quinta-feira, 25 de maio de 2017

O mundo do menino impossível - Jorge de Lima


Fim da tarde, boquinha da noite
com as primeiras estrelas
e os derradeiros sinos.

Entre as estrelas e lá detrás da igreja
surge a lua cheia
para chorar com os poetas.

E vão dormir as duas coisas novas desse mundo:
o sol e os meninos.

Mas ainda vela
o menino impossível
aí do lado
enquanto todas as crianças mansas
dormem
acalentadas
por Mãe-negra Noite.
O menino impossível
que destruiu
os brinquedos perfeitos
que os vovós lhe deram:
o urso de Nürnberg,
o velho barbado jagoeslavo,
as poupées de Paris aux
cheveux crêpes,
o carrinho português
feito de folha-de-flandres,
a caixa de música checoeslovaca,
o polichinelo italiano
made in England,
o trem de ferro de U. S. A.
e o macaco brasileiro
de Buenos Aires
moviendo da cola y la cabeza.

O menino impossível
que destruiu até
os soldados de chumbo de Moscou
e furou os olhos de um Papai Noel,
brinca com sabugos de milho,
caixas vazias,
tacos de pau,
pedrinhas brancas do rio...

“Faz de conta que os sabugos
são bois...”
“Faz de conta...”
“Faz de conta...”
E os sabugos de milho
mugem como bois de verdade...

e os tacos que deveriam ser
soldadinhos de chumbo são
cangaceiros de chapéus de couro...

E as pedrinhas balem!
Coitadinhas das ovelhas mansas
longe das mães
presas nos currais de papelão!

É boquinha da noite
no mundo que o menino impossível
povoou sozinho!

A mamãe cochila.
O papai cabeceia.
O relógio badala.

E vem descendo
uma noite encantada
da lâmpada que expira
lentamente
na parede da sala...

O menino pousa a testa
e sonha dentro da noite quieta
da lâmpada apagada
com o mundo maravilhoso
que ele tirou do nada...

Chô! Chô! Pavão!
Sai de cima do telhado
Deixa o menino dormir
Seu soninho sossegado!





Rafaela Valverde

Impressões da sala de aula


Comecei a dar aulas em uma escola estadual. Nunca pensei que fosse fácil, mas descobri que é bem difícil ser professora. Principalmente em escola pública, onde os meninos são jogados lá, sem ao menos compreender o porquê de estarem ali. Há ainda a falta de estrutura e também o grande uso de tecnologias, como o celular  e vídeos do youtube, que podem atrapalhar bastante a prática docente.

Os meninos ouvem música e ficam com o celular na sala, às vezes tocando música sem o fone de ouvido. Não há nenhuma noção de disciplina, nem do que deve ou não ser feito. Não há noção de hora certa para fazer determinadas coisas. Eu sempre ouvi na minha casa que existia hora para tudo, hora para se divertir e hora de ralar. Eu sempre ouvi que primeiro deve vir a obrigação e depois a diversão.

Percebo que não há respeito nem na presença do professor. Não posso ser hipócrita e dizer que eu fui uma criança e uma pré adolescente maravilhosa e bem comportada. Não fui! Mas os meus pais estavam presentes na escola por tudo que eu aprontasse e era quase sempre. Por mais que no fundo eles achassem que não adiantaria nada, eles iam. Já chegue a tomar uns tapas de minha mãe dentro da escola.

Mas, mesmo sendo rebelde, havia um mínimo de respeito ao professor. Mesmo que eu continuasse a conversar, porque lembro que era uma faladeira na sala, eu pelo menos entrava na sala e sentava na cadeira. Ao contrário de hoje. Os meus alunos não sentam, não param, não se interessam pelos conteúdos e nem me respeitam. Fora que saem da sala toda hora e outros alunos entram na sala a todo momento, me ignorando.

A estrutura da escola pública não ajuda muito a vida do professor não. Algumas salas nem porta têm e quando chove molham tem goteira. Não têm ventiladores e é péssimo estudar assim. Como eu, sozinha, vou fazer os alunos prestarem atenção em mim com tantas distrações e com tanta falta de estrutura? Eu até tento. Converso com eles, fiz um jogo e pretendo fazer o máximo para tornar minhas aulas interessantes mas é bem difícil.

É difícil porque esse interesse pela escola e pelo conhecimento não vem de casa. Os pais não leem. Mas também qual o pai que tem tempo ou dinheiro para comprar livro? Não estou defendendo, pois isso não justifica nada. Essa é uma sensação geral que eu tenho. As pessoas não estão nem aí para nada, não leem, não estudam, não se informam. Só querem saber de festas, alegrias da vida, novelas, youtube, whatsapp... Mas quem condenaria essas pessoas? O caminho do conhecimento é bem árduo.

Eu também gosto de todas essas coisas, mas amadureci cedo e entendi desde nova que havia momento para tudo na vida. Há hora para estudar, para brincar, para dormir. Deve haver uma adequação para tudo na vida, não é mesmo? Mas é isso, essa é uma das minhas reflexões sobre a sala de aula e sobre a prática docente. Espero que eu faça mais!


Rafaela Valverde


sábado, 20 de maio de 2017

Minhas pernas peludas



Por que ainda há um choque com pernas femininas com pelos? Por que pelos em homem é atraente e em mulheres é anti-higiênico e masculino? As minhas pernas estão peludas. Tenho poucos pelos e a maior parte deles são loiros, portanto decidi deixá-los. Mas não só por isso. Porque também não vou ficar raspando, agredindo minha pele e gastando horrores com depilação com cera para satisfazer senhor ninguém. Especialmente uma sociedade que não me dá nada, eu que não rale não! 

Meus pelos da perna não me incomodam e gosto de passar a mão em minha perna e senti-los. Me sinto aliviada em não mais ser obrigada a fazer depilação. Eu ODEIO fazer depilação em qualquer parte do meu corpo. Claro que é um passo muito mais difícil deixar de depilar tudo e ainda depilo as axilas e partes íntimas, mas minhas pernas serão peludas, sim! Pelo menos enquanto eu estiver afim de ter pelos. 

Reparo que as pessoas olham minhas pernas e estranham. Por que não estranham homens com pernas depiladas? Já ouvi gente dizer: "deve ser nadador..." Nunca entendi muito bem a relação, mas já ouvi isso rsrsrs. Só porque é homem e só por que eles sim podem fazer o quiserem com seus corpos. Nós é que não podemos ter domínio sobre nosso corpo que vem logo um enxerido comentar, ou olhar, ou fazer uma lei... Para dominar o corpo feminino aparece gente de tudo quanto é inferno!

Para cima de mim, não! Ninguém vai me dizer o que fazer em meu corpo e com meu corpo. E estou pensando seriamente em deixar de tirar a sobrancelha. Fico arrancando os pelos da minha cara desnecessariamente em casa, quando quero algo mais bem feito tenho que pagar no mínimo oito/ dez reais. Homens além de tudo, gastam muito menos para cuidar da aparência. É tudo muito injusto e eu eu estou aqui para quebrar isso, mudar essas regras que só beneficiam os homens. Vai ter pelo, sim! Porque afinal sou um mamífero e meus pelinhos me protegem. Quem não gostar se joga de um pé de alface, ok?



Rafaela Valverde


Mulheres, não precisamos de homens!



Eu sofri mas eu aprendi algumas coisas com meus erros e meus sofrimentos. E quem sofre, erra e não aprende nada com isso? Não estou aqui querendo me sentir melhor que ninguém, apenas ratificar a tese de que os erros e dores servem para nos dar uma lição. Isso é verdade. Claro que a gente precisa ter consciência desses erros e realmente refletir sobre o que mudar. Não acontece por osmose, não é rápido, nem fácil. Demora e dói. 

Passei vários meses sentindo uma dor física, sem querer levantar da cama e passei muitas das horas desses dias pensando em que tinha falhado e que se eu não tivesse cometido determinada falha, talvez eu não tivesse em determinada situação. Mudei e virei uma pessoa mais leve com a vida. Não cobro mais tanto de mim, nem da vida, nem dos outros. Me tornei uma adulta mais leve e não me troco pela eu de cinco, seis anos atrás.

Mas e quando as pessoas sofrem, passam determinadas coisas e não mudam? Continuam cometendo os mesmos erros? Será que elas não refletiram sobre suas atitudes? E quando essas pessoas são mulheres? Uma mulher sofreu horrores em um relacionamento: perdeu tudo o que tinha construído com o outro, porque simplesmente ele lhe usurpou, quase morreu por um problema de saúde e ainda foi trocada por outra e agora "abre os dentes" para esse homem, anos depois. Não dá vontade de matar uma mulher dessa? Dá!

Eu não sei se é falta de maturidade, pois é uma mulher já bem grandinha. Eu não sei se muita falta de amor próprio, eu não sei se é o machismo, a misoginia e a sociedade patriarcal já impregnados em nosso inconsciente. Eu sinceramente não sei. A coisa está tão feia que quando a mulher erra é xingada, considerada vadia, vagabunda, sei lá. Mas quando o cara erra, a sociedade aconselha que se perdoe porque ele "é homem" e porque "todo mundo merece uma segunda chance." Então, só os homens merecem segunda chance? Porque mulheres são execradas e até mortas quando traem!

Então, isso está tão impregnado em nossa cabeça que a gente acha que não pode viver sem homem, mesmo que ele seja ruim. Chega a um determinado momento da vida em que a gente só sabe falar: "ruim com ele, pior sem ele" e acredita nisso tão veementemente que fica ali naquela relação, inerte, só esperando o dia de ser libertada por alguma magia. Não, isso não vai acontecer! Quem se liberta é a gente mesmo. E ponto.

A gente é criada e incentivada desde muito nova a procurar homem, a viver dependente de homem.  aí acreditamos que não dá para viver feliz sem ter um homem do lado, sem ter um relacionamento, sem casar. Porque somos indefesas e precisamos da defesa de um homem, A gente não sabe que dá para viajar sozinha, ir ao cinema sozinha, beber sozinha, ir à festas e shows sozinha... A gente acha que só vai ser feliz se tiver um homem para nos fazer companhia. Assim, aproveitamos a deixa e ficamos burras, esquecemos como instala computador, não aprendemos furar ou pintar uma parede e não aprendemos a ser independentes "por que temos um homem".

Mas um dia, assim como eu aprendi, a gente aprende que somos suficientes e nos bastamos. Estudamos, trabalhamos, pegamos pesado para ter nossa independência e nenhum homem vai nos dizer o que fazer, nem hoje, nem nunca. Pelo menos não a mim! Sobre os fatos relatados acima: eu, por muito menos já botei homem para correr. Mas tem mulher que sabe que está infeliz, sabe que aquele homem não presta e nunca vai mudar e continua ali. Até quando Deus quiser. Mulheres tomem posse das suas vidas! Amem, mas amem a si mesmas muito mais em primeiro lugar. É tão maravilhoso se amar, se achar linda, independente e auto-suficiente. Não há nada melhor! Aprender com nossos erros e sofrimentos, é para mim, o principal motivo deles acontecerem, então vamos levantar da cadeira e lutar por nós mesmas, pois os homens só enxergam seus próprios umbigos.




Rafaela Valverde

sexta-feira, 19 de maio de 2017

Transbordante


O que buscar lá fora se tudo que me faz bem está aqui dentro?
Por que buscar coisas lá fora se tudo está aqui?
Pra que procurar qualidades em outras pessoas se você já as tem?
Tudo que me satisfaz está aqui, em você
Tudo que eu gosto você faz
O que eu preciso você tem
Eu não preciso de mais ninguém
Quando eu te falo você não acredita
Mas não há ninguém como você
Estar com você me faz tão bem
Há anos que sua presença me faz ótima, que é melhor que bem
Eu realmente não preciso de ninguém
Mas você não é ninguém
E eu preciso de você
Não para viver
Não para ser feliz, afinal eu já sou feliz!
Mas preciso de você para tornar minha vida melhor
Também para me transformar nesse poço de sorrisos
Sim, quando estou perto de você, eu transbordo de alegria
A felicidade me toma por completo
Eu me fecho nesse mundinho em que você está
E esqueço do que se passa no mundo lá fora
Nada lá fora importa!
Aí no outro dia tenho que voltar ao tempo presente, à vida real
É duro demais não ter você
É injusto ter que procurar lá fora o que eu tenho aqui dentro
É injusto, principalmente, porque eu nunca vou achar
O poço da felicidade de estar com você esvazia um pouco quando vou embora
Mas o meu amor é um poço muito maior
Não enche, não transborda e nunca vai acabar
Agora, me diga, você que tem resposta para tudo:
O que eu faço com esse amor?



Rafaela Valverde

quarta-feira, 17 de maio de 2017

Passional


Você diz que sabe quem é
Você diz que se conhece
Você diz que me conhece
Mas, ora bolas, quem é que sabe mesmo de si?
Eu não sei, você não sabe, o mundo não sabe
O mundo nem sabe que fim terá!
O mundo não sabe nada
Agora, imagine você!
Você não sabe de nada
Eu vejo que estou em seu olhar
Mas você nega
Você é engraçado
Não se entrega
Não se apoia
É orgulhoso
Tem medo
Você diz que sabe de si
Você diz que se conhece
Você diz que me conhece
E que eu sou a mesma
Você se auto - engradece
Não que esteja errado
Se engrandeça mesmo
Brilhe mesmo
Pense em você mesmo
Mas não minimize nosso amor
Seja quem e o que você quiser
Só não ache que tudo isso é menor
Você pode não amar
Mas não desame quem ama
Você pode não se dedicar ao amor
Mas deixa minha dedicação
Você pode se conhecer
Pode me conhecer
Só não mate minha presença em seus olhos
Não esnobe meu amor
Ele, meu bem, ainda vai te salvar de você mesmo.



Rafaela Valverde


domingo, 14 de maio de 2017

Pausa nos estudos


Estávamos sentados estudando para as provas finais. Geralmente a universidade ficava bastante agitada nesse período de provas, mas naquele horário a biblioteca estava calma, com poucas pessoas circulando. A sala em que estudávamos estava mais escura que o normal e passou pela minha cabeça que talvez uma das lâmpadas tivesse queimado.

Realmente queria estudar, pois não tinha ido muito bem esse semestre. Ele porém, não parecia muito interessado nos textos. Foi enfiando a mão embaixo da minha saia, o que eu prontamente reivindiquei. Estávamos em um lugar público. E daí, ele disse. Ninguém tá vendo, disse em seguida. Realmente sua mão estava por debaixo da mesa e não dava para quem tivesse de longe ver nada.

Deixei sua mão ali. Ela era macia, firme e delicada ao mesmo tempo. Não sei como isso era possível mas era. Ele sabia me masturbar deliciosamente bem. Ia massageando meu clitóris e eu ia ficando cada vez mais molhada com aquela mão familiar em mim. Nunca tínhamos feito nada assim em público e eu percebia em seu rosto que ele estava se divertindo.

Ele me lançava olhares safados e passava a língua ao redor dos lábios. A essa altura apenas fingíamos que estudávamos. Ninguém estava mais interessado em teoria linguística quando havia um pequeno incêndio acontecendo por ali. Eu sorria e ao mesmo tempo olhava disfarçadamente para os lados. Me surpreendi com minha desfaçatez, não me imaginava sendo assim.

Em um determinado momento da nossa aventura bibliotecária, suspirei alto e recostei na cadeira, desistindo de vez dos textos. Eu já estava perto de gozar e precisava me concentrar. Ele passeava com mais força por dentro de mim, mas uma força precisa que sabia do que eu gostava. Gozei soltando alguns pequenos gemidos e relaxei totalmente. Ele tirou a mão debaixo da minha saia e lambeu os dois dedos que antes estavam dentro de mim.

Arrumamos os materiais impacientemente e corremos para a residência universitária, onde ele morava. Ficava bem perto dali e fomos rápido para manter a chama. Os amassos começaram na porta mesmo, já fui tirando a camisa dele e quando já estávamos na cama, ele levantou minha saia, que era comprida, arrancou minha calcinha e começou a me chupar bem devagar. Uma delícia. Gozamos juntos, com a sensação  de que tínhamos estudado bastante e que criaríamos nossas próprias teorias.



Rafaela Valverde

sábado, 13 de maio de 2017

A lua no cinema - Paulo Leminski


A lua foi ao cinema,
passava um filme engraçado,
   a história de uma estrela
que não tinha namorado.

   Não tinha porque era apenas
uma estrela bem pequena,
   dessas que, quando apagam,
ninguém vai dizer, que pena!

   Era uma estrela sozinha,
ninguém olhava pra ela,
   e toda a luz que ela tinha
cabia numa janela.

   A lua ficou tão triste
com aquela história de amor,
   que até hoje a lua insiste:
- Amanheça, por favor!



Rafaela Valverde

Eu ouvindo Marília Mendonça


Eu já devo ter contado aqui que gosto de vários tipos de música. Ouço de Marisa Monte até funk mas torcia o nariz para sertanejo. Bem, ainda torço um pouco, mas estou ouvindo muito Marília Mendonça, uma das representantes do chamado feminejo.  Desde a minha viagem para Recife voltei com essa mania de ouvir Marília. E gosto bastante. Ela fala algumas coisas que os homens precisam ouvir e sofre bastante também.

Quem não tem essas sofrências? Quem nunca sofreu dor de corno mesmo? Eu nem vou falar sobre isso na minha vida hahaha. Mas o fato é que eu gosto de música, independente de qual rótulo. Um amigo me disse justamente isso: para eu ouvir música independente de rótulos, se eu gostar ótimo, se não, bola pra frente.

E fiz isso. Cá estou eu, nesse exato momento ouvindo a maravilhosa da Marília. A mulher canta muito mesmo. E graças a todos os deuses que tenho a capacidade de mudar de ideia, de gostos, de conceitos. Prefiro sim ser uma metamorfose ambulante e é isso que eu sou.



Rafaela Valverde

quarta-feira, 10 de maio de 2017

Série Gilmore Girls


Terminei de ver no final de semana a antiga série Gilmore Girls e em seguida assisti os quatro episódios do especial lançado pela Netflix no final do ano passado. Já tinha ouvido falar da série há alguns anos, mas a curiosidade veio mesmo  a partir do Gilmore Girls - Um ano pra recordar. No início do ano comecei a ver os episódios e de cara já gostei do bom humor de Lorerai e da amizade com a filha Rory.

Tal Mãe, Tal Filha como foi traduzida é uma série criada por  Amy Sherman-Palladino que estreou no ano 2000. Estrelada por Lauren Graham e Alexis Bledel, como Lorerai e Rory, teve seu final no ano de 2007. Com sete temporadas, a série teve um grande sucesso, inclusive aqui no Brasil. 

A história de mãe e filha é contada. Lorelai engravidou aos 16 anos e decidiu sair de casa para criar sua filha longe de todos. Mãe solteira, chegou na  pequena cidade fictícia Stars Hollow e  com ajuda de amigos e bastante trabalho começou a criar sua filha. Como são apenas as duas, elas desenvolvem uma parceria e cumplicidade. E foi essa parceria que me chamou atenção na série. E o bom humor de ambas? A piada de uma complementa a da outra. Achei sensacional a química das duas atrizes.

Lorelai não tem um bom relacionamento com seus pais Emily e Richard Gilmore por sempre contestar suas ideias e modo de vida. Os pais são envolvidos em eventos sociais que Lorelai acha fúteis, por isso sempre critica os pais e com isso traz certas alfinetadas ao modo de vida dessas pessoas.

Mas a série é muito mais que isso. Ri horrores durante esses meses que a vi. São ótimas piadas, histórias e personagens bem construídos. Stars Hollow é a comédia em si. Claro que também há drama e especialmente na última temporada e no especial chorei bastante e com certeza entrou no rol de uma das minhas séries preferidas. Amo Gilmore Girls. E essa é minha pequena homenagem.



Rafaela Valverde


quinta-feira, 4 de maio de 2017

Minha trajetória acadêmica

Em 2010 passei no vestibular da Uneb - Universidade do estado da Bahia para o curso de Pedagogia, que eu não sabia exatamente do que se tratava, mas como achava que queria fazer psicologia, achei que pedagogia tinha semelhanças com psico e lá fui eu. As aulas começaram no dia 12 de abril e ainda era tão menina, ia fazer vinte e um anos e estava noiva. Nessa época eu trabalhava e estudava e só vivia cansada, dormia na aula e não sei como eu consegui lidar com oito matérias assim. Uns dois meses depois fiquei desempregada e minha mãe que me ajudava com a faculdade. Casei no mesmo ano e continuei nos semestres seguintes com as oito disciplinas.

Depois de um tempo comecei a pegar menos matérias e fui ficando atrasada, separada das minhas colegas e amigas que tinha feito naqueles meses. Acredito que  isso tenha me desmotivado bastante, além  de uma monitoria que fiz e não recebi o dinheiro ao qual tinha direito e precisava. Por essas e questões de não gostar e não me adaptar com algumas disciplinas e questões do curso acabei abandonando. Eu não via mais graça em estar ali, fazendo aquele curso. Me sentia sem perspectivas.

Foi nessa época que passei a dar mais atenção ao blog e quis seguir o sonho de escrever, de ganhar dinheiro escrevendo e botei na cabeça que queria ser jornalista. Por que queria escrever de qualquer jeito. Até pensei em fazer letras, mas tinha horror à licenciatura e à sala de aula. Tentei entrar na UFBA em jornalismo e não consegui. No ano de 2013 depois de uns meses fora do Departamento de Educação da Uneb, decidi voltar. Mas durou pouco tempo. Minha falta de afinidade com o curso era latente, eu não me dava bem com a maioria dos professores de lá que eram muito arrogantes. Não tinha motivação para ir até lé, nem para fazer as atividades, nem de olhar para as caras dos professores. Saí de novo e dessa vez pra valer.

Em 2014 depois de mais um Enem tentei novamente o curso de jornalismo na UFBA e não consegui. Porém fiz um vestibular na Unijorge e passei, consegui um FIES e fui fazer jornalismo nesse centro universitário privado. Não me adaptei muito bem lá. A universidade parece um shopping, com praças de alimentação bem grandes e quase nenhum apoio a alunos de baixa renda. Me sentia deslocada, um peixe fora d'água. Fora que a sala que eu estudava era super barulhenta e imatura, me sentia estudando em uma escola de ensino médio. Fora que com boletos todo mês e o salário que eu ganhava não estava dando, daí decidi usar a mesma nota do Enem e ganhar uma bolsa em uma universidade diferente e melhor. Consegui a bolsa e ia começar o semestre no mês de agosto de 2014. Enquanto isso, minhas colegas estavam se formando. 

Faltando poucos dias para começar o semestre na FSBA - Faculdade Social da Bahia eu recebi uma ligação  avisando que não havia formado turma para jornalismo e que o curso estava praticamente extinto na universidade. Eu teria que escolher outro curso ou desistir da bolsa. Dentre os cursos que me ofereceram fiz a merda de escolher um. Eu não acreditava mais que pudesse entrar na UFBA  e seguir a carreira acadêmica que eu tanto sonhava. Então eu escolhi psicologia. Entrei sem semestre definido e pegava disciplinas introdutórias misturadas com as mais avançadas e não entendia os conceitos básicos tendo certa dificuldade em acompanhar. Sentia o tempo todo que me formaria sem nenhuma perspetiva, não me sentia feliz ali, nem no curso e nem na faculdade. Fora que é perto do campus da UFBA em que estudo hoje e pegava os mesmos ônibus que vários alunos da Federal que ali desciam e ficava pensando que meu lugar era ali, que um dia eu gostaria de descer antes, naqueles ponto.

O que começou a me tirar daquele curso e daquela faculdade foi a dificuldade em estudar. Os textos eram longos e meu tablet havia quebrado, me impossibilitando de ler a maioria dos textos. Eu teria que tirar xerox ou imprimir todos e não tinha grana para isso, apesar de estar trabalhando na época. Comecei a tirar notas ruins e a faltar nas aulas de sábado, já que trabalhava aos finais de semana. Eu sabia que tinha que sair dali e exatamente no meio do ano de 2015, no SISU do meio do ano eu decidi que eu iria para a UFBA em qualquer curso. E eu entrei em Letras. De primeira. Sabe se que as notas de corte desses cursos são bem baixas e não foi tão difícil. Fiquei muito feliz. Acho que foi um dos poucos dias mais felizes que tive naquele ano. Dia 15 de junho de 2015. A universidade estava em greve, fiz matrícula, mas só comecei a ter aulas em janeiro de 20016, ano passado e hoje estou no quarto semestre e realmente estou onde eu merecia, precisava e queria estar. Eu dou aulas particulares de Português e agora vou assumir salas de aula em uma escola estadual. Eu estou muito feliz e realizada na minha vida acadêmica. Eu amo ensinar. Eu já faço pesquisa e sou bolsista de Iniciação Científica. Eu vejo  a realização do meu sonho chegando, chegando aos poucos. Eu tenho contato mais direto com literatura, algumas disciplinas de literatura do curso são fascinantes e eu adoro entrar naquele portão todos os dias. Por mais que a coisa não seja fácil. É muito estudo. É tudo bem diferente de todas as universidades em que já estive. Mas eu adoro, finalmente me encontrei.

Não desista do seu sonho, não hesite em sair de algo que não te faz bem, onde você não quer estar. Saia e vá atrás do que realmente você quer. Porque uma hora dá certo. Essa é a loucura da minha vida acadêmica até agora, minhas desistências e conquistas. 



Rafaela Valverde

O que eu sei


Eu sei que trocamos juras de amor. Estávamos deitados de conchinha. Eram 4:26 de uma madrugada qualquer. Fazia frio. Quem raciocina no frio? E de madrugada? Ninguém. Eu sei também que aquelas juras podem não ter sido verdadeiras, a promessa de que estaríamos sempre juntos não vingou. Seguimos separados e eu sei que é assim que vamos ficar.

Eu sei que você não levou nada daquilo a sério. Depois daquelas madrugadas vieram outras, outras que ficávamos acordados fazendo planos para um futuro. Esse futuro hoje é tão distante e inexistente que eu nem sei porque perdemos tanto tempo assim falando nele. Talvez porque nos amássemos. Naquela época era tudo mais fácil, éramos muito jovens e ainda não tínhamos descoberto as maldades da vida adulta. Sabe, gente adulta estraga tudo. Complica tudo. Não gosto muito da adulta sem sonhos que me tornei hoje.

Não tenho sonhos, nem expectativas. Não imagino nós dois juntos. Eu apenas me aproveito de você para ter inspiração para escrever, porque meus leitores gostam. Por incrível que pareça, há pessoas que gostam das minha ladainhas. Mas eu não penso em nós dois tendo futuro. Eu só vejo nós dois separados mesmo, mas eu finjo que acredito pois isso rende textos, afinal de contas isso que eu sinto por você tem que servir para alguma coisa, não é?

Eu sei. Eu sei muitas coisas. Mas o que eu sei mesmo é que foi tudo da boca para fora. O que eu disse e o que você disse. Pois, afinal de contas, quando jurei te esperar até oitenta anos eu não imaginava que ia demorar tanto. E quando você disse que eu nunca mais iria chorar e que você estaria cuidando de mim para sempre era mentira. Não sei muito bem se uma mentira deliberada ou se você se enganou e se atrapalhou todo no meio do caminho.

Vai demorar. Está demorando. Isso eu já constatei há tempos. O que você acha? Que eu vou te esperar aqui mais dez, vinte, trinta anos?  Você acha mesmo que eu vou te esperar até quando não tiver mais nenhuma melanina em meu cabelo e quando meus ossos forem tomados pela osteoporose? Se você acha isso mesmo saiba que você está certo. Estou aqui esperando, o tempo que for necessário, no meu canto, sem expectativas e calada, só esperando minha hora, se ela chegar. Se não, paciência, mas eu estarei com meu dever cumprido. Estarei aqui, sempre aqui, incondicionalmente. Indo a festas, viajando, estudando, conhecendo outras pessoas de vez em quando; bebendo e fumando um cigarro, esperando o tempo passar lentamente.  Eu posso não saber tudo, mas sei que é o que eu quero e devo fazer, é esperar por você e cumprir aquelas promessas das 4:26 de uma madrugada qualquer.



Rafaela Valverde


quarta-feira, 3 de maio de 2017

Quando você está aqui


De repente tudo vira coisa de casal. De repente não quero mais ir ao cinema sozinha e percebo que você é aquela pessoa que  eu procurava para conversar sobre os filmes cabeça que eu tanto assisto. Um belo dia acordo sozinha na cama e te procuro do lado, deve ter sido reflexo do final de semana em que dormi com você.

As coisas que eu fazia sozinha antes, hoje ficam muito mais divertidas com você. Mesmo aquele disco triste do Legião Urbana que escuto quando estou triste para ficar mais triste ainda, fica melhor quando escuto com você. Porque você entende a minha necessidade de ouvir músicas tristes e também você é umas das poucas pessoas que conhece o disco e se deixou influenciar pelo meu gosto musical e hoje gosta tanto dele quanto eu.

Sobre cozinhar sozinha ouvindo uma música e bebendo vinho? Isso perdeu a graça também. Eu sempre quero ter você por perto. é incrível como preciso sempre compartilhar algo com você. Óbvio que tenho  meus momentos de estar sozinha. Quem não precisa ficar consigo mesmo às vezes? Mas a primeira pessoa que penso quando quero companhia é você.

Nos momentos em que preciso comemorar alguma nota boa, alguma pequena conquista é em você que eu penso. Ultimamente tudo virou coisa de casal: pretextos para te ver. Jantar à luz de velas, aquela música mais sensual. Imagino logo a gente na cama, se enroscando. Ah, seu beijo! Eu não preciso de mais nada, eu não preciso de mais ninguém. Minha felicidade se resume a minha plenitude como pessoa e se resume a você na minha vida. Se você estiver aqui tudo fica mais completo, a minha felicidade se torna mais realista.

Você e sua racionalidade trazem mais equilíbrio para minha loucura, especialmente para aquelas loucuras noturnas que impedem meu sono profundo de acontecer. Sou notívaga, você também é. Dormimos ao raiar do dia conversando, ouvindo aquelas músicas loucas do Youtube ou fazendo amor. E que amor! Que delícia de amor, o que a gente faz. Seu cheiro me enlouquece e sei que o meu também, meu cheiro fica no seu travesseiro de manhã, quando vou embora. 

Enfiados no edredom, nossa vida rende. Rende histórias, rende tudo que passamos e tudo o que ainda queremos passar e viver juntos. Nossa vida fica mais larga quando estamos juntos, mais forte. Somos bons em tudo. Tudo o que fazemos juntos dá certo, nossa parceria dá certo, sempre deu. Eu e você somos um. Não precisamos nos completar, mas nos suplementamos, somos melhores um com o outro. É assim que enxergo a gente. Quando estou sem sono observo as estrelas da minha sacada e imagino que estar ao seu lado é o que eu mais quero. A minha vida toda, até  envelhecer.

Saindo da varanda, olho para minha maior estrela dormindo em minha cama. Você respira calmamente e quase sorri. Sei que também está feliz. Sei que se sente todo bobo em relação a mim. Sei que me ama. E de repente sinto uma paz. Me enfio debaixo das cobertas e me enrosco em você. De repente tudo vira coisa de casal. De novo. E eu gosto disso.



Rafaela Valverde


Aproveite a vida!


Existem diversos motivos para se odiar. Quando a gente se olha no espelho e vê a cara inchada e os olhos vermelhos de ter chorado a noite toda por quem não merece, a gente se odeia. A gente se odeia quando faz alguma merda, a gente se odeia quando faz ou fala coisas que não deveria ter falado. A gente se odeia quando adianta coisas que nem deveriam acontecer.

Muitas vezes passamos por coisas que poderiam ter sido evitadas por nós mesmos. Parece que nosso cérebro até avisa, "sai daí, idiota, você vai se estrepar." Mas você continua insistindo em algo que sabe que vai dar merda. Assim, vão surgindo razões para que a gente se massacre mentalmente, se odeie e sofra por antecipação, tentando evitar fazer outra cagada.

Existem muitos motivos para a gente querer morrer. ás vezes bate uma tristeza terrível e a gente não consegue fugir; às  vezes são tantos problemas e um atrás do outro que a gente acha que não vai aguentar e se recusa a suportar mesmo tantas rebombadas. Mas no final das contas, a gente vê que aguentava e que é mais forte do que imaginava. É claro que a coisa toda não fica plena e todos nós temos problemas na vida e que eles voltam sempre que podem para encher o saco. E é normal, é assim, é um círculo vicioso.

Existem, no entanto, inúmeros motivos para a gente brindar a vida e se amar. Há motivos diversos para adorar viver e querer viver cada vez mais. A vida é linda, apesar dos percalços. A natureza nos presenteia com lindos espetáculos, apesar de a gente muitas vezes não notar e ainda destruí-la. Os cantos dos pássaros em meio ao caos de uma avenida movimentada; um pôr do sol em um dia de verão; experiências que temos em determinados momentos: viagens, sensações, gargalhadas... Ter amigos é incrível, rir de uma piada, dançar sozinha em casa, tomar um bom vinho, um belo churrasco... É tudo bem gostoso, é a prova de que vale a pena viver. É  a prova de que vale a pena enfrentar problemas e obstáculos. Tudo tem lado bom e lado ruim. E essa é a graça da vida. Os bons momentos não existiriam sem os ruins. E eu tempo ver sempre ou quase sempre, o lado bom das coisas, apesar de ser difícil, bastante difícil. Mas a gente consegue, afinal é bem melhor curtir a vida e o que ela tem de bom para oferecer.




Rafaela Valverde

terça-feira, 2 de maio de 2017

Tirei a tinta preta do cabelo

 Depois de dois anos, finalmente tomei coragem e atitude para tirar a tinta preta do cabelo. Maldita tinta preta. Pintei de preto em março de 2015 para cobrir o vermelho. Fiquei ruiva uns meses e enjoei, além disso meu cabelo estragou muito e desbotava com facilidade, assim decidi mudar radicalmente. Fui morena por dois longos anos e confesso que já não aguentava mais.

Como eu estava há cerca de um mês

Depois de chegar no limite do tédio em ser morena, comecei a pesquisar formas de tirar a tinta preta do cabelo. Esse era o primeiro passo. Mas é um processo bastante agressivo, já que é utilizado descolorante. Fiz aos poucos, a aplicação da mistura de pó descolorante e água oxigenada de 40 volumes. Tudo de farmácia mesmo, mas saibam que o meu cabelo estava bem cuidado antes do processo e segue sendo bem cuidado, com hidratações e nutrições semanais. Se for fazer algo do tipo em casa aconselho que trate muito bem o cabelo antes e tenha certeza que ele realmente vai aguentar. Comprei, na última aplicação, a que realmente abriu meu cabelo, um pó sem amônia, pois já havia sentido que a amônia do pó anterior já havia "amansado" meus cachos, deixando sua estrutura mais "lisa". Perdeu um pouco os cachos, mas recupero aos poucos. Mais uma vez: não estou incentivando que ninguém faça isso em casa. Porque sim, são processos agressivos e que podem dar errado. Faço porque sou doida e faço doidices no meu cabelo desde criança e sei o limite dele. Além de saber como recuperar depois.

Enfim, depois de umas duas aplicações  de descolorante no cabelo todo, ele abriu e o preto praticamente saiu todo. Depois de uns dias, depois de umectações e hidratações  eu comprei a tintura que costumo usar, Loreal Casting Creme Gloss castanho claro,  sem amônia, essa aqui:


E passei por cima do cabelo descolorido. Confesso que fiquei com um pouco de medo de estragar mais meu cabelo, apesar de ser sem amônia e deixei só uns vinte minutos mesmo. Acho que nem chegou a vinte. Mas consegui obter um bom resultado e amei a cor. É um marrom, mel, não sei bem explicar, só sei que gostei. O importante que consegui tirar a tinta preta da minha vida e mudei o visual como sempre gosto de fazer. O resultado é esse:


Essa foto está muito clara porque a luz bateu bem em cima, não sei muito bem se vai dar para ver a cor, mas ao longo do tempo vou postando mais fotos para que vocês vejam como estou agora. É isso, gente. Fiz mais uma loucura e deu certo. Logo, logo passo por aqui trazendo notícias do meu cabelo.



Rafaela Valverde


Trem - Bala - Ana Vilela


Não é sobre ter todas as pessoas do mundo pra si
É sobre saber que em algum lugar, alguém zela por ti
É sobre cantar e poder escutar mais do que a própria voz
É sobre dançar na chuva de vida que cai sobre nós

É saber se sentir infinito
Num universo tão vasto e bonito, é saber sonhar
Então fazer valer a pena
Cada verso daquele poema sobre acreditar

Não é sobre chegar no topo do mundo e saber que venceu
É sobre escalar e sentir que o caminho te fortaleceu
É sobre ser abrigo e também ter morada em outros corações
E assim ter amigos contigo em todas as situações

A gente não pode ter tudo
Qual seria a graça do mundo se fosse assim?
Por isso eu prefiro sorrisos
E os presentes que a vida trouxe para perto de mim

Não é sobre tudo que o seu dinheiro é capaz de comprar
E sim sobre cada momento, sorriso a se compartilhar
Também não é sobre correr contra o tempo pra ter sempre mais
Porque quando menos se espera, a vida já ficou pra trás

Segura teu filho no colo
Sorria e abraça os teus pais enquanto estão aqui
Que a vida é trem bala, parceiro
E a gente é só passageiro prestes a partir

Laiá, laiá, laiá, laiá, laiá
Laiá, laiá, laiá, laiá, laiá

Segura teu filho no colo
Sorria e abraça os teus pais enquanto estão aqui
Que a vida é trem bala, parceiro
E a gente é só passageiro prestes a partir




Rafaela Valverde

quinta-feira, 27 de abril de 2017

Retrato - Cecília Meireles


Eu não tinha este rosto de hoje,
Assim calmo, assim triste, assim magro,
Nem estes olhos tão vazios,
Nem o lábio amargo.

Eu não tinha estas mãos sem força,
Tão paradas e frias e mortas;
Eu não tinha este coração
Que nem se mostra.

Eu não dei por esta mudança,
Tão simples, tão certa, tão fácil:
— Em que espelho ficou perdida
a minha face?




Rafaela Valverde

Há dez anos eu fazia 18


Há dez anos eu completava dezoito anos, eu achava, assim como todo adolescente, que os dezoito anos abririam portas e tornariam a vida mais fácil, ou mais feliz. Ou pelo menos diferente. A gente sempre trata as idades como etapas. Na verdade, o tempo ou uma determinada quantia de tempo. Até os dezoito, antes dos trinta, depois dos trinta, etc. Sempre há rótulos e demandas a depender da década em que se vive.

A gente não se dá conta e acaba sendo a mesma pessoa que foi no ano e na idade anterior, mas a gente muda muito. E é claro que em dez anos muitas coisas mudam, inclusive na aparência e no peso. Engordamos e melhoramos. Deixamos os óculos de lado e evoluímos intelectualmente e muitas outras mudanças. Eu, por exemplo, ao contrário de dez anos atrás, adoro poesia. Eu não tinha paciência nenhuma para poemas. Eu tinha problemas de auto estima e me achava feia.

Eu tinha dezoito anos e quando a gente tem essa idade tem muito pouco o que mostrar além das aparências. Ainda não construímos nada, salvo em raras exceções, não temos experiência e ainda estamos começando a vida, aprendendo e adquirindo experiências. Dessa forma, as aparências são bastante valorizadas mesmo.  Funciona assim: "fulaninho é feio, cicraninho é gordo e feio..."

Bom, pelo menos é assim que eu vejo hoje. Não é porque os meninos são malvados, não. É porque são adolescentes. Eu fui adolescente e há dez anos, há apenas dez anos eu completava dezoito. E sem que eu me desse conta os anos foram passando, as coisas foram acontecendo e eu fui mudando. Muita coisa aconteceu. Mudei de empregos, de cursos na faculdade, casei, separei, sofri, chorei, sorri, me divertir, viajei. A vida foi passando e fui me tornando quem sou hoje.

E com certeza hoje não vejo apenas aparência no espelho, nem minha e nem das outras pessoas. Somos muito mais que um corpo magro, ou um cabelo liso e uma pele perfeita, somos seres humanos. Com subjetividades, peculiaridades, sentimentos e atitudes. É isso, dez anos é um período curto ao mesmo tempo que é uma grande quantidade de anos. Depende do ponto de vista, depende do que se faz em dez anos. Eu aprendi muito, eu sou outra pessoa. Bem mais gorda, sem óculos, cacheada e sem química, com uma mente aberta, escritora, independente que sabe o que quer da vida. Eu cresci!




Rafaela Valverde

terça-feira, 25 de abril de 2017

Texto que minha amiga Fernanda fez para mim ♥

Recebi esse maravilhoso texto da minha amiga Fernanda no domingo, meu aniversário. Eu amei! Me emocionei demais com essa genial definição de mim. Só quem é muito boa com as palavras e me conhece bem demais é capaz de me descrever tão bem. Obrigada, miga. Te amo, também, amei a homenagem.
A referida foto é essa abaixo:





Você pra mim é como uma rosa. Flor que sabe ser aroma e espinho. Amor e dor. Pode perfumar e também perfurar. Pode estar tanto no início quanto no fim. Pode vir em variações dependendo de quem observar. As vezes num vermelho intenso e esplêndido, outras num branco poético e de paz. Pode refletir o romantismo dos que te querem como presente ou a brutalidade de quem tenta do seu jardim te arrancar. 
Escrevo isso na tentativa de eternizar-te em mim como és na sua mais pura essência: Flor! 
Gosto muito dessa foto e mais ainda de você. E enquanto pudermos e quisermos, serei apreciadora da tua beleza e felicidade. Feliz vida, flor da minha!♥♥





Rafaela Valverde

Apaixonamentos


Apaixonamentos estão fora de questão
Sabe, aqueles em que ficamos bobos
Sem saber o que fazer ou falar
Isso não tem mais cabimento por aqui
Não há mais quem caia nessa
Pelo menos entre as gentes que se prezem
Apaixonamentos não têm vez!
Encantamentos são estupidez!
Não adianta fingir que é mais forte que o mundo
Se cai nessas ciladas
Feito idiota
Mas aqui essas coisas estão fora de questão, repito
Não  há o que se discutir
Aqui não entram mais, em meu peito
Esses típicos apaixonamentos
De quem anda à toa por aí
Sem saber como andar
E para onde ir
Apaixonamentos não!




Rafaela Valverde


segunda-feira, 24 de abril de 2017

Recife - Erel 2017


Estive esse mês pela primeira vez em Recife Pernambuco. Fui ao Erel - Encontro Regional dos Estudantes de Letras. Fui apresentar pela primeira vez meu trabalho de pesquisa. Tivemos alguns perrengues, eu e meus amigos, em relação ao acampamento e à organização do evento realizado pela UFPE, mas fora isso amamos Recife.

Eu pelo menos gostei bastante. Visitamos Olinda e Porto de Galinhas que são municípios próximos da capital. Essa foto acima é de Recife antiga, Marco Zero. Primeiro lugar que fui. Além de atividades acadêmicas na universidade, turistamos bastante na cidade e região. Tenho que dizer que sempre rola alguma comparação e eu senti inveja de Recife por dois motivos principais, claro que foram só cinco dias que estive lá, então minha análise é superficial. Então, os pontos que tive inveja da cidade foi que Recife conserva seus prédios históricos e consequentemente sua história. Pode ter problemas do tipo mas meus olhos encantados de turista viu poucos prédios mal conservados e nenhum em ruínas e perto de cair.

Como eu disse, pode ser que meus olhos tenham se enganado, mas foi essa a impressão que tive. A segunda inveja de Recife é relacionada à limpeza urbana. Sinceramente, alguém dizer que Salvador é uma cidade limpa deve ser cego. Soteropolitanos são muito mal educados e em a cada canteiro, bueiro e canto da nossa cidade é possível encontrar alguma embalagem de picolé ou garrafa de água. É só sair olhando atentamente os cantos da cidade, que vê fácil, fácil a sujeira de Salvador.

Eu observei os cantos de Recife também. Pouco, pelos poucos dias que passei lá, não é suficiente, mas ainda assim, notei que os cantos entre a rua e meio fio não têm garrafas de água, nem palitos de picolé como aqui na minha amada cidade. Perto da UFPE tem várias barracas de lanches e ponto de ônibus, por ali dá até para ver talvez um papel de bala ou outro que o vento leva, mas é diferente da sujeira que parece que brota do solo de Salvador. Enfim, eu acho que é mais uma questão de educação mesmo, já que o cidadão soteropolitano atira quantidades enormes de lixo pelas janelas dos ônibus e carros. É isso, é só minha impressão sobre alguns fatos que observei na cidade. E fora que Recife já tem BRT que é um tipo de ônibus mais rápido, com pontos específicos e que dizem que há anos que terá em Salvador também. Enfim, amei Recife, Ipojuca que é onde Porto de Galinhas e Olinda.




Rafaela Valverde

quarta-feira, 19 de abril de 2017

Terceiro dia


Era o meio do terceiro dia de obra. Três dias sempre foi o meu número. Sempre que convivia ou encontrava a pessoa por três dias eu já ficava afim. Mas dessa vez é diferente, a convivência é mais intensa, essa obra parece interminável e eu não estou mais sabendo me controlar, nem disfarçar. Meu tesão estava na cara. Ele já tinha me visto passar de toalha pela sala e de biquíni quando voltei da piscina. 

Ele é o mestre de obras, portanto estava aqui quase todo o tempo. Gostoso, com uma barba bem feita, uma cor linda. forte, mas rústico, não aqueles boys malhados de academia. O corpo dele era formado pelo trabalho pesado mesmo. Era uma delícia. As mãos grandes e pelos. O homem é maravilhoso e eu estava toda derretida.

Passei pela sala e perguntei quando a obra iria realmente terminar, já havia sido estendida demais e eu não aguentava mais aquela poeira. Mas, se o mestre da obra quisesse ficar ele podia. Ele veio até mim já que o barulho estava muito alto e falou que dali a mais dois dias tudo estaria finalizado. Olhei ele de forma provocante, de cima a baixo; aquele olhar safado, mal intencionado mesmo. Ele fez o mesmo, de forma um pouco mais discreta. Eu estava com um short jeans azul escuro colado no corpo e uma blusa rosa fina, sem sutiã. Eu não uso sutiã.

Senti minha calcinha molhada com aquele olhar e sem ao menos mexer a cabeça apontei o corredor onde ficava meu quarto com os olhos. Sem falar nada ele virou e dispensou para o almoço os pedreiros. Esperou eles saírem, fingindo que fazia anotações. Depois veio até mim, me puxou com uma mão pela cintura e me beijou.  Me jogou sentada no balcão da cozinha. Que pegada!

O beijo foi tão intenso que feri minha boca, mesmo assim continuei a beijá lo com uma urgência, um desespero. Tirei sua camisa e mordiquei seus mamilos, ele beijou meu pescoço, nem sei se foi assim, nem sei qual foi a ordem das coisas. Eu já estava toda envolvida naquele corpo, não conseguia nem raciocinar. Tirei minha blusa e senti sua mão grande e forte, com calos tocar meus seios. Seu hálito quente chegou aos meus mamilos e eu gemi. Revirei os olhos e ele apalpava minha coxa com força; doeria se não fosse tão gostoso.

Desci do balcão, peguei sua mão e o levei para o quarto. Ele deitou de costas e eu puxei sua calça jeans, deixando o de cueca, sentando por cima e me esfregando em seu membro duro. Após um tempo assim chupei- o. Ele gemeu e falou que tava gostoso. Não demorou muito e ele disse que preferia chupar. Tirou meu short e eu já estava enlouquecida com aquela pirraça de tesão. Quando senti sua língua, quase desfaleci de prazer. Gozei. E essa foi só a primeira vez. Esse homem é gostoso demais. Transamos algumas vezes, até sermos interrompidos pelos pedreiros que já voltavam do almoço. Duas horas nunca passaram tão rápido. Mas ainda tínhamos mais dois dias de obras, mais quatro horas!




Rafaela Valverde

Jogos Vorazes e o protagonismo feminino


Reli Jogos Vorazes. Dessa vez li meu próprio livro, sem muita pressa, mas ao mesmo tempo devorando. Porque não tem como ler aquela história sem devorar. Já tinha lido há uns dois anos, mas era emprestado. Se eu já amei a história na época, agora amei mais ainda pois li com mais calma, mais atenta aos detalhes e conceitos, implícitos ou não.

Vejo o livro como um embate do feminismo com o machismo, além de outras questões, já que se trata de uma distopia, com jogos intrinsecamente políticos. Os próprios jogos vorazes que dá nome ao livro vêm de uma situação de opressão que vive um povo em relação aqueles que o governam. Mas, voltando ao embate machismo x feminismo, eu consegui ter algumas percepções que não tinha tido antes.

Katniss Everdeen, a mocinha  rebelde do livro, está sozinha lutando contra um mundo masculino, onde os homens dizem o que ela deve vestir, como se comportar para agradar as pessoas e outro homem, além de o próprio presidente de Panem, o pais distópico em que ela vive, é um homem, que organizou durante anos os jogos. Há ainda os organizadores dos jogos e Haymitch, seu mentor. 

Em alguns momentos percebo que ela se sente mal em estar cercada de tantos homens, já que suas maiores referências na vida atual são mulheres: sua irmã e sua mãe e estão longe, lá no Diistrito Doze. A  única referência masculina era o pai que morreu quando ela ainda era criança. Foi o pai que fez com que Katniss se tornasse a pessoa forte que é. Ele a levava para caçar, ele ensinou como se virar e como usar arco e flecha. A mãe dela é uma mulher totalmente silenciada na narrativa. Talvez propositalmente para que a protagonista tivesse mais luz.

E ela consegue. Mesmo com apelidos como "a garota quente" e a insinuação de que ela deveria agradar e ter um romance com Peeta, já que ele a amava desde sempre, como ele mesmo afirma durante uma entrevista. Todos ou quase todos os momentos do livro vêm com uma carga emocional forte para derrubar Kastniss, para dizer que talvez ela não seja tão forte assim. Mas ela é. E prova isso.

É claro que talvez devêssemos levar em consideração que todo esse jogo de poder dado a uma mulher em um livro, ou três livros, seja uma jogada de marketing intencional. É claro que eu amo essa trilogia e nunca vou deixar de amar, mas também já perdi a inocência há alguns anos.  A gente não aceita mais uma mocinha ingênua e idiota. O mundo mudou e nós mulheres mudamos, queremos e precisamos de protagonistas mulheres fortes e destemidas. E foi o que Jogos Vorazes nos deu em sua trilogia. Uma mocinha que conta sua própria história, que não se cala, que se sustenta a si mesma e a sua família, uma mocinha guerreira que sabe lidar com arco e flecha. Uma mocinha não, uma mulher forte e decidida que apenas fazem os homens acreditarem que ela está fazendo o que eles querem. Viva Jogos Vorazes!



Rafaela Valverde

segunda-feira, 17 de abril de 2017

Eu não sei paquerar


Eu não sei chegar em alguém quando estou afim. Aliás eu não sabia o que era isso até bem pouco tempo. Passei nove anos em um relacionamento que começou na adolescência e durou até a vida adulta, depois disso a maioria dos meus encontros casuais foram através do tinder e meu último namorado era um colega da época da escola que eu conhecia há mais de dez anos.

Portanto, eu não sei como agir nessas horas. Não sei se me atiro ou recuo, não sei o que demonstrar e o que se espera que se faça. Sou bem inexperiente nessa área de iniciar um lance na verdade. Fiquei pouco tempo da minha vida solteira como estou hoje. Enfim, quando me interesso por alguém eu geralmente fico bem idiota, no sentido de não saber o que fazer.

Eu acho que vou ter que começar a me acostumar com isso e aprender logo, já que não se pode viver na seca eternamente. Não saio para balada com intenção de pegar ninguém, mas ainda que saísse não teria menor ideia de como fazê-lo. Talvez esbarrar com a pessoa "sem querer" ou direcionar a conversa para ela em um grupo, ou troca de olhares... Eu não sei, mas se alguém conhecer algum curso de como se faz isso me indica porque estou super precisando.

Tem exatamente 14 dias que eu não beijo ninguém, só para vocês terem uma ideia. E eu não quero mais ter o Tinder. De jeito nenhum. Aquilo me deu muita dor de cabeça. Mas a minha questão aqui não é essa. O que quero dizer é que sou péssima nessas coisas. Eu definitivamente não sei chegar em alguém que estou a fim, mesmo que seja apenas para beijar, e quase sempre é. Eu não sei o que falar e como me comportar. Eu não sei nada. Eu sou a ignorante nas artes de arranjar "gentes". E eu estou cada vez mais na seca de "gentes" e eu estou entrando em pânico. Claro que isso é ironia, o que me dá pânico mesmo é a volta das aulas em maio. Mas, sim estou carente. E sim, realmente eu sou uma oreba na arte da paquera.



Rafaela Valverde

As histórias dos livros usados


Eu gosto de comprar livros usados, geralmente em sebo ou nas ruas. Não são necessariamente velhos, e sim antigos, donos de histórias e cheios de histórias de seus donos. Trocadilhos à parte, sabemos que quando compramos livros usados, eles sempre vêm carregados de significados, de histórias de outras pessoas, de outras vidas. Há nomes que indicam os antigos donos, há marcas nas páginas e sublinhas.

Em alguns livros que eu comprei têm dedicatórias que contam, por si só histórias. Gosto de ficar imaginando que são para mim. Imagino que alguém muito especial me deu aquele livro e o abraço com força. Vai que de repente aquela pessoa especial se materialize. Nunca se sabe o que cada nome ou dedicatória vai nos fazer lembrar.

No meu livro Jogos Vorazes, que comprei em um sebo têm uma dedicatória super fofa, com uma letra caprichada e diz mais ou menos assim: "espero que esse livro te deixe mais inteligente do que já é." Eu achei isso tão lindo. Dizem que dar livro é elogio e eu concordo com isso. Alguém que recebe um livro que levou tempo para ser escolhido deve se sentir agraciado.

Claro que também há o outro lado. Alguém vendeu ou trocou em um sebo um livro que ganhou. A pessoa deve ter tido seus motivos, é óbvio. Até eu já troquei livros que ganhei de presente em sebo. E não me arrependi. A pessoa que ganhou pode ter morrido e a venda é obra da família, ou então pode ser um relacionamento que acabou, ou simplesmente a pessoa pode estar se mudando e simplesmente não tem mais espaço para alocar os livros. Enfim, são inúmeros os motivos que podem levar os livros até o sebo, enfim. É só uma pequena reflexão sobre livros usados e antigos. E s histórias que eles contam, histórias intrínsecas nos livros, mas escrita pelos seus donos.


Rafaela Valverde


sexta-feira, 7 de abril de 2017

Vai e volta - Anitta


Por que será que eu insisto em insistir em você?
Por que será que nesse tempo todo eu ainda te espero?
Não foi legal, mas não foi mal
Nem decidi, tá tudo certo
Eu já nem sei, não lembro mais
É que eu só lembro do que eu quero

Sei lá, eu não queria mais sofrer
Não sei se é com ou sem você
Eu já tentei de tudo, mas
Acho que eu não sou capaz

De dizer
Que eu não quero mais você
Que eu não quero mais te ver
O meu pensamento vai e volta
Vai e volta

Dizer
Que eu queria era te ver
Te abraçar e não perder
O meu pensamento vai e volta



Rafaela Valverde

Série Orphan Black


Terminei a quarta temporada da série Orphan Black. Já estou esperando a quinta e li em algum lugar que será a última temporada. Sabe, eu até prefiro séries que sejam assim, do que aquelas que ficam enchendo linguiça como Grey's Anatomy já durando mais de dez anos. Enfim, mas essa é outra história. O fato é que Orphan Black vai durar cinco temporadas e já estou na expectativa da quinta.

Mas vamos ao que interessa. Orphan Black foi criada por Graeme Manson, John Fawcett  e estreou em 2013, sendo produzida no EUA e Canadá. É uma fantástica série de Ficção Científica e Suspense. Eu comecei sem muito interesse, só porque ouvia falar muito dela, mas depois foi engrenando e eu amei. Entrou no rol das minhas séries preferidas. Com Tatiana Maslany, Jordan Gavaris, Kevin Hanchard e outros no elenco, a série dá show de interpretação.

Claro que a campeã do show é  a canadense Tatiana Maslany. Eu já havia assistido um filme com ela e já sabia do seu potencial, mas nessa série ela se superou. São 22 clones, cerca de nove personagens que ela encarna ao longo de toda a trama. Todas com olhares, trejeitos, vozes e sotaques diferentes. E mesmo quando duas personagens estão juntas, dá facilmente para imaginar que são duas pessoas diferentes, irmãs gêmeas juntas. Ela é genial e já ganhou diversos prêmios por essas interpretações. 

Eu sinceramente fico fascinada por cada personagem e suas diferenças: Cosima, Sarah, Alison, Katja, Rachel, Helena, Mika, Kristal, Beth. Todas elas são bastante diferentes. Até a forma de andar muda e confesso que essa é uma das coisas que mais me atrai na série. E mesmo em alguns momentos em que alguma clone se passa por outra é genial, pois conserva- se traços da original misturando aos traços da clone imitada. AMEI! 

As questões de ficção científica podem parecer confusas no final da primeira temporada e na segunda, mas a partir da terceira e quarta já ficou mais amarrradinho e próximo do real. É isso. Há mais questões sobre a série que eu gostaria de abordar, mas vou deixar para a quinta e última temporada. Vai ter textão. Se vocês ainda não viram Orphan Black, corram para ver!


Rafaela Valverde

Olá, eu sou a tristeza


Olá, me chamo tristeza e estou aqui para acompanhar você em todos os momentos do seu dia. Eu paraliso você antes de sair da cama e te deixo sem vontade de viver. Eu não sou tão forte assim, mas às vezes pego pessoas mais fracas. Como você. Você é fraca, você sabe disso né? Eu estou aqui porque você permite, você não tem mais de onde tirar forças para se livrar de mim e eu estou aqui, persistente. Lutando com você, vamos ver quem vence.

Eu vou e volto há anos, desde que encontre uma brecha estarei aqui. Sempre que você me dá espaço eu venho e tento te paralisar de novo. As pessoas não percebem, pois sou sorrateira e te deixo suficientemente bem para que sorria e ninguém note. Assim, durante o dia você faz suas atividades normalmente, consegue até conviver com outros seres humanos, mas de noite, de noite eu chego e te derrubo, não te deixo dormir e mando lágrimas.

Sua ansiedade é minha parceira, é causada por mim e eu chego através dela. Todo o sistema do seu corpo passa a ser dominado por mim. Sem dormir, você fica mais ansiosa e doente. Aí vem baixa imunológica, dores no corpo e de cabeça, cansaço, desânimo... Reações em cadeia, um círculo vicioso, uma teia. Você está presa nessa teia e vai ter que encontrar uma força muito maior para se livrar de mim. É isso. Ou você aprende a me afastar ou você passa a conviver comigo da melhor maneira que puder. Vai, compra um doce e vai para a cama. Olá eu sou a tristeza!


Rafaela Valverde


quarta-feira, 5 de abril de 2017

A máquina de moer mulheres - Aline Valek


Tec, tec, tec. Ouve o som? É o barulho das engrenagens funcionando perfeitamente, fazendo tudo correr como deveria. Com a precisão de um relógio, movem-se os mecanismos dessa máquina gigante, antiga, mas que ainda funciona que é uma beleza para cumprir seu principal objetivo: triturar mulheres.

São muitas as engrenagens e complexos seus movimentos, mas se você der um ou dois passinhos para trás, pegando alguma distância para vê-la como um todo, é possível observar que seu funcionamento, na verdade, é tão simples que dispensa a existência daqueles volumosos manuais de instruções.

Para que funcione, é preciso abastecê-la com a ideia de que mulheres não são pessoas. São santas ou deusas; carne barata ou lixo; mas nunca pessoas. Então basta colocar uma mulher de um lado – e tec, tec, tec, soará a máquina, ruidosa – para vê-la sair do outro lado devidamente transformada em vítima.

Uma mulher agredida por seu marido. Ou assassinada pelo seu ex. Ou uma moça agredida por um desconhecido a quem ousou dizer “não”. Ou ainda uma jovem violentada por mais de trinta homens. São inúmeras as possibilidades. Todas demonstram como estão funcionando direitinho as engrenagens.

Funciona assim: primeiro, cria-se a ideia de que os corpos das mulheres estão à disposição. Que é ok violentar e agredir mulheres. Até engraçado, ou mesmo esperado. Então uma mulher sofre a violência. Se denuncia, os mecanismos de fazer com que seja desacreditada logo são postos para funcionar:

– Estava usando a roupa certa? Era recatada e do lar? Usava drogas? O que estava fazendo sozinha? Será que não queria prejudicar o homem e inventou tudo?

Na era medieval ou nos tempos de internet, o modus operandi é o mesmo: trazem a vítima em praça pública. Devassam sua vida, questionam suas escolhas, tacam pedras. Julgam se é culpada – e só pode ser – caso não se encaixe no padrão de “vítima perfeita”– e nunca se encaixa. Sempre tem um “porém”, um detalhe qualquer que faça com que os julgadores se sintam tranquilizados com a violência que ela sofreu e com o veredicto de “culpada” que ajudaram a carimbar.

– Vai ver ela mereceu – dizem, mas é o tec, tec, tec da máquina que está falando.

Não é, no entanto, máquina totalmente automática: precisa de braços para funcionar. Em primeiro lugar, precisa dos braços (e corpos inteiros) daqueles que puxam o gatilho, dão o soco, abusam psicologicamente ou estupram. Mas esses operadores da máquina quase não são visíveis daqui. Somem. Há outras engrenagens na frente tapando a visão, fazendo com que sejam esquecidos. 

São engrenagens operadas pelos braços de delegados, juizes ou policiais que constrangem as vítimas que denunciam. Pelas pessoas que questionam a vítima com um ímpeto que não direcionam aos agressores. Por quem acha que ela pediu. Por quem acredita que ela mereceu. Por quem compartilha vídeos e fotos que expõem a violência que ela sofreu. Por quem faz piadas com o assunto. Por quem faz malabarismos para provar que não foi tão grave assim. Por quem passa adiante a ideia de que mulheres é que precisam aprender a temer e a entrar na linha. Por quem aprova e incentiva o comportamento dos homens que agridem.

São tantos braços operando tantos mecanismos que fica fácil encobrir e esquecer dos verdadeiros culpados e dos mecanismos que os criaram; à esta altura, a mulher que sofreu a violência é a única responsável, ainda que dê para ouvir o som de seus ossos sendo triturados nas engrenagens na máquina de moer mulheres: tec, tec, tec.

Vê como os mecanismos funcionam em perfeita sincronia? As engrenagens da frente e de trás, as que possibilitam e as que justificam, são as que movem as engrenagens sujas de sangue, que violentam e matam, que mastigam a mulher, por dentro e por fora, para depois cuspir. Se uma mulher é triturada, não foi por uma peça ou outra; mas pela máquina inteira.

É preciso mais que um, dois ou trinta homens para violentar uma mulher: é preciso uma multidão validando toda a violência, colocando a máquina da opressão para funcionar. Enquanto as mulheres são isoladas, os agressores nunca estão sozinhos.

Da mesma forma, para fazer essa máquina parar de funcionar, não basta tirar uma peça ou outra. É preciso arrancar todas. Tirar todo o combustível. Arrebentar fios e engrenagens. Talvez por isso os mecanismos tenham funcionado há centenas de anos, sem parar: porque há mais braços ocupados em fazer a máquina de moer mulheres funcionar do que ocupados em destruí-la. Onde estão os seus?

Não há nada que indique que as engrenagens deixarão de funcionar. Mas, enquanto funcionar uma máquina tão antiga quanto a crueldade, não podemos dizer que vivemos em uma sociedade avançada. A existência dessa máquina nos mantém eternamente presos ao passado.

E assim ela segue, com seu tec, tec, tec ininterrupto. Dessa vez, foram trinta homens ao mesmo tempo violentando uma garota. Da próxima, serão cinquenta? Cem? Quantos agressores são necessários para confirmar a existência da violência? A capacidade da máquina de moer mulheres cresce em progressão geométrica, enquanto seus mecanismos permanecem invisíveis para muita gente.

Tec, tec, tec. A máquina produz mais vítimas hoje. Tec, tec, tec. Mais mulheres serão vítimas amanhã. Não é possível saber quando isso irá parar. Mas o primeiro passo para chegar a essa resposta está na atitude de enxergar a máquina – e então perceber que é possível se recusar a ser uma das engrenagens.



Rafaela Valverde

O beijo na boca - Fabrício Carpinejar




Casais que não se beijam na boca estão se separando. Vão se tornando amigos, parentes, irmãos, até se esquecerem de caminhar de mãos dadas. Vão se apartando do cheiro da pele, do gosto do abraço, das provocações infantis de corredor, das pernas alisadas no fundo da coberta.

O beijo na boca é a autêntica aliança, o ouro que vinga, a certidão que não desbota. Só que me refiro ao beijo mesmo, de girar o corpo, o pescoço, o rosto. Selinho não conta, onde os lábios são uma carta para quem já está distante. Beijo seco também não vale, onde não há a ameaça de morder os lábios.

O beijo molhado é que une. Um beijo úmido por dia renova o amor. O beijo de quem tem saudade dos tempos apaixonados, um beijo que ainda sopre de volta os elogios ditos um para o outro. O beijo sussurrado, em que os sons tremem com as respirações próximas.

O beijo que não tenha a necessidade de ser pensado demais senão surge sem jeito, forçado, cinematográfico. O beijo que seja um segredo a dois, que você extravie o horário e suspenda a noção do lugar. O beijo que toque uma canção dentro, que desperte a vontade de dançar.

O beijo de língua não permite o vazio crescer, a lacuna, o lapso. Pois uma ausência dentro de casa ainda tem conserto, duas ausências não têm como recuperar – o par esqueceu o amor em algum lugar das lembranças e não correu para reaver.

O beijo de língua desfaz as formalidades, os medos e a educação que esfriam a relação. Beijo de língua é beijo para combater o tédio, a mecânica repetida dos gestos. Beijo de língua salva os desaforos, perdoa as críticas e as cobranças. É como uma janela batendo com a chegada da chuva, uma porta batendo com o vento. É um susto que põe o coração a bater de novo.

Nem o sexo resolve o que o beijo faz. A transa sem beijo é apenas desafogo, catarse, apego de bichos. O beijo com língua é o que nos singulariza entre os animais. Casais felizes sempre se buscam pela boca. É uma receita simples de longevidade. Sem o beijo, a pessoa tem a vontade de largar tudo e ficar sozinha. Com o beijo, ela não perde a vontade de largar tudo, mas com a diferença de querer levar junto aquele que ama.



Rafaela Valverde
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