quarta-feira, 31 de julho de 2013

Dia de sorte

Sentei na cama estupefata olhando para ela que estava de pé, encostada na porta fechada. Arfava e eu pude observar o movimento dos seus seios subindo e descendo em uma respiração rápida e entrecortada. "Veio correndo", pensei. "Pra quê tanta correria"?- me perguntava enquanto ela me olhava assustada. Perguntei-lhe se havia visto "bicho papão" e ela me devolveu um sorriso amarelo de quem ficava sem graça toda vez que entrava em meu quarto de repente. Afinal nem éramos tão amigas assim e ela sempre entra no meu quarto quando em apuros. Era minha vizinha de quarto na pensão barata em que ultimamente me escondia e todo dia andava com um rapaz diferente. Um dia era o padeiro, no outro o vendedor de cachorro quente da esquina e no seguinte, o rapaz que carregava as compras das senhoras no supermercado. Pelo visto, os rapazes dos gêneros alimentícios eram o forte dela. E olhe que  esses só foram os belos garotos com quem me esbarrei no corredor.Ultimamente não tenho curtido mais garotos como antes. Estou entrando numa de garotas. E essa era linda e estava cada dia mais sexy. Os cachos dos seus cabelos caíam na testa e eu ficava doida. De repente ouvimos socos na porta ao lado. E gritos também. Era o marido dela. Bem, ele também gostava de belas mulheres, afinal! Foi quando ela trancou a porta e me olhou perguntando se eu podia ajudá-la, e que ele ia bater nela se a pegasse. Eu sorri e simplesmente pensei : "É  meu dia de sorte."


Texto ficcional escrito em 01/07/13


Rafaela Valverde

terça-feira, 30 de julho de 2013

O medo global - Eduardo Galeano

Os que trabalham têm medo de perder o trabalho.
Os que não trabalham têm medo de nunca encontrar trabalho.
    Quem não tem da fome, tem medo da comida.
    Os motoristas têm medo de caminhar e os pedestres têm medo de serem atropelados.
    A democracia tem medo de lembrar e a linguagem tem medo de dizer.
   Os civis têm medo dos militares, os militares têm medo da falta de armas, as armas têm medo da falta de guerras.
   É o tempo do medo.
   Medo da mulher da violência do homem e medo do homem da mulher sem medo.
   Medo dos ladrões, medo da polícia.
  Medo da porta sem fechadura, do tempo sem relógios,da criança sem televisão, medo da noite sem comprimidos para dormir e medo do dia sem comprimidos para despertar.
  Medo da multidão, medo da solidão, medo do que foi e do que pode ser, medo de morrer, medo de viver.



GALEANO. Eduardo. De pernas para o ar: a escola do mundo ao avesso. Porto Alegre: L&PM, 199, p.83



Rafaela Valverde

Te encontrar de novo

Ah, seu eu pudesse te ver de novo, Ah, se a chance que eu tive antes voltasse para me fazer feliz. Antes eu não pude aproveitar a chance de me entregar a você, mas agora isso é o que mais quero. Ah, se você soubesse como meu coração saltita quando ouço notícias suas. Meu corpo e minha mente ficam perturbados e eu perco noites pensando em você. Você sumiu da minha vista, talvez em um momento oportuno, mas agora prevejo que não sossegarei enquanto não puser meus olhos em você novamente.
Preciso ficar pelo menos olhando de longe, mesmo que não possa te tocar, mesmo que só fique vivendo de sonhar.

Rafaela Valverde

Não só de amor se vive



Não só de amor se vive. É necessário muito mais do que só amor. Junto com ele deve vir a admiração, o respeito, o ouvir, a compreensão, a lealdade, a vontade de estar junto e muitas outras coisas cuja ausência facilita o fim do amor. Se ele existir, ele não deve ser apenas demonstrado através de palavras. Como dizia Cássia Eller, palavras são apenas palavras e elas ecoam até desaparecerem no espaço. São esquecidas.

O amor deve ser demonstrado através de ações diretas e objetivas, mesmo que pequenas. As atitudes cotidianas por exemplo que eu valorizo muito, são demonstrações de carinho com o outro, demonstração de que se importa com o que o outro pensa e sim, são demonstrações de amor. Elas devem ser reivindicadas pelo outro, elas devem existir e não podem de maneira nenhuma ser subjugadas e menosprezadas. É minha opinião, mas eu acredito que o amor deve renascer junto com cada dia do ano e deve ser regado, adubado e cultivado, crescendo e melhorando a cada dia.

Se não for assim não adianta. Amor somente falado era convincente na época dos trovadores, românticos que tinham dificuldade em ver e tocar sua amada. Hoje não, as coisas estão mais "fáceis" e as relações muito objetivas e o amor deve ser visualizado pela pessoa supostamente amada e qual a melhor forma de visualizar se não através de ações cotidianas e demonstração de que se importa de verdade com o "ser amado".

Para finalizar, eu explico por que iniciei o texto dizendo que não só de amor se vive. Disse isso por que não adianta mesmo ter um amor falado todo santo dia e não demonstrar isso cotidianamente, é necessário muito mais que esse amor na teoria, sempre preciso de muito mais que isso. Dizer que ama no ouvido não é suficiente para manter uma relação limpa e honesta. É necessário um conjunto muito mais amplo de sentimentos e atitudes para que construa uma vida a dois saudável e permanente.


Rafaela Valverde

segunda-feira, 29 de julho de 2013

Será que eu vou vencer alguma corrida?

Vejo você tendo suas oportunidades, conquistando suas coisas, vivendo uma viva plena onde uma invejável e cansativa rotina te deixa realizada dia após dia almejando um futuro mais tranquilo financeiramente e com uma carreira ascendente. E eu, assisto tudo isso de camarote enquanto me sinto parada no tempo, apesar de o tempo passar rapidamente todos os dias. Irônico ou não, paradoxal ou não, é essa a minha relação com o tempo ultimamente. 

Além do tempo existe o fator sorte, que circunda você o tempo todo e nem chega ao dedo do meu pé. Isso me deixa muito triste, triste mesmo. Mas ao mesmo tempo consigo tirar forças para continuar firme na luta e não desistir de correr ansiosamente atrás de meus objetivos, que são simples, nada impossível de conseguir não. Enquanto isso eu tiro um tempo para fazer a unha do meu pé e em compensação você tem que pagar salão por que não tem tempo de fazer você mesma e ainda por cima as suas costas doem. Mas eu sempre vou achar que você tem mais sorte que eu, mesmo não tendo certeza disso. 

Vendo suas fotos, seus sorriso, sua luz vejo que você avança, enquanto eu ando igual a caranguejo. Passamos pelas mesmas adversidades e você conseguiu a mesma oportunidade que eu pleitei e queria tanto, não vou mentir, isso me dar raiva. Fico com inveja em ver o quanto a sorte sorri para você enquanto pra mim ela dá as costas, mesmo eu não tendo ficado esperando por ela e ter corrido atrás das coisas. Afinal, eu não fico em casa aguardando por ela, eu vou à luta!

Mesmo assim não sou agraciada e sigo me diminuindo, me achando menos que você e menos que todo mundo. Você progride, eu empaco e ainda observo. Mas é isso mesmo, vou me conformar com a minha vidinha mediana, onde o que eu quero não se realiza, mas as pessoas ao meu redor mesmo não querendo e não se esforçando tanto conseguem oportunidades além do que se pode imaginar.


Rafaela Valverde

Deliciosa preguiça invernal

Ando com uma preguiça preguiçosa e queria uma rede para deitar, uma almofada macia para recostar. Não quero sair de casa, eu só quero relaxar e tentar descansar de tanta amargura que insiste em me rodear. Ah, deixa eu parar, pois a minha intenção não é rimar e sim falar sobre a preguiça  que vem me acometendo ao longo desses dias e meses que me encontro em casa mais uma vez. É preguicinha boa. já que não me impede de realizar minhas tarefas obrigatórias diárias, mas à tarde ela vem com tudo e a vontade de ficar deitada no sofá é totalmente inevitável. E ainda fomos presenteados esse ano aqui em Salvador com um clima ameno, com um friozinho agradável que me deixa ainda mais caseira e fã do meu pequeno sofá. É aí que eu pego várias almofadinhas, uma colcha de chenile que era da minha vó e me acabo com filminhos água com açúcar e suspenses de qualidade duvidosa. 

Rafaela Valverde

sexta-feira, 26 de julho de 2013

Produtos para pele e cabelo








Gostaria de falar agora sobre as minhas aquisições. Na Avon, eu comprei algumas coisas e chegaram ontem. Comprei um lápis de olho, dois esmaltes,um perfume bem básico e baratinho mas que eu gosto muito, um hidratante de um litro por 18,99 com o nome geleia real, que tem um ótimo cheiro, um creme para pés da mesma linha geleia real, um creme para mãos de glicerina, já tradicional na avon. Aproveitei nessa campanha muita promoção e aproveitei para dar uma atenção maior aos meus pés e mãos que estavam largadinhos. Além disso, comprei um creme de cabelo com óleo de argan, é um creme para pentear que ainda não usei.


Além das aquisições da Avon, também comprei essa semana o shampoo, condicionador e creme de tratamento da Tresemmé para cabelos cacheados, é óbvio, investimento que ainda não usei também, mas andeis pesquisando em alguns  blogs e já vi que algumas meninas gostaram da linha. Portanto estou ansiosíssima para usar e assim que isso acontecer eu passo aqui e conto tudo, tá?













Biblioteca do Sesc e Monteiro Lobato em Nazaré



Sesc Nazaré
Nossa, hoje eu tive um dia como há muito não tinha. Fui à duas bibliotecas e em uma delas, passei entre os livros, coisa que eu amo fazer. A primeira biblioteca foi a do Sesc Nazaré aqui em Salvador. Sou associada ao Sesc e tenho cadastro nessa biblioteca, mas o Sesc têm outras em nossa cidade. Nessa biblioteca eu me dou bem, pois na maioria das vezes eu consigo encontrar os volumes que procuro e ela tem livros novinhos e livros na área de educação, minha ex área. Enfim...

A outra biblioteca que eu fui foi a Monteiro Lobato também em Nazaré. Essa biblioteca é especializada em literatura infantil e inclusive funciona de de domingo, com conversas com autores infantis e diversas programações infantis. Conheço e frequento ambas desde 2006 quando estudava no Colégio Estadual Severino Vieira e desde então tenho frequentado sempre que posso, inclusive também para ler revistas, jornais e fazer pesquisas. A Monteiro Lobato passou por inúmeras mudanças e melhorias desde então, e hoje eu vi o quanto o acervo do setor de empréstimos cresceu e se diversificou. Houve a informatização e agora os empréstimos são feitos através de sistema, o Pergamum, que é o mesmo da Biblioteca Central dos Barris, por conta disso eu já tinha cadastro lá, já que eles agora estão integrados.

Passei por entre os livros e vi que tem literatura inglesa, francesa, brasileira, alemã, americana, livros didáticos, biografias, livros de poema, técnicos, principalmente na área de saúde, fotografia e arte e muito mais. Eu gostei muito do que vi e andar entre livros me deixa muito, muito feliz. A Biblioteca Central podia seguir o exemplo da sua colega e nos deixar passear entre os livros, é claro tomadas as devidas precauções em relação à bolsas, mochilas e etc. 

Enfim, trouxe vários livros que pelo visto vou gostar muito e que vou divulgar e resenhar nos devidos momentos. O que me incomoda um pouco quando vou á bibliotecas é que elas quase sempre estão quase vazias, em relação aos shoppings, por exemplo. Na minha época eu saía da escola e ia sim para o shopping, mas eu também ia muito à essas duas bibliotecas fantásticas.

Fachada da biblioteca Monteiro Lobato


Rafaela Valverde

quinta-feira, 25 de julho de 2013

Queria voltar a ser criança

Foto: Reprodução/ Google
Como eu queria voltar a ser criança. Quando eu era criança, eu sabia o que queria, sabia o que queria ser e era mais segura de mim, segura da vida. "Ai que saudade da aurora da minha vida!" Quando eu era criança eu não precisava me preocupar com nada só com meus próprios problemas internos, escolares e de relacionamento com os colegas. 

Só isso afinal. Pouca coisa em relação ao que tenho que enfrentar hoje. Dizem que criança não têm conflitos e não se preocupa com nada, mas eu tinha. Como já disse, os de hoje são muito piores e é por isso que eu queria voltar para a minha infância, onde a esperança realmente nunca morria e eu sempre acreditei que quando eu crescesse, as coisas iam melhorar. Ingrata ilusão. 

E o pior é que antes eu era mais destemida e sempre parecia que sabia como resolver o que tava errado. Agora que sou adulta como sempre sonhei, não sei como lidar com os meus problemas e muito menos resolvê-los  e por isso queria voltar a ser criança.

Até a minha insônia diária parecia nada diante a minha infância e de toda uma vida que eu tinha pela frente. Hoje, ela vem de vez em quando, sorrateiramente, me consome e me deixa com os olhos pesados durante o dia.

Aliás foi olhando essas olheiras em uma foto 3X4 de uma carteira de identidade velha que eu me peguei pensando em tudo isso. Pois é, olheiras! Sempre as tive, sempre fui marcada por insônia e por problemas , mas sempre achei que quando crescesse eles não mais existiriam. Estou aqui escrevendo esse texto para comprovar que eles ainda existem: as olheiras, a insônia e os problemas e conflitos externos e internos.

Constato também o pior: não sei como lidar com eles e nem sei se algum dia vou aprender. Aliás nem sei se vou conseguir evitá-los e é por isso que queria voltar a ser criança.

Texto escrito em 30/06/13


Rafaela Valverde


Ser controladora é o meu defeito preferido

Foto: Reprodução/ Google

Ah, como posso achar que as coisas estarão sempre sob meu controle? Afinal, ainda não desenvolvi o poder de estar em vários lugares ao mesmo tempo. Não posso controlar o que eu não posso ver, mas sempre estarei pensando, imaginando e sofrendo por antecedência. Sou controladora sim e sempre acho que as coisas não vão "andar direito" se eu não estiver lá para vigiar e garantir o bom andamento de tudo: as coisas devem estar nos seus devidos lugares, o funcionamento e organização rotineiros de uma casa devem estar sobre o meu crivo permanente.

Geralmente eu não admito que um pano esteja cobrindo a prateleira errada ou que objetos indesejados estejam estejam em lugares como mesas de computador, Rack, etc. Afinal, lugar de chaves, bloco de anotações, carteira e fone de ouvido não é na mesa do computador, que por acaso fica na minha pequena sala!

E quando eu estiver fora, vou ficar imaginando se as regras impostas por mim estarão sendo seguidas ou se como sempre estarão sendo piamente ignoradas. Vou, mas ficarei sempre com um fio de angústia atormentando meu juízo. Pelo visto vou ter que começar a me acostumar com a angústia e frustração constantes provenientes dessa nova fase da minha vida onde ser controladora não fará parte dos meus planos.

Texto escrito em: 27/06/13 quando estava indo embora de casa.

Rafaela Valverde

Poema não terminado

Não importa o que vou fazer
Em que vou trabalhar ou qual faculdade vou estudar
O que importa é que eu sempre vou escrever
Independe de qual será meu futuro
Sempre escreverei, eu juro!

Não posso ver um papel limpo
Que vou sempre encontrar um assunto para preenchê-lo.



Rafaela Valverde

Estou de volta

Até que enfim voltei. Não aguentava mais ficar longe da blogosfera e principalmente do meu blog. Senti falta de escrever e acabei com um caderno com vários textos escritos à mão. Foi o que restou nesses dias. E serão esses textos que estarei digitando nos próximos dias e mostrar para vocês o que andei escrevendo enquanto estava off line. E por que fiquei fora durante todo esse período? Estava sem computador. Bem, meu notebook já deu pau há muito tempo e eu estou usando o PC. Esse último mês ele resolveu simplesmente parar de funcionar e como estamos muito duros, tivemos que esperar um pouco para repor as peças danificadas. Agora ele está até mais leve. Considerando que hoje fazemos tudo pela rede, inclusive mostrar que estamos vivos, não pretendo tão cedo ficar sem internet de novo. É HORRÍVEL. Foi bom apenas por que eu devorei livros. O fato é que estou de volta.



Rafaela Valverde
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