sexta-feira, 30 de maio de 2014

Cumplicidade e parceria, apesar das dificuldades

Foto: Google
Relacionamento é algo difícil. Principalmente os mais longos que se estendem ao longo dos anos. Nesses relacionamentos longos você conhece demais a outra pessoa, a intimidade é muito grande e muitas vezes já não é mais necessário fechar a porta do banheiro.

Você conhece as expressões faciais do outro, sabe o que ele está sentindo só de olhar e sabe quando ele quer falar alguma coisa. Você descreve o jeito e as atitudes do parceiro e vice-versa.

Por que é difícil? Justamente por esse motivo: conhecer demais. A coisa pode se tornar muito previsível e ao mesmo tempo muito boa. É uma faca de dois gumes. Você pode conhecer muito bem a pessoa ou não, ao longo do percurso, mas em geral a primeira opção ocorre com mais frequência e é muito bom saber em que terreno está pisando.

Para quem preza pela rotina, pelo dia a dia e pela segurança, como eu que sou taurina - e essa é uma forte característica dos taurinos - esse tipo de relacionamento é sim satisfatório. E realmente é o que vivo há oito anos. E quase quatro anos de convivência diária, morando juntos.

É algo que se cultiva e deve ser cultivado diariamente, construído muitas vezes arduamente em torno de dificuldades financeiras, familiares, ciúmes e todo tipo de dificuldade que pode aparecer e com certeza vai aparecer.

A vida é difícil, a vida a dois é ainda mais. Quem não vive a dois não consegue entender, ou imaginar, mas realmente não é fácil. É bom estar com quem se ama sempre que possível, dormir junto, ter com quem conversar e cuidar, mas as dificuldades da vida muitas vezes faz a gente querer sair correndo, sumir, ou se jogar de alguma passarela bem alta. Mas ao mesmo tempo é compensador, não nego.

A monogamia - condição forçada social e culturalmente - pode ser sufocante, mas a falta de pessoas interessantes lá fora e o amor que sentimos, que se transforma, mas ainda está lá, não estimula a buscar aventuras externas e nem a "largar o certo pelo duvidoso". 

Por fim gostaria de deixar claro que esse texto se trata apenas de uma reflexão sobre a vida a dois, a vida dividida. Não é nenhum relatório conclusivo sobre minha vida ou a de qualquer outra pessoa, é apenas um devaneio de alguém que passa as tardes com pouco trabalho e se distrai escrevendo.


Rafaela Valverde

O homem do uniforme azul

Um rapaz entrou no ônibus e deu bom dia. Como ele cumprimentou os passageiros e não estava com nada nas mãos para vender, percebi logo que ia fazer uma pregação religiosa.Estava com uma camisa azul com um nome bordado próximo ao peito. Me pareceu um uniforme de empresa. Ele berrava, isso mesmo berrava o que ele dizia ser "a palavra de Deus".

Rogava pragas em cima de nós e dizia em alto e bom som que deveríamos nos arrepender e "nos entregarmos a Jesus". Estamos, segundo ele, no juízo final, no fim dos tempos e toda violência existente no mundo se deve a isso, pura e simplesmente, e não pelo fato de sermos ruins e violentos por natureza.

Eu ouvia tudo, desejando que meu fone de ouvido tivesse um som mais potente. e achando um absurdo alguém gritar tanto dentro de um ônibus às seis e meia da manhã. Além de gritar, estava mal humorado.

De repente, em um determinado ponto de ônibus, onde descia muita gente, ele olhou para os lados, se calou finalizando seu discurso e parecendo se dar conta de algo, desceu do ônibus. Constatei por fim que o que ele querias mesmo era chegar ao seu destino sem pagar nada, o infeliz.



Rafaela Valverde


terça-feira, 20 de maio de 2014

Jovens mais jovens que eu

Foto: Google
Sempre estou sozinha, sobretudo nos ambientes rodeados de jovens que vivo atualmente. É claro que eu sou jovem, mas talvez tenha espírito velho, amadurecido. Ou então é aquele típico preconceito com as gerações precedentes à nossa. Bem deve ser isso mesmo. Os mais jovens que eu, os bem mais jovens mesmo, que estudam comigo na faculdade ou no curso técnico. São jovens de dezessete, dezoito, dezenove anos, com hormônios à flor da pele, que não conseguem ficar calados, só assistem séries e acham que sabem muita coisa. Acham até que sabe tudo da vida! Coitados. Nem vou lhe dizer o que os espera.

Esses jovens me evitam, me acham uma dinossaura do século passado. Simplesmente por que entro calada, dou meu bom dia/ boa noite e assim permaneço. Só falo quando me perguntam algo e raramente consigo me soltar na minha turma da faculdade. Me solto mais à noite no curso técnico. A turma, mesmo tendo muitos jovens é um pouco mais silenciosa e madura. Ouve a professora e  falam menos, bem menos asneiras do que as que tenho ouvido em todos os lugares ultimamente.

Sento no meio da sala e fico lá, na faculdade, calada e até mesmo dormindo, para tirar o atraso. Isso antes de começar a aula. Sempre chego muito cedo e antes de o professor chegar, sempre temos três ou quatro pessoas na sala, mas quando "o grosso" da sala chega, o pandemônio se forma. A maioria dos professores têm que fazer um esforço inumano para conseguir dar aula, por que a falta de educação e  falta de maturidade não permitem que as pessoas calem a boa e /ou desgrudem do celular, durante uma manhã.

Não tenho mais paciência para os jovens, mais jovens que eu. É por isso que não penso em ter filhos. Não quero adolescentes chatos de uma geração ainda mais avançada, infernizando meu juízo. Já tenho problemas demais! Estar em algum lugar aqui nessa faculdade, constantemente se torna um inferno. A praça de alimentação, os corredores, o laboratório de informática agora está pior que feira livre. Eles gritam, eles conversam fora de hora, eles riem de tudo e falam alto, muito alto. Além de te empurrarem, fingirem que não estão te vendo e não reponderem o bom dia.

Aliás só falam besteira. Não dá para filtrar muita coisa não. É claro que isso é uma generalização da minha parte e isso soa como injusto e é, por que nesses mesmos ambientes e em outros, conheço jovens centrados, que falam em um tom de voz normal, leem, não vêem apenas séries idiotas, têm educação e ouvem os professores. Esses são poucos, mas se destacam. O resto se torna igual, homogêneo. Os filhos da classe média alta de pais que são exatamente assim. Os filhos são apenas reflexos do que vêem em casa.


Rafaela Valverde

Resignação

Foto: Google
Não sou daquelas que se conforma facilmente. Não gosto da palavra resignação, porém já venho há algum tempo vivendo de forma mais ou menos resignada e aceitando as consequências das minhas atitudes e falta delas. Isso já dura anos e a estagnação que se encontram certos aspectos da minha vida estão me deixando de cabelo em pé. Mas ainda. Porque meu cabelo já é em pé.

Meus meses duram sessenta dias, minhas noites são curtas e quase não durmo. Como suportar um longo dia - que eu adoro- sem conseguir dormir direito? Ah, tá certo. Ninguém dorme oito horas por noite mesmo e está tudo bem. Todo mundo trabalha muito e conheço professores que dão aulas nos três turnos. Tá tudo bem. Eu adoro essa rotina alucinada e muito ansiei por ela.

Não está fácil para ninguém, estamos no mesmo barco, etc. Frases como essas nos torna ainda mais resignados, conformados e calados. Saber que existem outros miseráveis iguais ou piores que você ajuda muito. Como somos cruéis! Esse é o nosso consolo em nos resignar: saber que alguém está no mesmo barco, ou em um barco afundado. 

Pensando nisso, a gente vai vivendo miseravelmente, mas vai se conformando e assimilando que é assim mesmo, um dia melhora e todas aquelas babaquices de auto ajuda de quinta categoria. Se é que existe auto-ajuda que não seja de quinta categoria. Essa é outra história e os fãs dos odiosos livros desse segmento me odeiam e são o que mais de desanimador e politicamente correto e incoerente que temos em nosso país.

Deixando os politicamente corretos para outro texto e voltando aos meus devaneios inconformados e subversivos, verifico que não é mais permitido estar triste, acordar revoltado, de mau humor, com a pá virada, etc. Você tem que se calar e aceitar. Entender que matar um leão por dia é nossa obrigação e "um dia vamos rir de tudo isso." Sim, sim é claro! 

Esse é um típico papo de quem está no topo da pirâmide, falando para quem está na base que se ele quiser, se esforçar, trabalhar e lutar muito quase até morrer, ele pode subir na vida e quem sabe até ir um dia para a Disney. E a gente acredita. Como não, cara pálida? Ascensão social, classe média, viagens internacionais... Tudo isso está na moda, está em voga e cabe a nós, pobres lutadores da base da pirâmide lutar, lutar e lutar, contando moedas todo mês, desesperando quando chega (ainda) o dia vinte de cada mês, ansiando pelo quinto dia útil e escolhendo quais contas serão pagas mês a mês.


Rafaela Valverde

domingo, 18 de maio de 2014

Não gosto...

Foto: Google

Não confio em quem não gosta de gatos. Não confio em quem não gosta de ler, quem não gosta de um bom livro. Não gosto de quem escreve errado. Não confio em que se acha melhor que os outros. Não confio em quem não cumpre seus compromissos e horários e não confio em quem não paga suas contas. Não que a minha simpatia e confiança tenha algum valor, mas seleciono as pessoas baseada em alguns detalhes. Detalhes esses que podem deixar de ser detalhes e virar algo maior, muito maior.

Não gosto de quem fala alto, joga lixo no chão e não devolve o que pediu emprestado. Isso é falta de educação, não quero gente mal educada ao meu lado. Não gosto de quem maltrata animais, seja lá ele qual for e quem prende passarinho na gaiola. Passarinho deve estar livre para voar! 

Não gosto de quem não gosta de música e não confio em quem só vive de dieta, esperando nunca engordar, mas eu nunca vejo onde está a pessoa gorda. Não confio em quem só reclama com a bunda no sofá e não parte para a ação. Não gosto, não confio e abomino quem não respeita professor em sala de aula e fica o tempo todo conversando e/ou fazendo outras atividades.

Não gosto de quem enrola no trabalho e não cumpre com suas obrigações e sempre fica esperando pelos outros. Não confio nos atrasados e nos desligadões que sempre esquecem tudo. Não gosto de ciúme e não confio em quem não gosta de um bom filme cabeça.Não confio e também não gosto de quem está sempre colocando dificuldade em tudo e sempre acha que não vai dar, não vai dar e não vai dar. Sempre dá. É só querer, é só estar afim, é só ter interesse e priorizar.

Não confio e tenho muita raiva de quem faz pergunta idiota e pergunta se trato meu cabelo no Beleza Natural, ou se está com permanente. Não, essa merda é natural. Acredite se quiser. Não preciso que acreditem em mim. Não confio em quem não olha nos olhos e se faz de coitadinho. Não gosto de quantidade sem qualidade. Não dá para listar tudo que não gosto, não confio ou abomino, porque são inúmeras coisas. Fico devendo um novo texto. Esteja on line para ler e eu não confio e não gosto de quem não lê meu blog. (risos)


Rafaela Valverde

quinta-feira, 15 de maio de 2014

Livro A cama na varanda - Regina Navarro Lins

Foto: Google

Terminei de ler o livro A cama na varanda da psicologa Regina Navarro Lins. Li no meu tablet, por isso agora leio mais rápido. Na verdade agora praticamente sou obrigada a ler dois livros ao mesmo tempo. Pois lá no trabalho eu posso ler (Aê!) Porém só posso ler livros físicos. Não posso ler no tablet lá. Então como tenho muitos livros em PDF na fila, vou lendo em casa e em outros lugares, os livros on line e lá no trabalho leio um livro físico.

O livro de Regina é muito elucidativo.Traz um panorama histórico para todos os seus temas. Ela mostra como eram as relações entre homens e mulheres desde os primórdios da humanidade. A mulher era sagrada, era considerada representação das deusas, pois era capaz de gerar filhos. Um belo dia porém, o homem descobriu a sua responsabilidade da geração dos filhos e aí acabou a "vida boa" da mulher.

Aí veio o patriarcado, o casamento sem  e com amor, respectivamente, o amor romântico e seus mitos. O amor romântico é típico dos ocidentais. Ela ainda fala sobre ciúme, casamento, monogamia, sexo, poliamor, homossexualidade. Regina desmistifica conceitos que são hoje para a gente novos, mas que algumas pessoas já são adeptas  e felizes do jeito que vivem. Ela conta como era a valorização da virgindade e como não era possível fazer sexo antes de casar. Por conta disso havia grandes, famosos e valorizados prostíbulos.

Hoje esses conceitos caíram por terra e ninguém, ou quase ninguém casa virgem, o divórcio é algo comum e até normal. Então por que podemos achar algo como o poliamor anormal? Cuidado, pois isso pode se tornar comum daqui a cinquenta anos ou menos. Concordo com tudo que ela diz em relação ao ciúme, em relação à monogamia e ao poliamor.

A monogamia é imposta culturalmente, a gente insiste em segui-la a ferro e fogo e passamos a observar torrentes de relacionamentos infelizes. Pura e simplesmente por causa da obrigatoriedade de ser "fiel". Não gosto de usar essa palavra, fiel. E nem a palavra traição. Tenho horror a tudo isso, tenho horror ao ciúme. Em relação ao poliamor, Regina cita exemplos  de pessoas que assim vivem e que são felizes.

Se podemos amar vários filhos, vários amigos,vários animais, etc, então por que  amarmos somente um alguém? São coisas para refletir. Gostei bastante do livro que além de história, traz casos reais de pessoas que chegam em seu consultório diariamente. Até sobre sex shop e swing o livro fala. Eu gostei muito. É importante, refletir, pensar, analisar e ver qual a melhor forma viver feliz. Vamos colocar a cama na varanda e discutir assuntos que há muito já deviam ter deixado de ser tabu.


Rafaela Valverde

domingo, 11 de maio de 2014

Livros lidos até agora

Foto:Google
Já li onze livros em 2014 e estamos ainda em maio. Desses onze, fiz resenha de dez aqui no blog. Apenas um deixei de fora, pois foi muito ruim. Não gostei. Sempre li muito e isso não é novidade, teve um ano aí, acho que 2009, li trinta livros. Depois parei de contar. Agora, esse ano resolvi fazer uma maratona, na medida do possível e pretendo bater esse recorde.

Agora estou lendo A cama na varanda, da psicologa Regina Navarro Lins. É um livro on line em PDF. Tenho mais de sessenta baixados no site lelivros.us gratuitamente. Ganhei um tablet e agora posso ler mais arquivos em PDF. Estou gostando muito dessa experiência como já havia falado aqui e tem incrementado ainda mais minhas leituras, por que ando meio sem tempo de ir em bibliotecas públicas.

É isso. Vou fazer resenha ou pelo menos uma mini resenha de todos os livros lidos e estarei acompanhando esses números através do blog. Na parte inferior direita do blog, vocês podem acompanhar a quantidade de livros lidos e ainda podem curtir as resenhas, ou não. Pois não sei até que ponto terão spoilers nessas resenhas.

Eu leio de tudoum pouco. Desde livros técnicos da minha área, de história, romances, não ficção, enfim. Sendo livro, tendo uma boa história, que me segure, eu estou lendo. Eu amo ler. Ler me deu tudo que eu sei hoje. Queria e quero muito incentivar as pessoas a ler, principalmente os mais jovens que eu, que andam com os olhos e dedos ligados em telas do que em páginas de livros.


Rafaela Valverde

Por causa de uma gargalhada

Foto: Google
Não gosto de receber reclamação injustamente, principalmente na frente de outras pessoas. Principalmente no ambiente de trabalho, não preciso, sou profissional. Entrei no mercado de trabalho com dezesseis anos e sei muito bem como me comportar em um ambiente corporativo, por isso não falo palavrões na hora que meus colegas estão almoçando por exemplo, como já vi gente fazendo lá no trabalho. 

Não fico falando alto nesse ambiente, que é o único ambiente comum para os funcionários fazer refeições e conviver entre si. Isso é questão de educação e essa eu tenho. Tive uma educação em casa rígida e com valores, por isso tenho semancol e educação. 

Não gosto que tentem mudar meu jeito de ser, minha personalidade. Eu leio muito e portanto tenho bagagem, tenho o que falar. Sempre tive. E quem tem o que falar, tem que falar. Sou feliz. Se me contarem uma piada engraçada, eu vou rir e não posso e não vou controlar o volume da minha risada. Vou gargalhar mesmo. Ainda mais no final do expediente, na área de armários, pegando minha mochila para sair.Quem não tiver bagagem e não for espontâneo, morra de inveja. Se jogue do pé de alface, não tenho nada a ver com isso.

Mas não vou deixar de ser o que sou para agradar senhor ninguém! Nem empresa nenhuma, nada, nem ninguém. Mudo de emprego, mudo de faculdade, mudo de amigos, mas não mudo quem eu sou, sabe por que? Já tentei ser o que não era, já tentei mudar para agradar outrem e me dei mal, muito mal. Já tomei muito na cara e não tomo mais.

O que vai acontecer é que vou me calar mais em determinados momentos que eu acho que esteja exagerando, falando demais, rindo demais. Mas só vou prevenir o excesso, pois o excesso é que não é saudável, mas o resto vai continuar igual. Não quero perder meu emprego, mas também não quero e não vou perder minha essência, afinal de contas quando fiz a seleção eu não me apresentei e nem fiz a dinâmica de grupo sussurrando, não é mesmo?



Rafaela Valverde

sábado, 10 de maio de 2014

Vontade própria dos objetos

Foto: Google

Na primeira vez que isso aconteceu eu tinha  acordado atrasada, pois o despertador não tocou. Lembro que entrei no banheiro, tomei um banho rápido e saí. A fechadura da porta que está com defeito e às vezes emperra, nesse dia não emperrou. Saí tranquilamente, andei pelo corredor até o elevador e apertei o botão.

Em poucos segundos já estava dentro dele e descobri que o elevador também emperrava, pelo menos emperrou naquela hora. A porta não fechava por mais que eu apertasse o botão para ela fechar. Pensei que todos os objetos estavam com defeito naquele dia. Aliás minha vida está toda com defeito. Mas pelo menos a porta do meu apartamento não tinha emperrado.

Fiquei ali durante minutos, tentando fazer a porta fechar, o que me causou um atraso ainda maior. Após esse período, a porta fechou bem devagar. Quando desci informei ao seu Derival, o porteiro, que o elevador estava emperrado. Quando voltei no final da tarde, aconteceu a mesma coisa. Entrei no elevador e novamente a porta não quis fechar durante alguns minutos. 

Eu e os vizinhos que que estavam no elevador junto comigo passamos a reclamar e apertar nervosamente o botão que o elevador se fechasse. Ele fechou, mas após alguns minutos. Cada um foi para seu andar e eu não pensei mais nisso. Durante alguns dias isso aconteceu constantemente e eu já havia me acostumado. Achava até engraçado, o elevador ter vontade própria. Mas quando estava atrasada, eu não achava nada engraçado.

Agora há pouco voltei do trabalho, entrei no prédio, entrei no prédio e pedi o elevador. Ele demorou um pouco e algumas pessoas saíram dele. Segurei porta para que desse tempo os outros saírem e eu entrar. Ao fazer isso olhei para o lado e vi um homem lindo na portaria na portaria falando com o Derival. Era o homem mais lindo que eu já tinha visto.

Entrei devagar no elevador e fiquei esperando o cara lindo entrar, pensei que teria chance em falar com ele, já que o elevador ia travar mesmo, daria tempo ele vir. Tudo foi muito rápido e de repente, a porta do elevador se fechou e ele começou a subir. Ainda tentei evitar, já que o gostoso estava vindo na minha direção, mas o danado do elevador não obedeceu.

Saí no meu andar e ainda fiquei parada  no corredor, como que esperando algo, depois fui até minha porta, enfiei a chave  e ela emperrou. Encostei a cabeça na porta  e concluí  que minha vida realmente está com defeito.



Rafaela Valverde

quarta-feira, 7 de maio de 2014

Carinho

Foto: Google

Tenho uma teoria em relação ao carinho. Penso que carinho é algo que tem que ser bom para quem recebe, mas também para quem faz. E isso eu falo de verdade, não é conversa não.  Fazer carinho em alguém deve ser agradável para quem faz. Essa pessoa deve gostar de tocar a pele da outra, ela deve querer sentir a pele da outra pessoa em contato com a sua mão. Isso é importante.

O carinho não deve ser feito na outra pessoa de forma superficial, com pressa e achando que a outra pessoa está ansiosamente aguardando que a sua mão fique subindo e descendo na pele dela. Não é só isso. É necessário estar afim, é necessário acariciar com vontade, sentir prazer em tocar o outro. Gostar daquele momento, que deve ser único e agradável para ambos. Fazer carinho, cafuné, alisar, acariciar alguém deve, para mim ser algo sem má vontade. Fazer só por fazer é pior que não fazer.

Eu por exemplo percebo quando o toque está sendo feito de qualquer jeito ou quando há prazer do outro lado. Entenda que não estou erotizando nada. Estou falando de carinho e não de sexualidade. Estou apenas refletindo sobre algo que  pode ser tão simples, mas é tão bom e importante para qualquer relacionamento. Toque é tão importante quanto beijo, quanto sexo. É companheirismo. É demonstração de amor.

Mas amar o corpo do outro é muito importante em um relacionamento também. Se não houver isso, não pose haver relacionamento. Pelo menos é assim que eu penso. Pense melhor na próxima vez em que for tocar seu parceiro ou sua parceira, a não ser que você não esteja mais afim de tocá-lo ou tocá-la. Se não tiver saia fora. Mas se tiver, toque, toque muito e repense como esse carinho está sendo feito. Ame fazer carinho no outro, pois isso faz bem a você.


Rafaela Valverde

segunda-feira, 5 de maio de 2014

Livro 1984 - George Orwell

Foto Google
Acabei de ler o livro 1984 de George Orwell. No início não conseguia desgrudar do livro, aliás do tablet. É diferente de tudo que eu já li. É um livro instigante, por que o enredo todo é tão diferente que você  sempre quer saber o que vai acontecer em seguida. Se trata de uma sociedade dominada pelo poder absoluto. O livro foi escrito na década de 1940, mais especificamente em 1949 e está prevendo algo para 1984, ano que seria futuro para a época, mas que hoje trata-se de um passado distante.

Os habitantes dessa sociedade denominada por Winston Smith, personagem principal, de Oceania, não são livres. Nem o pensamento desses seres humanos, é livre. São diariamente vigiados pelo Partido INGSOC, pelo Grande Irmão e suas tele telas. As vidas são manipuladas, a verdade é escondida. Não há passado. Não há história. A tele tela vigia e ao mesmo tempo transmite música, notícias e propaganda do Partido e da guerra, a constante guerra. Seria muito manjado, fazer comparações com a nossa televisão? Será que não nos deixamos influenciar demasiadamente por ela, nossa tele tela atual?

Mas voltando a trama do livro, em muitos casos é angustiante ler esse livro. Não somente pelas semelhanças que verifiquei com nosso atual momento, mas por constatar o quão ruim seria viver assim. Isso nós já sabemos, mas com esse livro temos a visão completa de uma vida sem liberdade, sem vontade própria, uma vida dominada por outros. O poder. O que mais importa é o poder, pura e simplesmente, como disse O'Brien, um dos personagens do livro.

Winston secretamente odeia o Partido e odeia o Grande Irmão. Ele tenta se esquivar, se esconder dos olhos vigiadores e até se apaixona por Júlia. Temos nessa sociedade ministérios, que eu não vou lembrar os nomes agora, mas que são reponsáveis, junto com  a Polícia do Pensamento a comandar as pessoas. Menos as proles. Quer saber o que ou quem são as proles? Leia o livro. Ah, ainda há a Novilíngia, palavras como duplipensar e crimedeia, inventados no livro. Bem, é isso. Eu nem me sinto capaz de escrever sobre esse livro, mas o final para mim foi surpreendente. Eu gostei.


Rafaela Valverde




Seu número

Foto: Google

_Qual seu número? _ Ele me perguntou. De repente me dei conta que não sabia meu telefone de cor.
_ Serve o celular? _ Perguntei para ganhar tempo, ignorando o fato que quase ninguém hoje em dia tem telefone fixo.
_Quero o celular. Pra ter contato diretamente com você.
_Ok.Deixa eu olhar na agenda. Ainda não memorizei.
Peguei o celular na bolsa, da forma mais natural possível e achei o contato estúpido na agenda: "Meu número". Comecei a falar o número sem aviso e ele correu para gravar no seu celular.
Não dava para esconder o constrangimento de não saber o próprio número e estar ali no meio da rua falando o número da agenda do celular.
_ Tô atrasada. Preciso ir trabalhar.
_ Quer uma carona? Estou de moto.
_ Não, obrigada. Vou pegar um táxi _ Me surpreendi com o quanto posso ser mentirosa. Eu iria era de ônibus mesmo.
_Ok então.
Nos despedimos com um beijo na bochecha e um aperto de mão. Ele apertou meus dedos com firmeza, mas puxei a mão delicadamente e pude sentir seu perfume nela.
Continuei andando até chegar ao ponto de ônibus. E após alguns minutos senti o celular vibrar dentro da bolsa. Abri a bolsa, peguei o celular e vi que havia um SMS.

                "Vc mentiu. Vai é de ônibus. Estou vendo você no ponto. Vc nem pediu meu número de                                 volta, né? Nem por educação."

Olhei ao redor, dei três passo para frente, olhei atrás da cobertura do ponto, mas não o vi em lugar nenhum. Ainda estava com o celular na mão quando recebi outro SMS:

                            "Esse é meu número, se te interessar e hj é sexta, vou na sua ksa. Vamo com a gente hj?"

Respirei fundo. "Ele é amigo do meu irmão. Que clichê."
                                
                                 "Vou pensar _ respondi ao SMS.

Lembrei que ele, meu irmão e turma deles iam para a farra toda sexta feira, impreterivelmente. Mas eu sempre tinha o que fazer. Minha semana era cheia e reservava as noites de sexta para estudar um pouco. Minhas aulas da pós eram aos sábados e reservava a noite de sexta para repassar alguns conteúdos. Por isso sempre estava no meu quarto quando ele ia lá em casa. Estava há algum tempo me dedicando somente ao trabalho e aos estudos e só havia visto ele poucas vezes, mas gostei dele mesmo assim. Ele é bonito. Além de bonito, malhava e era bem sucedido. O celular vibrou outra vez:

                                 "É sua aula de amanhã, né? Juro que levo você cedo pra ksa."

"Como assim? Ele sabe da minha aula da pós?
Percebi que sabia muito pouco sobre ele. Só tinha informações superficiais. Só sabia seu nome, claro, que era bonito, malhado e bem sucedido. Essa última informação sabia através do meu irmão, Bruno.
Veio meu ônibus e entrei, depois que cheguei no trabalho não pensei mais nisso. Sou jornalista e trabalho em um jornal da minha cidade. Meu trabalho me consome muito tempo, mas eu adoro.No horário de almoço, porém quando peguei a bolsa para sair para almoçar, percebi que havia três SMS em meu celular.
Imaginei logo que seriam dele, pois ninguém me mandava SMS. Nem minha operadora!
 
                                "Vc ñ me respondeu."

A primeira. Comecei a me sentir incomodada com tanta marcação. A segunda dizia:

                                "Deixe de ser bicho do mato, Brenda. Vamo sair."

O terceiro SMS me deixou intrigada e ao mesmo tempo derretida:
 
                                "Gosto de você, só nos vimos umas duas vezes, mas não sei explicar. Estarei na sua                                       casa hoje á noite como sempre. Bjo."

Coloquei a mão na testa e suspirei. Olhei para dentro dos meus olhos no espelho do elevador e decidi me permitir. O máximo que podia acontecer era eu me arrepender e me decepcionar de novo. "Mas isso é inevitável. Todo ser humano sofre, afinal." Pensei ainda olhando no espelho.
O elevador chegou ao andar do refeitório e antes de entrar respondi ao SMS:

                                   "Não estarei trancada no meu quarto hj de noite. A gente se fala lá em ksa, bjo.                                              Brenda."






Rafaela Valverde

sábado, 3 de maio de 2014

Curso Técnico em Comunicação Visual - SENAI




Não havia contado ainda aqui, mas vou fazer um curso no Senai. É um curso técnico em Comunicação Visual. Fui selecionada através do Ssisutec e as aulas começam dia doze de maio. O que vai acontecer é que minha rotina será alterada. Estarei indo para a faculdade de manhã, depois saio correndo, desesperada que nem uma louca, para o trabalho, e como trabalho cinco horas por dia, vou sair de lá também correndo para ir para o curso que começará a partir das dezoito horas no outro lado da cidade.

É, vai ser uma correria. E com isso comecei a pensar em formas de ficar mais disposta, menos cansada. Na verdade eu já ando bem cansada. Tenho dormido pouco e mal. Comprei um chá calmante e vou tentar aos poucos melhorar minha alimentação. Comer mais frutas, legumes, folhas verdes, etc. Enfim, todo mundo já sabe, mas na correria e na falta de dinheiro impede que a gente fique sempre abastecendo a casa de vegetais. 

Realmente uma alimentação mais saudável ajuda a diminuir o cansaço e melhorar a disposição, mas e o sono? A aula lá vai acabar às 22h e eu não chego em casa em menos de uma hora. Então vou continuar dormindo pouco. O que devo fazer é tentar aumentar a qualidade, já que a quantidade não tem jeito, né? Acredito que o grande caminho para aguentar, é uma alimentação melhor. Vou tentar, eu juro!

Sempre quis fazer esse curso e agora surgiu a oportunidade. Surgiu do nada, a possibilidade de fazê-lo e no último dia das inscrições do Sisutec, me inscrevi para ver no que ia dar e deu nisso. Já fiz minha matrícula e as aulas já vão começar. Estou encarando como um desafio e quero muito terminar esse curso, que terá a duração de um ano e meio, eu acho. Bem é isso.

Filme Faroeste Caboclo

Foto: Google

Recentemente assisti o filme Faroeste Caboclo. Fora a atuação de Fabrício Boliveira e Isis Valverde, o filme não tem muita coisa extraordinária não. Para nossa decepção não é fiel à música e não é muito emocionante. É claro que nunca seria um filme como o imaginado por Renato Russo. 

Ele que sempre quis fazer um filme, se realizava em músicas-histórias, como é o caso da música Faroeste Caboclo que tem mais de oito minutos.Eu nem aprendi a cantar a música toda até hoje, mas adoro. 

O filme não é uma obra prima, mas dá para assistir como entretenimento. É claro que não sou crítica de cinema, só falo sobre minhas opiniões e impressões. A cena final foi a mais decepcionante do filme, ao meu ver. A música descrevia de uma forma e ela foi feita completamente diferente, só que aí vem a surpresa: a cena igualzinha a cena descrita na música foi gravada e fica disponível no final do filme, como um bônus. Então por que diabos não deixaram como cena oficial?

O filme conta ainda com Marcos Paulo, Antônio Calloni e Felipe Abib. É bem realista no que se refere Às cenas de uso de drogas e violência, mas algumas cenas são surreais, como as entradas de João no quarto de Maria Lúcia. Quer saber, assista. Apesar de tudo recomendo. Mas recomendo para passar o tempo em uma tarde de frio para comer com pipoca e brigadeiro. Filme razoável.


Rafaela Valverde


sexta-feira, 2 de maio de 2014

Celular X Tablet

Foto: Google

Eu tenho um celular antigo daqueles Samsung teclados qwerty que foi febre há três, quatro anos. Minha irmã me deu e tenho por ele um grande apreço. O valor sentimental de um objeto pode ser inestimável. Não tem sistema operacional e nada dessas modernidades, mas com ele eu consigo ligar, atender, enviar e receber SMS, etc.

Agora ele está querendo me deixar na mão. Não está reconhecendo nenhum fone e estou quase impossibilitada de ouvir minha rádio. Além disso o volume é muito baixo. Estou ficando chateada com isso e pensando
seriamente em comprar um novo celular. Também será um celular simples, não faço questão e nem tenho dinheiro para outro mais sofisticado. O que quero dizer com tudo isso é que não sou consumista ao extremo.

Costumo usar os aparelhos até o final da sua vida útil e creio que essa é uma atitude importante para a manutenção da natureza e para a manutenção da nossa vida na terra. Mas essa é uma outra questão, sobre qual não competência para falar. Meu marido quis me dar um desses celulares cheios de coisas, mas eu preferi um Tablet. Com o Tablet eu posso ler de forma melhor todos os meus  livros em PDF e não precisei me desfazer do meu bom e velho celular.

Sei que também poderia ler textos em um celular, mas eu prefiro um celular mais simples até por que aqui tem muito ladrão e a todo momento ouço alguém dizer que foi assaltado. Esses celulares enormes chamam muita atenção de bandido. O tablet fica mais em casa. Raramente levo para rua e com a capa, ele pode ser confundido com um livro, ficando camuflado e me deixando com uma sensação de mais segurança.

Tem sido muito útil, a utilização desse aparelho que é bem simples. Com ele consigo ver filmes e ler livros. Coisas que eu mais gosto de fazer. A leitura pode se adaptar aos meus olhos, pois posso aumentar ou diminuir as letras, não preciso imprimir todos os textos da faculdade  e posso sempre continuar a minha leitura, coisa que eu não achei que seria possível. Enfim, estou gostando muito da minha experiência com esse aparelho que um dia cheguei a discriminar e dizer que era tecnologia inútil. Coitado. Retiro o que eu disse e procuro sempre agradecer a possibilidade de mudar de ideia.


Rafaela Valverde
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