quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

Carnaval 2017


Já é carnaval! Bom, aqui em Salvador já é carnaval desde domingo hahaha. Êta cidade que tem festa. Parece que todos os nossos problemas estão resolvidos. Nosso transporte público é maravilhoso, nassas ruas limpas, a educação e a saúde são as melhores do mundo. Está tudo resolvido, vamos pular e nos divertir! 

Não que eu não goste do carnaval. Até gosto e já curti bastante na infância e pré- adolescência, mas eu acho que o carnaval tem muita gente, ou seja muita violência. A violência só aumentou ao longo dos anos e eu sinceramente não estou afim de ser assaltada, nem apanhar da polícia. Porque eles batem mesmo em quer que esteja passando, não estão nem aí. Prefiro me preservar. Em 2015 retornei ao carnaval depois de dez anos sei ir e achei meio sem graça, o mais do mesmo. Não sei como as pessoas vão todos anos pular nas mesmas ruas, dançar as mesmas músicas - sem coreografia - e ver os mesmos artistas que usam as mesmas roupas todos os anos.

Há outras questões, sobretudo sociais que me afastam do carnaval, mas não vou falar sobre elas agora, pois dão muito pano para manga. Definitivamente não estou afim de problematizar nada hoje não. Só estou aqui discorrendo sobre alguns aspectos do carnaval. Hoje (ou não sei se é só hoje) parece que há uma discriminação velada com quem não vai ao carnaval, ou quem não gosta. Parece ainda que existe uma obrigação de se gostar da folia. Quem não gosta ou não vai vira um ET. Mas eu não ligo, não problematizo, não falo nada. Apenas falo: gosto mas não vou. É meu direito, pronto!

E quem for espero que vá em paz. Sem intenção de brigar ou perturbar. Porque tem umas pessoas que parecem que saem de casa com o cão no corpo para brigar. Aff! É isso. Quem sabe no ano que vem eu vá? Estou buscando coisas novas no carnaval, mas não tenho muita certeza se é possível. Todo ano é a mesma coisa. Enquanto isso vou descansar e aproveitar esses dias sem UFBA. XAU!


Rafaela Valverde

Nove Noites - Bernardo de Carvalho

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Estou mergulhada num livro como há muito tempo não ficava. É claro que a resenha crítica solicitada pelo professor de Literatura Brasileira me impeliu à tal empreitada, mas realmente a leitura desse livro é apaixonante. O livro é  Nove Noites de Bernardo de Carvalho, já tinha ouvido falar no autor, bem por alto, mas nunca havia lido nada dele. Amei essa experiência de ler Nove Noites. Ele traz muitas questões, mas muitas mesmo, sobretudo no que se refere às comunidades indígenas tão estereotipadas por nós.

Há muitas desconstruções. Na verdade, a disciplina é toda de  desconstrução de conceitos bizarros que estão em nossa cabeça desde a tenra infância. Fiquei muito apaixonada por Nove Noites, especificamente. É um livro de ficção e memória como afirmou o próprio autor.  Ele mescla a vida do narrador ou narradores com relatos da vida de Buell Quain, antropólogo americano que se suicidou aso 27 anos enquanto vivia em uma comunidade indígena no Brasil.

Eu escrevi uma resenha crítica, ou seja lá o que for aquilo, de cinco folhas sobre o livro que é genial. Deixa o leitor preso até o final a fim de saber se aquele mistério será resolvido. Pelo menos eu fiquei presa, em alguns momentos fascinada pela história. Mas o livro, que eu carinhosamente chamei de colcha de retalhos, não elucida o suicídio do jovem etnólogo. Sim, vou logo dando spoiler, porque com um livro maravilhoso desse não há spoiler que estrague a leitura.

Por que o americano se matou? Onde está enterrado seu corpo? Onde estão as cartas que ele recebeu pouco antes de morrer? Essas perguntas, entre outras, são deixadas sem resposta no decorrer do livro. Mas o que mais importa é como essas perguntas são feitas. Ainda assim, o final do livro conseguiu ser surpreendente para mim devido a alguns desdobramentos da narrativa. Amei Nove Noites!



Rafaela Valverde

sábado, 18 de fevereiro de 2017

La la land - Cantando Estações


Assisti La la land. O filme dirigido por Damien Chazelle é uma comédia musical romântica com atuações de  Ryan Gosling, Emma Stone, John Legend, etc., foi lançado em janeiro desse ano. Vou logo soltar o spoiler que o filme é maravilhoso, o melhor musical que eu já vi na vida. Logo, na primeira cena já fiquei empolgada. E sabia que havia ali um potencial. Ainda é dividido em estações, por isso  La la land - Cantando Estações.

O pianista de jazz Sebastian (Ryan Gosling) conhece a atriz Mia (Emma Stone). Eles estão tentando a sorte: ele recomeçando com o jazz e ela realizando testes para atuar em filmes. Sebastian tem o sonho de abrir um clube de jazz em Los Angeles e assim seguem tentando a sorte. Um belo dia se descobrem apaixonados e resolvem ficar juntos.E assim vão tentando permanecer juntos enquanto lutam para realizar seus sonhos de carreira.

Eu não vou contar mais sobre o enredo. O filme é lindo, mas não é a beleza somente na história que está sendo contada e sim na maneira que está sendo contada. A história poderia ser narrada de várias outras formas, mas a que foi escolhida com certeza foi a melhor e mais inovadora. Os diálogos são bem articulados com as músicas e eu gostei bastante. Não vou ficar aqui falando mais nada não. Ainda está em cartaz e provavelmente deve ficar até depois do Oscar. E deve levar algumas estatuetas sim. Saí do cinema com lágrimas nos olhos e extasiada. Recomendo!




Rafaela Valverde

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Série Dexter


Terminei essa semana a série Dexter. Já vou logo soltar um spoiler leve. Confesso que fiquei bastante decepcionada com o final. Triste mesmo. Na verdade, o meu bom senso afirma que ela terminou como tinha que terminar, era  a maneira mais coerente da série chegar ao fim. Mas eu fiquei chateada, enfim.

Dexter foi uma série americana de drama/suspense que estreou em 2006 e contou com detalhes a história de Dexter Morgan (Michael C. Hall), um psicopata serial killer que tinha um código de conduta ensinado pelo pai que fora policial. De acordo com esse código, Dexter primeiramente não deveria ser pego e em segundo lugar só devia matar bandidos. Ele deveria ser um tipo de vingador segundo o código de Harry, seu pai.

A história é narrada em Miami, o que é na minha opinião, uma das coisas mais interessantes e originais da série. Quando a gente pensa em Miami, só pensa em praia, férias, colares de flores e dança hula. Ou seja, clichês e mais clichês, ilusões que são quebradas quando aparece a primeira cena de crime sombria na cidade do litoral americano.

O assassino em série também trabalha na polícia, assim como seu pai e sua irmã Debra (Jennifer Carpenter). Mas ele não é policial. Dexter se tornou um perito em padrões de sangue. Ele, óbvio né, é fascinado pelo sangue, suas nuances e desenhos. Sangue é arte. Eu adorei essa série e praticamente a devorei. É divertida. Alguns fios soltos podem ser observados durante o enredo. Por que Dexter nunca é pego apesar de tantas vezes  vacilar, ou deixar algo que provava quem realmente ele era bem evidente? Claro né, se ele fosse pego acabava a série.

Mas não é bem isso que estou querendo dizer. Por exemplo, Debra Morgan, irmã de Dexter, minha personagem preferida - a pessoa mais boca porca de todas as séries e filmes que eu já assisti - foi uma excelente detetive e foi a personagem da série mais próxima do irmão durante as oito temporadas da série. Mas ela nunca, nunca, mas nunca mesmo desconfiou. Mesmo com tantos "moles" que ele dava, mesmo com saídas " a trabalho", mesmo tendo sido criada com ele, etc...

É claro que não vou contar tudo aqui né. Mais uma vez: eu amo essa série! Boas atuações. Especialmente dos protagonistas Dexter e Debra. A série terminou 2013 e sua primeira temporada foi fortemente baseada no livro Darkly Dreaming Dexter de Jeff Lindsay. Voltando ao fato de Dexter nunca ter sido pego, hehehe: ele, além de ser "atlético", como me disse um amigo, ele era um bom perito e sabia como se comportava a mente de psicopatas como ele. Por isso, era mais fácil para ele se desviar dos olhares da polícia... Olha eu ficaria aqui a noite toda falando dessa série. Quem quiser que assista. Recomendo!



Rafaela Valverde


quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Pequeno texto de frustração e convocação idiota


Nesse momento me vejo aqui frustrada apagando mais um e-mail de convocação do CIEE para quem tem inglês avançado e fluente. O dinheiro é bacana e eu não tenho inglês avançado. Mas qual é a porra do problema desse sistema? Manda vaga idiota para mim todo dia. Vagas para atuar pela manhã e/ou para dar aula de inglês. Eu faço Letras Vernáculas, será que sabem o que é isso? E estou pegando disciplinas pela manhã.

Próximo semestre não pegarei disciplina pela manhã, dizem que os estágios melhores são justamente esse horário. Eu mesma perdi uma vaga por isso. Eu não consigo entender por que coisas imbecis como essas acontecem comigo. E estou aqui mais uma vez apagando tristemente a porra do e-mail e me perguntando quando que minha situação financeira vai definitivamente melhorar.

Eu acordo cinco horas da manhã. Muita gente faz isso e ninguém nunca morreu, mas meu corpo parece ter algum tipo de problema com 05:00. Hoje, por exemplo acordei às cinco e meia e não fiquei tão cansada como fico quando acordo meia hora antes. Tipo, eu fico dormindo pelos cantos, durmo no ônibus, tenho dores de cabeça e sonolência. O problema é acordar cinco da manhã!

Minha aula é as 7h, tipo 7h15 no máximo já tem professor dando aula. portanto preciso chegar cedo. Essa cagada de pegar aula esse horário eu não faço mais. Ainda tenho que ficar nessa frustração de apagar e-mail com vaga de estágio que não serve para mim e não tem nada a ver comigo. É foda, tá foda. E por quanto tempo vai ficar foda. Eu odeio esses sistemas que mandam vagas erradas! Bom, era só isso, meu pequeno texto de frustração de hoje.





Rafaela Valverde

Arte de amar - Manuel Bandeira


Se queres sentir a felicidade de amar, esquece a tua alma.
A alma é que estraga o amor.
Só em Deus ela pode encontrar satisfação.
Não noutra alma.
Só em Deus - ou fora do mundo.
As almas são incomunicáveis.
Deixa o teu corpo entender-se com outro corpo.
Porque os corpos se entendem, mas as almas não.







Rafaela Valverde

Filme O Nome da Rosa


O Nome da Rosa é um suspense dramático de 1986, dirigido por Jean-Jacques Annaud e com atuações de Sean Connery, Christian Slater, Elya Baskin, entre outros. A história se passa no século XIV, no ano de 1327, período da Idade Média. Wiliam de Baskerville (Sean Connery), um monge franciscano e Adso von Melk (Christian Slater) seu pupilo, são secretamente convocados para uma missão em um rígido Mosteiro Beneditino na Itália. A missão era investigar a morte de um dos monges. O tradutor grego Adelmo teria sido jogado de um penhasco por alguma força maligna. Wiliam constata, após algumas investigações, que foi suicídio.

Há algo sombrio naquele lugar, Baskerville e seu pupilo têm certeza. Alguém fala logo no início: “o demônio ronda essa abadia”. Dessa forma o filme começa já com esse clima assustador, que claro, é ligado à figura feminina. Ao jovem Adso é atribuída uma imagem feminina e diabólica. Um jovem com olhos femininos.

Porém, um segundo monge morre e seu corpo encontrado de cabeça para baixo dentro de tanque, descartando assim a hipótese inicial de suicídio na morte anterior. Alguns monges associam essa morte como uma profecia do apocalipse, já que as arrumações do corpo supostamente faria referência a uma passagem bíblica do livro de mesmo nome. Aristóteles é citado, já que a vítima estudava as obras dele e as traduzia. A partir desse momento, a credibilidade de Wiliam fica um pouco estremecida e os monges líderes passam a ter dúvidas sobre sua capacidade de investigar o caso.
Coisas vão acontecendo durante as investigações. Wiliam percebe que pode realmente haver ali um assassino. A Comédia de Aristóteles, aquela que fazia parte da Poética e que se perdeu ao longo dos anos, passa a ser discutida por causa do gênero que faz rir. Ele é desvalorizado pela igreja. Um dos monges mais velhos afirma que o riso é demoníaco, deforma o rosto e faz as pessoas parecerem macacos, daí já é possível constatar a sisudez do período e daqueles monges. O riso afastava as pessoas de Deus, por isso a rejeição às Comédias. Esse monge grita de forma categórica que a Comédia de Aristóteles nunca existiu. A Comédia é vista como estimuladora do ridículo, o riso mata o temor Sem o temor não pode haver fé, pois sem temer o demônio não há necessidade de crer na existência de Deus.

O pupilo de Wiliam, Adso, se entrega aos prazeres da carne com uma mulher que rodeia a abadia em troca de comida. A mulher vista como feiticeira, aquela desvia o homem do caminho de Deus. O menino conta a aventura ao seu mestre, como amigo que lhe responde que a vida teria mais paz sem o amor.

Acontece a terceira morte: o corpo de mais um monge é encontrado em uma banheira com folhas de lima. Folhas de lima eram utilizadas em banhos para aliviar dores. Ele havia morrido afogado, após tentar aliviar as dores que sentia. Verifica-se, assim como nos outros monges, que as pontas dos dedos e a língua estavam manchadas de tinta escura. E assim segue o mistério e as investigações.
Wiliam e Adso desconfiam cada vez mais dos segredos que rondam o mosteiro. Eles passam a ir mais a fundo na caça ao assassino. Os segredos estão relacionados a livros: proibidos e espiritualmente perigosos. Há uma torre cheia deles e poucas pessoas podem acessa-los. Chega a constatação de que os três homens morreram por causa de um livro que mata ou pelo qual um certo homem pode matar.
Alguns monges passam a se incomodar com a presença de Wiliam e pedem que ele vá embora e que as investigações sejam finalizadas.

 Mas eles não param de investigar e descobrem um porão nas fundações da torre da biblioteca do mosteiro. Alguns livros proibidos são encontrados. Wiliam afirma que ninguém deveria ser proibido de consultar estes livros de forma livre. Seu pupilo responde que talvez eles sejam muito preciosos e frágeis. Mas ele sabe que não é bem isso, eles contêm uma sabedoria diferente e ideias que podem fazer as pessoas duvidarem de Deus. E a dúvida é a inimiga da fé, ou seja, para acreditar é preciso ter certeza do que acredita. Se há uma possibilidade de dúvida da existência de Deus, em que as pessoas vão acreditar? Como as pessoas vão acreditar na igreja e na bíblia? Portanto, o conhecimento deve ficar oculto, especialmente esse tipo de conhecimento.

Enquanto isso, a mesma mulher que fez Adso se entregar aos prazeres da carne, se envolve em um ritual que pode ser considerado bruxaria, junto com um monge corcunda e um deficiente mental: Salvarote, Eles utilizam um gato preto nesse ritual que é logo associado às mortes dos monges. Ambos são julgados e condenados à fogueira pela inquisição. Nesse mesmo período está acontecendo no mosteiro uma votação que decidirá os gastos da igreja, justificando assim a presença de Wiliam e de outros membros da igreja. Desta forma, com a presença desses nomes da inquisição no mosteiro, é possível a realização da condenação dos envolvidos com bruxaria de forma mais rápida.

Não havia como contestar a inquisição e quem assim o fizesse seria acusado de heresia. Vivia- se a partir de normas estabelecidas por doutrinas cristãs. Não era possível discordar e dizê-lo em voz alta, pois a inquisição matava. E esses livros, os que haviam sido escondidos, eram vetores de discordância, por isso foram taxados como livros proibidos. Em suas páginas foram depositadas veneno, para que quem ousasse lê-los, morresse. O responsável pelo veneno é o mais antigo morador e mais velho monge, Jorge que é cego.

Um incêndio na torre, provocado acidentalmente por Jorge ao tentar fugir após ser descoberto, destrói alguns livros, mas Wiliam consegue salvar alguns livros e a sua própria vida. Os livros têm saberes que não podem mais se perder. Daí o desespero de Wiliam para salvá-los. E mesmo quando é questionado por Adso se se importa mais com livros ou com pessoas, ele não tem dúvida e permanece com a ideia fixa de salvar os livros também, pois sem eles, as pessoas não conseguirão contestar doutrinas e ideias da igreja um dia.

O filme conta com uma fotografia sombria e escura, o que é essencial para o clima sombrio da história e do local. As atuações são fortes e os diálogos são bem construídos. Sean Connery está no melhor papel da sua carreira junto com Christian Slater que ainda menino demonstra um pouco de insegurança, mas segura bem o personagem.

É um filme para se pensar nessas formas de viver durante a Idade Média. O poder da igreja imperava, mulheres, deficientes e quem quer que discordasse ou realizasse práticas condenadas pela igreja, poderia ser condenado à morte. E geralmente era o que acontecia. A inquisição se instaurou no século XIII para investigar e julgar pessoas consideradas hereges, ou seja, aquelas pessoas que discordavam do poder e das ideias da igreja católica.






Rafaela Valverde

Amar - Florbela Espanca

Estou estudando, nesse momento, na faculdade de Letras a disciplina Literatura Portuguesa. Na prova que fiz na disciplina, semana passada, havia um poema da portuguesa Florbela Espanca.  Daí fui pesquisar essa autora. Eu já tinha ouvido falar dela há alguns anos, mas nunca tive um real contato com nenhuma de suas obras. Trago um poema dela, para que essa poeta se torne mais conhecida. Esse, porém, não é o poema que estava em minha prova.






Eu quero amar, amar perdidamente! 
Amar só por amar: Aqui... além... 
Mais Este e Aquele, o Outro e toda a gente... 
Amar! Amar! E não amar ninguém! 

Recordar? Esquecer? Indiferente!... 
Prender ou desprender? É mal? É bem? 
Quem disser que se pode amar alguém 
Durante a vida inteira é porque mente! 

Há uma Primavera em cada vida: 
É preciso cantá-la assim florida, 
Pois se Deus nos deu voz, foi pra cantar! 

E se um dia hei de ser pó, cinza e nada 
Que seja a minha noite uma alvorada, 
Que me saiba perder... pra me encontrar... 




Rafaela Valverde

Às mulheres que se cuidam II


Há alguns dias escrevi um texto falando sobre as mulheres que se cuidam, sobre nós mulheres que nos cuidamos tanto e algumas consequências disso, especialmente para os lucros de grandes empresas e para a péssima saúde do planeta. Pois bem, o texto foi escrito para ter essa continuação que vos fala agora.

Eu me cuido, eu uso maquiagem, apesar de ser muito raro, eu uso hidratante na pele, protetor solar, sabonete, shampoo, condicionador, cremes de cabelo, óleo, esmalte, acetona, etc. O que queria discutir era sobre o excesso de produtos que existem para mulheres, enquanto para os homens quase nada. Parece que só vagina precisa de cuidados!

É isso que nós mulheres precisamos ter em mente. A nossa vagina não fede. Ela tem seu próprio cheiro, além disso, os homens também precisam se cuidar e estar limpinhos e cheirosinhos. Não somente as mulheres. Há também a questão do tanto de lixo que a gente gera com todos esses produtos. É muito lixo, é muito plástico. 

Eu tenho ouvido falar do coletor menstrual, por exemplo. Ele é uma das formas de ter nosso momento feminino sem poluir muito o meio ambiente, sem deixar tanto lixo para nossos netos. Mas eu ainda estou muito pensativa em relação a eles, já que eu não sei se me adaptaria. Não uso nem absorvente interno, não consigo, incomoda demais. Então como usaria um copinho de silicone dentro da minha cavidade vaginal? É meio estranho falar sobre isso aqui no blog, mas é importante que mulheres discutam sobre produtos fabricados para elas. Refletir sobre o porquê de tantos produtos para higiene e beleza feminina. Será mesmo que precisamos tanto assim deles? Ou será que eles precisam de nós?



Rafaela Valverde

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

Na biblioteca


Estávamos ali de novo, nus, no chão da biblioteca da faculdade. Era um setor com poucos livros. Ninguém ia muito para aquele lado, por isso sempre o aproveitávamos. Eram uns livros clássicos e até raros, dicionários de Latim e Grego e até bíblias. Que pecado! Estávamos começando o rala e rola, a coisa ainda estava esquentando. Estava me esfregando nele, num conjunto de sacanagens que é chamado de preliminares, não à toa.

O carpete estava me pinicando, coisa mais estúpida do mundo é carpete. Assim, decidi ficar por cima. Nesse momento vi dois olhos pretos e brilhantes me olhando por detrás dos livros. Me assustei e me desequilibrei, caindo e tombando em uma das estantes que estavam atrás de nós. Por alguns segundos ficamos ali apenas nos olhando, os três. Era uma menina que eu nunca tinha visto na faculdade. Parecia ser caloura. Ela começou a tirar a blusa. Queria entrar na brincadeira. Olhei pra ela com os olhos arregalados, mas não disse nada.

Fiquei parada, mas eles não. Começaram a se beijar e eu ali parada com a cara de tacho olhando. Nunca tinha transado com uma mulher antes, apesar de ter curiosidade. Ela puxou meu braço e me beijou. Bem, não foi tão difícil, nem ruim. Ficava imaginando o resto. Como seria o resto. Nem sabia como funcionava.

O beijo dela era voraz. Ela era bastante fogosa. Que mina estranha, querer transar com um casal desconhecido na biblioteca. Me deixei levar. Acho que a mais estranha era eu. Sua pele era macia,  o hálito refrescante e seu cheiro me deixava louca. Era uma experiência nova. Nós três ali, no escuro, em silêncio. Tateando os corpos que estavam em nossa frente. Tentava  explorar ao máximo aquele momento. E até mesmo o momento que mais temia, o de sentir seu gosto, foi uma delícia.

Nos revesávamos nos momentos de prazer. Que surpresa! Quanta sacanagem ainda era possível naquela faculdade? Aquela dança de corpos continuou por um tempo indefinível. E depois que terminamos, ainda aproveitando o gozo, começamos a rir baixinho, porém em sintonia. Uma sintonia que acabávamos de descobrir.



Rafaela Valverde

sábado, 11 de fevereiro de 2017

Quem me conhece sabe quem eu sou


Quem já teve dois dedos de prosa sincera comigo e realmente se dispôs a me ouvir e não simplesmente despejar argumentos disparatados me conhece. Quem já parou de me ver a partir do seu próprio umbigo e sem julgamentos, me conhece. Quem quer me conhecer me conhece. Quem me conhece sabe quem eu sou e como sou.

Talvez três ou quatro pessoas me conheçam realmente nesse mundo. Sabem da minha real essência. Isso se inclui minha mãe, minha melhor amiga, meu namorado e meu ex marido que conviveu comigo por quase dez anos. O resto se deixa levar  pelas aparências mesmo, por esse carão e por esse jeito explosivo que se reflete às vezes num modo de falar mesmo que eu esteja calma.

Quem tiver o mínimo de interesse em conhecer realmente como eu sou, vai perceber que não sou grossa - pelo menos não na maioria das vezes e não com todo mundo. Quem quiser me conhecer tem que se sentar e conversar comigo, não apenas julgar a partir de seu próprio umbigo e ponto de vista. Nosso ponto de vista cega a gente, especialmente quando o egocentrismo toma conta da nossa vida.

Portanto, quem me conhece de verdade e até mesmo que convive comigo de forma superficial, amigos que eu não vejo muito, por exemplo, sabem que eu sou humilde, às vezes até demais. Em muitas situações eu deixo até de acreditar em mim mesma. Eu não sou uma pessoa esnobe, que acha que sabe mais que todo mundo. Ao contrário, eu não sei p**** nenhuma e preciso mais é aprender.

Quem me conhece sabe que eu sou um amorzinho, sou gentil e gosto de ajudar. Porém tenho minhas opiniões e convicções e luto por elas. Me imponho e argumento a favor do meu ponto de vista. Eu lutei muito para chegar onde eu estou, para ser quem eu sou e para saber o que eu sei. Não vou abrir mão disso por causa de nada e nem de ninguém.  Me orgulho muito da pessoa que sou. Ser eu mesma é a melhor coisa que eu posso ser. Não vou tolerar quem não me conhece me julgando e falando coisas de mim que nem passam perto da verdade!


Rafaela Valverde

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

Funciono melhor trabalhando sozinha


Sempre funcionei melhor sozinha. Não gosto de trabalhar em grupo e até hoje, uma mulher adulta, eu não consigo entender como um professor tem a coragem de passar escritas de texto em grupo. Escrever é um ato individual. Para mim quase todos os atos são individuais. Eu gosto de andar sozinha na rua, sem conversar, assim ando mais rápido. Eu gosto de fazer trabalhos individuais. Eu gosto de criar sozinha. Sem interferências. Todo trabalho que faço individual sai bem mais bem feito.

Claro que por conta dessa solidão voluntária eu  acabo sozinha mesmo. As pessoas me vêem como antissocial ou metida e assim vou vivendo. Eu não sou nada disso, quando trabalho em grupo, trabalho até bem e não tenho problemas de relacionamento, fazendo bons trabalhos. Só que no início demoro um pouco para me enturmar, especialmente se for num grupo que não tenham muitas pessoas conhecidas.

Mas a minha principal dificuldade é conversar com pessoas estranhas. Minha segunda dificuldade é escrever textos de forma coletiva. Como os professores acham que isso pode dar certo? Não acham e não pode. Nossa, então cada um vai mandar um pedaço e algum besta vai emendar a colcha de retalhos.

Eu gosto de silêncio. Eu gosto de estar sozinha em determinados momentos, especialmente quando estou estudando, ou seja maior parte do meu dia. Portanto pessoas por perto às vezes só fazem me atrapalhar. Porque as pessoas conversam o tempo todo. As pessoas falam demais. Eu não aguento isso. Eu adoro os momentos em que fico calada para poupar minha voz. E o povo fica tagarelando, aff. Enfim, eu sou chata. Valorizo meu silêncio, minha paz. Eu funciono melhor sozinha.



Rafaela Valverde

domingo, 5 de fevereiro de 2017

Desconhecido do metrô


Estávamos no metrô e o metrô é aquela coisa constrangedora que um senta de frente para o outro e fica se olhando. Trocamos uns olhares e eu fiquei com tesão. Misericórdia! Eu já estava há um tempão sem transar e esse cara é um gostoso. Dava para sentir nitidamente o que estava rolando ali. Ele tem cara de safado. Me lembrei daquele filme Shame, onde há uma cena parecida. Num metrô, à noite.

Não sei se o rapazinho aí tem compulsão sexual, como o personagem do filme, mas eu não tenho. Tenho mesmo é excesso de luxúria no corpo, na mente e na vida. Mas ao contrário da compulsão, isso não chega a atrapalhar minha vida. Pelo contrário!

Levantei para descer na estação seguinte. Realmente havia chegado meu ponto de descida. Que pena. Desviei meu olhar e fiquei olhando para frente. Percebi que ele também levantou. Arregalei os olhos, meu coração batia acelerado. Cada vez mais ia me lembrando do filme e achei até que ele me daria aquela encoxada que rolou no metrô do cinema. Mas ele só ficou lá parado na frente da outra porta do vagão.

Chegamos e eu fiquei lá parada como uma idiota. A estação estava lotada, era horário de pico, as pessoas se esbarravam em mim,  e ele também. O gostoso. Fiquei olhando com uma cara de idiota e ele andou na minha direção. Finalmente. Fiz uma cara de sonsa. Trocamos umas palavras. Fomos andando lado a lado. Nem precisamos falar muita coisa, eu já queria ir com ele "para onde quer que fosse" no momento que eu pus meus olhos nele.

Ele morava num cubículo. Eu estava hesitante e tensa por estar ali na casa de um estranho. Como é possível que eu seja tão louca? Apesar de que não costumo fazer isso. Geralmente  não envolvo casas, a coisa fica mais em motel mesmo, mas dessa vez não pude resistir.

Nos beijamos com uma voracidade absurda enquanto ele tirava a camisa. Tinha músculos fortes e eu estava me enroscando toda nele, aproveitando aquele momento quente. Se desvencilhou de mim e sentou no sofá. Eu sentei por cima dele, já de calcinha. Ficamos ali nos esfregando durante não sei quanto tempo. Ele colocou o dedo em mim e me masturbou durante um tempo, depois chupou. Fiquei enlouquecida com isso.

Transamos ali mesmo no sofá, com fogo, com avidez, com desespero. Parecia que a gente estava com medo do outro sumir, parece que queríamos absorver um ao outro. Gozei e arfando deitei no chão da sala. Eu não estava me importando se estava limpo, eu não estava me importando com nada. Só fiquei ali deitando aproveitando meu torpor pós gozo. É uma loucura ótima essa de pegar desconhecidos no metrô para transar. Transamos a noite toda. Na manhã seguinte eu acordei e olhei para ele, seu nome é Felipe. Em algum momento da noite ele havia me falado. Ele acordou e apenas disse: "Viu? Você tá viva." Com certeza fazia referência à minha hesitação na noite anterior. Recomeçamos.




Rafaela Valverde

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

Escuta - Maria da Conceição Paranhos

Eu faço parte do grupo de pesquisa Edição de textos teatrais censurados da área de filologia do ILUFBA. E  estou pesquisando a poeta, cronista, ensaísta e professora da UFBA Maria da Conceição Paranhos. Estou descobrindo alguns poemas dela e deixo esse aqui hoje com vocês.




Ocorre que há uns lapsos na história,
há uns lapsos. Então vêm, videntes,
relatar histórias conhecidas
em noites longas de calor, insônia.
Ouvimos. Pacientemente.
Sob discursos jazem outras vozes.

Necessário cantar.
Animais se aninham ao nosso ânimo,
baixam seu brado à espera da canção.
E os leões de pedra dos portões
deixam rolar os globos que os sustentam.

Falamos línguas obscenas.
Não. Endureceu-se o ouvir.
Indefinidamente?
Afrontar a rija espada dos confrontos,
permitir soluções, se o peito arfa
curvado de rajadas imprudentes.
Se não se deixa a alma nesses lances
em que transidos vagamos dementes,
como afrontar as rugas, decifrar mensagens
(não correm ventos nas paisagens mortas,
largadas ao relento)?

Necessário é amar.
Primeiro e último tormento






Rafaela Valverde

Às mulheres que se cuidam


Não sou das mulheres que fica no espelho procurando rugas e defeitos. Tenho quase 28 anos e fora minha "sedentarice" que me incomoda um pouco,  mais devido a minha falta de ânimo e falta de fôlego ao subir uma escada, não ligo para muita coisa relacionada a aparência e envelhecer. Eu só uso protetor solar na praia e no dia a dia apenas em minhas tatuagens que são expostas. Eu não faço esfoliação, nem uso cremes no rosto, etc.

Não que eu não seja vaidosa ou não me cuide ou que ache perda de tempo. Acho bacana as meninas que se preocupam com essas coisas, mas eu simplesmente não consigo, não quero, não tenho saco. E não tenho tempo. Acordo cinco da manhã para sair antes de seis para estar na aula às sete. Imagina se eu ainda fosse passar protetor solar.

Achei que com o passar dos anos essa minha displicência com essas coisas fosse passar, mas cada ano que fico  mais velha, fico mais preguiçosa. Na verdade há algumas coisas que acho besteira e realmente não sinto necessidade de fazer. Protetor solar eu até acho importante, mas ainda sim sinto preguiça. E é claro que a questão financeira pesa bastante. Protetor solar ainda é caro, ainda não é acessível para todos e eu tenho outras prioridades.

Já repararam como hoje em dia as pessoas andam tão dependentes de coisas assim? Protetor de calcinha, sabonete íntimo, creme para rosto e para as mãos, além do hidratante corporal e esfoliante para os pés... Afff. E ainda tem os hidratantes e redutores de cutículas, óleos fortalecedores para as unhas, adstringente,  desodorante íntimo, primer, cílios postiços e mais trezentas quinquilharias desnecessárias que usamos. 

Já repararam também que a maioria desses produtos são para nós mulheres? Nós movimentamos muito a economia mundial. E ao ver dos empresários  e fabricantes desses produtos nós somos podres e fedorentas também. Precisamos de coisas que os homens não precisam e ainda pagamos mais caro! Esse é o capitalismo que inventa necessidades e a gente adere de forma que parece tão natural que parece que a gente realmente precisa dessa imundície inútil que enche o planeta de lixo, já que a maioria de todos esses produtos são embalados por plástico, que leva 100 anos para se decompor na natureza.

Não estou aqui querendo julgar ninguém, nem mesmo a mim. Estou apenas fazendo uma reflexão acerca de assunto que é tão próximo e ao mesmo tempo tão distante de nossas vidas, já que não nos interessamos muito em discuti-lo. E não interessa aos empresários, publicitários e todos que ganham muito dinheiro com todo esse "cuidado" que temos com nosso corpo.



Rafaela Valverde
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