segunda-feira, 30 de maio de 2016

"Tem cara de puta mesmo..."

Imagem: Blog Mulherzinha
Não vou falar da dor que senti esse final de semana, não vou falar sobre a solidariedade e empatia que nós mulheres sentimos nesse final de semana de estupro coletivo a uma adolescente no Brasil. Brasil? Ou seria Índia? Vou falar apenas da indignação e não da minha dor. A dor é indizível, a dor é tão intensa que não é possível ser descrita e explicada.

Eu me vi várias vezes no lugar de Beatriz, a menina de 16 anos que teve seu corpo violado e usado por muitos homens. Homens não. Seres inomináveis, covardes, cruéis e desumanos. Homens de verdade não fazem isso. Os homens de verdade que eu conheço tratam mulher como gente, de igual para igual e não como um objeto ou um pedaço de carne.

O pior de saber ler numa hora dessas é ver pessoas, inclusive mulheres justificando ou tentando justificar o injustificável. É péssimo escutar também, pedi a Deus para ser surda nesses últimos dias. Já cheguei a escutar que a menina tem "cara de puta". Sim e daí? E se eu tiver cara de puta, eu posso e mereço que façam uma atrocidade dessa comigo? O que é cara de puta? Será que o que é "cara de puta" para um é também para outro?

Acontecem coisas inexplicáveis, as pessoas saem repetindo merdas sem ao menos saber o que estão falando. Por que a subjetividade de ter "cara de puta" é tão realmente inexplicável, é tão realmente subjetiva e abstrata que se eu sair na sexta à noite com meus olhos pretos, batom vermelho e vestido curto e colado eu com certeza estarei "puta" mas agora como estou aqui de roupa leve de ficar em casa, de óculos, sem maquiagem e cabelo preso eu seria considerada uma santa. Ah me poupem!

Essas pessoas que justificam estupro e uma crueldade como essa com direito a vídeo e tudo com shorts curtos, com iniciação sexual precoce e gravidez na adolescência, com saídas no final de semana para as baladas; querem justificar atrocidades como essas com um simples batom vermelho e uma sombra escura. No entanto os homens saem sem camisa, com os cofrinhos de fora, coçam o saco (coisa feia) na rua, bebem e andam cambaleando e não são estuprados não é mesmo?

Um pouquinho de humanidade não faz mal a ninguém. Empatia também não paga para sentir. Estão chamando a mina de piranha e outras coisas absurdas, justificando o uso do corpo dela sem a sua autorização, já que ela estava dopada e justificando que ela tem total consciência do que faz na vida e outros argumentos sem nenhum tipo de fundamento, apenas baseados em preconceitos, misoginia e objetificação do corpo da mulher , que existe apenas para satisfazer os desejos carnais e instintivos dos homens. Há ainda a tão evitada questão de gênero, já que ainda se pensa que os homens são superiores às mulheres.

E as mulheres, nós, mesmo quando vítimas somos ridicularizadas, ofendidas, marginalizadas, tratadas como putas. O que é ser puta, exatamente? Alguém me explica! É ter liberdade sobre o próprio corpo? É dar para quem quiser e a hora que quiser e ainda se quiser? Então se é isso eu sou puta e eu mereço ser dopada, jogada em um canto, espancada e penetrada até a minha vagina sangrar. Eu mereço ter meu corpo vilipendiado só por ele ser livre. O que está faltando nos humanos além de muito conhecimento e mente aberta, é HUMANIDADE. Está escassa a capacidade de se compadecer pela dor dos outros, mesmo  que esses outros tenham "cara de puta".



Rafaela Valverde

quarta-feira, 25 de maio de 2016

Não, não é tudo música!

Imagem da internet
Não, não é tudo música. Não, não é tudo literatura. Não, não é tudo filme. Não cansam de banalizar as artes como uma coisa só. Ainda hoje eu ouvi que tudo é música e hoje, nos tempos do domínio do politicamente correto não se pode discutir nada. Não se fala sobre o que é ou não boa música, boa literatura e bom cinema. Tudo ficou no mesmo patamar. Música ruim, com letras pobres, muitas repetições e ritmos exclusivamente dançantes e sem beleza estão no mesmo patamar de músicas bem feitas, com belas letras, arranjos bem feitos, músicas com história, que marcaram vidas. Estão no mesmo patamar sim. Porque não se pode mais falar o que se acha bom ou ruim, o politicamente correto não permite.

Sofrência vira sinônimo e se confunde com 'Depois de ter você' de Bethânia. Músicas irritantes da cervejinha do final de semana e com os volumes irritantes que não deixam ninguém paz se confundem com poesias musicadas. Por que algumas músicas são poemas, são arte, são vida. Não é possível que se generalize e tudo seja posto no mesmo saco. Nada pode ser colocado sempre no mesmo saco. Especialmente o bom e o ruim. Sim, porque há bom e há ruim. E não digo isso baseado apenas no gênero musical, para quem ou por quem a música é produzida. Podem haver ritmos considerados ruins, por serem populares, como o funk e o rap por exemplo, muito bons.

Há muita coisa boa e muita coisa ruim sendo produzida no Brasil. O sertanejo, o que eu detesto, toma cada vez mais conta de todos os lugares. A música da sofrência se mistura com o sertanejo e com o arrocha formando péssimos conjuntos de sons para os meus ouvidos. Claro que não sou nenhuma crítica de música, mas tenho bons ouvidos e escuto boa música desde a minha infância. Sim, BOA MÚSICA, aquela que é eterna e não serve apenas para remexer a bunda no verão e que no ano seguinte ninguém mais lembrará.

Portanto eu posso dizer sim se acho uma ou outra música boa ou ruim. Eu vou dizer sim se essa ou aquela música é boa para mim. PARA MIM. A minha opinião é que existe coisas boas e ruins no mundo. Sim, as músicas estão incluídas nisso. Não, não é tudo música não. Tudo música não existe. Tudo literatura não existe. Tudo político não existe e tudo gente não existe.


Rafaela Valverde

Vergonha alheia. Não, pera...

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Há muito tempo não me pronuncio diretamente sobre política por aqui. Mas com a atual conjuntura política do país, seria quase impossível não me manifestar. Pois bem, sabe se que eu não sou petista, nunca fui e nunca serei, mas também não posso me calar diante de todos os desmandos que estão acontecendo no Brasil. Também nunca me considerei de esquerda ou de direita, tampouco estou em cima do muro e nem estar em cima do muro é necessariamente ruim.

Eu tenho minhas posições e não me sinto na obrigação de revelar e nem me posicionar sempre, afinal a minha opinião não é algo tão importante assim para o mundo. Mas hoje eu resolvi falar sobre alguns pontos. O primeiro ponto se trata da saída da presidente Dilma do cargo ao qual ela conquistou por vontade do povo e não foi um governo oportunista e arbitrário, apesar de bem ruim no que diz respeito a economia. A presidente cometeu alguns erros fiscais e financeiros, as chamadas pedaladas, que ao invés de ajustar as contas do país, só fizeram piorar a situação.

O país está em crise por causa das cagadas cometidas pela presidente sim, e antes dela teve o populista Lula, que falava em "marolinha" quando uma grande crise atingiu o restante do mundo. O homem teve a pachorra de mentir descaradamente na nossa cara, enquanto o PIB já começava a despencar absurdamente e a inflação atingia níveis altíssimos. Isso já no governo dele.

No primeiro mandato da presidente Dilma, a sua popularidade estava em alta devido também a influência e popularidade do ex presidente que a colocou lá junto com os votantes. Mas a partir do início do ano passado, início do seu segundo mandato, a coisa toda começou a desandar. A crise na economia se intensificou e já se falava em sua saída. No início ninguém nem ligava muito para isso e não se acreditava muito na possibilidade, mas abril desse ano chegou e a presidente foi afastada temporariamente no início de maio.

O país foi tomado por uma quadrilha. Podia até estar sendo governado por uma quadrilha, mas pelo menos era uma quadrilha escolhida democraticamente. A democracia não é o regime mais perfeito, mas é o mais próximo da perfeição, digamos assim. Pelo menos que eu saiba. é melhor ter uma democracia capenga que possa ser ajustada, do que ter regimes totalitários e ditadores. A ditadura foi um dos piores horrores que já aconteceram no Brasil e devemos ter vergonha dela, lembrar dela, fazer com que esse horror não seja esquecido.

A presidente afirma que é golpe. A palavra golpe sugere muito golpe militar, ditadura e isso me dá angústia, me causa indignação. Bem, o fato é que o governo foi "tomado" por uma corja que não está lá tão bem assim não. O vice presidente Temer nunca me enganou, com aquela cara de coronel malvado me dava medo desde antes de ser vice. Pois bem, agora o que está sendo feito é o enxugamento de "gastos". O MinC foi extinto e após muita polêmica e protestos, Temer resolveu recriá-lo no último final de semana.

A minha birra contra o fim do Ministério da Cultura e a sua junção com o Ministério da Educação se deve ao fato de que a pasta da educação já cuida de um tema já muito complexo que é a  própria educação. Se um ministério não tem verba, estrutura e capacidade suficientes para cuidar da educação, que vai de mal a pior, imagina um mesmo ministério cuidando de dois assuntos complexos, entrando a cultura no bolo?

Ontem, o ministro da Fazenda Henrique Meirelles anunciou futuro aumento de impostos e reduções na saúde e educação para cobrir um rombo de 170 bilhões deixados pelo PT. Não dá! Quer reduzir? Reduza os salários altíssimos, os benefícios desnecessários e onerosos que saem do nosso bolso. Cortem os carros, a gasolina, os salários as verbas de gabinete, os cargos de comissão dos mamadores de tetas... Cortem, cortem da própria carne tantos gastos desnecessários que em nada contribuem para o crescimento do país.

Uma verdadeira reforma política também ajudaria no combate a corrupção e diminuiria os gastos discrepantes de dinheiro público.  Redução de partidos, fim do financiamento de campanha, redução do tempo das campanhas, etc. Questões como essas ajudariam muito mais a diminuir gastos e corrupção do que extinguir um ministério e fundir uma pasta com outra. Mas é isso, por enquanto tenho a sensação que não posso fazer, me sinto de mãos atadas e fico só observando as agruras do novo "governo". E que venham mais gravações. Infelizmente só me resta sentar desolada e esperar pelos próximos capítulos da vergonha alheia brasileira. Ou seria vergonha nossa mesmo?



Rafaela Valverde

terça-feira, 24 de maio de 2016

Acumulação

Imagem da internet
Tantas ilusões
Tantas decepções
Tantos pensamentos
Tantos lamentos
Tantos sonhos
Tantos papos enfadonhos
Tanta tristeza
Tanta gentileza
Tanta resiliência
Tanta paciência
Tanta luta
Tanta boa conduta
Tanta discussão
Tanta reflexão
Tanta solidariedade
Tanta sororidade
Tanta ética
Tanta poética
Tanta tecnologia
Tanta sintonia
Tanta instrução
Tanta aprovação
Tanta correria
Tanta apatia
Tanta aflição
A que levarão?





Rafaela Valverde  

Livro A metamorfose de Franz Kafka

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O livro A Metamorfose é uma novela publicada em 1915. Franz Kafka foi um escritor tcheco nascido em Praga no ano de 1883. Ele foi considerado um dos escritores mais influentes do século XX. E A Metamorfose é considerada sua maior obra, sendo a mais estudada conhecida e citada obra do autor que era judeu.

A obra traz Gregor Samsa, um caixeiro viajante que trabalha em uma firma que não gosta para sustentar e pagar dívidas da família. Família constituída pelos pais Sr. e Sra. Samsa que assim são chamados durante toda a narrativa e por Grete, sua irmã, ainda menor de idade.

O início da narrativa é na manhã que Gregor acorda transformado em um bicho parecido com uma barata, é assim que Kafka o descreve. Nessa manhã, já há uma descrição detalhada da dificuldade de Gregor se levantar da cama, com seu novo corpo. Ele deveria se levantar bem cedo para ir à firma cumprir mais um dia de labuta, porém com a manhã já avançada, o jovem ainda está na cama, sem conseguir levantar seu corpo de barata.

Em seguida, ironicamente já preocupado com o grande atraso para chegar ao trabalho, ele resolve com muito esforço tentar sair do carro, mas percebe que não será tão fácil assim. O gerente da firma está em sua casa, para saber do seu atraso e dá de cara com Gregor naquela situação. Assustado ele foge e sai da casa dos Samsa. Após o episódio, o pai de Gregor o afugenta de volta para seu quarto com ajuda de sua bengala.

Ao longo dos dias, Gregor se torna cada vez mais recluso dentro do seu quarto, ainda como barata e ainda sendo rejeitado pela família, apesar de sua irmã Grete de vez em quando o alimentar com as sobras das comidas da casa. No início ela limpava seu quarto, mas ao longo do tempo o quarto dele foi ficando cada vez mais sujo e empoeirado.
 Conforme o tempo continuava passando, o desprezo pela “coisa”, como ele passa a ser chamado, aumenta e se torna tristeza vinda de todos os membros da família, inclusive do próprio. Ele para de se alimentar e começa a definhar. Nesse interim, a família arruma três inquilinos para auxiliar no sustento da casa, que não pode mais ser provido por Gregor. Os inquilinos, portanto são também afastados da residência ao ver Gregor durante uma fatídica cena de aparição da “coisa” na sala, onde eles estavam.

Após essa cena, o pai de Gregor o ataca com algumas maçãs, uma delas fica cravada nas costas de Gregor e ali permanece apodrecendo, causando posteriormente a sua morte. Uma morte tranquila, conformada e que acaba por deixar a família toda aliviada e contente por se livrar de tão grande estorvo.

O livro é a meu ver é um livro bem triste. Claro que ele é um grande clássico e como tal e como tal carrega o peso de um clássico. É repleto de significados e conta com uma linguagem caprichada. Trata- se de Literatura e das boas. A narrativa faz refletir, pensar, analisar, criticar e crescer como pessoa e como intelectual.

Essas leituras servem para fazer enxergar pessoas dentro de pessoas. Sim, porque os seres humanos são versáteis, múltiplos, complexos, doces, amargos, felizes e tristes. Ultrapassam o tempo, dão sonhos e pesadelos. Como a maioria dos clássicos, como A metamorfose que se confunde tanto com a vida real de Kafka.




Rafaela Valverde



Filme Escritores da Lliberdade

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O filme Escritores da Liberdade foi lançado em 2007 com a direção de Richard LaGravenese e tem no elenco nomes como Hilary Swank, Patrick Dempsey, Ricardo Molina entre outros. É um drama passado em Los Angeles, Califórnia nos anos noventa, iniciando em 1992. Nesse ano começou uma lei de integração racial na escola Wilson e um grupo de estudantes mais “fracos” foi aceito na escola que antes era uma escola destinada aos melhores alunos. A professora Erin Gruwel chega à escola nesse contexto ficando com a turma da integração.

Essa turma especial era do primeiro ano e contava com alunos diferentes, oriundos das classes mais baixas. Pobres, negros, imigrantes e pessoas consideradas pouco inteligentes formavam um desafio para a jovem professora. Dentro da turma há vários grupos que se divergem e alunos envolvidos com gangs criminosas, sobretudo envolvidas com o tráfico de drogas. O relacionamento já se mostra bem difícil logo no início, já que a professora é branca, acaba sendo rechaçada pela maioria dos alunos que é composta de alunos negros. 

Mas Erin não desiste, ela é recém-formada e está cheia de esperanças de fazer um bom trabalho pela educação. Ela tem planos de realizar um trabalho diferenciado, mas ainda não sabe como tendo em vista todas as dificuldades. Além da discriminação sofrida pelos alunos da turma de integração há ainda a resistência dos outros professores ao trabalho realizado por Erin. Ela não encontra nenhum apoio e nem acesso aos livros literários da biblioteca esses alunos têm. Assim, a nova professora para tentar desenvolver seu trabalho faz de tudo, inclusive arranjar mais dois empregos, comprar livros com seu próprio dinheiro e ainda por cima vê seu casamento ruir. 

Há diversos conflitos e questões violentas envolvendo seus alunos que se veem envolvidos em problemas familiares e com a polícia. Isso é claro atrapalha os rendimentos deles que vão mal, baixando os índices de qualidade da escola causando uma resistência maior ainda para eles.

A jovem professora tenta realizar atividades que aproximem seus alunos e atividades que desenvolvam a leitura, conhecimentos e a afetividade desses jovens. Livros como O Diário de Anne Frank por exemplo são trabalhados em sala de aula, mostrando um novo mundo para os meninos. Um mundo onde não há opressão só no mundo deles. O holocausto passa a ser conhecido pela maioria que não sabia da existência dele.

A partir de então é solicitado que os alunos escrevam sobre suas vidas, seus sentimentos e sensações. Ela distribui um caderno para cada um deles, para que eles escrevam suas trajetórias de vida, suas experiências ou qualquer coisa que quisessem.
O clima começa a melhorar, o relacionamento entre os alunos flui e eles começam a se interessar mais e mais pela leitura, pelos livros e por estórias. Eles passam a gostar da professora e ela consegue permissão para lecionar para a turma nos anos seguintes. A professora Erin consegue que os relatos dos seus alunos virem um livro. O livro Diário dos escritores da liberdade, publicado em 1999.

A história é baseada em fatos reais, a professora e a sua turma de escritores realmente existiram e no final do são mostradas as imagens deles.
Eu já havia assistido  esse filme em 2011 e já o achara muito om. Dessa vez, portanto foi diferente, pois vi com uma visão ainda mais crítica, voltada para que eu acho que pode ser a minha prática futura enquanto professora. Professora que se interessa por desenvolver a prática da leitura e da escrita nos alunos, primeiro por serem essas as minhas paixões e segundo por querer mesmo incentivar as pessoas para essas práticas tão prazerosas e fundamentais para as práticas sociais. O filme é muito bem feito com excelentes atuações, sobretudo a atuação de Hilary Swank que é quem segura o filme junto com alguns atores não tão coadjuvantes assim.

Juntos eles formam um time na interpretação. Ela é uma ótima atriz e consegue levar até o fim o drama e o desafio da vida da sua personagem real. O filme é tocante no que diz respeito ao trabalho do professor, que estando emprenhado consegue fazer um bom trabalho e consegue cativar seus alunos, pois afetividade é importante para a aprendizagem.



Rafaela Valverde  

quinta-feira, 19 de maio de 2016

Debates (ou falta deles) sobre a homofobia no Brasil

Artigo de opinião escrito por mim em 2014


A homofobia ainda impera no Brasil, e é sabido que homossexuais sofrem preconceitos e violência, sendo muitas vezes levados ao extremo, causando mortes. Não há uma lei específica que puna a homofobia. E ações de conscientização e  de combate a comportamentos homofóbicos são realizados de forma insuficiente e concentradas apenas em pequenas ações de grupos LGBTs. São necessárias, portanto, ações mais enérgicas para tornar a homofobia crime. Mas o que acontece é o contrário, por exemplo, o projeto de lei da Câmara Federal, conhecido como PLC 122 que tem como objetivo criminalizar a homofobia, está parado desde 2006 e sem previsão de quando será votado.

 Tida por muitos como atitude urgente a ser tomada, a criminalização de atos homofóbicos no Brasil, pelo visto ainda faz parte apenas de discursos eleitoreiros. Em setembro, após um debate dos presidenciáveis em uma emissora de TV, a presidente eleita Dilma Roussef, na época candidata à reeleição, deu a seguinte declaração defendendo a criminalização da homofobia no Brasil: “Sou contra qualquer forma de violência contra pessoas. No caso específico da homofobia, eu acho que é uma ofensa ao Brasil. Então fico triste de ver que temos grandes índices atingindo essa população. Acho que a gente tem que criminalizar a homofobia, que não é algo com o que a gente pode conviver.”

Quem ouvir ou ler essa fala da presidente Dilma pode imaginar que ações efetivas estejam sendo realizadas pelo Governo Federal afim de viabilizar o surgimento de uma legislação específica para tratar o tema, mas não é isso que as estatísticas mostram. Segundo o blog Homofobia mata que traz dados do relatório do grupo gay da Bahia (GGB) de 2013-2014, um gay é morto a cada 28 horas no país. Há ainda registros de 312 assassinatos de gays, travestis e lésbicas no Brasil no ano passado. O relatório mostra ainda que o Brasil continua sendo o campeão mundial de crimes homo-transfóbicos. Ainda segundo o relatório, algumas agências internacionais apontam que 40% dos assassinatos de transexuais e travestis no ano passado foram cometidos aqui. Enfim, esses são apenas alguns dados divulgados que dão a percepção de que pouca coisa está sendo feita nesse sentido e a impunidade continua vencendo a batalha.

Porém, apesar disso não dá para negar os avanços que foram conquistados, em outros segmentos, como a possibilidade e legalidade de uniões homo-afetivas, por exemplo. Essas agora possuem os mesmos direitos de relações heterosexuais.

Voltando para a homofobia e celebrando uma atitude para promover a criminalização, em julho desse ano o Procurador Geral da República Rodrigo Janot enviou ao Supremo Tribunal Federal um parecer a favor da criminalização da homofobia. Janot sugeriu em seu parecer que a punição contra a homofobia seja aplicada pela justiça nos termos da lei 7.716/1989 (Lei de racismo), que estabelece o tempo de prisão para crimes resultantes de preconceito de raça, etnia e religião. Ainda segundo Janot, a homofobia deve ser tratada como crime de racismo até que o Congresso Nacional aprove uma lei específica para disciplinar as punições. Ações como essa são louváveis e demonstram interesse em ver algo sendo feito contra a impunidade em casos de homofobia, mas ainda é pouco. 

Outro ponto que requer atenção é a educação, os valores que são passados através das escola e da educação familiar. O preconceito vem sendo perpetuado há anos na sociedade brasileira, dentro das escolas e passa despercebido, se manifestando em forma de “brincadeiras”, em forma de bullying. Assim, as diferenças são tratadas de forma depreciativa e não como algo a ser valorizado. A criança ou adolescente que se percebe homossexual desde cedo já encara sua diferença como negativa.

Pensando nisso, em 2011 o Ministério da Educação em parceria com entidades dos movimentos LGBTs, criou um kit educativo para distribuir para professores de algumas escolas públicas. Essa iniciativa é uma das ações do programa federal Escola sem homofobia e o kit é destinado ao ensino médio, ou seja, é para adolescentes e não para crianças como alegou a bancada evangélica, que após protestos, conseguiu que a presidente Dilma vetasse o projeto. É  preciso que haja maiores discussões acerca desse kit que seria de muita valia se tivesse a oportunidade de ser mostrado aos adolescentes brasileiros. Ele seria entregue aos professores que definiriam como trabalhar com o material que contaria com caderno e pôster informativo, cinco vídeos,  boletins para serem entregues aos alunos etc. O caderno seria material de apoio, com conceitos, sugestões de aulas e atividades a serem realizadas em sala de aula. Ou seja, uma material como qualquer outro que daria direcionamento ao professor que muitas vezes não sabe como abordar o tema, seria um material de promoção dos direitos humanos, do respeito à diferença. Porém foi vetado antes mesmo do seu lançamento oficial em benefício a uma bancada que parece que sequer tem noção da laicidade do Estado brasileiro.

Assim, é possível concluir que mesmo apesar de alguns avanços, efetivamente pouca coisa tem sido feita para se não acabar, pelo menos reduzir os números trágicos da homofobia. É preciso muito mais que a legalização das relações homoafetivas para garantir igualdade de direitos e para o fim da homofobia no Brasil. Apesar de ser um excelente avanço na luta em prol da igualdade e da liberdade, isso ainda não é suficiente para arrancar do país o triste estigma da violência contra o diferente. É preciso criminalização e educação, duas palavras que rimam, mas que na prática não estão sendo combinadas para proporcionar igualdade  a todas as pessoas.



Rafaela Valverde




Morena - Los Hermanos (Uma das minhas preferidas)


É morena tá tudo bem
Sereno é quem tem
A paz de estar em par com Deus
Pode rir agora
Que o fio da maldade se enrola

Pra nós todo o amor do mundo
Pra eles o outro lado
Eu digo mal me quer
Ninguém escapa o peso de viver assim
Ser assim, eu não
Prefiro assim com você
Juntinho sem caber de imaginar
Até o fim raiar

Pra nós todo o amor do mundo
Pra eles o outro lado
Eu digo mal me quer
Ninguém escapa ao peso de viver assim
Ser assim, eu não
Prefiro assim com você
Juntinho sem caber de imaginar
Até o fim raiar


Rafaela Valverde

Poemito - Fernanda Santos

Imagem da internet

Olhava-me com cara de quem sabia exatamente o que queria
Mas mentia
E só metia.
Nada mais.

Eu era presa fácil.
Desafio de baladinha.
Ganhar no jogo era tudo que ele queria.
E dessa vez, sem mentirinha.

Fria, sorridente, carente.
Chuva tomando conta do espaço.
Abraço, beijo, laço, traço.
Te traço!
E me traçou.

Olhava-o com cara de quem sabia exatamente do que fugia.
Mas sorria.
E só ria.
Nada mais.

Ele era presa fácil
Desafio de baladinha.
Ganhar no jogo era tudo que eu queria.
E dessa vez, sem risadinha.

Mas mentiam e riam.
Se misturavam no mesmo compasso.
Escasso, gasto, cansado, arraso.
E lhe arrasou.


Poema feito pela minha amiga Fernanda.



Rafaela Valverde

terça-feira, 17 de maio de 2016

Suspirante

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Você sendo você mesmo
Vem me deixando radiante
Ando por aí a esmo
Sorridente e suspirante

Isso é estupidez
Eu devia raciocinar
Já chegou a minha vez
De a razão usar

Uma pessoa não devia
Me deixar assim
Quando estou sozinha
Quero você só pra mim

Meus suspiros não 
levam a nada
Ando andando quietinha
Sonhando na madrugada

Me pego pensativa
Com o olhar parado
em um ponto
É uma batalha cansativa

Concretizamos um encontro
Sei que não posso ter certeza
Mas sei o que sinto
E é essa a beleza

Tu sendo tu mesmo
É alguém apaixonante
Continuo andando a esmo
Sempre suspirante.



Rafaela Valverde

Aulas particulares de Língua Portuguesa

Gente, vou começar a dar aulas particulares de Língua Portuguesa que é o que estudo. O foco principal é a disciplina em si para reforço, ortografia, redações, textos dissertativos, literatura, etc. Tenho que buscar alguma coisa para ganhar meu próprio dinheiro, de forma autônoma e fazendo o que eu gosto utilizando a prática da teoria que estou estudando. Este é um pequeno anúncio que comecei a divulgar hoje nas redes sociais.







Rafaela Valverde

quinta-feira, 12 de maio de 2016

Amor é fogo que se arde sem se ver - Luiz Vaz de Camões

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Amor é fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói, e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer.

É um não querer mais que bem querer;
É um andar solitário entre a gente;
É nunca contentar-se de contente;
É um cuidar que se ganha em se perder.

É querer estar preso por vontade;
É servir a quem vence, o vencedor;
É ter com quem nos mata, lealdade.

Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade,
Se tão contrário a si é o mesmo Amor?



Rafaela Valverde

Todo o amor que houver nessa vida - Cássia Eller




Eu quero a sorte de um amor tranquilo
Com sabor de fruta mordida
Nós na batida no embalo da rede
Matando a sede na saliva

Ser teu pão
Ser tua comida
Todo o amor que houver nessa vida
E algum trocado pra dar garantia

E ser artista no nosso convívio
Pelo inferno e céu de todo dia
Pra poesia que a gente nem vive
Transformar o tédio em melodia

Ser teu pão
Ser tua comida
Todo o amor que houver nessa vida
E algum veneno anti monotonia

E se eu achar a tua fonte escondida
Te alcanço em cheio mel e a ferida
E o corpo inteiro como um furacão
Boca, nuca, mão e a tua mente não

Ser teu pão
Ser tua comida
Todo o amor que houver nessa vida
E algum remédio que me de alegria

Ser teu pão
Ser tua comida
Todo o amor que houver nessa vida
E algum trocado pra dar garantia
E algum veneno anti monotonia
e algum....



Fonte: Link: http://www.vagalume.com.br



Rafaela Valverde

quarta-feira, 11 de maio de 2016

Apaixonamentos desvairados

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De repente eu que tanto queria alguém, me vejo encurralada num canto. Me vejo com medo e decepcionada por mais uma vez estar sentindo coisas assim. Coisas como borboletas no estômago, arrepios, vontade de estar perto e saudade. Ah, a danada da saudade! Eu tento evitar, eu tento não sentir o que estou sentindo, eu tenho medo de sentir.

Eu tenho medo. Eu sempre tive medo de me entregar, porque quando isso acontece é muito intenso e depois de tanto que já passei, não sei se ainda tenho disposição para isso. Ou se quero, ou ainda se consigo passar por isso e de repente vir a me decepcionar de novo, sofrer de novo. A intensidade de ser quem eu sou e sentir o que eu sinto é às vezes insuportável.

Quando percebo que isso, que esses sentimentos podem estar se aproximando de mim de novo, eu me fecho, eu acordo de mau humor, eu fico calada e pensativa. Eu fico gelada e assustada com a dimensão que isso pode tomar. Eu tenho todas as reações possíveis de alguém que é covarde, de alguém que está fugindo, de alguém que tem medo, muito medo de se frustrar e se decepcionar de novo.

É claro que hoje em dia há uma cultura que até justifica esses meus medos, é a cultura do desapego, do desamor, da solidão, do só amar a si mesmo e a mais ninguém. Essa cultura individualista não traz nenhum consolo, não traz nada de bom. Só a dor, a solidão e a depressão. Essa semana li um texto justamente sobre esse assunto. O texto (que eu não vou lembrar de onde foi e nem o nome) falava que ninguém é totalmente feliz sozinho e que  se não gostássemos de estar com alguém, não inventaríamos tantos recursos para nos comunicarmos e estarmos efetivamente com alguém. As redes sociais estão aí para comprovar isso. Não somos seres feitos para estarmos sozinhos, mas de um tempo para cá, prega-se que amor próprio é sinônimo de solidão e de gritar para os quatro cantos do mundo que estar sem ninguém é bom demais. Pode até ser bom, mas não tem essa pessoa que não se sinta sozinha de vez em quando e que não sinta falta de uma companhia romântica para ir ao cinema.

Tudo isso interfere nesse meu medo. Fico sempre achando que estou melhor sozinha, que vou sofrer e que não devo confiar em mais ninguém. Mas isso não é justo, nem com as outras pessoas e nem comigo. Mas eu juro que queria estar diferente agora. Sem medo, sem noia, sem desconfiança. Gostaria de voltar a ser aquela menina pura que acreditava nas pessoas, acreditava no amar pelo amar, sem sofrimento e que acreditava só nos lados positivos desses apaixonamentos desvairados e inesperados.




Rafaela Valverde

segunda-feira, 9 de maio de 2016

Entre tatuagens e suas opiniões, adivinhem com o que eu fico?

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Tatuagem ainda é motivo de tabu e preconceito. Sim, estamos no século XXI nos tempos futuros, na era da civilização e da informação e ainda assim é possível infelizmente encontrar pessoas que taxam quem tem tatuagem como maconheiro, marginal etc. Além de ser algo que chama muita atenção na rua (minhas tatuagens são visíveis e todo mundo se curva para olhar) as pessoas ainda questionam como será o futuro e como será o mercado de trabalho com tatuagens.

Bem, eu respondo: meu futuro será maravilhoso com ou sem tatoos, porque assim eu o estou plantando e nisso eu acredito. Não são minas tatuagens que vão determinar a minha velhice, minha saúde, meu caráter, muito menos quem eu sou. E outra resposta que sempre tenho que estar na ponta da língua é como será minha vida profissional. Se alguém vai me dar emprego, especialmente para dar aulas para alguém com tantas tatuagens. Sim porque já vou para a quarta tatoo. A resposta que eu dou é se por causa de simples tatuagens eles dispensarem uma excelente profissional como eu sei que sou, o problema é exclusivamente deles.

Eu pretendo seguir carreira acadêmica e por conta disso não tenho me preocupado muito com questões tão simplórias e idiotas como essa. Não vejo em que eu seria menos qualificada do que quem não tem tatuagem. Não vejo em que tatuagem vai me minimizar enquanto pessoa ou enquanto profissional seja lá em qual área for. O corpo é meu e com ele eu faço o que eu quiser. Tenho piercings, tiro as sobrancelhas, pinto o cabelo, tiro as cutículas das unhas e o que eu quiser fazer para me sentir melhor, satisfeita e bonita eu farei e ninguém tem nada a ver com isso.

Pretendo me riscar mais. Como há uma máxima por aí dizendo que nosso corpo é uma tela e tatuagem é arte, é nela que vou me basear e se já não ligava para o que os outros pensam, agora cada vez menos eu vou ligar. Por que entre o que as pessoas pensam e as minhas tatuagens, adivinhem quem eu escolho? Hehehe Vem uma nova tatoo por aí! Preparem - se. E é isso aí, esses preconceitos idiotas têm que acabar de uma vez. Se bem que até que já diminuiu, pois antigamente ouvia se que quem tinha tatuagem era bandido. Agora vejam só. Analisem bem e me respondam qual é a ligação? Qual a lógica disso? Mulheres que já são estigmatizadas pela sociedade desde que nascem já recebendo um furo na orelha, seriam também bandidas? Imposição social pode,mas nossa vontade não? Como é isso? Fica a reflexão.



Rafaela Valverde






sábado, 7 de maio de 2016

Nos saboreando

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O dia já ia avançado quando terminamos finalmente de transar nos fundos daquela boate, não estava mais escuro, portanto precisávamos sair dali. Mas eu queria ficar, fumando um cigarro, agarrada com você, largada naquela parede. Curtindo aquele resquício de tesão, as caras bobonas de prazer que estávamos fazendo enquanto ao mesmo tempo éramos tomados pelo constrangimento típico de quem transou sem nunca ter se visto antes na vida.

Eu já estava acostumada com essa vida vadia, você provavelmente também. Pelo menos foi o que deu entender na pegada da noite anterior. E que pegada! Ainda estava me vestindo enquanto pensava nisso."Você tem um fogo", ouvi sua voz. Não pude segurar a gargalhada que saiu de mim. Concordei automaticamente balançando a cabeça devagar e pensei que você não ficava nada atrás de mim não.

"Preciso ir embora." Falei em resposta a toda aquela cena. Realmente estava um pouco constrangida. Geralmente não ficava. Eu era muito safada e  não me importava  se quem estava ao meu lado na cama era um total desconhecido, eu costumava não estar nem aí. Eu só ficava sem graça quando eu curtia o cara. A pegada, os olhares, o beijo, o sexo, se chupava gostoso. Ai fico enlouquecida com um homem que saiba e goste de chupar.

Mordi os lábios enquanto lembrava de todas as sacanagens que fizemos juntos naqueles poucos momentos ali, de pé naquele beco. Dei um risinho enquanto me aproximava devagar. Parecia que havia um magnetismo, não conseguíamos nos afastar! Cochichei "gostoso" no seu ouvido, dei uma lambidinha com uma mordida na orelha. Me afastei lentamente, andando para fora daquele ambiente. Era muito tesão impregnando o ar e que não queria passar meu dia inteiro ali transando. Poderia até passar o dia transando, mas não ali.

Era um domingo lindo de sol e senti a brisa que vinha do mar. Pela primeira vez parecia que eu estava respirando um ar que não cheirava a sexo. Continuei caminhando devagar, sentindo a brisa morna e agradável, quando de repente senti um toque delicado e quente no meu braço. Era você, eu sabia sem ao menos me virar para trás.

Sorri, achando aquilo  bem engraçado. Fomos andando lado a lado, sem pronunciar uma palavra até chegarmos ao meu prédio. Entramos. De repente estávamos no banheiro, voltando primitivamente a fazer o que fazíamos na boate, na rua, de forma suja, vulgar e deliciosa. Só que dessa vez em baixo do chuveiro. Nossa sintonia era tão forte que sabíamos que precisávamos de um banho e assim aconteceu. Nossos gostos foram provados naquela água fria e daí continuamos a nos saborear em todos os cantos do meu minúsculo apartamento. Sim, aquele domingo, pós balada seria longo.







Rafaela Valverde




Busque Amor novas artes, novo engenho - Luís de Camões

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Busque Amor novas artes, novo engenho, 
para matar me, e novas esquivanças; 
que não pode tirar me as esperanças, 
que mal me tirará o que eu não tenho.

Olhai de que esperanças me mantenho! 
Vede que perigosas seguranças! 
Que não temo contrastes nem mudanças,
andando em bravo mar, perdido o lenho.

Mas, conquanto não pode haver desgosto
onde esperança falta, lá me esconde 
Amor um mal, que mata e não se vê.

Que dias há que n'alma me tem posto 
um não sei quê, que nasce não sei onde, 
vem não sei como, e dói não sei porquê.


Luís de Camões Camões, L. V. de. Sonetos. Lisboa: Livraria Clássica Editora. 1961.





Rafaela Valverde

sexta-feira, 6 de maio de 2016

Livro Teoria do Conto Nádia Batella Gotlib

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Publicado pela primeira vez em 1990 e escrito por Nádia Battella, docente de Literatura Brasileira da USP, o livro Teoria do Conto. O conto é um gênero bastante popular por ser objetivo, ter poucos personagens e demandar pouco tempo para a leitura. A autora fala um pouco das definições do conto ao longo da história, citando vários contistas como  Horácio Quiroga, Mário de Andrade, Maupassant, Machado de Assís, Guimarães Rosa, Edgar Allan Poe, entre outros.

O livro mostra de forma clara como é e como deve ser um conto. O que chama atenção do leitor é o fato de a narrativa do conto direcionar para um fim. O conto não é novela e não é romance. Conto vem de contar, sim de forma oral, histórias e estórias.Com sua estrutura condensada, o conto acaba sendo mais "fácil" de ler.

O livro traz os estudos sobre o conto maravilhoso, os aspectos básicos de uma narrativa ou de narrativas. Além de informações e opiniões divergentes de teóricos sobre o que seria o conto. O conto é curto, mas nem por isso deixa de ser importante e belo. Através dele é possível contar histórias reais e não reais. As nossas histórias cotidianas, contamos quem somos de forma sucinta através do conto. A autora traz ainda exemplos e citações de grandes contistas como Machado de Assis. A teoria do conto é importante para quem deseja saber mais sobre alguns detalhes desse gênero. Depois vou esmiuçar mais esse livro. Uma coisa que me marcou bastante no livro, além de o conto vir de contar, foi o clímax do conto ser o final. Achei isso sensacional.


Rafaela Valverde

quinta-feira, 5 de maio de 2016

Livro A Metamorfose - Franz Kafka

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Hoje vou falar sobre o livro A Metamorfose de Franz Kafka. Foi um livro que li incentivada pela minha professora de Literatura que me inspira a ler cada vez mais clássicos, afinal preciso tirar o atraso das leituras dos clássicos. Enfim, vamos ao livro.

O livro é uma novela publicada pela primeira vez em 1915. A obra foi escrita em 1912 em vinte dias. O livro traz o caixeiro viajante Gregor Sansa  que trabalha para sustentar a família e para pagar suas dívidas. A família consiste no pai, na mãe e em uma irmã mais nova.

Um belo dia Gregor acorda e está transformado em uma barata. Sim, sue corpo agora de rasteja pelo chão. Daí em diante ele precisa conviver com isso, junto com o desprezo e nojo de sua família que se afasta, sem ao menos procurar entendeu o que pode ter acontecido. Isso não é um julgamento à família. Acho que quaisquer pessoas se sentiriam assim. A leitura do livro me fez parar para pensar em uma série de coisas.

Uma delas foi que a reação de qualquer família poderia ser a mesma, e provavelmente seria. Gregor passa a ficar recluso no seu quarto e daí em diante a sua família que era passivamente sustentada pelo jovem, passa ao menos a tomar providências e arrumam empregos a fim de sustentar a casa.  A estória que vai sendo narrada é tão bem narrada, cheia de fantasia, amargura e tristeza que dá gosto de ler.

Particularmente eu gosto de clássicos, eu gosto de histórias e estórias cheias de significados e com linguagem caprichada, que sempre faz refletir, pensar, analisar, criticar. Essas leituras são úteis para nos fazer  as pessoas que existem dentro de cada pessoa. Sim por que os seres humanos são múltiplos, versáteis, complexos, doces, amargos, ultrapassam o tempo e dão sonhos e pesadelos. Assim como um livro clássico, assim como Kafka e sua Metamorfose que se confunde tanto com a própria biografia do próprio.


Rafaela Valverde


Balada a dois

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A balada não estava boa. Definitivamente não estou com saco para isso hoje. Acho que estou cansada, e velha demais para isso, ou sei lá o quê. Saí pela porta dos fundos, precisava fumar. Apoiei a perna em um caixote que estava nos fundos da boate, apoiado em uma parede. Ali deixei a perna e como estava de vestido percebi que a calcinha ficou aparecendo, mas não tinha ninguém por perto, então fiquei ali fumando meu cigarro.

Ou pelo menos eu pensava que não havia ninguém, pois em uma pequena fração de segundos apareceu alguém. Estava ainda distraída quando ouvi um assobio direcionado a mim. Um "fiu fiu" daqueles bem marotos. Me virei já retirando a perna do caixote. Ajeitei o vestido e vi um cara negro, não muito alto e bastante atraente, um gostoso.

Ele veio até mim: "Gostei da calcinha vermelha." Deu um sorriso safado, passou por mim e entrou na boate pela mesma porta que eu havia saído. Saiu do meu campo de visão. Voltei a fumar, dando um longo trago nervosamente. Estava tentando me controlar e não demonstrar o susto que havia tomado.

Novamente o homem apareceu atrás de mim, saindo pela porta já com outra roupa. Roupa normal. Antes ele estava com uma roupa esquisita o que parecia ser um uniforme. Entendi que ele era funcionário da boate. Me afastei, apaguei o cigarro e olhei para o gostoso. "Obrigada." Agradeci o elogio à minha calcinha.

Ele piscou umas duas vezes e sorriu sem mostrar os dentes. Pegou minha cintura e já veio me beijando. Que delícia de beijo. Deixei. E correspondi. Ah, não sou nenhuma santa afinal de contas! Nos entrelaçamos e não nos soltamos durante um bom tempo. Nos encostamos na parede onde antes estava o caixote que caiu com a nossa movimentação.

Já estava amanhecendo o dia, mas estávamos num beco, cheio de tralhas ninguém poderia nos ver. Foi aí que aproveitamos para esquentar mais. Ele colocou dois dedos dentro de mim, eu já estava molhadinha, pronta para transar! Que delícia de noite! Abri seu zíper e comecei a trabalhar em seu pau ereto e forte. Antes de eu chupá-lo, ele me levantou, subiu meu vestido até quase o meu busto, baixou minha calcinha e ele começou a me chupar bem gostoso. Que delícia. Que língua decidida, firme!

Puxou minha perna para cima do seu ombro e quase caí, mas me equilibrei a tempo de gemer alto. Ele subiu, lambeu cada um dos meus seios e me virou de costas para ele. Fiquei ali pensando em quão louca era aquela situação toda. Ouvi quando ele se afastou um pouco e ouvi barulho de embalagem de camisinha. Coisa importante, lembrei. Rapaz prevenido.

Senti seu cheiro perto de mim de novo. Ele puxou me quadril com uma mão só e me penetrou suave vagarosamente. Não parecia haver pressa em nenhum dos seus movimentos e isso me deixava cada vez mais excitada e cada vez com mais fogo. Ele foi acelerando, acelerando e aquilo ia ficando cada vez mais gostoso. Gozamos juntos enquanto ele beijava meu pescoço.



Rafaela Valverde


quarta-feira, 4 de maio de 2016

Me ter

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Aquisição:Tomei posse de mim
A fim de te querer
Primeiro me entendi
Para depois te ter
Brinquei de reagir
E quis um mal querer
Pensei não existir
Possibilidade de viver
Sem mim dentro de mim
E me doei para você
Aquisição: A posse de mim é sua!




Rafaela Valverde

Minha análise do conto Famigerado

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O conto Famigerado de Guimarães Rosa está sendo narrado em primeira pessoa. Em trechos como “Eu estava em casa...”, “Tomei-me nos nervos...”, e “Sei o que é influência de fisionomia...”, entre outros é possível constatar esse excerto. Mas apenas dizer se o texto está em primeira ou terceira pessoa soa muito vago e não é apenas esse aspecto que define o narrador. Assim, cabe dizer que o narrador é um narrador-personagem, acumulando duas funções no texto: falando sobre si mesmo e sendo sujeito sobre o ambiente e sobre os demais personagens. O ponto de vista relatado, as impressões e as sensações vêm todas do narrador que também é ser atuante dentro da estória. No mundo diegético de Famigerado o narrador é homodiegético, aquele que está dentro da história, mas narra sua vida e a dos demais personagens. Ou seja, como já foi esclarecido, se trata do narrador-personagem.

Como é possível verificar no texto Sujeitos Ficcionais de Luis Santos e Silvana Oliveira há o sujeito da enunciação e o sujeito do enunciado, o primeiro é o produtor da enunciação e o segundo realiza ações no enunciado. Nesse caso específico do conto, onde há um narrador-personagem, esse narrador assume os dois papéis. Ainda no caso da ficção, o sujeito da enunciação (ficcional) é o narrador e o sujeito da enunciação (não ficcional) é o autor.

No caso do conto o autor criou o personagem que conta a história, como o próprio nome já diz, palavra conto vem de contar algo, mesmo que de forma oral. Esse personagem narra a estória a partir da sua visão de mundo. É o médico que recebe em sua casa um jagunço, um homem com “má fama” que é descrito pelo narrador que o vê e fala com ele. O homem com “com cara de nenhum amigo” é totalmente descrito pelo narrador-personagem e o leitor só tem apenas a visão dele sobre o homem.
A partir do início do conto e da aparição do homem estranho, a estória é desenvolvida de forma peculiar, com linguagem típica de Guimarães Rosa, que foi um criador de neologismos e dessa forma os seus textos costumam ser únicos, textos repletos de significados. É possível citar Ezra Pound quando ele afirma que “literatura é linguagem carregada de significado.” O texto de Guimarães Rosa é rico em uma linguagem rica, própria do estilo do autor. É literatura no real sentido da palavra!
É possível, portanto, constatar que o narrador homodiegético é muito importante para o decorrer da narrativa e para o seu sucesso. É importante que nesse caso, o narrador seja homodiegético para que a trama se dê, do clímax ao final. E no conto o clímax já é início do final! Claro que é quase sempre dessa forma que funciona um conto, com um narrador-personagem que estando dentro da história fala sobre ela. Sem esse tipo de narrador, é possível que não se tivesse a mesma descrição do homem “mau” chamado Damazio. Devido à natureza do conto, provavelmente se o narrador fosse autodiegético ou heterodiegético perderia se totalmente o sentido, ou deixasse de ser um conto.
Com isso é possível atribuir então o foco da narrativa ao personagem Damázio que seria o vilão do conto, o personagem que causa medo, enquanto o médico que narra estaria passivo, em segundo plano. É possível justificar o foco porque todo o texto se baseia praticamente nas impressões que se tem desse personagem, do seu humor ou falta dele, do seu alazão imponente. Os seus acompanhantes apagados só servem para acentuar ainda mais a marca de sua personalidade que é intimidante, que é famigerado. Famigerado é uma palavra que é encontrada no dicionário com significado bom e também ruim, ou seja, tem sentido de qualidade ou defeito. Em alguns dicionários online é possível verificar o significado também como um neologismo de Guimarães Rosa.

Como o personagem foco da narrativa é o “brabo sertanejo” a maior caracterização é a dele. Ele é quem é descrito ao longo da narrativa, é ele quem desperta o medo nos outros personagens. Sim, porque os seus três companheiros cavaleiros também lhe temiam assim como o médico que sai de seu sossego para dar de cara com esse tropel, que era liderado por essa figura imponente. O médico, que narra a história, demonstra medo em suas atitudes e em sua fisionomia. Seu medo pode ser comprovado no trecho: “O medo me miava.” Porém em vários outros trechos do texto, o medo dele fica bastante evidente sendo amplamente confirmado pelos famosos neologismos de Guimarães Rosa.
Essa caracterização, essa identificação de medo é que dá todo o toque à estória. O conto não seria o mesmo sem todo esse clima de medo, sem ameaça iminente de levar um tiro. Não haveria a estória que termina até de forma cômica se não houvesse todo esse medo. Os personagens são compostos por medo exagerado e ameaça exagerada. São dois extremos, dois opostos. Medo e coragem. Medo e ameaça. Assim, com essas características se faz o Famigerado que é um conto por definição de gênero, porém grandioso em aspectos como a linguagem como já foi exlicitado, a construção dos personagens e da estória em si. Personagens ricos que até deixam de caber em apenas um conto, esses personagens vão além desse conto.

Chegando ao final, porém a tensão inicial muda um pouco, pois os dois personagens do conto tão imbuídos de sentimentos tão contraditórios e intensos passam a ter uma relação minimamente agradável pelo menos para aquele momento. A tensão se dissipa e até há um princípio de algo parecido com um sorriso como comprova o trecho abaixo: “Levantou as feições. Se é que se riu: aquela crueldade de dentes”.

Em seguida o “homem mau” inicia um amistoso e difícil monólogo em que só um fala: ele mesmo, que de repente começa a tagarelar: 

O que frouxo falava: de outras, diversas pessoas e coisas, da Serra, do São Ão, travados assuntos, insequentes, como dificultação. A conversa era para teias de aranha. Eu tinha de entender- lhe as mínimas entonações, seguir seus propósitos e silêncios. Assim no fechar- se com o jogo, sonso, no me iludir, ele enigmava [...]



O enredo do conto com certeza não se passa em nossos tempos, isso é óbvio. É um tempo que não é explicitamente informado, mas algumas palavras no texto auxiliam na sua inferência. Essas palavras não são mais utilizadas nos tempos atuais. É claro que os neologismos atrapalham um pouco a percepção dessas palavras marcadoras de tempo, por isso que eles não entrarão nessa lista, apenas algumas palavras identificadas como tal. Um elemento também pode ser identificado como marcador de tempo no texto, que é o uso dos cavalos para meio de transporte. Ou não, já que ainda hoje anda- se com a ajuda dos animais em determinados contextos e ambientes. Mas ainda assim é um ponto importante a se pontuar devido à escassez desse tipo de transporte em cotidianos atuais como em áreas urbanas por exemplo.

As palavras consideradas marcadoras de tempo que identificam um tempo mais antigo na trama podem ser as seguintes: “vosmecê”, “donde” (que é uma palavra usada pelos mais velhos em áreas rurais exemplo. Se trata da contração De + Onde) “jagunço” (que é uma palavra em desuso, tendo em vista que jagunços eram bandidos guarda-costas de fazendeiros e senhores de engenho das antigas) A expressão “à revelia” pode ser considerada também como uma expressão que indica um tempo antigo na narrativa. A expressão é uma locução prepositiva que quem tem como um dos significados: “à margem de”. Pode ser que haja ainda outras palavras, mas essas são suficientes para o objetivo de análise do tempo em que se passa o texto.

Os tempos físico e social são mais subjetivos e o que há de se inferir inicialmente é que se trata de um ambiente rural. Até porque as próprias palavras acima, utilizadas como demarcadoras de tempo já podem traduzir os referidos tempos.

Percebe- se que se trata de um ambiente simplório, onde como já se sabe, a locomoção se dá através de cavalos. Em trechos como: “[...] o arraial sendo de todo tranquilo”, “[...] só podia ser um brabo sertanejo [...]” e ainda trechos que falam sobre o fato de Damázio estar armado e sobre a sela do cavalo entre outros, podem determinar ou fazer o leitor imaginar que se trata de um ambiente de zona rural, uma vila tranquila e bucólica, porém com alguém considerado e tratado como um “coronel” das redondezas, um homem temido e respeitado pelo “peso da de fogo no cinturão”. Um homem que tem uma fama de “homem perigosíssimo” que vem da Serra só pode ser imaginado como um coronel do mal que manda em toda uma região agrária e precária, onde não há nenhuma pessoa inteligente, o que o obrigou a viajar léguas, levando três testemunhas para ouvir do doutor o “verdadeiro” significado da palavra Famigerado. Afinal: “Não há como que as grandezas machas duma pessoa instruída”!





Rafaela Valverde







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