terça-feira, 18 de setembro de 2018

Inspiração mordaz

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Já se foi o tempo em que eu inspirava alguém
Se é que esse tempo já existiu
Talvez só inspirei troças
Entre meus jovens colegas que seguem

O tempo que ruiu
E não traz mais paz
Nunca trouxe, mas já serviu para alguém me amar
Já fui inspiração mordaz

Para quem queria pisotear meu pescoço
E me ver chorar
Sufocando caio no poço
Da injustiça

Dos que me usam para suas fantasias sórdidas
E a si mesmo enfeitiça
De veneno desmedido
Aqueles que matam

Me menosprezo sim
Sei que não inspiro mais ninguém
É claro para mim
Que a tua arte não me tem




Rafaela Valverde




Seu nome na capa de um livro

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O sonho dela sempre fora escrever um livro. A infância foi tomada pela escrita. E sempre se viu às voltas com livros, letras, livrarias, sebos, livros novos, livros velhos, imagens de livros... Observava sonhadora os nomes dos autores que lia e imaginava que um dia seu nome estaria na capa de um livro também. Mais importante que plantar uma árvore e ter um filho era escrever um livro. Passou anos pensando assim e não via mais nada ao seu redor. É claro que hoje espera que aquelas rosas plantadas no quintal contem como árvores e que seu relógio biológico não a impeça de parir um rebento. Mas se não parir adota. Agora, porém, vislumbrava seu sonho talvez se tornar realidade. Não sabia exatamente quando, mas estava trabalhando para isso. Foram recusas, foram não-respostas e finalmente havia chegado o sim mais desejado, o sim mais querido desde a infância. Não era aquele sim do altar, o sim que os noivos dizem. O sim mais desejado sempre fora o de ver seu nome e seus escritos em livrarias e nas mãos de alguém. E nesse momento almejava apenas organizar as últimas questões burocráticas que lhe cabia. Ainda não ia viver de livros, ora, mas quem é que vive de livros nesse país? Só os bem consagrados e olhe lá... Ainda não ia viver de sua escrita mas já era um bom começo e poderia começar a mandar a supervisora arrogante em pensamento para aquele lugar. Mas só em pensamento porque todos nós precisamos pagar as contas, não é mesmo? O que importa mesmo é ver pessoas de verdade lendo seus escritos. Escritos de anos. Poemas, contos e tudo mais. O que pudesse ser realmente lido e razoavelmente apreciado.  A vida lhe ensinara que era preciso ter modéstia e humildade. Ela sempre disse: "não gosto muito do que escrevo, sempre quero melhorar..." Ou ainda ousava dizer que queria escrever como fulana ou sicrana, sem entender seu próprio estilo, sua forma e maneira de escrever que refletia seu jeito de ser. Objetiva, direta, concisa, prática. Poucas palavras. Cortante. Gritante. Assim sempre fora ela. Assim é sua escrita. "Espero que meus leitores entendam. Espero que eu tenha leitores." O sonho dela hoje é ser lida, talvez assim possa ser entendida.



Rafaela Valverde

domingo, 16 de setembro de 2018

Diamante

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  "Deus é nosso refúgio e fortaleza, socorro bem presente na angústia." Salmos 46:1       


Jesus disse: "Ide e pregai o evangelho..." e é isso que os cristãos vêm tentando fazer ao longo de mais de dois mil anos. Eu no entanto, não me sinto à vontade ainda para fazer isso de maneira natural. Então, eu prefiro escrever. Tudo eu prefiro escrever. Sempre fui mais adepta das cartas do que das conversas. Ainda sou bastante calada, mas tenho melhorado. À medida em que minhas relações interpessoais vão aumentando vou melhorando, mas ainda assim prefiro estar calada mesmo. Palavras inúteis não me apetecem e já disse isso mais de mil vezes. Pois bem, saindo das minhas divagações e voltando para Jesus, preciso dizer que Ele transformou minha vida e meu coração. E vem fazendo isso todos os dias. Estou sendo moldada, lapidada e para isso preciso passar por tribulações para que estas gerem perseverança. Essa semana, minha amiga Rosi me disse que os diamantes precisam sofrer lapidações diversas para se tornarem belos e admiráveis. Eles são garimpados brutos e feios e passam por transformações até se tornarem bonitas e cobiçadas pedras. E eu sei que esses momentos em que sofro, choro, me angustio servem para me deixarem mais forte e perseverante. Jesus sofreu muito mais que eu, muito mais que qualquer pessoa aqui na terra e ainda assim não blasfemou, não desobedeceu e se manteve firme, cumprindo sua missão em nos salvar através da graça do Pai. Era muito difícil para mim acreditar nisso antes, mas hoje devido à ação do Espírito Santo a fé habita em mim e eu creio em todas as coisas contidas nas Escrituras. Quem sabe um dia me sinta preparada para falar para estranhos sobre o maior amor que já senti na vida. Do amor que vem transformando meu coração, me moldando e me ajudando a viver em santidade, assim como Ele. Ou pelo menos tentando, porque nunca serei como Ele. Que veio à terra como homem e continuou sendo santo. As coisas que tenho vivido com o Senhor em meu íntimo, em meu interior não se comparam a nada que existe nessa terra. Deus, o Pai tem sido meu maior consolo e minha maior fortaleza nos momentos de dor. As dores da lapidação. A cada dia que vou conhecendo mais o Senhor percebo e compreendo no meu interior que essas dores são necessárias e me sinto feliz por passar por isso. Sim, feliz! Por que os humilhados serão exaltados e o nome do Senhor será, através disso, glorificado todos os dias.



Rafaela Valverde


sábado, 15 de setembro de 2018

Creme 3 em 1 Mandioca e Quiabo Gold Cachos


O creme  de massagem, tratamento e pentear  de mandioca e quiabo da Gold Cachos traz já na frente da embalagem três promessas: hidratação profunda, para todos os tipos de cabelo e anti-quebra o que já dá a entender que o produto serve para fortalecer o cabelo e prover nutrientes. É indicado  para cabelos quimicamente tratados. 

Hidrata profundamente seus cabelos deixando- os fortes, macios e fáceis de pentear evitando a quebra dos fios deixando-os com brilho e volume reduzido. 




Após lavar os cabelos, com os cabelos limpos, retire o excesso da água, aplique o creme nos cabelos úmidos, uma quantidade suficiente para envolver todo o cabelo, massageie suavemente. Deixe agir por 20 minutos. Para melhor desempenho repita o uso. Já a recomendação para usar para pentear é ideal usar uma quantidade menor, até porque ele é bem consistente.

O cheirinho é bem característico de produtos capilares, a consistência é ótima, como já disse e o efeito é imediato. Já sinto a maciez assim que começo a aplicar e ele ajuda a desembaraçar e até depois de seco sinto o cabelo macio e com brilho. Usei mais para pentear e segura legal os cachos pelos três quatro dias que passo sem lavar. Enfim, gostei bastante e recomendo. A embalagem é de um quilo e custou 9,49 num mercadinho aqui no bairro. Produto bom e barato. Amo!



Rafaela Valverde


Mau humor matutino

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Quando resolvo levantar da cama, levanto de mau humor. No alto da minha idade e nessa altura do campeonato ainda não consigo entender porque continuo acordando de mau humor. Aí acabo me sentindo culpada por isso. Não desconto em ninguém, não brigo com ninguém - taí uma coisa que não faço há meses: brigar com alguém - mas ainda assim me sinto culpada.  Acordo com meu mau humor, como minha banana e vou caminhar. Quando volto já estou de boa, então nem dá para descontar em ninguém, mesmo que eu quisesse e mesmo que eu fosse aquela pessoa irada que eu era.

Na verdade é o que tenho feito ultimamente. Listando meus defeitos e pecados e me sentindo culpada por eles. E até mesmo me sentindo culpada por meus sentimentos. Se me sinto solitária, triste e angustiada me sinto culpada e se acordo de mau humor me sinto culpada. O que preciso entender é que eu sou ser humano. E é disso que preciso me lembrar todos os dias: ser humano! Pessoa, com muitos defeitos, mas também com qualidades.

O Senhor me conhece e me ama mesmo com os meus defeitos e pecados. O Senhor me perdoou e me perdoa mesmo que esteja muito irritada na primeira hora do meu dia, mesmo que eu xingue a chuva  que interrompe minha caminhada, mesmo que... São muitos "mesmos que..." O que não significa que eu não vou continuar me incomodando com os erros que cometo e com meus momentos de irritação diários. Continua me incomodando sim e eu continuo orando para que isso não afete outras pessoas e meu relacionamento com elas, mas eu também me aceito do jeitinho que eu sou, por Deus me fez assim e continua permitindo que eu seja assim.

Pelo menos não sou casada, nem divido o quarto com ninguém. Quando eu era casada não acordava de mau humor, ao contrário. Acordava até felizinha. Eu descontava minhas "brabeza" nele era ao longo do dia. Mas isso é passado e já fui perdoada por ele.  O fato é que tenho acordado irritada, mas o fato mais importante é que isso passa no decorrer do dia. Não sei ficar de mau humor o dia todo. Nunca soube. Ninguém é uma coisa só. Ninguém é de todo ruim. Muito menos eu.




Rafaela Valverde

quarta-feira, 12 de setembro de 2018

Acompanhamento familiar das crianças na escola

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Passo minhas manhãs  dentro de escola desde o mês de março, mês em que comecei a estagiar na rede municipal, através da Secretaria de Educação do Município. O que tenho observado desde então é que como confirmado, temos muitos problemas nas escolas públicas. Mas nem sempre esses problemas se relacionam apenas a questões estruturais e quase nunca se relacionam aos profissionais. Estes em sua maioria, pelo menos os que eu conheci nesses meses, são bastante comprometidos e competentes.

O maior problema a meu ver é a falta de envolvimento da família, especialmente dos pais na trajetória escolar dos filhos. Até semana passada estava em outra escola, acompanhando turmas de sexto ano com as professoras regentes de Língua Portuguesa. Agora estou em uma escola aqui do meu bairro, com meninos menores - terceiro ano do ensino fundamental - focada mais nos momentos iniciais de  aquisição de leitura e escrita e também com alfabetização. Surpreendentemente, para mim que comecei a ler com quatro anos, tem meninos com na faixa etária de oito, nove, até dez e onze que não sabem ler muito ou nada.

E olhe que hoje é quarta e estou na escola desde segunda feira apenas. Já consegui identificar alunos que não leem nada ou quase nada e que escrevem por apenas serem copistas. Aquelas crianças que escrevem o que o professor escreve no quadro e mais nada além do nome e ainda assim não faz ideia o que está escrevendo. Somado a isso ou em decorrência disso - acho que na verdade é um círculo vicioso - têm as famílias ausentes. A escola manda chamar, informa que vai entrar em contato com o Conselho Tutelar e nem assim. São feitas reuniões bimestrais e os pais que mais precisam estar presente são os que não vão. Momentos em que a escola enche é quando o bolsa família é bloqueado. Aí já vi presença de mães indignadas que quando viram a caderneta se assustam com a quantidade de faltas. Nem sabem que os filhos não frequentam a escola.

É claro e óbvio e eu nem precisava dizer isso, que há famílias que acompanham de perto.  Mas são poucos os que são presentes e assíduos. Devo dizer que esses alunos que as famílias acompanham são bons alunos, se destacam e a gente consegue perceber a claramente a diferença. Fico muito triste de constatar o tanto de problemas que acometem as salas de aula para uns poucos professores administrarem. Fico muito triste em ver que existem famílias que não ligam para as crianças  que colocaram no mundo. Dói muito meu coração ver o tanto de crianças doentes, com déficit de atenção, hiperatividade, dislexia entre tantas outros problemas. Fora os de cunho social. Fora  as questões que todos nós já sabemos. Crianças que tomam medicamento e fazem acompanhamento com psicólogos e psiquiatras. Quando adoecemos tanto nossas crianças? Quando adoecemos os pais dessas crianças? Como vamos lidar com esses adultos no futuro?  Fica aí a reflexão...



Rafaela Valverde 
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