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quarta-feira, 31 de maio de 2017

Das 8h às 17h


Nunca me imaginei vestindo um uniforme e trabalhando das oito às dezessete. Assim como nunca me imaginei, nunca trabalhei oito horas na vida. Também nunca tive um salário de mais de três dígitos, pois os salários baixos são mais compatíveis com a carga horária de seis horas por dia. Eu fico tentando entender como será essa rotina, como será a cabeça dessas pessoas que a vivem. Claro que eu tenho minha mãe em casa, mas queria visões de fora sobre perder no mínimo quatro horas por dia só no trânsito - o que é condizente com a realidade do trânsito de Salvador e o tempo gasto parado; depois ainda trabalhar oito, nove horas e ainda passar uma ou duas horas de almoço dentro da empresa, ou nas proximidades. É como se vidas inteiras girassem em torno de empresas, de empregos, de negócios, de lucros. Vejo colegas andando juntos na rua, com os uniformes do trabalho, indo ou voltando do almoço. Sim às vezes escuto as conversas alheias e sei que muito do que conversam se relaciona à empresa ou aos colegas. Penso que é por isso que as pessoas imploram tanto pela chegada da sexta feira, por que ter uma vida que gira em torno de uma atividade laboral deve ser bem extenuante. Eu analisando de fora, vejo que isso é triste, sei lá, não sei bem se é triste a palavra que queria usar. Se eu, só estudando e agora estagiando, às vezes não sobra tempo para estudar imagine então quem trabalha o dia todo e faz uma graduação à noite. Quase não tem tempo de estudar. Deve ser bem puxado e não imagino minha vida girando em torno de nada que não dará lucro a mim mesma. No final do dia as pessoas já saem tão cansadas do trabalho e ainda pegam o trânsito miserável dessa cidade. E no outro dia precisam acordar mais cedo para conseguir chegar no horário, pois também tem trânsito... Eu seria bem infeliz em uma rotina dessa. Não posso chegar aqui e mentir, dizer que é melhor viver refém de uma empresa qualquer do que ficar sem trabalhar formalmente. Sim, porque esse é o discurso da maioria das pessoas que eu conheço e talvez eu seja a maior errada nisso tudo, mas é o que eu penso. Não entendo como as pessoas podem sair desses trabalhos sorrindo, devem ser muito felizes. O resto que sobra das suas vidas deve mesmo ser muito bom para que elas sorriam tanto, porque eu sinceramente não entendo.




Rafaela Valverde

terça-feira, 6 de dezembro de 2016

Mulheres no buzu


Hoje eu peguei um ônibus para ir à faculdade. Quanto a isso, nada atípico. Atípico mesmo foi me deparar com a gritaria que havia ali. Na frente do ônibus, perto do motorista, havia umas mulheres adultas gritando e gargalhando de manhã cedo. Primeiro: eu não sei por que algumas pessoas são tão felizes, especialmente em dias de semana, às seis da manhã. O povo de Salvador é muito feliz, feliz de mais, feliz à toa, feliz sem motivo. A gente só vive com os dentes abertos e olhe que a cidade fede a mijo e esgoto, imagine se vivêssemos numa cidade com bom aroma!

Em segundo lugar, essa imagem, das moças rindo, nos deixa evidente o quanto somos intolerantes com o o outro. Eu fui intolerante com elas. Eu e as algumas outras pessoas do ônibus. É possível perceber também o quanto somos intolerantes com os mais jovens: se fosse um grupo de estudantes com o mesmo comportamento, todo mundo "cairia matando". Sei disso porque já fui estudante e porque já fiz esse tipo de algazarra dentro do ônibus e fui constantemente rechaçada, junto com os colegas que faziam isso comigo.

A maioria das pessoas não suporta esse tipo de comportamento de adolescentes. Adolescentes fazendo essas coisas é ruim para a imagem, são baderneiros, etc. Mas um monte de "muié véia" pode! Eu acho isso uma vergonha alheia, seja lá quem for. É chato, é feio e incomoda as pessoas. É falta de educação. Mas em Salvador falta de educação é normal, os ônibus dessa cidade além de serem barulhentos, quentes, sujos, ainda são pontos das maiores faltas de educação que eu já vi na minha vida. Sim, por que ainda tem os bonitos, geralmente jovens e estudantes, que não tiram a mochila das costas mesmo o ônibus estando socado.

Nós, baianos somos muito mal educados. Chego, infelizmente a essa conclusão. Mas voltando aos jovens, eu acho que nós jovens adultos e adultos na meia idade somos muito intolerante com os adolescentes. Os meninos são discriminados o tempo todo pela gente. E não podem fazer o que a gente cansava de fazer quando tinha a mesma idade deles. Parece um círculo vicioso, vamos crescendo e ficando ranzinzas, por isso eu repito que se fossem jovens protagonizando uma cena como a de hoje, os adultos do "buzu" ficariam indignados. Por que é um absurdo que esses jovens se comportem dessa forma! Acho até que os meninos estão contidos. Estão tolhendo nossos meninos. Enquanto os adultos viram um monte de retardados.



Rafaela Valverde

quinta-feira, 8 de setembro de 2016

Trânsitos cotidianos de vida

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Imagem da internet
Estou no ônibus mergulhada em pensamentos, são seis e trinta da manhã e o trânsito já está caótico em Salvador. Estou passando pelo Dique do Tororó. Observo aquele mundaréu de água verde e tento imaginar se é muito fundo e o que pode ter naquele fundo. Tento entender o que há no fundo da minha alma também. Daí desisto já que não terei êxito e decido acompanhar o fluxo pesado do trânsito.

Um homem atravessa a via correndo e eu fico pensando em como ele é maluco, "será que não tem medo de ser atropelado?" Com isso entro em mais devaneios, divago sobre o ambiente, sobre como deveria ser aquela área no século passado e fico tentando imaginar a vida das pessoas que ali estão se exercitando.

Eu viajo dentro de mim mesma, eu viajo dentro de um ônibus, eu viajo nas paisagens de Salvador. Eu viajo, Eu vejo ainda o que não há mais para ver. Eu tenho dejavu ou então uma visão pressentida do futuro. Eu penso muito no futuro, fico divagando se vou conseguir tudo o que desejo. Minha cabeça vai até um mundo cósmico-místico inexistente e volta para o trânsito travado de Salvador. Em menos de uma hora!

Estou passando pela Av. Garibaldi, uma avenida mais perto da UFBA e com isso tento calar meus pensamentos, tento pensar em outra coisa, como por exemplo no absurdo de ter uma aula de Latim às 7h da manhã de uma segunda feira. Tenho que sair desse torpor de ônibus. Tenho que andar ligeiro, até chegar à universidade, tenho que fugir de ladrão. Ou dos meus pensamentos?

Desço e adentro esse ambiente onde sempre quis estar. Tem árvores, a brisa é agradável e o céu está azul. Vamos lá para mais um dia! Sem pensar muito nessas coisas paralisantes que compõem a vida, a incerteza e o futuro. Deixa essas coisas chatas para o "buzu", para o engarrafamento. Ainda bem que não sou eu a motorista, pois poderia até causar um acidente com meus pensamentos que me fazem fazer voltas continentais e transcendentais. 



Rafaela Valverde

terça-feira, 19 de julho de 2016

Reflexões de passarela

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As pessoas vivem com pressa e pior que paradoxalmente reclamam que o tempo está voando. Os anos voam, envelhece se rápido. Ruas movimentadas são atravessadas destemidamente, tudo pela vontade de chegar mais rápido ou pela impaciência. E eu penso imediatamente no quanto a vida é valiosa. Ela não merece que nós arrisquemos tanto por tão pouco. Só para chegar uns minutinhos antes?

De cima da passarela eu observo, eu penso. É um turbilhão de ideias que vêm tão rapidamente e a pessoa continua lá esperando os carros pararem de passar para ela atravessar a rua. "Mas como assim, você já poderia ter vindo pela passarela, seu jumento!" Daí eu não entendo muito bem o raciocínio dessas pessoas e sigo meu caminho com a minha mente demente apostando corrida mentalmente com aquela pessoa otária que tem síndromes suicidas em plenas avenidas movimentadas de Salvador.

O que vale aqueles momentinhos economizados atravessando uma avenida ao invés de simples e seguramente atravessar pela passarela? O trabalho? Almoço? O crush esperando? Uma entrevista de emprego? Uma aula? Prova? O que é mais importante do que apenas não virar mingau de baixo de um ônibus ou de um caminhão? Bem, eu não entendo e nunca vou entender. Vou continuar passando pela passarela, sem me importar se estarei sendo chamada de abestalhada como se diz por aqui.

Mesmo tendo medo de passarela. Bem, eu ainda não decidi se é medo de passarela mesmo ou se é medo de altura. Só sei que não gosto. Não ando nas extremidades, de jeito nenhum. Somente no meio. E correndo. Quando dá. Passarelas são equipamentos muito caros para a cidade e são muito úteis e inteligentes, então por que eu vou seguir uma lógica primitiva de atravessar uma rua ou avenida movimentada? Para refletir!



Rafaela Valverde

quarta-feira, 6 de julho de 2016

Filme Melancolia

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Vi no final de semana o filme Melancolia de Lars von Trier, um diretor tão odiado e tão amado e que causa em seus filmes. A obra fílmica foi lançada em 2011 e conta com Kirsten Dunst, Charlotte Gainsbourg, Alexander Skarsgård  entre outros no elenco. Charlotte inclusive trabalhou Ninfomaníaca, um outro filme do diretor.

O filme é classificado como Drama, ou Ficcção Científica e traz de perto a vivência da depressão. Um planeta de nome Melancolia está se aproximando da terra e isso causa certa preocupação em alguns personagens do filme. Outros já têm seus próprios conflitos internos como é o caso de Justine (Kirsten Dunst). Ela que desiste de casar logo no início do filme, passa a questionar sua vida e a viver num estado avançado de depressão.

Ela conta com a ajuda da irmã Claire (Charlotte Gainsbourg) que junto com a sua família acolhe a irmã  e passa a investigar ou esperar o planeta que pode ou não se chocar com o nosso planeta. O filme é tenso, paradão, às vezes triste, às vezes chato... Mas quem já conhece von Trier e suas câmeras quase caseiras vaio entender que é o seu estilo e é esse estilo que mais me atrai nele. É um dos meus diretores preferidos. Para quem gosta eu recomendo.



Rafaela Valverde


terça-feira, 22 de março de 2016

Reflexões sobre o Salvador Card e suas incoerências

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Ando pensando algumas coisas sobre o Salvador Card ultimamente. O Salvador Card é o que dá meia passagem aos estudantes, integração nos ônibus diferentes, enfim, o cartão para passar nos ônibus da cidade. O projeto era vinculado ao Seteps antigamente e até era chamado de Seteps, porém hoje está ligado também à prefeitura de Salvador. Não tenho bem certeza, mas parece que é um acordo entre prefeitura e sindicato dos empresários de empresas de transportes públicos da cidade.

Então, de um tempo para cá, não sei bem dizer quanto, o projeto resolveu se reformular. Houve uma popularização dos cartões, quase todas as empresas são adeptas para transporte dos seus funcionários, a maioria dos estudantes possuem um cartão de meia passagem e ainda há o bilhete avulso, que qualquer cidadão pode ter e pegar dois ônibus pagando apenas uma passagem no período de duas horas.

Além disso houve uma dispensa maciça do trabalho do humano e as recargas passaram a ser exclusivamente através de totens. Antes do início das revalidações anuais para que os estudantes continuem usando o serviço durante 2016 ainda havia pessoas carregando os valores em dinheiro no cartão. Agora não. As pessoas estão lá apenas para revalidar. Um processo que ao meu ver também é falho.

O Salvador Card possui três pontos fixos de recarga dos cartões em pontos específicos da cidade. Abriram postos móveis em alguns shoppings e totens foram distribuídos em algumas faculdades, como a UNEB e a Unijorge por exemplo. Porém ainda é pouco, comparado à quantidade de pessoas que havia antes para fazer as recargas e que provavelmente foram demitidas. Os totens são úteis, mas são máquinas, será que se um dia quebrarem ou precisarem passar por alguma manutenção, haverá pessoal suficiente para lidar com essa contingência? A resposta é não. Fora que as filas continuam, o que invalidou um pouco o princípio da praticidade dos totens. Ah e os totens não dão troco e só aceitam notas novas (sem rasuras e que não estejam amassadas, recusando as que estão) e ainda só é possível inserir notas a partir de cinco reais. Moedas e dois reais não! Já passei maus bocados por causa disso!

E para voltar a falar de revalidação, eu revalidei recentemente o meu cartão e o de minha irmã. Nossos comprovantes de matrícula mal foram olhados, os documentos de identificação então nem se fala. Não foi pedida a mim nenhuma comprovação de parentesco com a minha irmã, já que estava revalidando o cartão dela de estudante.

Há ainda a questão da segurança sobre quem está ou não utilizando esses cartões de estudantes, pois no início era um sistema bem rigoroso, onde só as pessoas da família podiam fazer a recarga e a revalidação apresentando documentos de identificação que eram analisados e a depender do estado não eram aceitos. Havia também a questão da digital que era solicitada nos ônibus a fim de identificar os estudantes. Essa medida de segurança foi muito criticada por mim, pela lentidão que gerava dentro dos coletivos, JÁ QUE NUNCA FUNCIONOU BEM! 

Mas aí de repente, a solicitação da digital ou identificação biométrica que começou com tanto rigor e todos tivemos que fazer o cadastro dos nossos dedinhos em tempo hábil, não existe mais! Quem me disse isso foi uma cobradora de ônibus! Sim! Ela disse: " esqueça isso de botar o dedo, isso acabou!". Eu me senti enganada, por que depois de tanta agonia em nossa cabeça (quem lembra desse período sabe o que estou dizendo), simplesmente não existe mais. Como assim? Cadê a segurança? Não há mais solicitação de digitais? Quer dizer então que quaisquer pessoas podem recarregar meu cartão (totens) e ainda podem utilizar nos ônibus "de boa"? Como assim, Seteps? Hein Salvador Card? Prefeitura? Alguém para explicar? Só eu quem penso nisso?

E ainda há mais uma coisa: a diminuição de funcionários no órgão além de aumentar o número de desempregados na cidade e no estado, será que não ajudou a piorar o atendimento e conferimento dos documentos, diminuindo a segurança? Afinal, é muita gente e o serviço tem que ser rápido. A resposta é SIM! Fica a reflexão ou as reflexões. Temos que reclamar e chamar atenção para o que está errado, é o nosso dever enquanto cidadãos!



Rafaela Valverde

quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

Uma corrente que eu gostaria

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Gostaria de mais empatia. De mais casos de empatia e não apenas vingança, olho por olho, dente por dente. Gostaria de  mais olho no olho ao invés disso. Mais gentileza, mais afeto, mais amor ao outro. Se não amor pelo menos educação

É tão bom quando alguém pisa no meu pé e tem o cuidado de olhar para saber quem foi, pedir desculpas e até ficar sem graça. Eu faço isso, eu me importo com o dono ou a dona do pé que eu pisei. Eu procuro olhar para quem sem querer dei aquele esbarrão dentro de um ônibus lotado as seis da manhã.

Eu gostaria que houvesse mais isso em nosso cotidiano. Com certeza viveríamos um pouco melhor. Mas só um pouco também. Sem aquela utopia de que se cada um fizer a sua parte... Isso não funciona tão bem assim. Mas um pouco de empatia, de se colocar no lugar do outro. Se perguntar "eu gostaria que fizessem isso comigo?" pode ser que funcione. 

Por que não tentar? Por que não cultivar todos os dias coisas como essas? Pequenas gentilezas, pequenos gestos de cuidado com o outro. Se ambos se esbarrarem, mesmo que por falta de atenção ou qualquer outro motivo, o pedido de desculpas deve vir de ambos.

A atenção com o outro já começa na verdade em evitar esbarrões, empurrões, pisões no pé, etc. Isso mostra que estou prestando atenção ao que está a minha volta, eu estou realmente olhando para o outro, para o meu companheiro social e não apenas vendo ele de uma forma genérica. Isso me ajudou a compreender o outro, a mim mesma e meu contexto social.

Fora que gentileza gera gentileza. E isso não é apenas mais um clichê e nem apenas uma frase pronta. Não. É meio como tipo aquele filme A corrente do bem, onde há realmente uma corrente de coisas boas sendo passadas adiante. Eu explico: por mais que uma pessoa não seja tão gentil assim com todo mundo e se ela de repente for empurrada ou pisada e alguém gentilmente pedir desculpas de forma simpática e empática, ela pode repensar os seus atos de não-gentileza e passar a agir dessa forma também. Ou não. Ela pode apenas aceitar e fica tudo por ali. Mas não é a atitude do outro que importa nesse momento e sim a nossa. Faz bem, é educado, é legal e pode chegar a ser marcante. Somos lembrados por nossa educação.



Rafaela Valverde

sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

Gozar e algo mais...

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Aí bate aquela seca desgraçada, aquela vontade de uma foda gostosa. Pelo menos 'umazinha' que seja vai... Mas sabe, não quero apenas aquele sexo barato e banal, onde ficamos juntos por alguns momentos numa cama, fazendo coisas bonitas e gostosas, mas que no dia seguinte nos separamos e como se nada disso tivesse acontecido, cada um vai viver sua vida. Já tive isso e já deu.  

Agora, porém quero mais que isso. Quero enlaçamento, quero contato físico constante, olho no olho depois de transar e é claro, não quero mais ter que simplesmente sair correndo e ir embora. Quero esquecer onde joguei minha calcinha. E quero comer uma pizza família nua depois de uma transa sacana, um outro prazer com quem me deu prazer.

Quando vem essa seca num momento que eu não quero apenas sexo por sexo, no momento em que não tenho mais interesse em banalizar o sexo, parece que a vontade fica mais intensa. Sinto uma pressão absurda lá em baixo e procuro pornografia em todos os lugares. Masturbação virou lugar comum por aqui e não acho que deva ter vergonha de falar sobre minha sexualidade aqui, antes que os moralistas se pronunciem.

Estou doida para sentir a química agir novamente, os feromônios eclodirem, a admiração saltar aos olhos em forma de brilho. Sim por que para mim,  para dar tesão tem que ter o mínimo de admiração pelo ser humano que está nu na minha frente. Ou vestido também, eu vou tirando a roupa aos poucos (rsrsrs) adoro tirar roupas alheias. E a minha também! 

Sabe quando não adianta apenas transar por transar, gozar por gozar, tirar a seca por tirar a seca? Não vale a pena e eu sei disso. Quero ser preenchida durante e depois do sexo também rsrs. Não apenas levantar da cama, pegar um ônibus e ir embora. Quero gozar e ficar, gozar e comer brigadeiro, gozar e repetir, gozar e beijar. Gozar. Mas com algo mais. Afinal, apenas gozar eu posso gozar sozinha, com as minhas mãos e apetrechos.



Rafaela Valverde


domingo, 29 de novembro de 2015

Solidão

A solidão é difícil para quem não gosta dela. E eu acho quase impossível alguém gostar dela, pra falar a verdade. Não dá para estar o tempo todo sozinho. Se fosse, não teríamos construído as sociedades.

Nascemos vivendo em sociedade e com ela aprendemos a linguagem, os hábitos, os costumes, enfim, a cultura. Somos o que somos por causa do meio social em que nascemos e/ou vivemos, sim. Isso não dá para negar.

Hoje em dia há uma mania generalizada que cultiva e incentiva o estar sozinho e a solidão. É visto como admirável, alguém que brada o tempo todo que vive muito bem sozinho, o tempo todo e que não precisa de ninguém para nada. Sinto informar que essa pessoa está mentindo.

Sim, por que ainda essa semana eu mesma fiz essas afirmações. E eu estava enganada ou mentindo para mim mesma. Estar sozinha esporadicamente me proporciona um prazer absurdo, mas estar sozinha o tempo todo é deprimente, literalmente.

Hoje me dei conta que a depender de onde eu esteja, a sensação de solidão pode ficar mais evidente ou passar despercebida. Por exemplo: eu estava  em uma feira de rua, evento muito comum aqui em Salvador ultimamente, e olhava para todos os lados onde via pessoas com pessoas: duplas e grupos de amigos de várias faixas etárias, familias inteiras, cachorros e casais, muitos casais!

Tomei uma água e uma cerveja, andei, sentei e vi que só eu estava sozinha e pensei: "Nossa isso aqui está muito 'namoro'. Vou embora! E fui. Atravessei a rua, peguei um ônibus e fui para o lugar que mais odeio na vida: shopping.

Sim, por que lá a minha solidão passaria despercebida. Quem estranharia uma garota sozinha tomando um milk shake? Pois foi isso que eu fiz: comprei um maltine grande e fiquei lá curtindo meu momento deprê. E curtindo meu shake!

Fiquei observando as pessoas que ali estavam, a mesma coisa: duplas de amigos comendo pizza ou tomando cerveja, familias e casais. Mas eu não me senti tão mal por que sei que passei despercebida. Saí de lá, entrei no ônibus para vir pra casa e chorei. Chorei até descer no meu ponto.

Rafaela Valverde

sexta-feira, 9 de outubro de 2015

Fuçar o celular do outro é desleal. É paranoia e não amor!

Imagem: Internet 
Ontem vi uma cena que me fez refletir. Estava dentro de um ônibus e sentei bem na frente, já que desceria no primeiro ponto. Já era cerca de 23h e eu estava voltando para casa, depois do trabalho. O cobrador do ônibus estava na frente do ônibus, sentado e conversando com alguém no celular. Ele desligou e entregou o celular para o motorista e agradeceu - ele havia emprestado o aparelho. O motorista devolveu o celular e falou: "apague esse número pra mulher lá em casa não achar esse número diferente e querer ligar e ouvir voz de mulher..."

O cobrador apagou o número e entregou para ele, que o colocou no bolso. Eu estava ali parada observando a cena e pensando em que nível de doença as pessoas estão vivendo e estão conformadas, achando que é isso mesmo. Que é normal. Imagine a falta de paz desse "marido", com "medo" de a mulher encontrar em seu celular um número diferente e quando ligar atender uma mulher. Mas o número ele nem sabe de quem é, ele emprestou o celular a  alguém. E aí começa a "noia", a cena.

Em primeiro lugar, celular é algo estritamente pessoal. E privacidade é o mínimo que qualquer pessoa precisa. Especialmente para estar num relacionamento. O princípio básico para gostar e estar com alguém, é primeiramente ser você. E ter o direito de ser você. Imagine alguém fuçando seu celular, seu computador, sua gaveta de roupa íntima... ah me poupe, viu? Muita falta do que fazer.

Em segundo lugar, pessoas entendam, se o seu companheiro quiser "trair" ele vai fazer isso, independente da sua perturbação no juízo dele. Ou dela. Deixem as pessoas viverem em paz! Mas ao mesmo tempo se a pessoa quiser ficar com você e quiser fazer coisas assim, se enganar, enganar a você e/ou a outra pessoa, o problema é dele. E se você sabe, faça a pessoa arcar com as consequências, a depender da sua opinião sobre o assunto...

Com esse tipo de coisa eu não me estresso e nunca me estressei. Em meu relacionamento anterior eu nunca peguei o celular de meu ex ou fiquei vendo os registros do que ele via na internet. Eu tinha mais o que fazer. Tinha uma vida tão agitada com trabalho e estudo que não tinha tempo para nada. E nem interesse em fazer coisas desse tipo. É antiético, é desrespeito e é desleal. E pior que ser infiel, para mim,  é ser desleal.



Rafaela Valverde



quinta-feira, 3 de setembro de 2015

Biblioteca e metrô

Foto: Google
Hoje fiz duas coisas diferentes. Uma que eu não fazia há mais de um ano e uma outra que eu não tinha feito ainda. A primeira foi ir em uma biblioteca e passear pelos livros. Há um tempão que eu não me dava esse prazer e esse luxo. Fui à biblioteca do Sesc em Nazaré e me deliciei um pouco, por que não pude me demorar por causa do trabalho.Peguei três livros que em breve começarei a ler, então vocês saberão e saí de lá satisfeita. Adoro bibliotecas que nos permitem passear pelos livros.

Pois bem. A segunda coisa que fiz pela primeira vez foi andar de metrô. Enfim, todos sabem que o metrô de Salvador levou anos para ser construído e que só no ano passado é que pudemos vislumbrá-lo devido a copa do mundo. Enfim , todo mundo já sabe da história. O metrô curto me proporcionou hoje uma viagem também curta,de menos de dois minutos, eu nem contei. (rsrsrs) Fui da Lapa até o Campo da Pólvora.

Mas apesar de curta já deu para perceber que viajar de metrô e andar em suas estações nem de longe se parece com andar de ônibus e caminhar pelos terminais de ônibus, especialmente os de Salvador. Eu me senti em outro lugar. Eu não estava em Salvador por alguns minutos. As estações são limpas, organizadas,sem vendedores ambulantes, sem bagunça. A empresa que administra o metrô de Salvador é a CCR Metrô que já possui ampla experiência no negócio e faz direito. Só quis dividir minhas experiências de hoje com vocês.

Gostei bastante e vou repetir a dose.


Rafaela Valverde

sexta-feira, 11 de julho de 2014

Amontoados todo dia


                                        



Pessoas se amontoam dentro de um ônibus, pessoas dentro de carros se amontoam lá em baixo no asfalto formando engarrafamentos colossais. É tudo quase igual, a diferença é que quem está dentro do ônibus está pior, pois está em pé, desconfortável e mal consegue se mexer. A coisa mais horrível do fato de ser pobre é pegar ônibus. É humilhante e nesses momentos a gente pensa: "como a vida é dura."

Em horário de pico a coisa piora, nos empurramos, pisamos um no outro, não temos paciência e achamos que a culpa  é do outro. Não. Estamos todos no mesmo barco e precisamos compreender isso. Não querer que o ônibus pare nos pontos seguintes, é muito egoísmo. Por que ao invés de dizer para o motorista: "leva direto, motô", no nosso bom baianês, não reivindicamos pelo aumento da frota em horários de pico. Há também a necessidade de melhorar as disposições das linhas e horários dos ônibus.

Não adianta oprimir ainda mais quem já se sente oprimido pelo sistema diariamente e que além de tudo é igual a gente. Ninguém está pegando ônibus por que é bonito, é bacana e por que gosta. Todos temos necessidades de ir e vir e dependemos totalmente desse serviço que se fosse de graça ainda estava caro.

O que falta além da educação, é consideração, cuidado e amor ao próximo. Uma pessoa apenas em um carro que tem a metade do tamanho de um ônibus. Isso multiplicado muitas vezes. O número de automóveis nas ruas aumenta todos os anos. Isso é bom realmente? A quem está beneficiando? As pessoas que compram seus carros, depois de muita batalha ficam presas em engarrafamentos, juntamente com toda uma cidade, atrapalhando a vida de todos. Ambulâncias, viaturas e demais carros indispensáveis não conseguem passar e esse inferno é diário.

Quem está satisfeito com isso? Está difícil de aguentar. A gente leva uma hora e meia duas horas para chegar em casa na mesma cidade. Nesse tempo dá para ir com trânsito livre em outra cidade e voltar, mas atualmente não. As grandes cidades, sobretudo Salvador têm se tornado ambientes desagradáveis de viver. Têm se tornado ainda maiores devido ao grande tempo percorrido para chegar a qualquer lugar. Vivemos sem nenhuma qualidade de vida. Lamentável.


Rafaela Valverde

sexta-feira, 30 de maio de 2014

O homem do uniforme azul

Um rapaz entrou no ônibus e deu bom dia. Como ele cumprimentou os passageiros e não estava com nada nas mãos para vender, percebi logo que ia fazer uma pregação religiosa.Estava com uma camisa azul com um nome bordado próximo ao peito. Me pareceu um uniforme de empresa. Ele berrava, isso mesmo berrava o que ele dizia ser "a palavra de Deus".

Rogava pragas em cima de nós e dizia em alto e bom som que deveríamos nos arrepender e "nos entregarmos a Jesus". Estamos, segundo ele, no juízo final, no fim dos tempos e toda violência existente no mundo se deve a isso, pura e simplesmente, e não pelo fato de sermos ruins e violentos por natureza.

Eu ouvia tudo, desejando que meu fone de ouvido tivesse um som mais potente. e achando um absurdo alguém gritar tanto dentro de um ônibus às seis e meia da manhã. Além de gritar, estava mal humorado.

De repente, em um determinado ponto de ônibus, onde descia muita gente, ele olhou para os lados, se calou finalizando seu discurso e parecendo se dar conta de algo, desceu do ônibus. Constatei por fim que o que ele querias mesmo era chegar ao seu destino sem pagar nada, o infeliz.



Rafaela Valverde


segunda-feira, 5 de maio de 2014

Seu número

Foto: Google

_Qual seu número? _ Ele me perguntou. De repente me dei conta que não sabia meu telefone de cor.
_ Serve o celular? _ Perguntei para ganhar tempo, ignorando o fato que quase ninguém hoje em dia tem telefone fixo.
_Quero o celular. Pra ter contato diretamente com você.
_Ok.Deixa eu olhar na agenda. Ainda não memorizei.
Peguei o celular na bolsa, da forma mais natural possível e achei o contato estúpido na agenda: "Meu número". Comecei a falar o número sem aviso e ele correu para gravar no seu celular.
Não dava para esconder o constrangimento de não saber o próprio número e estar ali no meio da rua falando o número da agenda do celular.
_ Tô atrasada. Preciso ir trabalhar.
_ Quer uma carona? Estou de moto.
_ Não, obrigada. Vou pegar um táxi _ Me surpreendi com o quanto posso ser mentirosa. Eu iria era de ônibus mesmo.
_Ok então.
Nos despedimos com um beijo na bochecha e um aperto de mão. Ele apertou meus dedos com firmeza, mas puxei a mão delicadamente e pude sentir seu perfume nela.
Continuei andando até chegar ao ponto de ônibus. E após alguns minutos senti o celular vibrar dentro da bolsa. Abri a bolsa, peguei o celular e vi que havia um SMS.

                "Vc mentiu. Vai é de ônibus. Estou vendo você no ponto. Vc nem pediu meu número de                                 volta, né? Nem por educação."

Olhei ao redor, dei três passo para frente, olhei atrás da cobertura do ponto, mas não o vi em lugar nenhum. Ainda estava com o celular na mão quando recebi outro SMS:

                            "Esse é meu número, se te interessar e hj é sexta, vou na sua ksa. Vamo com a gente hj?"

Respirei fundo. "Ele é amigo do meu irmão. Que clichê."
                                
                                 "Vou pensar _ respondi ao SMS.

Lembrei que ele, meu irmão e turma deles iam para a farra toda sexta feira, impreterivelmente. Mas eu sempre tinha o que fazer. Minha semana era cheia e reservava as noites de sexta para estudar um pouco. Minhas aulas da pós eram aos sábados e reservava a noite de sexta para repassar alguns conteúdos. Por isso sempre estava no meu quarto quando ele ia lá em casa. Estava há algum tempo me dedicando somente ao trabalho e aos estudos e só havia visto ele poucas vezes, mas gostei dele mesmo assim. Ele é bonito. Além de bonito, malhava e era bem sucedido. O celular vibrou outra vez:

                                 "É sua aula de amanhã, né? Juro que levo você cedo pra ksa."

"Como assim? Ele sabe da minha aula da pós?
Percebi que sabia muito pouco sobre ele. Só tinha informações superficiais. Só sabia seu nome, claro, que era bonito, malhado e bem sucedido. Essa última informação sabia através do meu irmão, Bruno.
Veio meu ônibus e entrei, depois que cheguei no trabalho não pensei mais nisso. Sou jornalista e trabalho em um jornal da minha cidade. Meu trabalho me consome muito tempo, mas eu adoro.No horário de almoço, porém quando peguei a bolsa para sair para almoçar, percebi que havia três SMS em meu celular.
Imaginei logo que seriam dele, pois ninguém me mandava SMS. Nem minha operadora!
 
                                "Vc ñ me respondeu."

A primeira. Comecei a me sentir incomodada com tanta marcação. A segunda dizia:

                                "Deixe de ser bicho do mato, Brenda. Vamo sair."

O terceiro SMS me deixou intrigada e ao mesmo tempo derretida:
 
                                "Gosto de você, só nos vimos umas duas vezes, mas não sei explicar. Estarei na sua                                       casa hoje á noite como sempre. Bjo."

Coloquei a mão na testa e suspirei. Olhei para dentro dos meus olhos no espelho do elevador e decidi me permitir. O máximo que podia acontecer era eu me arrepender e me decepcionar de novo. "Mas isso é inevitável. Todo ser humano sofre, afinal." Pensei ainda olhando no espelho.
O elevador chegou ao andar do refeitório e antes de entrar respondi ao SMS:

                                   "Não estarei trancada no meu quarto hj de noite. A gente se fala lá em ksa, bjo.                                              Brenda."






Rafaela Valverde

quinta-feira, 27 de março de 2014

Biometria no Salvador Card

Foto: Google
Há alguns dias, acho que há um mês mais ou menos, começou em Salvador a apuração, se é que podemos dizer assim das biometria para identificação dos estudantes que pagam meia passagem nos ônibus. Não tivemos aviso prévio desse procedimento e eis que um belo dia, tomo um susto ao adentrar o "buzú" e ter que "colocar o dedo" na maquininha, onde são validadas as informações dos estudantes

Agora as coisas estão melhorando um pouco, mas no início eu particularmente tive muita dificuldade em utilizar o recurso. Colocávamos o cartão na maquininha e era solicitado o dedo direito, depois o esquerdo. Dava erro e demorava. O cobrador tinha que liberar nosso acesso com o seu próprio cartão. Isso atrasava a viagem e era motivo de estresse, pois as pessoas não queriam esperar os estudantes passarem para adentrar no ônibus.

Hoje ainda dá erro, mas eles já diminuíram consideravelmente. Em mudanças, é sempre comum resistência, palavras e atitudes de rebeldia, principalmente sobre quem está sendo diretamente afetado pela mudança. Mas depois que a gente se adapta e se as coisas passam a funcionar melhor, tudo se acalma e a gente acaba se acostumando e até gostando.

Eu particularmente achei boa a impossibilidade de os espertinhos usarem cartões alheios. É claro que isso só funciona para os estudantes e a regra não vai abranger a todos os cartões, mas os estudantes pagam meia e isso já será um grande avanço na economia de recursos e quem sabe, ilusoriamente podemos acreditar, em uma melhoria do nosso transporte público, já que a grande desculpa dos donos de empresas e de quem é responsável por fiscalizá-las, era que a quantidade de não pagantes e os pagantes de meia passagem oneravam demasiadamente o sistema. Vamos esperar para ver e fora alguns problemas iniciais, considero a iniciativa positiva.



Rafaela Valverde

quinta-feira, 13 de junho de 2013

Estou ficando repetitiva, mas tenho que falar

Como somos mal educados. Não sei onde vamos parar com tanta falta de compostura, delicadeza, elegância, cuidado com o outro. Vivemos em sociedade. Isso aprendemos na escola enquanto somos crianças. Aprendemos também que não podemos viver sozinhos. Prova disso é que a nossa língua é aprendida e imposta através da sociedade onde vivemos. Podemos nascer em qualquer lugar do mundo, mas a língua que vamos falar é aquela em que seremos criados.

Bem, voltando a falar sobre a educação eu volto a falar sobre o que observo nas ruas da nossa cidade dia após dia. Nem vou falar dos lixos jogados da janela do ônibus e nem dos DJs do buzu, já estou ficando com a língua e os dedos calejados de tanto falar e escrever deles. Hoje quero me focar em uma situação específica que passei hoje: peguei um ônibus aqui no fim de linha, ele já estava saindo e portanto sem cadeiras para sentar. 
Foto: Google

Quando o ônibus está quase cheio, eu prefiro ficar no fundo. Só que tinha um detalhe: o fundo estava tomado por baderneiros que falavam aos berros, davam altas gargalhadas e com certeza estavam achando que estavam no sofá de casa. Só faltou o sofá, a pipoca e o futebol. E não eram adolescentes que iam para a escola não, eram adultos, bem adultos aliás. Homens e mulheres que certamente são pais de família, gritando no ônibus, berrando com o motorista e com pessoas que estavam na frente do ônibus a uma distância de pelo menos três metros.

Eu lá tentando ouvir meu rádio, enfiava bem o fone de ouvido e coloquei no último volume, coisa que não costumo fazer, mas mesmo assim ficava difícil. O sossego só chegou quando chegaram em seus pontos e foram descendo um a um. Ufa! Ultimamente não tenho suportado estar em ambientes coletivos. Alguns cinemas, ônibus, ruas, algum lugar onde tenho que ficar com várias pessoas têm se tornado verdadeiros martírios. 

#canseideserpobre



Rafaela Valverde

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Somos maus. E onde podemos constatar isso?

Eu poderia dizer que estamos em sinal dos tempos, mas isso faz parte de um discurso de cunho religioso com qual eu não coaduno, mas o que tenho observado me leva a acreditar em um final muito próximo. Final não do mundo como é o nosso sonho, mas final nosso, final de uma humanidade cada vez menos humana e cada vez mais egoísta. Somos tão insensatos, inconvenientes, mal educados e só vemos e pensamos em nosso próprio umbigo e em nossos próprios interesses. 

Um exemplo simples disso é a sensação nada prazerosa que tenho ao pegar três, quatro ônibus por dia e constatar isso tristemente. Quem entrou não quer mais que ninguém entre, pois já está muito cheio, não cabe mais ninguém e o motorista deve levar direto sem parar em lugar nenhum, por que assim chega- se mais rápido.

Mas quem está no ponto querendo entrar no ônibus, também não quer ir ao trabalho, à escola ou à praia? Não entendo que mentalidade é essa e nunca vou entender.  Outra coisa é quem está sentado, está pouco se lixando para quem está sendo empurrado, pisado, acotovelado de pé no ônibus. Pouco importa, problema de cada qual! 

E por último, que foi o que me irritou hoje logo cedo, foi as pessoas que não vão saltar, ficarem em pé bem na frente da porta do ônibus. Saem de lá do fundo e ficam na frente, esperando chegar o seu ponto e quem vai saltar ali que se lixe. E ainda teve o bonito do motorista que mesmo e tendo pedindo o ponto, só parou afastado do mesmo, por que eu pedi e ainda acho ruim. Isso cansa, estressa a gente e já chegamos em nossos trabalhos estressantes, estressados. Os motoristas, caixas, atendentes e todo tipo de trabalhadores de serviços de nossa cidade acham que estão fazendo favores para nós e nós ainda acreditamos.

E as pessoas comuns perderam a compostura, a gentileza, o bem querer ao seu irmão, o respeito, a consideração, a educação doméstica, a sensatez, a  maturidade e a noção de senso coletivo não sei não, mas até posso começar acreditar que as profecias apocalípticas estão se cumprindo e estamos mesmo chegando ao famoso sinal dos tempos, ou final dos tempos como eu falava antigamente.



Rafaela Valverde

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

A boa e velha educação dos brasileiros e soteropolitanos

Não entendo como funciona a cabeça das pessoas. Pensam como se existissem elas no mundo, só pode ser. Não olham para os lados e ao contrário do que costumam dizer, não estão nem aí para o seu semelhante, que está na mesma situação, em uma fila, esperando um ônibus, etc. Sempre queremos pisar uns nos outros sem nos importar com o fato de que independentemente de qualquer crença religiosa, o mundo gira, e o que é hoje pode não ser amanhã.  Hoje mesmo, estava em pé esperando um ônibus e fui empurrada deliberadamente. A idiota me viu e me empurrou simplesmente, por que ela queria passar de qualquer jeito e com certeza não sabe pedir licença, ninguém nunca ensinou a ela as palavrinhas mágicas: "por favor", "com licença", "obrigado", "desculpe", "bom dia, boa tarde, boa noite", etc. Não sei qual a dificuldade de dizer essas palavras, se papai e mamãe não ensinaram, tenta imitar as poucas pessoas que ainda utilizam essas palavrinhas e utiliza também. Fico indignada com tanta falta de educação, tanta falta de amor no coração, por que dar um empurrão em uma pessoa que está parada e não te viu, por que estava de costas, só pode ser falta de amor no coração. É ser muito miserável! A verdade mesmo que isso só vem aumentando  ao longo do tempo e vem se perpetuando para as novas gerações que já crescendo seguindo os "bonitos" passos dos pais e são mal- educados, "furadores" de fila, etc.  Exemplo disso são cenas que observo na rua, por que é só parar um pouco e observar os pais mandando as crianças cortarem a fila para entrar no ônibus e guardar lugar para eles sentarem e ver pessoas que ficaram horas em pé na fila, viajar de pé também por causa desses espertinhos. Vejo os pais e responsáveis fazendo das tripas coração para suas crianças e adolescentes não pagarem passagem nos mesmos ônibus em que entraram na frente de todo mundo. E ainda acham bonito, uma graça. Riem à toa! Eu acho o cúmulo da degradação dos valores morais e éticos, aqueles que são passados em casa, de pais para filhos e que escola nenhuma é capaz de oferecer. Mas as pessoas vão deixando passar e vai ficando por isso mesmo, então, um belo dia quando o menino enfim se rebela e parte para delitos mais graves fica se perguntando onde foi que errou. Errou na ausência de exemplo, errou em ter filhos, mesmo sem sequer ter se acabado de formar moralmente, errou em ter nascido e gerado um filho. Na verdade eu não sei o porquê de as pessoas andarem tão mal humoradas ultimamente. Te empurram, te batem, batem a bolsa em suas costas, não pedem desculpas e ainda te olham de cara feia. E você que fale alguma coisa! Acho que a cada dia estamos sendo possuídos e dominados por esse sistema opressor que faz com que acordemos para trabalhar, e voltemos para casa depois de um trânsito infernal, para comer mal e dormir pouco para voltarmos a trabalhar no dia seguinte para produzir bens de consumo e serviços que sustentam o capitalismo e toda a sua teia tão necessária para a nossa vida moderna e globalizada. A tendência é piorar, eu como sempre pessimista, digo. Pois se não há educação escolar, os valores se perderam, a ética não existe mais, então o que eu posso pensar?



Rafaela Valverde

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

A intolerância vai acabar com a gente!

Há alguns dias eu estava em uma fila esperando um ônibus na Estação Pirajá, para variar e estava bem distraída ouvindo a Metrópole no fone de ouvido, quando uma cena me chamou atenção. Na verdade uma sequência de cenas que me deixaram um pouco indignada e pensando em como ainda no século XXI pode haver cenas como essas. Bem, foi o seguinte: na minha frente na fila estava uma homossexual feminina que se vestia como um homem, com cabelo baixinho e tudo. Ela estava sempre olhando para trás e eu imaginei que ou eu ela estava querendo pegar outro ônibus, ou estava esperando alguém. Até aí tudo bem, o fato é que ela estava muito inquieta e olhando para algum lugar a todo o momento, o que pode ter chamado atenção da pessoa que veio até ela silenciosamente. Essa pessoa era uma mulher evangélica com uma saia horrível daquelas jeans que vão até o joelho (existe alguma coisa mais feia e brega do que essas saias?), estava com vários folhetos na mão e entregou apenas à lésbica e se afastou. Ela nem ligou, pegou o folheto, dobrou e continuou olhando para trás, mas eu fiquei indignada com aquilo. Agora eu me pergunto: o que leva uma pessoa a se achar melhor que a outra? A tratar uma pessoa com esse tipo de superioridade. Não gostei e se fosse comigo, não pegava. Por que entre tantas pessoas na fila, ela só entregou o folheto dela para a lésbica? Será que Deus realmente julga alguém e suas escolhas, como essas pessoas fazem?Será que essa é uma atitude bem vista aos olhos de Deus? Não vejo em que ela é melhor do que a outra mulher, só por que ela estava com uma saia muito feia e uma bíblia em baixo do braço? Isso não quer dizer nada, pois o coração pode estar podre.Não entendo o ideal assistencialista e salvacionista que essa gente tem, com tanta arrogância achando que só o Seu Deus é o Senhor! Ninguém é melhor que ninguém, quando vão entender isso? Aquela mulher não vai mudar a vida dela por causa apenas de um folheto com palavras que foram escritas por homens como nós. Deixa nos viver como queremos! Deus quer é que sejamos felizes, e vivamos de acordo com o nosso livre arbítrio e não sermos submetidos a pessoas tão pessoas como nós e que só tem mesmo a limitação de uma única leitura: a da bíblia. Cabe ressaltar que não estou generalizando, porém a carapuça serve para quem realmente a utiliza.


Rafaela Valverde

domingo, 4 de novembro de 2012

Triste episódio.

Ontem finalmente eu saí para me divertir um pouco. Bebi além do que estou acostumada e fiquei um pouco fora de mim, mas ainda assim estava consciente do que fazia, do que via e às vezes do que falava, apesar de não lembrar muito agora e ter acordado com uma dor de cabeça infernal e estar com a boca seca. Mas não é sobre a minha aventura alcoólica que quero escrever nesse post e sim sobre a cena que tive a infelicidade de ver ontem  dentro do ônibus. É, por que ainda tenho que andar de ônibus, não tem jeito.

Eu estava com a cabeça apoiada no banco quando de repente ouvi alguém perguntar a meu marido que horas eram. Abri os olhos e vi um rapaz sentado no banco da frente que parecia meio confuso, levantou, procurando alguma coisa dentro dos bolsos e sentou novamente. Após alguns minutos podemos perceber que ele estava doidão, drogado mesmo. Coçava a cabeça, batia na região da nuca, se balançava para frente e para trás, falava sozinho e contava nos dedos, entre muitas outras coisas que fazia. Isso chamou muito a nossa atenção e ficamos observando. Ele cuspiu para fora do ônibus e caiu em um motociclista que passava e estava realmente muito sem noção de nada. Inclusive até cumprimentou as pessoas no ônibus que sequer conhecia. 

No final só ficamos observando e nada de grave aconteceu, descemos do ônibus e ele ficou na fila da E. Pirajá bem próxima a nossa de onde pudemos continuar observando. Sabe não gosto de ver essas coisas e ver como as pessoas fazem opções erradas na vida. Como ao invés de escolher estarem sóbrias para viver a vida da melhor forma possível e se lembrar dela depois, vão cair nesse submundo da ilusão. Não estou julgando, quem sou eu para julgar alguém, cada pessoa faz o que o quer da vida, mas eu nunca vou entender esse tipo de coisa, e de escolha. Uma filosofia de vida que a pessoa escolhe sim, não venha me dizer que ela foi obrigada a isso! Mas me corta o coração saber que existem pessoas dependentes de narcóticos e substâncias diversas inclusive o álcool , ao mesmo tempo que entendo que é uma escolha individual, entendo também que é um problema social e que sim, deve ser combatido! Em tempos modernos como o nosso, o ópio ainda continua sendo a solução mais plausível para determinados problemas. Irônico como evoluímos ao longo dos séculos, mas ainda continuamos involuindo a cada dia. E ao nos depararmos com cenas como essas, apesar de nos sentirmos impotentes, podemos sim, fazer algo que é educar as futuras gerações, ou seja, nossos filhos e netos para serem fortes não caírem em teias sem saída como essa e não agirem de acordo com a sociedade, com os parâmetros exigidos por ela e sim agir de acordo com a sua própria cabeça e coração. E tenho dito!



Rafaela Valverde
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