domingo, 31 de dezembro de 2017

Guardar- Antônio Cícero

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Guardar uma coisa não é escondê-la ou trancá-la.
Em cofre não se guarda coisa alguma.
Em cofre perde-se a coisa à vista.

Guardar uma coisa é olhá-la, fitá-la, mirá-la por
admirá-la, isto é, iluminá-la ou ser por ela iluminado.

Guardar uma coisa é vigiá-la, isto é, fazer vigília por
ela, isto é, velar por ela, isto é, estar acordado por ela,
isto é, estar por ela ou ser por ela.

Por isso melhor se guarda o vôo de um pássaro
Do que um pássaro sem vôos.

Por isso se escreve, por isso se diz, por isso se publica,
por isso se declara e declama um poema:
Para guardá-lo:
Para que ele, por sua vez, guarde o que guarda:
Guarde o que quer que guarda um poema:
Por isso o lance do poema:
Por guardar-se o que se quer guardar.




Rafaela Valverde

Soneto futebolístico - Glauco Mattoso

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Machismo é futebol e amor aos pés.
São machos adorando pés de macho,
e nesse mundo mágico me acho
em meio aos fãs de algum camisa dez.

Invejo os massagistas dos Pelés
nos lúdicos momentos de relaxo,
servindo-lhes de chanca e de capacho,
levando a língua ali, do chão no rés.

É lógico que um cego como eu
não pode convocar o titular
dum time brasileiro ou europeu.

Contento-me em chupar o polegar
do pé de quem ainda não venceu
sequer a mais local preliminar.




Rafaela Valverde

Adeus 2017!



Não posso dizer que 2017 foi um bom ano.  Terminei um namoro ruim e o que seguiu a partir daí foi bem escroto, mas já passei uma borracha nessa história que nem devia ter acontecido. Enfim, passando dessa parte que foi bem no inicio do ano, pulo para o carnaval que também foi bem no início e é um tema bem melhor. Fui depois de dois anos ao carnaval e pela primeira vez à noite, no circuito da Ondina. Fui atrás da pipoca de Armandinho e foi maravilhoso. Apesar de ter ido na última noite. Foi o melhor carnaval da minha vida.

Em abril fui para Recife e foram dias maravilhosos que passei lá. Viajar é uma das experiências mais gratificantes da vida. Mas esse ano tive poucos momentos realmente bons. Não posso mentir. Minha bolsa de iniciação científica acabou, tentei três estágios diferentes para atar em sala de aula e nenhum dos três deu certo. Isso foi muito frustrante por mim, sobretudo por eu não poder fazer nada. Me senti muito impotente. Com isso fiquei sem renda, o que me impediu de continuar saindo e fazendo minhas coisas. Deixei de ir à baladas, cinema ou qualquer outra coisa. E olhe que comecei o ano indo quase que toda semana ao cinema, o que eu amo. Enfim, tive momentos ruins financeiramente e na vida como um todo, pra falar a verdade.

Quantos dias e noites pensei em me matar. Coisa oriunda de uma grande depressão que fez ter uma recaída. Em muitos momentos acordava com vontade de morrer. A cada não que tomava em entrevistas de empregos e / ou estágios eu me sentia muito frustrada. Foi bem complicado. Tive vários momentos em que me senti inútil, com baixa auto estima e me achando a pior pessoa do mundo. Não curti São João. Não fiz quase nada que eu queria, mas consegui vencer tudo isso e estou aqui viva e bem.

Foi um ano bastante produtivo no que se refere a estudos e escrita. Comecei a escrever um livro de contos, que não sei quando vou terminar, escrevi o relatório final de pesquisa e fui destaque da Iniciação Científica do ano. Essa parte esteve tudo muito bem obrigado.  Tomei várias lições da vida. Lições de fé, de otimismo, de amor próprio, de amizade. Vi quem é realmente meu amigo e esteve sempre ao meu lado, disposto a me ajudar. Obrigada amigos. Um ano que conheci muita coisa nova na música e na literatura. Grandes descobertas e aprendizados. Agora, já no último mês, depois de tantos nãos chegou minha melhor notícia, meu emprego apareceu e é assim que vou começar o ano. Empregada. 

E ainda teve as questões políticas, sociais, os feminícidios e todas as atrocidades que aconteceram no Brasil e no mundo e que não deixam de nos marcar profundamente. É isso. Esse é, resumidamente, meu 2017. Que venha 2018. Muito melhor, fluindo, ano par... Coisa boa! Feliz ano novo para todos.




Rafaela Valverde

terça-feira, 26 de dezembro de 2017

A bunda, que engraçada - Carlos Drummond de Andrade

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A bunda, que engraçada.
Está sempre sorrindo, nunca é trágica.

Não lhe importa o que vai
pela frente do corpo. A bunda basta-se.
Existe algo mais? Talvez os seios.
Ora — murmura a bunda — esses garotos
ainda lhes falta muito que estudar.

A bunda são duas luas gêmeas
em rotundo meneio. Anda por si
na cadência mimosa, no milagre
de ser duas em uma, plenamente.

A bunda se diverte
por conta própria. E ama.
Na cama agita-se. Montanhas
avolumam-se, descem. Ondas batendo
numa praia infinita.

Lá vai sorrindo a bunda. Vai feliz
na carícia de ser e balançar
Esferas harmoniosas sobre o caos.

A bunda é a bunda
redunda.



Rafaela Valverde

Eu, cuidadora

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Sempre fui a pessoa que cuidava dos outros, cuidei de minha irmã, cuidei de uma prima, achava que cuidava de minha mãe quando ela ficava doente, cuido de minha vó quando posso, cuidei de meu ex marido durante o tempo em que estivemos juntos; cuido de minhas gatas. Mesmo com esse meu jeitão doido e desbocado de ser eu consigo ser  suficientemente amorosa para cuidar de quem eu me importo.

Não vou dizer a idiotice que nasci com o dom de cuidar. Não sei se alguém realmente nasce com algum dom. Principalmente esse. O que se chama de dons são coisas que a gente precisa desenvolver por alguma necessidade ou por que gosta ou quer. Precisei desde cedo cuidar das pessoas, precisei ser responsável por minha irmã, casei cedo e precisei cuidar do marido. Simplesmente precisei e desenvolvi isso muito bem.

Me preocupo, cuido, insisto que a pessoa procure um médico, se tiver abertura vou, cozinho, cuido. Faço o que é preciso para o bem estar de quem eu gosto. Faço o que é necessário. Faço o que não é mais que minha obrigação. E nem gosto de ficar falando sobre isso. Eu apenas sou isso. Prefiro mostrar ao invés de ficar falando. Quem fala muito não é de muita coisa não...

Só queria utilizar esse singelo espaço para falar um pouco sobre isso. Estava conversando ontem com uma pessoa e usei essa palavra: cuidadora. É uma das coisas que me identifica. E quem me conhece sabe que mesmo eu sendo largadona, ter essa cara de bunda às vezes e parecer que não me importo. Eu me importo sim. E cuido. Eu adoro cuidar. Eu gosto de ver as pessoas bem. Eu sou isso, mesmo que em muitos casos não haja recíproca.



Rafaela Valverde

terça-feira, 19 de dezembro de 2017

Memórias de Luxúria

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Ando tão necessitada que tô lembrando de casos sexuais antigos. Lembrei agora de sua forma de praticar cunilíngua. Lasciva. Quis usar esse termo, cunilíngua, para deixar mais elegante esse momento sexual tão sublime e superestimado por mim. Sim, eu gosto de uma boa língua passando - bem direitinho - no meu grelo. E olhe, não vou ficar falado através de eufemismos. E para completar este relato, devo dizer que adoro fazer oral. Felação. No popular cunilíngua é chupar boceta e felação é boquete. Quem não gosta? O problema é que algumas pessoas não gostam. Na verdade não gostam de fazer, mas recebem de bom grado. Mas, voltando a você e a lembrança de quando você me lambeu tão vorazmente. Que tesão. Que delícia, que lindo! Esperamos muito tempo até nos encontrarmos sexualmente. Anos, talvez. Não sei. Não sei quase nada. Não vou deixar claro o que é real e o que não é. Este é um texto ficcional. Mas talvez não seja. Talvez seja autoficcional. Talvez seja todo real. Não vou dizer. Fica por sua conta e das demais pessoas que estão lendo. Vou me ater apenas a escrever dominada pelo torpor sexual que me toma nesse exato momento. Sim, mas nós esperamos muitos anos e penso que por isso mesmo tenha sido tudo tão quente, desesperado e gostoso. Ainda sinto as sensações daquele dia. Elas vem lá de baixo e me deixam com vontade de sentar a qualquer momento do dia e em qualquer lugar. Repito: foi uma delícia! Sua língua passeava por minha boceta para cima e para baixo como se subisse e descesse uma ladeira. E vai ver até é uma ladeira. A ladeira do meu prazer.  Consigo lembrar que fiquei super molhada desde o momento em que saímos do carro e você foi andando atrás de mim no corredor. Imaginei você me olhando e rebolei mais ainda enquanto andava. Quase senti minha excitação escorrer pela calcinha quando abri a porta e sentei na cama. Tirei a sandália e deitei esperando por você que atravessou o quarto, tirando o sapato e a camisa. Deitou. Ficamos ali deitados um ao lado do outro pelos dez segundos mais longos da minha vida antes de começarmos a nos pegar. Fiquei por cima, tirei a calcinha, mas continuei de vestido. Abri o zíper da sua calça e puxei seu pau com volúpia. Queria sentir seu calor e queria que você sentisse o quanto eu estava quente e ao mesmo tempo molhada. Lembro de tudo isso me contorcendo de prazer. Tá um frio lá fora e eu tô só de calcinha lembrando desse dia. Quando você estava dentro de mim e gritava: "quanto tempo esperei por isso...", eu sentia toda a fúria daquele tesão e o gozo vinha facilmente.  O som do meu gozo eram a sua voz e meus gemidos de satisfação. Apertava seu corpo contra o meu e não queria que aquele momento de êxtase terminasse nunca. Minutos depois estávamos deitados de conchinha, mais porque foi a posição que deu para deitar. Ofegantes. Você olhava pra mim com uma cara boba e eu olhava para o teto tentando me recuperar desse estupor. Começou a lamber minhas costas. Era o sinal. Virei e beijei sua boca, seus dedos já estavam dentro de mim, massageando delicadamente, depois forte, depois devagar de novo. O tesão estava em cada poro do meu corpo e em névoas naquele quarto. Me deitou de bruços me penetrando com a mesma intensidade que precisava para eu delirar e gozar. Eu tô é muito desesperada, eu preciso transar, senão não estaria lembrando desse dia, afinal, você foi só mais um... A segunda melhor transa da minha vida, mas, só mais um... Sem termos técnicos, sem firulas, sem nada dessas frescuras. Eu quero é foder!




Rafaela Valverde

Série Stranger Things


Hoje quero falar sobre Stranger Things, a série que carinhosamente intitulei: "a série cheia de crianças" ou "a série dos meninos melequentos." Tive realmente um pequeno preconceito no início, mais porque tinha gente demais falando e  como sabia que era de terror só podia ser alguma aberração que nem as séries dos zumbis e a do trono, que é outra aberração. Vocês devem saber quais são.

Não é uma aberração propriamente dita, mas é uma séria bizarra, no sentido mais literal da palavra - algo assustador, incomum, diferente, espalhafatoso - mas não necessariamente ruim. Pois bem, é uma série de ficção científica e terror. Foi Lançada no ano passado e pode ser encontrada na Netflix. A trama se passa nos anos oitenta e está toda caracterizada como uma produção do período mesmo. É bem marcada a questão do tempo e as músicas, figurinos e cabelos não deixam mentir.

Primeiramente foi esse clima de anos oitenta que me seduziu e depois a personagem de Millie Bobby Brown, Eleven. Os meninos também são super engraçados, bons atores e funcionam muito bem juntos. Meus preferidos, fora Eleven são Dustin (Gaten Matarazzo) e Lucas (Caleb McLaughlin). Para mim eles são as estrelas da série. A série foi criada por  Matt Duffer e Ross Duffer. E vale destacar ainda o retorno de Winona Ryder ao auge, de onde ela não deveria ter saído, na minha singela opinião. 

A série começa tratando do desaparecimento de um dos meninos da pequena cidade de Hawkins, cidade onde nada acontece. Até aquele momento. Will (Noah Schnapp) desaparece e a partir desse fato, muitas coisas estranhas e inimagináveis vão acontecendo. Toda a cidade é mobilizada para procurá-lo e aí começam as aventuras desse divertida série. Eu ri, eu fiquei nervosa com o suspense, eu me indignei, fiquei surpresa e curiosa... Enfim... Que bom que posso mudar de ideia, porque hoje não vejo mais como "a série dos meninos melequentos." Gostei. Deixei de achar que é só modinha, apesar de ser. Hahahaha



Rafaela Valverde




domingo, 17 de dezembro de 2017

Cansada e com medo

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Cansada e com medo
Guardo um segredo
Corpo fechado
Nó atado
Mente também
Pra os que não são do bem
Me fizeram sucumbir
Meu "não-amor-próprio" quase me fez desistir

Cansada e com medo
Corpo fechado
Ferido com um machado
Não o de Assis
Deixou cicatriz
Gosto azedo
De amarga rejeição
Que decepção!

Cansada e com medo
Mente também
Mente como todos eles
Aprendeu a ser reles
Mas com um porém
Quem aprende não tem males
Como quem nasceu assim
É apenas um arremedo

Cansada e com medo
Me fizeram sucumbir
Pensei em partir
Cortar os pulsos, nem sei...
Na hora paralisei
Mas, peraê!
Não vou me desesperar por isso
Não vou dar gosto a quem foi omisso

Cansada e com medo
Guardo um segredo
Fui tratada como brinquedo
Daqueles que a criança enjoa
E larga à toa
Mas sou boa
Não mereço, sei lá?
A pergunta que não vai calar!

Cansada e com medo
Nó atado
Por que será que a gente sempre acha que merece?
E se tivesse se matado?
A dor transparece
Mas ainda tem força
Desamarra logo!
E sai cedo

Cansada e com medo
Pra os que não são do bem
Saibam que vocês estão aquém
Saiu sem demora daquele atoledo
Vocês são uma corja
Que amor finge e forja
Para enganar
Quem tem pouco amor por si

Cansada e com medo
Meu "não-amor-próprio" quase me fez desistir
Mas consegui a poeira sacudir
Espanei vocês para fora da minha vida
Esse foi o ponto de partida
Me apaixonei por mim mesma
Por vocês só sinto indiferença, nem me apiedo
Afinal, não olho para pantesmas!




Rafaela Valverde

sábado, 16 de dezembro de 2017

Banho quente

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Estávamos no banho. Eu a-observava. Oh Deus, como pode haver coisa tão linda? Se há no mundo algo mais repleto de perfeição que o corpo feminino deve estar bem escondido, não sei onde... Nesse momento ela esfregava delicadamente os pés, passou  um hidratante de banho neles e esfregou com a bucha delicadamente. Ah então é daí que sai esse cheiro de frutas vermelhas...

Recostei no box e até esqueci do meu próprio banho. Pra quê tomar banho em um momento como esse? Sua distração durou pouco. Me olhou rindo e eu ri de volta. Ora o que eu poderia fazer? A vergonha do flagrante tomou conta de mim e me virei para pegar meu xampu. Ela me abraçou por traz, beijando meu pescoço. Ai foi que me derreti... 

Seus seios médios e perfeitos contra minhas costas era a coisa mais excitante do século. Beijei- a, descendo em seguida para abocanhá-los. Ela gemia em meu ouvido enquanto lambia seus mamilos. Sem controle eu ia de um a outro com desespero. Ela puxou meu rosto e me beijou de volta. Derrubamos os xampus, sabonetes e todos os produtos que estavam pendurados. E ali mesmo começou a nossa manhã.

Seu gosto é delicioso. Claro que a gente acha tudo maravilhoso quando está apaixonado, mas era o melhor gosto, era o sexo mais delicioso que eu já experimentara. O chuveiro continuava aberto, a água quente  e o vapor embaçavam o vidro e deixava tudo ainda mais quente. A intensidade daquele momento não sairia mais da minha cabeça. No entanto, o gozo foi calmo e tranquilo. Pleno. Típico dos casais apaixonados, que fazem sexo para consagrar a paixão e não apenas por um pequeno/longo prazer momentâneo. Aquilo era lindo. Em suas minúcias mais doces e ardentes... Nesse dia nos amamos as vinte e quatro horas... Em outros cômodos da casa e na varanda...



Rafaela Valverde 


Casamento - Adélia Prado


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Olha que lindeza de poema!

Há mulheres que dizem:

Meu marido, se quiser pescar, pesque,

mas que limpe os peixes.

Eu não. A qualquer hora da noite me levanto,

ajudo a escamar, abrir, retalhar e salgar.

É tão bom, só a gente sozinhos na cozinha,

de vez em quando os cotovelos se esbarram,

ele fala coisas como "este foi difícil"

"prateou no ar dando rabanadas"

e faz o gesto com a mão.

O silêncio de quando nos vimos a primeira vez

atravessa a cozinha como um rio profundo.

Por fim, os peixes na travessa,

vamos dormir.

Coisas prateadas espocam:

somos noivo e noiva.





Rafaela Valverde

sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

Série The Bletchley Circle

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Terminei de ver recentemente a segunda temporada da série  The Bletchley Circle. É excelente e bastante curtinha. As duas temporadas contam apenas com sete episódios, mas já soube que não haverá renovação para uma terceira temporada. Tem na Netflix e vale a pena assistir, a meu ver. A série começa nos anos 1940 durante a segunda guerra mundial. Nesse momento quaro grande mulheres trabalham em Bletchley Park, a serviço do governo, descifrando códigos criptografados dos inimigos. 

Susan, Millie, Jean e Lucy  são mulheres diferentes, com personalidades marcantes e cada uma tem um  talento peculiar. Assim, nove anos depois, elas se reencontram, incentivadas por Susan que as reúnem,  para tentar desvendar um crime que ainda não tinha solução. Um assassino de mulheres estava à solta e precisava ser contido.

Susan é boa com códigos e equações matemáticas, Millie é a mais inteirada dos meandros sociais e conhece muita gente, além de falar várias línguas; Jean ainda trabalha em um órgão público e conhece bastante gente influente e Lucy tem memória fotográfica, sendo capaz de memorizar qualquer coisa em qualquer tempo.

Quatro amigas. Quatro mulheres fortes que precisam lidar com seu próprio dia a dia - Susan é casada e tem dois filhos; Lucy também é casada - e ainda enfrentar preconceitos por serem mulheres. Nesse período havia poucas coisas que mulheres podiam fazer a não ser casar e ter filhos e ser realmente bem sucedida. Mas elas enfrentam os obstáculos com bravura, provando que mulheres podem fazer qualquer coisa que quiserem. Mesmo não sendo tão ouvidas assim pela polícia, elas continuam a investigar o crime e seguem com seu propósito até o final.

É fantástica, recheada de suspense, mistério, cenas bem feitas e fortes, além das atuações bem s guras das personagens. Praticamente em todos os episódios, as aparições dessas quatro mulheres muito capazes e maravilhosas. Assim como todas nós, que podemos tudo, inclusive desvendar crimes! A segunda temporada achei mais chatinha, sei lá, mais parada. Susan, minha personagem preferida, meio que sai um pouco de cena dando lugar a outra personagem que agora não lembro o nome.

O plano de fundo da série com certeza é a situação em que vivia a mulher naquele momento da história da humanidade. Traz em detalhes e /ou referências diversas questões que estavam lá no século vinte, mas que ainda estão, até hoje no século XXI, infelizmente. Vão lá e assistam. Pode começar um pouco chatinha, mas deem uma chance porque vale a pena.



Rafaela Vaverde

Geração Paissandu - Paulo Fernando Henriques Britto



Li recentemente esse poema em um livro e gostei muito. Resolvi compartilhar com vocês!



Vim, como todo mundo,
do quarto escuro da infância,
mundo de coisas e ânsias indecifráveis,
de só desejo e repulsa.
Cresci com a pressa de sempre.

Fui jovem, com a sede de todos,
em tempo de seco fascismo.
Por isso não tive pátria, só discos.
Amei, como todos pensam.
Troquei carícias cegas nos cinemas,
li todos os livros, acreditei
em quase tudo por ao menos um minuto,
provei do que pintou, adolesci.

Vi tudo que vi, entendi como pude.
Depois, como de direito,
endureci. Agora a minha boca
não arde tanto de sede.
As minhas mãos é que coçam -
vontade de destilar
depressa, antes que esfrie,
esse caldo morno de vida.



Rafaela Valverde

Cuidados com o cabelo e plano para 2018

Há um tempo decidi deixar meu cabelo sempre médio. Não sei se tenho paciência com cabelo muito comprido não. Nunca tive cabelo compridão nem quando eu dava química. E acredito que deve dar muito mais trabalho e não sei se terei tempo. Já preciso lavar o cabelo de três em três dias, já que ele embola e embaraça bastante na parte de baixo, onde tem partes mais lisas.

Há dois anos mantenho ele médio, passando um pouco do ombro, mas sempre corto, renovando as camadas. E olhe que meu cabelo cresce muito rápido mesmo. Eu cuido muito então acho que ele é sim um cabelo saudável, na medida do possível e das minhas condições financeiras. Pois bem, o que quero dizer aqui é que agora, a partir desse final de 2017 decidi que quero deixar o cabelo crescer e ficar comprido, o mais comprido possível. Vou "criar o cabelo", como se diz aqui na Bahia. Não pretendo mais cortar e vou ver como me saio com um cabelão. Cortei em maio, com retoques de camadas em outubro mas sem mexer no comprimento.

Acho que vou me dar bem e vou continuar mantendo a saúde dos fios, já que estou tão acostumada a cuidar. Não consigo lavar o cabelo sem hidratar. É muito raro. Outra coisa que quero dizer aqui é que voltei a fazer fitagem, não daquelas muito caprichadas, mas ainda assim fitagem. Capricho mais no meio e na frente, fazendo uma fitagem mais estruturada ou dedo lis. É a mesma coisa. Dessa forma, fica mais definido nessa área, ficando com cachos mais firmes e menos frizz.

É isso. Um pequeno relatório sobre meus cuidados capilares, já que sei que tem muita gente que lê o blog e gosta muito dessa parte. Hoje lavei na lavanderia, com a cabeça pra baixo, massageando o couro cabeludo com as pontas dos dedos em movimentos circulares - o que ajuda a estimular o crescimento. Passei xampu duas vezes e depois passei essa máscara de hidratação abaixo, com uma sacola plástica, deixei agir por cerca de quarenta minutos.

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Essa máscara é muito boa. Se quiser, intensifique-a com algum óleo ou Bempantol.


Depois passei meu condicionar, um pouquinho só nas pontas, durante o banho e finalizei com esse creme de pentear que é bom, tem filtro solar mas não segura muito meus cachos, é muito leve. Mas ainda assim gosto dele.

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Esse creme custou apenas 7,00 aqui no meu bairro


Bom, é isso. Em breve volto com mais novidades sobre meus cachos e como estou cuidando deles.





Rafaela Valverde


Acostada

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Meio do dia
Sol a pino
Agonia
Desatino

Ando pelo acostamento
Carcaças de animais mortos
Exigem meu afastamento
Me transporto

Penso que não vou aguentar
Carros por todo lado
Veículos de transitar
Horizonte opaco

A estrada é longa
Trata-se de alguma bê-erre
Ainda mais para mim, songamonga
Por mais que a vida me aferre

Quero mais é voar
Comemorar uma tal liberdade
Que temia encontrar
Na tal raridade

Do luar!

Mas, o que penso enquanto esse acostamento me persegue?
Será que vou chegar?




Rafaela Valverde

sábado, 9 de dezembro de 2017

Sintonia para pressa e presságio - Paulo Leminski

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Escrevia no espaço.
Hoje, grafo no tempo,
na pele, na palma, na pétala,
luz do momento.

Sôo na dúvida que separa
o silêncio de quem grita
do escândalo que cala,
no tempo, distância, praça,
que a pausa, asa, leva
para ir do percalço ao espasmo.

Eis a voz, eis o deus, eis a fala,
eis que a luz se acendeu na casa
e não cabe mais na sala.




Rafaela Valverde

Para Educar Crianças Feministas - um manifesto e Sejamos Todos Feministas de Chimamanda Ngozi Adichie

Os livros Para Educar Crianças Feministas - um manifesto  e Sejamos Todos Feministas de Chimamanda Ngozi Adichie são livros reveladores, especialmente para quem não conhece nada de feminismo e anda falando besteira por aí. É muito importante para conhecer algumas pequenas questões - ou talvez não tão pequenas assim - que ela aborda de maneira tão bem feita que não dá para desgrudar do livro e ainda ficar concordando que nem uma doida, balançando a cabeça na rua.

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Chimamanda é Nigeriana, nascida em 1977. É uma das mais conhecidas e bem sucedidas escritoras de literatura africana em língua inglesa. Só a conheci no ano passado na faculdade de Letras, assistindo uma de suas palestras em uma aula de literatura. Como tive facilidade de ler seus livros, aproveitei logo a oportunidade e li. São livros bem fáceis de ler. Terminei em um dia. Pois bem, Para Educar Crianças Feministas - um manifesto é uma carta/manifesto escrito para sua amiga que lhe perguntara como educar a filha de maneira feminista e para ser feminista A partir dessa resposta, ela cria inúmeras respostas e uma lista com coisas a serem feitas e coisas para nunca serem feitas. É bem didático, sobretudo para quem critica tanto o movimento feminista que busca igualdade entre homens e mulheres, nada mais. Trarei duas frases do livro:

Seja uma pessoa completa. A maternidade é uma dádiva maravilhosa, mas não seja definida apenas pela maternidade. Seja uma pessoa completa. (p. 14)

Ensine-a a ler. […] Os livros vão ajudá-la a entender e questionar o mundo, vão ajudá-la a se expressar, vão ajudá-la em tudo o que ela quiser ser. (p. 34)

Então, né gente? O livro é maravilhoso e traz algumas coisas que já pensava há anos. Reflexões sobre a mudança do sobrenome da mulher ao se casar, reflexões sobre o rosa e o azul - definições de gêneros impostas pela sociedade e muitas outras... É um livro que nos coloca para pensar.

Já Sejamos Todos Feministas é uma de suas palestras adaptadas para livro e vem para reforçar as ideias do feminismo mesmo. Como se fosse a repetição para a confirmação de determinada ideia. Desconstrução de conceitos fortemente arraigados já há muito tempo em nossas sociedades.

Trechos destacados:

"Perdemos muito tempo ensinando as meninas a se preocupar com o que os meninos pensam delas. Mas o oposto não acontece."


"E se criássemos nossas crianças ressaltando seus talentos, e não seu gênero? E se focássemos em seus interesses, sem considerar gênero?"


É também um excelente livro, que aborda várias questões que precisam ser abordadas e discutidas. Gostei bastante dessas leituras. Todo mundo deveria ler!



Rafaela Valverde


Agosto 1964 - Ferreira Gullar



Entre lojas de flores e de sapatos, bares,

mercados, butiques,

viajo

num ônibus Estrada de Ferro – Leblon.

Volto do trabalho, a noite em meio,

fatigado de mentiras.

O ônibus sacoleja. Adeus, Rimbaud,

relógio de lilases, concretismo,

neoconcretismo, ficções da juventude, adeus,

que a vida

eu a compro à vista aos donos do mundo.

Ao peso dos impostos, o verso sufoca,

a poesia agora responde a inquérito policial-militar.

Digo adeus à ilusão

mas não ao mundo. Mas não à vida,

meu reduto e meu reino.

Do salário injusto,

da punição injusta,

da humilhação, da tortura,

do terror,

retiramos algo e com ele construímos um artefato
um poema

uma bandeira

(do livro Dentro da noite veloz – Ferreira Gullar)





Rafaela Valverde

Livros Outros Jeitos de Usar a Boca de Rupi Kaur e Um Útero é do Tamanho de um Punho de Angélica Freitas

Queria bater vinte livros lidos no ano e consegui. Quero falar aqui sobre quatro deles, que li recentemente e que foram livros bastante comentados e lidos ao longo de 2017. São ele: Outros Jeitos de Usar a Boca Rupi Kaur; Um Útero é do Tamanho de um Punho de Angélica Freitas; Para Educar Crianças Feministas e Sejamos Todos Feministas de Chimamanda Ngozi Adichie.

Resultado de imagem para outros jeitos de usar a boca resenhaDevo dizer que são bons livros, pequenos livros, livros para serem lidos rapidamente. Mas não significa que esses livros não tenham o que dizer. Eles têm e muito. O primeiro é de uma autora indiana, hoje residente no Canadá. O livro desde o início me chamou atenção pelo nome e por uma indicação feita em um quadro de livros na Rádio Metrópole. Daí a curiosidade foi aumentando cada vez mais e um belo dia consegui ler. Os textos foram escritos em formato de poema e são maravilhosos. Chorei um pouco lendo alguns, pois falavam de mim mesma. O sofrimento por amor, pela perda, a dor pelo outro que  foi embora... A cura (que inclusive é um dos capítulos do livro...)Ainda traz questões sobre violência contra mulher, questões de aceitação e amor pórprio. É um livro muito tocante.

quando você estiver machucada
e ele estiver bem longe
não se pergunte
se você foi o bastante
o problema é que
você foi mais que o bastante
e ele não conseguiu carregar 


Esse é um dos poemas ou trechos que mais me marcou, por razões muito óbvias, é só ler o poema e saber que tive uma ou talvez duas estórias assim.  Quem é que não teve? Pois bem, como eu já disse o livro aborda temas muito sérios. Assim, trago mais um trechinho:

sexo exige o consentimento dos dois
se uma pessoa está ali deitada sem fazer nada
porque não está pronta
ou não está no clima
ou simplesmente não quer
e mesmo assim a outra está fazendo sexo
com o seu corpo isso não é amor
isso é estupro 

Nem preciso dizer que amei esse livro não é? O próximo da minha listinha é o ó útero é do Tamanho de Um Punho de Angélica Freitas que tem o mesmo sobrenome que eu e de quem eu nunca tinha ouvido falar. É um livro que aborda questões feministas também e eu nem preciso dizer mais nada, não é mesmo? Sobretudo pelo nome do livro já é possível compreender do que se trata. É uma boa seleção de textos, eu também gostei, apesar de ter me tocado e me identificado menos que o anterior. Esse é o meu trecho selecionado do livro:

a mulher é uma construção
deve ser
a mulher basicamente é pra ser
um conjunto habitacional
tudo igual
tudo rebocado
só muda a cor
particularmente sou uma mulher
de tijolos à vista
nas reuniões sociais tendo a ser
a mais mal vestida
digo que sou jornalista

A postagem ficou muito grande, portanto vou falar um pouco dos livros de Chimananda em uma próxima postagem. Não tenho intenção que isto seja uma resenha, apenas quero registrar e compartilhar com vocês as minhas leituras. São livros tão subjetivos, leiam por vocês mesmos e criem suas próprias opiniões.




Rafaela Valverde




terça-feira, 5 de dezembro de 2017

Eu tenho uma pessoa e sou eu!

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Eu já sofri muito. Já sofri muito nessa vida. E já tinha sofrido muito desde que você me deixou. Passeis uns seis meses sem saber de mim. Fora de mim pra falar a verdade. Eu estava com você, em você. Só tinha um pensamento: queria você de volta. Mas hoje isso é tão ridículo. E em tempos de empoderamento feminino, elevação de auto estimas, essas coisas, não cabe bem eu preferir você em detrimento de mim mesma. Sabe dizem que isso não é amor. Eu acho que é amor sim. Porém é mais amor pelo outro, nesse caso por você, do que por mim mesma.  A questão toda, é que graças a Deus isso mudou. Eu amo mais a mim hoje do que a você. Eu encontrei uma pessoa e ela sou eu mesma. Hoje só sofro por mim mesma. Hoje não admito ser maltratada por ninguém. Hoje só consigo ser capaz de ficar fora de mim por mim mesma.

Não sei dizer exatamente por quanto tempo fiquei no limbo. Às vezes o limbo ainda vem. É escuro, vazio e pegajoso. Mas não é por você, nem por ninguém. É simplesmente pelo fato de minha vida ser uma bosta mesmo. Em alguns momentos, ou quase todos os momentos em que estive com você foi menos bosta do que é agora. Confesso que fui feliz ao seu lado. Isso eu nunca escondi de ninguém, nem de você. Confesso que ainda existe algum resquício desse amor aqui por dentro de mim. Ele nunca vai morrer. Amor não morre, eu sei. O que apaga é o fogo da paixão, mas o incêndio do amor, só pode ser escondido e não finalizado. Jamais.

Ainda assim meu amor por mim mesma, graças a Deus, hoje, se sobrepõe ao amor que sinto por qualquer outro ser na terra.  Eu escolho a mim e sempre escolherei. Não creio que você volte a me fazer mal de novo algum dia, até porque eu não deixarei que isso aconteça. Até porque não sofro mais como antes e até porque não existe tanta proximidade assim entre nós, como eu penso. Estamos acabados, não existimos mais como casal e nosso Facebook não nos deixa mentir com as palavras "solteiro" e "solteira." Queria te tratar com um pouco mais de frieza do que o necessário. Queria tratá-lo com mais frieza do que trato usualmente. Queria, mas não trato, não consigo e não vou conseguir nunca. Quando penso ou falo com você sempre sinto afeto e vontade de fazer cafuné em você e tocar sua pele macia. 

Mas, não confunda as coisas, eu demorei, mas, hoje não me confundo mais! Isso não significa que eu pense em você como meu de novo, que eu tenha sonhos de Cinderela donzela e apaixonada de novo. Não significa que eu sonhe com você me dizendo que me ama e me pedindo para voltar. Você já fez isso uma vez e nem sei se era verdade.  Já consegui te conquistar uma vez e tenho plena consciência que não o farei de novo. Não possuo tanta capacidade apaixonativa assim, mas, o que eu sei é que sou maravilhosa. E que cada dia seu distante de mim é um desperdício e uma privação dessa mulher incrível e maravilhosa que eu me tornei e você nem conhece.



Rafaela Valverde

sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

Livro Uma Vida Inventada - Maitê Proença


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Terminei  de ler essa semana o livro da atriz Maitê Proença, de quem eu gostava desde a infância, acompanhando pelas novelas da globo. Troquei o livro em um projeto de troca de livros e não sabia muito bem o que esperar dele. Confesso que o que me chamou atenção foi o nome da autora. Provavelmente se não fosse Maitê Proença eu nunca pegaria o livro.

Gostei bastante do livro que intercala memórias com estória. Uma está dentro da outra, não se separam e é justamente esse um dos diferenciais do livro que traz de maneira suave suas impressões sobre a vida, sobre as pessoas e narra de forma suave todas as tragédias que fazem parte da sua vida. Sim, para quem não sabe a atriz passou por grandes tragédias em sua vida. Quando ela tinha doze anos o pai matou a mãe e se matou anos depois, quando ela já trabalhava na Globo. Mas, a forma com que ela narra é muito bem feita. Pelo menos eu gostei bastante. Me fez refletir em alguns fatos da minha vida, especialmente a mágoa e a liberdade.

A atriz contou em uma entrevista que eu pude ler, que sentiu vontade de escrever sobre suas tragédias, depois que elas foram expostas em rede nacional no ano de 2005 no programa de Faustão. Então não tinha mais como não contar.

Ela vai trazendo memórias, relatos de viagens e conta casos divertidos sobre a vida; além da relação com a filha Maria, sua relação com a família e com as religiões. Além do começo difícil da carreira. No primeiro trabalho na TV, antes de começar, Maitê sofreu um acidente que a deixou de moletas por cerca de um ano. Além disso teve o aborto que ela fez aos dezesseis anos. Ela conta tudo de maneira muito leve e eu não consegui desgrudar do livro. É isso.


Autor: Maitê Proença
Ano: 2008
Páginas: 224
Editora: Agir





Rafaela Valverde

Minha rotina de leituras

Resultado de imagem para Outros Jeitos de Usar a BocaTodo mundo já sabe que sou leitora compulsiva. Estou lendo o vigésimo e o vigésimo primeiro livros de 2017. Um é sobre a história do português no Brasil e o outro é Outros Jeitos de Usar a Boca de Rupi Kaur. Este está no celular em epub e é claro que não é a mesma coisa do livro impresso, o qual eu pretendo comprar assim que minha situação financeira melhorar. O formato é Epub, formato que passei a utilizar bem recentemente. Leio através do aplicativo Lithium. Enfim, depois escrevo algo sobre ele.  Pois bem, quero falar um pouco sobre minhas dinâmicas de leitura e como eu administro tudo junto com os textos da faculdade.

Percebi que estava lendo poucos livros da minha área, portanto decidi que leria um livro de literatura intercalado com algum livro da minha área cujo o tema me interessasse. Sou apaixonada por Letras e há várias subáreas que me interessam muito. Portanto, é com essa dinâmica que pretendo iniciar 2018. 

Acabei de ler um livro da atriz Maitê Proença ao mesmo tempo em que lia um livro para um trabalho da disciplina Literatura Brasileira Contemporânea, do autor Michel Laub, O tribunal da Quinta Feira. Todos esses livros ganharão resenhas individuais, só estou aqui divagando um pouco sobre minha paixão pela leitura. É uma das coisas que mais me dá prazer, com certeza. Leio no ônibus, no metrô, em fila. Leio em tudo que é lugar. Sempre levo um livro na bolsa e prefiro eles que a maioria das pessoas. Queria ler muito mais. Queria ler um livro por semana, mas não consigo. Mesmo assim, consigo ler mais de dez livros por ano. Graças a Deus!

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E isso tudo conciliando com todas as leituras da faculdade, que não são poucas, mais as atividades, as obrigações em casa e as séries e filmes. Hahaha. Já estou acostumada e até consigo dar conta de tudo, com jeitinho. Aperto ali, aperto aqui e dá. Sempre leio quase todos os textos que posso e é muito raro eu não ler algum texto da faculdade. Chegou dezembro e nada de férias. Mais um semestre atípico, que vai até fevereiro e com isso seguem as leituras. E vocês? Leem? Como é a rotina de leitura de vocês? Conta pra mim!




Rafaela Valverde

Com licença poética - Adélia Prado


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Eu amo esse poema!

Quando nasci um anjo esbelto,
desses que tocam trombeta, anunciou:
vai carregar bandeira.
Cargo muito pesado pra mulher,
esta espécie ainda envergonhada.
Aceito os subterfúgios que me cabem,
sem precisar mentir.
Não sou tão feia que não possa casar,
acho o Rio de Janeiro uma beleza e
ora sim, ora não, creio em parto sem dor.
Mas o que sinto escrevo. Cumpro a sina.
Inauguro linhagens, fundo reinos
-- dor não é amargura.
Minha tristeza não tem pedigree,
já a minha vontade de alegria,
sua raiz vai ao meu mil avô.
Vai ser coxo na vida é maldição pra homem.
Mulher é desdobrável. Eu sou.





Rafaela Valverde
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