sexta-feira, 29 de novembro de 2013

De nada adianta ter um talento

Foto: Reprodução/ Google
O meu único talento não serve para nada. Eu gosto de escrever e acho que esse é o meu principal talento, porém para que isso serve no momento? Para nada! Estou cansada, desanimada, frustrada, decepcionada com o que eu não tenho e com o pouco que eu consegui. O pouco que eu sei na área da escrita, por que sempre li muito, me ajuda na comunicação e em um fato como o que ocorreu hoje em que escrevi uma redação de vinte e duas linhas muito rapidamente.

E foi um texto bem escrito. Porém comunicação, boa escrita, pensamento crítico e todas as qualidades que uma vida inteira devorando livros, traz não servem de nada atualmente. O que importa é vender, vender e vender. Gerar lucro, gerar receita e ao mesmo tempo economia para a empresa que já quer alguém com experiência e não quer ter o trabalho de treinar ninguém. Nem ao menos eu, que aprendo tudo tão facilmente.

 Nem nenhum jovem com a cabeça boa, com a mente fresca e tão aficionado por tecnologia, que acaba sendo absorvido tragicamente pelos call centers da vida, que ensinam e ensinam  de uma forma muito ingrata o que é ter que trabalhar para viver. E enquanto isso, os nossos talentos vão sendo sufocados em prol de uma produtividade servil que está aí para sustentar um sistema que acaba com a humanidade que existe dentro de nós, dia após dia.

Cansei!


Rafaela Valverde

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

O santo caos da Santa Cruz

O bairro que eu moro atualmente, apesar de ter má fama em relação à segurança. Porém em relação ao bairro que eu morava antes, é muito melhor. Ainda assim, como todos os bairros da nossa cidade, temos problemas crônicos, principalmente no que diz respeito à saúde, educação e transporte. Transporte... ai que dor de cabeça tenho tido com o final de linha da Santa Cruz. Pois é, o bairro é Santa Cruz, Nordeste de Amaralina. Tenho problema justamente com a linha de ônibus que pego todos os dias para ir trabalhar. É a linha Santa Cruz/ Calçada/Bonfim.

Trânsito parado no final de linha da Santa Cruz

Pois bem, já há algum tempo, desde que me mudei, em fevereiro é que venho notando a dificuldade com essa linha. Os ônibus demoram a chegar aqui no final de linha e demoram para sair para nos levar aos nossos destinos. Os motoristas e cobradores nos tratam com ironias e agem como se estivéssemos pedindo algum favor para eles e não pagando o nosso transporte. Enfim, os ônibus não têm horários definidos, demoram e quando saem, saem vários juntos da mesma linha. Juntos que eu digo é em horários bem próximos, o que causa um enorme transtorno para a gente que precisa dos transportes públicos.
Engarrafamentos por causa de carga e descarga dos comércios locais

Ainda devemos lembrar dos vários motoristas de transportes coletivos que em seus próprios carros ficam berrando "Iguatemi" e levam com a conivência da polícia e da Transalvador algumas pessoas ao Iguatemi. Ah e parece que contam com a conivência dos motoristas e cobradores também, já que enquanto os ônibus dessa linha que passa justamente pelo Iguatemi, não saem, os clandestinos continuam levando quem estar disposto a pagar e continuam ganhando dinheiro.
Um caminhão ali atrás fazendo descarga

Devo ainda me lembrar dos engarrafamentos que acontecem constantemente e nos deixam travados, presos mesmo aqui. Já cheguei a ficar quase quarenta minutos dentro de um ônibus desligado, aqui no final de linha por causa de descarga de produtos e materiais para os supermercados e comerciantes locais. Tudo isso há qualquer hora do dia, na maior cara de pau. Não existe restrição e a bagunça é generalizada. Ah, existe uma restrição, que é a restrição em relação a nós, passageiros que precisam diariamente do serviço de mobilidade. Não creio que devamos permanecer calados, sofrendo todos os dias com essa situação. O povo não sabe a força que tem, é o que sempre digo.

Um carro de transporte clandestino estacionado em meio aos ônibus



Bem, por enquanto era isso o que queria dizer. Tentar desabafar mais uma vez sobre alguma coisa muito chata que nos acontece e que muitas vezes não temos outra forma de agir. Sei que ninguém que possa resolver vai ver, mas esse é o meu papel, enquanto cidadã e enquanto futura jornalista, mesmo que precariamente, eu devo denunciar os absurdos que vivo diariamente.



Rafaela Valverde




A nossa natureza

 Andando desanimada, com a cabeça baixa é que eu percebo o quanto as coisas têm sido difíceis. Está bem complicado para mim ultimamente, mas eu tenho muita responsabilidade nisso. Em geral, tendemos a pensar que a culpa é sempre dos outros e que estamos isentos das porradas que levamos da vida. Que simplesmente somos pobres sofredores, e que apenas sofremos a ira dos céus. Nada disso. Nós colhemos o que plantamos. O que não significa que a nossa natureza, o nosso jeito de ser não interfira em tudo que nos acontece. Interfere sim. Ás vezes nem nos damos conta, mas em muitos casos não sabemos que estamos sendo influenciado pelo nosso jeito de ser, pela nossa natureza. E em muitos casos não conseguimos controlar essa influência, essa demanda que nos é dada por quem nós somos e pelo que nós somos. Em muitos casos, isso nós angustia, mas não sabemos como agir e nos tornamos seres divididos entre a razão e a emoção. Com isso, enquanto ando de cabeça baixa pelas ruas da cidade, penso em como isso tudo pode estar me atrapalhando e em como isso pode ser injusto. Sem mais o que dizer, me despeço.


Rafaela Valverde

Novidades no blog

Hoje iniciei um novo quadro no blog. Se é que posso chamar assim, mas é esse o nome que me ocorre no momento. Então, o quadro é alguma indicação de filme, DVD, que eu tenha assistido na mesma semana, ou na semana anterior. Enfim, não é muito original e todo mundo faz isso, mas eu não me importo. Senti vontade de fazer e vou fazê-lo. Em janeiro vou usar o blog como ferramenta de contabilização para os livros que eu vou ler. Em um ano eu já cheguei a ler trinta livros. Mas nunca mais fiz essa apuração. Até por que, por conta de trabalho, faculdade, correria não tenho lido tanto como antes e nem como eu gostaria. Mas a a partir de janeiro estaremos aqui no blog, quantificando e qualificando as minhas leituras.

Em breve mais novidade


Rafaela Valverde

terça-feira, 26 de novembro de 2013

Aí será a minha hora

A minha busca é incansável e interminável. Sempre estarei buscando uma oportunidade melhor, um emprego melhor, uma vida melhor. uma vaga em um concurso. Enfim, enquanto não chegar no patamar que desejo, não estarei satisfeita e, sabe, ninguém tem nada a ver com isso. A vida é minha e somente eu tenho responsabilidade sobre ela e sobre os meus atos.

 Nunca serei uma pessoa acomodada e essa natureza de não acomodação, me traz uma inquietude, uma angústia e uma intranquilidade inimagináveis. E passo para as outras pessoas a imagem de uma pessoa inconstante, sem foco e sem objetivos na vida. Quando me olham, a imagem de uma pessoa que não sabe o que quer, e que está sempre mudando de ideia e de emprego, é sempre vista. Pelo menos foi o que um chefe meu me disse. 

Não sei o quanto as aparências podem enganar, mas o fato é que elas enganam muito. Não mudo por que não sei o que quero. Mudo justamente por que sei o que quero. Sei que não quero trabalhar só por obrigação, sem prazer, sem gosto. Fazendo de má vontade, só por que tenho que pagar as contas no final do mês. Sempre buscarei melhorar, independente da opinião alheia e só eu saberei quando é hora de parar, nessa hora vocês verão como eu estarei. Aí será a minha hora!


Rafaela Valverde

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Não tenha filhos

Foto: Google/ Reprodução
O que uma criança precisa? Será que os pais, ou pessoas que colocaram filhos no mundo e se dizem pais, sabem o que uma criança precisa para crescer, se desenvolver, amadurecer, aprender e se tornar um adulto de bem? Será que os pobres além de saber que existe o bolsa família, sabem que existe uma coisa chamada planejamento familiar e outra coisa chamada camisinha? Digo os pobres, por que também sou pobre e essa é a minha realidade. Afinal, não posso falar dos ricos, de um universo que eu não conheço. 

Pois bem, prosseguindo com o meu texto, eu vejo crianças e mais crianças nascendo sem que os pais se sintam responsáveis nem por matricular as crianças em creches municipais gratuitas e muito boas dentro das suas limitações, para manter essas crianças ocupadas, fazendo atividades que com certeza enriquecerão seu aprendizado e seu desenvolvimento. Eu vejo crianças que passam o dia inteiro caminhando descalças, de fralda e chupeta na boca (existe coisa pior que chupeta?), simplesmente por que têm vários outros irmãos e a mãe outras atividades, que não inclui prioridade com cuidados e higiene de uma criança de menos de três anos.

Vejo também, crianças que não aprendem desde cedo a importância de dar bom dia, boa tarde, boa noite, por favor e com licença. Palavras que fazem parte de uma série de valores que desde cedo devem ser ensinados desde o berço. Ou seja, os pais devem obrigatoriamente ensinar esses valores, essa educação doméstica. Mas não ensinam. Mas não ensinam por que também, em muitos casos, não sabem, ou esquecem. Mas então se não sabe, ou se esqueceu, não tenha filhos. Se não tem o que ensinar e mostrar. Se não tem exemplos a dar, NÃO TENHA FILHOS. E não perpetue essa falta de valores, essa contante indolência e deseducação que tanto verificamos diariamente em nossas vidas e consequentemente somos obrigados a conviver e nossos filhos também.

Não tenho filhos ainda, não por falta de vontade, mas parece que só quem pode ter filhos são pessoas como essas. Pessoas como essas, que não têm a mínima capacidade de criar um filho, têm crianças para vender na feira. Enfim, não tenho filhos, mas com o que tenho visto, tenho plena certeza que darei uma ótima mãe e que além de cuidados com a alimentação, higiene e saúde dos meus filhos, saberei cuidar da saúde mental, do intelecto (que não deve ser alimentado apenas de bíblia e doutrinas religiosas!), saberei cuidar do desenvolvimento intelectual, pessoal e formar um cidadão que realmente seja cidadão, consciente de seu lugar no mundo.


Rafaela Valverde








E aí? Você tem exercitado o ato de ouvir?




Ando em uma terrível aflição. O que me aflige no momento é, entre outras coisas, o fato de as pessoas não ouvirem. Ninguém ouve ninguém. Aquele velho clichê, cujo eu já falei aqui, sobre o fato de termos dois ouvidos e apenas uma boca parece que ainda hoje não foi percebido por senhor ninguém. Querem sempre estar com a palavra, não dão ouvidos para quem é simples e aparentemente não tem nada a dizer. 

Esquecemos a humildade e nos debandamos a falar como se fossemos os donos da razão e isso nada tem a ver com o fato ou não de escolaridade. Às vezes penso inclusive que quem não tem conteúdo para falar é quem mais tagarela. Será que perdemos toda noção de educação e bom senso? Eu por enquanto ainda me vejo trabalhando em um call center, mas em breve sairei dessa área, pois não suporto mais. Não tenho nenhuma afinidade com a área de atendente de telemarketing e estou lá apenas por necessidade. 

Enfim, voltando ao assunto. Paradoxalmente esse tipo de trabalho nos frustra por que não somos ouvidos pelos clientes. O que? Como? É isso mesmo. Eles ligam e quando falamos ou constatamos algo que os desagradam, eles ignoram prontamente e gritam, bradam. Dizem que alguma coisa está errada no que estamos dizendo, o que inclusive está sendo respaldado por um sistema e acham que estão certos. Volta e meia me vejo dando um "carão" em alguém. E pergunto sem medo de ser penalizada, se eles querem ou não que eu dê a informação, pois se não querem, não deveriam ter ligado. 

Acabam respondendo sem graça que eu posso falar e se calam momentaneamente. Na verdade bem momentaneamente, por que se algo os desagrada novamente, a história se repete... E lá vamos nós ser gritados, só por que a outra pessoa se nega a ouvir. Tsc, tsc... Que feio!


Rafaela Valverde

sábado, 23 de novembro de 2013

Creme de pentear manteiga de karité.

Vou falar muito rapidamente agora sobre um creme para pentear que comprei há uns quinze dias. É um creme bem baratinho. Se eu não me engano foi 4,49 em supermercado daqui do bairro. Confesso sentir um certo preconceito com cremes para pentear amarelos, mas me apaixonei pelo cheiro e por ser de manteiga de karité acabei trazendo e gostei bastante. O friz continua, aliás não sei mais o que fazer com ele, mas o creme hidrata bem e basicamente devo falar muito bem dele.
Desculpem a imagem, mas acho que dá para ver bem.

A marca é Nutri hair e a embalagem traz a informação que serve para cabelo desvitalizado e sem brilho, o que eu devo dizer que é verdade, pois senti uma maior sedosidade, balanço e brilho nos meus cachos.


Tentei tirar umas fotos do meu próprio cabelo para mostrar, mas acho que não que muito certo, devido as condições de iluminação e câmera do meu celular, mas acho que dá para ver que ele ficou bem hidratado, só que no dia seguinte fico com bastante friz, principalmente na parte da frente que é mais cacheada.
Ficou visível?

Essa parte de baixo do meu cabelo, é doida, não cacheia muito e sempre no dia que seguinte tenho que reativar os cachos com um borrifador, creme ou reparador de pontas. Mas é a parte que mais aparenta o crescimento.

Estiquei os cachos
Aí nessa foto ainda não tinha friz, foi bem no dia da lavagem e estava bem gostoso de pegar. No dia seguinte, com esse creme, mesmo com a camisola de cetim, sinto muito friz e ressecamento. O que não sinto tanto com outros cremes, como o da elseve por exemplo.


Cachos







Rafaela Valverde



sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Sociedade do espetáculo...Ou será que piora?


Vivemos na sociedade do espetáculo, sociedade em que tudo deve ser registrado através de foto e divulgado com palavras mal escritas nas redes sociais. Perde-se a experiência de viver um espetáculo, por causa de uma foto, uma simples e mera foto. O mar deixa de ser contemplado e apreciado em uma viagem de ferry boat, em detrimento da foto. 



A foto para expor, para exibir e para dar status. Tiramos foto na frente do espelho com o celular virado para mostrar o celular, a sua marca, beleza e como é bom ter um celular, apesar de em muitos casos comer mal, morar mal e viver somente de aparências. Frequentamos os lugares para mostrar para as outras pessoas  que ali estamos e sempre temos algo para dizer, para mostrar e para dar satisfação a alguém. Nossas vidas viraram livros abertos, onde tudo é lindo e perfeito. Os sorrisos são lindos, os cabelos são sedosos e brilhantes, os relacionamentos são felizes e duradouros e a Bahia é linda... Aquela velha história. Só que não. Não é assim que se diz agora, na efêmera sociedade midiática, onde as redes sociais imperam e as pontas dos dedos trabalham mais que as pernas e pés saudáveis que Deus nos deu para trabalhar e correr atrás de nossas coisas.

 Não gosto de dar satisfação da minha vida e não tenho um bom celular para exibir em todos os lugares que vou. Aliás me recusarei a fazer isso sempre que eu tiver um juízo perfeito. A vida é mais que isso, muito mais e a histeria coletiva só vem piorando a cada dia, onde o que impera é a vontade e a necessidade de se mostrar, de se exibir e de dizer para todo mundo que "eu vivo melhor que você." Essa é a sociedade evoluída e civilizada (?) que vivemos e a mesma sociedade que vamos gerar e criar nossos filhos e descendentes. Ou será que piora?


Rafaela Valverde

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Trilogia Millennium I Os homens que não amavam as mulheres

Já há algum tempo li toda a Trilogia Millennium e agora é que estou tendo tempo de escrever um pouco sobre essa trilogia que me encantou e que descobri por acaso, enquanto mudava o canal da minha TV. É eu conheci  primeiro o filme sueco Os homens que não amavam as mulheres e me apaixonei logo de cara pela história e pelos personagens, sobretudo por Lisbeth Salander e Mikael Blomkvist, os personagens principais.

Depois de ver os três filmes suecos, li o primeiro livro da trilogia e depois vi o filme americano que achei bem melhor por ser mais fiel ao livro. O livro Os homens que não amavam as mulheres, o primeiro da série, começa um um ritmo lento e é o mais desconectado  dos três, pois traz a história de um assassino de mulheres. Traz um mistério que é desvendado de forma surpreendente no final. 

Porém, apesar de ser o primeiro e ter como trama central, um mistério do desaparecimento de uma adolescente nos anos 50 em uma ilha da Suécia, o livro é muito importante para o desenrolar dos outros dois, pois apresenta os personagens e traça um perfil físico e psicológico deles, principalmente de Lisbeth,  a heroína de reputação duvidosa e jeito peculiar de ser.

Esse  livro chama atenção logo de cara por causa do nome e acaba se tornando um Thriller instigador que prende até o final, apesar de começar um pouco chato. Faz nos apaixonar logo de cara pelas habilidades de Salander  e pela trama gerada por ela e sua vida turbulenta que será pouco a pouco revelada nos outros livros. Lendo esses livros, acabei entrando um pouco mais na rotina jornalística, pelo menos no que diz respeito a uma revista como a Millennium e vislumbro mais uma área para minha futura atuação profissional.

Em breve um texto sobre os outros dois livros.


Rafaela Valverde

domingo, 10 de novembro de 2013

Vestibular Unijorge

Hoje fui pela primeira vez fazer um vestibular em uma instituição privada. Pois é, eu nunca havia feito nenhum vestibular que não fosse o da UNEB, ou o ENEM, portanto não sabia como funcionava um vestibular de uma faculdade particular. Foi bem simples para falar a verdade, eu não sofri muito para fazer a prova. Ao contrário do ENEM que foi aquela maratona toda. Fui mais por curiosidade e matei mesmo a curiosidade de saber como é a UNIJORGE  e é bem estrutura, quase um shopping. Só não gostei dos banheiros. É claro fiz para jornalismo e agora é só esperar o resultado que sai na semana que vem. É claro que eu não posso pagar a mensalidade que é quase mil reais, mas pretendo me inscrever no FIES, que é o programa de financiamento do governo federal. E vou deixar rolar, para ver o que é que dá. O que vier primeiro eu vou me jogar. E que venha logo 2014 para que possa voltar a estudar.


Rafaela Valverde

sábado, 9 de novembro de 2013

Minha insatisfação permanente


Estou doida para sair dessa área de call center. Que trabalho alienante. Ainda mais agora com o quase fim da central de vendas que liga para o cliente, quem herdou a triste missão de vender os serviços e mercadorias foram os sofridos atendentes das centrais receptivas de atendimento. O cliente liga injuriado por que algo que ele havia solicitado não foi cumprido, ou ele está com algum problema mais sério e ainda fica um chato importunando o saco oferecendo algo que só um lado terá lucro. 

Isso é muito desagradável para o cliente, mas para quem está vendendo também é. Há uma cobrança absurda para que geremos ainda mais receita para o banco (?) e ainda há a pressão exercida pelo cliente que está muito insatisfeito e desconta tudo em cima de nós, reles atendentes terceirizados. É uma bola de neve, é uma câmara de ar tóxico que vai dia após dia desgastando nossa saúde mental. Mesmo que não percebamos. 

Para mim a pior parte de todas é vender. Tenho boa persuasão e boa argumentação, mas não sou uma boa vendedora. Ainda por cima não acredito no que vendo e nenhum treinamento meramente teórico e repetitivo vai me fazer acreditar em uma coisa que nos é dita claramente que é para gerar lucros para o banco. Não sei vender, não gosto de vender. Não adulo ninguém, sou orgulhosa. Não gosto de pedir nada a ninguém e sinceramente se eu soubesse que ia ter que vender alguma coisa, eu teria ficado desempregada. É, eu não teria assinado contrato nenhum. 

Por enquanto vou ficando mas fazendo seleções para outras áreas, algo que me tire da área de call center. São quatro anos. Chega! Um trabalho extenuante, apesar de trabalharmos sentados. A mente cansa, a garganta cansa, tem horas que começo a trocar as palavras e  sentir dor de cabeça. Sei que isso depende muito de como eu vejo as coisas, mas é assim que eu vejo mesmo e isso não vai mudar. Estou no meu quarto call center e aguento mais.

 Definitivamente não me afino com a área e só retornei por falta de opção. Tem horas na vida que temos que fazer o que é necessário e não o que queremos! Isso é um triste fato. Às vezes me pego pensando qual o sentido de trabalhar em lugar assim,  onde você não ajuda ninguém, não vende nada de útil e extraordinário e onde o seu bom atendimento claro, objetivo e detalhado não conta nada. Só o que conta é o lucro que você vai dar para o banco. Afinal de contas "a sua PA é paga e você tem que lutar pela sobrevivência do seu emprego, já que você precisa." São coisas como essas que ouvimos diariamente. Será que isso não poderia ser considerado assédio moral? Será que há mesmo algum sentido nisso?



Rafaela Valverde





quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Hospital das clínicas se nega a internar uma idosa de 81 anos

                                          




Ontem mais uma vez uma linha foi escrita na história de quem sofre na mãos dos serviços públicos de saúde, sobretudo na saúde e educação. Minha avó de 81 anos foi a vítima dessa vez, e quando algo do tipo acontece com alguém próximo da gente, e a gente sofre na pele e passa a entender o quão caótica está a situação do SUS.

A história foi a seguinte: minha vó depois de muitas indas e vindas e depois de um problema sério de cunho ginecológico, conseguiu, depois de fazer e refazer vários exames, marcar um internamento para fazer uma cirurgia. Esse internamento seria ontem e isso não foi concretizado. Minha vó saiu de casa cedo, junto com minha mãe sem se alimentar, esperando um internamento no Hospital das Clínicas, que faz parte da UFBA. E não foi internada, simplesmente por uma questão de burocracia inútil e falta de boa vontade da diretora/ chefe do departamento de ginecologia desse hospital.

Essa senhora que eu não sei o nome, por isso não o cito aqui.,que provavelmente não tem ou não teve mãe ou avó, ou se tem elas não precisam do serviço único de saúde, se negou a internar minha avó. Pois segundo ela o internamento deveria ter ocorrido dois dias antes. Como? Se o médico que vinha acompanhando ela, informou essa data? O médico compadecido pela idade e condições de saúde da minha vó, fez de tudo para liberar o internamento dela, até se dirigiu ao diretor geral do hospital, mas não adiantou nada.

A cabeçuda não aceitou nenhum argumento e disse na maior arrogância que não ia interná- la pois para isso, seria necessário ter um pré operatório de 48 horas. Pois bem, até concordamos com a importância do pré- operatório, porém já que nos foi falado que a data do internamento seria ontem e não foi avisado sobre os demais detalhes, não poderia haver uma exceção? Inclusive pelo fato de estarmos desde o a ano passado correndo atrás dessa bendita cirurgia e pelo fato de minha vó ser bem idosa e estar sofrendo com um problema de saúde sério.

Será que além de não haver competência, agilidade, e isonomia no serviço público, também não há generosidade e amor no coração? Será que não existe compaixão com alguém que se acabou de trabalhar a vida toda e hoje não consegue nem um atendimento para diminuir seu sofrimento? Não há flexibilidade tendo em vista os detalhes desse caso.Será que por conta de todos esses detalhes, da idade dela, enfim, será que não poderia ter sido aberta uma exceção e o pós operatório não poderia ter sido iniciado ontem as 48 horas haveria a cirurgia? Será que isso ia interferir no cotidiano ou na credibilidade do Hospital das Clínicas? Essa senhora que eu não sei o nome por que minha mãe não perguntou, de tão nervosa que estava esqueceu que vai ficar velha? Esqueceu também que trabalha no serviço público e que está lá pra lidar com pessoas que precisam do SUS?

Mesmo depois de  muitos apelos de minha mãe que chorou nervosa, junto com minha vó, essa senhora não cedeu uma simples autorização de pre operatório e internação que dependia apenas da assinatura dela. Nem o diretor do hospital a convenceu.É muito triste que tenhamos, nós, brasileiros, em plena era do desenvolvimento social, como o governo federal, insiste em nos fazer acreditar ter que passar por isso. É muito chato e desagradável.


Fica aqui meu desabafo.

Rafaela Valverde

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Por quanto tempo?



Estou pensando em quando o meu desejo vai ser realizado.
Quando é que vou poder sentir uma emoção única, mas ao mesmo tempo tão banal?
Será que vai ser agora? Na outra vez não deu certo.
Será que agora eu sou merecedora? Da outra vez não fui?
É a hora certa? Existe hora certa?
Será que não estou me confundindo? Será que estou certa?
O que estou sentindo, é real? O que é de verdade e o que é delírio?
Não quero me frustrar, por isso não acredito.
Preciso de confirmações, não acredito só no meu corpo e nos sinais que ele dá.
Mas também não quero acreditar em nada que discorde do que eu já sei.
Não concordarei com nada que me dê uma resposta negativa nesse momento.
E acabo ficando em cima do muro, no meio da linha tênue que existe entre esses dois lados.
Qual será a minha confirmação?
Vou acreditar nessa confirmação?
Por que ela não veio logo de primeira?
Por que eu tenho que sofrer esperando uma resposta?
Pra que tanta tortura?
Pra que tanta judiação com uma pessoa só?
Se vai ser não, por que me "assanha"? E por que me faz sofrer?
Uma dor física sem tamanho, estou sentindo. De não aguentar nem andar.
Fico pasma só de lembrar, do quanto alguém pode sofrer esperando algo que não vem.
E ainda a ansiedade permanece, por que os sinais permanecem e eles, os sinais, não mentem.
Ou mentem?
Por que o corpo e o cérebro da gente nos pregam peças como essas,
capazes de nos desmoralizar na frente dos outros?
Por que?
Por que?
A ansiedade me corrói e o que estou constatando é que terei
que conviver com ela nos próximos dias.



Rafaela Valverde

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