quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

Às mulheres que se cuidam


Não sou das mulheres que fica no espelho procurando rugas e defeitos. Tenho quase 28 anos e fora minha "sedentarice" que me incomoda um pouco,  mais devido a minha falta de ânimo e falta de fôlego ao subir uma escada, não ligo para muita coisa relacionada a aparência e envelhecer. Eu só uso protetor solar na praia e no dia a dia apenas em minhas tatuagens que são expostas. Eu não faço esfoliação, nem uso cremes no rosto, etc.

Não que eu não seja vaidosa ou não me cuide ou que ache perda de tempo. Acho bacana as meninas que se preocupam com essas coisas, mas eu simplesmente não consigo, não quero, não tenho saco. E não tenho tempo. Acordo cinco da manhã para sair antes de seis para estar na aula às sete. Imagina se eu ainda fosse passar protetor solar.

Achei que com o passar dos anos essa minha displicência com essas coisas fosse passar, mas cada ano que fico  mais velha, fico mais preguiçosa. Na verdade há algumas coisas que acho besteira e realmente não sinto necessidade de fazer. Protetor solar eu até acho importante, mas ainda sim sinto preguiça. E é claro que a questão financeira pesa bastante. Protetor solar ainda é caro, ainda não é acessível para todos e eu tenho outras prioridades.

Já repararam como hoje em dia as pessoas andam tão dependentes de coisas assim? Protetor de calcinha, sabonete íntimo, creme para rosto e para as mãos, além do hidratante corporal e esfoliante para os pés... Afff. E ainda tem os hidratantes e redutores de cutículas, óleos fortalecedores para as unhas, adstringente,  desodorante íntimo, primer, cílios postiços e mais trezentas quinquilharias desnecessárias que usamos. 

Já repararam também que a maioria desses produtos são para nós mulheres? Nós movimentamos muito a economia mundial. E ao ver dos empresários  e fabricantes desses produtos nós somos podres e fedorentas também. Precisamos de coisas que os homens não precisam e ainda pagamos mais caro! Esse é o capitalismo que inventa necessidades e a gente adere de forma que parece tão natural que parece que a gente realmente precisa dessa imundície inútil que enche o planeta de lixo, já que a maioria de todos esses produtos são embalados por plástico, que leva 100 anos para se decompor na natureza.

Não estou aqui querendo julgar ninguém, nem mesmo a mim. Estou apenas fazendo uma reflexão acerca de assunto que é tão próximo e ao mesmo tempo tão distante de nossas vidas, já que não nos interessamos muito em discuti-lo. E não interessa aos empresários, publicitários e todos que ganham muito dinheiro com todo esse "cuidado" que temos com nosso corpo.



Rafaela Valverde
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