quarta-feira, 26 de maio de 2010

Poema, operário em construção de Vinícius de Moraes

Era ele que erguia casas


Onde antes só havia chão.

Como um pássaro sem asas

Ele subia com as asas

Que lhe brotavam da mão.

Mas tudo desconhecia

De sua grande missão:

Não sabia por exemplo

Que a casa de um homem é um templo

Um templo sem religião

Como tampouco sabia

Que a casa que ele fazia

Sendo a sua liberdade

Era a sua escravidão.



De fato como podia

Um operário em construção

Compreender porque um tijolo

Valia mais do que um pão?

Tijolos ele empilhava

Com pá, cimento e esquadria

Quanto ao pão, ele o comia

Mas fosse comer tijolo!

E assim o operário ia

Com suor e com cimento

Erguendo uma casa aqui

Adiante um apartamento



Além uma igreja, à frente

Um quartel e uma prisão:

Prisão de que sofreria

Não fosse eventualmente

Um operário em construcão.

Mas ele desconhecia

Esse fato extraordinário:

Que o operário faz a coisa

E a coisa faz o operário.

De forma que, certo dia

À mesa, ao cortar o pão

O operário foi tomado

De uma subita emoção

Ao constatar assombrado

Que tudo naquela mesa

- Garrafa, prato, facão

Era ele quem fazia

Ele, um humilde operário

Um operário em construção.

Olhou em torno: a gamela

Banco, enxerga, caldeirão

Vidro, parede, janela

Casa, cidade, nação!

Tudo, tudo o que existia

Era ele quem os fazia

Ele, um humilde operário

Um operário que sabia

Exercer a profissão.



Ah, homens de pensamento

Nao sabereis nunca o quanto

Aquele humilde operário

Soube naquele momento

Naquela casa vazia

Que ele mesmo levantara

Um mundo novo nascia

De que sequer suspeitava.

O operário emocionado

Olhou sua propria mão

Sua rude mão de operário

De operário em construção

E olhando bem para ela

Teve um segundo a impressão

De que não havia no mundo

Coisa que fosse mais bela.



Foi dentro dessa compreensão

Desse instante solitário

Que, tal sua construção

Cresceu também o operário

Cresceu em alto e profundo

Em largo e no coração

E como tudo que cresce

Ele nao cresceu em vão

Pois além do que sabia

- Excercer a profissão -

O operário adquiriu

Uma nova dimensão:

A dimensão da poesia.



E um fato novo se viu

Que a todos admirava:

O que o operário dizia

Outro operário escutava.

E foi assim que o operário

Do edificio em construção

Que sempre dizia "sim"

Começou a dizer "não"

E aprendeu a notar coisas

A que nao dava atenção:

Notou que sua marmita

Era o prato do patrão

Que sua cerveja preta

Era o uisque do patrão

Que seu macacão de zuarte

Era o terno do patrão

Que o casebre onde morava

Era a mansão do patrão

Que seus dois pés andarilhos

Eram as rodas do patrão

Que a dureza do seu dia

Era a noite do patrão

Que sua imensa fadiga

Era amiga do patrão.



E o operário disse: Não!

E o operário fez-se forte

Na sua resolução



Como era de se esperar

As bocas da delação

Comecaram a dizer coisas

Aos ouvidos do patrão

Mas o patrão não queria

Nenhuma preocupação.

- "Convençam-no" do contrário

Disse ele sobre o operário

E ao dizer isto sorria.



Dia seguinte o operário

Ao sair da construção

Viu-se súbito cercado

Dos homens da delação

E sofreu por destinado

Sua primeira agressão

Teve seu rosto cuspido

Teve seu braço quebrado

Mas quando foi perguntado

O operário disse: Não!



Em vão sofrera o operário

Sua primeira agressão

Muitas outras seguiram

Muitas outras seguirão

Porém, por imprescindível

Ao edificio em construção

Seu trabalho prosseguia

E todo o seu sofrimento

Misturava-se ao cimento

Da construção que crescia.



Sentindo que a violência

Não dobraria o operário

Um dia tentou o patrão

Dobrá-lo de modo contrário

De sorte que o foi levando

Ao alto da construção

E num momento de tempo

Mostrou-lhe toda a região

E apontando-a ao operário

Fez-lhe esta declaração:

- Dar-te-ei todo esse poder

E a sua satisfação

Porque a mim me foi entregue

E dou-o a quem quiser.

Dou-te tempo de lazer

Dou-te tempo de mulher

Portanto, tudo o que ver

Será teu se me adorares

E, ainda mais, se abandonares

O que te faz dizer não.



Disse e fitou o operário

Que olhava e refletia

Mas o que via o operário

O patrão nunca veria

O operário via casas

E dentro das estruturas

Via coisas, objetos

Produtos, manufaturas.

Via tudo o que fazia

O lucro do seu patrão

E em cada coisa que via

Misteriosamente havia

A marca de sua mão.

E o operário disse: Não!



- Loucura! - gritou o patrão

Nao vês o que te dou eu?

- Mentira! - disse o operário

Não podes dar-me o que é meu.



E um grande silêncio fez-se

Dentro do seu coração

Um silêncio de martirios

Um silêncio de prisão.

Um silêncio povoado

De pedidos de perdão

Um silêncio apavorado

Com o medo em solidão

Um silêncio de torturas

E gritos de maldição

Um silêncio de fraturas

A se arrastarem no chão

E o operário ouviu a voz

De todos os seus irmãos

Os seus irmãos que morreram

Por outros que viverão

Uma esperança sincera

Cresceu no seu coração

E dentro da tarde mansa

Agigantou-se a razão

De um homem pobre e esquecido

Razão porém que fizera

Em operário construido

O operário em construção

terça-feira, 25 de maio de 2010

Servidão humana - SOMERSET MAUGHAM


SERVIDÃO HUMANAAUTOR: SOMERSET MAUGHAMWillian Somerset Maughamm nasceu em 1874 em Paris, filho de família abastada, o pai era conselheiro na Embaixada Britânica, órfão aos 10 anos de idade, teve como tutor um tio, formou-se médico porém não exerceu a profissão, começou a carreira de escritor aos 23 anos de idade.Em 1915 escreveu Servidão Humana o seu maior sucesso.(na minha opinião), quando expõe as suas experiências na época da juventude, e enfatiza o seu ponto de vista sobre o ser humano, suas fragilidades, seus sonhos, seus desencantos, as rebeldias, e por fim a aceitação de todo caminho percorrido cujo destino, com certeza, já vem traçado.Philip Carey, um menino feliz, muito amado pelos pais.Ele nasce com um defeito no pé esquerdo, isso o faz mancar e desperta, ora piedade ora escárnio das pessoas que com ele convivem. Ao ficar orfão Philip é entregue ao tio, que será seu tutor. O tio Willian era pastor, levando e atribuindo a todos uma vida severa, onde tudo o que importava era os sermões que declamava na igreja aos sábados e domingos sua esposa Louisa o segui sem nada argumentar, foi com essa família que Philip viveu até a sua adolescência quando foi interno numa escola onde fez seus estudos para seguir a careira do tio. Na escola o menino foi martirizado pelos colegas pois faziam-no expor o seu defeito físico o que o tornou cada dia mais acabrunhado, dificultando a seu relacionamento com os demais estudantes e até mesmo com os professores.Philip decide que não quer seguir os passos do tio e resolve continuar os estudos entrando numa faculdade onde pretende fazer medicina, mesmo nesse curso ele continua a ser motivo de chacota tanto dos professores quanto dos colegas estudantes. Durante o curso Philip conhece Mildred ,a garçonete de comportamento amoral, fica loucamente apaixonado fazendo tudo para conquistá-la, ela porém o humilha e o despreza, só quer dele o dinheiro e o conforto, cruel e sem escrúpulos, interesseira, ela o escraviza pela atração física, até que ele consegue superar esse amor louco e encontre o equilíbrio. Só com o passar do tempo e depois de muito sofrimento Philip encontra Sally uma mulher jovem, batalhadora, que realmente o ama, sem o demonstrar ele só descobre seu afeto por ela quando imagina que a engravidou e ela de modo muito correto diz que foi um rebate falso, que ele não precisa se preocupar, pois ela jamais quer ser um estorvo na vida dele. Nesse momento Philip descobre o imensurável afeto que os


une e decidem se casar.

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Um resumo de minha vida!

Estou estudando muitos clássicos, como Marx e Weber e lendo livros e textos, nunca imaginados. Está sendo fascinenate e ao mesmo tempo cansativo.  Estudar Platão por exemplo, é dfifícil e muitas vezes pode ser desinteressante porém, é como se fosse um privilégio intelectualizante. Para poucos. No momento estou sem trabalhar. Por enquanto. Querendo viajar no São João. E no momento é só isso. Fui!

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Karl Marx e Paulo Freire

Karl Heinrich Marx (Tréveris, 5 de maio de 1818 — Londres, 14 de março de 1883) foi um intelectual e revolucionário alemão, fundador da doutrina comunista moderna, que atuou como economista, filósofo, historiador, teórico político e jornalista.




O pensamento de Marx influencia várias áreas, tais como Filosofia, História, Sociologia, Ciência Política, Antropologia, Psicologia, Economia, Comunicação, Arquitetura, Geografia e outras. Em uma pesquisa da rádio BBC de Londres, realizada em 2005, Karl Marx foi eleito o maior filósofo de todos os tempos

Paulo Reglus Neves Freire (Recife, 19 de setembro de 1921 — São Paulo, 2 de maio de 1997) foi um educador e filósofo brasileiro. Destacou-se por seu trabalho na área da educação popular, voltada tanto para a escolarização como para a formação da consciência. É considerado um dos pensadores mais notáveis na história da pedagogia mundial[1], tendo influenciado o movimento chamado pedagogia crítica
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