrelado por  Susan Sarandon, Geena Davis e Brad Pitt bem novinho. É uma comédia dramática, aventura que eu considerei bem feminista. O filme foi vencedor do Oscar de Melhor Roteiro Original e do Globo de Ouro de Melhor Roteiro.

As protagonistas Louise Sawyer (Susan Sarandon) e Thelma (Geena Davis) são amigas e enquanto a primeira trabalha em uma lanchonete, a segunda é uma dona de casa entendiada que vive um relacionamento abusivo com o marido. Entediadas, as duas amigas resolvem viajar num final de semana sem que seus parceiros saibam. 

Durante a viagem, que começou bem, elas se envolvem em um crime e a partir daí passam a fugir da polícia. A trama que segue a partir daí é cheia de confusões. As personagens são ricas, interessantes. Os diálogos são firmes, bem colocados. As viajantes percorrem muitos locais o que torna a fotografia do filme bonita e bem feita. Trazendo muitas vezes, ambientes áridos assim como as cenas e as vidas das fugitivas.

Há muitas questões feministas mostradas no filme. Cenas de misoginia que são combatidas pelas protagonistas, algumas vezes até de forma engraçada. Algumas cenas me chamaram mais atenção. Inclusive o primeiro crime é cometido depois de um estupro, é defesa mas elas dizem: "Quem vai acreditar na gente? Viram você estava dançando de rosto colado com ele." É o que a gente ouve e passa nos dias de hoje.

Há, entre outras, uma cena específica, que me fez gargalhar. Não vou dar detalhes da cena, mas é hilária, nos leva à forra. Nós que somos assediadas diariamente. A dupla cansou de ser assediada e se vinga de maneira graciosa, arrancando muitas risadas. É um filme de liberdade de mulheres e para mulheres. Mulheres fortes, personagens fortes que não baixam a cabeça para o masculino mundo em que vivemos. Os personagens homens as afrontam, as desestabilizam mas elas continuam seguindo em frente. Assim é o personagem J.D vivido magnificamente por Brad Pitt ainda no início da carreira. Um personagem pequeno que entra e sai de cena, não imperceptivelmente. Importante para o clímax da história. 

Thelma e Louise é um filme gostoso de se ver. Serve para reafirmar a força feminina. A mulher que não esmorece e que mesmo quando impedida, procura uma oportunidade de se aventurar. E como somos lutadoras! Queremos nossa liberdade e lutamos por ela. E esse filme é uma ilustração lúdica e aventureira das nossas lutas diárias. 

O final mesmo não sendo convencionalmente feliz ainda assim é feliz. É um dos melhores finais que eu já vi. Selado com um beijo entre essas duas icônicas mulheres nesse clássico e maravilhoso filme. Sim, maravilhoso. Esse entrou na lista dos meus filmes. Mulheres assistam, o que  esse diretor fez por nós há 25 anos!



Rafaela Valverde

sábado, 19 de novembro de 2016

"Porque eu sou feita pro amor da cabeça aos pés" - Textinho inspirado em Rosas de Ana Carolina



Ana Carolina diz "eu sou feita pro amor da cabeça aos pés" em sua música Rosas.  E minhas ideias  coadunam com essa frase, eu penso nessa frase o tempo todo. Eu não sou só feita pro amor eu sou amor. Eu tenho muito amor dentro de mim. E não só amor romântico. Amor, simplesmente amor. Amor ao próximo,  aos amigos, aos animais, à natureza...

Eu sinto meu amor pulsando cada vez mais em meu peito e eu vejo meu amor cada vez mais ser rejeitado, às vezes até por mim mesma. Que não aceito amar, não aceito a bondade que o amor traz, bondade essa que pode nos deixar bestas, bestas até demais. Especialmente eu que amo, que sempre amo, que sou uma cuidadosa inata, que criei uma irmã.

Não sei o que devo fazer com tanto amor daqui pra frente. Talvez dar continuidade à escrita do meu livro, dedicar às minhas gatas e daqui a mais uns anos talvez, adotar uma criança. Eu preciso investir amor em alguma outra coisa, em uma criança, em animais, em quem realmente queira. Ele só não pode ficar todinho aqui dentro de mim, só para mim mesma, sendo desperdiçado. Eu me amo, eu já me amo o suficiente e mais que isso seria exagero. Enfim, "não faço outra coisa do que me doar..." como diria mais uma vez Rosas e Ana Carolina.



Rafaela Valverde




quinta-feira, 10 de novembro de 2016

Odeio shopping!


Eu odeio shoppings. Aqueles corredores labirintosos intermináveis. Não sei quem inventou que shopping é coisa de mulher, ou que mulher adora ir ao shopping. Eu tenho mais o que fazer do que ficar andando para lá e para cá dentro de shopping. Dia desse me perdi naqueles corredores para depois descobrir que eu estava bem perto de onde queria ir e andando só fiz me afastar ao invés de chegar.

É claro que eu vou ao shopping. Eu não posso ser hipócrita e dizer que: "nossa, eu sou uma natureba reclusa que se recusa a ir ao shopping." Não, não é a  minha pretensão. E não, eu não sou natureba e nem reclusa. O que quero dizer é que eu e os shoppings não combinamos muito bem. As pessoas ultimamente parecem que andam em um transe, um tipo de "zumibilização" retardante e andam devagar. Muito devagar.  Especialmente dentro do shopping, até porque eles foram construídos para isso mesmo, para que as pessoas pudessem andar devagar e ver as vitrines. As pessoas desfilam, param bem no meio dos corredores e andam com a cabeça baixa enterrada no celular. É uma das coisas que mais me irritam em um shopping, especialmente em datas como a que se aproxima que é a época de final de ano.

Não vou negar que shopping é prático e razoavelmente seguro. Pelo menos comparado com as ruas é mais seguro. Mas  só vou fazer esse tour de mau gosto em casos de extrema necessidade. Pagar contas, sacar dinheiro, usar o banheiro, curtir o cinema ou praça de alimentação são coisas que geralmente eu faço em um shopping. Mas não muito, não sempre. Quase nunca aos domingos. Eu acho que só fui ao shopping aos domingos umas quatro vezes na vida. 

Eu não gosto de muita gente falando, andando e sorrindo ao mesmo tempo. Parece uma vila feliz.Vila dos mentirosos. Vila dos compradores. A vila que sustenta o capitalismo. óbvio que o capitalismo é o sistema em que todos nós vivemos e ao qual não estamos dispostos a abrir mão. Mas shopping é um dos seus símbolos e irritante. 

No shopping você pode ser observado e observar. No shopping você não está sozinho e ao mesmo tempo é tão solitário. No shopping é possível encontrar pessoas, falta de educação, ladrões (sim!), frustração por não conseguir comprar tudo o que se quer. Mas também no shopping é possível encontrar boa comida, confraternização, filmes e livros, conforto e banheiros limpos.

Mas ainda assim eu odeio shopping.


Rafaela Valverde

terça-feira, 8 de novembro de 2016

Easy


Assisti nesse final de semana a primeira temporada da série Easy, série original da Netflix. Composta de oito episódios, a série estreou em setembro e traz de forma antológica, personagens e episódios diferenciados e nem sempre conectados. Exceto por um detalhe ou outro, um personagem ou outro. A cidade em comum é Chicago. É lá que as câmeras livres e meio caseiras registram histórias divertidas e reflexivas.

Mas também há cenas e episódios meio maçantes. Apesar de eles durarem apenas cerca de 30 minutos, não dando muito tempo para se sentir entediado. Em alguns momentos eu senti uma identificação da série com uma outra que eu estou assistindo que é Black Mirror, uma série inglesa também com personagens e episódios diferentes. Vamos dizer que Easy seja uma Black Mirror dos pobres... rsrsrs

Mas Easy, que é dirigida por Joe Swanberg trata mais de relacionamentos interpessoais, apesar de haver algo  de relacionamento com a tecnologia e Black Mirror também tratar, além da tecnologia, das relações entre as pessoas. Mas sobre a série inglesa eu falo depois. O texto aqui é para Easy que traz temas modernos e polêmicos como exposição na mídia, diferença entre gêneros, aplicativos para transar, veganismo, homossexualidade etc.

Eu gostei da série. É bem feita e tem bons atores. Em um dos episódios há a presença de Orlando Bloom, famoso ator de Hollywood. E antes que eu esqueça de falar, há em Easy, um tratamento especial ao sexo. Cenas diferentes de sexo. Casais héteros, um casal de mulheres, mulher com o amigo do marido... É tudo bem quente. Que fique claro que foi o que eu mais gostei. Hahaha


Rafaela Valverde

terça-feira, 25 de outubro de 2016

Agradecer!!!


Eu não tenho do que me queixar. Estou na UFBA, onde sempre quis estar, apesar dos pesares. Sou bolsista de iniciação científica. Isso não foi possível para mim nos dois anos em que estive na UNEB. Lá não houve tantas oportunidades desse tipo. Eu acredito na pesquisa. É um dos pilares da universidade e conta pontos para seleção no mestrado, um dos meus maiores sonhos.

Com essa bolsa eu posso me dedicar um pouco mais aos estudos e à pesquisa ao invés de apenas estudar para me formar e trabalhar para manter a graduação e conciliar tudo. Além disso, eu tenho poucos e bons amigos ao meu lado, tenho uma família incrível que me ama e me ajuda. Tenho uma coisa que eu acho que pode ser um dom, que é o dom da escrita e sei que escrevo bem.

Posso, apesar da crise, pagar e comprar algumas coisas como por exemplo a Netflix que me proporciona tantas séries e filmes bons, como Grey's Anatomy, House of Cards e outras que eu amo e me emociono. Me ajudam a escapar da minha rotina louca. Enfim, tenho auto estima e tenho algumas coisas que sempre quis. Inclusive paz.

E de pensar que há poucos meses eu queria morrer todo dia. Não tinha vontade e alegria de nada. Mas hoje eu estou bem e preciso muito agradecer. Por mais que eu agradeça todo dia ainda não é suficiente. E ainda há meu querido Cássio, meu namorado. Uma surpresa que apareceu esse ano e uma das quais eu me sinto mais grata. Uma nova paixão, mas uma amizade das antigas. Sim, eu conheço Cássio desde 2004 quando começamos o ensino médio. Meio que éramos amigos, e meio que rolou uns beijos não muito legais, mas não havíamos nos visto ou nos falado nos últimos anos. A não ser por uns contatos esporádicos pelo Facebook e num grupo da turma no WhatsApp. Mas um belo dia nos reencontramos...O beijo melhorou! rsrsrs Essa história eu conto depois. O que quero dizer é que depois de tanta dor hoje eu sou feliz e sou muito grata!



Rafaela Valverde

sexta-feira, 21 de outubro de 2016

Suits


Terminei a quinta temporada da série Suits. É uma série americana criada e escrita por Aaron Korsh. Estreou em 2011 trazendo a história de uma grande empresa de advocacia em Nova Iorque, chefiada por Jessica Pearson (Gina Torres). A série começa com a narrativa da vida de Mike Ross (Patrick J. Adams) que vive uma vida errante e já foi expulso da faculdade de direito.

Ainda assim, Harvey Specter (Gabriel Macht) o contrata para a firma, depois e Mike ter ido parar por engano na entrevista. E daí a trama passa a desenrolar, a partir da contratação de Mike. A firma só contrata jovens de Harvard mas nem todos os jovens associados tem os requisitos de Mike que conta com uma memória fotográfica e sabe muito da profissão.

É uma trama interessante. Com doses de humor e drama. Estreou esse ano a sexta temporada, mas na netflix só tem até a quinta. E já há confirmação para a sétima em 2017. A série faz um enorme sucesso e os atores já ganharam prêmios. Quem me indicou inclusive foi uma estudante de direito. O povo de direito curte bastante e eu adoro essa série. E ainda tem o o gostosão do  Gabriel Macht  e a maravilhosa Sarah Rafferty que interpreta a secretária incrível Donna Paulsen.

Que essa série tenha ainda muitas temporadass, porque eu com certeza vou assistir. Recomendo!



Rafaela Valverde

quarta-feira, 5 de outubro de 2016

O "amarelo"


No último domingo estive na escola que estudei a minha infância inteira até os 14 anos. Há cada dois anos eu vou a essa escola que fez parte da minha vida. Vou lá votar. No último domingo após o fim das eleições eu esperava numa cadeira  e comecei a observar o pátio da entrada do colégio. Ainda há um telefone público na entrada. Lembro das ligações que já fiz naquele telefone público.

Olho para o chão, ainda é o mesmo. A estrutura é basicamente a mesma, mas há mais um portão e câmeras. Ao mesmo tempo em que a escola é a mesma, ela mudou muito. Saí de lá há treze anos e ainda nem tinha ensino médio quando saí. Era só até o ensino fundamental II. Lá fiz muitas travessuras, lá fiz amigos e inimigos que duram até hoje. Lá eu vivi coisas boas e ruins. Mais ruins, para falar a verdade.

Sofri bulliyng, sensação de fracasso escolar, "amores" não correspondidos e sofri a precariedade da escola pública. Eu vi aquela escola nascer e antes ela ainda era mais precária. Há vinte anos, eu tinha sete anos e estava na segunda série do ensino fundamental I. Havia saído da escola particular, onde estudei na pré escola e fui estudar nessa escola que era pequena, com apenas sete salas de aulas, quatro de madeira. Sim, a escola era um amontoado de compensado.

No ano seguinte começou uma reforma que durou mais de um ano, ficamos sem escola nesse ano. Minha mão não podia pagar particular e a outra pública era ainda pior, mas ainda assim era melhor que nada, até hoje não entendo isso, mas enfim... Quando finalmente a reforma foi concluída e a escola foi entregue com a estrutura que ela tem hoje todos nós ficamos maravilhados e achamos aquilo tudo a última e mais moderna revolução educacional. Até passamos a chamar carinhosamente o colégio de "amarelo" devido a cor do seu prédio. E é assim até hoje. Simplesmente amarelo e pronto.

Sim, então enquanto estava sentada lá esperando meu trabalho como presidente de mesa terminar eu vi num grande mural que tem logo na entrada um aviso informando que devido à morte da professora Graça as provas seriam canceladas e adiadas para a semana seguinte. Ela morreu no dia 27/09 e era uma professora que eu gostava muito, fiquei arrasada quando soube da notícia. Aquilo me encheu de tristeza e ao mesmo tempo saudade dos anos em que estive ali. Só queria prestar mais essa pequena homenagem a minha professora de português/ inglês de quase toda minha vida escolar e a escola que eu estudei que apesar de sofrer com a precariedade foi onde eu estudei.




Rafaela Valverde

segunda-feira, 3 de outubro de 2016

O jardim e o quintal - Fabrício Carpinejar


Não basta ser fiel, tem que ser leal para dar certo.

Foi o que a minha namorada me disse.

A lealdade é tão importante quanto à fidelidade.

A lealdade é o pensamento da fidelidade. A fidelidade é a ação da lealdade.

A lealdade é a amizade do amor. A fidelidade é o respeito do amor.

Há casais que são fieis entre si, mas não são leais, e se distanciam um do outro.

Há casais que nunca se traem, mas tampouco se apresentam: vivem pulando a cerca nos gestos.

Podem, aparentemente, conviver em harmonia, só que não expressam o que sentem, não descrevem suas frustrações, conservam uma fachada até a relação estourar. Cuidam do jardim da residência, descuidam do quintal.

Não cooperam com o entendimento, não são didáticos, colocam a sujeira debaixo da cama, deixam os atritos passar sem mediação.

Parece que estão alinhados, porém apenas não estão conversando.

Não respondem onde andam com a cabeça, o que querem de verdade.

Na separação, descobrirão que não se conhecem, pois jamais descreveram suas emoções mais básicas, sequer revelaram o ciúme e o descontentamento no momento da eclosão.

Lealdade é esclarecer as dificuldades e as rusgas. É uma exposição gradual das diferenças que geram as semelhanças.

Fidelidade é uma vontade do casal diante dos demais, lealdade é mostrar a vontade de cada um no decorrer do tempo.

Fidelidade é cumplicidade, lealdade é intimidade.

Fidelidade é um posicionamento público, lealdade é a vida privada.

Fidelidade é projeção, lealdade reflete aquilo que você é para si. Se contraria seu sonho com o casamento ou o namoro, está sendo desleal, mesmo que seja fiel.

Fidelidade é um passo externo, lealdade é um passo interno.

Fidelidade é honrar o compromisso perante o trabalho e os amigos, lealdade é honrar o compromisso em casa.

Lealdade é expor o que se está pensando, o que se procura, não omitir suas intenções, manter sua companhia atualizada de seus problemas e de suas soluções.

Fidelidade é proteger o relacionamento, lealdade é não esconder o que está acontecendo dentro do relacionamento.

Sem lealdade, o amor cansa, o amor estanca, o amor não cresce.

A deslealdade separa mais do que a infidelidade.

A deslealdade é se trair por dentro.




Rafaela Valverde


segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Filme Aquarius


Aquarius já chegou causando. Em maio a equipe protestou no Festival de Cannes contra o impeachment da ex-presidente Dilma Roussef. O filme dirigido por Kléber Mendonça Filho concorria à Palma de Ouro e exatamente um mês depois da fatídica votação sobre o processo de impedimento, dia dezessete de maio, os atores e o diretor seguraram cartazes na entrada do evento denunciando o golpe. A cena do protesto pega o público do tapete vermelho de surpresa e com certeza vale a pena ser vista.

Alguns, contagiados com a paixão política juraram boicotar, outros, porém caíram no marketing do protesto e foram curiosos ver o filme que estreou no último dia primeiro. Estreou modestamente, não tem levantado números estrondosos. Mas os números pouco importam. Números passam, mas a riqueza da obra vai ficar para a posteridade, apesar do golpe.

Clara, vivida magnificamente por Sônia Braga, é a protagonista de Aquarius. Uma jornalista de 65 anos, aposentada e que vive na Avenida Boa Viagem em Recife. Frequenta a praia da Boa Viagem e tem um amigo salva-vidas. Seu edifício, Aquarius fica de frente para a praia. Ali, Clara criou seus filhos. É no Aquarius onde ela ainda vive e é onde o filme começa nos anos oitenta – época de ditadura no país – na festa de aniversário da tia Lúcia. Clara está com os cabelos bem curtos, se recupera de um câncer, seu marido ainda é vivo e seus filhos pequenos.

A música Toda menina Baiana de Gil faz a transição dos setenta anos de tia Lúcia para os dias de hoje. Clara ainda ouve essa música, ela mora no mesmo apartamento e ouve muitas músicas. Ela vive cercada por discos e livros, ela dança sozinha e tira cochilos vespertinos. Sua vida é tranquila no Aquarius.

‘O cabelo de Clara’ é como se chama a primeira parte do filme. Um cabelo preto, grande e volumoso, tão volumoso que precisa de duas presilhas para prendê-lo. É um sinal de abastança em contradição com o momento inicial onde ela aparecia quase careca. Já que foi escasso outrora, por causa da doença, o cabelo agora “se vinga” da escassez e é por si só um símbolo de resistência, força e beleza. Força e beleza essas demonstradas ao longo de todo o filme, mas destacadas nessa primeira parte. Mergulhos na praia mostram uma mulher em forma e sua força é retratada a todo o momento, inclusive quando ela se despe e a cicatriz da mastectomia fica evidente. É um pouco chocante para os telespectadores e dá a sensação de que essa mulher é realmente resistente.

Sônia Braga está no melhor momento de sua carreira. Nesse filme ela pode mostrar sua atuação crua. Praticamente só ela e a câmera, e mesmo quando contracena com os outros atores ela se destaca.  Os seus olhares se casam com as câmeras, com as cenas e muitas vezes nem precisa de falas.  Não há sexualidade implícita, não há pipa no telhado e nudez sensual; não há maquiagem e roupas chiques e provocantes. Há apenas uma mulher elegante, com roupas confortáveis. Uma mulher da classe média alta de Recife. É quase uma mulher normal. Claro, se não fosse Sônia Braga.

A primeira parte do filme traz ainda a relação de Clara com Ladjane, sua empregada. Ladjane às vezes a chama de você e elas convivem bem, tendo algumas vezes o que parece ser uma relação de camaradagem e cumplicidade. Mas Ladjane não deixa de ser empregada doméstica e essa é uma separação que fica clara ao longo do filme. 

Algumas questões são discutidas ou simplesmente mostradas como meras casualidades da vida: relação patroa e empregada, desigualdade social, amizade, sexo na terceira idade, entre outros assuntos. Em uma entrevista, Clara privilegia um LP em sua fala. Esse LP tem uma história do seu antigo dono e ela fala que ele “é como se fosse uma mensagem na garrafa.” Mas a frase que sai em destaque na capa do jornal é “Eu gosto de MP3.” Esse fato demonstra distorções da imprensa e distorções do que é importante. Uma mensagem poética, uma história, uma memória se perde em detrimento da ideia da tecnologia, do uso efêmero de um MP3. E é isso que Clara quer evitar, que memórias se percam, que histórias sejam esquecidas.

Outro assunto é a relação entre patroa e empregada que pode até ser de cumplicidade, mas fica claro que Clara já teve outra empregada, sem rosto e quase sem nome, que roubou sua família e no fundo ela sabe que não deve confiar totalmente em Ladjane. Mas ainda assim vai à sua casa comemorar seu aniversário. Festa na laje, na parte pobre da cidade como ela mesma afirma. Nesse momento a câmera do diretor – que às vezes pode ter mais a dizer do que os diálogos e tramas fílmicos – se afasta e mostra o contraste da laje em meio a prédios chiques ao fundo. 

A segunda parte do filme se intitula ‘O amor de Clara’ mas poderia ser os amores de Clara. Assim como toda a trama, essa parte é um misto de cores e acontecimentos. O sobrinho, a quem ela afirma lamentar não ser mãe, as amigas, a música, os filhos, o apartamento... São muitos os amores de Clara. O apartamento é carregado de amor e de lembranças. Desde o início, desde os tempos de tia Lúcia, um móvel de madeira antiga, um tipo de aparador está naquele apartamento. Ele não é só um móvel, ele é um objeto repleto de amor e digamos também de lascívia... A câmera que o diga, ela encara o objeto algumas vezes. Ele é de madeira forte que resiste ao tempo, assim como Clara que decide que não vai vender o seu apartamento.

Ela recebe a visita de empresários da construção civil. Uma empresa famosa e familiar. Um neto formado em business no exterior, seja lá o que isso seja. Apesar dos sorrisos e da simpatia, ela diz não. E continua dizendo não. É claro que nessa altura, nós telespectadores já temos quase certeza que uma hora ela vai ceder. Ela precisa ceder, afinal de contas os outros apartamentos estão vazios, não dá para uma mulher morar sozinha num prédio ermo, sem estrutura e sem segurança. Além disso, existem as outras pessoas, as pessoas que compraram o empreendimento inexistente, “na planta”, os pais de família que estão dependendo da obra para trabalhar e os demais envolvidos, como os donos da construtora. É muita pressão, Clara é abordada na praia por um dos interessados e a mensagem que é passada é que logo ela cederá. Ela é uma pessoa boa, não pode ser tão egoísta, não é mesmo?

Em um mundo dominado por homens que estão acostumados com a obediência feminina, é um avilte uma mulher, logo uma mulher resistir e continuar onde ela não deveria estar mais. Ela é má e louca, ela é egoísta e ela tem que sair! Semelhanças com a realidade atual brasileira à parte, não dá para enxergar Clara dessa forma, não há como não simpatizar com ela de cara. Suas tiradas engraçadas, algumas vezes até artificiais, fazem ou deveriam fazer pensar um pouco mais em nós mesmos, em não abrir mão da nossa história de vida, de quem nós somos por causa de outrem. Essa história de bem comum social soa tão hipócrita. Nesse caso havia pessoas precisando de emprego ou precisando dos apartamentos para morar, mas havia também a padronização das cidades, com prédios enormes e modernos, “urbanização e progresso” traz enormes edifícios cobrindo a praia e produzindo lucros para empreiteiros que constroem essas contemporâneas cidades cinzas e iguais, se tornando ricos, muito ricos. 

Acontecimentos estranhos passam a ocorrer no Aquarius. Festa e luxúria na madrugada; colchões queimados e cultos evangélicos. Até chegar o momento do confronto cara a cara entre Clara e o “neto business.” A trama principal do filme gira em torno desse conflito, um conflito tão pacífico quanto violento, uma violência simbólica. E esse não seria o único conflito.

Nem esses fatos fazem a destemida mulher desistir do seu espaço, da sua história. Ela enfrenta tudo de uma forma elegante. Até demais na verdade. Há quem já parta logo para o barraco. Mas Clara não há de ser uma heroína, não é esse o ponto. O ponto é que ela é uma mulher normal, como cada uma de nós, brasileiras. Heroínas que vão à praia, ao supermercado e cuidam de filhos e netos. Clara fica. E é ali que tem que ficar. Todo mundo está contra sua decisão, até seus filhos, mas ela vai ficar. Agora não há mais dúvidas. Seus filhos se reúnem e pedem que ela saia, que venda o apartamento, mas ela não quer e está irredutível. Não vai simplesmente se desfazer da sua história, cair no esquecimento. Ela quer ser imortal, assim como os livros que escreveu. E por falar em filhos e em livros, a cena mais emocionante – meus olhos encheram de lágrimas – foi a cena em que durante uma briga com sua filha, interpretada por Maeve Jinkings, Clara é acusada de ter abandonado os filhos por dois anos para morar no exterior e escrever um livro. O filho mais velho se levanta em silêncio, pega o referido livro e lá está o nome dos três na dedicatória. “Pelo tempo de lazer roubado...” Se não há falhas em minha memória caquética é essa a frase.

A terceira e última parte do filme é denominada “O câncer de Clara”. A parte que tem a intenção da resolução, tudo se reúne em volta de um desfecho. Um desfecho que ainda não se sabe qual. Releitura do cotidiano, Aquarius é tipicamente um filme brasileiro. Lento, quase parado, com diálogos densos e que começa a ficar meio cansativo nesse momento. O espectador já não sabe mais o que pensar sobre o final, mas ainda assim ainda está curioso. A trilha sonora ajuda bastante a acompanhar o filme todo,  aliás, já que é linda e animada. Curiosamente, porém, uma coisa destrutiva e genuína leva Clara a mais um conflito, o conflito final.  Aquele em que ela categoricamente afirma que não quer mais ter câncer e sim que os outros tenham câncer.  A cena final é subjetiva, característica típica de filme brasileiro. O espectador faz o final, em sua mente, em sua imaginação. Por que o que importa mesmo é o decorrer da trama, a fruição que ela proporciona e não somente um final. Um final é só um fim. E essa expectativa por ele só faz as pessoas temerem spoilers. Esse é Aquarius. Não só um edifício. Não só algo que remeta à Era de Aquário e não só um prédio quadrado e fechado que faça alusão à casa artificial de peixes que estão ali isolados, e privados da vida cá fora, vivendo em seu próprio mundo. O nosso Aquarius é recheado de peixes coloridos e diversificados, que estão em contato com o mundo aqui fora, mas querem preservar seu mundo particular e suas antigas memórias do mar.





Rafaela Valverde




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