quinta-feira, 31 de março de 2016

Considerações sobre literatura e linguagem baseadas em Ezra Pound

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Ezra Pound no capítulo II livro ABC da Literatura define literatura como linguagem carregada de significado: "Grande literatura é simplesmente linguagem carregada de significado até o máximo grau possível." A linguagem escrita pode ser cheia de signos que representam ruídos diversos da fala. A utilidade da linguagem está ligada à comunicação, para isso é que ela foi criada.

A boa literatura comunica por muitos e muitos anos. "Literatura é novidade que permanece novidade." Livros rasteiros são sempre rasteiros. É muito difícil ler um romance policial por mais de uma vez. E quando é lido é porque a atenção da primeira vez foi muito pequena. E ainda assim fenômenos naturais fazem com que esse tipo de literatura não seja repetido segundo Ezra. Esses fenômenos ajudam a medir a literatura.

Ezra fala sobre os críticos e sobre como deveria ser o trabalho desses profissionais, que devem ter as suas próprias conclusões sobre o que foi lido e não repetir o que já foi dito. E há muito o que se olhar na poesia, um crítico dever estar atento e procurar auxílio de quem sabe mais. Isso vale também para os não críticos. Para pessoas comuns por exemplo que muitas vezes se acham super entendidas da coisa, mas não são.

Pound afirma que o melhor ponto de partida para a poesia e para a literatura é a definição de Dante, Sim, o italiano de Florença que dizia: "Uma canzone é uma composição de palavras posta em música." E não é que eu já pensava em uma definição assim? Na verdade não é uma simples composição de palavras não, é uma composição repleta de significados, de literariedade!

Ezra traz ainda informações sobre os escritores, sobre o papel deles nessa história toda:
"A literatura não existe num vácuo. Os escritores como tais, têm uma função social definida, exatamente proporcional à sua competência como ESCRITORES. Essa é a sua principal utilidade." (Pound, Cap. III p.36)

Ou seja os escritores têm como função serem bons escritores, com a manutenção de uma linguagem eficiente, precisa e clara. Não importa qual a intenção ao escrever, essa é a forma que deve ser feita a escrita. A linguagem é o principal instrumento do escritor e da boa literatura e da comunicação de todos os seres humanos, então se faz necessário que ela seja o principal e eficiente instrumento para construção da boa literatura.

A literatura não pode decair, o que faz uma nação decair também e os homens lúcidos não podem permanecer quietos diante disso. Os bons escritores não podem ser deixados de lado. E há vários critérios para serem considerados bons escritores, o bom uso da linguagem e o mais defendido por Pound que afirma ainda que a linguagem deve ser muito bem escolhida pelo escritor.

Má literatura é prejudicial para um país. "Um povo que cresce  habituado à má literatura  é um povo que está em vias de perder o pulso de seu país e o de si próprio." Com isso, o que há de se concluir
(apesar de que Pound ainda não concluiu sua conversa sobre a literatura e a linguagem), é que  não devemos e e nem podemos por obrigação moral até, deixar a boa literatura, leia se os clássicos de lado, em detrimento de uma literatura com uma linguagem mais rápida e objetiva. Claro que não rejeito nenhum tipo de literatura e hoje tudo é e deve ser agregado. Porém não é possível que se deixe a boa literatura carregada de significados e linguagem de lado.



Rafaela Valverde



quarta-feira, 30 de março de 2016

Gambiarra do coração

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Coração partido
Coração despedaçado
Será que há cola que baste?
Coração pisado
Em frangalhos
Era aberto
Foi humilhado
Colado
Remendado
E agora está fechado.




Rafaela Valverde

Inutilidade moderna da arte e da literatura

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Nos dias de hoje e em meio ao que deveria ser a era do conhecimento ou da informação, torna se cada vez menos importante consumir cultura. E isso, é necessário dizer se deve também que a crise que é uma grande responsável pela pobreza cultural em que estamos mergulhados. Pelo menos são as desculpas que as pessoas dão.

Corta-se cada vez mais o que não é essencial e segundo a maioria das pessoas comprar livros não é essencial. E convenhamos que realmente em tempos como esse fica meio difícil comprar um livro de trinta, quarenta, ou cinquenta reais  em detrimento da conta de água por exemplo, ou do pagamento mínimo do cartão de crédito.

Quem é aficionado por livro e leitura até vai dando um jeitinho, mas cada vez mais vai ficando difícil e apertado. Mas daí é possível visualizar perfeitamente a ideia desenvolvida por Platão sobre a inutilidade da poesia dentro de uma sociedade, a Politeia, a sua cidade, a cidade do seu mundo das ideias. Bem, pelo menos eu faço essa analogia que pode ser ou não relevante, que pode ou não estar certa. 

A literatura, a arte, a poesia vão se tornando cada vez mais dispensáveis, devido a uma série de motivos que eu não sou capacitada para listar. Mas hoje ter interesse por algo subjetivo e não imediato como essas representações artísticas pode ser considerado uma perda de tempo. Até por que não necessariamente vai se retirar conteúdos objetivos, práticos e funcionais dos chamados textos literários.

Porém o que é necessário pensar é se em épocas de crise, não seria necessário ao invés de deixar de lado a cultura, a educação, a literatura, simplesmente abarcar todas essas coisas e trazê- las para a nossa vida? Porque além de melhorar nossa vida com lazer, com ludicidade, com coisas positivas, traz também conhecimento, destaque na vida pessoal e profissional além de a médio elongo prazo poder transformar uma nação em uma nação mais culta.



Rafaela Valverde

segunda-feira, 28 de março de 2016

Gritar o tempo todo que está bem não vai te deixar bem!

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Quem está bem não precisa ficar bradando isso aos quatro cantos do mundo. Estar bem é apenas estar. É um estado tão puro que não carece ficar dizendo em todos os status de todas as redes sociais, nem mostrando em todas as fotos e legendas. Quem está bem, demonstra no sorriso que sai automaticamente em todas as suas fotos. Quem está bem não tira foto com a cara fechada e em baixo a legenda: "estou maravilhosamente bem, obrigado."

Não. Quem está bem sorri verdadeiramente nas fotos, mesmo que coloque na legenda "eu estou mal", ninguém acreditará. Então, estar bem é espontâneo e não deve servir para gerar elogio e admiração de outrem. Estar bem é um estado de espírito tão pleno que só dá vontade de estar em silêncio na verdade, para não assustar a sensação.

E na verdade isso serve para tudo na vida, quem está bem não fica falando, quem faz sexo todo dia não precisa ficar falando que faz e acontece e tal, quem ganha dinheiro e tem uma casa boa não precisa ficar contando vantagem.

Na verdade há hoje um conceito cultural de proibição do estar mal, é proibido ficar triste e zangado. O politicamente correto e a sensação de satisfação instantânea instaurada pelo consumo, festas e músicas ruins, inclusive com letras alienantes falando que está tudo certo no mundo, reforçam esse sentimento coletivo de falso bem estar e felicidade eterna.

É fato e é óbvio que a felicidade não pode e não é efetivamente plena. Não dá para ser. Sofremos picos de angústias, tristezas, dores, decepções, problemas cotidianos para resolver.., entre tantas outras adversidades. Em um momento, ao olhar o mar sentimos bem estar, mas depois de um momento sufocados por paredes vêm novamente a tristeza.

Então, nem sempre estamos bem. Estar o tempo todo bem e satisfeito com as as escolhas que fazemos é no mínimo ilusório. Mas também pode ser hipócrita e simplesmente mentiroso. Apenas factoides para mostrar para todo mundo, uma felicidade irreal. Enfim, o que eu quero realmente dizer é: não há necessidade de ficar dizendo que está bem, feliz, etc, etc, etc. Há coisas que não precisam ser bradadas a todo o tempo, felicidade e caridade são duas delas.


Rafaela Valverde

SABIÁ COM TREVAS IX - Manuel de Barros


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O poema é antes de tudo um inutensílio.

Hora de iniciar algum
convém se vestir roupa de trapo.

Há quem se jogue debaixo de carro
nos primeiros instantes.

Faz bem uma janela aberta
uma veia aberta.

Pra mim é uma coisa que serve de nada o poema
enquanto vida houver.

Ninguém é pai de um poema sem morrer


Manoel de Barros

Do livro: "Arranjos para Assobio", Editora Record, 1998, RJ
Enviado por Márcia Maia




Rafaela Valverde

sábado, 26 de março de 2016

Filme O Perfume da Memória

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Ontem assisti o filme O perfume da memória de Oswaldo Montenegro que comemora 40 anos de carreira com esse longa metragem que é o seu terceiro. O filme foi disponibilizado no canal do Youtube do diretor que também é um dos melhores cantores e compositores brasileiros, na minha humilde opinião, o filme foi feito sem patrocínio, com recursos dele mesmo.

“A história é sobre a paixão entre duas mulheres, mas não impõe bandeiras. É amor sem signos fechados. Essas duas mulheres poderiam ser substituídas por um homem e uma mulher ou por dois homens. O PERFUME DA MEMÓRIA trata do amar, como verbo. E o amar, como verbo, dispensa substantivos, dispensa rótulos” (Rodrigo Fonseca, crítico de cinema, O ESTADO DE S. PAULO). (Trecho retirado do site do artista)

O filme é uma das coisas mais lindas que eu já vi na minha vida e foi indicado pela minha amiga Fernanda. O texto fílmico é conduzido através da narração de Oswaldo e através de belas músicas. Há pequenas e ao mesmo tempo magnânimas interrupções de uma flautista e uma violinista que banham o filme de boa música, poesia e ludicidade.

O filme é passado em uma noite, duas mulheres se encontram e se conhecem muito profundamente em apenas uma noite. Uma delas está sofrendo pelo fim do seu casamento. Laura passa o seu aniversário com o que segundo ela é a "segunda pior dor do mundo" que é a dor de ser abandonada. Bem, claro que logo eu me identifiquei com ela, que além de tudo é taurina, o que é evidenciado em dos diálogos entre ela e Anna. Qualidades e defeitos dos taurinos também são evidenciados. 

É claro que esse apenas um dos detalhes do filme que é de uma beleza arrebatadora. As músicas, a praia, a noite, a dor de amor, a frustração, o abandono, a amizade, a liberdade, modos diferenciados de vida... Tudo isso enriquece a narração que me fez derramar mil litros de lágrimas! Além de ser taurina e estar sofrendo por amor, Laura escreve (aumentou mais ainda a minha identificação) e é isso que faz Anna se aproximar dela e conhecê-la no dia do seu aniversário.

As duas mulheres tão parecidas e tão diferentes sentem uma magia, algo tão intenso que começou em uma noite, mas o pico é um segredo de umas das duas que  pode mudar todo o rumo da história e fez a mim como expectadora refletir e ligar vários pontos. A atuação das duas atrizes que não são conhecidas pela grande mídia é excelente. Elas são as atrizes: Kamila Pistori e Amandha Monteiro e são ótimas. O filme não seria o mesmo sem elas. Todo o sentimento e emoção que me levaram as lágrimas foram genialmente mediadas pelas duas atrizes, mescladas com a narração e a música.

O filme está no Youtube e tem pouco mais de uma hora. Vale muito a pena assistir e foi a hora mais bem aproveitada por mim nos últimos tempos. Eu amei, me identifiquei muito com o filme, com a arte, com o texto, com as músicas. Vou finalizar falando o que minha amiga Fernanda me falou: " tente não chorar." 




Rafaela Valverde

Livro Fazendo as malas- Danuza Leão

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Terminei de ler o livro Fazendo as malas de Danuza Leão. Esse livro é da biblioteca Central da Bahia e foi garimpado por mim em uma das estantes que ficam acessíveis para o público. Duas coisas me fizeram pegar esse livro emprestado: ela passou por Roma nessas viagens, e é Danuza Leão, escritora que já acompanhava através da revista Cláudia.

Trouxe o livro pra casa e o li em poucos dias, já que ele tem uma linguagem muito clara e divertida. O livro é bem bonito e divertido, tem belas ilustrações e fala da minha amada Roma, que ainda não conheço, mas que através de livros e filmes que leio e vejo sobre ela já consigo sentir sua magia. Eu amo a Itália, só de ler e ver filmes sobre o país. 

Enfim, isso é assunto para outro texto. Então Danuza fala sobre o impulso que a levou a viajar, faz críticas ao que significa viajar hoje, com aeroportos cheios, sobre ter que fazer e desfazer malas, mas ainda assim admite que viajar é um conjunto de experiências únicas na vida. Em seguida começa a narração sobre a viagem e sobre os países visitados que foram Espanha, Portugal, França e Itália. As cidades em que ela esteve foram respectivamente: Sevilha, Lisboa, Paris e Roma.

Em Sevilha Dauza descreveu as touradas, que é uma tradição muito forte no país. Em todas as cidades ela falou muito sobre culinária e restaurantes com as comidas típicas. Deu muita água na boca! E além disso, ela fez marcações importantes acerca das culturas locais e do modo de viver das pessoas de cada cidade. Em Lisboa, várias histórias foram contadas e lugares foram descritos. Também gosto muito de Portugal.

Danuza que é uma mulher muito sofisticada falou de tudo nesse livro, moda, tendências e em Portugal ela escreve e reflete sobre as semelhanças e diferenças entre portugueses e brasileiros. Em Paris o que fica mais evidente é a culinária, a elegância e o consumismo, claro. Além da nostalgia, pois a autora afirma várias vezes que Paris mudou.

Por fim em Roma, ela traz um panorama geral de como está a cidade e de como vivem seus moradores. O trânsito continua caótico, a cidade continua burocrática e com pouca tecnologia. Sempre apinhada de turistas, Roma exala beleza, simpatia e romance. Os italianos, bonitos e educados recebem muito bem seus turistas. A cidade respira magia. Quem quiser saber mais leia o livro. 


Rafaela Valverde

quinta-feira, 24 de março de 2016

Saiam lágrimas!

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Não aguento mais chorar
Lágrimas me levam a alma
Levam
E não lavam como dizem por aí!
Me levam prum canto onde eu não me acho.
Que olhos molhados são esses?
De repente alguém me pergunta
E eu não consigo responder
Eu estou perdida
Um buraco me sufoca
As lágrimas me sufocam
Me oprimem
Me transbordam
Me levam
E me trazem
Sim eu não aguento mais chorar
Eu não aguento mais ser levada pelas lágrimas
Eu não aguento mais os olhos molhados
Pela dor
Pela opressão
Pela ingratidão
Até mesmo pela vida
Não aguento mais chorar
Preciso começar a rir
Mudar as curvas do meu rosto
E lavar a alma com sorrisos
Levar a alma para um tamanhão de alívio
E tranquilidade.



Rafaela Valverde


terça-feira, 22 de março de 2016

Reflexões sobre o Salvador Card e suas incoerências

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Ando pensando algumas coisas sobre o Salvador Card ultimamente. O Salvador Card é o que dá meia passagem aos estudantes, integração nos ônibus diferentes, enfim, o cartão para passar nos ônibus da cidade. O projeto era vinculado ao Seteps antigamente e até era chamado de Seteps, porém hoje está ligado também à prefeitura de Salvador. Não tenho bem certeza, mas parece que é um acordo entre prefeitura e sindicato dos empresários de empresas de transportes públicos da cidade.

Então, de um tempo para cá, não sei bem dizer quanto, o projeto resolveu se reformular. Houve uma popularização dos cartões, quase todas as empresas são adeptas para transporte dos seus funcionários, a maioria dos estudantes possuem um cartão de meia passagem e ainda há o bilhete avulso, que qualquer cidadão pode ter e pegar dois ônibus pagando apenas uma passagem no período de duas horas.

Além disso houve uma dispensa maciça do trabalho do humano e as recargas passaram a ser exclusivamente através de totens. Antes do início das revalidações anuais para que os estudantes continuem usando o serviço durante 2016 ainda havia pessoas carregando os valores em dinheiro no cartão. Agora não. As pessoas estão lá apenas para revalidar. Um processo que ao meu ver também é falho.

O Salvador Card possui três pontos fixos de recarga dos cartões em pontos específicos da cidade. Abriram postos móveis em alguns shoppings e totens foram distribuídos em algumas faculdades, como a UNEB e a Unijorge por exemplo. Porém ainda é pouco, comparado à quantidade de pessoas que havia antes para fazer as recargas e que provavelmente foram demitidas. Os totens são úteis, mas são máquinas, será que se um dia quebrarem ou precisarem passar por alguma manutenção, haverá pessoal suficiente para lidar com essa contingência? A resposta é não. Fora que as filas continuam, o que invalidou um pouco o princípio da praticidade dos totens. Ah e os totens não dão troco e só aceitam notas novas (sem rasuras e que não estejam amassadas, recusando as que estão) e ainda só é possível inserir notas a partir de cinco reais. Moedas e dois reais não! Já passei maus bocados por causa disso!

E para voltar a falar de revalidação, eu revalidei recentemente o meu cartão e o de minha irmã. Nossos comprovantes de matrícula mal foram olhados, os documentos de identificação então nem se fala. Não foi pedida a mim nenhuma comprovação de parentesco com a minha irmã, já que estava revalidando o cartão dela de estudante.

Há ainda a questão da segurança sobre quem está ou não utilizando esses cartões de estudantes, pois no início era um sistema bem rigoroso, onde só as pessoas da família podiam fazer a recarga e a revalidação apresentando documentos de identificação que eram analisados e a depender do estado não eram aceitos. Havia também a questão da digital que era solicitada nos ônibus a fim de identificar os estudantes. Essa medida de segurança foi muito criticada por mim, pela lentidão que gerava dentro dos coletivos, JÁ QUE NUNCA FUNCIONOU BEM! 

Mas aí de repente, a solicitação da digital ou identificação biométrica que começou com tanto rigor e todos tivemos que fazer o cadastro dos nossos dedinhos em tempo hábil, não existe mais! Quem me disse isso foi uma cobradora de ônibus! Sim! Ela disse: " esqueça isso de botar o dedo, isso acabou!". Eu me senti enganada, por que depois de tanta agonia em nossa cabeça (quem lembra desse período sabe o que estou dizendo), simplesmente não existe mais. Como assim? Cadê a segurança? Não há mais solicitação de digitais? Quer dizer então que quaisquer pessoas podem recarregar meu cartão (totens) e ainda podem utilizar nos ônibus "de boa"? Como assim, Seteps? Hein Salvador Card? Prefeitura? Alguém para explicar? Só eu quem penso nisso?

E ainda há mais uma coisa: a diminuição de funcionários no órgão além de aumentar o número de desempregados na cidade e no estado, será que não ajudou a piorar o atendimento e conferimento dos documentos, diminuindo a segurança? Afinal, é muita gente e o serviço tem que ser rápido. A resposta é SIM! Fica a reflexão ou as reflexões. Temos que reclamar e chamar atenção para o que está errado, é o nosso dever enquanto cidadãos!



Rafaela Valverde

Filme Lovelace

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No final de semana assisti o filme Lovelace que é uma cinebiografia da atriz Linda Lovelace, um sucesso do pornô americano, que fez o clássico do gênero Garganta Profunda. O filme é de 2013 e tem como atriz principal, vivendo Linda, a atriz Amanda Seyfried. O filme é bem comum e não traz muita coisa de extraordinário como a maioria das cinebiografias ou pelo menos enquanto sétima arte.  

Já em questão de drama e do que pode sofrer uma mulher dentro de um contexto misógino e dominado por homens, o filme é bem rico. Pelo menos foi para mim. Era anos 70 e as coisas não eram nada boas para as mulheres. Na verdade ainda não são, apesar de já termos obtido diversos avanços. E olhe que foi nos EUA, imagine aqui no Brasil nessa mesma época.

Linda morava com os pais que eram super formais e conservadores, ela mal saía de casa quando conheceu o homem que seria seu marido. Ele era um trambiqueiro e agenciava prostitutas, pelo menos é o que se faz ser entendido do filme. Após um problema financeiro, ele obriga a mulher a entrar na indústria dos pornôs. Linda é a estrela desse único filme, por que depois de tanto apanhar, ser usada, vendida e estuprada, ela se recusa a fazer outros filmes.

Em todo o decorrer do filme fica clara a ideia de objeto que Linda representa para o seu marido. Ele pouco se importa com ela. Ela só é uma boa e bela máquina de sexo e de dinheiro, é só para que ela serve. Ele é violento, agride a mulher muito violentamente (não só fisicamente) e quando ela vai pedir ajuda para a mãe, é entregue de volta ao marido.

Na época era assim que se acreditava que as mulheres deveriam se comportar. As mulheres deveriam ser casadas, respeitar e obedecer seus maridos. E foi isso que a sua mãe a mandou fazer, mesmo depois de ela implorar para ficar uns dias. Mas não posso julgá-la, era o pensamento da época. A consciência que se tinha era essa. Obediência, submissão, patriarcado... Reinava o: " ruim com ele, pior sem ele..."

Ainda bem que isso mudou, ainda bem que as feministas (nós todas) começaram a perceber que havia algo de errado nessa história e lutaram, lutaram muito para mudar o rumo dessa história. Apesar de ainda haver muito para mudar, já que milhares de mulheres são agredidas e mortas todos os dias em nosso país, só pelo fato de serem mulheres e pelo fato de alguém achar que são donos dessas mulheres. Nossos donos. Nunca! Nós não vamos mais aceitar isso, nunca mais.

Graças a tantas lutas, inclusive iniciadas por Linda que militou contra a indústria pornô, é que hoje eu posso sentar na frente do computador e escrever tudo isso que eu escrevo aqui durante todos esses anos.



Rafaela Valverde

segunda-feira, 21 de março de 2016

Um desconhecido

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Eu sempre saía atrasada e esquecia alguma coisa, dessa vez havia sido meu lanche, minhas frutinhas, meus cereais. Eu estava tentando ser uma pessoa saudável, apesar de não estar conseguindo muito. Enfim, não sei como eu consigo me atrasar todos os dias, mesmo acordando no mesmo horário de sempre.

Não estava mais aguentando aquela rotina e sei que estava cada vez mais precisando de férias. Quero viver meu ócio criativo novamente. Estou há três anos trabalhando sem parar e acho que o estresse todo é que traz esse esquecimento todo e esse atraso, essa vagareza toda.

Entrei no prédio em que trabalhava e decidi que mais tarde compraria o lanche, já estava atrasada e teria uma reunião dali a poucos minutos. Eu não sabia exatamente o que seria falado na reunião, pois foi convocada na noite anterior quando eu já havia saído. Recebi a mensagem no meu celular e tentei não me atrasar por saber que seria importante.

Mas não adiantou, me atrasei como sempre e estava praguejando quando me esbarrei em uma senhora muito bem vestida e elegante. Atrás dela vinha um rapaz alto, de terno aparentando ser o seu segurança. Ele me olhou e sorriu. Franzi as sobrancelhas e me virei rapidamente olhando para ele de costas enquanto ele saía do prédio junto com a patroa.

Não o reconheci, não me lembrei de conhecê-lo. Por que ele me olhou daquele jeito e sorriu? Entrei no elevador e quando subi a reunião estava começando. Ela durou quase a manhã inteira. Como só almoço mais tarde, desci para comprar um lanche para forrar o estômago, o lanche que havia esquecido.

Quando entrei na lanchonete me dei conta quem era o cara. Fiquei com ele na última noite que havia saído para me divertir. A noite em que olhei fundo para o espelho e admiti que não mais ia me deixar enganar pelo amor e por suas enganações. O engraçado é que nessa mesma noite eu encontrei esse cara super legal, um gato! Trocamos uns beijos e passei o telefone errado para ele. Ri sozinha enquanto me lembrava disso.

Mas continuava certa do que eu queria, ou do que não queria. E eu não estava nem um pouco afim de cair nessa cilada novamente. A ferida que havia sido aberta ainda estava bem aberta e dolorida. Não estava afim de maltratá-la mais. Lanchei e voltei para o trabalho, não pensando mais no desconhecido o resto do dia. Sim, por que eu nem me lembrava o nome dele.


Rafaela Valverde


Ternura - Isabella Taviani

Uma vez você falou
Que era meu o seu amor
Que ninguém ia separar
Você de mim
Agora você vem dizendo adeus
O que foi que eu fiz
Pra que você me trate assim?

Todo o amor que eu guardei
A você eu entreguei
Eu não mereço tanta dor, tanto sofrer
Agora você vem dizendo adeus
O que foi que eu fiz
Pra que você me trate assim?

Toda ternura que eu lhe dei
Ninguém no mundo vai lhe ofertar
E seus cabelos só eu sei como afagar
O meu pobre coração
Já não quer mais ilusão
Já não suporta mais sofrer ingratidão
Agora você vem dizendo adeus
O que foi que eu fiz
Pra que você me trate assim?


Fonte: Vagalume




Rafaela Valverde

sexta-feira, 18 de março de 2016

Livro Édipo Rei \ Antígona - Sófocles

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Terminei de ler mais um livro. É um livro bem pequenininho e li em poucos dias. Se trata de Édipo e Atíngona, tragédia de Sófocles, o maior tragediógrafo da sua época. Me fascinei pela história depois de uma aula de literatura onde estudamos essa história. A história de Édipo um rei de Tebas que cai em desgraça por causa da maldição de um deus, o deus Apolo.

Claro que eu já conhecia a história de forma superficial e até já estudei um pouco sobre o conceito psicanalítico do complexo de Édipo desenvolvido por Freud, mas também não estudei muito não, o que me isenta de falar sobre isso. Uma novela brasileira também contou essa história, onde Vera Fischer e Felipe Camargo eram Jocasta e Édipo respectivamente. 

O livro vem em forma de peça de teatro e as histórias são bem curtinhas. Édipo, nome que significa pés inchados, se quiser saber por que é só ler, É uma tragédia. O nome já diz e é o estilo de Sófocles. Ele gosta do miserê hehehe. Mas é sério, Sófocles, em suas histórias fala muito sobre o destino, sobre os deuses e suas vontades. Para mim é uma trama fascinante que olhei a vida toda com preconceito. Por que nos fazem odiar esse tipo de leitura? Hein? Hein? Será que é por que prega a justiça e um governador de uma nação realmente justo e honesto?



Rafaela Valverde

Desempregada sim, desocupada não!

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Ia escrever sobre insatisfação no trabalho que era algo que estava me afetando bastante nos últimos meses, mas nem vou precisar falar sobre isso por que fui demitida anteontem. Sim a crise pegou a gente e sim eu estava insatisfeita lá e estava buscando outras opções sim. E sim eu estava me sentindo tão oprimida que cheguei a me sentir aliviada quando ouvi a notícia. E sim eu já estava prestes a cometer a loucura de pedir demissão sem nenhum em vista. Mas sim, eu também estou preocupada com o amanhã, preocupada com o que vai ser depois do seguro desemprego. 

Principalmente com toda essa crise econômica e política pela qual estamos passando. Eu estou um pouco perdida agora, confesso, mas pretendo começar a dar aulas em breve, estagiar, entrar em algum grupo de pesquisa da UFBA e tenho outros projetos em mente também. Mas isso aí só com o tempo para ir desenvolvendo e contando aqui.

Mas é isso, estou apenas estudando no momento, o que já é muita coisa, tendo em vista o ritmo de estudos alucinante da universidade onde estou agora. Nunca estou sem estudar. Sempre tem algo para ler, revisar, exercitar, refletir ou algum trabalho para entregar. Eu pretendo descansar e estudar muito nesse período e seja o que Deus quiser depois. Pretendo ainda fazer alguns investimentos e cursos, mas ainda estou maturando as ideias. É isso aí, bola pra frente. É muito clichê e manjado dizer isso, mas tire o S da crise e crie. É o que pretendo fazer.



Rafaela Valverde
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