quarta-feira, 31 de agosto de 2016

Reinvenção - Cecília Meireles

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Anda o sol pelas campinas
e passeia a mão dourada
pelas águas, pelas folhas...
Ah! tudo bolhas
que vem de fundas piscinas
de ilusionismo... — mais nada.

Mas a vida, a vida, a vida,
a vida só é possível
reinventada.

Vem a lua, vem, retira
as algemas dos meus braços.
Projeto-me por espaços
cheios da tua Figura.
Tudo mentira! Mentira
da lua, na noite escura.

Não te encontro, não te alcanço...
Só — no tempo equilibrada,
desprendo-me do balanço
que além do tempo me leva.
Só — na treva,
fico: recebida e dada.

Porque a vida, a vida, a vida,
a vida só é possível
reinventada.




Rafaela Valverde

O que tenho feito no cabelo

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Nunca mais eu falei aqui sobre cabelo. Sinto falta disso e hoje vim falar um pouco sobre o assunto. Há uns dias estou reparando que meu cabelo está maior, cresce a cada dia. Eu cortei em março e lembro que a franja estava bem curta e agora está enorme no meio da cara de novo hehehe. De pensar que quando eu usava a porcaria da amônia meu cabelo não crescia nada.

Ultimamente eu tenho feito pouca coisa nova no cabelo, a grana está pouca e realmente fica um pouco mais complicado. Mas eu sempre estou fazendo alguma coisa baratinha que eu já conheço. Semana passada fiz uma umectação de óleos, usando azeite de oliva extra virgem e um óleo capilar mesmo. Esse procedimento hidrata e nutre os fios, eu gosto bastante do resultado. E é super simples, já que se trata apenas de dividir o cabelo em mechas e ir passando o óleo. Depois lavo normalmente.

Estou sentindo o meu cabelo molhado bem abaixo do ombro e quando está seco eu prendo fica aquele rabo de cavalo grande. Nas fotos também é possível perceber esse crescimento que me deixa super feliz pois em todos os anos que usei química de transformação - quase a minha vida toda - o cabelo chegou no tamanho que é hoje e olhe lá. E olhe que havia cortado em março.

Eu fiz no final de semana uma hidratação de maisena com um bempantol. Essa hidratação  é com um mingauzinho de maisena, junto com uma máscara hidratante de sua preferência e / ou algum óleo ou que você quiser usar. Dessa vez não usei óleo e sim uma colher de bempantol que nutre o cabelo. O resultado como sempre é maciez, hidratação, definição e brilho. Adoro fazer tratamentos caseiros. Tem ainda o gel de linhaça. Todas as receitas eu já ensinei aqui, só estou agora atualizando o que fiz nos últimos dias. Decidi que não vou pintar e nem cortar mais o meu cabelo, vou focar mesmo no crescimento. É isso.



Rafaela Valverde

terça-feira, 30 de agosto de 2016

E a velhice?

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A gente teme ficar velho, a gente não sabe como vai ficar nossa aparência. Como vai ser nosso rosto e nosso corpo no espelho? Nossa pele vai estar flácida, o rosto com rugas, o cabelo ralo. As roupas vão mudar, tudo vai ser diferente. A mentalidade vai ser diferente , a história de vida vai ser diferente. Teremos mais experiência. Tenho observado muitos velhinhos na rua. Vai ver é por causa da proximidade dos trinta... É, o tempo passa e conforme as décadas vão passando a gente vai ficando mais preocupado com o futuro, com a idade, com a saúde, com os joelhos... etc. Tudo muda né? 

Pois bem, eu vivo observando pessoas idosas na rua. Elas são diferentes. Bastante diferentes, mas ao mesmo tempo têm coisas em comum. Pensamentos que se convergem com os seus, ou não; têm aparências variadas, experiências e conselhos a dar. Minha vó mesmo diz sempre: "não termine a vida sozinha, minha filha, arranje um marido e fique com ele, não se pare sozinha como eu..." Eu gosto de escutar conselhos dos mais velhos. Se vou segui-los já é outras história. Mas eu escuto esses conselhos tecidos por uma outra mentalidade por uma outra visão de mundo.

Hoje estava observando uma senhora no shopping. Ela estava com uma roupa laranja. Calça e blusa laranjas. O cabelo estava pintado de vermelho cereja. Ela estava com muitas bijuterias. Eu achei ela bem estilosa, bem "prafrentex". Cheguei a conclusão que quero ser uma velhinha assim. Ela estava tomando um expresso com uma amiga. Ainda por cima curte um cafezinho. Ela ainda me lembrou uma pessoa muito querida para mim que morreu há uns anos.

Eu não tenho muita ideia de como eu vou ser daqui a quarenta anos ou mais, se estiver viva mas eu posso até imaginar pelo que minha mãe e minha vó demonstram a estética é boa, a pele é boa, os peitos demoram a cair... rsrsrs. Mas é difícil se imaginar com idade, mais idade. A gente sempre acha que será um momento bem longínquo a velhice. Mas nem tanto. O tempo voa. A idade vem, as limitações físicas também.

Hoje a qualidade de vida e a expectativa de vida dos idosos aumentou, viver e ser velho é u pouco melhor do que vinte anos atrás por exemplo. Mas ainda assim sei que existem muitos desafios. Posso comprovar isso através de minhas avós. É pena que eu não tenho mais avôs. Gostava deles, mas enfim, é a vida. Vou continuar a observar os mais velhos e me imaginar assim, pretendo ainda seguir o conselho de não ficar sozinha que minha vó tanto me dá. Não gosto de solidão. E solidão na terceira idade deve ser ainda pior. Abraçar, escutar, observar, acarinhar os velhinhos é uma boa forma de tomar um pouco da maturidade deles para a gente.




Rafaela Valverde

segunda-feira, 29 de agosto de 2016

Filme Meia Noite em Paris

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Ontem assisti pela segunda vez o filme Meia noite em Paris de Woody Allen. É um filme de 2011 e tem no elenco atores conhecidos como Owen Wilson e Rachel McAdams. Já havia assistido há alguns anos e não lembrava muito bem, decidi ver de novo pois acho um belo filme. Já começa com belíssimas imagens de Paris, realmente Woody Allen sabe captar beleza de uma forma delicada como se estivéssemos ali, ao vivo.

Ele é um diretor controverso e muitas pessoas não curtem seus filmes. Eu curto. São filmes, pelo menos os que já vi, de extrema beleza e encanto. Meia noite em Paris tem um pé na literatura e isso fez com que eu me encantasse ainda mais. Gil (Owen Wilson) escritor, atualmente trabalhando como roteirista de filmes, vai à Paris com a noiva Inez (Rachel McAdams) e em uma bela noite após ter se perdido pelas ruas da cidade, ele tem um encontro com os maiores escritores e nomes da arte que era fã.

Sim, Gil faz viagens no tempo durante algumas noites e se encontra com Picasso, Fitzgerald, Hemingway e outros. Assim, ele passa a escrever melhor, lutando contra a frustração que sentia por estar trabalhando em algo que não gostava e tentava tomar as melhores decisões  para a sua vida. É um filme, na minha opinião, bastante reflexivo. Eu o tenho como um filme para refletir sobre o que somos e sobre a vida que levamos. Será que é mesmo a vida que queremos levar? Ou estamos ali apenas sendo expectadores? Precisa de um banho de passado para fazer enxergar? Gosto desse filme.



Rafaela Valverde

Série Gossip Girl

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Terminei há alguns dias de assistir a série Gossip Girl, A garota do blog que se passou em Nova York e que teve seu início em 2007. Época em que eu ainda estava na escola, mal tinha um computador e ainda não existia netflix, não que eu saiba. Nessa época, a série passava em TV fechada, algo que eu só fui ter anos depois.

Por isso só vim ver a série agora, de forma retardatária. A série foi baseada nos livros homônimos lançados nos EUA um pouco antes. Teve seis temporadas, terminando em 2012. Claro que eu já ouvia falar bastante nessa série, principalmente através das revistas que eu lia. No ano passado um ex colega de trabalho, sabendo que eu era blogueira, sugeriu que eu assistisse a série então comecei a ver em maio.

Gossip girl nada mais é que uma série que relata a vida de estudantes ricos do Uper East Side, Manhattan. Seus conflitos, seus dramas e intimidades eram investigados e narrados pela garota do blog, uma página de fofoca que espalhava boatos, ou não sobre os jovens. Esses jovens não eram lá esses santos também e sempre davam assunto para o blog.

Gostei bastante da série, havia muitas filmagens externas pelas ruas da cidade. Outras cidades e países também foram filmados, como Paris. Os jovens atores eram bons apesar de estarem começando e tinha moda, muita moda; pessoas bonitas, casais... Tudo que a gente gosta! Enfim, apesar de não ser mais uma adolescente eu curti muito a série que trata de muitos assuntos diferentes, como desigualdades, poder e dinheiro, drogas etc.


É isso, beijinhos, Garota do Blog!  hehehe



Rafaela Valverde

sexta-feira, 26 de agosto de 2016

Poema no lixo

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Eu estava criando
Eu estava pensando
Escrevendo um poema
E perdi o poema
Eu joguei fora o papel
Esqueci que nele estava anotado
E agora não sou mais poeta?
Eu me encontro num dilema
Então, o que fazer agora?
E lá se foi um pedaço de mim,
Encontra- se agora no lixo




Rafaela Valverde

Atitudes facultativas

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Chego
Entro
Sento
Pego
Bocejo
Penso
Distraio
Saio
E no outro dia volto.







Rafaela Valverde

terça-feira, 23 de agosto de 2016

Amar com coragem, só isso - Fabrício Carpinejar

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Uma mulher não perdoa uma única coisa no homem: que ele não ame com coragem!
Pode ter os maiores defeitos, atrasar-se para os compromissos ...
Qualquer coisa é admitida, menos que não ame com coragem.
Amar com coragem não é viver com coragem.
É bem mais do que estar aí...
Amar com coragem não é questão de estilo, de opinião.
Amar com coragem é caráter.
Vem de uma incompetência de ser diferente.
Amar para valer, para dar torcicolo.
Não encontrar uma desculpa ou um pretexto para se adaptar.
Não usar atenuantes como “estou confuso”.
Amar com fúria, com o recalque de não ter sido assim antes.
Amar decidido, obcecado...como quem troca de identidade e parte a um longo exílio....
Amar como quem volta de um longo exílio.
Amar quase que por, por bebedeira...
Amar desavisado ... amar desatinado, pressionando...
Amar mais do que é possível lembrar.
Amar com coragem... só isso!






Rafaela Valverde

Eu me amo, eu me acho!

Essa semana vi essa imagem no Facebook e decidi compartilhar e salvei no meu instagram por que ela diz muito sobre mim.

Sim, é um print do meu instagram. Eu já fui inúmeras vezes criticada co ironia sobre as quantidades de fotos minhas que posto,  já fui chamada de metida e já me disseram que "eu me achava". Eu não ligo, eu me acho mesmo. Se eu não me achar que vai? Eu já fui feia, a feia da escola, que todo mundo zoava. Eu sofria bullying, eu era a gorda de óculos  e que era assim caracterizada. Hoje eu me acho maravilhosa, eu me amo e me acho linda. Não sei como eu consegui esse feito, depois de anos me achando feia, me escondendo.

Eu usava óculos, mas eu queria que meu cabelo fosse diferente e queria também ser magra, eu achava que se eu fosse lisa, loira e magra talvez pudesse compensar a minha "quatroolhice"e todas as outras coisas que eu achava esquisitas em mim. Mas enfim, essa fase passou e hoje eu estou aqui me amando cada vez e me achando maravilhosa.

Me sinto bem com meu corpo e consigo usá-lo para as coisas que ele geralmente serve como andar, sustentar minha cabeça, viver, etc. Enfim, eu  vou tirar fotos sim, eu vou me amar sim e não vão continuar me dizendo o que posso ou não fazer por causa da minha aparência. Me sinto muito bem, me acho maravilhosa e ninguém mais vai mudar isso. Boto meu brincão, meu batom vermelho e saio esbanjando charme e auto estima. Amor por mim mesma. Não há nada igual. E é essa a mensagem! Se amem meninas!



Rafaela Valverde

sexta-feira, 19 de agosto de 2016

Por que a escola não serve para (quase) nada? Gustavo Ioschpe

Vi esse texto em um livro e gostei bastante dele até por que eu concordo muito com isso e já vi exemplos dos que eram os "cu de ferro da sala" terem apenas se formado em ADM por exemplo em uma faculdade particular dessas normais, enquanto algum outro 'porra louca', classe onde eu me incluo apesar de ainda não estar com uma carreira, muito menos em engenharia, passar em cursos como engenharia em universidade federal. Apesar disso não querer dizer nada, a gente sempre acaba caindo nessa de classificar a pessoa por isso ou por aquilo. Desde quando fazia Pedagogia eu venho me questionando qual o papel da escola , se ela sabe qual é esse papel e se cumpre. Deixo com vocês esse texto que é do ano 2000 mas é cada vez mais atual.

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Por que a escola não serve para (quase) nada?

GUSTAVO IOSCHPE
Colunista da Folha 



Sempre me intrigou o fato de que os melhores alunos terminam não repetindo o sucesso escolar vida afora e, ao mesmo tempo, que as pessoas de grande êxito em suas atividades foram, frequentemente, maus alunos, ou pelo menos nada brilhantes. Não são inquietações que me surgiram agora, mas já na época de estudante.
Nessa mesma época, de estudante secundário, comecei a sentir um profundo incômodo com a vida estudantil. Quando criança, tinha muito prazer em ir ao colégio, em aprender aquelas coisas novas todo dia, em resolver mistérios. A educação é o mecanismo de inserção mais poderoso que há: com ela, penetramos no mundo e nos sentimos participantes da nossa realidade. A grande parede de ignorância que nos barra da compreensão do universo vai aos poucos sendo derrubada.
Mas, em um certo momento, lá pelo fim do primeiro grau, o encantamento se quebrou. Não sei se eu é que perdi a ingenuidade, ou se foi a escola que mudou, mas ficou tudo esquemático, mecânico e completamente broxante. A relação com o professor, que antes era de companheirismo e admiração nessa viagem de descobrimento, virou burocrática e antagonística. Pairava no ar o reconhecimento mútuo de que entrávamos em um teatro, onde mestres e pupilos eram atores secundários e o papel principal ficava a cargo da mediocridade, a se infiltrar e dominar tudo. Ela ditava que o nosso papel ali era de fingidores: o professor fingia estar ensinando e se interessando pela inteligência de seus alunos, e o aluno fingia estar aprendendo e absorvendo conhecimentos que lhe seriam úteis.
No fundo, todos sabiam que grande parte do que se ensinava ali era inútil e desinteressante, mas, enfim, caía no vestibular, então o que é que se havia de fazer, né?
Assim, passei, como todos os meus colegas, anos e anos regurgitando o que diziam os livrinhos que os professores nos indicavam. Líamos grandes livros, falávamos sobre grandes personagens históricos, mas o que ficava eram perguntas sobre o enredo, pedidos de descrição de eventos e causas. Nenhuma elucubração, nenhum desejo de ir além do texto, nenhuma tentativa, enfim, de pensar e imaginar. Qualquer tentativa de dizer algo diferente ou pensar o proibido era (e continua sendo) punida com canetaços vermelhos e notas baixas ou, em casos mais severos, conversinhas com orientadores pedagógicos e coordenadores educacionais (nomes infames para cargos que se resumem aos de carcerários do presídio de almas que é a escola moderna).
Assim, o sistema educacional transformou-se numa máquina produtora de mediocridade e resignação, que vai aos poucos filtrando os inconformistas e deixando-os de lado, rotulando-os como "problemáticos". Matando o espírito questionador, já que qualquer pergunta desafiadora é vista como um desafio à autoridade. Por isso é que os bons alunos não raro têm vida escolar apagada, e os maus alunos se saem bem: fora das paredes da escola, o espírito crítico, a imaginação e a vontade de fazer diferente são fatores indispensáveis ao sucesso.
O que só comprova a impressão de que colégios viraram exatamente aquilo que foram criados para combater: templos da gratificação da mediocridade e da mesquinharia; fortalezas que massacram aquilo que há de espontâneo nos jovens, e os "preparam para a vida", dando-lhes a garantia de sobrevivência que é, ao mesmo tempo, a garantia de uma vida sem saltos, voltas, dúvidas, explosões, entusiasmos, descobertas, angústias e fascínios. Tudo, enfim, que faz com que a vida valha a pena.
P.S. Antes que o tradicional espírito de porco pergunte se me imagino um gênio incompreendido, confesso que passei minha temporada escolar perseguindo notas altas e me empenhando em ser o melhor da classe, mesmo sabendo a falência moral que isso significava. O que só me entristece e envergonha.

01/05/2000



Rafaela Valverde

Minha calmaria

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Sim, é você
Você é minha calmaria
Depois de uma longa e cruel tempestade
Bastou poucos momentos sentindo sua paz
Para eu me contagiar
A sua paz se dividiu e passou pra mim
E vi que não caberia mais tempestades
Porque você chegou
Porque você ainda está aqui
Minha calmaria
O fim da tormenta
Era tudo o que eu pedia
E agora chegou
Deixei a tempestade pra trás
E agora é só tempo bom
Sol, céu azul
E calmaria.







Rafaela Valverde



quarta-feira, 17 de agosto de 2016

A situação da UFBA com os cortes anunciados pelo MEC

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A mera manutenção do teto seria insuficiente
O Ministério da Educação encaminhou proposta de orçamento para as Universidades Federais para a elaboração do Projeto da Lei Orçamentária Anual, PLOA2017. Os valores apresentados implicam significativa redução dos limites em comparação com o orçamento de 2016. Os números podem variar de instituição a instituição, mas acarretam diminuição da ordem de 19% do orçamento de custeio, podendo chegar, em certos casos, a 45% de redução em investimento, ou seja, em obras e em recursos de capital.
 Caso se concretize essa redução orçamentária, a rede de ensino superior público federal pode enfrentar uma crise profunda, capaz de ameaçar-lhe a estabilidade administrativa e a qualidade acadêmica. Nossas instituições estarão impossibilitadas de, na proporção exigida por suas atividades fins e suas respectivas dimensões, propiciar a manutenção regular e adequada de sua infraestrutura e das ações de ensino, pesquisa e extensão, manter e aprofundar políticas de inclusão e assistência aos estudantes em situação de vulnerabilidade, garantir as condições de segurança do patrimônio e da comunidade universitária, honrar ou preservar os contratos atuais de prestação de serviços, prosseguir com o investimento necessário em equipamentos, concluir obras paradas ou em andamento, compensar com seu próprio orçamento cortes que estão sendo praticados por outros órgãos federais, a exemplo, recentemente, de bolsas pelo CNPq e do custeio da pós-graduação pela CAPES.
A Universidade Federal da Bahia, especificamente, pode vir a ser atingida nos seguintes itens:
1.      Recursos para o funcionamento e manutenção (custeio) da UFBA reduzidos em 19% na PLOA 2017 em relação ao ano de 2016, afetando serviços de limpeza, portaria, vigilância, transporte, etc.;
2.      Redução da ordem de 25,4% nos recursos de capital, inviabilizando a continuidade ou a conclusão de obras fundamentais para a Universidade, bem como a reposição de equipamentos de informática, elevadores, entre outros;
3.      Corte proposto no PROEXT-MEC de 49% para a UFBA, restringindo programas de extensão essenciais à formação de profissionais socialmente comprometidos;
4.      Corte de 2,7% em programas de assistência estudantil, que são essenciais e cuja demanda só pode ser crescente em uma universidade como a UFBA, que há 10 anos implantou uma ampla política de cotas e na qual 20% dos estudantes se encontram em situação de vulnerabilidade;
5.      Supressão da rubrica do Programa Mais Médicos, programa vinculado à manutenção dos hospitais universitários e à implantação de novas escolas médicas, visando a superar dificuldades da assistência pública à saúde e do SUS.
Nesse cenário, a regularização orçamentária alcançada pela UFBA ao início de 2016 será comprometida, o que tanto pode descontinuar iniciativas exitosas de nossa história, quanto comprometer nosso futuro como um lugar de realização dos valores universais de produção do conhecimento e de gestão democrática dos interesses públicos relacionados à formação de cidadãos, às ciências e às artes.
A Universidade Federal da Bahia tem hoje uma grande dimensão, com sua população de quase 50 mil pessoas, entre estudantes, docentes, técnicos e terceirizados. Além de polo de ensino, pesquisa e extensão de qualidade, a UFBA teve, no contexto da expansão do ensino superior público, expressivo aumento do número de estudantes de graduação, passando de 24.367 em 2008 para 33.798 em 2015, e de 3.116 para 5.379 estudantes de pós-graduação no mesmo período, tendo sido abertos vinte e nove cursos noturnos de graduação entre 2008 e 2015.
É um fato consabido que, em face dessa grande dimensão e do nosso compromisso com a qualidade acadêmica, o orçamento da UFBA encontra-se bastante defasado. Desse modo, tendo em conta esse aspecto e, ademais, os reajustes contratuais obrigatórios, a própria inflação, a necessidade de recursos para a conclusão de obras inacabadas ou em andamento, além das despesas adicionais decorrentes do funcionamento de novos prédios (a exemplo da recém-inaugurada Biblioteca de Ciências e Tecnologia Omar Catunda), a simples manutenção do atual teto orçamentário já implicaria uma restrição severa para a UFBA. Em sendo assim, se a mera manutenção do teto seria insuficiente, uma redução qualquer é inaceitável.
É verdade que enfrentamos contingenciamentos e cortes nos dois últimos anos. Enquanto estiveram vigentes, tiveram impacto bastante negativo; e a UFBA, com claro sucesso, lutou contra eles. Entretanto, um orçamento diminuído é algo mais grave, pois significa consolidar em lei o que antes fora circunstância adversa. Com isso, contratos de serviços continuados teriam que ser reajustados à disponibilidade orçamentária, o que poderá significar uma redução danosa e indesejável de serviços essenciais, defrontando-nos de modo abrupto e terminante com restrições fiscais talvez inamovíveis e cujo impacto, nesse caso, será de longa duração.
Há, porém, tempo hábil para reverter esse grave equívoco. A Reitoria da UFBA vem assim apelar aos parlamentares que vão examinar e decidir sobre essa matéria; vem apelar, em especial, aos parlamentares da bancada baiana, que tão bem conhecem a UFBA e as demais instituições federais de ensino do nosso Estado, de modo que, sensíveis à importância estratégica das universidades públicas, não permitam o comprometimento de conquistas da sociedade brasileira, nem que sejamos compelidos a soluções que atinjam os próprios fundamentos de nossa estrutura acadêmica e o cumprimento de nossa missão.
Nossa sociedade tem o dever de escapar às premissas desse dilema. Afinal, nossas instituições não podem ser constrangidas a fazer cortes que lhes sacrifiquem a qualidade ou lhes comprometam obrigações, nem devem ser levadas, à força, a saídas que maculem suas notas características mais essenciais, contidas no compromisso do Estado brasileiro com o ensino superior público, gratuito, inclusivo e de elevada qualidade.
Reitoria da Universidade Federal da Bahia


Obs: Recebi esse texto por e-mail. Uma professora quem mandou. Nossa situação política não é fácil e a atual conjuntura exige reivindicação e luta, mas confesso que em alguns casos não sabemos como lutar. É revoltante! FORA TEMER! AÍ NÃO É O SEU LUGAR! Espero que tenhamos um futuro melhor, viu?

Rafaela Valverde

terça-feira, 16 de agosto de 2016

Não vá embora - Marisa Monte

E no meio de tanta gente eu encontrei você
Entre tanta gente chata sem nenhuma graça,
Você veio
E eu que pensava que não ia me apaixonar
Nunca mais na vida

Eu podia ficar feio só perdido
Mas com você eu fico muito mais bonito
Mais esperto
E podia estar tudo agora dando errado pra mim
Mas com você dá certo

Refrão:
Por isso não vá embora
Por isso não me deixe nunca nunca mais
Por isso não vá, não vá embora
Por isso não me deixe nunca nunca mais

Eu podia estar sofrendo, caído por aí
Mas com você eu fico muito mais feliz
Mais desperto
Eu podia estar agora sem você
Mas eu não quero, não quero




Rafaela Valverde

Filme O sol é para todos

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 Assisti recentemente o filme O sol é para todos. É um filme americano de 1963. Li o livro quando era adolescente, mas não lembro de muita coisa não. É um livro denso e o que é mais marcante para mim nele é justamente a densidade. O filme não pega toda essa densidade e nem a tensão do livro não. Pelo menos é o que eu penso.

O filme está classificado como Drama/ Policial e tem como diretor  Robert Mulligan, além de atores como  Gregory Peck, Mary Badham, Phillip Alford. É claro que nós hoje não conhecemos esse povo, mas isso aqui é uma resenha ou seria uma resenha e precisa ter essas informações. Pois bem, o filme traz a história do advogado Atticus Finch e seus filhos que vivem numa cidade quente no interior dos EUA.

O filme é narrado pela filha Jean Louise que conta a sua infância, já que ela tinha seis anos na época em que se passa o filme, 1932. Nesse ano, um jovem negro foi acusado de estuprar a filha de um morador da cidade, uma moça branca. O caso vai a julgamento e Atticus resolve defendê-lo apesar de toda a cidade ser contra. Ele leva o caso adiante e faz de tudo para provar a inocência do rapaz. O caso vai se desenrolando e o racismo comum na época no país, questões sociais etc, vão também se mostrando. É um bom filme, só que como é uma versão de livro acho que está meio incompleto, já que em determinado momento a história fica meio oca, não tem muito sentido, pelo menos para mim.Ainda assim vale a pena. Pretendo ler o livro novamente. Tem no Netflix para quem quiser.



Rafaela Valverde


Todo amor que houver nessa vida ♪


Eu quero a sorte de um amor tranquilo
Com sabor de fruta mordida
Nós na batida, no embalo da rede
Matando a sede na saliva
Ser teu pão, ser tua comida
Todo amor que houver nessa vida
E algum trocado pra dar garantia!

E ser artista no nosso convívio
Pelo inferno e céu de todo dia
Pra poesia que a gente nem vive
Transformar o tédio em melodia
Ser teu pão ser tua comida
Todo amor que houver nessa vida
E algum veneno antimonotonia

E se eu achar a tua fonte escondida
Te alcanço em cheio, o mel e a ferida
E o corpo inteiro, feito um furacão
Boca, nuca, mão e a tua mente, não!
Ser teu pão ser tua comida
Todo amor que houver nessa vida
E algum remédio que me dê alegria

Ser teu pão, ser tua comida
Todo amor que houver nessa vida
E algum trocado pra dar garantia
E algum veneno antimonotonia
e algum...




Rafaela Valverde

Sociolinguística

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A partir dos anos 1960 os estudos linguísticos passaram a se interessar também por questões relacionadas à sociologia. A sociolinguística nasceu da preocupação com áreas como a antropologia, sociologia, psicologia relacionadas à linguagem e à sociedade. O termo sociolinguística surgiu em 1964 em um congresso organizado poe William Bright em Los Angeles. Porém, antes no início do século XX, já haviam iniciado os estudos e a preocupação com os temas e suas relações.

William Labov reage às ideias de Chomsky sobre a ausência de componentes sociais em seu modelo gerativo. Labov insiste na relação entre língua e sociedade e na possibilidade de sistematização da língua falada. Em 1963 ele publicou um trabalho que destacava fatores  sociais para entender as variações linguísticas. Esses fatores poderiam ser  idade, sexo, ocupação, origem étnica entre outros.

A língua falada é heterogênea e diversa. E é a língua falada, sua observação, discussão e descrição e  análise das situações reais, se torna o objeto de estudo da sociolinguística. Assim é estudado que cada comunidade linguística utiliza maneiras diferenciadas para falar. Essas diferenças são chamadas de variedades linguísticas. O conjunto de variedades utilizadas  em uma comunidade é o repertório e as variações podem estar inseridas nos planos diacrônico (histórico) e sincrônico (época determinada ou atual).

Há diferenças no português falado nas regiões brasileiras. Essas diferenças podem ser lexicais, fonéticas, fonológicas, sintáticas e morfossintáticas. As variações podem se relacionar ao lugar ou região (variação diatópica), à formalidade da situação de fala (variação diafásica) e a aspectos socioeconômicos, escolaridade e contexto social (variação diastrática).

Cada variação pode ocorrer em uma região do país por exemplo. Ou mais de uma. Vai depender da comunidade em que os falantes estejam inseridos. A variação é inerente às línguas naturais segundo a sociolinguística, por isso é inevitável que uma língua natural falada não tenha variação. A gramática normativa nega essas variações e  prescreve que falamos exatamente como escrevemos.

Daí pode se abordar o preconceito linguístico, já que as gramáticas normativas são feitas pela elite que exige que falemos como eles acham que é o português certo e bonito. Com isso as variação diastrática e diatópica, que são relacionadas à questão das classe sociais e de lugares menos abastados são a mais tolhida pela "elite" . Ou seja, para a classe dominante quem fala "errado" são as pessoas pobres, sem educação, desempregadas e que moram na periferia ou na região Nordeste. Porém a SL não considera variações como agramaticais, ao contrário, nossas variações de cada dia são inteligíveis e nós como professores temos obrigação de mostrar aos nossos alunos que existem diferenças linguísticas e que não há quem fale certo ou errado, melhor ou pior. Os alunos não podem ser menosprezados por suas variantes e sim devem ser conscientizados sobre a adequação a depender de onde eles estejam.



Rafaela Valverde


quinta-feira, 11 de agosto de 2016

Aquela que sente

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Eu não sinto apenas,
Eu emano
E com intensidade
Obrigo meu corpo a sentir
Sai amor pelos meus poros
E eu não me lembro quando tudo começou
Acho que ontem
Ou talvez no início do ano
O que eu sei é que eu respiro isso
Eu emano aquilo
Viver para esse isso é o meu castigo
Mas e se for engano?
Não quero nem pensar
Aliás, eu não quero só sentir
Eu quero extravasar!
Não sou de viver de arremedos
Eu quero é viver
Sonhar, amar e transar!
Ou melhor fazer amor
Nada de dor!
Expulsei meus medos
Quero ser essa que nasci para ser
Um poço de paixão e intensidade
Jamais serei pela metade
Eu não sinto apenas, eu emano!




Rafaela Valverde

Liberdade - Cecília Meireles

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Deve existir nos homens um sentimento profundo que corresponde a essa palavra LIBERDADE, pois sobre ela se têm escrito poemas e hinos, a ela se têm levantado estátuas e monumentos, por ela se tem até morrido com alegria e felicidade.

Diz-se que o homem nasceu livre, que a liberdade de cada um acaba onde começa a liberdade de outrem; que onde não há liberdade não há pátria; que a morte é preferível à falta de liberdade; que renunciar à liberdade é renunciar à própria condição humana; que a liberdade é o maior bem do mundo; que a liberdade é o oposto à fatalidade e à escravidão; nossos bisavós gritavam "Liberdade, Igualdade e Fraternidade! "; nossos avós cantaram: "Ou ficar a Pátria livre/ ou morrer pelo Brasil!"; nossos pais pediam: "Liberdade! Liberdade!/ abre as asas sobre nós", e nós recordamos todos os dias que "o sol da liberdade em raios fúlgidos/ brilhou no céu da Pátria..." em certo instante.

Somos, pois, criaturas nutridas de liberdade há muito tempo, com disposições de cantá-la, amá-la, combater e certamente morrer por ela.

Ser livre como diria o famoso conselheiro... é não ser escravo; é agir segundo a nossa cabeça e o nosso coração, mesmo tendo de partir esse coração e essa cabeça para encontrar um caminho... Enfim, ser livre é ser responsável, é repudiar a condição de autômato e de teleguiado é proclamar o triunfo luminoso do espírito. (Suponho que seja isso.)
Ser livre é ir mais além: é buscar outro espaço, outras dimensões, é ampliar a órbita da vida. É não estar acorrentado. É não viver obrigatoriamente entre quatro paredes.

Por isso, os meninos atiram pedras e soltam papagaios. A pedra inocentemente vai até onde o sonho das crianças deseja ir. (As vezes, é certo, quebra alguma coisa, no seu percurso...)
Os papagaios vão pelos ares até onde os meninos de outrora (muito de outrora!...) não acreditavam que se pudesse chegar tão simplesmente, com um fio de linha e um pouco de vento!
 ...

Acontece, porém, que um menino, para empinar um papagaio, esqueceu-se da fatalidade dos fios elétricos e perdeu a vida.

E os loucos que sonharam sair de seus pavilhões, usando a fórmula do incêndio para chegarem à liberdade, morreram queimados, com o mapa da Liberdade nas mãos!
 ...

São essas coisas tristes que contornam sombriamente aquele sentimento luminoso da LIBERDADE. Para alcançá-la estamos todos os dias expostos à morte. E os tímidos preferem ficar onde estão, preferem mesmo prender melhor suas correntes e não pensar em assunto tão ingrato.

Mas os sonhadores vão para a frente, soltando seus papagaios, morrendo nos seus incêndios, como as crianças e os loucos. E cantando aqueles hinos, que falam de asas, de raios fúlgidos linguagem de seus antepassados, estranha linguagem humana, nestes andaimes dos
construtores de Babel...

(MEIRELES, Cecília. Escolha o seu sonho:crônicas Editora Record  Rio de Janeiro, 2002, pág. 07.)


Rafaela Valverde

Como não enlouquecer com tantas obrigações? Aprendendo a desacelerar...

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A gente vive correndo. Corre, corre e anda. Luta contra o tempo e quando percebe o tempo já passou. Quando a gente se dá conta o ano já acabou e lá vêm as luzes irritantes de natal. A gente faz exercício fala sobre astrologia, bebe num barzinho com amigos, estuda, trabalha, dorme pouco, cumpre a promessa de vida que recebemos ao nascer.

De repente a gente passa a observar com mais detalhes as vidas dos outros. As pessoas correm. Todas elas. Ainda que os objetivos sejam diferentes está todo mundo meio que no mesmo barco. De repente aquela fulaninha que era totalmente o oposto da gente na escola, e se escondia atrás da cara de santa, decide levar uma vida meramente tradicional que não condiz exatamente com a imagem que fazíamos dela.

É claro que ninguém fica para sempre com ideias de quando tinha 15, 16 anos. As pessoas mudam o tempo todo. Nós mudamos e essa é, para mim, uma boa característica, principalmente se for para melhor. Mas o que eu falo é sobre a pressão que temos de levar vidas padronizadas e tradicionais. Namorar anos com a mesma pessoa, se formar, noivar, casar, depois filhos... Sempre nesse ordem cronológica.

Uma ordem ditada por quem? Por todos. Somos pressionados desde que saímos da adolescência. Somos ejetados para a vida adulta cheios de obrigações e prazos que temos que cumprir antes dos 30, ou seja em menos de dez anos. O que será que as pessoas estão pensando ao tratar seus filhos assim? Em tratar gente jovem assim? Como se fossem seus capachos!

O resultado de tudo isso é a formação de jovens cansados, colunas idosas, doenças psíquicas, pânico, ansiedade, suicídios... É isso o que a gente tem passado correndo todos os dias, dormindo quatro, cinco horas. Começando o dia muito cedo e terminando muito tarde devido as milhares de obrigações que somos obrigados a abarcar. Sem reflexão, sem crítica e em alguns casos sem ética.

Alguns podem dizer que nossa vida mudou muito em relação aos jovens de gerações passadas. Hoje temos tecnologia e muitas facilidades. Mas se vocês soubessem o ônus disso tudo. Nós vivemos cansados, a gente dorme mas não descansa, a gente vive correndo e não olha mais para o outro. E não é de propósito, simplesmente TEMOS QUE CORRER! Senão não dá tempo. Não há flexibilidade de nenhum lado, principalmente da universidade que continua tratando os atuais estudantes como os de antigamente. Eram muito poucos e em sua maioria não precisam trabalhar ou não tinham tanta concorrência. Não precisavam se acabar tanto. Sinceramente: eu sei que hoje a gente têm mais obrigações do que as que vocês tinham. Trabalho, estágio, Iniciação Científica, TCC, curso de línguas, vida social, visita à casa de parentes, mestrado, teses, trabalhos, seminários, milhares de textos, prazos, pressão, pressão... Olheiras, cansaço mental, esquecimento, café, drogas para dormir, drogas para se manter de pé! E ainda temos que ter opiniões e ser engajados. Ah faça me um favor!

Hoje depois de um desabafo em sala de aula uma professora conversou comigo e me questionou se realmente vale a pena se acabar tanto para cumprir todos os prazos que a sociedade e a vida exigem. Ela argumentou com literatura, com a experiência de vida que ela tem e com o oposto que ela é, já que ela sempre foi certinha e cumpridora de tudo. O que eu aprendi hoje é que não adianta tentar abarcar tudo com as nossas pequenas mãos. Alguma coisa sempre vai ficar de fora. E é bom que fique, nossa sanidade mental agradece.

Hoje cheguei em casa e relaxei. Comi um balde de pipoca vendo minha série atual decidi arrumar parte do meu guarda roupa que estava um caos. Sim, o meu quarto, os meus pertences estavam uma bagunça por causa de todas as minhas obrigações acadêmicas. Mas hoje eu decidi dar um basta e relaxei. Nada mais vai tirar a  minha paz, se não der para estudar tudo ou entregar tudo eu não o farei. Eu só não posso enlouquecer como estava fazendo nos últimos dias por causa das inúmeras atividades que tenho!




Rafaela Valverde

Por que você não arruma namorado? Fabrício Carpinejar

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Você não entende como não começa um relacionamento, como não se apaixona novamente, como não muda de vida.

Reclama da ausência de opções. É bonita, inteligente, divertida.

Minha hipótese é que não abandonou o passado.

Mantém flertes com o ex indiferente, ou continua saindo com sujeito que jamais assumirá o romance.

Raciocina que, enquanto não vem o escolhido, o príncipe, pode se entreter com velhas paixões.

Mas todos pressentem quando uma mulher está enrolada, todos intuem o caso mal resolvido, e não se aproximam.

Não virá ninguém para espantar os corvos e dissolver essa atmosfera pesada de Prometeu.

É trabalho em vão soterrar o precipício. Mulher desinteressada é impossível.

Ninguém ousará quebrar o monopólio de sua dor.

Você cheira a encrenca, cheira fidelidade a um terceiro. Seus ouvidos estão lentos, sua boca paira em distante lugar, seus olhos se distraem seguidamente.

Não tem brilho na pele, porém tensão nos ombros.

Sua respiração é um poço de suspiros.

Vive ansiosa por notícias, por reatos, mensagens. Não presta atenção, não se entrega para as casualidades.

Quem enxerga fantasmas não vê os vivos.

Não dá para começar um novo amor sem abandonar os anteriores. Errada a regra que a gente somente esquece um amor antigo por um novo.

Está com o corpo fechado, costurado, mentindo que já não sofre mais com as cicatrizes.

Espera herança, não sai para trabalhar ternuras.

Mendiga retornos, não cria memória.

Sua nudez não responde ao pedido da curva. Nem balança com a música favorita.

Está tomada do carma, do veneno, do ressentimento.

Pensa que está bem, mas está em luto. Uma mulher em luto não permite arrebatamentos, afasta-se na primeira gentileza que receber, recusa a prosperidade das pálpebras piscando nos bares e restaurantes.

Você nunca vai encontrar seu namoro, seu casamento, sua paz, se não terminar de se arrepender.

É preciso guardar o máximo de ar, ir ao fundo, descer na tristeza e nadar para longe dela.

Não amará outro alguém sem solucionar pendências, sem recusar o homem que não a merece, o homem que não vai embora e tampouco fica.

Não amará outro alguém sem abandonar algumas horas de alívio em motéis.

Não amará outro alguém se não bloquear as recaídas, se insistir em ressuscitar as promessas.

Uma mulher nunca será inteira se mantém romances quebrados.

Nunca estará presente.

Nunca estará aqui.

Entenda, minha amiga, só ama quem está disposta a ser amada.



Rafaela Valverde

terça-feira, 9 de agosto de 2016

Divagações íntimas sobre meu fracasso


Sinto o gosto do fracasso quase que diariamente. Aquela sensação ressequida de perda e de derrota. Mas tem dias que fica pior o gosto de tudo que não deu certo. A dor de existir aperta, nem Freud explica. Eu não sei exatamente qual o gosto da plenitude de coisas que dão certo. Mas alguém sabe? Ainda assim, para mim é pior, eu sou a recordista mundial de desistir das coisas quando estão difíceis demais. Eu sou a campeã mundial de deixar as coisas pela metade. Eu ganho medalhas de ter dúvidas e de sofrer por antecipação. Tenho uma desesperada síndrome de peru, aquele que já está sofrendo de véspera com a morte certa para alimentar uma família sedenta por ceia. Mas quem foi que inventou isso? Quem sabe se realmente o peru está sofrendo? Perguntaram para ele? Pois é. E nem para mim. Não me perguntaram nada. Não me perguntaram se eu queria nascer, se eu queria ser mulher, se eu queria ter esse nome e essa vida... Não me perguntaram qual nacionalidade eu queria. Não me consultaram sobre nada! E na boa, se tivessem me consultado eu não viria! Para ser essa pessoa inconstante que não leva nada adiante e depois ainda se desespera com isso? Não, eu dispensaria sem nem pensar uma vez.

Tantos sacrifícios, tanta pressão, uma vida tão pesada. Dificuldades financeiras. Tudo para mim sempre foi muito difícil. Ouço algumas pessoas falando dos seus colégios maravilhosos, suas infâncias incríveis, seus cursos de inglês, suas viagens ao exterior. E eu escuto pensando o quão desigual eu sou, o quão diferente nossas vidas se constituíram e que ajudei a criar minha irmã e comecei a trabalhar aos 16 anos. Mas o que fez com  que a gente se encontrasse? Não sei, mas fico pensando que talvez seja a vida querendo tripudiar de mim. Querendo jogar na minha cara que eu nasci, e a contra gosto estou aqui, nasci desvalida e ainda por cima sou desistidora de tudo. Sou jovem, eu acho, tenho 27 e não tenho nada. A maioria das pessoas da minha idade, amigas de infância - as inimigas não - são bem sucedidas, têm carreira, trabalho, amigos, saem aos finais de semana, viajam e estão tão bem que eu me sinto pior. Mas, ainda assim consigo ter a lucidez para perceber que todas essas vidas maravilhosas podem ser meramente estampas para capas de time line e as ignoro. 

Mesmo assim eu reflito. O que eu não tenho mais, ou o que eu não consegui ter me atingem muito. Me sinto frustrada por nunca ter conseguido efetivar coisas que para as outras pessoas são tão fáceis. Ao mesmo tempo sei que eu sou a principal culpada. Larguei três faculdades, três cursos diferentes e dois cursos técnicos; sim. já fiz muita coisa, mas só agora começo a me encontrar e consigo diminuir angústia de existir e tento encontrar um propósito de vida. Isso tudo soa meio depressivo mas não ligo. Já beirei a depressão inúmeras vezes e ainda nem cheguei na terceira década de existência. E que existência densa, cansativa. Minhas costas doem e não há médico que prescreva uma cura. Não tenho emprego, dinheiro no banco, não sei como vou à faculdade daqui para frente, afinal, para ir preciso de dinheiro.

Eu odeio esse meu jeito mas não consigo mudar. Não consigo levar nada a diante. Terminei um relacionamento de quase dez anos e sofri muito. Hoje não sofro mais, já encontrei um novo amor, mas as marcas ficam e elas são fortes como marcas de cinto na pele. Por mais que nos recuperemos, sempre lembraremos da surra! Esse  sentimento novo veio como um consolo para toda essa dor de fracasso e frustração. Pelo menos não sou tão incompetente assim. Ainda consigo conquistar alguém. Não vou prolongar nesse simulacro ordinário da minha vida, é cansativo até para mim. Essas são apenas elucubrações de uma mente cheia, agitada e com 525 coisas para fazer todos os dias. Espero que não tenha sido muito desagradável, mas essa sou eu. Infelizmente.


Rafaela Valverde

segunda-feira, 8 de agosto de 2016

Tocar sua pele

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Tocar sua pele
É o que minha mão pede
É uma atração
Um magnetismo
Que não posso evitar
Seu corpo
É um rio inebriante
E eu não sei nadar
Me afogo
De forma constante
Mas não ouso me afastar
Tocar sua pele
Me faz um bem
Uma calma, uma paz
Mágica
Que está no seu olhar
E me alucina
Me aprisiona
Mas eu gosto de estar presa
Me engradece
E será que te envaidece?
Bem, eu acho que sim!
Essa é a mágica
O encanto
E eu sorrio tanto
Inebriante
Emana de você
Viciante
E eu não consigo mais parar
De Tocar sua pele
E eu me afogo
Eu não sei nadar
Mas estarei bem
O que me deixa bem
É tocar sua pele!




Rafaela Valverde






domingo, 7 de agosto de 2016

A dúvida

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Depois de andar um tempo a esmo, sentei em um banquinho de uma pracinha que estava vazia provavelmente por causa do horário. Já era tarde e as crianças deviam estar na escola ou sei lá mais onde. O que sei é que finalmente estava em  momentaneamente em paz e não ouvir gritos de crianças por perto poderia ser um bom indício. Apesar de eu ter quase certeza que de nada adiantaria.

Eu estava confusa e assim continuaria por não sei quanto tempo. Eu não sei como a minha mente estava funcionando. Eu não sei de mais nada. O que sei é que se eu continuasse apenas pensando e não agisse algo ia dar errado. Claro que há algum tempo as coisas não fluíam mais como antes e por mais que eu fizesse o certo desandava.

Eu sempre fui daquelas que agia ao invés de refletir, de pensar e ponderar. Mas agora estou inerte, sem agir. Nunca fui mulher de poucas palavras e nunca fiquei sentada numa praça no meio da tarde para decidir qual rumo tomar na minha vida e se deveria realmente me entregar e tomar logo uma decisão. Não sei se essa decisão me agradaria realmente. Como sempre eu estava em dúvida. Eu sempre tive dúvidas quando se tratava de algo importante e definitivo na minha vida.

O celular ainda estava desligado. Não queria estar disponível. Não queria que me encontrassem. Não queria que ele me encontrasse. Não queria dar a resposta. Eu não sabia que resposta dar. O medo não deixava. Se eu dissesse sim, eu estaria presa durante muito tempo e eu não sei como seria a minha vida. Se eu dissesse não, provavelmente ficaria sozinha durante algum tempo. Era um ultimato e eu precisava me decidir.

Eu preciso deixar de ser aquela que não se prende, que não tem planos para o futuro. Eu preciso dar um rumo na minha vida. Pelo menos na vida amorosa. Já eram muitos anos e eu temia que esse momento chegasse e depois de indas e vindas ele chegou e eu ainda o temo. Respiro fundo ao mesmo tempo que aperto o botão de ligar do celular.

No momento em que o celular ligou, inúmeras mensagens chegaram e eu sabia que muitas pessoas estavam atrás de mim o dia todo. Me concentrei apenas nas mensagens dele. Eu sei que eu amo. Sempre soube. Amo esse homem desde a adolescência e apesar de ser a mulher mais indecisa, que não gosta de compromisso que eu conheço, eu já estava com ele há cinco anos e ele merecia algo de mim que não fosse inconstância, inércia, descomprometimento e arrogância. Liguei.

- Oi, onde você estava o dia todo? E ontem? Você tá bem? - ele perguntou.
- Eu aceito - foi apenas o que eu disse - não tenho mais dúvida, amo você!
- Vem logo pra cá, mulher! Eu também te amo!

Desliguei o celular e levantei do banco suspirando mais uma vez. Sorri e olhei para o céu. O sol já estava se preparando para ir embora. Nem havia me dado conta que tinha passado tanto tempo naquela praça. Fui andando e me afastando dali, mas dessa vez não andava a esmo. Sabia muito bem qual era meu rumo. O meu rumo nos próximos anos.



Rafaela Valverde





É o poder - Karol Conká


É o poder, aceita porque dói menos
De longe falam alto, mas de perto tão pequenos
Se afogam no próprio veneno, tão ingênuo
Se a carapuça serve falo mesmo
E eu cobro quem me deve

[Refrão]
É o poder, o mundo é de quem faz
Realidade assusta todos tão normais
Viu falei
Depois não vem dizer que eu não avisei
(Hãn hãn) só não vem dizer que não (Hãn hãn)
Só não vem dizer que não (Hãn hãn)
Só não vem dizer que não (Hãn hãn)
Só não

[Verso 1]
Sociedade em choque eu vim pra incomodar
Aqui o santo é forte, é melhor se acostumar
Quem foi que disse que isso aqui não era pra mim se equivocou
Fui eu quem criei, vivi, escolhi, me descobri e agora aqui estou
Não aceito cheque já te aviso não me teste
Se merece então não pede pra fazer algo que preste
Quem é ligeiro investe não só fala também veste
Juiz de internet caga se espalhando feito peste
Se não ta no meu lugar então não fale meu (não fale...)
Se for fazer pela metade não vale (não vale...)
Eu vivo com doses de só Deus que sabe
O resto ninguém sabe
Quebro tudo pra que todos se calem (plow plow plow plow)
Quem vem só quem tem coragem vai
Já falei que quem nasceu pra ser do topo nunca cai
O medo é de quem, ein?
Olha quem ficou pra trás e a vida segue (segue)
E o tempo não volta mais

[Refrão]
É o poder, o mundo é de quem faz
Realidade assusta todos tão normais
Viu falei
Depois não vem dizer que eu não avisei
(Hãn hãn) só não vem dizer que não (Hãn hãn)
Só não vem dizer que não (Hãn hãn)
Só não vem dizer que não (Hãn hãn)
Só não

[Ponte]
Eles não sabem o que dizem
Não aguenta então não fica em
Eles não sabem o que dizem
Não aguenta então não fica em

[Outro]
Se tem uma coisa que me irrita é ver bocas malditas
Dizendo mentiras sobre minha vida
Coisas que eu nem vivi ainda, eita!
Frustrados, pirados na cola já perdi a hora
Preciso ir embora alguém me espera lá fora, me deixa


Rafaela Valverde




sexta-feira, 5 de agosto de 2016

Sinais de pontuação

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Hoje vou falar um pouco sobre pontuação. Muitas pessoas se atrapalham com pontuação, principalmente com vírgulas, ponto e vírgula, etc. Pois bem, os sinais gráficos de pontuação expressam, os ritmos e melodias característicos da língua oral na língua escrita. Os sinais estabelecem pausas e entonações do que seria falado, só que na escrita. Servem para separar palavras, expressões e orações que devem ser destacadas e ainda ajudam no esclarecimento de sentido de frases, afastando quaisquer ambiguidades. 

Vírgula
Indica uma pausa pequena que exige continuação. A vírgula pode ser usada em datas, para separar o nome da localidade; após os advérbios "sim" ou "não", usados como resposta no início da frase; após saudação de correspondência; para separar termos de uma mesma função sintática; A vírgula serve ainda  para destacar elementos como conjunção, adjunto adverbial, vocativo, aposto, etc. Pode substituir um travessão em expressões explicativas e muitas outras funções.

Ponto
 Indica o término do discurso ou de parte dele e geralmente indica uma pausa um pouco maior do que a vírgula. Usa- se ponto também em abreviações.

Ponto e vírgula
Separa partes de um discurso com uma mesma importância. O ponto e vírgula é um sinal intermediário entre o ponto e a vírgula. Ele separa partes de frases que já estão separadas por vírgulas e pode ser usado para separar itens em uma lista ou enumeração.

Dois pontos
Os dois pontos, um em cima do outro podem ser usados antes de uma citação, antes de um aposto, antes de uma explicação ou esclarecimento, em frases de estilo direto. Dois pontos, eu costumo dizer, deixam o leitor em alerta, esperando alguma coisa.

Ponto de exclamação
É usado para indicar entonação de surpresa, cólera, susto, súplica, etc. Os pontos de exclamação também podem ser usados depois de interjeições ou vocativos.

Ponto de interrogação
Como o próprio nome já diz, esse sinal indica interrogação, questionamento ou simplesmente pergunta. É usado em interrogações diretas ou indiretas.

Reticências
As reticências indicam que palavras foram suprimidas, indica também interrupção violenta da frase, hesitação ou dúvida. As reticências podem ainda demonstrar que o sentido vai além do que está sendo dito na frase, pode indicar as entrelinhas.

Aspas
São usadas para indicar citação de alguém ou de alguma obra e expressões estrangeiras, neologismos, gírias, etc.

Parênteses
São usados quando se quer explicar melhor algo que foi dito ou para fazer simples indicações.

Travessões
Indica mudança de interlocutor em um diálogo. Separa orações intercaladas, desempenhando funções  das vírgulas e dos parênteses. Travessão evidencia uma frase, expressão ou palavras.


Rafaela Valverde

quarta-feira, 3 de agosto de 2016

Enel 2016 em Brasília, eu fui!

Pessoas lindas que conheci em Brasília
Brasília foi incrível. Conheci pessoas maravilhosas que com certeza ficarão para sempre em minha vida. Sim, eu fiz amigos! E de pensar que levei dois livros achando que seria a louca solitária sem amigos durante uma semana em uma cidade desconhecida! Quem diria que eu ia me enturmar, que eu seria tão bem acolhida por uma galera incrível? Nem tenho como agradecer a Deus pelas pessoas que Ele às vezes coloca em minha vida.

Pois bem, fiz amigos, me diverti, assisti palestras e comunicações acadêmicas, especialmente voltadas para a literatura; dei muita risada, dancei nas festas, comi bem, conheci Brasília. Foi muito bom! O clima da cidade é meio louco. É seco, faz muito frio à noite e dormimos em barracas, mas ainda assim eu gostei bastante dessa semana que passei lá.

Encontros de estudantes são sempre bons, apesar de ser mal vistos por professores rola bastante discussão sobre os cursos que fazemos, sobre a carreira e sobre assuntos concernentes à universidade. Só que são discussões leves, de forma descontraída, fora do ambiente sisudo acadêmico e ainda com muita festa e farra. É isso. Planejei essa viagem desde março e ela aconteceu, sendo melhor que o esperado. Já quero o EBEL, Encontro Baiano de Estudantes de Letras que será em Santo Antônio de Jesus aqui mesmo na Bahia.




Rafaela Valverde
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