segunda-feira, 17 de julho de 2017

Sem contatinhos

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Não, eu não estou mais afim de ser contatinho. Eu não quero mais ser um dos contatinhos de alguém. Eu não mereço ser só isso. Eu agora estou querendo muito mais que isso. Quando terminei meu último relacionamento, depois de termos reatado há menos de dois meses, eu até fiquei feliz com a solteirice que surgia naquele momento. Mas é claro que tinha que comemorar. Eu não ia ficar por baixo e choramingar o fim de um namoro falido. Tinha mesmo que comemorar minha solteirice e fazer postagens dizendo que ia pegar todo mundo e encher o celular de contatinhos. 

É claro que isso não aconteceu. Desde que terminei meu namoro, em fevereiro, eu só fiquei com uma pessoa e é com quem eu tenho estado, de vez em quando, até então. Porque descobri que não tenho mais interesse em ser e em ter contatinhos. Essa minha fase já passou há um tempo e é algo muito pequeno para mim. 

Eu quero mais, muito mais. Eu sou mais. Eu preciso de mais. Eu quero alguém que eu possa ligar quando algo me acontecer, mesmo que seja uma coisa idiota, apenas algo engraçado, como um tropeço no meio da rua; eu quero alguém que pegue na minha mão quando eu estiver mal e beije minha nuca só pelo ato de me acarinhar. 

Eu quero alguém que cozinhe pra mim, compre vinho e me faça sentir importante. Eu quero acordar com alguém me olhando. Eu quero edredom e brigadeiro em dias frios. Eu quero preparar jantares desastradamente românticos como só eu sei fazer. E quando a comida queimar ou passar do ponto eu quero simplesmente pedir uma pizza e que a pessoa me olhe compreensivamente e diga que essas coisas acontecem e não ajude a me sentir ainda mais culpada.

Eu quero sair para comprar roupas e trazer roupas masculinas junto com as minhas, eu quero escrever poemas e cartas, eu quero me sentir tão especial, mas tão especial, que ninguém  vai ter a capacidade de me colocar para baixo. Eu quero que o assunto flua entre mim e essa pessoa e não apenas ter que ficar inventando assunto e falar do tempo chuvoso.

Eu preciso de algo que meros contatinhos nunca vão me proporcionar. Eu quero uma coisa que saídas casuais, amizades coloridas ou sei lá mais o quê, não vão conseguir dar conta. Eu quero ter com quem compartilhar minha vida, alguém que realmente se interesse por ela. Alguém que me escute, mas também que eu possa escutar. Porque eu amo escutar. Eu quero alguém que só de me olhar já me dispa e me deixe afim de qualquer coisa.

Contatinhos, por melhores que sejam, por darem a ilusão de liberdade, por mais fofas que sejam as pessoas envolvidas ou ainda por mais tempo que dure a amizade colorida, não dá tempo para desenvolver todas essas coisas que eu quero, todas essas coisas que minha alma quer e todas essas coisas que fazem os olhos brilhar as mãos tremer e surgir um envolvimento emocional, real, daqueles que todo mundo pretende ter um dia.




Rafaela Valverde
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