quinta-feira, 27 de abril de 2017

Retrato - Cecília Meireles


Eu não tinha este rosto de hoje,
Assim calmo, assim triste, assim magro,
Nem estes olhos tão vazios,
Nem o lábio amargo.

Eu não tinha estas mãos sem força,
Tão paradas e frias e mortas;
Eu não tinha este coração
Que nem se mostra.

Eu não dei por esta mudança,
Tão simples, tão certa, tão fácil:
— Em que espelho ficou perdida
a minha face?




Rafaela Valverde

Há dez anos eu fazia 18


Há dez anos eu completava dezoito anos, eu achava, assim como todo adolescente, que os dezoito anos abririam portas e tornariam a vida mais fácil, ou mais feliz. Ou pelo menos diferente. A gente sempre trata as idades como etapas. Na verdade, o tempo ou uma determinada quantia de tempo. Até os dezoito, antes dos trinta, depois dos trinta, etc. Sempre há rótulos e demandas a depender da década em que se vive.

A gente não se dá conta e acaba sendo a mesma pessoa que foi no ano e na idade anterior, mas a gente muda muito. E é claro que em dez anos muitas coisas mudam, inclusive na aparência e no peso. Engordamos e melhoramos. Deixamos os óculos de lado e evoluímos intelectualmente e muitas outras mudanças. Eu, por exemplo, ao contrário de dez anos atrás, adoro poesia. Eu não tinha paciência nenhuma para poemas. Eu tinha problemas de auto estima e me achava feia.

Eu tinha dezoito anos e quando a gente tem essa idade tem muito pouco o que mostrar além das aparências. Ainda não construímos nada, salvo em raras exceções, não temos experiência e ainda estamos começando a vida, aprendendo e adquirindo experiências. Dessa forma, as aparências são bastante valorizadas mesmo.  Funciona assim: "fulaninho é feio, cicraninho é gordo e feio..."

Bom, pelo menos é assim que eu vejo hoje. Não é porque os meninos são malvados, não. É porque são adolescentes. Eu fui adolescente e há dez anos, há apenas dez anos eu completava dezoito. E sem que eu me desse conta os anos foram passando, as coisas foram acontecendo e eu fui mudando. Muita coisa aconteceu. Mudei de empregos, de cursos na faculdade, casei, separei, sofri, chorei, sorri, me divertir, viajei. A vida foi passando e fui me tornando quem sou hoje.

E com certeza hoje não vejo apenas aparência no espelho, nem minha e nem das outras pessoas. Somos muito mais que um corpo magro, ou um cabelo liso e uma pele perfeita, somos seres humanos. Com subjetividades, peculiaridades, sentimentos e atitudes. É isso, dez anos é um período curto ao mesmo tempo que é uma grande quantidade de anos. Depende do ponto de vista, depende do que se faz em dez anos. Eu aprendi muito, eu sou outra pessoa. Bem mais gorda, sem óculos, cacheada e sem química, com uma mente aberta, escritora, independente que sabe o que quer da vida. Eu cresci!




Rafaela Valverde

terça-feira, 25 de abril de 2017

Texto que minha amiga Fernanda fez para mim ♥

Recebi esse maravilhoso texto da minha amiga Fernanda no domingo, meu aniversário. Eu amei! Me emocionei demais com essa genial definição de mim. Só quem é muito boa com as palavras e me conhece bem demais é capaz de me descrever tão bem. Obrigada, miga. Te amo, também, amei a homenagem.
A referida foto é essa abaixo:





Você pra mim é como uma rosa. Flor que sabe ser aroma e espinho. Amor e dor. Pode perfumar e também perfurar. Pode estar tanto no início quanto no fim. Pode vir em variações dependendo de quem observar. As vezes num vermelho intenso e esplêndido, outras num branco poético e de paz. Pode refletir o romantismo dos que te querem como presente ou a brutalidade de quem tenta do seu jardim te arrancar. 
Escrevo isso na tentativa de eternizar-te em mim como és na sua mais pura essência: Flor! 
Gosto muito dessa foto e mais ainda de você. E enquanto pudermos e quisermos, serei apreciadora da tua beleza e felicidade. Feliz vida, flor da minha!♥♥





Rafaela Valverde

Apaixonamentos


Apaixonamentos estão fora de questão
Sabe, aqueles em que ficamos bobos
Sem saber o que fazer ou falar
Isso não tem mais cabimento por aqui
Não há mais quem caia nessa
Pelo menos entre as gentes que se prezem
Apaixonamentos não têm vez!
Encantamentos são estupidez!
Não adianta fingir que é mais forte que o mundo
Se cai nessas ciladas
Feito idiota
Mas aqui essas coisas estão fora de questão, repito
Não  há o que se discutir
Aqui não entram mais, em meu peito
Esses típicos apaixonamentos
De quem anda à toa por aí
Sem saber como andar
E para onde ir
Apaixonamentos não!




Rafaela Valverde


segunda-feira, 24 de abril de 2017

Recife - Erel 2017


Estive esse mês pela primeira vez em Recife Pernambuco. Fui ao Erel - Encontro Regional dos Estudantes de Letras. Fui apresentar pela primeira vez meu trabalho de pesquisa. Tivemos alguns perrengues, eu e meus amigos, em relação ao acampamento e à organização do evento realizado pela UFPE, mas fora isso amamos Recife.

Eu pelo menos gostei bastante. Visitamos Olinda e Porto de Galinhas que são municípios próximos da capital. Essa foto acima é de Recife antiga, Marco Zero. Primeiro lugar que fui. Além de atividades acadêmicas na universidade, turistamos bastante na cidade e região. Tenho que dizer que sempre rola alguma comparação e eu senti inveja de Recife por dois motivos principais, claro que foram só cinco dias que estive lá, então minha análise é superficial. Então, os pontos que tive inveja da cidade foi que Recife conserva seus prédios históricos e consequentemente sua história. Pode ter problemas do tipo mas meus olhos encantados de turista viu poucos prédios mal conservados e nenhum em ruínas e perto de cair.

Como eu disse, pode ser que meus olhos tenham se enganado, mas foi essa a impressão que tive. A segunda inveja de Recife é relacionada à limpeza urbana. Sinceramente, alguém dizer que Salvador é uma cidade limpa deve ser cego. Soteropolitanos são muito mal educados e em a cada canteiro, bueiro e canto da nossa cidade é possível encontrar alguma embalagem de picolé ou garrafa de água. É só sair olhando atentamente os cantos da cidade, que vê fácil, fácil a sujeira de Salvador.

Eu observei os cantos de Recife também. Pouco, pelos poucos dias que passei lá, não é suficiente, mas ainda assim, notei que os cantos entre a rua e meio fio não têm garrafas de água, nem palitos de picolé como aqui na minha amada cidade. Perto da UFPE tem várias barracas de lanches e ponto de ônibus, por ali dá até para ver talvez um papel de bala ou outro que o vento leva, mas é diferente da sujeira que parece que brota do solo de Salvador. Enfim, eu acho que é mais uma questão de educação mesmo, já que o cidadão soteropolitano atira quantidades enormes de lixo pelas janelas dos ônibus e carros. É isso, é só minha impressão sobre alguns fatos que observei na cidade. E fora que Recife já tem BRT que é um tipo de ônibus mais rápido, com pontos específicos e que dizem que há anos que terá em Salvador também. Enfim, amei Recife, Ipojuca que é onde Porto de Galinhas e Olinda.




Rafaela Valverde

quarta-feira, 19 de abril de 2017

Terceiro dia


Era o meio do terceiro dia de obra. Três dias sempre foi o meu número. Sempre que convivia ou encontrava a pessoa por três dias eu já ficava afim. Mas dessa vez é diferente, a convivência é mais intensa, essa obra parece interminável e eu não estou mais sabendo me controlar, nem disfarçar. Meu tesão estava na cara. Ele já tinha me visto passar de toalha pela sala e de biquíni quando voltei da piscina. 

Ele é o mestre de obras, portanto estava aqui quase todo o tempo. Gostoso, com uma barba bem feita, uma cor linda. forte, mas rústico, não aqueles boys malhados de academia. O corpo dele era formado pelo trabalho pesado mesmo. Era uma delícia. As mãos grandes e pelos. O homem é maravilhoso e eu estava toda derretida.

Passei pela sala e perguntei quando a obra iria realmente terminar, já havia sido estendida demais e eu não aguentava mais aquela poeira. Mas, se o mestre da obra quisesse ficar ele podia. Ele veio até mim já que o barulho estava muito alto e falou que dali a mais dois dias tudo estaria finalizado. Olhei ele de forma provocante, de cima a baixo; aquele olhar safado, mal intencionado mesmo. Ele fez o mesmo, de forma um pouco mais discreta. Eu estava com um short jeans azul escuro colado no corpo e uma blusa rosa fina, sem sutiã. Eu não uso sutiã.

Senti minha calcinha molhada com aquele olhar e sem ao menos mexer a cabeça apontei o corredor onde ficava meu quarto com os olhos. Sem falar nada ele virou e dispensou para o almoço os pedreiros. Esperou eles saírem, fingindo que fazia anotações. Depois veio até mim, me puxou com uma mão pela cintura e me beijou.  Me jogou sentada no balcão da cozinha. Que pegada!

O beijo foi tão intenso que feri minha boca, mesmo assim continuei a beijá lo com uma urgência, um desespero. Tirei sua camisa e mordiquei seus mamilos, ele beijou meu pescoço, nem sei se foi assim, nem sei qual foi a ordem das coisas. Eu já estava toda envolvida naquele corpo, não conseguia nem raciocinar. Tirei minha blusa e senti sua mão grande e forte, com calos tocar meus seios. Seu hálito quente chegou aos meus mamilos e eu gemi. Revirei os olhos e ele apalpava minha coxa com força; doeria se não fosse tão gostoso.

Desci do balcão, peguei sua mão e o levei para o quarto. Ele deitou de costas e eu puxei sua calça jeans, deixando o de cueca, sentando por cima e me esfregando em seu membro duro. Após um tempo assim chupei- o. Ele gemeu e falou que tava gostoso. Não demorou muito e ele disse que preferia chupar. Tirou meu short e eu já estava enlouquecida com aquela pirraça de tesão. Quando senti sua língua, quase desfaleci de prazer. Gozei. E essa foi só a primeira vez. Esse homem é gostoso demais. Transamos algumas vezes, até sermos interrompidos pelos pedreiros que já voltavam do almoço. Duas horas nunca passaram tão rápido. Mas ainda tínhamos mais dois dias de obras, mais quatro horas!




Rafaela Valverde
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...